Categoria: mercado

  • Vai nessa onda de “como fazer” vai…

    (Texto publicado originalmente no facebook como nota em meu perfil, no dia 18 de março de 2011 às 17:05hs. Me esqueci de postar aqui)

    Como são as coisas….

    Ainda ha pouco antes de sair pra uma obra comentei no TT que os blogs, sites e revistas de decoração e design deveriam parar com a mania estúpida de soltar matérias de “como fazer/comprar/etc” uma vez que atingem o público leigo no assunto construção/reforma/etc e deveriam sim passar a publicar materias do tipo “saiba porque voce DEVE contratar um profissional habilitado para tais coisas”…

    Numa das minhas atuais obras tem uma casa na frente que  estaVA em obras até a semana passada. E não é qualquer casinha em um bairro qualquer não.

    Pois bem, tinha um pedreiro lá na casa da frente que tentou de todas as maneiras pegar o trabalho na minha obra.

    Só que percebi de cara que não tinha placa alguma na obra dele, deduzi então que não havia um profissional na área…

    Quando entramos na casa para eu conhecer o espaço da minha obra, o danado abandonou a obra dele lá e veio junto pois meu cliente tinha comentado com ele dias atrás que tinha comprado a casa e iria iniciar a reforma.

    Pois bem, ele na nossa cola, não me deixava conversar com meu cliente. Interfiria em tudo.

    Até que chegou um ponto em que eu comentei que provavelmente não seria tão simples a abertura de uma parede enorme para fazer uma cozinha americana dada a espessura da parede: tinha visualmente todas as caracteristicas de alvenaria estrutural e, mesmo que não tivesse seria necessária a contratação de um engenheiro para lidar com a parte estrutural.

    Nisso o cara surtou e disse:

    Que é isso, eu ja tenho anos de experiência. Se o senhor (cliente) me contratar, segunda mesmo já entro na obra e meto a marreta onde o senhor quiser, abro as paredes que o senhor quiser“.

    Fiquei olhando atônito a cena e comentei com meu cliente que não era tão simples assim ainda mais que a construção estava parada ha mais de 18 anos, no reboco e estava cheia de infiltrações. Portanto, necessitariamos pegar um engenheiro estrutural para fazer uma análise do caso de verificar as possibilidades.

    O pedreiro caiu na gargalhada e soltou pro meu cliente:

    Tá vendo? Vai contratar esse tipo de gente pra tua obra e eles só te fazem gastar grana com coisa idiota. Eu já tenho anos de experiência, cansei de derrubar paredes e nunca tive problema algum.

    Meu cliente percebeu que eu já estava nervoso e me chamou para irmos embora e conversar em outro lugar. Paramos na próxima esquina mesmo e falei que eu não sabia nem o que dizer diante de tamanha afronta e absurdo. Não é a toa que vemos casas e mais casas nas vilas despencando. Ele me pediu para chamar o engenheiro.

    Chamei um amigo meu que já tem mais de 20 anos de experiência e fomos lá na obra. Quando entramos, o danadinho veio correndo lá da casa da frente e entrou junto (intrometido é pouco!), dessa vez munido de sua trena (provavelmente pra demonstrar alguma credibilidade, sei lá) e já entrou medindo ate pedrinhas que tinham no chão…

    E eu tentando conversar com o engenheiro que foi categórico:

    Não dá. Pra fazer estas alterações terá de gastar muito com a parte estrutural que terá de ser refeita, colocar várias vigas metálicas “I”, levantar colunas… e o orçamento está apertado demais para isso.”

    O pedreiro caiu na gargalhada e chamou o meu amigo engenheiro de ignorante, que não sabe de nada…

    Tive de segurar meu amigo pra porrada não rolar, claro. E pedir pro pedreiro sumir dali.

    Depois fui com meu cliente explicar tudo o que o engenheiro tinha falado e adivinhem?

    É… o fidaputinha veio na cola de novo… E já entrou praticamente com contrato numa mão e a marreta na outra.

    Como eu já tinha explicado pro  meu cliente antes de chegar à casa tudo o que o engenheiro tinha falado e o que tinha rolado com o pedreiro, meu cliente resolveu então dar mais 5 minutos de chance, até que, ao ver que ele não me respeitava como profissional responsável pela obra e tampouco as vontades do próprio cliente pois ficava dando idéias de coisas pra fazer passando por cima de meu projeto e das vontades do cliente, meu cliente deu um passa fora no canalha.

    Tudo bem e tranquilo então, conseguimos um outro com quem já trabalhei antes e fechamos o contrato para a obra.

    Hoje fui lá para acompanhar o eletricista (credenciado junto ao CREA tá linguarudas) que tinha de deixar preparada a entrada para a Copel (pois nem isso tem na casa) e vejo a obra da casa da frente parada.

    Nisso uma vizinha apareceu, puxou conversa e descobri que o dono da obra da frente tinha mandado o cara embora na porrada dias atras… Motivos?

    1- 12 (DOZE) esquadrias novas da Sasazaki colocadas todas tortas, fora de prumo, algumas até ficaram danificadas e outras que não abriam ou “enroscavam”….

    2 – pisos da Portobelo, Gyotoku e outras mais caras desperdiçados pois foram colocados que nem o >*< do pedreiro seguindo a paginação que ele achava mais correta – do total da área mais os 15%, ele conseguiu fazer faltar pisos.

    Moral da história???

    Bem feito!!!

    Quem mandou não contratar um profissional habilitado para fazer o projeto ou acompanhar a obra.

    Fica entrando na onda dessas revistas, sites e blogs que “ensinam como fazer” tem de se ferrar mesmo!!!!

    Nisso o dono da obra da frente chega e, me vendo, me chama e diz: “vem ver uma coisa“. E entrei na tal obra.

    Gézuiiiiiiiiiiiiiz!!!

    O cara além de incompetente é altamente porco no serviço.

    Saímos da casa e o cara falou: “vou precisar conversar com você depois ok?

    Ok! Pensei: Tudo bem, mas veja se dessa vez me contrata e siga as minhas especificações. Prejuízo você já levou e não tem como voltar atrás.

    Fica então o alerta para os meus seguidores, leitores e amigos:

    Não se meta a fazer algo só porque essa ou aquela revista botou um “como faz” (Do It Yourself – DIY) ou porque você acha que tem bom gosto o suficiente para fazer a obra sem o acompanhamento de um profissional habilitado.

    As coisas não são tão simples assim.

    Tem muita coisa técnica envolvida num projeto que, pedreiros, por mais que tenham 1.000 anos de experiência não entendem. Tem de ter o profissional ali do lado acompanhando e explicando exatamente para eles não o “como faz”, mas sim o “como faz corretamente”.

    #FicaDica

    ——–Nota pós publicação———

    Não fui mais contatado pelo dono da casa após isso. No entanto, segundo a mesma vizinha, a esposa dele assumiu o “acompanhamento da obra”. Enquanto eu acompanhava a minha obra, presenciei várias discussões e o troca troca de pedreiros lá. Acabaram terminando a obra de qualquer jeito e o sonho de ir morar na casa desmantelou-se, pois venderam a casa.

  • LD – a carnificina da mídia continua…

    Well, well, welllllllllllllllll……

    Vi dias atrás um vídeo enviado por um amigo meu sobre uma reportagem que o canal Record (leia-se igreja, hipocrisia e similares) apresentou em seu programa matinal Hoje em Dia. Trata-se de uma pauta do quadro “Arrumando a Casa”. Podemos tranquilamente defini-lo como algo do tipo Do It Yourself (DIY).

    Muitas coisas cabem no DIY porém, a maioria dos itens que englobam uma reforma NÃO! Pior ainda se falarmos de iluminação.

    Bem, a matéria começa – após uma péssima apresentação pela bela, porém sem graça, Gianne Albertoni – com uma arquiteta que se diz Lighting Designer… (duvido e explico a seguir).

    Fui atrás de informações sobre ela após ver e ouvir a sua primeira fala onde, em resumo, ela compara um projeto de iluminação com, acreditem, um vestidinho preto básico. =0 (se fosse LD realmente jamais cometeria uma sandice dessas).

    Pelamor!!! Parei o vídeo e fui correndo atras do site dela para saber quem ela é, qual a sua formação, etc… Pois bem, em seu site ela diz que estudou LD e Antiquariato na europa, mais precisamente na Sotheby’s, na Chriestie’s e no Victoria & Albert Museum. Ok gente, lá vou eu entrar em cada um destes sites para procurar os tais cursos de LD oferecidos por eles e que eu NUNCA ouvi falar em lugar algum, a não ser no site dela.

    Olhem o que eu encontrei de cursos em todos estes sites que são oferecidos por essas instituições:

    Na Sotheby’s:
    Art Business
    -International Art World I
    -Ethics and Law I
    -Art Finance I
    -Research and Marketing Methodology
    -International Art World II
    -Ethics and Law II
    -Art Finance II
    -Professional Practice and Appraisal

    Fine & Decorative Art
    – Old Master paintings and connoisseurship
    – Modern art and collecting
    – Ceramics and trade
    – Furniture and interiors
    – Cataloguing and professional practice
    – Techniques and materials
    – The historical art market
    – Country-house and collection studies

    Contemporary Art
    – Art from 1960 – 1990
    – Critical issues in contemporary art
    – Curating an exhibition in both public and private galleries
    – Producing a print and web-based magazine
    – Writing and publishing art criticism
    – Research methodology
    – Study visits to North of England and Northern Germany
    – International guest lecture series and artist’s studio visits
    – Art from 1990 to the present day
    – Networks of the art world
    – Globalisation and art practices
    – Art, critisism and contemporary literature
    – Research seminars and presentations
    – Key global artists, key international exhibitions
    – Research methodologies and critical theory
    – Art law and business
    – Contemporary practices and concerns: the artist’s medium, – site-specificity, participation
    – International guest lecture series and studio visits
    – Study visit to European Biennial and exhibitions

    Photography
    – 19th Century Photography
    – 20th Century Photography
    – Academic & Professional Practice
    – Photography & Difference
    – Contemporary Photography
    – Critical Approaches
    – Academic & Professional Practice
    – The Photographic Network

    East Asian Art
    – Ritual and religious art
    – Decorative art
    – Pictorial art (paintings and prints)
    – Three-day study visit to Europe
    – Decorative art
    – Pictorial art (paintings and prints)
    – Study trip to East Asia

    Contemporary Design
    – Design 1900-1939: history, theory and market
    – Design 1940-1980: history, theory and market (Part I)
    – Academic and professional practice
    – Design 1940-1980: history, theory and market (Part II)
    – Design since 1980: history, theory and market
    – Academic and professional practice

    Interior Design
    (não consegui acessar a matriz porém Design de Interiores não forma o LD nem aqui, nem em Londres e nem na China)

    Tem também os cursos semestrais como Arts of Asia, Decorative Art and Design, Art and Business e Foundations of Western Art.

    Em local algum encontrei qualquer alusão que seja sobre LD nem neste nem nos outros dois sites (que são bem parecidos em cursos e conteúdos oferecidos). O que certamente acontece nesse caso é o que eu já imaginava apenas ao ler os nomes das “escolas”: são lojas/galerias, tem história e lidam com a história. Ao ver a palavra Antiquariato em seu currículo liguei as duas coisas e o que me apareceu claramente?

    Claro gente, aqueles lustres de cristais antigos ou aqueles abajoures da Tiffany, que custam pequenas grandes fortunas e que ela certamente viu durante os cursos de HISTÓRIA DA ARTE, DA DECORAÇÃO. Aí, sai a louca se auto-denominando LD.

    Pera lá, aí não. Ela definitivamente não é uma LD!!!

    Mas continuemos com a matéria em pauta pois tem muita coisa pra rolar ainda…

    Seguindo, entra um quadro apresentando as diferenças das lâmpadas. Não vou nem comentar os valores que aparecem nas etiquetas pois nem as chinesas conseguem custar aquilo… (salvo se vierem de contrabando).

    As aplicações são um show de horrores à parte.

    Fluorescentes tubulares são usadas em sancas, em cozinhas – quando são amplas – e em lavanderias…” Só!

    =0

    A lâmpada fluorescente economiza até 80% de energia(…)

    G.ZUIZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ!!!!!

    Está errada a informação? NÃO totalmente, pois isso vai depender absolutamente do modelo e marca da lâmpada, dos equipamentos e da qualidade do sistema elétrico e, especialmente, do PROJETO que DEVE levar em consideração as necessidades do USUÁRIO. Portanto, se for necessário ou a melhor solução, até dentro do box do banheiro podemos usar as tubulares.

    Ao apresentar as ARs, o proprio mostruário que aparece nas imagens já destrói o valor do comentário: pé direito. As lâmpadas estão instaladas por volta de 60cm acima da cabeça da repórter e da moça que está falando. Como se não bastasse esse erro ela ainda indica fazer um rebaixamento no teto e embutir os spots com as ARs.

    Os piolhos agradecem o calor que fará seus ovos (lêndeas) chocarem mais rápidos… E também a indústrica farmacêutica que vai vender muuuuuuuuito remédio para tratar as incontáveis casos de câncer de pele…

    AFF!!! (sou sádico, pois continuei assistindo mesmo depois disso tudo…)

    Depois ela fala das dicróicas…

    A instalação no mostruário está legal – ok admito. Porém os comentários a seguir são de matar.

