Categoria: segurança

  • Design no dia a dia

    Vi recentemente um texto no blog da Letícia Ávila que me chamou a atenção. Aí comecei a pensar como aproveitar as comuns rotinas diárias em favor do design como forma de mostrar às pessoas como esta ferramenta está presente no dia a dia, sem que estas percebam.

    Assim, abaixo a minha contribuição – já que ontem a noite acabei fazendo um

    BOLO DE CHOCOLATE

    Vá até a sua design e pegue em sua design o design de leite, o design de margarina, o design de fermento em pó e o design com os ovos. Nos designs pegue o design de farinha de trigo, o design de chocolate em pó, a design, as designs medidas e coloque sobre a design.

    Com a design montada, você precisará das seguintes quantidades dos ingredientes:

    2 designs de farinha de trigo
    2 designs de açúcar
    1 design de leite
    6 designs de sopa cheias de chocolate em pó
    1 design de sopa de fermento em pó
    6 ovos

    Modo de Preparo:

    1. bata na design as claras até que fiquem em ponto de neve, acrescente na design as gemas e bata novamente, coloque o açúcar e bata outra vez;

    2. coloque a farinha, o chocolate em pó, o fermento, o leite e bata novamente

    3. Untar uma design e colocar para assar no design por aproximadamente 40 minutos em temperatura média

    4. Enquanto o bolo assa no design faça a cobertura numa design com:
    2 designs de chocolate em pó
    1 design de margarina
    meio design de leite
    e leve ao fogo no design até começar a ferver

    5. jogue quente sobre o bolo já assado

     Como a cobertura é fácil e rápida, você pode aproveitar para lavar em sua design os designs utilizados na preparação deste bolo e coloca-los para escorrer no design.

    Pra servir, corte o bolo da maneira preferida com uma design e, com uma design sirva em designs. Se preferir, pode colocar a cobertura sobre cada pedaço do bolo na hora de servir utilizando uma design. Acrescente um bom design de refrigerante ou suco e,

    6. É só saborear sentado confortavelmente em sua design.

    Para guardar, pegue um design hermético e coloque o bolo dentro. Guarde em sua design pois este bolo geladinho é uma delicia.

    Claro que ainda me faltaram elementos nesse texto pois o estou fazendo na correria antes de sair para uma reunião, mas a idéia está aí.

    E você?

    Já parou para pensar em como o Design está presente no seu dia a dia?

    Daí a importância e necessidade da Regulamentação Profissional do Design aqui no Brasil.

    Insistem em dizer que o Design não coloca a vida do usuário em risco. No entanto, ao observar o roteiro acima percebemos vários elementos/situações que podem colocar sim. Até mesmo a simples batedeira pode causar sérios transtornos e danos.

    Portanto, creio que basta de alegações absurdas feitas por quem não entende absolutamente nada sobre o que está falando – não é mesmo senhores Deputados?

  • Agende-se

    9º Congresso de Ergodesign

    (Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces Humano-Tecnologia: Produto, Informações, Ambiente Construído e Transporte)

    Quando: 14 a 17 de setembro

    Onde: Fiep / Cietep – Curitiba

    Inscrições através do site.

  • Pós em Iluminação – IPOG – Londrina

    Sob a coordenação da Jamile Tormann, o IPOG abriu as inscrições para uma turma de especialização em Iluminação e Design de Interiores aqui em Londrina – até que enfim!!!

    logoIpog2

    O início das aulas está marcado para os dias 6, 7 e 8 de novembro.

    Este curso está sendo considerado o melhor na área aqui no Brasil. Também pudera, a lista de professores é de primeira grandeza:

    Adriano Genistretti – Engenheiro eletrotécnico formado pela Escola de Engenharia Mauá. Gerente de Projetos de Iluminação Philips do Brasil Ltda. – Divisão Luminárias, com experiência de mais de 26 anos no ramo de Projetos (iluminação Pública, Esportiva, Comercial/Predial, Decorativa, Industrial, etc.), cursos de especialização na Holanda. Tem seus projetos aplicados em trabalhos como o Estádio do Morumbi, Vila Belmiro, Centro Empresarial Nações Unidas, Mosteiro de São Bento, Cais do Porto de Recife entre outros.
    Claudia Amorim – Arquiteta. Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UNB. Doutora pela Università Degli Studi di Roma “La Sapienza”. É docente da UnB, pesquisadora e consultora adHoc do CNPq.
    Claudia Torres – Arquiteta. Mestre em Iluminação Arquitetônica PELA FAU/USP, Doutoranda pela UFPB, é sócia do escritório VIA ARQUITETURA Iluminação e design Ltda.
    Farlley Derze – Mestre em Educação pela UNB. Especialista em História da Arte pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes (FADM) – DF; docente de graduação e pós-graduação na FADM. Pesquisador e Coordenador do Núcleo de História da Associação Brasileira de Iluminação (ABIL).
    Gláucia Yoshida – Socióloga – UFG, Mestre em Educação – UFG, Especialista em Formação Sócio-econômica do Brasil – ASOEC, Especialista em Docência Universitária: Formação e Vivência – UNIVERSO, Especialista em Psicanálise e Inteligência Multifocal – Faculdade Michelangelo.
    Glaucus Cianciardi – Mestre em Arquitetura e Urbanismo pelo Mackenzie; Especialista em História da Arte pela Fundação Armando Álvares Penteado – FECAP. Atualmente ministra aulas nos cursos de Design de Interiores, Design Gráfico e Design de Produtos no Centro Universitário Belas Artes. Professor de programas de aperfeiçoamento da Câmara de Arquitetos, IAB – SP, com Formação Continuada e AEA – Academia de Engenharia e Arquitetura; atuando em todo o território nacional.  Desenvolve projetos nas áreas residencial e comercial.
    Guinter Parschalk – Arquiteto e designer, especialista em iluminação e percepção visual com atuação internacional. Especialista em desenho industrial na Hochschule für künstlerische und industrielle Gestaltung Linz – Áustria.
    Isac Roizenblatt – Engenheiro elétrico formado pela Escola de Engenharia Mauá, São Paulo – Brasil – CREA 23171 (1968). Mestre em Energia pela Universidade de São Paulo. Especialista em Iluminação pela Universidade Tecnológica de Eindhoven – Holanda. Programa Interunidades do Instituto de Eletrotécnica e Energia, Escola Politécnica, Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis e Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Consultor da Pró Light and Energy Consultants.
    Jamile Tormann – Lighting – Designer, Fez Arquitetura e Urbanismo pela USU – RJ, Licenciatura Plena em Artes – Habilitação em Artes Visuais pela FADM-DF, é Pós-Graduada em Iluminação e Designer de Interiores pela UCB-RJ. Autora do livro Caderno de Iluminação: arte e ciência. Editora Música e Tecnologia – RJ, 2006. É Sócia fundadora da ABrIC e ABIL, e Membro da CIE-BR comissão 3 (Comission Internationale de L’Éclairage). Escreve artigos como colaboradora para a Revista Lume Arquitetura – SP e Tecnoprofile Magazine – Argentina.
    Juliana Ramacciotti – Arquiteta e Urbanista pela FAAP-SP. Mestranda pela Mackenzie – SP. Atuou por 4 anos na Philips Lighting em  projetos luminotécnicos e por 7 anos como Country Manager da Lutron do Brasil.
    Leonardo Moraes – Sociólogo pela UFG – Mestre em História pela UnB, Especialista em História Nacional de Goiás pela UFG. Especialista em Docência Universitária pela UNIVERSO.
    Lori Crízel – Arquiteto. Mestre em Conforto Ambiental pela UFRJ – ênfase em Luminotécnica. Docente da UFRJ e UFPR.
    Luiz Emiliano Lavendaño – Arquiteto e Designer pela Universidad Católica de Valparaíso – Chile. Mestre em Design pela FAU/USP, docente e coord. do curso de graduação em Desenho Industrial da FAITER – SP.
    Marcos Simão – Arquiteto. Especialista em Tecnologia e Projeto de Iluminação pela UNESA.
    Nelson Ruscher – Eng. Eletricista e Mestre em Eficiência Energética e Eletrônica de Potência pela UNB. Consultor técnico da Philips Iluminação, Vice-Presidente da ABIL – Associação Brasileira de Iluminação.
    Nelson Solano – Arquiteto. Mestre. Doutorando em Arquitetura pela USP. Autor do Livro Iluminação e Arquitetura. Editora Geros – SP, 2001.
    Plinio Godoy – Engenheiro, coordenador da Divisão 3 do Comitê Brasileiro de Iluminação – CIE-Br, representante brasileiro no Comitê Internacional de Iluminação – CIE, palestrante no curso de Iluminação de Exteriores da Universidade de Versailles (Fr), autor de projetos reconhecidos, como a Ponte Estaiada, em São Paulo (SP).
    Silvia Bigoni – Arquiteta. Especialista em Marketing pela FGV. Mestranda pela USP. Consultora desde 2001 do segmento de iluminação. Ministra o curso de Pós-Graduação de Design de Interiores na FAESA/ES e presta consultoria para o Prêmio ABILUX de Projetos de Iluminação. Atuou  na OSRAM do Brasil por 11 anos e ministrou o curso de Projetos de Iluminação na FUPAM/FAU-USP. Desenvolve ao longo dos anos projetos de iluminação residencial e comercial tais como Livraria Cultura; Artefacto; Esfera.
    Thais Borges Lima – Arquiteta. Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA. Doutoranda em Arquitetura e Urbanismo pela UNB.
    Wilson Salloutti – Formado nas Faculdades Integradas Alcântara Machado, é sócio-fundador e atual diretor de Marketing da FASA Fibra Ótica, empresa pioneira na iluminação em fibra ótica para fins arquiteturais, decorativos e de comunicação visual no país. Sua luminária ‘Floating’ recebeu o Prêmio Via Design 2005.
    Convidado: Peter Gasper – Arquiteto e Cenógrafo. L.D. responsável pela maioria das luzes dos monumentos de Brasília. Trabalhou na Rede Globo, onde fez o cenário e iluminação das novelas. Iluminou a Hidrelétrica de Itaipu, o show de Frank Sinatra no Maracanã, a Missa do Papa e o Rock’n’Rio. Fez o projeto de iluminação da casa da Xuxa e BIG BROTHER BRASIL.

    As disciplinas são todas voltadas ao Lighting Design:

    •HISTÓRIA DA ILUMINAÇÃO
    •GRANDEZAS E CALCULOS LUMINOTÉCNICOS
    •FONTES DE LUZ ARTIFICIAL
    •PERCEPÇÃO VISUAL
    •SISTEMAS DE ILUMINAÇAO COM FIBRA ÓTICA
    •CONFORTO AMBIENTAL
    •DESIGN DE INTERIORES RESIDENCIAL
    •DESIGN DE INTERIORES COMERCIAL
    •DESIGN DE LUMINARIAS
    •METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO
    •PROJETO DE ILUMINAÇÃO AUXILIADO POR COMPUTADOR
    •ILUMINAÇÃO DE INTERIORES RESIDENCIAL
    •ILUMINAÇÃO DE INTERIORES COMERCIAL
    •ILUMINAÇÃO DE EXTERIORES
    •ILUMINAÇÃO ESPORTIVA
    •ILUMINAÇÃO CÊNICA
    •ILUMINAÇÃO DE MUSEUS, GALERIAS E SALAS DE EXPOSIÇÃO
    •A LUZ SOB CONTROLE
    •GERENCIAMENTO DE OBRAS E GESTÃO DE PROJETOS
    •CONCEPÇÕES E CRITICA DA ILUMINAÇÃO

    A duração do curso é de 20 meses com aulas uma vez por mês (Sexta das 18h às 23h, Sábado 8h às 19h, Domingo 8h às 13h) e o investimento é:

    •Matrícula = R$200,00
    •Parcelas = 21
    •Mensalidade = R$ 480,00

    Para maiores informações e inscrições:

    IPOG – Instituto de Pós-Graduação
    Av. Cândido de Abreu, 776, 6* andar, Ed. World Business
    Centro Cívico    Curitiba – PR
    Fones: (41) 3203-2899 / Fax 3203-2884 / 9900-9657
    curitiba@ipoggo.com.br
    www.ipoggo.com.br

  • LD: embelezamento urbano

    Ja falei sobre arte urbana e outras intervenções urbanas que visam a melhoria estética e a qualidade de vida das pessoas. Agora, apresento algumas idéias de como fazer isso usando a luz.

    Na palestra do Nelson Ruscher (Philips) ele falou sobre o uso da luz para o embelezamento urbano – city beautification.

    No caso de áreas públicas de pedestres e veículos, o maior desafio para o lighting designer é conseguir aliar a necessidade de uma iluminação eficiente com a arte de iluminar. Aqui é que encontra-se o grande desafio.

