Tag: design de ambientes

  • Fases de um projeto

    É bastante comum meus leitores me escrever perguntando sobre como é o trabalho de um designer de interiores/ambientes ou lighting designer. Pois bem, para não ter que ficar escrevendo e reescrevendo a cada novo questionamento, aqui vai um post explicativo dessas fases.

    Devo ressaltar que, antes de mais nada, é preciso um constante trabalho de prospect que é a fase de divulgação de seu nome profissional/escritório e captação de clientes. Esta pode ser feita de diversas maneiras que vão desde a distribuição de panfletos até a utilização de outdoors, mídias, ter uma vida social ativa, etc. Encontrado o cliente, entramos naa fases de desenvolvimento do projeto propriamente dito.

    Uso como base o modelo da Jenny Gibbs, expandindo-o e retraindo-o quando necessário são no total cinco fases que qualquer projeto envolve. Descrevo-as a seguir.

    PRIMEIRA FASE:

    1.       Reunião preliminar

    reuniao-com-cliente

    É aquela reunião inicial onde você se apresenta ao cliente e vice-versa. Aqui rola a apresentação de seu portfolio e onde você tem o primeiro contato com o cliente. Esta reunião pode ser em seu escritório, em algum café, não importa. Aqui não serão tratados a fundo questões do projeto em si. É a oportunidade onde você irá saber o que o cliente deseja, as dimensões aproximadas do projeto, etc.

    Aqui você deverá explicar como é realizado o trabalho de um designer de interiores/ambientes, suas limitações profissionais e possíveis necessidades durante o projeto (ex. contratação de um engenheiro para derrubar uma parede), a importância do cliente confiar nas indicações de mão de obra especificadas por você, etc.

    2.       Brieffing do cliente

    briefing21

    Nesta etapa você terá que trabalhar em duas frentes:

    – Entrevista com o cliente: aqui sim entrará a parte mais puxada do contato com o cliente onde você terá que “extrair” dele toda a problemática envolvida no projeto. Não basta saber apenas “o que” ele deseja no projeto mas, especialmente, o “por que” deste desejo. Lembro que por trás de todo desejo existe, na verdade, um problema a ser resolvido. O “feio” É um problema estético.

    Vale ressaltar que havendo mais de um usuário no espaço a ser projetado, TODOS devem ser entrevistados. Não tenha receio em explicar àquela senhora mãe-esposa-matrona-mandona que quer decidir absolutamente tudo sozinha, incluindo os quartos dos filhos que já estão na faixa dos 18 anos, além dos espaços privativos do marido. Lembre sempre a ela (quando acontecer isso) que os espaços são de todos e não somente dela. Assim como existem coisas que ela não gosta e deseja alterar, com eles também acontece a mesma coisa. (Tou escrevendo um post específico sobre brieffing, postarei em breve).

    É importantíssimo que até aqui você já saiba o quanto o cliente deseja investir no projeto. Por exemplo: se ele dispõe de R$ 20.000,00 você tem que estar ciente que dentro deste montante está incluso o pagamento do designer pelo projeto. Ou não? Será que este dinheiro está livre apenas para a obra e ele dispõe de mais recursos?

    É, portanto, imprescindível que o profissional tenha conhecimento deste fator ainda nesta fase de levantamentos iniciais.

    Após o brieffing com o cliente deverá acontecer um levantamento prévio do espaço a ser projetado. Apenas uma visita para tirar as dimensões básicas e uma análise geral da edificação está bom afinal, você necessita destes dados para elaborar seu orçamento (proposta de trabalho).

    3.       Proposta de trabalho/aprovação do cliente

    Esta é a etapa onde você irá apresentar ao seu cliente a sua proposta de trabalho (orçamento) onde deverá constar basicamente:

    – valor

    – formas de pagamento/parcelamento

    – prazos para elaboração dos projetos

    – o que será feito (descrever os ambientes com as alterações solicitadas para cada um)

    – prazo de validade da proposta (geralmente 20 dias)

    – que após o OK do cliente sobre a proposta, será encaminhado o contrato formal de prestação de serviços para assinatura.

    Quando o cliente der o OK no orçamento encaminhe a ele então o contrato devidamente preenchido, com todas as especificidades do projeto a ser elaborado, os valores, formas de pagamento e prazos, a cláusula de responsabilidade técnica, a existência ou não das RTs, da preferência por mão de obra indicada por você, etc.

    Somente após a assinatura do contrato é que se deve iniciar a segunda fase do trabalho.

    SEGUNDA FASE:

    1.       Diagnóstico, análise e levantamento do local

    levantamento

    Esta é a fase onde você terá de ir até o local da obra e fazer todo o detalhamento dos espaços. Aqui entram as medidas exatas de todos os ambientes, estruturas existentes, levantamento de instalações (elétrica, hidráulica, gás, ar, telefonia, TV), esquadrias, situação geral da edificação (se necessita de reparos/reforço/restauro), áreas permeáveis externas, enfim, tudo que se faz necessário para projetar espaços mais eficientes, práticos e funcionais.

    2.       Conceito inicial

    É a fase de desenvolvimento do projeto conceitual.

    Primeiramente o profissional deverá transformar o brieffing numa análise do projeto. Isso deve ser feito em papel onde conseguimos cruzar dados levantados tanto no brieffing quanto no levantamento predial. Somente de posse dessa analise podemos seguir adiante.

    Neste ponto o profissional deverá fazer uma pré-seleção dos materiais, mobiliários, equipamentos e acessórios a serem utilizados nos ambientes para apresentação ao cliente. Tudo vai depender do partido/conceito adotado para o projeto. É a fase onde o designer irá esboçar suas ideias, usar de sua criatividade para solucionar os problemas detectados no brieffing.

    Claro que medidas devem ser respeitadas, mas nesta fase não é necessário que estas sejam seguidas à risca (ex: 3 cm não farão tanta diferença) para a apresentação ao cliente. Aqui, nada é definitivo e pode ser alterado. Lembrem-se que estamos ainda na fase de criação e o cliente não aprovou nada!

    3.       Pré-orçamentos

    Todos os materiais especificados devem vir acompanhados de seus respectivos orçamentos (quantitativo /valor unitário / valor total).

    Temos também que fazer um levantamento preliminar dos orçamentos – incluindo a mão de obra (pedreiro, eletricista, pintor, encanador, jardineiro, etc) – para apresentação ao cliente.

    Não devemos nos esquecer de orçar também as caçambas para entulhos.

    Lembre-se de sempre apresentar 3 orçamentos de fornecedores distintos. Isso garante a transparência e profissionalismo.

    4.       Preparação da apresentação

    conceitos

    Esta é a fase onde iremos pensar em como apresentar o conceito ao cliente. Aqui temos que prestar atenção em muitos detalhes como, por exemplo:

    – ter embasamento teórico/técnico/estético dos porquês das soluções apresentadas;

    – possuir “cartas na manga” para o caso de necessidades emergenciais;

    – ter conhecimento sobre todos os materiais e insumos especificados;

    – apresentar catálogos de materiais/equipamentos;

    – finalização e revisão dos painéis conceituais;

    – finalização e revisão das perspectivas, layouts e maquetes 3D conceituais;

    – separar os pré-orçamentos por área/material/mão de obra;

    Lembro que devemos apresentar uma solução ao cliente. Quando apresentamos mais que uma ele pode confundir-se. No entanto, isso não impede que você leve separado outras soluções. Quando começarem a surgir as indagações, os “não gostei disso”, apontamentos de alterações, você terá estas outras “cartas na manga” (possibilidades) para apresentar e chegar a um consenso entre as partes.

    5.       Apresentação / aprovação

    Aqui é a hora de mostrar tudo o que você pensou para a solução dos espaços ao cliente. Você não pode ter absolutamente nada na apresentação que não domine, que não consiga explicar os porquês da necessidade deste elemento no projeto.

    Por exemplo: se você propôs a derrubada de uma parede deve saber se esta vai afetar a estrutura ou não, se precisará do acompanhamento de um engenheiro civil ou não. E também deverá saber explicar o porquê da necessidade da presença dele na obra.

    Se você especificou um piso fosco e o cliente desejava um espelhado para uma área úmida você tem que saber explicar o porquê dessa escolha.

    Você também deve saber quanto tempo será necessário para implantação do projeto (obra).

    Enfim, você deve mostrar completo domínio sobre o projeto, materiais, execução.

    Não se esqueça que a cada item aprovado pelo cliente ele deve dar um visto no mesmo, o “de acordo” ou simplesmente “OK”.

    TERCEIRA FASE:

    1.       Projeto executivo

    PROJETO-EXECUTIVO01

    Após a aprovação do projeto conceitual devemos partir para a elaboração do projeto executivo. Esta é a parte mais técnica do trabalho do designer. É aqui que faremos todos os projetos cuidando milimetricamente de cada detalhe. Nesta fase devemos realizar, quando necessário, os seguintes projetos:

    – instalações elétricas

    – instalações hidráulicas

    – instalações de ar condicionado

    – instalações de TV/telefone/interfone

    – paisagismo/jardinismo

    – projeto de iluminação

    – projeto de gesso

    – marcenaria

    – paginação de pisos e revestimentos

    – acústica/térmico

    – plantas de layout

    – cortes e elevações

    – detalhamentos diversos

    – plantas de alterações prediais (troca de esquadrias, derrubada/construção de paredes)

    – lista de acessórios

    – memorial descritivo

    – existem outros ainda mas já deu para entender que o trabalho não é fácil e simples.

    Aqui, TODOS os elementos relativos ao projeto devem ser apresentados de maneira clara para a correta e fácil leitura e compreensão por parte dos executores, e também do cliente.

    2.       Especificações

    Aqui entra o trabalho em cima do memorial descritivo e da seleção de construtores/fornecedores.

    Num primeiro momento devemos elaborar o memorial de forma clara, preferencialmente separado por área/espaço a ser trabalhado,  constando todos os materiais / elementos / acessórios que serão utilizados no projeto.

    Após isso, devemos fazer um pré-orçamento (pode ser via internet mesmo) buscando ofertas de tudo isso. Esta pesquisa servirá como base de negociação com os fornecedores e construtores para que apresentem suas propostas.

    3.       Orçamento definitivo

    Aqui, após as negociações com os fornecedores e empreiteiros, temos como fechar o orçamento final do projeto para apresentar ao cliente. De posse deste, é o momento de fazer a programação/planejamento financeiro, junto com o cliente.

    Não se esqueça de que o valor do seu pagamento pelo projeto pode estar inserido no orçamento disponível do cliente.

    4.       Solicitação de documentações públicas

    Somente quando necessário. Por exemplo: você planejou derrubar uma parede e necessitou da presença de um engenheiro civil. Este deve recolher junto ao seu Conselho (CREA) a ART.

    Em algumas cidades, as prefeituras exigem os alvarás de obras até mesmo para simples pinturas de paredes (absurdo!).  Então fique atento à cidade onde está sendo realizada a obra e tenha em mãos todos os documentos necessários.

    5.       Seleção de construtores e fornecedores

    contrato

    Após o recebimento das propostas orçamentarias dos construtores e fornecedores, você deverá selecionar os vencedores. É importante que o cliente participe desta etapa.

    Lembre-se: nem sempre o menor preço significa qualidade na execução de obras.

    Por isso é importante que junto com o orçamento os construtores encaminhem uma lista de obras já realizadas e, se possível, que você visite algumas delas para atestar a qualidade dos serviços.

    Fique atento pois tudo isso está intrinsecamente amarrado ao orçamento disponível.

    Não se esqueça de também elaborar os acordos de prestação de serviços para serem assinados pelos construtores. Este é um documento entre o profissional e os prestadores de serviço. Este documento deve conter itens como, por exemplo, no caso de pintura:

    – o responsável deverá preparar todas as superfícies para o seu melhor acabamento;

    – toda nova marcenaria e carpintaria serão  preparadas, emassadas, lixadas e seladas;

    – o selador e demais demãos de pintura serão aplicados de acordo com as instruções do fabricante;

    – toda marcenaria preexistente será limpa, emassada, lixada e receberão uma demão de pintura;

    – Todos os revestimentos de parede preexistentes serão retirados – as paredes serão limpas, emassadas, lixadas e pintadas;

    – o responsável pelo serviço utilizará adesivos e toda forma de proteção das áreas adjacentes à superfície que for trabalhada;

    – não realizará qualquer alteração do produto (consistência, cor, etc) sem a aprovação do designer responsável pela obra;

    Este documento deve ser assinado por todos os envolvidos na obra. No caso de pedreiros é fundamental que conste um item exigindo a correta observação das paginações de piso/revestimentos.

    Também faz-se necessário neste documento um item para TODOS os construtores/fornecedores:

    – o responsável pela execução do projeto fica proibido de conversar diretamente com o proprietário da obra sobre propostas de alterações no projeto/obra. Qualquer necessidade nesse sentido deve ser tratada apenas com o designer responsável pela obra.

    Isso evita os corriqueiros problemas de alterações que ocorrem sem a autorização/conhecimento do profissional.

    É muito importante que o profissional disponibilize aos seus clientes modelos de contratos de prestação de serviços para serem firmados entre o cliente e os contratados. Este documento garantirá a execução dos serviços contratados e servirá como prova à seu favor em caso de problemas judiciais.

    QUARTA FASE:

    1.       Programação da obra

    É diferente do cronograma, que entra a seguir.

    Aqui fazemos uma programação da obra constando tudo sobre o que será feito, de acordo com a cronologia necessária:

    – demolições

    – estruturas 1 (gesso, pisos, etc)

    – estrutura 2 (elétrica, hidráulica, ar, etc)

    – revestimentos de paredes

    – iluminação

    – acabamentos

    – mobiliários

    2.       Cronograma de obra

    cronograma

    É programação e definição das obras que devem ser feitas e suas datas de inicio/finalização. Quando e o que entra/começa/termina, em que data entra/começa/termina.

    Este documento é necessário para que os construtores (especialmente) conheçam os prazos disponíveis para a execução de seus serviços, principalmente as datas máximas, para que não atrapalhem o andamento das obras e a entrada de outros profissionais.

    Por exemplo: se um pedreiro tem uma semana para assentar os pisos e estoura este prazo, ele estará comprometendo os trabalhos de outros profissionais que já tem suas agendas apertadas e comprometidas. A marcenaria não poderá ficar esperando que os pintores terminem seu trabalho atrasado por causa do assentamento de piso que atrasou. É uma bola de neve.

    3.       Compras

    Como o próprio nome diz é a fase de aquisição dos produtos e insumos necessários à obra e ao projeto.

    Estas devem ser acompanhadas pelo profissional designer para, principalmente, evitar a interferência externa no projeto. É bastante comum vendedores forçarem os clientes a trocar produtos e quando o designer vai na obra recebe-los tem geralmente surpresas desagradáveis.

    Portanto é fundamental deixar acertado (em contrato) junto ao cliente que as compras deverão seguir exatamente as especificações realizadas no projeto.

    Outro fator importante da presença do profissional no momento das compras é com relação às RTs. Ainda na fase de conversas e apresentação da proposta o designer deve deixar claro ao cliente esta pratica de mercado e negociar com ele a presença ou não desta no orçamento/contrato.

    Caso haja, é a garantia do designer recebe-las dos fornecedores e assim, ser ressarcido pelo desconto dado no valor do projeto.

    Caso não haja, é a maneira do designer conseguir negociar melhores descontos para o cliente junto aos fornecedores.

    4.       Acompanhamento das obras / instalações / fase “suja” da obra

    Tem gente que diz que isso não é necessário. Eu acredito o contrário: é SEMPRE necessário, desde pequenas reformas aos grandes projetos.

    É durante o acompanhamento que o designer vai verificar a correta execução do projeto, sanar dúvidas dos construtores, solucionar problemas inesperados, etc.

    É a fase de instalações de granitos, mármores, carpintaria, obras em alvenaria, gesso, pinturas, etc. Todos os elementos que fazem parte da estrutura do projeto.

    Portanto é sim importantíssima a presença do profissional durante as obras.

    Estas podem ter seu valor diluído no valor total do projeto ou podem ser cobradas à parte (por visita).

    Mas nunca deixe de acompanhar as suas obras.

    5.       Instalações de equipamentos e mobiliários

    Aqui entram as instalações pós obra pesada. São elas basicamente:

    – mobiliário e marcenaria

    – iluminação

    – acabamentos (metais, louças, vidros, etc)

    – splits

    – trilhos

    Ou seja, tudo que não faz parte da estrutura do ambiente.

    6.       Finalização / decoração

    decoração final

    Nesta fase entram todos os acessórios para dar acabamento aos espaços projetados. Almofadas, mantas, peças de arte/decoração, tapeçaria, penajamentos, etc.

    Nesta etapa também é realizada a afinação da iluminação.

    É onde o designer irá fazer a finalização do projeto.

    7.       Entrega

    Tudo tem que estar finalizado e pronto pois este é o tão esperado dia para o cliente: quando poderá entrar em seu novo espaço e usufruir do investimento feito.

    É também um momento especial para o designer pois poderá ver nos olhos de seus clientes a satisfação.

    QUINTA FASE:

     avaliação

    1.       Avaliação pós-entrega

    Se pensam que o trabalho terminou no item anterior estão redondamente enganados.

    Após a entrega é sempre oportuno que o designer entre em contato com os clientes para fazer uma avaliação pós-entrega. Esta é a oportunidade de verificar se o projeto realmente atendeu as necessidades e aos desejos/sonhos do cliente, se houve alguma alteração feita pelos usuários após a entrega (e descobrir os porquês disso).

    É também a oportunidade de descobrir o que os visitantes acharam do projeto, elogios, criticas, etc.

    Esta avaliação deve ser feita:

    – um mês após a entrega

    – seis meses após a primeira avaliação

    – um ano após a entrega.

     UFA!!!!

    Bom, basicamente é isso.

    Como podem ver o trabalho de um profissional de Design de Interiores/Ambientes é bastante complexo e extenso, cheio de detalhes e pontos importantíssimos para atender às necessidades/desejos/sonhos de nossos clientes.

    Não é um trabalho fácil, não é apenas um “deseinho numa folha de papel” ou um acompanhamento a uma loja para ajudar a escolher materiais.

    Os clientes precisam saber o quanto podem solicitar se um profissional de Design de Interiores/Ambientes.

    E nós, profissionais, temos de saber o quanto podemos oferecer a eles.

  • Enquanto isso num país nada sério…

    Num país onde obras públicas são feitas e refeitas até a exaustão dos cofres públicos por erros crassos nos projetos (quando estes existem né…).

    Num país onde o corporativismo e a arrogância é a bandeira de entidades de classe que muitas vezes não se entendem nem mesmo com seus próprios associados…

    Num país onde o “salto alto” e o título (diploma) falam mais que a competência pessoal/profissional do titulado…

    Num país onde entidades de outras classes profissionais insistem em importunar profissionais com formação acadêmica que os habilita legalmente para o exercício profissional…

    Num país onde tudo é conquistado ou na base da carteirada, ou nas jogatinas espúrias dos bastidores do Congresso nacional…

    Num país onde é mais fácil fazer calar o outro que demonstrar que se é mais competente que ele…

    Num país onde temos que esperar para ver se Leis “vão pegar ou não”…

    Num país onde profissionais não respeitam o código de ética de suas próprias profissões….

    Num país nada sério em que encontramos pérolas desse tipo:

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    Se o CAU e o CREA desejarem, eu envio a foto original para que cumpram o papel para o qual foram instituídos.

    Mas vou aguardar ansioso o resultado da investigação, do processo administrativo e mais ainda: terei imenso prazer em postar o resultado aqui (se é que vai ter algum).

    Mas por favor, novamente coloco aqui neste blog:

    ESPECIALMENTE O CAU, CUIDEM DE SUAS PROPRIAS CASAS ANTES DE QUERER ATRAPALHAR QUEM NÃO É DA ALÇADA DE VOCÊS E TRABALHA SERIAMENTE.

    DEIXEM OS DESIGNERS DE INTERIORES/AMBIENTES E OS LIGHTING DESIGNERS EM PAZ!!!!

    Vocês tem muitos caneteiros nas suas profissões para tomar conta (e atitude).

    Vocês tem muitos problemas com obras de profissionais pelos quais vocês são responsáveis para ficar gastando tempo contra nós que fazemos o NOSSO trabalho.

  • Chega!!! Cansei… “Regulamentação 171”

    Como coloquei no grupo deste blog lá no Facebook, eu não vou mais me meter em questões relativas à regulamentação. Não adianta espernear, especialmente estando praticamente sozinho nessa luta por uma regulamentação séria, ética e honesta com os profissionais e, principalmente com a nossa área.

    Cansei de dar a cara aos tabefes, de me expor enquanto a classe mantem-se comodamente silenciosa sem manifestar-se diante dos absurdos que estão sendo cometidos nesse processo.

    Pois bem, vou explicar pela ultima vez o que está rolando:

    1. A ABD contratou um “leão de chácara” para ficar correndo os diversos grupos defendendo-a e também ao PL dela. Trata-se do advogado Jonatan. Não sei se perceberam mas onde estão os diretores dessa associação nos debates sobre a regulamentação. NENHUM deles aparece, nenhum deles tem a decência de dar o ar da graça para responder questões ainda abertas e pendentes. Jonatan, te admiro demais como advogado, mas como designer você é péssimo, mesmo que somente na teoria. Já cansei de escrever e repito: o que teus professores estão te ensinando não é Design de Interiores/Ambientes. É mera Decoração. Por isso a sua dificuldade em entender pontos simples que questionamos com relação ao PL: você não sabe o que é Design de Interiores/Ambientes.

    2. Um exemplo do que escrevi acima? Fácil: tempos atrás eu estava ministrando a palestra “N Jeitos de atuar” e na plateia estava uma das diretoras. Quando eu estava falando sobre a área de moda e os nichos que esta nos proporciona e citei Vitrinas esta riu jocosamente. Questionada do porque da risada ela fez um sinal de deixa pra lá. Insisti para entender o porquê da risada e ela soltou que “vitrine é coisa de vitrinista”. Pois bem, eu lhe afirmo minha senhora que NÃO! Vitrinas não são coisas de vitrinistas. Vitrinas fazem parte do pacote Visual Merchandisign, que é a peça chave de todo projeto comercial. Sem o conhecimento adequado desta ferramenta não se consegue atingir com precisão o resultado esperado. Fico me perguntando se é daí que vem a tosca ideia de que todo projeto comercial tem validade de no máximo 3 anos. Claro, afinal se vitrinas é trabalho de vitrinistas vocês não devem fazer a menor ideia do que é identidade corporativa, jamais devem ter estudado manuais de aplicação e uso de marcas, etc… Lamentável.

