Categoria: Desenho & Técnicas

  • que bela luz!

    Estava vendo alguns vídeos no youtube e me deparei com este aqui que me surpreendeu:

    Quem já mexeu com iluminação cênica sabe que esta montagem não é nada complicada e a programação também não. O que me prendeu a atenção foi exatamente esta simplicidade deste projeto e o efeito belíssimo que ele proporcionou com os movimentos suaves e os desenhos formados pela luz.

    Destaco também a escolha da paleta de cores bastante contrastantes e os planos muito bem empregados na iluminação.

    Bom, já que estou postando este vídeo, vai então mais um: agora uma animação chamada Consurgo (que vem do latim e quer dizer levantar-se (ou algo assim).

    http://vimeo.com/32918790

    O WordPress não está liberando a inserção deste vídeo, mas podem acessar e assistir, tenho certeza de que vão gostar muito.

    Abraços e uma excelente semana ;-)

  • LD > algumas características fundamentais da luz

    A Marcia Nassrallah postou no grupo deste blog no facebook, um vídeo bem interessante sobre uma característica da luz: a cor.

    Simples, direto e interessante. Vale a pena compartilha-lo:

    Ressalto que cor/luz (a cor da luz) é bem diferente de cor/pigmento (a cor das tintas). Logo, a mistura de cores na cor/luz resulta em cores bem diferentes de quando misturamos as cores/pigmentos.

    Esta é uma característica fundamental da luz e que deve ser dominadam para quem quer trabalhar com LD. A confusão gerada entre essa diferença de resultados entre cor/luz e cor/pigmento tem gerado projetos muito estranhos.

    Por falar em características fundamentais da luz, encontrei este outro video que mostra com perfeição a questão da reflexão (reflexo) da luz.

    Isso tem muito a ver com qualquer post que eu já fiz (e farei quantas vezes forem necessárias) sobre erros em projetos de iluminação. Esta característica da luz é a que provoca reflexos nos ambientes, como mostrado já aqui neste post, mais especificamente neste aqui e em vários outros.

    A não observação dos elementos que compõem o espaço à ser iluminado leva o profissional a cometer estes erros reflexivos que, na maioria das vezes, acaba com o resultado estético do mesmo. Por mais caras que sejam as peças nele alocadas, os reflexos irão sobressair-se por serem elementos incomodativos.

    Vale a pena também mostrar este outro vídeo que trata de outra importante característica da luz > a refração:

    Prestem muita atenção neste vídeo pois ele nos mostra como a luz comporta-se de maneiras diferentes com diferentes materiais. E observe também os efeitos resultantes disso tudo.

    Aulinha básica “di grátis” pra vocês!!!

    Abraços e até o próximo post!!!

    ;-))

  • Comemoração 1MI: duas bolsas integrais do LightingNow!!!

    Pois é, mais um presente para vocês em comemoração à marca de 1MI de acessos!!!

    O nosso parceiro LightingNow – Portal de Iluminação, me cedeu DUAS BOLSAS INTEGRAIS para o workshop online “Automação para edificações eficientes“.

    Para concorrer basta seguir estes passos:

    1 – Participar do grupo Design: Ações e Críticas, lá no facebook;

    2 – Participar do grupo Lighting Design Brasil, lá no facebook;

    3 – Adicionar o perfil do LightingNow no facebook;

    4 – Copiar e colar aqui nos comentários a frase: “Eu quero ganhar a bolsa do LightingNow“.

    E pronto.

    Depois disso é só torcer e aguardar.

    O sorteio que será realizado no dia 20/03/2012 às 20:00 horas.

    O sorteio será através do site Random.org respeitando a ordem de chegada dos comentários.

    Boa sorte a todos!!!

    ;-))

    .

    E os dois sortudos foram:

    1ª bolsa vai para a Lisiane

    Parabéns!!!

    2ª bolsa vai para Rodrigo Mendes.

    Parabéns!!!

    Solicito aos dois que entrem em contato urgente com o Alexandre do Portal LightingNow (mkt@lightingnow.com.br) para realizar as suas inscrições informando que foram sorteados aqui no blog.

    Quem não foi sorteado e deseja fazer o curso é só se inscrever pelo site do curso.

    Abraços e até o próximo sorteio!!!

  • Curso on-line: Automação para edificações eficientes. LightingNow

    Você sabe como transformar seu projetos em Espaços Sustentáveis?   Pois o LightingNow traz até você a oportunidade de aprender mais sobre este assunto através de um workshop online.

    Objetivo:

    O Workshop On-Line tem por objetivo, trazer informações relevantes sobre o tema Automação para Edificações Eficientes, de maneira simples, clara e fácil aos profissionais do mercado, buscando um melhor entendimento sobre o assunto e promovendo cultura orientada à inclusão destes conceitos em seus projetos.

    O Instrutor José Roberto Muratori

    Engenheiro de produção formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) com especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas.
    Atua há mais de dez anos na área de Automação Residencial e Tecnologias para Habitação. É presidente e membro fundador da AURESIDE, Associação Brasileira de Automação Residencial.

    Público-Alvo:

    Profissionais da área de Arquitetura, Decoração, Iluminação e Sustentabilidade;
    Profissionais da área de automação residencial e predial;
    Profissionais da área de energia (geração, transmissão e distribuição);
    Contratantes de projetos e serviços correlatos que precisam de maiores conhecimentos sobre o assunto;
    Estudantes e pesquisadores das áreas acima citadas.

    O Programa

    1º Módulo – Perfil do consumo de energia
    Dados quantitativos e qualitativos
    Matriz de geração e distribuição
    Políticas governamentais
    Posição das concessionárias
    Smart Grid
    Tendências mundiais

    2º Módulo – Novas tecnologias e mudança de hábitos
    Consumidor de energia x consumidor de tecnologia: comparativo
    A aceitação da tecnologia
    Mudanças de prioridades
    Introdução de novos produtos e serviços
    Experiências piloto em andamento

    3º Módulo – Oportunidades de novos negócios ligados à eficiencia energética
    Projetos inovadores
    Serviços inovadores

    4º Módulo – Apresentação e discussão de casos
    Empreendimentos corporativos
    Empreendimentos residenciais
    Residências unifamiliares

    Formato:

    O workshop será ministrado no formato de vídeo-aulas* e está dividido em 4 módulos com início em 26/03 e vai até 20/04 (4 semanas).

    A cada semana (segunda -feira) será disponibilizado um novo módulo que o participante pode assistir nos dias e horários que mais lhe agradar.

    Durante a semana, o participante pode tirar suas dúvidas sobre o conteúdo exposto com nossos especialistas pelo próprio site.

    Todas as aulas ficarão disponíveis para consulta até o final do último módulo.

    Mais informações:

    Workshop Automação para Edificações Eficientes
    Data: de 26/03 a 20/04
    Onde: Evento On-Line (internet)
    Valor: R$ 49,90

    Inscrições: clique aqui.

    *Para acessar o conteúdo, seu PC ou Tablet deve aceitar Flash. Faça um teste rápido e veja como será ministrado este curso, CLICANDO AQUI!

  • Do fogo ao LED: a história da iluminação

    Como ainda não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente, compartilho aqui a matéria que saiu na Casa & Jardim sobre o museu. Assim que eu for à Sampa visitarei, tirarei fotos e colocarei aqui minhas impressões.

    É o tipo de passeio que eu adoraria fazer com meu mestre e amigo Farlley Derze!!!

    Segue a matéria:

    Do fogo ao LED: a história da iluminação

    Museu da Lâmpada, em São Paulo, conta a trajetória do homem na busca pela luz. O acervo inclui mais de 70 modelos diferentes, produzidos a partir do século 19.


    Ficar sem energia elétrica por alguns minutos é um tormento na vida moderna: cada minuto que passamos na escuridão, sem computador, televisão e outros equipamentos fortemente incorporados na nossa rotina, parece uma eternidade. Imagine, então, como era o cotidiano das pessoas antes do empresário americano Thomas Edison inventar a lâmpada. A criação deste objeto revolucionou a história e para mostrar como isso tudo aconteceu, São Paulo inaugura no próximo dia 15 de março o Museu da Lâmpada.

    O espaço, único do tipo na América Latina, conta com um acervo composto por peças antigas, produzidas a partir do século 19, e também por equipamentos mais modernos, utilizados nos dias de hoje. Tudo para contar como aconteceu a evolução da iluminação, desde que o homem começou a sentir necessidade dela, na pré-história, até os efeitos desta invenção na humanidade. “Havia dúvidas constantes de clientes e interessados sobre os princípios da luz. Como tínhamos um acervo de lâmpadas antigas, resolvemos investir e colocar a ideia em prática”, explica o idealizador do projeto, Gilberto Pedrone. A iniciativa é da empresa especializada em materiais elétricos Gimawa.

    PASSEIO ILUMINADO

    Além de ver de perto mais de 70 modelos de lâmpadas diferentes em exposição, o público também poderá assistir a vídeos explicativos, para saber mais sobre cada um deles. Outra atração do museu é o Teste de IRC. Interativo, permite que os visitantes experimentem e entendam como funciona a visualização de cores por meio da luz e a variação dos tons de acordo com a fonte de iluminação. O espaço também trata do processo de reciclagem das lâmpadas e de sustentabilidade.

    Em entrevista ao site de Casa e Jardim, Gilberto Pedrone conta um pouco mais sobre o assunto:

    Casa e JardimCite alguma evolução muito importante para a humanidade que só aconteceu porque tínhamos luz.

    Gilberto Pedrone – Existem muitas, mas acredito que a principal foi o advento da organização social. O homem começou a utilizar a luz tanto para sua vida, em casa, como também à noite criando toda uma cultura de hábitos e conceitos.

    CJQuantos modelos de lâmpadas o museu tem? Foi difícil reunir todos eles?

    GP – O museu possui cerca de 70 modelos de lâmpadas. Foi difícil sim! Demorou cerca de dois anos para reunirmos um acervo de pesquisa.

    CJQual foi a maior dificuldade?

    GP – A maior dificuldade foi achar uma réplica da primeira lâmpada de Thomas Edison.

    CJQual é a peça mais antiga do museu?

    GP – É uma lamparina do ano de 1800.

    CJComo ela funciona?

    GP – Com acendimento a querosene.

    CJ Na sua opinião, qual é a peça mais curiosa?

    GP – Acredito que a peça mais seja um lustre que tematiza o momento de várias lâmpadas incandescentes. O objeto é adornado por fibras óticas.

    CJPor quê?

    GP – Porque é a junção dos tempos: passado e futuro, unidos por um único ideal, que é a iluminação.

    Serviço
    Museu da Lâmpada
    Inauguração: 15 de março de 2012
    Av. João Pedro Cardoso, 574
    Aeroporto – São Paulo, SP
    Ingresso: um quilo de alimento não perecível
    As visitas deverão ser agendadas pelo telefone  (11) 2898-9333

    Fonte: Casa e Jardim

  • A-B-S-U-R-D-O-!

    Calma, não vou sentar a marreta em nada nem em ninguém desta vez.

    O absurdo do título deste post refere-se a coisas como: Lindo, maravilhoso, genial, perfeito, etc etc etc etc… Da cenografia, passando pela luz e sonorização às peças mostradas (e a forma como são mostradas).

    Trata-se do desfile da Louis Vuitton (Fall Winter 2012/2013) durante a Paris Fashion Week. Assistam:

    Para mim, este foi, de longe, o melhor desfile de todos na temporada.

    Absurdamente lindo!!!

    Alexander McQueen também fez um belo desfile, onde destaco o elemento decorativo de cristais e vidro suspenso no centro da passarela.

    Vivienne Westwood Gold Label já preferiu um desfile sem grandes cenografias. Porém usou de forma bastante inteligente a iluminação criando um jogo constante de luz/sombra e movimento através do laser e dos moving beams. Um resultado, no mínimo, inesperado, para um desfile de moda onde a luz chapada e uniforme é uma “regra”. Observem:

    Já a Channel usou e abusou da cenografia com um grandioso e complexo desfile. Ao contrário da edição primavera verão que eu achei a cenografia excessivamente branca, no da coleção outono/inverno eles conseguiram quebrar essa sensação com elementos escuros e cristais.

    Prestem muita atenção no uso da luz como elemento decorativo e para fazer os cristais acenderem:

    É, a cara dos desfiles tradicionais está mudando bastante.

    Graças a Deus!!!

  • Materiais: madeirados e lenhosos II

    Dando sequencia à série de posts sobre materiais, vamos finalizar esta parte sobre madeiras e derivados.

    Diante de algumas necessidades e demandas do mercado, outros produtos foram sendo desenvolvidos tendo como base a madeira maciça. De questões como valor (barateamento) aos ligados diretamente à sustentabilidade, vários foram os que moveram a indústria à desenvolver novos materiais.

    Dentre os principais derivados da madeira atualmente temos:

    AGLOMERADO

    O aglomerado é uma chapa com miolo composto de resíduos de madeira como pó e serragem. No processo de fabricação são adicionados resina e cola. Após a prensa se transforma em painel de madeira.

    Não possui um acabamento dos mais bonitos mas pode receber qualquer tipo de revestimento.

    É bastante utilizado na fabricação de móveis de baixa qualidade. Geralmente a montagem é feita com cavilhas e cola pois o uso de pregos e parafusos não é recomendado devido ao risco de ocorrerem rachaduras.

    Encontramos no mercado chapas no tamanho-padrão de 2,75 m x 1,83m e espessuras que variam de 0,6 mm a 30 mm .

    Material com baixíssima resistência à água.

    MDF

    MDF é a abreviação de Medium Density Fiberboard ou Fibra de Média Densidade.

    É um painel de fibras de madeira e tem composição homogênea em toda a superfície e em seu interior. Bastante resistente e estável, características que tornam possível obter excelentes acabamentos onde quer que este material seja aplicado.

    Dentre as chapas, é o material que mais se aproxima da madeira maciça com relação às possibilidade de manuseio e uso, que são muitas: pode ser pintado, laqueado, cortado, lixado, entalhado, perfurado, colado, pregado, parafusado, encaixado, moldurado. Apesar de todos estes processos que ele pode vir a passar, permite sempre um excelente acabamento tanto com equipamentos industriais quanto com ferramentas convencionais para madeira.

    Encontramos no mercado chapas que variam em espessura (3, 6, 9, 18, 20, 25, 30 e 35mm). Cada uma tem uma aplicação específica e seu uso depende da observação das características e propriedades de cada fabricante.