    Promenading on stars, Geneva

    Um passeio público onde foram implantados 10.000 topleds. Alguns paralelepípedos foram tirados e substituídos por luminários especialmente desenvolvidas para este projeto.

    Reprojected, Munich

    Uma idéia que proporciona movimento ao entorno. Telas LED que soltam projeções das sombras de pessoas passando.

    The World’s Largest Timepiece: Bahnhofstrasse Christmas Lights, Zurich

    Um projeto que foi desenvolvido para o natal e que acabou por ficar perfeito para esta rua comercial. A instalação liga a estação de trens ao lago com uma linha contínua de luz. São 1.1 Km de extensão onde foram dispostos 275 tubos especialmente projetados para esta instalação com 8.800 lâmpadas LED. O projeto é de Gramazio & Kohler.

  • Ah se aqui fosse assim…

    Quem dera aqui no Brasil as coisas realmente funcionassem.

    A cidade de Kaohsiung – Taiwan, acaba de inaugurar o seu mais novo estádio olímpico que foi especialmente projetado e desenvolvido para os Word Games que acontecem lá agora em julho.

    Com capacidade para 55.000 espectadores e um custo de 150 milhões de dólares, o estádio é uma verdadeira máquina auto-sustentável. A cobertura é composta por 8.844 painéis solares que geram 1.14 gigawatt/hora – mais que suficiente para manter todo o sistema de iluinação e segurança funcionando tranquilamente sem a necessidade de uso da energia elétrica.

    Enquanto lá fora eles brindam os visitantes com mega estruturas, aqui, em terras tupiniquins, nos envergonhamos com “recauchutagens” toscas e megafaturadas. Lamentável.

    Como se já não bastasse o mico – sem falar do rombo financeiro desviado – em ter uma Copa do Mundo de Futebol (ECA!) ainda tentam trazer para cá os Jogos Olímpicos. AH AH AH!

    Quem teve a oportunidade de ver os “maravilhosos projetos” – segundo nosso presimente apedeuta¹³ (sic) sabe bem do que estou falando. E, impressionantemente, mais uma vez, tudo é feito na base de conchavos e acertos de bastidores.

    Não há concursos para seleção de projetos – e sim apadrinhamentos.

    Os orçamentos são absurdamente elevados – incondizentes com a realidade e mais impressionante ainda: sempre falta verba e temos de ver os intermináveis aditivos de contrato rolando solto…

    As obras são geralmente de péssima qualidade ou, no máximo, de qualidade duvidosa.

    As empreiteiras são sempre as mesmas – e todos fazem de conta que não percebem…

    Enfim, os interesses escusos rolando nas barbas da população que assiste atônita à essa barbárie.

    Não sou a favor da Copa aqui.

    Não sou a favor das Olimpíadas aqui.

    Nosso país, infelizmente, carece de muitas outras coisas bem mais importantes como saneamento básico, moradia, saúde, educação e, principalmente, EDUCAÇÃO E CONSCIÊNCIA POLÍTICA.

    Obras faraônicas “pra inglês ver”?

    Não gente, eles não precisam disso pois já tem muita coisa legal no país para ver e conhecer como o carnaval, o folclore brasileiro, sem contar as belezas naturais que, diga-se de passagem, são das mais belas nesse planeta. Tem também a História do Brasil que é riquíssima e produziu obras fantásticas e que, infelizmente, vemos dia a dia serem destruídas, apagando a nossa identidade.

    Se eu tivesse tempo faria posts aqui no blog sobre a cultura brasileira, seu folclore e história. Ao menos meus leitores conseguiriam prender algo de útil e realmente importante sobre quem somos e porque somos brasileiros.

    Não sei como anda a educação de base, mas pelo visto, o folclore deve ter sido reduzido a nada.

    Promover dois eventos desse porte seguidos num país onde os parlamentares confundem design com artesanato é no mínimo ridículo para não dizer absurdo.

    Fazer algo nesse sentido onde os maiores escândalos sempre acabam em pizza é carimbar na testa de todos nós cidadãos palavras como  TROUXA, PALHAÇO, IMBECIL, ZÉ MANÉ. E depois eles ainda aparecem na TV falando que “estão pouco se lixando para a opinião pública” (sic).

    Não gosto muito de expor esse meu lado político pois sou bastante ácido com relação ao que vem sendo feito em nosso país e muitas pessoas não gostam, porém, tem coisas que não consigo calar-me pelo simples fato de já ter vivido varios anos dentro da política e percebido que não temos políticos e sim POLITIQUEIROS…

    Fico imaginando a festa de abertura da Copa… um show de bundas carnavalescas embaladas por funk e sertambregas. Que “must”!

    Melhor ainda será a participação popular, a platéia que certamente irão ser altamente respeitosa tanto na hora da compra dos ingressos – quando descobrirem que os mesmo já esgotaram – quanto no momento das partidas… aff

    Lamentavelmente, nosso país não dispõe de uma administração pública eficiente para a realização de algo desse porte. Nem no antes e, muito menos no durante.

    Coloco novamente: nosso país necessita de outras ações bem mais sérias que essa maquiagem maquiavélica na tentativa de mostrar ao mundo que somos um país justo e digno de primeiro mundo.

    Eu não apóio a Copa…

    Eu não apóio as Olimpíadas…

    Quem sabe daqui ha uns 300 anos estejamos prontos para algo assim…

    Eu apóio o meu país e o meu povo.

  • Proposta de Projeto (II)

    Itens de uma proposta de projeto

    “Uma proposta simples, básica e fundamentada precisa assumir compromissos claros e objetivos. Se quem a elabora tem conhecimento da solicitação do contratante e do trabalho, não precisa ter receio de redigir compromissos e obrigações. Este receio é diretamente proporcional à falta de conhecimento ou da capacidade de atender a uma determinada solicitação.”

    Se o brieffing não foi bem feito, certamente você encontrará dificuldades para formatar uma proposta ao seu cliente. Conhecer exatamente o que o cliente deseja faz-se fundamental assim como a assinatura de uma única proposta. Caso a proposta inicial não cubra as necessidades do cliente, certamente você terá de fazer alguns adendos ou aditivos de contrato posteriormente. Isso gera custos para o cliente além da sensação de despreparo de sua parte.

    Portanto atente-se para os itens principais de uma proposta bem elaborada:

    Cabeçalho da proposta

    Aqui entra, em ordem:

    A – o seu logotipo ou nome do escritório/profissional

    B – número da proposta – essencial para arquivo e fácil localização posterior

    C – data

    D – quem é você

    E – a quem é dirigida a proposta (nome, endereço, telefone, e-mail, etc)

    Por exemplo:

    PROPOSTA N° 0154/09 – 21/04/2009

    CONTRATANTE: (o cliente)

    Inscrito no CPF/CNPJ sob número xxx.xxx.xxx-xx

    Com endereço à Rua xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx – Curitiba – PR. Telefone (xx)  xxxx-xxxx, e-mail: xxxx@xxxx.xx.xxx

    CONTRATADO: (você)

    Inscrito no CPF/CNPJ sob número xxx.xxx.xxx-xx

    Com endereço à Avenida xxxxxxxxxxxxxxxxxxx – Londrina – PR.

    Telefone (xx) xxxx-xxxx, e-mail: xxxx@xxxx.xx.xxx

    Feito isso, passemos ao corpo da proposta propriamente dita:

    1-      Referência da proposta:

    Aqui deve ser deixado bem claro, de maneira resumida, quem é quem e sobre o que se trata a proposta. Como especificar o que se trata a proposta? Simples. Aqui você não deve estender-se demasiadamente pois na etapa seguinte sim é que você irá esmiuçar e detalhar a proposta. Por exemplo:

    Proposta para execução de projeto de Design de Interiores e Ambientes para uma residência em alvenaria – contendo 3 quartos sendo 1 suíte, duas salas, varanda, cozinha, área de serviço, 3 banheiros, garagem e quintal – já construída (ou em fase de construção) localizada na Rua XXXX, n° XX, Bairro XXX, na cidade de XXXX, Estado XX.

    2 – Metodologia de trabalho:

    Aqui vem a parte chata e demorada de uma proposta, afinal é aqui que você deverá especificar todo o seu trabalho a ser executado. É através dessa parte que o cliente irá compreender o todo que engloba o que será feito.

    A melhor opção, sem sombra de dúvidas, é apresentar a edificação por cômodo indicando o que será feito em cada um. Mais ou menos assim:

    Suíte: layout, troca de piso, pintura de paredes, iluminação, desenvolvimento de cama, cômoda e bancada banheiro, especificação de cortinas/persianas, mobiliários, acessórios, box, louças e metais.

    Quarto 1: layout, troca de piso, pintura de paredes, iluminação, desenvolvimento de bancada de estudos, especificação de cortinas/persianas, mobiliário e acessórios.

    Quarto 2: layout, troca de piso, pintura de paredes, iluminação, desenvolvimento de bancada de estudos, especificação de cortinas/persianas, mobiliário e acessórios.

    Sala 1: layout, troca de piso, pintura de paredes, iluminação, desenvolvimento de estante para home theater, especificação de cortinas/persianas, mobiliário e acessórios.

    Sala 2: layout, troca de piso, pintura de paredes, iluminação, desenvolvimento de 01 mesa de centro, 02 mesas laterais e 01 aparador, especificação de cortinas/persianas, mobiliário e acessórios.

    Cozinha: layout, troca de piso, pintura de paredes, iluminação, desenvolvimento de 01 mesa de jantar para 8 pessoas, especificação de cortinas/persianas, mobiliário e acessórios.

    Varanda: layout, troca de piso, pintura de paredes, iluminação, especificação de cortinas/persianas, mobiliário e acessórios.

    Área de serviços: layout, troca de piso, pintura de paredes, iluminação, especificação de cortinas/persianas, mobiliário e acessórios.

    Garagem: layout, troca de piso, pintura de paredes, iluminação, especificação de mobiliário e acessórios.

    Isso fica bem mais claro se colocado em uma tabela. Facilita a leitura e delimitação.

    Um fator importante aqui é especificar se haverá ou não desenho e detalhamento de mobiliário específico ou se será tudo adquirido em lojas. Esse detalhe pode entrar no final desta apresentação/parte ou juntamente com a descrição do item Projeto Executivo. Mas saiba que havendo a contratação desse serviço, o mesmo deverá ser feito por você mesmo e não por lojas de modulados ou marceneiros.

    Outra questão importante para a formação de seu preço é a quantidade de móveis que você terá de criar especificamente para esse projeto. Um projeto com mobiliário comprado em lojas nos toma relativamente pouco tempo, mesmo os comprados em lojas de planejados. Já aqueles que você tem de criar, desenhar, detalhar e especificar toma bastante tempo. Portanto cuidado para não deixar a tua proposta aberta o suficiente para que o cliente possa vir a exigir uma quantidade enorme de móveis específicos quando você não levou isso em consideração no momento do fechamento do preço da proposta.

    Você pode criar uma lista de mobiliários à serem desenvolvidos depois de conversar com seu cliente e inseri-la aqui nesta parte. Por exemplo:

    Desenvolvimento de mobiliário:

    Banheiros: 3 bancadas

    Quartos: 2 bancadas de estudo, 1 cama casal, 1 cômoda

    Cozinha: mesa para 8 pessoas

    Sala 1: 1 estante/hack para home theater, 1 mesa de centro

    Sala 2: 1 aparador, 1 mesa de centro, 2 mesas laterais

    Qualquer peça a mais que as especificadas acima serão tratadas em instrumento particular à parte e com valores próprios.

    Agindo assim, você estará se garantindo e assegurando que não haverá abusos por parte do cliente pois qualquer tentativa dele de “ganhar” algum prêmio extra estará fechada por esta cláusula contratual informando-o de que ele terá de pagar por cada item extra.

