Categoria: arquitetura

  • Luz, Iluminação, Lighting Design

    “A luz em si é invisível, o que vemos é o objeto iluminado e a fonte luminosa. A luz depende totalmente da matéria e reage de forma diferente com cada tipo de material”
    “Há fabricantes que copiam formas mas não outras qualidades do produto, como ótica, engenharia, cálculos, tipo de anodização, curvaturas que refletem ou dispersam a luz e a especificidade do material”
    Guinter Parschalk.

    “Isso é positivo porque dispensa o rotineiro e ajuda a conquistar avanços a cada projeto”
    “É preciso ter uma clara identificação do que e como será iluminado”
    Antônio Carlos Mingrone.

    “A integração dos projetos é fundamental”
    Gilberto Franco.

    “Algumas luminárias bonitinhas só servem para disfarçar a falta de um trabalho de luz”
    Esther Stiller.

    ETAPAS DE UM PROJETO
    Esther Stiller trabalha com três parâmetros básicos que se aplicam a todos os seus projetos, mudando apenas o peso que cada um tem conforme as necessidades do ambiente e as expectativas do usuário:
    1) O aspecto emocional, que inclui atração visual, é prioridade em espaços como lojas ou restaurantes.
    2) O conforto visual – controle de reflexos, brilhos e ofuscamento, além de cuidados com contrastes – é fundamental em locais onde as pessoas permanecem por horas seguidas.
    3) A economia de energia, que ganhou maior importância após a crise energética de 2001. Mas mesmo fora das crises, a conservação de energia é fundamental em projetos de maiores dimensões ou de grandes redes, de forma que o somatório do consumo tenha menor impacto no conjunto.

    Compreender o universo do projeto
    · Atentar para as condições de visão dos usuários
    · A linguagem luminotécnica deve ser compatível com a arquitetura
    · Observar restrições decorrentes de sistemas embutidos nos forros
    · Observar restrições decorrentes das características do meio ambiente
    · Avaliar as condicionantes de custo de implantação e de operação

    Conceber o sistema
    · Conhecer as expectativas dos usuários
    · Definir requisitos luminotécnicos segundo as funções exercidas em cada ambiente
    · Utilizar recursos da informática para prever os cenários, com perspectivas de cada ambiente
    · Definir os fachos luminosos que desenharão o cenário
    · Checar a adequação dos fachos quanto aos requisitos luminotécnicos
    · Checar a conveniência do custo unitário do equipamento ao custo global da obra
    · Checar a eficácia do equipamento segundo requisitos operacionais
    · Definir um repertório de equipamentos que possa ser aplicado em todo o projeto

    Projetar o sistema
    · Calcular o sistema somente depois de ter avaliado todas as questões anteriores

    Acompanhar a implantação do sistema
    · Etapa importante para que tudo saia conforme o esperado

    Avaliar os resultados
    · Conheça os erros e acertos na execução de um trabalho

    QUESITOS BÁSICOS
    1. Desenvolver um projeto atribuindo o devido peso a três fatores básicos: conforto visual, luminotécnica e economia de energia.

    2. Avaliar se a quantidade de luz (iluminância, medida em lux) é adequada às atividades exercidas no ambiente

    3. Promover a correta distribuição das iluminâncias no campo visual para garantir conforto ao usuário

    4. Promover o controle de brilhos de fontes luminosas e superfícies iluminadas para não causar deslumbramento (excesso de brilho que reduz a capacidade visual) e evitar reflexões veladoras
    (reflexo da lâmpada no papel ou na tela do computador)

    5. Quando o projeto exigir contrastes de luz e sombra, cuidar para que haja uniformidade de luminância sobre superfícies de trabalho, como caixa de loja ou balcão de demonstração

    6. Tomar cuidado ao trabalhar com contrastes e zonas de sombra

    Fonte: Esther Stiller

    Sugado: ArcoWEB

  • Direto: Autoral, Patrimonial e Moral

    Nome: Monica Fuchshuber
    Pergunta: Prezado Dr. Brand. Se um designer é funcionário de uma empresa, a quem pertence os direitos autorais patrimoniais sobre os trabalhos desenvolvidos pelo designer? Esses trabalhos podem ser usados no portfolio, independente da autorização da empresa contratante? Obrigada, Mônica.

    Resposta:
    Olá Monica.

    Primeiramente, é bom deixar claro que a Lei de Direitos Autorais (9.610/98) define que AUTOR é pessoa física. Empresas até podem ser titulares de direitos PATRIMONIAIS sobre uma obra, porém os direitos MORAIS do autor ficam resguardados e sua cessão é, inclusive, vedada pela Lei (inciso I do art. 49).

    Sua pergunta se desdobra nos dois aspectos:

    1) Direitos Patrimoniais: A cessão deve ser feita sempre por escrito (art. 50) e presume-se onerosa. Portanto, se há um contrato de trabalho ou de prestação de serviços, suas cláusulas devem definir a questão da cessão, da titularidade e da modalidade de uso, podendo ainda prever alguma limitação à utilização da obra pelo autor, o que seria questionável. Em princípio, não poderia haver limitação ao uso, pelo autor, em seu portfolio. Em contrapartida, se não há contrato ou se o contrato não versar sobre modalidade de uso, a empresa contratante fatalmente encontrará uma grande limitação na sua utilização.

    2) Direitos Morais: Segundo o art. 24, consideram-se direitos morais do autor: I- o de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra; II- o de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra. Assim, todo autor tem direito de ter seus créditos indicados junto à obra.

    Em suma, o designer tem plenos direitos de exibir os trabalhos em seu portfolio e indicar que é o autor, com a ressalva da indicação dos nomes de outros autores, quando for o caso, por força dos direitos morais, sendo certo que a titularidade sobre os direitos patrimoniais dependerá da relação contratual.

    Espero ter auxiliado na sua dúvida.

    Abraços.

    Dr. Brand

    Interpretou Dr. Brand Arthur Felipe Cândido Lourenço (MC Araújo Consultoria em Propriedade Industrial)
    Também tem dúvidas? Pergunte para Dr. Brand, utilizando esse formulário.

    Sugado: DesignGráfico

  • Algumas dicas

    Bom pessoal, já perceberam que nesta semana que está terminando eu não postei quase nada. Isso se deve à correria de final de ano.

    Quem já trabalha na área sabe que final de ano é sempre assim. Além dos projetos de Interiores e Ambientes dos clientes que querem suas casas renovadas para as festas de fim de ano, temos ainda as decorações natalinas. Haja fôlego.

    Mas para não deixar vocês leitores órfãos, vou postar algumas dicas rápidas aqui:

    1 – Lar Doce Lar

    Para quem curte este programa, pode rever os vídeos das reformas já realizadas através do site

    http://tvglobo.caldeiraodohuck.globo.com/lardocelar/

    Muito bom!!!!

    2 – Cursos de Arte Floral

    A Floral Design Brasil está com alguns workshops programados para o final de ano e inicio de 2009. Acesse o site e confira a programação.

    3 – Feiras 2009

    As feiras de 2009 já estão com o credenciamento online para visitantes.

    Kitchen & Bath

    Feicon

    Movelpar

    4 – TV por assinatura

    Alguns canais de TV por assinatura oferecem excelentes programas para nossa área.

    No Discovery Home&Health está passando uma temporada Eco Renovação. É um programa muito bom sobre novas construções eco-sustentáveis e aquelas já construídas onde os proprietários “compram” as idéias sustentáveis e permitem as implantações propostas pelos arquitetos e designers.

    Além desse, tem o Design Divino – com a Candice – que é naquela linha de renovações rápidas. Muita coisa interessante aparece por lá.

    Tem também o Trading Spaces onde vizinhos trocam de casa e reformam um dos cômodos. As vezes tudo sai bem, mas de vez em quando erram feio rsrsrsrs Vale a pena.

    Já no Discovery Channel, o melhor que acho é o Mega Construções.

    No National Geografic Channel encontramos uvasta grade sobre o Meio Ambiente e também alguns sobre engenharia, arquitetura e Design. Além dos sempre excelentes sobre arqueologia e história.

    Todos eles apresentam em seu site uma resenha sobre os programas já apresentados e, em alguns casos, vídeos e uma enorme galeria de imagens. Excelente fonte de pesquisa.

    Bom, acho que com essas dicas já me redimi pela ausência da semana.

    Espero que curtam bastante todas elas.