    O MDF tem nas faces maior densidade que a camada interna.

    Se você não sabe como ele é produzido, este vídeo da Masisa irá te mostrar:

    De um modo geral temos propriedades em comum entre todos os fabricantes:

    Flexão Estática: O mesmo processo da madeira maciça. (ver post anterior)
    Tração Perpendicular: O mesmo processo da madeira maciça. (ver post anterior)
    Tração Superficial: quando submetemos a superfície à uma força de tração aplicada perpendicularmente ao plano da face, para promover o arranque de uma determinada área da camada superficial.
    Arranque de Parafuso: É a resistência que um corpo oferece ao arrancamento de um parafuso, colocado na superfície ou topo, quando submetido a uma força de tração. No entanto, arrancamanto não deve ser confundido com espanamento. Com o tempo, por ser um material poroso, é normal que o buraco comece a aumentar ante o esforço.

    Importante:

    Este é um material que não resiste à ação da água e nem aos cupins.

    Ao absorver a água, as fibras que compõem a chapa incham. Se este for um processo permanente ou que ocorra sistematicamente o material certamente será danificado.

    Se o ambiente onde o móvel for instalado estiver contaminado por cupins, estes certamente irão atacar o móvel também pois trata-se de madeira.

    O MDF não é mais ou menos resistente que os outros materiais derivados da madeira maciça. O que pode torna-lo mais ou menos resistente são detalhes técnicos: projeto do móvel, execução e ferragens utilizadas.

    Como todo material, o MDF também sofre interferências de fatores externos.  Calor e frio provocam o inchamento e achatamento do material. Portanto, muito cuidado ao projetar grandes áreas. Para evitar aberturas nas juntas de placas, o ideal é que se projetem juntas de dilatação ou a aplicação de frisos para escondê-las.

    O MDF é encontrado com ou sem revestimento:
    – Com revestimento melamínico em Baixa Pressão (BP)
    – Com revestimento Finish Foil (FF)
    – Ou sem revestimento, pronto para aplicação de Lâminas de Madeira, Laminados de Alta-Pressão ou Pintura e Impressão.

    MDP

    MDP é a abreviação de Medium Density Particleboard, ou Painel de Partículas de Média Densidade.

    Difere-se do MDF por ser formado por partículas de madeira em camadas, ficando as mais finas nas superfícies e as mais grossas no miolo. O processo de fabricação é o mesmo que o do MDF.

    O consumo de madeira para a fabricação do MDP é menor que na fabricação do MDF tornando-o, portanto, mais ecologicamente correto.

    Suas principais características são:

    – Alta densidade das camadas superficiais, garantindo acabamento superior nos processos de impressão, pintura e revestimentos;
    – Produção através de 3 camadas: colchão de partículas no miolo e camadas finas nas superfícies;
    – Homogeneidade e grande uniformidade das partículas das camadas externas e interna;
    – Propriedades mecânicas superiores: melhor resistência ao arrancamento de parafuso e menor absorção de umidade e empenamento; Porém não é imune à ação da água.

    O MDP é especialmente indicado para a produção de móveis de linhas retas ou com formas orgânicas, desde que não exijam usinagens em baixo relevo, entalhes ou cantos arredondados. Para estes casos o melhor é o MDF.

    Principais aplicações: Portas retas, laterais de móveis, prateleiras, divisórias, tampos retos, tampos pós-formados, base superior e inferior, frentes e laterais de gavetas.

    Também não é resistente à água e pode sofrer contaminação por cupins.

    O MDP é encontrado com ou sem revestimento:

    – Com revestimento melamínico em Baixa Pressão (BP)
    -Com revestimento Finish Foil (FF)
    – Ou sem revestimento, pronto para aplicação de Lâminas de Madeira, Laminados de Alta-Pressão ou Pintura e Impressão.

    OSB

    OSB significa Oriented Strand Board, ou Painel de Tiras de Madeira Orientadas. É um produto de grande resistência mecânica, versatilidade e qualidade absolutamente uniforme. Por suas características é tratado como um painel estrutural.

    O OSB é um painel de madeira impregnado com resina sintética, feita de três camadas prensadas com tiras de madeira ou strands, alinhados em escamas, de acordo com a EN 300 OSB (Norma Européia).

    Dependendo do tipo da liga, ele pode ser usado em condições secas (OSB/2) ou úmidas (OSB/3 e OSB 4), de acordo com o DIN 68800-2 (Norma Alemã) que fala sobre a preservação da madeira. A aplicação de cola líquida assegura um equilíbrio do conteúdo de umidade similar à umidade predominante de 8 +/- 3%.

    Vantagens que o OSB oferece:

    – inexistência de espaços vazios em seu interior;
    – inexistência de nós soltos ou fendilhados;
    – sem laminação;
    – qualidade consistente e uniforme;
    – tem espessura perfeitamente uniforme e calibrada (menos perdas);
    – maior resistência a impactos;
    – excelentes capacidade de isolamento termo-acústico;
    – rigidez instantânea no uso para  “steel-framing construction”;
    – preço mais competitivo e atrativo;
    – visual esteticamente atrativo  e agradável.

    Principais aplicações: paredes, tetos, base de pisos para a aplicação de carpetes, pisos de madeira, ladrilhos, etc; tapumes e barracões de obras; Pallets tipo container.

    Encontramos no mercado algumas variedades (de chapas para diferentes aplicações) deste produto. A empresa Global Wood, por exemplo, disponibiliza as seguintes variações:

    LP TechShield são painéis de LP OSB revestidos em uma das faces com foil de alumínio que garante uma menor absorção do calor proveniente dos raios solares. O LP TechShield pode ser aplicado sobre telhados ou em paredes, melhorando o desempenho térmico das construções.
    Top-Form é um painel OSB específico para uso em fôrmas de concreto. Bitolado e esquadrejado, apresenta resistência mecânica e baixos índices de inchamento.
    OSB Canteiro tem o aspecto natural do OSB. Sua alta resistência, à ação das chuvas, assegura durabilidade e boa aparência durante toda a obra.
    OSB tapume é utilizado na montagem de tapumes, barracões de obras e bandejas de proteção.
    OSB Indu-Plac é um painel produzido com resinas potentes. Apresenta uma variedade de espessuras que permitem diversos usos.
    OSB Home Plus Estrutural possui bordas seladas com impermeabilizante, garantindo maior resistência à umidade. Otimiza materiais e mão-de-obra, tendo a opção de encaixe macho-fêmea e garantia estrutural de 20 anos para o sistema steel-framing, além da garantia anti-cupim por 10 anos.

    As espessuras das chapas variam de acordo com o tipo das mesmas. Mas de uma maneira geral encontramos chapas de 8 a 30mm.

    LAMINADO

    Vou deixar para falar sobre eles no post sobre pisos ok?

    É bom sempre ressaltar que para a durabilidade da aplicação destes produtos temos de considerar sempre:

    – condições térmicas e de umidade do ambiente projetado
    – qualidade do projeto
    – qualidade e especialização da equipe de produção
    – ferragens utilizadas (um dos próximos temas desta série de posts)

    Bom pessoal, por hora é isto. Espero que ajude vocês em seus projetos.

    Até o próximo post onde falarei sobre os seguintes revestimentos:

    – laminado melamínico
    – laminados AP, BF e FF
    – laminado formplast !!!

    See you!!!

    ;-))

  • Materiais: madeirados e lenhosos I

    Bom, vou começar uma sequência de posts seguindo esta linha: apresentando os principais materiais e outros nem tanto que podemos (e devemos) usar em nossos projetos. Sei que nas universidades muitos professores desta disciplina simplesmente largam os alunos à própria sorte, não compartilham conhecimentos e ainda tem a cara de pau de dizer que os trabalhos estão muito básicos… Como primeiro post da série, entram então os madeirados e lenhosos ou seja: as madeiras maciças.

    Madeira maciça

    Este é, sem sombra de dúvida, o material mais nobre de todos dentre aqueles usados nos projetos. Porém, dada a sua escassez e, por vezes, proibição legal de corte por causa do desmatamento e da demora de crescimento de novas mudas (reflorestamento), acaba ficando bastante cara tornando inviáveis alguns projetos.

    Existem dois tipos de madeira: as coníferas e as folhosas. Lembram-se das aulas de biologia???

    Um detalhe interessante à ressaltar é a Higrospicidade, que é a capacidade de absorver umidade do ar e de perdê-la por evaporação, e todas as madeiras são higroscópicas. Daí a necessidade de tratamento correto delas para o uso.

    A diferenciação na coloração, durabilidade e resistência mecânica variam muito entre as espécies. Algumas apresentam excelente resistência à tração e torção por serem duras e outras já são mais frágeis. Algumas são mais resistentes à água e outras sofrem sérios danos quando em contato com a menor quantidade dela.

    A madeira apresenta duas formas de resistência:

    – a mecânica: que é a sua capacidade para suportar cargas ou forças;
    – a deformação: que determina em qual proporção a madeira é comprimida, fletida ou distorcida sob carga ou força. Esta pode ser de dois tipos:
    – deformação elástica: sofre mudança na forma instantaneamente.
    – deformação reológica: sofre mudança com o tempo de aplicação da carga ou força sobre a madeira.

    Como a grande maioria dos materiais, ela também sofre alterações provocadas por fatores externos (chuva, sol, vento, etc). A retratibilidade e o inchamento se fazem presentes neste material. E as propriedades mecânicas dependem das direções principais de corte efetuado na madeira.

    A madeira apresenta três planos ortogonais de corte principais:

    Plano RT (corte transversal) é aquele que evidencia os anéis da madeira.
    Plano LR (longitudinal à partir da medula) é aquele que evidencia linhas aproximadamente paralelas.
    Plano LT (longitudinal tangente à casca) que evidencia linhas sinuosas superpostas.

    A madeira é um material elástico e sempre que sofre sobrecargas, se deforma. Dependendo da carga ela pode ou não romper-se. Quanto maior a carga, maior o risco dela se quebrar, pois os danos na sua estrutura interna foram intensos e excessivos. Quando a carga não atinge o limite elástico da madeira, ainda é possível recuperá-la.

    No corte paralelo às fibras, temos uma madeira com maior resistência.

    Já no corte na direção normal às fibras, a resistência é bem menor.

    Segundo Hellmeister (1982) a densidade (porosidade) é a propriedade física mais significativa da madeira destinada à construção civil, à fabricação de chapas ou à indústria moveleira. Desta propriedade dependem todas as outras três propriedades de resistência da madeira:

    – Compressão:
    Cargas que provocam o encurtamento do material (Ex: uma prensa).
    Na compressão paralela às fibras temos uma maior resistência.
    Na compressão perpendicular às fibras temos uma menor resistência.
    Esta é, talvez, a maior propriedade da madeira. Blocos de algumas espécies, com umidade controlada e 15cm de espessura podem suportar até 20.000Kgf.

    – Tração:
    São as situações que exigem o alongamento do material. Estra é a maior propriedade da madeira.
    Na tração paralela às fibras temos uma maior resistência.
    Já na tração paralela às fibras temos uma menor resistência.

    – Flexão:
    São as cargas que provocam o encurvamento do material. Nesta ação temos a combinação de compressão e de tração agindo ao mesmo tempo.

    A NBR 7190/1997 estabelece a caracterização completa das madeiras pelas seguintes propriedades.

    Temos também outras características importantes para a área de interiores e que devem ser observadas, como nos mostra o site Guia do marceneiro:

    CARACTERÍSTICAS SENSORIAIS
    As madeiras apresentam algumas características que auxiliam no processo de identificação: são as chamadas características sensoriais, isto é, que podem ser reconhecidas pelo órgãos dos sentidos, como cor, cheiro, sabor e brilho.
    Cor – É uma das propriedades da madeira diretamente relacionada ao seu uso, principalmente como elemento decorativo.
    A coloração da madeira origina-se normalmente dos pigmentos e outros materiais, como taninos e resinas, que se fixam principalmente no cerne.
    A cor é alterada pela incidência da luz solar, pelo teor de umidade e pela exposição ao ar.
    A madeira escurece devido à oxidação de componentes orgânicos.
    O aspecto acinzentado da madeira velha se deve ao fato de as fibras de celulose da superfície se soltarem.
    Isso acontece principalmente quando a madeira não recebeu verniz, tinta ou outro tratamento superficial preservativo.
    Para identificação, a cor pode ser observada na superfície do cerne recém-polido com uma navalha.
    Madeiras identificáveis por sua cor típica são o pau-rosa, o pau-amarelo e a braúna preta.
    Cheiro – A presença de compostos orgânicos determina o cheiro da madeira.
    Essas substâncias em geral são encontrada no cerne, o0nde o odor é mais pronunciado.
    É possível identificar algumas espécies de madeiras apenas pelo seu odor característico.
    Alguns exemplos de espécies com cheiro agradável são os louros e o cedro.
    A cupiúba tem odor desagradável.
    O piquiá tem cheiro suave de fermento ou vinagre; a cerejeira tem odor agradável, lembrando baunilha.
    O cheiro também determina o uso da madeira, pois caixas para embalagens de alimento, por exemplo, não podem ter odor algum.
    Sabor – O sabor ou gosto da madeira está relacionado com o seu cheiro e em geral é mais pronunciado em madeiras verdes ou recém-cortadas.
    Madeiras com altos teores de tanino, por exemplo, têm sabor amargo.
    Alguns exemplos são a peroba-rosa e o angelim amargoso, de sabor amargo; o Pinus elliottii, resinoso; o angico-vermelho, adstringente; a canela-sassafrás, ligeiramente picante; a cerejeira, adocicado.
    Brilho – É a propriedade de as paredes celulares da madeira refletirem a luz. Em geral as madeiras são mais brilhantes nas fases radiais.
    Espécies consideradas brilhantes são a itaúba e a canela.”

    Lâminas

    Além da madeira maciça, temos as lâminas de madeira natural que podemos aplicar nos projetos.

    Seja para revestir uma parede ou um móvel, ou ainda para criar acessórios aproveitando-se de sua elasticidade, o seu uso deve considerar a base onde este material será aplicado.

    Superfícies de materiais que trabalham muito (expansão/retração) não são uma boa área para uso destas lâminas, pois as mesmas podem rachar estragando o acabamento. Também é importante ressaltar que para melhores resultados, as áreas à serem revestidas não devem ser muito grandes. As lâminas podem soltar-se, rachar e, como qualquer madeira, empenar caso não esteja totalmente seca.

