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  • Do egoísmo profissional

    (já aviso que se não gosta de textos fortes e que digam a verdade, não leia este)

    É sempre a mesma coisa: sempre que preciso de algum prestador de serviços para realizar um trabalho (pois os que trabalho geralmente já estão ocupados) e tento conseguir indicações com colegas e amigos profissionais recebo somente “não sei…” pelo telefone.

    No entanto, sempre que me ligam pedindo este tipo de informação repasso meus contatos com o maior prazer. Trouxa eu não é mesmo?

    Isso me fez pensar seriamente no egoísmo profissional. Não é apenas uma questão umbiguista, é uma expressão escrota da personalidade de muitos.

    Publiquei aqui em meu blog já a bastante tempo um modelo de contrato. Percebi que este era um dos maiores problemas e dificuldades dos acadêmicos e dos egressos. De bom grado e buscando ajudar aqueles que estão estudando ou começando a vida profissional, disponibilizei o modelo básico que eu utilizava na época, dando as explicações necessárias para o preenchimento do mesmo caso a caso.

    Porém isso me fez perceber que já na academia as pessoas são treinadas para serem egoístas no futuro. Percebem que este problema do contrato já deveria ter sido solucionado lá dentro e que não o foi por causa de professores arrogantes, egoístas, que tratam a educação com descaso total e ainda vêem os alunos como futuros concorrentes?

    É isso mesmo. Gostem ou não, essa é a verdade. Os professores (de todas as disciplinas) deveriam ser obrigados a ajudar os acadêmicos a elaborar seus contratos, fornecer modelos, compartilhar todo o conhecimento e não apenas fragmentos, etc, e simplesmente não o fazem. Também escondem conhecimento. Ah sim, e como escondem. Tive dois professores que adoravam me humilhar em sala de aulas alegando absurdos sobre meus projetos desenvolvidos. No entanto outros alunos cometiam erros graves e tudo ficava bem, recebiam notas melhores que as minhas. Tem uma que mandei tomar naquele (**) lugar um dia, em sala de aulas de tanto que ela me irritou e abusou de meu bom senso pedindo alterações porque o projeto não estava errado, mas ELA não estava gostando da estética do mesmo. Um outro chegou a diminuir a nota (10,0) que a banca havia me dado sem ter participado da mesma apenas para não ter que ver o seu desafeto principal receber a menção honrosa da turma.

    No entanto, este último era do tipo que só se comunicava com quem ficava ali babando seus ovos, bajulando a sua pseuda intelectualidade (e claro, os cheios de $$ da turma). Pseuda sim,  pois diversas vezes o coloquei na parede com questões sérias e ele simplesmente não sabia responder (saía sempre pela tangente ou simplesmente me ignorava). Na próxima aula fazia de conta que eu não existia ou então me dava uma nota linda no próximo trabalho que eu tinha de reverter administrativamente.

    Engraçado que a nota mais baixa que tive durante o curso todo foi exatamente no trabalho de iluminação (quando ele substituiu a professora titular que estava de licença maternidade). Aulas ridículas (como todas as outras dele), um trabalho completo (sem receio algum afirmo: o melhor da turma. Não tinha erro algum) e ele me deu… 7,0 (creiam!). Como será que ele me vê hoje especialista e Lighting Designer reconhecido? Qual será a reação dele quando ver uma coisa que está prestes a acontecer e que ainda não divulguei por trata-se de uma surpresa para vocês leitores e um mega reconhecimento profissional para mim? Com certeza, com muita raiva e inveja. Ele que se exploda!

    Arrogante e acéfalo sim pois ele é daqueles que afirmam que “o curso é design de interiores, então você só pode mexer no que estiver na área interna”. Não preciso me estender mais sobre este caso depois disso…

    Voltando ao tema do tópico (apesar de não ter saído dele), esse problema é muito mais comum do que imaginam. E essa situação, ainda na academia, reflete nos futuros profissionais. Sim, pois a grande maioria espelham-se em seus professores e repetem os discursos lá aprendidos. Tudo bem, muitos agem dessa forma por má fé mesmo, coisa de caráter.

    Já no mercado, o que custa a um infeliz indicar um pedreiro, um eletricista, um pintor, um jardineiro ou seja lá o que for? Vocês não são “parceiros”? Então, que raios de parceria é essa que você só se lembra do fulano quando precisa dele e, egoisticamente, nega repassar as informações dele para outros profissionais que estão precisando de mão de obra? Prefere seu parceiro “mofando em casa sem trabalho” para tê-lo disponível apenas quando você, egoísta, precisar?