  • Casa Genial eficiente energeticamente

    Fonte: Procel Info – 26.11.2008

    Casa genial incentiva uso eficiente de energiaRio Grande do Sul

    O Museu de Ciências e Tecnologia (MCT) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Eletrobrás criaram uma residência completa, de 51m², com dormitório, sala de estar, cozinha, escritório, lavanderia e banheiro, para incentivar os visitantes a utilizarem a energia elétrica de forma racional. A “Casa Genial” tem o objetivo de contribuir na conscientização dos consumidores de energia elétrica. A casa, com eletrodomésticos, ar-condicionado, utensílios e móveis, possui dois modelos de geladeira. Um dos modelos tem o selo de eficiência energética do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), da Eletrobrás. O objetivo é fazer com que os visitantes constatem a diferença no consumo.

    De acordo com Álvaro Theisen, vice-diretor dos Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica, Calibração e Ensaios (Labelo), se o consumidor deseja substituir a velha geladeira por um novo modelo, com eficiência energética, ele poderá receber o retorno do investimento em menos de 18 meses através da economia de dinheiro nas contas de eletricidade. O museu estará equipado com medidores de energia em funcionamento, pelos quais os visitantes poderão fazer a comparação. Também haverá lâmpadas incadescentes e fluorescentes para serem comparadas. Será utilizada ainda a iluminação fluorescente dimerizada (com sensor que capta a iluminação natural), que auto-regula sua iluminação conforme a intensidade da luz solar no ambiente.

    Depois da visita, os interessados poderão assistir a uma apresentação, com recursos multimídia, e poderão calcular as despesas mensais e anuais com equipamentos domésticos. A Casa Genial poderá ser visitada na área de exposições do MCT da PUCRS, a partir do dia 27 de novembro. Mais informações sobre a casa e sobre o seu lançamento podem ser encontradas no site do museu, www.pucrs.br/mct/.

    Serviço:

    Evento: Lançamento da Casa Genial
    Data: 27 de novembro de 2008
    Local: Porto Alegre – RS
    Informações: www.pucrs.br/mct/

  • Ponto de Vista: Jethero Cardoso

     Diretor do Centro Universitário Belas Artes fala sobre parceria com o Núcleo de Decoração

    A partir de novembro de 2008, o Núcleo de Decoração participará ativamente de diversos eventos realizados pelo Centro Universitário Belas Artes. A parceria entre as duas instituições (empresa e escola) tem por objetivo aproximar os estudantes da realidade do dia-a-dia do mercado de trabalho. A primeira ação deste trabalho aconteceu durante a Semana de Design do Belas Artes, realizada de 3 a 6 de novembro. Durante este evento o Núcleo contribuiu para a realização de quatro palestras. A presidente do Núcleo, Silvia De Tommaso, falou sobre O Designer de Interiores como Empreendedor, a artista plástica e mosaicista Lúcia Dantas abordou o tema “O mosaico na história da arte – da antiguidade aos dias de hoje”, o diretor da Avantime, Daniel Lima, apresentou a palestra sobre Automação e o sócio diretor da Ação Sistemas, José Pires Alvim Neto abordou o tema “Gerenciamento de Escritórios – Software Naves. Ao final do evento, o diretor da unidade da Vila Mariana, Jéthero Cardoso, falou sobre a parceria.

    Núcleo: Qual a importância, para o Centro Universitário Belas Artes, desta parceria do Núcleo, que objetiva levar informação técnica aos estudantes do curso de Design de Interiores?
    Jéthero: É importante porque não existe a possibilidade da escola formar a pessoa de forma isolada no conhecimento, dada a rapidez com que este se produz e reproduz. Se essas duas instituições (empresa e escola) não estiverem unidas, dificilmente o aluno conseguirá uma formação mais realista, necessária para os novos tempos.

    Núcleo: Além de colocar empresários em contato direto com os estudantes, através de palestras como as realizadas na semana de Design, qual será o papel do Núcleo na formação dos futuros Designers de Interiores?
    Jéthero: Visando sempre a formação completa do aluno, criamos o laboratório Ceitem – Centro de Estudos de Informações Tecnológicas. É o lugar onde reunimos materiais, informações técnicas, catálogos, folhetos com medidas que podem ser consultados na hora de fazer o projeto. Então, a parceria com o Núcleo, e demais empresas, tem por objetivo alimentar o Ceitem, pois o grande desafio é nos manter atualizados e em sintonia com o que está acontecendo fora do mundo acadêmico.

    Núcleo: Como você avalia a importância do trabalho do Núcleo de Decoração?
    Jéthero: Os setores de serviços, indústria e comércio ainda estão mal organizados no geral e o Núcleo está mudando esse quadro. Por isso é muito bem vindo para tentar orientar, educar, organizar o meio. Sem contar que estamos falando de uma instituição que tem na sua presidência uma pessoa muito otimista, focada no profissional, que está colaborando e muito para o Núcleo crescer, continuamente.

    Núcleo: O Centro Universitário Belas Artes oferece tanto o curso de Design de Interiores como o de Arquitetura e Urbanismo, como o senhor avalia a diferença entre eles?
    Jéthero: Este prédio em que está instalada a unidade três do Belas Artes, foi construído em 1927. Antes funcionava uma tecelagem aqui. Você vê uma estrutura com pé direito alto, espaços grandes, com ventilação boa. Tudo muito bem projetado por um arquiteto. E hoje, vê também esse espaço totalmente modificado, graças ao trabalho do Designer de Interiores. Então essa é a diferença, um cuida da estrutura arquitetônica e o outro do recheio.

    Núcleo: O que leva alguém a contratar os serviços de um Designer de Interiores?
    Jéthero: Se você compra dez sapatos, tem que ter onde guardar. Então quando estamos focados em promover e facilitar a qualidade de vida é maravilhoso. Tenho viajado pelo Brasil e vejo como o país cresce. E diante desse crescimento, em um novo contexto, torna-se necessário alguém para ajudar os brasileiros a viver melhor. Afinal, este é o profissional que trabalha para o ser humano, individualmente, dá dignidade e existência da vida (da criança de dois anos, aos 20, aos 90 anos).

    Núcleo: Como o senhor avalia o trabalho dos Designers de Interiores?
    Jéthero: Participo do júri do prêmio Olga Krell e este ano o nível de qualidade foi excepcional. Então, em minha opinião, o Brasil é o que mais sabe fazer Design de Interiores. Temos uma cultura miscigenada, japonês – coreano – índio – europeu e nos reconhecemos em todos esses “lugares”, por isso temos um Design de Interiores sofisticado.
    fonte: Núcleo de Decoração

  • O desenho do produto e o desenho do espaço

    * Yvonne Mautner

    A idéia deste ensaio é construir relações entre a produção de mercadorias e a produção do espaço urbano. Para isso, explorei as contradições entre as propostas de apropriação coletiva de parcelas do espaço da reprodução – a moradia – relativas às atividades domésticas tradicionalmente incorporadas à moradia, e a reapropriação individual delas por meio da utilização de equipamentos domésticos produzidos industrialmente. O movimento modernista alemão mostrou-se um campo fecundo para estudo destas contradições ao se projetar mundialmente por meio de nova linguagem formal tanto para a produção industrial dos objetos como do espaço.

    A disputa entre o espaço coletivo e a mercadoria no modernismo

    Dos produtos industriais, o que mais diretamente foi associado a mudanças na estruturação do espaço urbano, é, sem dúvida, o automóvel. A moradia como produto industrializado que deveria, como aventavam arquitetos modernistas, ser produzida em série como o automóvel, não chegou a cumprir este destino, devido às peculariedades de seu processo de produção (1). Porém, de forma bem mais sutil que o automóvel, os equipamentos que povoam o interior da moradia também concorreram para as resultantes espaciais das cidades contemporâneas.

    As propostas dos arquitetos do movimento modernista alemão aliaram os resultados do avanço técnico-científico das primeiras décadas do século XX ao projeto de uma nova ordem social, fermentada nos anos conturbados da República de Weimar, dando início em larga escala à industrialização da construção e à racionalização do desenho do interior da moradia. Estruturaram no espaço externo da habitação uma dimensão coletiva (2) do cotidiano que, por um lado, deslocava do seu interior algumas atividades e equipamentos (3) (lavanderia, lojas cooperativas, creche, jardim de infância) criando, por outro, no exterior das edificações dos novos conjuntos habitacionais, espaços para as atividades esportivas e de lazer (ver nas imagens ao lado a planta de Bruchfeldstrasse e afoto de Westhausen).