    Elas são originárias das placas de madeira maciça de onde são extraídas através do processo de descascamento (laminação) e podem ser encontradas em chapas de 2 ou 3mm de espessura.

    Sua aparência dependerá da região onde a laminação foi feita.

    Se esta vier do caule, temos a lâmina com aparência natural de madeira.

    Já a laminação da área das raízes nos fornece a rádica.

    Aproveitando a maravilhosa biblioteca que é o site Guia do Marceneiro, vale ressaltar aqui alguns cuidados fundamentais para a escolha e compra de madeiras:

    CARACTERÍSTICAS E PRECAUÇÕES
    Madeira peluda:
    Madeiras com “pelos” nas bordas, também conhecidas como “miolo” ou “bica”, são muito ruins para se trabalhar, além de empenarem muito, ainda há o problema do acabamento, pois, não se consegue um acabamento polido nesse tipo de madeira.
    Independente da madeira que se compre, deve-se observar com cuidado esse detalhe em todas elas.
    Madeira empenada:
    Madeiras empenadas quase sempre apresentam problemas mesmo após o seu aplainamento na desempenadeira.
    Algumas vezes elas voltam a empenar, principalmente quando cortadas na serra estacionaria.
    Madeira com nós:
    Madeiras que apresentam “nós”, quando trabalhadas costumam rachar e até mesmo perder o nó, deixando um buraco no lugar.
    Madeira rachada:
    As madeiras rachadas não oferecem grande aproveitamento, mesmo se tentarmos contornar as rachaduras podem ocorrer novas rachaduras ou ainda o agravamento de outras .
    Madeiras sósias:
    Madeiras sósias, ou seja, madeiras que se parecem muito umas com as outras, são muito comuns nas lojas.
    Algumas vezes nem mesmo seu vendedor de confiança saberá a diferença.
    Um bom exemplo é o mogno, que tem vários sósias bem parecidos tais como o louro rosa, o cedro vermelho, o Jitó e etc..”

    Finalizando esta parte sobre madeiras maciças, lembro que de nada adianta você projetar com madeira maciça fazendo seu cliente gastar muito dinheiro, se não educa-lo sobre os cuidados e a manutenção do material. Novamente, dicas diretas do site Guia do Marceneiro:

    Como começam os danos?
     Com o passar dos anos a madeira tende a perder suas características, principalmente se estiver exposta aos raios solares e a umidade.
    Os raios solares possuem raios ultravioletas que descolorem e ressecam a madeira. Já o excesso de umidade apodrece a madeira.
    Buracos feitos por insetos
    Para desaparecer com pequenos buracos feitos por insetos, podemos utilizar palitos ou pequenas lascas de madeira para tampá-los.
    Para isso aplique cola dentro dos buracos, a seguir enfie os palitos com força e deixe secar.
    Depois de seco corte os palitos junto á tábua e lixe com lixa fina para acertar.
    Amassados e marcas
    Marcas feitas na madeira por objetos pontiagudos podem ser retiradas da seguinte maneira :
    Coloque um pano molhado sobre o local marcado, depois passe um ferro elétrico (ferro de passar roupas) bem quente sobre o pano até que a marca desapareça.
    Riscos e Arranhões
    A madeira quanto mais macia, mais marcada pode ficar com um golpe de uma cadeira ou a queda de um objeto mais duro sobre ela e etc.
    Para retirar uma marca quanto mais rápida for a ação mais chances teremos de sucesso.
    Comece por retirar o polimento ou verniz do lugar onde foi feita a marca.
    Faça uma boneca ( prepare uma bola pequena de algodão, estopa ou pano, coloque dentro de um pano macio e torça podendo mesmo dar um nó para que fique firme e fácil de manipular) .
    Prepare com cuidado um recipiente com água fervendo.
    Molhe a boneca nesta água e aplique encima da marca, tenha cuidado para que não escorra encima de outros lugares, poderá manchar uma parte do móvel que esta perfeita.
    Não deixe a água esfriar, é muito importante que esteja todo o tempo “fervendo”, vá aplicando até que a marca tenha desaparecido.
    Deixe secar espontaneamente (pelo menos 12 horas), depois de bem seco passe uma lixa fina para conseguir o nivelamento da região afetada com o resto da madeira em volta. Dê acabamento.
    Fungos (mofo), Brocas e Cupins
    Prevenir é a única solução, para isso, as madeiras novas devem ser protegidas com imunizantes que podem ser adquiridos nas lojas.
    Deve ser aplicados em toda a madeira ou conjunto de madeiras (cadeiras, camas, mesas, etc.) conforme especificação do fabricante.
    A aplicação normalmente é feita com pincel ou bomba de spray em todos os lados do objeto.
    Trabalhe numa área ventilada, longe de crianças e animais domésticos, proteja os olhos, as mãos e vias respiratórias, estes produtos são muito tóxicos.
    Preste muita atenção ás recomendações dos fabricantes.
    Fungos (mofo)
    Os ataques de fungos, que causam o apodrecimento da madeira, são o resultado da permanência no sol ou na chuva.
    Ficar ao tempo é o principal fator para o aparecimento de grandes quantidades de fungos.
    Alta umidade e calor também colaboram. Além do empenamento das madeiras pelas constantes mudanças climáticas.
    A melhor solução para madeiras expostas são os vernizes, fáceis de aplicar com pincel, isolam e protegem a madeira do tempo, com grande elasticidade acompanham a dilatação retração da madeira.
    A manutenção também é extremamente fácil, uma vez que se aplica uma nova camada encima da anterior.
    Os vernizes em geral já contém inseticidas e fungicidas.
    Brocas
    podem atacar todo o tipo de objeto em madeira e papel, fazendo verdadeiras avenidas no interior de moveis ou livros.
    A indicação que o lugar esta tomado pelas brocas, é o aparecimento de quantidades de “areia” e “poeira”(de madeira) junto ao objeto infestado.
    O cupim
    Ele se instala no interior da madeira seca e uma das poucas maneiras de saber que ele esta lá é pelo aparecimento de camada de pó de madeira (parecido com areia) no chão embaixo do local da infestação.
    Qualquer objeto pode estar infestado pelos cupins, portas, rodapés, moveis, forros, etc.
    Na madeira úmida ou molhada (enterrada) o cupim é mais difícil de ser descoberto.
    Afinal tanto podem ter seu ninho feito “com terra” acima como abaixo do piso.
    Mas uma maneira eficaz é verificar se existem sinais de terra fresca, em armários de áreas úmidas como na cozinha, banheiro, área de serviço, caixas de interruptores ou tomadas, rodapés, etc.
    Se for descoberta uma infestação, e a injeção do produto não for possível no local, é melhor se aconselhar com um profissional da área.
    Nos casos mais graves de “infestação” deve-se injetar o inseticida nos próprios orifícios abertos pelos insetos até ficarem saturados ou fazer vários furos com uma broca bem fininha e injetar o produto adequado, com a ajuda de uma seringa comum. Pode-se também mergulhar por um ou dois minutos (ver indicação do fabricante) a madeira no produto.Depois espere secar bem.
    Para a aplicação destes produtos a madeira deve estar limpa, seca e livre de qualquer tipo de acabamento.
    Depois de dez dias, se a infestação continuar repita a operação.
    Descolamento de laminas de compensado e revestimentos
    Se o revestimento ou laminado está se descolando, levante com cuidado para não quebrar.
    Tente retirar toda a cola já existente no local descolado, pode raspar com uma faca afiada, lixa, espátula ou usar água bem quente para amolecer a cola.
    Depois de secar ou limpar o local passe cola branca (PVA) nas partes a serem re-coladas; junte-as e mantenha sob pressão com grampos ou outro meio (um peso, etc.) e espere secar por 24 horas, em ambiente seco.
    Rachaduras
    Rachaduras nas extremidades de madeira maciça:
    Aplique cola branca no local depois enfie uma cunha feita da mesma madeira e no formato da rachadura, aperte bem no sentido horizontal.
    Espere secar e corte o excesso, lixe ou raspe para tirar qualquer diferença.
    Sumindo com os “Nós”
    A resina de alguns “nós” de madeira, continuam correndo por muito tempo. Algumas vezes os “nós” apresentam rachaduras e as vezes se soltam.
    A solução é a retirada do nó e no seu lugar colar uma peça no mesmo formato feita da mesma madeira. Para tirar o nó, dê pancadas leves sobre ele com um martelo e uma cunha de madeira.
    Cunhando rachaduras
    Para colocar uma cunha de madeira em outra madeira seca ou rachada e não correr o risco de rachar ainda mais, faça o seguinte: coloque a cunha (pedaço no formato da rachadura) em água fervendo e ainda quente embutir na outra madeira já com a cola aplicada.
    O mesmo se aplica aos “nós” de madeira.
    Pisos de madeira | Assoalhos – Laminados – Tacos – Parquetes
    Aplicação de madeira na construção ou revestimento de pisos, é uma das TÉCNICAS mais antigas usada para aquecer e dar conforto em ambientes para moradia.
    Assoalhos são feitos de réguas de madeira maciça que podem ter comprimento, espessura e larguras variáveis, conforme a necessidade e a geometria.
    Geralmente estas tábuas são aplicadas diretamente sobre contra-piso (piso sem acabamento) e fixadas por barroteamento (pequenos pedaços de madeira embutidos no cimento ao nível do piso, nos quais serão aparafusadas ou pregadas).
    Lateralmente, as peças são encaixadas de modo a não deixar qualquer espaço vazio.
    A colocação pode ser feita também em diagonal e até mesmo de maneira mista, dependendo somente da capacidade de quem o faz. é muito importante calcular bem a espessura do piso e sua relação com o espaço abaixo (a altura) das portas.
    Laminados (tapete de madeira), são réguas resinadas de cerca de 8mm de espessura (existe uma enorme variedade de pisos laminados), que tentam reproduzir artificialmente os padrões da madeira.
    São fixadas entre si por colagem e encaixe, em geral coladas diretamente no piso preparado, mas também podem ser colocadas em cima de um assoalho já existente, dependendo das condições encontradas.
    Nem sempre o resultado é o mais “natural”.
    Tacos são pequenas placas de madeira maciça com tamanhos variáveis, encaixadas e coladas entre si, geralmente são aplicados diretamente sobre contra-piso.
    Pode-se escolher o tipo e cor dos tacos, permitindo desenhos e nuances na composição do piso.
    Parquetes constituem-se de placas compostas por pequenos grupos de tacos colados, formando uma espécie de mosaico.
    Colados diretamente sobre o contra piso, por melhor que sejam as colas sempre existirá a possibilidade de descolagem.
    Pode-se escolher o tipo de madeira e cor dos parquetes (que são muito variados), permitindo desenhos e nuances na composição do piso.”

    E lembrem-se:

    Usem apenas madeiras de demolição ou aquelas com certificado de procedência garantindo assim, a vida em nosso planeta.

    Bom, espero que tenham gostado. No proximo post desta sequência escreverei sobre os derivados da madeira (MDF, OSB, etc).

    Referências bibliográficas:

    – HELLMEISTER, J.C. Madeiras e suas características. In: ENCONTRO BRASILEIRO EM MADEIRAS E EM ESTRUTURAS DE MADEIRA,I, São carlos, 1983. Anais. São Carlos: USP, SET, LaMEM, 1983. v.I
    – DIAS, FABRICIO MOURA. LAHR, FRANCISCO ANTONIO ROCCO. Estimativa de propriedades de resistência e rigidez da madeira através da densidade aparente. In: SCIENTIA FORESTALIS, n° 65. p. 102-113, jun. 2004.

  • Cursos Osram 2012

    Agende-se!!!

    A OSRAM acaba de anunciar, sua programação para os cursos de iluminação de 2012.

    Neste ano, serão apresentados cinco temas diferentes, que vão desde a apresentação dos conceitos básicos da iluminação e demonstração do portfólio de produtos da companhia, até a explicação de assuntos mais complexos, como a elaboração de cálculos luminotécnicos.

    Veja abaixo as características e as datas de cada tema.

    Conceitos Luminotécnicos
    São apresentados todos os conceitos relacionados à iluminação, seguindo as tendências de eficiência, economia energética e conforto, essenciais para profissionais que atuam neste segmento. Além disso, temas básicos de luminotécnica, como sistemas de iluminação, grandezas fotométricas e critérios de desempenho são abordados. É a base inicial para todos os demais cursos de iluminação.
    Datas: 12/3, 21/5 e 16/6
    Palestrante: Nelson Solano, arquiteto, é mestre formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. É especialista e consultor na área de conforto ambiental e eficiência energética nas edificações desde 1979 e possui dezenas de projetos realizados. Atualmente, além de professor em cursos de graduação e pós, é diretor da Geros Arquitetura Ltda.

    Portfólio OSRAM
    Tem o objetivo de apresentar o completo portfólio de produtos da OSRAM, bem como suas diferentes tecnologias e características, com grande foco na tecnologia LED. O curso abordará as linhas de lâmpadas LED, fluorescentes, halógenas, incandescentes e descarga, além de módulos e luminárias de LED, transformadores, reatores eletrônicos e sistemas de gerenciamento de iluminação. Além disso, também abrange o portfólio de produtos da Traxon Technologies, empresa do grupo OSRAM. Por conta do extenso conteúdo, é realizado de maneira dinâmica em dois dias seguidos.
    Datas: 13 e 14/3, 22 e 23/5 e 16 e 17/6
    Palestrantes: Cláudia Antonelli, arquiteta e gerente de Produto da linha Consumer Lighting da OSRAM; Juliano Aníbal, engenheiro e gerente de Produto LMS e Siteco; Marcos Santos, engenheiro e gerente de Marketing da linha profissional de LEDs da OSRAM; Rafael Biagioni, engenheiro e gerente de projetos da Traxon Technologies; e Ronald Leptich, engenheiro e gerente de Produto da linha Professional Lighting da OSRAM.

    Iluminação Residencial
    Neste curso o participante poderá ter uma visão geral sobre a maneira mais adequada de iluminar variados ambientes de uma residência. Além disso, os alunos receberão diversas dicas para a elaboração de seus próprios projetos de iluminação, a partir da atualização do conhecimento para melhor atender as necessidades do mercado.
    Datas: 15/3, 24/5 e 19/7
    Palestrante: Silvia Bigoni arquiteta com especialização em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas, é consultora autônoma na área de Iluminação e comunicação desde 2001. Foi professora da pós-graduação de Design de Interiores na FAESA/ES e professora convidada da pós-graduação em Iluminação e Design de Interiores das Faculdades Oswaldo Cruz/SP. Atualmente, ministra cursos de aperfeiçoamento pela AEA- (Academia de Arquitetura e Engenharia), entre outras entidades. Atuou na OSRAM do Brasil por 10 anos, onde desenvolveu projetos de iluminação residencial e comercial.

