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  • A Influência da Iluminação Cênica na Iluminação Arquitetural

    Resumo de palestra no 3º. Seminaluz – 2007

    Por: Valmir Perez

     

    Com o avanço técnico das soluções em iluminação das últimas décadas, pudemos observar uma revolução bastante efetiva no design de iluminação de interiores, exteriores, pública, museológica, de monumentos, etc.

    Essa revolução tem como uma das principais características a busca de elementos estéticos e expressivos da luz cênica. Isso não foi gratuito, pois grande parte das lâmpadas, luminárias e equipamentos hoje utilizados na iluminação arquitetural tiveram seus desenhos inspirados nos equipamentos da iluminação cênica e em suas características ópticas, de movimento, trocas de cores, etc. que sempre possibilitaram um leque bastante variado de aplicações criativas sobre os palcos.

    Desde então, e é claro, podemos supor que se, a performance técnica dessas ferramentas oferece condições amplas de aplicação estética da luz sobre os ambientes, certamente os designers de iluminação, que utilizam essas ferramentas, acabam se tornando artistas e co-criadores das obras arquiteturais. Dessa forma e muito provavelmente, desde essas últimas décadas do século passado e até o presente momento, estamos assistindo ao nascimento de novas formas de expressão artística ligadas á arquitetura e à luz, o que também certamente nos trará abertura para discussões mais amplas sobre essa nova arte.

    Mas por que arte? Por que devemos conceber a iluminação cênica e, consequentemente a iluminação arquitetural, como arte, e seus designers como artistas? Serão verdadeiras essas afirmações apenas porque novas tecnologias estão á disposição desses profissionais, ou outras questões entram no jogo?

    Para responder a essas e outras perguntas, devemos primeiramente tentar definir, mesmo que resumidamente, do que trata a arte. Como se dá sua mecânica, entrando um pouco em sua intimidade.

    Segundo alguns teóricos, a arte pode ser dividida em três aspectos: arte como pensar, arte como conhecer e arte como exprimir. Esses aspectos ou concepções, ora se contrapõe, ora se combinam e aliam-se, ora se excluem mutuamente,

    Sendo assim, podemos entender que é “arte do pensar” de como a luz e suas propriedades influenciam psicologicamente as pessoas através de suas manifestações e processos que se desenvolvem sobre os ambientes e palcos.

    É “arte do conhecer”, pois, desenhistas de iluminação precisam saber claramente o que eles vêem no mundo real e como e porque as luzes se comportam de determinadas formas, suas propriedades físicas, etc.

    É “arte do exprimir”, ou seja, de como esses artistas utilizam as técnicas e conhecimentos, suas ferramentas, etc. para materializarem suas obras, suas idéias e ideais.

    Tudo isso também nos leva a pensar que podemos verdadeiramente denominar as atividades dos designers de iluminação e iluminadores como arte, exatamente porque essas atividades contém aspectos semelhantes a outras manifestações artísticas, como, por exemplo, as da pintura, pois, tanto a arte pictórica como a iluminação necessitam de suportes para que se dêem as suas materializações; realizam-se no espaço, inclusive a iluminação também no universo temporal; solicitam de seus criadores e executores conhecimentos técnicos e estéticos; são realizadas e construídas com o apoio e utilização de ferramentas e acessórios; exigem conhecimento de linguagem expressiva e, por fim ainda, a iluminação tanto pode ser ela mesma a própria obra, como elemento de apoio, participativo e interativo á outras.

    Podemos ainda intuir que os artistas da luz dividem seu espaço e sua criação com outros artistas e meios de expressão em busca de uma obra coerente, harmônica, e são aqueles cujas obras estão ligadas a conceitos criativos não-repetitivos, intencionais, cujas funções são determinadas pelos seus momentos expressivos através da luz, e o design de iluminação, como sendo “a arte ou o trabalho manual de criação visual através da luz e suas propriedades”. Entre essas propriedades, podemos citar o brilho, a intensidade, a direção, o ângulo de incidência, a velocidade, a cor a textura, a forma, o volume, o tipo movimento, a duração, etc.

    Artistas se utilizam dessas propriedades da luz para determinar espaços; evidenciar e ocultar; controlar o resultado visual das formas; modular o tempo; reforçar e criar “climas” emocionais; criar sensações de frio, calor, condições climatológicas, estados mentais, etc. aproximar e distanciar seres, objetos, etc.