    3. Outro exemplo: não sei se perceberam, mas desde a audiência meu blog está parado, fiquei um bom tempo em silêncio no Facebook. Motivo? VERGONHA de tudo que ali fui obrigado a engolir calado, sem poder me expressar. Com exceção das falas da Nora que foram mais completas, o que se viu durante toda a audiência foi um show de firulas e romantismos desnecessários. A área técnica, que é o que realmente interessa para a regulamentação foi totalmente esquecida nas defesas. De riscos aos usuários (responsabilidade técnica) apenas a Nora tocou no assunto. De resto pareceu um bando de desabrigados implorando por socorro, apelando pelo lado emocional mascarado como humano.

    4. Técnico sim! A nossa área é extremamente técnica. Nem briffar corretamente é ensinado nas faculdades e duvido que qualquer um dos diretores da ABD saibam o que é isso realmente. Quando eu estava voltando de um evento me encontrei num aeroporto com uma diretora e conversamos sobre isso. Areação dela quando eu coloquei que devemos aplicar as técnicas de brieffing do Design em nossos projetos ela quase babou. Preferiu repetir as baboseiras que foram ditas à exaustão durante a audiência de que a nossa área é de humanas, que temos de ter sensibilidade, atender à estética… quando coloquei que por trás de todo sonho do cliente existe na verdade um problema a era resolvido, que somos muito mais exatas que humanas, ela literalmente não conseguiu entender e se recusou a ao menos tentar entender…

    5. Por sinal foi no mínimo risível quando soltei esta imagem:

     papel1

    E na sequência a Sr Jonatan postou outro insistindo em enfiar a palavra “sonho” e forçando o debate em torno do tópico por ele postado numa clara tentativa de esvaziar o meu. Ali ficou claro o papel de “leão de chácara” e a intenção dele e da ABD. Mas o que mais chamou a atenção é que NENHUM(A) diretor(a) apareceu em nenhum dos dois. Que novidade… Aquilo soou como um açougueiro querendo escrever sobre microcirurgia neurológica. Na verdade é o que parece sempre quando a ABD tenta falar sobre Design de Interiores/Ambientes: na verdade fala apenas de Decoração que NÃO É Design de Interiores/Ambientes.

    6. De todas as conversas anteriores onde ficou acordado que ambas as partes (discordantes e ABD) cederiam para que conseguíssemos chegar a um ponto em comum nos ajustes necessários no PL, tudo não passou de mais um embuste por parte da ABD. Apenas trocaram em alguns lugares a palavra “interiores” por “espaços” numa vã tentativa de atender às nossas solicitações. No entanto, os pontos fundamentais e sérios ainda estão lá sem qualquer alteração ou possibilidade de. Pelo contrário, já estão com outro projeto substitutivo tentando a auto-regulamentação. Sem alterar os pontos necessários e ainda partindo para um modelo menos democrático: nos conselhos auto-regulamentados, apenas associações e entidades de classe podem concorrer aos cargos ou seja, o poder fica com a ABD. Por isso a resistência em nos inserir no PL do Penna após a sanção presidencial através de uma emenda. PODER, nada além disso.

    7. Tinha sido acordado que começaríamos a realizar em conjunto o “Fórum Nacional pela Regulamentação”, com palestras e mesas em diversas cidades do país para debatermos abertamente os problemas de mercado para realizar os ajustes necessários no PL. No entanto, a ABD vem realizando diversas palestras sozinha e sem qualquer possibilidade de abertura da participação dos discordantes, salvo se ficarem quietinhos na plateia. Um amigo meu assistiu a palestra em Curitiba e disse que foi triste ver a lavagem cerebral que estão fazendo nos profissionais, escondendo/omitindo o que realmente interessa. Como se vê, democracia é uma coisa que a ABD definitivamente abomina.

    Assim, me afasto desse assunto, desse lixo de associação em definitivo! Me fizeram acreditar que a ABD estava de cara nova mas percebo que mais uma vez fui iludido, usado  e enganado por esse grupelho asqueroso, mentiroso e dissimulado.

    Vai ser regulamentada a área? Provavelmente será, mas aquela coisa “meia boca”, que “paga migué” pro CAU, que não atende às reais necessidades do mercado. Será mais uma daquelas coisas “pra inglês ver” apenas. Uma verdadeira “Regulamentação 171”.

    Prova disso?

    Encaminhei uma pauta unificada à diretoria da ABD com solicitações básicas, coisas bobas e fáceis de fazer. Fui severamente criticado por diretores alegando que eu “estava sendo duro demais com a coitadinha da associação”, que eu tinha que pegar mais leve. Quando não tive resposta alguma e a publiquei aqui em meu blog só faltou me espancarem na rua e ficou visível nos comentários pelas redes sociais o ódio que sentiram por eu ter tornado aquele documento público. Oras, é um documento público, pois não foi feito apenas por mim e ele atende à demanda de muitos profissionais que estão no mercado público. Já se passaram quase seis meses e NADA!!!

    Até agora NADA de resposta.

    Atitude típica atitude dessa associaçãozinha ensimesmada, umbiguista e arrogante. Prefere  deixar que isso caia no esquecimento como sempre faz com assuntos espinhosos e sérios.

    Mas dizer mais o que de uma associação cujos diretores se dizem designers e nem sabem o que é brieffing (na exata concepção da palavra) e tampouco o que é  plano de corte (isso sem contar inúmeras outras ferramentas do Design)? Uma associação que prefere dar voz aos patrocinadores falando sobre “a cor da moda” que sobre assuntos teóricos muito mais importantes para o exercício profissional?

    Me respondam: esperar o que dessa palhaçada?

    Lamento, mas esse antro não serve para mim. Me usaram mais uma vez para tentar alcançar uma credibilidade junto aos profissionais que a ABD está longe de conseguir.

    Que venha a regulamentação imposta pela ABD.

    Estou tirando meu time de campo deste assunto pois sei que futuramente os designers de interiores irão encontrar sérios problemas no exercício profissional por causa dessa Regulamentação 171. E eu não serei vidraça quando os problemas começarem a estourar. A associação que assuma sozinha a responsabilidade por todos estes problemas já que é a ÚNICA responsável por essa merda toda que vem por aí.

    A minha parte eu já fiz desde que comecei este blog. Ele é prova irrefutável de minha luta por uma regulamentação séria, honesta e ética.

    Que venha a regulamentação!

    Que venham as merdas!!!

    E que a ABD mostre-se séria, assuma  e resolva todas elas!!!

  • ABD> Pauta Unificada

    Pois é pessoas, encaminhei este texto à ABD no dia 30/07/2013, às 19:02 horas. Até o momento, mais de um mês depois, não obtive qualquer resposta sobre a mesma.

    Dada a gravidade da situação que estamos passando era para a ABD ter se pronunciado de pronto sobre isso, sobre os pontos contidos nessa “pauta unificada”. Mas eles estão preferindo manter as reuniões de diretoria à cada 15 dias apenas. Será que a diretoria não julga esta minha carta (que tem por trás diversos profissionais e acadêmicos em coro) importante?

    Ainda aguardando respostas sobre isso. Como perceberão claramente, nenhum dos itens é impossível de se colocar em prática. É só ter um pouco de boa vontade.

    Segue o texto.

     

    Londrina, 29 de Julho de 2013.

    À Mesa Diretora da Associação Brasileira de Designers de Interiores

    Considerando,

    – As diversas conversas que tenho tido com vários membros de diretorias da ABD, sejam estes da nacional ou das regionais;

    – A possibilidade inédita de sentarmos juntos, frente a frente, para debatermos abertamente sobre pontos importantes de nossa área, inclusive as discordâncias sobre a regulamentação profissional levantadas durante o NDesign 2013;

    – A clareza de informações que me foram repassadas pela ABD, fato este que até então não havia presenciado;

    – A perceptível ação atual, até então inexistente dentro da ABD;

    – As pautas debatidas dentro das reuniões de diretoria que tomei conhecimento através da Bianka e numa conversa por telefone com a Renata;

    – A visibilidade que tenho junto aos profissionais e acadêmicos de Design de Interiores/Ambientes no país;

    – A deprimente e insustentável situação em que nos encontramos após a Resolução n° 51 do CAU que afetou a todos, deixando-nos abalados e preocupados com o nosso futuro profissional;

    – E, finalizando, que ficou perceptível que até mesmo vocês, diretores da ABD, sentiram na pele que nem mesmo esta associação poderá salva-los e que, antes de diretores são designers assim como eu.

    Elenco abaixo quatro pautas que deverão ser assumidas pela ABD, através de ofício, como compromisso público por parte desta associação, como condição para a minha volta ao quadro de associado.

    Ressalto que quando escrevo “eu”, refiro-me a uma quantidade enorme de profissionais e acadêmicos que tem idéias afinadas ou próximas às minhas sobre a nossa área e o que esperamos desta associação.

    Lembro ainda que a minha volta à associação trará todos estes “discordantes” para dentro da mesma e que esta pauta não foi definida apenas por mim.

    São os seguintes pontos:

    1- COMPROMISSO COM O DESIGN

    Se, no enfrentamento da grave problemática atual, a ABD quiser levar em sua bandeira o nome da associação em prol da defesa da profissão relacionada ao Design e, por esta razão, tornar-se efetivamente uma associação de designers, deve assumir um compromisso definitivo com a área e a nossa raiz: o Design.

    Tenho acompanhado através do site, releases e a página do facebook os chamados de eventos realizados pela Nacional e Regionais e venho percebendo a presença constante de arquitetos-decoradores ministrando palestras, workshops e cursos, além de escreverem para o website da associação sem qualquer atenção específica para os interesses dos profissionais realmente oriundos do Design.

    Com tristeza percebi que o último CONAD (e em outros eventos regionais), levaram profissionais que claramente pagaram “jabá” para aparecer na mídia e construir o seu status. Como profissional e pesquisador da área acadêmica e mercadológica, repudio veementemente qualquer ação que acabe por dar eco a todas estas vozes vazias, sem uma contrapartida significativa para o apoio e desenvolvimento da atividade profissional dos autênticos designer que deveriam ser representados e cujos interesses resguardados.

    Temos aqui no Brasil uma quantidade imensa de profissionais e acadêmicos produzindo conhecimento específico em nossa área e que não encontram espaço para disseminar e compartilhar os resultados de suas pesquisas e dos inúmeros trabalhos que desenvolvem. A ABD, como única associação de nível nacional, tem o dever moral e ético de proporcionar este espaço.

    Ainda neste aspecto, sugiro a todos os diretores da ABD a leitura do livro “A Linguagem das Coisas” de Deyan Sudjic. Tendência não é Design, ela apenas faz parte dele, uma pequeníssima parte. E os eventos tem sido pautados nisso. Sei que muito disso se deve aos patrocinadores. Mas somos criativos e temos como apresenta-los sem que fiquemos reféns de um marketing eventual e oportunista.

    Numa perspectiva teórico-prática, na forma de estudos e pesquisas, carecemos de uma autêntica produção do pensamento em Design que nos permita construir o nosso estatuto epistemológico sem o qual nossa profissão continuará indefinida ou, como acontece, com infinitas definições que se contradizem.

    Assim, para que possamos alinhavar a partir da multiplicidade de saberes, numa perspectiva interdisciplinar, um referencial epistêmico articulador das práticas de pesquisa e das diversas formas de atuação profissional de nossa área, deverão ser convidados profissionais – da área do Design e de outras correlatas – que contribuam clara e efetivamente para a produção deste conhecimento teórico-prático em nossa área.

    Cabe ressaltar que muitos destes profissionais descompromissados com nossa área se lançam na mídia como designers, entretanto, ao observarmos seus projetos constatamos que pouco ou nada se vê de Design de Interiores nos mesmos.

    Por exemplo: pagar jabá em uma empresa para enfiar uma mesinha de torno que qualquer aluno de 5° ano produzia quando ainda existia técnicas industriais na escola, não é fazer Design, é enganação.

    Outro exemplo: se for para falar sobre iluminação, que seja feito por um lighting DESIGNER e não por um arquiteto que trabalha com iluminação sem ter a devida especialização, salvo raríssimas exceções.

    Esta ação não exige estrutura nem recursos, portanto deve ser implantada imediatamente.

    2- APOIO/INCENTIVO/FOMENTO.

    Junto de Bianka, Ana Eliza e Cátia participamos do NDesign 2013, realizado entre os dias 21 e 28 de julho em Salvador-BA. Não me causou estranheza a surpresa que elas tiveram por não conhecerem este evento e sua importância, não obstante o porte grandioso do mesmo. Afinal, para mim (e muitos mais, incluindo alguns de vocês) é fato que a antiga ABD não se importava e nem estava interessada em divulgar, apoiar, participar e incentivar eventos especificamente voltados para profissionais do Design e outras iniciativas desta natureza.

    Um ponto que ficou bastante claro – creio que Ana e Cátia perceberam melhor por terem participado do evento por mais dias – diz respeito à estrutura do mesmo e os problemas que aconteceram. Todos estes problemas ocorrem por absoluta falta de apoio de associações e instituições de ensino que se mostram indiferentes para a importância de eventos como esse.

    Longe de manifestar uma atitude arrogante, mas simplesmente explicando o processo e reforçando tudo que a antiga ABD sempre preferiu ignorar, nossa área conseguiu entrar na pauta do NDesign graças ao trabalho desenvolvido por mim por longos cinco anos junto ao órgão realizador do mesmo. Foram incontáveis conversas, trocas de e-mails, horas e mais horas através do Skype negociando, explicando corretamente sobre a especificidade e o significado da área do Design. Neste aspecto, esclarecendo dúvidas e cutucando (importunando sim) para que abrissem ao menos uma palestra para que pudessem ver a nossa área através de um profissional originário dela. Foi o meu trabalho realizado no NDesign 2012. Após isso, o Design de Interiores/Ambientes passou a fazer parte da pauta do NDesign, temos garantida a nossa área daqui para a frente em todas as edições. E ressalto ainda que, a ABD só foi convidada com meu apoio, numa tentativa de verificar in loco a real mudança de rumos que esta associação diz que está tomando.

    Só ressaltando, o NDesign é o evento de caráter nacional. Mas existem também os RDesign que são os regionais. Geralmente acontecem de 5 a 8 R’s por ano espalhados pelo Brasil e nestes também a nossa área já está pautada.

    Mas somente este evento não basta. Neste último NDesign estiveram presentes apenas 4 acadêmicos aqui de meu estado (PR) de nossa área. De minha região, nenhum. Tem estados que possuem cursos e nenhum acadêmico foi participar.

    Assim, considerando que a ABD tem realizado eventos nas regionais que são claramente mais destinados aos profissionais e/ou com atividades únicas por edição proponho:

    Que a ABD assuma o compromisso de realizar uma vez por ano, em cada diretoria/secretaria regional, um evento de um dia com uma grade voltada exclusivamente aos acadêmicos produzindo ao final de cada uma publicação mostrando os trabalhos realizados e os resultados dos mesmos.

    As atividades deverão basear-se na parte teórica/pratica descartando tudo que for relativo a tendências e modismos. Deve ser um espaço democrático com pauta debatida e definida junto à comunidade acadêmica (alunos) e que sirva também – na forma de comunicações e painéis – para a apresentação do que vem sendo produzido de conhecimento dentro das universidades no campo das pesquisas, na graduação e pós-graduação.

    Todo o programa do evento deverá ser envolver exclusivamente convidados devidamente habilitados (legalmente) em Design.

    Sei que esta atividade necessita ser estruturada e serão necessários recursos. No entanto, sei também que há como uma associação buscar as verbas necessárias através dos governos em suas três esferas.

    Por haver esta necessidade de estruturação, este compromisso não precisa ser executado imediatamente, mas os estudos e analises para tal devem ser iniciados imediatamente.

    3- PRÊMIO JOVENS TALENTOS

    Conforme já escrevi acima, nossa profissão irá permanecer incerta se não alinhavarmos e construirmos o nosso estatuto epistemológico. E este só se concretiza através de conhecimento debatido e produzido nas pesquisas acadêmicas e do pensar sobre a área. Assim proponho:

    Que no Premio Jovens Talentos seja inserida a categoria Teoria. Esta categoria deverá contemplar dois segmentos: projetos de pesquisa e artigos relacionados à produção teórico-prática que fortaleça o discurso epistêmico sobre o Design. Ou ainda, incentivar o Design como objeto de pesquisa para além de suas ramificações.

    Vejo com tristeza aqueles cursos que deixam de lado o pensar a área em favor de abordagens meramente técnicas que se reduzem ao projetar exaustivamente. Enquanto isso, temos profissionais de outras áreas falando sobre a nossa área e temos, consequentemente, uma enxurrada de desinformação na mídia e nas rodas de conversas. Enquanto permitirmos que outros pensem e falem por nós, não conseguiremos ser o que devemos ser.

    Acredito que, ao abrir esta categoria de premiação, as IES irão repensar este assunto dentro de seus cursos e passarão a favorecer essa linha educacional. Vale ressaltar aqui que o MEC infelizmente baixou uma resolução onde as IES privadas ficam livres para definir se haverá ou não produção de artigos durante o curso e se haverá TCC ao final dos mesmos. E já sei de muitas IES que aboliram estas duas coisas. Isto não é um absurdo, é uma aberração!

    Aponto ainda que uma das maiores dificuldades nos cursos de formação acadêmica em nossa área é o de encontrar profissionais da área de Design que sejam de fato preparados e aptos para o exercício da docência porque simplesmente não os temos à disposição. Há concursos para contratação de docentes cujas vagas são preenchidas por arquitetos, pois não aparecem designers nas inscrições. Todavia, não podemos ser ingênuos. Esta carência de docentes formados na área de Design acaba trazendo aos cursos de formação específica em nossa área profissionais despreparados e descompromissados para o desenvolvimento do Design de Interiores/Ambientes. Deste modo, muitos cursos de formação acadêmica específica em nossa área, além de ser coordenados por estes profissionais, trazem no seu corpo docente um número reduzido de designers. Isso gera um círculo vicioso: nos concursos públicos ou nos processos seletivos de contratações, acabam privilegiando outros profissionais e não propriamente o designer.  Ressalto ainda que muitos destes arquitetos-professores insistem em menosprezar e minimizar a nossa área. Estou atualmente fazendo uma complementação curricular para o mestrado em 2014 e ouvi de uma arquiteta-professora que “vocês pensam que são o que para querer ousar trabalhar o jardim da casa? Vocês tem que ficar contentes com as plantas dos vasos internos e só que servem para isso.”. Isso eu já venho berrando em meu blog há anos e ainda continua acontecendo.

    Nos diversos eventos que tenho participado e nas palestras que tenho ministrado sempre me deparo com muitos acadêmicos que vêm ao meu encontro com a seguinte pergunta: “como me tornar um professor após a faculdade?”. Tem muita gente querendo isso, até mesmo profissionais. E estamos deixando isso passar em branco.

    Acredito que inserindo esta categoria, os acadêmicos passarão a cobrar de seus professores e coordenadores que abram esta disciplina, ou ao menos um espaço para isso, dentro dos cursos para que eles possam participar do prêmio. Aí entrará também a Comissão para Assuntos Acadêmicos da ABD que terá o papel de incentivar isso junto às coordenações de cursos.

    Devo também ressaltar que as parcas produções científicas que temos em nossa área ficam isoladas dentro das IES e não são levados ao conhecimento do universo acadêmico nacional. Já presenciei pesquisas idênticas tanto em cidades próximas quanto em distantes. Alias carecemos de iniciativas que objetivem a articulação das instituições universitárias, sobremaneira de cursos de pós-graduação, e quiçá no futuro algo como Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Design, à semelhante de outras áreas, por exemplo, como o CONPEDI para o Direito, ANPEPP para a Psicologia, ANPOF para Filosofia, ANPEd para a Educação, ANPOCS para Ciências sociais e tantos outros, os quais fortaleceram a produção de pesquisa em seus respectivos domínios.

    Inicialmente pode-se colocar como premiação apenas a participação em algo como um “Anuário Teórico do Design de Interiores” à ser editado e publicado contendo os trabalhos selecionados/premiados. Posteriormente pode-se avançar e buscar fomento para premiações maiores. Como acadêmico sei o valor que uma publicação oficial tem no currículo de um profissional, especialmente aqueles que querem manter-se dentro da área acadêmica.

    Outro detalhe muito importante é que este trabalho irá fatalmente incentivar aquele que será o grande alicerce de nossa profissão: a abertura de mestrados e doutorados em nossa área.

    Sei que esta atividade necessita ser estruturada e serão necessários recursos. No entanto, sei também que há como uma associação buscar as verbas necessárias através dos governos em suas três esferas.

    Como este trabalho exigirá logística e recursos, não precisa ser executado imediatamente, mas os estudos e analises para tal devem ser iniciados imediatamente.

    4- REGULAMENTAÇÃO

    Entendendo que as Comissões do Congresso Nacional, por onde o PL de regulamentação terá que tramitar, são constituídas para implementar aqueles ajustes e alterações necessários para que a publicação da Lei seja justa e coerente. Portanto, este é o momento exato para que estas sejam debatidas e realizadas.

    Entendendo também que qualquer alteração necessária à Lei após a sua publicação deverá passar por todo este trâmite e nos custará muito tempo para que estes ajustes sejam realizados, atrapalhando, inclusive, a implantação do Conselho Federal de Design de Interiores pois terão que ser feitas antes deste ato, pauto o último compromisso:

    Que a ABD trabalhe junto com o Deputado Ricardo Izar visando a abertura de audiências públicas dentro destas Comissões para que possamos realizar estes ajustes juntos, de forma democrática e franca.

    Tais alterações que concluímos necessárias, após analise dos resultados da mesa que tive com a Bianka são:

    – A retirada do termo “não estrutural” do texto da Lei. Deixar o texto livre nos possibilitando pensar e propor alterações. O parágrafo único do Art. 6° faz a ressalva de que somos obrigados ao acompanhamento de profissionais habilitados no caso do inciso IV. Obviamente isto remete que, em qualquer alteração estrutural que se fizer necessária em um planejamento ou proposta necessária para a solução do problema do espaço visando a usabilidade do mesmo, deveremos contar com o acompanhamento de um profissional habilitado para efetuar tal alteração.

    Portanto, que se retire a citação ao inciso IV e em outros dentro do PL e se faça uma alteração indicando, neste parágrafo único, que qualquer proposta fora de nossas atribuições devem ter o acompanhamento de um profissional especializado na área tratada.

    – Algumas alterações e inserções no texto da justificativa –  o qual, após a publicação, torna-se o substrato conceitual da norma e, deste modo, sua referência hermenêutica – que, tanto na presente produção da lei, quanto na sua futura aplicação, impeçam interpretações equivocadas. Neste sentido impõe-se desvincular-se da área da arquitetura exclusivamente de modo a inserir elementos que nos abram outros mercados que não se reduzam aos objetos arquitetônicos (Ex. embarcações, motor homes, aeronaves e outros).