    Ela afirma categoricamente que nos banheiros, em frente aos espelhos, não se recomenda usar as dicróicas pois elas reforçam e destacam demais, formando sombras, o que pode prejudicar na hora da maquiagem (ela certamente tem dicroicas no espelho da casa dela pois a maquiagem dela é horrorível!!! #bichamá).
    Porém ela se esquece que tem homens que moram sozinhos (e não se maqueiam – ok alguns sim), crianças, idosos que precisam de uma luz mais forte. Tudo, enfim, depende do PROJETO.

    Entram então nas lâmpadas LEDS.

    São as mais econômicas? OK.

    Duram até 25 anos?

    MINTCHIIIIIIIIIIIIIRAAAAAAAAAAA!!!

    Nem todas, só as de marcas muito boas conseguem essa façanha. Eu comprei uma chinesinha para testar e nao durou 1 semana. Troquei na loja e aconteceu novamente. Pedi meu $$ de volta, claro.

    Custam R$ 85,00??

    AH-AH-AH!

    Vai nessa….

    “Elas podem ser utilizadas em qualquer ambiente da casa.”

    Aham, sei, sei…

    As aplicações apresentadas são básicas. E, por favor né, “fios de LED”(SIC)??? Vai lá, bota um “fio de LED” não siliconado numa sanca do banheiro pra ver o que acontece.

    Nas escadas, os LEDs (balizadores, na verdade pois a “especialista” nem sabe que essa palavra existe certamente) garantem segurança (OK) e um “algo a mais”, segundo a moça “ela marca a parede como um detalhe decorativo, fica um detalhe interessante”.

    =0

    Isso, uma vendedora de uma loja que faz “projetos de iluminação di grátis” para seus clientes!!!!

    Continuem lendo pois tem mais…

    Na sequência, a reporter apresenta uma loja de iluminação mostrando o teto com aquele mundaréu de luminárias (comum em lojas de iluminação né?) e conversa com a gerente. Ela (a gerente) começa super bem ao ser confrontada com a verdade de que o cliente quando vai sozinho à loja acaba ficando perdido em meio à tantas opções (claro, com aquela poluição visual que impera nas lojas não tem como ser diferente). Ela diz que a dica é o cliente associar-se à alguém que realmente entende de iluminação.

    PERFECT!!!

    Porém – sempre tem um porém, um mas… – ela prossegue dizendo que no caso, as vendedoras da loja dela são todas treinadas e habilitadas para ajudar o cliente na escolha.

    #AltoLá!!!!

    Vendedor não é especialista. Vendedor não é projetista. Ser treinado não significa entender com profundidade o assunto para estar apto a projetar. E também só pode ser considerado habilitado quem tem um curso (superior) específico na área! Pode até ser que tenha realmente ali dentro alguém que entenda de iluminação, mas dificilmente terá um LD na equipe de vendedores.

    Tá, aqui em Londrina é “normal” isso na maioria das lojas. No resto do Brasil não é diferente. O pior é ver arquitetos, designers de interiores e decoradores jogando os projetos de iluminação nas mãos desses vendedores para serem feitos por eles. Chegam nas lojas com as plantas baixas, jogam em cima da mesa e deixam o vendedor resolver tudo, especificar tudo. Depois, claro, vendem a imagem ao cliente que o projeto todo foi feito pelo profissional… especialmente se sair em alguma coluna social, revista ou mídia. Que falta de ética heim gente???

    E não venham dizer que isso não acontece ou que o sem ética sou eu ao escrever isso, pois trata-se da mais pura verdade e vocês bem sabem disso!

    Um detalhe: não estou generalizando sobre os vendedores ok? Pois conheço alguns que dão chapéu em 99% dos profissionais (incluindo muitos “especializados”) sem ter formação alguma na área e sim, apenas a experiência de ANOS vendendo iluminação.

    Bom, vamos para o quarto?

    Pra que? Pra dizer que LD é apenas um jogo de efeitos e mostrar aplicações mais blasés e comuns, que tal?

    #MePoupe!!!

    Vamos pra cozinha???

    Pois é, nenhuma novidade.

    Porém, a iluminação – segundo a LD especializada na Europa – “é super simples de fazer… “

    Sabemos o quão fácil e simples é instalar uma built-in que fique técnica e esteticamente bem instaladas e que seja funcional… Também sabemos da facilidade de projetar e produzir um móvel com iluminação built-in…

    =0

    E no banheiro?

    Um monte de samambaias com lâmpadas a 20cm de distância…

    Prefiro acreditar que são dicroleds (pois não dá para perceber pelo vídeo) à que a dona da casa tenha de trocar as plantas semanalmente ou seja sádica ao ponto de ver diariamente assuas  plantinhas definhando sob aquela luz…

    Depois aparece um apartamento “onde cada ponto de luz foi planejado com a orientação de uma arquiteta”.

    Na imagem que faz fundo à esta fala temos um spot duplo de AR111 num rebaixo de gesso sobre uma mesa de centro com uma orquídea e três velas sobre a mesma. Pé direito básico e normal de um apartamento novo ou seja, no máximo 2,65m menos o rebaixo do gesso…

    =0

    Em seguida mostra um espaço preferido da dona onde temos samambaias iluminadas (novamente) a 20cm no máximo por spots embutidos. Pela luz, sao dicróicas normais, pois as LEDs não oferecem aquela quantidade e qualidade de luz. Tadinhas das samambaias (de novo)…

    E ainda tem mais. Agora a parte mais bizarra, no meu ponto de vista de um LD. As luminárias…

    Num bom projeto de iluminação, vale a pena investir nas luminárias“. (concordo com a frase!)

    Aí a repórter começa a mostrar algumas peças – que segundo a fala anterior vale a pena investir nelas – e creiam, isso é o que foi apresentado:

    – uma luminária de piso baseada no vestido balonê =0
    – um abajour inspirado nas lanternas japonesas… =0 =0
    – e um pendente de…
    de….
    de…
    aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh…………
    PELÚCIAAAAAAAAAAAAA!!!!!

    Em suma:

    NADA QUE SIRVA PARA UM PROJETO DE LIGHTING DESIGN! #FATO

    Pelo que se percebe, só são apresentadas peças “de dezáine”(SIC), claro, aquelas caríssimas e que rendem obesas RTs e comissões para os especificadores (“PROJETISTAS”) e vendedores.

    Até a já batida e carne de vaca Tolomeu (que tem uma péssima luz) aparece com destaque.

    Chegamos na sala de jantar…

    E aqui, o que eu escrevi lá em cima sobre a formação da “lighting dezáiner” vem à tona: um lustre de cristal antigo, com velas à mostra, sem controle algum da luz sobre a mesa. Básico, carne de vaca, arroz de festa e sem novidade alguma. A única coisa certa que ela fala é sobre a altura, que ele deve ficar acima da mesa: 1m no mínimo – e não os 60cm que insistem em pregar alguns “pseudos entendidos” e “láiguiti dizáiners de frases prontas e copiadas do gooooogre”.

    E finaliza-se a matéria com uma frase que começa bem acertada:

    A escolha do tipo de iluminação e das luminárias é muito pessoal mas” devia ter parado aqui ou deveria ter finalizado também corretamente indicando aos clientes buscarem a consultoria de um especialista em iluminação e não terminado com “essas dicas podem dar uma luz nas idéias de como valorizar ainda mais o melhor espaço do mundo: a nossa casa“.

    É, como se já não bastassem os “proficionaus” detonando com o mercado, ainda tem a mídia ABSOLUTAMENTE NADA ESPECIALIZADA E TOTALMENTE ALIENADA dando o empurrãozinho que falta pra seriedade e importância da profissão – de ser conduzida por profissionais sérios e realmente habilitados – ser jogada pra dentro do poço.

    #desengasguei

  • Fête des Lumières 2011 – Lyon, França

    A “Fête des Lumières” (Festa da Luz) nasceu no dia 8 dezembro de 1852. Começou com o povo de Lyon iluminando as suas janelas com velas e depois, desciam na rua para celebrar a instalação da estátua da Virgem Maria. Hoje a Festa das Luzes faz parte do patrimônio urbano e do calendário oficial não só da cidade, mas do país. Aqui, uma apresentação/chamada geral para a festa:

    E aqui, uma geral da festa deste ano:

    Percebam como a cidade toda se veste de luz?

    Agora vamos a alguns destaques deste ano:

    1 – Catedral Saint Jean

    O vídeo traz a apresentação em video-mapping a história da construção desta bela catedral. Do desenho à construção melhor dizendo.

    Apesar de ser um belo trabalho, essa instalação parece mais com algo relacionado ao cinema e à TV que um trabalho de lighting mesmo. Mas como esta festa da iluminação de Lyon é algo passageiro, valem as instalações também, que é mais o caso aqui.

    Percebam quase no final do vídeo que tem um momento (+- 9:08) em que não é projeção e sim iluminação mesmo feita através de projetores – magnificamente bem colocados por sinal.

    2 – Place des terreaux

    Primeiro prestem atenção no tamanho desta instalação. Todos os edifícios que circundam a praça foram envolvidos num mesmo projeto.

    Segundo ponto: destaco a maestria do mapeamento arquitetônico, a construção e desconstrução (ou destruição – no sentido de derrubar mesmo) da arquitetura envolvida.

    3 – Place de la République

    Uma bela instalação sobre o corpo humano e o movimento.

    4 – Hommage à Bartholdi – Fontaine – Place des Terreaux

    Este é sempre um dos elementos urbanos mais esperados pela população. Sempre belíssimos projetos acontecem aqui. Por sinal você sabe quem foi Bartholdi?

    Este vídeo é da edição 2010 da festa, mas vale a pena coloca-lo aqui por sua beleza.

    5 – Balais de lumières Pont du palais de justice

    A ponte, o rio, o entorno, o som e a luz….

    6 – Place des Célestins – une partie de flipper géant

    Adorei!!!

    Uma partida num fliperama gigante. Mapeamento arquitetural numa instalação interativa onde o público pode jogar e se divertir.

    7 – Bellecour Statue Louix XIV

    Lúdico, alegre e simples.

    8 – Parc de la Tête d’Or – Le Mythe de la Tête d’Or

    Uma instalação num parque para contar um mito. Luz e materiais simples. Bela e lúdica instalação!!!

    Gostou? Tem mais aqui:

    www.blogdeslumieres.fr

    Vídeos mais completos e detalhados sobre todas as instalações.

  • A história das listras

    por Ligia Fascioni

    Uma das coisas que mais me encantam no mercado editorial americano é que o volume de publicações é tão escandalosamente astronômico que dá até para um sujeito escrever um livro sobre listras e seu significado ao longo da história (sim, listras, aquelas faixas compridas de cores diferentes que estampam um tecido).

    Não pude resistir a algo assim (como poderia?) e antes de alguém achar que o meu já altíssimo nível de futilidade atingiu o seu extremo, devo dizer que essas informações podem ser bastante úteis para quem trabalha com design gráfico, artes, ilustrações ou qualquer área da comunicação visual.

    O livro se chama “The devil’s cloth: a history of stripes” e foi escrito pelo historiador de arte francês Michel Pastoureau (ele também estudou a história de várias cores que já estão na minha lista – sem trocadilhos).

    A história começa com o grande escândalo registrado em 1254 em Paris, quando uma ordem de religiosos carmelitas chegada de Jerusalém entrou na cidade usando hábitos listrados de branco e marrom. Reza a lenda que as roupas eram assim porque representavam como as vestes brancas do profeta Elias, fundador da ordem, ficaram após terem passado através de chamas. Como ele não morreu, os hábitos listrados passaram a simbolizar uma espécie de armadura de proteção. Há variações de interpretação dependendo do número e das cores das faixas (as 4 brancas representavam as virtudes cardinais: retidão, justiça, prudência e temperança; e as 3 marrons, as virtudes teológicas: fé, esperança, amor).

    Mas voltando ao escândalo, os monges foram motivo de chacota e insultados por todo mundo porque na Europa as listras estavam associadas aos países islâmicos, e, por isso, eram indignas dos cristãos. O caso era tão sério que um clérigo foi condenado à morte, em 1310, não apenas porque se casou, mas principalmente por ter sido pego em flagrante usando roupas listradas.

    Mesmo na sociedade leiga havia leis que reservavam as listras para uso exclusivo de bastardos, prostitutas, palhaços, malabaristas, coxos, boêmios, hereges e enforcados, enfim, todos aqueles que não podiam ser considerados cristãos honestos, “gente de bem”. Com o tempo, chegou-se até a ampliar o uso para identificar ocupações menos nobres como ferreiros, moleiros, açougueiros e serviçais menos qualificados. Na época, nem Judas escapou de ser representado usando seu modelito bicolor nas obras de arte. São José, inclusive, que nesse tempo carecia de prestígio (a mulher havia engravidado de Outro), aparece com bastante freqüência usando o padrão. A zebra, coitada, era um animal maldito, desnecessário esclarecer os motivos.

