Categoria: 100% Nacional

  • Movelpar 2009 – impressões

    Estive ontem, junto com minha parceira Adélia Covre, visitando a Movelpar aqui em Arapongas.

    Apesar do aumento do espaço de expositores, um movimento “do cão” – pois aquilo estava insuportavelmente cheio – cheguei ao pavilhão de exposições um tanto quanto apreensivo sobre o que iria ver. Digo apreensivo pois em época de crise mundial onde a ordem é cortar gastos, não sabemos o que iremos encontrar pela frente em um evento onde claramente os gastos são enormes! Outro fator é que o pólo moveleiro de Arapongas é claramente destinado aos magazines com uma linha de produtos mais simples e baratos. Encontraríamos alguma novidade real? Alguma empresa buscando destacar-se “subindo de nível”? Essas e outras questões nos perturbavam. Mas só vendo para saber.

    De entrada já me surpreendi pela eficiência e rapidez do credenciamento. Não sei dizer sobre o credenciamento no local, mas para quem como eu, o fez online, era só chegar num terminal de computador, digitar o CPF, colar a etiqueta no crachá e entrar. Em menos de 5 minutos tudo resolvido e já estávamos dentro da feira prontos para andar e andar e andar e andar. Aff.. E como andamos!!! Parabéns ao EXPOARA pela excelente organização.

    De cara já fiquei surpreendido com a qualidade dos estandes. Claro que tinham os mais simples e menores, porém os maiores estão belíssimos, muitos utilizando-se de alta tecnologia como painéis gigantescos em LEDs. Como nos disse um de nossos contatos, neste momento de crise, ao menos a indústria moveleira está esperançosa. Por isso vale o investimento pois o retorno, ao menos nesse setor, apesar da queda de aproximadamente 25% que tiveram nos últimos meses, vale a pena.

    Atendo-me aos estandes por hora, novamente vi um show de irresponsabilidade ecológica no que diz respeito aos projetos, especialmente no tocante à iluminação. Haviam estandes com tantos espotes e projetores de luz que muitos acabaram por serem desligados. Outros casos é a insistente colocação de projetores junto ao piso nas fachadas dos estandes. Fica bonito? Até que interessante sim, porém tecnicamente totalmente errados pois o ofuscamento para quem passava ao lado destes era algo insuportável. E não foram um, dois ou três estandes incorrendo no mesmo erro e sim vários e vários.

    Sobre revestimentos, formas e estruturas, alguns merecem aplausos pois estavam, digamos, perfeitos! Perfeitos esteticamente, forma, cores, texturas enfim, conjuntos muito bem elaborados e resolvidos. Já outros também enormes, pecam por excessos desnecessários ou formas básicas demais – caixotão. Alguma formas “disformes” nada interessantes se fazem presentes e acabam por distorcer a “paisagem feirística”.

    Como estes estandes são para mostrar o que a indústria vem desenvolvendo, passemos então aos produtos.

    MAGAZINES.

    Quase a totalidade das indústrias desse pólo moveleiro trabalha com produtos voltados às redes de lojas populares. Até aí tudo bem, tem mercado para todos e todos precisam de produtos. Vimos muitas matérias primas que também estão sendo utilizadas pela indústria alta aplicados nestes produtos mais populares. Ótimo isso acontecer! Porém – como sempre tem um porém, impressionante – as novidades param por aí com raras excessões.

    Um questionamento:

    “Será que o povão gosta mesmo desse tipo de coisa ou compra por falta de opções mais bonitas, digamos, com um design próprio e que anuncie uma identidade própria da marca?”

    É impressionante a mesmice dentro das diversas marcas. Visualmente é um show de repetições sem fim a cada estande visitado. As diferenças ficam por conta dos revestimentos, cores. Formas são basicamente as mesmas.

