Categoria: Designers

  • Brieffing – #ComoFaz?

    É bastante comum leitores me perguntando ou pedindo dicas sobre como briffar os clientes. Então vou ser bem direto e franco:

    Não há uma receita de bolo para isso. Cada caso é um caso e isso só se aprende com a experiência profissional.

    O brieffing TEM de ser dividido em duas grandes áreas: a objetiva (técnica) e a subjetiva (gostos, estilos, etc) sendo a segunda a mais complicada e certamente aquela que gera maior desconforto nos profissionais iniciantes.

    A primeira parte é aquela composta por todos os elementos técnicos iniciais do projeto. Nesta parte teremos de:

    – Conhecer o orçamento disponível;

    – Saber o que será feito (qual a área total, quais ambientes, etc);

    – Saber qual será o uso e quem serão os usuários (quantificação e necessidades de acessibilidade, segurança, etc);

    – Fazer as medições dos ambientes que serão projetados (incluindo portas, janelas, aberturas, elementos arquitetônicos, etc);

    – Fazer a locação (nos croquis) dos pontos de elétrica e hidráulica existentes;

    – Anotar, item por item, o que o cliente deseja alterar (pisos, revestimentos, pintura, móveis, louças e metais, iluminação, etc);

    – No caso de condomínios, saber os horários limites para realização das obras e normas de limpeza internos;

    – Conseguir com o cliente o projeto estrutural da edificação (original e de alterações posteriores se houver);

    Enfim, esta é a parte “grossa” do Brieffing comum e necessária à todos os projetos. Existem ainda outros elementos que podem ser colocados aqui nesta parte. O importante é que os croquis sejam feitos em folhas separadas para cada ambiente e, no verso, sejam anotadas as alterações – unica e exclusivamente – daquele ambiente.

    Imagem: Lu Brito – DG

    Já a segunda parte é bastante complexa pois iremos trabalhar com a parte subjetiva do projeto. É aqui que entram os gostos, estilos, definições de cores, texturas, identidade, personalidade, regionalismos, história, etc etc etc etc etc etc…

    Dica: ouça atentamente e aprenda a “ler nas entrelinhas” do que os clientes falam.

    A imagem acima é bastante clara: nesta parte exige-se muita conversa. Se a habilidade de conversar com o cliente para conhecê-lo ainda está meio crua em você, comece brincando com seus familiares e amigos.

    O ideal é que você vá caminhando com o cliente pela edificação e conversando com ele sobre cada ambiente. De posse dos croquis, vá anotando o que o cliente deseja no croqui daquele ambiente. Se está na sala, tenha o croqui da mesma em mãos e somente fale sobre a sala.

    Tem clientes que são maritacas: não param de falar, falam de tudo ao mesmo tempo. Nesses casos você tem de direcionar a conversa com o famoso “Calma, vamos por partes. Estamos na sala, jajá chegaremos ao banheiro”. (rsrs)

    Se você não tomar esta atitude vai perceber depois que as suas próprias anotações estarão uma bagunça.

    Já, muitos clientes são mais reservados. Por mais que nos contratem para realizar o projeto, são resistentes em abrir-se, especialmente sobre questões mais pessoais e íntimas. Muitos também tem uma dificuldade gigantesca em definir-se com relação a estilos: lembre-se que a grande maioria das pessoas que não trabalham com áreas correlatas à nossa são leigos sobre este tipo de coisa. Então não entupa os ouvidos deles com palavras técnicas.

    Para este tipo de cliente o melhor, na maioria das vezes, é pedir que eles folheiem revistas e tragam recortes de ambientes, móveis, cores, acessórios e etc que eles gostem. Através destes recortes você conseguirá traçar o perfil estético do seu cliente. Porém, estas imagens devem servir APENAS COMO REFERÊNCIA – jamais para cópia.

    A pior parte – no meu ponto de vista – é a pessoal. Dificilmente uma cliente irá dizer que quer o seu quarto “quente”. Geralmente usam termos como “romântico”. É óbvio que ela não vai dizer de pronto que quer uma cadeira de dominação no quarto. Esse tipo de intimidade somente vai aparecer no decorrer das conversas.

    DAS CONVERSAS sim! Pois o brieffing subjetivo é constante e NUNCA acontece numa única conversa. É uma ferramenta que deve ser utilizada durante TODO o processo, do primeiro contato até o pós ocupação.

    Também, dificilmente os pais irão dizer que o filho ou a filha é gay (raramente isso acontece). Então o quarto da menina pode não ser tão rosa quanto você imagina e o do menino também pode não ser tão azul. Por isso é importante que você tenha contato com todos aqueles que serão os usuários e procure atender às exigências de cada um para o seu quadrado.

    Outro elemento importantíssimo é com relação à vida social da família. Haverão recepções e festas na casa? e sim com que frequência? Qual o número de convidados normalmente?

    Quem geralmente oferece muitas festas quer uma casa para mostrar (status-CUS). No entanto devemos alerta-los sobre o risco do projeto não refletir a personalidade, o “eu” da família e tornar-se um ambiente desagradável.

    Bom, como podem perceber, essa segunda parte do brieffing é bastante complexa. É como uma construção: tijolinho por tijolinho. Pesca uma informação aqui, arranca à forceps outra ali e assim conseguimos IDENTIFICAR o cliente e, consequentemente, o projeto.

    É como escrevi no início: não se desespere. Isso você só vai dominar com o tempo, com a experiência.

  • Marcenarias: vamos educar o mercado?

    Profiçionalizmo…

    Acho que já comentei isso aqui em meu blog mas não me lembro se cheguei a me aprofundar sobre o assunto. Então vamos lá: a bola da vez é a safadeza da maioria dos marceneiros. Mas calma gente, a culpa não é só deles, é também de péssimos e folgados profissionais de design e arquitetura que educaram o mercado dessa forma.

    Seguinte: em março, comprei os materiais (madeiras, MDF, ferragens, etc) para fazer dois móveis aqui de casa (cabeceira e painel para TV). Estão guardados lá na loja desde o dia da compra. Até aí tudo bem.

    O problema é que eu simplesmente não estou conseguindo um marceneiro que me façam os móveis. A resposta é sempre:

    “Não trabalhamos assim, com o projetista fornecendo o material. Nós que compramos o material.”

    CraroCreidi, tá me achando com cara de idiota??? SentaLáCreidi!!!

    Sabem porque eles não trabalham assim? Então vamos esclarecer as coisas e colocar tudo em pratos limpos.

    A verdade é que eles compram os materiais e revendem pelo dobro do preço.

    Geralmente o custo calculado por eles para executarem um projeto é formulado assim:

    Custo do material + 100% deste custo + mão de obra (100% em cima da soma dos dois anteriores).

    Em números para ficar melhor exemplificado:

    Custo material: R$ 1.800,00
    Custo material repassado ao cliente: R$ 3.600,00
    Mão de obra: R$ 5.400,00
    Custo final: R$ 9.000,00

    Perceberam a safadeza? Isso é uma PUTA falta de respeito tanto com os profissionais – que chamam de “parceiros” e ainda ligam reclamando quando sumimos – quanto com os clientes.

    No entanto devo ressaltar aqui a parcela de culpa dos péssimos profissionais que geraram – e mantém – esse tipo de sem vergonhice no mercado: os profissionais de design e de arquitetura. Sim, estes tem culpa também.

    Explico:

    É fácil desenhar um móvel (até meu sobrinho com suas garatujas o faz). Difícil é projetar um móvel valendo-se de TODAS as etapas que isso exige. Incluindo a COMPRA dos materiais necessários.

    Mas os folgados e preguiçosos preferem deixar esse trabalho para os marceneiros. Escolhem o padrão ou textura pela web, por catálogos ou amostras e deixam o resto todo nas mãos dos marceneiros. Os mauricinhos e patricinhas de plantão se recusam a ir sujar suas roupas e sapatos nesse tipo de lojas. Geralmente tem uma visão dantesca desse tipo de ambiente e arrisco-me a afirmar com certeza de que a maioria NUNCA entrou numa loja desta.

    Pra que vão perder tempo numa loja de madeiras e MDF se tenho quem faz para mim? “Eu escolho daqui, ele vai lá e compra.”

    Ah não posso deixar de citar também que a grande maioria dos projetos que chegam às mãos hábeis dos marceneiros vem irregulares, cheios de falhas e também tem aqueles só esboçados geralmente acompanhados de frases como:

    “Você sabe fazer, então resolva a estrutura”.

    BURROS!!!
    ASNOS!!!!
    INCOMPETENTES!!!
    IRRESPONSÁVEIS!!!!

    Depois tem a cara de pau de reclamar do preço cobrado pelos marceneiros. Tem a cara de pau de apresentar-se como Designers.

    Por causa de vocês é praticamente impossível encontrar um marceneiro que faça estes dois móveis aqui para minha casa (já tive esse problema em outros projetos para clientes e tenho certeza que praticamente 100% dos que já tentaram isso não tiveram sucesso).

    SE o mercado tivesse sido EDUCADO da maneira correta – por bons e conscientes profissionais – essas coisas não ocorreriam.

    Então vamos nos unir e DESEDUCAR essa prática absurda dos marceneiros?

    Vamos passar a fazer os projetos COMPLETOS, comprando os materiais e forçando-os a abandonar esse estelionato enrrustido?

    Passe a comprar os materiais que serão usados em marcenaria e pare de trabalhar com marceneiros que não aceitam essa forma de prestação de serviços.

    Ou vão preferir continuar perdendo clientes por causa do alto custo da execução dos projetos ou por não encontrar um marceneiro decente e ético que produza seus móveis?

  • Integração entre Design e Arquitetura

    Estava percorrendo meu reader e no Brainstorm#9 me deparei com um post falando sobre um edifício de Sampa que o Marcelo Rosenbaum e o Guto Requena fizeram o projeto de requalificação (Ed. Brasil).

    Sim, requalificação e não revitalização. Já existia e arquitetura do espaço e eles entraram com a ferramentas do design para requalificar e dar um novo sentido não só à edificação em si mas também no entorno. Por isso a requalificação. Como bem diz o Guto no vídeo “o centro já é vivo, então não faz sentido revitalizar. ”

    Assistam os dois vídeos e vejam que belíssimo trabalho foi realizado por esta parceria entre os dois.