    As listras eram associadas ao não puro, não liso, não reto; aquilo que dividia, que mudava (um cristão honesto não podia admitir esse tipo de variedade ou diversidade). Para a cultura medieval, duas cores confrontando-se no mesmo tecido representavam o mesmo que dez cores, ou seja, a transgressão, a rebeldia.
    A popularidade veio com a heráldica, onde os brasões se dividiam em cores e, por vezes, incluíam áreas flagrantemente listradas. É que na idade média quase todo mundo podia ter seu brasão (não somente os nobres, como a gente às vezes acredita). A única regra era que o desenho fosse inédito; para se ter uma idéia, 15% da população tinha um escudo para chamar de seu, de maneira que ficou difícil evitar as linhas paralelas. Cada tipo de hachura tinha um nome e as variações eram infinitas. Os códigos das listras não apenas representavam etnias, clãs e grupos familiares europeus; as tribos africanas e os povos andinos da América do Sul mostram que a prática era quase universal. Ah, cabe dizer que, para todos os efeitos, o xadrez era considerado um tipo de super-listra.

    Mesmo tão populares, cabe dizer que, na Europa, as listras continuaram tendo uma conotação negativa, sendo mais ou menos pejorativas de acordo com o desenho. Nos brasões, elas invariavelmente indicavam cavaleiros traidores, príncipes usurpadores, plebeus, bastardos, reis pagãos, mercenários e toda a sorte da mais fina “elite” da época.

    Aos poucos os significados foram mudando e as listras verticais passaram a ser usadas pela aristocracia; já as horizontais, mais comuns, pelo serviçais. As listras viraram moda, caíram em desuso, voltaram. Nunca chamaram tanto a atenção como nas revoluções (elas representavam transgressão, lembra?) a ponto de virarem figurinha fácil em bandeiras; pelo mesmo motivo, tornaram-se as queridinhas de artistas rebeldes.

    Mesmo assim, as listras más, por assim dizer, nunca desapareceram. Elas, na verdade, caracterizam a coexistência de dois sistemas de valores opostos baseados na mesma estrutura.

    A etimologia da palavra também revela muita coisa. Em francês, o verbo rayer significa fazer listras, mas também remover, apagar, eliminar e excluir; em resumo, punição. O verbo corriger também tem o mesmo duplo sentido: fazer listras e corrigir. As “casas de correção” servem para punir e as janelas são ornadas com barras que parecem listras. Bars, aliás, podem ser listras ou barras (sem esquecer que sempre se pode “barrar” alguém indesejado).

    Em inglês, a palavra stripe pode ser traduzida como listra, mas também é relacionada ao verbo to strip, que pode significar tanto despir como privar, deixar sem, punir.

    Em latim, palavras como stria (listra, raia), striga (linha, sulco), strigilis (raspar, arranhar) pertencem à larga família do verbo stringere que, entre outros significados, também pode ser traduzido como fechar, tirar e privar; constringere significa, literalmente, aprisionar. Em quase todas as línguas que se pesquise, listras estão sempre associadas à exclusão, impedimento, punição.

    Os medievais acreditavam, inclusive, que além de diferenciar os bons dos maus, as listras também serviam como um portão, ou filtro, para proteger as pessoas fracas das influências nefastas do demônio. Curioso observar que hoje em dia as listras são usadas predominantemente em pijamas. E em qual situação, senão completamente indefesos na nossa cama e em pesadelos, estamos mais vulneráveis à ação dos espíritos malignos?

    No início da popularização das listras pelos cidadãos comuns, elas eram usadas apenas nas roupas íntimas. Alguém tem um palpite do porquê? Ora, essas peças tocam as partes “sujas” do nosso corpo. Sem dizer que as listras eram coloridas por tons pastel, ou seja, cores falhadas, quebradas, mutiladas, desbotadas. Com o tempo, todos os objetos e roupas relacionados à higiene (que precisam de “barras de proteção” contra o mal, no caso, a sujeira) também utilizam estruturas bicolores ou multicolores em tons pastel.

    O mundo contemporâneo é muito complexo em termos semióticos e estudar listras é um desafio de respeito. Há realmente muito que analisar: as listras das pastas de dente; a presença constante nas marcas esportivas, os onipresentes códigos de barras, o vai e vem do padrão na moda e muito mais (eu fiquei prestando muito mais atenção nas listras quando acabei de ler o livro).

    Muita coisa mudou, mas o imaginário coletivo continua representando apenas os marinheiros de mais baixo escalão com uniforme listrado, os presidiários, o malandro carioca e sua indefectível camiseta bicolor e os gânsters em seus ternos de risca…

    E você, já se alistou?

     

  • iés! Nóis tá na roça!!!

    Ontem o Senado aprovou a regulamentação da profissão de DJ!!!!!!

    U-A-W!!!

    Realmente este é um profissional extremamente útil e importante para a sociedade. Arrisco-me a dizer IMPRESCINDÍVEL, NECESSÁRIO!!! O que seria de nossa sociedade sem a existência destes profissionais não é mesmo?

    Veja o texto completo aqui.

    Enquanto isso, nós designers continuamos enfrentando o DESCASO e os lobbies de nossos parlamentares que chegam ao absurdo de referir-se ao Design como mero artesanato (sim ainda hoje tem imbecil que pensa assim lá no Congresso Nacional). Talvez por isso vemos tantos materiais de campanha (gráfico e produto) de péssima qualidade nas eleições…

    Mas voltando aos DJs. Que fique bem claro que eu não tenho absolutamente nada contra eles até porque adoro me jogar numa pista de dança (desde que a música seja boa) e me acabar. Só saio quando o corpo pede cama! Mas, regulamentar esta profissão é uma afronta a várias categorias profissionais, especialmente a nós, designers, que já estamos ha décadas tentando regulamentar a nossa profissão sem sucesso.

    “Art. 25. ………………………………….
    Parágrafo único. A realização de eventos com a utilização de profissionais estrangeiros deverá ter, obrigatoriamente, a participação de, pelo menos, 70% (setenta por cento) de profissionais brasileiros.” (NR)

    O texto torna obrigatória a participação de pelo menos 70% de profissionais brasileiros nos eventos promovidos no País com atrações estrangeiras. Pois bem, se isso não for RESERVA DE MERCADO, não sei mais ler. Isso deixa claro que este argumento utilizado CONTRA a regulamentação do Design é BALELA, conversa pra boi dormir.

    Acham pouco? Olhem isso:

    “Art. 7º………………..
    IV – …….
    § 3º O DJ ou Profissional de Cabine de Som DJ (disc-jockey) e o Produtor DJ (disc-jockey), se estrangeiros, ficam dispensados das condições exigidas neste artigo, desde que sua permanência no território nacional não ultrapasse o período de 60 (sessenta) dias.” (NR)

    Aham, FORA INTRUSOS!!!

    Mais outra coisa interessante:

    “Art. 24. É livre a criação interpretativa do Artista, do Técnico em Espetáculos de Diversões, do DJ ou Profissional de Cabine de Som DJ (disc-jockey) e do Produtor DJ (disc-jockey), respeitado o texto da obra.” (NR)

    Ou seja: Madonna cria uma bela música, o DJ vem e detona com a música descaracterizando-a (na maioria das vezes) e alterando-a completamente (por vezes até o ritmo e a voz são modificados) e ganha dinheiro com isso. Mas o autor que se FODA!!! Não leva nada!!! Afinal já paguei pro ECAD (duvido!) pelos direitos autorais.

    Aham… senta lá cráudia!!!

    É meus amigos, realmente vivemos numa PUTOcracia!!!

    Porém toda regulamentação deve ser normatizada por um conselho federal. Assim fica aqui então esta questão para esse futuro conselho deliberar e tomar providências URGENTES:

    1 – o DJ será responsabilizado pelos danos físicos (diminuição ou perda parcial de audição) dos “usuários de seus produtos”?

    Posso colocar ainda outra questão:

    Uma aulinha grátis sobre o poder e influência da música sobre as pessoas:

    Quando fiz faculdade de música, numa das pesquisas desenvolvidas analisamos a questão da influência do som nas pessoas. Uma delas versava sobre as diferenças de reações das pessoas entre dois tipos de músicas: dance e techno (e suas variantes como o trance,por exemplo).

    Dance: por ter uma batida mais tranquila – apesar de altamente dançante e bem marcada – tem letra, canto, voz. Isso proporciona às pessoas cantar, o que libera seus “demônios” ao mesmo tempo em que dançam, transpiram, exercitam seus corpos. Olhem este exemplo da Deborah Cox:

    Nussss como dancei e cantei essa música ahahah

    Techno: por ser totalmente instrumental não existe o elemento canto. Também é uma música totalmente eletrônica e raramente aparece uma ou outra palavra (geralmente falada e não cantada). Esta música é mais “dura”, robotizada podemos dizer. Até mesmo a dança é diferente pois leva as pessoas a um estado de tensão muscular constante. Logo, a liberação da expressão falada/cantada é praticamente NULA. Não foi surpresa para nós quando percebemos que em locais onde este tipo de música imperava eram constantes as brigas, discussões, bate bocas e, em muitas vezes porrada mesmo. Olhem este exemplo de techno:

    Eu particularmente nunca gostei disso…

    Temos de lembrar também das músicas que incitam a violência explicitamente em suas letras ou sob a máscara da identidade da banda, sob a alegação da tal “liberdade de expressão” ou “liberdade artística”.

    Agora vem outra questão para o futuro conselho:

    O DJ será responsabilizado por estes danos à integridade física dos consumidores de seu produto? Coloco isso pois se o cara quer trabalhar com música, deve, no mínimo, ter uma formação em música, especialmente nas questões que envolvem a musicoterapia.

    Poderia citar ainda outras situações envolvendo esta regulamentação que foi feita (à partir da leitura do texto) de maneira totalmente IRRESPONSÁVEL isentando os profissionais envolvidos de qualquer responsabilidade.

    Esperamos agora (escrevo agora em nome de toda a sociedade de bem) que os nobres parlamentares que aprovaram essa regulamentação fiquem em cima deste futuro conselho federal EXIGINDO a análise e consideração destas e de outras questões sérias e que envolvem o trabalho desenvolvido por estes profissionais e seus consumidores que, segundo a Lei de regulamentação, deve considerar o risco ao usuário.

    Pedimos também aos nobres parlamentares que apóiem o projeto de lei 1391/2011 que dispõe sobre o exercício profissional de Design que está com o deputado José Luiz Penna (PV-SP).

    Design não é artesanato e não pedimos uma reserva de mercado. Apenas pedimos que a nossa profissão seja respeitada, reconhecida e que os profissionais envolvidos em sua prática profissional sejam responsáveis por seus trabalhos realizados. Leiam esta Carta Aberta ao Senado Federal que postei aqui neste blog a algum tempo atrás.

    Aos que se interessarem, por favor peço que insiram a área de Design de Interiores/Ambientes neste PL. Ela não foi inserida por uma manobra estúpida da ABD (Associação Brasileira dos DECORADORES) que se coloca como representante dos profissionais da área, porém só tem atrapalhado o exercício profissional dos formados em Design de Interiores/Ambientes. Prova é a retirada desta área do PL 1391/2011 sob a alegação que iriam buscar uma regulamentação própria. No entanto, não questionam o que os profissionais desejam, não respondem às nossas demandas ou seja, é uma organização meramente corporativista, lobbista e, arrisco-me a dizer: irresponsável. Sou associado ABD registrado com o n° 9024 porém estou farto de pagar anuidade para uma associação inútil que, entre outras coisas, não faz a distinção entre os profissionais da área (designers, decoradores e arquitetos) além de “avalizar” cursos de qualidade mais que duvidosa.

    Senadores e Deputados, já passou da hora de vocês trabalharem com ética e responsabilidade atendendo esta demanda de décadas.

    DESIGN NÃO É ARTESANATO!!!

    REGULAMENTEM O DESIGN JÁ!

  • IES e Design: THE

    Num post da Lígia Fascioni no facebook uma seguidora dela estava triste pois desistiu do curso. O detalhe é que ela descobriu que não sabe desenhar – já DENTRO DO CURSO.

    Respondi à ela dizendo que o problema poderia ser um destes dois:

    1 – a falta de um THE (Teste de Habilidade Específica) no vestibular que verificaria este problema através de provas de conhecimentos específicos como desenho, cálculos e outros;

    2 – a péssima formação (ou escolha, ou capacidade, ou, ou, ou) dos professores que se mostraram incapazes de ajuda-la nesse sentido por causa de sua falta de didática, metodologia, comprometimento com a EDUCAÇÃO.

    A Mônica Fuchshuber respondeu no mesmo momento comentando sobre a ausência dos THEs nos vestibulares.

    Primeiro vamos analisar o segundo item:

    É visível o despreparo (didático e metodológico) de grande parte dos professores das Instituições de Ensino Superior (IES), principalmente dentro das particulares. Nestas o que vale é a “amizade” e não o mérito. Se você é amiguinho do coordenador do curso ou do reitor (dono) está dentro sem ter de passar por uma banca. Os que tem mérito ficam de fora. Pra piorar a situação vemos inúmeros professores dentro das particulares que são profissionais frustrados, que não deram certo dentro de suas áreas profissionais e acabam entrando para a “educassão” primeiramente como bico e depois acabam ficando lá, sem aprender a ministrar aulas, a preparar aulas, a pesquisar ou seja, continuam os mesmos porqueiras de quando entraram. Ou aqueles que ficam por lá apenas como “bico”, para complementar a sua renda. Ou seja: não levam a Educação à sério.

    Tive vários professores assim nas particulares por onde passei: completos ignorantes na disciplina que estavam ministrando.

