A nossa História

Dias atras, navegando parcamente pelo facebook através de meu smartphone me deparei com esta imagem:

Já tem muito tempo que venho investigando sobre as origens do Design como profissão. Como sempre fui um questionador, não aceito da “História oficial” que somos obrigados a engolir pois já sei de diversos casos onde a historia que vemos nos livros é uma e a realidade dos fatos é outra. Não à toa que a Arqueologia é uma área tão  facilmente descartada em muitas destas “conclusões históricas”.

Isso tem um porque de acontecer e vale ressaltar alguns pontos que percebi ao compartilhar a imagem em meu facebook e em alguns grupos: a cegueira intelectual oportunista a que fomos acostumados (ou treinados) durante toda a nossa vida: as convenções sociais, mercadológicas, acadêmicas, etc.

Importante antes de prosseguir: a imagem fala sobre Design Gráfico.Porém, para os não preguiçosos e os que realmente sabem o que é Design é fácil transportar estas informações para a sua área específica seja ela Produto, Moda, Interiores, Lighting, etc.

Num dos grupos, o fechado de meu blog, houve uma contestação sobre a colocação das pinturas rupestres como um dos pontos históricos e alegando que isso somente deveria começar somente depois do inicio do desenvolvimento de ferramentas e do dominio sobre o fogo ou da forja de metais.

A resposta para isso é simples: o infográfico fala da área Gráfica. E podemos sim analisar as pinturas rupestres além das Artes Plásticas, como primeiras impressões do Design. Neste caso, o Design Gráfico. Podemos assim lê-las, à primeira vista, como impressões de MARCAS dos clãs que podem significar domínio sobre determinado território. Também as imagens que mostram o “como fazer” as caçadas (historicamente aprendemos que se tratam de histórias relatando “como foram feitas”) podem ser lidas como INFOGRÁFICOS relatando o passo a passo, repassando as informações necessárias às proximas gerações entre tantas outras explicações possíveis nessa linha de raciocínio.

Houve também num outro grupo a contestação de que Design trata-se da produção em série e, por isso, é atribuído ao pós Revolução Industrial, o nascimento da área.

Este tipo de contestação tem tudo a ver com a historicidade (como e por quem a história “oficial” é escrita, às vezes com intenções claras e outras tácitas, distorcendo a realidade) e que acaba sendo imposta como regra.  Design é Design, não importa se industrial ou de peças exclusivas afinal, existem muitos profissionais habilitados em desenho industrial que vivem da produção de peças únicas, exclusivas. E nem por isso deixam de ser Design.

O que acontece é que já existem teóricos do Design que vem pesquisando e buscando lastros do início da atividade de Design (perceber o problema ou necessidade e desenvolver uma ou várias soluções para os mesmos) mesmo que em atividades aparentemente simples. A questão é a forma de abordar o problema e a solução que tem tudo a ver com a forma de trabalhar (processo criativo e produtivo) do designer.

Se o infográfico acima fosse sobre a área de Produtos, poderíamos colocar ali os primeiros tacapes e utensílios criados pelos homens das cavernas visando solucionar os problemas (ou suas necessidades). Tudo bem que o projeto não foi passado para o papel e sim rabiscado nas paredes das cavernas, mas uma fato é inegável: este processos ficou atrelado a um processo mental de repetição da produção seja pelo criador como pelos que conviviam com ele e aprenderam a construir tais objetos.

É uma questão de busca de lastros históricos que incluem a arqueologia que, como já escrevi acima e reforço aqui, é uma ciência sempre desprezada quando vai contra os interesses de quem está escrevendo a história.

Ou será que a produção de espadas, lanças, escudos e armaduras para toda a tropa dos exércitos antigos não pode ser considerada como “produção em massa”? São produtos iguais, produzidos pelas mesmas pessoas de forma artesanal visando solucionar dois problemas principais: a segurança (proteção) e o ataque.

Assim, urge a necessidade da academia de Design, em todas as suas áreas, colocar seus pés no chão e começar a observar mais atentamente estes lastros históricos do inicio de nossa profissão.

Ou ficarão inertes aceitando que as cavernas foram as “primeiras construções arquitetônicas da humanidade”?

Será que nem este absurdo a academia e as associações de Design conseguem perceber?

Ou não querem perceber, seja por qual motivo for?

Mauricio Azeredo x 51

E eis que eu estava navegando pelo Facebook e encontro na página da ProDesign>pr, no post sobre a nota de repúdio à Resolução n° 51 do CAU, encontro um comentário que quase me derrubou da cadeira aqui:

“Como Arquiteto e Urbanista, graduado em 1973 pela Universidade Mackenzie – SP, registrado no CAU sob o nº A1683-7, Professor Assistente no Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília nas décadas de 1970 e 1980, Professor Adjunto do Curso de Design do Departamento de Artes e Arquitetura da Pontifícia Universidade Católica de Goiás desde 2001, Coordenador Pedagógico e Coordenador de TCC (Trabalhos de Conclusão de Curso), com significativas obras de arquitetura realizadas e com longa e reconhecida trajetória na área de Design – notadamente na área de Design do Mobiliário, atestada por diversos prêmios nacionais, por várias exposições individuais e coletivas em muitos museus e galerias do Brasil e do exterior, bem como por inúmeras publicações, artigos e reportagens a respeito de meu trabalho e por considerar, por sólida experiência, que as matrizes curriculares e os conteúdos aplicados e desenvolvidos por Cursos de Design, oficialmente reconhecidos pelo MEC, e que permitem que seus egressos venham a exercer sua atividades profissionais fazendo “prevalecer sempre a primazia do melhor atendimento às necessidades sociais (…) evitando-se que certas atividades técnicas sejam indevidamente exercidas por profissionais que não disponham de suficiente formação acadêmica que os credencie para tal exercício, o que viria expor o usuário do serviço prestado a qualquer tipo de dano ou de risco à sua segurança ou saúde, ou ao meio ambiente” (sic – Nota Explicativa do CAU BR para resolução 51, de 30 de julho de 2013), e por, ao mesmo tempo, ter a certeza que tais conteúdos específicos dos Cursos de Design têm abordagem epidérmica nos Cursos de Arquitetura e Urbanismo, apresentar aqui meu integral apoio ao pronunciamento e à nota divulgada pelo ProDesign>pr, Associação das Empresas e Profissionais de Design – Paraná, e, juntamente com os demais profissionais Designers, propugnar pela célere revisão e correção da referida Resolução nº 51 do CAU/BR e pelo imediato Reconhecimento e Regulamentação da Profissão de Designer.”

Maurício Azeredo

Não preciso escrever mais nada né gente???

^^