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  • DESIGN E CULTURA ou A (DES)CULTURA do DESIGN

    Por Renata Rubim*

    Ao ler “design e cultura”, o que ocorre na sua mente, que pensamento vem?

    A minha experiência me mostra que ainda se confunde bastante design com glamour, sofisticação e, quem sabe, com o desnecessário, o inútil.

    Mas design no seu sentido mais intrínseco é justamente o contrário disso, design é simples, básico e completamente necessário. Design está em tudo que nos rodeia desde que acordamos até quando adormecemos. Ninguém vive separado do design. O nosso cotidiano é feito e permeado de design. Design, design, design.

    Mas e cultura? O tema cultura tem a mesma importância que o tema design. Um não existe sem o outro. Não há designer inculto. O inculto não será designer porque ele não terá ferramentas essenciais para desempenhar e desenvolver seu trabalho. A cultura é o alimento do designer. E design é, por sua vez, cultura.

    Fico constantemente abismada ao constatar que pouquíssimo dos nossos intelectuais tem ideia da abrangência do design. Ao listar áreas culturais serão certamente mencionadas a literatura, as artes visuais, o cinema, o teatro e talvez alguma outra expressão como HQ (História em Quadrinhos), quem sabe.

    Outro aspecto que me chama a atenção é o foco usado pela mídia. Foco esse, muitas vezes, distorcido que a mídia em geral tem do design. Se quisermos ler sobre design nos jornais diários ou em revistas semanais, será quase impossível achar algum artigo, reportagem ou matéria fora das páginas e cadernos de decoração ou moda. Muito raramente aparece alguma referência na parte de economia. Impressiona-me que hoje, século XXI, quando estamos imersos num cotidiano permeado de design, não seja dado ao assunto o seu devido valor.

    Mas não é assim em outros países e não tem que ser aqui. O meu principal argumento é que se cada um de nós tiver um pensamento humanitário, naturalmente se lembrará do design voltado à medicina, o design voltado às necessidades e carências essenciais, ao meio ambiente, etc. Não se pode desligar uma área de sua cultura original. Um exemplo claro é o da medicina chinesa, ligada à cultura e à filosofia da China.

    Kenji Ekuan, um dos mais respeitados designers japoneses, criador da célebre garrafinha do molho de shoyu que todos conhecemos, é um estudioso do budismo. É interessante se olhar com mais profundidade para isso, que pode parecer um paradoxo. Afinal, o budismo é principalmente uma filosofia de vida onde a matéria é
    conseqüência de uma série de ações imateriais. Bem, mas Kenji respeita os produtos como se vivos fossem. Não pela sua aparência ou pelo possível luxo, mas pelo que está neles embutido: o processo. Em respeito ao conhecimento e à bagagem que cada componente desse longo e delicado processo possui. Desde o homem rural até o consumidor final, que elege e adquire algo relacionado com a cultura que o rodeia.

    Cultura e design andam de mãos dadas. Dançam juntos. São interlocutores, portanto, indissociáveis. Fazer design é se envolver com as diferentes etapas do processo, (início, meio e fim), começando pelas pontas. Falando simplesmente: numa ponta está aquele que investe ou produz e na outra ponta aquele que adquire o resultado final. Mas essa, como todas as linhas, é composta de pontinhos, todos básicos para a sua formação.

    Um designer envolvido seriamente com o seu ofício tem interesse em áreas diferentes do repertório cultural, ambiental e social porque se o seu projeto estiver bem inserido na comunidade, significa que há diálogo e interação entre ele e o usuário.

    Sendo assim, quem faz design, faz parte de uma sociedade tanto quanto quem faz economia, medicina ou jornalismo. É um integrante de uma determinada cultura ou grupo de pessoas e ocupa um lugar de importância igual, nem maior, nem menor. Nem acima, nem abaixo. Mas, ao lado. Junto.

    Pensar design é participar e formar comunidades mais receptivas, adequadas e equilibradas. Por isso, nós designers, temos interesse especial que a comunidade em que estamos saiba o que é design no seu sentido mais amplo. Que quando todos pensarmos design (design thinking), entendermos suas inúmeras possibilidades (design de serviços, por exemplo) e olharmos para as necessidades básicas das pessoas (idosos, deficientes, crianças, carentes, adictos) teremos uma sociedade bem mais humana e bem mais inteligente.