    O projetar pelo e para um coletivo não foi apenas uma metáfora, os arquitetos envolvidos tiveram de fato seus interlocutores: os sindicatos, que desempenharam um papel importante no delineamento e execução das políticas habitacionais do entre-guerras na Alemanha. Em 1924, o sindicato operário ADGB, o sindicato de empregados AFA-Bund e o sindicato dos funcionários ADB fundaram uma Sociedade Anônima para o Alojamento dos Operários, Empregados e Funcionários: a DEWOG, que passou a ser a promotora de operações de habitação social, pública, tendo sido a própria construção assumida por organismos de origem sindical (4) (Kopp,1984:43).

    Esta nova dimensão coletiva que se imprimiu na organização espacial de vários dos conjuntos de habitação social implantados por arquitetos modernistas em Frankfurt, Berlim, Stuttgart e outras cidades alemãs, estabeleceu-se paralelamente ao extraordinário desenvolvimento da indústria de bens duráveis no entre-guerras (que se afirmou definitivamente no pós segunda guerra, nos Estados Unidos e Europa) (5).

    A difusão destes bens duráveis, contribuindo no interior de cada moradia para a simplificação e redução do trabalho doméstico, acabaria por diminuir a importância dos espaços projetados para uma “intensa vida associativa fundada em equipamentos coletivos”. O movimento na direção da “des-domesticação” e coletivização de tarefas caseiras, levando à outra divisão de trabalho entre o homem e a mulher e a novas propostas espaciais urbanas, engendrado ainda no século XIX por utópicos socialistas e por militantes feministas (Hayden,1981) acabou sendo interceptado, pelo processo de generalização da forma mercadoria, isto é, pela gradual predominância dos valores de troca sobre os valores de uso na organização da produção, penetrando também no âmbito da própria reprodução (6).
    Parte do trabalho passaria a ser realizado individualmente no interior de cada moradia (resultado do aprimoramento e difusão dos aparelhos e gadgets domésticos) e parte passaria, com o tempo, a se constituir em mercadoria comprada no mercado de serviços.

    Liselotte Ungers (1983) em seu livro A procura de uma nova forma de morar, Siedlungen dos anos 20, ontem e hoje, relativiza o impacto das novas propostas dos modernistas alemães se comparadas àquelas dos arquitetos soviéticos:

    “O projeto das plantas das moradias dos conjuntos (Siedlungen) modernistas não era tão revolucionário a ponto de erigir um ‘novo homem’ para habitá-las. Não se foi tão longe, como na mesma época, os arquitetos e planejadores soviéticos, que de acordo com seu ideário político, queriam reduzir a unidade habitacional a dormitórios e um nicho de cozinhar (Kochnische), enquanto todas outras funções como cozinhar propriamente dito, comer, lazer, formação e educação eram retirados da esfera individual e colocados sob responsabilidade social. Desta forma intentava-se preparar o caminho para o socialismo e, ao mesmo tempo, dar condições de liberar a mulher do trabalho doméstico para incorporá-la ao processo produtivo” (Ungers, Liselotte,1983:224)

    A cozinha de Frankfurt, desenhada por Ernst May e Grete Schütte-Lihotzky, “onde os equipamentos de cozinha transformados em produtos industriais farão sua entrada na habitação mínima da nova arquitetura” (Kopp,1990:56), é ao mesmo tempo o desdobramento de experiências anteriores (7) e a instauração de um modelo de cozinha que passará a ser adotado, com variações locais, como solução de projeto universal para a simplificação dos serviços domésticos. E, longe de constituir um ‘projeto revolucionário’, no sentido das experiências dos arquitetos russos, propõe a fusão de um novo espaço com o potencial de recursos oferecidos pelos novos equipamentos produzidos industrialmente para o interior da habitação (a seguir a ilustração do ‘novoespaço’ e da cozinha de Frankfurt):

    “No projeto da habitação mínima os arquitetos não se limitaram a reproduzir em dimensões reduzidas as habitações tradicionais, pelo contrário, desenvolveram em parte devido a novas determinações técnicas, uma nova proposta de espaço. Pode-se dizer que eles partiram menos de premissas ideológicas radicais do que de conceitos de igualdade social: “moradia racionada” (Ration Wohnung) para todos, procurando enfrentar as limitações materiais através da racionalização da construção, planejamento cuidadoso, estética gestáltica, que respondessem à sua tarefa em seu tempo. Essas habitações exigiram dos moradores mudanças em suas práticas cotidianas – seja devido à nova e desconhecida organização do espaço, seja pela necessidade de mobiliar os pequenos cômodos com móveis leves e modernos em vez dos móveis “burgueses” aos quais estavam acostumados” (Ungers, Liselotte, 1983:224)

    Esta ambigüidade resultante da incorporação simultânea nos projetos modernistas de ideais socialistas e dos resultados do desenvolvimento capitalista é discutida por Tafuri, em Projecto e Utopia (1985), enquanto parte integrante de uma contradição mais geral na produção intelectual e arquitetônica na Alemanha no período entre-guerras. As Siedlungen são consideradas utopia realizada, porém alheias aos processos de reorganização global da produção: ilhas ordenadas e organizadas (mortas) em meio à vitalidade da produção de um novo espaço metropolitano. A produção intelectual, por sua vez, estaria permeada pelo diálogo com o capital  (abstração tecnológica e sujeito produtivo universal) ou com as massas (abstração revestida de significado ético). No confronto das forças sociais atuantes no período (socialistas, social-democratas e liberais), convivem projetos coletivos e de expressão individual ou tradicional, e ainda no mesmo período, assiste-se ao movimento de incorporação dos princípios socialistas à economia capitalista:

    “O contra-ataque capitalista … assume para si e redefine os elementos fundamentais da estratégia ‘socialista’. Socialismo como acumulação acelerada, reconstrução industrial, intervenção estatal no ciclo econômico, mas sobretudo como defesa do trabalho vivo (…). O Sozialismus do grande capital alemão entre 1918 e 1921, garante assim uma relação orgânica, no concreto, com a organização operária, política e sindical. E é inevitável que esta fase seja inexoravelmente abandonada quando, destituído qualquer perigo de organização autônoma a nível operário, o capital possa reassumir diretamente a gestão e a organização social do próprio ciclo”. (Cacciari, Massimo (1972) Sur probleme dell’organizzazione.Germania 1917-1921, Marcilio, Padua, in Tafuri,1985:51).
    O processo associado de suburbanização e produção em massa nos EUA

    Nos Estados Unidos, durante a ascensão da ‘cidade capitalista densa’ (8) (1870 a 1930), que conjugou, o aumento da concentração da população urbana e constantes inovações tecnológicas, o movimento das ‘feministas materialistas’ (material feminists) viveu sua época mais ativa. As campanhas pelo trabalho doméstico socializado e remunerado (1868) foram concomitantes à promoção pelos arquitetos de espaços urbanos residenciais coletivos nas cidades do Leste por meio dos primeiros edifícios construídos para as classes alta e média, como também de edifícios modelo, os tenements, para os pobres. Hayden aponta em seu livro, The grand domestic revolution (1981), o impacto poderoso dos agentes do processo combinado da suburbanização e da produção em massa sobre as concepções de cidade dos movimentos de vanguarda de urbanistas e feministas, que caminhavam para propostas de reorganização urbana bem distintas da casa isolada nos subúrbios das cidades. O início dos anos 1920 assistiu à miniaturização da tecnologia de grande escala desenvolvida para hotéis, flats, restaurantes e sociedades cooperativas de serviços domésticos, que incorporaram à arquitetura equipamentos coletivos como os compartimentos de refrigeração, aspiração de pó, e sua transformação em mercadoria a ser “plugada” em tomadas suburbanas.

