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  • Trens metropolitanos e inter-urbanos

    Ha muito que venho observando os investimentos públicos e privados nos sistemas de transportes com trens – trem e metrô -motropolitanos e inter-urbanos.

    Infelizmente não há avanços nem alterações enfáticas que visem solucionar realmente os problemas. O que vemos são um conjunto de soluções paliativas que resolvem os problemas por algum tempo, mas logo depois tudo fica como antes. Não quero entrar no entando, no “campotécnico” e “burrocrático” da coisa, prefiro ater-me ao senso estético utilizado aqui no Brasil e lá fora.

    Começo pelos veículos propriamente ditos. Os metrôs e trens precisam ser realmente aquelas geringonças quadradinhas, feias, cinzas e sem graça? Porque os carros tem de ter aquela frente quadrada e reta? Porque os vagões tem de ser sempre iguais? Porque geralmente cinza/metálico? Porque os trens ainda tem de rodar sobre rodinhas provocando toda a trepidação e desconforto, solavancos que por vezes chegam a derrubar passageiros dentro dos vagões? Como vemos existem muitos porquês ainda além destes citados.

    Porque não se aplicam cores, arte urbana, adesivagem, copias de arte usadas de forma educacional? Porque o carro nao pode ser mais arredondado e bonito no estilo daqueles trens que vemos no exterior? Aqui também podemos apontar incontaveis soluções que, além de embelezar, poderiam servir como fonte educativa/informativa através da exposição de arte aplicada – adesivada ou pintada – ou ainda informativa sobre eventos culturais/educativos. Não digo publicidade pois fatalmente cairíamos na poluição visual e isso vai na contramão do que pretendemos: o embelezamento urbano.

    Observe o trem do trem de Metrô abaixo:

    Mas este processo nao fica restrito apenas aos trens e metrôs, isso teria de ser aplicado já dentro das proprias estações. Um bom exemplo está no post Estações: Westfriedhof, Munich Germany aqui mesmo no blog.

    ou então, veja o exemplo das 165 estações (!!!!) de Moscovo:

     

    E agora observe as nossas:

    Nossas estações e plataformas são horríveis – salvo raras e novas excessões. As bilheterias são péssimas, banheiros piores ainda, plataformas medonhas e que não contribuem com o bem estar dos usuários.

    Muitos podem alegar – e até eu mesmo fui pessimista no post citado acima – que o vandalismo é o contra que impede este tipo de ação. Porém fiquei pensando sobre isso e vou concluir sobre este assunto no final deste post.

    Já na parte interior dos trens e metrôs o que vemos é uma repetição de erros comuns, esteticamente falando. As empresas responsaveis parecem não se importar nem com a estética e nem com o bem estar dos usuários. O que vale é quanto mais usuários caberão nos vagões. O que vemos dentro dos trens são sempre as mesmas poltronas/bancos, o mesmo tipo de informação visual – por vezes confusas, uma total e absoluta frieza e dureza estética, entre vários outros fatores que podemos observar facilmente andando em qualquer um dos trens.

    Os equipamentos internos geralmente são comuns, simples. As cores idem e repetem-se à exaustão. Os sistemas de segurança confusos e incompletos. Há muito o que se fazer para melhorar o sistema de transporte por trens aqui no Brasil.

    Ao olharmos para os interiores dos vagões, a primeira sensação que temos é a de frieza, impessoalidade. Eu sempre que entro num trem ou metrô me remeto a cenas de filmes como Blade Runner onde o que importa são as máquinas e não o ser humano. É desconfortável.

    O Metrô do RJ parece que está querendo mudar um pouco isso, mas ainda está longe de ser o ideal:

    Apesar da mudança estética, mantem-se a máxima: maior número de usuários por cm².

    Isso sem contar na absoluta falta de educação da maioria dos usuários. São jovens sentados em bancos destinados a idosos e ocupando espaços destinados a portadores de deficiências, um empurra empurra danado, riscos de assaltos entre vários outros fatores humanos.