    Primeiro um vídeo mais institucional:

    E agora um outro onde os dois comentam mais detalhadamente sobre o projeto:

    É o que eu sempre digo: segregar para que? É muito mais útil unir-se, fazer parcerias. Todos ganham!

    ;-)

  • Mais sobre D.A.

    E lá vou eu de novo falar sobre esse assunto. Já falei algumas vezes sobre plágio e Direitos Autorais (DA) aquiaqui e compartilhei um excelente texto da Sandra aqui, além de outras mais. Também “desopilei o fígado” sobre o assunto aqui. Para alguns (os fidaputinhas descarados) é um assunto chato e, muito provavelmente, nem lerão este post. Mas para aqueles sérios e éticos, é um assunto mais que pertinente, especialmente aqueles que, como eu, sofrem com a cara de pau de muita gente por aí que vem aqui em meu blog, copiam partes ou textos completos e não citam a fonte, quiçá ao menos um “muito obrigado, seu trouxa, por me poupar tempo em pesquisa e me entregar o que eu precisava aqui, prontinho”.

    Bom, esclarecendo uma coisinha: quando disponibilizei aqui o modelo de contrato nem de longe quis dizer que TODO o conteúdo deste blog está disponibilizado e livre do Direito Autoral. Aquele modelo de contrato eu disponibilizei pois sei que esta é uma da maiores dificuldades para os egressos: elaborar um contrato decente para poder trabalhar com segurança. Os profissionais e acadêmicos que o copiam, tudo bem, sem problema algum pois como eu escrevi no post: está disponibilizado, livre para o uso de vocês. Mas, a partir do momento em que vejo professores distribuindo aquele contrato (sem alterar um “A” sequer) como se fosse material de sua autoria ou de sua produção acadêmica, aí já se torna uma puta falta de respeito não só comigo, mas também com seus alunos e com a instituição que lhe emprega. Mostra claramente o nível de respeito com o qual leva a sua profissão.

    Bom, então lá vou eu de novo compartilhar mais um excelente texto, de outra blogueira (Nospheratt). Pela qualidade de seu blog (Blosque – blogando com a alma) eu já imaginava que ela também sofria com esse problema e não me surpreendi ao encontrar em seu blog um texto falando sobre.

    Plágio e Direitos de Autor nos Blogs – Legislação Aplicável

    Mais desenhado, para os idiotas que não entendem o que lêem, impossível. Mais explícito, para os FDP que copiam descaradamente e sem permissão, impossível.

    foto: via PortalMidia.net

    Tá dado o recado. Depois não digam que eu não avisei. Estou preparando uma lista (feita através de uma exaustiva pesquisa) onde colocarei TODOS os que me copiam e não citam a fonte (roubam a autoria). Além da ridicularização na web (sim, espalharei através deste blog e de todas as outras formas possíveis de comunicação os nomes e links) preparem-se pois meu advogado está recebendo cada link que encontro e preparando ações deliciosamente indenizatórias.

    #FicaDica

  • Home Staging???

    Já sei que muitos vão tentar afirmar que esse trabalho é uma das competências (por Lei) dos arquitetos e engenheiros. Mas calma, antes de atirar pedras e vir com trololó, não vou me referir à parte estrutural ok? Se insistirem em englobar o todo que esse tipo de parceria pode gerar em serviços tudo bem.

    Fica aqui registrada então a denúncia de reserva ilegal (e criminosa) de mercado, que fique bem claro, e que as autoridades competentes façam a sua parte punindo (dentro da LEI) os que defendem isso.

    No exterior, essa parceria com os corretores de imóveis e imobiliárias (e até mesmo com particulares) é chamada de “Home Staging”. Diferente do que muitos (dentre os poucos que conhecem esse trabalho) possam pensar, esta técnica não visa somente uma mera “encenação do imóvel ocupado ou vazio” ou seja, dar uma arrumada, redistribuir os móveis com um layout melhor. Esta técnica pode e deve ser aplicada de maneira mais ampla.

    Digamos que você leitor tem uma casa e quer vendê-la. Já parou para analisar que qualquer benfeitoria realizada na mesma aumenta o seu valor no mercado? Já percebeu que todo possível comprador torce o nariz para qualquer manchinha que tiver na parede ou riscadinho no piso?

    Sim, é bem isso mesmo. As pessoas quando buscam um imóvel novo tem preferência por aqueles que não lhe trarão trabalho assim que o adquirir. Poucos são os que buscam algo para entrar em reforma, principalmente as pesadas.

    Assim, temos nesse nicho de mercado mais uma área para os profissionais de Design de Interiores/Ambientes.

    Como? Vou explicar.

    É certo que uma casa mal arrumada, com uma distribuição ruim dos móveis acaba gerando uma visão poluída (e distorcida) dos ambientes para o possível comprador. Ele (a grande maioria) não consegue visualizar os espaços e suas possibilidades especialmente quando o imóvel ainda está habitado e consequentemente cheio dos móveis do atual morador. Então, aqui está o primeiro meio de trabalho neste mercado: arrumação.

    Mas não ficamos só nisso. Quando somos chamados para este serviço devemos fazer uma vistoria completa no imóvel. Devemos estar atentos a absolutamente tudo, dentro e fora do imóvel. SE, e somente SE, houverem problemas estruturais, aí sim devemos chamar profissionais qualificados (arquitetos e engenheiros) para resolvê-los. O restante (não estrutural), podemos trabalhar livremente no imóvel:

    – Verificar se a pintura está ok ou se precisa ser renovada/retocada.

    – Verificar as condições dos pisos e revestimentos e se necessário propor alterações.

    – Verificar se as instalações elétricas e hidráulicas estão ok,e propor as alterações nevessárias.

    – Verificar a situação dos armários embutidos que permanecerão no imóvel.

    – Verificar os gessos.

    – Verificar o paisagismo (quando houver).

    – Entre várias outras coisas.

    Percebam que para cada item destes é um trabalhão danado.

    E é assim que este DEVE ser feito. Este é o verdadeiro Home Staging.

    Tem alguns sites e profissionais (incluindo já aqui no Brasil) que pregam que devemos apenas “dar um tapa”, ou seja, mascarar os problemas, torná-los imperceptíveis ao possível comprador. Em resumo: ele que se exploda depois com o azedo abacaxi fantasiado de doce e suculento morango que o venderam.

    Isso não é ser profissional. É ser desprovido de qualquer ética e respeito pelo mercado e pelas pessoas.

    Muitos podem se perguntar: vale a pena investir antes da venda? Vou contar uma historinha:

    Uma conhecida minha de Ribeirão Preto ficou desempregada e recebeu o seu FGTS. Como estava difícil arrumar um novo emprego (por causa de sua já adiantada idade) ficou pensando em como investir de forma segura e rentável aquele dinheiro. Um dia andando pela cidade, viu num dos bairros uma casa popular à venda num dos conjuntos mais disputados da cidade e teve uma idéia. Não me recordo os valores exatos agora, mas lembro-me perfeitamente da relação entre eles. Comprou-a por aproximadamente R$ 17.000,00. Sobrou um dinheirinho e ela resolveu ajeitar a casa antes de vendê-la. Chamou uns pintores, deu uma arrumada no jardim, gramou o terreno, reformou o banheiro e a cozinha (troca de revestimentos, louças e metais). Investiu pouco mais de R$ 5.000,00 nisso tudo. Quando chamou um corretor ficou pasma ao ver que ele avaliou o imóvel em mais de R$ 30.000,00.

    O que ela fez? Vendeu, comprou outra, reformou, arrumou e vendeu e comprou outras e assim por diante. Hoje vive (e muito bem) fazendo isso. Mas como ela não é designer nem arquiteta, faz apenas para ela mesma. Me falou ainda esta semana pelo telefone (sim, já se dá ao luxo de contratar minha consultoria) que está atualmente mexendo com 12 imóveis ao mesmo tempo. Melhor que a realidade de muitos profissionais.

    Agora, imaginem vocês, meus leitores acadêmicos/profissionais, o nicho de mercado sensacional que é este.

    Imaginem vocês, meus leitores corretores/imobiliaristas/clientes, as vantagens que este tipo de prestação de serviços podem trazer para vocês.

    E isso não deve ser aplicado apenas às residências e apartamentos. Uma historinha de um outro amigo pessoal:

    Ele comprou um apartamento dele em 2003 por aproximadamente R$ 43.000,00. Fez uma reforma pesada e o valor não subiu quase nada. Com o passar do tempo acabou assumindo como síndico do condomínio. Nisso começou a perceber as absurdas gambiarras que o ex-síndico vinha fazendo e resolveu que estes problemas todos deveriam ser tratados com seriedade. Claro que, de início, os proprietários colocaram-se contra por causa do investimento necessário. Primeiro refez toda a parte elétrica e de iluminação das garagens (lighting). Os moradores perceberam que a conta de luz do condomínio diminuiu muito. Depois refez a pintura das paredes e tetos do Hall, escadarias e circulações. Na primeira visita de um corretor, este confidenciou a este meu amigo que agora, com essas pequenas melhorias, o valor do apartamento já ultrapassava os R$ 65.000,00. Os proprietários gostaram e perceberam que investir é sinal de lucrar. Resolveram então melhorar a área externa (portão de pedestres/acesso). Tiraram o telhadinho ridículo que não protegia ninguém e fizeram uma entrada decente (projeto meu executado por uma engenheira parceira). O valor do apartamento subiu para R$ 90.000,00. Alteraram a calçada implantando uma calçada verde com paisagismo, dentro da norma de acessibilidade municipal. Aumentou ainda mais o valor. Implantaram um sistema de segurança com acesso por tags e senhas individuais e câmeras de segurança. Hoje, o valor dos apartamentos está mais de R$ 150.000,00. Sempre tem corretor tocando o interfone desesperado para saber se tem algum apartamento à venda no prédio. Outro detalhe: antes eram 4 proprietários e 8 inquilinos. Hoje são 10 proprietários e 2 inquilinos no edifício. Todo esse trabalho foi feito com a minha consultoria em alguns momentos e projeto em outros. Agora, estão se preparando para uma reforma geral das fachadas e dos telhados, incluindo uma possível alteração para telhados verdes, tudo feito sob a minha concepção e supervisão (e executados por profissionais parceiros qualificados para tal).

