Categoria: Ergonomia & Acessibilidade

  • Andando pelo teto….

    Que tal fazer suas compras caminhando pelo teto da loja?

    Pois foi exatamete este o conceito do projeto da nova loja Victor & Rolf Boutique, na Itália. O site deles é um show a parte… Belíssimo!!!!

    A interação, inesperada, inusitada e vertiginosa, já começa pela vitrine que provoca no observador um certo desconforto visual e mental pelo fato de algo não estar no seu devido lugar. Até a mente se acostumar com o que está sendo visto vai algo em torno de 5 a 10 segundos.

    Porém, ao entrar na loja é que a coisa fica mais interessante ainda pois tudo lá dentro, pertinente ao projeto, está “de pernas para cima” ou de ponta cabeça. Percebam a aplicação de materiais para piso, no teto, a iluminação aplicada de forma invertida, tudo no seu devido lugar. Você é quem está de ponta cabeça.

    Um belo projeto com excelentes soluções como por exemplo, os bancos locados nos arcos.

    Eu já tinha visto outras intervenções neste estilo, porém limitavam-se a espaços pequenos como vitrines e, ha pouco tempo atrás, a moda de árvores de natal penduradas no teto das casas.

    Inusitado realmente!!!

     

  • Tira dúvidas – Design de Interiores/Ambientes

    Espaço destinado aos profissionais na área de Design de Interiores/Ambientes bem como acadêmicos tirarem suas dúvidas bem como àqueles interessados em adentrar à área através de estudos.

    Poste aqui suas questões sobre esta área.

    ATENÇÃO!!!!

    Este blog não é um espaço para troca de dicas gratuitas do tipo “como faço, que cor pinto, que móvel, que quadro, etc”.

    Se necessitar de alguma “dica” ou informação técnica, terei o maior prazer em oferecê-la na forma de uma assessoria ou consultoria, em particular e fora deste post.

    Para isso favor enviar-me um e-mail através de meu endereço eletrônico ldda.paulooliveira@sercomtel.com.br com suas dúvidas e maiores detalhes.

    Ou então, se preferir, posso indicar-lhe um profissional de sua cidade/estado.

    Lembro aos que buscam “dicas” que é importantíssima a contratação de um profissional para realizar seus projetos. É uma segurança e garantia para você de que tudo saia bem.

    Comentários aqui ou em qualquer outro post deste blog pedindo este tipo de dicas serão excluídos.

  • Pista produz eletricidade em danceteria ecológica

    Ir à uma discoteca e ao mesmo tempo contribuir para o desperdício de energia. Este é o princípio de uma discoteca que abrirá as portas em Roterdam, Holanda, em setembro, e que no último final de semana começou a fazer apresentações em cidades européias para difundir a idéia da pista de dança sustentável.

    A Sustainable Dance Club funciona com a própria energia do movimento do corpo dos freqüentadores do lugar. Enquanto as pessoas dançam, ao som de DJs, um sistema sob o assoalho capta a energia gerada pelo movimento na pista e conduz até um gerador que a transforma em eletricidade e na iluminação do estabelecimento.

    O projeto, que já funciona como um evento itinerante, inclui abastecimento dos banheiros com água da chuva, paredes que mudam de cor numa reação ao calor e turbinas de vento para arejar o terraço.

    A idéia tem contribuído bastante para a economia de energia. Uma danceteria, que funciona três vezes por semana, gasta por ano até 150 vezes mais energia elétrica que um lar. Em função do sucesso do projeto, os idealizadores do clube estão tentando empreender novas danceterias sustentáveis em Nova York, Londres, Amsterdã e Merlbourne.

    A danceteria sustentável é um conceito de duas organizações: Enviu – Innovators in sustainability e a empresa de arquitetura Döll.

    A primeira exibição foi em Paris, no dia 19 de abril, durante o Salão do Planeta Sustentável. Centenas de pessoas foram testar o princípio e acompanhar a transformação da energia em eletricidade.

    O custo de instalação de uma pista ecologicamente correta como essa é alto: 3,5 mil euros (R$ 9,2 mil) o metro quadrado. Mas o idealizador da engenhoca garante que, a longo prazo, a economia compensa, especialmente sob o ponto-de-vista da consciência ambiental.

    “O gasto com energia é um dos mais expressivos em um estabelecimento noturno. Se der para economizar e ainda poupar o meio ambiente, melhor para todo mundo”, explica o idealizador do projeto, Daan Roosegaarde.

    A pista de dança pode produzir de entre quatro a oito watts por segundo em cada 65cm² de espaço. Para uma discoteca pequena, com 6m² de pista de dança, por exemplo, a produção de energia seria de entre 400 e 700 watts, dependendo, evidentemente, da animação do público.

    “A expectativa é de que, para a inauguração da boate, a energia produzida seja capaz de alimentar também a aparelhagem do DJ, além das luminárias. Esperamos que acima de tudo os jovens adquiram mais consciência sobre o quanto eles podem colaborar com a preservação da natureza, mesmo quando pensam estar só se divertindo e fazendo festa”, disse o holandês, que conta com o auxílio da Universidade Tecnológica de Delft para desenvolver o projeto, além do apoio de diversas empresas holandesas públicas e privadas.

    A reciclagem da energia não é a única iniciativa do clube – que será apropriadamente chamado de Watt − para conscientizar os jovens. Para os toaletes, será utilizado um sistema de renovação da água da chuva, capturada no telhado.

    Antes, porém, a água ainda faz uma participação na decoração do ambiente, passando por uma parede de cascata. Até mesmo os copos de plástico serão lavados e reutilizados várias vezes durante a noite. Para isso, os freqüentadores do local receberão um suporte de copos reciclável − para que não os danifiquem durante o uso.

    A danceteria terá capacidade para duas mil pessoas e tem inauguração prevista para o dia 4 de setembro. Até lá, os organizadores pretendem difundir a idéia nas principais capitais européias em salões e exposições de meio ambiente. O próximo evento será no dia 30 de abril, durante a “Festa da Rainha”, tradicional na Holanda e que normalmente deixa um rastro de sujeira plástica para trás.

    Da redação, com agências www.portallumiere.com.br

  • Tira dúvidas – Light Design

    Como estão ocorrendo vários comentários com dúvidas, mas estes ocorrendo em tópicos de assuntos diversos, resolvi abrir este espaço para que possam colocar suas dúvidas sobre Light Design em um só espaço.

    começo transportando para cá uma dúvida postada por Kamila Rebeca:

    “gostaria de saber como é feita a iluminação para expositor de jóias, sendo que se eu tentar colocar diretamente uma luz do teto ao expositor (de vidro) este não ficará bom, e a luz não irá iluminar como deveria. como se faz para que por dentro do vidro mesmo ou por pontos estratégicos as jóias fiquem bem iluminadas??”

     

  • ABIL – Associação Brasileira de Iluminação

    A ABIL – Associação Brasileira de Iluminação – é uma associação de cunho cultural e social criada para estimular o conhecimento da história da luz e divulgar a produção mundial das técnicas e arte de iluminar, priorizando a conservação de energia.

    As ações da ABIL buscam orientar os profissionais e o público a utilizar os conceitos de uma melhor qualidade de vida por meio da iluminação adequada, respeitando o meio ambiente e economizando energia. Isto se aplica de maneira global, visando oferecer soluções em iluminação dentro de um conceito novo de urbanismo no qual o ser humano e o cidadão serão contemplados.

    Entre as metas para 2008 estão a ampliação da atuação da associação no mercado e do número de associados, e enfatizar os projetos sociais promovidos pela associação tais como o ‘Luz Solidária’.

    http://www.abil.org.br/

  • Interposições profissionais e confronto direto

    Um dos maiores problemas enfrentados pelos profissionais de Design, principalmente os de Interiores e Ambientes.

    Esta área nasceu da arquitetura como complemento do espaço arquitetônico construído, porém, presa a esta área, acabou por estagnar-se e virando uma releitura infindável de espaços já projetados.

    Com o advento dos profissionais formados especificamente em Design de Interiores/Ambientes percebeu-se uma mudança ampla e profunda na construção projetual dos ambientes com diferenças fundamentais e significativas na arte de elaborar os projetos.

    Isso intrigou os profissionais que vinham trabalhando livremente nesta área, especificamente alguns arquitetos que atuam exclusivamente com Decoração de Interiores, pois estes começaram a perder um nicho de mercado sempre disponível e rentável. Vale lembrar que, com a queda do mercado de arquitetura nas décadas de 70 e 80, os arquitetos migraram para a área de decoração como forma de manter-se no mercado. Decoração que até então era tida como uma profissão ou passa tempo de dondocas. Porém notaram que este era um mercado bastante rentável, dinâmico. Aliados a estes se encontram também profissionais de outras áreas como os de artes plásticas. Suas principais queixas são a de que a formação tecnológica ou seqüencial não capacita a pessoa para o exercício da profissão. Porém esta é uma desculpa descabida e totalmente desvinculada de qualquer fundamento, pois como já citado, não se importam nem mesmo em buscar informações corretas sobre esta formação e vivem em meio aos “achismos” e utopias que crêem piamente como verdades absolutas.