    Para terem uma idéia, aqui em Londrina temos um sério problema com a qualidade dos serviços prestados por este pessoal. Difícil encontrar um pedreiro realmente bom, um pintor que não deixe as paredes manchadas, um assentador de pisos que siga corretamente a paginação ou que não desperdice material. Os poucos realmente bons estão sempre com a agenda cheia. Quando você precisa de algum para uma emergência, dificilmente pode contar com os “colegas”, raramente consegue resolver a emergência no momento. O problema fica lá mofando por semanas até que você consiga à duras penas encontrar um prestador de serviços.

    Impressionante!!! Arquitetos, engenheiros e designers não conhecem pedreiros, eletricistas, pintores, encanadores,etc!!!! =0

    Para tentar resolver este problema montei um site (Londrina Serviços) onde, através de indicações, serviria como base de dados de prestadores de serviços, aberto para quem precisasse. Encaminhei um e-mail para a grande maioria dos profissionais de engenharia, arquitetura e design de interiores daqui de Londrina. Expliquei que para ter seu nome profissional divulgado lá a condição seria a indicação de parceiros prestadores de serviços. Dêem uma olhada e percebam o retorno que tive. Houveram profissionais que tiveram a cara de pau de me mandar apenas as suas informações profissionais para serem inseridas (claro, publicidade gratuita sempre é bom né?) sem qualquer indicação. E alguns ainda reclamaram porque mandaram seus dados e eu não publiquei logo, saíram falando mal de mim pela cidade… Ah vão pra *****

    Ou seja, um serviço que me prontifiquei a fazer de graça, sem lucrar nada com ele, que ajudaria a todos. Simplesmente tive um retorno ridículo e a grande maioria das indicações que estão no site foram feitas por mim mesmo.

    Isso é reflexo límpido e claro do egoísmo profissional. São aqueles que na sua frente te enchem de beijinhos, abraços e elogios e pelas costas não medem palavras para te denegrir seja na frente de quem for ou ainda tentam tirar proveito de seu conhecimento (que eles desconhecem) pedindo dicas para seus projetos.

    Isso é reflexo de profissionais que não estão preocupados nem comprometidos com o mercado. O que vale apenas é o dinheiro entrando na SUA conta bancária (quando não no caixa 2, no 3, no 4…) ao final do mês.

    Isso demonstra também a irresponsabilidade com a qual estes profissionais levam a sua profissão ao percebermos que estes são os mesmos que não estão nem aí para ajudar a fortalecer conselhos ou associações, cobrar destas ações sérias e efetivas e, no caso específico do design, não ligam a mínima ou não querem nem saber “dessa tal regulamentação”.

    É isso, este é o real puteiro profissional que nos cerca diariamente: um bando* de profissionais egoístas, prostitutas do mercado e dinheiristas.

    Egoístas por serem incapazes de compartilhar ou ajudar um colega profissional, mas quando precisam de algo, não economizam no óleo de peroba.

    Dinheiristas pois essa grande maioria não seguem tabelas, não cobram por projetos e preferem viver às custas das malditas RTs, prostituindo o mercado, desvalorizando a profissão, desrespeitando os outros profissionais.

    Pode até ser que isso não aconteça em outras cidades (a questão das indicações) e que isso seja apenas um reflexo da situação politiqueira que assola Londrina ha mais de 20 anos com escândalos seguidos de corrupção e impunidades. Quem sabe isso afetou a mente da população daqui (não duvido já que elegem sempre o mesmo grupo safado, corrupto, canalhas). O que percebo é que Londrina está apática, a sociedade não se agrupa de forma isenta para cobrar seriedade e punições, e isso pode ter gerado esta mentalidade estúpida.

    Um viva à ignorância, ao egoísmo, à ganância e aos egos!!!!

    * Não me refiro à todos, que fique bem claro isso. Um bando, não significa todos. É bom esclarecer antes que venham idiotas com agressões.

  • Concepção e Crítica da Iluminação – pós

    Pois é, tive nesse final de semana este módulo na pós com o Oz Perrenoud.

    A aula foi bem diferente do que eu imaginava inicialmente.

    Como ando numa fase meio estranha em minha vida, confesso que foi bastante complicado este modulo. Por incrível que pareça, não consegui desenvolver um texto corrido no trabalho e parti para responder à lista de itens.

    Tivemos de analisar o filme “Moça com brinco de Pérola” que retrata parte da vida do pintor holandês Johannes Vermeer, mais especificamente, o período da pintura do quadro “Girl with a pearl earring” (1665) que empresta o nome ao filme.

    Eu já tinha assistido este filme logo em seu lançamento portanto, quando foi passado na sala de aulas pude fixar a minha atenção nos detalhes exigidos na lista.  Pura observação da luz no filme todo – tanto a natural quanto a artificial. É estranho observarmos como a nossa luz natural, diurna ou noturna, é diferente da existente na europa ou em qualquer outro local do planeta. Vamos nos dando conta de detalhes que geralmente passam despercebidos quando assistimos a filmes.