    Será que o povão gosta mesmo daqueles estofados com espaldar alto e “rechonchudo” revestidos com aqueles tecidos horríveis sejam na padronagem seja na textura? Será que o povão gosta mesmo daqueles móveis ergonomicamente errados e desmontáveis com apenas “um tapa” por causa de erros projetuais e especificação de ferragens? Será que o povão tem tanto mal gosto mesmo ou será que tem esse mal gosto por absoluta falta de opção? Será que a indústria não consegue realmente vislumbrar uma forma de resolver esteas distorções e, uma a uma, buscar a sua identidade própria?

    Esses e tantos outros questionamentos saltam nossos olhos ao visitar esta e outras feiras. Especialmente um:

    Quem é que faz o “dezáine” dentro destas empresas?

    Conheci sim algumas – conta-se nos dedos de uma mão – que realmente tem investido pesado em design, numa equipe forte, sólida e muito bem embasada, com excelentes profissionais. Empresas estas que vem se destacando e diferenciando dentro do polo moveleiro de Arapongas. A estas os meus sinceros comprimentos e parabéns e votos de sucesso!

    Por falar em “dezáine”, o que dizer do Prêmio Movelpar de “Dezáine”???

    Francamente, novamente uma decepção total assim como nas outras edições.

    É impressionante como este “concurso” é capaz de premiar produtos ridículos e deixar de fora produtos maravilhosos. É um bom exercício de paciência para se ficar “abestado” e incrédulo com o que se vê sem surtar, afinal estamos num espaço público. Mas também excelente para se perceber as críticas dos outros visitantes e perceber que você não é um ET e tampouco está fora da realidade ao ver que a sua visão bate com a de muitos outros. Talvez falte a este Prêmio o “Voto Popular” à exemplo de outros concursos. Mais adiante farei um post com a minha classificação dos finalitas sob a minha ótica. É uma pena que nao terei acesso a todos os inscritos pois certamente existem outros produtos magníficos que ficaram de fora da lista de finalistas.

    Com o tempo vou postando as coisas que vi, gostei muito e acho que valem a pena serem expostas.

  • 300.000

    3000001

    Agradeço primeiramente a Deus por me fazer um ser pensante, crítico, analítico.

    Agradeço a todos que acreditam e valorizam o meu trabalho.

    Agradeço aos meus amigos pela força.

    Agradeço a todos vocês leitores e visitantes, que são a razão da existência deste espaço.

    Muito obrigado!

    Muita luz a todos vocês!

    Paulo Oliveira

  • Programa Habitare disponibiliza publicação que mostra processo de construção de vila ecológica na Amazônia

    O Programa de Tecnologia de Habitação (Programa Habitare), da FINEP, disponibilizou em seu portal uma cartilha sobre a construção de uma vila ecológica na Amazônia. O protótipo com oito casas geminadas está na Reserva Florestal Adolpho Ducke, km-26 da AM-010, em Manaus (AM). A edificação apresenta uma alternativa para habitações multifamiliares.

    Além dos materiais normalmente empregados, como cimento, areia, barro, madeira e telhas cerâmicas, foi utilizado o bambu como componente de painéis pré-fabricados de paredes, revestidos com barro. A modulação arquitetônica da VilaEco resultou em nove tipos de painéis. Para dar suporte à sustentabilidade da proposta, foi definido um plano de cultivo de bambu.

    A vila protótipo busca gestão e economia da água. Foi instalado um sistema simplificado que permite a redução no consumo de água potável com o aproveitamento da chuva, que abunda na região. A construção tem também estação de tratamento de esgoto.

    A publicação disponível para download gratuito mostra como foi construída a vila, desde a locação e suas fundações até a implantação do sistema de captação e utilização de águas pluviais. Descreve também como foram produzidos os painéis pré-fabricados de bambu e seus componentes, elaborados no Laboratório de Estruturas de Engenharia, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

    “É um sistema construtivo que promove intervenções no meio ambiente de forma responsável”, descrevem os participantes do projeto, executado com apoio financeiro do Programa Habitare.

    Mais informações: Marilene G. Sá Ribeiro e Ruy A. Sá Ribeiro

    Acesse a publicação: cliquei aqui

    Fonte: Assessoria de Imprensa do Programa Habitare

  • IBSN

    IBSN (Internet Blog Serial Number) é o mesmo que conhecemos já com relação a publicações impressas, por aqui ISBN. Só que neste caso, específico para a blogosfera mundial.