    Dentro de nossa área, Design de Interiores e Ambientes, podemos trabalhar em qualquer uma das citadas acima. Na verdade, esse todo exposto faz parte de um projeto global de melhorias que podem sim ser projetados por um Designer. Alguns pontos que podemos implantar visando a melhoria:

    Nas estações:

    Interiores: mais leves e humanizados, menos cinza-concreto, menos quadrados.

    Iluminação: mais eficiente, menos ofuscante ou ausente.

    Equipamentos: bancos, lixeiras, painéis informativos, catracas, segurança, etc.

    Embelezamento: aplicação de arte, literatura, musica, exposições itinerantes, propor uma mudança radical nos projetos arquitetônicos e de engenharia visando a melhoria estética dos espaços.

    Bilheterias: mais funcionais e esteticamente degustáveis. 

    Segurança: implantação de sistemas de monitoramento remoto por câmeras, detectores de metais e outros, etc.

    Ainda existem várias outras ações que podemos implantar, é só observar.

    Nos carros:

    Gráfico: implantação de projetos gráficos que valorizem as artes, a literatura, a educação excluindo contrapondo com as linhas sempre retas e repetitivas dos vagões.

    Cores: aplicação de cores nos vagões como forma de suavizar  a frieza do metal.

    Modelos: propor novos modelos com formas mais suaves ou utilizar os modelos já existentes no mercado exterior.

    Intervenções: ampliando janelas para melhorar a visão para o externo quando em áreas não subterrâneas, tetos panorâmicos entre outros. Incluem-se aqui ações voltadas a reduzir o atrito, solavancos, barulho, etc.

    Nos vagões:

    Poltronas mais confortáveis e em maior número, mesmo que isso signifique menor numero de passageiros por vagão. Fala sério, as empresas faturam e muito bem com a quantidade de usuários. Poderiam investir numa maior quantidade de carros tranquilamente.

    Beleza estética e nos materiais utilizados dentro dos vagões, nos acabamentos. Mais cor e alegria para os usuários que são trabalhadores e merecem um minimo que seja de conforto.

    Cultura tomando o lugar da publicidade. Arte, literatura, música, etc podem tranquilamente servir de ferramentas pró-educação. Ao contrário da publicidade que só polui.

    Acústica: quem não se estressa ou irrita com aquele barulho infernal?

    Equipamentos como as barras e ganchos de segurança (pegada) mais ergonômicos.

    Iluminação: menos fria e dura, uma iluminação que contribua para o embelezamento interno e o conforto dos usuários.

    Segurança: implantação de sistemas de monitoramento remoto por câmeras. Com isso, fica fácil a identificação por imagem de vândalos e marginais. 

    Como se vê, existem várias intervenções que podemos realizar nos trens e metrôs com a finalidade de melhorar a qualidade dos serviços prestados e ao mesmo tempo, trazer uma qualidade e bem estar aos usuários.

    Sei que podem parecer utópicos alguns pontos, porém temos de analisar estes por outro lado: gestão pública.

    A culpa deste sistema ruim que temos vem das péssimas administrações publicas anteriores e atuais. Sabemos que no Brasil há muita corrupção, verbas publicas são desviadas e embolsadas por alguns, os projetos são mega-faturados entre varias outras coisas. É exatamente aqui que está o  ponto X de toda esta problemática.

    Se tivéssemos políticos realmente preocupados com um projeto de cidade, de estado, de país e não com projetos pessoais, partidários e de coleguismos certamente o nosso país seria muito melhor e estaríamos já ha bastante tempo no primeiro mundo.

    De acordo com o Dr. Bianco Zamora Garcia, prof. de Ética do Mestrado de Direito da UEL, estas questões envolvem políticas publicas que orientam a gestão da cidade na sua totalidade. Entretanto, as políticas públicas se apresentam como reféns da sazonalidade de governos mais preocupados com sua visibilidade do que com a cidade. Enquanto as políticas públicas se constituírem estratégias de governabilidade (e reduzidas a elas), nada podemos esperar sobre implemento de ações efetivas e de impacto duradouro. Para estabilidade e eficácia das políticas públicas, inclusive aquelas que envolvem a gestão da cidade, importa que estas se tornem políticas estratégicas  de Estado, elaboradas de modo efetivamente democrático pela sociedade (esfera pública), cabendo aos sucessivos governos apenas a sua execução sob controle social das instituições organizadas em conselhos representativos, de caráter público.