    Edgar Morin, em seu livro “Os sete saberes necessários à educação do futuro”, nos mostra uma realidade que eles insistem em não reconhecer como verdadeira. Todos erram nas interpretações das coisas, ninguém está isento disso, mas, no entanto, encontramos pessoas que agem da seguinte forma:

    “Nossos sistemas de idéias (teorias, doutrinas, ideologias) estão não apenas sujeitos ao erro, mas também protegem os erros e ilusões neles inscritos. Está na lógica organizadora de qualquer sistema de idéias resistir à informação que não lhe convém ou que não pode assimilar. As teorias resistem à agressão das teorias inimigas ou dos argumentos contrários. Ainda que as teorias científicas sejam as únicas a aceitar a possibilidade de serem refutadas, tendem a manifestar esta resistência. Quanto às doutrinas, que são teorias fechadas sobre elas mesmas e absolutamente convencidas de sua verdade, são invulneráveis a qualquer crítica que denuncie seus erros.” (MORIN, 2000, p.143)

    Um arquiteto tem a sua formação voltada à construção do espaço a ser habitado, à construção da escultura idealizada em sonho pelo cliente. Analisando as matrizes curriculares dos cursos de Arquitetura existentes no país, em nenhum deles foi encontrado nada sobre a elaboração de espaços no tangente ao Design de Interiores/Ambientes. Quando muito se encontra algo similar aos conteúdos dos cursos de Decoração. A alegação mais comum diz respeito à disciplina de Arquitetura de Interiores. Porém este é um engano, um engodo e já foi tratado sobre este assunto anteriormente neste trabalho. A tentativa de assegurar a sua participação neste nicho de mercado, pois nas diversas ementas analisadas e conversas com diversos arquitetos, a ementa diz respeito à concepção dos espaços internos no que tange às partes estruturais tais como aberturas, fechamentos, colunas, vigas, escadas (estruturais), elevadores. Em ponto algum consta à concepção de elementos de design ou que venha a adotar meios e técnicas de design de interiores/ambientes.

    Design de Interiores/Ambientes nasceu da necessidade de projetos complementares aos projetos arquitetônicos construídos e ponto. Porém o ranço acadêmico na área de Arquitetura fica claro quando alguns arquitetos são questionados sobre suas atribuições: postam-se como deuses capazes de tudo. Segundo suas próprias palavras, é o curso mais completo, complexo e perfeito que existe – é só olhar em fóruns como os da Arcoweb e Orkut que encontrará várias citações desse tipo.

    Talvez venha daí que aqui no Brasil exista a cultura no meio arquitetônico de que só eles têm direitos a realizar determinadas funções, especialmente as novas e mais rentáveis, como o Light Design, por exemplo. Temos aqui a AsBAI (Associação Brasileira dos Arquitetos de Iluminação), entidade da qual faço parte como associado. Para ser membro desta basta que você seja mais um arquiteto recém formado ou que tenha mais de 10 anos de atuação exclusiva na área, caso contrário nunca passará de um simples associado. Por mais especializações e cursos em Light Design ou reconhecimento profissional que você venha a fazer e ter, serás sempre um associado. A não ser que aguarde pacientemente os 10 anos passarem. No entanto esta associação se diz ligada e que trabalha segundo os critérios e normas da IALD (International Association of Lighting Designers). Mas analisando os estatutos, regimentos e regulamentos da IALD percebe-se que esta não faz distinção da formação acadêmica do profissional aceitando em seu quadro qualquer pessoa que se especialize nas áreas do Lighting Design, seja este profissional um engenheiro, um arquiteto, um designer (diga-se de passagem, os melhores), artista plástico, músico ou até mesmo aquele vendedor de uma loja de materiais para iluminação da Rua Santa Ifigênia lá de São Paulo e que demonstre competência e criatividade projetual, seja qual for a sua formação. O que importa é o conhecimento, a competência e a qualidade projetual do indivíduo. Porém aqui, exigem conhecimentos técnicos que somente são repassados em faculdades de arquitetura e engenharia como forma de atestar conhecimentos necessários para atuação nesta área. Porém, Francesco Iannone – fundador do IALD, em entrevista à revista Lume Arquitetura (2007) deixa bem claro que isso é incorreta tal exigência, ao definir a profissão de Light Design:

    “O destacamento das estratégias de vendas e de outras especialidades profissionais (por exemplo, um Lighting Designer não faz projetos de arquitetura, não faz projeto de elétrica) dá liberdade à criatividade em encontrar uma solução: a criatividade que nasce da fantasia e da cultura. Este pressuposto é fundamental na definição da profissão e é a razão pela qual muitos Lighting Designers se vêem como parte de uma única comunidade criativa e livre.

    (…) O projeto especifico de iluminação deve ser feito por um especialista, não pelo arquiteto, pelo engenheiro elétrico ou designer de interiores. De qualquer forma, somente a independência pode ser economicamente interessante ao mercado.

    (…) O projeto de um Lighting Designer, enquanto fruto da capacidade criativa de um profissional, deve ser retribuído, assim como um arquiteto ou um engenheiro no projeto de uma casa ou uma ponte. Não se trata de uma consultoria e, sim, de um projeto profissional criativo. (…)”

    (LUME ARQUITETURA, 2007. p.7) grifo meu.

    Percebam que ele cita a forma de trabalho em parceria com outros profissionais. No caso específico do Light Design, arquitetos, engenheiros elétricos que são ao mais comumente usados. Da mesma forma é o trabalho de um Designer de Interiores/Ambientes. Sabemos de nossas limitações e temos de estar bastante conscientes de até onde podemos ir para então, se necessário, partir para as parcerias. Mas por aqui a coisa sempre tem de andar na contramão ou melhor, em direção à reserva de mercado para alguns poucos.

    Ainda dentro deste ponto saliento que há anos existe um grupo que vem lutando pela criação da ABI (Associação Brasileira de Iluminação), entidade esta que pretende congregar todos os profissionais que trabalham com Light Design cobrindo todas as suas áreas nos moldes e padrões da IALD. Porém este grupo vem sofrendo ataques duros por parte de outras associações que, através de políticos e outros meandros, tentam impedir a criação desta. O detalhe é que no grupo da ABI existem arquitetos conscientes de que eles não são os únicos aptos a exercer a função de Light Designer e assumem que existem profissionais de outras áreas tão ou mais competentes que a maioria deles.

    A Arquitetura hoje é e deve ser um complexo jogo de quebra cabeças onde cada peça é oriunda de um projeto específico, de um profissional específico, visando a formação do todo, da obra final e assim deve ser trabalhada. Porém, alguns deles não admitem isso e clamam para si todo conhecimento.

    Outro caso a ser destacado é o da ABD (Associação Brasileira de Decoradores). Há umas cinco gestões tem em sua presidência e em sua diretoria uma maioria absoluta (senão absoluta) de arquitetos decoradores. Analisando as ações desta associação percebem-se claramente os direcionamentos favoráveis aos arquitetos decoradores e os bloqueios aos Designers e decoradores. Quando são questionados sobre essas e outras atitudes, simplesmente ignoram a não respondem. Quando o assunto toma proporções públicas em fóruns da internet ou em congressos, por vezes surgem tentativas de desmerecimento e descrédito pessoal aos que criticam. Um fato interessante e que merece ser destacado aqui é que quando os Designers de Interiores questionaram a ABD sobre a postura dela no tocante à separação e esclarecimento ao mercado sobre as diferenças entre Decorador, Arquiteto Decorador e Designer de Interiores/Ambientes a atitude deles foi clara: alteraram o nome da mesma de Associação Brasileira de Decoradores para Associação Brasileira de Designers de Interiores. Mas uma coisa ficou bastante clara: eles pegaram todos os profissionais e jogaram todos dentro do mesmo balaio sem fazer distinção alguma da formação. Para eles, hoje todos são Designers de Interiores apesar de ainda existirem nomes fortes lá dentro que teimam em firmar o termo Arquitetura de Interiores para diferenciar os arquitetos. Pra piorar ainda mais, recentemente o vice presidente, Ivan Rezende, proferiu uma palestra no Rio de Janeiro para acadêmicos do curso de Design de Interiores onde ele simplesmente, num ato insano, egoístico, lobysta, confirmou tudo o que coloco acima e ainda mais coisas. Tal fato pode ser observado neste tópico de uma comunidade do Orkut: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=41698&tid=2558987112477533137. Não sou associado da ABD por não concordar com estas e tantas outras atitudes e questionamentos que NUNCA são respondidos.

    Para mostrar a incoerência desse ranço de alguns arquitetos contra os Designers vou utilizar aqui um trecho do artigo “Arquitetura, atribuição de arquiteto”[1] do arquiteto Haroldo Pinheiro Villar de Queiroz, publicado na revista A Construção OESP de 2003 (atualizado em 2005) que encontrei na internet. No afã da luta dos arquitetos pela aprovação do projeto de lei da criação do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo), para firmar a posição dos arquitetos da necessidade de um conselho próprio, onde as leis e normas profissionais da Arquitetura não fossem elaborados por não arquitetos ele afirma com conhecimento de causa sobre o sistema CREA/CONFEA:

    “O equívoco tem início na própria nominação da autarquia – a qual não é federativa e na qual não cabem todas as profissões das quais é “instância máxima”. O Plenário do Confea prevê 18 conselheiros, com a responsabilidade definida acima: são nove engenheiros que alternam a presença de suas várias modalidades, três arquitetos, três agrônomos e três representantes de escolas (de engenharia, arquitetura e agronomia). Necessariamente, nove das 27 Unidades da Federação deixam de estar representadas e seria impensável economicamente sonhar em ter presentes todas as 240 titulações profissionais envolvidas. E, neste Plenário de tantas profissões, conselheiros decidem como “instância máxima” em assuntos profissionais de outras categorias que não as suas. Arquitetos votam em processos da área da engenharia química ou geólogos em questões específicas da agrimensura. Ou seja: ali pode o mais (deliberar em “instância máxima” sobre profissões para as quais não tem as atribuições exigidas pelo próprio Confea) quem não pode o menos (exercer tais profissões, por não ter aquelas atribuições). É inacreditável – e mais ainda se analisarmos a organização das profissões no Brasil ou no mundo. Não existe, aqui ou fora do país, um conselho profissional da saúde, por exemplo, que se arvore a controlar a prática de médicos, enfermeiros, odontólogos, veterinários, fisioterapeutas. Ao contrário, por suas especificidades, cada uma das profissões citadas – e outras mais que atuam na área da saúde – tem seu conselho autônomo, soberano no trato de suas obrigações.Também em nenhum lugar há um conselho que reúna profissões através de um laço econômico-administrativo (para tentarmos outra alternativa): naturalmente, administradores de empresas, economistas, advogados, corretores de imóveis, tem conselhos próprios a disciplinar e dar ao respeito público suas práticas profissionais.”

