Categoria: Ética

  • Antes do designer, vem o Design.

    Como se já não bastasse toda a problemática que enfrentamos entre profissões – alguns profissionais de outras áreas são ardilosamente maldosos – e a desinformação geral, ainda temos de lidar com preconceitos dentro do próprio Design!

    É corriqueiro e comum no meio do Design preconceitos entre as áreas. Rola de tudo um pouco. É só olhar em qualquer fórum de Design e também nos das áreas.

    Toda piadinha, por mais inocente que seja, carrega em si um lastro de preconceito. Já as acusações vêm impregnadas do preconceito e uma absurda ignorância sobre o assunto.

    “Ah, ele partiu pra Produto porque não tem o dom da arte”, diz um gráfico.

    “Ah, ele foi pra Gráfico porque é péssimo em matemática” diz o de produto.

    “Ah, Interiores é coisa de patricinha ou de viadinho”, dizem muitos.

    São imensuráveis as piadinhas. No último NDesign ouvi muitas delas, especialmente sobre a minha área, Interiores.

    A não inserção de minha área na Regulamentação do Design tem muito a ver com isso.

    Basta de apartheid! Chega de guetinhos!

    O que ocorre é o seguinte: quando entramos para a faculdade pensamos que vamos encontrar um mundo maravilhoso, um universo infinito de possibilidades. Mas rapidamente percebemos que não é bem assim. Ou não, às vezes não nos damos conta de que as coisas não são bem assim. Somos forçados a acreditar que as coisas são exatamente como nos pintam.

    Por exemplo: numa universidade existem quatro cursos de Design: Produto, Moda, Gráfico e Interiores (Ambientes). Cada um tem o seu departamento, seus laboratórios, suas salas, seus professores (alguns compartilhados, mas em horários distintos), seus alunos, seus espaços.

    Muitas vezes percebemos que se trata de guetos que não se misturam nunca e/ou raramente algum maluco ousa interagir com outro grupo quando já é rapidamente repreendido seja lá de que maneira for.

    Não há interação, não há integração. Ficam todos fechados em seus mundinhos, observando e absorvendo apenas o que está em seu campo visual (aproximadamente 150° somando a visão central + a periférica) nos esquecendo dos 210° restantes.

    Não os culpo afinal, já foram condicionados a isso desde quando cursaram suas universidades. Na verdade o ser humano sempre é condicionado a isso, desde quando nasce:

    – Somos ricos, não se misture com “aquela gentinha” (pobres);

    – Aquele menino não é uma boa companhia para você;

    – A sociedade, que devemos participar, é apenas aquela à qual pertencemos;

    – Não devemos nos casar com outro de jugo desigual (igrejas);

    Entre outras incontáveis frases que ouvimos desde que nascemos que condicionam, normatizam e engessam o nosso desenvolvimento como seres humanos. Se ousarmos quebrar uma destas regras somos tirados como loucos, irresponsáveis, etc. Na verdade,

    https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ruN_LR60ZfQ

    A gente se acostuma numa vã ilusão de que seguindo estas regras seremos felizes… a gente se acostuma até mesmo a engolir e sofrer calados quando estas regras nos trazem tristeza, sofrimento e dor…

    Durante os cursos, a gente se acostuma a focar em nossa especialidade, a conviver com nossos colegas de curso, a pensar apenas em nossa área. Chegamos à faculdade e vamos direto para o nosso gueto. Se vamos à biblioteca buscamos as prateleiras de nossa área. Se encontrarmos com professores pelos corredores, só paramos para conversar com os de nosso curso. Na verdade só conhecemos estes. Só lemos revistas, livros, artigos, blogues, sites e toda forma de informação relativa à nossa área. Somos condicionados a isso. O sistema nos leva a isso.

    Pergunte a um professor: “o que é Design?”.

    Certamente ele irá começar um discurso teórico que rapidamente entrará em sua especialidade. Se ele for de produto, levará o discurso para esse lado.

    Interrompa-o. “Professor, eu perguntei o que é Design, não Design de Produto.” Tenho certeza que a maioria dos professores não conseguirá fazê-lo ou tentará algo que ficará genérico demais.

    A gente se acostuma a viver em nossos mundinhos, em nossos guetos, fechados em nossas conchas. E isso tem muito a ver com os profissionais no mercado também.

    Daí nascem essas piadinhas e comentários maldosos e errados sobre as áreas.

    Quando cheguei ao NJeitos, conversando com alguns encontristas e convidados ou ouvindo conversas paralelas, ouvi diversas vezes a frase  de que “interiores é coisa de patricinha ou viadinho”. Ficava quieto e apenas lançava: procure assistir a mesa redonda ou a palestra de amanhã sobre esta área. Acho que vai ser interessante para vocês.

    E o pessoal de gráfico que não aceita muito bem seus próprios colegas de curso que preferem trabalhar com ilustração? Porque não foram fazer artes plásticas então já que gostam tanto de desenhar?

    Mesmo diante de uma grade de conteúdos cobrindo uma imensidão de assuntos, percebe-se que o pessoal prefere informar-se apenas sobre a sua área. Muitos se tornam “achistas” sobre vários assuntos porque ouviram outros “achistas” dizer que é assim e aceitaram passivamente a desinformação como se fosse informação. Tornam-se achistas porque recebem uma informação e não vão pesquisar sobre o assunto para ver se confere com a realidade. Perguntam para um professor de Produto, o que é o curso de Interiores, por exemplo. Se este não tiver ligação com o curso de Interiores, certamente não conhece a especialidade para poder falar sobre com autoridade e acaba lançando ideias e teorias erradas.

    Professores também são assim. Vem direto para as aulas, quando tem um tempinho ficam na sala de professores de seu departamento/curso, não interagem – ou muito pouco – com professores de outros cursos. Muitos nem conhecem a maioria dos professores dos outros cursos além do visual.

    O de Grafico “acha” que sabe o que é Moda. O de Produto “acha” que sabe o que é Interfaces. O de Moda “acha” que sabe o que é Interiores. E o ciclo segue: a desinformação vai imperando.

    As associações segmentadas também contribuem alimentando esse tipo de desinformação e apartheid. Elas até conversam entre si, mas não – ou pouco – cooperam umas com as outras.

    E as coisas não devem, não podem continuar assim.

    Essa linha de pensamento afeta o mercado onde profissionais se digladiam e não se entendem. Isso está afetando até mesmo o processo de regulamentação profissional em trâmite no Congresso Nacional.

    Temos de ter em mente que:

    Antes do designer (especialidade), vem o Design (área).

    Não podemos e nem devemos manter ou alimentar estes guetinhos como se fossem coisas absolutamente distintas, não misturáveis, não integráveis ou integrantes da mesma raiz: o Design.

    Um exemplo rápido: o pessoal de Moda quando faz um desfile, não busca conversar com o pessoal de Interiores/Ambientes para que estes desenvolvam a cenografia de seus desfiles ou produções de catálogos e editoriais. E as salas de aulas são ali, uma ao lado da outra. Mas ficam isolados em seus mundinhos.

    Não podemos nos esquecer de que a base de todas as especialidades é a mesma: o Design.

    Pregam que o Design é multidisciplinar, mas na pratica não vemos isso acontecer de maneira efetiva. Produto pega parte de Gráfico apenas no que lhe interessa. Interiores pega parte de Moda apenas no que lhe interessa. E não há uma busca real de integração, interação, complementação, cooperação. O que temos é apenas um aproveitamento de conhecimentos.

    Prefiro afirmar que o Design é trans ou até “megadisciplinar”. Ele não é apenas multidisciplinar. Ele passeia e dialoga por praticamente todas as áreas do conhecimento que seus conteúdos abrangem.

    Portanto, entes de sermos designers, temos de ter em mente que temos uma raiz em comum: o Design.

    Então, não leiam e pesquisem apenas sobre a sua especialidade.

    Professores, não falem sobre outra especialidade se não tem autoridade sobre o assunto. Não fechem as possibilidades de seus alunos apenas na sua especialidade. Não limitem os TCCs ou TFGs à especialidade.

    Alunos, interajam com alunos de outros cursos, busquem formas de integração, cooperação. Ampliem seus conhecimentos.

    Porque não uma associação nacional que agregue todas as áreas do Design? Seria muito mais forte, teria muito mais peso e, consequentemente, mais facilidade de trânsito e visibilidade que as segmentadas.

    Somos muito mais do que nos condicionam e nos acostumamos a pensar.

    O NJeitos foi um excelente exemplo disso. Apesar das piadas paralelas, a integração entre especialidades foi excelente e engrandeceu o Design e a compreensão sobre o Design.

    Quem não é da área e assistiu ao Dedo de Prosa ou à minha palestra sobre Design de Interiores/Ambientes saiu com uma visão diferente da que tinha sobre a mesma. Conseguiu compreender – além do porque é sim Design – como é importante e integração e cooperação entre as áreas. E assim foicom as outras atividades. Isso ficou bastante claro nos dois últimos dias nas conversas que tive com o pessoal e pude perceber a alteração positiva de pensamento sobre a área pelo pessoal de outras áreas.

    Viemos do Design, e ele é muito maior que as especialidades.

  • Design de Ambientes – isso também é Design.

    É bastante comum a confusão entre o que é arquiteto, decorador, designer de interiores e designer de ambientes. Pela pouca produção teórica específica na área que mostra-se incipiente e também por poucos profissionais dispensarem alguns momentos para pensar a profissão por estarem sempre enfiados em projetos e mais projetos, vivemos em meio a este turbilhão de desinformação. Precisamos pensar a nossa profissão de maneira coerente, séria e ética. É isso que proponho com este texto.

    Há anos cobramos da ABD uma definição que, pelas praticas desta associação, constata-se uma forte resistência a esta definição correta. Buscam então impor a desinformação, sem qualquer possibilidade de diálogo.

    Já escrevi em meu blog “Design: Ações e Críticas” sobre as diferenças básicas neste post e também neste outro. Mas vou ser mais profundo, crítico e prático sobre o assunto.

    Atenção: Nem de longe pretendo aqui desmerecer ou desqualificar a arquitetura, que fique muito claro isso. Quem entender assim o fará por pura deturpação de meu texto, baseado em sua visão corporativista. Então muito cuidado com a interpretação do conteúdo deste texto. Vale lembrar que:

    “Eu sou responsável pelo que escrevo, penso e falo. Nunca pelo que você entende de maneira distorcida”.

    Existe um ditado no meio profissional que afirma:

    “Todo arquiteto é designer e nenhum designer é arquiteto”.

    Calma lá, as coisas não são bem assim. Não podemos admitir que “todo arquiteto é designer” de forma leviana como vem sendo pregado. As coisas não são bem assim. Então vamos colocar os pingos nos “Is”.

    Essa linha de raciocínio vem dos catedráticos que impõem leis por eles ditadas ou replicadas como se fossem verdades absolutas e que ninguém, nunca, deve ousar questioná-las. Porque é Vitruvius (sem bem que este coitado é mais distorcido que Marx nas interpretações e releituras), Gropius ou qualquer outro “deus” da arquitetura, é inadmissível refutar e muito menos ousar tentar derrubar qualquer uma de suas teorias. Teorias estas que são repassadas de geração em geração da mesma forma como um cabresto. Devemos aceitar que nos enfiem goela abaixo, mesmo que forçado, tudo isso sem questionar absolutamente nada. Porém vale lembrar que eles são meros humanos, pensantes, como eu, você e qualquer outro. Não foram, não são e tampouco serão deuses. As praticas, formas de pensar deles relacionam-se com o seu momento, o seu tempo, o seu contexto histórico, com as suas necessidades. Se vivessem hoje, teriam certamente outra forma de pensar. E nas academias, de um modo geral, teorias não devem ser contestadas.

    O equivoco hermenêutico é desconsiderar o tempo e o espaço em que se insere um determinado autor. Só há espaço para pensar o novo se for relacionado a tecnologias.

    Em primeiro lugar, a academia de arquitetura e os profissionais devem parar de colocar que tudo, desde a criação é arquitetura. Isso é uma mentira debochada e leviana. Ah, o homem de neanderthal, numa caçada encontra-se repentinamente em meio a uma tempestade e não tem onde abrigar-se. Pega então três galhos, joga umas folhas por cima e voilá: é arquitetura!

    Não mesmo. É uma barraca e arquitetos não projetam barracas nesse sentido. Isso é produto. Arquitetura é fixa, é estrutura, é construção. Não a carregamos nas costas para onde vamos.

    Portanto, nem todo arquiteto é designer. Alguns – muito poucos – podem vir a serem sim. Mas apenas por receber seu diploma de arquitetura não. Nenhum arquiteto sai da universidade como designer, com conhecimentos específicos sobre a área que o enquadrem como Designer. Ter tido em sua matriz curricular disciplinas como História do Design ou desenho e detalhamento de móveis não o tornam designers. Design é tão complexo em sua especificidade quanto a arquitetura, tanto que os cursos são tão longos quanto os de arquitetura. Apenas aqueles que buscam especializar-se e atuar especificamente com Design podem ser reconhecidos como tal. O restante, são arquitetos.

    Em segundo lugar, ainda corroborando o parágrafo acima e apenas para lançar um breve exemplo disso, o desenho e detalhamento de móveis ensinado nas faculdades de arquitetura nem de longe se aproxima da mesma disciplina ensinada nos cursos de Design. Na arquitetura ficam basicamente na forma, função e estética (não necessariamente nessa ordem). Os desenhos são geralmente um esboço do que foi idealizado. As soluções técnicas construtivas ficam a cargo dos marceneiros que definirão e solucionarão a resistência dos materiais, ferragens (pregos, parafusos, dobradiças, corrediças, etc), processos de montagem. Nenhum arquiteto sai da universidade consciente do que é um desenho industrial e capaz de fazê-lo de tal maneira que possa ser inserido na central de controle de uma linha de produção para que o produto saia na última máquina pronto, sem falhas ou interrupções. Nem mesmo os ciclos do processo produtivo e de vida do produto são ensinados. Portanto, não é Design.

    Os arquitetos de formação são na verdade arquitetos-decoradores, nunca arquitetos designers de interiores por estas e várias outras situações que poderia elencar neste post. Mas ainda vale lembrar que sim, Decoração nasceu dentro da arquitetura, mas em seu início não era feita por arquitetos. Ou será que o primeiro neanderthal que resolveu usar uma caverna como abrigo ocupando seus espaços tinha feito uma faculdade de arquitetura? Sabemos piamente que não. Então porque este processo não pode também ser admitido como o princípio do Design de Ambientes? Porque não se pode questionar isso? Devemos nos lembrar também que dos primeiros arquitetos reais até bem pouco tempo atrás, eles cuidavam da estrutura, da edificação, da construção, de seu impacto no entorno, das cidades. A parte interna, decorativa, geralmente era feita por pessoas de bom gosto. Os mobiliários, projetados e confeccionados por marceneiros (artesãos). E nenhum deles eram arquitetos.

    Mas prefiro aproveitar o espaço do presente texto para esclarecer corretamente porque Design de Ambientes tem sua raiz no Design e não na Arquitetura.

    Como não temos a intenção de projetar e tampouco construir edificações e tampouco este é o nosso foco, não temos o menor interesse em sermos reconhecidos como arquitetos. Portanto, não cabe a acusação de que tentamos invadir a arquitetura.

    Já a idéia de que Design de Interiores (doravante, Designer de Ambientes ou Design de Ambientes) é uma “evolução” da decoração – inclusive a ABD prega isso como regra – precisa ser desmentida pois trata-se de uma falácia maldosa e sem sustentação teórica alguma.

