Categoria: sustentabilidade

  • Luz, Iluminação, Lighting Design

    “A luz em si é invisível, o que vemos é o objeto iluminado e a fonte luminosa. A luz depende totalmente da matéria e reage de forma diferente com cada tipo de material”
    “Há fabricantes que copiam formas mas não outras qualidades do produto, como ótica, engenharia, cálculos, tipo de anodização, curvaturas que refletem ou dispersam a luz e a especificidade do material”
    Guinter Parschalk.

    “Isso é positivo porque dispensa o rotineiro e ajuda a conquistar avanços a cada projeto”
    “É preciso ter uma clara identificação do que e como será iluminado”
    Antônio Carlos Mingrone.

    “A integração dos projetos é fundamental”
    Gilberto Franco.

    “Algumas luminárias bonitinhas só servem para disfarçar a falta de um trabalho de luz”
    Esther Stiller.

    ETAPAS DE UM PROJETO
    Esther Stiller trabalha com três parâmetros básicos que se aplicam a todos os seus projetos, mudando apenas o peso que cada um tem conforme as necessidades do ambiente e as expectativas do usuário:
    1) O aspecto emocional, que inclui atração visual, é prioridade em espaços como lojas ou restaurantes.
    2) O conforto visual – controle de reflexos, brilhos e ofuscamento, além de cuidados com contrastes – é fundamental em locais onde as pessoas permanecem por horas seguidas.
    3) A economia de energia, que ganhou maior importância após a crise energética de 2001. Mas mesmo fora das crises, a conservação de energia é fundamental em projetos de maiores dimensões ou de grandes redes, de forma que o somatório do consumo tenha menor impacto no conjunto.

    Compreender o universo do projeto
    · Atentar para as condições de visão dos usuários
    · A linguagem luminotécnica deve ser compatível com a arquitetura
    · Observar restrições decorrentes de sistemas embutidos nos forros
    · Observar restrições decorrentes das características do meio ambiente
    · Avaliar as condicionantes de custo de implantação e de operação

    Conceber o sistema
    · Conhecer as expectativas dos usuários
    · Definir requisitos luminotécnicos segundo as funções exercidas em cada ambiente
    · Utilizar recursos da informática para prever os cenários, com perspectivas de cada ambiente
    · Definir os fachos luminosos que desenharão o cenário
    · Checar a adequação dos fachos quanto aos requisitos luminotécnicos
    · Checar a conveniência do custo unitário do equipamento ao custo global da obra
    · Checar a eficácia do equipamento segundo requisitos operacionais
    · Definir um repertório de equipamentos que possa ser aplicado em todo o projeto

    Projetar o sistema
    · Calcular o sistema somente depois de ter avaliado todas as questões anteriores

    Acompanhar a implantação do sistema
    · Etapa importante para que tudo saia conforme o esperado

    Avaliar os resultados
    · Conheça os erros e acertos na execução de um trabalho

    QUESITOS BÁSICOS
    1. Desenvolver um projeto atribuindo o devido peso a três fatores básicos: conforto visual, luminotécnica e economia de energia.

    2. Avaliar se a quantidade de luz (iluminância, medida em lux) é adequada às atividades exercidas no ambiente

    3. Promover a correta distribuição das iluminâncias no campo visual para garantir conforto ao usuário

    4. Promover o controle de brilhos de fontes luminosas e superfícies iluminadas para não causar deslumbramento (excesso de brilho que reduz a capacidade visual) e evitar reflexões veladoras
    (reflexo da lâmpada no papel ou na tela do computador)

    5. Quando o projeto exigir contrastes de luz e sombra, cuidar para que haja uniformidade de luminância sobre superfícies de trabalho, como caixa de loja ou balcão de demonstração

    6. Tomar cuidado ao trabalhar com contrastes e zonas de sombra

    Fonte: Esther Stiller

    Sugado: ArcoWEB

  • Pavimento de concreto ganha espaço nas ruas de Curitiba, no Paraná

    Fonte: Paraná Shop – 17.12.2008

    Paraná – Dentro de uma cultura em que os buracos fazem parte das vias, que representam desafios e prejuízos, fica difícil acreditar que existam aquelas que duram mais de dez anos sem reparos, que ajudam a evitar acidentes, a economizar energia elétrica, pneus, combustível e também os custos aos cofres públicos. Mas em Curitiba (PR), o aumento de vias urbanas pavimentadas em concreto já demonstra, na prática, essa realidade. Na capital, atualmente, duas importantes obras da prefeitura destacam as vantagens da técnica – a Linha Verde, que inaugura nesta sexta-feira, dia 19 de dezembro, e a revitalização da Marechal Floriano Peixoto. A escolha da pavimentação em concreto, entre outras soluções possíveis, foi decidida ainda na fase dos projetos, que analisou custos de construção e manutenção, vida útil, e características de operação da via.

    O pavimento de concreto ganhou notoriedade em razão da sua qualidade e durabilidade, que pode ultrapassar 20 anos, com índices baixos de manutenção. Além disso, indicado para tráfego pesado e contínuo, se sobrepõe às técnicas convencionais em vias de muita frenagem e aceleração. “A pista de concreto tem condições de agüentar veículos mais pesados e trânsito mais intenso”, afirma o engenheiro Carlos Roberto Giublin, gerente regional da ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland, entidade que presta assessoria à prefeitura de Curitiba.

    Em Curitiba, equipamentos de alta tecnologia são utilizados na execução das obras. “Com eles, a relação custo/benefício muda completamente, viabilizando a competitividade do pavimento de concreto”, afirma o engenheiro Lívio Petterle Neto, diretor do departamento de pavimentação da Secretaria Municipal de Obras Públicas de Curitiba. “Além de racionalizar a obra e os custos, o concreto, por ser mais claro, reflete melhor a luz, permitindo uma iluminação segura, com menor consumo de energia”, completa.

    Sustentabilidade

    Com tamanha eficiência de resultados, o pavimento de concreto é uma chance de reverter o quadro nacional de rodovias mal conservadas. Outra característica positiva é sua baixa geração de resíduos. “É um sistema construtivo que gera menos impacto ambiental. Aliado ao baixo desperdício de dinheiro público, ele contribui com a economia nacional e para o desenvolvimento sustentável da sociedade”, diz Giublin.

    Linha Verde

    Dividida em dois lotes de obras, a Linha Verde vai contar com um complexo de doze pistas de tráfego de veículos, vias de transporte coletivo e oito estações de embarque e desembarque de passageiros – essas, em pavimento de concreto. O primeiro lote tem onze quilômetros e vai ligar os bairros do Pinheirinho e Jardim Botânico. A segunda fase tem início no segundo semestre de 2009 e vai completar o novo eixo de integração de Curitiba.

  • Cirandando no Natal

    Olá meus amigos leitores, como sabem este ano resolvi participar da Ciranda de Blogs – uma iniciativa da Flávia do Decora Casa.

    Para minha grata surpresa que me “tirou” no sorteio foi a Marcele do excelente blog Viver Arquitetura – que já acrescentei à lista de blogs aqui na barra lateral direita.

    Bom, vamos à mensagem que ela nos traz para este encerramento do ano.

    Boa leitura.

    Olá. Para quem freqüenta esse blog, sabe que o Paulo está participando da Ciranda de Blogs, proposto pela Flávia, do blog Decoracasa (http://decoracasa.blogspot.com). E eu, Marcele, do blog Viver Arquitetura (http://viverarquitetura.blogspot.com), fui sorteada para escrever nesse espaço, cheio de conteúdo e muita informação bacana.

    Confesso que estava torcendo para que a filhinha da Flávia sorteasse algum blog que tivesse a ver com a minha profissão, mas mesmo que isso tenha acontecido, o friozinho na barriga por causa de tanta responsabilidade não deixou de me acompanhar.

    E como essa segunda edição da ciranda tem como tema o natal, a primeira coisa que me veio à mente foi a questão da retrospectiva que fazemos no final do ano e as expectativas que rondam o iniciar de um período. A partir disso, pesquisei sobre o design e escrevi esse post. Espero agradar ao Paulo e a você, leitor.

    “Fim de ano é um momento de balanço, seja pessoal, profissional, político, econômico ou outro qualquer. Pensamos no que aconteceu e no que deixou de acontecer, no que mudou e o que continua exatamente como antes.
    Assim, podemos dizer, por um lado, que não foi nesse ano que o Design foi reconhecido como uma profissão no Brasil. Por outro lado, a cada dia os designers brasileiros recebem maior destaque com seus produtos, seja no Brasil, seja fora dele. Como exemplos bastante comentados nesse ano, podemos citar a criação da Chaise Zonza, de Eduardo Baroni, que faturou o prêmio IBAMA 2008 e a luminária Bossa, criação de Fernando Prado para a Lumini e medalha de ouro na edição 2007 do iF Product Design Award  (o oscar do design internacional).