    *Renata Rubim
    Designer de superfícies e consultora de cores. Colabora com a difusão do design em projetos industriais e educativos. Em palestras e workshops pelo Brasil e América Latina compartilha conhecimento adquirido ao freqüentar a Rhode Island School of Design, Providence, USA, com bolsa Fulbright. Escreveu “Desenhando a Superfície”, Ed. Rosari, SP, primeiro no Brasil sobre o tema. Seu escritório atende a clientes de diferentes segmentos. Recebeu os prêmios Bornancini 2008 e Idea/Brasil 2009, com parcerias. Participou da Bienal Brasileira de Design 2010 e da Cowparade Porto Alegre.

  • Pós.. pesquisas e metepe

    Ha dois meses tive aula da pós (do IPOG) e dessa vez o módulo foi sobre a famigerada e odiada METEPE (Metodologia e Técnicas de Pesquisas).

    Apesar do receio inicial geral da turma com relação à disciplina, conseguimos atingir um nivel bastante interessante nas propostas dos trabalhos desenvolvidos.

    Entrei com três idéias para a Monografia e saí com cinco… Está difícil escolher pois são temas distintos e polêmicos dentro de áreas distintas do universo do LD. Mas este não é o foco deste post.

    Foi interessante perceber como as pessoas tem dificuldade em focar um elemento dentro de um tema e, por vezes, resistem quando alguém tenta mostrar que não existe um foco e sim vários no que foi apresentado. Tentam se justificar e não prestam atenção no que está sendo apontado.

    Pelas nossas profissões (arquitetura e Design) serem bastante criativas – e exigirem muito disso da gente – acabamos por “viajar na maionese” jogando tinta demais sobre a tela. No entanto, quando vamos escrever um artigo temos de ser extremamente específicos e focados. Interessante notar que nos outros módulos mais práticos isso não tina aparecido ainda na turma.

    Vou exemplificar usando o meu grupo e o que aconteceu nele. Escolhemos como área, “Iluminação e Terceira Idade”.  Na hora de recortar o tema foi um auê geral pois cada um apontava uma coisa. Da acessibilidade ao tipo de lâmpada com características menos danosas aos idosos, rolou de tudo:

    – Segurança

    – Acessibilidade

    – Características fisiológicas dos idosos

    – tipos de lâmpadas mais adequadas

    – tipos de luminárias mais adequadas

    – tipo de iluminação mais adequada

    – efeitos psico-fisiológicos da luz na terceira idade

    – adequação projetual de espaços voltados à terceira idade

    Enfim, idéias não paravam de borbulhar em nossas cabeças. Mas analisando as idéias acima, começamos a perceber que mesmo assim, cada uma nos davam margem para vários focos, ou artigos distintos, que é o caso do curso.

    Depois de horas debatendo, conseguimos focalizar em um problema e escolher um objeto:

    Area:

    Iluminação e Terceira Idade.

    Tema:

    Melhoria da qualidade de vida para pessoas da terceira idade através da implantação de iluminação artificial adequada em residências institucionais.

    Imagem: joaobem

    Parece ainda bastante aberto o tema não é mesmo? Porém, ele já está bem fechado e isso fica claro nos itens seguintes descritos no trabalho:

    Problemas:

    1 – Como trabalhar a iluminação artificial para as pessoas da terceira idade que já não tem a mesma percepção visual e espacial do jovem e do adulto.

    2 -As necessidades de adequação do projeto de iluminação artificial para idosos visando saúde, segurança e bem-estar.

    Hipóteses:

    1 -A ausência de projetos de iluminação artificial específica para a terceira idade nas instituições.

    2 -Os cuidados com o bem estar dos idosos e o desconhecimento sobre a iluminação adequada.

    3 -O alto custo para implantação de um projeto de iluminação adaptado.

    Objetivo Geral:

    1 -Identificar as necessidades fisiológicas de idosos para que através da adequação da iluminação artificial possa melhorar sua qualidade de vida.

    Objetivos Específicos:

    1 -Verificar os pontos deficientes da iluminação artificial nos ambientes;

    2 -Coletar dados para viabilizar a elaboração de projetos adequados;

    3 -Demonstrar que o custo inicial para implantação de um projeto de iluminação adaptado para idosos tem retorno a curto prazo.

    Metodologia:

    1 – Método: Monográfico.
    2 – Universo: Iluminação de Interiores.
    3 – População: Iluminação artificial para terceira idade.
    4 – Amostra: Iluminação artificial para terceira idade em residências institucionais em Londrina.
    Imagem: djibnet

    Não entenderam nada? Claro, isso aqui é apenas uma cópia do powerpoint da apresentação. Vamos entender melhor como se daria este trabalho de pesquisa:

    Dentro de todos os recortes que o grupo fez vinham ligados de uma forma ou de outra às questões sociais, especialmente aquelas ligadas a entidades assistenciais que carecem de recursos.