    O IBSN é importante pois assegura a autoria dos posts realizados nos blogs além de ser um referencial, facilitando a autenticidade para pesquisas acadêmicas.

    É comum vermos professores não aceitando como referências os textos de blogs. Com o IBSN isso tende a mudar pois tratam-se de postagens sérias em blogs sérios.

    Então, a partir de hoje, o Design: Ações e Críticas tem o seu IBSN.

    27-12-1970-00

  • CEDES – Centro de Design do Espírito Santo

    cedes

    O designer de interiores capixaba Vinícius Alberto Morais assume em 2009 o cargo de Gestão do Centro de Design do Espírito Santo – CEDES, que desde 2005 se empenha para que o design seja elemento que agregue valor aos produtos do estado.

    Vinícius tem como missão montar projetos que divulguem o design no Espírito Santo e o próprio CEDES. Assim, ele pretende adotar a premissa de que o design, a cada dia que passa, está cada vez mais centrado no humano, no regionalismo e no povo.

    “O CEDES tem o compromisso de investigar como o design pode melhorar a produção industrial, inserindo a gestão do design nas empresas, como também a consultoria e formação em centros de artesanato, instituições de ensino e a população em geral. No entanto, perceber o design como ferramenta de aproximação entre o homem às questões imateriais da cultura popular capixaba é fundamental para que o CEDES possa contribuir com o desenvolvimento da produção industrial, dos profissionais de design e da comunidade acadêmica”.

    vinicius-alberto-morais-02

    Professor do curso de design de interiores do SENAC-ES, Vinícius Alberto Morais é bacharel em Design de Interiores, FAESA – ES, pós-graduando no curso de Mídias Interativas – Centro Universitário SENAC – SP. Premiado em concursos como o Prêmio Novos Talentos ABD 2007, o XIII Estudos de um Banheiro DECA e vencedor brasileiro do IF Design Concept Awards. Atualmente, Vinícius desenvolve pesquisas na área de design e manifestações folclóricas capixabas e aplica no Espírito Santo a “e-pesquisa” para o Instituto Nomads-USP. Suas pesquisas são publicadas no blog:

    http://pedireitoduplo.blogspot.com

  • Uh-lá-lá!!!

    300000

    Levei até um susto agora quando olhei o marcador de acessos ao blog e vi que já estamos perto dos 300.000 acessos!

    Para ser mais exato, neste exato momento ( 11/02/2009, 02:44hs) contam-se 284.956 acessos a este blog.

    Próximo do dia 15/ago/2008 atingimos os 200.000 acessos ao blog. Isso nos dá, num prazo de seis meses aproximadamente, 100.000 acessos!!!

    Mesmo com minha ausência, o blog tem recebido em média 1.200 acessos/dia.

    Desculpem pela imagenzinha feinha que fiz para colocar ali em cima mas a essa hora a cabeça já não funciona mais direito rsrsrsr  Quando chegarmos aos 300.000 prometo uma imagem à altura ok?

    Quero agradecer de coração a todos vocês leitores fiéis, amigos e visitantes.

    Valeu!!!

  • DesignBR – Ning

    Olá meus leitores, volto a chamar a atenção de vocês, Designers, para a existência do DesignBR no Ning.

    A plataforma do Ning assemelha-se e muito à do Orkut onde você monta a sua rede de relacionamentos, participa de grupos específicos e dos fóruns com assuntos diversos além de fazer novos amigos/contatos profissionais, postar seu portfolio, montar ou linkar o seu blog entre outras coisas.

    Atualmente estamos debatendo de forma muito construtiva alguns temas lá dentro como por exemplo:

    – Selo de qualidade em Design

    – Crise criativa

    – Fórum Brasileiro de Design

    – A importância do português no Design

    – Educação e Design

    entre vários outros.