    Interessante, bonito e correto o discurso dele. Entretanto, quando os Designers reclamam que outros profissionais estão tentando puxar o tapete no processo de regulamentação do Design, agindo corporativamente da mesma forma que o sistema CREA/CONFEA faz com eles, não admitem. O coerente e ético seria eles admitirem que, por serem arquitetos e que, profissionalmente, historicamente e didaticamente, o Design separou-se da arquitetura há muito tempo e tem vida própria e independente – se é que realmente algum dia foi ligado à ela como já mostra Acar em seu artigo – portanto, eles nada têm a ver com as questões legais de exercício profissional dos Designers. Ou então, admitir que os Designers participem na elaboração das Leis que regem e normatizam a Arquitetura – mas isso iria certamente contra tudo o que eles acreditam e pregam. Talvez, quem sabe, assim como li outro dia num fórum da internet sobre este assunto onde uma arquiteta dizia que uma das lutas da CAU seria trazer o Design pra dentro deste conselho para ali ser regulamentado, por eles. Não será mais ético e decente dentro deste conselho normatizador termos então 50% de Designers e 50% de Arquitetos? Para finalizar esta parte, continuo com o discurso dele que é bastante pertinente pela própria contradição entre discurso e prática:

    “Trata-se de encarar o momento em que vivemos, libertar-nos do conservadorismo imobilizante, do burocratismo auto-imune e ouvir a voz que emana da sociedade brasileira a exigir o futuro. E fazer a nossa parte, na construção de um Brasil mais honesto, justo e contemporâneo de seu tempo.”

     (QUEIROZ, 2005, p.1, 4)

    Amém!

    Contemporâneo de seu tempo, mas sem se esquecer de voltar os olhos para as evoluções do mundo globalizado e contemporâneo que visa o futuro.

     


    [1] Como o texto em questão foi retirado do site onde foi encontrado, acrescento o mesmo, na íntegra, ao final de minha monografia.

  • Diferenças entre Decorador, Designer de Interiores e Designer de Ambientes

    Dando sequência, outra parte de minha monografia.

    Já apresentei as diferenças anteriormente ligadas à arquitetura, mas vale à pena ressalta-las novamente focando melhor agora, na área do Design e Decoração:

     

    O Decorador é aquele profissional formado (ou não) naqueles antigos cursos de finais de semana ou de curtíssima duração, que eram oferecidos por escolas privadas e instituições como, por exemplo, o SENAC. Sua função é a escolha de acessórios como vasos, toalhas, almofadas e afins. Na realidade o seu trabalho não passa de uma maquiagem no já existente.

    O Designer de Interiores, além do trabalho do Decorador que vem ao final do projeto tem a função de elaborar o espaço coerentemente, seguindo normas técnicas de ergonomia, acústica, térmico e luminotécnica além de ser um profissional capaz de captar as reais necessidades, explicitas ou não, dos clientes e concretiza-las através de projetos específicos. A reconstrução do espaço a ser habitado ou não através da releitura do layout, da ampliação ou redução de espaços, dos efeitos cênicos e aplicações de tendências e novidades técnicas, do desenvolvimento de peças exclusivas entre outras tantas atribuições deste profissional. Porém seu trabalho restringe-se a ambientes internos.

    O Designer de Ambientes está apto a elaborar projetos nos padrões dos de um Designer de Interiores, porém, este não está preso aos limites internos podendo atuar em paisagismo e light design de áreas externas, concepção de praças, clubes e parques. No entanto, sua atuação nas áreas que tenham elementos estruturais, que são aqueles que realmente podem colocar em risco a vida do usuário, assim como a de um Designer de Interiores mantém-se, apenas como formalidade e segurança técnica, sob a supervisão/acompanhamento de um engenheiro estrutural.

    Tais atribuições do Designer de Ambientes são sim reais – mesmo que não regulamentadas – pois o mesmo teve em sua formação cadeiras que o habilitam em conhecimento técnico para efetuar tais projetos.

    Para o Designer de Interiores e o Designer de Ambientes uma nova realidade começa a despontar no horizonte: a Justiça Federal obrigou o CREA a nos inscrever e fornecer o registro (carteirinha) profissional. Este fato nos libera da sombra de outros profissionais em vários aspectos e partes dos projetos. Porém, através da lentidão da Justiça e imposições de entidades, os processos mantêm-se parados.

  • Design de Interiores/Ambientes x Arquitetura de Interiores x Decoração

    Este texto faz parte de minha monografia de pós. Vou começar a dividi-lo em partes para poder postá-los para que algumas pessoas não reclamem dos tamanhos de meus textos.

    Para perfeita delimitação das áreas de atuação de um profissional de DA, há que se destacar a diferença de atuação dos diversos profissionais que atuam neste mercado.

    Para o público, os profissionais são e fazem a mesma coisa. Genericamente, na cabeça dos clientes todos são arquitetos. Decorador e Designer são sinônimos de arquiteto. Porém, para esclarecer e delimitar as áreas e atuações faz-se necessário o entendimento claro de cada um desses profissionais e de seus trabalhos:

    a) Decoração: é aquele profissional que buscou aqueles cursos de curta duração oferecidos por escolas como SENAC ou até mesmo aqueles autodidatas. Suas atribuições são bastante restritas uma vez que o seu conhecimento sobre vários elementos componentes de um projeto é inexistente ou nulo. As suas funções restringem-se à escolha de acessórios (vasos, almofadas, cortinas, outros), móveis, cores para paredes e poucas coisas mais. Param por aí, pois não possuem o conhecimento necessário para interferências mais pesadas no ambiente. Não há projeto e detalhamento de mobiliários específicos.

    b) Arquitetura de Interiores: está bem distante da realidade da Decoração ou do Design. O uso deste termo como algo similar ou referente ao DA fez-se tão somente por causa do status e valor – glamour – que o termo arquitetura agrega ao trabalho profissional. Na realidade, Arquitetura de Interiores diz respeito à parte estrutural interna da edificação e dentre essas temos as aberturas, fechamentos, janelas, portas, colunas, vigas, escadas estruturais, mas tem a ver também com a relação entre os espaços, destinação e usos destes espaços, enfim, tudo o que faz parte do esqueleto é Arquitetura de Interiores. É o antes do Design. Apesar de alguns arquitetos¹ alegarem que tiveram durante a sua formação essa disciplina e que ela os habilita para atuação em Design de Interiores, é uma afirmação inverídica, pois no Brasil apenas em cinco cursos constam em suas matrizes curriculares disciplinas específicas em Interiores – e mesmo assim nada de Design aparece nem no nome da disciplina nem no ementário. Este profissional, raramente projeta e detalha móveis e, assim como o Decorador, busca opções já prontas no mercado como móveis de linha ou planejados. Adrian Forty, historiador britânico e crítico de arquitetura, que foi o organizador de um extenso volume da editora britânica Phaidon, “Arquitetura Moderna Brasileira” noz diz:

     “Houve algumas mudanças no status da arquitetura brasileira na cena mundial. O Pritzker dado a Mendes da Rocha certamente foi importante. Mas eu ainda tenho a impressão de que o Brasil persiste um tanto isolado em termos de cultura arquitetônica.” (Folha de São Paulo, Ilustrada, 17/06/07).

    Anamaria de Moraes, já em 1994 quando da concepção da Matriz Curricular da Especialização em Design de Interiores, quando atuava como docente da Faculdade da Cidade, no Rio de Janeiro, vislumbrava as diferenças entre as áreas e da necessidade e importância da atuação conjunta dos profissionais de arquitetura com os designers na concepção dos projetos de DA quando, nos objetivos do curso coloca, entre outros:

    “Integrar o design e a arquitetura de interiores num projeto que considere a otimização espaço, o conforto ambiental e o bem estar do usuário.” (MORAES, 1994)

    Já Francesco Iannone, arquiteto italiano, entende que o trabalho multidisciplinar é fundamental, mesmo para a solução de problemas de menor complexidade. Em uma entrevista sua para a revista Lume Arquitetura (2007), ele desconstrói toda a visão totalitarista e onipresente que a arquitetura emprega quando deixa claro o papel do arquiteto e a real necessidade destes profissionais em realizar essas parcerias pelo simples fato de reconhecer que a sua formação não é tão perfeita como alguns arquitetos afirmam. E esta é a característica principal da visão que alguns arquitetos e até mesmo alguns órgãos e associações ligadas direta ou indiretamente à arquitetura no Brasil tem: somos perfeitos e completos.

    Aproveito para fazer um aparte neste ponto. Acho engraçado como alguns arquitetos teimam em atacar e atrapalhar o trabalho dos Designers. Digo isso pois pelo visto não deve haver nada de mais importante e sério para eles fazerem como, por exemplo, dentro de suas próprias cidades, junto à administração pública, buscar soluções para as mazelas urbanas. É mais fácil atacar quem está quieto fazendo o seu trabalho para o qual foi devidamente capacitado, treinado e habilitado e não tem poderio de fogo que as prefeituras e câmaras de vereadores exigindo das mesmas que realizem melhorias. Outra coisa é que adoram criticar a péssima fiscalização do CREA sendo que não se dispõem a ajudar. Só coloquei estes dois exemplos para incitar a análise de quem lê este trabalho. Se formos olhar bem para nosso bairro, cidade, estado, país ou planeta não é nada difícil perceber o tanto de trabalho realmente arquitetural há por se fazer. Há coisas mais importantes a se fazer senhores alguns arquitetos.

    c) Design de Interiores/Ambientes: o profissional de Design é habilitado para atuar em intervenções que possa ocorrer já desde o momento da concepção do projeto arquitetônico auxiliando o arquiteto a resolver os espaços da edificação de forma a atender melhor as necessidades do cliente. Após a obra pronta, o designer entra em cena para fazer o fechamento/coroamento da obra através da escolha das cores, texturas, revestimentos, mobiliário, os layouts ergonomicamente corretos, a iluminação adequada, o ajuste de algum elemento arquitetônico que esteja atrapalhando ou que esteja esteticamente desagradável. Enfim, o profissional de DA carrega um vasto conhecimento sobre como as pessoas habitam e usam seus espaços. Ele não se preocupa com a escultura que é a edificação e por isso tende a realizar os projetos com maior complexidade e perfeição.