    3 – Apresentação dos trabalhos:

    Aqui você deverá especificar cada etapa do trabalho:

    01. Estudo Preliminar – Brieffing, estudos preparatórios, relatórios, desenhos esquemáticos, e demais documentos em que se demonstra a compreensão do problema e a definição dos critérios e diretrizes conceituais para o desenvolvimento do trabalho;

    02. Projeto Conceitual – desenhos de lançamento das propostas anunciadas no Estudo Preliminar, acompanhadas de cálculos e demais instrumentos de demonstração das propostas apresentadas no projeto; inclui-se instruções a serem encaminhadas aos responsáveis pelos projetos de instalação elétrica, ar condicionado e automação, como a indicação da composição dos comandos e modo de operação dos mesmos, que evidenciem as diferentes possibilidades de uso dos sistemas propostos; compreende também a compatibilização, atividade em que se justapõem as informações técnicas e as necessidades físicas relativas às determinações do projeto de Design de Ambientes e as decorrentes dos demais projetos integrantes do trabalho global (arquitetura, estrutura, instalações elétricas e telefônicas, hidráulicas, de ar condicionado, de sonorização e sprinklers, interiores e exteriores, paisagismo, etc), com a finalidade de garantir a coexistência física e técnica indispensável ao perfeito andamento da execução do projeto;

    03. Projeto Executivo – concretização das idéias propostas no Projeto Conceitual devidamente compatibilizadas a partir da integração do projeto de Ambientes com todos os sistemas prediais envolvidos no trabalho. Inclui-se as informações técnicas pertinentes à correta integração dos ambientes e demais equipamentos aos detalhes da arquitetura, bem como os dados do equipamento especificado, para a concretização dos conceitos estabelecidos no projeto. Os desenhos referentes móveis (desenho e detalhamento), equipamentos, revestimentos, materiais e acabamentos deverão ser inseridos no Projeto Executivo ou complemento deste (Memorial Descritivo), para que haja perfeita compreensão das dimensões físicas e da forma de instalação dos mesmos no edifício.

    Parágrafo único: os desenhos serão apresentados em escala 1/50.

    04. Supervisão Técnica – atividade de acompanhamento da execução das obras do edifício ou empreendimento, para constatação da correta execução de suas determinações e apresentação de modificações ou adaptações tecnicamente convenientes, quando necessário e pertinente. Ficam acordadas 3 visitas técnicas semanais à obra durante o andamento da execução da mesma.

    Na prática, lembre-se – e avise ao seu cliente também – que só se passa de uma fase para a outra após o “de acordo”, que sinaliza por parte do cliente a compreensão do projeto e autorização para dar seqüência à próxima etapa.

    4 – Prazo de entrega:

    Aqui entra a sua capacidade de organizar-se. A planilha (cronograma) deve ser ampla o bastante pra que você possa trabalhar sem atropelos, mas também curta o bastante para que o cliente não comece a te ligar cobrando o projeto.

    É importante deixar claro que não devemos prescrever datas fechadas e sim usar dias corridos após o “de acordo”. Isso se deve ao fato de que o cliente pode segurar e demorar para assinar o “de acordo” por dias. Você tendo colocado uma data específica certamente terá de correr contra o tempo para dar conta de finalizar a etapa.

    Vejamos dois exemplos:

    A – com data fechada:

    O cliente assinou a proposta no dia 01/01/2009. Nessa proposta temos as seguintes datas de entrega:

    Estudo Preliminar (EP): 25/01/2009

    Projeto Conceitual (PC): 01/03/2009

    Projeto Executivo(PE): 01/04/2009

    Digamos que você passou para o cliente o PC no dia 20/02/2009. Aí você entra em “stand-by” aguardando que ele assine o “de acordo” pra que você possa dar seguimento no projeto. No entanto ele acabou tendo de fazer uma viagem do dia 22/02/2009 até o dia 15/03/2009 e, chegando aqui a sua mãe falece e lá se vai mais uma semana no mínimo de enrrolação. Chegamos então à data de 22/03/2009. Aí ele assina tudo e te entrega no dia 23/03/2009. Você conseguirá fechar todo o executivo até o dia 01/04/2009, incluindo as novas alterações que ele solicitou? Certamente que não.

    B – Com prazo corrido:

    Imagine a mesma situação com a seguinte especificação:

    O cliente assinou a proposta no dia 01/01/2009. Nessa proposta temos as seguintes datas de entrega:

    Estudo Preliminar (EP): 25 dias após a assinatura desta proposta.

    Projeto Conceitual (PC): 35 dias após do “de acordo” no Estudo Preliminar.

    Projeto Executivo(PE): 30 dias após o “de acordo” no Projeto Conceitual.

    Usando essa prerrogativa, se o cliente quiser ficar um mês segurando a proposta ele pode ficar e isso não irá atrapalhar o seu trabalho. Não irá te sobrecarregar e você terá os seus necessários dias de trabalho garantidos.

    5 – Preço e condições de trabalho:

    Aqui é onde o seu cliente geralmente vai correr para olhar: o preço da proposta. Portanto esta parte tem de ser muito bem elaborada e você deverá ficar atento às reações do mesmo nesse momento. Você pode ser maleável na negociação dos prazos estendendo-os em mais parcelas porém cuidado com os “descontos”.

    Geralmente, usa-se a fórmula 40+30+30 assim sendo:

    40% na assinatura da proposta

    30% no “de acordo” do Projeto Conceitual

    30 % no “de acordo” do Projeto executivo.

    Outros preferem a fórmula 20+30+50:

    20% na assinatura da proposta

    30% no “de acordo” do Projeto Conceitual

    50 % no “de acordo” do Projeto executivo.

    Existem ainda outras fórmulas, porém vale ressaltar que cada caso é um caso e, como já coloquei acima, você pode aumentar as parcelas a serem pagas pelo cliente dependendo da necessidade/realidade do mesmo.

    Algumas pessoas caíram no erro de colocar uma das parcelas para o final da obra (confesso que no início fiz isso), ato da entrega da obra pronta, finalizada. Porém existe um sério risco de a obra atrasar, ser interrompida e você ficar à ver navios até sabe-se lá Deus quando.

    Um ponto muito importante à destacar aqui é que o valor de projeto é uma coisa e valor de acompanhamento e execução é outra.

    Valor de projeto diz respeito ao seu trabalho de gestação, criação, lançamentos e fechamentos do projeto. Ele não cobre a execução e acompanhamento. É o valor pago pelo trabalho intelectual.

    Valor de execução e acompanhamento é aquele que você deve receber por acompanhar os trabalhos durante a execução da obra. É o pagamento de “peão de obra” mesmo, o trabalho braçal. Este valor gira em torno de 10% do valor total da obra que está sendo realizada e é realizado mensalmente após o início da execução encerrando-se ao final da mesma.

    Portanto, o valor de projeto deve ser pago até antes da finalização da obra e tome cuidado para não deixar o seu cliente levar dois pagando um.

    Mais um ponto que deve ser destacado nessa parte da proposta diz respeito aos retrabalhos de etapas já superadas e inserções/alterações de coisas. A partir do momento que o cliente assina o “de acordo” qualquer alteração por ele proposta deverá ser tratada em documento à parte desta proposta.

    6 – Prazo de validade:

    Sim, assim como um produto tem seu prazo de validade, esta proposta também deve ter o seu. Caso contrário, o cliente poderá pegar a sua proposta e um ano depois vir solicitar a execução do projeto com os valores escritos ali na proposta.

    7 – Despesas reembolsáveis:

    Tudo o que você tiver de despesas relativas ao projeto em questão são passíveis de serem reembolsadas pelo cliente. Quem já pegou algum cliente numa cidade que não é a sua sabe bem do que estou falando. Não se trata apenas das copias e plotagens mas de várias outras coisas:

    A – plotagens e cópias xérox

    B – correios

    C – outros levantamentos e projetos complementares

    D – taxas públicas quando necessário

    E – despesas com transporte, hospedagem, alimentação, pedágios, etc.

    8 – Autoria e Responsabilidade Técnica:

    A parte relativa à Responsabilidade Técnica eu vou tratar especificamente na parte III deste texto. Já sobre a Autoria, vamos lá…

    O Direito Autoral é regido pela Lei Nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998. Ela resguarda os direitos do autor de qualquer obra de cunho artístico ou intelectual. E isso inclui nossos projetos apesar de que é um pouco complicada a aplicação desta lei em obras de design, arquitetura e outras correlatas por não serem vistas exatamente como uma obra artística. No entanto ela é uma obra intelectual. Por isso temos também a Propriedade Industrial (Lei Nº 9.279, de 14 de Maio de 1996).

    No caso de desenvolvimento de mobiliários ou outros equipamentos específicos – como luminárias – para um projeto, estes podem/devem ser patenteados. Isso vai depender muito de você profissional. Fazer a patente não é tão difícil como muitos imaginam. No entanto a patente só ocorrerá se o produto desenvolvido for realmente exclusivo e não houver nada igual no mercado.

    Porém isso não precisa estar vinculado à esta proposta em detalhes. O que você deve fazer constar em uma ou mais cláusulas é que os desenhos exclusivos são de sua autoria e a sua reprodução ou posterior confecção de novas peças está proibida, salvo no caso do cliente pagar por uma nova peça.

    Outro elemento que deve estar coberta na proposta com relação aos Direitos Autorais diz respeito às cópias de seu projeto por outras pessoas. Quem já não presenciou um cliente com uma revista nas mãos dizendo que quer exatamente aquela sala? Pois é, isso é o mesmo que pirataria de CDs e DVDs. E você tem a obrigação de esclarecer o seu cliente quanto a isso. Caso seja feita a sala que ele quis e o autor real do projeto fique sabendo, você correrá um sério risco de ser processado por cópia não autorizada. Assim como esse dispositivo contratual atestará que o projeto em questão é de sua autoria, foi gestado, criado e desenvolvido por você e, caso alguém venha a copia-lo, você estará no direito de processar quem o copiou.

    Um bom texto para leitura sobre o assunto encontra-se neste link.

    9 – Elementos preliminares:

    Aqui nesta parte você deverá definir as bases necessárias para que o trabalho seja iniciado e tenha o andamento perfeito.

    É aquela parte das obrigações do contratante (cliente) e do contratado (você) e das disposições iniciais.

    Nas iniciais temos a geração do brieffing, entrevista e programa de necessidades que são fundamentais para qualquer início de trabalho.

    Já nas obrigações deve constar tudo que o contratante deverá cumprir para que você tenha condições de realizar o trabalho com segurança como, por exemplo: entrega das plantas baixas e todos os documentos necessários, contratação de outros profissionais quando necessário, não intervenção “in loco” na obra sem o seu consentimento, pagamento das despesas já descritas na proposta e outras que porventura venham a ocorrer, entre outras coisas mais.

    Já da sua parte entram elementos como a correta observância dos prazos, atendimento às necessidades, indicação (lista) e mediação na contratação de profissionais, lojas e fornecedores, assumir a responsabilidade técnica, autoria e acompanhamento da execução da obra entre outras coisas.

    10 – Disposições finais:

    Aqui entram os dispositivos de encerramento da proposta como por exemplo:

    – A não criação de vínculo empregatício entre contratante e contratado;

    – “De Acordo” – especificação de como funciona este dispositivo;

    – rescisão, interrupção, transferência da obra;

    – multas;

    – custos de trabalhos extras – aqueles que não estão contemplados nesta proposta;

    – outros assuntos pertinentes.

    Aqui também deve entrar a cláusula compromissória que é aquela que elege o foro legal. Como já coloquei em outros posts, procure utilizar as Câmaras de Mediação e Arbitragem como a que eu uso em meus contratos:

    “As partes elegem o TRIBUNAL DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM DO PARANÁ, CÂMARA DE LONDRINA, como órgão do INSTITUTO JURÍDICO EMPRESARIAL, com sede na Avenida Bandeirantes, nº116, Londrina, Estado do Paraná, CEP:86.020-010, para solução de toda e qualquer dúvida ou controvérsia resultante do presente contrato ou a ele relacionado, de acordo com as normas de seus regulamentos, renunciando expressamente a qualquer outro foro por mais privilegiado ou especial que seja.”

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    11 – Aprovação da proposta:

    É a parte final onde devem constar:

    – texto que o contratante ateste estar de acordo com as clausulas e condições do contrato/proposta;

    – a data e local da assinatura da proposta;

    – todos os dados do contratante e sua assinatura;

    – todos os dados do contratado e sua assinatura;

    – dados e assinaturas das testemunhas (quando houver)

    As assinaturas vão na última página mas todas as páginas devem ser rubricadas por você e pelo cliente. Depois disso feito, é só fazer o registro – ou reconhecimento de firma – em cartório do contrato/proposta e mandar ver no projeto e na execução da obra posteriormente.

    Um outro detalhe é que se você não possui papel timbrado não se esqueça de usar o rodapé para indicar o seu endereço, telefones para contato, e-mail, site, etc.

  • Proposta de Projeto (I)

    Baseado no texto “Proposta de projeto : a difícil negociação entre o arquiteto e o cliente” dos arquitetos Luís Otávio Forster e Iberê M. Campos, escrevo este texto mais voltado ao Design de Interiores/Ambientes. Como trata-se de um assunto sério e que acabou ficando um pouco longo, vou dividi-lo em três partes:

    Primeira parte: apresentação geral da importância de uma proposta bem elaborada

    Segunda parte: itens de uma proposta

    Terceira parte: um pouco mais a fundo sobre a responsabilidade técnica.