    Ponto 1 – clientela:

    Trabalharemos apenas com entidades não privadas e sim aquelas mantidas pelo estado (ou que o estado tenta manter).

    Mas o que fazer?

    O foco do curso é a iluminação, logo, recortamos mais ainda o tema especificamente em cima da iluminação e excluímos todo o resto. Qualquer coisa que não tenha a ver com iluminação estava em definitivo descartado.

    Veja bem, o projeto de interiores existente é mantido, porém a análise fica sobre como a iluminação interfere e interage com este também,

    Ponto 2 – O que fazer exatamente?

    1 – Através de pesquisas bibliográficas, buscar elementos e dados para

    2 – realizar uma avaliação da iluminação instalada no ambiente visando

    3 – detectar erros, falhas e problemas buscando e propondo

    4 – soluções  e ajustes no sistema de iluminação que

    5 – atendam as necessidades dos usuários.

    Clareou?

    Perceberam como conseguimos focar em um determinado problema?

    Não?

    Pois bem, o que isso quer dizer é que formataríamos – caso este fosse um projeto real – um modelo avaliativo para os sistemas de iluminação existentes especificamente nos espaços voltados a guarda e cuidados de idosos em situação de risco.

    De posse destes dados coletados nessa análise, pode-se então seguir adiante para a proposta de melhoria através de projeto que vise atender as reais necessidades dos idosos usuários do espaço. Mas isso já não entra na proposta nem no artigo. É apenas um direcionamento para o trabalho pós-artigo. E também, por se tratar de um espaço mantido pelo estado, busca-se então no projeto, além do bem-estar dos usuários, elementos que visem ajustar o custo/benefício: um projeto de excelente qualidade, a baixo custo, de fácil manutenção. É a tão falada viabilidade econômica da gestão pública.

    Entendeu agora?

    Mas porque de ser assim tão fechado?

    Porque no curso, a construção de artigos monográficos tem um limite de páginas. Então, se abrirmos demais o tema  corremos o risco de falar sobre muitas coisas sem ser aprofundado em quase nada ou seja, muito blablabla para pouco resultado.

    Houveram alguns casos de grupos que não conseguiram ser tão específicos e acabaram com seus temas dando margem para muitas suposições.

    Outro ponto interessante foi a metodologia de avaliação utilizada pela professora Glaucia Yoshida:

    Foi montado na frente da sala uma banca (duas mesas) onde cada grupo era avaliado por esta banca composta de 3 membros-alunos do curso. Inicialmente era esta banca que avaliava, inquiria, apontava problemas sobre os projetos. Após isso, abria-se para o restante da turma que quisesse fazer alguma pergunta. E a professora fazia as suas considerações finais.

    Cada membro desta banca recebia um papel com elementos que deveriam ser avaliados no projeto:

    1 – Tema (englobando a área e o recorte, se foi bem recortado)

    2 – originalidade e execução (se é exequível, dentro da realidade, etc)

    3 – apresentação (clareza na apresentação, firmeza nos argumentos)

    Muito interessante a metodologia empregada pela professora Glaucia e os resultados obtidos.

    Bom, é isso, finalmente consegui finalizar este post que estava aqui nos rascunhos desde o dia seguinte da aula.

    Espero que os ajude.

  • porque poucos posts?

    Recebi hoje um e-mail de um leitor assíduo do blog onde ele me questiona do porque o meu blog não ter uma quantidade de posts diários. Bom, já escrevi algumas vezes aqui no blog sobre isso mas hoje vou tentar detalhar mais sobre o assunto.

    Quem me conhece, sabe da correria que é a minha vida. Muitas vezes passo horas no note sem nem olhar o e-mail por estar envolvido com desenvolvimento de projetos, pesquisas, etc. São clientes, projetos, preparação de aulas… enfim, são muitas coisas a fazer e que, envolvido nelas, nao me permito perder o foco do que estou fazendo.