    O que isso tudo tem a ver com Home Staging?

    Serve para mostrar que não apenas os proprietários, mas também os síndicos devem começar a repensar as suas decisões sobre investimentos nos imóveis, incluindo nas áreas comuns, no caso de condomínios.

    Isso é mercado, isso é valorização de um bem seu (ou de todos, no caso dos condomínios) e que o mercado sabe reconhecer.

    Serve também para mostrar que, apesar do termo “home”, este trabalho é bem mais amplo e não está atrelado apenas aos espaços interiores das edificações.

    OBS> e não me venham falar em direito autoral em residências e edifícios com mais de 10 anos (que são as que mais necessitam desse tipo de serviço) onde os proprietários já pagaram ao autor pelo DIREITO de fazer o que quiser com o SEU imóvel. Inclusive, botar “na chom”, caso algum birrento insista em atormentar e atrapalhar o processo alegando que “só ele, por ser autor, tem direito de alterar”. Isso é reserva de mercado. Isso é CRIME! O direito autoral já está lá registrado no acervo técnico, nas fotos, registros e plantas ok?

    Então, vamos que vamos. Temos muito trabalho a fazer.

    E a sociedade tem muito a ganhar conhecendo e investindo no trabalho sério dos Designers de Interiores/Ambientes, especialmente os proprietários e corretores de imóveis.

    Parcerias sérias só faz bem a todos.

  • Do egoísmo profissional

    (já aviso que se não gosta de textos fortes e que digam a verdade, não leia este)

    É sempre a mesma coisa: sempre que preciso de algum prestador de serviços para realizar um trabalho (pois os que trabalho geralmente já estão ocupados) e tento conseguir indicações com colegas e amigos profissionais recebo somente “não sei…” pelo telefone.

    No entanto, sempre que me ligam pedindo este tipo de informação repasso meus contatos com o maior prazer. Trouxa eu não é mesmo?

    Isso me fez pensar seriamente no egoísmo profissional. Não é apenas uma questão umbiguista, é uma expressão escrota da personalidade de muitos.

    Publiquei aqui em meu blog já a bastante tempo um modelo de contrato. Percebi que este era um dos maiores problemas e dificuldades dos acadêmicos e dos egressos. De bom grado e buscando ajudar aqueles que estão estudando ou começando a vida profissional, disponibilizei o modelo básico que eu utilizava na época, dando as explicações necessárias para o preenchimento do mesmo caso a caso.

    Porém isso me fez perceber que já na academia as pessoas são treinadas para serem egoístas no futuro. Percebem que este problema do contrato já deveria ter sido solucionado lá dentro e que não o foi por causa de professores arrogantes, egoístas, que tratam a educação com descaso total e ainda vêem os alunos como futuros concorrentes?

    É isso mesmo. Gostem ou não, essa é a verdade. Os professores (de todas as disciplinas) deveriam ser obrigados a ajudar os acadêmicos a elaborar seus contratos, fornecer modelos, compartilhar todo o conhecimento e não apenas fragmentos, etc, e simplesmente não o fazem. Também escondem conhecimento. Ah sim, e como escondem. Tive dois professores que adoravam me humilhar em sala de aulas alegando absurdos sobre meus projetos desenvolvidos. No entanto outros alunos cometiam erros graves e tudo ficava bem, recebiam notas melhores que as minhas. Tem uma que mandei tomar naquele (**) lugar um dia, em sala de aulas de tanto que ela me irritou e abusou de meu bom senso pedindo alterações porque o projeto não estava errado, mas ELA não estava gostando da estética do mesmo. Um outro chegou a diminuir a nota (10,0) que a banca havia me dado sem ter participado da mesma apenas para não ter que ver o seu desafeto principal receber a menção honrosa da turma.

    No entanto, este último era do tipo que só se comunicava com quem ficava ali babando seus ovos, bajulando a sua pseuda intelectualidade (e claro, os cheios de $$ da turma). Pseuda sim,  pois diversas vezes o coloquei na parede com questões sérias e ele simplesmente não sabia responder (saía sempre pela tangente ou simplesmente me ignorava). Na próxima aula fazia de conta que eu não existia ou então me dava uma nota linda no próximo trabalho que eu tinha de reverter administrativamente.

    Engraçado que a nota mais baixa que tive durante o curso todo foi exatamente no trabalho de iluminação (quando ele substituiu a professora titular que estava de licença maternidade). Aulas ridículas (como todas as outras dele), um trabalho completo (sem receio algum afirmo: o melhor da turma. Não tinha erro algum) e ele me deu… 7,0 (creiam!). Como será que ele me vê hoje especialista e Lighting Designer reconhecido? Qual será a reação dele quando ver uma coisa que está prestes a acontecer e que ainda não divulguei por trata-se de uma surpresa para vocês leitores e um mega reconhecimento profissional para mim? Com certeza, com muita raiva e inveja. Ele que se exploda!

    Arrogante e acéfalo sim pois ele é daqueles que afirmam que “o curso é design de interiores, então você só pode mexer no que estiver na área interna”. Não preciso me estender mais sobre este caso depois disso…

    Voltando ao tema do tópico (apesar de não ter saído dele), esse problema é muito mais comum do que imaginam. E essa situação, ainda na academia, reflete nos futuros profissionais. Sim, pois a grande maioria espelham-se em seus professores e repetem os discursos lá aprendidos. Tudo bem, muitos agem dessa forma por má fé mesmo, coisa de caráter.

    Já no mercado, o que custa a um infeliz indicar um pedreiro, um eletricista, um pintor, um jardineiro ou seja lá o que for? Vocês não são “parceiros”? Então, que raios de parceria é essa que você só se lembra do fulano quando precisa dele e, egoisticamente, nega repassar as informações dele para outros profissionais que estão precisando de mão de obra? Prefere seu parceiro “mofando em casa sem trabalho” para tê-lo disponível apenas quando você, egoísta, precisar?

    Para terem uma idéia, aqui em Londrina temos um sério problema com a qualidade dos serviços prestados por este pessoal. Difícil encontrar um pedreiro realmente bom, um pintor que não deixe as paredes manchadas, um assentador de pisos que siga corretamente a paginação ou que não desperdice material. Os poucos realmente bons estão sempre com a agenda cheia. Quando você precisa de algum para uma emergência, dificilmente pode contar com os “colegas”, raramente consegue resolver a emergência no momento. O problema fica lá mofando por semanas até que você consiga à duras penas encontrar um prestador de serviços.

    Impressionante!!! Arquitetos, engenheiros e designers não conhecem pedreiros, eletricistas, pintores, encanadores,etc!!!! =0

    Para tentar resolver este problema montei um site (Londrina Serviços) onde, através de indicações, serviria como base de dados de prestadores de serviços, aberto para quem precisasse. Encaminhei um e-mail para a grande maioria dos profissionais de engenharia, arquitetura e design de interiores daqui de Londrina. Expliquei que para ter seu nome profissional divulgado lá a condição seria a indicação de parceiros prestadores de serviços. Dêem uma olhada e percebam o retorno que tive. Houveram profissionais que tiveram a cara de pau de me mandar apenas as suas informações profissionais para serem inseridas (claro, publicidade gratuita sempre é bom né?) sem qualquer indicação. E alguns ainda reclamaram porque mandaram seus dados e eu não publiquei logo, saíram falando mal de mim pela cidade… Ah vão pra *****

    Ou seja, um serviço que me prontifiquei a fazer de graça, sem lucrar nada com ele, que ajudaria a todos. Simplesmente tive um retorno ridículo e a grande maioria das indicações que estão no site foram feitas por mim mesmo.

    Isso é reflexo límpido e claro do egoísmo profissional. São aqueles que na sua frente te enchem de beijinhos, abraços e elogios e pelas costas não medem palavras para te denegrir seja na frente de quem for ou ainda tentam tirar proveito de seu conhecimento (que eles desconhecem) pedindo dicas para seus projetos.

    Isso é reflexo de profissionais que não estão preocupados nem comprometidos com o mercado. O que vale apenas é o dinheiro entrando na SUA conta bancária (quando não no caixa 2, no 3, no 4…) ao final do mês.

    Isso demonstra também a irresponsabilidade com a qual estes profissionais levam a sua profissão ao percebermos que estes são os mesmos que não estão nem aí para ajudar a fortalecer conselhos ou associações, cobrar destas ações sérias e efetivas e, no caso específico do design, não ligam a mínima ou não querem nem saber “dessa tal regulamentação”.

    É isso, este é o real puteiro profissional que nos cerca diariamente: um bando* de profissionais egoístas, prostitutas do mercado e dinheiristas.

    Egoístas por serem incapazes de compartilhar ou ajudar um colega profissional, mas quando precisam de algo, não economizam no óleo de peroba.

    Dinheiristas pois essa grande maioria não seguem tabelas, não cobram por projetos e preferem viver às custas das malditas RTs, prostituindo o mercado, desvalorizando a profissão, desrespeitando os outros profissionais.

    Pode até ser que isso não aconteça em outras cidades (a questão das indicações) e que isso seja apenas um reflexo da situação politiqueira que assola Londrina ha mais de 20 anos com escândalos seguidos de corrupção e impunidades. Quem sabe isso afetou a mente da população daqui (não duvido já que elegem sempre o mesmo grupo safado, corrupto, canalhas). O que percebo é que Londrina está apática, a sociedade não se agrupa de forma isenta para cobrar seriedade e punições, e isso pode ter gerado esta mentalidade estúpida.

    Um viva à ignorância, ao egoísmo, à ganância e aos egos!!!!

    * Não me refiro à todos, que fique bem claro isso. Um bando, não significa todos. É bom esclarecer antes que venham idiotas com agressões.

  • 5/11 – Dia Nacional do Design

    Pois é nobres colegas de profissão, mais um ano se passou e pouca coisa mudou.