    Diferente do que prega um grande arquiteto brasileiro em um livro de sua autoria onde narra uma história ocorrida com uma cliente sua. A mesma foi reclamar com ele pois seu filho pequeno caiu de um beiral com 1,5m de altura e fraturou a perna. Em resposta, ele simplesmente diz que agora ele aprendeu que não se deve chegar próximo do beiral. Um profissional de DA certamente não daria uma resposta absurda dessa apenas com a intenção de proteger a sua escultura, obra de arte.

    [1] Antes de qualquer confusão ou generalização como tem ocorrido em alguns fóruns de discussões sobre os assuntos aqui abordados, deixo claro que em nenhum momento eu ou qualquer um dos outros Designers que compartilham desta mesma opinião estamos generalizando. O grifo sobre “alguns arquitetos” (que usarei a todo momento que esta referência aparecer neste trabalho) serve para chamar a atenção ao sentido exato da colocação: ALGUNS profissionais de arquitetura e não TODOS como tem sido interpretada esta colocação exatamente por estes “alguns” com a intenção explícita de provocar todos os outros arquitetos contra os Designers.

  • Livros e mais livros….

    A seguir mais uma pequena seleção de livros.

    Iluminação e Arquitetura

    Autor: Nelson Solano Vianna, Joana Carla S. Gonçalves
    Editora: Geros – Português – 2007
    Dimensões: 18x26cm – 376 págs.
    Capa: Brochura
    Ref.: 8929
    R$ 68,00

    O livro aborda a influência da luz natural e artificial na concepção e produção da arquitetura por meio de uma linguagem clara e objetiva, apresentando conceitos, estudos de caso e metodologias de análise e qualificação inerentes ao tema, de forma ricamente ilustrada (trezentos ilustrações). Conteúdo: é composto de nove capítulos, abrangendo os seguintes tópicos: Principais variáveis do conforto ambiental (variáveis climáticas, humanas e projetuais), Arquitetura e clima (o clima como principal variável de projeto), Iluminação e arquitetura (o uso da luz ao longo da história e a janela na arquitetura colonial brasileira), Grandezas relativas à percepção visual e fotométricas (principais conceitos luminotécnicos), Exigências humanas e funcionais (percepção do espaço, campos e tarefas visuais), Iluminação lateral e Iluminação zenital (esses dois capítulos incluindo estratégias de projeto e métodos de avaliação) e Iluminação artificial (sistemas, lâmpadas e luminárias). Em caráter de conclusão (capítulo 9), é levantada a importância de tratar o projeto de arquitetura como síntese das questões ambientais, com discussões sobre a influência das decisões tomadas ao longo do processo de projeto sobre os aspectos fundamentais do conforto ambiental. E mais: extensa bibliografia, índice remissivo e anexos.

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    Desenho Universal

    métodos e técnicas para arquitetos e urbanistas
    Autor: Silvana Cambiaghi
    Editora: Senac – port. – 2007
    Dimensões: 16x23cm – 272 págs.
    Capa: Brochura
    Ref.: 11286
    R$ 65,00

    Num momento em que a inclusão social se torna imperiosa, preocupar-se com a acessibilidade de todos aos produtos e aos ambientes construídos é fundamental para a edificação de uma sociedade menos injusta e mais democrática. A autora analisa a atuação dos profissionais brasileiros e dá provas concretas – com exemplos, imagens, apresentação de técnicas, discussão sobre a legislação – de que a formação acadêmica é fundamental para que a arquitetura, o urbanismo e o design sejam exercidos de forma a garantir uma relação de mão dupla entre o ambiente e as pessoas.
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    A Cor no Processo Criativo – Um Estudo Sobre a Bauhaus e a Teoria de Goethe

    Autor: Lilian Ried Miller Barros
    Editora: Senac/SP – Português – 2007
    Dimensões: 16x23cm – 356 págs.
    Capa: Brochura
    Ref.: 10385
    R$ 74,00

    A autora inova a mostrar, a partir do legado deixado pela Bauhaus, uma das mais representativas escolas de arte do mundo, como a cor pode ser inserida no processo criativo e quais suas implicâncias na transmissão de sentimentos, sensações e mensagens.
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    Iluminação Elétrica

    Autor: Vinicius de Araújo Moreira
    Editora: Edgard Blücher – Português – 1999
    Dimensões: 17x24cm – 200 págs.
    Capa: Brochura
    Ref.: 3546
    R$ 61,00

    Dois aspectos chamam a atenção nesta obra: no primeiro, vemos um autor que escreve sobre um assunto com uma segurança e domínio difíceis de serem encontrados em livros escritos por professores ou mesmo profissionais de iluminação ou, em contexto mais geral, de instalações elétricas. Não tem a vivência e a bagagem práticas que transparecem em cada linha deste texto. A experiência do autor, como professor adjunto na Universidade Federal de Minas Gerais e como diretor de indústria do ramo, contribui decisivamente para que a exposição dos assuntos seja clara, obtendo-se um texto sem colocações exageradamente acadêmicas, prático, mas que nunca se afasta do rigor científico. O segundo aspecto a ser destacado é o da modernidade. O Prof. Araújo Moreira chama atenção do leitor para novos métodos, equipamentos e tecnologias que estão aparecendo, recheando suas colocações com comentários de presença rara em livros estrita ou demasiadamente acadêmicos. São justamente esses comentários, essas observações – evidências do trato diário com a questão – que enriquecem sobremaneira o texto. E elas são uma constante ao longo do livro. Estruturalmente, a obra se divide em dez capítulos, expostos na seguinte ordem: 1. Luz, princípios gerais (espectro, radiações, visão humana, cores); 2. Grandezas e unidades luminotécnicas; 3. Fotometria; 4. e 5. Lâmpadas incandescentes, de descarga elétrica, indução, eletroluminescentes; 6. Luminárias. Os três capítulos seguintes abordam os projetos de iluminação propriamente ditos, com sugestões, métodos e processos de cálculo, tratando, respectivamente, de iluminação de interiores, iluminação por projetores e iluminação pública. O último capítulo trata da conservação da energia na iluminação. A obra é ideal para engenheiros no pleno exercício de suas atividades e/ou para estudantes de engenharia. O livro é também muito acessível aos arquitetos e técnicos que, mesmo desconhecendo os fundamentos teóricos da iluminação, encontram bastante utilidade em seus ensinamentos.
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    1000 Lights


    1879/atualidade
    Autor: Peter e Charlotte Fiell
    Editora: Taschen – Português – 2005
    Dimensões: 20,5×26,8cm – 575 págs.
    Capa: Capa flexível
    Ref.: 10485
    R$ 119,00

     Concebida para se juntar ao clássico ‘1000 chairs’, esta edição contém uma incrível seleção de mais de 1200 lâmpadas, luminárias e sistemas de iluminação elétrica. Das primeiras lâmpadas de incandescência de Swan e Edison aos belíssimos quebra-luzes de vidro trabalhados com a técnica de vitral de Tiffany, passando pelos ousados modelos de finais dos anos 60 e 70 do século XX ou as últimas criações high-tech de LED, as mais interessantes lâmpadas da história são apresentadas aqui cronologicamente por décadas. Todos os grandes estilos – Arts & Crafts, Art Nouveau, Art Déco, Modernismo, De Stijl, Pop, radical, pós-modernista e contemporâneo – estão representados nesta brilhante edição. Obra de referência, ela impõe-se como uma edição indispensável para colecionadores e amadores do design.
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    Para adiquirir estes ou outros livros: http://www.prolivros.com.br/controller.asp?page=home

  • Elimine as armadilhas

     Por: Nathalia Santos Costeira

    Escorregões, tropeços e quedas podem ter consequências graves. Por isso, estar atento a pequenos detalhes, como a disposição correta dos móveis, é indispensável para diminuir o risco de acidentes em casa, principalmente se houver crianças e idosos circulando.

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    Sempre pensamos em nosso lar como um local seguro, onde estamos livres de qualquer perigo. No entanto, pesquisas recentes apontam que aproximadamente 75% dos acidentes que envolvem idosos e crianças acontecem dentro de suas próprias residências. Essa constatação pode ser atribuída ao fato de que casas e apartamentos, em geral, não são projetados para atender adequadamente suas necessidades, e que pouco tem sido feito para mudar isso. “O ambiente em que vivemos deve, necessariamente, ser compatível com nossas preferências pessoais e necessidades específicas”, alerta o arquiteto Allan Feio.

    Os profissionais da área chegaram ao consenso de que a principal causa desses acidentes é a falta de conhecimento. “Os próprios moradores poderiam prestar atenção a pequenos detalhes como corrimãos, pisos e móveis adequados, se soubessem de sua importância”, afirma o designer de interiores Paulo Oliveira, para quem a principal dificuldade está em conscientizar as pessoas sobre a necessidade dessas mudanças. “É preciso vencer a resistência dos próprios clientes, que se preocupam em atender somente as necessidades do agora, esquecendo das adaptações que serão indispensáveis com o passar dos anos ou com a chegada de um filho, por exemplo”.

    Outro obstáculo presente na hora de trazer segurança aos projetos é a questão estética. Para a designer de interiores Adriana Diniz, existe um certo preconceito em relação à instalação de barras ou mudanças nos mobiliários. “Muitos acreditam que isso compromete a estética do ambiente, o que não é verdade”.

    Mas esse preconceito não está restrito aos clientes. Muitos arquitetos e designers de interiores também primam pela estética, quando o conforto, a praticidade e a segurança deveriam estar em primeiro lugar. Contudo, com o crescimento da perspectiva de vida e o número de idosos aumentando no País, está surgindo um novo mercado, que cresce acompanhado de profissionais especializados no assunto.

