Tag: observação

  • Exercício de observação – vídeoclipe

    Sempre digo que um excelente (e gostoso) exercício é a análise de fotos e vídeos. Os videoclipes evoluíram muito em vários aspectos, dentre eles, cenografia e iluminação.

    Para fazer este tipo de exercício devemos:

    – assistir a primeira vez apenas para “curtir” e dar uma geral no clipe.

    – a segunda e subsequentes vezes, buscando informações visuais ali presentes. Aqui você pode separar os elementos. Primeiro observe a cenografia quantas vezes forem necessárias. Depois a iluminação e assim por diante.

    Pois bem, vamos então analisar o vídeo “Dance Again”, com Jennifer Lopez ft. Pitbull.

    Descontem a beleza e sensualidade sublime da Jennifer e a força masculinidade do Pitbull ok? rsrsrs

    Então respondam às seguintes questões:

    Cenografia:

    1 – Quantos cenários (estruturas) temos neste clipe?

    2 – Qual deles é o cenário principal?

    3 – O primeiro cenário tem estrutura fixa ou móvel?

    4 – Quais os elementos decorativos existentes no primeiro cenário em que a Jennifer aparece?

    5 – Quais os revestimentos ou materiais deste cenário?

    6 – Quais os elementos decorativos que aparecem no primeiro cenário que o Pitbull aparece?

    7 – Quais os revestimentos ou materiais deste cenário?

    8 – Qual a intenção (ou relação com o que) daquele teto cheio de figurantes?

    9 – Qual o material utilizado para a parte onde ela está deitada (parece areia)?

    10 – No cenário da dança, quais os elementos decorativos e materiais utilizados?

    11 – Há um cenário com duas portas que aparece rapidamente. Quais os elementos decorativos e materiais nele empregados?

    12 – No final do vídeo aparece um elemento que parece ser um vidro de perfume. Qual a relação dele com a cenografia?

    13 – No cenário da dança, qual o tipo de fundo utilizado?

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    Iluminação:

    1 – Quais os tipos de luminárias existentes no primeiro cenário em que a Jennifer aparece?

    2 – Quais os tipos de efeitos destas luminárias e temperatura de cor?

    3 – Quais os tipos de luminárias que aparecem no primeiro cenário que o Pitbull aparece?

    4 – Quais os tipos de efeitos destas luminárias e temperatura de cor?

    5 – Em iluminação cênica, qual efeito predomina em todos os cenários?

    6 – No cenário principal há interferência da iluminação cênica. Qual o tipo de efeito e porque ela se destaca sem “apagar” a outra?

    7 – No cenário que tem aquele “glitter” voando, quais as cores das luzes?

    8 – No cenário da dança, quais as cores das luzes?

    Bom exercício!!!

  • E quando o cliente…

    … se nega a definir cores e estilo?

    É bastante comum aparecer cliente do tipo que se nega a  definir algumas – ou muitas – coisas no projeto. Estilo, mobiliário e cores, muitas coisas são deixadas nas nossas mãos.

    Em alguns casos, isso se deve ao fato de tratar-se de “novos ricos” que tem consciência do seu “gosto duvidoso“. Em outros casos, detectamos a total insegurança do cliente em ter de definir o que quer que seja. Há ainda aqueles que escondem-se atrás do “eu tou pagaaaaaaaaaaaando” pra você fazer o projeto, então resolva.

    Um outro ponto é que os clientes geralmente nos vêem como pessoas de extremo bom gosto, antenados nas tendências e novidades… na verdade arrogantes, insensíveis, egocêntricos. Tudo bem que tem muito designer e arquiteto por aí que reforça isso, mas não vamos generalizar e vamos lutar contra esse tipo de pensamento.

    Bom, mas voltando então ao assunto do post, como sair dessa saia justa?

    Postei no Twitter e no Facebook a seguinte questão:

    “O que fazer quando o cliente se nega a escolher as cores??? Nem uma dica ou pista de suas preferências nesse sentido??? HEEEEEEEEEEEELP!!!!”

    Bom, foi uma brincadeira para ver como os amigos profissionais resolvem isso. Rapidamente recebi algumas respostas:

    “@arqsteinleitao: Pergunte as que ele NÃO gosta.”
    Também não funciona. Ele não quer dizer absolutamente nada sobre as cores.