    Já nos grupos são tratados de assuntos bem específicos dentro de cada área ou assunto pertinente como:

    – Design de Interiores

    – Sustentabilidade

    – Design Automotivo

    – Design Editorial

    – Professores de Design

    – Eco-Design

    – Pesquisa

    – TCCs

    – Negócios

    – Design de Produtos

    – Moda

    entre vários outros.

    Em menos de um ano de existência do DesignBR já agregamos 1276 Designers das diversas áreas que estão participando ativamente das ferramentas do Ning.

    Mas o melhor é perceber – diferentemente do orkut e outros espaços – que o pessoal por lá realmente está afim de se mexer em prol do Design Nacional, seja apenas para torna-lo visível, seja por uma luta mais árdua pela regulamentação.

    Se você ainda não faz parte desse grupo entre já!

    Venha para o DesignBR.

  • 100% Nacional – Davi Gottschalck

    Um grande amigo meu, Davi Gottschalck é um Designer que trabalha com biojóias.

    Para quem não sabe, biojóias são aquelas peças feitas com materiais ecologicamente corretos.

    É uma produção 100% artesanal onde ele une técnicas de joalheria às de tecelagem, artesanato (tramas e trançados) entre outras aplicando materiais na maioria em seu estado bruto, rústico. Tudo dentro da identidade cultural brasileira que é facilmente percebida nas peças em seus desenhos, cores e formas.

    “Tenho a maior satisfação em unir a flora e a fauna brasileira em meu trabalho. E alertar para sua preservação é praticamente uma obrigação para mim.”, diz o designer.

    Para conhecer o trabalho dele acesse o seu site.

  • 100% Nacional – Design de Jóias

    Dando sequência aos posts 100% Nacional, quero hoje escrever sobre o Design de Jóias – dica do Sergio.

    Como é de conhecimento de todos, o mercado de Jóias movimenta milhões todos os anos e, ao andar pelas ruas ou shoppings é fácil perceber como este mercado vem se desenvolvendo seja em técnicas, materiais e, principalmente na criatividade. Tanto que temos vários visto ultimamente famosos lançando suas coleções assinadas.

    A dica do Sergio é o portal JóiaBR. Um portal que agrega no mesmo espaço uma vitrine do que vem sendo produzido no Brasil e pelos Designers brasileiros, bem como listas com fornecedores, feiras, artigos técnicos, tendências, livraria online e mais um monte de informações.

    Neste portal você encontrará desde os que trabalham com materiais convencionais até aqueles que pesquisam novos e novas aplicações.

    Abaixo algumas criações de Designers brasileiros.

    By Pitty Rebelo

    By José Carlos Guerreiro

    By Mariana Gorga

    By Antonio Bernardo

    By Patricia Gottilf

    Tem muitos mais lá no portal JoiaBR.

  • Cirandando no Natal

    Olá meus amigos leitores, como sabem este ano resolvi participar da Ciranda de Blogs – uma iniciativa da Flávia do Decora Casa.

    Para minha grata surpresa que me “tirou” no sorteio foi a Marcele do excelente blog Viver Arquitetura – que já acrescentei à lista de blogs aqui na barra lateral direita.

    Bom, vamos à mensagem que ela nos traz para este encerramento do ano.

    Boa leitura.

    Olá. Para quem freqüenta esse blog, sabe que o Paulo está participando da Ciranda de Blogs, proposto pela Flávia, do blog Decoracasa (http://decoracasa.blogspot.com). E eu, Marcele, do blog Viver Arquitetura (http://viverarquitetura.blogspot.com), fui sorteada para escrever nesse espaço, cheio de conteúdo e muita informação bacana.

    Confesso que estava torcendo para que a filhinha da Flávia sorteasse algum blog que tivesse a ver com a minha profissão, mas mesmo que isso tenha acontecido, o friozinho na barriga por causa de tanta responsabilidade não deixou de me acompanhar.

    E como essa segunda edição da ciranda tem como tema o natal, a primeira coisa que me veio à mente foi a questão da retrospectiva que fazemos no final do ano e as expectativas que rondam o iniciar de um período. A partir disso, pesquisei sobre o design e escrevi esse post. Espero agradar ao Paulo e a você, leitor.