    Já na iluminação artificial, especialmente em filmes de época, isso também ocorre. No entanto percebem-se detalhes que nos tiram daquela realidade.

    Um exemplo é a iluminação artificial daquela época que era baseada no fogo: velas, toucheiros e lanternas. Por vir do fogo, a luz deveria ser toda trêmula mas percebem-se em diversas cenas que esse detalhe fica apenas no cenário. As personagens sempre são iluminadas por luz complementar o que acaba deixando a luz chapada e fixa.

    Porém neste filme especificamente, isso não tira totalmente a beleza e realismo das cenas por um detalhe técnico: o angulo de incidência da luz. O projeto da iluminação foi muito bem elaborado refletindo com precisão isso nas cenas. São raras aquelas onde isso não ocorre.

    Naquela época, como já coloquei acima, a luz era produzida através de candelabros, velas, tochas. Quase não existiam lustres pela dificuldade em ficar acendendo e apagando ou trocando as velas – estes resumiam-se a grandes áreas. Então, a luz vinha ou de um plano semi baixo (candelabros nas mesas, lareiras, etc) ou de um plano médio (tochas = arandelas). Assim, a sombra das personagens é essencialmente paralela à sua altura ou levemente mais alta que ela.

    Já na iluminação natural o que impressiona – especialmente para nós dos trópicos – é a tonalidade da luz mais branca e por vezes azulada. Não vemos a luz amarelada que temos naturalmente por aqui. Esta última só aparece nas cenas de outono mas não nos espanta pois já estamos acostumados com as belas fotos retratando o outono europeu e mesmo assim, é diferente da nossa pois é um pouco mais carregada de séphia.

    Mas o interessante é a percepção exata dos ângulos de incidência dessa luz natural nas diversas cenas do filme, tanto diurna quanto noturna. Muito bem feito.

    Além da iluminação tivemos de analisar outros itens como cenografia, estética, cor, texturas, etc. Foi um trabalho exaustivo onde detalhes mínimos tiveram de ser observados, com o controle do DVD player na mão adiantando, voltando, pausando, ajustando imagem, zoom e etcéteras para conseguir obervar com detalhes toda esta bela obra dirigida p/ Peter Webber.

    Para quem não assistiu é uma excelente dica pois vale cada cena.

    #FicaDica

    ;-)

  • Pedreiros, ah esses seres…..

    Porque pedreiro sempre se acha projetista e insiste em alterar as coisas por conta própria segundo seus “achismos” e “experiências” de vida e profissional?

    É, tenho certeza que todos já passaram por esse tipo de situação: você projeta algo e coloca nas mãos dos pedreiros e quando visita a obra para vistoriar vê que nada está sendo feito como no projeto.

    Numa de minhas atuais obras isso já está passando dos limites. Sem contar as ingerências deles junto aos proprietários sobre locação de ambientes dentro da planta com os seus “achismos” até a aplicação de cores e revestimentos, tou tendo problemas de todo tipo. É a primeira vez que estou trabalhando com essa equipe, indicada por uma amiga arquiteta e, sinceramente, NUNCA MAIS! Nem trabalho e tampouco indico.

    Fiz todo o projeto, defini tudo junto com os clientes e tudo foi aprovado. Fui na obra, expliquei tintim por tintim absolutamente tudo para os pedreiros e deixei avisado: moro aqui perto, qualquer coisa e antes de começar qualquer coisa nova me chame que eu venho até aqui.

    Pois bem. Não sei porque diabos o proprietário resolveu levar o pedreiro junto no dia da compra das tintas. As cores já estavam definidas e, com muito custo eu já tinha conseguido tirar da cabeça deles a idéia tosca de que toda casa é marronzinha (é, aquele beginho surrado e sem graça nem identidade) e também o amarelinho (pois 5 casas do entorno eram da mesma cor, além de questões psicológicas que o amarelo traz: aumenta o apetite, é enjoativo, etc). Quando consegui definir a cor junto com eles, vejo que o pedreiro pegar uma cartelinha de cor – onde tinha o tal amarelinho gemada – e começa a conversar com o cliente enquanto eu definia as quantidades com o vendedor. Pronto. Voltamos à estaca zero após o FDP falar sobre não sei quantas casas que ele tinha feito com aquela cor e que tinham ficado lindas, chiques, etc. Sim, fui bem grosso nessa hora sem me importar com quem estava em volta na loja.