    Se então, como afirmamos anteriormente, as ferramentas e instrumentos de iluminação cênica, que possibilitam mais facilmente essas criações, tiveram seus conceitos transferidos para a iluminação arquitetural, fica obviamente claro que as aplicações estéticas também. Essa a influência maior que pode ser observada nos novos projetos. Uma abertura e liberdade maiores de expressão pelos designers de iluminação arquitetural. O que não ficou claro ainda é como isso está funcionando ou pode funcionar, pois, se os iluminadores cênicos possuem métodos de trabalho em suas criações expressivas, provavelmente esses métodos estão começando a ser utilizados pelos designers de iluminação de espaços arquitetônicos e, devem existir então paralelos visíveis e mesmo semelhantes nessas atividades.

    Para facilitar nosso resumido estudo, dividi essas atividades em algumas etapas:

    •         Pesquisa – Levantamento das informações que determinarão as bases do processo criativo.

    •         Criação – É o processo criativo do artista em funcionamento. O desenvolvimento imagético de suas idéias e concepções visuais.

    •         Desenho – Expressão visual técnica e estética dos mecanismos de comunicação.

    •         Execução – A construção material da obra sobre os suportes com a utilização dos meios ferramentais.

    •         Operação – A obra quando expressa através de mecanismos de controle dessas ferramentas dentro de um determinado universo espetacular.

    Na fase da pesquisa:

    Essas pesquisas compreendem os levantamentos no interior do universo das técnicas, ferramentas e condições oferecidas para concretização dos trabalhos, assim como as pesquisas estéticas, visuais e do conjunto dos elementos participantes da obra.

    Na fase da criação:

    Que é o processo criativo em ação, onde se dá a utilização dos elementos da pesquisa na concepção estética da obra, a criação de esboços, onde entra a intuição criativa, as adaptações poéticas da obra para fins harmônicos, a utilização de ferramentas para criação de materiais de comunicação, e isso pode também se dar através softwares de simulação. É também, em muitos casos, a fase dos cálculos e adaptações e a busca pelas ferramentas e suportes ideais para materialização da obra.

    Na fase da execução:

    Nessa fase os designers executam os projetos, mas não as obras, que são executadas por outros profissionais. Esses projetos são mecanismos de comunicação entre as partes envolvidas na execução da obra. É também nessa fase que os designers definem os movimentos das luzes (quarta dimensão), acompanham a execução dos projetos e, em alguns casos, tais como o da iluminação cênica, podem ou não acompanhar as apresentações e suas repetições.

    Para completar nossa análise, devemos compreender que, as atividades desenvolvidas pelos designers de iluminação cênica e os designers de iluminação arquitetural, embora bastante semelhantes, no que diz respeito aos processos, tornam-se muito diferentes e peculiares em aspectos mais objetivos. Para falar sobre isso, vou analisar rapidamente a luz nos espaços arquitetônicos em relação à luz sobre os palcos:

    Na arquitetura: os personagens “são” o próprio público; os pontos de vista são complexos; as cenas cotidianas não seguem roteiros rígidos; os atores saem de cena apenas e quando deixam o “teatro”; a iluminação é operada pelos próprios atores (residências); os equipamentos compõem parte da “atmosfera” e da cenografia; a luz nos palcos, como na arquitetura, deve iluminar, mas ao mesmo tempo contribuir para a valorização das poéticas inseridas no todo da obra; A luz deve contribuir, na arquitetura,  para o conforto ambiental.

    Podemos também concluir que a influência da iluminação cênica na arquitetura surgiu das mudanças culturais profundas as quais vimos passando. De uns tempos para cá, nos tornamos culturalmente mais livres, fomos levados a dar maior importância às imagens em nossas vidas cotidianas, dessa forma, buscamos maior sentido expressivo para nossas vidas. Somos ensinados a comprar estilos de vida e não apenas produtos e vivemos num momento de busca por mudanças de paradigmas na arte, na filosofia, na religião, na ciência, etc.

    Essas coisas, ou o próprio conjunto delas, provavelmente estejam também mudando o olhar das pessoas em relação à luz. Vivemos há um tempo atrás o mundo das máquinas, hoje vivemos o mundo dos robôs, das comunicações. Nesse novo mundo, a mim me parece, as cores, sons, formas, movimentos, etc. são muito mais rápidos, alucinantes, envolventes. Esse envolvimento, que é a essência do teatro, da performance cênica, pulsa agora nas ruas de nossas cidades, em nossas vidas diárias. Talvez por isso mesmo, a luz teatral, cênica, aquela que vem carregada de sentidos, esteja tomando o espaço da luz confortável, mais preocupada com o relaxamento e saúde das pessoas. Questiono muitas vezes se estamos tomando a estrada correta ao transformarmos nossas cidades em parques de diversão. Creio que o melhor, seria o uso equilibrado dessas novas tecnologias, para que as gerações futuras possam olhar para cima e ver as estrelas do céu.