    – Continuamos com um mercado prostituído.

    – Continuamos com profissionais prostitutos.

    – Continuamos tentanto explicar o que é Design.

    – Continuamos enfrentando o descaso de profissionais em questões sérias relativas ao mercado.

    – Continuamos com a falta de compromisso dos profissionais com a profissão.

    – Continuamos com a fileira regulamentista quase sem novas adesões por mero comodismo ou umbiguismo.

    – Continuamos com associações degladiando-se para ver quem vai ser o rei no futuro Conselho Federal de Design – talvez daí a necessidade da ABD não juntar-se ao grupo sério que busca a regulamentação do Design: para não perder o troninho que acham que tem, não perder a suposta majestade.

    Porém demos um passo importantíssimo este ano: finalmente conseguimos colocar (mais um) Projeto de Lei (PL) de regulamentação dentro da Câmara dos Deputados.

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    Sim, temos de comemorar e muito essa vitória pois todos sabemos que aquela casa somente funciona na base do lobbie ou seja: quem dá mais.

    Mas sempre tem alguma alma boa (difícil encontrar mas tem) que não está vendido ao capeta. Sim, digo isso pois uma vez entrei em contato com vários parlamentares para falar sobre a regulamentação e, geralmente as respostas eram de que não poderiam ajudar. Porém um deputado me respondeu que ja “estava comprometido com a causa dos arquitetos (CAU)”. Questionei então se este comprometimento era sério ou se era baseado em troca$$ de favores.

    Ele me respondeu dizendo que a partir dali eu trataria com a equipe jurídica dele. Fazem mais de 3 anos e estou até agora esperando esse contato para poder colocar meu advogado em campo e nada até agora… ahahahahha.

    Também escrevi este ano a “Carta Aberta ao Senado Federal” que teve uma boa repercussão. Engraçado que esta carta repercutiu em diversas mídias e dentro da comunidade brasileira de Design. No entanto, a ABD fez de conta que não viu. Não houve sequer um único pronunciamento sobre o assunto e sobre os pontos sérios que levanto sobre a atuação do Designer de Interiores/Ambientes. Ela prefere fazer vista grossa ao enviar aquele projeto paralelo e fake de regulamentação (LIXO!), separado do projeto do grupo do Freddy Van Camp.

    Pois bem, neste ano temos de agradecer muito a este grupo que trabalhou em cima de um texto sério e coerente de um projeto de regulamentação profissional.

    Temos também de agradecer ao deputado José Luiz Penna (pv-sp) que acolheu esta demanda e reconhece nela a real necessidade da regulamentação desta profissão séria.

    Assim, parabéns colegas Designers!!

    Parabéns Design Nacional!!!

    Parabéns a todos aqueles que lutam diariamente para tornar a nossa profissão reconhecida, séria e regulamentada.

    Parabéns a todos nós, regulamentistas graças à Deus!!!

  • Dia do Designer de Interiores

    Estranha-me pesquisar da web e perceber que existe uma certa confusão na escolha desta data comemorativa. Não é por menos, ambas são impostas por entidades ditas representativas da classe.

    Uma no primeiro semestre e outra recém passada.

    Eu? Não comemoro nem uma e nem outra pelo simples fato de preferir a data 5/11 quando é comemorado o Dia Nacional do Design – oficialmente aprovada e promulgada pelo Congresso Nacional.

    Alem da legalidade jurídica desta data, ela é alusiva a um grande designer brasileiro: ALOÍSIO MAGALHÃES, PERNAMBUCANO IMPORTANTÍSSIMO NA HISTÓRIA DO DESIGN BRASILEIRO.

    Chega de rinhas idiotas e separações ou segmentações. Design é Design e ponto! Não há um porque sensato em separar a nossa área do restante do Design.

    Se o dia oficial é 5/11, comemoremos então corretamente nesta data e não em datas nada a ver baseada em pavonices de gente que não tem o que fazer. Aliás tem sim: dizer que nos representa quando na verdade só serve para atrapalhar e desenvolvimento de nossa profissão.

    É ABD, este recado foi para vocês sim!!!

    Sou totalmente contrário ao projeto de regulamentação que vocês estão negociando nos bastidores do CN pois ele vai trocar seis por meia dúzia ou seja: não vai mudar NADA, tudo vai continuar a mesma ZONA e vocês continuarão aí acreditando que reinam e são senhores da razão.

    Onde é que está a correta separação entre os profissionais que atuam na área que até agora vocês não fizeram e permitem que qualquer zé mané se denomine “dezáiner de interiores”?

    Onde é que estão as ações eficazes de proteção do mercado contra esses embustes (profissionais e cursos) e dos profissionais que dizem representar?

    Sinceramente, com essa newsletter idiotizada que recebo via e-mail e aquele jornaleco que recebo pelo correio vocês estão é débito com tudo que pago anualmente para vocês. Materiais absolutamente inócuos, sem noção da realidade.

    Voltando ao tema da regulamentação, quem é a ABD para tirar o Design de Interiores do processo de regulamentação que esta sendo trabalhado pelo grupo que o mestre Freddy Van Camp faz parte que tem um projeto de regulamentação do DESIGN? Quem autorizou vocês a fazerem isso alegando que tem um projeto próprio (LIXO) e falar “em nome de” todos nós profissionais sérios da área de design de interiores???

    Não recebi qualquer coisa de vocês me questionando se eu aceitava isso ou não, como associado da ABD e também não conheço nenhum outro profissional ligado à ABD que tenha sido questionado sobre isso – salvo a diretoria e amiguinhos.

    Portanto, não apóio esse lixo de projeto (piada) regulamentista de vocês e apoio sim integralmente o outro, o original, sensato, estudado, exaustivamente debatido entre associações, profissionais e mercado, com delimitações profissionais sérias e dentro da Lei.

    Então fica aqui o recado: Não ao projeto da ABD. Não a qualquer dia comemorativo que não seja o 5/11.

    Então, dia 5/11 eu comemoro sim.

    O projeto de regulamentação do Design eu apóio sim!

    O resto, é trairagem, fuleragem e pavonices desnecessárias de gente que não tem o que fazer.

    E que venha 5/11. Ainda não conquistamos o que desejamos, não temos o reconhecimento que merecemos. Mas somos Designers, não desistimos NUNCA!

     

  • Luxuria ou futilidade?

    Estava rascunhando a algum tempo um post específico falando sobre o livro “A Linguagem das Coisas” de Deyan Sudjic. Desde que li o livro estou rabiscando algo sobre e nunca chego num ponto em que digo para mim mesmo: está digno, fiel ao livro e à visão que tenho sobre o Design…

    Mas dias atrás, lendo meu reader, me deparei com um post num blog que me indignou (também porque eu já disse que iria retira-lo de meu reader e ele ainda se mantém lá rsrsrs).

    Uma das partes do livro que mais gostei é a que ele diz sobre a deturpação (e desidentificação) que o Design vem sofrendo desde que iniciou a invasão de não designers na área, o que acabou por futiliza-la. A perda da identidade da profissão começou neste ponto. Procurem pesquisar sobre quando foi que surgiu essa porcaria de onda sobre “tendências” no Design e entenderão.

    É mais que comum vermos hoje em dia profissionais de outras áreas fazendo suas incursões no Design, especialmente o de produtos. Tem também designers de outras áreas se metendo onde não deve pois não estudou especificamente para aquilo. Tudo isso à custa do certo renome que tem (muitas vezes o jabá $$ mesmo) , então se acham no direito de invadir, impor suas sandices e que todos tem de aplaudir, aceitar e comprar, claro que também elogiando (babando-ovo) com frases de efeito: fantástico, genial, maravilhoso….

    É um tal de estilista lançar linha de móveis, arquiteto lançar roupas e mais uma infinidade de combinações estranhas e bizarras às suas raízes acadêmicas que dá medo…

    Até parece que virou moda, tendência esse tipo de coisa, #credo.

    O resultado disso?

    FUTILIDADES que destróem a essência do Design!

    Aham, a Rocca lança uma linha nova de metais – que já são caros e belos – e aí vem um imbecil e craveja a peça com cristais, diamantes ou a folheia com ouro e voilá: a futilidade personificada usando erradamente a palavrinha RE-DESIGN!!!

    Se esse tipo de coisa for um Re-Design eu não sei mais quem eu sou, onde está o céu e a terra, etc…

    Re-Design significa muito mais que simplesmente alterar a cor, textura ou revestimento de um objeto ou produto.

    Vamos ser francos gente? Pra que uma coisa dessas folheada a ouro?

    Tem público que consome? Sim, mas são mínimos se comparados ao publico normal do nosso mercado diário.

    O pior é que este nosso público começa a querer copiar esse lixo e muitas vezes nos vemos em “sinucas-de-bico” por causa disso sabem porque? Porque eles não tem $$ para comprar o original e aí caem nas porcarias das cópias fajutas.

    Vemos diariamente essas tendências sendo forçadas por sites, revistas e mídia em geral. Já escrevi aqui sobre tendências e os cuidados que temos de ter com esse tipo de coisa.

    Além de não representar a personalidade do cliente e sim apenas um desejo forjado e forçado pela mídia de consumo, as tendências são passageiras. O que hoje é moda, semana que vem já não é mais. E o cliente como fica nisso tudo? Vai ficar com um trambolho demodê ou “over” e sua casa? E quando ele cair na realidade e perceber que este produto não atende às suas necessidades diárias? Que aquilo não tem absolutamente nada a ver com a sua personalidade e está incomodando?

    A grande maioria destes produtos feitos por não designers ou por designers de outras áreas se esquecem do principal: atender a necessidade do usuário (função) e a usabilidade. Sim, são estes elementos que devem nortear todos os projetos seja em qual área do design for. E as tendências não tem nada disso, não consideram isso. Tem só desejo de consumo.

    Voltando aos projetos estúpidos feitos por “dezáiners”, vejo diariamente um show de horrores pela web e pelas revistas. Sinceramente? Não tem como não acreditar na existência do “jabá” ($$).