    “Adriana Diniz: é complicado hein… mas já aconteceu comigo, fui nas básicas com toques de cores e deu certo, pq. percebi que os olhos da cliente, ficaram bastante tempo num projeto antigo assim…bj”
    Dry, é realmente acertado partir nessa linha. Mas no meu ponto de vista isso cria uma onda de projetos “iguais”, sem personalidade – no tocante à escolha das cores. Vejo mais ou menos como os modismos (tendências).

    Agora todo mundo de “off-white”, agora é o “azul da prússia da violeta da cracóvia”….

    Posso também extrapolar os limites e dizer: agora “todo mundo levanta a patinha, finge de morto”.

    Ou ainda: “agora todo mundo no Crééééééééu n°5″…

    Tá, mas aí entra a questão do que eu escrevi do post “Tendências: muita calma nessa hora“. O que serve para um, não serve para o outro. O que está na revista da moda, pode não ser o ideal para o cliente.

    É complicado e arriscado ir por essa linha. O cliente pode até gostar num primeiro momento, mas com o passar do tempo irá começar a desgostar, enjoar, sentir a falta do seu eu no espaço, demonstrando que o stimmung foi errado no momento da concepção/especificação do projeto.

    Já o meu amigo Marco Antonio Felipak disse: “Peça para ver a gaveta de roupas intimas dela…ou a de cuecas do marido são sempre elas que compram, então vai descobrir a cor kkkkkk”

    Tirando a gozação e a invasão extremada da intimidade pode até ser uma boa saída. Mas convenhamos, não dá para fazer isso com todos os clientes. Até mesmo com os clientes-amigos isso é complicado.

    Mas o foco que ele colocou em meio à brincadeira está mais preciso. Apesar da invasão extremada da privacidade do cliente, vamos analisá-lo por um outro ponto de vista:

    Todo projeto parte de um brieffing (ponto).

    Mas o que vejo é que muitos profissionais levam esse brieffing ao pé da letra do que é (mal)ensinado nas universidades: perguntas e respostas. Porém o que não é passado corretamente nas universidades é que perguntas fazer e como fazê-las sem que o cliente se sinta ofendido ou invadido em sua intimidade. É uma linha muito tênue e sensível que define a futura relação profissional X cliente: pode vir a ser excelente, mas também pode tornar-se um desatre total.

    No brieffing entram questões sociais, financeiras, familiares, necessidades entre outras. Mas também entram questões mais perigosas como as religiosas, sexuais (sim, afinal você irá trabalhar o “ninho do amor” e terá clientes heterossexuais, bissexuais, homossexuais, transsexuais, que tem fetiches, etc) que são de foro extremamente íntimo. Então a questão das perguntas e respostas pode se transformar num desastre total.

    Todo cuidado deve ser tomado e NEM TODAS AS PERGUNTAS DEVEM SER FEITAS NOS PRIMEIROS CONTATOS.

    O que percebo é que falta um elemento importantíssimo aos profissionais nessa fase:

    A OBSERVAÇÃO.


    Obervar o cliente:
    Seu jeito de falar, vestir-se, movimentar-se, expressar-se sobre assuntos variados demonstram facilmente muito do seu ser, de sua personalidade, de seu modo de vida. Mas cuidado pois pessoas que falam pelos cotovelos podem usar isso como defesa ou auto-afirmação.

    Observar o cliente em suas preferências:
    Por exemplo, em qual cadeira ele se sentou ou fez você sentar-se para a entrevista? Ou ele é egoista e sentou-se no que julga ser o melhor assento ou o seu preferido (!) ou te ofereceu o melhor para sentar-se confortavelmente.

    Observar o cliente em sua hospitalidade:
    Ele te serviu algo para beber ou comer? Ótimo, observe suas louças ou copos. Isso já te diz muito sobre o seu estilo – principalmente se ele disser algo do tipo “desculpe pelo copo, mas é o que tenho no momento”. Aproveite a deixa e comente sobre os “cristais cica” e sua brasilidade. Se ele não oferecer nada, peça um copo d’água. Isso não é grosseria de sua parte.

    Observar o ambiente como um todo:
    Certamente na sala – ou onde quer que seja que ele te recebeu – terão diversas pistas sobre o que o agrada. O conjunto de elementos o farão ter uma noção do estilo que ele insiste em não definir. Até mesmo a escolha e disposição dos tapetes, toalhas, caminhos podem dizer muito sobre a personalidade do cliente, por mais simples que sejam.