    E engana-se quem pensa que é preciso gastar muito para melhorar a segurança. Adriana Diniz garante que é possível fazer mudanças sem desembolsar muito dinheiro. “Pequenas alterações na decoração e organização dos móveis já fazem grande diferença”.

    Já para quem precisa de adaptações mais específicas, o custo pode variar entre R$ 3.000 e R$ 40.000, dependendo das necessidades e limitações. A arquiteta Maria Olide Leal ressalta, porém, que qualquer alteração devidamente projetada só acrescenta valor ao imóvel. “Além de proporcionar qualidade de vida aos moradores”.

    O primeiro passo nessa direção é observar todos os detalhes, como pisos, locais de circulação, distribuição do mobiliário, iluminação etc. O arquiteto Allan Feio aconselha a remover todos os obstáculos das áreas por onde passam as pessoas: os fios devem ficar em canaletas e os tapetes convencionais trocados por modelos antideslizantes.

    Paulo Oliveira ressalta também a importância dos pisos antiderrapantes na cozinha, banheiros e áreas externas, assim como corrimãos e demarcações no início e fim das escadarias. Sugere, sempre que possível, optar por móveis com cantos arredondados, que evitam ferimentos graves, principalmente nos choques com crianças.

    Entre os cômodos que merecem mais atenção, a unanimidade entre os profissionais é o banheiro. “O uso dos porcelanatos, aliado à falta de barras de segurança e apoio, são os fatores que mais contribuem para os altos índices de acidentes” afirma Feio.  

    BOX (na matéria) – Segurança em primeiro lugar

    Aqui, os profissionais dão dicas de como deve ser uma casa em que circulem crianças e idosos: 

    Área de serviço: Os itens de limpeza precisam ser colocados em locais de fácil acesso, mas longe do alcance das crianças, e os objetos pesados devem sempre ficar nos lugares mais baixos. No piso, dê preferência aos materiais que permitam fácil manutenção e limpeza, mas que não sejam lisos.  

    Cozinha: Assim como na área de serviço, os objetos utilizados com mais frequência devem ficar em locais de fácil acesso. O conselho é proteger as quinas dos móveis, e a altura dos balcões e da pia precisam ser adequadas a quem trabalha no espaço. 

    Sala de estar: Evite prateleiras de vidro e acessórios em excesso sobre as mesas. Retire todos os tapetes ou utilize antiderrapantes que se fixam no piso. Fique atento às quinas dos móveis e à firmeza dos mesmos.  

    Sala de jantar: Como na sala de estar, evite o excesso de acessórios sobre a mesa e, caso o tampo da mesa seja de vidro, proteja-o com botões de silicone, para evitar quebra ou trincas. Prefira cadeiras leves, resistentes e firmes, mais facilmente manuseadas por crianças e idosos.  

    Quarto: O ideal é que armários, cômodas e criados-mudos tenham corrediças nas gavetas e protetores de quina. A cama deve ter altura apropriada ao usuário, e o interruptor de luz precisa ficar próximo ao leito.  

    Banheiro: O piso deve ser adequado para áreas molhadas, e o uso de tapetes só é permitido se for do tipo de borracha com ventosas. Dentro do box e próximo ao vaso sanitário, é recomendado instalar de barras de segurança e eliminar desníveis do piso. O porta-toalhas deve ser fixado na parede.  

    Áreas externas: Para quem possui piscina, o ideal é proteger toda a área com grade de alumínio e instalar pisos apropriados para evitar quedas e escorregões.  

    Janelas: Todas elas e também as varandas devem contar com rede protetora. 

    Escadas: Corrimãos e degraus sinalizados com cores fortes ou faixas antiderrapantes são imprescindíveis. A instalação de portões também é indispensável para quem possui crianças pequenas.  

    AT revista, parte integrante do jornal A Tribuna – Ano 4 – Edição 171 Sessão – Sua Casa – 9/março/2008 

  • Curso de Extensão Cesumar – Light Design

    Estão abertas as inscrições para o curso de Light Design que estarei ministrando no Cesumar, em Maringá-PR.

    OBJETIVO GERAL

    Ampliar os conhecimentos dos participantes sobre iluminação. Desenvolver a capacidade de análise estética e o senso observador crítico. Estimular a criatividade e inovação utilizando a luz e equipamentos da forma correta e coerente. Promover o entendimento e conhecimento sobre a complexidade que envolve um projeto de Light Design e o que diferencia da área da iluminação. Conscientizar sobre a importância da parceria de profissionais de Designer de Interiores, Arquitetura e Engenharia com especialidades em Light Design.

    CRITÉRIOS

    Freqüência de 80% e participação em sala de aula durante as atividades desenvolvidas.

    REQUISITOS

    Estar cursando o último ano dos cursos de Design de Interiores, Arquitetura, Engenharia ou ter algum conhecimento em iluminação.

    PÚBLICO ALVO

    Acadêmicos dos cursos de Design de Interiores, Arquitetura, Engenharia e profissionais interessados em aprimorar conhecimentos.

    AULAS

    Sábados, das 8h às 12h e 14h às 18h

    17, 24, 31/Maio e 07/Junho

    DISCIPLINAS

    EQUIPAMENTOS I – LÂMPADAS

    EQUIPAMENTOS II – LUMINÁRIAS

    EQUIPAMENTOS III – ESPECIAIS E TECNOLOGIAS

    ESTUDOS DE CASOS – OBSERVAÇÃO, ANÁLISE E CRÍTICA

    ILUMINAÇÃO CÊNICA X ARQUITETURAL

    LIGHT EM EVENTOS – CÊNICO, SHOWS, EVENTOS DIVERSOS

    LIGHT INTERIOR E EXTERIOR – COMERCIAL

    LIGHT INTERIOR E EXTERIOR – RESIDENCIAL

    NORMAS TÉCNICAS

    ÓTICA E PERCEPÇÃO VISUAL, GEOMETRIA DA LUZ

    PROJETO I – DESENHOS

    PROJETO II – IMPLANTAÇÃO

    Maiores informações: http://www.cesumar.br/deac/extensao2008/?idCurso=163&idArea=20  

  • A Responsabilidade do Design Social

     Sonia Barizon

    1 – Introdução

    O saber organizado, disciplinado passa a coexistir com atitudes de sujeitos críticos e indagadores, capazes de agir criativamente na interseção de múltiplos campos do conhecimento. Propor que Responsabilidade Social, Educação Ambiental e Sustentabilidade não sejam apenas disciplinas, mas sim uma matéria em todas as disciplinas do curso de Design.

    2 – Uma Reflexão Sobre a Crise do Meio Ambiente

    A história da Humanidade pode ser contada pela evolução tecnológica, mas também pela devastação causada por ela ao meio ambiente. Sempre achamos que a natureza existe apenas para o nosso usufruto. Ao longo dos séculos devastamos, queimamos, extinguimos, derretemos, perfuramos, assoreamos, poluímos e contaminamos a Terra, afetando plantas e animais, e a qualidade da água e do ar. A natureza cansou de ser maltratada e dá o troco.

    Enfrentamos hoje problemas ambientais mundiais e locais. Chuvas torrenciais deixam milhares de desabrigados no mundo, os desertos aumentam de tamanho a cada ano; as nevascas que isolam cidades inteiras. O mundo enfrenta uma de suas maiores crises sem precedentes.

    Para mudar esse jogo cabe aos governos em todo o mundo adotar uma série de medidas, como por exemplo, uma nova política de exploração racional dos recursos naturais buscando o desenvolvimento sustentável.

    Mas, e os cidadãos comuns, que vivem sua vida e pagam seus impostos? Esses personagens, geralmente, se sentem distantes disso tudo. Não percebem como eles poderiam ter alguma responsabilidade sobre os desastres ambientais e, que quando pensam no assunto, se perguntam: o que tenho a ver com isso? Tudo, respondem os educadores ambientais. Cada ação cotidiana nossa interfere no meio ambiente em que vivemos.

    Pierre Weil, em seu livro A arte de viver em paz, chama a atenção para o momento importante de síntese, de integração e globalização. Momento em que a humanidade tem a grande chance de colar as partes que ela mesma fragmentou. “Ela mesma” somos nós, que dividimos o mundo em territórios, pelos quais matamos e morremos. A humanidade atingiu o limiar de uma nova era e vive, agora, uma espécie de “dor do crescimento”. Doutor em Psicologia pela Universidade de Paris, educador e consultor da ONU em educação para a paz, Weil alerta que não se pode ignorar o óbvio: não haverá uma segunda Terra para ser destruída.

    3 – Educação Ambiental na Sociedade

    O educador Moacir Gadotti, autor do livro A pedagogia da terra considera que o termo terra traz, hoje um novo paradigma: o de um modelo de evolução que incorpora uma utopia, uma nova consciência. Consciência do que é sustentável e apropriado para a nossa existência num único endereço: a terra.

    Gadotti radicaliza: “Considerando a terra como mãe!” (Gadotti, 2000) Quer dizer, enxergando o planeta como uma única comunidade de gêneros, espécies, reinos, educação formal, informal e não formal. No fundo, o educador radical propõe que todos promovam à vida envolvendo-se, comunicando-se, compartilhando, problematizando, relacionando-se, entusiasmando-se.

    A educação é o elemento chave na construção de uma sociedade baseada na informação, no conhecimento e no aprendizado.

    Educar em uma sociedade da informação significa muito mais que treinar pessoas para o uso das tecnologias de informação e comunicação: trata-se de investir na criação de competências suficientemente amplas que lhes permitam ter uma atuação efetiva na produção de bens de serviço, tomar decisões fundamentadas em seu trabalho, bem como aplicar criativamente as novas mídias, em usos simples e rotineiros, ou em aplicações mais sofisticadas. Trata-se também de formar os indivíduos para “aprender a aprender”, de modo a serem capazes de lidar positivamente com a contínua e acelerada transformação.

    Pensar a educação na sociedade da informação exige considerar um leque de aspectos relativos às tecnologias de informação e comunicação, a começar pelo papel que elas desempenham na construção de uma sociedade que tenha a inclusão social como uma das prioridades principais.