    Chaise Zonza, do designer Eduardo Baroni.


    Luminária Bossa, do Designer Fernando Prado

    Podemos dizer, também, que por um lado, ainda falta ao Brasil o reconhecimento de sua essência e de sua identidade. Por outro lado, 2008 mostrou-se, através do design brasileiro, uma fonte rica para entendermos sobre a cultura nacional e a beleza desse nosso país, que muitas vezes é deixada de lado. Como exemplo, cito Flávia Pagotti, que se utiliza da tecnologia dos materiais empregados e da historia da azulejaria no Brasil para a criação da Poltrona São Luiz.


    Poltrona São Luiz, da designer Flávia Pagotti

    E, se por um lado, ainda falta muito para que as pessoas reconheçam a necessidade de se cultivar uma vida sustentável, por outro lado, vários profissionais brasileiros e inclui-se aí, os designers, estão se preocupando em trabalhar com matéria-prima renovável ou matéria-prima reciclável ou mesmo matéria-prima certificada. Um exemplo já citado nesse post é da designer Julia Krantz.


    Banco Canoa, da designer Julia Krantz

    Além do balanço, fim de ano é um momento de novos planos e novos sonhos, construções e reconstruções. Quem não se pega a pensar: ano que vem será diferente! Ano que vem farei isso ou farei aquilo!? Já que sonhar não custa nada, aí estão algumas idéias das quais eu compartilho:

    Sonhar com o reconhecimento do trabalho de quem lida com a questão da arte, seja arquiteto, decorador, designer. Não apenas um reconhecimento por parte dos órgãos públicos, mas um reconhecimento por parte de quem usufrui desse serviço ou venha a usufruir do mesmo.

    Sonhar que acima do conceito de “moda”, embutido nos discursos de muitas publicações e anúncios, as pessoas se preocupem com o conceito de identidade do usuário para com o produto, do usuário para com a sua necessidade.
    E depois do balanço e dos planos para o ano que se inicia, vem um período de “bons desejos”… Assim, desejo a você, leitor, saúde, paz, alegria, harmonia e compreensão para com os outros… E desejo, também, muito trabalho, novos projetos e mais tempo para aproveitar o que essa vida tão boa nos oferece.

    Feliz natal e próspero ano novo.

    Marcele!”

    Valeu Marcele!

    Neste teu post você conseguiu sintetizar muito do que coloco semanalmente aqui neste blog e o mais interessante, com um olhar de quem “está de fora da área”. Apesar da arquitetura aproximar-se levemente com o Design, elementos como identidade, cultura e outros são semelhantes e da mesma forma importantes em ambas as áreas.

    Esta tua retrospectiva vem bem a calhar uma vez que já postei uma de imagens de 2008 e tem uma outra agendada para o dia 31/12 com os principais posts do ano.

    Mais uma vez obrigado pelo belo presente de Natal a mim e aos meus leitores.

  • Salve a Terra para o Dante!!!

    Plante uma árvore!

    Já postei ha algum tempo atrás que minha irmã caçula estava grávida e que viria um sobrinho por aí.

    Até aí tudo normal e tranquilo.

    Porém a danada – professora de Moda e outros cursos mais – resolveu repensar o valor das lembrancinhas. Não o financeiro.

    Meu cunhado é um dos caras mais eco-conscientes que conheço e ela, claro, acaba entrando na onda dele e aprendendo muito com ele.

    Então depois de muito pensar ela chegou à lembrancinha ideal para os dias de hoje:

    É isso mesmo: uma muda de Aroeira para que cada um a plante onde quiser e contribua com este gesto, para um futuro melhor.

    As mudas ela conseguiu com a EMBRAPA, “de grátis”. E foi elogiadíssima pelo pessoal de lá pela iniciativa.

    Mas uma mudinha só não faz uma floresta. Então ela acrescentou no rolinho que podem ver na imagem acima uma mensagem:

    Além das boas vindas e agradecimentos pela visita, a mensagem nos faz pensar sobre a importância na preservação da natureza e também da necessidade urgente de que cada um de nós comece a repensar nossas ações e implantar novas ações, mesmo que simples, como plantar uma muda de árvore.

    Parabéns aos papais pelo filhote lindo (é lindo mesmo!) e por essa ação digna de aplausos!

    E, Dante, seja mais que bem vindo e que Deus te abençoe a cada segundo de tua vida!

  • Design 21

    Design 21 | Better design for the greater good

    O Design 21 assume-se como uma rede de contactos cuja missão é inspirar/promover, através do design, a consciência social. Esta rede, promovida pela Felissimo e pela UNESCO, permite colocar em contacto todas as pessoas que desejem explorar novas formas de fazer com que o design tenha um impacto positivo na comunidade. Para os promotores desta comunidade, a verdadeira beleza do design é o seu potencial para melhorar a vida.

    As principais causas do movimento são: educação; ajuda humanitária; pobreza; comunidade; ambiente; comunicação; arte & cultura; paz e bem-estar.

    Juntem-se à causa, por uma vida melhor cheia de “bom” design!!!

    Via: O Design e a Ergonomia

  • 100% Nacional – Julia Krantz

    Combinar o design de móveis em madeira com uma preocupação ambiental é uma das características do trabalho de Julia Krantz. Formada em arquitetura pela FAU-USP, sua linha de produção deixa transparecer o poder orgânico da madeira, em um cuidado minucioso de artesania que faz essa matéria-prima dialogar com sua condição original, através de formas que suscitam algo para além da simples utilidade cotidiana. Nesse trabalho, a ecologia tem papel fundamental. A designer, associada ao grupo de compradores de produtos florestais certificados e detentora do selo de certificação do FSC, possui o compromisso de se utilizar apenas de materiais obtidos através do manejo sustentável, se recusando a se servir de madeiras ameaçadas pela extinção. A difusão e valorização de espécies pouco conhecidas da floresta tropical, associada ao combate da degradação ambiental, se somam a uma concepção artística da utilização dessa matéria-prima tão especial em recursos. O cuidado e o fascínio pela natureza transparecem nas produções de seu trabalho, em cujas peças se pode verificar uma continuidade em relação a imensa riqueza de desenhos, cores e formas que a floresta oferece as mãos de um artista criativo.

    Julia Krantz

  • Algumas dicas

    Bom pessoal, já perceberam que nesta semana que está terminando eu não postei quase nada. Isso se deve à correria de final de ano.

    Quem já trabalha na área sabe que final de ano é sempre assim. Além dos projetos de Interiores e Ambientes dos clientes que querem suas casas renovadas para as festas de fim de ano, temos ainda as decorações natalinas. Haja fôlego.

    Mas para não deixar vocês leitores órfãos, vou postar algumas dicas rápidas aqui:

    1 – Lar Doce Lar

    Para quem curte este programa, pode rever os vídeos das reformas já realizadas através do site

    http://tvglobo.caldeiraodohuck.globo.com/lardocelar/

    Muito bom!!!!

    2 – Cursos de Arte Floral

    A Floral Design Brasil está com alguns workshops programados para o final de ano e inicio de 2009. Acesse o site e confira a programação.

    3 – Feiras 2009

    As feiras de 2009 já estão com o credenciamento online para visitantes.

    Kitchen & Bath

    Feicon

    Movelpar

    4 – TV por assinatura

    Alguns canais de TV por assinatura oferecem excelentes programas para nossa área.

    No Discovery Home&Health está passando uma temporada Eco Renovação. É um programa muito bom sobre novas construções eco-sustentáveis e aquelas já construídas onde os proprietários “compram” as idéias sustentáveis e permitem as implantações propostas pelos arquitetos e designers.

    Além desse, tem o Design Divino – com a Candice – que é naquela linha de renovações rápidas. Muita coisa interessante aparece por lá.

    Tem também o Trading Spaces onde vizinhos trocam de casa e reformam um dos cômodos. As vezes tudo sai bem, mas de vez em quando erram feio rsrsrsrs Vale a pena.

    Já no Discovery Channel, o melhor que acho é o Mega Construções.

    No National Geografic Channel encontramos uvasta grade sobre o Meio Ambiente e também alguns sobre engenharia, arquitetura e Design. Além dos sempre excelentes sobre arqueologia e história.

    Todos eles apresentam em seu site uma resenha sobre os programas já apresentados e, em alguns casos, vídeos e uma enorme galeria de imagens. Excelente fonte de pesquisa.

    Bom, acho que com essas dicas já me redimi pela ausência da semana.

    Espero que curtam bastante todas elas.