    “Fim de ano é um momento de balanço, seja pessoal, profissional, político, econômico ou outro qualquer. Pensamos no que aconteceu e no que deixou de acontecer, no que mudou e o que continua exatamente como antes.
    Assim, podemos dizer, por um lado, que não foi nesse ano que o Design foi reconhecido como uma profissão no Brasil. Por outro lado, a cada dia os designers brasileiros recebem maior destaque com seus produtos, seja no Brasil, seja fora dele. Como exemplos bastante comentados nesse ano, podemos citar a criação da Chaise Zonza, de Eduardo Baroni, que faturou o prêmio IBAMA 2008 e a luminária Bossa, criação de Fernando Prado para a Lumini e medalha de ouro na edição 2007 do iF Product Design Award  (o oscar do design internacional).

    Chaise Zonza, do designer Eduardo Baroni.


    Luminária Bossa, do Designer Fernando Prado

    Podemos dizer, também, que por um lado, ainda falta ao Brasil o reconhecimento de sua essência e de sua identidade. Por outro lado, 2008 mostrou-se, através do design brasileiro, uma fonte rica para entendermos sobre a cultura nacional e a beleza desse nosso país, que muitas vezes é deixada de lado. Como exemplo, cito Flávia Pagotti, que se utiliza da tecnologia dos materiais empregados e da historia da azulejaria no Brasil para a criação da Poltrona São Luiz.


    Poltrona São Luiz, da designer Flávia Pagotti

    E, se por um lado, ainda falta muito para que as pessoas reconheçam a necessidade de se cultivar uma vida sustentável, por outro lado, vários profissionais brasileiros e inclui-se aí, os designers, estão se preocupando em trabalhar com matéria-prima renovável ou matéria-prima reciclável ou mesmo matéria-prima certificada. Um exemplo já citado nesse post é da designer Julia Krantz.


    Banco Canoa, da designer Julia Krantz

    Além do balanço, fim de ano é um momento de novos planos e novos sonhos, construções e reconstruções. Quem não se pega a pensar: ano que vem será diferente! Ano que vem farei isso ou farei aquilo!? Já que sonhar não custa nada, aí estão algumas idéias das quais eu compartilho:

    Sonhar com o reconhecimento do trabalho de quem lida com a questão da arte, seja arquiteto, decorador, designer. Não apenas um reconhecimento por parte dos órgãos públicos, mas um reconhecimento por parte de quem usufrui desse serviço ou venha a usufruir do mesmo.

    Sonhar que acima do conceito de “moda”, embutido nos discursos de muitas publicações e anúncios, as pessoas se preocupem com o conceito de identidade do usuário para com o produto, do usuário para com a sua necessidade.
    E depois do balanço e dos planos para o ano que se inicia, vem um período de “bons desejos”… Assim, desejo a você, leitor, saúde, paz, alegria, harmonia e compreensão para com os outros… E desejo, também, muito trabalho, novos projetos e mais tempo para aproveitar o que essa vida tão boa nos oferece.

    Feliz natal e próspero ano novo.

    Marcele!”

    Valeu Marcele!

    Neste teu post você conseguiu sintetizar muito do que coloco semanalmente aqui neste blog e o mais interessante, com um olhar de quem “está de fora da área”. Apesar da arquitetura aproximar-se levemente com o Design, elementos como identidade, cultura e outros são semelhantes e da mesma forma importantes em ambas as áreas.

    Esta tua retrospectiva vem bem a calhar uma vez que já postei uma de imagens de 2008 e tem uma outra agendada para o dia 31/12 com os principais posts do ano.

    Mais uma vez obrigado pelo belo presente de Natal a mim e aos meus leitores.

  • Salve a Terra para o Dante!!!

    Plante uma árvore!

    Já postei ha algum tempo atrás que minha irmã caçula estava grávida e que viria um sobrinho por aí.

    Até aí tudo normal e tranquilo.

    Porém a danada – professora de Moda e outros cursos mais – resolveu repensar o valor das lembrancinhas. Não o financeiro.