    Formar o cidadão não significa “preparar o consumidor”. Significa capacitar as pessoas para a tomada de decisões e para a escolha informada acerca de todos os aspectos na vida em sociedade que as afetam, o que exige acesso à informação e ao conhecimento e capacidade de processa-los judiciosamente, sem se deixar levar cegamente pelo poder econômico e político.

    Os professores de design bem como os profissionais devem estar conscientes disso, e preparados para planejar um ambiente de trabalho de acordo com os princípios da ecologia. Com seu conhecimento e sua criatividade, eles propõem inovações que aproveitem os recursos (água, energia, material de construção) de forma mais adequada ao clima, e a cultura local, interferindo de forma positiva no ambiente.

    Identificar nos objetos substâncias utilizadas no meio ambiente profissional, os recursos naturais que constituem os processos ou transformações pelas quais passaram, avaliando sua utilização ou possível substituição por produtos alternativos.

    Fazer sempre questionamento: de onde vêm e como são fabricados, os produtos utilizados nos trabalhos? Seriam perigosos, oferecem riscos a saúde? Qual a melhor maneira de usá-los, os profissionais precisam conhecer bem seus materiais, até para substituí-los se possível ou necessário, estão em jogo a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores, do cliente da comunidade, além da integridade do ambiente.

    Conhecer as substâncias e os processos industriais que originam os produtos, ajuda a saber se eles podem ou não ser reutilizados ou reciclados, depois que viram resíduos. Se o profissional tiver acesso a esses conhecimentos desde a sua formação, será muito mais fácil promover e participar de ações que ajudem ao meio ambiente.

    Adotar uma postura crítica em relação ao consumismo e ao desperdício, aplicando no seu dia-a-dia procedimentos adequados de conservação e utilização dos recursos naturais. A postura ética de cada profissional em relação ao consumo deve ser discutida em todo o curso.

    Hoje, vive-se uma fase em que não basta a empresa atender às exigências do consumidor: ela deve surpreendê-los com produtos inovadores. Isso porque as empresas de mesmo porte, de um mesmo setor, utilizam tecnologias similares e oferecem seus produtos no mercado com preços bastante parecidos. É preciso um diferencial e, nesse aspecto, entra em cena a imagem da empresa, seus valores e atitudes. As relações de mercado precisam ser transparentes, tanto entre as empresas de uma mesma cadeia produtiva, como entre empresa e funcionários e empresas e consumidores. Também prevalece o respeito com o meio ambiente e com a sociedade.

    Educar crianças, educar jovens, educar. Mais que uma tarefa, mais que militância política, trabalho e dedicação. Criar planos de ação, considerar conceitos, teorias, reflexões, interações do desejo, da necessidade e da responsabilidade, usar o bom senso, o senso dos limites, repensar os espaços e as tarefas educacionais, formais e não formais, enfim repensar currículos.

    Há de se esclarecer, então que a chamada educação ambiental não contém uma especificidade isolada, desconhecida; ela só existe na estreita relação da produção de um fazer educacional mais amplo com processos de transformação de toda a educação. A luta por uma educação ambiental livre e aberta é ,antes de tudo, política e ética, examinar o complexo de problemas que afligem os povos de todas as nações: pobreza em meio à abundância; deterioração do meio ambiente; perda de confiança nas instituições; expansão urbana descontrolada; insegurança de emprego, alienação da juventude; rejeição de valores tradicionais; inflação e outros transtornos econômicos e monetários.

    Essa interação entre o homem e o seu meio ambiente parece ser o elo perdido da civilização atual, ávida em transformar o planeta de forma desenfreada, amoldando-o às suas supostas necessidades, praticando toda sorte de exploração intensiva e desordenada, impactando cada vez mais o seu meio, do que ressultou um considerável desequilíbrio na terra, colocando em risco a vida como um todo, um desequilíbrio que se faz presente não somente na forma de degradação dos elementos naturais e/ou artificiais e culturais, ou mesmo do exaurimento de vários dos recursos naturais, como, também, da própria degradação humana, representada, dentre outros, pela favelização urbana, pela miséria, pela violência, pela brutalidade com que se estabelece como prioridade os interesses econômicos em detrimento dos interesses sociais, fazendo com que significativa parcela da humanidade permaneça em estado de subnutrição, alijada totalmente da sociedade.

    Essa realidade aterradora e dolorida, deixa claro que não basta o conhecimento tecnológico trazido pelo avanço da ciência para se alcançar o progresso, quando este , para ser atingido, e feito sem qualquer consideração, a custa do próprio solapamento humano, principalmente nos chamados países em desenvolvimento, em uma demonstração cabal de degeneração moral e cultural para com o próprio semelhante, haja visto o desprezo e a indiferença pela sua sorte, de forma que, e tal tem sido possível, não há que se estranhar a ausência de qualquer conscientização em relação a natureza, da qual, por mais paradoxal que pareça, depende a própria vida.

    4 – A importância das instituições educacionais

    Os primeiros movimentos ambientalistas surgiram da década de 60, motivados pela contaminação das águas e do ar nos países industrializados. Esse movimentos-aliados a busca de melhores resultados e a competitividade no setor produtivo – impulsionam a mudança de visão ocorrida a partir dos anos 90. Temos como desenvolvimento sustentável, esgotabilidade dos recursos naturais, reciclagem e gestão ambiental, entre outros, passaram a fazer parte dos governos, ganhar espaço na mídia e nas universidades, obtendo cada vez mais, legitimidade dentro da sociedade.

    Pode-se dizer que o esforço de repensar os valores da modernidade torna-se, hoje, condição de sobrevivência da própria sociedade e está exigindo a participação de todos os grupos e instituições que compõem o tecido social.

    Deveriam dar especial ênfase ao fortalecimento e eventual reorientação de programas de formação educativa, bem como a identificação e divulgação de práticas inovadoras. Ainda oferecer apoio à pesquisas de metodologias para o ensino interdisciplinar e a avaliação dos impactos propriciados por programas educativos relevantes.

    Como Paulo Freire diz, incorporar pesquisas e ter rigorosidade metódica, ética, criticismo, estética, autonomia, bom senso, humildade, tolerância, curiosidade, comprometimento, liberdade, autoridade, diálogo e o querer bem geram no aluno a consciência de que tudo pode ser feito com responsabilidade social.

    Os professores devem incentivar aos alunos desde a educação básica, e meio acadêmico a trabalhos relacionados com reciclagem de lixo, recursos hídricos, desmatamento, queimada, agrotóxicos, irrigação, manejo florestal comunitário, espécie ameaçadas de extinção, ecoturismo unidades de conservação e tantos outros temas, que em muitos casos estão também associados com questões étnicas, religiosas, políticas, geracionais de gênero e de exclusão social.

    Afinal, o Design deve ter mais responsabilidade pelos produtos que desenvolve, pelos materiais que utiliza e aprender a ser mais responsável pela sociedade em que vive, e só mesmo aumentando seu repertorio de conhecimento e informação poderá utilizá-lo de forma mais consciente.

    As instituições de ensino do Design deveriam considerar o quão importante na pedagogia é a importância do Design com responsabilidade social. Deveríamos aprender que a consciência do que é sustentável e apropriado para a nossa existência na terra. Portanto, os cursos de design deveriam ter como meta formar cidadãos com ética planetária, e que é preciso, urgentemente, reorientar a educação em direção à ecopedagogia.

    5 – Como o design pode ajudar no projeto de sustentabilidade

    Na abordagem mercadológica ambiental de desenvolvimento sustentável, a palavra chave é a eficiência, e as inovações tecnológicas devem garantir um melhor aproveitamento dos recursos naturais diminuindo os efeitos nocivos das atividades produtoras.

    Entende-se que a sustentabilidade seria alcançada, por um lado, com a preservação e construção de comunidades sustentáveis.

    O trabalho, como a sociedade, deve ser transformado, e é no processo dessa transformação que o indivíduo atual alcança sua verdadeira dimensão humana. A função pedagógica do trabalho material, como a da sociedade em geral, não depende apenas das condições em que é dado ao homem, mas também e, sobretudo, da luta dos homens contra essas condições. Uma vez mais, a relação pedagógica homem-ambiente não é unidirecional, mas dialítica.

    Como proposta de educação em construção é necessário levar em consideração as concepções e perspectivas dos atores sociais sobre as temáticas da educação, do trabalho em educação ambiental, principalmente as formuladas por movimentos sociais, organizados privilegiados para a construção de uma proposta de desenvolvimento sustentável e democrático, pois são os que sofrem mais duramente os impactos e conseqüências das crises do trabalho e sócio ambiental.

    Torna-se imprescindível enfrentar o desafio de propor alternativas ao modelo de educação vigente no sentido de construção de uma proposta educacional crítica comprometida com um projeto de desenvolvimento justo, solidário e sustentável para o país.

    Garantir a existência de um ambiente sadio para toda a humanidade implica uma conscientização realmente abrangente, que só pode ter ressonância e maturidade através da Responsabilidade Social, Educação Ambiental e Sustentabilidade. Um processo educativo que envolva ciência, ética e uma renovada filosofia de vida; um processo realmente amplo, um chamamento à responsabilidade, planetária dos membros de uma assembléia de vida, dotados de atributos e valores essenciais, ou seja, uma capacidade de escrever sua própria história, informa-se permanentemente do que está acontecendo em todo o mundo, criar cultura e recuperar valores essenciais da condição humana e acima de tudo refletir sobre o futuro do Planeta.

    Praticar uma nova forma de desenvolvimento em que o progresso não significasse danos ao meio ambiente, os recursos naturais ganhariam então duração e permanência garantindo a reprodução de gerações futuras – o que significa a possibilidade de a terra gerar benefícios para todos, incluindo as sociedades dos próximos séculos, em uma convivência pacífica e integrada a natureza. Conhecer experiências sustentáveis através de visitas a ONGS, escolas e instituições ambientais ajudam a compreender melhor o conceito de desenvolvimento sustentável.