    Pois é, acreditem ou não, essa mesinha de torno – que eu aprendi a fazer em minhas aulas de técnicas industriais quando estudei no Polivalente lá em Assis Chateaubriand nos anos 70 – foi tempos atrás lançada no mercado por um arquiteto brasuca através de uma marca podero$a.

    O que tem isso de novidade??? O que tem isso de Design??? O que tem isso demais que justifique o valor insano que é cobrado por essa peça?

    NADA!!!

    Nenhuma novidade na forma ou na estética, nenhuma técnica ou tecnologia inovadora seja em materiais ou processo de fabricação ou seja, é um NADA!

    Porém ele tem grana pra pagar o “jabá” e colocar esse lixo em lojas de renome por um preço absurdo e também para divulgar em revistas como sendo “dezáine”… é Design o c*

    Pra piorar vi dias atras um estilista internacional lançando uma linha de móveis através de uma grande marca internacional… Sinceramente? A pior aluna de minha turma de graduação ainda no 1° mês desenhava coisa bem mais útil e interessante que ele.

    Um profissional sério e que respeite o seu cliente acatar e aceitar pacificamente este tipo de imposição demonstra claramente que não entendeu absolutamente nada durante os anos de faculdade.

    Se este é incapaz de mostrar ao cliente a futilidade de determinados modismos, também cabe a mesma afirmativa anterior.

    São pouquíssimos os profissionais de outras áreas que realmente conseguiram fazer Design.

    Não é à toa que o Design continua sendo confundido com artesanato, especialmente aqui no Brasil.

    Vamos parar de idiotices e de dizer amém pra tudo que esta mídia tosca e desinformada (movida por $$) tenta impor como “IN”?

    Vamos centrar a nossa atenção no usuário e não nas revistas? Afinal fomos formados para isso e não para consumir deliberadamente porcarias.

  • Precificando o projeto

    Muitas pessoas me perguntam como faço para precificar os meus projetos. Nos diversos fóruns pela web encontramos diversos tópicos sobre este assunto, poucos com uma visão diferenciada. É complicado explicar isso uma vez que o mercado está muito confuso por dois motivos:

    1 – a prostituição de muitos profissionais que dão projetos em troca de RTs ou que cobram valores ridículos.

    2 – a ineficiência e alienação da ABD e outras associações (nacionais ou locais) sobre o assunto.

    Bom, não há como querer seguir os valores colocados na tabela da ABD. São surreais e só quem deve conseguir aplica-los são as estrelinhas da mídia. Os profissionais normais e mortais não conseguem. Outro problema é que a tabela contempla o valor por m² e não considera a complexidade do projeto.

    Se por um lado temos este problema dos valores muito altos da tabela, por outro temos os profissionais que não a respeitam e cobram valores bem abaixo do mínimo desejável para manter a saúde do mercado.

    SE os profissionais se conscientizassem e começassem a valorizar o seu próprio trabalho e os colegas profissionais isso tudo não ocorreria mas o que vemos são prostitutos e prostitutas profissionais emporcalhando o mercado.

    Enquanto isso não for resolvido vamos continuar a nos deparar com situações constrangedoras diariamente frente os clientes. Quando um me fala que o orçamento do fulano está bem mais barato que o meu respondo simplesmente:

    EU SEI O QUANTO ME CUSTOU SER QUEM SOU HOJE E VALORIZO ISSO. SE QUER QUALIDADE, COMPETÊNCIA E SERIEDADE FIQUE COMIGO.

    Sou anti-ético? Nem um pouco. Anti-ético é o outro que cobrou menos de 10% do valor cobrado por mim. Isso mostra o desespero do outro para manter-se sobrevivendo no mercado. (Note que sobreviver não é o mesmo que viver.)

    Também tenho uma resposta na ponta da língua para aqueles que vem com a história de que a loja tal dá o projeto de graça:

    BOBINHO, VOCÊ ACREDITA EM PAPAI NOEL? (rindo ironicamente)  VOCÊ ACREDITA MESMO QUE O VALOR DO PROJETO NÃO ESTÁ EMBUTIDO NO VALOR FINAL DO PRODUTO QUE VOCÊ IRÁ PAGAR?

    (Por sinal essa história dessas lojas de planejados merece um post na veia….)

    Bom, como eu precifico? Vou tentar explicar para vocês.

    Em primeiro lugar tenho todo o levantamento de quanto me custa manter o meu negócio. É aquela tabela dos custos fixos que gera o índice e blablablabla. Abaixo disso, jamais.

    Junto ao cliente, num primeiro momento analiso a situação através de uma ENTREVISTA informal: dimensão do projeto, estilo, nível social, vida social, quem é o cliente, etc.

    Num segundo momento, busco fazer o BRIEFFING melhor direcionado pois já tenho algumas informações importantes que colho durante a entrevista. Depois, ao pensar o orçamento peso muito bem estes itens para chegar ao valor final.

    Uso por base o valor da tabela da ABD (sim eu valorizo o meu trabalho) mas não uso a referência do meu estado (PR) e sim os valores mais altos da tabela – se é pra ser algo sério que seja igual para TODOS os profissionais independente da região onde moram afinal, tem clientes de todos os níveis em todos os cantos do país. Mas é claro que se o cliente não tem grandes recursos abro novas formas de negociação, com valores mais condizentes com a realidade do mesmo.

    Digamos que o valor final pela tabela tenha ficado em R$ 15.000,00. Aí passo a cruzar este dado com os dados do brieffing.

    Se o ambiente/projeto for mais simples e numa linguagem que eu goste mais de trabalhar – portanto já tenho os conceitos e conhecimentos em minha mente – vou automaticamente levar menos tempo para projeta-lo então posso abaixar um pouco o valor. Digamos para R$ 13.000,00.

    Se o ambiente é num estilo mais clássico (rococó ou algo similar), cheio de detalhes, ornamentos isso vai me exigir mais pesquisa de materiais e tempo na prancheta para resolvê-lo. Então procuro manter o valor inicial ou, dependendo do caso posso até mesmo aumentá-lo chegando facilmente aos R$ 20.000,00.

    No entanto só isso não serve para fechar o valor do projeto. Outras questões devem ser levadas em conta como por exemplo a tecnologia, a automação e o controle. O uso destas ferramentas nos obriga a atualização constante e eu não sou do tipo de profissional que entrega um projeto destes nas mãos de um projetista de loja (até os de móveis planejados são feitos por mim e a fábrica que se vire para executa-los exatamente conforme meus desenhos indicam). Entrego para o lojista o projeto pronto e já especificado para ele orçar materiais, equipamentos e instalação. E ai do lojista que tentar modificar meu projeto…. Isso eleva sim o custo do projeto. É a questão da personalização/autoria do projeto atendendo à individualidade e personalidade do cliente. Não quero meus clientes com “casa de revista” que não dizem absolutamente nada sobre eles.

    No caso da automação é mais fácil. Mas mesmo assim exige pesquisa e atenção ao projetar. Dá pra elevar uns R$ 4.000,00 no preço final.

    Já se o cliente pensa em controle aí a coisa é bem diferente. É algo bem mais complexo que a mera automação. E tem também o ponto que se o cliente pode pagar pelo controle, é sinal que tem dinheiro no caixa. Então, dá pra subir uns R$ 8.000,00 no valor final.

    Isso tudo eu estou falando em projeto de Interiores/ambientes que levam agregado o projeto de iluminação básica. Caso o cliente queira um projeto de LD junto com o de ambientes aí a história é outra.

    Lighting é a minha especialidade, estudei muito para dominar o assunto e saber muito bem – e como poucos – o que estou fazendo. E isso não vem de agora, desta pós que finalizei recentemente. Este especializar-me ja vem acontecendo ha mais de 10 anos, diariamente. Não posso – e nem devo – dar isso de graça a quem quer que seja afinal, nem o relógio trabalha de graça: ou você tem de dar corda ou tem de trocar a pilha.

    Então, se o cliente deseja um projeto personalizado de LD – sim, LD é personalização – vamos nos sentar e negociar os valores pois cobro pelo projeto de LD o mesmo que cobro pelo de Interiores/Ambientes. Algumas vezes o LD sai até mais caro dependendo do nível tecnológico.

    Então quer dizer que se for um projeto de Interiores/Ambientes + LD sai por R$ 30.000,00?

    SIM!

    Negociamos a forma de pagamento.

    Não posso deixar de citar a existência das RTs nessa negociação. Sempre deixo isso bem claro para meus clientes e explico direitinho como elas funcionam. Se o cliente não quer com RTs e resolve pagar o preço total, fazer o que? Obrigo os lojistas a darem os 10% de desconto extra para os clientes após o fechamento do preço. Mas se ele quer o valor com as RTs, dou um desconto de 10% no valor total e ele se compromete a fazer as compras apenas onde eu indicar.

    Isso tem de ser muito bem negociado e você tem de ser mais esperto que os lojistas. Jamais fale do desconto das RTs antes do vendedor apresentar o valor final do orçamento. Afinal, dentro deste valor final ele já embutiu os 10% das RTs que vai te pagar. Fechado o valor e negociado os descontos do cliente, aí você entra e pede o abatimento dos 10% das suas RTs. A grande maioria das lojas não gosta disso, torce o nariz, te chama no canto para “conversar”, porém quem não gosta não trabalha eticamente com seus clientes logo, não merece vender. Pule para o próximo fornecedor então.

    É complexo? Sim. Dá pra explicar melhor? Consegui expressar-me corretamente? Talvez sim talvez não. Na certa muitos só entenderão isso com a experiência profissional e o decorrer dos anos atuando no mercado.

    Por hora é isso. ;-))

  • Fomos Descobertos. E agora?