    Boa leitura.

    ft-assinar

    “A negociação entre o arquiteto e seu possível cliente pode ser confusa quando ambos não têm a perfeita noção do que estão fazendo. Propostas desprovidas de conteúdo e clientes que não sabem a importância do projeto são o ponto de partida para obras mal feitas e que provavelmente não atenderão às necessidades de seu proprietário.”

    Isso é mais comum do que pensamos. Propostas totalmente irreais, fora de foco, de difícil compreensão. O fato é que faltam conteúdos e dados dentro da proposta para a clara compreensão por parte do cliente do que ele está prestes a adquirir. Como os clientes são, em sua maioria, leigos no assunto, torna-se muito complicada a leitura e compreensão do que aquelas linhas expressam. Com isso acabam focando sua atenção em apenas um único item: o preço.

    Com isso fica de fora todo o conteúdo da proposta e ele acaba comprando uma coisa que não sabe exatamente o que é. Devemos nos lembrar que nossos “produtos” não são coisas palpáveis enquanto não estiverem concretizadas. Não passam de sonhos, desejos, vontades e, posteriormente, depois de já assinada a proposta, desenhos muitas vezes incompreensíveis.

    Isso é bastante preocupante pois trata-se de um produto que será usado diariamente pelo cliente e seus familiares. E esse fator especialmente, é o calcanhar de aquiles de vários profissionais. Lançam propostas desprovidas de conteúdos, projetam, executam e depois acabam com clientes insatisfeitos. E essa insatisfação pode reverter basicamente de duas formas contra o profissional:

    1 – um cliente insatisfeito fala mal para 10 pessoas…

    2 – a certa “readequação” do projeto que pode levar meses… Pois não foi exatamente aquilo que o cliente pediu… também, você não perguntou e tampouco especificou corretamente na proposta.

    É complicado para o cliente leigo compreender uma planta de layout. Muitos não tem a percepção espacial e de volumetria. De nada adiantará depois você encher de imagens de móveis apontando na planta baixa onde cada um ficará. Eles não conseguirão visualizar isso. Alguns, mesmo com imagens em 3D não conseguem. Por isso faz-se importantíssima a fase do brieffing do cliente. Você deve sugar a alma dele nesse momento. E, este brieffing, não deve ser feito em apenas uma etapa ou conversa/entrevista. Ele deve sim ser refeito e atualizado constantemente, a cada novo contato com o cliente.

    Porém, o mais complicado em relação à proposta para o cliente é entender o que querem dizer os incontáveis itens constantes da proposta: layout, hidráulica, elétrica, alvenaria, revestimentos, direitos autorais entre vários outros e, mais recentemente, automação residencial. Essas são linguagens que eles não entendem. Daí acontecerem muitos erros, especialmente orçamentários.

    “Não há como separar o preço do conteúdo de um trabalho. Embora seja óbvio, ninguém se dá conta de que serviço bem feito custa mais caro, e acabam por fazer uma comparação simples de preços sem entrar no mérito do escopo. O contratante do serviço de projeto faz cotação de preços como se estivesse ao telefone adquirindo uma geladeira, algo como ligar para uma loja de eletrodomésticos e perguntar algo como:

    — “Por favor, por quanto vocês me fazem aí o projeto de uma casa de 200 m²? Quanto???? Ah, não, a outra loja me fez bem mais barato…””

    Esse é um ponto muito complicado: PREÇO.

    Aqui entra em cena o seu conhecimento técnico para conseguir explicar ao cliente o que vem a ser comprar um projeto de interiores/ambientes. O preço é um dos itens da proposta e este está intrinsecamente relacionado ao escopo da proposta. Não são coisas separadas. Como eles bem explicam no texto citado:

    “Escopo é o objetivo do trabalho, seu conteúdo, seu propósito.

    Preço é o valor a ser pago para realização e recebimento desse conteúdo.”

    A sua proposta deve ser completa e clara o suficiente para permitir – até mesmo ao cliente mais leigo – que consiga realizar outras comparações quando em contato com outros profissionais. A proposta não deve conter coisas dúbias e que dêem margem à especulações e/ou dúvidas. Se ele entender de uma forma diferente uma cláusula (ou item) e vier te cobrar sobre isso, prepare-se pois ou você faz do jeito que ele quer/entendeu ou terá de enfrentar um advogado, juiz… E ele estará no direito dele.

    Outra coisa: ele não pode “pechinchar” atrás de menor preço pelo m². Se o fizer, certamente cairá nas mãos de profissionais cujos projetos tem qualidade duvidosa.

    Quem cobra por m² um projeto, não conhece a fundo realmente o que está fazendo. Por mais que isso seja uma “regra de mercado”, só contribui para a prostituição profissional e o acobertamento de péssimos profisionais que continuam no mercado pois competem de igual para igual com os outros.

    Quem compra por m² não faz a menor idéia do que pode estar adquirindo.

    Só orça por m² aqueles profissionais que não levam em consideração a complexidade que é projetar.

    Só pede um “deseinho” aqueles clientes que não tem a menor noção do que é projetar ou então aqueles clientes aproveitadores e que sabem exatamente o valor e a complexidade do projetar.

    No primeiro caso – leigo – vai necessitar de toda a tua atenção. Contudo, jamais tente faze-lo engolir um “projetinho de gaveta” aproveitando-se da ignorância dele. Seja honesto e transparente, atento às dúvidas, tenha paciência para explicar-lhe 10 vezes a mesma coisa enfim, oriente-o corretamente inclusive com relação à formação do preço da proposta. Explique o porque do valor, esmiúce em detalhes o que gerou aquele valor para que ele entenda que comprar um projeto da mesma maneira que se compra uma geladeira não é a melhor solução.

    “Sabendo-se da inexperiência das pessoas, a proposta pode e deve ser orientativa, aproveitando para deixar claro para o contratante que não adianta conseguir um “projetinho” e colocá-lo na mão de um pedreiro que não saberá interpretá-lo e complementá-lo com tudo o que uma obra atual e útil precisa.”

    Aqui entra também a sua equipe de confiança. Pedreiro, pintor, eletricista, encanador e outros necessários ao correto cumprimento do que está especificado em seu projeto. Isso deve ser repassado ao cliente também. Da mesma forma que ele não deve negociar o projeto por m², não deverá contratar estes profissionais pelo menor preço. Isso acarretará sérios problemas orçamentários e técnicos durante a execução do projeto. Os profissionais envolvidos devem ter a correta leitura e compreensão dos desenhos técnicos. Quanto mais baixo o valor cobrado, mais duvidosa é a qualidade final. E, com isso, mais pesada será a tua responsabilidade sobre as “cacas” alheias. Portanto, lembre-se também de defender com unhas e dentes a contratação de uma equipe capacitada tecnicamente.

    Isso entra na questão da responsabilidade técnica do projeto. Você é o responsável técnico pelo teu projeto e isso inclui a qualidade dos serviços prestados. Portanto, essa questão da indicação dos profissionais deve levar em consideração principalmente a qualidade dos serviços prestados pelos mesmos. Nesse ponto, para garantir-se, entregue ao cliente uma lista com os profissionais que você costuma trabalhar e tem confiança no trabalho por eles desenvolvidos. E também deixe bem claro que a sua responsabilidade vai até onde começa a do outro. Ele deve assinar o recebimento de uma cópia dessa lista (“de acordo”). Em seu contrato/proposta, deixe bem claro a entrega/recebimento dessa lista e o que ela quer dizer. Caso ele opte por um profissional fora dessa sua lista e que você desconheça o trabalho do mesmo, você estará garantido quanto à má qualidade dos serviços prestados.

    No entanto, você ainda assim continuará sendo o responsável técnico do projeto geral. Então a sua presença constante na obra para acompanhamento da execução se faz mais que imprescindível, nem que saia brigas entre você e o outro profissional. Você deverá ficar em cima e bater pesado quanto à correta execução do que está detalhado nos projetos e exigir a correta realização dos mesmos.  Desde um arame fino e enferrujado para fixar o gesso até a fixação porca dos revestimentos e pintura, tudo deve ser dentro dos teus padrões de qualidade e não da duvidosa do outro profissional.

    Esses problemas podem ocorrer porque muitos dos profissionais envolvidos simplesmente desconhecem quem somos nós, o que fazemos, etc. Para eles, não passamos de decoradores. Portanto você deverá deixar muito claro que domina/entende a área e questão e sabe como as coisas devem ser feitas, que é apto e capacitado para tal.

    Um aparte aqui: vida de obra é imprescindível exatamente por causa disso. Se você é um profissional de escritório/loja jamais vai entender a complexidade real de um projeto.

    É comum vermos profissionais que tem medo de deixar claro aos seus clientes a complexidade que envolve um projeto. Em suas cabeças ocorre que o cliente pode entender isso apenas como um fator que eleva o preço final – o que pode até ocorrer de fato – e que fatalmente poderá ocorrer a perda desse cliente. No entanto, como já venho colocando desde o início deste texto, a sua capacidade de argüição estará à prova e será através dela que você conseguirá contornar esses pormenores.

    Jamais caia no erro de “fazer uma plantinha” para quem quer que seja. Essa notícia é que nem erva daninha e se espalha rapidinho e aí você terá de conviver com comentários do tipo: “Ah, mas para fulana você fez baratinho aquele projeto” e por aí vai.

    “A desculpa é algo como “Ora, se eu não fizer, alguém vai fazê-lo… então é melhor eu mesmo fazer e ganhar uns troquinhos por aqui mesmo.””

    Errado. Absurdamente errado esse tipo de pensamento. Errado enquanto profissional e errado enquanto mercado. Como já coloquei antes da citação, você terá de arcar com o estigma de ser o profissional que cobra baratinho e faz “projetinhos da hora” e simplesinhos. Por outro lado, você estará contribuindo com a prostituição profissional. Prostituição essa que hora ou outra pode voltar-se contra você mesmo seja pela concorrência de outros prostitutos, seja por clientes/fornecedores conhecedores de sua “alma prostituta” enquanto profissional.

    Cada um é cada um e sabe onde o sapato lhe aperta. No entanto, essa atitude desesperada e até mesmo desastrosa contribui e muito para o desrespeito à nossa classe profissional. Daí a desvalorização e desrespeito enquanto profissionais pelas empresas, por profissionais de áreas correlatas, da mídia e dos próprios clientes.

    Nosso trabalho não é apenas lançar alguns meros rabiscos soltos sobre uma folha de papel e sim um complexo jogo de saberes, conhecimentos, competências e habilidades que farão com que o suado investimento do cliente não seja em vão. Que ele compre gato por lebre, como dizem.

    Para que as edificações tornem-se cada dia mais perfeitas, confortáveis, seguras e funcionais, deve-se ter profissionais realmente capacitados e habilitados para tal. Assim como engenheiros e arquitetos cuidam da parte estrutural e arquitetônica, devemos fazer coerente e corretamente a nossa parte. Devemos sim estar no lugar certo, com as armas certas. Portanto, a comunicação profissional x cliente deve ser o mais transparente e ética possível. E os documentos assinados, idem. Devem transparecer todo esse cuidado e respeito de um pelo outro.

  • Parem tudo, o caminho está errado…

    No último sábado me reuni com 4 juristas para debater sobre a questão da regulamentação, reconhecimento e os problemas que estamos enfrentando no mercado de trabalho.

    Segundo eles, o caminho que estamos trilhando está errado. Não vai adiantar absolutamente nada ficar tentando forçar um projeto de regulamentação do Design no Congresso nacional pois o mesmo não vai andar. Isso tem alguns motivos:

    1 – desconhecimento ela maioria dos congressistas do que é Design. Enquanto houver 1 único néscio lá dentro que confunda design com artesanato ou qualquer outra coisa, o projeto não vai andar.

    2 – Lobby contrário à nossa regulamentação também emperra os trâmites.

    3 – Não temos visibilidade e por isso mesmo, não só os congressistas, mas a população em geral desconhece o que é Design. Já DJ, astrólogo, peão de rodeio, profissionais do sexo… estão na ponta da língua de qualquer criança.
    Isso só para começar.

    No debate que tive com eles levantei vários pontos problemáticos já exaustivamente debatidos em tópicos e mais tópicos nos diversos fóruns. Estamos simplesmente dando murro em ponta de faca. O caminho deve ser outro.

    Pra começar, vou versar sobre o que me foi dito (confirmado na realidade) sobre os ataques de CREAs&cia contra os designers:

    ELES NÃO TEM ABSOLUTAMENTE PODER ALGUM SOBRE AS NOSSAS ÁREAS.

    Eles podem sim atuar e autuar engenheiros e arquitetos. De resto, não tem poder algum.