    Nem de longe aqueles antigos cursos de curta duração (poucos dias) tem algo a ver com Design de Ambientes. Na verdade, a Decoração é apenas uma pequena parte dentro do Design de Ambientes e da Arquitetura. Como já expliquei aqui em meu blog, Decoração é o ato de coordenar panejamentos, revestimentos e acessórios com a intenção de embelezar os interiores. Não deve ser negado o fato de que estes cursos antigos eram freqüentados essencialmente por madames que buscavam conhecimentos para melhorar esteticamente as suas próprias residências ou para ocupar o seu tempo ocioso. Poucos estudavam para aprender uma nova profissão e trilhar este caminho. Tanto que os decoradores – e nós também – sofrem até hoje com o estigma de que “isso é coisa de madame que não sabe o que fazer na sua vida” ou “isso é meramente um hobby e não uma profissão”.

    Também devo ressaltar a questão da especificação: decoradores especificam móveis prontos e no máximo lançam escopos de algo mais personalizado, mas não fazem a menor idéia de como desenvolver o projeto de um móvel e desconhecem os processos envolvidos. Sempre são peças únicas e/ou adaptadas de outros projetos. Outros detalhes que deixam claro essa diferença: nos cursos de decoração não eram ensinados projetos hidráulicos, elétricos, sistemas prediais, ergonomia, segurança entre vários outros elementos que a Arquitetura e o Design de Ambientes utilizam em seus projetos. Também vale ressaltar que o processo projetual na Decoração coloca a estética/estilo/bem-estar antes de elementos muito mais importantes como os estudos de levantamento, detecção e soluções para o problema, função, formas e meios de produção entre outros.

    Portanto não, Decoração não é o mesmo que Design de Ambientes. É apenas uma pequena parte dele e da Arquitetura.

    Chegamos finalmente ao Design de Ambientes.

    Eu me recuso a utilizar o termo Interiores e uso Ambientes. Explico o porquê:

    O termo “Interiores” vem do nascimento desta profissão e que, infelizmente, foi elaborada e pensada nas universidades essencialmente por arquitetos. Especialmente aqui no Brasil. poucos foram os designers – das diversas áreas – que tiveram acesso a esse processo de pensar a profissão. Tanto é verdade que até hoje a maioria dos docentes dos cursos são arquitetos, incluindo disciplinas específicas em Design onde, também a maioria, não tem qualquer especialização ou conhecimentos específicos no assunto. Isso atrapalha e engessa desde o pensar até a definição e evolução para chegar à informação correta, à acreditação e visibilidade da profissão. Muitos debocham de seus alunos com relação à escolha da profissão denegrindo-a. Outros tantos estão ali não por amor à educação mais por interesses pecuniários do que propriamente reconhecer o valor do profissional que está sendo formado dentro de um currículo. Estão distantes do que propõe a proposta curricular do curso onde são docentes.

    Longe de desmerecer a atuação docente dos arquitetos dentro dos cursos de Design de Interiores/Ambientes, o correto, coerente e ético é que eles permaneçam no corpo docente, mas apenas em disciplinas de sua alçada: sistemas prediais, sistemas estruturais, desenho arquitetônico, história da arquitetura, restauração, etc. Deixando a parte relativa ao Design, com docentes da área do Design. Até mesmo iluminação é interessante deixar nas mãos de um designer afinal, já tem especialistas no assunto no mercado.

    Isso também tem a ver com as distorções detectadas em praticamente todos os cursos de Design de Interiores e a própria nomenclatura que leva-me a acreditar que essa escolha foi proposital. É comum alunos ouvirem de seus professores arquitetos que o curso é de “interiores”, portanto nada que estiver para fora das quatro paredes (exterior) podemos mexer.

    Se um cliente contrata um designer e o ambiente é composto por um living com uma varanda anexa, insistem que o designer não pode atuar na varanda por ser um ambiente externo. No entanto não reclamam de um artista plástico faz uma intervenção numa fachada.

    Incoerente isso.

    Esse tipo de atitude levanta muralhas psicológicas no acadêmico que permanecerão durante sua vida profissional cerceando a sua capacidade criativa e conseqüente produção. E são impostas como leis irrefutáveis.

    Outro ponto importante é que os arquitetos lidam essencialmente com arquitetura e tem seu foco mercadológico nessa área. Com isso, as disciplinas de projetos ficam na maioria das vezes focadas apenas em interiores residenciais e comerciais. Esquecem-se, no entanto, que existem muitos outros segmentos em que o designer de ambientes pode e deve atuar. Na verdade reafirmam veementemente que a atuação resume-se aos projetos de interiores. Percebe-se claramente que a exigência na elaboração dos projetos impõe tendências, peças de design assinado ou os clássicos em suma, um arranjo de coisas prontas, bonitas e organizadas que são mais decoração que design.

    Afirmo isso pois é inadmissível um paradigma que enjaula e engessa todo o conhecimento de um designer de ambientes – seja por corporativismo ou qual motivo for – entre quatro paredes permaneça intocável, como se fosse um baluarte santificado.

    Se aprendemos a projetar um banco para uma residência, porque não podemos projetá-lo para uma praça? Se aprendemos paisagismo, porque aprisionar o nosso conhecimento em jardins de inverno ou vasos no interior? Só porque o nome do curso é Interiores?

    Creio que seja por causa do desconhecimento que estes tem sobre o que é DESIGN. Muitos acham que sabem o que é Design quando na verdade tem apenas uma vaga idéia, e bastante distorcida. E vemos constantemente na mídia provas disso. Outros tantos o fazem pela visão errada de que estamos invadindo áreas o que também é uma falácia em que acreditam. Se formos por esse caminho, arquitetos invadem a área da engenharia civil e aí como fica?

    Podem também alegar os Designers de Produto que estamos invadindo a área deles? Sim em partes, pois o projeto de um móvel feito por um profissional de produto tem um estilo seriado e industrial ou seja, comercial. O de ambientes faz o mesmo projeto de produto, porém consegue captar necessidades, peculiaridades e personalidade das pessoas e adaptá-las na seriação de maneira que possa ser também vendável e rentável respeitando igualmente todo o ciclo de produção e vida do produto final. E não, afinal nossa raiz é a mesma: o Design.

    Não somos e tampouco queremos invadir. Nosso foco é outro completamente diferente.

    Porém não podemos deixar de contribuir, somar.

    Na verdade esta é a meta de todas as profissões: contribuir para a construção de um mundo melhor, mais justo, mais seguro, mais humano, mais viável, mais prático, mais belo, mais ético. E nenhuma, absolutamente nenhuma profissão é capaz de realizar isso sozinha. Todas dependem direta ou indiretamente umas das outras.

    E o Design está em tudo, em todos os lugares, em todas as áreas e tem muito a contribuir com todas as outras profissões e a sociedade. E estamos aqui exatamente para isso.

    E, antes de sermos designers de ambientes, devemos nos lembrar que nossa raiz está no Design.

    Portanto, passemos a utilizar a nomenclatura mais adequada: Design de Ambientes como profissão; designer de ambientes como profissional.

  • A “bendita” e mal intencionada reserva de mercado

    Fico muito feliz que minhas duas últimas colunas na Lume Arquitetura estejam dando um verdadeiro chacoalhão no mercado.

    A primeira direcionada aos profissionais. A segunda à industria, fornecedores e lojistas.

    Sim, atingi meu objetivo. Estou recebendo muitos elogios, mas também críticas. Ótimo sinal de que fui certeiro nos problemas e, como nao tenho o rabo preso com ninguém, falo o que quiser.

    Porém, os que me criticam deixam claro que concordam com as práticas espúrias que prostituem o mercado e não estão interessados na construção da profissão. Destes, nós profissionais sérios e comprometidos, definitivamente, não precisamos. O mercado nao precisa de gente assim maculando a profissão.

    Na última edição saiu uma entrevista com o presidente da AsBAI no mínimo, nojenta. Sob um falso discurso de renovação, novos ares, novos caminhos, percebi que nada mudou, continuam com a mesma cabeça oca de sempre. Só que agora estão agindo nos bastidores (sim sei dos passos que estão trilhando nos bastidores) e me levou a fazer o post AsBAI e reserva ilegal de mercado.

    Diante disso exposto, muitos profissionais revoltaram-se com a situação e intenções desta associação. Tanto que a Malu Junqueira soltou na sequencia outro texto também bastante ácido e sério sobre a situação.
    Transcrevo-o abaixo. Volto ao final:

    A “bendita” e mal intencionada reserva de mercado

    Fazendo um contraponto ao dito de meu colega lighting designer e designer de interiores, Paulo Oliveira, coloco também meu ponto de vista. Em relação a matéria da revista renomada e séria, Lume Arquitetura, com conteúdo de uma entrevista ao recém-empossado presidente da AsBAI, o jovem Rafael Leão, concordo plenamente com o colega Paulo. Rafael não tem vivência suficiente para poder colocar todas as suas prerrogativas como sendo a verdade absoluta. Como já disse em outras ocasiões, não existem verdades, mas sim versões. E, Deus só existe um, o onipotente.

    Acredito até que ele tenha boa vontade e ótimas ideias, mas em pleno século vinte e um, não podemos admitir que ainda pudesse existir discriminação, seja ela racial, religiosa ou mesmo profissional. E é o que acontece com a AsBAI. Os outros profissionais não aceitos em seu quadro, mesmo sendo arquitetos, se sentem rejeitados e discriminados por não compactuarem com seus modos de pensar; e com isso se colocam à margem vendo a banda errada passar.

    Os dirigentes de associações voltadas para a iluminação também não aceitam e nem concordam com seus estatutos. Está se formando uma associação protecionista apenas para quem reza em sua cartilha. O que fazer com esses profissionais que de uma forma ou outra são reconhecidos? Pelas escolas, pelos alunos, pelos leitores e por dirigentes sérios de um profissionalismo exemplar? Se temos respeitadíssimas pessoas em nosso mercado de trabalho (o da iluminação) que até são convidadas para participar de evento internacional em solo nacional, o Rio +20 e membro de associação abalizada e que faz restrição aos estatutos dessa “mandona” entidade, por que os “manda – chuvas” querem por força serem melhores? Não seria de bom tom e melhor convivência não impor regras e deixar o mercado ser algoz?

    Se nós “os pequenos” que fomos aceitos pelo mercado de trabalho, pelos nossos clientes e fomos não só analisados, mas fomos agraciados com prêmios pelos nossos trabalhos executados, não basta?

    Será que os novatos sofreram lavagem cerebral? Será que o tempo dos coronelismos não vai acabar nunca? Eu mando e você obedece? Isso é inadmissível…

    Essa sociedade brutal precisa acabar, pois o sol nasceu para todos; por certo que a sombra só para meia dúzia, mas espaço há para todos e que se sobressaia o melhor. A competição é salutar! Ou será que essa imposição absurda reflete certo temor em perder o poder? O que neste século, nosso papel, é, de na corrida da vida mostrar que podemos e devemos ser melhores pessoas para que com nosso exemplo, possamos inspirar novas gerações com o livre arbítrio de pensar e agir. Pelo menos temos que tentar.

    Fiz parte dessa associação (discriminadora) por um curto espaço de tempo, e deliberadamente resolvi sair, por me sentir aviltada por tentar ajudar e não ser aceita. Já que na área da iluminação era discriminada, tentei ajudar na área jurídica. Também sou bacharel em direito. Não fui levada a sério.

    Então lutemos com as armas que temos e vamos em frente. Quem sabe possamos deixar este grito para o futuro.”

    Diante da divulgação de meu texto e depois deste da Malu, surgiu um forte movimento de indignação de profissionais que atuam na área da iluminação.

    Comprometimento é a palavra e defesa a regra.

    Vale salientar que não falamos de pessoas e sim da instituição e suas artimanhas. Esse recado vai para a ABD também. Estão no mesmo barco que a AsBAI, tramam as mesmas sujeiras nos bastidores sob a lápide da ética.

    Mas que ética se nem mesmo seus diretores, membros cumprem um simples código de ética ditado e imposto por eles mesmos?

    Em breve terei mais notícias muito boas para vocês que não posso compartilhar por hora, mas os reinadinhos baseados em apartheids e reservas ilegais de mercado irão desmoronar.

    E a ação já começou!!!

  • N Jeitos – Ô trem bão!!!

    É, o NDesign em BH foi um evento daqueles que nos fazem pensar “Ô trem bão sô”!!!!

    Foi tão bão, mas tão bão que ninguém queria que acabasse…

    Foi tão bão, mas tão bão que ouvi de alguns organizadores dos próximos eventos que o NJeitos complicou a vida deles pois vão ter de trabalhar muito para ao menos igualar o nível do evento.

    No Open Space (atividade em grupos para pensar os próximos eventos), antes da plenária final, decidi participar para aproveitar e colocar mais atenção sobre a nossa área, Interiores/Ambientes, nos próximos eventos.

    Acabei falando antes da plenária final, parabenizando-os e incitando (energizando) todos os presentes. Pena que eu não tinha conhecimento deste vídeo, senão teria pedido para passar antes do encerramento:

    The Wayseer Manifesto – Visionarios do Caminho (Legendado)
    watch?v=hlSX3e6Kbx0&feature=player_embedded

    Tem tudo a ver com o espírito do evento, dos participantes e dos Designers!!!

    Então propus aos presentes o seguinte desafio daqui para a frente:
    “Antes do designer, vem o DESIGN.”

    Para os próximos eventos dei a idéia de que no primeiro dia, as primeiras atividades não foquem em nenhuma área específica e sim, apenas no DESIGN. Que seja apenas uma palestra, mesa redonda, bate papo onde o “apartheid”, a segregação não estejam presentes. Derrubar os preconceitos entre áreas já de início. Após “abrir a mente” dos participantes, parte-se para as especificidaders.

    Antes de eu ser designer de ambientes, a minha raiz, base, estrutura está no DESIGN. Uma idéia para quebrar barreiras, derrubar paradigmas, eliminar os guetos profissionais e dos departamentos…

    Se você é de produto, não interaja apenas com o pessoal do seu curso, não leia apenas sobre produtos, não produza apenas sobre produtos, não pense apenas em produtos. Isso é um paradigma imposto pelo sistema que precisa ser questionado até ser derrubado.

    Promovam a interação entre os departamentos de design nas universidades estudando como um segmento pode contribuir, colaborar, somar com os outros.

    Ampliar a mente, expandir a visão e o foco. Somos multi, pluri, trans e megadisciplinares.

    E nunca pedir informação sobre ambientes para um gráfico. Faça isso diretamente a um de ambientes.

    O N Jeitos trouxe uma nova forma de ver o Design, várias atividades foram multifacetadas (inter-áreas). Não deixem isso morrer.

    Como falei no encerramento, o nome “N Jeitos” foi uma sacada genial da organização. Já derrubaram inúmeras barreiras só através do nome escolhido.

    Também elogiei o pessoal que está organizando o RDesign de Curitiba (acho que em outubro próximo): 360°.

    É isso, abram suas mentes, ampliem seu mundo, nosso campo visual é em média de 150° e com isso, deixamos de perceber o restante que fica escondido nos 210°.

    Me esqueci de falar na hora mas tinha um grupo bem na minha frente e o nome do R é bem isso: Revolução!!!

    Revolucionem, não se contentem, não aceitem pacificamente tudo que lhes é imposto. Que a partir do N Jeitos, esse pensamento de inovação, inquietação, indignação, inspiração, integração esteja presente não só nas organizações dos próximos eventos mas, principalmente, na cabeça de todos.

    Como falei, estou a disposição de todos para auxiliar, indicar, propor, participar enfim, ajuda-los a construir os proximos eventos. É só entrar em contato que terei o maior prazer em ajuda-los.

    Afinal, somos parte dos “Visionários do Caminho”!!!