    Já nas IES públicas é bem diferente: para entrar o postulante a professor tem de passar por uma banca examinadora que, além do currículo (títulos), você tem de prestar provas, ministrar uma aula teste e ainda ser entrevistado por esta banca.

    Ok, podem ocorrer coleguismos, mas são raros uma vez que se o outro candidato tiver um currículo melhor e for melhor nas outras partes da banca, não há como reprova-lo em favorecimento do amiguinho.

    Mas temos de lembrar também que isso não garante a excelência profissional deste professor. Tem muita gente que manda super bem nestas bancas e depois, por causa da estabilidade do emprego público, viram vagabundos plenos e acabam prejudicando o nome da IES e o curso. Grande parte deste grupo são ligados a sindicatos e partidos de esquerda. São sempre os primeiros a apoiar greves, são aqueles que sempre dizem que “não são pagos para fazer mais que a chamada” ou ainda que “o que eu recebo não paga o tempo que gasto preparando aulas” e assim por diante. Sempre tem uma “desculpa na ponta da língua” para justificar a sua safadeza.

    Porém, a grande maioria dos professores das IES públicas são mais que competentes e dominam a didática e a metodologia.

    Já sobre o primeiro item citado posso afirmar categoricamente: os Testes de Habilidades Específicas (THE) são mais que necessários para os cursos de Design – de TODAS as áreas.

    Como pode uma pessoa querer ser Designer se não sabe desenhar? Não sabe ao menos esboçar através de rabiscos as suas idéias? Não sabe ou menos o básico sobre o que é o Design e os conhecimentos envolvidos e necessários para atuar profissionalmente?

    Por isso percebemos que as turmas (nas IES particulares) começam com 60/80/100 alunos e formam-se com uma média de 20 – quando chega nisso. A ausência deste tipo de prova no vestibular é a responsável pelo sentimento de frustração de acadêmicos como a Isabella, que gerou essa breve discussão através do facebook da Lígia.

    É triste vermos alunos frustrados e desistindo de seus cursos por descobrirem lá dentro que não são capazes (não sabem e nem conseguem aprender a desenhar) assumindo uma culpa que não é deles e sim dos péssimos professores e da IES que não aplica o THE – claro, o idiota do aluno já injetou uma boa quantidade de dinheiro até descobrir a “sua” incompetência e incapacidade. AH AH AH.

    IES que não aplicam os THEs nos vestibulares devem ser olhadas não com um, mas com os dois pés atras pelos vestibulandos.

    Devo ressaltar ainda (novamente) que tem muita IES particular por aí que só cobra uma redação no vestibular. E olha que se o vestibulando escrever um único parágrafo (mal escrito, com péssima gramática e ortografia) já está valendo. Imaginem então o níve da “tchurma” que você terá de conviver durante o curso.

    Nesse ponto concordo plenamente com a Monica quando ela colocou que “Por isso é que as públicas continuam sendo as melhores.

    Então fica aí a dica:

    VESTIBULANDOS:

    Não é porque você é descolado, sociável, tem na cabeça zilhões de idéias fervilhando, seus olhos brilham quando vêem algo sobre Design entre tantas outras desculpas corriqueiras que você serve para ser um Designer. Se quer fazer Design procure então IES sérias, que cobram um vestibular completo (provas de conhecimentos gerais + THE) pois se você já começa sendo preguiçoso em não esforçar-se e preparar-se para enfrentar um vestibular completo, dificilmente será um profissional competente e reconhecido.

    Design não é “modismo”, não é uma coisa meramente “legal”. É sim uma profissão séria, que exigem muito esforço e empenho pessoal, muita pesquisa, técnica e visão.

    IES:

    Não sejam dinheiristas em excesso.

    Apliquem o THE e uma prova de vestibular normal (redação + conhecimentos gerais).Não sejam safadas ao ponto de abusar da recomendação do MEC (outro safado e culpado por isso) onde diz que a IES é livre para elaborar o seu vestibular sendo exigência mínima a cobrança de uma redação.

    TODAS as pessoas de bem sabem perfeitamente que esta recomendação surgiu através de lobbie, de corrupção feita nos bastidores envolvendo tanto os gestores do MEC como os representantes das IES particulares dinheiristas.

    Não façam valer os coleguismos na contratação dos professores*, usem critérios de mérito.

    Não sejam meros acolhedores de alunos mal formados no ensino básico, passando a mão na cabeça da incompetência dos governos municipais, estaduais e federal.

    Assim vocês estarão reforçando a imagem positiva de vocês perante a sociedade.

    Do contrário, vocês estão sendo co-responsáveis pelo emburrecimento da população, pela formação de péssimos profissionais, pela falta de senso crítico, pela ausência de uma sociedade sadia e pensante.

    Ou vocês acreditam mesmo que a grande maioria dos seus alunos escolheram vocês pela “excelência” do nome da IES? Pela qualidade de seus cursos?

    Não mesmo!!!

    Se nunca ouviram falar disso lá vai o nome da escolha: PPPPapai Pagou Passou – ou simplesmente PPPagou Passou. Ah, tem também a alcunha de “UniEsquina” que muitos usam para referir-se à estas IES irresponsáveis.

    Por sinal este detalhe deve ser repensado também na pressão que os coordenadores de cursos fazem sobre os professores que não podem reprovar alunos que não aparecem nas aulas, não fazem provas e não entregam trabalhos – mas pagam a mensalidade né…

    Dá para pensar num Brasil decente e parar de serem coniventes com esse país que está afundando dia a dia?

    E tenham consciência de que vocês (IES e professores coleguinhas) são co-responsáveis por isso.

    #ProntoFalei

    * talvez as porcarias de vestibulares aplicados por muitas IES seja para facilitar a vida dos “profeçores” coleguinhas dentro das salas de aulas né??? (pensando, refletindo, acrescentando).

  • Revelando segredos e conquistas – I

    Vocês se lembram de quando fiz este post aqui ainda em agosto deste ano?

    Pois é meus leitores. Está na hora de revelar o porque de tamanha bobice minha. Realmente fiquei embasbacado, boquiaberto, abobado (mais do que já sou rsrs) e extremamente feliz com uma chamada que recebi pelo skype naquele dia. Nada podia ser revelado pois estávamos em negociação e acertos dos detalhes necessários para a efetivação disso.

    Eu tenho a honra de contar com uma ávida leitora de meu blog que me cobra bastante quando fico dias sem postar nada. É a M.C. que citei no post. Na verdade ela me incita, cutuca, instiga muito sobre temas para posts.

    Então é chegada a hora de revelar a vocês o porque de eu estar me sentindo mais que orgulhoso e respeitado pelo trabalho desenvolvido aqui no blog e também honrado com esse presente (que tenho absoluta certeza de que tem as mãos de Deus nisso).

    Bom, vamos lá: quem for presenteado neste próximo sorteio da revista Lume Arquitetura irá receber a revista de estréia de uma coluna minha nela.

    É isso mesmo que vocês leram: a partir da edição n° 53 (dez/11) sou o mais novo colunista da revista Lume Arquitetura.

    A Maria Clara me falou que já vinha pensando em me convidar a algum tempo mas a pedrada mesmo veio através deste post aqui. Ele definiu o convite.

    É uma honra imensa escrever para uma mesma revista onde escrevem profissionais de excelência como o Valmir Perez – com seus fantásticos textos sobre estética, arte e luz – além, claro, de todos os outros que participam de forma fixa ou esporádica na revista. Não posso deixar de citar também a seriedade e competência de toda a equipe responsável e que trabalha para fazer da Lume Arquitetura, sem sombra de dúvida, a maior e melhor revista sobre iluminação e Lighting Design do Brasil – e que agora faço parte desta excelente equipe!!!

    Agradeço à Maria Clara por este convite e por acreditar na seriedade de meu trabalho.

    A coluna seguirá a linha editorial deste blog e levará o título Luz e Design em foco. A diferença é que lá os textos são mais curtos (rsrsrsr) porém não perdem o foco, a ética, a crítica e a acidez com relação ao mercado de Lighting Design nacional.

    Então é isso gente. Esta é a novidade para 2012.

    Eu não poderia receber um presente melhor de aniversário (27/12) e Natal.

    Não posso deixar de agradecer também a vocês leitores. Sem vocês (mesmo que anonimamente ou “apenas” aumentando o contador de acessos em busca de informação) esse reconhecimento dificilmente aconteceria.

    Um forte abraço, recheado de agradecimento, em todos vocês!!!!

  • Ah essa maldita matemática….

    Gente, sem brincadeira: a maioria dos comentários que recebo aqui no blog são de postulantes à Designer de Interiores questionando sobre a existência da matemática na profissão. Então, para ver se param com isso vai o recado:

    Tem matemática sim e não é pouca não. Porém não é nenhum bicho papão – ao menos para os esforçados.

    Fonte: Grandes Mestres da Matemática

    Na verdade, creio que não há área onde a matemática não esteja presente. Comentários como “odeio matemática” ou “sou péssimo em matemática” para mim representam apenas uma coisa: gente preguiçosa, sem vontade de esforçar-se para ser alguém na vida.

    Eu sempre fui péssimo em matemática e hoje estou aqui envolvido em cálculos e mais cálculos de iluminação – não, não uso programas que os fazem para mim.

    De uma maneira bem direta vou repetir: se quer fugir da matemática, nem sonhe em fazer Design de Interiores. Até os decoradores tem de gostar de matemática. Logo, também é uma área correlata que não te serve.

    Vamos brincar um pouco analisando as disciplinas mais comuns que compõem um curso de Design de Interiores que tem matemática:

    Projeto de Interiores – todos os módulos, sem excessão, tem matemática: cotas, medições, paginações, quantificações, etc etc etc

    Composição Espacial – ergonomia, dimensão, volumetria, geometria, etc
    Desenho – cotas, números, geometria, etc etc etc

    História da Arte – dimensões das obras: você sabe quantos m² uma tela de 1,20m x 2,00m vai ocupar de uma parede?

    Desenho Construtivo – cálculos, leituras de plantas, escalas, etc etc etc

    Antropologia Cultural – linha do tempo: você sabe dizer ha quantas décadas aconteceu a revolução industrial? Ou sabe dizer que século é este (XVIII) sem ter de contar letra por letra?

    Gestão – agenda, cronograma, orçamentos, etc etc etc

    Informática – a maioria dos softwares utilizados são baseados em numeros.

    Desenho de Perspectiva – numeros, cotas, geometroa, espacialidade, etc etc etc

    Ergonomia – altura, largura, espessura, flexibilidade, densidade, etc etc etc

    Produção Fotográfica – quantidade de luz, espacialidade, etc etc etc

    Maquete – cotas, escala, dimensão, relação, formas, geometria, etc etc etc

    Projeto de Moveis – cotas milimétricas, quantificação, espessura, largura, profundidade, ergonomia, etc etc etc

    Técnicas de Representação – escala, dimensão, etc etc etc

    Materiais e Revestimentos – escala, quantificação, dimensão, paginação, formas, geometria, composição, etc etc etc

    Instalações Elétricas e Hidráulicas – cálculo luminotécnico, quantificação, desenho, cotas, etc etc etc

    Sistemas, Equipamentos e Instalações – cálculo de carga elétrica, consumo, quantificação, etc etc etc

    Conforto Ambiental – cálculo acústico, cálculo térmico, paginação, resistênsia, absorção, reflexão, etc etc etc

    Projeto de Paisagismo e Jardinagem – quantificação, forma, geometria, volumetria, etc etc etc

    Tecnologia Dos Materiais – resistência, flexão, torção, composição, etc etc etc

    Gerenciamento de Obras – cronograma, orçamento, etc etc etc

    Métodos e Técnicas de Pesquisas – pesquisas geralmente envolvem quantificação, lógica, tabulação, percentuais, etc etc etc

    Gestão Empresarial – vai levar a sua empresa à falência por nao saber cuidar de seus gastos?

    Estes são apenas alguns exemplos de onde a matemática entra em design de Interiores/Ambientes, existem ainda outras disciplinas e componentes matemáticos presentes nessa profissão.

    Então, se você pensa em entrar nesta área pensando que não vai precisar de matemática: DESISTA!

    E aí?

    Deu preguiça?

    Vai encarar?

  • Brieffing – #ComoFaz?

    É bastante comum leitores me perguntando ou pedindo dicas sobre como briffar os clientes. Então vou ser bem direto e franco:

    Não há uma receita de bolo para isso. Cada caso é um caso e isso só se aprende com a experiência profissional.

    O brieffing TEM de ser dividido em duas grandes áreas: a objetiva (técnica) e a subjetiva (gostos, estilos, etc) sendo a segunda a mais complicada e certamente aquela que gera maior desconforto nos profissionais iniciantes.

    A primeira parte é aquela composta por todos os elementos técnicos iniciais do projeto. Nesta parte teremos de:

    – Conhecer o orçamento disponível;

    – Saber o que será feito (qual a área total, quais ambientes, etc);

    – Saber qual será o uso e quem serão os usuários (quantificação e necessidades de acessibilidade, segurança, etc);

    – Fazer as medições dos ambientes que serão projetados (incluindo portas, janelas, aberturas, elementos arquitetônicos, etc);

    – Fazer a locação (nos croquis) dos pontos de elétrica e hidráulica existentes;

    – Anotar, item por item, o que o cliente deseja alterar (pisos, revestimentos, pintura, móveis, louças e metais, iluminação, etc);

    – No caso de condomínios, saber os horários limites para realização das obras e normas de limpeza internos;

    – Conseguir com o cliente o projeto estrutural da edificação (original e de alterações posteriores se houver);

    Enfim, esta é a parte “grossa” do Brieffing comum e necessária à todos os projetos. Existem ainda outros elementos que podem ser colocados aqui nesta parte. O importante é que os croquis sejam feitos em folhas separadas para cada ambiente e, no verso, sejam anotadas as alterações – unica e exclusivamente – daquele ambiente.