    Assim, tirando o branco padrão das paredes e aquelas cortinas das casas Pernambucanas, conseguimos chegar às cores preferidas ou aquelas que mais agradam ao cliente bem como à uma base do seu estilo.

    Observar a sua história:
    Caso perceba algum móvel ou objeto interessante, especialmente antigo, questione sobre o mesmo. E procure “pescar” elementos na sua fala que possam servir de ligação com outros detalhes que podem ser perguntados.

    Observar o “brilho nos olhos”:
    Quando você comenta sobre alguma coisa é fácil perceber o conforto ou desconforto com o tema/assunto. A linguagem corporal nos diz muito sobre isso. Também é fácil levar algumas imagens para que o cliente as observe. Porém é difícil para alguns clientes apontar algo. Geralmente eles param mais tempo observando o que gostam ou os incomoda. Nesse momento lance apenas um “E…?” Por mais tímido ou indeciso que o cliente seja, ele vai comentar algo sobre a imagem observada.

    Eu geralmente gosto de usar imagens de objetos e não de ambientes. Tres ou quatro sofás, cadeiras, tapetes, estantes, copos/taças, pendentes, etc. Isso facilita detectar o que agrada e o que não agrada ao cliente sem precisar questioná-lo, apenas observando-o.

    Já com imagens de ambientes prontos o cliente pode confundir-se. Por exemplo, ele pode gostar do vaso sobre a mesa – e não gostar dessa – mas não ser capaz de abstrair e perceber isso, indicando o conjunto como um todo. Ou ainda uma parede com um papel de parede estampado com flores – que lhe agrada – com um espelho à frente, mas não gostar do tom empregado no papel e nem do formato/desenho/estilo do espelho. Porém o seu gosto por flores vai sobrepor-se à cor e ao formato do espelho. E ele não saberá explicar isso.

    Fonte: http://www.modernidademoveis.com.br

    O brieffing das perguntas programadas (vida social, familiar, necessidades, acessibilidade, estilo, cores, revestimentos, etc) jamais será completo sem a inserção de questões oriundas da observação.

    Não tem como prevê-las, elas somente acontecerão SE, e somente SE, o profissional tiver a sensibilidade da observação.

    É bastante psicológico isso e exige muito da percepção mas não é impossível a qualquer profissional conseguir chegar a esse ponto de excelência no brieffing. É apenas uma questão de treino, estudo do comportamento humano e….. observação.

    Aproveito e deixo aqui esta dica para quem está à procura de um tema para seu TCC.

    É um excelente assunto!

  • analisando iluminação

    No post anterior, onde expliquei o porque de não postar freneticamente, coloquei também o porque não gosto de realizar postagens apenas com imagens. No entanto quero deixar claro que não acho este tipo de postagem inútil, muito pelo contrário.

    Eu sempre olho estes posts porém usando uma metodologia bastante analítica e crítica. Já escrevi aqui sobre ela num post ja ha bastante tempo. Ele foi alvo de críticas de algumas pessoas que alegaram não ser possível realizar este exercício uma vez que não conhecemos o autor do projeto, o conceito, etc. Porém alguém aqui sabe esses e outros dados de todos os ambientes que entramos diariamente? Claro que não. E sempre ouvimos comentários sobre os ambientes.

    Então, mantendo a linha de pensamento deste exercício, vamos aplica-lo à iluminação neste post.

    Pode parecer estranho para quem lida com interiores, mas sempre que olho para uma foto ou entro num ambiente, o faço “olhando para cima” ou seja, para a iluminação. Claro né, sou lighting designer. Depois de observar este item é que parto para a parte de interiores propriamente dita.

    Nesta primeira observação, a intenção é conseguir detectar de onde vem a luz, ou luzes. Quantas, onde e quais são as fontes de luz.

    Isso ajuda a perceber como o projeto foi trabalhado e também se houve cuidados com ofuscamento direto, se o trabalho foi feito usando fachos retos (fácil) ou cruzados (difícil), se a temperatura de cor está correta para o projeto, se o IRC é adequado, se houve a preocupação com luz e sombra entre tantos elementos. Outro elemento importante a ser observado é o tipo de iluminação empregado. Uplight, downlight, built-in, sidelight, direta, indireta, etc. Há variações? Se há, ponto positivo.

    Por exemplo: você sabe dizer que tipo de lâmpada foi utilizada para conseguir este efeito?
    