  • Casa Genial eficiente energeticamente

    Fonte: Procel Info – 26.11.2008

    Casa genial incentiva uso eficiente de energiaRio Grande do Sul

    O Museu de Ciências e Tecnologia (MCT) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e a Eletrobrás criaram uma residência completa, de 51m², com dormitório, sala de estar, cozinha, escritório, lavanderia e banheiro, para incentivar os visitantes a utilizarem a energia elétrica de forma racional. A “Casa Genial” tem o objetivo de contribuir na conscientização dos consumidores de energia elétrica. A casa, com eletrodomésticos, ar-condicionado, utensílios e móveis, possui dois modelos de geladeira. Um dos modelos tem o selo de eficiência energética do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), da Eletrobrás. O objetivo é fazer com que os visitantes constatem a diferença no consumo.

    De acordo com Álvaro Theisen, vice-diretor dos Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica, Calibração e Ensaios (Labelo), se o consumidor deseja substituir a velha geladeira por um novo modelo, com eficiência energética, ele poderá receber o retorno do investimento em menos de 18 meses através da economia de dinheiro nas contas de eletricidade. O museu estará equipado com medidores de energia em funcionamento, pelos quais os visitantes poderão fazer a comparação. Também haverá lâmpadas incadescentes e fluorescentes para serem comparadas. Será utilizada ainda a iluminação fluorescente dimerizada (com sensor que capta a iluminação natural), que auto-regula sua iluminação conforme a intensidade da luz solar no ambiente.

    Depois da visita, os interessados poderão assistir a uma apresentação, com recursos multimídia, e poderão calcular as despesas mensais e anuais com equipamentos domésticos. A Casa Genial poderá ser visitada na área de exposições do MCT da PUCRS, a partir do dia 27 de novembro. Mais informações sobre a casa e sobre o seu lançamento podem ser encontradas no site do museu, www.pucrs.br/mct/.

    Serviço:

    Evento: Lançamento da Casa Genial
    Data: 27 de novembro de 2008
    Local: Porto Alegre – RS
    Informações: www.pucrs.br/mct/

  • Para poucos que podem pagar

    Olhando um site agora, duas coisas me chamaram a atenção:

    1 – Móveis compactos.

    Temos visto que de um bom tempo para cá as construções tem sido realizadas minimizando ao máximo possível os espaços. Em alguns casos posso até dizer que tornando-os não usáveis. Com isso, tem surgido uma vasta linha de móveis compactos com a intenção de resolver estes problemas sejam de circulação, sejam ergonômicos. Porém pouco se vê de diferente e, como dizem os leigos, quando vejo algo nesse sentido penso: “não dava pra colocar um pouco mais de designer aí não?”

    Claro que nao estou generalizando pois existem produtos excelentes, criativos, com muito design, ergonomia, etc. Mas a maioria, como diz meu amigo Vinícius, parace tudo uma Casa (sem) Cor. Parecem cópias “recriadas” umas das outras.

    Ainda bem que existem excessões…

    2 – Seja um “efeito colateral” de um surto criativo, uma consciência eco-sustentável, seja uma crítica social e política, ou talvez nao seja nada disso e apenas a sorte de dispor dos materiais certos na hora certa, alguns produtos nos surpreendem. É o caso da cadeira abaixo, obra do designer Alexander Reh, que usa cartuchos de espingarda:

  • Móveis de madeira sustentável preservam a mata nativa

    Novo conceito de móveis, o Biomóvel é caracterizado pela sustentabilidade do processo de produção e desenvolvimento do design

    Os produtos de madeira sustentável como o pinus e eucalipto estão voltando com força total ao cenário do mercado brasileiro de móveis. O conceito foi o tema do evento Biomóvel que aconteceu nos dias 19 e 20 de novembro, do Hotel Bourbon Convention Ibirapuera, em São Paulo. O objetivo foi discutir a produção de móveis a partir de madeira de manejo, ou seja, que respeita e preserva a mata nativa como mogno, canela, imbuia, araucária, entre outras.

    “O fato dos móveis serem produzidos de madeira sustentável ajuda a conservar a mata nativa. Pois, se não houver demanda para o corte de madeiras nobres, as florestas serão conservadas. Comprando biomóveis alivia a pressão na demanda de madeira com origem desconhecida”, alerta Alexandre Battistella, diretor da Battistella Operações Florestais.

    Atualmente, no Brasil, mais de 250 cidades com mais de 100 mil habitantes concentram um potencial de consumo de R$ 22,7 bilhões em móveis, o equivalente a 70% do total nacional. Neste universo, o principal destaque é o estado de Santa Catarina. Em 2005, o estado sagrou-se como grande exportador brasileiro de móveis, com a comercialização de mais de US$ 449 milhões, respondendo por 41,8% do total de exportações de móveis do Brasil. Hoje, este índice já chega a 47% e os maiores compradores são os países da Europa e os Estados Unidos.

    O novo conceito de móveis, o Biomóvel é caracterizado pela sustentabilidade do processo de produção e desenvolvimento do design. Ou seja, a cultura na produção de móveis por parte das indústrias será a partir de processos de fabricação que atendem a todos os requisitos socioambientais, além de qualidade e bom gosto.

    “São móveis em madeira maciça reflorestada, produção limpa e que foram produzidos com todo o cuidado para atender as exigências da legislação européia”, explica Ari Bruno Lorandi, diretor da Central da Excelência Moveleira idealizador deste novo conceito no Brasil.

    A preocupação em produzir com sustentabilidade faz parte da história da Battistella, que mantém reservas florestais próprias, programa de manejo e condução correta dos cultivos florestais e um centro de pesquisa dedicado a melhoria genética. O conjunto dessas ações resulta em árvores mais retas, com menos galhos e com madeira de qualidade cada vez maior, possibilitando o melhor aproveitamento e rendimento pelas indústrias moveleiras. “Por exemplo, o móvel de Pinus, além de ser um produto ecológico e que faz bem ao meio ambiente, resistente, ótima qualidade e que tem novos designs”, complementa Alexandre.

    Paralela à importância da preservação ambiental está a certificação das florestas. O manejo florestal da Battistella é certificado pelo Forest Stewardship Council que atesta que o plano de manejo da empresa atende aos principais requisitos de equilíbrio ecológico, econômico, operacional e social. O selo é reconhecido internacionalmente entre empresas que trabalham com produtos florestais. “O consumidor brasileiro precisa perceber que ao adquirir um móvel fabricado com madeira proveniente de uma floresta certificada ele está contribuindo para o meio ambiente”, declara.

    Até o momento, 20 empresas filiadas ao Sindusmobil, Sindicom (Sindicato das Indústrias da Construção Civil e do Mobiliário de Rio Negrinho) e Arpem (Associação Regional da Pequena Empresa Moveleira) confirmaram presença no evento de lançamento do Projeto Biomóvel, em São Paulo. Para comprovar a qualidade do móvel, os produtos receberão um selo de certificação que será fornecido pelo SENAI, o qual garante sua origem.

    História do Biomóvel

    O desenvolvimento do Biomóvel teve como base o projeto Green Home, elaborado na Toscana, Itália. A estratégia do Biomóvel integra todos os níveis de desenvolvimento do produto e associa vantagens competitivas como a redução dos materiais utilizados e dos resíduos de produto. O projeto orienta e dá indicações sobre os materiais que devem ser utilizados ou evitados, os padrões para o móvel ecológico até o selo de qualidade ambiental para o Biomóvel.

    O conceito do Biomóvel acompanha todo o ciclo de vida do produto, desde o nascimento e até morte. Os processos são compostos das seguintes fases: pré-produção (produção dos materiais e semi-acabados utilizados no processo); produção (transformação dos materiais, montagem e acabamento); distribuição (embalagem, transporte e armazenamento) e até a utilização (manutenção).

    Nas fases de criação e produção do móvel, aspectos fundamentais devem ser considerados: projetar produtos multifuncionais, evitar o super dimensionamento dos móveis, escolher processos produtivos que reduzem o consumo de materiais, otimizar o consumo de energia na produção e utilizar embalagens recicláveis.

    fonte: O Bonde

  • Gostei!!!!

    Que tal mudar a cara de tua mesa ao oferecer um almoço ou jantar, ou até mesmo uma simples reunião de amigos regada a comes&bebes e ainda por cima mostrar aquela consciência ecológica???

    Mas lembre-se: somente madeira de demolição ou certificada!

  • O desenho do produto e o desenho do espaço

    * Yvonne Mautner

    A idéia deste ensaio é construir relações entre a produção de mercadorias e a produção do espaço urbano. Para isso, explorei as contradições entre as propostas de apropriação coletiva de parcelas do espaço da reprodução – a moradia – relativas às atividades domésticas tradicionalmente incorporadas à moradia, e a reapropriação individual delas por meio da utilização de equipamentos domésticos produzidos industrialmente. O movimento modernista alemão mostrou-se um campo fecundo para estudo destas contradições ao se projetar mundialmente por meio de nova linguagem formal tanto para a produção industrial dos objetos como do espaço.