    Apenas isso.

    Com este compromisso teremos a certeza de que a ABD realmente está de “cara nova”, ou melhor ainda, “com a verdadeira cara dos Designers de Interiores/Ambientes”, sem máscaras e democrática.

    Com este compromisso teremos a certeza de que podemos confiar nesta nova ABD.

    Com este compromisso iremos finalmente acreditar que podemos nos unir em torno de nossa causa em comum: a nossa profissão.

    Encerrando, quando me desassociei da ABD o fiz motivado por muitas insatisfações relacionadas às posições das antigas diretorias desta associação que, creio eu, todos vocês conhecem muito bem. Era uma associação que não passava para os associados e os não associados qualquer credibilidade no tocante à representatividade e tampouco na luta real pelos interesses inerentes ao nosso exercício profissional. Assim como eu, muitos profissionais se desassociaram da ABD pelos mesmos motivos que eu. Porém existe uma multa cobrada por esta associação para quem deseja voltar a ser associado. Assim, julgo justo, que esta associação promova uma anistia com relação à esta multa para todos os ex-associados que voltarem para a ABD.

    Atenciosamente,

    Paulo Oliveira

  • ProDesign>pr x CAU

    NOTA DE REPÚDIO À RESOLUÇÃO Nº 51 DO CAU/BR CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL

    A ProDesign>pr, Associação das Empresas e Profissionais de Design do Paraná, vem à público se manifestar e posicionar contra a Resolução nº 51 do CAU/BR, Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, somando-se às forças que em todo o país se unem veementemente contra a arbitrariedade do referido documento.

    Como uma das instituições associativistas mais articuladas do Brasil, e representando seu quadro de membros e empresas associadas, a ProDesign>pr reivindica a revisão imediata e portanto, melhor redação, da Resolução nº 51 do CAU/BR por considerar que esta pode ferir o exercício da profissão de designer, notoriamente instituída no país, apesar de sua não regulamentação, e por entender que esta pode ser contrária aos anseios de todos os profissionais do Design, que de maneira formal e legal, atuam legitimamente e eticamente.

    A Resolução nº 51 visa cumprir definições dispostas nos artigos 2º e 3º da Lei nº 12.378, de 2010, que em nosso entendimento passam por cima de profissionais, escritórios de design, centros e núcleos de design, setores de design em instituições públicas e privadas, instituições de ensino e de um histórico de mais de 50 anos de atuação científica e profissional dos designers no Brasil, ao simplestemente desconsiderar a profissão do designer.

    Por tudo isto, a Resolução nº 51 pode ferir o exercício da profissão de designer, ainda mais quando determina para fins de Registro de Responsabilidade Técnica o desenvolvimento por arquitetos e urbanistas das seguintes atividades: – Projeto de Mobiliário; – Projeto de Mobiliário Urbano; – Projeto de Design de Interiores; – Projeto de Comunicação Visual para Edificações; – Projeto de Comunicação Visual Urbanística; – Projeto de Sinalização Viária; – Execução de Adequação Ergonômica; – Execução de Reforma de Interiores; – Execução de Sinalização Viária; – Execução de Mobiliário; – Execução de Mobiliário Urbano; – Execução de Comunicação Visual para Edificações; – Execução de Comunicação Visual Urbanística.

    Muitas destas atividades sequer são contempladas por grades curriculares em vários cursos de Arquitetura e Urbanismo ao passo que fazem parte das grades curriculares dos cursos de Design. Nos parece que falta esclarecimento sobre o desenvolvimento destas atividades por profissionais que não são arquitetos e urbanistas, deixando uma lacuna que pode variar de acordo com interpretação, o que não é coerente com um documento que visa eliminar dúvidas. Isto acontece também com o Anexo da Resolução Nº 51 que procura definir conceitos descritos na própria resolução e na Lei 12.378. Um exemplo claro é a inclusão da Comunicação Visual como parte integrante da Arquitetura de Interiores, e portanto atividade exclusiva de arquitetos e urbanistas. A Resolução nº 51 do CAU/BR em nosso entendimento, parece aproveitar-se da falta de regulamentação da profissão do designer, que encontra-se neste momento em tramitação no Senado brasileiro.

    A ProDesign>pr ainda entende que estas determinações caminham na contramão do trabalho cooperado entre arquitetos, urbanistas e designers, na solução de problemas para as nossas cidades, adotando as ferramentas do design e as tecnologias e metodologias desenvolvidas por designers, centradas nos usuários.

    Por ainda acreditar na boa fé e nas boas práticas, a ProDesign>pr reivindica em voz uníssona a todas as Associações Profissionais de Design, Instituições de Ensino de Design, Empresas e Profissionais que corroboram dos mesmos ideais e que lutam pela valorização do Designer, a revisão no intuito da melhor compreensão, da Resolução nº 51 por parte do CAU/BR, Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil.

    Curitiba, 30 de agosto de 2013

    José Augusto Tulio Filho Presidente ProDesign>pr

    fonte:
    http://prodesignpr.com.br/inspiracao/noticias/nota-de-repudio-a-resolucao-n%C2%BA-51-do-caubr/

    Quero aqui parabenizar ao Tulio e à ProDesign>pr pela excelente nota de repúdio!!!!

    Importantíssima neste momento!!!

  • Notificação ao CAU

    São Paulo (SP), 8 de agosto de 2013.

    Senhor Presidente,

    A Associação Brasileira de Designers de Interiores, sociedade civil que representa os interesses dos designers de interiores/ambientes em todo o território brasileiro, com sede na Alameda Casa Branca, nº 652, conjuntos 71 a 73, Jardim Paulista, São Paulo (SP), inscrita no CNPJ sob o nº 45.292.224/0001-52, representada pelo advogado “in fine” assinado, devidamente qualificado no instrumento de mandato em anexo, com endereço profissional na Avenida Champagnat, nº 304, conjunto 304, “Praia da Costa”, Vila Velha (ES), considerando os termos da Resolução nº 51, aprovada em 12/JUL/2013, em especial a expressão “privativas” constante do art. 2º do referido ato, NOTIFICA formalmente o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, na pessoa do seu ilustre Presidente, quanto à ilegalidade consagrada no ato regulamentar acima indicado, por excesso ao disposto no § 2º do art. 3º da Lei Federal 12378, de 2010,  tudo na intenção de  prevenir  direitos  do(a)s  Associado(a)s  à

    ________________________________

    Ilustríssimo Senhor

    Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil

    SCN Quadra 01 Bloco E

    Edifício Central Park, salas 302/203

    CEP 70711-903

    Brasília (DF)

    NOTIFICANTE e advertir quanto à responsabilidade por eventuais danos morais e materiais que os mesmos possam experimentar no exercício das suas atividades laborais.

    Os designers de interiores/ambientes não são pessoas “leigas” nas atividades que exercem. Muitos são habilitados a tal por grau (bacharelato ou tecnólogo) que lhes foi concedido por Instituições de Ensino Superior ou mesmo por cursos técnicos, de nível médio. E é de se ressaltar, ainda, que há outros profissionais que exercem o mister de designer de interiores/ambientes mesmo sem uma habilitação formal, mas baseados numa formação decorrente de uma longa experiência, aliada, muitas das vezes, à habilitação em outras áreas de conhecimento afins à atividade.

    Assim, é essencial deixar claro e irrefutável, desde logo, que o(a)s Associado(a)s da NOTIFICANTE não são “pessoas leigas” na atividade de design de interiores/ambientes, como este douto Conselho vem propagando na sociedade.

    Afinal, leigo, segundo Houaiss, é “… aquele que é estranho a ou que revela ignorância ou pouca familiaridade com determinado assunto, profissão etc.; desconhecedor, inexperiente”.

    Como dito acima, quem exerce a atividade de design de interiores/ambientes não é inexperiente e nem desconhece as técnicas, a arte e o senso estético por ela exigida, em especial para atingir o fim maior que é otimizar a utilização de um determinado espaço pelo ser humano, seja para moradia, seja para o trabalho ou para qualquer outra serventia.

    E tais profissionais sempre deixam claro que são designers de interiores/ambientes – para o que sempre estiveram e estão devidamente habilitados.

    Enquanto designers de interiores/ambientes, tais profissionais não se registram perante este douto Conselho – vez que nem sempre preenchem os requisitos a tal, nos termos do art. 6º da Lei Federal 12378, de 2010.

    Então, não sendo inscritos no Conselho de Arquitetura e Urbanismo, os designers de interiores/ambientes, enquanto atuarem como tal, não estão sujeitos à fiscalização do mesmo. O § 1o  do art. 24 da Lei Federal 12378, de 2010, é claro:

    “O CAU/BR e os CAUs têm como função orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo, zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe em todo o território nacional, bem como pugnar pelo aperfeiçoamento do exercício da arquitetura e urbanismo.”

    (destacou-se)

    Assim, se os designers de interiores/ambientes não têm como profissão a arquitetura e nem o urbanismo, a sua atividade não se sujeita ao poder de polícia deste Colendo Conselho, “data máxima vênia”.

    E nem se diga que eles devam ser submetidos a este Conselho porque a profissão de designer de interiores não está regulamentada e nem está sujeito a um órgão de classe específico, pelo simples fato de ausência total de fundamento legal a tal pretensão.

    E nem se alegue, igualmente, a suposta infração ao art. 7º da Lei 12378, de 2010, que tem a seguinte redação:

    Exerce ilegalmente a profissão de arquiteto e urbanista a pessoa física ou jurídica que realizar atos ou prestar serviços, públicos ou privados, privativos dos profissionais de que trata esta Lei ou, ainda, que, mesmo não realizando atos privativos, se apresenta como arquiteto e urbanista ou como pessoa jurídica que atue na área de arquitetura e urbanismo sem registro no CAU.”

    (destacou-se)

    Analisando-se estra regra, vê-se logo que ela NÃO se refere a uma INFRAÇÃO DISCIPLINAR, que se sujeita ao controle do órgão de classe, mas, isto sim, ela define, em relação à arquitetura e urbanismo, um TIPO  PENAL.

    Ocorre que esta norma, de natureza penal, embora descreva um TIPO, o faz de modo incompleto e não especifica a PENA aplicável.

    É, pois, inapelavelmente, LETRA MORTA!

    No máximo, ela poderia ser considerada uma norma complementar ao art. 47 da Lei de Contravenções Penais (Decreto lei 3688, de 1941), que tem a seguinte redação:

    Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício.

    Contudo, a apuração de fato tido como contravenção penal NÃO compete a este Colendo Conselho.

    Mas, mesmo que assim não fosse, é fundamental observar-se que o tal exercício ilegal só se dá quando alguém

    “… realizar atos ou prestar serviços, públicos ou privados, privativos dos profissionais de que trata esta Lei…”

      (destacou-se)

    E quais seriam os tais atos ou serviços privativos dos arquitetos e urbanistas?

    A Lei Federal 12378, de 2010, não os especifica diretamente. Mas a leitura atenta do seu art. 3º é suficiente para clarear o assunto:

    Art. 3o  Os campos da atuação profissional para o exercício da arquitetura e urbanismo são definidos a partir das diretrizes curriculares nacionais que dispõem sobre a formação do profissional arquiteto e urbanista nas quais os núcleos de conhecimentos de fundamentação e de conhecimentos profissionais caracterizam a unidade de atuação profissional.

    § 1o  O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil – CAU/BR especificará, atentando para o disposto no caput, as áreas de atuação privativas dos arquitetos e urbanistas e as áreas de atuação compartilhadas com outras profissões regulamentadas.

    § 2o  Serão consideradas privativas de profissional especializado as áreas de atuação nas quais a ausência de formação superior exponha o usuário do serviço a qualquer risco ou danos materiais à segurança, à saúde ou ao meio ambiente.”

    Portanto, realmente cabe ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil especificar quais são as atividades privativas dos arquitetos e urbanistas, mas, para tanto, deverá observar, inexoravelmente, os limites definidos no § 2o do art. 3º da Lei Federal 12378, de 2010.

    Ou seja, para ser privativa de arquiteto e urbanista, é essencial que “…a ausência de formação superior exponha o usuário do serviço a qualquer risco ou danos materiais à segurança, à saúde ou ao meio ambiente.”

    Portanto, não é qualquer atividade atribuída ao arquiteto e ao urbanista pela Lei 12378, de 2010, ou por Resoluções do CAU, que pode ser qualificada como PRIVATIVA.

    É preciso que se caracterize que a atividade:

     1.   se for desenvolvida por pessoa sem formação superior;

     2. exponha o usuário do serviço a risco (potencial) ou danos materiais (efetivos) à segurança, à saúde ou ao meio ambiente.

    Ocorre que este douto Conselho  não observou estes limites legais ao aprovar a Resolução 51, de 12/JUL/2013, em especial, repita-se, à “expressão “privativas” contida no seu art. 2º.  Consequentemente, a norma está a ofender o princípio da reserva legal e, sendo ilegal tal Resolução, neste particular, é evidente que a mesma não se mostra aplicável.

    E nunca é demais lembrar a GARANTIA FUNDAMENTAL insculpida no inciso XIII do art. 5º da Carga Magna, “in verbis”:

    “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”

    Esta GARANTIA FUNDAMENTAL, que se sobrepõe aos interesses corporativistas, inibe práticas como as deste Conselho, pois assegura a(a)s Associado(a)s da NOTIFICANTE o pleno exercício do seu mister como design de interiores/ambientes, não se submetendo à vontade ilegal deste Conselho.

    Neste ponto, cabe asseverar que, examinando-se as grades curriculares dos Cursos de Arquitetura e Urbanismo e dos Cursos de Design de Interiores/Ambientes, vê-se claramente que estes últimos oferecem muito mais conhecimento para a elaboração de projetos de forma criativa e científica buscando soluções para espaços interiores residenciais, comerciais e institucionais, visando a estética, a eficiência, a segurança, a saúde e o conforto, além de pesquisa de produtos, materiais e equipamentos para elaboração e execução de projetos de interiores.

    E é esta a atividade do designer de interiores/ambientes!

    Aparentemente, ela até pode se aproximar muito da atividade da “arquitetura de interiores”, mas nem de longe ela pode ser tida como PRIVATIVA de arquitetos, como acima claramente demonstrado.

    Pelo exposto, fica este Conselho devidamente cientificado de que:

    1. a Resolução CAU 51 há de ser revista, vez que não observou o limite fixado no § 2o do art. 3º da Lei Federal 12378, de 2010, e, assim, quedou ilegal quanto à atribuição da qualidade de “privativas” de arquitetos e urbanistas às atividades descritas no seu art. 2º;

    2. não há competência e/ou justa causa para fiscalizar as atividades desenvolvidas pelo(a)s Associado(a)s da NOTIFICANTE enquanto designers de interiores/ambientes  e muito menos para lhe atribuir prática infracional e apená-la.

    Por fim, fica este Conselho notificado de que, caso persistam os atos de fiscalização das atividades de Associado(a)s enquanto designers de interiores/ambientes, poderá vir a ser responsabilizado civilmente pelos danos morais e materiais decorrentes de tais atos, vez que ilegais e, consequentemente, abusivos, nos termos do art. 37, inciso VI, da Constituição da República.

    Jonatan Schmidt

    ADVOGADO – OAB/ES 330-B

  • Reconhecimento

    Pois é pessoal, mais uma vez sou reconhecido como profissional e como pensador sobre as duas áreas que atuo: Design de Interiores/Ambientes e Lighting Design.

    E desta vez tenho a honra de ser convidado a fazer parte da coluna Perfil no site de uma das maiores redes de lojas do país, a Leroy Merlin.

    http://www.leroymerlin.com.br/detalhe-perfil/-/artigo/19579448

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    Respeito se conquista com seriedade, competência, ética e dignidade!

  • I FÓRUM DA CRIAÇÃO DO CONSELHO FEDERAL DE DESIGN

    godesigners

     

    Todo Profissional tem o direito de exercer a sua Profissão com dignidade e respeito.

    A expectativa dos organizadores é reunir, somar elementos com interesse pela causa, a fim de fortalecer os objetivos da classe,  acentuar as manifestações de apoio ao projeto em qualquer veículo de divulgação da imprensa escrita, verbal ou virtual, principalmente aquelas específicas das associações de design pelo país.

    Evento:  I Fórum da Criação do Conselho Federal de Design

    Data:     17 de Agosto de 2013

    Local:     Em definição

    Cidade:   Campo Grande – MS

    Público:  Designers e Decorados  de MS e simpatizantes.

    Palestrantes:

    • Dep. Federal José Luiz Penna – Autor do Projeto de Lei 1391/2011

    • Lighting Designer Paulo Oliveira – articulador da criação do Conselho, Designer de Interiores pela UNOPAR, especialista em Ensino Superior com pesquisa em formação acadêmica do Designer de Ambientes. Especialista em Iluminação pelo IPOG com pesquisa em formação e mercado de trabalho do Lighting Designer. Colunista na revista Lume Arquitetura “Luz e Design em foco” .  É também autor do Blog “Design: Ações e Críticas” e co-autor do Portal DesignBR.

    Palestras:

    Palestra 1:

    Design de Ambientes – “N” Jeitos de Atuar.

    Palestra 2:

    Design de Ambientes e a regulamentação profissional

    Investimento:

    Profissional e Acadêmico:

    Pagamento até o dia 09 de agosto – R$ 60,00

    Pagamento após dia  09 de agosto – R$ 80,00

    OBS: Após se inscrever um email será enviado, automaticamente, para você informando sobre os procedimentos para o pagamento da inscrição.

    Para fazer sua inscrição, clique aqui.

  • RESOLUÇÃO N° 51 DO CAU

    Um abuso de poder sobre áreas que não fazem parte do CAU, especialmente Design de Interiores e Lighting Design. É assim que eu vejo toda esta situação provocada e imposta pela Resolução n° 51 do CAU.

    Estas duas profissões ainda não são regulamentadas e o CAU está agindo de má fé, aproveitando-se deste fato, para eliminá-las do mercado.

    Devo destacar aqui que já tentamos, por mais de cinco vezes, regulamentar a profissão de Designer de Interiores e em todas fomos derrotados. Fomos derrotados pelo lobby que os arquitetos mantém constantemente ativo dentro do Congresso Nacional visando derrubar qualquer lei, emenda ou o que for que eles julguem que atinja as suas atribuições e até mesmo o que eles julgam sê-las.

    Estamos atualmente tramitando o PL 4692/2012, de autoria do Dep. Ricardo Izar, visando a nossa regulamentação. No entanto, já fomos informados que este lobby está agindo de maneira dura lá dentro tentando derrubá-lo. Estão em cima dos deputados como urubus sobre a carniça plantando DESINFORMAÇÃO e INVERDADES sobre a nossa área.

    Afinal, fica a questão:

    Vivemos numa democracia multi-profissional visando atender às demandas do mercado atual e que, com isso, torna-se necessário trabalhar em equipes multidisciplinares ou vivemos numa ditadura arquitetônica onde somente o arquiteto pode e tem poder e competência para decidir tudo, incluindo gerar Leis Federais?

    Esta resolução não só prejudica como elimina a nossa profissão atribuindo em caráter exclusivo aos arquitetos as atribuições de projetos de interiores.

    A resolução e as notas de esclarecimento têm deixado claro isso tanto que nos apontam como leigos desconsiderando todos os anos de estudo e prática profissional. Estão causando conscientemente um dano imenso à imagem de nossa profissão quanto às pessoas que praticam este ofício.

    Temos diversos profissionais com diploma de nível superior e até pós-graduados que estão sendo notificados pelos fiscais do CAU por exercício ilegal da profissão da Arquitetura. Incluindo profissionais que estão com seus ambientes parados em mostras comprometendo até mesmo o cronograma destas mostras.

    Ressalto o caso de uma designer que tem um escritório em sociedade com uma arquiteta cujo ambiente numa mostra foi notificado mesmo tendo a ART. Ou seja, o CAU está abusando, desrespeitando e prejudicando não somente os profissionais de Design de Interiores pois suas ações estão afetando outras esferas do mercado.

    Esta resolução – e as notas de esclarecimento – extingue a minha profissão promovendo uma descarada reserva de mercado para os arquitetos na área de projetos de interiores e também de Lighting Design. Estamos proibidos de atuar profissionalmente.

    Estamos sendo, caluniosamente, chamados de leigos pelo CAU e por alguns arquitetos.

    Existem hoje três modalidades de formação para o Design de Interiores ressaltando que todas atendem às Diretrizes Curriculares do MEC e cujos cursos são reconhecidos por ele:

    – Técnicos: de nível médio em cursos que duram em média 2 anos e com carga horária média de 400 h/a.

    – Tecnólogos: de nível superior, com duração de 2 a 3 anos e carga horária que varia de 1700 a  3000 h/a.

    – Bacharelados: nível superior, com duração de 4 anos e carga horária de aproximadamente 4000 h/a.

    Em relação aos currículos, vou ater-me aos de nível superior. São distintos e variam entre as universidades, mas geralmente contemplam saberes dentro destas áreas do conhecimentos:

    Fundamentos da construção civil além de análise de plantas relacionadas à construção civil e seus componentes, conforto térmico, iluminação e acústica, psicologia, percepção, representação técnica, ergonomia, fatores sociais e culturais, história da arte e do design, elementos da composição, princípios o design, metodologia científica, metodologia do design, fatores econômico, estudos de mercado, empreendedorismo, prática projetual, botânica aplicada ao paisagismo, história dos jardins, design de móveis, semiótica, materiais e processos de produção, gestão de projetos e processos, normas técnicas de diversas naturezas: RDC’s da ANVISA; NR’s do MTE, Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros, Normas do IPHAN e IEPHA, NBR’s (em respeito a legislação brasileira e visando ótimos resultados para o indivíduo), cessibilidade Sustentabilidade Paisagismo e Jardinagem

    Mesmo com de todas estas disciplinas listadas o CAU nos julga como LEIGOS e incapazes para executar as atividades pelas quais fomos formados.

    Sempre pautamos o nosso trabalho visando a parceria e o respeito profissional, a complementação entre as áreas. Mas sempre fomos vítimas de bullying por parte de alguns arquitetos, especialmente os mais xiitas – que geralmente são os piores que estão no mercado.

    Esta resolução é apenas o espelho do que sofremos no mercado há anos. Este foi o golpe de misericórdia que os arquitetos – não todos que fique bem claro – lançaram sobre nós através do recente instituído CAU.

    A formação em Arquitetura e Urbanismo, ou somente em Arquitetura, é muito complexa e compreende um universo de saberes e conhecimentos imenso. É desumano e mentiroso alguém querer afirmar que uma pessoa curse cinco ou seis anos e saia de lá apto a executar tudo o que viu dentro da universidade com perfeição. Eles saem sim com um conhecimento generalista ou seja, aquele que conhece um pouco sobre tudo.