     
    Valmir Perez
    Lighting Designer
    Laboratório de Iluminação
    Unicamp
    www.iar.unicamp.br/lab/luz
    http://valmirperez.blogspot.com/
    http://imprensanaprensa.blogspot.com/

     

  • Design de Interiores: transportes

    Já fazia algum tempo que eu vinha querendo escrever sobre isso mas com a correria do dia a dia sempre acabava deixando pra depois. No entanto, em um debate com o Foster num outro blog o assunto acabou por ficar mais importante e tomar forma.

    Falo sobre áreas de atuação em que o Designer de Interiores/Ambientes pode atuar e que a maioria não faz a menor idéia da existência das mesmas. Interiores de meios de transportes.

    No começo do ano quando estive no litoral de São Paulo conheci uma designer que trabalha exclusivamente com interiores de embarcações. Ela começou a me falar sobre o trabalho e garanto: é encantador ao mesmo tempo que é um desafio dos grandes.

    Deixando de lado a questão financeira envolvida (que é o sonho de qualquer designer) pensemos na parte técnica envolvida. Um iate ou um transatlântico são meios de transporte que necessitam sim de projetos muito específicos especialmente pelas pequenas dimensões dos ambientes. Isso também ocorre com outros segmentos: aviação, carros, ônibus, trens, metrôs, caminhões enfim, muitas possibilidades de atuação.

    Dentro desta área voltada para o transporte, o trabalho do designer de interiores vai ter muita base no desenvolvimento de mobiliário e equipamentos específicos. Ergonomia e acessibilidade serão sempre elementos primordiais neste trabalho. E, claro, não podemos deixar de levar em consideração as outras normas técnicas envolvidas, especialmente as sobre segurança.

    Pensemos em um avião com rotas internacionais. O usuário permanece por horas dentro do mesmo, confinado em um espaço consideravelmente pequeno. Alguns aviões de grandes empresas dispõe de espaços alternativos (salas de estar, bar, etc) para aqueles que desejam. Porém, temos de pensar que existem usuários que por vários motivos irão permanecer a viagem toda em suas poltronas seja por não gostar de voar, seja por ter tomado algum remédio para dormir para que aquela tormenta que é a viagem passe logo. Com tudo isso, temos de pensar na melhor forma de oferecer ao usuário ambientes e equipamentos o mais confortáveis possível.

    Não devemos nos esquecer que existem normas específicas sobre iluminação para interiores em aviões e também que, quando fazemos um projeto deste, temos de pensar também no conforto da tripulação, seja lá na cabine de comando, seja em tudo que diz respeito ao trabalho e bem estar dos comissários de bordo (área de trabalho, equipamentos de trabalho, áreas de descanso, etc).

    Os elementos citados acima devem ser considerados também no caso de projetos para interiores de embarcações, especialmente nas cabines que são espaços bastante reduzidos. Já em outros espaços, bem mais amplos fica mais fácil trabalhar, porém, atenção redobrada nas normas técnicas e de segurança. Lembre-se sempre de onde os usuários estarão no caso de um acidente: no mar. Portanto além de rotas de fuga limpas, devemos pensar na comunicação visual, iluminação de emergência, equipamentos de segurança e mais um monte de coisas. Nunca somente na beleza e conforto.

    Em interiores de transportes terrestres (à excessão dos trens) o trabalho já é bem diferente e resume-se especialmente à concepção de equipamentos que venham a solucionar a falta de espaço interno. Seja num carro ou num caminhão sempre teremos espaços pequenos tendo de ao menos, aparentar ser grande ou maior do que é de fato. Com isso, a ergonomia é uma constante neste tipo de projeto.

    Podem questionar o porque de eu ter colocado os caminhões neste meio: já ha bastante tempo as montadoras vem pensando no conforto e bem estar dos caminhoneiros. Lembrem-se sempre que a maioria deles dormem dentro das cabines, cozinham do lado de fora enfim, vivem um vida dentro e junto de seu caminhão.

    Nos ônibus o trabalho não é diferente e também importante. Lembre-se sempre que existem grupos que fazem longas viagens de ônibus por ser mais barato que de avião. Também existem aqueles ônibus de grupos musicais, teatro e outros que sempre sofrem alterações internas de modo a tornar os ambientes mais agradáveis e compatíveis com as necessidades dos usários. Não posso deixar de citar também o trabalho junto aos motorhome (aquelas “casas ambulantes”) e trailers.

    Também os ônibus urbanos e metropolitanos merecem atenção. No entanto vemos pouquíssimas alterações dentro ds mesmos. O básico e comum a todos seria uma visão como esta:

    São pontos a se pensar: como podemos trabalhar para melhorar este tipo de transporte com o nosso trabalho?