    A disputa entre o espaço coletivo e a mercadoria no modernismo

    Dos produtos industriais, o que mais diretamente foi associado a mudanças na estruturação do espaço urbano, é, sem dúvida, o automóvel. A moradia como produto industrializado que deveria, como aventavam arquitetos modernistas, ser produzida em série como o automóvel, não chegou a cumprir este destino, devido às peculariedades de seu processo de produção (1). Porém, de forma bem mais sutil que o automóvel, os equipamentos que povoam o interior da moradia também concorreram para as resultantes espaciais das cidades contemporâneas.

    As propostas dos arquitetos do movimento modernista alemão aliaram os resultados do avanço técnico-científico das primeiras décadas do século XX ao projeto de uma nova ordem social, fermentada nos anos conturbados da República de Weimar, dando início em larga escala à industrialização da construção e à racionalização do desenho do interior da moradia. Estruturaram no espaço externo da habitação uma dimensão coletiva (2) do cotidiano que, por um lado, deslocava do seu interior algumas atividades e equipamentos (3) (lavanderia, lojas cooperativas, creche, jardim de infância) criando, por outro, no exterior das edificações dos novos conjuntos habitacionais, espaços para as atividades esportivas e de lazer (ver nas imagens ao lado a planta de Bruchfeldstrasse e afoto de Westhausen).

    O projetar pelo e para um coletivo não foi apenas uma metáfora, os arquitetos envolvidos tiveram de fato seus interlocutores: os sindicatos, que desempenharam um papel importante no delineamento e execução das políticas habitacionais do entre-guerras na Alemanha. Em 1924, o sindicato operário ADGB, o sindicato de empregados AFA-Bund e o sindicato dos funcionários ADB fundaram uma Sociedade Anônima para o Alojamento dos Operários, Empregados e Funcionários: a DEWOG, que passou a ser a promotora de operações de habitação social, pública, tendo sido a própria construção assumida por organismos de origem sindical (4) (Kopp,1984:43).

    Esta nova dimensão coletiva que se imprimiu na organização espacial de vários dos conjuntos de habitação social implantados por arquitetos modernistas em Frankfurt, Berlim, Stuttgart e outras cidades alemãs, estabeleceu-se paralelamente ao extraordinário desenvolvimento da indústria de bens duráveis no entre-guerras (que se afirmou definitivamente no pós segunda guerra, nos Estados Unidos e Europa) (5).

    A difusão destes bens duráveis, contribuindo no interior de cada moradia para a simplificação e redução do trabalho doméstico, acabaria por diminuir a importância dos espaços projetados para uma “intensa vida associativa fundada em equipamentos coletivos”. O movimento na direção da “des-domesticação” e coletivização de tarefas caseiras, levando à outra divisão de trabalho entre o homem e a mulher e a novas propostas espaciais urbanas, engendrado ainda no século XIX por utópicos socialistas e por militantes feministas (Hayden,1981) acabou sendo interceptado, pelo processo de generalização da forma mercadoria, isto é, pela gradual predominância dos valores de troca sobre os valores de uso na organização da produção, penetrando também no âmbito da própria reprodução (6).
    Parte do trabalho passaria a ser realizado individualmente no interior de cada moradia (resultado do aprimoramento e difusão dos aparelhos e gadgets domésticos) e parte passaria, com o tempo, a se constituir em mercadoria comprada no mercado de serviços.

    Liselotte Ungers (1983) em seu livro A procura de uma nova forma de morar, Siedlungen dos anos 20, ontem e hoje, relativiza o impacto das novas propostas dos modernistas alemães se comparadas àquelas dos arquitetos soviéticos:

    “O projeto das plantas das moradias dos conjuntos (Siedlungen) modernistas não era tão revolucionário a ponto de erigir um ‘novo homem’ para habitá-las. Não se foi tão longe, como na mesma época, os arquitetos e planejadores soviéticos, que de acordo com seu ideário político, queriam reduzir a unidade habitacional a dormitórios e um nicho de cozinhar (Kochnische), enquanto todas outras funções como cozinhar propriamente dito, comer, lazer, formação e educação eram retirados da esfera individual e colocados sob responsabilidade social. Desta forma intentava-se preparar o caminho para o socialismo e, ao mesmo tempo, dar condições de liberar a mulher do trabalho doméstico para incorporá-la ao processo produtivo” (Ungers, Liselotte,1983:224)

    A cozinha de Frankfurt, desenhada por Ernst May e Grete Schütte-Lihotzky, “onde os equipamentos de cozinha transformados em produtos industriais farão sua entrada na habitação mínima da nova arquitetura” (Kopp,1990:56), é ao mesmo tempo o desdobramento de experiências anteriores (7) e a instauração de um modelo de cozinha que passará a ser adotado, com variações locais, como solução de projeto universal para a simplificação dos serviços domésticos. E, longe de constituir um ‘projeto revolucionário’, no sentido das experiências dos arquitetos russos, propõe a fusão de um novo espaço com o potencial de recursos oferecidos pelos novos equipamentos produzidos industrialmente para o interior da habitação (a seguir a ilustração do ‘novoespaço’ e da cozinha de Frankfurt):

    “No projeto da habitação mínima os arquitetos não se limitaram a reproduzir em dimensões reduzidas as habitações tradicionais, pelo contrário, desenvolveram em parte devido a novas determinações técnicas, uma nova proposta de espaço. Pode-se dizer que eles partiram menos de premissas ideológicas radicais do que de conceitos de igualdade social: “moradia racionada” (Ration Wohnung) para todos, procurando enfrentar as limitações materiais através da racionalização da construção, planejamento cuidadoso, estética gestáltica, que respondessem à sua tarefa em seu tempo. Essas habitações exigiram dos moradores mudanças em suas práticas cotidianas – seja devido à nova e desconhecida organização do espaço, seja pela necessidade de mobiliar os pequenos cômodos com móveis leves e modernos em vez dos móveis “burgueses” aos quais estavam acostumados” (Ungers, Liselotte, 1983:224)

    Esta ambigüidade resultante da incorporação simultânea nos projetos modernistas de ideais socialistas e dos resultados do desenvolvimento capitalista é discutida por Tafuri, em Projecto e Utopia (1985), enquanto parte integrante de uma contradição mais geral na produção intelectual e arquitetônica na Alemanha no período entre-guerras. As Siedlungen são consideradas utopia realizada, porém alheias aos processos de reorganização global da produção: ilhas ordenadas e organizadas (mortas) em meio à vitalidade da produção de um novo espaço metropolitano. A produção intelectual, por sua vez, estaria permeada pelo diálogo com o capital  (abstração tecnológica e sujeito produtivo universal) ou com as massas (abstração revestida de significado ético). No confronto das forças sociais atuantes no período (socialistas, social-democratas e liberais), convivem projetos coletivos e de expressão individual ou tradicional, e ainda no mesmo período, assiste-se ao movimento de incorporação dos princípios socialistas à economia capitalista:

    “O contra-ataque capitalista … assume para si e redefine os elementos fundamentais da estratégia ‘socialista’. Socialismo como acumulação acelerada, reconstrução industrial, intervenção estatal no ciclo econômico, mas sobretudo como defesa do trabalho vivo (…). O Sozialismus do grande capital alemão entre 1918 e 1921, garante assim uma relação orgânica, no concreto, com a organização operária, política e sindical. E é inevitável que esta fase seja inexoravelmente abandonada quando, destituído qualquer perigo de organização autônoma a nível operário, o capital possa reassumir diretamente a gestão e a organização social do próprio ciclo”. (Cacciari, Massimo (1972) Sur probleme dell’organizzazione.Germania 1917-1921, Marcilio, Padua, in Tafuri,1985:51).
    O processo associado de suburbanização e produção em massa nos EUA

    Nos Estados Unidos, durante a ascensão da ‘cidade capitalista densa’ (8) (1870 a 1930), que conjugou, o aumento da concentração da população urbana e constantes inovações tecnológicas, o movimento das ‘feministas materialistas’ (material feminists) viveu sua época mais ativa. As campanhas pelo trabalho doméstico socializado e remunerado (1868) foram concomitantes à promoção pelos arquitetos de espaços urbanos residenciais coletivos nas cidades do Leste por meio dos primeiros edifícios construídos para as classes alta e média, como também de edifícios modelo, os tenements, para os pobres. Hayden aponta em seu livro, The grand domestic revolution (1981), o impacto poderoso dos agentes do processo combinado da suburbanização e da produção em massa sobre as concepções de cidade dos movimentos de vanguarda de urbanistas e feministas, que caminhavam para propostas de reorganização urbana bem distintas da casa isolada nos subúrbios das cidades. O início dos anos 1920 assistiu à miniaturização da tecnologia de grande escala desenvolvida para hotéis, flats, restaurantes e sociedades cooperativas de serviços domésticos, que incorporaram à arquitetura equipamentos coletivos como os compartimentos de refrigeração, aspiração de pó, e sua transformação em mercadoria a ser “plugada” em tomadas suburbanas.