    Por: Suzie Ferreira do Nascimento

    Distintamente do artista, o designer, caso existisse já naquele tempo, teria sido recebido de braços abertos por Platão, em parte por seu perfeito enquadramento numa lógica produtiva, em parte também por serem os objetos por ele criados necessários à manutenção dos papéis sociais, mas, sobretudo, por sua cordata submissão à racionalidade. Sim, nós os designers, sobretudo os que tivemos nossa formação sob a norma irrefutável da “forma que segue a função”, somos quase que incapazes de questionar a lógica. Somos criaturas da revolução industrial e não concebemos nossa própria utilidade em outro universo. Nada de mais, considerando que há muito tempo outros profissionais se ocupam deste tipo de questionamento, a saber, os artistas e os filósofos. O problema surge quando a técnica passa a ser assunto de relevância filosófica, trazendo a reboque o profissional do design para uma arena de discussão na qual ele não se sente muito à vontade, e na qual argumentos técnicos não são de grande valia. Como atores do mundo tecnológico, agora somos chamados a expor nossas motivações, nossa ética, nossos valores. Os pensadores da atualidade nos descobriram e querem nos conhecer. Fomos pegos de surpresa? O que sabemos nós sobre os fundamentos do nosso criar? Que responsabilidade temos sobre nossa criação? Temos verdadeira noção do impacto de nossa criação no mundo?

    Mas como falar em valores neste mundo regido pelo consumo, onde tudo se torna cada vez mais descartável, e o sempre novo é exigido? Nosso cérebro máquina foi educado a criar mais e mais coisas, cada vez que assim o requisitassem, e nisso nos tornamos muito eficientes. Nunca coube a nós questionarmos o porquê de tanto consumo, a origem de tantos desejos insatisfeitos. Se o ser humano, frustrado em sua existência, buscava nos objetos uma satisfação, nossa função sempre foi fornecer novos objetos, e não nos atermos ao seu caráter frustrante.

    Neste novo quadro, penso que não há como fugir. Na época da pós-metafísica(1) onde nada mais transcende, temos de nos haver entre nós mesmos, com nossos problemas e nosso mundo. Temos que, forçosamente, desenvolver uma filosofia da existência. Como design que resolveu estudar filosofia, também fui pega de surpresa ao descobrir em Heidegger a relevância do mundo da técnica na atualidade. Uma relevância de caráter ontológico, e não qualitativo ou quantitativo, como habitualmente nosso ofício é classificado. Isto porque, para Heidegger, a metafísica ocidental provocou um “esquecimento do ser” e a técnica é parte ativa deste esquecimento. Com sua filosofia, Heidegger devolve ao homem a responsabilidade pelo cuidado do homem, afirmando que “o homem é o pastor do ser”. Em suas palavras, o mundo da técnica hoje se impõe de tal maneira que parece uma extensão natural dos sentidos humanos. É nessa perspectiva que ele coloca nossos objetos. E essa fusão homem objeto, torna o viver inautêntico(2), pois nega a finitude humana, suas limitações e angústias naturais:

    […] Se pensarmos a técnica a partir da palavra grega techné e de seu contexto, técnica significa: ter conhecimento na produção, techné designa uma modalidade de saber. Produzir quer dizer: conduzir à sua manifestação, tornar acessível e disponível algo que, antes disso, ainda não estava aí como presente. Este produzir vale dizer o elemento próprio da técnica, realiza-se de maneira singular, em meio ao Ocidente europeu, através do desenvolvimento das modernas ciências matemáticas da natureza. Seu traço básico é o elemento técnico, que pela primeira vez apareceu em sua forma nova e própria, através da física. Pela técnica moderna é descerrada a energia oculta da natureza, o que se descerra é transformado, o que se transforma é reforçado, o que se reforça é armazenado, o que se armazena é destruído. As maneiras pelas quais a energia da natureza é assegurada são controladas. O controle, por sua vez, também deve se assegurado.(3)

    Como eu disse, a técnica é algo de relevância filosófica na visão de Heidegger e, portanto, há muito de nós, designers, em sua argumentação. Isso porque em Heidegger, o que distingue o homem dos demais entes é o seu existir, e não sua razão: somente o homem existe. Deus é, mas não existe(4), a pedra é, mas não existe. E este existir tem íntimas relações com os objetos e seu caráter instrumental. O filósofo coloca em questão estes objetos, as coisas que o homem tem à mão e com as quais se distrai, esquecendo-se do próprio ser. Ora, como podemos nós, os que abastecemos este mundo de objetos cada vez mais interessantes, mais acessíveis, não fazermos parte desta discussão? Somos, no mais das vezes sem o saber, fornecedores do viver inautêntico a que se refere Heidegger. Antecipamos ao homem seus desejos, pretendemos dar-lhe todas as respostas colocando-lhe às mãos instrumentos diversos, e assim contribuímos para a diminuição de suas forças. Em termos filosóficos, essa antecipação da verdade, propicia, ao mesmo tempo, um aniquilamento do empenho de busca, tornando-o uma procura incessante por aquilo que não se pode apreender em sua autenticidade(5). O homem contemporâneo é dominado pelo processo técnico, no sentido de enxergar nele o único meio de sobrevivência e conseqüentemente de se adequar no mundo moderno, se diluindo em meio aos outros entes, se deixando arrastar pela vida inautêntica em meio aos objetos que manipula.

    Fiz uso aqui de alguns conceitos heideggerianos, com os quais espero ter contribuído para uma aproximação entre estes dois saberes, que são o design e a filosofia. Insisto em dizer que, a despeito de nós designers não estarmos habituados a isso, o mundo de agora, sem o consolo metafísico, voltou-se para si próprio e descobriu o quanto depende da técnica. É natural que procure apreendê-la. Cabe a nós designers participarmos desta nova discussão que se apresenta e, portanto, urge aprendermos também a filosofar.

    Notas e Bibliografia
    1) Heidegger (1889-1976) tornou-se célebre por defender a radicalização da metafísica. A tradicional interrupção entre o ente e o ser, com o advento da técnica, perdeu o sentido. Segundo o filósofo, é isto que caracteriza o esquecimento do ser. (Váttimo, As Aventuras da Diferença. Edições 70, 1988)

    2) Heidegger, M. Ser e Tempo. Parte I, 7ª Ed., Petropólis,RJ: Vozes, 1998.

    3) Apud CRITELLI, Dulce. Martin Heidegger e a essência da técnica. In: Margem, São Paulo, nº16, p. 83-89, dez. 2002.

    4) Heidegger, M. Que é metafísica? Tradução de Ernildo Stein. São Paulo: Abril Cultural, 1989b. (Os Pensadores).

    5) COSTA, Poliana E. Inautenticidade e finitude em heidegger, SABERES, Natal – RN, v. 3, número especial, dez. 2010

    Suzie Ferreira do Nascimento
    Suzie Nascimento pesquisa a questão da APARÊNCIA em seu aspecto comunicacional na moda, em seu caráter de máscara na filosofia de Nietzsche e na prática na prestação de serviços de beleza.Está em Curitiba, onde divide seu tempo entre conversas com clientes e o mestrado de filosofia…

    fonte: DesignBrasil

  • Revista Lume Arquitetura – Especial Internet – Ed 51

    Para quem não leu a matéria que saiu na revista Lume Arquitetura sobre os blogs que falam sobre iluminação e Lighting Design, a Maria Clara acabou de me encaminhar o PDF da mesma que disponibilizo aqui para vocês:

    Especial Internet – Blogs ed_51

    Mais uma vez agradeço a todos vocês que acompanham e apoiam o meu trabalho aqui neste blog. Sem vocês este reconhecimento não seria possível.

     

     

     

  • Sobre este blog e o Design

    Quando fui incentivado para escrever este blog fiquei pensando sobre a melhor maneira de apresentar o Design de forma concisa, objetiva e clara. Sinceramente, não sou muito fã de colocar um amontoado de fotos de produtos e os nomes de lojas onde são comercializados e os respectivos preços. Entendo que isso não significa apresentar adequadamente o Design ao mercado. Ao contrário, esta maneira distorcida de reduzir o Design a uma comercialização tácita e leviana de produtos leva os leigos a compreendê-la como uma mera vitrine de consumo sem a menor fundamentação. Desta forma o Design torna-se refém de uma inversão mercadológica voltada para a criação de necessidades quase sempre “desnecessárias”. Entendo que uma mídia (e este meu blog faz parte desta) não pode resumir sua atuação ao interesse comercial, mas sobretudo informar corretamente.

    Uma das minhas maiores preocupações desde meu ingresso na área do Design relaciona-se com o desconhecimento generalizado sobre o que vem a ser o Design. Para que serve o Design afinal de contas? Deparamo-nos constantemente com pessoas falando sobre Design. Entretanto, em seus discursos, demonstram claramente que não conhecem o que ele seja na realidade e deixam claro que não tem qualquer formação acadêmica em Design. Vemos também pessoas usando o termo Design para nomear quaisquer profissões que absolutamente nada tem a ver com o Design propriamente dito. Portanto, levo este blog por este caminho: busco conscientizar sobre o que é e para que serve o Design ao mesmo tempo que apresento alguns produtos e esclareço um pouco mais sobre as reais áreas do Design e a sua necessária formação acadêmica para o exercício profissional.

    De início, convém esclarecer alguns aspectos. Muitas pessoas reclamam sobre nomear esta profissão com um termo estrangeiro. O fato é que, por incrível que pareça, não existe uma palavra na língua portuguesa que compreenda o todo do Design. Projetista? Não apenas isso. Desenhista? Muito mais que isso. Artista? Bastante criativo também. Arquiteto? Um pouco disso também. Engenheiro? Em algumas coisas sim. O Design é um complexo jogo multidisciplinar que agrega em si muitas outras áreas, da filosofia à engenharia. Se observarmos ao nosso redor, vivemos cercados pelo Design. Esta tela pela qual me lê, por exemplo, apresenta-se como fruto de áreas do Design: gráfico, interação, web, produto – isso sem contar a área a acadêmica na qual mergulho a cada post por mais simples que seja.

    A área é Design e o profissional é Designer. Ainda, a título de exemplo, Design Gráfico (profissão) e Designer Gráfico (profissional).

    Ultimamente temos visto uma enxurrada de “X” design como já coloquei anteriormente. No entanto, a aplicação do termo Design em algumas profissões apresenta-se incorreta pelo simples fato de não haver projeto do produto final e, principalmente, reduzir-se apenas a uma técnica. Logo, pintar unhas não tem absolutamente nada a ver com Design (mesmo se considerarmos o desenho), assim como misturar tintas e dar tesouradas no cabelo também não é Design. Receitas de seja lá o que for também não é design. É preciso ter consciência de que Design não é sinônimo de artesanato ou mera técnica. Também não se forma um designer em cursos de finais de semana ou de poucos meses ou ainda que ensine a utilizar softwares, mesmo que de última geração.