    Ainda na área terrestre temos os interiores automotivos. Os carros estão sofrendo alterações constantes sempre na intenção de melhorar o conforto, a segurança e praticidade para o usuário. Muitas destas alterações são feitas pelos fabricantes porém a maioria está vindo do pessoal que trabalha com tunning. Pra quem ainda não sabe, tunning é aquele trabalho de personalização dos carros tanto externa quanto interna.  O programa Lata Velha do Caldeirão do Huck é um bom exemplo deste trabalho. É o tipo de projeto que vai exigir muito conhecimento técnico do designer seja em equipamentos, em materiais, em estilo e conceito.

    Indo para os trilhos temos: trens e metrôs. Infelizmente aqui no Brasil, não sei se por corporativismos, poucas são as cidades que ainda contam com transporte através de trens seja municipal ou intermunicipal. Lembro-me saudoso de minha infância quando cruzava as paisagens embalado pelo suave balanço dos trilhos. Nos trens temos de pensar que o usuário – à excessão dos trens bala – permanecerá um tempo considerável no transporte. Por isso é comum vermos vagões específicos: vagão restaurante, vagão bar, vagão dormitório, enfim… Já nos trens bala,  temos uma situação parecida com a dos aviões: espaço relativamente pequeno. Mas também pensemos que estas viagens são muito rápidas então, podemos ser menos rudes no trato com espaços. Mas também não podemos nos esquecer de pensar nos que trabalham ali assim como nos avões: pilotos, pessoal de bordo.

    Já nos metrôs encontramos uma situação semelhante à dos ônibus urbanos e metropolitanos: grande quantidade de usuários. Portanto devemos pensar sempre na comodidade e conforto destes. Por isso não podemos deixar de observar questões de ergonomia, acessibilidade e também segurança.

    Bom, se formos analisar bem, mercado de trabalho nesta área é o que não falta.

    Esta é uma área que é deixada de lado na maioria dos cursos de Design de Interiores talvez por desconhecimentos dos próprios alunos, talvez por desconhecimento das próprias IES e talvez porque a maioria dos professores destes cursos vem da área de arquitetura e não do Design. Porém, pelo nome do curso sendo Design de Interiores, todos podem sim exigir que sejam repassadas informações e conteúdos sobre esta área em seus cursos.

    Também vale a pena repensar as Matrizes Curriculares dos cursos existente no sentido de acrescentar ou trabalhar de forma mais aprofundada este segmento dentro dos mesmos.

    Saudações luminosas a todos!!!

     

  • Disponibilizando alguns materiais de pesquisa

    Muita gente me escreve pedindo informações variadas sobre interiores, ambientes, lighting, produtos e design em geral.

    Porém a grande maioria de pedidos vem em forma “solicitação de trabalho ou resumo” não sei pra qual finalidade, se acadêmica ou profissional.

    Como educador, creio que qualquer profissional só se faz competente através do esforço próprio. Isso se consegue por meio de leitura, muita leitura. Não concordo com essa onda de professores que entregam tudo mastigadinho para seus alunos o que os libera de ter que pensar sobre determinado assunto.

    Portanto, abri um 4Share onde começarei a disponibilizar materiais diversos para pesquisa. São materiais encontrados na web para download porém muitos complicados para se encontrar. Então, fica este o “mastigado” que ofereço a vocês: pastas com muito material, alguns até conseuidos fora da web.

    O link é: http://www.4shared.com/dir/7199762/dfe53a7c/sharing.html

    Boas pesquisas!!!

    LD&DA Paulo Oliveira

     

  • Tira dúvidas – Design de Interiores/Ambientes

    Espaço destinado aos profissionais na área de Design de Interiores/Ambientes bem como acadêmicos tirarem suas dúvidas bem como àqueles interessados em adentrar à área através de estudos.

    Poste aqui suas questões sobre esta área.

    ATENÇÃO!!!!

    Este blog não é um espaço para troca de dicas gratuitas do tipo “como faço, que cor pinto, que móvel, que quadro, etc”.

    Se necessitar de alguma “dica” ou informação técnica, terei o maior prazer em oferecê-la na forma de uma assessoria ou consultoria, em particular e fora deste post.

    Para isso favor enviar-me um e-mail através de meu endereço eletrônico ldda.paulooliveira@sercomtel.com.br com suas dúvidas e maiores detalhes.

    Ou então, se preferir, posso indicar-lhe um profissional de sua cidade/estado.

    Lembro aos que buscam “dicas” que é importantíssima a contratação de um profissional para realizar seus projetos. É uma segurança e garantia para você de que tudo saia bem.

    Comentários aqui ou em qualquer outro post deste blog pedindo este tipo de dicas serão excluídos.