    Aqui também já dá para ter uma idéia do tipo de fonte de luz que foi utilizado e, sabendo disso, se a aplicação está correta de acordo com os dados técnicos destas. Por exemplo: uma lampada AR111 foi originalmente projetada para ser utilizada em pés direitos duplos, no mínimo. No entanto, vemos constantemente nos diversos projetos que isso não é considerado pelos projetistas.

    Depois de detectados estes elementos, passa-se para uma análise das luminárias e equipamentos empregados no projeto. Muitas vezes as pessoas confundem os efeitos de lâmpadas com os efeitos produzidos por luminárias, especialmente as mais técnicas. As lâmpadas halógenas mais conhecidas (AR, dicróica, PAR, etc) geralmente tem uma variedade de aberturas de fachos, dos mais fechados até os abertos. No entanto existem luminárias que promovem efeitos de fachos que as lampadas sozinhas não conseguem atingir. A observação e reconhecimento deste item é fundamental para a compreensão do projeto. Você conhece todos os tipos de luminárias e suas respectivas aplicações?

    Você sabe qual equipamento é usado para conseguir este efeito? 
    A cor que vemos na luz é original da lâmpada ou conseguida através de algum acessório? (se há acessório...)
    

    Conhecer tecnicamente as luminárias é essencial para um bom projeto de iluminação. A diferença dos bons projetos é que estes usam peças técnicas. Elas não são tão vistosas quanto as peças de design, porém, a maioria é projetada para ficar o mais neutra possível no ambiente.

    Saber o funcionamento e limitações delas também é fundamental. Quais as suas partes, que tipo de refletor é utilizado, temperaturas máximas de operação, resistência dos materiais, qualidade da marca, etc. E estes elementos não se consegue nos catálogos comerciais, apenas nos técnicos, que são, via de regra, bem difíceis de conseguir junto à indústria. Por falar nisso, na indústria nacional são raras as empresas que disponibilizam este tipo de material, fundamental para o desenvolvimento e especificação nos projetos. Você já viu alguma luminária com uma aplicação técnica sendo utilizada de outra forma?

    Muitas vezes nos deparamos com detalhes dos projetos de iluminação que nos deixam a pensar se é uma luminária industrializada ou se é algum elemento feito especificamente para aquele projeto. Existe na indústria uma luminária assim? Se não, como foi feito? Quais materiais foram empregados? Como é o seu funcionamento? Consegue visualizar este elemento em corte? Quais as suas partes? Houve necessidade de intervenção/integração ao projeto arquitetônico?

    Depois disso tudo, passamos a “olhar para baixo” ou seja, para o ambiente de um modo geral. Aqui buscamos detalhes que possam valorizar ou depreciar, qualificar ou denegrir o projeto. Nesta fase buscamos elementos como ofuscamento indireto (reflexos) e danos em materiais, produtos e superfícies, principalmente. Também é hora de procurar por luminárias que estejam desligadas e verificar o tipo de luz x altura de montagem. Qual a temperatura (calor) dentro do espaço? Você consegue se posicionar tranquilamente embaixo de qualquer uma das luminárias sem se sentir desconfortável? Observando os usuários percebe alguém “desviando da luz”, forçando os olhos?

    Também devemos considerar outros elementos nessa observação:

    1 – A iluminação atende às necessidades?

    2 – A iluminação é econômica?

    3 – Há excessos ou falta de luz?

    Tem uma loja num shopping daqui que eu não consigo olhar para dentro dela pois ela é ofuscante. O excesso de luz ali, num ambiente pequeno, é absurdo. Dias atrás fui a este shopping e percebi de longe que tinha algo de diferente nesta loja e fui olhar. Para piorar a situação, eles retiraram um lado da vitrina e colocaram um piso branco. Resultado: a luz ficou mais ofuscante ainda. Se eles queriam chamar a atenção conseguiram porém, qualidade projetual nota 0.

    4 – Há padronização na temperatura de cor de lâmpadas iguais?

    Pode parecer absurdo mas direto encontro lojas com fileiras de lâmpadas com diferenças entre elas: abertura de fachos, TC, angulação, etc. Caso o projeto não seja tão novo e já houveram trocas de lâmpadas, o erro é do projetista que não deixou um manual técnico para o usuário saber exatamente qual a especificação da lâmpada que deve ser utilizada.

    De uma maneira geral é este o exercício que faço, especialmente em ambientes reais (não imagens) mas dá para fazer isso observando as diversas fotos que vemos diariamente pela web.