    Imagem: Lu Brito – DG

    Já a segunda parte é bastante complexa pois iremos trabalhar com a parte subjetiva do projeto. É aqui que entram os gostos, estilos, definições de cores, texturas, identidade, personalidade, regionalismos, história, etc etc etc etc etc etc…

    Dica: ouça atentamente e aprenda a “ler nas entrelinhas” do que os clientes falam.

    A imagem acima é bastante clara: nesta parte exige-se muita conversa. Se a habilidade de conversar com o cliente para conhecê-lo ainda está meio crua em você, comece brincando com seus familiares e amigos.

    O ideal é que você vá caminhando com o cliente pela edificação e conversando com ele sobre cada ambiente. De posse dos croquis, vá anotando o que o cliente deseja no croqui daquele ambiente. Se está na sala, tenha o croqui da mesma em mãos e somente fale sobre a sala.

    Tem clientes que são maritacas: não param de falar, falam de tudo ao mesmo tempo. Nesses casos você tem de direcionar a conversa com o famoso “Calma, vamos por partes. Estamos na sala, jajá chegaremos ao banheiro”. (rsrs)

    Se você não tomar esta atitude vai perceber depois que as suas próprias anotações estarão uma bagunça.

    Já, muitos clientes são mais reservados. Por mais que nos contratem para realizar o projeto, são resistentes em abrir-se, especialmente sobre questões mais pessoais e íntimas. Muitos também tem uma dificuldade gigantesca em definir-se com relação a estilos: lembre-se que a grande maioria das pessoas que não trabalham com áreas correlatas à nossa são leigos sobre este tipo de coisa. Então não entupa os ouvidos deles com palavras técnicas.

    Para este tipo de cliente o melhor, na maioria das vezes, é pedir que eles folheiem revistas e tragam recortes de ambientes, móveis, cores, acessórios e etc que eles gostem. Através destes recortes você conseguirá traçar o perfil estético do seu cliente. Porém, estas imagens devem servir APENAS COMO REFERÊNCIA – jamais para cópia.

    A pior parte – no meu ponto de vista – é a pessoal. Dificilmente uma cliente irá dizer que quer o seu quarto “quente”. Geralmente usam termos como “romântico”. É óbvio que ela não vai dizer de pronto que quer uma cadeira de dominação no quarto. Esse tipo de intimidade somente vai aparecer no decorrer das conversas.

    DAS CONVERSAS sim! Pois o brieffing subjetivo é constante e NUNCA acontece numa única conversa. É uma ferramenta que deve ser utilizada durante TODO o processo, do primeiro contato até o pós ocupação.

    Também, dificilmente os pais irão dizer que o filho ou a filha é gay (raramente isso acontece). Então o quarto da menina pode não ser tão rosa quanto você imagina e o do menino também pode não ser tão azul. Por isso é importante que você tenha contato com todos aqueles que serão os usuários e procure atender às exigências de cada um para o seu quadrado.

    Outro elemento importantíssimo é com relação à vida social da família. Haverão recepções e festas na casa? e sim com que frequência? Qual o número de convidados normalmente?

    Quem geralmente oferece muitas festas quer uma casa para mostrar (status-CUS). No entanto devemos alerta-los sobre o risco do projeto não refletir a personalidade, o “eu” da família e tornar-se um ambiente desagradável.

    Bom, como podem perceber, essa segunda parte do brieffing é bastante complexa. É como uma construção: tijolinho por tijolinho. Pesca uma informação aqui, arranca à forceps outra ali e assim conseguimos IDENTIFICAR o cliente e, consequentemente, o projeto.

    É como escrevi no início: não se desespere. Isso você só vai dominar com o tempo, com a experiência.

  • 900.000 – Sorteio revista Lume Arquitetura

    Pois é pessoal, como anunciei no Facebook, vamos a mais um sorteio de assinatura da Revista Lume Arquitetura.

    Só que desta vez, em comemoração aos 900.000 acessos a este blog, a De maio Editora presenteia vocês leitores deste blog não com uma, mas com DUAS chances de ganhar a assinatura da melhor revista sobre iluminação e Lighting Design do Brasil!

    Para concorrer às assinaturas você deverá:

    1 – inscrever-se (ou já ser membro) no grupo deste blog e no de Lighting Design lá no Facebook

    2 – Compartilhar algum material (vídeo, texto, foto) sobre iluminação (relacionada à luz, projeto) que você goste muito e compartilha-lo com todos lá no grupo Lighting Design do Facebook. (apenas buscamos incitar a troca de informações e a interação entre os profissionais).

    3 – Colocar aqui embaixo nos comentários a frase: “Eu quero ganhar a assinatura da Revista Lume Arquitetura”. (este apenas para gerar os numeros de ordem de inscrição para fins do sorteio).

    O sorteio da primeira assinatura será realizado no dia 10/12/2011 às 20:00hs (horário de Brasília).

    O sorteio da segunda assinatura será realizado no dia 10/12/2011 às 20:30hs (horário de Brasília).

    Ambos serão realizados através do site http://www.random.org/

    Boa sorte à todos!!!

    Vamos ver quem foram os sortudos (ou sortudas) da vez e vão levar este presentaço da De Maio Editora?

    Vamos aos resultados?

    1° sorteio:

    Vencedora: Luciana Galvão

    2° sorteio:

    Vencedora: Natalia Ladeira

    Às felizardas:

    Entrem em contato com a Katia (katia@lumearquitetura.com.br) para formalizar a sua assinatura.

    Parabéns à Luciana e Natalia.

    A valeu pela participação dos que não tiveram sorte desta vez.

    Até o próximo sorteio!!!

    ;-)

  • Marcenarias: vamos educar o mercado?

    Profiçionalizmo…

    Acho que já comentei isso aqui em meu blog mas não me lembro se cheguei a me aprofundar sobre o assunto. Então vamos lá: a bola da vez é a safadeza da maioria dos marceneiros. Mas calma gente, a culpa não é só deles, é também de péssimos e folgados profissionais de design e arquitetura que educaram o mercado dessa forma.

    Seguinte: em março, comprei os materiais (madeiras, MDF, ferragens, etc) para fazer dois móveis aqui de casa (cabeceira e painel para TV). Estão guardados lá na loja desde o dia da compra. Até aí tudo bem.

    O problema é que eu simplesmente não estou conseguindo um marceneiro que me façam os móveis. A resposta é sempre:

    “Não trabalhamos assim, com o projetista fornecendo o material. Nós que compramos o material.”

    CraroCreidi, tá me achando com cara de idiota??? SentaLáCreidi!!!

    Sabem porque eles não trabalham assim? Então vamos esclarecer as coisas e colocar tudo em pratos limpos.

    A verdade é que eles compram os materiais e revendem pelo dobro do preço.

    Geralmente o custo calculado por eles para executarem um projeto é formulado assim:

    Custo do material + 100% deste custo + mão de obra (100% em cima da soma dos dois anteriores).

    Em números para ficar melhor exemplificado:

    Custo material: R$ 1.800,00
    Custo material repassado ao cliente: R$ 3.600,00
    Mão de obra: R$ 5.400,00
    Custo final: R$ 9.000,00

    Perceberam a safadeza? Isso é uma PUTA falta de respeito tanto com os profissionais – que chamam de “parceiros” e ainda ligam reclamando quando sumimos – quanto com os clientes.

    No entanto devo ressaltar aqui a parcela de culpa dos péssimos profissionais que geraram – e mantém – esse tipo de sem vergonhice no mercado: os profissionais de design e de arquitetura. Sim, estes tem culpa também.

    Explico:

    É fácil desenhar um móvel (até meu sobrinho com suas garatujas o faz). Difícil é projetar um móvel valendo-se de TODAS as etapas que isso exige. Incluindo a COMPRA dos materiais necessários.

    Mas os folgados e preguiçosos preferem deixar esse trabalho para os marceneiros. Escolhem o padrão ou textura pela web, por catálogos ou amostras e deixam o resto todo nas mãos dos marceneiros. Os mauricinhos e patricinhas de plantão se recusam a ir sujar suas roupas e sapatos nesse tipo de lojas. Geralmente tem uma visão dantesca desse tipo de ambiente e arrisco-me a afirmar com certeza de que a maioria NUNCA entrou numa loja desta.

    Pra que vão perder tempo numa loja de madeiras e MDF se tenho quem faz para mim? “Eu escolho daqui, ele vai lá e compra.”

    Ah não posso deixar de citar também que a grande maioria dos projetos que chegam às mãos hábeis dos marceneiros vem irregulares, cheios de falhas e também tem aqueles só esboçados geralmente acompanhados de frases como:

    “Você sabe fazer, então resolva a estrutura”.

    BURROS!!!
    ASNOS!!!!
    INCOMPETENTES!!!
    IRRESPONSÁVEIS!!!!

    Depois tem a cara de pau de reclamar do preço cobrado pelos marceneiros. Tem a cara de pau de apresentar-se como Designers.

    Por causa de vocês é praticamente impossível encontrar um marceneiro que faça estes dois móveis aqui para minha casa (já tive esse problema em outros projetos para clientes e tenho certeza que praticamente 100% dos que já tentaram isso não tiveram sucesso).

    SE o mercado tivesse sido EDUCADO da maneira correta – por bons e conscientes profissionais – essas coisas não ocorreriam.

    Então vamos nos unir e DESEDUCAR essa prática absurda dos marceneiros?

    Vamos passar a fazer os projetos COMPLETOS, comprando os materiais e forçando-os a abandonar esse estelionato enrrustido?

    Passe a comprar os materiais que serão usados em marcenaria e pare de trabalhar com marceneiros que não aceitam essa forma de prestação de serviços.

    Ou vão preferir continuar perdendo clientes por causa do alto custo da execução dos projetos ou por não encontrar um marceneiro decente e ético que produza seus móveis?

  • Integração entre Design e Arquitetura

    Estava percorrendo meu reader e no Brainstorm#9 me deparei com um post falando sobre um edifício de Sampa que o Marcelo Rosenbaum e o Guto Requena fizeram o projeto de requalificação (Ed. Brasil).

    Sim, requalificação e não revitalização. Já existia e arquitetura do espaço e eles entraram com a ferramentas do design para requalificar e dar um novo sentido não só à edificação em si mas também no entorno. Por isso a requalificação. Como bem diz o Guto no vídeo “o centro já é vivo, então não faz sentido revitalizar. ”

    Assistam os dois vídeos e vejam que belíssimo trabalho foi realizado por esta parceria entre os dois.

    Primeiro um vídeo mais institucional:

    E agora um outro onde os dois comentam mais detalhadamente sobre o projeto:

    É o que eu sempre digo: segregar para que? É muito mais útil unir-se, fazer parcerias. Todos ganham!

    ;-)

  • Home Staging???

    Já sei que muitos vão tentar afirmar que esse trabalho é uma das competências (por Lei) dos arquitetos e engenheiros. Mas calma, antes de atirar pedras e vir com trololó, não vou me referir à parte estrutural ok? Se insistirem em englobar o todo que esse tipo de parceria pode gerar em serviços tudo bem.

    Fica aqui registrada então a denúncia de reserva ilegal (e criminosa) de mercado, que fique bem claro, e que as autoridades competentes façam a sua parte punindo (dentro da LEI) os que defendem isso.

    No exterior, essa parceria com os corretores de imóveis e imobiliárias (e até mesmo com particulares) é chamada de “Home Staging”. Diferente do que muitos (dentre os poucos que conhecem esse trabalho) possam pensar, esta técnica não visa somente uma mera “encenação do imóvel ocupado ou vazio” ou seja, dar uma arrumada, redistribuir os móveis com um layout melhor. Esta técnica pode e deve ser aplicada de maneira mais ampla.

    Digamos que você leitor tem uma casa e quer vendê-la. Já parou para analisar que qualquer benfeitoria realizada na mesma aumenta o seu valor no mercado? Já percebeu que todo possível comprador torce o nariz para qualquer manchinha que tiver na parede ou riscadinho no piso?

    Sim, é bem isso mesmo. As pessoas quando buscam um imóvel novo tem preferência por aqueles que não lhe trarão trabalho assim que o adquirir. Poucos são os que buscam algo para entrar em reforma, principalmente as pesadas.

    Assim, temos nesse nicho de mercado mais uma área para os profissionais de Design de Interiores/Ambientes.

    Como? Vou explicar.

    É certo que uma casa mal arrumada, com uma distribuição ruim dos móveis acaba gerando uma visão poluída (e distorcida) dos ambientes para o possível comprador. Ele (a grande maioria) não consegue visualizar os espaços e suas possibilidades especialmente quando o imóvel ainda está habitado e consequentemente cheio dos móveis do atual morador. Então, aqui está o primeiro meio de trabalho neste mercado: arrumação.