    Meu cunhado é um dos caras mais eco-conscientes que conheço e ela, claro, acaba entrando na onda dele e aprendendo muito com ele.

    Então depois de muito pensar ela chegou à lembrancinha ideal para os dias de hoje:

    É isso mesmo: uma muda de Aroeira para que cada um a plante onde quiser e contribua com este gesto, para um futuro melhor.

    As mudas ela conseguiu com a EMBRAPA, “de grátis”. E foi elogiadíssima pelo pessoal de lá pela iniciativa.

    Mas uma mudinha só não faz uma floresta. Então ela acrescentou no rolinho que podem ver na imagem acima uma mensagem:

    Além das boas vindas e agradecimentos pela visita, a mensagem nos faz pensar sobre a importância na preservação da natureza e também da necessidade urgente de que cada um de nós comece a repensar nossas ações e implantar novas ações, mesmo que simples, como plantar uma muda de árvore.

    Parabéns aos papais pelo filhote lindo (é lindo mesmo!) e por essa ação digna de aplausos!

    E, Dante, seja mais que bem vindo e que Deus te abençoe a cada segundo de tua vida!

  • Quanto custa decorar?

    Bom, um presente para vocês.

    Olhando o blog da Maria Alice Miller encontrei este texto abaixo muito interessante. É uma excelente leitura para quem tem dificuldades na hora de negociar com os clientes os valores do projeto. Mas também, um lembrete de que projetar é bem mais que o simples ato de vender uma mercadoria. Isso inclui muitas variáveis que devem ser levadas em consideração antes de soltar o orçamento. É também uma leitura prática para aqueles que, assim como eu, sempre encontram clientes que tentam te forçar a “jogar” um preço sem saber exatamente do que se trata o projeto.

    Depois que li o texto, entrei em contato com ela solicitando autorização para posta-lo aqui, o que ela me respondeu prontamente de forma positiva.

    Maria Alice é mais uma que, assim como eu, é bastante crítica com o mercado e com o que anda rolando no meio profissional seja no âmbito pessoal ou no relacionado às associações.

    Indico a todos a leitura do blog dela – que também entra para a barra de blogs aqui à direita.

    Boa leitura!

    Maria Alice Miller – dezembro/2008 – www.casacomdesign.com.br

    Com a difusão do trabalho dos designers de interiores nos últimos anos através da proliferação de revistas de decoração e também de mostras, muita gente se interessou por ter uma casa bonita, confortável e “na moda”. É um sinal do crescimento do país, interessante tanto para as empresas do setor quanto para os profissionais da área. Contudo creio que ainda há muito a ser esclarecido sobre como é o trabalho dos profissionais de interiores e, dentre as diversas questões que precisam se tornar mais claras, uma das mais importantes, e complexas, são os valores envolvidos em um trabalho de interiores.  Mais que esclarecer quanto aos honorários dos profissionais – que podem variar enormemente, como os de qualquer outro grupo de profissionais liberais – acho necessário tornar mais transparente a “pergunta-chave” com a qual vezes sem conta as pessoas nos abordam: “quanto vai custar?”. Seja uma reforma, uma decoração nova ou um simples acerto num ambiente que não está satisfatório, todo mundo quer saber sobre os valores envolvidos.  Não é uma pergunta fácil de ser respondida, pelo simples fato de que cada projeto é um projeto, cada espaço é um espaço, e cada Cliente é um Cliente. Existem inúmeras variáveis que podem tornar o valor final de um trabalho viável ou inviável para quem o solicitou, mas creio que cabe alertar que estes valores não precisam ser necessariamente os vistos nas revistas e mostras, onde todos se esmeram em apresentar os melhores produtos possíveis, de revestimentos a equipamentos de última geração. Por outro lado, também não se pode pensar que o valor de um trabalho de interiores, que resulte em um espaço esteticamente aceitável, seja tão baixo quanto muitos ainda pensam que seja. Há que ter planejamento e um orçamento preparado para tal, ainda que não se trate de um trabalho muito sofisticado.  A primeira coisa a saber quando se procura por um profissional de interiores, é que prestamos um serviço, e que portanto, não podemos determinar o valor dele sem saber o que vai ser feito. Não é o mesmo que entrar em contato com uma loja que fornece um produto e perguntar qual é o seu valor, mas iniciar um contato com alguém que pode ajudá-lo a transformar sua residência ou espaço de trabalho num espaço muito agradável. Somente a partir do contato com o Cliente e seu espaço é que começamos a analisar diversos fatores que influem no quanto deve ser investido.