    Exemplificando, na medicina temos as residências e suas especializações afinal, a medicina é tão complexa e o corpo humano idem que é impensável uma pessoa capaz de entende-lo em todas as suas especificidades. Isso também ocorre no Direito onde os acadêmicos tem um conhecimento geral e após um período do curso (ou após o mesmo) focam a sua atenção na área que desejam. São generalistas em Direito, mas especialistas em determinada área. A prova da OAB mostra isso claramente.

    Fica claríssimo que os arquitetos saem das universidades sem saber trabalhar a plenitude de um projeto de interiores. Observe as grades dos cursos de Arquitetura que tem em média um bimestre ou semestre de uma disciplina que mesmo assim ainda é vaga sobre o assunto. Não repassa a eles o conhecimento específico que estudamos com detalhes por 2, 3 ou 4 anos dentro das universidades. Um fato que comprova isso é que muitos arquitetos procuram as especializações em Design de Interiores para tentar, ao menos, ter alguma base um pouco mais sólida sobre o assunto que é muito extenso e digno de anos de formação específica. Pergunte à qualquer coordenação de especialização em Design de Interiores e Lighting Design (ou Iluminação) e terá esta resposta sobre o número de arquitetos dentro de cada turma com relação àqueles de outras áreas.

    Não podemos nos esquecer que a maior escola de Arquitetura – a italiana – não mistura a área com nada. Não só ela, mas existem outras pelo mundo que também são assim. Eles ensinam a Arquitetura pura. Lá não se vê urbanismo e paisagismo ocupando grandes espaços nas matrizes de seus cursos desviando o foco de sua área: a Arquitetura. Tanto que os profissionais que vem de lá para o Brasil encontram muita dificuldade na validação de seus diplomas aqui.

    O mercado – e aqui se incluem necessidades dos usuários, novas tecnologias e materiais e muitos outros elementos – hoje impõe que não cabe mais o profissional generalista ou seja, aquele que sabe um pouco de tudo. Verifica-se a necessidade real de profissionais específicos em cada etapa que compõe uma obra. Hoje não podemos falar em parcerias entre engenheiros e arquitetos apenas. Faz-se necessário um trabalho em rede, de coworking ou ainda melhor, coautoria através de equipes multidisciplinares, onde tudo é analisado e planejado por todos, descartando-se os melindres e egos em nome do que realmente interessa e importa: a satisfação do usuário que recebe um projeto complexo e que realmente atenda às suas necessidades.

    Neste sentido, observa-se escritórios renomados e consolidados no mercado nacional e internacional como, por exemplo,  Rosenbaum e  Zaha, que eles já sacaram que sem estas equipes seriam apenas mais um na multidão.

    Arquitetura é uma área muito ampla, existem muitos nichos de mercado para os arquitetos, alguns específicos. Mas eles querem atuar em interiores por ser, segundo a ótica deles, mais rentável. Porém o que eles fazem nem de longe é Design de Interiores. É mero toque de estética. Veja bem, comprar móveis prontos e de grife e arrumá-los de uma forma bonitinha dentro de um espaço não é Design. Fazer uns esboços ou desenhos básicos de algum mobiliário apontando apenas as medidas básicas, suas divisões internas com vista superior, lateral e frontal para chegar ao marceneiro e deixar que ele solucione questões relativas à produção (ferragens, encaixes, planos de corte, quantificação de materiais e insumos entre outros mais)  não é Design. Entender sobre Neufert aplicado a peças de mobiliário e julgar que ele por si resolve questões de acessibilidade e usabilidade mostra claramente que arquitetos não entendem nada de Design. Eles julgam que porque alguns tiveram a disciplina de História do Design em suas matrizes, já são designers. Eles não entendem que a estética é apenas uma  das partes do Design de Interiores, dentre tantas outras que compõem o todo de nossa profissão já exemplificado acima.

    Outro ponto que devo destacar é sobre as questões estruturais que eles alegam para proibir o nosso exercício profissional. Veja bem, não fazemos alterações estruturais em nossos projetos, não saímos por aí derrubamos paredes deliberadamente e inconsequentemente. Só PROPOMOS estas alterações muito esporadicamente quando as necessidades do projeto assim exigem. Mas apenas propomos e não as executamos. Para executá-las sempre trabalhamos em parcerias com engenheiros especialistas em estruturas que irão analisar a viabilidade técnica da alteração e, em caso positivo, realizarão e  executarão este projeto estrutural específico.

    Neste ponto eles alegam que assim o fazendo estaremos infligindo o direito autoral da obra arquitetônica. Oras, a obra arquitetônica é um produto que foi comprado por alguém. O proprietário da casa pagou caro por este produto sendo portanto, dono dele o que lhe garante o direito de fazer o que quiser com ele. No entanto os arquitetos alegam que somente o autor da obra tem poder e autoridade para executar qualquer alteração na edificação, até mesmo a simples alteração da cor de uma fachada. Oras, o que é isso senão uma reserva de mercado às avessas mascarada por trás do direito autoral? Eles mantem quem comprou o projeto e os outros que comprarão a edificação durante a existência da mesma, reféns de um autor. Este direito já está garantido através do registro do acervo técnico que garantirá ao autor, em caso de cópias, segurança jurídica e indenizações diversas. Este é outro ponto que a Arquitetura deveria reanalisar com seriedade, transparência e ética. Isso é muito mais importante solucionar que ficar caçando encrenca ou buscando pelo em ovo.

    Mas preferem ficar na Arquitetura cômoda e não se envolver com os verdadeiros pepinos e abacaxis que assolam a sociedade e nossas cidades.

    Outro ponto que merece ser destacado nesse contexto todo é que os arquitetos roubam para si uma área sobre a qual não tem domínio além do básico: o Paisagismo.

    Há que se fazer a correta distinção entre paisagismo, jardinismo e jardinagem. Se formos analisar corretamente e friamente a etimologia da palavra Paisagismo, nem mesmo os arquitetos poderiam usá-la como titulação profissional uma vez que ela envolve elementos gigantescos como matas ciliares (e todos os seus elementos/componentes), tipologias de solos (muito além das questões relativas a jardins). Cito ainda questões ambientais e botânicas como os micro e macro sistemas que compõem a flora e a fauna, que nem de longe se pensa/estuda isso dentro de um curso de Arquitetura. Eles são sim jardinistas, assim como nós designers de interiores. De paisagistas, merecem no máximo o título de aprendiz júnior dada a complexidade da área e o desconhecimento técnico/teórico desta totalidade por eles.

    Nesse ponto deixo a dica aos agrônomos, geólogos, botânicos e outros mais, para que lutem pois uma área claramente de vocês está sendo roubada de vocês pelos arquitetos.

    O que mais me estranha – na verdade não mesmo – é que o CAU esperou que Niemeyer morresse para fazer isso. Eu tenho absoluta certeza de que se ele estivesse aqui neste plano ainda esta resolução estaria fechadinha dentro de alguma gaveta de algum xiita da Arquitetura brasileira pois este tem ciência que Niemeyer jamais permitiria isso.

    Tenho certeza que a partir do momento da publicação desta resolução, onde quer que ele esteja, rasgou a sua carteira n° 1 do CAU, cuspiu nela e pisou em cima além de ter berrado algo como: “Assim vocês me matam de vergonha!”.

    Oras, vejam a obra dele. Não sou seu maior fã mas uma coisa que sempre notei nele é o caráter multiprofissional que ele tinha. Seu escritório sempre foi, especialmente depois dos anos 70 e muito mais claro após os anos 80, um grande escritório de coworking.

    Minha gente, ele chamou a sua filha que não era arquiteta para ficar responsável pelos projetos de ambientação internas de suas obras. Lucy Niemeyer sempre aplicou seus conhecimentos em Design Grafico nas obras dele. O próprio Niemeyer chamou Peter Gasper para iluminar as suas obras. Ele tinha plena consciência de que nem mesmo ele, tão vultuoso mestre e referência da arquitetura nacional, era capaz de fazê-lo e que precisava de alguém apto para isso. Nesse aspecto optou por um profissional da iluminação que NÃO É ARQUITETO, mas que ilumina a a sua (e outras mais) arquitetura com maestria. O paisagismo de seus projetos não era feitos por ele e sim por outro profissional que era especialista no assunto.

    Atenção AsBAI nesse aspecto. O próprio mestre derruba os argumentos falaciosos e utópicos de vocês ok??

     

    O QUE SE ESPERAVA DO CAU

    Veja bem, antes do CAU (e os arquitetos) fazer uma coisa dessa magnitude deveria voltar seus olhos para a Arquitetura, o que ela representa, o que a sociedade e os governos esperam dela, o que os calouros esperam para seu futuro visando atender à estas demandas.

    Eles deveriam lutar para libertar a Arquitetura da dureza imposta pelo pensamento da Bauhaus que destruiu a Arquitetura humanizada impondo a Arquitetura industrializada refletida nos caixotes que povoam nossas cidades em todas as dimensões.

    Deveriam lutar por mais espaço – e até mesmo poder – dentro dos governos para solucionar problemas graves urbanísticos (tem muita coisa nessa área que é competência da Arquitetura e poucos profissionais dispostos a atuar nelas) contribuindo com a sociedade como um todo, não somente com nichos relacionados à elite. Não são os programinhas dos CAUs regionais que irão ajudar nisso tudo.

    Deveriam ficar em cima dos gestores dos poderes municipais, estaduais e federal, especialmente em cima dos planos diretores, leis de zoneamento e dos políticos corruptos que vendem autorizações e emendas alterando-os tornando as cidades espaços impossíveis.

    Deveriam ficar em cima dos poderes municipais, estaduais e federal no tocante aos projetos de escolas esdrúxulas que temos visto sendo levantadas com muito elementos que colocam a vida de todos os usuários em risco, espaços mal planejados e pensados, com péssima circulação e acessibilidade e que não atendem às reais necessidades.

    Deveriam ficar em cima dos poderes municipais, estaduais e federal no que diz respeito às unidades de Saúde, Pronto Socorros e Hospitais que estão sendo construídos e que são verdadeiros açougues se analisarmos os projetos e planejamentos dos mesmos no tocante à Arquitetura.

    Deveriam ficar em cima dos poderes municipais, estaduais e federal e, a cada orçamento apresentado para uma obra pública, rebate-los apresentando orçamentos reais, com valores de mercado auxiliando, desta forma, a zelarmos pelo nosso país e ao menos diminuir este gargalo por onde bilhões de reais escoam anualmente para os bolsos de gente safada auxiliando o Ministério Público e os Tribunais de Contas a perceberem estes gargalos e punir os responsáveis.

    Deveriam bater de frente com as construtoras que estão impondo espaços cada vez mais impossíveis de serem habitados (ainda reflexo do absurdo imposto pela Bauhaus) por uma família comum em nome do custo.

    Deveriam lutar, por exemplo, contra o que a MRV faz ao pegar um mesmo projeto arquitetônico de um edifício (e do condomínio) e sair por 20, 30 cidades repetindo-o insanamente com uma qualidade deplorável de materiais e altamente duvidosa em questões de segurança. Não posso esquecer-me de citar ainda as dimensões absurdas dos ambientes.

    E, nesse sentido, esta lista fica praticamente infindável, como prova de que há muito trabalho para os arquitetos fazerem, que a sociedade necessita que eles o façam e que eles preferem ignorar completamente por julgarem como atividades menores ou menos rentáveis ou seja, não lhes garantirão o tão esperado “status cus”.

    Repensem as atitudes que vocês vem tomando aqui no Brasil. Repensem as grades curriculares de seus cursos fazendo-as voltar à Arquitetura Pura. Parem de tentar impor esta Arquitetura Obesa, impraticável, que se julga no direito de apoderar-se de tudo.

    FINALIZANDO

    Esperamos que os juízes que pegarem esta causa sejam sensatos e considerem todo o nosso histórico de contribuição com a sociedade e economia do país e, especialmente, que não somos leigos e sim aptos a exercer a nossa profissão garantindo a segurança para os operários da obra e para os futuros usuários.

    Gropius, ao idealizar a proposta original da Bauhaus, tinha a visão de que tudo (todas as artes e ofícios) não existiam sem a Arquitetura e dela eram eternamente dependentes e inseparáveis (DE MASI, 1997). O que é essa ação arquitetada nos bastidores atuais senão uma volta à essa ideia de Gropius? Devemos lembrar que já se passou muitas décadas e que o mundo no qual vivemos hoje é outo.

    O Design vem para compreender as demandas dos indivíduos e intervir nos espaços construídos de modo a melhorar a relação desses com os outros indivíduos bem como facilitar o uso dos objetos, o entendimento das informações a percepção da paisagem e a compreensão de mundo. Isso é design para ambientes!

    É triste a manifestação de ignorância apesar de tanta pesquisa produzida desde então pela Arquitetura mundial. No Brasil os arquitetos não perceberam que o mundo, as pessoas, as tecnologias, as aplicações e as necessidades humanas não giram mais em torno apenas da Arquitetura?

    Tanto Lighting Design quanto Design de Interiores/Ambientes não existem apenas por causa da Arquitetura. O objeto arquitetônico é apenas UM dos espaços construídos que estamos capacitados tecnicamente para atuar.

    Como mencionado, os técnicos, tecnólogos e bacharéis em design para interiores/ambientes estudam teoria e prática de diversos espaços onde vivem e convivem os indivíduos. Aliás, é bom ressaltar que o principal valor do trabalho dos designers é o seu olhar atento às necessidades, desejos e possibilidades do indivíduo. Saber o que ele quer na sua casa, o que ele precisa em seu escritório, o que é desejado num evento, a experiência esperada num automóvel dentre outros.

    Não estamos nem queremos trabalhar com arquitetura de interiores. Somos e desejamos o design como premissa projetual que considera o homem como centro de suas soluções projetuais!

    No mundo todo estas áreas existem, são exercidas e compartilhadas livremente por profissionais de diversas áreas sem qualquer problema ou melindre. Em nenhum outro lugar do planeta os arquitetos agem como os brasileiros, mais preocupados com corporativismo e o próprio status e não com a qualidade de vida das pessoas e o desenvolvimento social, econômico e cultural a partir da compreensão e respeito da diversidade.

    É dada a hora do trabalho em equipe e o respeito aos saberes das diversas áreas. É isso o que é ensinado nas escolas de Design no país, muitas oferecendo o curso há mais de 5 décadas.

    Mas não posso finalizar este extenso post sem citar uma incoerência absurda nesta situação toda: no mesmo momento em que o CAU tenta eliminar do mercado profissionais de duas áreas (Design de Interiores/Ambientes e Lighting Design) já consolidadas no mercado, este órgão está chamando seus associados para reuniões e plenárias para debaterem, a fim de aprovar e implantar, o seu Código de Ética Profissional.

    Como falar em ética profissional diante de tudo isso que estão fazendo demonstrando claramente nenhum respeito por outras áreas que deveriam ser tratadas como parceiras de trabalho?

    Triste a constatação que as ações foram nitidamente premeditadas e foram pautadas na fragilidade da não regulamentação da profissão de designer, que aliás, ainda não o foi por influências desses profissionais junto ao legislativo brasileiro.

    Por fim, esperamos que os deputados e senadores responsáveis pela regulamentação da profissão de design olhem para a experiência de outros países desenvolvidos e usem tais informações para aprovarem nosso trabalho no mercado brasileiro. Entendam definitivamente que o design é fator primordial para a melhoria das condições de vida dos indivíduos, indiscriminadamente.

    ___

    Agradeço às colegas Samantha Moreira Cidaley e Viviane Gomes Marçal pela revisão e indicações na construção deste texto.

  • Depois eu que sou louco….

    Eu tenho sangue de educador, sou descendente de educadores (e dos bons). Tenho um olhar sobre situações e uma leitura de tudo, especialmente textos, que não me permitem ficar apenas na superficialidade dos mesmos. Na verdade, as entrelinhas me interessam muito mais que os belos discursos… Nunca fiquei boiando na superfície de belas imagens ilustrativas de reportagens, artigos ou entrevistas, principalmente. Desde 2006 comecei a perceber algumas coisas por onde eu andava, conversava, navegava. Em 2007 a coisa toda começou a ficar mais séria e escancarada através do Orkut e foi quando senti a necessidade de documentar tudo aquilo através de meu blog. Eu dizia literalmente:

    Gente prestem atenção nisso, leiam este, aquele e aquele outro post em tais comunidades do Orkut… Olhem o que estão escrevendo neste fórum de Arquitetura e naquele outro…

    Acredito que, pela preguiça em ler mais de 300 comentários em cada um deles, preferiram me tirar de louco, alucinado, falar que eu estava drogado em excesso, que eu era um ET, que eu tinha que ser internado por loucura extrema entre outras coisas.

    Talvez também porque sabiam que tinha o idiota aqui dando a cara à tapa e preferiram ficar confortavelmente sentados em seus sofás e poltronas, postando fotinhas de ambientes lindos e chiques, sem se preocupar com estas questões pensando que “isso não me atinge, não tenho nada a ver com isso”…

    Ignoraram-me total e absolutamente. Riram de minha cara. Fizeram de meus alertas, chacotas.

    Lembro-me claramente que na comunidade Arquitetura Brasil tinha um arquiteto chamado Luis Robério, uma arquiteta chamada Jéssica e outros mais que postaram com todas as letras:

    “COM O CAU NÓS VAMOS COLOCAR OS DIZÁINERS DE INTERIORES EM EXTINÇÃO E ACABAREMOS TAMBÉM COM TODOS ESTES CURSINHOS RIDÍCULOS.”

    Adriana Diniz, Maria Alice Müller, Ed Ramos e outros mais viram tudo isso acontecendo. Mas o resto preferiu nos ignorar. Foi esse o momento em que acabou gerando uma situação desconfortável entre eu e a Brunette Fraccarolli – que então era a presidente da ABD. Eu critiquei a falta de posicionamento da ABD sobre isso e ela entendeu como uma critica pessoal.

    A ABD era uma associação formada essencialmente por arquitetos-decoradores, dirigida por estes. Era óbvio que não iriam fazer nada mesmo. Era uma ABD do simulacro, mascarada, de fachada e que só servia para lançar os nomes de seus presidentes e diretores no mercado como se fossem referencia por sua excelência projetual escondendo que, na verdade, só estavam ali usando a maquina da ABD.

    De lá pra cá continuei gritando, denunciando e sempre sem respaldo de ninguém. Chegaram a falar que eu ODIAVA OS ARQUITETOS, criaram uma cultura em torno de mim como se eu quisesse guerra ou estivesse guerreando com eles, eu estivesse provocando eles, eu, eu, eu… o louco, o viajandão na maionese…

    Lembro-me claramente também que ano passado participei de uma reunião do CLD (Campinas Lighting Design) e coloquei que a AsBAI ia fazer isso e, não me lembro quem, refutou veementemente esta idéia e falou que a AsBAI jamais faria ou apoiaria isso, por mais que eu mostrasse claramente nos discursos de seus ex e atual presidentes, bem como pelo histótico de notas lançadas por esta associação, que sim eles fariam. Optaram por acreditar mais no discurso de um dos presentes de que eu era o louco, alucinado, blablabla.. Optaram por não tomar atitude alguma imediata com relação a tudo isso. Agora digo: Valmir e membros do CLD, deveríamos sim ter montado a associação naquela mesma semana. Perdemos.

    Agora estamos aqui com a Resolução n° 51 do CAU que praticamente exterminou-nos, designers de interiores/ambientes e os lighting designers.

    Não sabe do que se trata isso? Ainda está pensando que estou falando mandarim, grego ou tailandês? Ainda, depois de mais de duas semanas disso tudo ter se tornado realidade continua desinformado? Esquente não, taí o link pra essa bagaça:

    http://www.caubr.org.br/wp-content/uploads/2012/07/RES51-2013ATRIB-PRIVATIVAS20-RPO-1.pdf

    cau3

    Estamos, desde o dia 12 de julho, proibidos de trabalhar, pois esta resolução distorce o termo “arquitetura de interiores” com algo bem próximo de “design de interiores/ambientes” confundindo. Se alguém for pego trabalhando poderá legalmente ser autuado em flagrante, vai passar vergonha, será processado, poderá ser obrigado a pagar multa ou ser preso por exercício ilegal da profissão do arquiteto.

    Eu, formado em curso superior em Design de Interiores, com especialização em Iluminação, estou proibido de exercer as minhas duas profissões.

    A realidade é esta!

    E assim como eu, vocês todos também estão.

    A ABD atual (é muito diferente da anterior) formada por designers, está trabalhando sim e muito nesta gestão atual. A situação é tão grave que os próprios diretores sentiram que não será a existência da ABD que irá salvar suas peles. Não é porque eles são ABD que estarão imunes às autuações, multas ou prisões. Eles perceberam que precisam de nós assim como nós precisamos deles.

    Este é o momento dos designers se unirem, lutarem pela mesma causa, sem melindres, egocentrismos, estrelismos, achismos… Sem se preocupar com quem manda mais, quem aparece mais, quem pode mais ou quem vai mais…

    Nenhum de nós que está à frente trabalhando tentando reverter esta palhaçada toda e tentando esta união de forças dos profissionais está ganhando absolutamente nada com isso. Na verdade só estamos perdendo o tempo que deveríamos estar usando para atender nossos clientes, nosso tempo para projetar, nosso tempo para nos relacionarmos (prospects) entre varias outras coisas que são fundamentais para as nossas carreiras e que a maioria continua por este Brasil fazendo normalmente.

    Pelo contrario, estamos no telefone, reuniões com juristas, advogados e outros, informando e berrando pelas redes sociais a absurda realidade em que nos encontramos.

    Estou em Salvador participando como convidado do NDesign 2013. Pensei que conseguiria dormir e descansar um pouco, tomar um banho de mar. Mas todos os dias vou ate 4, 5 da madrugada trabalhando, pesquisando, lendo e interpretando leis, grudado no celular falando com profissionais do país inteiro, escrevendo, juntando informações e tantas outras coisas mais que mal estou conseguindo dormir. Não consegui sequer abrir um único projeto de clientes meus para trabalhar. E assim como eu, existe o pessoal da ABD e alguns outros profissionais que também estão passando pela mesma coisa.

    A coisa não é brincadeira, não é uma chuvinha minha gente.

    Mandaram uma tsunami em cima da gente, literalmente falando e precisamos agir e, antes de tudo, DA UNIÃO DE TODOS OS ESTUDANTES, PROFESSORES E PROFISSIONAIS DAS ÁREAS PARA LUTAR POR NOSSOS DIREITOS.