    Valeu pessoal!!!

  • DESIGN E CULTURA ou A (DES)CULTURA do DESIGN

    Por Renata Rubim*

    Ao ler “design e cultura”, o que ocorre na sua mente, que pensamento vem?

    A minha experiência me mostra que ainda se confunde bastante design com glamour, sofisticação e, quem sabe, com o desnecessário, o inútil.

    Mas design no seu sentido mais intrínseco é justamente o contrário disso, design é simples, básico e completamente necessário. Design está em tudo que nos rodeia desde que acordamos até quando adormecemos. Ninguém vive separado do design. O nosso cotidiano é feito e permeado de design. Design, design, design.

    Mas e cultura? O tema cultura tem a mesma importância que o tema design. Um não existe sem o outro. Não há designer inculto. O inculto não será designer porque ele não terá ferramentas essenciais para desempenhar e desenvolver seu trabalho. A cultura é o alimento do designer. E design é, por sua vez, cultura.

    Fico constantemente abismada ao constatar que pouquíssimo dos nossos intelectuais tem ideia da abrangência do design. Ao listar áreas culturais serão certamente mencionadas a literatura, as artes visuais, o cinema, o teatro e talvez alguma outra expressão como HQ (História em Quadrinhos), quem sabe.

    Outro aspecto que me chama a atenção é o foco usado pela mídia. Foco esse, muitas vezes, distorcido que a mídia em geral tem do design. Se quisermos ler sobre design nos jornais diários ou em revistas semanais, será quase impossível achar algum artigo, reportagem ou matéria fora das páginas e cadernos de decoração ou moda. Muito raramente aparece alguma referência na parte de economia. Impressiona-me que hoje, século XXI, quando estamos imersos num cotidiano permeado de design, não seja dado ao assunto o seu devido valor.

    Mas não é assim em outros países e não tem que ser aqui. O meu principal argumento é que se cada um de nós tiver um pensamento humanitário, naturalmente se lembrará do design voltado à medicina, o design voltado às necessidades e carências essenciais, ao meio ambiente, etc. Não se pode desligar uma área de sua cultura original. Um exemplo claro é o da medicina chinesa, ligada à cultura e à filosofia da China.

    Kenji Ekuan, um dos mais respeitados designers japoneses, criador da célebre garrafinha do molho de shoyu que todos conhecemos, é um estudioso do budismo. É interessante se olhar com mais profundidade para isso, que pode parecer um paradoxo. Afinal, o budismo é principalmente uma filosofia de vida onde a matéria é
    conseqüência de uma série de ações imateriais. Bem, mas Kenji respeita os produtos como se vivos fossem. Não pela sua aparência ou pelo possível luxo, mas pelo que está neles embutido: o processo. Em respeito ao conhecimento e à bagagem que cada componente desse longo e delicado processo possui. Desde o homem rural até o consumidor final, que elege e adquire algo relacionado com a cultura que o rodeia.

    Cultura e design andam de mãos dadas. Dançam juntos. São interlocutores, portanto, indissociáveis. Fazer design é se envolver com as diferentes etapas do processo, (início, meio e fim), começando pelas pontas. Falando simplesmente: numa ponta está aquele que investe ou produz e na outra ponta aquele que adquire o resultado final. Mas essa, como todas as linhas, é composta de pontinhos, todos básicos para a sua formação.

    Um designer envolvido seriamente com o seu ofício tem interesse em áreas diferentes do repertório cultural, ambiental e social porque se o seu projeto estiver bem inserido na comunidade, significa que há diálogo e interação entre ele e o usuário.

    Sendo assim, quem faz design, faz parte de uma sociedade tanto quanto quem faz economia, medicina ou jornalismo. É um integrante de uma determinada cultura ou grupo de pessoas e ocupa um lugar de importância igual, nem maior, nem menor. Nem acima, nem abaixo. Mas, ao lado. Junto.

    Pensar design é participar e formar comunidades mais receptivas, adequadas e equilibradas. Por isso, nós designers, temos interesse especial que a comunidade em que estamos saiba o que é design no seu sentido mais amplo. Que quando todos pensarmos design (design thinking), entendermos suas inúmeras possibilidades (design de serviços, por exemplo) e olharmos para as necessidades básicas das pessoas (idosos, deficientes, crianças, carentes, adictos) teremos uma sociedade bem mais humana e bem mais inteligente.

    *Renata Rubim
    Designer de superfícies e consultora de cores. Colabora com a difusão do design em projetos industriais e educativos. Em palestras e workshops pelo Brasil e América Latina compartilha conhecimento adquirido ao freqüentar a Rhode Island School of Design, Providence, USA, com bolsa Fulbright. Escreveu “Desenhando a Superfície”, Ed. Rosari, SP, primeiro no Brasil sobre o tema. Seu escritório atende a clientes de diferentes segmentos. Recebeu os prêmios Bornancini 2008 e Idea/Brasil 2009, com parcerias. Participou da Bienal Brasileira de Design 2010 e da Cowparade Porto Alegre.

  • AsBAI e reserva ilegal de mercado

    Em meu artigo final da pós em iluminação, um dos assuntos que retratei foi a insistente tentativa de fechamento da área de LD para arquitetos. Na verdade trata-se de uma reserva de mercado ilegal perante o Código Civil e antiética com o mercado. Porém não imaginava na época que o caso estava tão sério e grave. Pena que eu não tinha conhecimento destes novos passos pois teria sido muito mais ácido em meu artigo. Agora, conhecendo-os faço questão de publicar na íntegra em todos os cantos possíveis e imaginaveis o meu artigo¹.

    Em meio a tantos discursos alienados e corporativistas de alguns ex-diretores, percebo que a “nova geração” continua com a mesma cabeça oca, com os mesmos pensamentos idiotizados baseados numa lógica corbusiana insustentável para os dias atuais.

    Rafael Leão – da “nova geração” – assumiu a presidência em Janeiro/2012. Sob o discurso de renovação e revisão de alguns pontos fundamentais dentro da associação percebe-se que o principal ponto que deveria ser revisto continua na mesma: a reserva ilegal de mercado para arquitetos.

    Em sua entrevista à revista Lume Arquitetura (edição atual), Rafael reafirma tudo o que já foi dito pelas diretorias anteriores. É o mesmo blábláblá de sempre sem qualquer fundamentação teórica consistente. Baseiam-se em meros achismos, suposições e, principalmente, em corporativismos demonstrando que esta associação está muito aquém do que o mercado realmente necessita e merece, especialmente no quesito seriedade bem como desconhece completamente a formação acadêmico/prática de outros profissionais que atuam no segumento.

    Apesar de insistirem no discurso de que seguem os padrões do PLDA e do IES, percebe-se que essa insistente tentativa de fechar o mercado desmente claramente isso.

    Segundo ele,

     “(…) a associação é democrática(…) Os interesses da associação são os mesmos dos profissionais de iluminação e não apenas de seus fundadores.”

    Mentira descarada! Conheço vários profissionais – inclusive arquitetos – que não concordam com determinadas posturas da AsBAI e preferem manter-se distantes. Não concordam com a reserva de mercado, não concordam com o discurso ufanista, e não conseguem um canal de comunicação decente com a associação.

    Na própria entrevista ele coloca sobre cursos e palestras em faculdades de arquitetura. Porque não estender também às faculdades de Design de Interiores/Ambientes, engenharia e outros mais? Aliás, porque aceitar desenhistas industriais e não aceitar designers de interiores/ambientes, o pessoal da cênica entre tantos outros profissionais de outras áreas que trabalham tão bem – ou até melhor que muitos membros – com a luz?

    Ele alega que a regulamentação profissional do LD é algo muito complexo e desnecessário. Claro! Afinal na sequencia ele coloca que já estão em contato com o CAU, pois é de extrema importância que profissão de “arquitetura de iluminação” seja formalmente reconhecida por este conselho e venha a fazer parte do Colégio Brasileiro de Arquitetos.

    Isso só confirma o seguinte: eles sabem que num Projeto de Lei (PL) de regulamentação profissional no Congresso Nacional (CN), a tentativa estúpida de fechamento do mercado (reserva ilegal de mercado) para os arquitetos será o motivo claro para que o CN rejeite o projeto ao perceber que muitos outros profissionais, não arquitetos, e que desenvolvem projetos até melhores que a maioria dos membros e associados da AsBAI ficarão de fora e não mais poderão atuar. As comissões do CN irão rejeitar de pronto isso e nem mesmo o lobby² que os arquitetos tem lá dentro serão capazes de superar isso. E, caso o lobby vença, irá acontecer o mesmo que aconteceu com o CAU: o Gabinete da Presidência não irá sancionar e o projeto terá de refazer todo o trajeto com as alterações especificadas, especialmente a inclusão de outros profissionais. Então é preferível ir pelos bastidores na tentativa desse ato estúpido e desrespeitoso não só com os diversos profissionais, mas especialmente com o mercado.

    Eles tentam fazer isso porém, ele mesmo (e outros diretores e membros) afirma que em sua formação em arquitetura não houve um conhecimento aprofundado na área de iluminação – como em qualquer outro curso de arquitetura – e assume que teve de pesquisar por fora depois de formado para entender mais sobre iluminação.

    Também não posso deixar de citar que a exigência de mestrado ou doutorado ligados à arquitetura é algo idiotizado já que é sabido que estas duas pós-graduações são destinadas àqueles profissionais que visam atuar no meio acadêmico e não no mercado. Para o mercado as especializações e MBAs são mais que suficientes e eficientes que os mestrados e doutorados por serem mais práticos e não excessivamente teóricos. É apenas mais uma fundamentação ridícula na tentativa de reservar o mercado já que também é sabido que dificilmente um Designer de Interiores/Ambientes ou alguém vindo da área Cênica consegue entrar num mestrado ou Doutorado em arquitetura, ao menos aqui no Brasil estupidamente corporativista e melindroso.

    Outro ponto interessante na entrevista é que ele prega que os profissionais ligados à AsBAI são livres de conflitos de interesse (ligação direta com a indústria) porém não é bem isso que tenho visto. São vários os membros desta associação que estão descaradamente ligados a uma ou outra indústria, fato que retrato em minha mais recente coluna da revista Lume Arquitetura.

    Sou associado AsBAI desde 2005. Recebi minha carta de aprovação de associação no dia de minha formatura no curso de Design de Interiores (não me esqueço dessa data). De lá para cá se recebi cinco e-mails desta associação até hoje foi muito. E, pelo que me lembro, foram apenas relativos à anuidade.  Nesse tempo houve um recadastramento dos associados. Não recebi qualquer notificação relativa a isso. Mas recebi sim uma cobrança pelo atraso do pagamento de uma parcela da anuidade da qual eu não tinha recebido o referido boleto. Entrei em contato para resolver a situação e descobri sobre o recadastramento e que o mesmo já tinha terminado o prazo. Solicitei então como fazê-lo e houve uma lacuna de mais de 3 meses para solução. Ao tentar fazer meu recadastramento, vários erros de sistema ocorreram e não consegui efetua-lo e tive de fazê-lo por e-mail (tenho todas as provas aqui em meu back-up).

    Hoje, ao observar o site “remodelado e renovado” percebi que fui rebaixado a mero assinante e que meu cadastro consta como região sudeste!!! Mas o pior foi observar os tais aspirantes, e perceber vários profissionais com menos de 1 ano de mercado (nem deu tempo de fazer uma especialização após a formatura), muitos outros com até 3 anos de mercado, 5 anos de mercado…

    E eu, um mero assinante… WOW!!!!!

    Não há qualquer diálogo ou seriedade por parte da AsBAI com seus associados que pagam a anuidade.

    É difícil acreditar numa associação que age nos bastidores visando apenas o benefício próprio e de poucos profissionais. Mais difícil ainda acreditar quando percebemos que suas ações são meramente teatrais na fachada, mas essencialmente danosas e antiéticas com a sociedade e o mercado.

    Falta muita ética à AsBAI. Aliás, isso é um ponto que acredito que esta associação desconhece completamente apesar de seu código de ética, feito apenas pra inglês ver.

    Portanto, vamos parar de palhaçada e de agir como criança mimada e melindrosa com medo de perder o doce e agir como adultos sérios e, principalmente honestos?
    Pretendo que este post abra um canal de diálogo com esta associação onde a dialética prevaleça baseada na seriedade, honestidade e transparência. Mas, se houver retaliação com a minha expulsão da mesma eu não me importo. Afinal este ato somente estará confirmando o que eu denuncio aqui além de ser um dinheirinho a mais que economizarei anualmente.

    Profissionais de iluminação e LD fiquem atentos a mais este golpe que está sendo arquitetado (não peço desculpas pelo trocadilho) nos bastidores.

    ¹ Interessante notar que a minha produção intelectual, especialmente aqui neste blog está muito acima dos tais “mestres e dotôres”, exigência da AsBAI para ser membro…

    ² Importante lembrar que o atual PL de regulamentação do Design está tramitando no CN porém com a exclusão da área de Interiores/Ambientes. Ernesto harsi, um dos autores do texto original, alega que isso foi feito para evitar confronto com os arquitetos – e o consequente arquivamento deste novo PL – por causa desta área. Resalto ainda que quando me refiro a “arquitetos” não estou generalizando e sim mencionando aqueles ligados à associações sindicatos e conselhos e suas diretorias que são os que geram estes problemas.

  • LD, iluminador ou o que afinal de contas?*

    Seja lá como você se denomina profissionalmente, pare e reflita um pouco.

    Diante de uma indefinição terminológica parece natural que cada um busque valorizar sua área de formação principal. Entretanto isso desencadeia – sobretudo para o mercado – uma confusão na definição e na atuação específica dos vários profissionais da área da iluminação.

    Percebe-se uma forte rejeição ao termo Lighting Designer, apesar de reconhecido mundialmente para denominar esta profissão. Não é incomum se deparar com vários profissionais que apresentam desculpas de todo tipo para justificar a não utilização do termo. Numa palestra, tive a oportunidade de ouvir um profissional, num tom bastante irônico e debochado, afirmar que ele se recusava a usar este termo, pois, como brasileiro, não admitia estrangeirismos, além de afirmar como “afrescalhado” (sic!) o uso desta denominação.

    Em Londres, no dia 27 de outubro 2007, na sessão plenária da The Professional Lighting Design Convention (PLDC) – foi aprovada e proclamada a “Declaração para a Instituição Oficial da Profissão do Designer de Iluminação de Arquitetura”. Vários brasileiros que estavam presentes assinaram esta declaração.

    De acordo com o Art. 2º desta declaração, não faz o menor sentido as insistentes tentativas de usar termos variados para denominar profissionais que fazem a mesma coisa. Ainda mais considerando como imprescindível a formação específica para esta atividade. Assim como soa imoral e até ilícita a tentativa de defender uma apropriação do Lighting Design como reserva de mercado para profissionais de certas áreas apoiando-se em argumentos falaciosos e desprovidos de conhecimento, irresponsáveis e desrespeitosos com aqueles profissionais que com preparo teórico-prático e competência trabalham com a luz.

    O pessoal da cênica não foi considerado explicitamente nesta declaração. Porém, a International Association of Lighting Designers, a mais forte, séria e respeitada entidade da área de iluminação internacional, reconhece estes profissionais como Lighting Designers. Há que destacar que a IALD não faz distinção entre formações acadêmicas. O que vale é a qualidade do portfolio, o conhecimento, a técnica, a estética, a capacidade de solucionar os projetos através da experiência profissional.

    Por aqui temos três associações: AsBAI, ABIL e ABrIC. O que nos impede de termos apenas uma englobando – e congregando – todos os profissionais que atuam na área de iluminação, com interesses comuns?

