EAD NÃO!

Dias atrás fiz um post no Instagram onde me posicionei contra o ensino EAD, em nível de graduação, do Design de Interiores.

De pronto, choveram comentários indignados contra meu posicionamento. De “preconceito” até a ataques pessoais, apareceu de tudo um pouco.

Só não apareceu qualquer argumento que merecesse ser refutado.

Honestamente me deu preguiça ler tudo aquilo e uma vergonha imensa com duas pontas:

Primeira: dos alunos desse curso que não se dão conta do quão superficiais esses são e o quanto estão sendo enganados.

Segunda: dos profissionais envolvidos na criação e implantação desses cursos virando as costas para a dignidade da profissão em favorecimento dos interesses das IES privadas que lhes dão emprego.

Não vou me estender aqui nesse post sobre o assunto pois a questão é muito técnica e estou elaborando um material sobre o assunto. Mas ficam algumas pistas:

  1. Afirmar que EAD é o futuro eu concordo. Porém, não há como inserir levianamente nesse futuro os alunos da realidade brasileira que, em aulas presenciais, tem dificuldades imensas para compreender o conteúdo. Quiçá no EAD onde o professor não está à disposição ali, no momento do ato, para sanar e ensinar. São realidades distintas entre os países onde os alunos tem uma sólida formação básica e os daqui.
  2. Se os materiais fossem realmente bons (e sei que não são), os tais cursos não se recusariam a encaminhá-los para apreciação de um corpo docente qualificado – como, por exemplo, o Conselho Acadêmico da ABD. Mas eles se negam.
  3. Fui convidado anos atrás para elaborar o material da disciplina de iluminação para o primeiro destes cursos. Dos 25 tópicos que elenquei, recebi um aviso que somente poderia abordar os CINCO indicados e teria apenas 40 páginas de uma apostila para explorar o conteúdo. IM-POS-SÍ-VEL! Primeiro pela quantidade de conteúdos e, segundo, por causa dos itens fundamentais para o desenvolvimento de projetos luminotécnicos que ficaram de fora. Qualquer youtuber bem ruinzinho oferece vídeos com muito mais conteúdo que estes cursos EAD. Óbvio que me recusei a participar dessa enganação.

Existem muitos outros motivos ainda que me levam a esse posicionamento. O principal (que ultrapassa os interesses financeiros das IES privadas, vergonhosos por sinal) diz respeito ao que a imagem acima apresenta. Qualquer especialidade do Design na modalidade EAD somente serve para aqueles que já dominam e tenham conhecimento pregresso do que é Design, suas técnicas, ferramentas e abordagens.

Não vejo problema nos cursos técnicos em EAD pois estes trabalham apenas com projetos de baixa complexidade, bem diferentes e mais simples que os trabalhados pelos profissionais de nível superior.

Por hora fica isso exposto.

Me convençam de que estou errado e mudo meu pensamento.

Mas já aviso: sem mimimi.

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