    Estes movimentos de vanguarda foram desgastados por anos de lutas e perseguições e campanhas de difamação (red-baiting) e terminam vencidos pela implantação das políticas habitacionais contidas no Relatório da Comissão Hoover (1931): Home Building and Home Ownership  apoiadas por construtoras, banqueiros e industriais, e que advogava propriedades residenciais suburbanas unifamiliares. Na década de 1960, os subúrbios já continham uma porcentagem maior da população urbana nacional que as áreas centrais. Na década de 1970, sete em dez famílias moravam em casas unifamiliares (Hayden,1981: 9 e 25), base do consumo individualizado de automóveis e de todos os equipamentos domésticos. Vale a pena citar uma passagem de Kenneth Jackson (1985), relatando como, na recessão entre 1929 e 1933 (onde cai de 95% a produção habitacional), era mantida a visão da casa própria para o povo americano, por meio das campanhas dos programas hipotecários da Federal Housing Administration:

    “A ‘casa modelo’, em particular, tornou-se um objeto de marketing popular, especialmente mais para o fim da década. Cada novo loteamento e casa modelo dos subúrbios, geralmente incluía uma casa ideal, escala um para um, repleta com os últimos equipamentos domésticos. Em 1935, a General Electric Company financiou um concurso de arquitetura para uma pequena habitação unifamiliar. Aos 2.040 participantes era requisitado listar os equipamentos da GE a serem incorporados ao projeto; um dos arquitetos propôs 76 aparelhos” Jackson1(1985) :187.

    O modelo de urbanização americano, de multiplicação de subúrbios, baseado na casa própria, isolada em bairros residenciais, e no automóvel, será a base perfeita para receber a produção acelerada de equipamentos domésticos empreendida pela grande expansão industrial do entre e pós-guerra. A implantação da casa própria suburbana, enquanto política nacional de habitação nos Estados Unidos, ofereceu uma idéia do pós-guerra I à sociedade do pós guerra II. Parcelamento do preço e dedução de impostos, oferecidos pelo Estado a proprietários de casa própria na era do pós-guerra II, derrotou históricas aspirações feministas, porém, possibilitou o grande boom dos construtores especulativos, dos produtores de eletrodomésticos e de automóveis. As mulheres tendo sido expulsas dos empregos assumidos durante a guerra, passaram para a nova vida de esposas suburbanas contribuindo para o aumento da taxa de natalidade e o consumo de massa. Empresas construíram milhões de casas unifamiliares, sem cuidados de implantação, de provisão de espaço comunitário ou de participação de arquitetos nos projetos. Estas casas eram verdadeiras caixas a serem entupidas de bens de consumo produzidos em massa (Hayden,1981:23).
    Capitalismo luterano ou indomado?

    O embate entre uma produção industrial “planejada” e o livre rolar das forças do mercado, que se materializa na guerra ideológica entre a União Soviética e os Estados Unidos, respectivamente, após a Segunda Guerra Mundial, será um profícuo campo de debates sobre qual deveria ser a amplitude e natureza desta produção.

    O interesse em mencionar esta discussão, mesmo se de forma breve, deve-se ao fato de ela não ter repercutido ao longo deste século somente no campo das políticas econômicas, porém de ter penetrado também no âmbito da formação de quadros técnicos para a produção de mercadorias e do espaço urbano. O próprio princípio da economia de materiais, do desperdício consumista e algumas premissas dos atuais movimentos ecológicos ligadas à organização da produção já eram questionados no início do século XX. A discussão se abrigava muitas vezes no confronto entre a “racionalização”, o utilitário (necessários aos projetos sociais) e a “liberdade criadora”, a arte, (refúgio único da expressão individual), mantendo em esferas separadas o princípio modernista de reprodutibilidade e socialização da arte e o da diversificação para a “individualização” do consumo (9).

    Ainda antes da Primeira Guerra Mundial, o problema da produtividade industrial era abordado na Alemanha por meio da racionalização e tipificação dos objetos a serem produzidos em série (10). Na mesma época, nos Estados Unidos, o problema era colocado de forma diversa: a produtividade era considerada na totalidade do processo produtivo, isto é, por meio das relações entre a organização científica do trabalho na fábrica e a configuração formal do produto. Ford (1863-1947), por exemplo, estudou a cadeia de montagem em função do modelo “T”, e vice-versa, em um processo que resultaria na primeira grande vitória da produção em massa, e por quase um século, permaneceria o epítome do capitalismo “moderno”.

    Em 1907, Muthesius (1861-1927) faz a famosa conferência sobre A Importância da ArteAplicada (Die Bedeutung des Kunstgewerbes) na Escola Superior de Comércio de Berlim. Nesta época o Kunstgewerbe alemão ainda seguia as modalidades formais dos estilos decorativos herdados da tradição e gosto da era vitoriana: neo-egípcio, neo-grego, neo-gótico, neo-chinês, neo-renascentista etc.
     
    Muthesius atribui os sucedâneos e imitações às “pretensiosas atitudes de parvenu” de uma determinada classe social, a dos “burgueses melhor situados”, obcecados pelo desejo de “aparentar mais”. Muthesius observa, portanto, assim como o fazia também Veblen (10), os objetos de um novo ponto de vista: associando-os a uma classe; expõe também, na mesma conferência de 1907, implicações de ordem econômico-produtivas: “…gasta-se (mal) antes de mais nada, um colossal patrimônio nacional em matéria prima, agregando-se a ele um trabalho inútil”. Um ano após, Loos (1908) usa praticamente o mesmo argumento para negar a legitimidade a todo objeto decorado:  “A ornamentação é força-trabalho esbanjada, e portanto saúde mal gasta… Hoje em dia isto significa também material mal gasto e por último, capital esbanjado”. (12)

    Discursos similares ao de Muthesius adotam também outros artistas e arquitetos, como Behrens (1863-1940), R. Riemerschmid (1868-1957), Schumacher (1869-1947). Estas e outras adesões fizeram nascer em Munique, em 1907, uma nova associação, o Deutscher Werkbund, cuja finalidade era a de estabelecer no trabalho industrial uma contínua colaboração entre indústria, arte e artesanato. Em 1914, Muthesius e Van de Velde tornam-se oponentes no Werkbund, o primeiro defendendo a racionalização e tipificação e o segundo “a liberdade criadora do artista”. O conflito entre a desconsideração e a necessidade da norma que disciplina a dinâmica produtiva, entre a Konstanz (constância) e a Veränderung (mudança) ainda estará em discussão no Werkbund suiço em 1954 (Maldonado,1977).

    A importância desta discussão, é que seus protagonistas prevêem nela a aproximação de uma encru¬zi¬lhada no capitalismo moderno: “a produção industrial apontará para a disciplina ou turbulência do mercado? ela se dirigirá a um aprofundamento controlado ou a uma expansão incontrolada? para uma estratégia de poucos ou de múltiplos modelos de produtos?” ( Maldonado,1977:39-45).

    O histórico de Maldonado sobre a discussão do início do século, a respeito da hegemonia da técnica ou da arte, da “norma” ou da “liberdade” nos produtos industriais que vão formar a cultura material de uma sociedade, mostra os defensores da racionalização e tipificação como representantes do fordismo europeu, um “fordismo culpado”, ou talvez, um capitalismo luterano, que tornou ambígua a ideologia do produtivismo na Europa. Maldonado, em seguida, compara a ambigüidade das posições alemãs com a objetividade de Ford expressa em My life and work, do qual cita:
    “Se o plano construtivo de um produto foi bem estudado, as modificações serão poucas…, no entanto, no processo de produção, as mudanças serão freqüentes e espontâneas… Para mim é motivo de orgulho que cada peça, cada artigo que produzo seja bem trabalhado, forte, e que não se veja necessidade de substituí-lo. Todo bom automóvel deveria durar como um bom relógio… No passado sempre namorei com a idéia de um modelo universal”. (Maldonado, 1977:46)

    Nos Estados Unidos, no entanto, o fordismo não sai vencedor na produção capitalista depois de 1930, menos ainda a defesa da utilidade da função ante o decorativismo, a maquilagem. Ainda nos anos 1920, o modelo “T”da Ford começa a sentir a competição da General Motors, mais caro, porém mais ao gosto do público. O mesmo passa a ocorrer com outros produtos, e vai se transformar em um fenômeno generalizado após a crise de 1929. Diz Maldonado:

    “uma coisa é certa: enquanto antes da crise a indústria americana nos setores automobilístico e de eletrodomésticos estava orientada para uma política de poucos modelos de grande durabilidade, ela se orienta após a crise para uma política de muitos modelos de pouca durabilidade. E se antes da crise a forma dos produtos é concebida respeitando as exigências da simplicidade construtiva e funcional, depois dela sucede o contrário. Trata-se do nascimento do styling”.