    Das três, a meu ver, a mais isenta de segregação, enquanto ativa, foi a ABIL. Na AsBAI, reconheço a coragem de impor uma análise curricular para nela se associar, mais que necessária. Porém, nenhuma delas oferece aos seus associados uma forma de identificação profissional (carteirinha, selo, etc).

    Na contramão da interdisciplinaridade como requisito de qualidade da atuação profissional, ainda nos deparamos com segmentação, segregação, divisão e cisão entre os profissionais brasileiros. De qualquer modo, essa situação reforça a ideia de que estamos em busca – e necessitamos com urgência – de uma identidade própria. Isso, porém, só conseguiremos quando houver ética e respeito mútuo entre os diversos profissionais.

    Se continuarmos incapazes de falar a mesma língua e de, ao menos, usar a mesma denominação para nos identificar profissionalmente, além de facilitar o entendimento e reconhecimento da profissão pelo mercado, dificilmente conseguiremos o devido respeito e reconhecimento profissional. Neste contexto atual, dificilmente conseguiremos uma regulamentação profissional, mais que importante e necessária.

    *Coluna “Luz e Design em foco” da revista Lume Arquitetura ed n° 55.

  • Especialista, prático ou oba-oba?*

    Engraçado o uso do termo oba-oba no título deste texto? A meu ver, creio que ele tem muito a dizer a respeito do mercado de Lighting Designers brasileiro. Por este termo designo tudo aquilo que é feito valendo-se do jeitinho brasileiro que algumas pessoas usam para burlar leis, aproveitar-se de situações.

    Para trabalhar com Lighting Design, não basta apenas um curso superior de arquitetura, engenharia ou design. Sabemos que os alunos saem desses cursos despreparados e crus em algumas áreas por causa do todo que engloba um projeto. O que vemos na academia não passa de um esboço em disciplinas estanques do que é trabalhar com iluminação. Grande parte dos formandos desses cursos receberam seus canudos sem saber nominar as lâmpadas, quiçá usálas corretamente. Culpa do desinteresse do aluno? De uma instituição universitária particular irresponsável ou de uma pública negligente?

    Esses egressos, sem qualquer especialização, vão engrossando o coro do oba-oba, e só fazem repetir conceitos e discursos aprendidos na academia ou então, dissimuladamente, apoderam-se de fragmentos de discursos alheios lançando ao vento frases de efeito. Forjam uma aparente “expertise” para vender um produto que desconhecem. Isso, de certo modo, depõe contra a seriedade profissional e formação especializada de autênticos Lighting Designers.

    Temos um outro grupo, que podemos denominar como práticos, formado por vendedores e instaladores. Dentre esses, alguns, pela seriedade de sua atuação profissional, tornaram-se “experts” no assunto iluminação. Conhecem profundamente o todo que compreende este universo. São profissionais capazes de elaborar projetos complexos e, por vezes, os vemos resolvendo projetos de profissionais formados nas lojas.

    Por fim, temos o grupo dos especialistas, aqueles que aliaram sua experiência profissional ao necessário aprendizado teórico-prático em cursos especializados sérios. Mas existem alguns que, mesmo com estes cursos, saem sem aprender ao menos o básico. São aqueles que pensam na especialização apenas como um livro de receitas prontas. Culpa de quem? Deles ou de uma incapacidade decorrente de uma formação generalista realizada em instituições universitárias? De ambos?

    Por outro lado, temos de reconhecer aqueles (poucos) que enfrentam seriamente a especialização, incansáveis na pesquisa diária e conscientes da necessidade da formação contínua, não apenas para conhecer melhor, mas compreender os porquês, entender os conceitos e suas inter-relações, conhecer profundamente os equipamentos e sistemas e como eles se constituem e se articulam para atender às demandas dos projetos.

    No entanto, esses profissionais acabam encontrando inúmeras dificuldades em estabilizar-se no mercado por causa dos erros cometidos por outros. Culpa de quem isso tudo?

    Culpa nossa, Lighting Designers. Culpa das associações profissionais que dizem nos representar e que na verdade só promovem ações inócuas e fragmentadoras, geralmente,visando defender apenas os interesses de sua diretoria. Com toda certeza, culpa também do descaso dos parlamentares reféns de lobbies corporativistas.

    Enquanto não tivermos a nossa profissão devidamente regulamentada através de um projeto sério, feito não apenas por associações, mas por um processo democrático, transparente e público, que envolva todos os profissionais, continuaremos com este quadro.

    E você acha que não tem nada a ver com isso?

    *Coluna “Luz e Design em foco” da revista Lume Arquitetura ed n° 54.

  • Eu só queria uma luzinha*

    Esta frase é, sem dúvida, a que mais ouvimos. Em geral, de clientes ou de profissionais afins que, numa tentativa de alguma vantagem, acabam por menosprezar o conhecimento e o trabalho do Lighting Designer (doravante, LD). É justamente com este tema, que abro minha coluna, aqui, na Lume Arquitetura.

    Quando esta frase vem de um cliente, respondo algo como “então chame seu eletricista, que poderá colocar tantas luzinhas quantas você quiser”. Deste modo, levo o cliente a repensar e compreender a seriedade de um projeto de Lighting Design. Para alguns, em geral, com uma divertida ironia, retruco algo mais complexo como “meu primo médico me falou que precisarei passar por uma cirurgia, pois tenho colecistectomia. Então coloco a luzinha que quer e você me opera ‘na faixa’, pode ser?”

    Uma boa parte da clientela, por mais que ignore o assunto em questão, sempre tenta levar alguma vantagem econômica – geralmente motivada pelos altos custos envolvidos – no projeto global. Porém, o cliente, ao contratar um LD, direta ou indiretamente, deve reconhecer a importância do trabalho deste profissional e das implicações do projeto a ser desenvolvido.

    No entanto, é absurda esta frase quando vem de outros profissionais afins que poderiam se tornar parceiros em projetos. Muito comum receber ligações ou e-mails pedindo dicas sobre iluminação de seus projetos. Recuso-me a dar dicas gratuitas e proponho uma consultoria para o desenvolvimento do projeto. Não me surpreendo quando não recebo qualquer resposta.

    Na possibilidade desta consultoria, ainda na negociação, muitos me fazem sentir como uma mercadoria num leilão às avessas: quem dá menos? É comum ouvir frases recorrentemente usadas na tentativa de baixar os custos (claro que do LD!): “Mas é só uma luzinha!” ou “Mas eu sou “X” (arquiteto, engenheiro ou decorador) e você é só um ‘iluminador’, por isso não pode cobrar mais caro que eu!”, dentre outras tantas mais, algumas até insolentes.

    Ainda piores são muitos profissionais à semelhança, por exemplo, daquele que acha absurdo o LD cobrar 5 mil reais por um determinado projeto quando ele cobrou apenas 2 mil reais pelo dele (por conta das inúmeras RTs (Reserva Técnica – paga por lojistas aos especificadores) vinculadas ao seu projeto que em geral o cliente desconhece). Ou então, ao propor um desconto – em troca das RTs e com o conhecimento do cliente destas – no valor cobrado do projeto a ser desenvolvido em parceria, este profissional (como muitos!) também se recusa a repartir as RTs das lojas (as relacionadas especificamente ao projeto de Lighting Design). Alega que estas RTs são responsáveis pelo seu sustento. De qualquer forma, para ele, o valor do projeto tem que sair por, digamos, 5 mil reais no máximo – e sem RTs.

    O que tem de ficar bem claro tanto para clientes como, principalmente, para os profissionais, é o seguinte:

    Como qualquer profissional que teve sua formação profissional, o LD também teve a sua de forma especializada. Foram anos de estudos e pesquisa. O custo do investimento foi alto para adquirir o conhecimento e as competências necessárias que possuem hoje. Então, só podemos concluir que não convém a um cliente ou a um profissional desvalorizar o trabalho do LD com a recorrente frase de que precisa “apenas de uma luzinha” ou, no caso de um profissional que finge uma parceria, dizendo que o seu trabalho é mais importante. Os profissionais sérios reconhecem honestamente que não são capacitados para o desenvolvimento de projetos de iluminação e que, por sua vez, reconhecem a necessidade de parceria com o LD, dado que sem luz projetada adequadamente, seu trabalho não agrega valor e perde muito em qualidade.

    *Coluna “Luz e Design em foco” da revista Lume Arquitetura ed n° 53.

  • =\

    Assunto tão sério, que não sei nem qual título colocar no post. Por isso resolvi utilizar este ícone (=\) que significa descontentamento com algo/alguém.

    Assistam ao vídeo à seguir:

    Ok, já gragalhamos horrores?

    Então podem parar e voltar à realidade pois ela é dura, nua e crua!!!

    Vamos falar sério sobre esta situação.

    É bastante comum que nós, Designers de Interiores/Ambientes, soframos retaliações de outros profissionais que nos denunciam em seus conselhos. Quem já passou pela constrangedora situação de ter uma obra fiscalizada baseada em denúncia mentirosa e claro, anônima, sabe o quanto isso nos joga para baixo, por mais razão que tenhamos.

    Geralmente estas denuncias vem de profissionais que estavam tentando ganhar o cliente e perderam. Irados, cometem sandices pensando que ninguém vai saber de onde partiram.

    Bom, voltemos à situação estúpida do vídeo. Não vou nem comentar sobre a brincadeira idiota dos caras afinal, também já fui criança e cometi absurdos e maluquices impensáveis. Meu foco aqui é outro.

    Quem aqui já andou pelas vilas (e até bairros bons) de suas cidades observando as obras? Já se pararam alguma vez em alguma delas para verificar como são as coisas? Muito pouco provável que alguém tenha feito isso né?

    Mas eu já! E várias vezes.

    Sempre que estou passando por alguma vila – ou bairro popular – e vejo uma obra procuro rodear, observar e se possivel conversar com os pedreiros.

    É batata: é raríssimo encontrar uma obra nestes locais que tenha engenheiro, arquiteto ou ao menos um técnico em edificações como responsável. Na maioria das vezes o projeto foi feito pelo pedreiro, as decisões estruturais e construtivas foram tomadas também pelo pedreiro baseadas em seus anos luz de experiência. As instalações elétricas foram feitas geralmente por profissionais do tipo “faz tudo” (pinta, mexe com eletrica, mexe com hidráulica, etc etc etc).

    O que não faltam nas vilas são edificações feitas assim. Não à toa a enchurrada de fotos de “absurdos arquitetônicos” que, com tristeza, vejo muitas pessoas compartilhando em seus perfis nas redes sociais sempre acompanhada de frases como “coisa de engenheiro”…

    =\

    Quanta ética né não gente?

    Vocês acreditam mesmo que aquela coluna do vídeo foi projetada por alguém que domine o assunto? Perceberam que não há ferragem alguma nela?

    Pois é, e disso as vilas estão cheias. Este não é um fato isolado…

    Porém não vejo são ações dos órgãos (CREA, CAU, IAB, etc etc etc) na intenção de coibir esse tipo de coisa. Até tem algumas coisas que não passam do papel ou noticia de sites e que na prática simplesmente não existem ou, quando existem, são ações esporádicas feitas apenas para alimentar a mídia. Também já ouvi relatos de amigos ligados à estas ações que dificilmente se consegue algum profissional disposto a ceder um tiquinho que seja de trabalho em prol disso.

    Em contrapartida, nos condomínio$ horizontai$, em construções mais centrai$ ou bem localizada$ a fiscalização é pesada, dura e cega. Claro, os que estão ali podem pagar as multas ridículas. Por isso os fiscais vivem abarrotados de trabalho…

    Já os das vilas… ao que parece são inexistentes.

    Mas aí vem a temporada de chuvas… e as casas despencam morro abaixo não apenas por terem sido feitas de qualquer jeito por pedreiros, mas também porque estes órgãos – especialmente CAU e IAB – não ofereceram projetos urbanísticos que são atribuições de seus afiliados. Também dificilmente se vê um arquiteto perambulando pelas vilas, oferecendo projetos a baixo custo ou de graça, entre outras ações que poderiam ser feitas e que, certamente, gradativamente mudariam a visão ruim que parcela da sociedade tem deles.

    Mas não, eles preferem brigar com qualquer um… brigam com os paisagistas… preferem brigar com os engenheiros (ad aeternum)… preferem brigar com os urbanistas… preferem brigar com os designers… preferem brigar com os lighting designers e iluminadores cênicos… jajá estarão brigando com os padeiros, açougueiros e quem mais cruzar o seu caminho…

    Sabem porque?

    Porque projeto pra pobre não dá dinheiro! Imaginem as RTs dos móveis das Casas Bahia… ah ah ah! Além de baixas, ele terá de aguardar as 300 prestações serem pagas para tentar recebê-las.

    Assim preferem ficar atacando, denegrindo, acusando falaciosamente outros profissionais e depois se colocando como vítimas.

    Tem muita gente precisando dos trabalhos profissionais seja de arquitetos, engenheiros, designers, urbanistas e paisagistas. Vamos parar de hipocrisia e tentar fazer algo de bom e útil pelo nosso país já que nosso (des)governo não faz nada de real?

  • é… estamos ferrados???

    A falta da regulamentação profissional do Design de Interiores/Ambientes está afetando cada dia mais o nosso exercício profissional. Muitos acadêmicos nem fazem idéia do que anda acontecendo e incontáveis profissionais já formados simplesmente fazem de conta que o problema não é com eles.

    Pois bem, está tramitando no Congresso Nacional o PL 1391/11, de autoria do Deputado Luiz Penna, que regulamenta a profissão do designer. No entanto, abre-se uma grande discussão em torno desta regulamentação.

    O PL contempla apenas as seguintes áreas: Comunicação Visual, Desenho industrial, Programação Visual, Projeto de Produto, Design Gráfico, Design Industrial, Design de Moda e Design de Produto. Design de Interiores/Ambientes ficou de fora.

    Esta é uma discussão que já tenho há vários anos com alguns “cabeças do referido PL”. Com um deles, especificamente, não há mais qualquer respeito no tratamento um com o outro – e também nem faço questão disso com relação especificamente a esse cara. Explico:

    Em todos os fóruns que participo sobre o assunto sempre tentei mostrar a área de Interiores/Ambientes como parte integrante da raiz Design. Tanto é verdade isso que até mesmo as diretrizes do MEC a mantém ligada à raiz Design. No entanto, nunca recebi qualquer argumento convincente que me calasse. Todas as tentativas foram baseadas em máscaras e deixavam claro o desconhecimento total deste(s) com relação à área de Interiores/Ambientes. Não passam de meros “achismos”.

    Sempre questionei sobre as escolhas das pessoas que iriam compor este comitê para estudos do PL, especialmente sobre “quem” representaria Interiores neste grupo. Também me posicionei radicalmente contra a escolha da ABD como representante em detrimento da AMIDE, ou melhor, porque associações são ouvidas e os profissionais não? Porque alguns profissionais de outras áreas do Design foram ouvidos e nenhum da área de Interiores foi? Alertei inúmeras vezes de que isso não funcionaria, pois a ABD não é uma associação de Design. Ela é uma associação que congrega decoradores, arquitetos decoradores E designers de interiores/ambientes. Para piorar a situação, a própria associação é incapaz de distinguir os três profissionais que fazem parte de seu corpo de associados. Mas foi a escolha deste grupo, sem qualquer tipo de consulta aos profissionais da área. Claro e óbvio que não funcionou e a ABD caiu fora alegando ter “um projeto próprio de regulamentação”.

    Certa vez, depois de um forte debate e, quando vários designers de outras áreas perceberam a enrolação dele e começaram a pegar no seu pé para que me respondesse claramente ele soltou:

    “Não queremos problemas com os arquitetos”.