    Mas não ficamos só nisso. Quando somos chamados para este serviço devemos fazer uma vistoria completa no imóvel. Devemos estar atentos a absolutamente tudo, dentro e fora do imóvel. SE, e somente SE, houverem problemas estruturais, aí sim devemos chamar profissionais qualificados (arquitetos e engenheiros) para resolvê-los. O restante (não estrutural), podemos trabalhar livremente no imóvel:

    – Verificar se a pintura está ok ou se precisa ser renovada/retocada.

    – Verificar as condições dos pisos e revestimentos e se necessário propor alterações.

    – Verificar se as instalações elétricas e hidráulicas estão ok,e propor as alterações nevessárias.

    – Verificar a situação dos armários embutidos que permanecerão no imóvel.

    – Verificar os gessos.

    – Verificar o paisagismo (quando houver).

    – Entre várias outras coisas.

    Percebam que para cada item destes é um trabalhão danado.

    E é assim que este DEVE ser feito. Este é o verdadeiro Home Staging.

    Tem alguns sites e profissionais (incluindo já aqui no Brasil) que pregam que devemos apenas “dar um tapa”, ou seja, mascarar os problemas, torná-los imperceptíveis ao possível comprador. Em resumo: ele que se exploda depois com o azedo abacaxi fantasiado de doce e suculento morango que o venderam.

    Isso não é ser profissional. É ser desprovido de qualquer ética e respeito pelo mercado e pelas pessoas.

    Muitos podem se perguntar: vale a pena investir antes da venda? Vou contar uma historinha:

    Uma conhecida minha de Ribeirão Preto ficou desempregada e recebeu o seu FGTS. Como estava difícil arrumar um novo emprego (por causa de sua já adiantada idade) ficou pensando em como investir de forma segura e rentável aquele dinheiro. Um dia andando pela cidade, viu num dos bairros uma casa popular à venda num dos conjuntos mais disputados da cidade e teve uma idéia. Não me recordo os valores exatos agora, mas lembro-me perfeitamente da relação entre eles. Comprou-a por aproximadamente R$ 17.000,00. Sobrou um dinheirinho e ela resolveu ajeitar a casa antes de vendê-la. Chamou uns pintores, deu uma arrumada no jardim, gramou o terreno, reformou o banheiro e a cozinha (troca de revestimentos, louças e metais). Investiu pouco mais de R$ 5.000,00 nisso tudo. Quando chamou um corretor ficou pasma ao ver que ele avaliou o imóvel em mais de R$ 30.000,00.

    O que ela fez? Vendeu, comprou outra, reformou, arrumou e vendeu e comprou outras e assim por diante. Hoje vive (e muito bem) fazendo isso. Mas como ela não é designer nem arquiteta, faz apenas para ela mesma. Me falou ainda esta semana pelo telefone (sim, já se dá ao luxo de contratar minha consultoria) que está atualmente mexendo com 12 imóveis ao mesmo tempo. Melhor que a realidade de muitos profissionais.

    Agora, imaginem vocês, meus leitores acadêmicos/profissionais, o nicho de mercado sensacional que é este.

    Imaginem vocês, meus leitores corretores/imobiliaristas/clientes, as vantagens que este tipo de prestação de serviços podem trazer para vocês.

    E isso não deve ser aplicado apenas às residências e apartamentos. Uma historinha de um outro amigo pessoal:

    Ele comprou um apartamento dele em 2003 por aproximadamente R$ 43.000,00. Fez uma reforma pesada e o valor não subiu quase nada. Com o passar do tempo acabou assumindo como síndico do condomínio. Nisso começou a perceber as absurdas gambiarras que o ex-síndico vinha fazendo e resolveu que estes problemas todos deveriam ser tratados com seriedade. Claro que, de início, os proprietários colocaram-se contra por causa do investimento necessário. Primeiro refez toda a parte elétrica e de iluminação das garagens (lighting). Os moradores perceberam que a conta de luz do condomínio diminuiu muito. Depois refez a pintura das paredes e tetos do Hall, escadarias e circulações. Na primeira visita de um corretor, este confidenciou a este meu amigo que agora, com essas pequenas melhorias, o valor do apartamento já ultrapassava os R$ 65.000,00. Os proprietários gostaram e perceberam que investir é sinal de lucrar. Resolveram então melhorar a área externa (portão de pedestres/acesso). Tiraram o telhadinho ridículo que não protegia ninguém e fizeram uma entrada decente (projeto meu executado por uma engenheira parceira). O valor do apartamento subiu para R$ 90.000,00. Alteraram a calçada implantando uma calçada verde com paisagismo, dentro da norma de acessibilidade municipal. Aumentou ainda mais o valor. Implantaram um sistema de segurança com acesso por tags e senhas individuais e câmeras de segurança. Hoje, o valor dos apartamentos está mais de R$ 150.000,00. Sempre tem corretor tocando o interfone desesperado para saber se tem algum apartamento à venda no prédio. Outro detalhe: antes eram 4 proprietários e 8 inquilinos. Hoje são 10 proprietários e 2 inquilinos no edifício. Todo esse trabalho foi feito com a minha consultoria em alguns momentos e projeto em outros. Agora, estão se preparando para uma reforma geral das fachadas e dos telhados, incluindo uma possível alteração para telhados verdes, tudo feito sob a minha concepção e supervisão (e executados por profissionais parceiros qualificados para tal).

    O que isso tudo tem a ver com Home Staging?

    Serve para mostrar que não apenas os proprietários, mas também os síndicos devem começar a repensar as suas decisões sobre investimentos nos imóveis, incluindo nas áreas comuns, no caso de condomínios.

    Isso é mercado, isso é valorização de um bem seu (ou de todos, no caso dos condomínios) e que o mercado sabe reconhecer.

    Serve também para mostrar que, apesar do termo “home”, este trabalho é bem mais amplo e não está atrelado apenas aos espaços interiores das edificações.

    OBS> e não me venham falar em direito autoral em residências e edifícios com mais de 10 anos (que são as que mais necessitam desse tipo de serviço) onde os proprietários já pagaram ao autor pelo DIREITO de fazer o que quiser com o SEU imóvel. Inclusive, botar “na chom”, caso algum birrento insista em atormentar e atrapalhar o processo alegando que “só ele, por ser autor, tem direito de alterar”. Isso é reserva de mercado. Isso é CRIME! O direito autoral já está lá registrado no acervo técnico, nas fotos, registros e plantas ok?

    Então, vamos que vamos. Temos muito trabalho a fazer.

    E a sociedade tem muito a ganhar conhecendo e investindo no trabalho sério dos Designers de Interiores/Ambientes, especialmente os proprietários e corretores de imóveis.

    Parcerias sérias só faz bem a todos.

  • Do egoísmo profissional

    (já aviso que se não gosta de textos fortes e que digam a verdade, não leia este)

    É sempre a mesma coisa: sempre que preciso de algum prestador de serviços para realizar um trabalho (pois os que trabalho geralmente já estão ocupados) e tento conseguir indicações com colegas e amigos profissionais recebo somente “não sei…” pelo telefone.

    No entanto, sempre que me ligam pedindo este tipo de informação repasso meus contatos com o maior prazer. Trouxa eu não é mesmo?

    Isso me fez pensar seriamente no egoísmo profissional. Não é apenas uma questão umbiguista, é uma expressão escrota da personalidade de muitos.

    Publiquei aqui em meu blog já a bastante tempo um modelo de contrato. Percebi que este era um dos maiores problemas e dificuldades dos acadêmicos e dos egressos. De bom grado e buscando ajudar aqueles que estão estudando ou começando a vida profissional, disponibilizei o modelo básico que eu utilizava na época, dando as explicações necessárias para o preenchimento do mesmo caso a caso.

    Porém isso me fez perceber que já na academia as pessoas são treinadas para serem egoístas no futuro. Percebem que este problema do contrato já deveria ter sido solucionado lá dentro e que não o foi por causa de professores arrogantes, egoístas, que tratam a educação com descaso total e ainda vêem os alunos como futuros concorrentes?

    É isso mesmo. Gostem ou não, essa é a verdade. Os professores (de todas as disciplinas) deveriam ser obrigados a ajudar os acadêmicos a elaborar seus contratos, fornecer modelos, compartilhar todo o conhecimento e não apenas fragmentos, etc, e simplesmente não o fazem. Também escondem conhecimento. Ah sim, e como escondem. Tive dois professores que adoravam me humilhar em sala de aulas alegando absurdos sobre meus projetos desenvolvidos. No entanto outros alunos cometiam erros graves e tudo ficava bem, recebiam notas melhores que as minhas. Tem uma que mandei tomar naquele (**) lugar um dia, em sala de aulas de tanto que ela me irritou e abusou de meu bom senso pedindo alterações porque o projeto não estava errado, mas ELA não estava gostando da estética do mesmo. Um outro chegou a diminuir a nota (10,0) que a banca havia me dado sem ter participado da mesma apenas para não ter que ver o seu desafeto principal receber a menção honrosa da turma.

    No entanto, este último era do tipo que só se comunicava com quem ficava ali babando seus ovos, bajulando a sua pseuda intelectualidade (e claro, os cheios de $$ da turma). Pseuda sim,  pois diversas vezes o coloquei na parede com questões sérias e ele simplesmente não sabia responder (saía sempre pela tangente ou simplesmente me ignorava). Na próxima aula fazia de conta que eu não existia ou então me dava uma nota linda no próximo trabalho que eu tinha de reverter administrativamente.

    Engraçado que a nota mais baixa que tive durante o curso todo foi exatamente no trabalho de iluminação (quando ele substituiu a professora titular que estava de licença maternidade). Aulas ridículas (como todas as outras dele), um trabalho completo (sem receio algum afirmo: o melhor da turma. Não tinha erro algum) e ele me deu… 7,0 (creiam!). Como será que ele me vê hoje especialista e Lighting Designer reconhecido? Qual será a reação dele quando ver uma coisa que está prestes a acontecer e que ainda não divulguei por trata-se de uma surpresa para vocês leitores e um mega reconhecimento profissional para mim? Com certeza, com muita raiva e inveja. Ele que se exploda!

    Arrogante e acéfalo sim pois ele é daqueles que afirmam que “o curso é design de interiores, então você só pode mexer no que estiver na área interna”. Não preciso me estender mais sobre este caso depois disso…

    Voltando ao tema do tópico (apesar de não ter saído dele), esse problema é muito mais comum do que imaginam. E essa situação, ainda na academia, reflete nos futuros profissionais. Sim, pois a grande maioria espelham-se em seus professores e repetem os discursos lá aprendidos. Tudo bem, muitos agem dessa forma por má fé mesmo, coisa de caráter.

    Já no mercado, o que custa a um infeliz indicar um pedreiro, um eletricista, um pintor, um jardineiro ou seja lá o que for? Vocês não são “parceiros”? Então, que raios de parceria é essa que você só se lembra do fulano quando precisa dele e, egoisticamente, nega repassar as informações dele para outros profissionais que estão precisando de mão de obra? Prefere seu parceiro “mofando em casa sem trabalho” para tê-lo disponível apenas quando você, egoísta, precisar?

    Para terem uma idéia, aqui em Londrina temos um sério problema com a qualidade dos serviços prestados por este pessoal. Difícil encontrar um pedreiro realmente bom, um pintor que não deixe as paredes manchadas, um assentador de pisos que siga corretamente a paginação ou que não desperdice material. Os poucos realmente bons estão sempre com a agenda cheia. Quando você precisa de algum para uma emergência, dificilmente pode contar com os “colegas”, raramente consegue resolver a emergência no momento. O problema fica lá mofando por semanas até que você consiga à duras penas encontrar um prestador de serviços.

    Impressionante!!! Arquitetos, engenheiros e designers não conhecem pedreiros, eletricistas, pintores, encanadores,etc!!!! =0

    Para tentar resolver este problema montei um site (Londrina Serviços) onde, através de indicações, serviria como base de dados de prestadores de serviços, aberto para quem precisasse. Encaminhei um e-mail para a grande maioria dos profissionais de engenharia, arquitetura e design de interiores daqui de Londrina. Expliquei que para ter seu nome profissional divulgado lá a condição seria a indicação de parceiros prestadores de serviços. Dêem uma olhada e percebam o retorno que tive. Houveram profissionais que tiveram a cara de pau de me mandar apenas as suas informações profissionais para serem inseridas (claro, publicidade gratuita sempre é bom né?) sem qualquer indicação. E alguns ainda reclamaram porque mandaram seus dados e eu não publiquei logo, saíram falando mal de mim pela cidade… Ah vão pra *****

    Ou seja, um serviço que me prontifiquei a fazer de graça, sem lucrar nada com ele, que ajudaria a todos. Simplesmente tive um retorno ridículo e a grande maioria das indicações que estão no site foram feitas por mim mesmo.

    Isso é reflexo límpido e claro do egoísmo profissional. São aqueles que na sua frente te enchem de beijinhos, abraços e elogios e pelas costas não medem palavras para te denegrir seja na frente de quem for ou ainda tentam tirar proveito de seu conhecimento (que eles desconhecem) pedindo dicas para seus projetos.

    Isso é reflexo de profissionais que não estão preocupados nem comprometidos com o mercado. O que vale apenas é o dinheiro entrando na SUA conta bancária (quando não no caixa 2, no 3, no 4…) ao final do mês.