    Aproveito então este post para explanar brevemente sobre quais são então, na verdade, as áreas principais do Design. Todas que apresentarei agora são “filhas” do Design (Desenho Industrial). Baseado nas necessidades mercadológicas o Design foi se especializando em diferentes áreas. Assim como ocorre na engenharia e na medicina com suas especialidades, da mesma forma, a complexidade do Design levou a compreender que um só profissional não conseguiria trabalhar com tudo. Portanto, dividiu-se o Design em áreas.

    Design de produtos:

    Tudo o que existe ao seu redor e que você usa diariamente é um produto. Talheres, canetas, carros, luminárias, celular, computadores, óculos, móveis, relógios, roupas, enfim, tudo é produto do Design. Tudo passou por fases projetuais e industriais até chegar às suas mãos. Tudo foi ergonomicamente estudado para facilitar o manuseio e a aplicação e garantir ao usuário segurança no uso e conforto. O foco principal deste profissional é principalmente a indústria, mas além da produção industrial, este profissional também atua como projetista de peças exclusivas para empresas e clientes particulares.

    Design Gráfico:

    Folhetos, cartões de visita, revistas, jornais, outdoors, cartazes, sites, logotipos, identidade visual e corporativa, painéis e letreiros, animações e todo o restante de coisas que servem para informar ou apresentar algo visualmente é um produto da área do Design Gráfico.

    Design de Embalagens:

    Um desmembramento do Design Gráfico e de Produtos. Como o próprio nome diz, trabalha especificamente com as embalagens visando torná-las mais acessíveis, ergonômicas e esteticamente melhores. É uma área que vem crescendo bastante, pois a indústria já percebeu o diferencial que uma embalagem bonita e de qualidade faz.

    Design de Interiores/Ambientes:

    Esta área, pode-se dizer, é uma evolução da Decoração. Além de trabalhar a estética do ambiente como o decorador faz, o profissional de Design de Interiores/Ambientes vai mais além: ele foi habilitado em sua formação acadêmica para executar intervenções mais profundas nos ambientes que visam a melhoria da qualidade de vida do usuário final. Além da escolha de almofadas, acessórios e cores, o profissional é capaz de resolver os espaços através da aplicação de conhecimentos como ergonomia, conforto térmico, acústico e luminoso, semiótica, projeto de mobiliários, adequação e correção de fluxos, redesign arquitetônico e outros tantos mais. É um profissional cada vez mais requisitado já no momento do início de um projeto arquitetônico, trabalhando junto ao arquiteto. Também está aparecendo cada dia mais nas reformas de edificações já prontas pela sua facilidade em retrabalhar e readequar os ambientes para novos usos. Engana-se quem pensa que um Designer de Interiores/Ambientes trabalha apenas com ambientes residenciais. Este profissional está apto a trabalhar com ambientes comerciais, corporativos, clínicas, cenografia, eventos, stands, desfiles e editoriais de moda, interiores de automóveis, barcos e aviões ente outros. Da simples troca de almofadas, passando por uma redistribuição dos móveis até uma intervenção mais ampla com troca de pisos e algumas alvenarias, você pode contar com este profissional.

    Design de Interação:

    Quem assistiu ao filme Minority Report pôde notar a quantidade de equipamentos que interagem com o usuário. De telas touch-sreen (celular, TV, câmeras digitais, etc) ao reconhecimento de voz e íris tudo é interação. E muito disso já é uma realidade hoje em dia. Os caixas eletrônicos, aparelhos de GPS e celulares tem hoje muito do Design de Interação. Mas a interação não fica apenas no físico sendo possível também através da realidade aumentada e programas que interagem com o usuário e/ou meio. Este último está sendo cada dia mais usado em casas noturnas e eventos. Na web também encontramos exemplos de interação em diversos sites.

    Lighting Design:

    Quando um profissional se forma em Design, Arquitetura ou Engenharia Civil, estes saem das academias como iluminadores. É aquela iluminação que vemos geralmente nas revistas de decoração, geralmente com excessos de luz pois o que foi aprendido é iluminar: colocar luz. O Lighting Design é um passo adiante na iluminação: ele tem a sua raiz na iluminação cênica, aquela de palcos de teatro e shows. Aliando as técnicas da iluminação convencional com as cênicas este profissional consegue trabalhar os ambientes com uma linguagem única que busca o refinamento estético e as explorar as sensações do usuário através da luz. É a arte de iluminar retirando a luz desnecessária. Hoje, a iluminação é responsável por 70% do efeito final de um projeto. Este profissional também trabalha com a pesquisa e criação de produtos específicos para os projetos como luminárias, lâmpadas, filtros e outros mais, além da luz natural.

    Design de Moda:

    A Moda alcançou hoje um nível de excelência tão grande que a necessidade de uma formação mais ampla dos profissionais se fez presente. O profissional desta área forma-se não para ser mais um estilista, mas sim, para também ser o profissional encarregado por todo o processo dentro de uma indústria de confecção. Da criação dos modelos ao lançamento da coleção existe um árduo e longo processo que envolve a escolha de tecidos, aviamentos, muitas vezes a criação de algo novo (design têxtil), viabilidade econômica e mercadológica entre tantas outras coisas mais. Este profissional é o responsável pelas roupas, calçados, jóias, cintos, bolsas e acessórios que você usa diariamente.

    Existem ainda outras áreas específicas que estão desvinculando-se e formando seus próprios campos. Todas as áreas conversam entre si, trabalham juntas e às vezes com os mesmos projetos e produtos. Outras vezes, num mesmo produto, cada um desenvolvendo o seu foco.

    Como se pode ver, o Design é uma ferramenta fundamental hoje em dia seja no campo corporativo ou pessoal.

    A verdade é que não se vive sem Design hoje em dia.

  • Insista, invista e contrate um Designer de Interiores/Ambientes.

    Vivemos um período onde cada dia mais o mercado exige profissionais especializados e não cabem mais aqueles generalistas. Assim como na medicina existem diversas especialidades (cardiologia, dermatologia, irologia, etc etc etc), nas áreas de engenharia e arquitetura também aconteceu isso.

    Das necessidades cada vez mais específicas e personalizadas nos projetos um novo profissional surgiu: o DESIGNER DE INTERIORES/AMBIENTES.

    Bem diferente do que se escrevem, dizem e pregam por aí – “O designer onera uma obra, é um profissional incompleto e limitado, etc,etc,etc” – pode ter a certeza de que este profissional foi devidamente treinado para otimizar os espaços e os custos.

    O DESIGNER aprende durante 2,5 a 5 anos universitários (e outros tantos mais de prática profissional através de estágios e mercado) sobre a melhor maneira de otimizar os espaços arquitetônicos para que atendam às suas necessidades de uso diário. Esta otimização pode referir-se à um novo layout, à iluminação, à ventilação, à circulação ou à uma mistura disso tudo, sempre preocupado com o usuário e suas necessidades REAIS. Uma das premissas do profissional de Design é o trabalho desenvolvido através dos conhecimentos de ecologia, sustentabilidade e eficiência energética.

    Sim, o DESIGNER também minimiza instalações (elétrica, hidráulica, esgoto), projetando suas interligações para que todos os elementos sejam compatíveis. Ele une estética e função seja em projetos de interiores ou exteriores.

    O DESIGNER desenvolve um projeto executivo a partir do anteprojeto – que é apenas a parcela que o leigo re(conhece) -, onde os detalhamentos (de alvenaria, esquadrias, carpintaria, mobiliários, revestimentos, cores, texturas, etc etc etc) viabilizam a construção.

    O DESIGNER acompanha toda a execução da obra. Assim ele tira as dúvidas dos operários envolvidos e soluciona as novas demandas (alterações) dos proprietários em tempo hábil, para que o cronograma não seja prejudicado. É também o coordenador dos projetos complementares como paisagismo, luminotécnica e sonorização.

    Portanto, INSISTA no DESIGNER!

    Se você vai construir, é importante contratar este profissional desde o início para que ele possa trabalhar junto com o arquiteto que construirá o seu sonho. Por mais que o arquiteto não queira, INSISTA no DESIGNER! É o DESIGNER que tornará o seu sonho usável, acessível, esteticamente agradável e aconchegante.

    INVISTA NO DESIGNER!

    Se você vai fazer alguma intervenção (projetos, obras, reformas), seja residencial, comercial ou institucional, de pequeno ou grande porte, INVISTA e CONTRATE um DESIGNER.

    Ele é o profissional mais apto a solucionar as suas demandas, a deixar o projeto “com a sua cara” e atender ÀS SUAS NECESSIDADES pois estudou especificamente para isso.

    Afinal, sua casa não é produto descartável, e seu tempo é precioso e o seu dinheiro não floresce em árvores.

    Insistir, investir e contratar um DESIGNER é ter a certeza de que o seu investimento e os seus sonhos serão realizados.

  • citação

    Estava aqui lendo ainda meu reader e me deparei com um texto de um blog de arquitetura. Um debate sobre o CAU onde a autora responde a um colega que a está atacando por dizer verdades que muitos preferem – comodamente –  fazer de conta que não existem.

    Engraçado que lendo o texto dela me vi ali. Constantemente sou atacado por dizer verdades que doem em muitos. Mas são verdades que precisam ser ditas e este é um dos fatores principais do nascimento deste meu blog.

    Portanto, compartilho aqui um trecho da resposta que ela deu:

    “Não considero as pessoas que divergem das minhas opiniões como inimigos, e nem pretendo que vou converter essas pessoas para a minha maneira de pensar. Para mim essa divisão de pensamentos que levam a atitudes de desrespeito, de agressões verbais e até físicas, ficaram no passado, derrubadas juntas com o muro de Berlim. Tampouco me considero melhor ou pior que outros colegas, pois sei quem sou, o que sou capaz de pensar e de realizar, e o que já pensei e realizei. Não preciso atemorizar e nem humilhar ninguém para me sentir melhor. Não preciso de me agrupar para me escudar nos outros nas minhas fragilidades. Não preciso de prestigio e nem de adulações para me iludir ser importante.