    E não pense que isso não te atinge não. Você está tão ferrado quanto quanto nós. Depois não adianta chorar ou reclamar.

    Só para finalizar vale sinalizar aqui:

    Nós vivemos numa democracia multiprofissional ou numa ditadura arquitetônica?

    Em todo o resto do mundo Arquitetura e Design de Interiores existem e coabitam o mesmo espaço. Contudo, convivem tranquilamente, pacificamente e, inclusive, são profissões que diariamente trabalham juntas sem se importar com quem manda mais, quem pode mais ou quem é mais.

    O Brasil é o único país que permite este tipo de palhaçada.

  • CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL E EDIFICAÇÃO EFICIENTE

    Mais um excelente artigo da Mestre Viviam para vocês:

    CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL E EDIFICAÇÃO EFICIENTE: UMA BREVE INVESTIGAÇÃO SOBRE PREÇO E VALOR

    RITTER, Vivian Fetzner (1)

     

    As construções sustentáveis e edificações eficientes, onde se inserem, por exemplo, o controle do uso do solo, a aplicação eficiente dos recursos hídricos, a eficiência energética, a gestão dos resíduos sólidos, a preocupação com o ciclo de vida das edificações, com as energias renováveis, a iluminação sustentável e suas aplicações nas edificações, tem relação direta com a busca da eficiência e a conseqüente minimização do consumo de energia, e tais aspectos, antes de um modismo, estão efetivamente relacionados com o futuro da arquitetura, da construção civil e por que não dizer, com o futuro do planeta.

    Atualmente entendemos como mera opção as questões vinculadas à sustentabilidade e às possíveis alternativas de construções sustentáveis, algo que não poderá perdurar por muito tempo. Num futuro bem próximo (2), seremos obrigados a projetar as edificações pautadas na sustentabilidade e eficiência energética. Assim, cogitando, como exemplo, o fim anunciado das lâmpadas incandescentes, outras leis deverão legitimar mudanças urgentes e necessárias, apontando para uma necessária alteração de paradigma.

    Imediatamente conscientes da maneira pouco sustentável que a maioria orienta suas condutas no âmbito pessoal e profissional, vislumbramos a virada. Virada esta a nos alertar da necessidade de efetivamente mudar nossas atitudes perante o meio ambiente e todos serão chamados a fazer a sua parte. É preciso – e é possível – começar logo, através de atitudes sustentáveis no escritório, na rua, no trabalho, nas obras, nas nossas casas, nos nossos espaços. Uma mudança de concepção. Os erros do passado precisam ser sepultados. Muitos profissionais se vêem desestimulados e acreditam que a sustentabilidade somente poderia ser adotada nas construções totalmente sustentáveis, as auto- sustentáveis. Um equívoco. Uma construção mais sustentável, onde o “mais” é o fio condutor do projeto. Articular, pensar e repensar quais as lacunas latentes e passíveis de intervenção através da engenharia e da arquitetura capazes de tornar determinada construção mais sustentável e energeticamente mais eficiente.

    Especificar este “mais” sustentável fará a diferença.

    São infindáveis as alternativas que se apresentam, desde a utilização de placas fotovoltaicas nas construções, as válvulas de descarga com fluxo duplo, o reuso da água, a utilização consciente da iluminação natural e as alternativas para diminuir o consumo de energia através dos aparelhos de ar condicionado, cogitar a ventilação cruzada, atentar para o acionamento e desligamento das lâmpadas fluorescentes preservando, assim, sua vida útil. Enfim, definitivamente, há uma multiplicidade de práticas possíveis de serem adotadas pelos profissionais e por todos os quais desfrutam das benesses da natureza, que deveriam ser respeitadas.

    Em razão disso, a atividade dos arquitetos, dos engenheiros e dos designers de interiores é de significativa importância na busca de alternativas concretas para alterar a perspectiva sombria derivada da falta de conscientização no sentido da adoção de boas práticas direcionadas à sustentabilidade. Não basta mais o cidadão ter a preocupação de separar seus resíduos domésticos, algo que ainda não foi adotado pela maioria.  É necessário, cada vez mais, que todos se envolvam na busca de soluções para a matriz energética, com a construção de edificações sustentáveis e eficientes vinculadas à preservação do meio ambiente, onde o consumo dos bens legados pela natureza necessita de preservação imediata e efetiva.

    O futuro irá depender, sem dúvida, das escolhas que fizermos, pois “[…] enquanto houver a presença da família humana no planeta Terra. Em todo o tempo que durarem as relações homem-natureza, esta questão estará presente, embora num processo contínuo de mudanças e adaptações” (3).

    O crescimento da escassez dos recursos encontrados no meio ambiente (4) requer o desenvolvimento de novas técnicas para a sua administração, com o objetivo de evitar o fim dos recursos disponíveis. Nesse sentido, o aumento da escassez exige um crescimento econômico vinculado ao uso ponderado de recurso não havendo dúvida de que o homem, desde os primórdios da humanidade, está destinado ao crescimento econômico (5).

    Trata-se de adotar, com consciência, uma visão multidisciplinar que, apesar de alguma complexidade, integra diversas áreas do conhecimento, a fim de reeditar a diversidade que compõe o próprio mundo onde são indispensáveis conhecimentos de arquitetura, das engenharias, do design, dentre outras.

    O crescimento da escassez requer o desenvolvimento de novas técnicas para a sua administração, com o objetivo de evitar o fim dos recursos disponíveis. Nesse sentido, o aumento da carência exige um crescimento econômico vinculado ao uso ponderado de recurso não havendo dúvida de que o homem está submetido ao desenvolvimento econômico.   Por isso, na discussão de preço e valor, que envolve, por exemplo, a escolha de uma lâmpada incandescente ou uma lâmpada led, não afasta a logicidade da opção pela segunda, seja por deixar de contribuir com o aquecimento global, proporcionar uma economia de energia de aproximadamente 70% a 80% em relação ao consumo de uma lâmpada incandescente, pela manutenção, por sua durabilidade, insumos estes inerentes ao conceito de sustentabilidade.  Assim, o preço a ser pago por uma construção pautada pela sustentabilidade e eficiência energética, a curto e médio prazo será muito mais econômica, eficiente e adequada à preservação do meio ambiente.

    Partindo de tais premissas, concluímos ser fundamental a adoção de componentes teóricos e práticos possíveis de fomentar alternativas destinadas à otimização na utilização dos recursos naturais, com respeito senão absoluto pelo meio ambiente, ao menos próximo daquilo que as demais gerações, num futuro não muito distante, irão agradecer.  Não se pode olvidar que a natureza, como se pode perceber das inúmeras catástrofes, decidiu cobrar um preço que, talvez, por não termos dado o devido valor ao meio ambiente, nunca estejamos preparados para pagar. Quem sabe não seja esta a diferença entre “preço” e “valor” que nunca soubemos administrar.

    Vivian Ritter

     (1) Doutoranda em Filosofia, Mestrado em Educação, Especialização em Iluminação e Design de Interiores, graduação em Design de Interiores, Professora de Pós-Graduação perante o IPOG, Coordenadora do MBA em Construção Sustentável e Edificação Eficiente pelo IPOG, graduanda em Direito.  
    (2) Por exemplo, o Programa Brasileiro de Etiquetagem em Edificações (PBE Edifica), que avalia as construções  (residenciais, comerciais e prédios públicos) quanto à eficiência energética, como já acontece com os eletrodomésticos da linha branca, e já possui parceria com o Inmetro e com a Adene, empresa de Portugal, exemplo no referente à eficiência energética, hoje facultativa, num futuro próximo irá se tornar uma obrigatoriedade.  
    (3) COIMBRA. José de Ávila Aguiar. In Curso de Gestão Ambiental: Arlindo Philippi Jr., Marcelo de Andrade Romero, Gilda Collet Bruna editores – Barueri, SP: Manole, 2004, p. 527.  
    (4) Por meio ambiente se considera um conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um sistema natural, e incluem toda a vegetação, animais, microorganismos, solo, rochas, atmosfera e fenômenos naturais que podem ocorrer em seus limites. Meio ambiente também compreende recursos e fenômenos físicos  como ar, água, e clima, assim como energia, radiação, descarga elétrica, e magnetismo. Para as Nações Unidas, meio ambiente é o conjunto de componentes físicos, químicos, biológicos e sociais capazes de causar efeitos diretos ou indiretos, em um prazo curto ou longo, sobre os seres vivos e as atividades humanas.
     (5) PINHEIRO PEDRO, Antonio Fernando e all. Direito Ambiental Aplicado, obra citada, p. 619.
  • SOBRE A REGULAMENTACAO DO DESIGN: Que representatividade é essa?

    Pois bem meus leitores, no momento atual em que a regulamentação profissional está em pauta, faz-se necessário novamente levantar alguns pontos sobre este assunto e apresentar dados reais sobre o que está acontecendo, de fato, com a nossa área. Mais precisamente, a forma antiética da atuação da Associação Brasileira dos Designers de Interiores Decoradores, doravante apenas ABD, nos bastidores deste processo.

    1. Histórico da regulamentação:

    Não é de hoje que lutamos por uma profissão regulamentada aqui no Brasil. Foram tentativas que infelizmente foram derrubadas:

    1980 – PL n° 2946/80 – autoria Deputado Athiê Coury – arquivado em 1983;

    1983 – PL n° 1055/83 – autoria deputado Celso Pessanha – arquivado em 1989;

    1989 – PL n° 03515/89 – autoria deputado Meurílio Ferreira Lima – arquivado em 1993;

    1989 – PL n° 6647/02 – autoria do deputado José Carlos Coutinho – arquivado em 2003;

    2003 – PL n° 2621/2003 – autoria deputado Eduardo Paes – arquivado em 2007;

    Observem que são mais de 30 anos de esforços na tentativa de regulamentar o Design aqui no Brasil. Das tentativas anteriores o que se pode observar basicamente são duas coisas:

    A – a desinformação sobre a área que imperava na maioria dos parlamentares;

    B – o forte lobby dos arquitetos agindo nos bastidores do Congresso Nacional.

    O primeiro ponto (A) fica claro nos votos dos relatores e pareceres das comissões quando afirmam coisas mostrando que o entendimento deles sobre a área estava equivocada: tratavam Design como Artesanato.

    O segundo ponto (B), no vídeo da ADG que apresento mais abaixo onde fica bem clara a existência dele e de sua força lá dentro.

    Como todos sabem, atualmente tramitam no Congresso Nacional dois Projetos de Lei (PL) de regulamentação de profissões de Design, à saber:

    O PL 1391/2011 de autoria do Deputado Penna que regulamenta a profissão do Designer contemplando todas as áreas, menos a nossa. Este PL já está na última Comissão e tem todas as possibilidades de ser aprovado, finalmente, e ir para a sanção presidencial.

    O PL 4692/2012 de autoria do Deputado Ricardo Izar que regulamenta a área de Design de Interiores, projeto este feito pela ABD e que, em vários aspectos, minimiza a área apenas ao objeto arquitetônico além de diversos outros problemas que este não trata. (farei um adendo à isto no capítulo 2, abaixo).

    Isso se deve à ingerência e arrogância da ABD ao se achar no direito de “falar em nome de todos os profissionais”, inclusive aqueles que não fazem parte de seu quadro de associados que, diga-se de passagem, é a maioria esmagadora dos profissionais habilitados aqui no Brasil.

    Tudo aconteceu na primeira reunião da comissão formada por designers de varias áreas e de renome nacional (Van Camp, Harsi, Porto entre outros), que se uniram em prol da regulamentação para estudar e elaborar um texto base (minuta) que servisse para o futuro PL de regulamentação.

    Nesse contexto inicial, foram chamadas as associações profissionais para fazer parte da comissão. Mesmo com protestos de diversos profissionais de Design de Interiores (ainda na época do Orkut), alguns membros da comissão resolveram manter a ABD como integrante da comissão e não abriram a possibilidade da participação de uma única voz discordante da ABD lá dentro.

    Um aparte: a ADG, ADP e outras associações de design atuam dentro de suas áreas específicas respeitando-as e construindo-as. É bastante raro perceber, mesmo na web, vozes dissonantes ou contrárias às mesmas com dados precisos e contundentes. Fato este que não ocorre com relação à ABD: ela sempre foi alvo de graves críticas, desmascarada em ações nada éticas e, principalmente, nunca ouviu realmente o que os profissionais habilitados falam. Até mesmo os associados reclamam que nunca conseguem ajuda alguma desta associação, especialmente jurídica e de relações de mercado.

    Este fato pode ser observado neste vídeo do “Encontro ADG: Sobre a Regulamentação do profissional de Design”, nas palavras do designer Ernesto Harsi que diz, com todas as letras, os motivos da área ter sido retirada do PL. A partir dos 30 minutos começa a parte que ele deixa isso bem claro. Sobre a ABD, está a partir do minuto 32:20m.

    http://www.ustream.tv/recorded/22297935

    2. Falsidade e mascaramento

    Para mascarar tudo isso, vez ou outra a ABD lança umas “pesquisas de mercado” em seu site. Porém, comodamente, ela não toca nas questões que são as mazelas do mercado. Assim é fácil passar a impressão que a profissão é um “mar de rosas”, que a profissão é magnífica e que todos vão sair nas revistas de alta circulação e mídias além de ficarem ricos. E, quando aparece alguma outra pesquisa levantando assuntos espinhosos e sérios, tentam desqualifica-la.

    Vale lembrar que a ABD significa na realidade Associação Brasileira dos Decoradores. Quando a área de Design de Interiores/Ambientes começou a ganhar espaço na mídia e status no mercado (na gestão da Brunette Fracaroli), numa reunião fechada da diretoria eles resolveram alterar a denominação para Associação Brasileira dos Designers de Interiores.

    Mas vale ressaltar que a ABD é uma associação multiprofissional: ela agrega basicamente três profissionais entre seus associados:

    Os decoradores, dos quais muitos deles são oriundos daqueles antigos cursos de curta duração que eram oferecidos por instituições como Senac, por exemplo. Observa-se que, considerando este aspecto, nem de longe chega perto da amplitude formativa do Design de Interiores/Ambientes.

    Poucos decoradores oriundos dos primeiros cursos superiores da área que são o início da implantação (tardia se comparada aos outros países) da área de Design de Interiores/Ambientes no Brasil.

    Os arquitetos decoradores, como aqueles profissionais que não trabalham – ou pouco trabalham – com arquitetura, mas que também não tem formação ou especialização alguma em Design de Interiores/Ambientes e que encontraram na área de Design e Decoração um excelente filão a ser explorado com interesses financeiros.

    E finalizando, os designers que são formados por escolas técnicas ou superior, devidamente habilitados em Design de Interiores/Ambientes.

    Ou seja, ela não é nem nunca foi uma associação exclusiva da área de Design de Interiores/Ambientes.

    Abaixo, apresento uma tabela quantitativa de associados que fiz com base nos dados levantados por mim no site da própria ABD no dia 06/03/13, na seção “Guia de Designers”:

     varanda_19 Mar. 14 02.42

     Vale aqui ressaltar alguns pontos interessantes encontrados nessa lista:

    * Estados onde percebi nomes duplicados sejam como estudante/estudante, estudante/profissional ou profissional/profissional ou ainda, todas as duplicações exemplificadas.

    ** Acreditem, o único estudante cadastrado está duplicado

    *** Pelo numero elevado de associados me poupei de contar tendo de fazer a seleção visual na lista buscando identificar entre profissionais e estudantes cadastrados e misturados sem a possibilidade de filtrar os resultados. Porém percebe-se uma alta quantidade de nomes duplicados (mais de 40 numa rápida olhada em menos da metade da lista completa do estado).

    De acordo com o site da ABD no dia 13/03/2013, há um total de associados de 2.773. No entanto, estima-se que hoje existam mais de 30.000 profissionais habilitados formados na área aqui no Brasil atuando nos mais diversos setores do mercado: lojas, escritórios próprios, empregados em escritórios de outros profissionais, indústrias, Instituições de Ensino Superior e Técnico entre outros.

    É bastante comum vermos notícias da ABD alegando que o quadro de associados vem crescendo “vertiginosamente”. Em 2012 li matérias onde a ABD ora alegava ter 8.000, em outra anterior eram 9.000, no final do ano somavam 10.000 associados. Estamos em 2013 e o site da associação (recentemente totalmente reformulado e atualizado segundo a própria associação) mostra números bem diferentes.

    Alegarão o que sobre esta discrepância?  Seja o que for eu acredito mesmo é na ineficiência e desorganização da associação. Como pode uma associação crescer assim enquanto suas regionais fecham as portas? Isso é informação de fonte segura. Mas, mesmo com o hipotético numero de 10.000 associados, não cabe representatividade legal por não ser uma associação exclusiva.

    Por ser esta uma associação multiprofissional, em nome do bom senso e da ética de mercado, ela deveria apresentar corretamente os associados deixando clara a sua formação. Entretanto, ela prefere afirmar que todos são designers, incluindo os ainda estudantes, lançando-os todos dentro de um mesmo balaio alimentando, assim, a desinformação sobre a área.

    Não se sabe quantos arquitetos fazem parte dessa lista, nem quantos são os decoradores e muito menos quantos designers devidamente habilitados estão ali escondidos. E os ainda estudantes, aparecem em seu site como DESIGNERS!!!!

    Claro, se ela fizer esta distinção entre os profissionais associados será obrigada a fazer a correta separação e consequente divulgação das barreiras profissionais, segmentando seus associados em grupos específicos. Isso fatalmente levaria vários profissionais que ali estão associados, já com anos de carreia, a serem impedidos de realizar determinados trabalhos por não serem devidamente habilitados para tal. Incluindo diretores.

    Também devo salientar que a ABD jamais terá coragem de enfrentar os desmandos e abusos cometidos pelo CAU, CREA e outros órgãos ligados à Arquitetura e à Engenharia contra os profissionais de Design de Interiores/Ambientes. Na verdade ela somente se mexe quando estes órgãos atingem algum dos diretores, como foi o caso da Fabianne Brandalise(que era diretora regional do PR), de Curitiba, que se viu envolvida num mal estar com arquitetos provocado por um erro de uma jornalista. Um dos problemas corriqueiros no mercado de trabalho que afeta muitos profissionais  e que, apesar das denúncias – incluindo de associados –  a ABD sempre fazia “vistas grossas” e nunca agia na defesa destes.

    Outro fator que devo salientar para deixar claro a não representatividade da ABD sobre a área de Design de Interiores/Ambientes é a sua consciente ignorância sobre a mesma. Observem este vídeo que a ABD lançou anteontem (12/03/13) em sua página do facebook:

    É o programa Transforma Decor de Vitória-ES. Na entrevista, a atual presidente Renata Amaral descreve a profissão e também o Jéthero em sua fala faz alguns complementos.

    Perceberam como a ABD amarra a área exclusivamente ao objeto arquitetônico?

    Para esta associação, Design de Interiores/Ambientes é somente isso: aquele profissional que visa melhorar a casa, a loja, o escritório. Duvida ainda? Olhem o que diz o site da associação:

    “O que é?

    (…)

    Um projeto de interiores deve considerar a estrutura do edifício, sua localização, o contexto social e legal do uso e o respeito ao meio ambiente. A criação exige uma metodologia sistemática e coordenada que inclui pesquisa e levantamento das necessidades do Cliente e sua adequação às soluções estruturais e de sistemas e produtos.”

    “Especialidades

    Designers de interiores podem ser especializados em um ou mais segmentos de atuação, sejam eles residenciais ou comerciais.

    Residencial – Projetos de interiores para casas e apartamentos, novos ou reforma, localizados no campo, na cidade ou na praia, com intervenção em salas, cozinhas, banheiros, dormitórios e outras áreas. Para elaborar um projeto de interiores na área residencial estuda-se os hábitos dos indivíduos habitantes do espaço, como desejos aspiracionais e de relacionamento entre os membros da família, e as condições do edifício. Aspectos técnicos como elétrica, hidráulica e outras condições precisam ser avaliadas com atenção nos projetos residenciais

    Comercial – Na área comercial, as exigências associadas à performance econômica são mais importantes e devem ser consideradas, ainda, questões como segurança, normas e regulamentos para cada segmento. Muitos designers de interiores são especializados em diversos campos do design comercial:

    – Entretenimento: Emprego de avançadas tecnologias na concepção de espaços tais como: salas de cinema, teatros, casas de espetáculo, museus, galerias de artes, clubes de música e jogos etc.

    – Saúde: Ambientes desenvolvidos sob rígidas condições de operação que abrigam clínicas, ambulatórios, consultórios médicos e dentários entre outros.

    – Hospitality: Espaços destinados a prestar serviços ao público, como restaurantes, hotéis, auditórios, centros de convenções, night clubs etc.

    – Escritórios (ou Espaços Corporativos): Instalações para acomodar colaboradores, dentro de exigências de conforto e saúde, em empresas de qualquer porte ou ramos de atuação.

    – Varejo: Planificação de lojas, supermercados, shoppings centers, showroons, padarias e outros espaços destinados à comercialização de produtos e serviços.”

    E o restante de segmentos (nichos de mercado) que não são atrelados à Arquitetura e que nós podemos sim atuar? E os segmentos que auxiliam a alavancar a economia, o bem estar social e ambiental, a segurança entre tantos outros?

    Eles não falam sobre isso, pois simplesmente não conhecem a área em sua essência, em sua amplitude, em sua complexidade e abrangência. Existem muitos associados – incluindo diretores – que não tem formação em Design. Portanto, são incapazes de projetar outros espaços/ambientes como, por exemplo, uma aeronave. Logo, não são na verdade Designers de Interiores/Ambientes.

    3. Conselho? Piada!

    Fui usado de diversas formas pela ABD na tentativa de calar-me e nisso inclui-se o fato de membros desta associação se aproximar de mim passando-se por “amigos”.

    Um exemplo disso é o diretor Jéthero que, após diversas trocas de e-mails PARTICULARES entre eu e ele, estes foram apresentados abertamente numa reunião de diretoria (tenho testemunhas lá dentro que presenciaram o fato e estão dispostas a testemunhar sobre o ocorrido caso necessário).

    Num momento anterior a isso e importantíssimo sobre essa situação é que, na última conversa que tive com o Jéthero por telefone (quando aguardava a conexão de vôo em São Paulo para Londrina no retorno do NDesign 2012), ele me falou que os planos da ABD eram regulamentar a área separadamente para inseri-la dentro do CAU!!!

    É!!! Eles não querem um Conselho Federal próprio. É mais fácil eles se manterem no poder dentro do CAU (com diretorias indicadas) de quem já são muito amigos que num Conselho próprio onde há eleições que não podem ser manipuladas com tem sido as da ABD.

    Já temos problemas demais com alguns arquitetos que não nos aceitam (incluindo autoridades do CAU) e ainda querem nos enfiar lá dentro?