    Portanto, a defesa do patrimônio público e, consequentemente, de todas estas alterações possíveis cabe única e exclusivamente à administração pública. É ela que terá de, por exemplo, aumentar o efetivo policial nas estações reprimindo, assim, a ação de vândalos que depredam o patrimônio público, bem como atuar firmemente na educação para formar cidadãos conscientes de que, da porta da sua casa pra fora, o mundo não é “a casa da mãe Joana” onde se pode fazer o que quiser.

    E cabe a nós Designers – e a qualquer outro profissional – termos consciência de que além de profissionais, somos antes de tudo cidadãos e que temos o dever de cobrar das administrações públicas que estas e outras ações sejam implantadas.

  • Design de Interiores: transportes

    Já fazia algum tempo que eu vinha querendo escrever sobre isso mas com a correria do dia a dia sempre acabava deixando pra depois. No entanto, em um debate com o Foster num outro blog o assunto acabou por ficar mais importante e tomar forma.

    Falo sobre áreas de atuação em que o Designer de Interiores/Ambientes pode atuar e que a maioria não faz a menor idéia da existência das mesmas. Interiores de meios de transportes.

    No começo do ano quando estive no litoral de São Paulo conheci uma designer que trabalha exclusivamente com interiores de embarcações. Ela começou a me falar sobre o trabalho e garanto: é encantador ao mesmo tempo que é um desafio dos grandes.

    Deixando de lado a questão financeira envolvida (que é o sonho de qualquer designer) pensemos na parte técnica envolvida. Um iate ou um transatlântico são meios de transporte que necessitam sim de projetos muito específicos especialmente pelas pequenas dimensões dos ambientes. Isso também ocorre com outros segmentos: aviação, carros, ônibus, trens, metrôs, caminhões enfim, muitas possibilidades de atuação.

    Dentro desta área voltada para o transporte, o trabalho do designer de interiores vai ter muita base no desenvolvimento de mobiliário e equipamentos específicos. Ergonomia e acessibilidade serão sempre elementos primordiais neste trabalho. E, claro, não podemos deixar de levar em consideração as outras normas técnicas envolvidas, especialmente as sobre segurança.

    Pensemos em um avião com rotas internacionais. O usuário permanece por horas dentro do mesmo, confinado em um espaço consideravelmente pequeno. Alguns aviões de grandes empresas dispõe de espaços alternativos (salas de estar, bar, etc) para aqueles que desejam. Porém, temos de pensar que existem usuários que por vários motivos irão permanecer a viagem toda em suas poltronas seja por não gostar de voar, seja por ter tomado algum remédio para dormir para que aquela tormenta que é a viagem passe logo. Com tudo isso, temos de pensar na melhor forma de oferecer ao usuário ambientes e equipamentos o mais confortáveis possível.

    Não devemos nos esquecer que existem normas específicas sobre iluminação para interiores em aviões e também que, quando fazemos um projeto deste, temos de pensar também no conforto da tripulação, seja lá na cabine de comando, seja em tudo que diz respeito ao trabalho e bem estar dos comissários de bordo (área de trabalho, equipamentos de trabalho, áreas de descanso, etc).

    Os elementos citados acima devem ser considerados também no caso de projetos para interiores de embarcações, especialmente nas cabines que são espaços bastante reduzidos. Já em outros espaços, bem mais amplos fica mais fácil trabalhar, porém, atenção redobrada nas normas técnicas e de segurança. Lembre-se sempre de onde os usuários estarão no caso de um acidente: no mar. Portanto além de rotas de fuga limpas, devemos pensar na comunicação visual, iluminação de emergência, equipamentos de segurança e mais um monte de coisas. Nunca somente na beleza e conforto.