    Também tem a vida pessoal onde tenho de cuidar da casa, do predio onde somos síndicos, das duas cachorras, dar atenção à família, etc.

    fonte da imagem: Nem1e99

    Outro fator que impedem postagens constantes e diárias e meu ponto de vista sobre o tema informação. O blog é uma janela de informação pública, que encontra-se baseado na web para quem quiser ver, ler, opinar… No meu reader acompanho diversos blogs nacionais e internacionais – coisa que já fazia mesmo antes de virar blogueiro. No entanto existe um elemento que sempre me incomodou: a igualdade de assuntos, imagens e temas abordados bem como posts sem fundamentação teórica.

    Isso é fácil de detectar. Olhem o site YankoDesign e depois olhem os diversos blogs que vocês acompanham. A grande maioria de conteúdos dos blogs de Design provém deste site.

    Os de arquitetura e interiores vem geralmente do Contemporist.

    fonte: osamorais

    Não, nem de longe estou querendo provocar uma briga com os blogueiros enaltecendo o meu trabalho e denegrindo o dos outros. Só estou colocando que este não é o meu estilo, não é o que eu gosto de fazer, não é a minha forma de ensinar.

    Um dos argumentos que me convenceu a iniciar este blog foi o fato de eu escrever sem medo, lançar sobre o papel as minhas idéias doa a quem doer. Tanto que os primeiros posts do blog tem relação aos ataques recebidos por mim e outros designers que “tiveram a petulância e ousadia” de afrontar alguns arquitetos em fóruns pela web. Este afrontar, na verdade nada mais foi que questionar do porque estarmos sendo vítimas de ataques infundados por parte de alguns arquitetos totalmente desinformados e da perseguição dos CREAs. Mas isso já história passada.

    Assim, este foi o foco definido deste blog: o diferencial de ser sempre franco, direto e objetivo, doa a quem doer, gostem ou não gostem, amando-me ou odiando-me.

    Isso dificulta a postagem diária pois antes de postar qualquer coisa é feita uma grande pesquisa verificando leis, normas, bibliografia entre outras pesquisas para se ter certeza do que estou escrevendo. Uma coisa que não suporto, e talvez daí a minha fama de dr House do Design, é debater com pessoas que “acham” que sabem alguma coisa. Os famosos “achistas” que acham que as coisas são como pensam porque alguém lhes falou que era daquele jeito.

    Achar não leva ninguém a lugar algum. Penso ser isso semelhante ao uso do gerúndio: sempre estão tentando, querendo, sendo, pensando, etc. Nunca fazem, querem, são, pensam, etc. São eternos “pessoandos”.

    fonte: abismosdossonhos

    Algumas vezes me rendi ao ctrlC+ctrlV por pura necessidade e falta de tempo para não deixar meus leitores sem nada. Mas confesso que as poucas vezes que fiz isso me senti frustrado, incomodado e com um alto sentimento de rejeição pelos respectivos posts.

    Não é meu estilo fazer posts baseados em ctrlC+ctrlV e muito menos fazer aqueles posts com títulos como por exemplo, “românticos”, recheado de fotos cor de rosa, com flores, de ambientes europeus ou norte americanos que não tem absolutamente nada a ver com a nossa cultura e só. Quando olho aquilo me recordo das piores aulas que tive na universidade com um professor que toda aula ficava mostrando fotos e mais fotos, não dizia nada sobre elas, nenhuma informação sobre o projeto e tampouco a autoria dos mesmos, apenas observação pela observação. Vago demais que não atingiam comentários dos alunos maiores que “olha que vaso bonito…”, “olha aquela almofada” em uma ou outra foto.

    Inspiração? Me poupe gente.

    Prefiro deixar esse tipo de inspiração para os meus clientes leigos que sempre chegam carregados de fotos indicando o que gostam e o que não gostam.

    Como um blog de cunho acadêmico e profissional, com o reconhecimento que já consegui atingir de universidades e outros profissionais e empresas, não tem porque eu partir para este tipo de postagem frenética apenas para aumentar o contador de posts do blog.

    Que também fique claro que, apesar deste reconhecimento eu não recebo um único centavo de ninguém para manter e atualizar este blog. Quem sabe parta para esse tipo de ação futuramente, não sei. Mas, mesmo que parta, isso não quer dizer que estarei “amarrando” meu nome ou meu blog a quem quer que seja.

    As postagens que realizo são feitas geralmente em momentos como o de agora, em que paro tudo para mexer no blog seja respondendo comentários, seja preparando posts e deixando-os agendados para serem soltos durante a semana ou ainda promovendo melhorias no blog.

    Então, fica aqui em definitivo, a resposta do porque de não realizar postagens diárias aqui no blog ok?

    Um excelente final de semana a todos com muita luz!