    Iluminação Comercial
    O participante receberá neste curso orientações para elaborar projetos comerciais, discutir as diferentes estratégias para iluminar ambientes e objetos com o intuito de evitar erros comuns na escolha das fontes de luz, além de eleger o local ideal para iluminar de acordo com a geometria da arquitetura. De forma didática, o aluno vai aprender a selecionar os efeitos desejados de acordo com as intenções do projeto, suas atmosferas e, principalmente, o impacto que a arquitetura deve provocar no observador.
    Datas: 16/3, 25/5 e 20/7
    Palestrantes: Marcos Santos, engenheiro e gerente de Marketing da linha profissional de LEDs da OSRAM; Rafael Biagioni, engenheiro e gerente de projetos da Traxon Technologies; e Rafael Sanches, arquiteto formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e responsável por especificações e projetos da OSRAM.

    Cálculos Luminotécnicos
    Voltado para profissionais com conhecimento prévio em conceitos luminotécnicos e produtos para iluminação, o curso demonstra a didática dos cálculos, apresentando métodos, como o ponto a ponto, além de contar com a demonstração de softwares, tudo exemplificado através de aplicações e realização de exercícios práticos.
    Datas: 9/4 e 11/6
    Palestrantes: Nelson Solano, arquiteto, é mestre formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo; e Rafael Sanches, arquiteto formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e responsável por especificações e projetos da OSRAM.

    Informações Gerais:
    O número de vagas é limitado a 60 pessoas e a inscrição é feita apenas pelo site, sujeita a confirmação posterior.

    Local: OSRAM Light Studio – Avenida dos Autonomistas, 4229. Vila Granada, Osasco – SP

    Mais informações no site www.osram.com.br

  • LD> + e + erros

    É, vamos analisar mais algumas imagens para entender onde estão os erros cometidos nos projetos de iluminação dos mesmos?

    Porém desta vez vou colocar também imagens de projetos nacionais que encontrei pela web. Vou começar a também usar imagens de projetos nacionais pois tem mais a ver com a nossa realidade.

    Começando…

    Tudo bem que o quarto é grande e blablabla… Mas este mega lustre aí não tem nada a ver (à não ser com frivolidades e falta de bom senso). Fico imaginando a empregada metendo a cabeça nele toda vez que vai arrumar a cama… Além de que, para um quarto, este tipo de lustre gasta um pouquinho demais de energia elétrica. Aliás, aficiência não é o forte deste projeto, basta olhar as luminárias (se conhece-las bem) e perceber as lâmpadas que elas usam…

    Ainda sem sair do quarto, esta outra imagem mostra o erro mais comum que deixa claro que o profissional não entende muito bem sobre conforto lumínico e, consequentemente, projetos de iluminação. Já falei várias vezes sobre este erro aqui no blog. Onde está?

    *Respondo no final do post (1)

    Como estávamos falando, lá no quarto, sobre eficiência energética, não posso deixar de colocar esta imagem aqui neste post. A altura de instalação das luminárias está legal pois não atrapalha a visualização do outro lado da mesa mesmo com as pessoas em pé. No entanto, vocês contaram quantas luminárias tem sobre esta mesa? 4X5=20 luminárias!!! Cada uma com uma lâmpada bipino. Pelo catálogo da Philips, cada lâmpada dessa consome 40W ou 60W.

    Logo, temos um consumo de 800W ou de 1.200W, dependendo de qual delas foi usada, apenas sobre esta mesa!!!! Totalmente absurdo!!!

    Vamos dar uma chegadinha até o banheiro?

    Bizarro isso!!! Bizarramente descuidado e irresponsável!!!

    Lembro que as lâmpadas halógenas esquentam demais atingindo temperaturas absurdas durante o funcionamento. É só chegar perto de uma luminária qualquer que use halógena e perceberão isso. E a pessoa que projetou este banheiro vem e coloca uma cortina de tecido a centímetros da luminária… Depois, quando acontece um incêndio a responsabilidade certamente será do eletricista que instalou mau e porcamente a luminária e provocou um curto né??

    #AFF

    Vamos pras salas???

    Qual a lâmpada destas luminárias???

    Exato! AR111.

    Coitada da pessoa que se sentar nesta cadeira para apreciar a paisagem ou ler um livro… Pode ser uma boa para quem está em busca de “bronzeamento artificial” ganhando, de bônus, um belo câncer de pele…

    Não conhecer o funcionamento dos fachos das lâmpadas bem como não se atentar à questões estéticas e técnicas (especialmente afinação da iluminação) resulta nesse tipo de… de… absurdo estético, pra ser bem legal e nada desrespeitoso…

    Ok, o projeto de interiores está lindo!!! Mas aqui, a sanca está (apesar de não parecer na foto) causando um sério problema: ofuscamento. É só olhar para ela e imaginar-se sentado numa daquelas cadeiras.

    Esta imagem me lembrou de uma matéria que saiu na Lume Arquitetura, na edição n° 52, falando sobre o uso das cores nos projetos. Aqui, além da cor alterar a obra do artista plástico (certamente sem o seu consentimento), os fachos das lâmpadas distorcem a percepção da obra ao criar pontos luminosos onde, originalmente, não existem. Devemos considerar também a ausência da afinação que percebemos ao olhar o alinhamento dos fachos sobre o quadro e no chão.

    Reflexos e mais reflexos, e também, reflexões…

    Observem, especialmente, o resultado da iluminação sobre o papel de parede metalizado…

    Observem também o foco na tela…

    Achou pouco? Tem esta outra foto do mesmo ambiente que mostra mais reflexos:

    Como se pode ver, um belo projeto de um decorado nacional, destruído por erros crassos de iluminação… A quantidade de reflexos manchando o teto é absurda!!! E quais os materiais que refletem a luz??? Já escrevi sobre isso várias vezes.

    De novo, problemas com materiais reflexivos manchando o teto, estragando o projeto. Outro detalhe: impossível não prestar atenção nas sombras projetadas das telas…

    Aqui, de cara, já percebemos dois erros: reflexo no teto e ofuscamento na parede atrás da mesa. Ou dminui-se a quantidade de luz que sai da sanca e banha a parede, ou escureça a parede um pouco para quebrar o ofuscamento. Talvez, se a luz tivesse TC um pouco mais baixa essa sensação não aconteceria pois ficaria mais suave.

    Bora cozinhar??

    Perceberam que não existe um foco de luz direcionado sobre o fogão? Não, a luz embutida sob os armários não é suficiente. Outro detalhe é a luminária sobre a pia certamente, para dar uma “bossa a mais” ao projeto. No entanto, fico pensando no uso de água quente, o vapor subindo e pegando diretamente na lâmpada e na luminária…

    Perceberam também que não há uma iluminação geral para facilitar a limpeza do ambiente?

    hum…

    O terror da falta de noção sobre fachos, estética e afinação da luz…

    #EuHeim!!! =0

    E para encerrar, um ambiente comercial…

    As sancas e os embutidos já resolveriam o ambiente tranquilamente se tivessem uma luz mais baixa. Mas não, o “proficionau equisperti” (sim fui irônico pois percebe-se que não se entende nada de luz nesse projeto) e que quer ganhar mais ainda em cima dos clientes através das RTs, tem de inventar de meter uma “bossa a mais” no projeto e enfiam mais gastos com peças e acabam chegando a um resultado inútil esteticamente e visualmente. Não percebeu? Outra foto:

    Agora, volte na imagem anterior e localize estas luminárias. Percebe como o efeito simplesmente desapareceu? Sabe o porque disso? Uma ampla luz banhando a parede onde estão as luminárias (na verdade são balizadores aplicados de outra forma).

    #Fail

    É, tá difícil convencer os clientes da importância de um BOM projeto de iluminação (LD) e, principalmente, feito por ESPECIALISTAS, quando as referências que eles encontram na web e nas mídias ditas especializadas ou “as melhores ou maiores” apresentam essas cacas como “o must”.

    #AAAAAAAAAAAAFFFFF

    *Resposta:

    (1) deite-se na cama e olhe para o teto…

     

  • Aproveitando-se da histeria coletiva

    Já faz alguns dias que venho percebendo uma forte tendência da mídia, onde determinados grupos estão, descaradamente, aproveitando-se da histeria coletiva gerada por causa do desabamento dos edifícios no Rio de Janeiro bem como usando o lado desinformado da mesma para aproveitar-se quando lançam inverdades sobre os diversos profissionais que atuam nas diversas áreas da construção civil.

    Pelo que tenho percebido em muitas – mas muitas mesmo – matérias que tenho lido diariamente desde o desabamento, o mote principal é: “não reforme sem contratar um profissional especializado“. Isso ocorre especialmente na mídia longe dos grandes centros, mas também ví coisas similares no G1, R7, UOL e outros grandes portais nacionais.

    Até aí tudo bem SE e SOMENTE SE a coisa toda parasse por aí.

    Mas não. Ainda não contentes, eles tem de tirar vantagem da situação mesmo que isso signifique jogar a ética profissional (que poucos deles tem na verdade) no lixo ao alegar que toda e qualquer reforma exige a presença de um engenheiro ou arquiteto. Que só estes profissionais são qualificados para realizar desde pequenas até grandes reformas seja em residências ou edifícios.

    Toda e qualquer alteração deve ser acompanhada por estes dois profissionais que, segundo eles (CREA, CAU, AsBEA, profissionais entrevistados e etc) são os únicos capazes de efetuar obras sem riscos.

    APARTE: estou adorando ver CREA e CAU se degladiando AH AH AH!

    Aproveitam-se também – e em alguns casos até tentam confundir – do fato das reformas terem sido feitas por uma pessoa não habilitada, que tinha apenas bom gosto e sabia lidar com o AutoCAD. Li muitas vezes, frases dissimuladas onde entende-se perfeitamente ataques diretos aos Designers de Interiores/Ambientes.

    Em várias matérias o que dá a entender é que daqui a pouco, até mesmo para simplesmente pintar as paredes o cliente terá de contratar um arquiteto ou um engenheiro civil.

    PALHAÇADA!!!

    Em meio a tudo isso, para uma associação que sonha em um dia vir à ser o futuro Conselho Fedaral de design de Interiores, a ABD, resta o silêncio conivente com toda esta palhaçada e absurda falta de respeito para com os verdadeiros Designers de Interiores/Ambientes. Sim, digo verdadeiros pois, à começar pela diretoria, a entidade é formada em grande parte por arquitetos e decoradores (que não são designers!).

    O silêncio da ABD sobre este assunto é estarrecedor.

    Enquanto CREA e CAU aproveitam-se da situação amplificando ao máximo a histeria coletiva gerada por esta caso, desqualificando e humilhando outros profissionais TAMBÉM QUALIFICADOS, a ABD mantem-se em seu reininho cor de rosa onde tudo é lindo, gamuroso e perfeito. Faz de conta que não está vendo mas, pela minha experiência com ela posso afirmar que está sim ciente de tudo isso e só vai se mexer quando a água bater na bunda novamente de algum diretor, como quando aconteceu com a Brandalise.

    Nos resta então lutar com nossas próprias armas, a informação e o conhecimento, para tentar barrar essa tremenda falta de respeito que estamos sendo vítimas e pior, sem ter culpa alguma afinal, a fulana lá que estava fazendo a obra NÃO TINHA FORMAÇÃO ALGUMA NA ÁREA, bem diferente de nós, DESIGNERS DE Interiores/Ambientes que estudamos tanto quanto (ou até bem mais que) muitos arquitetos e engenheiros.

    Portanto, fica aqui o meu repúdio à tuda essa palhaçada que vem sendo fomentada por pessoas e entidades sem qualquer respeito ou ética pessoal e, quiçá, profissional.

    Portanto senhores, antes de vir à público desqualificar e humilhar a minha área profissional, arrumem primeiro a casa de vocês! Tem muita coisa para vocês se preocuparem dentro de suas próprias áreas para ficar de olho grande em cima da minha área. Se não conseguem enxergar, aqui vão algumas dicas:

    FORMAÇÃO:

    O que não falta neste país é UNIESQUINA lançando péssimos profissionais no mercado. O problema está na péssima qualidade dos cursos ofertados especialmente nas IES particulares.

    CARTEIRA PROFISSIONAL:

    Por serem estas áreas essenciais e que fundamentalmente podem colocar usuários em risco de morte, não entendo como não há a exigência de um exame para poder atuar na área. Somente os exames podem evitar a infestação dos profissionais ruins que mancham as profissões. Só para constar: defendo a aplicação do exame para a minha área também ok?

    Uma dica ainda dentro deste tema: façam uma provinha bem básica com todos os engenheiros e arquitetos sobre a NBR 15.575. Tenho certeza de que 90% irão reprovar. Aí vocês terão uma verdadeira noção da realidade dos profissionais atuantes no mercado que vocês representam.

    ATUAÇÃO PROFISSIONAL:

    O que não falta é profissional de engenharia e arquitetura que não abrem suas ARTs, que não respeitam os códigos de ética, que não cobram por projetos em troca das RTs e mais um oceano de coisinhas que precisam ser arrumadas com urgência. Se tiver de punir, que apunição seja exemplar para que os outros aprendam através do sofrimento alheio à não cometer os mesmos erros e safadezas.

    FISCALIZAÇÃO:

    Isso é uma piada aqui no Brasil. O que não faltam são obras com profissionais que se recusam à colocar suas placas para fugir da fiscalização (voltando ao item anterior).

    SOCIAL:

    O Brasil é um país de terceiro mundo e continua sendo de terceiro mundo apesar de toda a pavonice que tem sido criada para desmistificar isso. É só olhar em qualquer cidade, nas volas, nas favelas os graves problemas que enfrentamos diariamente. Um país que não oferece saneamento básico para a sua população, em sua totalidade, não pode ser considerado de primeiro mundo. Porque vocês permitem a proliferação de construções feitas por “práticos” em áreas de risco e alto risco? Porque não levantam a bunda de suas cadeiras e vão em cima do Cogresso Nacional exigir que esse tipo de coisa seja proibido aqui no Brasil? Porque não solicitam aos profissionais de suas áreas que sejam cidadãos conscientes e doem projetos populares para os menos favorecidos?