    Isso demonstra também a irresponsabilidade com a qual estes profissionais levam a sua profissão ao percebermos que estes são os mesmos que não estão nem aí para ajudar a fortalecer conselhos ou associações, cobrar destas ações sérias e efetivas e, no caso específico do design, não ligam a mínima ou não querem nem saber “dessa tal regulamentação”.

    É isso, este é o real puteiro profissional que nos cerca diariamente: um bando* de profissionais egoístas, prostitutas do mercado e dinheiristas.

    Egoístas por serem incapazes de compartilhar ou ajudar um colega profissional, mas quando precisam de algo, não economizam no óleo de peroba.

    Dinheiristas pois essa grande maioria não seguem tabelas, não cobram por projetos e preferem viver às custas das malditas RTs, prostituindo o mercado, desvalorizando a profissão, desrespeitando os outros profissionais.

    Pode até ser que isso não aconteça em outras cidades (a questão das indicações) e que isso seja apenas um reflexo da situação politiqueira que assola Londrina ha mais de 20 anos com escândalos seguidos de corrupção e impunidades. Quem sabe isso afetou a mente da população daqui (não duvido já que elegem sempre o mesmo grupo safado, corrupto, canalhas). O que percebo é que Londrina está apática, a sociedade não se agrupa de forma isenta para cobrar seriedade e punições, e isso pode ter gerado esta mentalidade estúpida.

    Um viva à ignorância, ao egoísmo, à ganância e aos egos!!!!

    * Não me refiro à todos, que fique bem claro isso. Um bando, não significa todos. É bom esclarecer antes que venham idiotas com agressões.

  • 5/11 – Dia Nacional do Design

    Pois é nobres colegas de profissão, mais um ano se passou e pouca coisa mudou.

    – Continuamos com um mercado prostituído.

    – Continuamos com profissionais prostitutos.

    – Continuamos tentanto explicar o que é Design.

    – Continuamos enfrentando o descaso de profissionais em questões sérias relativas ao mercado.

    – Continuamos com a falta de compromisso dos profissionais com a profissão.

    – Continuamos com a fileira regulamentista quase sem novas adesões por mero comodismo ou umbiguismo.

    – Continuamos com associações degladiando-se para ver quem vai ser o rei no futuro Conselho Federal de Design – talvez daí a necessidade da ABD não juntar-se ao grupo sério que busca a regulamentação do Design: para não perder o troninho que acham que tem, não perder a suposta majestade.

    Porém demos um passo importantíssimo este ano: finalmente conseguimos colocar (mais um) Projeto de Lei (PL) de regulamentação dentro da Câmara dos Deputados.

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    Sim, temos de comemorar e muito essa vitória pois todos sabemos que aquela casa somente funciona na base do lobbie ou seja: quem dá mais.

    Mas sempre tem alguma alma boa (difícil encontrar mas tem) que não está vendido ao capeta. Sim, digo isso pois uma vez entrei em contato com vários parlamentares para falar sobre a regulamentação e, geralmente as respostas eram de que não poderiam ajudar. Porém um deputado me respondeu que ja “estava comprometido com a causa dos arquitetos (CAU)”. Questionei então se este comprometimento era sério ou se era baseado em troca$$ de favores.

    Ele me respondeu dizendo que a partir dali eu trataria com a equipe jurídica dele. Fazem mais de 3 anos e estou até agora esperando esse contato para poder colocar meu advogado em campo e nada até agora… ahahahahha.

    Também escrevi este ano a “Carta Aberta ao Senado Federal” que teve uma boa repercussão. Engraçado que esta carta repercutiu em diversas mídias e dentro da comunidade brasileira de Design. No entanto, a ABD fez de conta que não viu. Não houve sequer um único pronunciamento sobre o assunto e sobre os pontos sérios que levanto sobre a atuação do Designer de Interiores/Ambientes. Ela prefere fazer vista grossa ao enviar aquele projeto paralelo e fake de regulamentação (LIXO!), separado do projeto do grupo do Freddy Van Camp.

    Pois bem, neste ano temos de agradecer muito a este grupo que trabalhou em cima de um texto sério e coerente de um projeto de regulamentação profissional.

    Temos também de agradecer ao deputado José Luiz Penna (pv-sp) que acolheu esta demanda e reconhece nela a real necessidade da regulamentação desta profissão séria.

    Assim, parabéns colegas Designers!!

    Parabéns Design Nacional!!!

    Parabéns a todos aqueles que lutam diariamente para tornar a nossa profissão reconhecida, séria e regulamentada.

    Parabéns a todos nós, regulamentistas graças à Deus!!!

  • Dia do Designer de Interiores

    Estranha-me pesquisar da web e perceber que existe uma certa confusão na escolha desta data comemorativa. Não é por menos, ambas são impostas por entidades ditas representativas da classe.

    Uma no primeiro semestre e outra recém passada.

    Eu? Não comemoro nem uma e nem outra pelo simples fato de preferir a data 5/11 quando é comemorado o Dia Nacional do Design – oficialmente aprovada e promulgada pelo Congresso Nacional.

    Alem da legalidade jurídica desta data, ela é alusiva a um grande designer brasileiro: ALOÍSIO MAGALHÃES, PERNAMBUCANO IMPORTANTÍSSIMO NA HISTÓRIA DO DESIGN BRASILEIRO.

    Chega de rinhas idiotas e separações ou segmentações. Design é Design e ponto! Não há um porque sensato em separar a nossa área do restante do Design.

    Se o dia oficial é 5/11, comemoremos então corretamente nesta data e não em datas nada a ver baseada em pavonices de gente que não tem o que fazer. Aliás tem sim: dizer que nos representa quando na verdade só serve para atrapalhar e desenvolvimento de nossa profissão.

    É ABD, este recado foi para vocês sim!!!

    Sou totalmente contrário ao projeto de regulamentação que vocês estão negociando nos bastidores do CN pois ele vai trocar seis por meia dúzia ou seja: não vai mudar NADA, tudo vai continuar a mesma ZONA e vocês continuarão aí acreditando que reinam e são senhores da razão.

    Onde é que está a correta separação entre os profissionais que atuam na área que até agora vocês não fizeram e permitem que qualquer zé mané se denomine “dezáiner de interiores”?

    Onde é que estão as ações eficazes de proteção do mercado contra esses embustes (profissionais e cursos) e dos profissionais que dizem representar?

    Sinceramente, com essa newsletter idiotizada que recebo via e-mail e aquele jornaleco que recebo pelo correio vocês estão é débito com tudo que pago anualmente para vocês. Materiais absolutamente inócuos, sem noção da realidade.

    Voltando ao tema da regulamentação, quem é a ABD para tirar o Design de Interiores do processo de regulamentação que esta sendo trabalhado pelo grupo que o mestre Freddy Van Camp faz parte que tem um projeto de regulamentação do DESIGN? Quem autorizou vocês a fazerem isso alegando que tem um projeto próprio (LIXO) e falar “em nome de” todos nós profissionais sérios da área de design de interiores???

    Não recebi qualquer coisa de vocês me questionando se eu aceitava isso ou não, como associado da ABD e também não conheço nenhum outro profissional ligado à ABD que tenha sido questionado sobre isso – salvo a diretoria e amiguinhos.

    Portanto, não apóio esse lixo de projeto (piada) regulamentista de vocês e apoio sim integralmente o outro, o original, sensato, estudado, exaustivamente debatido entre associações, profissionais e mercado, com delimitações profissionais sérias e dentro da Lei.

    Então fica aqui o recado: Não ao projeto da ABD. Não a qualquer dia comemorativo que não seja o 5/11.

    Então, dia 5/11 eu comemoro sim.

    O projeto de regulamentação do Design eu apóio sim!

    O resto, é trairagem, fuleragem e pavonices desnecessárias de gente que não tem o que fazer.

    E que venha 5/11. Ainda não conquistamos o que desejamos, não temos o reconhecimento que merecemos. Mas somos Designers, não desistimos NUNCA!

     

  • Luxuria ou futilidade?

    Estava rascunhando a algum tempo um post específico falando sobre o livro “A Linguagem das Coisas” de Deyan Sudjic. Desde que li o livro estou rabiscando algo sobre e nunca chego num ponto em que digo para mim mesmo: está digno, fiel ao livro e à visão que tenho sobre o Design…

    Mas dias atrás, lendo meu reader, me deparei com um post num blog que me indignou (também porque eu já disse que iria retira-lo de meu reader e ele ainda se mantém lá rsrsrs).

    Uma das partes do livro que mais gostei é a que ele diz sobre a deturpação (e desidentificação) que o Design vem sofrendo desde que iniciou a invasão de não designers na área, o que acabou por futiliza-la. A perda da identidade da profissão começou neste ponto. Procurem pesquisar sobre quando foi que surgiu essa porcaria de onda sobre “tendências” no Design e entenderão.

    É mais que comum vermos hoje em dia profissionais de outras áreas fazendo suas incursões no Design, especialmente o de produtos. Tem também designers de outras áreas se metendo onde não deve pois não estudou especificamente para aquilo. Tudo isso à custa do certo renome que tem (muitas vezes o jabá $$ mesmo) , então se acham no direito de invadir, impor suas sandices e que todos tem de aplaudir, aceitar e comprar, claro que também elogiando (babando-ovo) com frases de efeito: fantástico, genial, maravilhoso….

    É um tal de estilista lançar linha de móveis, arquiteto lançar roupas e mais uma infinidade de combinações estranhas e bizarras às suas raízes acadêmicas que dá medo…

    Até parece que virou moda, tendência esse tipo de coisa, #credo.

    O resultado disso?

    FUTILIDADES que destróem a essência do Design!

    Aham, a Rocca lança uma linha nova de metais – que já são caros e belos – e aí vem um imbecil e craveja a peça com cristais, diamantes ou a folheia com ouro e voilá: a futilidade personificada usando erradamente a palavrinha RE-DESIGN!!!

    Se esse tipo de coisa for um Re-Design eu não sei mais quem eu sou, onde está o céu e a terra, etc…

    Re-Design significa muito mais que simplesmente alterar a cor, textura ou revestimento de um objeto ou produto.

    Vamos ser francos gente? Pra que uma coisa dessas folheada a ouro?

    Tem público que consome? Sim, mas são mínimos se comparados ao publico normal do nosso mercado diário.

    O pior é que este nosso público começa a querer copiar esse lixo e muitas vezes nos vemos em “sinucas-de-bico” por causa disso sabem porque? Porque eles não tem $$ para comprar o original e aí caem nas porcarias das cópias fajutas.

    Vemos diariamente essas tendências sendo forçadas por sites, revistas e mídia em geral. Já escrevi aqui sobre tendências e os cuidados que temos de ter com esse tipo de coisa.

    Além de não representar a personalidade do cliente e sim apenas um desejo forjado e forçado pela mídia de consumo, as tendências são passageiras. O que hoje é moda, semana que vem já não é mais. E o cliente como fica nisso tudo? Vai ficar com um trambolho demodê ou “over” e sua casa? E quando ele cair na realidade e perceber que este produto não atende às suas necessidades diárias? Que aquilo não tem absolutamente nada a ver com a sua personalidade e está incomodando?

    A grande maioria destes produtos feitos por não designers ou por designers de outras áreas se esquecem do principal: atender a necessidade do usuário (função) e a usabilidade. Sim, são estes elementos que devem nortear todos os projetos seja em qual área do design for. E as tendências não tem nada disso, não consideram isso. Tem só desejo de consumo.

    Voltando aos projetos estúpidos feitos por “dezáiners”, vejo diariamente um show de horrores pela web e pelas revistas. Sinceramente? Não tem como não acreditar na existência do “jabá” ($$).

    Pois é, acreditem ou não, essa mesinha de torno – que eu aprendi a fazer em minhas aulas de técnicas industriais quando estudei no Polivalente lá em Assis Chateaubriand nos anos 70 – foi tempos atrás lançada no mercado por um arquiteto brasuca através de uma marca podero$a.

    O que tem isso de novidade??? O que tem isso de Design??? O que tem isso demais que justifique o valor insano que é cobrado por essa peça?

    NADA!!!

    Nenhuma novidade na forma ou na estética, nenhuma técnica ou tecnologia inovadora seja em materiais ou processo de fabricação ou seja, é um NADA!

    Porém ele tem grana pra pagar o “jabá” e colocar esse lixo em lojas de renome por um preço absurdo e também para divulgar em revistas como sendo “dezáine”… é Design o c*

    Pra piorar vi dias atras um estilista internacional lançando uma linha de móveis através de uma grande marca internacional… Sinceramente? A pior aluna de minha turma de graduação ainda no 1° mês desenhava coisa bem mais útil e interessante que ele.

    Um profissional sério e que respeite o seu cliente acatar e aceitar pacificamente este tipo de imposição demonstra claramente que não entendeu absolutamente nada durante os anos de faculdade.

    Se este é incapaz de mostrar ao cliente a futilidade de determinados modismos, também cabe a mesma afirmativa anterior.

    São pouquíssimos os profissionais de outras áreas que realmente conseguiram fazer Design.

    Não é à toa que o Design continua sendo confundido com artesanato, especialmente aqui no Brasil.

    Vamos parar de idiotices e de dizer amém pra tudo que esta mídia tosca e desinformada (movida por $$) tenta impor como “IN”?