    Estes movimentos de vanguarda foram desgastados por anos de lutas e perseguições e campanhas de difamação (red-baiting) e terminam vencidos pela implantação das políticas habitacionais contidas no Relatório da Comissão Hoover (1931): Home Building and Home Ownership  apoiadas por construtoras, banqueiros e industriais, e que advogava propriedades residenciais suburbanas unifamiliares. Na década de 1960, os subúrbios já continham uma porcentagem maior da população urbana nacional que as áreas centrais. Na década de 1970, sete em dez famílias moravam em casas unifamiliares (Hayden,1981: 9 e 25), base do consumo individualizado de automóveis e de todos os equipamentos domésticos. Vale a pena citar uma passagem de Kenneth Jackson (1985), relatando como, na recessão entre 1929 e 1933 (onde cai de 95% a produção habitacional), era mantida a visão da casa própria para o povo americano, por meio das campanhas dos programas hipotecários da Federal Housing Administration:

    “A ‘casa modelo’, em particular, tornou-se um objeto de marketing popular, especialmente mais para o fim da década. Cada novo loteamento e casa modelo dos subúrbios, geralmente incluía uma casa ideal, escala um para um, repleta com os últimos equipamentos domésticos. Em 1935, a General Electric Company financiou um concurso de arquitetura para uma pequena habitação unifamiliar. Aos 2.040 participantes era requisitado listar os equipamentos da GE a serem incorporados ao projeto; um dos arquitetos propôs 76 aparelhos” Jackson1(1985) :187.

    O modelo de urbanização americano, de multiplicação de subúrbios, baseado na casa própria, isolada em bairros residenciais, e no automóvel, será a base perfeita para receber a produção acelerada de equipamentos domésticos empreendida pela grande expansão industrial do entre e pós-guerra. A implantação da casa própria suburbana, enquanto política nacional de habitação nos Estados Unidos, ofereceu uma idéia do pós-guerra I à sociedade do pós guerra II. Parcelamento do preço e dedução de impostos, oferecidos pelo Estado a proprietários de casa própria na era do pós-guerra II, derrotou históricas aspirações feministas, porém, possibilitou o grande boom dos construtores especulativos, dos produtores de eletrodomésticos e de automóveis. As mulheres tendo sido expulsas dos empregos assumidos durante a guerra, passaram para a nova vida de esposas suburbanas contribuindo para o aumento da taxa de natalidade e o consumo de massa. Empresas construíram milhões de casas unifamiliares, sem cuidados de implantação, de provisão de espaço comunitário ou de participação de arquitetos nos projetos. Estas casas eram verdadeiras caixas a serem entupidas de bens de consumo produzidos em massa (Hayden,1981:23).
    Capitalismo luterano ou indomado?

    O embate entre uma produção industrial “planejada” e o livre rolar das forças do mercado, que se materializa na guerra ideológica entre a União Soviética e os Estados Unidos, respectivamente, após a Segunda Guerra Mundial, será um profícuo campo de debates sobre qual deveria ser a amplitude e natureza desta produção.

    O interesse em mencionar esta discussão, mesmo se de forma breve, deve-se ao fato de ela não ter repercutido ao longo deste século somente no campo das políticas econômicas, porém de ter penetrado também no âmbito da formação de quadros técnicos para a produção de mercadorias e do espaço urbano. O próprio princípio da economia de materiais, do desperdício consumista e algumas premissas dos atuais movimentos ecológicos ligadas à organização da produção já eram questionados no início do século XX. A discussão se abrigava muitas vezes no confronto entre a “racionalização”, o utilitário (necessários aos projetos sociais) e a “liberdade criadora”, a arte, (refúgio único da expressão individual), mantendo em esferas separadas o princípio modernista de reprodutibilidade e socialização da arte e o da diversificação para a “individualização” do consumo (9).

    Ainda antes da Primeira Guerra Mundial, o problema da produtividade industrial era abordado na Alemanha por meio da racionalização e tipificação dos objetos a serem produzidos em série (10). Na mesma época, nos Estados Unidos, o problema era colocado de forma diversa: a produtividade era considerada na totalidade do processo produtivo, isto é, por meio das relações entre a organização científica do trabalho na fábrica e a configuração formal do produto. Ford (1863-1947), por exemplo, estudou a cadeia de montagem em função do modelo “T”, e vice-versa, em um processo que resultaria na primeira grande vitória da produção em massa, e por quase um século, permaneceria o epítome do capitalismo “moderno”.

    Em 1907, Muthesius (1861-1927) faz a famosa conferência sobre A Importância da ArteAplicada (Die Bedeutung des Kunstgewerbes) na Escola Superior de Comércio de Berlim. Nesta época o Kunstgewerbe alemão ainda seguia as modalidades formais dos estilos decorativos herdados da tradição e gosto da era vitoriana: neo-egípcio, neo-grego, neo-gótico, neo-chinês, neo-renascentista etc.
     
    Muthesius atribui os sucedâneos e imitações às “pretensiosas atitudes de parvenu” de uma determinada classe social, a dos “burgueses melhor situados”, obcecados pelo desejo de “aparentar mais”. Muthesius observa, portanto, assim como o fazia também Veblen (10), os objetos de um novo ponto de vista: associando-os a uma classe; expõe também, na mesma conferência de 1907, implicações de ordem econômico-produtivas: “…gasta-se (mal) antes de mais nada, um colossal patrimônio nacional em matéria prima, agregando-se a ele um trabalho inútil”. Um ano após, Loos (1908) usa praticamente o mesmo argumento para negar a legitimidade a todo objeto decorado:  “A ornamentação é força-trabalho esbanjada, e portanto saúde mal gasta… Hoje em dia isto significa também material mal gasto e por último, capital esbanjado”. (12)

    Discursos similares ao de Muthesius adotam também outros artistas e arquitetos, como Behrens (1863-1940), R. Riemerschmid (1868-1957), Schumacher (1869-1947). Estas e outras adesões fizeram nascer em Munique, em 1907, uma nova associação, o Deutscher Werkbund, cuja finalidade era a de estabelecer no trabalho industrial uma contínua colaboração entre indústria, arte e artesanato. Em 1914, Muthesius e Van de Velde tornam-se oponentes no Werkbund, o primeiro defendendo a racionalização e tipificação e o segundo “a liberdade criadora do artista”. O conflito entre a desconsideração e a necessidade da norma que disciplina a dinâmica produtiva, entre a Konstanz (constância) e a Veränderung (mudança) ainda estará em discussão no Werkbund suiço em 1954 (Maldonado,1977).

    A importância desta discussão, é que seus protagonistas prevêem nela a aproximação de uma encru¬zi¬lhada no capitalismo moderno: “a produção industrial apontará para a disciplina ou turbulência do mercado? ela se dirigirá a um aprofundamento controlado ou a uma expansão incontrolada? para uma estratégia de poucos ou de múltiplos modelos de produtos?” ( Maldonado,1977:39-45).

    O histórico de Maldonado sobre a discussão do início do século, a respeito da hegemonia da técnica ou da arte, da “norma” ou da “liberdade” nos produtos industriais que vão formar a cultura material de uma sociedade, mostra os defensores da racionalização e tipificação como representantes do fordismo europeu, um “fordismo culpado”, ou talvez, um capitalismo luterano, que tornou ambígua a ideologia do produtivismo na Europa. Maldonado, em seguida, compara a ambigüidade das posições alemãs com a objetividade de Ford expressa em My life and work, do qual cita:
    “Se o plano construtivo de um produto foi bem estudado, as modificações serão poucas…, no entanto, no processo de produção, as mudanças serão freqüentes e espontâneas… Para mim é motivo de orgulho que cada peça, cada artigo que produzo seja bem trabalhado, forte, e que não se veja necessidade de substituí-lo. Todo bom automóvel deveria durar como um bom relógio… No passado sempre namorei com a idéia de um modelo universal”. (Maldonado, 1977:46)

    Nos Estados Unidos, no entanto, o fordismo não sai vencedor na produção capitalista depois de 1930, menos ainda a defesa da utilidade da função ante o decorativismo, a maquilagem. Ainda nos anos 1920, o modelo “T”da Ford começa a sentir a competição da General Motors, mais caro, porém mais ao gosto do público. O mesmo passa a ocorrer com outros produtos, e vai se transformar em um fenômeno generalizado após a crise de 1929. Diz Maldonado:

    “uma coisa é certa: enquanto antes da crise a indústria americana nos setores automobilístico e de eletrodomésticos estava orientada para uma política de poucos modelos de grande durabilidade, ela se orienta após a crise para uma política de muitos modelos de pouca durabilidade. E se antes da crise a forma dos produtos é concebida respeitando as exigências da simplicidade construtiva e funcional, depois dela sucede o contrário. Trata-se do nascimento do styling”.