    Espero que ajude vocês a lerem melhor os diversos projetos e imagens e que consigam aumentar seus conhecimentos fazendo este exercício.

  • interagindo com os leitores

    Buscando outras pontes de interação com os leitores do blog além dos comentários nos posts tive algumas idéias e para começar proponho este exercício.

    Bom, gostaria de saber a opinião de vocês com relação a esta animação.

    Além de um exercício de observação, tenho certeza de que ele mexerá muito com o interior de cada um de vocês.

    Quais sentimentos ela desperta em vocês, qual a interpretação de vocês sobre ela, o que ela tem a ver com o seu dia a dia?

    Sintam-se a vontade para comentar.

  • Problemas com a perspectiva?

    Navegando encontrei o site da Yvonne Tessuto Tavares, chamado Perspectiva Quadrilátera.

    Para os estudantes que estão aprendendo, ou os profissionais que por utilizar demais o computador para agilizar os trabalhos e com isso acabam perdendo um pouco do traço livre, este site traz ótimas dicas sobre as varias formas de desenhar em perspectiva.

    No próprio site você pode acompanhar aulas ou então, fazer o download do livro dela em PDF.

    Vale a pena!

  • Estudos de casos: observação, análise, crítica e contextualização

    Vou disponibilizar aqui para vocês um exercício que sempre desenvolvo com meus alunos em sala de aulas. Aqui este exercício está voltado para o Lighting Design, mas deve também ser aplicado em Interiores e Ambientes.

     

    Sem a menor sombra de dúvida, a principal arma de um LD é a sua capacidade de observação. É através da observação que o profissional vai perceber todas as nuances e características que formam o espaço ou ambiente a ser projetado.

    É um exercício diário que por muitas vezes deixamos de lado. Devemos observar não só o foco de nosso trabalho ou nossos projetos em desenvolvimento, mas sim, e principalmente, observar toda e qualquer imagem que encontramos pela frente seja ao vivo, impressa ou na web.

    É através deste exercício de observação que vamos construindo o nosso leque de possibilidades e cultivando a nossa capacidade criativa.

    Porém, para este exercício não podemos ser apenas observadores, meros espectadores de uma cena. Temos também que exercitar em conjunto, outras habilidades que possuímos: análise, senso estético, conhecimentos específicos, contextualização e finalmente a crítica.

    Analisar algo impõe que tenhamos conhecimentos sobre o objeto que está sendo observado. Durante a análise você vai detectar as formas, cores, texturas, luz e sombra, volumetria, estética, possíveis equipamentos utilizados, entre vários outros elementos.

    É uma leitura “fria” do objeto observado. Toda análise deve ser isenta de partidarismos e favoritismos (amizades) para que seja realmente séria e realista. Disto nasce a crítica que, na verdade, não é nada mais que um relatório onde descrevemos as sensações que tivemos durante a fase de observação. A crítica é o lado duro deste exercício, é aquele que todo profissional – seja de que área for – detesta e prefere mantê-la bem longe de si.

    Porém, não estou me reportando àquelas críticas já conhecidas que figuram em jornais e revistas, cujos autores muitas vezes são considerados personas non gratas em vários meios. Refiro-me a uma crítica particular, íntima do profissional, que atesta dia a dia o seu crescimento profissional, a apuração e refinamento de seu senso estético.

    Mas claro que tal crítica vem a se tornar como uma outra área de atuação quando se pode contar com uma imprensa especializada realmente independente e não corporativista como já acontece em vários ramos de atividade profissional.

    Muitas vezes nos deparamos com alguma coisa que nos tocam de maneira tão profunda que acabamos por emudecer, por não conseguir expor nossos sentimentos, travamos literalmente. Seja por nos provocar sentimentos bons ou maus. Aqui entra o papel do exercício da contextualização. É através deste exercício que iremos expor – pelo uso de palavras escritas, desenhos, etc – o que estamos sentindo. Porém este exercício serve também para todos os outros casos e é uma excelente fonte de informação e referência para a crítica.

    Muitas vezes fazemos estes exercícios sem nos dar conta do que estamos fazendo e da importância disso no seu percurso profissional. Quem já não parou diante de uma imagem em uma revista onde rapidamente apareceram frases e sua cabeça como estas:
    – Maravilhoso!!!
    – Que cor horrorosa a deste sofá…
    – Eu jamais me sentiria bem neste espaço com toda essa luz incidente.
    – Interessante a solução para o cortineiro com a sanca built-in.