    A única possibilidade de interferência é no caso de algum profissional de design fizer alteração na parte estrutural de uma edificação sem a cobertura de um profissional legalmente apto para isso: engenheiro ou arquiteto. De resto, banana para eles.

    Como eles mesmos não nos aceitam em seu quadro de membros/associados, não adianta nada espernearem. Podemos sim colocar nossas placas de obras tranquilamente, assinar nossos projetos, etc pois, LEGALMENTE, fomos formados e habilitados para o exercício profissional.

    Podemos sim assinar nossos projetos sem a necessidade de um engenheiro ou arquiteto “nos cobrindo”.

    A questão levantada por um deles nesse ponto diz respeito à RESPONSABILIDADE TÉCNICA. Como, quando, onde, quem?

    Judicialmente, qualquer projeto tem de ter um responsável legal. Portanto, faz-se necessária a inserção de uma cláusula no contrato indicando um adendo de contrato específico sobre a responsabilidade técnica em cima do projeto. Este documento deve ser absolutamente claro e completo sobre a responsabilidade técnica do profissional.

    Outra alteração que deve ser feita é retirar dos contratos aquela última cláusula onde aparece “fica eleito o fórum da comarca de XXX…”. Esta cláusula compromissória deve ser alterada para uma indicando as Câmaras de Mediação e Arbitragem, pois estas não são viciadas como a justiça comum.

    A cláusula é esta:

    “As partes elegem o TRIBUNAL DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM DO PARANÁ, CÂMARA DE LONDRINA, como órgão do INSTITUTO JURÍDICO EMPRESARIAL, com sede na Avenida Bandeirantes, nº116, Londrina, Estado do Paraná, CEP:86.020-010, para solução de toda e qualquer dúvida ou controvérsia resultante do presente contrato ou a ele relacionado, de acordo com as normas de seus regulamentos, renunciando expressamente a qualquer outro foro por mais privilegiado ou especial que seja.”

    Aqui, é a que eu uso em meus contratos ja ha mais de 1 ano, utilizando a câmara aqui de Londrina.

    Para verificar onde tem uma câmara próxima de você, acesse o site do CONIMA.

    Aqui você encontrará as instituições sérias e vinculadas ao Ministério da Justiça.

    Isso é muito importante: vinculadas ao Ministério da Justiça!!!

    Outra questão é que no Brasil não existem árbitros e nem mediadores específicos em Design. Portanto, busquem as instituições que ofereçam o curso e FAÇAM!!! Além de defender o Design, você pode ganhar um $$ interessante com isso. Porém, isso é coisa séria e os mediadores e árbitros tem um código de ética bastante pesado e estão sujeitos à punições legais.

    A existência de Mediadores e árbitros específicos em Design faz-se necessária para que não corramos o risco de sermos julgados por um médico, secretária, administrador, arquitetos e outros que não entendem absolutamente nada sobre o que é Design realmente.
    .
    Ok, voltando à famigerada regulamentação… O caminho apontado por todos eles é o seguinte:

    Levar adiante a idéia do NBrDESIGN. Uma associação Nacional que congregue TODAS as áreas do Design. As outras associações continuarão a existir normalmente, porém será por esta associação única que serão ditados o código de ética, normas de atuação profissional, educacional, pesquisa, etc. Será através dessa associação que serão refeito os textos da CBO, alterações nas diretrizes do MEC, Receita Federal, Bancos, etc. E, como primeiro passo: o reconhecimento pelo congresso da existência da profissão de designer.

    Vejam bem, reconhecimento público não é regulamentação.

    Três detalhes importantes:

    1 – O MEC nos reconhece tanto que existem as diretrizes curriculares de formação profissional;

    2 – o Mnistério do Trabalho idem, pois constamos da CBO;

    3 – A Receita Federal também, pois se não sabem, para a declaração do IR existe no rol de profissões Desenhista Industrial (designer).

    Portanto, legalmente já estamos reconhecidos, só falta o reconhecimento público.

    Este reconhecimento implicará que os bancos e outros órgãos insiram em seus cadastros as profissões do Design. Implicará que os empresários nos cadastrem como designers e não como “assistente de alguma coisa”… entre várias outras coisas mais.

    Com isso, a regulamentação virá num processo natural.

    Com a globalização e os incontáveis tratados que ja vem sendo assinados ha anos pelo Brasil com outros países, acordos esses que incluem direta ou indiretamente o Design, uma associação única que represente os designers como um todo se faz urgente e o Congresso não terá como fugir da regulamentação.

    Ela não será uma auto-regulamentação como foi a dos publicitários, mas sim uma regulamentação forçada por necessidades comerciais, impostas pelas exigências internacionais.

    Então pessoas, é hora de voltarmos nosso foco para este caminho. É hora de unirmos todos os profissionais de todas as áreas do Design em torno de uma associação única que venha a fortalecer e dar visibilidade e credibilidade ao Design nacional.

    O resto, com o tempo se ajeita automaticamente.

    Bom, pode ter ficado meio truncado o texto acima, mas é que foram muitas informações numa paulada só… com o tempo vou me lembrando de mais algumas coisas e vou postando.

    Eles ficaram também de me enviar alguns materiais jurídicos e inclusive nos ajudar na elaboração do adendo sobre a responsabilidade técnica. Conforme as coisas forem chegando aqu para mim, vou postando-as.

    abs

  • Linha de produção

    Lá vem o marreteiro novamente…

    Um fato que tem me assustado bastante nesses últimos meses diz respeito à uma constatação que estou tendo na medida em que estou aprofundando o meu trabalho junto com uma de minhas sócias. Ela “só tem” mais de 25 anos de chão de fábrica e conhece como poucos o que isso quer dizer.

    Através dos inúmeros contatos que estamos tendo com profissionais (arquitetura, design e engenharia principalmente) e empresários e lojistas chegamos a uma triste constatação: OS PROFISSIONAIS – A GRANDE MAIORIA – DESCONHECEM COMPLETAMENTE O QUE É, PARA QUE SERVE E COMO FUNCIONA UMA LINHA DE PRODUÇÃO.

    O que temos percebido é que, no caso moveleiro, a idéia geral de uma linha de produção é igualada à produção de uma marcenaria de pequeno porte.

    Isso fica claro já desde os primeiros contatos em conversas informais. E depois a coisa se torna mais e mais assustadora na medida em que começamos e ver “projetos” de mobiliário desenvolvidos por profissionais.Aqui, especialmente, percebe-se claramente a absoluta falta de noção dos profissionais seja em questões de concepção, seja na parte mais técnica mesmo no que diz respeito a matéria prima.

    Os projetos – se é que se pode denomina-los assim – não passam de rabiscos e esboços. Não há indicação de corte, ferragens, montagem, encaixes… nada. Mais ou menos como aqueles desenhos que nossas professoras de educação artística nos pediam para fazer: uma cadeira. Perninha aqui, perninha ali, assento, encosto e voilá!!! Ah, e uma corzinha também.

    Até mesmo os materiais – quando são indicados – na maioria das vezes são incorretos ou inaplicáveis ao caso por questões diversas como por exemplo, estruturais.

    Não é entregue ao marceneiro nem ao menos uma planificação de chapas para corte e depois reclamam que os valores cobrados é absurdo. Claro que é. Se o marceneiro terá de fazer todo o projeto – incluindo aqui escolha de materiais, estudos estruturais e de montagem, planificação de corte, entre muitas outras coisas que vão além do trabalho dele que deveria ser construir o produto – é óbvio que o valor irá ser alto. Como se curva uma placa? Qual o processo? Precisa de máquina? Pra que eu preciso saber disso?

    Querem ver onde isso fica cristalino? Projetos montados dentro de lojas.

    Pessoas, qualquer um junta um punhado de coisas legais numa loja e consegue fazer sozinho uma decoração legal e vistosa. Isso é pura e simplesmente DECORAÇÃO. Não tem absolutamente nada a ver com DESIGN, com a área que escolhemos para trabalhar.

    O que será que esse pessoal está ensinando nos cursos por aí? Aqui incluo também os de arquitetura porém com a ressalva que eles não são formados para isso, portanto, a decoração lhes serve perfeitamente.

    Mas, formar-se em Design e vender decoração é forçar demais para qualquer pessoa com um mínimo de consciência. Formar-se em Arquitetura e vender decoração é um tremendo absurdo.

    Onde raios foi parar o que vocês aprenderam nos cursos? Ou será que só iam fazer turismo nas faculdades e universidades?

    Vocês não estudaram ergonomia, planejamento espacial, materiais, acabamentos, ferragens, desenho de mobiliário entre tantas outras coisas exatamente para não incorrer nessa falha vergonhosa?

    Vocês não pesquisaram absolutamente nada sobre linha de produção, indústria moveleira, fluxo, etc? Não tiveram nem ao menos curiosidade em querer conhecer um pouco sobre isso?

    Será que as únicas visitas que vocês fizeram até hoje foram a feiras e lojas? No máximo na marcenaria?

    Estou começando a acreditar que a resposta para essa ultima pergunta é sim. Infelizmente.

    Mesmo que tenha sido apenas na marcenaria, você se preocupa em acompanhar detalhes da montagem para ao enos entender como ela deve ser feita corretamente? Como os encaixes devem ser projetados? Você sabe dizer qual a melhor placa para ser usada em um banheiro? E o revestimento? Só existe a fórmica? Fala sério.

    Dias atrás, acompanhando uma amiga arquiteta de fora numa loja de iluminação daqui fui indagado por uma vendedora que me conhece do porque eu nunca comprar nada lá. Olhei para ela, olhei para as luminárias expostas e soltei, em outras palavras claro, que nunca comprei nada ali porque de tudo o que eles tem ali exposto, nada me serve para projeto. O lighting não visa o decorativo mas sim o técnico. Ela com os olhos arregalados me disse que nunca ouvira aquilo de profissional algum e que acreditava que os produtos por eles vendidos eram suficientes. Aí comecei a lançar algumas marcas para verificar se  ela tinha ali na loja. Das 10 citadas, nenhuma pois ela acha as peças “feias”. Questionei então sobre quais as marcas que ela trabalha dispõem de um atendimento para o caso de eu desenvolver uma peça para um projeto específico, me confeccionariam essa peça. Resposta: nenhuma. Falei que para o lighting não importa a luminária e sim o efeito que ela proporciona e que o nosso trabalho não é uma iluminação decorativa e sim algo com uma carga muito forte conceitual e um alto conhecimento técnico que vão muito além de lâmpadas, spots e dimmers. Ela não entendeu nada. Detalhe: ela é arquiteta formada.

    Outro dia fui a uma loja de móveis dar um oi para uma amiga que trabalha lá. Ela resolveu me mostrar a nova coleção. De cara já apontei um erro projetual numa estante. A dona da loja que é a designer dos produtos ouviu e veio “tirar satisfações” comigo alegando que eu sou abusado… Tentei explicar a ela qual era o erro e ela alegou saber exatamente o que fazia. Sugeri então que ela colocasse sobre a estante, nem que fosse uma fileira de livros para ver o resultado. Ela se recusou. Uns tres dias depois essa minha amiga me ligou dizendo que assim que eu saí da loja, a dona mandou colocar a fileira de livros lá em cima. Quando eles chegaram na loja, nesse dia da ligação, tudo estava no chão. E, claro, me chamando para ir lá pois a dona estava disposta a ouvir as minhas “dicas”. No entanto, no primeiro dia eu até poderia sim apontar onde estava o erro mas depois do que tive de ouvir, só o faria através de uma consultoria que envolveria, claro, custos. E o problema é algo simples demais que qualquer pessoa com um minimo de noção sobre mobiliário perceberia: trocar apoios para prateleiras por parafusos, ou seja, as placas que formam as prateleiras da estante deveriam ser parafusadas e não simplesmente apoiadas sobre descansos. Com o peso na parte superior, as laterais facilmente iriam se curvar para fora e com isso as prateleiras se soltariam dos apoios. Estas estando parafusadas evitaria esse problema pois entrariam como auxílio na parte estrutural.

    Portanto gente, vamos honrar o nome que carregamos com profissão e fazer por merecer quando abrimos nossas bocas para dizer: “Eu sou Designer”.

    O que temos aprendido em nossos cursos vai muito além do que está sendo feito por aí.

    Ou será que a preguiça fala mais alto?

  • Responsabilidade Técnica

    duvida

    Estou aqui novamente escrevendo sobre esse elemento bastante sério: a responsabilidade técnica.

    Esse é o rincipal argumento daqueles que tentam barrar a nossa atuação profissional: não termos um órgão fiscalizador, que regulamente a nossa atuação profissional e consequentemente fique responsável pela liberação das ARTs.