    Não me refiro a projetos como o que o CREA tem de moradias sociais e sim a ação particular de cada profissional. Se não quer fazer uma “casinha”, faça uma praça, projete o saneamento de uma rua, urbaniza uma vila afastada entre tantas outras coisas que vocês podem fazer E NÃO FAZEM! Preferem ficar de picuinha.

    Parceiros, fornecedores e empreendedores para fazer isso vocês conseguem fácil. O que falta é vontade de vocês fazerem algo de realmente útil à sociedade.

    Estas são apenas algumas dicas para que vocês vejam quantos problemas existem dentro das áreas de vocês e que vocês não resolvem. Ou por fazer vista grossa ou porque não querem resolver mesmo. Existem ainda muitos outros. É só vocês observarem atentamente o mercado e as notícias nos jornais (não apenas as que lhes interessam).

    E parem de ridicularizar e menosprezar a minha área profissional para a qual, estudei (e estudo) muito.

    Por essas e outras Designers, precisamos com urgência urgentíssima regulamentar a nossa profissão de maneira séria, não através da palhaçada que a ABD está propondo.

  • Ofício encaminhado à Reitoria da Uel sobre o Cine Teatro Ouro Verde

    Londrina, 14 de fevereiro de 2012.

    Magnífica Reitora
    Prof. Dra. Nádina Aparecida Moreno
    Universidade Estadual de Londrina
    Londrina – Paraná

    Senhora Reitora,

    Assunto: Doação de Projeto de Lighting Design para a Reconstrução do Cine Teatro Ouro Verde.

    Lamentavelmente fomos surpreendidos com o incêndio que destruiu boa parte de nosso Teatro Ouro Verde neste último domingo, dia 12 de fevereiro p.p. A tristeza afetou a todos os moradores desta cidade, pois reconhecemos que este Teatro apresenta um significado importante da história de nossa cidade e ponto fundamental para a cultura: é nosso patrimônio histórico e cultural que não devemos deixar desmoronar.

    Na qualidade de neto e bisneto de pioneiros que construíram esta cidade por meio de seu trabalho braçal, compreendo que este é um momento de solidariedade, parceria e união de esforços para além de interesses pessoais.

    Recordo-me do orgulho de meu avô, Lauro Jorge Tramontini, o qual com seu pai e seus irmãos, foram os responsáveis por todo o antigo calçamento de paralelepípedos e também pela construção das primeiras praças desta cidade, especialmente a Praça Mal. Floriano Peixoto, esta desenhada e construída pelo meu avô. Orgulho de reconhecer sua participação na construção da cidade de Londrina. É justamente este testemunho pioneiro e cidadão que me move a escrever e apresentar minha proposta de colaborar gratuitamente, oferecendo meus serviços e competência profissional, na reconstrução do Teatro Ouro Verde. Quero ter a oportunidade de sentir o mesmo orgulho de meu avô!

    Resido na cidade de Londrina. Sou Designer de Interiores/Ambientes especializado na elaboração e execução de projetos de iluminação ou, como é denominado internacionalmente, Lighting Design. Mantenho um blog bastante respeitado e renomado na Internet sobre as áreas de Design e Iluminação que, com menos de quatro anos de existência está para atingir a marca dos um milhão de acessos.

    Também, atualmente, sou um dos colunistas da revista Lume Arquitetura, referência em Lighting Design no Brasil.

    Assim sendo, em respeito à história de nossa cidade e como cidadão consciente da responsabilidade ética, solidária e profissional, eu me disponho a empreender todos os esforços que forem necessários – exclusivamente a título de doação – para elaborar sem quaisquer ônus para a Universidade o projeto completo de Iluminação (Lighting Design) para a reconstrução do nosso Teatro Ouro Verde, que envolve fachada da edificação, salas administrativas, áreas comuns e de circulação, auditório, palco, coxias, camarins e demais espaços de uso privativo e público.

    Reforçando a seriedade desta proposta, a renomada iluminadora Jamile Tormann (vide currículo e contatos abaixo) se dispôs a também realizar o projeto de iluminação do palco, junto comigo, de forma gratuita para a reconstrução deste nosso patrimônio histórico.

    Também a editora da Revista Lume Arquitetura, Srª Maria Clara De Maio, já me ofereceu uma matéria reservada na revista assim que a reconstrução e implementação de meu projeto estiver pronto.

    Em seguida, para corroborar a seriedade de minha proposta, apresento abaixo um elenco de referências profissionais da área constituído por profissionais de renome nacional e internacional, dentre os quais, destacam-se aqueles que, na forma de parceria, querem se unir para colaborar com a implementação desta proposta que ora apresento a Vossa Magnificência:

    JAMILE TORMAN
    Arquiteta pela USU (RJ) com Licenciatura Plena em Artes Visuais pela FADM (DF), especialista em Iluminação e Designer de Interiores pela UCB (RJ) e Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UNB (DF). Coordenadora Pedagógica e Professora de Iluminação Cênica no Curso de Pós-graduação em Iluminação e Design de Interiores pelo IPOG. Autora do livro Caderno de Iluminação: arte e ciência. Editora Música e Tecnologia – RJ, 2006. É Sócia fundadora da Associação Brasileira de Iluminação Cênica – AbrIC, e Associação Brasileira de Iluminação – ABIL e ABRIP – Associação Brasileira de Iluminação Profissional.
    jamile@jamiletormann.comhttp://www.jamiletormann.com/html/index.php
    (61) 3208 4444 / 78124442

    FARLLEY DERZE
    Doutorando em Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo. Professor de História da Iluminação do IPOG. Especialista em História da Arte. Membro do Núcleo de Estética e Semiótica da UnB (DF). Diretor de Gestão e Pesquisa da Empresa Jamile Tormann Iluminação Cênica e Arquitetural LTDA. Colunista da Revista Luz & Cena (RJ).
    farlley@ipog.edu.br

    MARIA CLARA DE MAIO
    Editora da Revista Lume Arquitetura (www.lumearquitetura.com.br)
    mariaclara@lumearquitetura.com.br

    Na certeza de sua atenção e no aguardo de uma resposta, expresso meu apoio e minha consideração.

    Atenciosamente,

    ___________________________________
          PAULO OLIVEIRA
    Lighting Designer e Designer de Ambientes
    Associado: ABIL / ABD / AsBAI

    Ofício protocolado em:

    15/02/2012

    Às 09:28:28 horas

    Sob o número 2863.2012.97

    Na Divisão de Protocolo e Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

  • Abaixo o Splash!

    Este ia ser o tema de uma de minhas colunas futuras na revista Lume Arquitetura. Mas diante de alguns acontecimentos recentes resolvi cortá-lo da revista para dar espaço a um outro texto mais sério e contundente. Portanto segue aqui no blog o texto sobre o uso do “Splash” na iluminação.

    Para quem não sabe, o termo “splash” é utilizado pelos designers gráficos para designar um elemento gráfico que os clientes deles (especialmente os comerciantes) adoram colocar em suas peças:

    É isso mesmo… esse espirro que geralmente vem com inscrições como:

    – Imperdível!

    – Oferta!

    – Grátis!

    – Promoção!

    Dentre outras palavras ou conjunto de palavras que sempre “puxam o olhar e a atenção do observador”. Não podemos negar que realmente chama, mas isso deve-se a vários fatores dentre os quais podemos destacar:

    – busca do cliente pelo menor preço;

    – aos olhos mais “esteticamente treinados”, pela bizarrice desse elemento.

    Sim, é bizarro, feio, emporcalha e estraga o material. Em Design, um elemento mal planejado ou pensado pode estragar todo o projeto. É o caso do “splash”.

    Mas o que isso tem a ver com iluminação? Simples, explico: costumo usar este termo para indicar aquelas aplicações de projetores que lavam as fachadas. Verdinho, lilás, azul, vermelho enfim, seja a cor que for deveriam proibir este tipo de iluminação.

    Não, “splash” é bastante diferente do “wall-wash”. Splash estraga enquanto o wall-wash valoriza.

    Mais que modismo, isso virou uma praga nas cidades. De empresas privadas a espaços públicos, temos assistido ao aumento vertiginoso deste tipo de aplicação. O resultado disso? O enfeiamento das urbes e o descaso com o meio ambiente. E, para piorar a situação, o “projeto” e instalação disso geralmente foi feito por algum eletricista. Mas tem também muito profissional de engenharia, arquitetura e design implantando este lixo pelas cidades.

    Observem atentamente a imagem acima. Onde foram parar os relevos e detalhes arquitetônicos desta construção? Perceberam como a construção ficou “chapada”, esmagada pela luz que não valoriza sua volumetria?

    Outro detalhe a destacar é o desperdício de energia elétrica e a poluição luminosa que este tipo de iluminação provoca. É só olhar a potência das lâmpadas normalmente utilizadas nos refletores e projetores  que promovem este efeito. Observe também a quantidade de luz vazando para fora do espaço iluminado e afetando o entorno.

    Devemos considerar também o risco de acidentes aos usuários afinal, pela alta potência destas lâmpadas, a temperatura das luminárias é sempre muito alta.

    Mais um péssimo exemplo do emprego do “splash”. Porém nesta mesma foto percebe-se um elemento interessante sobre o uso desta técnica: observem a parte mais colorida (azul/lilás). Aqui temos um excelente exemplo do que diferencia o “splash” do “wall-wash”: o posicionamento das luminárias e o direcionamento da luz.

    Perceberam como a parte alta da edificação está chapada, lisa? E perceberam como na parte baixa conseguimos – mesmo à distância – perceber melhor seus relevos e formas?

    Geralmente o “splash” vem de iluminação aérea (aquela instalada em postes pegando a construção de frente) mas não somente assim. É óbvio que qualquer elemento com volume perderá a sua percepção ao olhar pois as sombras desaparecerão. Já no caso de luminárias instaladas lateralmente ou no chão, o excesso de luz pode distorcer as formas.

    É bem diferente deste caso:

    Conseguem perceber como, apesar da explosão de luzes e cores, conseguimos perceber a volumetria e texturas das árvores? Isso é a técnica do wall-wash aplicada ao paisagismo.

    Nesta outra imagem, conseguem perceber a textura do reboco da parede apesar da quantidade de cores? Isso é wall-wash.

    Não há a menor necessidade de fazer uma construção explodir em luz para que ele fique perceptível ou bela à noite afinal, a sombra faz parte da iluminação e o olhar necessita dela para perceber as formas.

    Assim, proponho com urgência o movimento ABAIXO O SPLASH!

  • Especialização em Design de Interiores – IPOG

    É isso mesmo pessoal, o IPOG está com inscrições abertas para a especialização em Design de Interiores.

    Fruto do incansável trabalho do Glauccus, o curso foi pensado e moldado nos padrões do curso de Iluminação, ou seja, primando pela qualidade acima de tudo.

    OBJETIVOS:
    – Aprimorar os conhecimentos dos profissionais através dos mais inovadores procedimentos metodológicos no que tange à concepção e projeto de espaços interiores e design do mobiliário;
    – Enfatizar as premissas de Design, Tecnologia, Funcionalidade e Estética no tocante ao Design de Interiores;
    – Viabilizar a atualização dos profissionais sobre a organização de espaços interiores, públicos/privados e residenciais/comerciais, dentro de novas concepções de ambientação e tendências.  tanto brasileiras quanto mundiais.

    PÚBLICO ALVO:
    Graduados nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil, Artes Plásticas e Designers;
    Empresários, executivos e profissionais dos setores industrial, comercial, de serviços, da administração pública/ privada e educação, que desejam aprofundar e qualificar seus conhecimentos na área de Design de Interiores

    MATRIZ CURRICULAR:
    A Psicologia do Ambiente: Influência  do ambiente no comportamento do usuário
    A Linguagem do Design de Interiores
    Composição Espacial
    Design Informacional
    Design Universal na Ergonomia do Cotidiano
    A Cor e suas Influências
    Materiais de Revestimentos e Acabamentos na Composição de Interiores
    Comportamento do Consumidor e Simbolismo
    Design de Interiores Residenciais
    Projeto de Design de Interiores Residenciais
    Retail Design
    Design Corporativo
    Design de Interiores Comerciais
    Projeto de Design de Interiores Comerciais
    Metodologia do Trabalho Científico
    Projetos Conceituais: Design e Interiores
    Projeto de Paisagismo e Jardinagem
    Sistemas, Equipamentos e Instalações
    Gestão de Carreira e Marketing
    Gestão do Projeto e do Escritório

    Carga horária total: 480 horas / aula

    Para mais informações sobre o curso, turmas e matrículas, acesse o site do IPOG.

  • Londrina e o CCZ – a novela continua…

    Pois é gente. Por estas terras, berço de mensaleiros e laboratório de tantas maracutaias politicas eis que aparece mais uma: o tão esperado e mais que urgentemente necessário Centro de Controlo de Zoonozes (CCZ). Mas calma, nada é tão simples assim. Ainda não saiu do papel, pra variar…

    Bom, o que me leva a escrever sobre isso é que analisando o edital encontrei várias incoerências e irregularidades sendo a principal, o fechamento do mesmo exclusivamente para arquitetos e engenheiros. Sim, são exatamente estas palavras que constam lá: arquitetos e engenheiros.

    Pois bem, vamos analisar então a situação como um todo.

    Tempos atras quando começou o barulho em cima da construção deste CCZ aqui em Londrina, estranhamente o SOS Animal daqui juntou-se à prefeitura, fazendo coro ao apresentar um espaço que mais me pareceu um mero depósito de cães de rua. Nem de longe lembra um CCZ na infra-estrutura necessária. Depois disso todos sumiram da mídia sobre este assunto e só retornam agora.

    Ontem sou surpreendido com a notícia de que pela segunda vez a licitação foi deserta ou seja, não houveram interessados. Das duas uma: ou os profissionais daqui são incompetentes e não fazem a menor idéia de como projetar um CCZ atendendo às necessidades reais deste espaço ou a coisa foi tão mal feita pela prefeitura que ninguém ficou sabendo. Pra mim, uma mistura das duas coisas.

    Claro, nao posso deixar de citar que tem um arquiteto aqui em Londrina que é eterno amiguinho da prefeitura e sempre acaba pegando estes projetos desertos para fazer suas sandices. Em troca recebe da prefeitura e políticos apoio ao seu projeto esdrúxulo de transformar Londrina numa cópia ridícula e fajuta de Londres, desprezando absurdamente a verdadeira história desta cidade.