    Ainda na mesma loja e no mesmo dia, fomos escolher as cubas para os banheiros. Tudo que eu apontava, o pedreiro apontava em outra direção.Chegou a um ponto que eu virei pro cliente e perguntei: Quem é o projetista aqui afinal de contas? Eu, estudado e habilitado, que conheço o projeto como um todo ou esse zé mané que não tem a menor idéia de como isso vai ficar no final?

    O pedreiro não gostou não… Sinceramente? Tou nem aí.

    Passados alguns dias fui à casa para novamente explicar a ele como seria a colocação dos pisos e revestimentos dos banheiros. Passei por cada um deles, carregando as placas de piso e colocando-as no chão e nas paredes para explicar direitinho.

    Entendeu?

    Sim senhor, entendi.

    A idéia é coisa simples: esconder os recortes do campo visual.

    Observem as imagens do que projetei:

    Porque jogar os recortes dessa forma?

    Simples. No piso é mais fácil escondê-los embaixo de armários na parede oposta da porta e, na parede, os recortes ficando em cima (e não embaixo como os pedreiros insistem em fazer porque “todo mundo faz assim”) é mais fácil escondê-los com o uso de rebaixos de gesso. O visual fica bem mais limpo.

    Mas vejam vocês o que ele (o cabeçudo) fez nesse banheiro:

    Perceberam a maravilha que ficou a área da porta de entrada do banheiro? A quantidade de recortes juntos, num mesmo espaço minúsculo, incluindo o recorte da soleira – sim pois soleira é recorte?

    Vocês sabem que, sempre que se recorta um porcelanato retificado ele perde muito de sua impermeabilização e pode sofrer infiltrações se não for MUITO BEM fixados e vedados? Poucos são os pedreiros que sabem fazer este trabalho com perfeição?

    Por isso sempre jogo os recortes de box para cima, onde praticamente não acontecem respingos de água.

    Como se não bastasse tudo isso, mesmo sendo avisado que seria colocado gesso sobre o box, o infeliz revestiu o… teto… E tetos não foram computados para a compra dos revestimentos pois simplesmente não seriam revestidos por causa do gesso.

    Dei um esporro nele explicando o porque de estar errado aquilo tudo e avisei novamente para que me chamasse antes de começar o outro banheiro.

    No dia seguinte só consegui ir na obra no final da tarde, porém não recebi telefonema algum durante todo o dia. Chegando lá junto com o cliente, claro, fomos direto para o segundo banheiro e PIMBA! Lá estava ele fazendo suas merdas novamente. Já estava finalizando o segundo banheiro e novamente, tudo errado, com uma paginação bem parecida com a do banheiro anterior. Recortes à mostra, revestimento de teto, etc.

    Dei um berro, claro, e perguntei se ele era burro ou estava fazendo aquilo pra me irritar. Antes que respondesse, falei para ele que, se ele ousasse começar a fazer agum outro banheiro ou colocar qualquer piso/revestimento na casa sem me chamar e, eu chegando constatasse algum erro, que eu pegaria a marreta e arrebentaria tudo e o prejuízo sairia do bolso dele. Praticamente esfreguei o projeto de paginação de pisos na cara dele e falei: é isso que você está sendo pago para fazer e não essas merdas.

    Ele não gostou não, mas sinceramente, tou nem aí. O banheiro da suíte master é bastante complicado pois tem pastilhas de vidro, doi tipos de porcelanatos para o piso e a parede além da bancada e está para ser iniciado a qualquer momento.

    Bom, eis que vou para a área social (salas) e pego o pintor conversando com a mãe de meu cliente. De longe ouço a seguinte frase dita por ele:

    “Não sei pra que essas texturas no interior, que coisa mais ridícula. Esse tipo de textura é só para exterior. Massa(sic) mesmo são aquelas que eu sei fazer e que estão ali de mostra(sic) naquela parede. E pra que papel de parede? Coisa mais brega.”

    Confesso que ri da situação. Ri não, gargalhei mesmo e cheguei perto ainda gargalhando. O cara ficou transparente.

    À propósito, eis os modelos de texturas propostas por ele:

    E as “texturas” propostas por mim:

    Travertino

    Mármore

    E os papeis de parede “bregas” especificados por mim:

    Bom, agora a tarde vou lá na obra ver o que está rolando. Será que ainda terei mais problemas?

    Fica então o alerta para vocês: fiquem em cima, marcação cerrada nesses putos para não ter problemas durante a obra. Sempre chame a atenção de seu cliente mostrando no projeto onde estão os erros da execução. Assim o cliente já estará ciente de que o desrespeito está sendo feito pela equipe de obra. E, se eles insistirem em não te respeitar, converse com o seu cliente, explique toda a situação e troque de equipe.

    PS: Rô, acho que descobri o  porque ando meio azedo ultimamente ahahahahha