    A expansão do mercado consumidor realizada originalmente pelo barateamento propiciado pela repetição de um modelo, acabou por se difundir por meio de outros artifícios e novas técnicas de sedução mercadológica e produção industrial: o styling aparece como o precursor da obsolescência programada, a pesquisa de mercado como o horizonte formal da mercadoria e o marketing como o desbravador de novos nichos de consumo.

     
    (1) Ball, Michael(1988) Rebuilding Construction; Clarke,Linda (1992); Mautner,Yvonne (1991).

    (2) “A casa alugada desaloja a casa de família herdada, cessa a domiciliação amarrada a um lugar e começa um novo nomadismo dos indivíduos, favorecido pela rápida progressão dos meios de transporte. Assim como a tribo perdeu suas terras, a família perde sua casa. O poder do laço familial retrocedeu diante do direito público da cada indivíduo. As condições de produção social permitem que o indivíduo independente troque de lugar de trabalho, por sua livre vontade, a liberdade de locomoção aumenta enormemente. A maior parte das antigas funções da família torna-se presa da socialização gradativa;” Gropius,Walter (1997:147). Artigos de Gropius da década de 1930.

    (3) O aspirador de pó percorre uma trajetória exemplar, pois nasce como um serviço, ou como um equipamento coletivo, passando a ser posteriormente desenvolvido enquanto produto individualizado: “Mais eficientes que aparelhos de limpeza manuais eram as máquinas a vácuo, movidas a eletricidade. Estas foram desenvolvidas ao mesmo tempo na Inglaterra e França  por volta de 1902. Movidas por eletricidade ou parafina, as máquinas eram grandes e operadas por companhias que as alugavam com os operadores. Os serviços eram utilizados principalmente em edifícios grandes, como lojas de departamentos e teatros, mas eram também ocasionalmente usados individualmente para limpeza doméstica. Uma alternativa à mobile vacuum plant era uma instalação permanente com saídas para cada cômodo. Sistemas como este foram instalados no Frick Building em Nova York em 1902 e logo após na Câmara dos Comuns em Londres; instalações permanentes para uso doméstico eram propagandeadas nos Estados Unidos, seu custo porém as restringiu certamente para os muito ricos” Forty (1987):176.

    (4) ADGB (Allgemaine Deutsche Gewerksschaftbund), AFA-Bund (Allgemeine Freie Angestelltenbund), ADB (Allgemeine Deutcshe Beamtenbund) e DEWOG (Deutsche- wohnungfürsorge Aktien Geselshchaft für Beamten, Angestellten und Arbeiter). Sobre a necessidade de uma nova forma de projetar, tanto no plano social como arquitetônico, consultar o capítulo III de Kopp,1990:42)

    (5) No fim do século XX o uso eletricidade já era praticamente compulsória para operar toda uma nova classe de mercadorias, os eletrodomésticos. Em 1913, metade do comércio mundial em produtos eletro-químicos estava em mãos da Alemanha (AEG e Siemens & Halske-Schukert, que trabalhavam em colaboração desde 1908); a outra metade com os Estados Unidos, na GE (uma associação entre a Thomas- Houston & Edison Co). A generalização do consumo de eletricidade possibilita a difusão dos aparelhos eletrodomésticos, dos quais, por exemplo, o aspirador de pó, que começa a ser difundido nos anos 1910, chega a seu desenho mais conhecido, o modelo Hoover 150, (realizado pelo desenhista industrial Henry Dreyfuss para a American Hoover Suction Sweeper Company) nos anos 30. O seu primeiro modelo clássico, na melhor tradição fordista, perdurou de 1916 a 1936, (ambos são ilustrados ao lado, Forty (1987) p:177 e 180).

    (6)Marx, (1867) Capital, volume 1,The Pelican Marx Library, Harmondsworth, 1976.

    (7) Como a Bauhaus Küche, cozinha projetada para o Haus am Horn em 1923, ou a cozinha projetada por Bruno Taut em 1927, ainda como exemplos únicos ou artesanais da racionalização doméstica do trabalho (Kopp,1990:56). É importante lembrar também a experiência concomitante americana relatada em livro de Christine Fredericks (1921) traduzida para o alemão em 1922 e que serviu como base de pesquisas realizadas na Alemanha para “taylorização” do trabalho doméstico na cozinha

    (8) Nesta época, feministas materialistas percebem que várias decisões sobre a organização da sociedade futura eram incorporadas no ambiente construído. Por isso, apontavam as transformações espaciais do trabalho doméstico sob controle do movimento como um ponto chave de ligação com campanhas de eqüidade social, justiça econômica e reforma urbana (Hayden,1981:10)

    (9) Tafuri (198-:79) diz que a Siedlung Siemensstadt, em Berlim, planificada por Sharoun, é um exemplo de ruptura do movimento modernista. Se Gropius e Bartning se mantêm fieis à construção do conjunto como cadeia de montagem, aos “blocos” arquitetônicos, os “objetos” de Sharoun e Häring se contrapõem a estes na recuperação da “aura” benjaminiana nos edifícios por eles projetados para o conjunto.

    (10) Riemerschmid, Richard (1868-1957), um dos fundadores do Deutsche Werkbund, colabora com seu cunhado Karl Schmidt, marceneiro, no design de móveis para produção industrial. Os primeiros modelos são expostos em 1905 na Exposição de Dresden. ThePenguin Dictionary of  Design and Designers (1984:412), Penguin Books, England

    (11) Assim como Th. Veblen (1857-1929) em seu livro The theory of the leisure class, publicado em 1899.

    (12) Quanto a Loos, aqui entrando nas criticas ao funcionalismo na arquitetura, Benjamin chama a atenção para uma “nova pobreza” na arquitetura e urbanismo, tomando como exemplo o “reducionismo estético e a proibição formal” de Loos, considerado o arquiteto da tabula rasa e do “calvinismo”. Contra esta visão mais formalista da arquitetura modernista ver Quando o modernismo era uma causa e não um estilo de Anatole Kopp.

    (13) Maldonado,Tomas(1977) El diseño industrial reconsiderado, Coleccion Punto y Linea, Ed G. Gili, Barcelona. Styling: cosmética de produto, atividade que permanece na superfície, na pele do produto. A preocupação estética de se separa do resto dos fatores que intervêm na determinação da configuração de um produto industrial: análise de necessidades, factibilidade técnica de produção, disponibilidade de materiais, normas, redução de custo.
    Bibliografia

    BALL, M. Rebuilding Construction: Economic Change and the British Construction Industry. London: Routledge,1988.

    CLARKE, Linda. The production of the built environment: peculiar or backward? Bartlett International Summer School Proceedings 6, University College London,1985.

    COLUCCI JR., José) O design na era da integração, Dissertação de Mestrado, FAUUSP), 1988.

    Das Paradies kommt wieder. Museum der Arbeit, Hamburg, 1993:23

    FORTY, Adrian. Objects of desire. Thames & Hudson, 1987.

    GROPIUS,Walter Bauhaus: Novarquitetura. S.Paulo: Ed. Perspectiva,1997, 5ª. edição, p:147.

    HAYDEN, Dolores. The grand domestic revolution. London: MIT Cambridge, Mass, 1981.

    ________________. Redesigning the american dream,  NY, London:W.W. Norton & Company 1984.

    JACKSON, Kenneth T. Crabgrass Frontier-The Suburbanization of the United States. NY, Oxford: Oxford University Press, 1985.

    KOPP,Anatole. Quando o moderno não era um estilo e sim uma causa. São Paulo: Nobel/Edusp, 1990.

    LOOS, Adolf (1908) Ornament und Verbrechen (Ornamento e Delito), Prachner Verlag (Sondereinband – 2000)

    MALDONADO,Tomas El diseño industrial reconsiderado. Barcelona: Coleccion Punto y Linea, Ed G. Gili, 1977.

    MARX, (1867) Capital, Volume 1, The Pelican Marx Library, Harmondsworth, (1976).

    MAUTNER,Yvonne  “A periferia como fronteira de expansão do capital” in Deák, Csaba & Schiffer, Sueli (orgs.) O processo de Urbanização no Brasil. São Paulo: Fupam, Edusp, 1999.PAMPLONA,Telmo. Desenho da Ruptura – Modernidade na Implantação da Indústria. São Paulo 1900-1920  Tese de Doutorado FAU/USP, 1992.

    TAFURI, Manfredo Projecto e Utopia. Lisboa: Ed. Presença, 1985.