    Bom mas voltemos ao edital. Quem quiser ler na íntegra, está aqui para vocês baixarem o PDF:

    tp0023_11_edital

    Pois bem, vamos analisar alguns trechos desta coisa chamada edital.

    OBJETO: Elaboração de projetos complementares para a Construção de Unidade de Controle de Zoonoses na Fazenda Refúgio – Londrina/PR.

    A primeira parte é uma apresentação da Lei de Licitações municipal. As condicionantes para que uma empresa possa participar do certame. O que interessa mesmo é o Anexo I onde temos a descrição dos lotes em disputa:

    LOTE 01:
    Serviços – Contratação de sondagem do tipo SPT, para uma edificação de 2.000 m², com no mínimo 5 furos, seguindo normas das NBRs – 6484 – 6502 – 7250.
    R$ 7.962,50

    LOTE 02:
    Serviços – Contratação de projetos, Arquitetônico e complementares (conforme memorial descritivo), para Construção do Centro de Zoonoses com área de 2.000 m².
    R$ 205.500,00

    Pois bem, entende-se por “projetos complementares” todos aqueles que não fazem parte do sistema estrutural da edificação. Assim temos: elétrica, hidrossanitario, segurança, acessibilidade, interiores, lighting design (ou iluminação), paisagismo, etc.

    Então, porque raios consta isso aqui no presente edital?

    “1.2. São documentos específicos para este certame, devendo, também, constar do ENVELOPE 1
    (UM):
    I – Prova de regularidade para com o CREA, mediante apresentação de Certidão de
    Registro de Pessoa Jurídica, comprovando que tanto a empresa quanto o responsável
    técnico pela obra encontram-se em situação regular, nos termos da Lei n.º 5.194 de
    24/12/66, bem como Resolução n.º 218/73 e 266/79 do CONFEA;

    II – Comprovação de aptidão para desempenho da atividade pertinente e compatível com
    o objeto da licitação, através da apresentação da Certidão de Acervo Técnico
    expedida pelo CREA, em nome do responsável técnico pela empresa licitante,
    acompanhada do Atestado(s) emitido(s) por pessoas jurídicas de direito público ou
    privado sendo pertinente e compatível: LOTE 01 – prestação de serviços de sondagem
    através da apresentação da cópia de Acervo Técnico emitido pelo CREA, bem como,
    cópia de Atestado de Capacidade Técnica; LOTE 02 – prestação de serviços de
    topografia, projeto de fundações e estruturas, projeto de arquitetura, projeto de
    instalações hidráulicas e sanitárias, projeto de instalações elétricas e eletrônicas,
    projeto de instalações mecânicas, projeto de instalações de prevenção e combate a
    incêndio, através da apresentação da cópia de Acervo Técnico emitido pelo CREA,
    bem como, cópia de Atestado de Capacidade Técnica.”

    Tudo fechado junto ao CREA, numa reserva de mercado descarada para arquitetos e engenheiros. Porém existem áreas neste projeto global onde nós, Designers de Interiores/Ambientes e Lighting Designers, poderíamos atuar tranquilamente dada a nossa formação acadêmica específica.

    Ah sim, vão dizer que é por causa da fiscalização e responsabilidade técnica? Nada que uma boa cláusula contratual não resolva como já expliquei várias vezes aqui neste blog. Se o profissional é sério e responsável, não temerá uma cláusula de responsabilidade técnica.

    Conheço muitos arquitetos e engenheiros que mal sabem desenhar uma planta baixa decente, fruto das “uniesquinas” que proliferaram-se por nosso país. Logo, esta exigência é inaceitável.

    Pois bem, mas isso também se deve à inexistência de nossa regulamentação profissional. Enquanto os profissionais da área ficam posando de pavões e peruas, a categoria carece seriamente de apoio para que a regulamentação seja efetivada como deve ser feita. O egoísmo e o “isso não me afeta” é o que mais prejudica qualquer tentativa de regulamentação profissional de nossa área. Mas não a regulamentação fantasiosa e ineficiente proposta pela ABD e sim, aquela proposta pelo grupo do prof Freddy Van Camp.

    Mantemos no Facebook um grupo onde denunciamos maus tratos, anunciamos boas ações e pedidos de ajuda:

    MAGGYE – REDE PARA CÂES DOADORES DE SANGUE EM LONDRINA E REGIÃO

    Este grupo nasceu após perdermos a nossa Maggye para a erlichiose canina (doença do carrapato) e pela falta de Banco de Sangue em junho/11. Londrina está infestada de carrapatos e são muitos os pets que vem sofrendo com esta doença e outras mais. Temos tido um grande apoio de moradores de Londrina e região bem como de alguns jornalistas não comprados pela admimistração pública.

    Não entendemos os CCZs como meros depósitos de cães de rua à espera da eutanázia como alguns gestores tem colocado irresponsavelmente na mídia. Entendemos sim como um espaço para acolhimento, tratamento, doação através da posse responsável, castração, ações de prevenção, combate e controle às zoonozes urbanas bem como um laboratório de análises clínicas avançado (que Londrina não oferece em lugar algum à população) e de atendimento em casos específicos como é o caso do Banco de Sangue (coleta/doação/ transfusão) públicos, de acesso livre, diferente do que acontece com o do Hospital Veterinário da UEL que, apesar de ser um orgão público, não fornece sangue para clínicas particulares. Aberto todos os dias, 24h incluindo domingos e feriados.

    Que abrigue também um corpo da promotoria de defesa animal para que possam, no exato momento da entrada/denuncia, inteirar-se do fato ocorrido para tomar as devidas providências legais.

    Assim, venho publicamente oferecer, de graça, à prefeitura os meus serviços como Designer de Interiores/Ambientes e Lighting Designer para projetar o CCZ dentro do que me compete:

    – projeto de iluminação decente e que atenda às reais necessidades do CCZ;

    – projeto de interiores global (envolvendo tudo o que está em minhas atribuições profissionais);

    O projeto arquitetônico, tenho um amigo arquiteto que tenho certeza que o fará também de graça já que ele também é um grande amante e defensor dos animais.

    Mas com algumas condicionantes:

    1 – um corpo clínico (veterinários e funcionários da rede pública de saúde) escolhido e indicado pelos gestores da Rede Maggye para que possam indicar o verdadeiro programa de necessidades de um CCZ decente;

    2 – Um corpo gestor para realizar o acompanhamento das obras bem como dos pagamentos realizados com membros da Secretaria Municipal da Saúde e membros da sociedade civil (sem coleguismos/apadrinhamentos/outros por parte da ADM pública) devendo primeiramente serem analisados os nomes indicados pelos profissionais envolvidos no projeto;

    3 – Isenção de interferências projetuais pelos gestores públicos;

    4 – Liberdade de criação projetual.

    5 – Outros tópicos que serão posteriormente discutidos.

    A fiscalização através do CREA/CAU poderá ser realizada tranquilamente, desde que apenas sobre as suas áreas/profissionais de competência respeitando a liberdade das minhas áreas cujas responsabilidades serão formalizadas no contrato.

    Assim, fica a oferta e o desafio à Prefeitura de Londrina.

    Ou será que discordam de alguns itens elencados pois sabem que não conseguirão meter a mão na cumbuca se assim o for e, portanto, farão de conta que não ficaram sabendo desta minha proposta?

    Vamos trabalhar decentemente por uma Londrina realmente digna para todos?

  • LD> mídia desinformada, de novo.

    Recebi este link no facebook da Ro, do Simples Decoração, e não tenho como (#EuNãoAguento rsrsrsrs) deixar passar em branco.

    Mais um post falando sobre a mídia que mais desinforma e distorce as coisas atrapalhando cada dia mais o mercado.

    A matéria em questão é esta aqui (não colocarei as fotos pois como é uma crítica eles podem ficar bravinhos e querer me processar por DA ahahaha).

    Vou então analisar parte por partes (olhem as fotos e textos originais no link e acompanhem a análise por aqui).

    Primeiro ponto que eu não consigo entender nessas matérias dessa “mídia sem noção e desinformada” é: porque quando falam de iluminação artificial, as fotos são – em sua grande maioria – diurnas? É o caso desta matéria.

    Na abertura da matéria são citadas frases do Guinter Parschalk. No entanto, duvido que ele as tenha colocado literalmente como foram transcritas ou, se foram realmente, seria muita leviandade dele partindo do pressuposto que a grande maioria dos leitores desta revista são leigos em arquitetura e design, quiçá em iluminação e lighting. Acredito na primeira opção. Ele pode até ter dito desta forma, porém excluíram o restante que complementaria e evitaria interpretações dúbias, conhecendo-o como conheço.

    A indireta, mais intimista, é boa para quem vai ouvir música. Já a geral clareia o espaço de forma homogênea” – duvido que ele tenha colocado apenas dessa forma.

    Aí o jornalista resolve interpretar o restante que ele escreveu (ou disse) e me solta isso:

    Para a leitura, basta um abajur ou uma coluna de piso, com foco direto.

    Aham, aí a dona Maria (aquela sem curso, metida a decoradora) vai lá e compra uma peça dessas com dicróica, AR, PAR…) e coloca ali para ler… Imaginem a cena de algum familiar lendo com uma dicróica logo acima.

    Bom, vamos analisar as fotos e as descrições das mesmas:

    FOTO 1 –

    O primeiro exemplo é um projeto do Guinter.

    Eu, particularmente, não gosto dessa mistureba de luminárias. Mas cliente é cliente, ele quem está pagando e se ele quer assim, que o seja.

    Tem uma luminária com PAR30 presa na viga lá no estar.

    Perceberam a altura em que foi colocada?

    Sabem o porque disso??

    Já escrevi várias vezes aqui neste blog sobre as alturas/distâncias mínimas dos usuários/objetos que determinadas lâmpadas exigem. Olhem o PD desta sala.

    Perfeito!

    Porém o mais irritante desta foto é a janelinha lá no fundo em cima: foto tirada de dia!!!

    FOTO 2 –

    Plafons de embutir“.

    Alguém, por favor, me traduza isso?

    Alguém sabe me dizer se é algum modelo novo de luminária?

    O fotógrafo se esqueceu de tirar fotos dessas preciosidades raríssimas?

    Ou será que os conhecidos EMBUTIDOS ganharam um novo nome mais afrescalhado?

    TREZE dicróicas (tem mais com certeza, é só olhar o alinhamento da primeira linha que aparece com o sofá) numa sala dessas é querer montar uma sauna além de fritar a pele dos usuários já que o teto foi rebaixado com gesso..

    Ah, mas o split está lá no fundo escondido dentro do armário acima da TV. Ou seja, sustentabilidade ZERO.

    Perceberam também que tem uma mancha no teto bem acima da mesinha de centro provocada por reflexo de algum dos objetos sobre a mesinha?

    FOTO 3 –

    Adorei a solução do rasgo de 60cm próximo à parede. Porém, quem não lê e olha a foto pensa que ali tem uma clarabóia ou algo assim, ficando meio confusa a leitura/interpretação. Na leitura isso é explicado.

    Porém, esse elemento, pela quantidade de luz, não evidencia a madeira como diz o texto e sim deforma-a. Percebam a diferença de visualização dela embaixo e à medida em que vamos subindo o olhar pela parede em direção à luz. Fica algo “chapado”. Pela foto dá impressão de ser uma lâmina e não filetes de madeira.

    Sobre a mesa, um dos “hits” do design: a luminária bossa. Linda, chique mas tem de saber usa-la.

    O tampo da mesa branco lustrado provoca o que?

    Reflexão.

    Que quando encontra algum objeto no caminho provoca o que?

    Projeção de sombra.

    Bingo!

    Detonaram o ambiente por causa de um dado simples, básico que certamente não foi pensado na hora do projetar.

    Um outro detalhe: não sei se é mesmo pois a matéria não fala mas os embutidos, pelo tamanho, devem ser para lâmpadas AR111.

    Num teto baixo desses???

    =0
    G-zuizzzz!!!!

    FOTO 4 –

    Na sala de jantar, gostei da solução sobre a mesa com iluminação indireta e rebatida no teto. Porém, tem muita luz explodindo no teto.

    Para alguém que tem fotofobia (como eu) isso pode tornar um almoço ou jantar extremamente desagradável.

    No escritório, oxalá a luminária sobre a mesa não seja de AR111…. parece ser…

    O rasgo no corredor está ótimo.

    FOTO 5 –

    Iluminação simples demais para este ambiente.

    Quatro dicróicas de 50W sobre esta mesinha? 200W no total? Tem muita luz aí não?

    Segundo o(a) jornalista “wall washing significa “lavar a parede com luz”“. Pelo visto não sabe que palavras em inglês terminadas em “ing” significam gerúndio (arrrrghhhh). O correto nesse texto seria então “lavando” e não “lavar”.

    Outro detalhe: o correto na linguagem do LD é WASH e não WASHING.

    PD baixo, rebaixado com gesso e “Para realçar as velas e o livro sobre a mesa de centro, há lâmpadas AR 70 de facho concentrado“.

    =0
    #Murri

    (as velas também após derreterem…)

    FOTO 6 –

    Melhor eu nem comentar a lambança desta foto, muito menos o que o(a) jornalista escreveu…

    Só um: não é porque o LD tem suas raízes na iluminação cênica que os projetos de iluminação tem de virar um palco circense.

    FOTO 7 –

    Pouca luz para o tamanho do ambiente.

    Acertaram nos rasgos revestidos com palha.

    Mas, “Na estante, há lâmpadas T5 amarelas(…)“.

    AMARELAS?
    =0

    Pelo visto não conhecem  TC (Temperatura de Cor).

    Amarelo é isso aqui ó:


    Aquilo são fluorescentes com baixa temperatura de cor. Tá, nem tão baixo assim… médio, digamos.

    Observem também a quantidade de reflexos e sombras no teto na área da mesa de centro. Deve ser por causa dessa nova lâmpada que eu também desconheço: minidicróicas AR70.

    Outro detalhe é que as “minidicróicas AR70“(SIC) “enfocam” desnecessariamente o quadro, já que tem um abajour de luz descontrolada bem na frente dele…

    #EuHeim..