    Na sequência, quando percebeu que isso revoltou vários profissionais presentes, ele apagou o post. Nesse mesmo período, o pessoal das comunidades de arquitetura estavam com um forte movimento pela criação do conselho próprio, o CAU. Vários assuntos eram debatidos e entre eles, claro, ficava claro o descontentamento deles com a invasão (na verdade percebia-se o medo pela competitividade) dos Designers de Interiores/Ambientes, raça infeliz que tinha de ser extirpada. Como, legalmente, isso não é possível, começaram com um trololó de fazer a regulamentação da área através do CAU. E esse fulano juntou-se ao coro deles apoiando integralmente a ideia. Aí foi quando o respeito meu por ele acabou de vez (o dele por mim nunca existiu).

    Então é assim. Corta-se na carne para beneficiar alguns grupos – ou áreas – e que se danem os outros. Uma postura no mínimo vergonhosa e que deve ser motivo de vergonha para todos os designers, de todas as áreas, nesse processo em andamento e para os parlamentares que o estão aprovando cegamente.

    O Design no Brasil está sendo regulamentado, porém, antes disso, foi estupidamente amputado.

    E pior, ainda tem gente que acredita que fazendo isso o Design brasileiro vai encontrar finalmente a sua identidade…

    Mas devemos culpar apenas este grupo por esse erro insano?

    Não!

    Querem saber de quem também é a culpa? Vamos lá:

    Das IES:

    Enquanto tivermos cursos de Design de Interiores ligados à coordenações de Arquitetura e não de Design, enquanto tivermos uma maioria do quadro docente oriundos da Arquitetura e não do Design, dificilmente teremos cursos reais de Design de Interiores/Ambientes. Grande parte dos cursos está formando meros decoradores por causa destes dois problemas citados.

    Ponto 1: O curso deve, assim como direciona o MEC, ser ligado ao departamento de Design;

    Ponto 2: Os professores devem ser primeiramente das diversas áreas do Design que são utilizadas num projeto de Interiores/Ambientes. Arquitetos e engenheiros entram apenas nas disciplinas técnicas de plantas arquitetônicas, hidráulica, elétrica e similares. O resto tem de ser ministradas por DESIGNERS.

    Ponto 3: os coleguismos nas contratações devem acabar. Professor que não tem comprometimento com a educação e não está disposto a compartilhar conhecimento, não merece espaço numa IES séria. E temos muitos pseudos-professores que não vêem alunos e sim futuros concorrentes no mercado de Interiores e evitam a todo custo, compartilhar corretamente os conhecimentos.

    Ponto 3: Devemos pressionar e incentivar as IES públicas no sentido da abertura deste curso. A grande maioria dos cursos brasileiros é oferecida por IES privadas e todos sabem muito bem como estes funcionam (PP e PPP).

    Ponto 4: O reconhecimento de qualquer profissão e o fortalecimento vêm através de pesquisas e, nas IES privadas isso não interessa. Para as IES provadas a pesquisa é um gasto desnecessário. Tanto é verdade isso que a bibliografia brasileira na área é ridícula.

    Ponto 5: Nos vestibulares faz-se urgente a exigência de THE (Teste de Habilidade Específica). Da forma como vem sendo feito, muitas IES privadas cobram apenas uma redação que, muitas vezes, não passam de um parágrafo ridículo e mal escrito. Não à toa que muitos calouros desistem do curso ao descobrir que o curso de Design de Interiores/Ambientes não é mera decoração como pensavam e sim algo bem mais complexo. Um THE já eliminaria essa visão errada do curso e, certamente, teríamos alunos mais preparados para o curso.

    Ponto 6: as IES devem ver este curso como uma importante área para o bem estar da sociedade e não apenas como um mero arrecadador de dinheiro, já que está na moda e a procura é grande.

    Ponto 7: eliminação da oferta deste curso na modalidade “à distância”. É uma área técnica e que exige a presença constante do professor ao lado do aluno para corrigir seus erros e ensinar a forma correta de fazer um projeto e tudo que engloba o mesmo. Não vemos cursos de Arquitetura à distância. Da mesma forma é impensável um curso de Design de Interiores/Ambientes à distância dada a sua complexidade e transdisciplinaridade.

    Das associações:

    Ponto 1: Seriedade. Ninguém aqui estudou e investiu tanto para ficar brincando de casinha. As associações tem de acordar para a realidade do mercado e posicionar-se claramente sobre o mesmo. Não devem agir apenas quando um problema acontece com um dos membros da corte e na sequencia simplesmente fazer o problema cair no esquecimento da mídia.

    Ponto 2: Jamais uma associação deve ficar em cima do muro por melindres ou medinhos. Deve encarar de frente os problemas que afetam os profissionais por ela representados.

    Ponto 3: Transparência. As associações devem ser claras nas informações destinadas ao público, distinguindo corretamente os profissionais que agregam.
    Ponto 4: Ação. Elas devem promover ações propositivas e positivas no sentido de educar o mercado corretamente e de maneira eficiente.

    Ponto 5: Isenção. Uma associação jamais deve deixar-se guiar por fornecedores tornando-se refém. Em primeiro lugar devem vir os profissionais por ela representados, depois idem, depois idem e se sobrar tempo, idem.

    Dos Profissionais:

    Depois de formados saem feito loucos atrás de clientes sem se importar com questões profissionais. Só aparecem quando enfrentam algum problema. Mas assim que é resolvido, desaparecem novamente sem se importar com os colegas de profissão. Na verdade o problema é bem mais sério.

    Ponto 1: A maioria atua como decoradores e se esquecem dos princípios do Design em seus projetos. Vivem dentro do mesmo mercado que os decoradores e os arquitetos decoradores. Raramente aplicam seus conhecimentos em Design em seus projetos. A maioria não desenha um móvel mais que a forma externa e esboços do que pensaram para as divisões internas. Especificar ferragens e materiais pra que se o marceneiro sabe tudo e fará o trabalho? A maioria prefere largar o projeto da cozinha nas mãos dos vendedores projetistas das lojas. Também pra que perder esse tempo todo se temos móveis prontos em lojas de qualquer esquina? Onde enfiaram os conhecimentos aprendidos na faculdade? Ou será que só frequentaram faculdades do tipo PP (pagou passou) ou PPP (papai pagou passou)? Ou ainda, será que cursaram mesmo Design de Interiores ou algum curso mascarado de decoração? Foram enganados?

    Ponto 2: Será que a formação foi tão deficiente para lançar no mercado meros decoradores com canudo de designers?

    Ponto 3: profissionais que preferem ficar com suas bundas gordas confortavelmente sentados esperando que alguém faça o “trabalho sujo”, que “dê a cara pra bater”. Assistem tudo de camarote e são covardes ao ponto de não se pronunciar, mesmo sabendo que a situação pode afetar o seu lado profissional.
    Ponto 4: estes mesmos profissionais folgados que, depois de regulamentada a profissão e, antes mesmo da instalação do Conselho Federal, já estarão berrando nas redes sociais que querem a sua carteira profissional.

    Como muito bem colocou a Keylla Amelotti no grupo Design de Ambientes – UEMG:

    “Acredito que se os próprios designers de ambientes se entendessem como uma disciplina de design e não um “braço” da arquitetura, não bateríamos tão de frente com a arquitetura. Porque nós, designers de ambientes, fazemos muito mais do que decorar e humanizar a edificação que o arquiteto projetou; nós podemos ser paisagistas, designers de móveis, cenógrafos, designers de eventos; nós podemos fazer a diferença na qualidade de vida dos trabalhadores de uma loja, de uma fábrica, de um consultório; nós podemos auxiliar na produtividade de uma empresa, nós podemos transformar a forma como uma criança pode ver e sentir toda a sua vida escolar; nós podemos fazer o sonho de uma vida virar realidade num casamento, numa festa de aniversário, num quarto com alma… Nós somos e podemos muito mais do que a maioria pensa – muito mais do que alguns de nós mesmos pensam, e é por isso que parece que lutamos por migalhas de arquitetos. Nós temos muito mais a oferecer à sociedade do que querem nos fazer acreditar. Basta que a gente descubra isso, inclusive dentro da escola de design.”

    Disse tudo!

    Todo Designer de Interiores/Ambientes é também um Decorador. Mas não é Arquiteto.

    Todo Arquiteto é também um Decorador. Mas não é Designer.

    Todo Decorador é apenas Decorador. Não é Arquiteto. Também não é Designer.

    Isso é um fato real e tem de ser encarado de frente, sem achismos, melindres e ego(ísmo)s.

    Daí a necessidade de um profissional necessitar da parceria com os outros numa equipe multidisciplinar. Cada um no seu quadrado correto.

    Ou preferem ficar aí vendo a banda passar para depois chorar sobre o leite derramado se fazendo de vítimas do sistema?

  • Negativista?

    Ainda ontem recebi pelo facebook críticas de um amigo meu sobre o meu blog. De uma maneira geral a crítica era que eu sou muito negativista, pessimista e “dono da verdade” apesar de reconhecer que sou muito bom no que faço.

    Tem a ver também com alguns comentários que recebo vez ou outra aqui no blog ou por e-mail.

    Bom, então vamos esclarecer alguns pontos:

    1 – Não “puxo o saco” e tampouco “babo ovo” de ninguém.

    A minha ética pessoal e profissional não me permitem passar a mão na cabeça de quem quer que seja. Não estou à venda e nem o meu blog, tanto que não tenho patrocinadores e não sou ligado – nem citado – por aquela que se diz “a maior e melhor revista de decoração do Brasil”. Não me importo e não preciso disso pois jamais vou assinar um contrato onde uma das cláusulas me proibe de “falar mal” da tal revista ou de produtos ligados à editora.

    2 – Prática profissional

    O que tento deixar claro é a diferença entre um projeto de iluminação feito por arquitetos e designers e os projetos de lighting design feitos por Lighting Designers e a necessidade real da contratação deste profissional além do arquiteto decorador ou do designer de interiores/ambientes.

    Não vou enganar meus leitores e muito menos os clientes alegando que arquiteto ou designer tem uma ampla formação e que eles são capazes de fazer projetos de lighting design pelo simples fato disso ser uma INVERDADE! Se fosse verdade, o MEC não autorizaria os cursos de especialização, não existiriam associações internacionais de Lighting Design e muito menos teria sido assinada, por unanimidade, a Declaração para a Instituição Oficial da Profissão do Designer de Iluminação de Arquitetura, no PLDC realizado em 27 de outubro de 2007, na cidade de Londres, Inglaterra.

    Arquitetos e designers – ou qualquer outro profissional – não especializados fazem projetos de iluminação comum e “da moda”, dentro de seus parcos conhecimentos sobre o assunto. Bem diferente dos especialistas em Lighting Design que estudaram e estudam diariamente, aprofundando-se em pesquisas e práticas exclusivas na área de iluminação e lighting design.

    3 – Receitas de bolo

    Várias críticas me chegam com alegações de que eu aponto o erro mas não mostro como resolver os problemas.

    ÓBVIO que eu não farei isso NUNCA! Afinal, falamos aqui sobre o meu trabalho, a minha área de especialista. Logo, não vou ficar passando “receitinhas de bolo-de-caixinha” de “como fazer” para arrumar os erros. Assim como outros profissionais me cobram ou se recusam a ajudar em consultas, por minimas que sejam, me dou o direito de fazer o mesmo.

    Se quer saber como resolver, contrate a minha assessoria, consultoria ou faça uma parceria comigo. Mas não venha me pedir de graça o que levei anos estudando.

    4 – “Dono da verdade”

    Não me coloco como “dono da verdade ou do saber”. Porém, tenho segurança e conhecimento suficiente para indicar o que vejo de errado nos projetos. São erros básicos, crassos, que qualquer especialista da área de iluminação e lighting consegue ver ao observar fotos ou ambientes reais, que deixam claro que existe sim uma grande diferença entre um arquiteto, designer ou engenheiro sem especialização na área para os especialistas na área. E isso fica claro na observação/avaliação dos projetos. Mas, conviver com críticas – especialmente aquelas que mostram os erros – é algo impensável e insuportável para determinados egos.

    5 – “Xoxando” outros profissionais?

    Não mesmo. Minha intenção não é ridicularizar publicamente quem quer que seja até mesmo porque sei que esse tipo de coisa pode render processos por danos morais.

    No entanto, de uma forma educativa – e sem citar nomes – exponho os problemas que encontro nos projetos como forma de alertar aos profissionais e ao mercado sobre a importância da parceria com os profissionais especialistas em iluminação e lighting design.

    Engraçado que nas universidades ninguém reclama dos professores que mostram nas aulas uma carrada de fotos com erros, seja de que profissional for.

    Bom, por hora é isso. Isso serve apenas para esclarecer alguns pontos sobre este blog ok? E lembrem-se:

    Eu sou responsável apenas pelo que escrevo/falo.

    JAMAIS pelo que você entende.

  • Aproveitando-se da histeria coletiva

    Já faz alguns dias que venho percebendo uma forte tendência da mídia, onde determinados grupos estão, descaradamente, aproveitando-se da histeria coletiva gerada por causa do desabamento dos edifícios no Rio de Janeiro bem como usando o lado desinformado da mesma para aproveitar-se quando lançam inverdades sobre os diversos profissionais que atuam nas diversas áreas da construção civil.

    Pelo que tenho percebido em muitas – mas muitas mesmo – matérias que tenho lido diariamente desde o desabamento, o mote principal é: “não reforme sem contratar um profissional especializado“. Isso ocorre especialmente na mídia longe dos grandes centros, mas também ví coisas similares no G1, R7, UOL e outros grandes portais nacionais.

    Até aí tudo bem SE e SOMENTE SE a coisa toda parasse por aí.

    Mas não. Ainda não contentes, eles tem de tirar vantagem da situação mesmo que isso signifique jogar a ética profissional (que poucos deles tem na verdade) no lixo ao alegar que toda e qualquer reforma exige a presença de um engenheiro ou arquiteto. Que só estes profissionais são qualificados para realizar desde pequenas até grandes reformas seja em residências ou edifícios.

    Toda e qualquer alteração deve ser acompanhada por estes dois profissionais que, segundo eles (CREA, CAU, AsBEA, profissionais entrevistados e etc) são os únicos capazes de efetuar obras sem riscos.

    APARTE: estou adorando ver CREA e CAU se degladiando AH AH AH!

    Aproveitam-se também – e em alguns casos até tentam confundir – do fato das reformas terem sido feitas por uma pessoa não habilitada, que tinha apenas bom gosto e sabia lidar com o AutoCAD. Li muitas vezes, frases dissimuladas onde entende-se perfeitamente ataques diretos aos Designers de Interiores/Ambientes.

    Em várias matérias o que dá a entender é que daqui a pouco, até mesmo para simplesmente pintar as paredes o cliente terá de contratar um arquiteto ou um engenheiro civil.

    PALHAÇADA!!!

    Em meio a tudo isso, para uma associação que sonha em um dia vir à ser o futuro Conselho Fedaral de design de Interiores, a ABD, resta o silêncio conivente com toda esta palhaçada e absurda falta de respeito para com os verdadeiros Designers de Interiores/Ambientes. Sim, digo verdadeiros pois, à começar pela diretoria, a entidade é formada em grande parte por arquitetos e decoradores (que não são designers!).

    O silêncio da ABD sobre este assunto é estarrecedor.

    Enquanto CREA e CAU aproveitam-se da situação amplificando ao máximo a histeria coletiva gerada por esta caso, desqualificando e humilhando outros profissionais TAMBÉM QUALIFICADOS, a ABD mantem-se em seu reininho cor de rosa onde tudo é lindo, gamuroso e perfeito. Faz de conta que não está vendo mas, pela minha experiência com ela posso afirmar que está sim ciente de tudo isso e só vai se mexer quando a água bater na bunda novamente de algum diretor, como quando aconteceu com a Brandalise.