    Seremos o que afinal de contas? O mesmo que os arquitetos foram por anos dentro do CREA? Massacrados, sem voz, sem preferência, sem tudo? Foram estes problemas que os levaram à alforria e à criação do CAU, separando-se definitivamente dos engenheiros para que pudessem cuidar decentemente da Arquitetura. Viviam num Conselho onde existiam “50 tons” de Engenharia (especialidades) e “2 tons” de Arquitetura (Arquitetura e Urbanismo). Óbvio que eram voto vencido. Uma batalha inglória e injusta.

    Vale ressaltar aqui a visão tosca que o sistema CREA/CONFEA tem sobre a área de Design de Interiores. Até hoje o sistema CREA/CONFEA não aceita o registro de profissionais de Design de Interiores com nível superior. Aceitam apenas o registro se este for de nível médio (técnico) e de acordo com as legislações internas, as atribuições profissionais são apenas aquelas relativas à Decoração. Não consegui ainda encontrar nada do CAU sobre o assunto, mas duvido que haja diferença nesse discernimento sobre Design de Interiores/Ambientes uma vez que estas legislações do sistema CREA/CONFEA foram feitas dentro da Câmara de Arquitetura do CREA, antes da existência do CAU.

    4. Outros

    E como se não bastasse tudo isso, esta associação age de maneira mafiosa. É bastante comum as empresas oferecerem aos profissionais programas de benefícios. Alguns pagam as promíscuas RTs, outras premiam os maiores especificadores com viagens e outros prêmios. Porém o que vemos em grandes redes como a Tok & Stok, Etna, Leroy Merlyn e tantas outras lojas grandes e importantes é a exigência da associação à ABD para poder fazer parte dos programas. Há também mostras e até mesmo concursos que exigem a associação.

    Mas isso é CRIME!

    A ABD não tem representatividade e tampouco poder legal de um Conselho Federal para impor estas restrições no mercado ou qualquer norma sobre a área. Ela força a reserva destes benefícios e direitos apenas para seus associados.

    Também levanto a questão do desrespeito com todos os profissionais de Design envolvidos direta e indiretamente na elaboração e tramitação do PL 1391/2011 que regulamenta o Design. É fato que o Design ainda não é compreendido corretamente por alguns parlamentares. Até mesmo na tramitação deste PL houveram algumas confusões de conceito, como as já demonstradas no inicio e a ADEGRAF teve que trabalhar muito lá em Brasília esclarecendo os parlamentares que ainda tinham dúvidas sobre a área.

    Porém, quando encaminhei o e-mail ao Jéthero (aquele entre eu e ele que ele apresentou à toda a diretoria) dizendo que nós (diversos designers que mantenho contato e que me seguem nas redes sociais e aqui em meu blog) não apoiaríamos o PL deles e que daríamos apoio integral ao PL do Design  o que a ABD fez?

    Mostrou a verdadeira face: arrogância, prepotência, desrespeito e egoísmo.

    No desespero de perder o suposto poder que acreditam ter, enfiaram o PL deles dentro do Congresso Nacional cientes que esta confusão de conceitos e entendimento sobre Design poderia levar todo o trabalho feito até aqui pró-regulamentação do Design pelo ralo, atropelando todos os que outrora chamaram de amigos e deram tapinhas nas costas (a comissão do Design e associações envolvidas).

    Oras, um deputado que ainda tem dúvidas sobre o que é Design certamente irá pensar:

    Mas o que é isso? Acaba de passar um PL por aqui sobre Design e agora vem mais um?”

    Isso irá acontecer até mesmo com os que já são esclarecidos com relação ao tema e, fatalmente poderá atrapalhar o andamento do PL do Design isso se não chegar a parar a sua tramitação e, mais uma vez, vermos todo o árduo e competente trabalho desenvolvido por uma equipe séria ser desmantelado por mero egoísmo de um grupinho.

    Não podemos permitir que isso aconteça.

    É jogo sujo demais por trás de uma fachada bonitinha.

    Com isso tudo exposto fica então a questão:

    Que representatividade legal é essa que ela diz ter para “falar e agir em nosso nome”?

    No meu ponto de vista, NENHUM!!!!

    5. Concluindo

    Portanto, diga não ao PL 4692/2012 da ABD.

    Encaminhe e-mails aos deputados de seu estado rejeitando este PL.

    Encaminhe e-mails ao deputado Ricardo Izar (dep.ricardoizar@camara.leg.br) rejeitando este PL.

    Encaminhe e-mails à relatora Dep. Andreia Zito (dep.andreiazito@camara.leg.br ) rejeitando este projeto.

    Encaminhe e-mails aos deputados da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público rejeitando este PL. Para saber quais são os membros acesse este link que irá aparecer uma lista de membros por partido. É essencial que todos os deputados desta comissão recebam e-mails rejeitando o PL da ABD. http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/ctasp/conheca-a-comissao/membros

    Mas só rejeitar não adianta.

    Temos de dar apoio ao PL 1391/2011  que está atualmente na CCJC – Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Aqui está a lista dos membros desta Comissão: http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/ccjc/conheca/membros

    Além de apoiar o PL 1391/2011, devemos apresentar o nosso desejo de que a nossa área seja inserida no referido PL após a sanção presidencial, através de emenda.

    Isso é fácil de se fazer, rápido, justo e ético.

    Caso você não goste de escrever ou tenha dúvidas sobre o conteúdo do texto para encaminhar aos deputados, copie o link deste post e encaminhe aos deputados apresentando-se como profissional da área e solicitando que eles leiam com atenção este post.

    Faça a sua parte!!!!

    O Design brasileiro agradece!!!

  • Sensação, percepção e emoção no espaço projetado

    Bom pessoal, entre as novidades deste ano aqui no blog está a participação de colaboradores escolhidos a dedo para vocês. Começo então com este excelente artigo da mestre Vivian.

    Sensação, percepção e emoção no espaço projetado

    Profa. Me. Vivian Fetzner Ritter*

    Certas características da contemporaneidade alteraram profundamente os modos de organização social, a vida pessoal e emocional dos indivíduos e os seus espaços. Entre essas características está a redução do espaço vital e o fenômeno do confinamento funcional.

    Os arquitetos e designers de interiores já consideram essas características projetando balizados pela minimização das dimensões dos espaços arquitetônicos e buscando por estratégias para que esse espaço seja otimizado e percebido como um espaço de dimensões satisfatórias.

    É importante lançar um olhar sobre a percepção como uma estratégia a ser utilizada nos projetos de arquitetura e design de interiores. Os conhecimentos sobre percepção, sensação e emoção devem ser entendidos como vitais no projeto, uma vez que não é recomendável separar a subjetividade da objetividade de um projeto. Essas alterações são percebidas com rigor na iluminação, antes se comprava lâmpadas, hoje se compra efeitos de luz.

    A subjetividade está por trás da objetividade do projeto. Por vezes, as qualidades não residem propriamente no objeto ou na estrutura da edificação, mas na percepção do usuário do espaço.

    Freqüentar várias vezes um restaurante onde a comida não é tão boa, mas o espaço é agradável pode ser explicado pela percepção positiva e a relação afetiva desenvolvida pelos usuários em relação à estrutura física e sensorial desse restaurante. Tratam-se de aspectos como sons, aromas, texturas, cores, conforto térmico e outros atributos que dependem das capacidades perceptivas dos indivíduos. Os freqüentadores desse restaurante são fundamentais para a interpretação do discurso desse espaço.

     A experiência sensível é o início de todo o conhecimento. Por isso, a sensação é a primeira das fases do processo perceptivo, seguida da atenção, percepção, emoção e memória.

    Segundo o escritor inglês John Berger (1999) “a maneira como vemos as coisas é afetada pelo que sabemos ou pelo que acreditamos”. Uma loja de vestuário feminino utiliza o que chamamos de design sonoro e escolhe uma música “agradável” para os clientes, da mesma forma, elege uma essência “agradável” para ser associada à identidade da loja, entre outros recursos. Apesar de haver a mesma condição ambiental, e uma certa semelhança de impressões de percepção, cada sujeito que entrar nessa loja a perceberá de maneira diferente, assim, o mesmo espaço arquitetônico será visto de diferentes formas e interpretado de maneira particular.

    A percepção é conduzida pela experiência sensorial, conhecemos as coisas mediadas pela nossa experiência. Olhar, cheirar, ouvir, tocar e saborear é um ato de escolha, elegemos o que nos chama mais atenção para ver. É preciso muito mais do que olhar para compreender um espaço e a emoção que ele enseja, é preciso ver com os ouvidos, com o nariz, com o estômago, com a pele. Ver aquilo que os olhos não vêem. Ver com os olhos da mente é sentir aquilo que se olha.

    Recebemos muitos estímulos contínua e simultaneamente. Por isso, para que haja percepção é preciso dar significado a esses estímulos. Não conseguimos dar sentido a tudo que ouvimos, a tudo que olhamos, a tudo que sentimos. Normalmente, aquilo que nos chama mais a atenção é mais facilmente percebido.

     A porta de entrada de um estímulo são os canais sensoriais, os cinco sentidos do organismo humano e a forma como organizo e interpreto esses estímulos é o que chamamos de percepção. O produto de um estímulo é o prazer ou o desprazer que dão origem às emoções, explicando, assim, a agradabilidade referida ao restaurante e à loja. A emoção foi o resultado da percepção, ou seja, da interpretação do aroma e da música. Ambos, nesse caso, contribuíram para que o espaço fosse interpretado e percebido positivamente, ou melhor, prazerosamente pelos clientes.

    Cabe ressaltar que toda informação carregada de emoção é mais facilmente armazenada na memória e pode influenciar na interpretação dos dados percebidos.  A percepção é a resposta à organização das informações obtidas pelos sentidos de modo que se possa ouvir e interpretar o discurso (a fala) do espaço arquitetônico.

    Ao fazer referência a discurso, portanto, atentamos para a forma como as palavras, conjuntos de sentenças e práticas relacionadas funcionam como discurso e apontamos a importância do discurso do espaço que, mesmo não utilizando palavras, exerce efeito de poder, de persuasão, de enlevo e de subjetivação. Pode-se, assim, considerar que um espaço pode proferir um discurso através da cor das paredes, da altura do pé direito, dos únicos e poucos respingos de iluminação que adentram por frestas um espaço e, por essas características físicas, constituem efeito de poder para torná-lo assustador ou interessante.

    Se o discurso tem efeito de verdade e de poder, pode-se pensar esse discurso emitido pelo espaço de forma “não verbal”. O espaço ordenado é um discurso não verbal, que exerce poder sobre os usuários ou freqüentadores; é o poder de um discurso, que pode conter verdade e engano. O discurso do espaço tem o poder de modificar comportamentos e atuar na subjetividade dos sujeitos. Sendo assim, os discursos do espaço são percebidos, absorvidos e entendidos sem o uso da escrita ou de fala, por isso, o discurso proferido pelo espaço “diz” para os sujeitos de forma “não dita” ou “dita” de forma “não verbal” ou “não verbalizada” ou “não visualizada”.

    Assim, o sujeito vai sendo moldado, disciplinado e incitado a comportar-se de acordo com as características e finalidades de um espaço, que condicionam silenciosamente a percepção. Todos os receptores sensoriais participam invisivelmente desse discurso do espaço arquitetônico.

    Os espaços são concebidos para atender às necessidades do sujeito, ou é o sujeito que é reinventado a partir da forma e das regras de comportamento pretendidas por aquele espaço, em seu discurso disciplinador? O discurso do espaço é uma força que replica muitas vezes sujeitos expostos ao poder e à persuasão daquele espaço.

    Modalidades discursivas são proferidas pelos espaços, inclusive as hedonistas, que incitam o sujeito a desejar “metros quadrados” que discursem “verdades” sobre o que é ser “vip”, por exemplo, e como portar-se enquanto se está sendo “um sujeito vip”. Dessa forma, os sujeitos respondem mimeticamente aos distintos discursos de um espaço. As diferentes percepções de um espaço condicionam e constituem as diversas maneiras de ser sujeito naquele ambiente, ou seja, respondendo adequadamente aos discursos do espaço.    O sujeito realiza exercícios de expressão para compor suas variáveis de apresentação e comportamento, as quais são chanceladas como “verdadeiras” pelo discurso do espaço para aquele que está no interior do espaço, ou seja, um espaço projetado não se apresenta livre de conseqüências para o sujeito.

    Portanto, é através da percepção que um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais para atribuir significado e valor afetivo ao seu meio, fazendo uso desses saberes podemos transformar espaços existentes em espaços preferidos, comportamentos que respondem as pretensões daquele espaço, um espaço projetado que projeta comportamentos.

    Por estas razões, a arquitetura e o design de interiores, além de solucionar demandas funcionais, devem projetar sensações que sejam percebidas emocionalmente pelos usuários, pois são parte decisiva do efeito e do sucesso de um projeto arquitetônico.

    Vivian Ritter

    * Vivian Fetzner Ritter – Pesquisadora e Doutoranda em Filosofia com a tese “Discurso do espaço arquitetônico e seus modos de subjetivação” (UNISINOS-RS). Mestre em Educação e Estudos Culturais (ULBRA-RS). Especialista em Iluminação e Design (OSWALDO CRUZ-SP). Graduada em Design de Interiores (ULBRA-RS). Graduanda em Direito. Acumula ainda, extensões em Design Estratégico: o projeto da Inovação (UNISINOS-RS); Método Etnográfico como ferramenta de pesquisa para o Design (UNISINOS-RS) e Docência do Ensino Superior (IPOG-GO). Atualmente é Coordenadora do MBA em Construção Sustentável e Edificação Eficiente e professora de pós – graduação junto ao IPOG, lecionando, nos cursos Master em Arquitetura, Iluminação e Design de Interiores, MBA em Construção Sustentável e Edificação Eficiente, Gestão da Produção Sustentável e, ainda, Design de Interiores, respectivamente, as disciplinas “Sustentabilidade e Eficiência Energética”, “Arquitetura de Interiores Corporativa”, “Projeto de Arquitetura de Interiores Corporativa”, ”Percepção Visual”, “Design Corporativo”, “Educação Ambiental e práticas responsáveis: ecodesign, redesing e bioconstrução.

  • Mitos contra a regulamentação

    O Ed postou no portal DesignBR ontem um texto da Camila Mariana Coutinho sobre a regulamentação profissional.

    Numa primeira lida (rápida) não percebi alguns detalhes contidos no texto. Passo então a analisa-lo e, porque não, desmistificar alguns argumentos (não ficou claro se são dela ou ela coletou pela web) contra a regulamentação profissional dos designers citados no texto dela.

    1 – Desvalorização da profissão, a partir da oferta de cursos de baixa qualidade e estudantes pouco comprometidos com o conhecimento, buscando apenas o diploma para exercício profissional.

    É absurdamente equivocado este tipo de pensamento.

    Sobre a qualidade dos cursos ofertados a tendência pós-regulamentação é que eles melhorem e muito em qualidade e que aqueles oferecidos por “uniesquinas” acabem por falir (graças a Deus!).

    A questão é simples: atualmente o MEC não consegue fiscalizar todas as universidades e cursos existentes no Brasil. Falta estrutura, faltam profissionais e falta, principalmente, vergonha na cara dos donos das IES privadas. Digo isso, pois eles contratam mestres e doutores apenas para aprovação do curso. Com a resolução em mão a tendência é demitir os mestres e doutores e ficar apenas com, quando muito, especialistas. Outro fator diz respeito à infraestrutura: o que tem IES privadas por aí que alugam bibliotecas vocês não fazem idéia.

    No conselho federal deve existir uma diretoria de ensino e pesquisa que irá avaliar os cursos juntamente com o MEC ( ou auxilia-lo a melhorar as diretrizes) assim como acontece nos cursos das profissões já regulamentadas. É esta diretoria que irá propor correções nas matrizes, direcionar ementários “desfocados” entre tantas outras ações visando sempre a melhora da qualidade dos cursos ofertados. Ou então, pode-se optar por outra instituição credenciada junto ao conselho para que faça especificamente este serviço. Olhem aqui o site da ABEA – Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo.

    Já sobre os estudantes isso sempre existiu e sempre existirá, regulamentada ou não a profissão. A questão é que estes que levam o curso “empurrando com a barriga” dificilmente conseguirão um lugar ao sol no mercado.

    2 – O custo das empresas com encargos trabalhistas seria transferido para os projetos, elevando os preços e prejudicando a contratação legal por parte das micro e pequenas empresas.

    Não vejo arquitetos, engenheiros e outros profissionais reclamando disso.

    É preferível então ter uma vida profissional clandestina só para manter os valores ridículos que tem sido praticados no mercado?

    É preferível então não ter segurança jurídica alguma?

    É preferível então continuar usando a conta bancária pessoal na vida profissional?

    É preferível então desgastar dia a dia o carro pessoal no trabalho porque não conseguimos abrir um leasing em nome da empresa?

    É preferível então ficarmos reféns do mercado perdendo grandes oportunidades nas licitações públicas por não sermos pessoas jurídicas?

    Posso citar ainda muitas outras situações que desmentem facilmente essa artimanha. Mas creio que já está bom.

    3 – Obrigatoriedade do registro na entidade profissional, o que nem sempre significa cumprimento dos direitos por parte das empresas.

    Não sei, mas acredito que esta afirmação tem um erro. No lugar de “direitos” deveria estar “deveres” ou “responsabilidades”.

    Se é para ser como está escrito, direito é direito. Se o seu foi desrespeitado vá atrás deles. Denuncie e, se necessário, busque-os por vias judiciais.

    Se estiver realmente incorreta e deveria estar “deveres”, e aí é uma questão de ética pessoal e profissional. Quem não cumpre com seus deveres profissionais, definitivamente boa praça não é. Logo, não merece ter direitos e os benefícios destes.

    4 – Exclusão do mercado de profissionais autodidatas que apresentam trabalhos de ótima qualidade.

    Em momento algum a regulamentação profissional visa excluir quem já atua no mercado. Se é um profissional de “ótima qualidade”, tem portfólio que comprove, qualidade nos projetos e os anos mínimos de exercício profissional previstos na Lei da regulamentação, poderá continuar a atuar tranquilamente.

    Mas na parte dos prós encontrei um probleminha também:

    Reserva de mercado.

    Quem insiste em bater nessa tecla mostra claramente que desconhece o inteiro teor do PL e a Lei brasileira. Reserva de mercado é crime, simples assim.

    O que acontece é que, regulamentada a profissão, a pessoa para exercer a profissão terá de obedecer o que diz a nossa Constituição Federal:

    Art. 5º – XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

    Ou seja: a partir da regulamentação, quem quiser trabalhar na área terá de fazer uma coisinha que está bem fora de moda (e cada dia mais fora) atualmente: estudar.

    Infográfico do http://www.designbrasil.org.br.

    Outro equívoco dela foi dar destaque ao projeto de regulamentação do Design de Interiores enfiado pela ABD via deputado Ricardo Izar e não questionar veementemente a não inserção de nossa área no PL do Design.

    Essa é a derradeira tentativa da ABD vir a ser o Conselho Federal da área. É o que eles sempre quiseram, sonharam, e desejam com todas as forças (negras e egoísticas) de suas almas. Tanto que suas ações provam isso ao vermos várias empresas (Tok&Stok, Etna, Leroy Merlin e várias outras) exigindo a filiação à ABD para poder fazer parte de seus programas de parcerias e benefícios.

    Já escrevi diversas vezes e repito: a ABD é apenas uma associação. Não tem direito algum de tentar regulamentar nada e tampouco impor-se como autoridade sobre a área. Isso é papel dos Conselhos Federais e isso, definitivamente, ela não tem moral e nem ética para ser.

    É ilegal esse posicionamento que ela tem forçado as empresas à tomar. Tanto ela quanto as empresas que cedem aos seus chiliques estão passíveis de punição na Lei.

    Bom, por hora é isso o que eu tinha a esclarecer sobre este assunto.

    Até o próximo post!!!

  • Isso É Design de Ambientes

    Para quem tem dúvidas sobre o papel do designer de ambientes no campo de interiores, está aqui em excelente exemplo:

    E acabei encontrando este outro aqui, mais um excelente exemplo:

    Para quem pensa que o designer de interiores/ambientes é aquele profissional que escolhe os móveis já prontos em lojas ou opta por móveis de lojas de planejados lamento informar-lhes que estão absurdamente equivocados.

    Se você profissional opta por este tipo de serviço fácil, saiba que está desmerecendo a sua profissão e ajudando na desinformação sobre a área.

    Se você professor insiste em forçar seus alunos a seguir pelo caminha das lojas, saiba que está longe de ser um digno professor da área de Design.

    Design de Ambientes significa antes de tudo, pensar o ambiente, planeja-lo, aproveitar cada precioso espaço da melhor maneira possível e não apenas fazer um arranjo de peças prontas de maneira “bonitinha” ou porque está na moda.

    Valeu Marcia Nassrallah pelo precioso vídeo!!!

  • Estágio, DA e portfólio

    É bastante comum receber comentários e e-mails indagando sobre uma situação bastante corriqueira para quem está começando.

    “Como sabemos, a maioria dos escritórios não divulgam o nome de todos que participam da equipe que realizou determinado projeto, ou seja, os créditos pelo projeto ficam somente em nome do arquiteto que é o dono do escritório. Isso torna a divulgação do profissional de interiores ainda mais complicada.

    Enfim, a dúvida que fica é:

    Pode um designer utilizar trabalhos realizados no escritório que atua como contratado em seu portfólio particular? Qual é a melhor forma de fazê-lo?”

    O trecho acima é de um deles que recebi a pouco tempo aqui em meu blog.

    Ilustração: Rafael Corrêa
    Ilustração: Rafael Corrêa

     

    Sim, é fato que a maioria dos escritórios não divulgam os nomes de todos os envolvidos nos projetos, especialmente dos estagiários. Geralmente vemos, quando muito, os nomes dos profissionais parceiros ou empregados dos escritórios “oficiais” que, via de regra, levam os nomes de seus titulares. Assim, estes profissionais acabam levando sozinhos os louros pelos trabalhos desenvolvidos por outros profissionais/acadêmicos. Também os lucros.

    Não estou generalizando  ok? Apenas constatando uma atitude muito desonesta e comum em vários escritórios.

    Conheço alguns escritórios que os titulares entregam nas mãos da equipe alguns rabiscos acompanhados de alguns garranchos acrescidos da seguinte frase: “é isso que eu quero”. Não difícil é perceber que tratam-se de meras garatujas tais rabiscos e tampouco que o tal profissional não tem a menor idéia do que exatamente ele terá de fazer. Aliás, a equipe que se dane em resolver já que são pagos (na maioria das vezes bem mal pagos).