    The Penguin Dictionary of  Design and Designer. England: Penguin Books, 1984.
    UNGERS, Liselotte Die suche nach einer neuen Wohnform.  Stuttgart: Deutsche Verlags-Anstalt, 1983.

    Fonte: Revista AGIPROP

  • Copa 2014 0 Curitiba candidata a sede

    Bom, quem me conhece sabe que sou totalmente contra trazer este tipo de evento aqui para o Brasil por um mmotivo bem simples: existem muitas carências a serem resolvidas em nosso país e que são muito mais importantes que uma copa do mundo.

    Mas me chamou a atenção um informativo que recebi do Revestir.com:

    “Curitiba Copa 2014

    No dia 31 de outubro iniciou um ciclo de palestras para alunos e professores dos cursos de arquitetura das universidades PUCPR, UFPR e Positivo, que tomaram conhecimento das propostas para desenvolver o Workshop Curitiba Copa 2014 organizado pela AsBEA-PR.

    O ponto alto das palestras foram as explanações do arquiteto italiano, radicado em São Paulo, Bruno Padovane, que demonstrou de maneira objetiva e brilhante, as diversas formas de implantar, com forte impacto urbanístico, um megaevento esportivo e seus desdobramentos positivos. Posteriormente, o engenheiro paulista Fernando Telles, outro especialista na área de arquitetura esportiva, reafirmou a importância de dimensionar adequadamente os diversos formatos que envolvem um estádio esportivo. Por último, o arquiteto Carlos Dellacosta trouxe para o público presente, informações de relevância na hora de selecionar o local do evento.

    fonte: Revestir

    Vejamos:

    As três universidades citadas e envolvidas no evento tem entre seus cursos os de Design:

    PUCPR

    Desenho Industrial – Programação Visual
    Desenho Industrial – Projeto do Produto

    UFPR

    Design

    Positivo

    Design – Projeto de Produto
    Design – Projeto Visual

    Isso sem contar cursos de Engenharias – pra isso os arquitetos vão precisar de muita engenharia – Artes, Turismo e várias outras que DEVEM ser aproveitadas da mesma maneira que arquitetura num evento deste porte. E olha que nem olhei os cursos de pós oferecidos por elas e que sabemos também existem em Design.

    No entanto, não se vê movimentação alguma por parte das IES e das coordenadorias de cursos de Design, (produto, grafico, interiores, etc) destas e de outras IES, para inserir nossa área dentro do todo que comporá o projeto final de adequação da cidade de Curitiba às necessidades reais que este evento impõe.

    ASBEA, claro, vai tentar fechar ao maximo o acesso de outras áreas à “essa bocada” em benefício umbigusta aos seus associados e nem tanto à importância do evento em si. Jajá aparecem IAB também na parada.

    Portanto, creio que nossos amigos Designers, Engenheiros, Turismólogos, Artistas, Light Designers e vários outros devem começar a se movimentar para evitar que isso – projeção ou $$ – sejam aproveitado por poucos quando na verdade deveria ser um bem de TODOS.

    E não digo apenas aos de Curitiba não, afinal o Estado todo tem profissionais qualificadíssimos nessas áreas e que certamente poderão contribuir em muito para isso.

    Fica aqui, mais um protesto meu contra panelinhas e movimentaçãoes tácitas e falaciosas de alguns grupos.

     

     

  • A energia solar ao alcance de todos

    Fonte: Jornal do Brasil – 13.11.2008


     

    Rio de Janeiro – Conhecido pela harmonia com a natureza e pelo sol intenso durante o ano, o Rio ainda está engatinhando quando se trata do uso de energia solar em substituição ao chuveiro elétrico, o maior vilão das contas de luz. Mas uma ONG paulista vem multiplicando pelas residências da cidade um aquecedor solar de baixo custo que possibilita economia de até 40% ao fim do mês – podendo chegar a 60%, como no caso de um centro cultural em Santa Teresa. Enquanto em cidades de São Paulo o equipamento já é uma realidade, no Rio o governo do Estado ainda tenta fazer valer a lei – aprovada no início do ano – que exige a implantação do sistema em todos os prédios públicos estaduais. Nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, o sistema está previsto apenas em parte do Complexo de Manguinhos.

    O aquecedor solar de baixo custo foi desenvolvido pela ONG Sociedade do Sol, junto do Centro de Tecnologia da Universidade de São Paulo, que disponibilizou o manual de instalação na internet. Com materiais simples como tubos e forros de PVC (usado em tetos de escritórios), o técnico de informática Hans Rauschmayer vem promovendo cursos de instalação do equipamento no Rio e, esta semana, foi convidado para divulgar o sistema nas prefeituras de Búzios, Macaé e Itaguaí.

    – É tão simples que muitos não acreditam – conta Hans. – A água pode atingir até 60 graus, mas há um sistema de segurança, e a temperatura pode ser regulada a partir da instalação de um segundo registro, com água fria.

    Os forros de PVC, pintados de preto, transformam-se num coletor solar ligado à caixa d’água, devidamente revestida por isolamento térmico. Por ser mais densa, a água fria passa por dentro dos canais dos forros e empurra automaticamente a água quente para dentro da caixa, sem necessidade de automação elétrica. A água quente, porém, pode durar no máximo três dias, caso não haja sol. Todo o sistema custa em torno de R$ 300 e pode gerar até 60% de economia, como aconteceu no Centro Cultural João Fernandes, em Santa Teresa.

    Freezer vira caixa d’água

    O administrador do Centro, Paulo Sérgio da Silva, foi ainda mais original: pegou dois freezers que serviam de depósito de bebidas e os reaproveitou como caixas d’água, já com o devido isolamento térmico. Com os 600 litros de água quente, mais de 20 pessoas tomam banho por dia no Centro, que serve ainda de abrigo a turistas participantes de trabalhos sociais do local.

    – Antes, eu gastava em torno de R$ 500 com luz, e hoje não chega a R$ 300 – lembra Paulo. – Para nós, que dependemos de doações, foi um ganho enorme. Temos aquecedor solar em quatro banheiros, e estamos planejando instalar em outros dois.

    Morador de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, Ronaldo Fonseca Rocha fundou uma empresa para revender o sistema. Em mais de 10 anos, porém, não vendeu o equipamento a mais de 200 pessoas.

    – Em Belo Horizonte e Juiz de Fora, vendemos bastante, mas no Rio é muito pouco – afirma.

    No interior de São Paulo, por exemplo, a demanda também é grande porque as prefeituras dão desconto no IPTU para quem instalar o equipamento.

    Estado tenta implantar sistema em prédios públicos

    O governo do Estado tem se esforçado para substituir parte da energia elétrica em seus imóveis, mas, desde o início do ano – quando a lei entrou em vigor – apenas dois prédios implementaram o novo sistema. A Universidade Estadual do Rio de Janeiro
    (Uerj) também desenvolve um aparato semelhante ao da Ong Sociedade do Sol, mas ainda está em fase de testes.

    No início do ano, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico criou o Programa Estadual de Racionalização do Uso de Energia, com o objetivo de estudar e pôr em prática todas as leis aprovadas nesse sentido. Em novembro, a Santa Casa de Misericórdia de Resende substituiu 43 chuveiros elétricos pelo sistema de aquecimento de água por energia solar, promovendo uma economia de energia elétrica de cerca de 30%. O sistema, porém, custou aos cofres públicos R$ 199 mil.

    No mês seguinte foi a vez do Hospital Universitário Pedro Ernesto economizar os mesmos 30%, desta vez feita a partir da modernização do sistema de refrigeração da unidade. O investimento no projeto chegou a R$ 2,2 milhões, mas não há previsão de substituição da energia elétrica.

    A lei, de autoria do então deputado Rodrigo Dantas (DEM), hoje secretário municipal de Obras, obriga o Estado a implementar aquecimento solar em até 40% da água utilizada nos prédios públicos. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, a lei vem sendo cumprida em prédios reformados e nas novas licitações. Nas obras do PAC, porém, apenas parte de Manguinhos receberá um projeto piloto com os aquecedores.

    – Ainda temos pouco tempo de estudo, mas muito já foi feito – argumenta o superintendente de energia, Luiz Antônio Almeida Silva.