    A expansão do mercado consumidor realizada originalmente pelo barateamento propiciado pela repetição de um modelo, acabou por se difundir por meio de outros artifícios e novas técnicas de sedução mercadológica e produção industrial: o styling aparece como o precursor da obsolescência programada, a pesquisa de mercado como o horizonte formal da mercadoria e o marketing como o desbravador de novos nichos de consumo.

     
    (1) Ball, Michael(1988) Rebuilding Construction; Clarke,Linda (1992); Mautner,Yvonne (1991).

    (2) “A casa alugada desaloja a casa de família herdada, cessa a domiciliação amarrada a um lugar e começa um novo nomadismo dos indivíduos, favorecido pela rápida progressão dos meios de transporte. Assim como a tribo perdeu suas terras, a família perde sua casa. O poder do laço familial retrocedeu diante do direito público da cada indivíduo. As condições de produção social permitem que o indivíduo independente troque de lugar de trabalho, por sua livre vontade, a liberdade de locomoção aumenta enormemente. A maior parte das antigas funções da família torna-se presa da socialização gradativa;” Gropius,Walter (1997:147). Artigos de Gropius da década de 1930.

    (3) O aspirador de pó percorre uma trajetória exemplar, pois nasce como um serviço, ou como um equipamento coletivo, passando a ser posteriormente desenvolvido enquanto produto individualizado: “Mais eficientes que aparelhos de limpeza manuais eram as máquinas a vácuo, movidas a eletricidade. Estas foram desenvolvidas ao mesmo tempo na Inglaterra e França  por volta de 1902. Movidas por eletricidade ou parafina, as máquinas eram grandes e operadas por companhias que as alugavam com os operadores. Os serviços eram utilizados principalmente em edifícios grandes, como lojas de departamentos e teatros, mas eram também ocasionalmente usados individualmente para limpeza doméstica. Uma alternativa à mobile vacuum plant era uma instalação permanente com saídas para cada cômodo. Sistemas como este foram instalados no Frick Building em Nova York em 1902 e logo após na Câmara dos Comuns em Londres; instalações permanentes para uso doméstico eram propagandeadas nos Estados Unidos, seu custo porém as restringiu certamente para os muito ricos” Forty (1987):176.

    (4) ADGB (Allgemaine Deutsche Gewerksschaftbund), AFA-Bund (Allgemeine Freie Angestelltenbund), ADB (Allgemeine Deutcshe Beamtenbund) e DEWOG (Deutsche- wohnungfürsorge Aktien Geselshchaft für Beamten, Angestellten und Arbeiter). Sobre a necessidade de uma nova forma de projetar, tanto no plano social como arquitetônico, consultar o capítulo III de Kopp,1990:42)

    (5) No fim do século XX o uso eletricidade já era praticamente compulsória para operar toda uma nova classe de mercadorias, os eletrodomésticos. Em 1913, metade do comércio mundial em produtos eletro-químicos estava em mãos da Alemanha (AEG e Siemens & Halske-Schukert, que trabalhavam em colaboração desde 1908); a outra metade com os Estados Unidos, na GE (uma associação entre a Thomas- Houston & Edison Co). A generalização do consumo de eletricidade possibilita a difusão dos aparelhos eletrodomésticos, dos quais, por exemplo, o aspirador de pó, que começa a ser difundido nos anos 1910, chega a seu desenho mais conhecido, o modelo Hoover 150, (realizado pelo desenhista industrial Henry Dreyfuss para a American Hoover Suction Sweeper Company) nos anos 30. O seu primeiro modelo clássico, na melhor tradição fordista, perdurou de 1916 a 1936, (ambos são ilustrados ao lado, Forty (1987) p:177 e 180).

    (6)Marx, (1867) Capital, volume 1,The Pelican Marx Library, Harmondsworth, 1976.

    (7) Como a Bauhaus Küche, cozinha projetada para o Haus am Horn em 1923, ou a cozinha projetada por Bruno Taut em 1927, ainda como exemplos únicos ou artesanais da racionalização doméstica do trabalho (Kopp,1990:56). É importante lembrar também a experiência concomitante americana relatada em livro de Christine Fredericks (1921) traduzida para o alemão em 1922 e que serviu como base de pesquisas realizadas na Alemanha para “taylorização” do trabalho doméstico na cozinha

    (8) Nesta época, feministas materialistas percebem que várias decisões sobre a organização da sociedade futura eram incorporadas no ambiente construído. Por isso, apontavam as transformações espaciais do trabalho doméstico sob controle do movimento como um ponto chave de ligação com campanhas de eqüidade social, justiça econômica e reforma urbana (Hayden,1981:10)

    (9) Tafuri (198-:79) diz que a Siedlung Siemensstadt, em Berlim, planificada por Sharoun, é um exemplo de ruptura do movimento modernista. Se Gropius e Bartning se mantêm fieis à construção do conjunto como cadeia de montagem, aos “blocos” arquitetônicos, os “objetos” de Sharoun e Häring se contrapõem a estes na recuperação da “aura” benjaminiana nos edifícios por eles projetados para o conjunto.

    (10) Riemerschmid, Richard (1868-1957), um dos fundadores do Deutsche Werkbund, colabora com seu cunhado Karl Schmidt, marceneiro, no design de móveis para produção industrial. Os primeiros modelos são expostos em 1905 na Exposição de Dresden. ThePenguin Dictionary of  Design and Designers (1984:412), Penguin Books, England

    (11) Assim como Th. Veblen (1857-1929) em seu livro The theory of the leisure class, publicado em 1899.

    (12) Quanto a Loos, aqui entrando nas criticas ao funcionalismo na arquitetura, Benjamin chama a atenção para uma “nova pobreza” na arquitetura e urbanismo, tomando como exemplo o “reducionismo estético e a proibição formal” de Loos, considerado o arquiteto da tabula rasa e do “calvinismo”. Contra esta visão mais formalista da arquitetura modernista ver Quando o modernismo era uma causa e não um estilo de Anatole Kopp.

    (13) Maldonado,Tomas(1977) El diseño industrial reconsiderado, Coleccion Punto y Linea, Ed G. Gili, Barcelona. Styling: cosmética de produto, atividade que permanece na superfície, na pele do produto. A preocupação estética de se separa do resto dos fatores que intervêm na determinação da configuração de um produto industrial: análise de necessidades, factibilidade técnica de produção, disponibilidade de materiais, normas, redução de custo.
    Bibliografia

    BALL, M. Rebuilding Construction: Economic Change and the British Construction Industry. London: Routledge,1988.

    CLARKE, Linda. The production of the built environment: peculiar or backward? Bartlett International Summer School Proceedings 6, University College London,1985.

    COLUCCI JR., José) O design na era da integração, Dissertação de Mestrado, FAUUSP), 1988.

    Das Paradies kommt wieder. Museum der Arbeit, Hamburg, 1993:23

    FORTY, Adrian. Objects of desire. Thames & Hudson, 1987.

    GROPIUS,Walter Bauhaus: Novarquitetura. S.Paulo: Ed. Perspectiva,1997, 5ª. edição, p:147.

    HAYDEN, Dolores. The grand domestic revolution. London: MIT Cambridge, Mass, 1981.

    ________________. Redesigning the american dream,  NY, London:W.W. Norton & Company 1984.

    JACKSON, Kenneth T. Crabgrass Frontier-The Suburbanization of the United States. NY, Oxford: Oxford University Press, 1985.

    KOPP,Anatole. Quando o moderno não era um estilo e sim uma causa. São Paulo: Nobel/Edusp, 1990.

    LOOS, Adolf (1908) Ornament und Verbrechen (Ornamento e Delito), Prachner Verlag (Sondereinband – 2000)

    MALDONADO,Tomas El diseño industrial reconsiderado. Barcelona: Coleccion Punto y Linea, Ed G. Gili, 1977.

    MARX, (1867) Capital, Volume 1, The Pelican Marx Library, Harmondsworth, (1976).