    Claro que não temos, afinal AINDA não somos regulamentados, encontramos forte resistência nesse sentido e todos sabem muito bem o porquê da resistência e de onde vem esta resistência, mas isso é outro assunto. Meu foco neste post não é esse. Aqui quero escrever sobre a Responsabilidade Técnica em projetos de Design de Interiores/Ambientes.

    A imagem acima mostra de forma bem humorada a cara que muitos profissionais devem fazer quando questionados sobre isso. O problema todo já começa nos cursos. Poucos são aqueles que oferecem uma disciplina específica sobre contratos e documentos e mais poucos ainda que ofereçam um professor da área jurídica para tal. Com isso, a grande maioria dos profissionais sentem-se perdidos com relação a documentação envolvida em um atendimento a cliente.

    Bom, vamos ao que interessa. Em meu contrato padrão para Interiores/Ambientes utilizo as seguintes colocações:

    “Constituem obrigações do CONTRATADO:

    05.01. Indicar e mediar a contratação de todo o pessoal necessário a execução dos serviços objeto deste contrato: pedreiros, instaladores, gesseiros, marceneiros, serralheiro e fornecedores.

    05.02. Responder perante o CONTRATANTE, pela execução e entrega dos objetos da Cláusula 02.

    05.03. Assumir, na qualidade de autoria, a responsabilidade  técnica  pelas especificações feitas, atendendo  prontamente  às  exigências, modificações e  esclarecimentos que forem necessários bem como intermediar as partes fornecedor/cliente quando houver algum problema.

    05.04. Fornecer um CD com as plantas, detalhes relativos ao desenvolvimento do projeto e memorial descritivo ao CONTRATANTE.

    05.05. Coordenar e dar orientação geral nos projetos complementares ao projeto de Design de Ambientes, tais como indicações de alterações nas instalações elétricas e telefônicas, arquitetura, instalações hidráulicas e outros, podendo, a pedido do CONTRATANTE, indicar  profissionais  legalmente habilitados para sua execução.

    05.06. O CONTRATADO deve elaborar os projetos objetivados no presente contrato, em obediência às normas e especificações técnicas vigentes, responsabilizando-se pelos serviços prestados, na forma da legislação em vigor.

    (…)

    07.06. O CONTRATADO não se responsabiliza por alterações ocorridas durante a obra que estiverem em desacordo com os serviços por ele executados ou alterações solicitadas pelo CONTRATANTE que estiverem em desacordo com a legislação em vigor.”

    Está completo? Não e sei que ainda faltam alguns dados complementares e maior especificidade sobre a responsabilidade técnica. Por isso mesmo esse meu contrato está, depois de passar pela análise de 4 advogados, nas mãos de um jurista que o está fechando.

    Fechamento definitivo? Não, muito provavelmente. Analisando a parte de responsabilidades minhas temos:

    05.02 – Aqui, asseguro ao cliente que sou responsável por todo o escopo descrito na referida cláusula. Tudo o que for de minha responsabilidade ser feito dentro do projeto deverá estar especificado lá na cláusula 02. Vejamos uma Cláusula 02 básica:

    “02. DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS:

    Os serviços a serem executados pelo CONTRATADO, consistem no desenvolvimento completo do projeto de DESIGN DE AMBIENTES composto de dados concepcionais apresentados em escala adequada à  perfeita compreensão dos elementos nele contidos:
    02.01. Estudo Preliminar – Brieffing, estudos preparatórios, relatórios, desenhos esquemáticos, e demais documentos em que se demonstra a compreensão do problema e a definição dos critérios e diretrizes conceituais para o desenvolvimento do trabalho;
    02.02. Projeto Conceitual – desenhos de lançamento das propostas anunciadas no Estudo Preliminar, acompanhadas de cálculos e demais instrumentos de demonstração das propostas apresentadas no projeto; inclui-se instruções a serem encaminhadas aos responsáveis pelos projetos de instalação elétrica, ar condicionado e automação, como a indicação da composição dos comandos e modo de operação dos mesmos, que evidenciem as diferentes possibilidades de uso dos sistemas propostos; compreende também a compatibilização, atividade em que se justapõem as informações técnicas e as necessidades físicas relativas às determinações do projeto de Design de Ambientes e as decorrentes dos demais projetos integrantes do trabalho global (arquitetura, estrutura, instalações elétricas e telefônicas, hidráulicas, de ar condicionado, de sonorização e sprinklers, interiores e exteriores, paisagismo, etc), com a finalidade de garantir a coexistência física e técnica indispensável ao perfeito andamento da execução do projeto;
    02.03. Projeto Executivo – concretização das idéias propostas no Projeto Conceitual devidamente compatibilizadas a partir da integração do projeto de Ambientes com todos os sistemas prediais envolvidos no trabalho. Inclui-se as informações técnicas pertinentes à correta integração dos ambientes e demais equipamentos aos detalhes da arquitetura, bem como os dados do equipamento especificado, para a concretização dos conceitos estabelecidos no projeto. Os desenhos referentes móveis, equipamentos, revestimentos, materiais e acabamentos deverão ser inseridos no Projeto Executivo ou complemento deste (Memorial Descritivo), para que haja perfeita compreensão das dimensões físicas e da forma de instalação dos mesmos no edifício. O detalhamento de móveis e acessórios especiais serão considerados serviços extraordinários;
    Parágrafo único: os desenhos serão apresentados em escala.
    02.04. Supervisão Técnica – atividade de acompanhamento da execução das obras do edifício ou empreendimento, para constatação da correta execução de suas determinações e apresentação de modificações ou adaptações tecnicamente convenientes, quando necessário e pertinente. Não ficam acordadas visitas técnicas à obra durante o andamento da construção do edifício. As visitas necessárias durante a fase de acabamento serão acordadas em instrumento à parte posteriormente.”

    Percebam um fato importante: o que é pertinente à nossa área eu e responsabilizo, o que não é, fica sob a responsabilidade do profissional parceiro contratado para execução da tarefa/projeto. Por exemplo: preciso derrubar uma parede para melhorar e ampliar um determinado espaço. À priori, ja sei que esta pode ser derrubada sem problemas mas, para evitar problemas até mesmo com fiscalizações e denúncias vazias – uma vez que o CREA não pode atuar sobre a nossa área pois o mesmo não nos aceita – busco então profissionais parceiros para a execução destes complementares. Estrutural, hidráulico, elétrico, ar condicionado são complementares que devemos sim contar com a participação desses parceiros.

    Isso não tem absolutamente nada a ver com medo da fiscalização ou denúncia de “profissionais” melindrosos, mas sim com a questão que sempre bati nos debates: nosso foco não é a estrutura, elétrica, encanamentos, etc e sim a melhoria dos espaços para o habitar visando o conforto e bem estar do usuário.

    Então vamos às nossas responsabilidades. Se você é um profissional que trabalha com mobiliario industrializado, antes de especificar algo tenha certeza da qualidade do mesmo. É muito chato você especificar uma cadeira e poucos meses depois ela começar  a apresentar problemas.

    Por isso mesmo, nas obrigações do contratado (EU) tem o item 05.03. Podem pensar que não, mas nós profissionais temos sim um certo peso junto à industria e lojas. Eles não querem saber de alguém “falando mal” dos produtos deles por aí. E fatalmente isso vai acontecer, não digo exatamente falar mal, mas por vezes somos obrigados a colocar para novos clientes que “essa loja eu não gosto pois já tive problemas com os produtos dela que não foram resolvidos”. Por isso é muito importante que você conheça profundamente os produtos de seus fornecedores.

    Um exemplo: estou atualmente com problemas relativos a uma cama de casal estilo BOX (nao citarei a marca por motivos óbvios – por hora). O fato é que o BOX cedeu nos pés bem no meio, onde há uma junção da trava central. O cliente sentou-se ali para colocar um DVD e a estrutura cedeu. A empresa alegou em primeira instância que foi “mau uso” e que não seria trocado o BOX apesar de ter menos de um ano de adquirido e a garantia ser de 5 anos. Fui até a casa de meu cliente, abri o revestimento e constatei a emenda (que minimiza a resistência na área). Fotografei e enviei as fotos junto com um laudo técnico dentro de meus conhecimentos sobre produtos apontando os erros projetuais e possíveis meios de evitar que novos clientes venham a sofrer com o mesmo problema. O discurso da empresa já mudou drasticamente depois desse laudo. Estão enviando um técnico para constatar o problema e já adiantaram que farão a troca do BOX.

    Ok, mas aí podem alegar que isso é bobagem esse tipo de coisa. Eu não acho bobagem afinal busco sempre o melhor e qualidade em meus projetos e isso implica em produtos com alta qualidade, afinal é o investimento de meu cliente e o meu nome profissional.

    Vamos então à questões mais sérias.

    Especificação de pisos é um caso sério, por exemplo. O que dizer daquele piso liso que foi colocado na varanda onde pega chuva? Pois é minha gente, esse é um problema de quem especificou um produto inadequado para o espaço. Imagine se nessa casa tem idosos ou crianças… A probabilidade de acidentes é muito grande.

    Então, entra aqui a minha responsabilidade em conhecer sim todas as caracteristicas e aplicações do piso para evitar esse tipo de erro e suas consequências. Se o cliente quiser – e ele tem direito – pode me acionar na justiça e eu ter de indenizá-lo.

    Digamos que eu especifique um projetor de piso na área da piscina com uma lâmpada PAR (que esquenta pacas) e vem alguém e pisa descalço em cima. É queimadura na certa e dor de cabeça pra mim.

    E sim, eu tenho de responder por esse tipo de dano afinal de contas quem especificou indevidamente o produto fui eu.

    E o resto? Estrutural, elétrico, hidráulico e outros complementares?

    Aí a responsabilidade é do profissional parceiro que executou o serviço. Eu tenho sim é que fazer a mediação entre cliente e o profissional.

    Com o tempo vou postar mais sobre esse assunto. Este post foi apenas um começo já que muitas pessoas tem me questionado sobre isso.

    Espero ter clareado um pouco esse assunto de extrema importância para a nossa prática profissional.

  • Jornal da Energia

    Para aqueles que como eu adoram manter-se informados, uma excelente dica: O Jornal da Energia.

    Um espaço muito bem montado onde você encontrará as novidades e últimas notícias sobre o mundo da Energia:

    Notícias

    * Geração
    * Hidrelétrica
    * Nuclear
    * Biomassa
    * Óleo e Gás
    * Solar
    * Eólica
    * PCH
    * Transmissão
    * Distribuição
    * Comercialização
    * Regulação
    * Indústria
    * Meio Ambiente
    * Economia & Política

    Serviços

    * Associações
    * Agenda
    * Entrevistas
    * Artigos
    * Revista GTD Online

    Muito interesante a proposta deste site.

    Vale a pena a visita e ficar por alguns momentos diários vasculhando o que tem lá dentro.

  • Como Cães e Gatos…

    Ja ha algum tempo quero postar algo sobre este assunto pois sou apaixonado por cães. Tenho duas meninas lindas aqui em meu apartamento. São da raça Schnauzer. Maggye com quase 4 anos e Leeloo – filha da Maggye – com quase 2 anos.

    É bastante comum encontrarmos clientes que possuem cães, gatos ou outros pets e isso deve ser levado em consideração na hora de projetar.

    Não vou escrever sobre as dicas de cuidados com os cães como passeios e outras coisas mas sim, quero me ater à parte prática do dia a dia para o relacionamento homem x cão. Vou escrever sobre cães, mas as dicas podem ser usadas também para gatos e outros pets.

    A partir do momento em que você descobre que seu cliente tem ou pensa em ter um cão, este deverá fazer parte do brieffing. Incluem-se aqui as características gerais do cão como raça, tamanho, adestramento, obediência, comportamento, higiene, idade, etc. Com estes dados você vai perceber que todo o projeto deverá ser trabalhado levando em consideração também o cão.

    Se o cão tem um temperamento normal, quieto, brincalhão. Se a raça derruba muitos pêlos. Se a raça tem cheiro. Se tem aquela “baba” caracteristica de algumas raças. Se o cachorro fica muito tempo sozinho em casa ele poder ser um “destruidor” de coisas. Não por maldade. Isso ocorre porque os cachorros são muito ativos e curiosos e precisam ocupar-se com alguma atividade. Se não encontram brinquedos, tratam rapidamente de encontrar algum em algum lugar. E é aí que começam os problemas e perigos.