    Vamos centrar a nossa atenção no usuário e não nas revistas? Afinal fomos formados para isso e não para consumir deliberadamente porcarias.

  • Precificando o projeto

    Muitas pessoas me perguntam como faço para precificar os meus projetos. Nos diversos fóruns pela web encontramos diversos tópicos sobre este assunto, poucos com uma visão diferenciada. É complicado explicar isso uma vez que o mercado está muito confuso por dois motivos:

    1 – a prostituição de muitos profissionais que dão projetos em troca de RTs ou que cobram valores ridículos.

    2 – a ineficiência e alienação da ABD e outras associações (nacionais ou locais) sobre o assunto.

    Bom, não há como querer seguir os valores colocados na tabela da ABD. São surreais e só quem deve conseguir aplica-los são as estrelinhas da mídia. Os profissionais normais e mortais não conseguem. Outro problema é que a tabela contempla o valor por m² e não considera a complexidade do projeto.

    Se por um lado temos este problema dos valores muito altos da tabela, por outro temos os profissionais que não a respeitam e cobram valores bem abaixo do mínimo desejável para manter a saúde do mercado.

    SE os profissionais se conscientizassem e começassem a valorizar o seu próprio trabalho e os colegas profissionais isso tudo não ocorreria mas o que vemos são prostitutos e prostitutas profissionais emporcalhando o mercado.

    Enquanto isso não for resolvido vamos continuar a nos deparar com situações constrangedoras diariamente frente os clientes. Quando um me fala que o orçamento do fulano está bem mais barato que o meu respondo simplesmente:

    EU SEI O QUANTO ME CUSTOU SER QUEM SOU HOJE E VALORIZO ISSO. SE QUER QUALIDADE, COMPETÊNCIA E SERIEDADE FIQUE COMIGO.

    Sou anti-ético? Nem um pouco. Anti-ético é o outro que cobrou menos de 10% do valor cobrado por mim. Isso mostra o desespero do outro para manter-se sobrevivendo no mercado. (Note que sobreviver não é o mesmo que viver.)

    Também tenho uma resposta na ponta da língua para aqueles que vem com a história de que a loja tal dá o projeto de graça:

    BOBINHO, VOCÊ ACREDITA EM PAPAI NOEL? (rindo ironicamente)  VOCÊ ACREDITA MESMO QUE O VALOR DO PROJETO NÃO ESTÁ EMBUTIDO NO VALOR FINAL DO PRODUTO QUE VOCÊ IRÁ PAGAR?

    (Por sinal essa história dessas lojas de planejados merece um post na veia….)

    Bom, como eu precifico? Vou tentar explicar para vocês.

    Em primeiro lugar tenho todo o levantamento de quanto me custa manter o meu negócio. É aquela tabela dos custos fixos que gera o índice e blablablabla. Abaixo disso, jamais.

    Junto ao cliente, num primeiro momento analiso a situação através de uma ENTREVISTA informal: dimensão do projeto, estilo, nível social, vida social, quem é o cliente, etc.

    Num segundo momento, busco fazer o BRIEFFING melhor direcionado pois já tenho algumas informações importantes que colho durante a entrevista. Depois, ao pensar o orçamento peso muito bem estes itens para chegar ao valor final.

    Uso por base o valor da tabela da ABD (sim eu valorizo o meu trabalho) mas não uso a referência do meu estado (PR) e sim os valores mais altos da tabela – se é pra ser algo sério que seja igual para TODOS os profissionais independente da região onde moram afinal, tem clientes de todos os níveis em todos os cantos do país. Mas é claro que se o cliente não tem grandes recursos abro novas formas de negociação, com valores mais condizentes com a realidade do mesmo.

    Digamos que o valor final pela tabela tenha ficado em R$ 15.000,00. Aí passo a cruzar este dado com os dados do brieffing.

    Se o ambiente/projeto for mais simples e numa linguagem que eu goste mais de trabalhar – portanto já tenho os conceitos e conhecimentos em minha mente – vou automaticamente levar menos tempo para projeta-lo então posso abaixar um pouco o valor. Digamos para R$ 13.000,00.

    Se o ambiente é num estilo mais clássico (rococó ou algo similar), cheio de detalhes, ornamentos isso vai me exigir mais pesquisa de materiais e tempo na prancheta para resolvê-lo. Então procuro manter o valor inicial ou, dependendo do caso posso até mesmo aumentá-lo chegando facilmente aos R$ 20.000,00.

    No entanto só isso não serve para fechar o valor do projeto. Outras questões devem ser levadas em conta como por exemplo a tecnologia, a automação e o controle. O uso destas ferramentas nos obriga a atualização constante e eu não sou do tipo de profissional que entrega um projeto destes nas mãos de um projetista de loja (até os de móveis planejados são feitos por mim e a fábrica que se vire para executa-los exatamente conforme meus desenhos indicam). Entrego para o lojista o projeto pronto e já especificado para ele orçar materiais, equipamentos e instalação. E ai do lojista que tentar modificar meu projeto…. Isso eleva sim o custo do projeto. É a questão da personalização/autoria do projeto atendendo à individualidade e personalidade do cliente. Não quero meus clientes com “casa de revista” que não dizem absolutamente nada sobre eles.

    No caso da automação é mais fácil. Mas mesmo assim exige pesquisa e atenção ao projetar. Dá pra elevar uns R$ 4.000,00 no preço final.

    Já se o cliente pensa em controle aí a coisa é bem diferente. É algo bem mais complexo que a mera automação. E tem também o ponto que se o cliente pode pagar pelo controle, é sinal que tem dinheiro no caixa. Então, dá pra subir uns R$ 8.000,00 no valor final.

    Isso tudo eu estou falando em projeto de Interiores/ambientes que levam agregado o projeto de iluminação básica. Caso o cliente queira um projeto de LD junto com o de ambientes aí a história é outra.

    Lighting é a minha especialidade, estudei muito para dominar o assunto e saber muito bem – e como poucos – o que estou fazendo. E isso não vem de agora, desta pós que finalizei recentemente. Este especializar-me ja vem acontecendo ha mais de 10 anos, diariamente. Não posso – e nem devo – dar isso de graça a quem quer que seja afinal, nem o relógio trabalha de graça: ou você tem de dar corda ou tem de trocar a pilha.

    Então, se o cliente deseja um projeto personalizado de LD – sim, LD é personalização – vamos nos sentar e negociar os valores pois cobro pelo projeto de LD o mesmo que cobro pelo de Interiores/Ambientes. Algumas vezes o LD sai até mais caro dependendo do nível tecnológico.

    Então quer dizer que se for um projeto de Interiores/Ambientes + LD sai por R$ 30.000,00?

    SIM!

    Negociamos a forma de pagamento.

    Não posso deixar de citar a existência das RTs nessa negociação. Sempre deixo isso bem claro para meus clientes e explico direitinho como elas funcionam. Se o cliente não quer com RTs e resolve pagar o preço total, fazer o que? Obrigo os lojistas a darem os 10% de desconto extra para os clientes após o fechamento do preço. Mas se ele quer o valor com as RTs, dou um desconto de 10% no valor total e ele se compromete a fazer as compras apenas onde eu indicar.

    Isso tem de ser muito bem negociado e você tem de ser mais esperto que os lojistas. Jamais fale do desconto das RTs antes do vendedor apresentar o valor final do orçamento. Afinal, dentro deste valor final ele já embutiu os 10% das RTs que vai te pagar. Fechado o valor e negociado os descontos do cliente, aí você entra e pede o abatimento dos 10% das suas RTs. A grande maioria das lojas não gosta disso, torce o nariz, te chama no canto para “conversar”, porém quem não gosta não trabalha eticamente com seus clientes logo, não merece vender. Pule para o próximo fornecedor então.

    É complexo? Sim. Dá pra explicar melhor? Consegui expressar-me corretamente? Talvez sim talvez não. Na certa muitos só entenderão isso com a experiência profissional e o decorrer dos anos atuando no mercado.

    Por hora é isso. ;-))

  • fidaputinhas descarados

    Estava preparando um post sobre Direito Autoral e coincidentemente a Elenara me mandou uma mensagem no facebook me alertando para o uso de textos meus sem a devida citação de fonte por diversos sites e blogs.

    Dando uma vasculhada rápida no Google fiquei de cara com a falta de respeito e de ética dessas pessoas que chamo-os de “fidaputinhas”. Safados, canalhas, sem vergonha, ladrões e tudo mais do gênero cabem aqui para denomina-los.

    São estudantes e profissionais que na maior cara de pau copiam textos completos ou partes de textos e colocam em seus sites, blogues e trabalhos acadêmicos como se fossem de sua autoria.

    A parte que fiz a pesquisa faz parte do post Tudo que você precisa saber sobre Design de Interiores e Ambientes… e que não tinha a quem ou vergonha de perguntar. *

    “Design de Interiores é uma evolução técnica e estética da Decoração. Com a necessidade urbana de espaços cada vez mais detalhados e personificados aliado aos avanços tecnológicos em equipamentos, materiais e uso destes espaços, o profissional de decoração foi ficando para trás por não ter competência, conhecimentos e nem habilidade técnica para projetar. “

    Copiem e coloquem no Google esse trecho e verão que maravilha. É um show de falta de vergonha na cara, de falta de ética e de profissionalismo e, principalmente, de respeito.

    Até trabalho acadêmico final da ESDI eu encontrei usando meu texto. Percebe-se que a IES sofre com a idiotice de alguns professores que são incapazes (ou tem preguiça mesmo) de pesquisar para avaliar os trabalhos e acabam sendo levados no bico pelos alunos. Esse especialmente terei o maior prazer em enviar uma mensagem ao Freddy Van Camp relatando o ocorrido e quero o diploma dessa pulha cancelado.

    Como se vê, mais que regulamentação, nossa área precisa urgentemente de professores sérios que formem profissionais sérios. O oba-oba que está o mercado começa em casa (na formação recebida dos pais) passa pela academia e seus professores aloprados e alienados e morre no mercado onde se vende um produto que não é seu.

    Fiquem espertos seus fidaputinhas, meu advogado já está na rua… e ele adora foder com gente safada e sem vergonha como vocês.

    OBS: aos sites e blogues sérios que aparecem na busca e que citam corretamente a fonte, o meu muito obrigado pela consideração.

     

     

     

     

     

     

     

  • “Y” x especializações

    É bastante comum aparecer aqui em meu blog, nos comentários, pessoas formadas em áreas distintas e não correlatas à Design de Interiores/Ambientes questionando sobre as especializações.

    A questão é sempre a mesma:

    “Sou formado(a) em “Y” e estou pensando em fazer uma especialização em Design de Interiores. É suficiente para o exercício profissional?”

    Sinceramente? Na maioria dos casos, não é não. A formação será bastante falha. Explico:

    Um curso de especialização tem, geralmente, uma média de 360 h/a. São aulas em finais de semana e modulares onde o professor tem de passar todo o conteúdo da ementa. Assim, você tem todo o conteúdo de História das Artes num final de semana lembrando ainda que tem o trabalho/avaliação no meio disso tudo.

    Digamos que uma pessoa formada em Administração queira fazer essa especialização. A parte de gerenciamento ela tirará de letra (e melhor que muitos formados em arquitetura, design, engenharia, etc). Porém na parte mais importante que é a técnica – envolvendo estrutural, cores, texturas, layout, ergonomia, desenho técnico e artístico e etc, ela certamente terá muitas dificuldades pois é um mundo estranho à sua realidade.

    As especializações são boas para quem está procurando uma atualização profissional, não para quem está em busca de uma nova profissão, especialmente se são de áreas “estranhas”. É aquela coisa: eu não posso fazer uma especialização em cardiologia e sair fazendo cirurgias ou prescrevendo tratamentos bem como não posso fazer uma especialização em estruturas e sair projetando pontes. E também não é porque eu fiz uma especialização em arquitetura de interiores que vou sair me apresentando como arquiteto (não tendo feito uma graduação em arquitetura).

    Logo, não é porque você fez uma especialização em Design de Interiores, que você pode intitular-se Designer.

    Especializações (aqui incluem-se os MBAs) são cursos – como o nome já diz – de especialização em algo. É o necessário “focar em algo” profissionalmente. Todas as áreas possuem hoje nichos de mercado (ou sub áreas, ou complementares) que necessitam de profissionais especialistas nelas. Eu sempre foquei em iluminação e lighting design, por isso optei por esta pós, esta especialização, esta linha de formação bastante específica.

    Portanto, se você quer entrar numa área estranha à sua (como é o caso de Design de Interiores/Ambientes) procure investir num curso de formação específica – pode ser sequencial, tecnológico ou graduação – pois aí sim você terá a formação acadêmica necessária para o pleno exercício profissional.

    Quando digo pleno, leia-se: detentor dos conhecimentos necessários para o exercício profissional. E isto não se consegue através de módulos de 20 h/a de Espaço Cenográfico, nem de iluminação, nem de desenho de detalhamento de móveis, nem de ergonomia, nem de conforto ambiental, ou de nenhuma outra disciplina constante na matriz curricular do curso.

    Se quer ser um Designer de Interiores/Ambientes, faça um curso completo.

    Quem força a entrada pela porta dos fundos cai sempre no depósito.

    Quem busca atalhos, sempre acaba machucado.