    Nos resta então lutar com nossas próprias armas, a informação e o conhecimento, para tentar barrar essa tremenda falta de respeito que estamos sendo vítimas e pior, sem ter culpa alguma afinal, a fulana lá que estava fazendo a obra NÃO TINHA FORMAÇÃO ALGUMA NA ÁREA, bem diferente de nós, DESIGNERS DE Interiores/Ambientes que estudamos tanto quanto (ou até bem mais que) muitos arquitetos e engenheiros.

    Portanto, fica aqui o meu repúdio à tuda essa palhaçada que vem sendo fomentada por pessoas e entidades sem qualquer respeito ou ética pessoal e, quiçá, profissional.

    Portanto senhores, antes de vir à público desqualificar e humilhar a minha área profissional, arrumem primeiro a casa de vocês! Tem muita coisa para vocês se preocuparem dentro de suas próprias áreas para ficar de olho grande em cima da minha área. Se não conseguem enxergar, aqui vão algumas dicas:

    FORMAÇÃO:

    O que não falta neste país é UNIESQUINA lançando péssimos profissionais no mercado. O problema está na péssima qualidade dos cursos ofertados especialmente nas IES particulares.

    CARTEIRA PROFISSIONAL:

    Por serem estas áreas essenciais e que fundamentalmente podem colocar usuários em risco de morte, não entendo como não há a exigência de um exame para poder atuar na área. Somente os exames podem evitar a infestação dos profissionais ruins que mancham as profissões. Só para constar: defendo a aplicação do exame para a minha área também ok?

    Uma dica ainda dentro deste tema: façam uma provinha bem básica com todos os engenheiros e arquitetos sobre a NBR 15.575. Tenho certeza de que 90% irão reprovar. Aí vocês terão uma verdadeira noção da realidade dos profissionais atuantes no mercado que vocês representam.

    ATUAÇÃO PROFISSIONAL:

    O que não falta é profissional de engenharia e arquitetura que não abrem suas ARTs, que não respeitam os códigos de ética, que não cobram por projetos em troca das RTs e mais um oceano de coisinhas que precisam ser arrumadas com urgência. Se tiver de punir, que apunição seja exemplar para que os outros aprendam através do sofrimento alheio à não cometer os mesmos erros e safadezas.

    FISCALIZAÇÃO:

    Isso é uma piada aqui no Brasil. O que não faltam são obras com profissionais que se recusam à colocar suas placas para fugir da fiscalização (voltando ao item anterior).

    SOCIAL:

    O Brasil é um país de terceiro mundo e continua sendo de terceiro mundo apesar de toda a pavonice que tem sido criada para desmistificar isso. É só olhar em qualquer cidade, nas volas, nas favelas os graves problemas que enfrentamos diariamente. Um país que não oferece saneamento básico para a sua população, em sua totalidade, não pode ser considerado de primeiro mundo. Porque vocês permitem a proliferação de construções feitas por “práticos” em áreas de risco e alto risco? Porque não levantam a bunda de suas cadeiras e vão em cima do Cogresso Nacional exigir que esse tipo de coisa seja proibido aqui no Brasil? Porque não solicitam aos profissionais de suas áreas que sejam cidadãos conscientes e doem projetos populares para os menos favorecidos?

    Não me refiro a projetos como o que o CREA tem de moradias sociais e sim a ação particular de cada profissional. Se não quer fazer uma “casinha”, faça uma praça, projete o saneamento de uma rua, urbaniza uma vila afastada entre tantas outras coisas que vocês podem fazer E NÃO FAZEM! Preferem ficar de picuinha.

    Parceiros, fornecedores e empreendedores para fazer isso vocês conseguem fácil. O que falta é vontade de vocês fazerem algo de realmente útil à sociedade.

    Estas são apenas algumas dicas para que vocês vejam quantos problemas existem dentro das áreas de vocês e que vocês não resolvem. Ou por fazer vista grossa ou porque não querem resolver mesmo. Existem ainda muitos outros. É só vocês observarem atentamente o mercado e as notícias nos jornais (não apenas as que lhes interessam).

    E parem de ridicularizar e menosprezar a minha área profissional para a qual, estudei (e estudo) muito.

    Por essas e outras Designers, precisamos com urgência urgentíssima regulamentar a nossa profissão de maneira séria, não através da palhaçada que a ABD está propondo.

  • Ofício encaminhado à Reitoria da Uel sobre o Cine Teatro Ouro Verde

    Londrina, 14 de fevereiro de 2012.

    Magnífica Reitora
    Prof. Dra. Nádina Aparecida Moreno
    Universidade Estadual de Londrina
    Londrina – Paraná

    Senhora Reitora,

    Assunto: Doação de Projeto de Lighting Design para a Reconstrução do Cine Teatro Ouro Verde.

    Lamentavelmente fomos surpreendidos com o incêndio que destruiu boa parte de nosso Teatro Ouro Verde neste último domingo, dia 12 de fevereiro p.p. A tristeza afetou a todos os moradores desta cidade, pois reconhecemos que este Teatro apresenta um significado importante da história de nossa cidade e ponto fundamental para a cultura: é nosso patrimônio histórico e cultural que não devemos deixar desmoronar.

    Na qualidade de neto e bisneto de pioneiros que construíram esta cidade por meio de seu trabalho braçal, compreendo que este é um momento de solidariedade, parceria e união de esforços para além de interesses pessoais.

    Recordo-me do orgulho de meu avô, Lauro Jorge Tramontini, o qual com seu pai e seus irmãos, foram os responsáveis por todo o antigo calçamento de paralelepípedos e também pela construção das primeiras praças desta cidade, especialmente a Praça Mal. Floriano Peixoto, esta desenhada e construída pelo meu avô. Orgulho de reconhecer sua participação na construção da cidade de Londrina. É justamente este testemunho pioneiro e cidadão que me move a escrever e apresentar minha proposta de colaborar gratuitamente, oferecendo meus serviços e competência profissional, na reconstrução do Teatro Ouro Verde. Quero ter a oportunidade de sentir o mesmo orgulho de meu avô!

    Resido na cidade de Londrina. Sou Designer de Interiores/Ambientes especializado na elaboração e execução de projetos de iluminação ou, como é denominado internacionalmente, Lighting Design. Mantenho um blog bastante respeitado e renomado na Internet sobre as áreas de Design e Iluminação que, com menos de quatro anos de existência está para atingir a marca dos um milhão de acessos.

    Também, atualmente, sou um dos colunistas da revista Lume Arquitetura, referência em Lighting Design no Brasil.

    Assim sendo, em respeito à história de nossa cidade e como cidadão consciente da responsabilidade ética, solidária e profissional, eu me disponho a empreender todos os esforços que forem necessários – exclusivamente a título de doação – para elaborar sem quaisquer ônus para a Universidade o projeto completo de Iluminação (Lighting Design) para a reconstrução do nosso Teatro Ouro Verde, que envolve fachada da edificação, salas administrativas, áreas comuns e de circulação, auditório, palco, coxias, camarins e demais espaços de uso privativo e público.

    Reforçando a seriedade desta proposta, a renomada iluminadora Jamile Tormann (vide currículo e contatos abaixo) se dispôs a também realizar o projeto de iluminação do palco, junto comigo, de forma gratuita para a reconstrução deste nosso patrimônio histórico.

    Também a editora da Revista Lume Arquitetura, Srª Maria Clara De Maio, já me ofereceu uma matéria reservada na revista assim que a reconstrução e implementação de meu projeto estiver pronto.

    Em seguida, para corroborar a seriedade de minha proposta, apresento abaixo um elenco de referências profissionais da área constituído por profissionais de renome nacional e internacional, dentre os quais, destacam-se aqueles que, na forma de parceria, querem se unir para colaborar com a implementação desta proposta que ora apresento a Vossa Magnificência:

    JAMILE TORMAN
    Arquiteta pela USU (RJ) com Licenciatura Plena em Artes Visuais pela FADM (DF), especialista em Iluminação e Designer de Interiores pela UCB (RJ) e Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UNB (DF). Coordenadora Pedagógica e Professora de Iluminação Cênica no Curso de Pós-graduação em Iluminação e Design de Interiores pelo IPOG. Autora do livro Caderno de Iluminação: arte e ciência. Editora Música e Tecnologia – RJ, 2006. É Sócia fundadora da Associação Brasileira de Iluminação Cênica – AbrIC, e Associação Brasileira de Iluminação – ABIL e ABRIP – Associação Brasileira de Iluminação Profissional.
    jamile@jamiletormann.comhttp://www.jamiletormann.com/html/index.php
    (61) 3208 4444 / 78124442

    FARLLEY DERZE
    Doutorando em Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo. Professor de História da Iluminação do IPOG. Especialista em História da Arte. Membro do Núcleo de Estética e Semiótica da UnB (DF). Diretor de Gestão e Pesquisa da Empresa Jamile Tormann Iluminação Cênica e Arquitetural LTDA. Colunista da Revista Luz & Cena (RJ).
    farlley@ipog.edu.br

    MARIA CLARA DE MAIO
    Editora da Revista Lume Arquitetura (www.lumearquitetura.com.br)
    mariaclara@lumearquitetura.com.br

    Na certeza de sua atenção e no aguardo de uma resposta, expresso meu apoio e minha consideração.

    Atenciosamente,

    ___________________________________
          PAULO OLIVEIRA
    Lighting Designer e Designer de Ambientes
    Associado: ABIL / ABD / AsBAI

    Ofício protocolado em:

    15/02/2012

    Às 09:28:28 horas

    Sob o número 2863.2012.97

    Na Divisão de Protocolo e Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

  • E EU QUE PENSAVA….

    Que fosse só aqui no interior que esse tipo de coisa acontecesse… Ou ainda, que a área de LD, por ser nova e nobre, estava isenta desse tipo de canalhice tão comum nas áreas de arquitetura, interiores, engenharia…

    É gente, tou falando sim do mau-caratismo, da falta de vergonha na cara, da ausência de ética pessoal e profissional, dentre outras coisinhas.

    Lamentavelmente posso afirmar que a maioria daqueles que eu tinha como ídolos do LD nacional simplesmente ruíram. Percebi que não passam de um bando de safados, mesquinhos, canalhas.

    Para vocês entenderem sobre o que estou falando, segue uma historinha verídica ok?

    Uma aluna, já certificada na especialização em iluminação, chega para um professor e pergunta: “professor, estou com um projeto de iluminação de um porto para fazer. Como o senhor já fez esse tipo de trabalho, tem algum direcionamento para me dar?” O professor segue o diálogo pegando mais informações sobre o projeto. Ao final, diz algo como “vou analisar melhor e te retorno em breve”.

    Passam-se dias e nada. A aluna então vai ter com a administração do porto explicando que está pesquisando para poder especificar melhor os equipamentos de acordo com as necessidades e, surpresa, descobre que tem outro profissional já fazendo o projeto. Para  piorar mais ainda, ela descobre que o profissional é o tal professor. Para afundar de vez, ela descobre que ele não cobrou pelo projeto. De bom coração, deu de graça o projeto para a administração do porto.

    #QueLindo!!!

    É, esta história verídica serve para ilustrar duramente a verdade sobre os tais “papas” do LD nacional. Ouvi várias desse tipo, de vários profissionais. Daí entendi como é que esse pessoal consegue pegar tanta obra de grande porte, especialmente as públicas.

    Não se cobra pelo projeto, ganha-se pelas comissões. Sim, as infames RTs que continuam apodrecendo o mercado, pelas costas do cliente.

    Aí fica fácil um professor dar três dias de aulas mostrando apenas o seu portfolio como exemplo, se achando o “the best” com uma postura arrogante e por vezes estúpida. Lembro-me de ter ficado pensando durante esta aula sobre “como é possível isso? Como ele consegue tantas obras públicas em todos os cantos do país?”, sem encontrar respostas, apesar de já imaginar algo nessa linha.

    Nesse ponto, não culpo as empresas e indústrias fornecedoras. Afinal, elas estão cumprindo o papel comercial delas, vendendo seus produtos. A bonificação (RT) é apenas uma forma de agradecer ao profissional pela preferência. Daí, a dificuldade das revistas especializadas encontrar colunistas que soltem o verbo livremente, sem ter o rabo preso com ninguém. Praticamente todos os “papas” do LD nacional, tem o rabo preso com a empresa A, B ou C.

    A falta de respeito com os colegas profissionais é absurda. A falta de respeito com a profissão é lamentável!

    No caso do porto citado acima, fica fácil ganhar muito dinheiro e tornar-se um profissional bem sucedido: as cifras em comissões recebidas das empresas no caso, podem chegar aos milhões afinal, 10% é o mínimo exigido por eles das empresas. E isso vai ser pago por quem? Por mim, por você, por todos os cidadãos brasileiros através dos impostos recolhidos.

    O cara chega, oferece o projeto de graça e faz o acerto com determinada empresa, pelas costas do cliente. É assim que funciona. E todos saem felizes… Menos a aluna que se ferrou e ralou pacas para prospectar o cliente e agora está lá chorando a sua débil inocência.

    Podem alegar que existe a Lei de licitações para barrar direcionamentos. Mas posso afirmar (pois já trabalhei diretamente com ela) que ela é facilmente burlável. Direcionamentos são fáceis de fazer num edital. Tanto que tive de abandonar o trabalho quando meu cardiologista me falou que “ou eu saía ou iria para debaixo da terra pois meu coração estava pipocando diante da pressão e estresse que estava vivendo diariamente na comissão de licitações” (isso com 27 anos de idade), pois os jogos de interesse e forças que eu lutava contra lá dentro eram absurdamente maldosos e infames. E as coisas são feitas na maior cara de pau, sem o menor peso na consciência por parte deles. Assim, é certeiro que a empresa A vai levar e que o $$ da RT vai cair em sua conta em breve.

    Como dizem, Lei no Brasil é para proteger bandidos, safados, corruptos.

    Hummm, ainda tem as associações não é mesmo?

    Tirando a ABIL e a ABriC, as outras são meros “trampolins políticos ou mercadológicos”. #EuJáSabia! Não passam de cortes utópicas onde apenas os amiguinhos e súditos que se curvam às vontades do reizinho tem algum espaço.

    O pior é que estas associações sabem disso. Seus líderes trabalham assim também. Provavelmente, em suas reuniões ficam rindo da cara dos trouxas que estão fora do jogo. Certamente este professor, numa das reuniões, contou a história do porto em meio à gargalhadas dele e de seus pares. E ainda tem a cara de pau de distribuir um “código de ética profissional” aos seus membros e associados?

    Já temos um mercado que ainda não entendeu a realidade e a necessidade da contratação de um profissional específico para projetar a iluminação. Já temos órgãos públicos que preferem colocar “biquinhos de luz para todos” ao invés de contratar um profissional competente que projete um sistema de iluminação urbana eficiente e belo. E ainda temos um bando de “zés manés” dando uma de espertos e se fazendo em cima de safadezas?

    Ah, claro, não posso me esquecer de colocar aqui sobre um deles em específico: a cada entrevista ele diz ter uma formação. Ora é arquiteto, ora é engenheiro, ora é técnico… E na verdade, não é nada além de prático. Mas claro, por causa de seus mega-projetos e de seus contatos poderosos e famosos, nem CREA, nem CAU nem ninguém mexe com ele. Deixam ele ser o que quiser, fazer o que quiser, e tá tudo certo. É melhor para estas instituições ficar de pirraça e fodendo a vida dos pequenos e insignificantes, muitos que nem tem grana para pagar um advogado para se defender. #Fato!