    Do projeto arquitetônico ao projeto de mobiliário (quando há) raros são os titulares que realmente sentam em suas pranchetas ou PCs para resolve-los. Traçam as linhas gerais e depois ficam apenas coordenando os trabalhos. Nesse momento entram as criações “dos outros”, ou seja, aquelas soluções criadas pelos funcionários que são prontamente aceitas e assumidas como “suas”.

    Percebemos isso até em mostras e revistas ditas especializadas em Decoração.

    Aí vem a questão: você trabalhou por anos ali dentro do escritório do outro ou se formou e finalizou seu estágio e quer lançar carreira solo. Para tal, necessita de um portfolio. Afinal, você podem ou não utilizar as imagens dos projetos em seu portfolios?

    No meu ponto de vista não só pode como deve utiliza-las, afinal nelas estão as marcas de sua experiência profissional, você participou ativamente da criação daqueles projetos. Assim, você é co-autor destes projetos.

    No entanto, deve-se ponderar algumas coisas antes de fazê-lo:

    – observe se no seu contrato de trabalho ou estágio existe alguma cláusula de impedimento disso. Existem escritórios que exigem a renúncia dos direitos autorais em favor do titular.

    – sempre que utilizar este tipo de imagem seja honesto e coloque os créditos corretamente citando, ao menos, o nome do escritório titular ou destrinche os nomes de todos os envolvidos no estilo “quem fez o que?”.

    No primeiro caso, havendo este empecilho tente contato com o escritório para negociar uma autorização do uso de imagens explicando o fato da necessidade do portfolio. Caso não haja acordo, entre na justiça afinal trata-se de um abuso cometido livremente por muitos escritórios (e empresas) contra o trabalhador. Além disso, há também o fator de “apoderação de criação alheia” ou, no bom e velho português, roubo de idéias ou de propriedade intelectual mesmo.

    Não tenha medo e tampouco sinta-se menor que o outro quando for conversar. Fale sempre de igual para igual.

    Outro caminho é tentar uma denúncia via CAU ou CREA uma denúncia. Não sei se estes órgãos apoiam esse tipo de atitude, se seus estatutos, regimentos e códigos de ética permitem tais abusos por parte de seus filiados. Duvido que permitam isso livremente.

    Espero ter ajudado aos que ainda tem dúvidas sobre isso.

  • Defesa da área como DESIGN

    A seguir, a apresentação que fiz ontem (24/11) em São Paulo no Design na Brasa, na mesa sobre a regulamentação profissional, em defesa da área de Design de Interiores/Ambientes como uma especialidade do Design. Colocarei as imagens do PPT e farei alguns comentários sobre cada uma delas.

    Sim, Design de Interiores/Ambientes também é Design!

    Notem que risquei propositalmente a denominação Interiores pois estamos num momento de transição e formação de nossa identidade profissional. São muitos os profissionais que, assim como eu, rejeitam o termo e adotam AMBIENTES.

    Isso se deve às velhas questões de cerceamento profissional impostas pelo termo “interiores” (entre quatro paredes) e as consequentes limitações profissionais. Os conhecimentos adquiridos por nós nos anos de faculdade nos habilitam a trabalhar além desta barreira imposta pelo termo “interiores”. Portanto, se você é formado, passe a adotar profissionalmente o termo AMBIENTES.

    Infelizmente, apesar de todas as indicações e solicitações, o grupo que se reuniu para trabalhar na minuta do PL de regulamentação do Design resolver fazer tudo que eu e vários outros profissionais da área pedimos que não fizessem: foram atras da ABD, conversaram com Arquitetos em busca de informações sobre a área. Deu no que deu e acabamos ficando de fora da regulamentação.

    A ABD é uma associação formada essencialmente por arquitetos decoradores e decoradores. Seu nome original é ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS DECORADORES – tanto que sua sigla continua sendo ABD.

    Num ato da diretoria, resolveram anos atrás alterar a denominação para Associação Brasileira dos Designers de Interiores contudo, sem distinguir os tres profissionais que ela pretendia agregar: arquitetos decoradores, desoradores e designers de interiores. Para ela, são todos iguais à excessão dos arquitetos que tem atribuições mais amplas dada a sua formação acadêmica. Ela não consegue fazer essa distinção simplesmente porque desconhece completamente a área de Design de Interiores/Ambientes. Não faz a menor idéia de sua amplitude, multidisciplinaridade e tranversalidade.

    Já, questionar arquitetos sobre Design também é uma furada pois ha muito tempo os cursos de Arquitetura eliminaram de suas matrizes as disciplinas que a aproximavam do Design. O que vemos hoje, no máximo, é História do Design. Também não são uma referência que pode ser levada à sério nesse contexto.

    Outro fator que provoca a distorção da concepção da área é que a maioria dos professores dos cursos de Design de interiores/Ambientes ainda são arquitetos. A maioria deles sem qualquer especialização ou vivência em DESIGN. Muitos dos coordenadores são arquitetos e muitos cursos estão engessados aos departamentos de Arquitetura. Um erro tosco que precisa com urgência ser combatido.

    Num vídeo de um encontro da ADG sobre a regulamentação do Design, o Ernesto Harsi deixa claro que, além da egocentrismo da ABD em retirar a área do PL de regulamentação do Design outro problema teria de ser evitado: o confronto e o consequente lobbye dos arquitetos no Congresso Nacional. Porém, mais uma vez isso ocorreu por mero erro de concepção sobre a área. Se tivessem prestado atenção – ainda na época do Orkut, na comunidade Regulamentem o Design Já – em tudo que eu e vários outros profissionais escrevemos sobre a nossa área, esse confronto fatalmente não ocorreria e não haveria porque ter medo dos lobbies.

    Vale lembrar também que nos diversos países onde o Design foi ou está sendo regulamentado, a área de Design de Interiores/Ambientes está contemplada nos respecivos projetos de regulamentação ou Conselhos já criados. Porque aqui o Brasil tem de ser diferente. Porque aqui no Brasil deve-se amputar o Design desrespeitando os profissinais das áreas não contempladas?

    Creio que já somos maduros o sufuciente para encararmos os lobbies de frente, denunciarmos qualquer ato autocrático afinal, vivemos numa democracia.

    Bom, a partir daqui eu comecei a desconstruir a falsa idéia que é vendida – e defendida pela ABD – de que o Design de Interiores é uma “evolução” da Decoração.

    Começamos essa análise por dados básicos:

    1 – a carga horária

    Nos antigos cursos de Decoração raros eram os que chegavam às 400 horas aula citadas. Na verdade, também fui bem bonzinho em colocar como mínimo de 54 horas. Existiam muitos cursos com 16, 20 e 36 horas aula. Na verdade, estes eram os que predominavam.

    Já os cursos de Design de Interiores/Ambientes tem uma carga horária muito mais cheia que vão de 1800 a 2670 horas aula ou até mais que isso.

    2 – Pré requisitos:

    Nos antigos cursos de Decoração a exigência era a idade mínima de 16 anos e o ensino FUNDAMENTAL completo. E só.

    Já para os cursos de Design de Interiores/Ambientes a exigência é o ensino MÉDIO completo.

    3 – Modalidades

    Os antigos cursos de Decoração eram cursos livres, ministrados por instituições como Senac, Sesc, Instituto Universal Brasileiro (por correspondência) e outros. Cursos livres não são classificados como modalidades de ensino, são apenas de complementação curricular ou para adquirir conhecimentos básicos.

    Já os cursos de Design de Interiores são classificados como Técnicos (ensino médio), Tecnológicos e Bacharelados (ensino superior). Estes são ministrados por instituições de ensino oficiais e devem ter seus Projetos Políticos e Pedagógicos (PPPs) aprovados pelo MEC.

    4 – Público alvo:

    Quem buscavam os antigos cursos de Decoração eram, em suma, vendedores de lojas de artigos de decoração, arquitetos em busca de uma complementação curricular e as madames que queriam “dar um novo visual” para suas casas. Tanto é verdade isso que até hoje carregamos o estigma de que é um curso de “gente fresca, que não tem o que fazer, etc”, por causa da confusão gerada entre Decoração e Design de Interiores/Ambientes.

    Já quem busca os cursos de Design de Interiores/Ambientes são pessoas conscientes, que não quere apenas “decorar ou melhorar o visual” de suas casas. São sim pessoas preocupadas em melhorar a qualidade de vida das pessoas onde quer que elas estejam, sejam em qual ambiente for.

    Vamos então analisar as Matrizes Curriculares dos cursos:

    Pois é, esta é a matriz curricular dos antigos cursos de Decoração. Quando havia alguma diferença era coisa pouca que não alterava o conteúdo. E olhem que ainda errei ao colocar “planta baixa” pois na verdade o que eles faziam era no máximo um layout dos espaços internos.

    Quando havia alguma disciplina sobre desenho de móveis resumia-se ao mesmo padrão que os cursos de Arquitetura oferecem: a linguagem de marcenaria, que nada tem a ver com a linguagem industrial.

    Agora, observem a matriz curricular dos cursos de Design de Interiores/Ambientes:

    Ok, nem todos os cursos oferecem todas estas disciplinas ou a quantidade de módulos. Mas na essência é esta a Matriz dos cursos de Design de Interiores/Ambientes.

    Tem como alegar que Design de Interiores/Ambientes é uma “evolução” da Decoração?

    Não mesmo. Tanto que ainda existem cursos de Decoração sendo ofertados no mercado por algumas escolas livres.

    Como se pode observar, Design de Interiores/Ambientes é uma área multidisciplinar. Eu diria até transdisciplinar pois ela passeia por praticamente todas as especialidades do Design e outras formações.

    Exemplificando rapidamente:

    Do Design de Produtos trazemos os conhecimentos sobre projetos de móveis, objetos e acessórios em linguagem industrial. Não é porque um móvel projetado para determinado cliente é único que ele não possa ser inserido num ciclo industrial afinal o seu projeto é em linguagem industrial, completo. Se colocarmos o projeto na boca da fábrica, o produto sairá lá no final da produção seriada e pronta para ser vendida em larga escala. Também não cabe aqui dizer que por serem praticamente projetos únicos ou exclusivos os que fazemos que não seja Design afinal, não devemos nos esquecer que em Design também se trabalha com produtos exclusivos (padrão A) onde são feitos peças únicas ou com edições limitadas. Também aproveitamos os conhecimentos sobre materiais, revestimento, resistência, ergonomia, etc.

    Do Design Gráfico aproveitamos todo o conhecimento sobre as Cores (significados, psicologia, etc), semiótica, informação visual, identidade corporativa entre vários outros conhecimentos.

    Do Design Têxtil, aproveitamos os conhecimentos sobre texturas, tramas, resistência, sensorial, etc.

    Do Design de Moda aproveitamos, assim como todas as outras áreas, as tendências, os estilos, as linguagens, os signos, etc.

    Ainda aproveitamos conhecimentos de outras especialidades do Design, mas creio que por hora já basta para entender que temos sim a nossa formação fincada na raiz Design. Mas não paramos por aqui…

    Podem estar se perguntando do porque eu ter colocado Engenharia e não Arquitetura. Simples: estes conhecimentos são da Engenharia. A arquitetura apodera-se deles também para formar a sua Matriz.

    Mas não paramos por aqui… também vamos além:

    Exatamente isso! Usamos o objeto arquitetônico APENAS quando é o caso de um projeto que envolva um espaço arquitetônico. Apenas quando estamos trabalhando em projetos de interiores residenciais, comerciais, etc.

    Porém, como coloquei no início desta apresentação temos rejeitado o termo Interiores exatamente por isso. Somos formados para ir muito além dos limites arquitetônicos. Somos formados para atuarmos em um amplo campo no mercado de trabalho que extrapola os limites arquitetônicos e vai onde quer que esteja um usuário.

    Se há um usuário necessitando da solução de um problema, lá estaremos para atendê-lo.

    Quem insiste em afirmar qualquer uma das duas coisas acima está simplesmente assinando o seu atestado de completo desconhecimento sobre a área.

    Portanto, como já deu para perceber,

    Não mesmo, nem de longe afinal,

    Claro, a Arquitetura também trabalha nas questões do Urbanismo. Porém Design Urbano não pode e nem deve ser confundido com Urbanismo.

    São coisas significativamente diferentes. O Design Urbano atua sobre o Urbanismo já implantado visando a melhoria da usabilidade, acessibilidade, embelezamento, humanização, etc. Ou, em casos de escritórios multidisciplinares (co-criação), ele já está presente desde o momento em que o arquiteto começa a pensar no plano urbanístico, num trabalho em conjunto com o designer.

    Notem que no primeiro grupo temos a visão simplista e limitada daqueles que desconhecem a área (ABD). O segundo grupo, já é uma pequena ampliação.

    Já escrevi em diversos posts neste blog sobre áreas de atuação profissional que vão além dos limites arquitetônicos. Resumindo, também podemos atuar

    – nos interiores e automóveis

    – nos interiores e exteriores de embarcações

    – nos interiores de aviões

    – em projetos de mobiliários e equipamentos urbanos

    – em projetos de design urbano

    Entre várias outras frentes que podemos, através dos conhecimentos adquiridos na academia, somos devidamente e legalmente habilitados para atuar.

    Creio que não é necessário acrescentar mais nada sobre este slide.

    Pois é, eis a grande questão: criamos um Conselho próprio ou, para agilizarmos o processo, nos enfiamos em algum já existente?

    Dos possíveis existentes temos o CREA e o CAU. Mas vale ressaltar aqui alguns detalhes sobre isso:

    CREA – começou a aceitar como associados os Técnicos em Decoração (posteriormente, Técnicos em Design de Interiores). Mesmo com o crescente aumento dos cursos superiores de Design de Interiores/Ambientes, eles se recusavam em fornecer as credenciais com nível superior e tampouco alterar as atribuições profissionais. Quem se filia ao CREA acaba jogando no lixo grande parte de seus conhecimentos adquiridos na faculdade pois ficara limitado às atribuições descritas no órgão. Porém, estas atribuições foram feitas quando existiam apenas os cursos de Decoração e não contemplam, nem de longe, a totalidade de conhecimentos que nós, designers de interiores/ambientes, possuimos.

    CAU – Um conselho formado por e para arquitetos. Vale lembrar que foram os arquitetos que fizeram as atribuições dentro do CREA e também são eles que também confundem Decoração com Design de Ambientes. Certamente não será uma boa pois ocorrerão diversas ingerências na área do Design, por mais que venha a existir uma diretoria propria para o Design. O que eles sofriam dentro do CREA (mais engenheiros que arquitetos) fatalmente ocorrerá conosco.

    Portanto, devemos sim lutar pela implantação de um Conselho Federal de Design. Pode demorar um pouco mais para estritura-lo, mas certamente é a melhor saída pois somente assim teremos condições de criarmos a nossa identidade e alcançarmos a nossa autonomia acadêmica e profissional.

    Espero ter deixado claro que,

  • ABD e a tentativa de golpe na Regulamentação

    Pois é meus amigos. Conforme prometido está aí o texto do tal PL de regulamentação profissional que a ABD está tentando enfiar no Congresso Nacional depois de arrogantemente e arbitrariamente retirar a nossa área do PL de regulamentação do Design.

    Segue o texto que recebi por e-mail do Jethero Cardoso. Os grifos e numerações entre parênteses são meus para marcar minhas considerações após o texto.

    PROJETO DE LEI Nº……………DE 2012

    Regula o exercício da profissão de designer de interiores e dá outras providências.

    O CONGRESSO NACIONAL decreta:

    Art.1º  Esta lei regulamenta a profissão de designer de interiores, estabelece os requisitos para o exercício da atividade e determina o registro em órgão competente.(1)

    Art. 2º É livre o exercício da atividade profissional  de designer de interiores desde que atendidas as qualificações e exigências estabelecidas.

    Art.3º O exercício da profissão de designer de interiores, em todo o território nacional, é privativo dos portadores de:

    I – diploma de curso superior em Designer de Interiores, Composição de Interiores e Design de Ambientes expedido por instituições regulares de ensino; (2)

    II – diploma de curso superior em design de interiores, expedido por instituições estrangeiras e revalidado no Brasil, de acordo com a legislação.

    III – dos que, possuidores de outros cursos superiores em áreas afins, tais como, Arquitetura, Desenho  industrial, Artes plásticas e outros similares, venham exercendo, comprovada e ininterruptamente, à data da publicação desta lei, as atividades de designer de interiores  por, pelo menos, dois anos. (3)

    IV – dos que, tenham sido diplomados como técnicos em decoração ou designer de interiores  ou tendo concluído  o segundo grau e vêm exercendo comprovada e efetivamente, à data da  publicação desta lei, as atividades de designer de interiores, por um período mínimo de três anos, com credenciais expedidas por associações de classe estabelecidas no território nacional.

    Art. 3°  São atividades do designer de interiores:

    I  – planejar e organizar espaços, visando o conforto e a estética, a saúde e a segurança do ser humano em qualquer de suas atividades, idades ou condição física.

    II – estudar e projetar os espaços conforme os objetivos e necessidades do cliente, seguindo normas técnicas homologadas pela ABNT de acessibilidade, ergonomia, conforto lumínico, térmico e acústico.

    III  – elaborar projetos de interiores, sistemas e equipamentos, mobiliário e objetos de decoração de interiores e  exteriores e responsabilizar-se pelos mesmos;

    IV – elaborar plantas, cortes, elevações, perspectivas e detalhamento de elementos construtivos não estruturais.

    V – especificar mobiliário, equipamentos, produtos, sistemas de automação, telefonia, internet, eletro/eletrônicos e segurança, providenciando orçamentos e instruções de instalação.

    VI – selecionar e especificar cores, materiais, tecnologias, revestimentos e acabamentos .

    VII -comprar produtos, sistemas e equipamentos, após cotação e aprovação pelo cliente.

    VIII-  Administrar compras e fluxos organizacionais, gerenciar obras e serviços, manter o orçamento dentro dos valores previstos ou submetendo ao cliente qualquer alteração para prévia aprovação.

    IX – planejar  interferências de espaços pré-existentes internos e externos, alterações não  estruturais, circulações, abertura e fechamento de vãos;  (4)

    X -promover eventos relacionados a área de design de interiores ;

    XI  – fornecer consultoria técnica referente ao design de interiores e exteriores;  (5)

    XII – desempenhar cargos e funções em entidades públicas e privadas relacionadas com ao design de interiores;

    XIII – exercer ensino e fazer pesquisa, experimentação e ensaios;

    XIV – fazer produção técnica especializada, para cinema, tv, shows, eventos, cenografia e produção fotográfica.

    XV  – estudar o comportamento humano  e preservar os aspectos culturais que os constituem.

    XVI – (13)

    Art. 4º  Compete ao designer de interiores,  na execução do projeto de interiores:

    I  – especificação de materiais de revestimento, aplicação e troca dos mesmos;

    II  – especificação, montagem, reparo, substituição e manutenção de mobiliários e equipamentos;

    III – alteração de forro e piso através de rebaixamento ou elevações;

    IV  – planejamento hidráulico, elétrico, eletrônico, luminotécnico, telefônico, de ar condicionado e de gás;

    V –criação desenho e detalhamento de móveis;

    VI  – criação de elementos avulsos para complementação do projeto;

    VII – planejamento de paisagismo e jardinagem

    VIII  – planejamento e interferências de espaços pré-existentes internos e externos, alterações não  estruturais, circulações, abertura e fechamento de vãos;  (4)

    IX – especificação e disposição do mobiliário, observando normas técnicas de ergonomia, conforto térmico, acústico e lumínico visando o conforto e a saúde do usuário.

    X -formalizar  a prestação dos serviços em contrato escrito, que estabeleça  as fases do projeto de interiores , prazos, honorários contratados e as formas de remuneração, as responsabilidades do profissional e todas as demais cláusulas necessárias à transparência , objetividade e descrição dos direitos e obrigações das partes no transcorrer da prestação de serviços.

    XI – certificar-se de que os produtos e serviços que oferece e/ou indica são adequados aos fins propostos.

    § 1º Na execução do projeto, o designer de interiores deverá prestar assessoria técnica, exercendo as seguintes atividades:

    I – coleta de dados de natureza técnica;

    II – desenho de detalhes e sua representação gráfica;

    III – elaboração de orçamento de materiais, equipamentos, instalações, prestadores de serviços especializados e mão-de-obra;

    IV – elaboração de cronograma de trabalho, com observância de normas técnicas e de segurança;

    V – fiscalização, orientação, acompanhamento e coordenação do projeto nas instalações, montagens, reparos e manutenção;

    VI – assessoramento técnico na compra e na utilização de materiais, tecnologias,  móveis,equipamentos, adornos e objetos de arte;

    VII – responsabilidade pela execução de projetos compatíveis com a respectiva formação e competência profissional;

    VIII – condução da execução técnica dos trabalhos de sua especialidade.

    IX -Gerenciamento da obra observando organogramas e fluxogramas.

    § 2º –  Na execução dos itens, IV e VIII, do “caput” deste artigo o designer de interiores deverá ter o acompanhamento de técnico responsável  especializado.  (6)

    Art. 5°  O projeto de interiores é de autoria exclusiva do designer de interiores, que o assina, e de sua inteira responsabilidade, quando o executa.

    Art. 6º  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

    JUSTIFICAÇÃO

    O Design de interiores já é uma profissão amplamente reconhecida pela sociedade, por todas as  mídias,  pela indústria, pelo comércio e por inúmeros profissionais prestadores de serviços que trabalham em parceria com o designer de interiores. Este exercício profissional  vem sendo utilizado pela sociedade há mais de cem anos com o objetivo de se viver melhor. (7)

    O design de interiores projeta ambientes atendendo, através de seus saberes específicos, o Ser Humano em qualquer espaço onde aconteça a atividade humana, de uma sala de estar a qualquer das tipologias que o trabalho exigir, em escritórios, indústrias, hospitais, nos transportes  e em outros espaços,  em qualquer de suas idades, de um recém nascido a um ancião, todos precisam de cuidados especiais, sob qualquer condição física em que o ser humano possa se encontrar ou com qualquer deficiência física.

    Neste sentido, o trabalho do designer de interiores atinge a todos seres humanos que circulem, habitem ou trabalhem em um determinado ambiente, independente até de sua classe social ou condição financeira.

    Todos nós, seres humanos precisamos viver com conforto físico e estético, com respeito a nossa  cultura e em condições  que preservem nossa saúde e felicidade, é este o eixo fundamental da atividade profissional do designer de interiores.

    O designer de interiores,  a partir da década de 60 do século XX vem tendo um aprimoramento contínuo em seu processo de formação  profissional,  através de conhecimentos técnicos, cursos de reciclagem e pós graduação, seminários e congressos nacionais, pesquisas e permanente atualização dos aspectos da evolução tecnológica, que fazem parte da vida contemporânea .