    Em interiores de transportes terrestres (à excessão dos trens) o trabalho já é bem diferente e resume-se especialmente à concepção de equipamentos que venham a solucionar a falta de espaço interno. Seja num carro ou num caminhão sempre teremos espaços pequenos tendo de ao menos, aparentar ser grande ou maior do que é de fato. Com isso, a ergonomia é uma constante neste tipo de projeto.

    Podem questionar o porque de eu ter colocado os caminhões neste meio: já ha bastante tempo as montadoras vem pensando no conforto e bem estar dos caminhoneiros. Lembrem-se sempre que a maioria deles dormem dentro das cabines, cozinham do lado de fora enfim, vivem um vida dentro e junto de seu caminhão.

    Nos ônibus o trabalho não é diferente e também importante. Lembre-se sempre que existem grupos que fazem longas viagens de ônibus por ser mais barato que de avião. Também existem aqueles ônibus de grupos musicais, teatro e outros que sempre sofrem alterações internas de modo a tornar os ambientes mais agradáveis e compatíveis com as necessidades dos usários. Não posso deixar de citar também o trabalho junto aos motorhome (aquelas “casas ambulantes”) e trailers.

    Também os ônibus urbanos e metropolitanos merecem atenção. No entanto vemos pouquíssimas alterações dentro ds mesmos. O básico e comum a todos seria uma visão como esta:

    São pontos a se pensar: como podemos trabalhar para melhorar este tipo de transporte com o nosso trabalho?

    Ainda na área terrestre temos os interiores automotivos. Os carros estão sofrendo alterações constantes sempre na intenção de melhorar o conforto, a segurança e praticidade para o usuário. Muitas destas alterações são feitas pelos fabricantes porém a maioria está vindo do pessoal que trabalha com tunning. Pra quem ainda não sabe, tunning é aquele trabalho de personalização dos carros tanto externa quanto interna.  O programa Lata Velha do Caldeirão do Huck é um bom exemplo deste trabalho. É o tipo de projeto que vai exigir muito conhecimento técnico do designer seja em equipamentos, em materiais, em estilo e conceito.

    Indo para os trilhos temos: trens e metrôs. Infelizmente aqui no Brasil, não sei se por corporativismos, poucas são as cidades que ainda contam com transporte através de trens seja municipal ou intermunicipal. Lembro-me saudoso de minha infância quando cruzava as paisagens embalado pelo suave balanço dos trilhos. Nos trens temos de pensar que o usuário – à excessão dos trens bala – permanecerá um tempo considerável no transporte. Por isso é comum vermos vagões específicos: vagão restaurante, vagão bar, vagão dormitório, enfim… Já nos trens bala,  temos uma situação parecida com a dos aviões: espaço relativamente pequeno. Mas também pensemos que estas viagens são muito rápidas então, podemos ser menos rudes no trato com espaços. Mas também não podemos nos esquecer de pensar nos que trabalham ali assim como nos avões: pilotos, pessoal de bordo.

    Já nos metrôs encontramos uma situação semelhante à dos ônibus urbanos e metropolitanos: grande quantidade de usuários. Portanto devemos pensar sempre na comodidade e conforto destes. Por isso não podemos deixar de observar questões de ergonomia, acessibilidade e também segurança.

    Bom, se formos analisar bem, mercado de trabalho nesta área é o que não falta.

    Esta é uma área que é deixada de lado na maioria dos cursos de Design de Interiores talvez por desconhecimentos dos próprios alunos, talvez por desconhecimento das próprias IES e talvez porque a maioria dos professores destes cursos vem da área de arquitetura e não do Design. Porém, pelo nome do curso sendo Design de Interiores, todos podem sim exigir que sejam repassadas informações e conteúdos sobre esta área em seus cursos.

    Também vale a pena repensar as Matrizes Curriculares dos cursos existente no sentido de acrescentar ou trabalhar de forma mais aprofundada este segmento dentro dos mesmos.

    Saudações luminosas a todos!!!