    Armários devem ser todos com portas e com fechamento seguro que o cão não consiga abri-los. Eles são curiosos e xeretas, adoram explorar os espaços. Basta um saco de plástico fazer algum barulho dentro de um armário que eles já começarão a rodear, cheirar tentando descobrir o que pode ser aquele barulho. Digamos que esse cão consiga abrir o armário e o saco plástico é de sabão em pó. Você imaginou a bagunça que isso iria virar não é mesmo? Porém, isso pode afetar a saúde do cão também. Pois ele vai rasgar o pacote, espalhar o conteúdo e nessas ações, acabará por inalar e engolir parte dessa química toda. Todos os produtos para limpeza são potencialmente tóxicos e podem levar à morte.

    O faro deles é muito desenvolvido e o que passa despercebido por uma criança, para eles não. O faro deles é seletivo e com isso conseguem perceber os odores separadamente. Digamos que você jogou no lixo um resto de um refogado com repolho, cebola, alho, carne, cenoura e condimentos. Ele consegue detectar cada um desses odores separadamente ao contrário de nós que sentimos apenas o odor do “bouquet” – o aroma da mistura toda. Certamente a carne vai chamar a atenção dele e ele irá procurar onde está e, encontrando, fazer a bagunça. E nesta bagunça pode acabar encontrando alguma outra coisa dentro do lixo que pode vir a fazer muito mal a ele. Lixeiras sempre com tampas com travas anti-patinhas!

    Alem desses problemas, temos de tomar muito cuidado com as nossas comidas e guloseimas. Cães não se dão bem com açúcares e gorduras. Portanto, chocolates e doces devem ser guardados fora do alcance das patas. Assim como outras comidas. Apenas 85g de chocolate pode levar um cão de 8kg à morte. As nozes também são perigosas aos cães por seu excesso de gorduras. Para cães, apenas ração e guloseimas apropriadas, próprias para eles.

    Outra coisa muito perigosa são os nossos remédios e venenos. As pílulas ao caírem no chão acabam fazendo barulho e rolando ou pulando. Na tem coisa melhor para chamar a atenção deles. E, engolida pode causar sérios problemas ao cão e até mesmo leva-lo à morte. Já os venenos, especialmente as iscas, chamam a atenção do animal por causa do cheiro. Remédios e venenos, sempre muito bem acondicionados e também fora do alcance das patas e bocas!

    Portanto, todo projeto para clientes que possuem cães devem ser pensados em eliminar estes riscos. Produtos sempre no alto, fora do alcance das patas. Parece que estou escrevendo sobre crianças não é mesmo?

    Por falar em crianças, temos de tomar cuidados também com as instalações elétricas. Muitos cães gostam de roer coisas – na falta de brinquedos próprios. E dentre as coisas que eles podem vir a roer estão os fios de equipamentos. Além do choque que pode ou não ser letal, tem todo o gasto com o conserto do equipamento.

    Por falar em roer, haja quinas de móveis, sapatos, vassouras e outros objetos para cães que não tem seus brinquedinhos. Portanto, pense muito bem e planeje muito bem mobiliário e espaços para guardar estes objetos. Sapatos expostos e ao alcance, nem pensar. Vassouras, rodinhos e pás ao alcance? Idem. Desenvolva o mobiliário de forma a evitar que o cão consiga fuçar dentro dos armários.

    Outro ponto a ser observado são as quinas de móveis. A minha pequena Leeloo é super brincalhona e vira e mexe está correndo pela casa com seus brinquedinhos. Tive de eliminar todas as quinas pois ela acabou se machucando duas vezes em meio às brincadeiras. Já no caso de estofados e camas do tipo box, procure desenvolver algum elemento que sirva para descanso dos pés dos usuários mas que também sirvam como um degrau para diminuir o impacto nos saltos para subir ou descer.

    Já os pisos são bastante problemáticos para os cães. Por suas características lisas e escorregadias acabam por fazer o animal forçar excessivamente as musculaturas das pernas e patas levando a tendinites. Pisos menos lisos e tapetes são essenciais para diminuir este tipo de problema.

    Já para a escolha dos tecidos para revestir os moveis busque aqueles que evitam que coisas fiquem grudadas ou acabem penetrando na trama e também aqueles com tratamento anti-manchas.. Pêlos e migalhas de guloseimas comumente grudam nos tecidos.

    Plantas também podem ser letais para nossos amigões. E é comum à raça canina comerem plantas – ajuda no aparelho digestivo, especialmente a grama. Mas várias outras plantas contém substâncias tóxicas. Então, analise muito bem as plantas de seus clientes à procura das tóxicas e, na impossibilidade de troca-las por outras, coloque-as sempre no alto, fora do alcance da boca deles.

    Se for uma residência e houver jardim, busque formas de afastar o cão das plantas. Hoje existem equipamentos próprios para isso como cercados. Caso não deseje inserir estes cercados, assim como as plantas internas, procure afastar do alcance da boca deles estas colocando-as em locais altos.

    Plantas venenosas:
    Caule e folhas: comigo-ninguém-pode, filodendro, caládio, inhame, azaléias, holly berries, hortênsias, ligustro, alfenas, espirradeira, hera, jasmim e glicínia.
    Bulbos: narcisos, junquilhos, jacintos e íris são venenosos também. , bem como.

    Onde montar a casinha do cão?

    Se seu cliente mora em um apartamento, o ideal é utilizar a área de serviços para servir de banheiro e refeitório. Porém atente-se para o fato de que nenhum animal come e faz suas necessidades no mesmo espaço. Uma coisa num canto e a outra no outro. Atente-se também para definir a área de banheiro próxima do ralo da área de serviços para facilitar a limpeza.

    Já a caminha vai depender do cão e dos donos. Existem raças que são muito grudadas aos donos e acabam por dormir ou no mesmo cômodo ou próximo a eles. Na verdade, os cães – como chefes de matilha – tem de ter a sua no seu campo de visão para garantir a segurança do grupo.

    Se seu cliente mora em uma residência, o local ideal para colocar a casinha tem de ter sombra, ser fresco. Sombra no verão e ser protegido no inverno. Pode-se optar por uma casinha ou mandar fazer um canil. Em ambos os casos, procure levantar um pouco a área de dormir do chão pois isso garante isolamento extra e maior conforto ao animal.
    Em qualquer um dos casos, preste muita atenção ns dimensões do cão. A casinha ideal tem de ter espaço para que ele fique em pé, estique-se, vire, role e ande dentro da casinha.

    Os cães necessitam do sol assim como nós seres humanos. Então procure sempre – no caso de apartamentos – deixar uma área ventilada e onde o sol incida direto para que ele possa tomar seus banhos de sol tranquilamente. Isso vai te fazer pensar inclusive sobre isolamentos para pó caso de chuvas.

    Faz-se necessário também pensar num espaço para cuidados com o cão. Muitas raças necessitam de escovação e outros cuidados diários/semanais e pensar esta questão é fundamental para isso. Em apartamentos, procure projetar uma bancada na área de serviços que atenda às necessidades do espaço e também sirva para isso.

    Estas são apenas algumas dicas e cuidados básicos que devemos considerar mas existem muitas outras ainda. Então, assim como prestamos muita atenção em nossos clientes na hora do briefing, devemos inserir o cão como membro da família e brifa-lo também.

    O amigão de seu cliente merece também carinho e conforto.

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    Agradeço primeiramente a Deus por me fazer um ser pensante, crítico, analítico.

    Agradeço a todos que acreditam e valorizam o meu trabalho.

    Agradeço aos meus amigos pela força.

    Agradeço a todos vocês leitores e visitantes, que são a razão da existência deste espaço.

    Muito obrigado!

    Muita luz a todos vocês!

    Paulo Oliveira

  • PHILIPS – Cursos 2009

    A Philips disponibilizou a agenda para o segundo semestre de 2009 de cursos de Iluminação.

    Confira a agenda:

    CURSOS PRESENCIAIS:

    Setembro/ 2009
    Data
    01 Princípios Básicos de Iluminação 120,00
    02 Iluminação de Escritórios – Conceitos e Tecnologias 120,00
    15 Cálculos e Projetos – Método dos Lúmens 120,00
    16 LED – Tecnologia, Produtos e Aplicações 120,00
    17 Iluminação Residencial 120,00

    Outubro/ 2009
    Data
    06 Princípios Básicos de Iluminação 120,00
    07 LED – Tecnologia, Produtos e Aplicações 120,00
    27 Princípios Básicos de Iluminação 120,00
    28 Iluminação de Lojas – Conceitos e Tecnologias 120,00

    Novembro/ 2009
    Data
    11 Princípios Básicos de Iluminação 120,00
    18 LED – Tecnologia, Produtos e Aplicações 120,00
    19 Iluminação Residencial 120,00

    Dezembro/ 2009
    Data
    01 Princípios Básicos de Iluminação 120,00
    02 LED – Tecnologia, Produtos e Aplicações 120,00

    CURSOS ONLINE:

    SISTEMAS DE ILUMINAÇÃO – TECNOLOGIAS E APLICAÇÕES – grátis
    CÁLCULOS E PROJETOS – MÉTODOS DOS LÚMENS – 60.00
    A QUALIDADE DE ILUMINAÇÃO EM ESCRITÓRIOS – 60.00
    A Qualidade de Iluminação em Indústrias – 60.00

    CONTATOS E MAIORES INFORMAÇÕES:

    Localização do LAC em São Paulo:

    Rua Verbo Divino, 1400 – Chacara Sto. Antonio

    Maiores informações: clique aqui

    Fale com o LAC: clique aqui

  • Manipulação!!!!

    Calma!

    Fiquem tranquilos que não é mais uma cacetada em alguma associação ou coisa do gênero rsrsrsr

    A manipulação à qual me refiro no título deste post diz respeito à prática profissional. Na verdade, à falta desta por muitos profissionais.

    Como é comum encontrar profissionais tentando e tentando e tentando (…) atingir aquele efeito maravilhoso e não conseguem. É um tal de levanta/derruba, constrói/derruba, monta/desmonta que parece nunca ter fim.

    Seja no desenvolvimento de um produto, numa textura de uma parede, num efeito de luz ou em vãrias outras aplicações, na realidade o que falta aos profissionais é uma simples palavra: MANIPULAÇÃO!

    Manipular o que se idealiza/projeta/(argh) copia (argh) não deve ficar apenas na manipulação de papéis, lapiseiras, réguas ou mouse. De nada vai adiantar você fazer um belo desenho se desconhece como aquele material funciona na prática. Var dar errado certamente. O efeito jamais será o desejado/idealizado.

    Essa manipulação já deve começar na parte teórica, na fase de pesquisas onde você terá de conhecer – e muito bem – os materiais selecionados. Não basta apenas olhar para uma chapa de MDF revestida com BP Rovere, acha-la linda e especificar em seu projeto. Você tem de conhecer as características físico-mecânicas  destes materiais para ter a certeza de que são os ideais para o projeto.

    DoS materiaIS? Sim pois na chapa citada acima temos dois materiais básicos: a chapa de MDF e o BP que é o papel que dará a cor/textura. Mas além destes tem a cola usada para fixar o BP na chapa, a resina impregnante/isolante/acabamento…

    Você sabe diferenciar a ferragem ideal para ser aplicada numa chapa de MDP? E para uma chapa de MDF? Por falar em chapas, você sabe o que é um tamburato e para que e como pode ser aplicado?

    E se eu colocar três imagens aqui agora, você saberá dizer qual é qual rapidamente sem precisar pensar?

    Consegue identificar qual é qual?

    Pois é, assim vamos nos debatendo diariamente na elaboração dos projetos e o desconhecimento de elementos básicos como este acabam por nos forçar a usar sempre o mesmo, do mesmo modo que todo mundo e tudo fica maravilhosamente IGUAL.

    Um outro elemento importantíssimo disso é que a maioria dos profissionais amarra-se à lojas e se esquecem das fábricas. Porém é exatamente na industria de matérias primas que estão as informações fundamentais sobre os produtos. Isso sem contar que indo diretamente às fábricas você irá conhecer materiais que não estão no mercado porque o responsável pelo departamento de design da loja/grife X não gostou daquela cor, daquela textura, daquela forma, etc. E assim, muita coisa excelente fica de fora sendo utilizado apenas por poucos profissionais antenados na indústria.

    Essa manipulação (pegar, apalpar, torcer, entortar, quebrar, virar, etc) deve estar presente no dia a dia profissional de todos nós com relação a todos os materiais que utilizamos. Claro que não vamos ser loucos de quebrar ou torcer uma ferragem Roca – a não ser que teu bolso te possibilite uma excentricidade dessas.

    É assim que conseguimos atingir se não a perfeição – pois nao acredito em perfeição em projetos de arquitetura/design – ao menos um padrão de excelência.

