Por Sílvia Bigoni
Atualmente, podemos dizer que temos todas as ferramentas necessárias para o desenvolvimento de projetos de iluminação inovadores. Dispomos, no Brasil, de todas as tecnologias em lâmpadas, equipamentos e luminárias, o que nos permite proporcionar concepções de iluminação mais eficientes, funcionais e artísticas.
Uma das mais recentes tecnologias, implantada em projetos de ponto-de-venda, é a dos LEDS, que vem sendo apontada como uma das principais tendências no mercado de iluminação.
Além dos LEDS, as fontes coloridas de luz são muito utilizadas, com a aplicação de filtros coloridos ou por meio das próprias lâmpadas, tais como: as dicróicas, as fluorescentes tubulares e as de vapores metálicos. As lâmpadas fluorescentes tubulares coloridas, operando em conjunto com reatores eletrônicos, permitem dimerizações, controle de cenários, de luz e de cor, e total controle dos equipamentos através de softwares de automação.
A composição da luz artificial “branca” e a utilização de luzes que trocam de cores repercutem diretamente no hábito de compra. A aplicação destes efeitos pode ajudar a despertar um maior interesse nos clientes e, na maioria dos casos, com redução nos custos de instalação. É a iluminação dinâmica com toque de cores.
Tendências de design
Uma grande tendência é a utilização de sistemas que combinam, na mesma instalação, aparelhos de luz difusa – lâmpadas fluorescentes compactas, fluorescentes tubulares e de vapores metálicos – para iluminação geral com as lâmpadas de efeito – lâmpadas refletoras halógenas e de vapores metálicos – para iluminação de destaque.
Os sistemas modulares embutidos ou os de sobreposição permitem otimizar a integração em qualquer espaço arquitetônico, sendo que os módulos ganham formas e dimensões distintas, atendendo desde grandes lojas de departamento até lojas de roupas, joalherias, óticas e de móveis, entre outras.
As luminárias decorativas e de design se integram com total harmonia nos espaços, se houver sempre o cuidado de se conciliar a característica técnica com o design moderno.
Outra tendência, esta mais significativa, é a do uso conjunto de aparelhos de luz difusa com sistemas de controles, que criam níveis de iluminação dinâmicos – “luz quente” e “luz fria” – em aplicações nos tetos, com efeito, de luz diurna artificial, e em outras aplicações para paredes e expositores.
Sistemas similares a este oferecem luz colorida para complementar a ambientação de lojas e captar a atenção dos clientes. A utilização de iluminação incorporada nos próprios expositores e de elementos arquitetônicos a partir da tecnologia de LEDS e de fibra óptica enriquece o projeto de iluminação.
A iluminação como decoração
Em um bom sistema de iluminação, sempre colocamos como prioridade as orientações técnicas, que sem dúvida são fundamentais para qualquer ponto-de-venda, mas cada vez mais estamos tratando a iluminação comercial como uma poderosa ferramenta de marketing.
A iluminação de uma loja deve estar diretamente relacionada à sua arquitetura, decoração e à estratégia de vendas, motivos que cada vez mais levam os profissionais de iluminação a criarem uma verdadeira sinergia com os arquitetos de interiores, com os empreendedores e os demais responsáveis pelo estabelecimento.
De acordo com as modernas técnicas de marketing, o lojista, de qualquer ramo, tem algumas considerações que podem favorecer o incremento das vendas na ordem de 20%, 30% e até 40% quando atendidas algumas premissas tais como: melhoria da imagem como fator de diferenciação; criação de um ambiente adequado; despertar o interesse; atrair os clientes; criar disposição de permanecer no ambiente; e criar uma situação de consumo na loja.
Por isso, a integração entre projetistas e os projetos dos lojistas permitem a criação de todos os recursos necessários para garantir que a luz empregada e seus efeitos possam realmente criar facilidades para a venda dos produtos.
Cada tipo de loja requer uma iluminação, que leve em conta a mercadoria comercializada e o perfil do público-alvo.
Por exemplo, uma loja de roupas ou de tecidos precisa de uma iluminação que valorize as cores e texturas do produto. Já uma loja de móveis deve ter seu foco dirigido ao acabamento, um dos primeiros itens a serem observados pelo consumidor. Em um estabelecimento de jóias deve se focalizar o brilho.
Portanto, este é um trabalho bastante especifico e que deve ser executado por profissionais experientes, para não se correr risco de se obter um resultado oposto ao esperado.
Um projeto de iluminação leva em conta que 80% da percepção de mundo do ser humano se dá pela visão, tornando a iluminação uma aliada extremamente importante nas vendas e que vem sendo largamente utilizada pelos empresários.
Os supermercados foram os primeiros estabelecimentos comerciais a fazer o uso da luz para valorizar os produtos, especialmente no setor de carnes, com a iluminação valorizando o vermelho, e no de frutas e verduras, enfatizando o verde.
Outro fator a ser ressaltado também é que a alternância da luz direta com a indireta pode determinar comportamentos diferenciados, provocando maior ou menor satisfação no consumo.
Destacar a vitrine, a arquitetura da fachada, os produtos, os expositores, a decoração dos espaços internos, enfim todos os detalhes que tornam urna loja atraente aos olhos do público, já não é possível sem a elaboração de um bom projeto de iluminação.
Independentemente da localização — dentro de um shopping ou na rua — e do produto comercializado, qualquer estabelecimento necessita de vários efeitos de luz capazes de realçá-lo entre os demais e, principalmente, precisa chamar a atenção do consumidor, isto trará como conseqüência um incremento nas vendas.
“Sem a luz, o espaço simplesmente não existe”.
A arquiteta Sílvia Bigoni é consultora da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux).

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