    FOTO 7 –

    Sobre a mesa eu não entendi o que “usa lâmpadas bolinha de 5W“. O lustre ou a sanca??? (Esses jornalistas e redatores… ai ai ai…)

    Se for no lustre, deve ter umas 20 dessas dentro dele pois tem muita luz saindo dali…

    Se for na sanca, tem muito photoshop nessa foto pois a luz está reta demais…

    =0

    Ah, a foto do projeto de iluminação artificial foi tirada de dia…

    FOTO 8 –

    Bom, particularmente, acredito que este tipo de… de… [“plafons de embutir” (SIC), de novo??? =0] embutidos são mais adequados para ambientes comerciais e institucionais, especialmente os grandes como esses (1mX1m).

    #NãoCurti

    Ainda questiono muito sobre esse tipo de peça ser considerado “iluminação indireta” por algumas indústrias de luminárias o que faz os profissionais e a mídia não especialistas saírem replicando essa informação, como é o caso. A luz sai diretamente dela para o ambiente. Não é porque tem uma “capa” de vidro (ou seja lá o que for) entre a lâmpada e o ambiente (ou objeto) iluminado por ela, que a transforma em indireta.

    Sinceramente?

    Creio que a idéia do projetista na área das minidicróicas “bugou” (termo usado em jogos online quando dá pau, trava, etc). Percebam como está confusa a visualização das luminárias e do efeito…

    FOTO 9 –

    Estou com dificuldades de entender o texto da foto (rsrsrsrs). Por isso vou analisar só a foto.

    No “abajour gigante” percebem as manchas brancas onde estão as lâmpadas?

    No jantar, tudo bem este tipo de pendente que banha de luz todo o espaço já que não há efeitos nas paredes.

    Diferente do, provavelmente, home theater onde (de novo) os giga embutidos destróem o efeito das minidicroicas.

    FOTO 10 –

    Típico projeto de profissionais não especializados em Lighting Design:

    Os ícones de iluminação não são específicos (norma)e não trazem as informações da lâmpada (quantidade por luminária, W por lâmpada, etc).

    Este tipo de projeto me lembra claramente aqueles que são jogados – por alguns profissionais – sobre as mesas dos vendedores de lojas de iluminação acompanhados de frases como:

    Eu pensei em algo assim…

    Ou seja, traduzindo literalmente:

    “Resolva isso pra mim pois eu não faço a menor idéia do que usar…”

    Bom gente, esse é mais um exemplo da mídia “que se diz especializada” que na verdade mais desinforma que informa.

    Perceberam que eles trazem na abertura um LD renomado e depois passam para profissionais não especializados?

    Lá quase no final – foto 9 – trazem o Maneco (LD, porém ele tem projetos bem melhores para mostrar que este) e retornam fecham com uma pérola dos típicos não especializados na área.

    Infelizmente, esta é a mídia nacional que cobre a nossa área.

    A sorte é que temos a Lume Arquitetura para nos salvar com matérias de qualidade.

  • A cor da luz

    Por Farlley Derze*

    Texto originalmente publicado na Revista Luz & Cena, edição número 149, dez/2011, autorizado pelo professor Farlley a sua publicação aqui em meu blog. Este faz parte de uma série de 5 artigos que serão publicados na revista.

    Aurora Boreal. Fonte: Curiosando

    Uma das maravilhas que a natureza nos proporciona é a poesia das cores da luz, durante as 24h do dia. Nós brasileiros, devido à posição de nosso território no globo terrestre podemos contemplar as nuances coloridas no horizonte quando desperta o sol, ou quando ele se despede ao anoitecer. Por outro lado, os povos que habitam próximo aos polos têm a chance de assistir a outro espetáculo de cores: a aurora boreal no polo norte e aurora austral no polo sul, quando rajadas de ventos solares (neutrinos) colidem com o conjunto de gases de nossa atmosfera. Resultado: um ballet de cores em movimento a altitudes que variam entre 80km a 200km, onde cada cor representa um tipo de gás.

    Como o assunto é a cor, olhemos para a realidade tecnológica da iluminação artificial, dos dias atuais. Quem frequenta casas de espetáculos tem a oportunidade de assistir em peças de teatro ou shows de dança e música, uma multidão de cores que dialogam com a cena. Então podemos pensar metaforicamente em linguagem ou linguagens de iluminação, tal qual ocorreu no mundo da pintura ocidental e suas linguagens: pintura medieval, renascentista, barroca, neoclássica, romântica e uma avalanche de “ismos” que caracterizou a pintura moderna (impressionismo, pontilhismo, expressionismo, futurismo, cubismo, primitivismo, raionismo, construtivismo, fauvismo, surrealismo, abstracionismo…). Assim como por traz de cada linguagem pictórica havia um grupo de pintores que a representava, nas linguagens da iluminação cênica há um grupo de artistas que as representam – os iluminadores cênicos. Pintores e iluminadores cênicos têm muito em comum. Refiro-me à maneira como conjugam poeticamente a cor, os contrastes de luz (do brilho mais intenso ao facho mais tênue), os diálogos entre luz, sombra e escuridão, a distribuição dos movimentos de luz que convidam nossos olhos a passear pelas superfícies e vãos que se alternam no espaço. Por trás do repertório poético de cada profissional há o repertório tecnológico com o qual lidam para unir conhecimento e criatividade a serviço da cena a ser iluminada. Os pintores medievais, renascentistas, barrocos faziam de forma caseira suas tintas coloridas com gema de ovo, sangue de animais, metais oxidados, ervas, carvão e óleos vegetais. Após entrevistar dezenas de iluminadores cênicos brasileiros descobri que muitos deles criaram artefatos como mesas de luz, refletores e dimmers, dentre outros, artesanalmente. Souberam dar soluções muito criativas para a obtenção de luz colorida bem como para a obtenção de materiais para montar refletores. Um deles me contou que pegava restos da indústria automobilística, como porta de fusca, e em casa retorcia a chapa para montar um refletor do tipo PC. Eu adoraria compartilhar essas histórias que ouvi desses profissionais aqui nessa coluna, em edições futuras.

    Como prometi na edição anterior vou compartilhar com vocês a ideia que o italiano Sebastiano Serlio teve em 1551, e que deu origem à iluminação colorida na cena. Com base na fonte bibliográfica que tenho em meus arquivos, um livro de 1929 chamado The history of stage and theatre lighiting, Sebastiano Serlio trabalhava em um teatro no século 16 e teve a ideia de posicionar algumas velas atrás de garrafas de vidro que estavam cheias de uma mistura de água com líquidos de cor vermelha ou azul. O resultado foi a propagação de luz colorida por causa das propriedades físicas da luz, como reflexão e refração. Para intensificar o efeito, ele teve a ideia de posicionar atrás das velas uma espécie de disco de metal para aumentar o poder de reflexão, como se fosse um espelho. O conjunto então era: garrafas cheias de líquidos coloridos, por detrás delas as velas, e atrás das velas as superfícies metálicas. Caso o prezado leitor tenha interesse em ler esse livro, eu o tenho no formato digital (pdf). Basta solicitar por e-mail: diretoria@jamiletormann.com

    Agora nos resta fazer uso da imaginação para vislumbramos o efeito luminoso – cênico – proporcionado pela ideia desse italiano renascentista, numa época onde um ambiente fechado como o teatro dispunha apenas da chama acesa como fonte luz a contracenar com manchas de escuridão. Imaginemos agora as velas, garrafas coloridas e superfícies metálicas a esparramar cores na cena teatral.

    Nos dias atuais, o diodo emissor de luz (LED) é a vedete tecnológica. Oferece baixo consumo energético, pouca dissipação de calor e muita variedade de cores. Entretanto, basta ouvir o que pensam os membros da Associação Brasileira de Iluminação Cênica (AbrIC), os membros do Instituto Brasileiro de Tecnologia Teatral (IBTT), e professores do Instituto de Pós-Graduação (IPOG) que juntos formam uma rede cultural de profissionais da iluminação. Eles apontam limites do LED no que tange às respostas dessa fonte de luz ao dinamismo das linguagens da iluminação cênica, mais especificamente no âmbito do teatro, já que no âmbito da iluminação arquitetural já se encontraram soluções para colorir fachadas, por exemplo, e demais elementos estáticos. Pela lógica histórica, o tempo é o recurso que funciona para aperfeiçoar as soluções tecnológicas que nascem rudimentares e limitadas até que se encontrem mais lapidadas para maior proveito em determinada área de atuação, com base nas intenções de cada geração profissional que tenha oportunidade de interagir com os diversos estágios da tecnologia. Foi assim com a iluminação cênica quando na Idade Média se usavam velas e archotes até que estivessem disponíveis os lampiões a querosene e lâmpadas a gás no séc. 19. Com a conquista da eletricidade, uma família de lâmpadas de arco-voltaico e incandescentes aos poucos proporcionou recursos técnicos e artísticos como a dimerização, que ao lado do repertório crescente de tipos de refletores e jogos de cores possibilitaram mais plasticidade na linguagem artística do iluminador cênico que recita sua poesia no espaço. Eu acredito na iluminação cênica como mais um bom ingrediente, dentre as inúmeras formas que nós temos à disposição, para se compreender facetas do mundo da arte e da ciência na conexão entre sensações biológicas, realidade cultural e avanços tecnológicos.

    Dos ritos medievais à indústria do entretenimento a iluminação cênica nasceu e se desenvolveu graças àqueles que descobriram como provocar a imaginação humana.

    *Farlley Derze é Prof.do Instituto de Pós-Graduação; Dir. de Gestão e Pesquisa da empresa Jamile Tormann Ilum. Cênica e Arquitetural.; membro do Núcleo de Estética e Semiótica da UnB. Doutorando em Arquitetura. diretoria@jamiletormann.com

  • O cheiro da luz

    Por Farlley Derze*

    Texto originalmente publicado na Revista Luz & Cena, edição número 148, nov/2011, autorizado pelo professor Farlley a sua publicação aqui em meu blog. Este faz parte de uma série de 5 artigos que serão publicados na revista.

    Durante milênios para se produzir luz artificial foi necessário alguma forma de combustão: foi assim com nossos ancestrais paleolíticos das cavernas há aproximadamente 500.000 anos, quando descobriram o valor do fogo para aquecer o grupo e iluminar o espaço noturno. A chama como fonte de luz artificial foi uma situação que perdurou até o final do século 19. Conclusão: a luz artificial tinha cheiro. Uáu! Então nossos tataravós e toda aquela gente famosa como Platão, Cleópatra, Nero, Joana D’Arc, Galileu, Mozart e quem mais você puder se lembrar tinha o seu ambiente noturno iluminado por chamas. Podemos então inverter o velho ditado e dizer: “onde há fogo há fumaça” (e um cheirinho). Roupas, cortinas, cabelos, tapetes, paredes… o ar…, se o ambiente era escuro sem janelas, ou quando a noite chegasse, a luz tinha seu cheiro. De 2009 a 2011, compilei mais de 600 entrevistas em 14 capitais brasileiras com idosos que foram testemunhas da iluminação artificial produzida por uma chama. Ouvi relatos de que ao se dormir com as lamparinas de querosene acesas, à meia-luz, as narinas amanheciam pretas da fumaça. Os cabelos e os pijamas tinham os vestígios do cheiro do querosene. Voltemos no tempo: imaginemos nossos ancestrais das cavernas, Aristóteles ou Beethoven e nossos tataravós que também não conheceram a iluminação elétrica, essa que temos hoje – inodora. Que tal voltarmos nos tempos de Shakespeare para nos sentarmos dentro de um teatro elisabetano e assistir a uma de suas obras à luz de velas? E a fumaça? Há inúmeros filmes de época que mostram a realidade tecnológica da iluminação artificial, e lembrei-me agora do filme “Em nome de Deus”, que se passa no século 12. Lá tem uma cena no interior de uma taberna onde se desenrola uma peça teatral. Você vai ver a quantidade de fumaça que exala das velas situadas na boca de cena – as luzes da ribalta daquela época.

    A essa altura você já deve ter concluído: uáu, a luz artificial além de ter cheiro tinha apenas uma cor, a cor amarelada da chama… … inclusive a cor da luz se manteve amarelada mesmo com a chegada das primeiras lâmpadas elétricas no século 19. Basta compararmos a chama acesa da combustão com aquele pedaço de brasa do filamento incandescente que foi engarrafado dentro de uma bolha de vidro. Concordo com sua conclusão, e acrescento um tempero a ela. Foi o químico inglês Humphry Davy que deu o ponta-pé inicial para a conquista da luz elétrica, ao demonstrar em 1802 que um filamento de platina incandescia quando oferecia resistência à passagem da corrente elétrica. Em 1808 ele criou a primeira lâmpada elétrica, que não era incandescente e sim a arco-voltaico, que iluminou cidades da Europa nas duas últimas décadas do séc. 19 e nossa antiga capital Rio de Janeiro até 1920, além de servir ao cinema para projeções até os anos 80. Durante o séc. 19, um francês, um russo e outro inglês inventaram suas lâmpadas elétricas incandescentes, mas nenhum deles teve a perspicácia de Thomas Edison. Foi Thomas Edison que… digamos…socializou o artefato, pois criou a primeira fábrica em 1890 – a Edison General Eletric (GE). Pronto: luz elétrica em casa, luz sem cheiro. Edison tentou 2.000 tipos de filamentos: bambu carbonizado, platina…e até cabelo de seus funcionários ele arrancava de suas cabeças para fazer passar a corrente elétrica…enfim, testava tudo que a imaginação permitisse. Mas foi uma simples linha de algodão (daquelas de costura) que se demonstrou ser o melhor filamento para deixar a lâmpada acesa por aproximadamente 45 horas – um recorde. Bastou impregnar a linha com alguns restos carbonizados que ficavam depositados no fundo dos lampiões a querosene. E a linha enegrecida ficou em brasa com a passagem da corrente elétrica. Luz elétrica, e luz sem cheiro.

    Hoje a vedete tecnológica é o LED, isto é, os “diodos emissores de luz”, que eu gosto de pensar neles como uma espécie de vagalumes artificiais.

    Agora você chegou a mais uma conclusão: o mundo se coloriu a partir da luz elétrica. Quem não se lembra da luz colorida da lâmpada de néon, inventada pelo químico francês George Claude em 1902? Hoje as cores luminosas estão em telas de computadores, celulares, tablets, TVs, nas ruas e nos olhos apaixonados. Contudo, justiça seja feita, o teatro deu sua contribuição às cores da luz muito antes da eletricidade, lá nos tempos de Pedro Álvares Cabral. Foi uma ideia do italiano Sebastiano Serlio, em 1551, que deu origem à iluminação colorida na cena, história que vou contar na próxima edição. Despeço-me com um abraço a todos os iluminadores cênicos, essas criaturas geniais que criam colmeias de luz na caixa cênica.