    MAUTNER,Yvonne  “A periferia como fronteira de expansão do capital” in Deák, Csaba & Schiffer, Sueli (orgs.) O processo de Urbanização no Brasil. São Paulo: Fupam, Edusp, 1999.PAMPLONA,Telmo. Desenho da Ruptura – Modernidade na Implantação da Indústria. São Paulo 1900-1920  Tese de Doutorado FAU/USP, 1992.

    TAFURI, Manfredo Projecto e Utopia. Lisboa: Ed. Presença, 1985.

    The Penguin Dictionary of  Design and Designer. England: Penguin Books, 1984.
    UNGERS, Liselotte Die suche nach einer neuen Wohnform.  Stuttgart: Deutsche Verlags-Anstalt, 1983.

    Fonte: Revista AGIPROP

  • Copa 2014 0 Curitiba candidata a sede

    Bom, quem me conhece sabe que sou totalmente contra trazer este tipo de evento aqui para o Brasil por um mmotivo bem simples: existem muitas carências a serem resolvidas em nosso país e que são muito mais importantes que uma copa do mundo.

    Mas me chamou a atenção um informativo que recebi do Revestir.com:

    “Curitiba Copa 2014

    No dia 31 de outubro iniciou um ciclo de palestras para alunos e professores dos cursos de arquitetura das universidades PUCPR, UFPR e Positivo, que tomaram conhecimento das propostas para desenvolver o Workshop Curitiba Copa 2014 organizado pela AsBEA-PR.

    O ponto alto das palestras foram as explanações do arquiteto italiano, radicado em São Paulo, Bruno Padovane, que demonstrou de maneira objetiva e brilhante, as diversas formas de implantar, com forte impacto urbanístico, um megaevento esportivo e seus desdobramentos positivos. Posteriormente, o engenheiro paulista Fernando Telles, outro especialista na área de arquitetura esportiva, reafirmou a importância de dimensionar adequadamente os diversos formatos que envolvem um estádio esportivo. Por último, o arquiteto Carlos Dellacosta trouxe para o público presente, informações de relevância na hora de selecionar o local do evento.

    fonte: Revestir

    Vejamos:

    As três universidades citadas e envolvidas no evento tem entre seus cursos os de Design:

    PUCPR

    Desenho Industrial – Programação Visual
    Desenho Industrial – Projeto do Produto

    UFPR

    Design

    Positivo

    Design – Projeto de Produto
    Design – Projeto Visual

    Isso sem contar cursos de Engenharias – pra isso os arquitetos vão precisar de muita engenharia – Artes, Turismo e várias outras que DEVEM ser aproveitadas da mesma maneira que arquitetura num evento deste porte. E olha que nem olhei os cursos de pós oferecidos por elas e que sabemos também existem em Design.

    No entanto, não se vê movimentação alguma por parte das IES e das coordenadorias de cursos de Design, (produto, grafico, interiores, etc) destas e de outras IES, para inserir nossa área dentro do todo que comporá o projeto final de adequação da cidade de Curitiba às necessidades reais que este evento impõe.

    ASBEA, claro, vai tentar fechar ao maximo o acesso de outras áreas à “essa bocada” em benefício umbigusta aos seus associados e nem tanto à importância do evento em si. Jajá aparecem IAB também na parada.

    Portanto, creio que nossos amigos Designers, Engenheiros, Turismólogos, Artistas, Light Designers e vários outros devem começar a se movimentar para evitar que isso – projeção ou $$ – sejam aproveitado por poucos quando na verdade deveria ser um bem de TODOS.

    E não digo apenas aos de Curitiba não, afinal o Estado todo tem profissionais qualificadíssimos nessas áreas e que certamente poderão contribuir em muito para isso.

    Fica aqui, mais um protesto meu contra panelinhas e movimentaçãoes tácitas e falaciosas de alguns grupos.

     

     

  • A energia solar ao alcance de todos

    Fonte: Jornal do Brasil – 13.11.2008


     

    Rio de Janeiro – Conhecido pela harmonia com a natureza e pelo sol intenso durante o ano, o Rio ainda está engatinhando quando se trata do uso de energia solar em substituição ao chuveiro elétrico, o maior vilão das contas de luz. Mas uma ONG paulista vem multiplicando pelas residências da cidade um aquecedor solar de baixo custo que possibilita economia de até 40% ao fim do mês – podendo chegar a 60%, como no caso de um centro cultural em Santa Teresa. Enquanto em cidades de São Paulo o equipamento já é uma realidade, no Rio o governo do Estado ainda tenta fazer valer a lei – aprovada no início do ano – que exige a implantação do sistema em todos os prédios públicos estaduais. Nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por exemplo, o sistema está previsto apenas em parte do Complexo de Manguinhos.

    O aquecedor solar de baixo custo foi desenvolvido pela ONG Sociedade do Sol, junto do Centro de Tecnologia da Universidade de São Paulo, que disponibilizou o manual de instalação na internet. Com materiais simples como tubos e forros de PVC (usado em tetos de escritórios), o técnico de informática Hans Rauschmayer vem promovendo cursos de instalação do equipamento no Rio e, esta semana, foi convidado para divulgar o sistema nas prefeituras de Búzios, Macaé e Itaguaí.

    – É tão simples que muitos não acreditam – conta Hans. – A água pode atingir até 60 graus, mas há um sistema de segurança, e a temperatura pode ser regulada a partir da instalação de um segundo registro, com água fria.

    Os forros de PVC, pintados de preto, transformam-se num coletor solar ligado à caixa d’água, devidamente revestida por isolamento térmico. Por ser mais densa, a água fria passa por dentro dos canais dos forros e empurra automaticamente a água quente para dentro da caixa, sem necessidade de automação elétrica. A água quente, porém, pode durar no máximo três dias, caso não haja sol. Todo o sistema custa em torno de R$ 300 e pode gerar até 60% de economia, como aconteceu no Centro Cultural João Fernandes, em Santa Teresa.

    Freezer vira caixa d’água

    O administrador do Centro, Paulo Sérgio da Silva, foi ainda mais original: pegou dois freezers que serviam de depósito de bebidas e os reaproveitou como caixas d’água, já com o devido isolamento térmico. Com os 600 litros de água quente, mais de 20 pessoas tomam banho por dia no Centro, que serve ainda de abrigo a turistas participantes de trabalhos sociais do local.

    – Antes, eu gastava em torno de R$ 500 com luz, e hoje não chega a R$ 300 – lembra Paulo. – Para nós, que dependemos de doações, foi um ganho enorme. Temos aquecedor solar em quatro banheiros, e estamos planejando instalar em outros dois.

    Morador de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, Ronaldo Fonseca Rocha fundou uma empresa para revender o sistema. Em mais de 10 anos, porém, não vendeu o equipamento a mais de 200 pessoas.

    – Em Belo Horizonte e Juiz de Fora, vendemos bastante, mas no Rio é muito pouco – afirma.

    No interior de São Paulo, por exemplo, a demanda também é grande porque as prefeituras dão desconto no IPTU para quem instalar o equipamento.

    Estado tenta implantar sistema em prédios públicos

    O governo do Estado tem se esforçado para substituir parte da energia elétrica em seus imóveis, mas, desde o início do ano – quando a lei entrou em vigor – apenas dois prédios implementaram o novo sistema. A Universidade Estadual do Rio de Janeiro
    (Uerj) também desenvolve um aparato semelhante ao da Ong Sociedade do Sol, mas ainda está em fase de testes.

    No início do ano, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico criou o Programa Estadual de Racionalização do Uso de Energia, com o objetivo de estudar e pôr em prática todas as leis aprovadas nesse sentido. Em novembro, a Santa Casa de Misericórdia de Resende substituiu 43 chuveiros elétricos pelo sistema de aquecimento de água por energia solar, promovendo uma economia de energia elétrica de cerca de 30%. O sistema, porém, custou aos cofres públicos R$ 199 mil.

    No mês seguinte foi a vez do Hospital Universitário Pedro Ernesto economizar os mesmos 30%, desta vez feita a partir da modernização do sistema de refrigeração da unidade. O investimento no projeto chegou a R$ 2,2 milhões, mas não há previsão de substituição da energia elétrica.

    A lei, de autoria do então deputado Rodrigo Dantas (DEM), hoje secretário municipal de Obras, obriga o Estado a implementar aquecimento solar em até 40% da água utilizada nos prédios públicos. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, a lei vem sendo cumprida em prédios reformados e nas novas licitações. Nas obras do PAC, porém, apenas parte de Manguinhos receberá um projeto piloto com os aquecedores.

    – Ainda temos pouco tempo de estudo, mas muito já foi feito – argumenta o superintendente de energia, Luiz Antônio Almeida Silva.