    Essas frases e incontáveis outras são pura e simplesmente reflexos involuntários ou intuitivos de nossa capacidade de observação, análise e crítica. Já estão impregnadas em nós, fazem parte do ser humano. Porém alguns em maior ou menor grau, menos ou mais desenvolvida e aguçada.

    Para efetivação destes exercícios permita-se ao menos 5 minutos diários trabalhando com isso. Pode ser quando está na frente do computador navegando. Sempre temos uma imagem na nossa frente que nos chamam a atenção ou não.

    Se sim, por quê? O que tem de especial, de belo, que esteja em sintonia com o meu gosto?

    Se não, por quê? O que tem de errado, feio, que me desagrada?

    Alguns podem dizer que este tipo de análise e crítica é um erro pois desconhecemos a realidade da concepção do projeto, o briefing do cliente, a linha e estilo projetual do autor bem como do todo que engloba o projeto (áreas próximas) entre várias outras alegações. Concordo com tudo isso. Porém temos que relembrar que isso é apenas um exercício de refinamento estético, de observação. Tudo o que você pensar, rabiscar e anotar não irão para nenhuma página de revista e tampouco aparecerão em programas de TV. É uma coisa sua, o SEU olhar sobre determinada cena. Isso se chama análise e crítica às cegas – quando não temos informações detalhadas e técnicas sobre o objeto ou cena em questão. Temos somente a imagem. Para ser mais exato, aquela cena da foto como se fosse uma tela de algum artista. E como tal, deve ser observada da mesma maneira. Não vale aqui ler os textos explicativos sobre conceitos, equipamentos enfim, nada que lhe dê informações sobre a cena em si. Legendas sim estão liberadas desde que não apresentem as locações de cada peça. Depois que você fizer a sua análise, aí tudo bem, pode ler.

    É um exercício de leitura e releitura. Por exemplo, observe a imagem abaixo:

    Você concorda com o projeto executado acima? Onde estão os erros e acertos? O que você faria diferente, que soluções proporia para melhorar este espaço? Que materiais, equipamentos e plantas utilizaria? A cor da luz foi bem escolhida? Está bem empregada?

    Outra imagem:

    O que a imagem acima lhe diz? Que sentimentos provoca em você? Quais os recursos e equipamentos que provavelmente foram utilizados para confecção desta cena? Você parou para contar quantas pessoas estão presentes na cena? Usam roupas ou não? Que cores você jogaria ao fundo? Como se comportaria a cena se houvesse a projeção de uma imagem neste ________ (qual é mesmo o nome daquele pano de fundo dos palcos?)? Qual música deve estar tocando e qual eu colocaria?

    E quando nos deparamos com imagens que nos trazem alguma informação, será que somos capazes de fazer a leitura técnica desta imagem? Você seria capaz de alocar cada equipamento observando apenas a imagem?  Consegue perceber onde começam os fachos? A luz usada é simétrica? É um sistema MIX?

    A realização deste tipo de exercício diariamente afina e apura a nossa sensibilidade para coisas que normalmente passam despercebidas por vários motivos. Porém, um LD tem de ser perfeccionista quanto à observação. Isso vai refletir em seu trabalho de uma forma ou de outra. É esta capacidade de observação que irá tornar os projetos perfeitos em todos os sentidos seja no que diz respeito às instalações quando nos efeitos reais obtidos.

    Outro ponto importante a destacar neste tipo de exercício é o fato de que ele nos permite uma leitura mais complexa quando estamos na fase de análise de correlatos, onde conseguimos perceber detalhes que antes passariam despercebidos ou simplesmente não daríamos a devida atenção. Detalhes estes que podem fazer toda a diferença num projeto.

    Sempre sugiro uma tabela onde meus alunos irão colocar suas observações. A ordem é esta:

    1 – Objeto de estudo:

    2 – Imagem da cena.

    3 – Percepção sensoria: onde você irá descrever as sensações que a cena provoca em você (aconchego, frio, etc)

    4 – Percepção técnica: onde você irá descrever as suas observações técnicas da cena (fachos, pontos de luz, luminárias, prováveis equipamentos, etc).

    5 – O que eu gosto: (e manteria)

    6 – O que eu não gosto: (e alteraria ou teria feito diferente)

    7 – Conclusão:

     

    Bom exercício!!!

     

    Paulo Oliveira