    *Farlley Derze é Prof.do Instituto de Pós-Graduação; Diretor de Gestão e Pesquisa da empresa Jamile Tormann Iluminação Cênica e Arquitetural; membro do Núcleo de Estética e Semiótica da UnB. Doutorando em Arquitetura. diretoria@jamiletormann.com

  • Vai nessa onda de “como fazer” vai…

    (Texto publicado originalmente no facebook como nota em meu perfil, no dia 18 de março de 2011 às 17:05hs. Me esqueci de postar aqui)

    Como são as coisas….

    Ainda ha pouco antes de sair pra uma obra comentei no TT que os blogs, sites e revistas de decoração e design deveriam parar com a mania estúpida de soltar matérias de “como fazer/comprar/etc” uma vez que atingem o público leigo no assunto construção/reforma/etc e deveriam sim passar a publicar materias do tipo “saiba porque voce DEVE contratar um profissional habilitado para tais coisas”…

    Numa das minhas atuais obras tem uma casa na frente que  estaVA em obras até a semana passada. E não é qualquer casinha em um bairro qualquer não.

    Pois bem, tinha um pedreiro lá na casa da frente que tentou de todas as maneiras pegar o trabalho na minha obra.

    Só que percebi de cara que não tinha placa alguma na obra dele, deduzi então que não havia um profissional na área…

    Quando entramos na casa para eu conhecer o espaço da minha obra, o danado abandonou a obra dele lá e veio junto pois meu cliente tinha comentado com ele dias atrás que tinha comprado a casa e iria iniciar a reforma.

    Pois bem, ele na nossa cola, não me deixava conversar com meu cliente. Interfiria em tudo.

    Até que chegou um ponto em que eu comentei que provavelmente não seria tão simples a abertura de uma parede enorme para fazer uma cozinha americana dada a espessura da parede: tinha visualmente todas as caracteristicas de alvenaria estrutural e, mesmo que não tivesse seria necessária a contratação de um engenheiro para lidar com a parte estrutural.

    Nisso o cara surtou e disse:

    Que é isso, eu ja tenho anos de experiência. Se o senhor (cliente) me contratar, segunda mesmo já entro na obra e meto a marreta onde o senhor quiser, abro as paredes que o senhor quiser“.

    Fiquei olhando atônito a cena e comentei com meu cliente que não era tão simples assim ainda mais que a construção estava parada ha mais de 18 anos, no reboco e estava cheia de infiltrações. Portanto, necessitariamos pegar um engenheiro estrutural para fazer uma análise do caso de verificar as possibilidades.

    O pedreiro caiu na gargalhada e soltou pro meu cliente:

    Tá vendo? Vai contratar esse tipo de gente pra tua obra e eles só te fazem gastar grana com coisa idiota. Eu já tenho anos de experiência, cansei de derrubar paredes e nunca tive problema algum.

    Meu cliente percebeu que eu já estava nervoso e me chamou para irmos embora e conversar em outro lugar. Paramos na próxima esquina mesmo e falei que eu não sabia nem o que dizer diante de tamanha afronta e absurdo. Não é a toa que vemos casas e mais casas nas vilas despencando. Ele me pediu para chamar o engenheiro.

    Chamei um amigo meu que já tem mais de 20 anos de experiência e fomos lá na obra. Quando entramos, o danadinho veio correndo lá da casa da frente e entrou junto (intrometido é pouco!), dessa vez munido de sua trena (provavelmente pra demonstrar alguma credibilidade, sei lá) e já entrou medindo ate pedrinhas que tinham no chão…

    E eu tentando conversar com o engenheiro que foi categórico:

    Não dá. Pra fazer estas alterações terá de gastar muito com a parte estrutural que terá de ser refeita, colocar várias vigas metálicas “I”, levantar colunas… e o orçamento está apertado demais para isso.”

    O pedreiro caiu na gargalhada e chamou o meu amigo engenheiro de ignorante, que não sabe de nada…

    Tive de segurar meu amigo pra porrada não rolar, claro. E pedir pro pedreiro sumir dali.

    Depois fui com meu cliente explicar tudo o que o engenheiro tinha falado e adivinhem?

    É… o fidaputinha veio na cola de novo… E já entrou praticamente com contrato numa mão e a marreta na outra.

    Como eu já tinha explicado pro  meu cliente antes de chegar à casa tudo o que o engenheiro tinha falado e o que tinha rolado com o pedreiro, meu cliente resolveu então dar mais 5 minutos de chance, até que, ao ver que ele não me respeitava como profissional responsável pela obra e tampouco as vontades do próprio cliente pois ficava dando idéias de coisas pra fazer passando por cima de meu projeto e das vontades do cliente, meu cliente deu um passa fora no canalha.

    Tudo bem e tranquilo então, conseguimos um outro com quem já trabalhei antes e fechamos o contrato para a obra.

    Hoje fui lá para acompanhar o eletricista (credenciado junto ao CREA tá linguarudas) que tinha de deixar preparada a entrada para a Copel (pois nem isso tem na casa) e vejo a obra da casa da frente parada.

    Nisso uma vizinha apareceu, puxou conversa e descobri que o dono da obra da frente tinha mandado o cara embora na porrada dias atras… Motivos?

    1- 12 (DOZE) esquadrias novas da Sasazaki colocadas todas tortas, fora de prumo, algumas até ficaram danificadas e outras que não abriam ou “enroscavam”….

    2 – pisos da Portobelo, Gyotoku e outras mais caras desperdiçados pois foram colocados que nem o >*< do pedreiro seguindo a paginação que ele achava mais correta – do total da área mais os 15%, ele conseguiu fazer faltar pisos.

    Moral da história???

    Bem feito!!!

    Quem mandou não contratar um profissional habilitado para fazer o projeto ou acompanhar a obra.

    Fica entrando na onda dessas revistas, sites e blogs que “ensinam como fazer” tem de se ferrar mesmo!!!!

    Nisso o dono da obra da frente chega e, me vendo, me chama e diz: “vem ver uma coisa“. E entrei na tal obra.

    Gézuiiiiiiiiiiiiiz!!!

    O cara além de incompetente é altamente porco no serviço.

    Saímos da casa e o cara falou: “vou precisar conversar com você depois ok?

    Ok! Pensei: Tudo bem, mas veja se dessa vez me contrata e siga as minhas especificações. Prejuízo você já levou e não tem como voltar atrás.

    Fica então o alerta para os meus seguidores, leitores e amigos:

    Não se meta a fazer algo só porque essa ou aquela revista botou um “como faz” (Do It Yourself – DIY) ou porque você acha que tem bom gosto o suficiente para fazer a obra sem o acompanhamento de um profissional habilitado.

    As coisas não são tão simples assim.

    Tem muita coisa técnica envolvida num projeto que, pedreiros, por mais que tenham 1.000 anos de experiência não entendem. Tem de ter o profissional ali do lado acompanhando e explicando exatamente para eles não o “como faz”, mas sim o “como faz corretamente”.

    #FicaDica

    ——–Nota pós publicação———

    Não fui mais contatado pelo dono da casa após isso. No entanto, segundo a mesma vizinha, a esposa dele assumiu o “acompanhamento da obra”. Enquanto eu acompanhava a minha obra, presenciei várias discussões e o troca troca de pedreiros lá. Acabaram terminando a obra de qualquer jeito e o sonho de ir morar na casa desmantelou-se, pois venderam a casa.

  • A história das listras

    por Ligia Fascioni

    Uma das coisas que mais me encantam no mercado editorial americano é que o volume de publicações é tão escandalosamente astronômico que dá até para um sujeito escrever um livro sobre listras e seu significado ao longo da história (sim, listras, aquelas faixas compridas de cores diferentes que estampam um tecido).

    Não pude resistir a algo assim (como poderia?) e antes de alguém achar que o meu já altíssimo nível de futilidade atingiu o seu extremo, devo dizer que essas informações podem ser bastante úteis para quem trabalha com design gráfico, artes, ilustrações ou qualquer área da comunicação visual.

    O livro se chama “The devil’s cloth: a history of stripes” e foi escrito pelo historiador de arte francês Michel Pastoureau (ele também estudou a história de várias cores que já estão na minha lista – sem trocadilhos).

    A história começa com o grande escândalo registrado em 1254 em Paris, quando uma ordem de religiosos carmelitas chegada de Jerusalém entrou na cidade usando hábitos listrados de branco e marrom. Reza a lenda que as roupas eram assim porque representavam como as vestes brancas do profeta Elias, fundador da ordem, ficaram após terem passado através de chamas. Como ele não morreu, os hábitos listrados passaram a simbolizar uma espécie de armadura de proteção. Há variações de interpretação dependendo do número e das cores das faixas (as 4 brancas representavam as virtudes cardinais: retidão, justiça, prudência e temperança; e as 3 marrons, as virtudes teológicas: fé, esperança, amor).

    Mas voltando ao escândalo, os monges foram motivo de chacota e insultados por todo mundo porque na Europa as listras estavam associadas aos países islâmicos, e, por isso, eram indignas dos cristãos. O caso era tão sério que um clérigo foi condenado à morte, em 1310, não apenas porque se casou, mas principalmente por ter sido pego em flagrante usando roupas listradas.

    Mesmo na sociedade leiga havia leis que reservavam as listras para uso exclusivo de bastardos, prostitutas, palhaços, malabaristas, coxos, boêmios, hereges e enforcados, enfim, todos aqueles que não podiam ser considerados cristãos honestos, “gente de bem”. Com o tempo, chegou-se até a ampliar o uso para identificar ocupações menos nobres como ferreiros, moleiros, açougueiros e serviçais menos qualificados. Na época, nem Judas escapou de ser representado usando seu modelito bicolor nas obras de arte. São José, inclusive, que nesse tempo carecia de prestígio (a mulher havia engravidado de Outro), aparece com bastante freqüência usando o padrão. A zebra, coitada, era um animal maldito, desnecessário esclarecer os motivos.

    As listras eram associadas ao não puro, não liso, não reto; aquilo que dividia, que mudava (um cristão honesto não podia admitir esse tipo de variedade ou diversidade). Para a cultura medieval, duas cores confrontando-se no mesmo tecido representavam o mesmo que dez cores, ou seja, a transgressão, a rebeldia.
    A popularidade veio com a heráldica, onde os brasões se dividiam em cores e, por vezes, incluíam áreas flagrantemente listradas. É que na idade média quase todo mundo podia ter seu brasão (não somente os nobres, como a gente às vezes acredita). A única regra era que o desenho fosse inédito; para se ter uma idéia, 15% da população tinha um escudo para chamar de seu, de maneira que ficou difícil evitar as linhas paralelas. Cada tipo de hachura tinha um nome e as variações eram infinitas. Os códigos das listras não apenas representavam etnias, clãs e grupos familiares europeus; as tribos africanas e os povos andinos da América do Sul mostram que a prática era quase universal. Ah, cabe dizer que, para todos os efeitos, o xadrez era considerado um tipo de super-listra.

    Mesmo tão populares, cabe dizer que, na Europa, as listras continuaram tendo uma conotação negativa, sendo mais ou menos pejorativas de acordo com o desenho. Nos brasões, elas invariavelmente indicavam cavaleiros traidores, príncipes usurpadores, plebeus, bastardos, reis pagãos, mercenários e toda a sorte da mais fina “elite” da época.

    Aos poucos os significados foram mudando e as listras verticais passaram a ser usadas pela aristocracia; já as horizontais, mais comuns, pelo serviçais. As listras viraram moda, caíram em desuso, voltaram. Nunca chamaram tanto a atenção como nas revoluções (elas representavam transgressão, lembra?) a ponto de virarem figurinha fácil em bandeiras; pelo mesmo motivo, tornaram-se as queridinhas de artistas rebeldes.

    Mesmo assim, as listras más, por assim dizer, nunca desapareceram. Elas, na verdade, caracterizam a coexistência de dois sistemas de valores opostos baseados na mesma estrutura.

    A etimologia da palavra também revela muita coisa. Em francês, o verbo rayer significa fazer listras, mas também remover, apagar, eliminar e excluir; em resumo, punição. O verbo corriger também tem o mesmo duplo sentido: fazer listras e corrigir. As “casas de correção” servem para punir e as janelas são ornadas com barras que parecem listras. Bars, aliás, podem ser listras ou barras (sem esquecer que sempre se pode “barrar” alguém indesejado).

    Em inglês, a palavra stripe pode ser traduzida como listra, mas também é relacionada ao verbo to strip, que pode significar tanto despir como privar, deixar sem, punir.

    Em latim, palavras como stria (listra, raia), striga (linha, sulco), strigilis (raspar, arranhar) pertencem à larga família do verbo stringere que, entre outros significados, também pode ser traduzido como fechar, tirar e privar; constringere significa, literalmente, aprisionar. Em quase todas as línguas que se pesquise, listras estão sempre associadas à exclusão, impedimento, punição.

    Os medievais acreditavam, inclusive, que além de diferenciar os bons dos maus, as listras também serviam como um portão, ou filtro, para proteger as pessoas fracas das influências nefastas do demônio. Curioso observar que hoje em dia as listras são usadas predominantemente em pijamas. E em qual situação, senão completamente indefesos na nossa cama e em pesadelos, estamos mais vulneráveis à ação dos espíritos malignos?

    No início da popularização das listras pelos cidadãos comuns, elas eram usadas apenas nas roupas íntimas. Alguém tem um palpite do porquê? Ora, essas peças tocam as partes “sujas” do nosso corpo. Sem dizer que as listras eram coloridas por tons pastel, ou seja, cores falhadas, quebradas, mutiladas, desbotadas. Com o tempo, todos os objetos e roupas relacionados à higiene (que precisam de “barras de proteção” contra o mal, no caso, a sujeira) também utilizam estruturas bicolores ou multicolores em tons pastel.

    O mundo contemporâneo é muito complexo em termos semióticos e estudar listras é um desafio de respeito. Há realmente muito que analisar: as listras das pastas de dente; a presença constante nas marcas esportivas, os onipresentes códigos de barras, o vai e vem do padrão na moda e muito mais (eu fiquei prestando muito mais atenção nas listras quando acabei de ler o livro).

    Muita coisa mudou, mas o imaginário coletivo continua representando apenas os marinheiros de mais baixo escalão com uniforme listrado, os presidiários, o malandro carioca e sua indefectível camiseta bicolor e os gânsters em seus ternos de risca…

    E você, já se alistou?