    Uerj realiza estudos

    A Uerj pesquisa um sistema semelhante ao desenvolvido pela Ong Sociedade do Sol, mas construído com aço galvânico, mais barato do que cobre e alumínio. O sistema da Uerj deverá custar entre R$ 300 e R$ 500. Manoel Antonio Costa Filho, coordenador do laboratório de energia solar do Centro de Estudos e Pesquisas em Energias Renováveis, explica que o estudo ainda precisa aprimorar o isolamento térmico.

    O mais importante é evitar custos freqüentes com manutenção, e, por isso, adotamos o aço – explicou Manoel. – Mas estamos desenvolvendo formas de isolamento térmico da caixa d’água, já que temos muitas tecnologias disponíveis no mercado nacional.

  • Estações: Westfriedhof, Munich Germany

    Ai, ai…

    Quem dera chegue o dia em que possamos realizar projetos publicos como esse aqui no Brasil e que não sejam depredados.

    Percebam como os arquitetos Auer – Weber trabalharam o light design e os resultados conseguidos.

    É uma pena que aqui no Brasil, um projeto desses não dure mais que um final de semana ou uma saída de um jogo de futebol.

    Civilização é outra coisa.

  • Rosso Restaurant – SO Architecture

    Belíssimo projeto de arquitetura e interiores para um restaurante localizado em Ramat Ishay, Israel.

    A beleza do cenário do norte de Israel, com suas paisagens verdes e vermelhas, é uma atração turística popular.

    O conjunto convida o turista a explorar o lugar todo.

    A paisagem imediata influenciou no design do espaço. As paredes das janelas foram pintadas com um tom de verde bem próximo ao que se vê na paisagem. Já as áreas internas, num tom de cinza suave.

    O teto foi feito com estrutura de aço, encapada com madeira e posteriormente pintada. A forma, levou em consideração a topografia local.

    Belíssimo projeto.

  • Os perigos dos produtos falsificados

    * Cláudia Capello

    Com a falta de crédito e o poder de compra da população ficando mais restrito por conta do cenário negativo da economia global nos últimos dias, cada vez mais o consumidor brasileiro acaba apelando para a compra de produtos falsificados, também conhecidos como “piratas”, no lugar dos originais. Porém, o que a maioria não sabe é que grande parte desses produtos, de origem duvidosa, pode ser extremamente perigosa e, no final, a sua utilização pode sair muito mais cara do que a aparente economia proporcionada no momento da compra.

    Em relação à indústria da Iluminação, cujos equipamentos funcionam conectados diretamente à rede elétrica, a utilização de produtos falsos pode ser ainda mais perigosa. Por exemplo, uma lâmpada de baixa qualidade gasta mais energia do que o que está descrito em sua embalagem, fazendo com que a lâmpada não apresente estabilidade em seu fluxo luminoso. Isso representa, na pior das hipóteses, a possibilidade de uma única lâmpada causar até uma explosão. Essa situação torna-se ainda mais comum em uma época nas quais diversos aparelhos elétricos são ligados ao mesmo tempo, como é o caso das festas de final de ano. Vale lembrar que essas falsificações não estão de acordo com as especificações de órgãos reguladores, como o INMETRO.

    Outra desvantagem das lâmpadas “piratas” é que elas não funcionam o tempo correto e da maneira que deveriam, ou seja, é inevitável que aconteça uma queima da lâmpada antes do tempo esperado. Além disso, o fluxo luminoso apresentado pela lâmpada e o índice de reprodução de cor (IRC), que determina se a luz exibida pela lâmpada vai ou não distorcer as cores dos objetos que iluminam, nunca é igual ao das lâmpadas de boa qualidade. Com isso, seu projeto de iluminação pode ser prejudicado, uma vez que não terá produtos de alta performance e que geram os resultados esperados e garantidos pelos fabricantes.

    A utilização dos produtos “piratas” também é muito ruim para a economia do país. A indústria de produtos falsificados não paga impostos ao Governo e, dessa maneira, não ajuda o país a crescer economicamente. Outra desvantagem é que, com esse tipo de fabricação, não são gerados empregos regulares e isso faz com que os trabalhadores não tenham suas carteiras assinadas. Por isso, pense bem antes de comprar algo “pirata”, pois a sua economia gera perdas não apenas para você, mas também para muitas outras pessoas.

    * Cláudia Celi Capello é arquiteta e possui mais de oito anos de experiência no mercado de iluminação. Pós-graduada em Marketing, hoje atua como Gerente de Produtos da OSRAM.

    fonte: Rede Energia Blog

  • Consórcio vai assumir sozinho iluminação em SP

    Os serviços de manutenção e ampliação da rede de iluminação pública de São Paulo devem ser assumidos a partir de 2009 por um único consórcio, em um contrato estimado em R$ 110 milhões, por um período de 24 meses.

    O edital para a concorrência dos seis lotes da capital será aberto em 30 dias, informou na terça-feira, 11, em audiência na Câmara Municipal, o secretário de Serviços, Dimas Ramalho.

    O serviço de iluminação pública de São Paulo encabeça a lista de reclamações da Ouvidoria do Município desde 2001, quando o órgão foi criado. Em 2007, o serviço recebeu 7.408 reclamações, o que representa 33,24% do total de chamadas da Ouvidoria. Em 2006, foram 10.236 reclamações, ou 50,3% do total.

    Esse novo modelo poderá ser “uma transição entre o modelo estatizado atual e a privatização” na administração dos 560 mil pontos de iluminação da capital, na avaliação de Walter Bellato, diretor do Departamento de Iluminação Pública (Ilume). “A sociedade vai decidir nesse período de transição o que ela quer, se volta o sistema totalmente estatizado ou se (os serviços) serão concedidos para a iniciativa privada”, afirma.

    Contrato antigo

    O contrato com o consórcio SP Luz, que vigorou entre junho de 2002 e junho deste ano somente para a manutenção da rede, foi prorrogado de forma emergencial nos últimos quatro meses.

    No novo contrato, um único consórcio vai assumir, além da manutenção, a ampliação da rede e o serviço de atendimento ao cliente. Além disso, esse consórcio ficará responsável por montar o primeiro inventário sobre as condições dos pontos de iluminação. “Com esse georreferenciamento inédito, poderemos saber com antecedência e em tempo real qual ponto precisa de manutenção”, acrescenta o diretor do Ilume.

     Depois de empresas contestarem a concorrência por meio de ações judiciais, o primeiro edital para a contratação de um único consórcio foi suspenso no dia 24 de setembro pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). “Já fizemos duas consultas públicas e estamos atendendo a todas as correções que o tribunal nos pediu”, argumentou o secretário de Serviços.

    Críticas

    Mas até vereadores da base governista e especialistas na área criticaram a concessão da iluminação para um único consórcio. “A cidade tem realidades regionais diferentes. O trabalho de manutenção no poste de Parelheiros é diferente do da Paulista. E corremos o risco de prejuízo ao erário público ao jogar na mão de um único grupo a iluminação inteira da capital”, criticou o vereador Milton Leite (DEM), aliado do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

    O Movimento Nossa São Paulo e a bancada do PT também fizeram críticas ao modelo. “Como o consórcio terá independência para receber as reclamações de um serviço que ele mesmo vai prestar?”, questionou Antonio Donato (PT).

    “No futuro, com a população comparando o serviço nas diferentes regiões, o próprio processo licitatório seria beneficiado, com as empresas mais eficientes e criativas sendo indicadas para outras regiões, além daquelas em que fez um bom serviço”, afirma o economista do Nossa São Paulo Cícero Yagi, que defende a divisão de consórcios por região.

    Para o advogado Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira, especialista em Direito Público, a concorrência “facilita o direcionamento do processo”. “É uma forma oblíqua de diminuir a participação em licitações”, afirma. Segundo o advogado, caso seja admitida a escolha de um único consórcio para realizar o serviço, haverá prejuízo para a livre concorrência. “As maiores prejudicadas são as pequenas e as médias empresas.

    Quando há esse tipo de consórcio, o negócio necessariamente fica entre uma pequena elite”, afirma Ferreira.

    ‘Desconfortável’

    O diretor do Ilume disse ser “absolutamente desconfortável” a manutenção da rede por meio de contratos emergenciais e defendeu a junção dos serviços em um único contrato de concessão. “O consórcio que assumir vai ter de se adaptar à realidade de cada região”, argumentou Bellato.

    Durante a campanha, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) adotou as críticas à iluminação da cidade nos principais ataques ao prefeito. “Foram críticas infundadas. Criamos mais de 17 mil pontos (de iluminação) só no ano passado. A iluminação em São Paulo melhorou em todos os quesitos nos últimos quatro anos”, completou Bellato.

    Fonte: Portal Lumière