    Desta maneira, vem ampliando continuamente sua atuação num  mercado, cada vez mais complexo, visando sempre o bem estar, o conforto, a estética, a saúde e segurança de quem o contrata.

    O profissional habilitado tecnicamente no desempenho de sua profissão contribui para a humanização de grandes e pequenos espaços, como creches, hospitais, praças, fábricas etc. Recuperação e conservação de espaços históricos, através do restauro de ambientes e bens culturais.

    De acordo com levantamento realizado pela ABD (Associação Brasileira de Designers de Interiores) em 2011, durante o VI Encontro Nacional de Professores e Coordenadores de cursos de design de interiores, realizado pela ABD em Itú S. P. obtivemos os seguintes e expressivos números:

    O Brasil conta com 92 cursos de design de interiores em nível superior (Bacharelados e Tecnológicos) com 17.678 alunos e 1.477 professores.

    Soma-se a formação universitária  os 90 cursos de técnicos em design de interiores com 10.080 alunos e 874 professores.

    Totalizando um numero significativo de estudantes de design de interiores no Brasil,  27.678 estudantes e 2.351 professores em 182 escolas regulamentadas pelo Ministério da Educação e pelas Secretárias Estaduais de Educação no ensino técnico.

    Temos mais de 50 títulos nacionais de revistas especializadas em design de interiores nas bancas de jornais, vários programas de tv  e inúmeros artigos publicados diariamente nos jornais de grande circulação sobre a área de design de interiores. (8)

    O Brasil realiza através das mostras; Casa Cor (26 anos), Mostra Artefacto (21 anos), Morar mais por Menos( 8 anos) e Casa Black(2 anos) a maior exposição de design de interiores do planeta, envolvendo a indústria, o comércio e a prestação de serviços para apresentar ao público, diferentes maneiras de ocupar os espaços interiores que envolvem da mais sofisticada tecnologia  ao artesanato mais puro das raízes culturais brasileiras. (9)

    Não podemos mais desprezar ou ignorar esta atividade que movimenta  de acordo com o DCI (Diário do Comércio, Indústria e Serviços) R$ 60 bilhões de reais por ano, distribuindo riqueza por entre grandes e médias indústrias e pequenas empresas de marcenarias e prestadores de serviços autônomos, como pedreiros, pintores, encanadores, eletricistas, gesseiros, artistas plásticos, lustradores, marceneiros, serralheiros, jardineiros etc.

    Com a regulamentação da profissão dá-se condições ao designer de interiores  para exercer a profissão na sua amplitude de seus direitos e deveres. Permite ao profissional participar de licitações públicas, candidatar-se a cargos específicos em empresas públicas ou privadas, e prestar serviços àquelas que exigem documentação profissional.

    Não é demais lembrar que o  trabalho profissional do designer  está também intimamente ligado à saúde e à segurança da população.

    O exercício por pessoas ou profissionais de outras áreas não qualificados, sem conhecimento técnico de ergonomia, de iluminação, acústica e conforto térmico, das normas técnicas homologadas  pela  ABNT e de outros aspectos relativos à segurança, pode acarretar danos irreparáveis à saúde do  usuário.

    A Medicina do trabalho identifica as causas da infortunística* mas é o designer de interiores o profissional que esta apto a projetar e executar projetos de interiores que evitem doenças como:  a Tenossinovite, Tendinite, Epicondilite, Bursite, Miosites, Síndrome do Túnel do Carpo, Síndrome Cervicobraquial, Síndrome do Ombro Doloroso, Cisto Sinovial, Doença de Quervain , que somadas são a segunda maior causa do afastamento do trabalho no Brasil.

    *De acordo com Lorenzo Borri a Infortunística é a parte da Medicina legal que estuda os acidentes de trabalho ou “o conjunto de conhecimentos que cuida do estudo teórico e prático, médico e jurídico, dos acidentes do trabalho e doenças profissionais, suas consequências e seus meios de preveni-los e repara-los.”

    A lesão corporal, a perturbação funcional, a irritabilidade, depressão e estresse podem ser evitadas através de projetos de design de interiores que transformem os ambientes de trabalho em espaços com cores e revestimentos agradáveis, com conforto acústico, térmico e lumínico, com mobiliário ergonomicamente adequado as atividades desenvolvidas, são estes o fatores que constituem os  ambientes saudáveis para o trabalho.

    O Brasil possui duas grandes associações de profissionais a ABD (Associação Brasileira de Designers de Interiores) fundada em 30 de outubro de 1980 com escritórios regionais em  Salvador, Porto Alegre,Curitiba, Brasília, Goiana, Vitória, Rio de Janeiro, e AMIDE (Associação Mineira de Designers de Ambientes de nível superior) afiliadas a IFI (Federação Internacional de Designers de Interiores)e mais uma série de associações de profissionais regionais.

    Propõe-se, atualmente, a regulamentação das profissões via negocial, onde as regras e condições de trabalho de natureza profissional seriam demarcadas por intermédio do entendimento entre os interessados. (10)

    Argumentam os defensores desta ideia que seria improdutivo fazer da negociação coletiva o grande instrumento jurídico para criar normas e condições de trabalho e, ao mesmo tempo, continuar preservando as regulamentações  de profissão pela via legal. (10) 

    Não é demais enfatizar, porém, que a regulamentação legal de uma determinada profissão integra a tradição de nosso ordenamento jurídico, como o confirmam as diversas leis e dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho.

    Teve seu início na década de trinta  do século passado, com a finalidade de disciplinar certas profissões, a fim de garantir ao cidadão a prestação qualificada de bens e serviços.

    Nesse contexto, insere-se a regulamentação do exercício da profissão de designer de interiores num mundo  globalizado, onde a qualidade e a excelência de bens e serviços vem  se sofisticando cada vez mais, os profissionais da área de design de interiores  devem ter habilitação especializada, pois a organização dos espaços interiores, residenciais, comerciais, culturais e institucionais requerem procedimentos projetuais sofisticados que envolvem a somatória de diversas especialidades.

    Conforme disposto na Constituição Federal (art. 5º, inciso XIII) é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.

    Observando os limites impostos pela Constituição, a situação dos designers de interiores exige medida legislativa, a fim de corrigir omissões e lacunas no ordenamento jurídico, que tem prejudicado a atuação desses profissionais em todo o território nacional.

    A atividade  do designer de interiores está relacionada com à do arquiteto, sem, contudo, confundir-se com ela. A C.B.O. (Classificação  Brasileira de Ocupações) realizada pelo Ministério do Trabalho e do Emprego, identifica distintamente as profissões de designer de interiores (código 2629) e a de arquiteto (código 2141) e também os técnicos em design de interiores de nível médio(código 3751).

    Ocorre que a falta de regulamentação da  profissão de designer de interiores leva a dúvidas quanto ao livre exercício profissional  desta atividade e uma série de argumentos pré-conceituosos  e de ordem legal são colocados através dos CREAs para inibir e restringir o exercício profissional. (11)

    Hoje os processos de formação profissional em curso no Brasil habilitam com qualidade os profissionais ao pleno exercício da atividade.Para tanto, a proposição que ora apresentamos tem o objetivo de esclarecer as atividades  e responsabilidade dos designers de interiores, diferenciando-a explicitamente das exercidas pelos arquitetos.

    Observamos, que não se propõe reserva de mercado. Ao contrario, busca-se a expressa autorização legislativa para que os designers de interiores possam atuar em um campo que equivocadamente , tem sido em nome da lei, e protegido por ela, convenientemente  atribuído somente aos arquitetos e isto sim, se configura em reserva de mercado e contraria a legislação em vigor. (12)

    Por entender que a regulamentação da profissão de designer de interiores virá em benefício não somente da categoria  mas, principalmente, dos usuários dos serviços,  pedimos aos nobres Pares apoio para a aprovação deste Projeto de Lei.

    (1) Vai ser assim? Todos enfiados no mesmo saco como se fossem a mesma coisa? Sem distinção entre arquiteto decorador, decorador e designer? Manterão “interiores” para continuarmos enjaulados entre 4 paredes e as partes internas das edificações dificultando a nossa contratação por clientes que necessitam de projetos internos e externos tendo de optar por dois profissionais distindos (1 para interior e outro para exterior) ou um que faça as duas coisas nos fazendo perder clientes?
    Hummm…

    (2) No meu caso (e em casos atuais), o nome do curso é Decoração de Interiores porém a matriz curricular é a mesma de Design de Interiores/Ambientes. Isso se deu por ingerência e arrogância do ex-coordenador do curso (um arquitrouxa) que odiava a ideia da existência deste curso e destes profissionais. Eu já tenho experiência de sobra para entrar por “tempo de atuação” mas como fica esse pessoal que está se formando nos cursos de “Decoração de Interiores” que ainda existem hoje cujas matrizes são de Design?

    (3) Só dois??? Os decoradores que nunca estudaram instalações prediais e sempre largam isso nas mãos de outros profissionais serão DESIGNERS??? A madame que nao tem o que fazer e começa a “dar um tapa” na decoração da propria casa, depois da filha, depois de uma ou outra amiga, faz um curso livre de Decoração e se tiver mais de dois anos de “atuação profissional em DECORAÇÃO vai ser DESIGNER?? Difícil heim…

    (4) Porque não podemos PROPOR alterações estruturais visando a melhoria e adequação dos espaços para os usuários? Pensar, analisar o problema e propor soluções que envolvam alterações estruturais é uma coisa, realizar a alteração é outra bem diferente. Para isso existem as parcerias profissionais onde, quando necessário, existe um profissional competente para realizar estas alterações chamado ENGENHEIRO CIVIL que é quem ficará responsável por esta parte. Por isso eu inseri a observação n° 13, que explicarei abaixo.

    (5) Já que falam em interiores e exteriores, porque não assumem de vez a nomenclatura mais adequada que é AMBIENTES libertando-nos de vez do estigma setorizado (melhor dizendo, ENJAULADO) de atuação profissional?

    (6) Porque se não tem nada demais nisso? No item IV estamos executando o que fomos “treinados” para fazer na universidade. No item VIII, é uma tarefa normal na execução de obras. Salvo no caso de alterações estruturais, aí sim entra a necessidade de acompanhamento técnico, preferencialmente de engenheiros. Propor é uma coisa, executar é outra.

    (7) Surtaram? O que existia ha 100 anos era Arquitetura segundo os decanos da Arquitetura e, para os mortais, um tipo de “arrumação” que foi o princípio da Decoração. Ou será que este surto é mais uma compra de briga com os arquitetos? A 100 anos mal se falava em DESIGN, que é a matriz de onde viemos. Antes de propor algo nesse sentido, vocês deveriam cobrar das IES que apoiam e “validam” seus cursos que produzam mais materiais em teoria e história sobre a área pois ainda não existe bibliografia sólida sobre isso aqui no Brasil.

    (8) Vamos lá, me diga 1 revista ou programa de TV ou encarte de jornais que seja realmente especializada em Design de Interiores/Ambientes. O que temos é um monte delas que mistura arquitetura, design, decoração e artesanato como se fosse a mesma coisa. “Cafofo da Cráudia” vir dizer que é especializada em Design é uma piada de mau gosto aliás, eles nem sabem o que é DESIGN! Isso é uma mentira! O que as revistas mostram é apenas uma pequena e irrisória parte do nosso trabalho e, muitas vezes também, trata-se de ARQUITETURA. É um total desrespeito com a nossa área profissional. Estas revistas só servem para confundir o mercado.

    (9) Da totalidade de ambientes das mostras que acontecem no Brasil, se contarmos 2% dos ambientes que são (ou foram) realmente projetos de Design de Interiores/ambientes é muito. É pura decoração, arquitetura e exposição de peças de design e lançamentos de produtos. Outra coisa que distancia as mostras do Design é que predominam tendências, estética, luxo… os elementos do design ficam para trás e em muitos espaços não se observa absolutamente nada dele. É um surto coletivo de mediodridade conceitual que somente prejudica o mercado.

    (10) ATENÇÃO AQUI=> Isso me soou assim: olha aqui deputados, isso é somente entre nós (ABD) e vocês parlamentares.  SE, e somente SE houver a necessidade de ouvir alguém de fora, somente serão os por nós indicados e que “rezem a nossa bíblia”. Muito ético, muito  transparente, muito respeitoso com os profissionais não é mesmo? No entanrto vale lembrar-lhes que vivemos numa DEMOCRACIA onde o arbitrarismo (normal para vocês) não tem espaço.

    (11) Opa pera lá!!! Onde estão o CAU, IAB, AsBEA e outros ligados à Arquitetura que são quem realmente nos enchem o saco com suas sandices??? Os engenheiros NUNCA nos causaram problemas.

    (12) Poxa, até que enfim aparece isso vindo pela ABD. Uma pena que esse discurso somente ficará no texto de defesa deste projeto. Pois SE a ABD fosse séria, já teria lançado inúmeras notas e campanhas sobre este assunto, mas mantem-se calada como se nada disso acontecesse. E tem mais, direito adquirido não é significado de reserva “ilegal” de mercado, portanto este argumento dos arquitetos é falacioso e criminoso.

    (13) De acordo com o item 4 acima, o correto seria a existencia do seguinte texto: “planejamento de alterações estruturais visando a melhoria dos espaços/ambientes adequando-os às necessidades dos usuários.”

    Minhas considerações finais:

    Está, de modo geral, bom o projeto. Porém é mais salutar e ético e ABD deixar os designers de interiores/ambientes em paz e ficar apenas com os arquitetos decoradores e decoradores como seus membros. Já que não nos respeita em nossa especificidade que pare de nos usar porcamente.

    Também, revogar a ação idiota de alteração do nome e voltar a ser Associação Brasileira dos Decoradores, já que de designers, nunca foi nem nunca será.

    Outra coisa, este texto está ótimo sabe para que? Para depois da regulamentação do DESIGN ele servir para regulamentar a área dentro do Conselho de Design, assim como acontecerá com as outras áreas suprimidas do PL de regulamentação do DESIGN. Mas claro, aproveitado por NÓS, verdadeiros DESIGNERS e sem ingerência desta associação tosca e vendida.

    Vi várias vezes em comunidades e fóruns pela web, o pessoal mais ligado ao CAU elaborando planos para regulamentar Design de Interiores através deles, dentro do CAU. Mas o primeiro passo seria a extinção dos cursos de Design de Interiores aqui no Brasil. Isso é só uma parte das sandices que vi pela web.

    Também alerto para o fato de que um amigo meu de Brasilia me informou que tem um deputado negociando com o CAU a inserção da área dentro do conselho, já com um projeto de regulamentação em mãos.

    INADMISSÍVEL!!!!

    Já vi várias afrontas do CAU e outros órgãos da arquitetura sem que a ABD se pronunciasse, deixando parecer para todos que eles estão certos.

    Se a ABD quiser seguir em frente com isso, terá de alterar este projeto para Decoração (o nome da associação também) eliminando atribuições dos designers e arquitetos. Estes são apenas alguns pontos de discordância e existem ainda muitos outros que corroboram a posição de vários profissionais verdadeiros da área e nos embasam inclusive, juridicamente, para barrar essa tentativa de golpe contra a nossa profissão.

    Então é bom a ABD parar com esse processo, pois de estudantes à profissionais, enfrentarão uma batalha que jamais imaginaram contra essa tentativa descabida de golpe contra a nossa profissão pois de profissionais a estudantes, serão muitos os que se levantarão contra esta associação.

    Já existem grupos formados e observando o andamento de tudo isso. Não há nenhum vinculo desta ação com qualquer outra associação. São grupos compostos por acadêmicos e profissionais formados em Design de Interiores/Ambientes revoltados com o descaso, desrespeito e falta de transparência e ética da ABD.

    Na próxima semana estou pedindo minha desfiliação da ABD e vou sim postar em meu blog, mais uma vez, o porque da decisão. Associado, entende-se que eu concordo com as atitudes dela. Por mais que eu diga que não e afronte-a em meu blog e redes sociais de nada adianta.

    Por duas vezes a ABD tentou comprar o meu silêncio oferecendo-me vantagens. Mas não me deixo comprar, não sou sujo.

    Um exemplo disso foi quando “surtei” (novamente) meses atrás e lancei um post ácido e critico contra a ABD, o pessoal entrou em contato comigo me convidando para ser colaborador para palestrar, ministrar cursos, escrever artigos para o site, etc… desconfiei… e realmente não passou de uma tentativa de me comprar/calar pois nunca mais entraram em contato.

    Por falar nisso, comentei (sem saber quem era ou se havia alguma ligação dela com a ABD) com uma colega de profissão sobre isso e ela literalmente teve um piti em publico, surtou porque “como a ABD convida pessoas sem ao menos me consultar, pedir minha aprovação? Sou eu que mando nisso lá dentro!”. Foram as palavras dela… Prova de que tudo não passou de mais uma armação imunda da ABD na tentativa desesperada de comprar o meu silêncio.

    A ABD não passa de ilusão, de um reininho cor de rosa onde os pseudos reis e rainhas intercalam-se no poder para manter sempre a mesma coisa nojenta, inescrupulosa e ineficiente. Usam-na apenas como trampolim profissional e social através da mídia que compram. E os idiotas associados aplaudindo cegamente e bancando toda essa palhaçada sem questionar nada ou, quando questionam, não recebem qualquer resposta. No máximo recebem uma resposta de que a diretoria analisará a situação e enviará um parecer que. Bem sabemos,  NUNCA vai chegar tal resposta. E afirmo isso por experiência própria.

    Então é isso. Taí a porcalhada que a ABD está tentando fazer nos bastidores.

    Siga-a e aplauda-a quem for idiotizado ou acéfalo.

    Eu tou fora.

  • Uma questão de bom senso…

    E a regulamentação do Design no Congresso Nacional (CN), vai muito bem, obrigado!!! Esta semana ela foi aprovada em mais uma Comissão e segue a passos largos para a aprovação final.

    No entanto, vale lembrar que a área de Design de Interiores/Ambientes foi excluída do processo por pressões  da ABD e do lobby dos arquitetos lá no CN. Logo, a nossa área não está sendo regulamentada.

    Por um lado, uma associação frustrada e irresponsável, um reininho formado ensencialmente por não designers, que se acha no direito de falar em nome dos designers. Sim, a maioria lá dentro são arquitetos e decoradores. A minoria é designer.

    Embrenham-se no meio do processo, dizem “não pois temos um projeto proprio de regulamentação” como se tivessem o direito de falar em nome dos designers.

    Uma associação que num ato arbitrário, altera ao seu nome desconsiderando as diferenças entre os diversos profissionais que fazem parte de seu quadro de associados e atuam no mercado com atribuições distintas que por vezes – apenas por vezes – sobrepõem-se. Não faz a correta distinção entre estes profissionais. Diz amém às imposições de conselhos federais e associações de outras áreas, etc.

    Uma associação que faz vista grossa com a realidade do mercado. Uma associação que só se mexe quando a água bate na bunda de seus diretores ou amiguinhos. Uma associação que só se mexe em suas cidades sedes e se esquece completamente do restante do país. Uma associação que deixa seus associados sem qualquer apoio quando precisam.

    Uma associação formada por alguns membros sem caráter, dissimulados, que mentem, se fazem de amigos para conseguir informações confidenciais e depois divulgam-nas abertamente em reuniões da diretoria. (#PerdeuPlayboy) (#JáEra)

    Uma associação que apoia coisas como o curso de decoração da revista Casa Claudia (inclusive, vários diretores são “professores” desse lixo), aberto para qualquer pessoa que queira participar e avalisa cursos superiores-lixo de qualquer uniesquina.

    Uma associação que defende o direito e a legalidade da Reserva Técnica (RT), prática execrável pois prostitui o mercado além de ser anti-ético com os clientes que pagam duas vezes por um serviço contratado e com os colegas de profissão sérios.

    Uma associação que para calar-me (ou comprar-me) me oferece benefícios como, por exemplo, vir-a-ser palestrante ou colaborador do site – coisa que nunca aconteceu.

    Que feio ABD!!!

    Já que jogaram sujo comigo, me dou o direito de divulgar o LIXO do PL de regulamentação que vocês estão tentando enfiar no CN. Afinal, trata dos direitos de inumeros profissionais reais, sérios e competentes de Design de Interiores/Ambientes que vocês insistem em desrespeitar. Além do fato que estão fazendo isso pelas nossas costas, sem consulta, sem direito a opinar, sem direito a discordar, sem direito a nada. Então, vou sim divulgar a íntegra desse lixo de PL para que todos os profissionais de Design de Interiores/Ambientes tenham acesso a ele e fiquem cientes da grandiosa sacanagem que vocês estão propondo. Servirá também de alerta para os congressistas para que não comprem (ou se vendam) à esse PL ridículo.

    Por outro lado, um grupo corporativista existente dentro e fora do CN – o lobby – que pressiona para que a área seja excluída do projeto caso contrário haveria forte pressão visando a derrubada do projeto, o que levaria à bancarrota de mais uma tentativa de regulamentação do Design. Um grupo que não tem a menor noção da realidade, que acha que sabe o que é Design, que se acham designers quando na verdade o máximo que estudaram sobre Design foi a História do Design.

    Neste último grupo, alguns alegam que fizeram especialização em “Design de alguma coisa”, portanto são designers. Porém se eu – ou qualquer outro profissional – fizer uma especialização, mestrado e doutorado em “arquitetura de alguma coisa” e usar o título arquiteto eles me processam por “exercício ilegal da profissão”.

    Aham…

    Quanta seriedade e ética…

    =0

    Mas temos outros lados nessa história ainda:

    – Um CN formado por vários parlamentares desinformados e vendidos, que ainda confundem Design com Artesanato por exemplo;

    – A equipe que se reuniu para elaboração do PL de regulamentação do Design e chamou a ABD apesar de ter sido advertida incontáveis vezes – e por diversos profissionais – para que não fizessem isso, tendo recebido todas as informações precisas sobre o assunto provando que a ABD não era a melhor escolha.

    – Uma classe profissional desunida formada pro profissionais que não olham nada além de seus proprios umbigos.

    – O MEC que aprova qualquer porcaria de curso superior, especialmente das IES privadas. Cursos superiores mal elaborados, ineficientes, incompletos, superficiais, enfim, errados em vários aspectos.

    – IES privadas que só visam o lucro fácil.

    Estes são apenas alguns pontos que merecem ser destacados nesse contexto que estamos sendo forçados a viver. Pontos que merecem uma reflexão mais aprofundada por parte dos envolvidos e, principalmente, dos profissionais verdadeiramente formados em Design de Interiores/Ambientes.

    Num próximo post vou liberar o PL que a ABD está tentando enfiar no CN pelas nossas costas. Farei minhas considerações sobre o mesmo.