    Uerj realiza estudos

    A Uerj pesquisa um sistema semelhante ao desenvolvido pela Ong Sociedade do Sol, mas construído com aço galvânico, mais barato do que cobre e alumínio. O sistema da Uerj deverá custar entre R$ 300 e R$ 500. Manoel Antonio Costa Filho, coordenador do laboratório de energia solar do Centro de Estudos e Pesquisas em Energias Renováveis, explica que o estudo ainda precisa aprimorar o isolamento térmico.

    O mais importante é evitar custos freqüentes com manutenção, e, por isso, adotamos o aço – explicou Manoel. – Mas estamos desenvolvendo formas de isolamento térmico da caixa d’água, já que temos muitas tecnologias disponíveis no mercado nacional.

  • Rosso Restaurant – SO Architecture

    Belíssimo projeto de arquitetura e interiores para um restaurante localizado em Ramat Ishay, Israel.

    A beleza do cenário do norte de Israel, com suas paisagens verdes e vermelhas, é uma atração turística popular.

    O conjunto convida o turista a explorar o lugar todo.

    A paisagem imediata influenciou no design do espaço. As paredes das janelas foram pintadas com um tom de verde bem próximo ao que se vê na paisagem. Já as áreas internas, num tom de cinza suave.

    O teto foi feito com estrutura de aço, encapada com madeira e posteriormente pintada. A forma, levou em consideração a topografia local.

    Belíssimo projeto.

  • 9 coisas pra fazer na faculdade

    Lista criada com nove coisas consideradas obrigatórias a se fazer enquanto você está cursando alguma faculdade. Feita a princípio pensando no design, mas vale para qualquer curso.

    1. Cometa erros

    “É errando que se aprende” É fato: seu professor está mais inclinado a perdoar seus erros do que seu chefe estará. Diz o ditado: “é errando que se aprende”. Erre durante o curso, pois o pior que pode acontecer é você reprovar na matéria. Na vida real, um deslize pode custar seu emprego.

    2. Aprenda o padrão

    \”Everything north of your neck will go Jackson Pollocks\” Muita gente entra na faculdade querendo já de cara criar coisas inovadoras. Porém todos os gênios da criação aprenderam antes a fazer o que todos fazem. Veja o caso de Jackson Pollock: ele aprendeu a pintar quadros “normais” antes de virar um porra-louca.

    3. Converse com seus professores

    Fui abençoado com uma turma pequena: os professores sabem o nome de todos e isso cria uma aproximação maior com eles. Mesmo se fosse o contrário, tente conversar com seus professores. Quase todos têm experiência profissional na área. E são nas conversas fora de sala (ou pós-aula) que se aprende mais do que é ensinado na grade curricular.

    4. Corra atrás

    A maioria das reclamações que eu ouço na faculdade é que o professor Xis não ensina nada. Vou bater uma real para você: o professor conhece a matéria de cabo-a-rabo, você não. Logo, é seu problema. Sim, o professor vai te mostrar a direção aproximada a tomar, mas cabe a você correr atrás. Você está na faculdade para aprender, e não ser ensinado. Ou como diria o Aguinelo, “aspira, essa pica agora é tua” (sim, eu sei que ele deve ter plagiado de algum lugar essa frase).

    5. Faça amigos

    Cada pessoa na sua sala é um concorrente em potencial se você quiser. Não queira. Torne-os parceiros, quem sabe até amigos. Amigos têm menos chance de dar uma de Brutus e te apunhalar pelas costas. Conheça novas pessoas. Conheça novas pessoas em outros cursos. Faça o “networking” – crie uma lista de pessoas que você conhece com uma descrição do que fazem. Um dia você vai precisar disto.

    6. Desafie-se

    Não tenha medo de pegar os projetos mais difíceis lançados pelos professores. Você está na faculdade para aprender e testar seus limites. É melhor saber hoje seus limites do que chegar um cliente amanhã com um trabalho para ontém e você só terminar daqui a duas semanas. Saiba até onde você pode ir sem entrar em colapso.

    7. Vá em convenções, palestras, feiras, “wharever“

    Estes eventos muitas vezes trazem novidades das quais nem seus professores estão á par. Nos dias de hoje, informação vale ouro e novidades valem o dobro. E falta de tempo não é desculpa: logo você estará trabalhando 10, 12, 15 horas por dia. Caso você já esteja fazendo isto, como que você planeja estudar? Vá nesses eventos, faça novos contatos, aprenda coisas novas.

    8. Leia

    Eu leio tudo que estiver ao meu alcance, e o que estiver mais longe também. Cheguei a alugar alguns livros diversas vezes repetidamente da biblioteca, só para ler novamente e ver se eu realmente entendia eles. E vale tudo: desde livros técnicos sobre o que você está estudando até fictícios (estes podem aumentar seu repertório). Não tem dinheiro para comprar um livro? Biblioteca! Não tem biblioteca? Baixe PDFs da web e leia sites pertinentes. Não tem internet? Então como você está lendo esse artigo? Tomara que não tenham me plagiado.

    9. Divirta-se

    “A vida é curta demais” Faça isto antes de entrar na faculdade, enquanto estiver lá e depois que sair. Afinal de contas, ninguém é de ferro. Vá para as baladas, bares, parques ou faça qualquer coisa que te faça feliz. A vida é curta demais para ser levada a sério, então aproveite ela hoje. Desligue o computador e vá dar uma volta.

    fonte: DigitalPaper

  • Estou lendo: (In)Sustentabilidade urbana – livro de Análise de Risco de Favelização

    Já se encontra disponível a todos os interessados o livro “(In)Sustentabilidade urbana”, de Carlos Domingos Nigro.
    Nesta obra, o seu autor apresenta uma proposta para a gestão preventiva dos processos de favelização nos aglomerados urbanos.
    Ao longo de (In)Sustentabilidade Urbana, o autor analisa o processo de favelização, enquanto resultante de factores que se constituem em forças contrárias ao desenvolvimento social, económico e ambiental.

    Carlos Domingos Nigro defende uma proposta de prevenção para a formação das favelas, demonstrando que com vontade e honestidade é possível garantir a sustentabilidade urbana.
    O risco que a favelização apresenta para a qualidade de vida das cidades contemporâneas é aqui abordando como resultado de um processo urbanístico no qual se interligam factores que estão muito além das formas ou construção arquitectónica denominado de “Favela”.

    (In)Sustentabilidade Urbana foi editado em 2007 pela Editora Ibpex e resultou do trabalho de pesquisa e de dissertação realizado para a obtenção do Mestrado em Gestão Urbana.

  • Poluição pode ser evitada com medidas de baixo custo

    Engenheiro da Poli-USP mostra o impacto dos materiais particulados na poluição atmosférica e propõe medidas para redução de suas emissões

    Demolição, movimentação de terra, serviços de corte, raspagem, lixamento, perfuração e quebra, são as principais atividades que geram poluição

    Durante a construção de edifícios, o impacto no meio ambiente é considerável em vários aspectos. Porém, uma questão ainda não havia sido abordada em profundidade no Brasil: a emissão de material particulado no canteiro de obras. O engenheiro Fernando Resende, em sua dissertação de mestrado apresentada na Escola Politécnica da USP, deu um passo importante para preencher esta lacuna – e já foi premiado por isso.

    “Poluição atmosférica por emissão de material particulado: avaliação e controle nos canteiros de obras de edifícios” é o título do trabalho realizado por Resende, que teve orientação do professor Francisco Ferreira Cardoso, do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Poli. Neste mês de outubro, o trabalho recebeu Menção Honrosa no Prêmio Holcim-Antac de Excelência em Construção Sustentável, referente ao biênio 2006/2008. A pesquisa de Resende, inédita no País, aponta as principais fontes de emissão de partículas na atmosfera e sugere ações e ferramentas para seu controle.

    “Meu objetivo foi estudar e propor práticas viáveis no dia-a-dia das construtoras, que precisam lidar com uma série de atividades complexas em sua rotina. Além disso, sei que o custo é fator determinante. Por isso, procurei apresentar soluções simples e baratas, para facilitar sua implantação nos canteiros”, explica Resende.

    Demolição, movimentação de terra, serviços de corte, raspagem, lixamento, perfuração, quebra, são as principais atividades que geram partículas. Além disso, movimentação e armazenamento de materiais pulverulentos (agregados, aglomerantes, argamassas, resíduos), também são fontes emissoras de partículas.