    Uma das primeiras variáveis avaliadas que influenciam no “quanto” é mesmo o Cliente: seu estilo de vida, seus desejos e aspirações. Muitos olham para fotos de revistas ou espaços de mostras com desejo de se transportarem para lá. Como isso não é possível pois o ambiente que dispomos não é o mesmíssimo da revista ou da mostra, torna-se necessário avaliar com calma o que atraiu a pessoa naquela imagem. É útil mostrar ao profissional que visuais o agradam mas, mais que isso, é importantíssimo ter em mente que o profissional pode auxiliá-lo a ver inadequações que, inicialmente, não foram percebidas. E é necessário ouvir o profissional neste ponto. Um exemplo prático: a cozinha americana, aberta para a sala, é um dos apelos mais fortes dos interiores atuais, mas nem todos sabem que uma cozinha configurada desta forma implica em possuir sala e cozinha sempre arrumadas, (o que pode ser inviável e até bastante incômodo em determinados casos), eletrodomésticos dos mais bonitos (e normalmente de alto valor), e de alta qualidade, para que não contaminem a sala com ruídos, fumaça e odores desagradáveis. Muitas donas de casa se encantam pela imagem e se esquecem que, no seu dia a dia, tal cozinha pode ser na verdade um desconforto mais que um prazer. Portanto, cabe a nós, profissionais que somos, mostrar que o tipo de vida que se leva determina em alta medida a forma como sua casa deve ser configurada. E com isso se determina também o tipo de projeto que será realizado, o que implica num gasto maior ou menor. Se a dona de casa que tem crianças insistir em ter uma cozinha integrada ao living, é possível criá-la com um investimento maior, contemplando ótimos eletrodomésticos e revestimentos adequados para a sala contígua, ou, pelo menos, uma bela porta de correr entre os ambientes, mas certamente será fundamental se preparar para um dispêndio maior do que se fosse realizado um trabalho em uma cozinha e uma sala não integradas.  A segunda variável é o espaço objeto do trabalho. Às vezes as pessoas moram em casas não-definitivas, isto é, espaços por onde se passa, sem a intenção de permanecer nele. Estão neste caso os solteiros, descasados, casais jovens, e uma série de outras pessoas. Em espaços assim, nem sempre vale a pena investir num ótimo revestimento para piso, teto e parede, pois normalmente isto não é valorizado em uma futura venda. Mesmo assim, é possível se ter uma moradia bonita, desde que se saiba em quais peças investir. E, muitas vezes, pessoas que estão em situações deste tipo resistem a procurar um profissional pois entendem que só uma “reforma total” daria bom resultado. Às vezes isto é verdade, mas às vezes não. Somente uma análise da situação pode resolver a dúvida. Nestes casos, a categoria de decoração desejada é de importância capital: é possível ter uma casa elegante com uma base simples, mas torna-se complicado desejar muita sofisticação numa moradia transitória.