    Agenda 21- Rio /92 – entre algumas das ações propostas nos documentos estão a valorização da reutilização e da reciclagem, a busca por processos produtivos com menor desperdício e lixo e a preferência por produtos e empresas responsáveis com gestão ambiental.

    Exemplos de iniciativas em prol da sustentabilidade local

    Estão aqui listados alguns exemplos de produção que se enquadrariam neste novo modelo de produção e consumo.

    As atividades econômicas têm suas raízes na comunidade, a ela prestam contas e nela distribuem os frutos da produção. Assim proporcionam condições para regenerar a comunidade, prestar serviços e tratar de seus problemas ambientais e sociais. Cabe ressaltar que muitas vezes reconhecidos internacionalmente, tornaram-se visíveis graças à contribuição do design que agregam valores, otimizando a produção e criam identidade visual para os produtos manufaturados nestas cooperativas de trabalhadores.

    O couro vegetal da Amazônia – O Treetap (couro vegetal) é um tecido emborrachado com látex natural vulcanizado através de um processo tecnológico exclusivo, desenvolvido especialmente para a realidade dos seringais nativos da Amazônia. È utilizado para fabricação de bolsas, mochilas,pastas, artigos de vestuário,calçados, encadernações e revestimentos. A produção do Treetap é uma alternativa econômica para populações seringueiras, contribuindo para a valorização de suas culturas tradicionais e para preservação e uso sustentável da biodiversidade de suas terras indígenas e reservas extrativistas.

    O campim dourado do Jalapão – Em Goiás, no Parque Nacional do Jalapão, comunidade locais sobrevivem da confecção de peças de capim que brilham como ouro e que chamaram a atenção de decoradores dos grandes centros do Brasil e do mundo. Para atender as encomendas que não param de crescer, a comunidade está se organizando em associação. Para ser transformado, o capim atinge a tonalidade dourada e deve ser feita antes da chegada da chuva. Tradicionalmente, são as mulheres da região que desenvolvem o artesanato. Contudo, com o aumento da procura, também os homens começam a trabalhar no trançado. O incremento definitivo à produção foi dado quando o Sebrae levou um designer paulista à comunidade para adequar as peças produzidas ao mercado consumidor.

    Urucum para resgatar a identidade – A exportação de urucum propiciou à tribo iauanauás a implantação de posto médico, sistema de eletricidade movido a energia solar, equipamento para o beneficiamento das sementes da planta , além de estrutura para a educação.

    O descartável na moda e na arte – Outro exemplo bem sucedido com material reciclado é o desenvolvido pela arquiteta e designer Rosângela Ortiz de Godoy, de São Paulo. No seu trabalho ela utiliza restos de tecidos, couros e fios de cobre para criar, em um tear manual, tapetes, passadeiras, mantas para móveis e jogos americanos. A matéria-prima é obtida em tecelagens e industrias. Tanto afinco até valeu à designer o primeiro prêmio de Design Museu da Casas Brasileira, além de mostra de designers brasileiros me Milão.

    As bambuzeiras do Nordeste – Constituídas em cooperativas, produzem principalmente cabides brinquedos educativos e móveis. O projeto Bambu, como é chamado, implantou três unidades produtivas, voltadas para a capacitação de pessoas na fabricação de artigos feitos de bambu: a Bambuzeria Capricho, em Cajueiro; Bambuzeria René Bertholet, em Coruripe; e Bambuzeria Zumbi dos Palmares, em União dos Palmares. A tecnologia utilizada é simples e fácil de ser absorvida por ex-cortadores de cana. Os trabalhadores, durante o treinamento, também aprendem técnicas voltadas para o desenvolvimento sustentável do meio ambiente. Além dos benefícios ambientais, o Projeto Bambu trouxe, principalmente, benefícios para os seus participantes. Trata-se de um programa dirigido à geração de trabalho e renda, utilizando a espécie vegetal bambu como vetor de desenvolvimento sustentável. Busca promover o bem estar físico, social, cultural e econômico propiciando atividades ocupacionais a partir da implementação de unidades produtivas (bambuzerias). Cria alternativas que superam os processos de exclusão social, com o aumento da produtividade, a diminuição de impactos ambientais e o aproveitamento integral de matérias-primas.

    Os produtos de garrafa PET no Rio de Janeiro – Este projeto da Fundação Ondazul e assistência técnica da ECOPET, teve como proposta inicial a instalação de uma Usina Piloto de Reciclagem de Resíduos, na comunidade de Vigário Geral, através da capacitação de jovens em técnicas de confecção de móveis a partir do reaproveitamento de garrafas PET. Com a instalação da usina, passou-se então a objetivar a formação de uma cooperativa promovendo a geração de emprego/renda através do reaproveitamento e a reciclagem dos resíduos sólidos. Atualmente o projeto encontra-se em fase de comercialização dos produtos visando a auto-sustentabilidade e apoio à cooperativas de produção, garantindo sua continuidade a ampliação. O INT – Instituto Nacional de Tecnologia – atendendo a uma demanda da Fundação Ondazul, elaborou um manual de consulta para designers e projetistas em projetos de produtos que utilizem garrafas PET como matéria-prima…O manual também orienta a implantação de novas unidades manufatureiras, visando a expansão do programa de reciclagem em outras comunidades, como já acontece na Mangueira.

    5 – A reflexão sobre a responsabilidade social

    Deve-se destacar que em muitos projetos e introdução da educação ambiental no currículo ainda se apresenta como uma solicitude de criação de disciplina. Isto é preocupante, porque revela o desconhecimento das características essenciais da educação ambiental, e ao mesmo tempo dos documentos oficiais nacionais e internacionais, que desde o ano de 1977 estabelecem o marco referencial teórico e as grandes diretrizes de implementação da educação ambiental.

    Em nível de reflexão, a Unesco propõe uma revisão dos próprios conteúdos, até hoje tido como consensuais, para educação ambiental.

    Assim coloca em discussão formas de atuar sobre a consciência publica, buscando reorientação das práticas educativas, entendidas como suporte para a sustentabilidade. Sugere maior debate, relativo ao estilo de vida/consumismo e ao mesmo tempo, a inclusão definitiva nas pautas educacionais de relações temáticas como ética, cultura e eqüidade. Propõe, enfim uma reorientação na representação da Educação Ambiental, revitalizando com muita firmeza, práticas educativas ambientais assentadas em uma concepção de meio ambiente, estritamente natural, menor, diante da efetiva complexidade que envolve o tema.

    6 – Design Social e Gestão

    E aí qual a responsabilidade do Design frente a esta enormidade de comunicação que geramos que queremos que sejam vistas, sejam lembradas. Por quem, para quem se caso não tivermos mais a terra para mostrar o que um design é capaz de fazer.

    É importante lembrarmos de cobrar de nossas instituições, informações pertinentes que venham a contribuir com nosso conhecimento e informações, para que sejamos profissionais conhecedores e, antes de mais nada,pessoas dignas e que possamos com nossa criatividade e conhecimento dar a terra e aos homens uma oportunidade para mudar.

    É de responsabilidade do design gerar uma conscientização nas empresas em que trabalha, para que tenham o conhecimento e a informação da educação ambiental repassando-a para a sociedade, não se preocupando apenas com o lucro, sabemos que é importante para a geração de renda, como para suprir os empregos, mas até que ponto esta empresa está realmente sendo colaboradora.

    É importante que as instituições tenham uma visão holística, que tenham uma clara noção dessa mudança e das conseqüências que ela poderá trazer para a educação.

    Gestão em Design traz uma visão mais integrada, permeando toda a empresa desde o desenvolvimento de produtos e serviços até a sua comercialização e devendo ter uma preocupação com o destino final.

    A evolução da sociedade trouxe novos atributos ao desenho industrial como as definições de ícones, formatos de telas, utilização de softwares e outros termos da informática envolvidos no design das tecnologias da informação e criação de produtos e serviços ecologicamente corretos, objetivos do ecodesign, e a ampliação da inserção e participação dos indivíduos em seus ambientes e no ambiente público em geral – incluindo deficientes físicos, idosos, populações carentes, etc… meta do design social. Prática que tem sido apontada como um dos principais fatores de sucesso de uma empresa.

    7 – Conclusão

    Cremos firmemente que uma fala ambientalista voltada à ação educativa, ou comumente chamada de educação ambiental e responsabilidade social, obrigatoriamente deve levar em consideração as problemáticas que sustentam todas as formas de vida existentes sobre a terra. Excluir, segmentar não incluir nos debates/reflexões algum aspecto da vida das sociedades, das culturas, dos singulares indivíduos, em sua estrita correlação com o meio natural, stricto sensu, é incorrer em grave equívoco conceitual.

    Trata-se, portanto, de um momento de reflexão, um ensaio em que críticas fundamentadas, realizadas sobre atividades desenvolvidas, podem subsidiar avanços superações no âmbito das práticas que as instituições educacionais e de pesquisa e as empresas procuram viabilizar por conta da necessidade crescente de harmonia entre progresso tecnológico e meio ambiente saudável. Fazer com que as nações cresçam, economicamente, respeitando os limites da ecologia é uma das premissas do que se chama desenvolvimento sustentável.

    É de fundamental importância, o design entender que quando ele trabalha com sustentabilidade não é só um produto mais a adaptação de toda uma cultura que será influênciada.

    A educação tem um grande potencial transformador. Num primeiro momento de forma individual, porque toda transformação deve começar primeiro em nós mesmos, conseqüentemente os que estão em nossa volta serão beneficiados.

    Este artigo se finda com um estímulo à divulgação de práticas didáticas de responsabilidade social, educação ambiental e sustentabilidade, utilizando-se de experiências, estratégias e de subsídios para a melhoria da formação do formador de designes.

    Bibliografia

    HOBSBAWN, Eric. A era dos extremos –Trad. Marcos Santarrita. 2. ed., São \Paulo : companhia das Letras, 1999, pp504-536.

    DENNY ,Erc lio Antonio. Ética e sociedade. Capivari: Opinião E., 2001. 276p.

    SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL – Livro Verde – cap 4 – Educação na sociedade da informação. Brasília /setembro 2000. p 45.

    DENNIS L. MEADOWS (org) Limites do crescimento; um relatório para o Projeto do Clube de Roma sobre o Dilema da Humanidade (São Paulo: Perspectiva, 1978) p.11-12

    MANZINI, Ezio e VEZZOLI, Carlo. O desenvolvimento de produtos sustentáveis. São Paulo: Edusp, 2002

    REVISTA SENAC EDUCAÇÃO AMBIENTAL. Ano 10 – n° 1 janeiro/abril de 2001. pag 29-30.

    COSTA Patrícia . REVISTA EDUCAÇÃO AMBIENTAL. Ano 11 – n° 1 – janeiro/março 2002. pg 34.

    SENAC. DN. Ética e trabalho / Maria H. B. Gonçalves; Nely Wyse. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 1987. 80p.

    CAPRA, Fritjof. O Ponto de Mutação – a Ciência, a sociedade e a cultura emergente. Trad. Álvaro Cabral. 14.ed. Sãp Paulo: Cultrix, 1995. 447p.

    FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa (São Paulo: Paz e Terra, 1997.

    GREVISTA BOLETIM TÉCNICO DO SENAC .– Volume 30 – n 2 – maio /agosto 2004. pg 22-25.

    GADOTTI – REVISTA DIGA LÁ. Ano 6 – n° 20 – maio/junho de 2001.pg 31-32.

    FEIJÓ Ateneia. REVISTA DIGA LÁ. Ano 5 – n° 17 – novembro/dezembro de 2000. pg 31-37.

    ENCARNAÇÃO Bianca. REVISTA DIGA LÁ. Ano 8 – n° 34 – novembro/dezembro de 2003. pg 1-2.

    KRANZ, Patrícia. Pequeno guia da agenda 21 local. Ed. Hipocampo, Rio de Janeiro, 1999.

    Aziz Ab`Saber, Reflexões sobre a educação ambiental (mimeogr., 1991).

    UNESCO, Educating for a Sustainable Future: a Transdisiplinary Vision of Concerted Action (Internacioan Conference, Thessaloniki; 8-12 December, 1997)

    Declaración de Thessaloniki, em Coferência Internacional Mio Ambiente y Sociedade: Educaión Y Consciência Pública de La Sustentabilidade (Thessaloniki: 8/12 dia.,1997, Boletin “E”, primavera 1998-wwf

    Orientador: Antonio Martiniano Fontoura
    Doutor: UFPR; PUC PR; UTP PR.

    Fonte: Portal DesignBrasil – http://www.designbrasil.org.br.

  • O que você tem na cacholinha?

    Os seres humanos são, por natureza, criativos. Todos possuem a habilidade de criatividade e desenvolvimento racional próprio. Prova disso são as invenções lançadas ao mundo para a sobrevivência da espécie humana. Desde os primórdios, o homem tem desenvolvido novas técnicas, como a roda, a lâmpada e o Google, sob os efeitos da criatividade. Porém, cada idéia parte de diferentes informações e necessidades. Manias, rituais, estudos, tentativas, erros, pesquisas, aditivos, organização, são elementos que definem o produto final de cada peça apresentada, seja ela artística, comercial, visual ou escrita. LACUNA é a nova criação do homem, a criatividade sob a perspectiva da invenção. Ou seja, é um projeto elaborado para entender, compreender e disseminar o processo criativo das pessoas e do mundo.

    Para participar, basta se inscrever e responder algumas perguntas sobre processos criativos. Coloque os itens que você acha interessante e que tenha utilizado em alguma peça. Depois, envie o trabalho com o tema: “Processos Criativos”.

    Os trabalhos podem virar um vídeo, com o roteiro baseado na síntese do material recebido, aparecer na Revista Digital do Projeto LACUNA, ou sair em uma publicação, formato revista, dos 20 projetos selecionados pelo júri.

    Os vencedores serão premiados com DVD’s, publicação dos trabalhos e assinatura de um ano da Revista Zupi, apoiadora do evento.

    Por isso, não vacila, e contribua! Vamos descobrir de onde vem isso tudo! As inscrições vão até 5 de novembro.

    Quando: Até 5 de novembro
    + Informações: www.projetolacuna.com

  • A importância da preparação de textos de conceituação do processo criativo da iluminação

    A comunicação entre profissionais pode ser facilitada através da criação de textos de conceituação dos processos criativos de cada um e da troca dessas informações entre as partes. Muitas vezes os profissionais não podem se reunir constantemente para avaliação de seus projetos e tomadas de decisões. A disponibilização e a troca desses materiais contribuem para que a equipe criativa tenha uma idéia das constantes mudanças que ocorrem numa produção e, a partir daí, podem ir se ajustando dentro desses novos conceitos.

    Quando se fala em comunicação e troca de informações através de textos na atualidade não se pode deixar de comentar e, até mesmo indicar, a utilização das novas ferramentas de comunicação através da rede mundial de computadores: e-mails, listas de discussões, bancos de dados on-line etc. Essa tecnologia trouxe aos usuários uma enorme facilidade de comunicação em tempo real e encurtou as distâncias. É possível hoje, também, a troca de esboços, desenhos, simulações, vídeos, sons, enfim, uma infinidade de materiais de estudo dos elementos da cena e até mesmo da própria cena como um todo.

     

     

    Valmir Perez
    Lighting Designer
    Laboratório de Iluminação
    DAC/IA – Unicamp
    http://www.iar.unicamp.br/lab/luz
    (19) 35212444
    (19) 92229355

  • A importância da preparação de esboços visuais de efeitos, mudanças e nuances principais da iluminação nas cenas

    A maioria dos artistas realiza seus estudos e pesquisas paralela e concomitantemente à criação de esboços e rascunhos dessas idéias. No caso dos designers de iluminação, esse exercício é fundamental para o entendimento visual do que está sendo desenvolvido como idéia criativa, na reformulação de propostas que, porventura, não funcionem e também na troca de informações com os outros profissionais de criação.

    Os esboços podem conter desenhos esquemáticos das cenas, anotações de mudanças e comportamentos da luz, das cores, das formas, das áreas de incidência da luz, palavras-chave que remetem a possíveis conceitos expressivos, enfim, uma infinidade de signos e sinais que os artistas criam para delimitar e relembrar os processos e as idéias envolvidas na criação. Na fase de pesquisa, os esboços também podem conter referências históricas, ideográficas, visuais, sonoras e, muitas vezes, de cunho sentimental e emocional particulares.

                    É a partir desses esboços e outras informações que, posteriormente, os designers elaboram a construção de um universo particular de criação final. Para facilitar a releitura desses materiais, os designers podem optar pela construção de uma espécie de arquivo visual, de textos, de anotações, baseados em datas, locais etc. Isso é realizado e administrado de maneira bastante própria e, geralmente, acompanha o artista exatamente como o seu estilo. São também esses esboços que formam o conjunto de materiais que podem ser disponibilizados aos diretores, encenadores, coreógrafos etc., para que esses últimos acompanhem os desenvolvimentos dos projetos.

     

     

    Valmir Perez
    Lighting Designer
    Laboratório de Iluminação
    DAC/IA – Unicamp
    http://www.iar.unicamp.br/lab/luz
    (19) 35212444
    (19) 92229355

  • Novo livro sobre habitação social está disponível para download gratuito

    Já está disponível para download gratuito no site www.habitare.org.br o livro ´Habitação social nas metrópoles brasileiras: uma avaliação das políticas habitacionais em Belém, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo no final do século XX`. A obra faz parte da série Coleção Habitare, editada pelo Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare), da Financiadora de Estudos e Projet os (Finep), com apoio da Caixa Econômica Federal.

    A publicação traz o relato de pesquisas que permitiram a avaliação de políticas habitacionais nas seis regiões metropolitanas. Apoiados pelo Programa Habitare, os estudos foram desenvolvidos por uma rede de instituições e liderados pelo Observatório das Metrópoles, ligado ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ).

    Organizado em 16 capítulos, o livro contempla cenários gerais para cada região, assim como estudos específicos: o Programa Camaragibe, desenvolvido na periferia metropolitana do Recife; o Favela-Bairro, no Rio de Janeiro; as Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS), em Diadema, e os mutirões da Companhia do Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), em São Paulo. Avalia também a experiência dos conjuntos Paraíso dos Pássaros e Vila da Barca, na Região Metropolitana de Belém; do Residencial Asca e do Conjunto Granja Freiras III, em Belo Horizonte, e dos condomínios dos Anjos e Lupicínio Rodrigues, em Porto Alegre.

    De acordo com o organizador, professor Adauto Lúcio Cardoso, do IPPUR/UFRJ, os estudos mostram forte presença dos governos locais na construção da habitação de interesse social. Revelam também a importância crescente das organizações não-governamentais e do papel dos movimentos de moradia, assim como o considerável potencial técnico e político que vem sendo acumulado no desenvolvimento da construção habitacional. Os levantamentos indicam ainda importante capacidade de inovação, muitas vezes disseminada entre municípios vizinhos.

    Do ponto de vista técnico, os mapeamentos apontam melhoria nas técnicas e na qualidade do trabalho em mutirões, embora as avaliações reconheçam a permanência de problemas significativos. Em vários municípios foram também constatadas inovações em termos de gestão, com ampla participação da população. Permanece, no entanto, a carência de recursos destinados a combater o déficit habitacional brasileiro e o problema da gestão de regiões metropolitanas.

    O Plano de Divulgação do Programa Habitare, que vem permitindo a edição de diversas obras, tem apoio da Caixa Econômica Federal. O objetivo é divulgar os resultados do Programa de Tecnologia de Habitação entre públicos diversos. Visite a seção Publicações do site www.habitare.org.br e veja os livros já disponíveis para download.

    Mais informações:

    Adauto Lúcio Cardoso
    UFRJ – IPPUR
    (21) 2598 1929

     

    Fonte: Programa Habitare/Finep

     

    **No site da Habitare existem outros livros para download. Vale a pena conferir.