    Porra cara, se quer mentir, ao menos invente uma história coerente, e repita-a incansavelmente sem mudar nada. Ao menos assim a coisa fica mais sensata e acreditável. Mas tropeçar em suas próprias incertezas e frustrações é FODA! E pra piorar, trabalha da mesma forma que o tal professor lá de cima… E pensar que o tinha como um dos meus ídolos…. agora não passa de lixo.

    Se ao menos estes imbecis usassem o escambo (troca de produtos) ainda seria entendível afinal, ofereço o meu trabalho e você me paga com o seu produto/serviço. Mas não, o que vale é o $$ na conta bancária, é o fazer-se profissionalmente ficando conhecido como “o cara das mil e uma obras” logo, deve ser um excelente profissional. Se bem que, como são safados no mercado, duvido que suas declarações de IR sejam exatas. Caixa 2, 3, 1000 existem, com toda certeza!

    É gente, como dizem, o mundo é dos espertos.

    Porém, muita gente confunde esperteza com safadeza, canalhice e falta de vergonha na cara e pelo visto, gostam de ser assim.

    Sim, estes são as prostitutas da profissão. Não cabe a eles nem o termo politicamente correto “profissionais do sexo”, pois não passam de putas rampeiras, do mais baixo calão.

  • LD na origem

    Esta entrevista com o Francesco Iannone foi publicada em 2007 na revista Lume Arquitetura.

    É bastante interessante a visão dele – que é considerado um dos pais do LD – sobre a atuação do profissional da área.

    Vale a pena ler e refletir sobre muitas coisas colocadas por ele nesta entrevista.

    Leia a entrevista aqui no site da Lume Arquitetura.

  • Designer? Seja bem vindo!

    Bem diferente do que me aconteceu numa loja aqui de Londrina e que relatei no post “Só dizáiner?” (sic), preciso mostrar que nem tudo está perdido nesta terra. Algumas (poucas) lojas tem a coragem e a ética de enfrentar o lobby estúpido dos arquitetos que predomina por aqui.

    Entre elas, destaco a MMartan do shopping Catuaí. (Rod. Celso Garcia Cid Km 377, Lj32A – Catuaí , Londrina – PR. CEP 86050-901 Tel:(43) 3339-4050 )

    Estive na loja no dia 29/12/11 já ao final da noite. Inicialmente ia comprar apenas duas capaz de travesseiro e dois travesseiros. Porém, a Nadir me atendeu tão bem desde a entrada na loja que acabei levando em edredom que não estava nos planos iniciais.

    Inicialmente ela estava me tratando como um cliente normal. Quando perguntei se havia algum desconto especial para especificadores ela me perguntou qual era a minha profissão. Respondi que era Designer de Interiores/Ambientes e especialista em iluminação (LD) ao mesmo tempo em que entregava-lhe o meu cartão. De pronto ela me levou até um terminal de computador para verificar a existência de meu cadastro no sistema. Eu já sabia que não existiria pois como trabalho 95% com projetos de LD, são poucas as lojas de outros produtos em que tenho cadastro aqui em Londrina.

    De pronto ela fez o meu cadastro e explicou o sistema de parceria da MMartan. Em momento algum percebi preferência por esta ou aquela classe social. Até relatei à ela o ocorrido na outra loja e ela me mostrou no sistema que não há preferências: todos recebem exatamente os mesmos benefícios.

    Nesse meio tempo acabei me interessando também por um edredom (luxuozérrimo!) que foi inserido na compra. Além dos descontos da promoção das peças iniciais ainda ganhei mais 10% de desconto sobre o valor total.

    No caixa vi um Aromatizador de ambientes Black Casa Moysés, e comentei com meu amigo (o mesmo que presenciou a cena grotesta na casa dos Puxadores) que um amigo em comum nosso usava aquele produto em sua casa. Comentei com a Nadir que em breve voltaria para comprar para mim pois adorei o cheiro do produto. Ela então, de pronto, me presenteou com um frasco pelo meu aniversário recém passado (27/12). Fiquei pasmo na hora e agradeci muito.

    Então, é este tipo de empresa, séria e ética, que temos de valorizar no nosso dia a dia profissional. É nestas empresas que devemos levar nossos clientes e tira-los daquelas que só fazem unir-se a lobbyes corporativistas mantidos por profissionais incapazes em sua área de origem e que, todos sabemos, só fazem DECORAÇÃO de Interiores por causa da grana que este mercado oferece.

    Assim, vou abrir uma lista em meu blogroll para divulgar empresas sérias como a MMartan que sabem valorizar o profissional, independente de que área venha.

    Parabéns à toda a rede MMartan por esta postura ímpar!!!

  • Londrina e o CCZ – a novela continua…

    Pois é gente. Por estas terras, berço de mensaleiros e laboratório de tantas maracutaias politicas eis que aparece mais uma: o tão esperado e mais que urgentemente necessário Centro de Controlo de Zoonozes (CCZ). Mas calma, nada é tão simples assim. Ainda não saiu do papel, pra variar…

    Bom, o que me leva a escrever sobre isso é que analisando o edital encontrei várias incoerências e irregularidades sendo a principal, o fechamento do mesmo exclusivamente para arquitetos e engenheiros. Sim, são exatamente estas palavras que constam lá: arquitetos e engenheiros.

    Pois bem, vamos analisar então a situação como um todo.

    Tempos atras quando começou o barulho em cima da construção deste CCZ aqui em Londrina, estranhamente o SOS Animal daqui juntou-se à prefeitura, fazendo coro ao apresentar um espaço que mais me pareceu um mero depósito de cães de rua. Nem de longe lembra um CCZ na infra-estrutura necessária. Depois disso todos sumiram da mídia sobre este assunto e só retornam agora.

    Ontem sou surpreendido com a notícia de que pela segunda vez a licitação foi deserta ou seja, não houveram interessados. Das duas uma: ou os profissionais daqui são incompetentes e não fazem a menor idéia de como projetar um CCZ atendendo às necessidades reais deste espaço ou a coisa foi tão mal feita pela prefeitura que ninguém ficou sabendo. Pra mim, uma mistura das duas coisas.

    Claro, nao posso deixar de citar que tem um arquiteto aqui em Londrina que é eterno amiguinho da prefeitura e sempre acaba pegando estes projetos desertos para fazer suas sandices. Em troca recebe da prefeitura e políticos apoio ao seu projeto esdrúxulo de transformar Londrina numa cópia ridícula e fajuta de Londres, desprezando absurdamente a verdadeira história desta cidade.

    Bom mas voltemos ao edital. Quem quiser ler na íntegra, está aqui para vocês baixarem o PDF:

    tp0023_11_edital

    Pois bem, vamos analisar alguns trechos desta coisa chamada edital.

    OBJETO: Elaboração de projetos complementares para a Construção de Unidade de Controle de Zoonoses na Fazenda Refúgio – Londrina/PR.

    A primeira parte é uma apresentação da Lei de Licitações municipal. As condicionantes para que uma empresa possa participar do certame. O que interessa mesmo é o Anexo I onde temos a descrição dos lotes em disputa:

    LOTE 01:
    Serviços – Contratação de sondagem do tipo SPT, para uma edificação de 2.000 m², com no mínimo 5 furos, seguindo normas das NBRs – 6484 – 6502 – 7250.
    R$ 7.962,50

    LOTE 02:
    Serviços – Contratação de projetos, Arquitetônico e complementares (conforme memorial descritivo), para Construção do Centro de Zoonoses com área de 2.000 m².
    R$ 205.500,00

    Pois bem, entende-se por “projetos complementares” todos aqueles que não fazem parte do sistema estrutural da edificação. Assim temos: elétrica, hidrossanitario, segurança, acessibilidade, interiores, lighting design (ou iluminação), paisagismo, etc.

    Então, porque raios consta isso aqui no presente edital?

    “1.2. São documentos específicos para este certame, devendo, também, constar do ENVELOPE 1
    (UM):
    I – Prova de regularidade para com o CREA, mediante apresentação de Certidão de
    Registro de Pessoa Jurídica, comprovando que tanto a empresa quanto o responsável
    técnico pela obra encontram-se em situação regular, nos termos da Lei n.º 5.194 de
    24/12/66, bem como Resolução n.º 218/73 e 266/79 do CONFEA;

    II – Comprovação de aptidão para desempenho da atividade pertinente e compatível com
    o objeto da licitação, através da apresentação da Certidão de Acervo Técnico
    expedida pelo CREA, em nome do responsável técnico pela empresa licitante,
    acompanhada do Atestado(s) emitido(s) por pessoas jurídicas de direito público ou
    privado sendo pertinente e compatível: LOTE 01 – prestação de serviços de sondagem
    através da apresentação da cópia de Acervo Técnico emitido pelo CREA, bem como,
    cópia de Atestado de Capacidade Técnica; LOTE 02 – prestação de serviços de
    topografia, projeto de fundações e estruturas, projeto de arquitetura, projeto de
    instalações hidráulicas e sanitárias, projeto de instalações elétricas e eletrônicas,
    projeto de instalações mecânicas, projeto de instalações de prevenção e combate a
    incêndio, através da apresentação da cópia de Acervo Técnico emitido pelo CREA,
    bem como, cópia de Atestado de Capacidade Técnica.”

    Tudo fechado junto ao CREA, numa reserva de mercado descarada para arquitetos e engenheiros. Porém existem áreas neste projeto global onde nós, Designers de Interiores/Ambientes e Lighting Designers, poderíamos atuar tranquilamente dada a nossa formação acadêmica específica.

    Ah sim, vão dizer que é por causa da fiscalização e responsabilidade técnica? Nada que uma boa cláusula contratual não resolva como já expliquei várias vezes aqui neste blog. Se o profissional é sério e responsável, não temerá uma cláusula de responsabilidade técnica.

    Conheço muitos arquitetos e engenheiros que mal sabem desenhar uma planta baixa decente, fruto das “uniesquinas” que proliferaram-se por nosso país. Logo, esta exigência é inaceitável.

    Pois bem, mas isso também se deve à inexistência de nossa regulamentação profissional. Enquanto os profissionais da área ficam posando de pavões e peruas, a categoria carece seriamente de apoio para que a regulamentação seja efetivada como deve ser feita. O egoísmo e o “isso não me afeta” é o que mais prejudica qualquer tentativa de regulamentação profissional de nossa área. Mas não a regulamentação fantasiosa e ineficiente proposta pela ABD e sim, aquela proposta pelo grupo do prof Freddy Van Camp.

    Mantemos no Facebook um grupo onde denunciamos maus tratos, anunciamos boas ações e pedidos de ajuda:

    MAGGYE – REDE PARA CÂES DOADORES DE SANGUE EM LONDRINA E REGIÃO

    Este grupo nasceu após perdermos a nossa Maggye para a erlichiose canina (doença do carrapato) e pela falta de Banco de Sangue em junho/11. Londrina está infestada de carrapatos e são muitos os pets que vem sofrendo com esta doença e outras mais. Temos tido um grande apoio de moradores de Londrina e região bem como de alguns jornalistas não comprados pela admimistração pública.

    Não entendemos os CCZs como meros depósitos de cães de rua à espera da eutanázia como alguns gestores tem colocado irresponsavelmente na mídia. Entendemos sim como um espaço para acolhimento, tratamento, doação através da posse responsável, castração, ações de prevenção, combate e controle às zoonozes urbanas bem como um laboratório de análises clínicas avançado (que Londrina não oferece em lugar algum à população) e de atendimento em casos específicos como é o caso do Banco de Sangue (coleta/doação/ transfusão) públicos, de acesso livre, diferente do que acontece com o do Hospital Veterinário da UEL que, apesar de ser um orgão público, não fornece sangue para clínicas particulares. Aberto todos os dias, 24h incluindo domingos e feriados.

    Que abrigue também um corpo da promotoria de defesa animal para que possam, no exato momento da entrada/denuncia, inteirar-se do fato ocorrido para tomar as devidas providências legais.

    Assim, venho publicamente oferecer, de graça, à prefeitura os meus serviços como Designer de Interiores/Ambientes e Lighting Designer para projetar o CCZ dentro do que me compete:

    – projeto de iluminação decente e que atenda às reais necessidades do CCZ;

    – projeto de interiores global (envolvendo tudo o que está em minhas atribuições profissionais);

    O projeto arquitetônico, tenho um amigo arquiteto que tenho certeza que o fará também de graça já que ele também é um grande amante e defensor dos animais.

    Mas com algumas condicionantes:

    1 – um corpo clínico (veterinários e funcionários da rede pública de saúde) escolhido e indicado pelos gestores da Rede Maggye para que possam indicar o verdadeiro programa de necessidades de um CCZ decente;

    2 – Um corpo gestor para realizar o acompanhamento das obras bem como dos pagamentos realizados com membros da Secretaria Municipal da Saúde e membros da sociedade civil (sem coleguismos/apadrinhamentos/outros por parte da ADM pública) devendo primeiramente serem analisados os nomes indicados pelos profissionais envolvidos no projeto;

    3 – Isenção de interferências projetuais pelos gestores públicos;

    4 – Liberdade de criação projetual.

    5 – Outros tópicos que serão posteriormente discutidos.

    A fiscalização através do CREA/CAU poderá ser realizada tranquilamente, desde que apenas sobre as suas áreas/profissionais de competência respeitando a liberdade das minhas áreas cujas responsabilidades serão formalizadas no contrato.

    Assim, fica a oferta e o desafio à Prefeitura de Londrina.

    Ou será que discordam de alguns itens elencados pois sabem que não conseguirão meter a mão na cumbuca se assim o for e, portanto, farão de conta que não ficaram sabendo desta minha proposta?

    Vamos trabalhar decentemente por uma Londrina realmente digna para todos?

  • “Só dizáiner?” (sic)

    É pessoal, depois eu que sou ranzinza e birrento. Mais uma vez me deparei com uma situação constrangedora em uma loja aqui de Londrina.

    Estava com um amigo/cliente acompanhando-o em compras, quando resolvemos procurar puxadores para os criados-mudos recentemente adquiridos. Como a Belquímica (onde costumo comprar materiais de marcenaria) encontrava-se fechada em razão de férias coletivas fomos até a Casa dos Puxadores, na Rua Belo Horizonte 450, aqui na cidade de Londrina.

    Verificamos o mostruário disponível sem acompanhamento ou qualquer interferência do vendedor que estava atrás do balcão, entretido no computador fazendo não sei o que. Definido o modelo chamei este vendedor para solicitar oito peças do produto escolhido.

    Como eu já imaginava que o valor em RT seria ridículo, solicitei ao vendedor que o revertesse em desconto para o cliente.

    Ele me perguntou se eu tinha cadastro na loja. Respondi que provavelmente não e ele falou que iria primeiramente fazer o cadastro. Perguntou-me então “O senhor é o ARQUITETO…(?)

    Respondi de pronto que eu não era arquiteto e sim DESIGNER.

    Ele olhou para mim com certo desdém e soltou:

    Só dizáiner(SIC)?”

    Questionei “como assim “só designer? Sou um especificador da mesma forma que eles.

    Então, indiferente à situação de embaraço a que submeteu o cliente, ele retrucou: “Nosso sistema só aceita arquitetos”.

    Reiterei que eu, na qualidade de designer, sou um especificador assim como qualquer arquiteto. Ou melhor, na maioria das vezes muito mais que os arquitetos, considerando que dentre as competências profissionais do designer destaca-se a de projetar e produzir os móveis por completo e não apenas comprá-los em lojas de móveis.

    A resposta do vendedor foi que “não tem como cadastrar a não ser que o meu supervisor libere o sistema“.