    O espaço também determina o trabalho necessário a ser executado. Já presenciei situações em que imóveis recém adquiridos tiveram que ser repassados pois o proprietário não possuía recursos para torná-los habitáveis. Algumas obras mínimas devem ser executadas quando se adquire um imóvel antigo e, às vezes, o preço baixo destas servem justamente para compensar as benfeitorias que o novo morador terá de executar, sob pena de não poder ocupá-la. E há quem não se lembre disso e destine todo o dinheiro que possui na compra, não restando nada para as obras fundamentais. Mesmo que não se trate de uma casa antiga, a maior parte das pessoas investe todos os recursos que possuem na compra do melhor imóvel possível, e isso normalmente significa uma ótima localização, espaços amplos, mais vagas na garagem, infra-estrutura do edifício. No entanto, se esquecem por exemplo que, quanto maior o imóvel, mais terá que ser investido neste espaço para torná-lo bonito. Também por este motivo às vezes não é possível transformar o imóvel adquirido na sua “casa dos sonhos”, pois nunca há folga no orçamento mensal para criá-la: o condomínio é alto, as despesas mensais com o estilo de vida são altas, outros gastos consomem todos os recursos do proprietário e realmente não há sobras para investir na casa. Desta forma, na hora da decisão de compra, talvez valesse mais a pena investir em um espaço menor, em outra localização ou um condomínio com menos infra-estrutura, reservando ou prevendo de alguma forma recursos para decoração, mesmo que esta ocorra somente anos após a compra desse imóvel. Claro, este conselho só se aplica a quem pretende ter o interior de sua casa bem arrumado.  A terceira variável para determinar quanto custa decorar é a categoria de decoração pretendida pelo Cliente. Quanto mais simples for o resultado desejado, em geral o valor envolvido na decoração torna-se menor. No entanto, muitos Clientes confundem o que chamamos de “simples” com “barato” e, definitivamente, em design, estas palavras não são sinônimos.

    Ocorre que o bom design atende a determinados parâmetros e, no mercado brasileiro, se oferecem muitos móveis de baixo custo e péssimo design. A quantidade de peças com bom design é ínfima, e seus valores costumam ser maiores. É difícil para um profissional trabalhar com móveis mal concebidos e obter um bom resultado em um ambiente, portanto, é preciso investir em peças boas, mesmo que poucas. Ao contrário de outros itens que fazem parte de um espaço – como os revestimentos por exemplo, que existem em profusão de variedade e de preços – móveis e adornos com bom design têm oferta reduzida em nosso país, e isso complica muito nosso trabalho. Às vezes um bom quadro ou uma boa luminária chama mais atenção em um espaço do que tudo mais o redor, e portanto vale investir neste item e adquirir outros com valor menor. Apenas um profissional de interiores sabe como fazer isso, mas às vezes é difícil explicar esta abordagem aos Clientes. E, como resultado, às vezes ocorre de um bom trabalho ficar realmente “menor” ao se fixarem os quadros nas paredes – em situações em que estes não são escolhidos segundo o critério do projeto, mas de acordo com seu valor.

    Além destes pontos básicos que implicam fortemente no valor total envolvido num trabalho de decoração, existem muitos outros que são analisados em um trabalho de interiores. Ao procurar por um profissional de interiores é importante que o Cliente seja claro, fale de suas dúvidas, seus desejos, o que espera, o que teme e, se possível, quanto deseja despender. É de vital importância haver um ótimo relacionamento entre Cliente e profissional para que se possa tornar um espaço economicamente viável para o bolso e realmente estético, bem concebido, dentro dos parâmetros do design de interiores.

  • 100% Nacional – Julia Krantz

    Combinar o design de móveis em madeira com uma preocupação ambiental é uma das características do trabalho de Julia Krantz. Formada em arquitetura pela FAU-USP, sua linha de produção deixa transparecer o poder orgânico da madeira, em um cuidado minucioso de artesania que faz essa matéria-prima dialogar com sua condição original, através de formas que suscitam algo para além da simples utilidade cotidiana. Nesse trabalho, a ecologia tem papel fundamental. A designer, associada ao grupo de compradores de produtos florestais certificados e detentora do selo de certificação do FSC, possui o compromisso de se utilizar apenas de materiais obtidos através do manejo sustentável, se recusando a se servir de madeiras ameaçadas pela extinção. A difusão e valorização de espécies pouco conhecidas da floresta tropical, associada ao combate da degradação ambiental, se somam a uma concepção artística da utilização dessa matéria-prima tão especial em recursos. O cuidado e o fascínio pela natureza transparecem nas produções de seu trabalho, em cujas peças se pode verificar uma continuidade em relação a imensa riqueza de desenhos, cores e formas que a floresta oferece as mãos de um artista criativo.

    Julia Krantz