    De início de carreira já forrei um sofácom um tecido onde tive a garantia da dona da loja (boa e reconhecida de outra cidade) de que ele aguentaria tranquilamente o fluxo da sala de espera de uma clínica. Menos de dois meses depois o tecido estava esgarçando todo. Má aplicação? Não! Tecido inadequado. Os erros? Simples: não fui beber água da fonte (indústria) e acreditei no conto da carochinha (loja). Depois dessa aprendi. Não compro tecido algum sem saber quem é o fabricante, entrar em contato e esgotar todas as minhas dúvidas técnicas/físicas sobre o tecido.

    Repito:

    ESSES CUIDADOS DEVEMOS TER COM ABSOLUTAMENTE TODOS OS ELEMENTOS DO PROJETO.

    Para não me estender demais, vamos às texturas junto com o lighting.

    Belíssimo trabalho o da imagem acima. Muitos devem estar pensando: Nossa é isso que eu queria para aquela parede, vou aplicar já no projeto.

    Tudo bem, faça como quiser. Mas se o resultado não ficar bom não venha chorar em meu ombro depois.

    Novamente pergunto: você sabe que material foi usado na parede para criar estas “ondas”? Como ele é aplicado? Pinta-se depois ou antes da aplicação? Pode ser lavado? Como é feita a limpeza? É poroso, junta pó?

    “Ah, mas eu apliquei o material e não consegui este efeito…” (carinha fazendo beicinho)

    Claro que não! Não temos apenas o revestimento da parede “trabalhando” aqui na imagem. Você chegou a perceber a iluminação? Sabe quais equipamentos (luminárias, lâmpadas, etc) foram utilizados? Você sabe dizer se o projeto acima é de lighting ou de iluminação? Você sabe dizer a abertura dos fachos das lâmpadas e outras características mais dela para se conseguir este efeito?

    “Poxa, eu fiz uns painéis estilo os da imagem acima no teto e eles estão cedendoe a iluminação não ficou bonita assim…” (novamente fazendo beicinho)

    Novamente: que material você usou? Você especificou e detalhou corretamente, de acordo com as especificações físico/mecânicas do material, o projeto? O marceneiro fez exatamente o que você projetou ou aplicou as famosas “gambiarras”? Você acompanhou a instalação para saber se ele aplicou ou não as gambiarras?

    “Sim estava tudo perfeito…” (com carinha de arrogante)

    Se estava perfeito não teria porque estar com risco de ceder e cair.

    Quanto à luz… Você alguma vez já manipulou a lampada e os equipamentos utilizados para sancas? Já brincou com esses materiais para perceber, na pratica, como funcionam e como os efeitos são atingidos? Você já ficou no chão da obra acompanhando a instalação dos sistemas de iluminação? Você tem o costume de fazer a afinação da iluminação?

    “Sim, sim, sim, sim… (já com cara de irritado) Sempre faço isso de dia quando passo na obra…”

    AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH

    Meus pêsames! Nem peço desculpas pela estrondosa gargalhada.

    Luz instala-se de dia e testa-se e afina-se de noite.

    Sim DE NOITE!

    Continuando assim, é claro que nunca você irá conseguir atingir os efeitos tão desejados!

    “Ah, mas os projetos estão perfeitos, dentro das normas e especificações, tudo milimetricamente planejado e traçado…” (sem perder a arrogância,ainda…)

    Aqui é que está o ponto X.

    Não existe projeto no papel que fique perfeito no final da execução sem necessitar de ajustes “in loco”.

    Para tanto, é preciso siim sujar a sapatilha ou o Nike novinho com cimento, terra, gesso, tinta…

    É preciso levar choques, escorregar numa tábua de passagem, pagar micos na frente dos pedreiros, eletricistas, pintores, gesseiros, etc…

    É preciso ter a experiência da vivência de obra, do dia a dia da obra, da manipulação dos materiais da obra…

    É preciso saber que, na prática, pouco sabemos do que pode vir a acontecer. Todos estamos sujeitos a erros e acertos, Mas quando os erros aparecem, sempre é bom você já ter noção de como corrigi-los rapidamente.

    E isso só acontece quando o profissional tem a experiência da manipulação dos materiais.

    Pensem nisso com carinho e excelentes projetos daqui pra frente!

  • Manual do Usuário – precisa disso?

    Já há algum tempo venho analisando e percebendo algumas dificuldades de clientes meus e de outros profissionais das áreas de Interiores e Lighting em entender e saber como funcionam alguns elementos do projeto.

    Depois de ler um artigo postado pelo Jonas no blog http://www.design.com.br, em meu comentário sobre o mesmo, já demonstrei e deixei pendente algo sobre o assunto voltado especificamente para estes projetos.

    Muito podem alegar que é uma piração ou exagero do profissional propor-se a fazer um manual de instruções/uso sobre estes elementos. Pois bem, eu digo que não é não, especialmente nos dias de hoje em que a tecnologia nos coloca dia a dia frente a inovações.

    Fico pensando em como irá se comportar um de meus clientes que estou finalizando seu projeto diante de alguns detalhes como: eletros de cozinha novos de última geração, lâmpadas e equipamentos de iluminação complexos (ex: LEDs RGB e sua parafernália), revestimentos extras (tecidos ou palha em paredes, por exemplo), pisos entre muitas outras coisas.

    Quando o cliente recebe a “chave de volta” ele está inebriado por causa das novidades, da beleza, do cheiro do novo enfim, encontra-se absorto num mundo utópico de perfeição. Até precisar clicar em algum botão.

    Pronto, aí começam as brigas do cliente com o projeto.

    Como entender os interruptores paralelos? Qual está paralelo com qual e porquê, pra quê?

    E as persianas automáticas ou não, como usa-las corretamente? Como fazer a limpeza das mesmas?

    Da mesma maneira, tem aquela parafernália de luzes, spots, pendentes, reatores, controladores… A lâmpada queimou! Ah, vou colocar essa que tem aqui – porém não atenta se a lâmpada serve para aquele circuito, se vai sobrecarregar a rede. Isso sem contar o transtorno até ele descobrir como soltar aquele spot embutido sem arrebentar com o gesso e o próprio spot.

    Ainda dentro da parte de light, hoje em dia não se aplica mais uma iluminação única para um ambiente. Nos projetos é comum encontrarmos 3, 4 ou até mais sistemas independentes que podem ser usados individualmente ou agrupados, mas nunca TODOS de uma só vez. Além do excesso de luz que causará desconforto, temos também a questão da conservação de energia elétrica (meio ambiente) e o bolso dele no final do mês com a conta que virá bem alta.

    Dentro da parte de equipamentos, encontramos uma infinidade destes que tem suas características distintas e únicas seja no manuseio diário, seja na manutenção.

    Passe uma esponja de aço numa torneira cromada pra você ver o que vai te sobrar.

    Limpe uma geladeira ou fogão com produtos abrasivos (ex: veja) pra ver o estrago.

    Estes são apenas alguns exemplos bem básicos. Portanto vamos destrinchar algumas áreas:

    ILUMINAÇÃO:
    – Lâmpadas:
    Num projeto existem diversos tipos de lâmpadas que, obviamente, o cliente desconhece suas características. Portanto, nada melhor que ele receber em seu manual do usuário informações importantes para que o projeto luminotécnico não acabe por ser descaracterizado ou até mesmo destruído por falta destas.
    Quais informações devemos colocar sobre as lâmpadas e como fazer isso? Primeiramente devemos dividir as informações por cômodos e detalhar como por exemplo:

    Estar/Living:
    Sistema 1 (abajoures): lâmpadas fluorescentes compactas 16W, 120V, 2800K, preferencialmente todas da mesma marca/lote “X”. Tipo/marca/modelo do abajour. Características das cúpulas, etc.
    Sistema 2 (sanca RGB): barra LED RGB, marca “X”, seguir instruções do manual em anexo. Para os controladores fazer a mesma coisa: uma instrução básica (guia rápido) e anexar o manual técnico ao final do Manual do usuário.
    Sistema 3 (geral): modelo/marca dos spots, explicar basicamente a fixação, cuidados com limpeza, se há ou não reatores/transformadores, etc.
    Interruptores: caso existam interruptores de ultima geração, especificar quais são (localização) e explicar suas características e funcionalidades especiais.

    E assim por diante até fechar todos os sistemas que compõem o ambiente.

    PISOS:
    – Porcelanatos:
    Explicar como deve ser realizado os trabalhos de limpeza e manutenção dos mesmos. Existem peças porosas que podem vir a manchar caso seja derramado sobre as mesmas algum produto/pigmento. Já outras peças não correm este risco, porém se forem utilizados produtos abrasivos os mesmos podem acabar com riscos, perda de brilho entre vários outros problemas. Alguns vem com uma “capa” antiderrapante que também pode acabar sendo removida por causa do uso constante de produtos químicos.
    Nos sites dos fabricantes geralmente estão disponibilizados arquivos em PDF com estas informações. Busque-os e os anexe ao final do Manual.

    REVESTIMENTOS:
    Tecidos, lâminas, BP, melamínicos, vinil, palhas e outros naturais/rusticos, enfim. São muitos produtos que utilizamos nos revestimentos dentro de um projeto. Assim como os pisos, estes materiais também tem suas características próprias que merecem atenção.

    Especialmente os tecidos, os naturais e papéis de parede. Cada tecido tem sua característica, forma de lavar, produtos que devem ser evitados, se podem ou não ser passados, etc. Os clientes geralmente desconhecem estas informações.
    Portanto lembre-se de detalhar nesta parte cada revestimento especificando as suas características e cuidados.

    EQUIPAMENTOS:
    Não existe coisa mais chata que você chegar à frente de um aparelho eletrônico e ficar um tempão tentando adivinhar como fazê-lo funcionar.
    Estes equipamentos vem de fábrica com seus manuais de instruções. Porém você pode inserir dicas rápidas sobre uso/manutenção dos mesmos – ou no manual ou destacando aqui.

    Um problema muito sério é com relação à limpeza dos mesmos. Vemos constantemente geladeiras riscadas (arranhadas), peças de metal idem. Os cuidados devem ser destacados. Existem na web inúmeras informações e dicas sobre como evitar problemas como estes.

    MOBILIÁRIOS/MARCENARIA:
    Alguns moveis tem características particulares, outros são aqueles multi-funções enfim.
    Estas características devem ser destacadas e explicadas para o usuário final.

    Como escrevi acima, são apenas algumas informações que eu iria passar. No entanto, se formos pensar no todo de um projeto existem muitos outros pontos que devem ser destacados neste manual. Basta observar bem tudo o que está sendo especificado.

    Como apresentar isso a um cliente?

    A coisa mais irritante é, quando preciso de alguma informação, ter de ficar revirando gavetas e armários atrás dos manuais de instruções.


    Que tal juntar tudo isso numa pasta – pode ser daquelas A-Z – onde você coloca tudo ali dentro?
    Manuais técnicos, garantias, notas fiscais e, claro, o seu manual profissional.
    Pode-se optar por mandar alguém fazer um scrapbook bem bonito, transado e que promova uma apresentação legal do mesmo. Tudo vai depender de você.

    Claro que isso tem um custo para ser feito e não é só referente aos custos dos materiais para confecciona-lo mas também o seu tempo de trabalho e empenho para a construção deste manual.

    Pense com carinho neste assunto. Seus clientes merecem esta atenção e isso certamente vai valorizar e muito o seu trabalho.

    E.T.: a primeira imagem deste post é de uma obra – da mais interessante – da Nuit Blanche. A instalação de Robert Stadler na Igreja Saint-Paul Saint-Louis. Ao entrar na igreja, por uma porta lateral, o público vê apenas grandes esferas luminosas, que parecem organizadas aleatoriamente. Ao se dirigir para o centro da igreja, entretanto, as esferas formam um grande ponto de interrogação sobre o altar.

  • The Norwegian National Opera

    O The Norwegian National Opera, localizado em Oslo impressiona não somente pelo projeto arquitetônico em si – que é belíssimo – mas principalmente pelos equipamentos e acabamentos.

    Nas imagens deste post podemos ver o grande salão (platéia, fosso de orquestra e palco) que por si só já dizem tudo.

    Mas não posso deixar passar em branco o lustre central deste espaço.

    É isso mesmo. Esta “bola” branca no centro do teto é um lustre desenvolvido especialmente para este espaço. Ele pesa aproximadamente 8 toneladas e é composto por 1250 módulos com LEDs de alta potência e conta ainda com um diâmetro de 7 metros.

    Usando dimmers, os módulos podem variar a sua intensidade luminosa individualmente o que proporciona diversas cenas e climas ao espaço todo. Por estar instalado a 16 metros do chão, eles conseguiram chegar a 300 lux no nível do chão. Isto facilita também o trabalho com a luz para gerar as cenas.

    O lustre foi desenvolvido pela OSRAM.

    Lindo, simples e eficaz!!!!