    Meu cliente, indignado com a situação, ao perceber o constrangimento e a falta de respeito profissional em relação a mim – creio que deveria estar visível o meu rosto roxo de raiva – pediu para sairmos dali e encontrar outra loja.

    Antes de sair, falei para o vendedor que a loja perdeu um especificador, vendas futuras e também que não espere que eu fale bem da loja onde for.

    No caminho para o carro meu cliente (formado em grau superior, pós-graduação em nível de doutorado) estava perplexo! De origem paulistana, morando alguns anos em Londrina, disse que se surpreendeu pela forma ignorante, medíocre e provinciana de perguntar “você é só designer?”! Como se houvesse graus inferiores no exercício da excelência profissional. Na conversa, mostrou-me por analogia como se aplicaria este absurdo em outros ramos técnicos ou profissionais, no âmbito da pesquisa, tecnologia e congêneres.

    É preciso respeitar as competências específicas de cada área, inclusive considerando suas intersecções, que não obscurecem a identidade profissional. Ao contrário, segundo este cliente, num contexto onde valorizamos a interdisciplinaridade e as decorrentes interações na elaboração de projetos (em qualquer área) como condição sine qua non de qualidade e confiabilidade, esta reserva de mercado é obsoleta e inaceitável. Em outras palavras, um mercado de “mente pequena”, atrasado e de olhar míope para a própria realidade.

    Como se pode observar, a indignação deste cliente lhe permitiu entender o corporativismo grosseiro e anacrônico que ainda reina nesta área profissional em Londrina: um sério obstáculo para parcerias que seriam bem vindas e que, com certeza por meio de uma sadia concorrência, proporcionaria o avanço em inovações de projetos para além da estagnação da criatividade que marca especificamente o mercado londrinense.

    Na verdade, um mercado com contradições! Nem tudo está perdido! Saímos desta loja – Casa dos Puxadores – e fomos para outra próxima, do outro lado da rua Belo Horizonte, onde fomos bem atendidos com respeito profissional na compra dos puxadores de ótima qualidade.

    Esta situação merece uma reflexão crítica muito séria e mais aprofundada: este caso deste vendedor e da loja que ele representa – que não é isolado – manifesta um corporativismo latente por detrás dos balcões comerciais. Para além de um comércio tacanho, a pergunta que devemos sempre fazer é a seguinte: a quem realmente interessa estas práticas de visão estreita?

    É pessoal, aqui em Londrina – assim como em cidades do porte de Londrina e menores – podemos constatar uma certa “máfia” de arquitetos, encabeçada por uns poucos que se acham “estrelinhas” em torno dos quais gravitam aqueles que se contentam com migalhas do mercado sob tácita reserva. Entretanto, vários destas “estrelinhas” precisam ficar fazendo interiores pra sobreviver, confundindo ou enganando os clientes e, por sua vez, demonstrando claramente sua incompetência em destacar o que é específico no exercício profissional de arquitetura, sua verdadeira formação.

    No que se refere à formação – inclusive do ponto de vista de uma ética profissional – cabe aos cursos de Design implementarem com seriedade curricular um diálogo com a Arquitetura – desde que esta se abra para isso – demarcando claramente as competências e as possibilidades de interação profissionais, abrindo o mercado para parcerias produtivas e para o respeito das especificidades de atuação. Não se pode mais suportar estratégias escusas e imorais para garantir reserva corporativista de mercado.

    Considerando o Curso de Design ofertado pela UNOPAR, espero sinceramente que seu novo gestor, a empresa Kroton Educacional, sem se tornar refém de “coleguismos” provincianos,  promova um efetivo “choque de gestão” priorizando a qualidade curricular deste Curso sobretudo com a contratação de docentes de reconhecida competência para as áreas teórico-práticas e tecnológicas relacionadas com o Design.

    Indo mais a fundo no problema inicial deste post, aqui em Londrina, arquitetos recebem o quanto querem como RTs das lojas (já ouvi relatos de até 40%) enquanto os designers tem de chorar muito para conseguir míseros 5% – quando conseguem isso. Pouquíssimas são as lojas que nos dão 10% de comissão. Sem considerar que muitas lojas também são coagidas a privilegiar os arquitetos, com receio de perder clientela. No entanto, os colegas designers por necessidade continuam levando clientes, submetendo-se a essa humilhação. Seria muito melhor se fossem éticos com seus clientes, relatassem como isso tudo acontece – inclusive a existência das RTs. Certamente o cliente ficaria do seu lado e não da loja.

    Outro detalhe: as RTs dos arquitetos são pagas rapidamente. Estou com três lojas que, desde maio deste ano, estão me “enrolando” e não me pagam o que me devem de RT.

    Aqui em Londrina rolam altos coquetéis das lojas, construtoras e empreiteiras que NUNCA convidam designers. O que acontece (e sei disso através de uma amiga que organiza as melhores festas aqui) é que um determinado grupo de arquitetos assedia os organizadores para saber quem são os convidados e, se tiver um único designer convidado eles boicotam a festa. Já relatei isso aqui em meu blog e já vinha relatando antes dele, ainda no orkut. Como vêem, nada mudou por aqui.

    Enquanto isso na “Ilha da Fantasia” a ABD fica fazendo festinha e carnaval mascarando o real problema que afeta o mercado, isto é, a dura realidade a que somos submetidos diariamente.

    Enquanto a nossa categoria (designers de interiores/ambientes) não conseguir reverter a asneira que a ABD fez junto ao grupo do prof Freddy Van Camp e termos a nossa área inserida no projeto de regulamentação do Design as coisas continuarão a ser assim. Fica aqui mais uma vez a minha solicitação para que o grupo do professor Freddy e os deputados envolvidos reavaliem essa questão pois a ABD, por interesses estranhos que rolam nos bastidores, não tem qualquer autonomia ou autoridade representativa para decidir sobre a nossa profissão, nosso futuro profissional.

    A ABD afirma que não há essa rinha entre arquitetos e designers, porém até mesmo o Ricardo Botelho (que vocês conhecem muito bem) já escreveu recentemente sobre isso no portal ADForum. Tanto não há que a ABD insiste em não enquadrar ou separar os profissionais corretamente como Designers de Interiores/Ambientes, Arquitetos Decoradores e Decoradores. Irresponsavelmente, insistem em dizer que são a mesma coisa. Porém ficam quietos quando os arquitetos “sentam o cacete” nos designers.

    Percebo claramente que a ABD continua refém do mesmo grupinho de “espertalhões” que se acham poderosos e espertos. Mas na verdade escondem as intenções oportunistas que não condizem com a maioria dos profissionais sérios que não participam da “rodinha” privilegiada.

    Talvez o pessoal das grandes cidades não consiga entender estes problemas por ser bem mais difícil que estes aconteçam já que a realidade é bem diferente. Sempre recebo convites de empresas de São Paulo, Campinas e Curitiba para seus coquetéis e festas. Mas mesmo que não sintam estas dificuldades e não passem por estas humilhações diariamente não quer dizer que devem se calar e não defender a nossa classe profissional.

    Então, profissionais, acadêmicos e docentes de Design de Interiores/Ambientes, acordem. Leiam e releiam este post quantas vezes forem necessárias para refletir sobre esta (e tantas outras) situação estúpida que temos de nos submeter diariamente longe dos grandes centros. Somos formados, estudamos muito como qualquer outra profissão exige. Então não tem porque termos de nos submeter a este tipo de humilhação diariamente.

    Se a ABD não se mexe, nos mexamos nós então. Aqui vão, inicialmente, algumas sugestões de como nos unir. Vou refletir sobre isso e soltarei um post em breve com mais sugestões para educar o mercado.

    1 – Entrem em contato com o grupo do professor Freddy Van Camp pedindo que acrescentem Interiores/Ambientes nas especialidades do PL de regulamentação do Design com urgência. Se você já passou por alguma situação constrangedora ou vexatória não tenha vergonha de relatar isso a eles.

    2 – Converse com as lojas (preferencialmente com o gerente) antes de levar os clientes para compras. Ligue e diga que é arquiteto (invente um nome) e pergunte quanto é a RT. Depois ligue, apresente-se corretamente e questione quanto é a RT. Se houver diferença, fale na cara dura que a loja perdeu um especificador e o porquê disso. Também avise seus colegas profissionais de sua cidade sobre a sacanagem que tal loja faz.

    3 – Boicote também as lojas que fazem coquetéis e festas “só para arquitetos”.

    4 – Se algum estabelecimento – ou alguém – exigir a sua carteira de associado da ABD para seja lá o que for, diga claramente que ela não é um Conselho Federal, não tem poder legal, portanto não há o menor cabimento nessa exigência.

    Bom é isso por hora.

    Hoje é meu aniversário e eu não conseguiria curtir tranquilo a minha festinha aqui em casa sem colocar isso para fora.

  • Vai nessa onda de “como fazer” vai…

    (Texto publicado originalmente no facebook como nota em meu perfil, no dia 18 de março de 2011 às 17:05hs. Me esqueci de postar aqui)

    Como são as coisas….

    Ainda ha pouco antes de sair pra uma obra comentei no TT que os blogs, sites e revistas de decoração e design deveriam parar com a mania estúpida de soltar matérias de “como fazer/comprar/etc” uma vez que atingem o público leigo no assunto construção/reforma/etc e deveriam sim passar a publicar materias do tipo “saiba porque voce DEVE contratar um profissional habilitado para tais coisas”…

    Numa das minhas atuais obras tem uma casa na frente que  estaVA em obras até a semana passada. E não é qualquer casinha em um bairro qualquer não.

    Pois bem, tinha um pedreiro lá na casa da frente que tentou de todas as maneiras pegar o trabalho na minha obra.

    Só que percebi de cara que não tinha placa alguma na obra dele, deduzi então que não havia um profissional na área…

    Quando entramos na casa para eu conhecer o espaço da minha obra, o danado abandonou a obra dele lá e veio junto pois meu cliente tinha comentado com ele dias atrás que tinha comprado a casa e iria iniciar a reforma.

    Pois bem, ele na nossa cola, não me deixava conversar com meu cliente. Interfiria em tudo.

    Até que chegou um ponto em que eu comentei que provavelmente não seria tão simples a abertura de uma parede enorme para fazer uma cozinha americana dada a espessura da parede: tinha visualmente todas as caracteristicas de alvenaria estrutural e, mesmo que não tivesse seria necessária a contratação de um engenheiro para lidar com a parte estrutural.

    Nisso o cara surtou e disse:

    Que é isso, eu ja tenho anos de experiência. Se o senhor (cliente) me contratar, segunda mesmo já entro na obra e meto a marreta onde o senhor quiser, abro as paredes que o senhor quiser“.

    Fiquei olhando atônito a cena e comentei com meu cliente que não era tão simples assim ainda mais que a construção estava parada ha mais de 18 anos, no reboco e estava cheia de infiltrações. Portanto, necessitariamos pegar um engenheiro estrutural para fazer uma análise do caso de verificar as possibilidades.

    O pedreiro caiu na gargalhada e soltou pro meu cliente:

    Tá vendo? Vai contratar esse tipo de gente pra tua obra e eles só te fazem gastar grana com coisa idiota. Eu já tenho anos de experiência, cansei de derrubar paredes e nunca tive problema algum.

    Meu cliente percebeu que eu já estava nervoso e me chamou para irmos embora e conversar em outro lugar. Paramos na próxima esquina mesmo e falei que eu não sabia nem o que dizer diante de tamanha afronta e absurdo. Não é a toa que vemos casas e mais casas nas vilas despencando. Ele me pediu para chamar o engenheiro.

    Chamei um amigo meu que já tem mais de 20 anos de experiência e fomos lá na obra. Quando entramos, o danadinho veio correndo lá da casa da frente e entrou junto (intrometido é pouco!), dessa vez munido de sua trena (provavelmente pra demonstrar alguma credibilidade, sei lá) e já entrou medindo ate pedrinhas que tinham no chão…

    E eu tentando conversar com o engenheiro que foi categórico:

    Não dá. Pra fazer estas alterações terá de gastar muito com a parte estrutural que terá de ser refeita, colocar várias vigas metálicas “I”, levantar colunas… e o orçamento está apertado demais para isso.”

    O pedreiro caiu na gargalhada e chamou o meu amigo engenheiro de ignorante, que não sabe de nada…

    Tive de segurar meu amigo pra porrada não rolar, claro. E pedir pro pedreiro sumir dali.

    Depois fui com meu cliente explicar tudo o que o engenheiro tinha falado e adivinhem?

    É… o fidaputinha veio na cola de novo… E já entrou praticamente com contrato numa mão e a marreta na outra.

    Como eu já tinha explicado pro  meu cliente antes de chegar à casa tudo o que o engenheiro tinha falado e o que tinha rolado com o pedreiro, meu cliente resolveu então dar mais 5 minutos de chance, até que, ao ver que ele não me respeitava como profissional responsável pela obra e tampouco as vontades do próprio cliente pois ficava dando idéias de coisas pra fazer passando por cima de meu projeto e das vontades do cliente, meu cliente deu um passa fora no canalha.

    Tudo bem e tranquilo então, conseguimos um outro com quem já trabalhei antes e fechamos o contrato para a obra.

    Hoje fui lá para acompanhar o eletricista (credenciado junto ao CREA tá linguarudas) que tinha de deixar preparada a entrada para a Copel (pois nem isso tem na casa) e vejo a obra da casa da frente parada.

    Nisso uma vizinha apareceu, puxou conversa e descobri que o dono da obra da frente tinha mandado o cara embora na porrada dias atras… Motivos?

    1- 12 (DOZE) esquadrias novas da Sasazaki colocadas todas tortas, fora de prumo, algumas até ficaram danificadas e outras que não abriam ou “enroscavam”….

    2 – pisos da Portobelo, Gyotoku e outras mais caras desperdiçados pois foram colocados que nem o >*< do pedreiro seguindo a paginação que ele achava mais correta – do total da área mais os 15%, ele conseguiu fazer faltar pisos.

    Moral da história???

    Bem feito!!!

    Quem mandou não contratar um profissional habilitado para fazer o projeto ou acompanhar a obra.

    Fica entrando na onda dessas revistas, sites e blogs que “ensinam como fazer” tem de se ferrar mesmo!!!!

    Nisso o dono da obra da frente chega e, me vendo, me chama e diz: “vem ver uma coisa“. E entrei na tal obra.

    Gézuiiiiiiiiiiiiiz!!!

    O cara além de incompetente é altamente porco no serviço.

    Saímos da casa e o cara falou: “vou precisar conversar com você depois ok?

    Ok! Pensei: Tudo bem, mas veja se dessa vez me contrata e siga as minhas especificações. Prejuízo você já levou e não tem como voltar atrás.

    Fica então o alerta para os meus seguidores, leitores e amigos:

    Não se meta a fazer algo só porque essa ou aquela revista botou um “como faz” (Do It Yourself – DIY) ou porque você acha que tem bom gosto o suficiente para fazer a obra sem o acompanhamento de um profissional habilitado.

    As coisas não são tão simples assim.

    Tem muita coisa técnica envolvida num projeto que, pedreiros, por mais que tenham 1.000 anos de experiência não entendem. Tem de ter o profissional ali do lado acompanhando e explicando exatamente para eles não o “como faz”, mas sim o “como faz corretamente”.

    #FicaDica

    ——–Nota pós publicação———

    Não fui mais contatado pelo dono da casa após isso. No entanto, segundo a mesma vizinha, a esposa dele assumiu o “acompanhamento da obra”. Enquanto eu acompanhava a minha obra, presenciei várias discussões e o troca troca de pedreiros lá. Acabaram terminando a obra de qualquer jeito e o sonho de ir morar na casa desmantelou-se, pois venderam a casa.