    Dependendo dos níveis de emissão, o material particulado pode causar impactos no meio ambiente e transtornos para a população: irritação nos olhos e na pele e problemas respiratórios e cardíacos; e incômodos como poeira e resíduos que se acumulam em imóveis, automóveis, monumentos e paisagens. Na vegetação, a poeira depositada nas folhas interfere na fotossíntese, altera o pH e os níveis de pigmentação das plantas, reduz seu crescimento e as deixa suscetíveis a doenças.

    Prevenção e controle

    Entre as ações preventivas e de controle, Resende aponta a diminuição do volume de escavação nas obras. “Em vez de construir subsolos para garagem, pode-se projetar edifícios com estacionamento localizado acima do nível do solo, por exemplo. Isso evita a necessidade de movimentação de terra e a dispersão de poeira no ar”, esclarece.

    Entre as atividades de controle, ele cita a lavagem dos pneus dos caminhões na saída da obra, evitando que lama e terra espalhadas pela rua, ao secar, circulem na atmosfera. Outra medida é proteger os locais de armazenamento de materiais e resíduos em pó, evitando que sejam carregados pelas chuvas ou espalhados pelo vento. Executar serviços de demolição com barreiras físicas, tais como as redes de proteção, isolando o local, ou aspergindo água de reuso, também são providências que evitam a dispersão de poeira na atmosfera.

    Para o monitoramento das emissões e seu controle, Resende informa que há uma série de metodologias disponíveis. “A mais comum é o uso do amostrador de grande volume ou Hi-Vol, que mede a concentração de partículas na atmosfera”, informa o pesquisador. “Essa metodologia é utilizada por várias agências ambientais do mundo todo, com padrões de qualidade do ar já estabelecidos”.

    Poucas empresas brasileiras fazem controle rigoroso sobre a emissão de material particulado, ressalta Resende. Ele acredita, contudo, que a preocupação com as questões ambientais tende a crescer, seja por demanda da população, do poder público, dos órgãos financiadores, ou pela própria conscientização das empresas. “A importância do controle de emissões de partículas nos canteiros é tal que, em países como EUA, Inglaterra, China e Austrália, já existem leis específicas sobre o tema. Em alguns Estados americanos, conforme o tipo de obra, o controle é obrigatório, e passa pela elaboração de um plano de gestão de emissão, que deve ser aprovado por órgãos ambientais, antes do início das obras”, destaca.

    O trabalho de Fernando Resende foi realizado no âmbito do grupo de pesquisa voltado ao tema dos ‘canteiros de obras sustentáveis’, do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Poli/USP. Coordenado pelo professor Francisco Cardoso, o grupo já realizou trabalhos enfocando diversos assuntos, como o estabelecimento de critérios para avaliação de canteiros de obras sustentáveis, as práticas de responsabilidade social empresarial no relacionamento com fornecedores, e a capacitação e a certificação profissional dos trabalhadores dos canteiros de obras.

    fonte: O Bonde

  • Pipe Light- São Paulo

    Este projeto da Triptyque foi realizado numa construção abandonada em São Paulo. O conceitto saiu de uma loja de móveis para fazer uma exposição temporária.

    O interessante é perceber a brincadeira entre o estilo arquitetônico do espaço e a forma utilizada na instalação: tubulações expostas por onde passam a fiação  até as luminárias. Algo meio High-Tech.

    A idéia nasceu na verdade da observação de como as eras vão tomando conta das fachadas, sua ramificação. Daí a idéia geral para a instalação.

     

  • Jovem cria painéis solares com esmalte e acetona

    Giovana Vitola

    Uma jovem cientista australiana criou células fotovoltáicas – usadas para transformar energia solar em energia elétrica – a partir de produtos parecidos com esmalte e acetona, uma impressora e um forno de pizza, baixando o preço da tecnologia.

    Os painéis solares criados por Nicole Kuepper, de 23 anos, são bem mais simples e mais baratos dos que os tradicionais por não usar tecnologia de ponta, mas mantêm a mesma qualidade.

    Kuepper, que é estudante da Universidade de Nova Gales do Sul e já patenteou o processo, conta que descobriu a fórmula “quase sem querer”.

    “Eu estava fazendo os testes e esqueci de usar um produto. No final deu certo sem ele”, disse ela.

    Processo

    No processo, Kuepper pulveriza químicos parecidos com esmalte em células de silício e depois passa essas células finas por uma impressora comum que, em vez de tinta, usa acetona para moldá-las no formato certo.

    Depois, o material é “assado” em um forno similar ao de pizza, numa temperatura mais baixa do que a do processo normal.

    Segundo a estudante, o método cria painéis solares mais baratos e tão eficientes quanto os tradicionais.

    Os gastos com o processo são reduzidos por causa da simplicidade dos materiais usados e da tecnologia, além da temperatura mais baixa. No método convencional, a temperatura utilizada na criação de painéis solares chega a até 800 graus Celsius. Com a nova técnica, a temperatura cai para 300 graus Celsius.

    Além disso, o wafer de silício usado para fazer o painel solar tem a espessura de 50 micrômetros, bem mais fino se comparado com o padrão de 250 micrômetros.

    Com a invenção, batizada de iJET, a australiana pretende levar energia barata e limpa para regiões sem acesso à eletricidade, inclusive em países em desenvolvimento, como o Brasil.

    “Quero oferecer aos dois bilhões de habitantes menos favorecidos que não possuem facilidades elétricas, condições de ler à noite ou de se manterem informados sobre o mundo através do rádio usando energia do sol”.

    Colecionadora de títulos científicos de prestígio na Austrália, a jovem ressalta que, quando o método começar a ser comercializado, daqui a três anos, ele vai reduzir a emissão de gases poluentes causadores do efeito estufa e das mudanças climáticas.

    A demanda por painéis solares está crescendo em todo o mundo, mas o material ainda custa caro. Para tornar sua casa auto-suficiente em energia, por exemplo, o australiano Michael Mobbs gastou cerca de R$ 70 mil, mas a longo prazo, a relação de custo-benefício compensa.

    Mobbs não paga mais conta de luz, além de já ter economizado tudo o que gastou em 12 anos.

    “Todo ano evito que cerca de quatro toneladas de carvão sejam queimadas e que oito toneladas de gases estufa sejam emitidos na atmosfera”, disse ele.

    BBC Brasil

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    fonte: Terra

  • Instituto Ecoclima

    O INSTITUTO ECOCLIMA tem como principal objetivo contribuir para a mudança de hábitos da sociedade visando a conservação do clima, promovendo a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, num nível que impeça uma interferência antrópica perigosa no sistema climático, permitindo aos ecossistemas adaptarem-se naturalmente à mudança do clima, assegurando que a produção de alimentos não seja ameaçada e garantindo que o desenvolvimento econômico prossiga de maneira sustentável. 
     
    Endereço: Rua Portugal, 148 – sala 33/ 7a
    São Francisco – CEP: 80.510-280
    Curitiba – PR – Brasil
    Fone: (41) 3223-0088
    E-mail: ecoclima@ecoclima.org.br

  • Containers – reciclagem estrutural

    Não se assuste, a imagem acima é do Nomadic Museum  na montagem realizada em New York City. É uma estrutura temporária feita com 152 containers.

    Foi projetado por Shigeru Ban para a Gregory Colbert’s art exhibit ‘Ashes and Snow,’ e foi inaugurado em 2005.

    De New York a estrutura ja foi transferida para Santa Monica, Tokyo, entre outros locais.

    Os visitantes entram por uma passarela central de madeira cercada por paredes de pedras suspensas por cabos.

     

  • Design Inclusivo em 2 vols. online

    Está disponível para consulta e download a publicação sobre Design Inclusivo – ‘A realidade deixa muito espaço à imaginação’- em dois volumes:

    > Vol. I ‘Design Inclusivo. Acessibilidade e Usabilidade em Produtos, Serviços e Ambientes’ da autoria de Jorge Falcato Simões, arquitecto da Câmara Municipal de Lisboa, e Renato Bispo, designer e professor na ESAD Caldas da Rainha, ambos especialistas nesta área (download Vol 1. PDF);

    > Vol. II ‘Experiências de Ensino do Design Inclusivo em Portugal’, da autoria do Centro Português de Design (download Vol 2. PDF),

    Esta publicação foi editada pelo CPD no âmbito de Projecto Equal.designers – design inclusivo – Manual de Design Inclusivo.

    Sugado: O Design e a Ergonomia