    Porisso, Iran, os nomes não são importantes, mas as idéias, sejam elas certas ou equivocadas, elas sim são importantes. No caso do CAU, os poucos menos de 100 envolvidos na sua implantação precisam, como eu e alguns colegas, entender que estamos à serviço dos colegas, os 100 mil arquitetos, que não tem a oportunidade de opinar como querem o seu Conselho, e até se querm seu Conselho. Eles serão simplesmente obrigados a se registrarem no CAU e estarão sob a sua fiscalização, pagando anuidades, taxas e serviços para serem fiscalizados profissionalmente.”

    Engraçado perceber como essa resposta tem tudo a ver com as associações de designers.

    Até quando vocês ficarão aí com travas nos olhos fazendo de conta que não existem problemas sérios em nossa profissão que merecem ser tratadas de forma urgente e enfática??

    Até quando vocês ficarão aí agindo como se tudo isso não tivesse nada a ver com vocês?

    #FalaSério

    Por sinal, este é um blog excelente para leitura pois é bastante crítico. Vale a pena cada post.

    ;-))

  • Design de Interiores/Ambientes – localização

    Tenho visto ja a um bom tempo pessoas tentando definir ou explicar o Design de Interiores/Ambientes. Porém percebo que tais visões encontram0-se sempre distorcidas por vários fatores tácitos ou explícitos.

    Então, lá vou eu tentar resumir um pouco essa bagaça e tentar botar ordem na casa.

    Estou bem sem tempo agora, portanto vou apenas lançar algumas idéias que podem servir como direcionamentos para debates e pesquisas sobre o assunto ficando, portanto, bem longe de querer bater o martelo sobre este assunto.

    Sobre o projeto de regulamentação do Design, Interiores/Ambientes foi excluído do projeto como já exposto aqui neste post.

    Mas vamos desenvolver a análise sobre os pontos que provocaram essa exclusão:

    1) ABD

    A ABD insiste em não fazer a distinção correta entre os profissionais que são associados a ela. Ali, encontramos Designers, arquitetos, engenheiros, decoradores (sim há muita diferença) e pessoas não formadas em POHHA nenhuma. Assim, ela lança o status “Designer” para qualquer um. A impressão que fica é: pagou a mensalidade, és dezáiner (SIC).

    É óbvio que a ABD não vai se mecher nesse sentido. Afinal, as estrelinhas são, em sua maioria, arquitetos. E se a ABD fizer esta distinção, certamente muitas estrelinhas irão se sentir ofendidas e sairão da associação. E, associação sem estrelinhas, é o mesmo que associação sem crédito na praça.

    Esta semana mesmo vi uma arquiteta paisagista  se apresentando na TV como “Designer de Exteriores” (PASMEM!).

    É o KCT!

    É paisagista ou arquiteta e ponto final.

    Assim, fica mais fácil$$ para a ABD manter-se calada comodamente. Faz vista grossa sobre este e diversos outros detalhes e só se mexe quando a água bate na propria bunda – caso aconteceu no caso da Brandalise.

    Sobre a avaliação dos cursos indicados pela ABD, pelo que se percebe, qualquer lixo entra naquela lista. E também há o caso de que a própria ABD estimula as diversas formações dando status igual a elas. Sem contar que tem cursos que aparecem no site da ABD como reconhecidos que tem qualidade altamente questionável seja pela estrutura curricular, ementário e corpo docente.

    Eu, sinceramente, estou perdendo o crédito – novamente – na ABD. Jéthero, me perdoe dizer isso mas essa é a verdade. Acreditei em você, por isso me associei. Mas vejo que você não passa de mais um voto vencido lá dentro, infelizmente, como sempre aconteceu com quem tentou levar a VERDADE lá para dentro.

    Isso já está cansando.

    2) Outras associações

    ADP, ADEGRAF e tantas outras associações das outras áreas que existem no Brasil. São válidas sim e estas – ao que parece – agem com mais dignidade que a ABD, lutando por seus profissionais representados.

    No entanto, é um descabimento ter de ler profissionais de Design Gráfico ou Produto – apenas – tentando definir o que é ou onde se encaixa Design de Interiores/Ambientes dentro da raiz DESIGN.

    Nem vale à pena repetir aqui as asneiras que tenho lido. Isso se deve a um simples fator: eles não são da área, não a conhecem profundamente como conhecem as suas próprias. Acabam se deixando levar por “achismos” (Morin) e disseminam estes absurdos como se verdades fossem.

    Devo ressaltar aqui também o preconceito de alguns com relação à Interiores/Ambientes. Ressalto que preconceito = pré-conceito de algo, desconhecido com exatidão.

    3) Design

    Se formos analisar friamente, hoje não existe mais essa de Produto ou Gráfico puro. O que existe, na verdade, é o Design e as suas possíveis especialidades.

    Vejam bem, esta imagem vem de um PDF da ADEGRAF explicando alguns dos porquês da necessidade da regulamentação:

    Como se vê, Design é uma área permeável, multi, intra e transdisciplinar. Assim como ela influencia e/ou avança sobre outras áreas, também sofre influências destas.

    É impensável hoje em dia alguém afirmar que a área de produto lida apenas com produtos. Isso é MENTIRA!!! Assim como Gráfico também não lida apenas com Gráfico.

    Para desenvolver um produto, por exemplo, invariavelmente, o profissional terá de lidar com outras “disciplinas” – vamos chamar assim – à saber alguns exemplos bem rápidos:

    – do produto vem a concepção desenho (gráfico) e detalhamento geral do objeto, o conhecimento técnico, estrutural, materiais, texturas, etc.

    – do gráfico temos toda a parte de representação gráfica necessária para a apresentação e entendimento do objeto, cores e grafismos, etc

    – das engenharias vem a parte estrutural, resistencia dos materiais, produção, etc

    – da psicologia vem tudo o que engloba a parte sensorial, perceptiva, usabilidade, conforto, etc

    – da administração vem todo o processo produtivo, vendas, etc

    Da mesma forma podemos fazer a análise acima com relação ao Gráfico ou a qualquer outro tipo de Design.

    Como se vê, não existem mais áreas dentro do Design, o que existem são as especialidades que dialogam entre si. O que acontece é que cada profissional é quem escolhe como e com o que trabalhar.

    4) Design de Interiores/Ambientes

    Este faz parte da arquitetura?

    Pode até fazer, mas é um elo tão infimamente ridículo que resume-se apenas à edificação. O uso que se fará desta e como se dará este uso.

    As imagens abaixo ( também do PDF da ADEGRAF) reforçam esta minha visão:

    Existe alguma diferença no método de desenvolvimento de projetos entre um Designer de Interiores/Ambientes e outros Designers?

    Não! É exatamente a mesma coisa. Tudo gera em torno de um problema (o ambiente e seu uso) e na busca da melhor solução para ele (o produto final).

    As dificuldades de inserção ou diálogo com equipes multidisciplinares é a mesma. E, da mesma forma, estas equipes acham que sabem/entendem o sufuciente sobre Design a ponto de acreditar que não necessita de um profissional desta área junto delas. Porém, aquelas que já perceberam esse erro e assumiram profissionais de Interiores/Ambientes como membros das mesmas estão obtendo resultados fantásticos, antes impensáveis.

    Com relação à sua participação na área DESIGN, esta se faz bem mais presente pois o que o profissional desta área busca é a solução de problemas assim como qualquer outra área do Design. Não é o mero ajeitar de peças dentro de um espaço buscando a disposição mais “bonitinha”. É bem mais que isso.

    – Projeto de mobiliários: sim, o Designer de Interiores/Ambientes é capaz de realizar projetos de mobiliarios da mesma forma e padrão que um designer de produtos faz. A diferença é que este produto pode ser confeccionado como peça exclusiva (que também acontece no DP) ou seriada. O projeto é o mesmo.

    – No trabalho com cores e texturas entra a parte gráfica. Sim, pois não é raro vermos grafismos em projetos sejam na pintura de uma parede, na paginação de um piso, na composição têxtil de um jogo de cama ou panejamento (têxtil), entre outros alémde que sempre nos vemos desenvolvendo novos padrões de texturas para superfícies.

    – Superfícies? Porque não? Afinal sempre nos vemos trabalhando com materiais diversos buscando a melhor solução estética para alguma coisa através do tratamento das diversas superfícies de um projeto (produto final).

    – Materiais também pois nos vemos constantemente pesquisando e até mesmo desenvolvendo novos materiais ou aplicações para os já existentes.

    – Produtos novamente pois é bastante comum – especialmente na área de lighting ou num projeto de iluminação (que faz parte de Interiores) – desenvolvermos luminárias, suportes e outras partes para servir de suporte para o projeto  ou até mesmo para ser a peça central do projeto. Aqui inclui-se até mesmo alteração/inserção de elementos arquitetônicos.

    – Gráfico mais uma vez que engloba toda a parte de apresentação de um projeto – dos rabiscos na concepção ao desenho final do projeto executivo.

    Enfim, se formos esmiuçar tudo ainda cabem diversas transições entre-áreas do design que formam o Design de Interiores/Ambientes. Esta lista ficaria bastante extensa. Assim ocorre em qualquer outra área do Design. Pegue um caderno aí (ou o word) e procure fazer isso com a sua área e perceberá o quanto ela é maleável, dialoga e por vezes usa especialidades de outras áreas sem que você se dê conta.

    Assim, se for para falar ou tentar definir sobre Design de Interiores/Ambientes, que o façam os Designers desta área.

    Portanto, reitero aqui a minha posição: regulamentem o DESIGN.

    Depois, dentro do Conselho, regulamenta-se as especialidades.

  • Compartilhando rapidinho

    Algumas coisas que encontrei essa semana na web:

    1) a imagem abaixo reflete bem o que acontece com nossos clientes:

    Você já parou para pensar sobre isso? Não é apenas uma brincadeira. Dá um excelente tema para TCC.

    2) Outra imagem muito boa em tempos de internet (ne verdade uma charge):

    #Prestenção acadêmicos. Tem gente que acha que professores e orientadores também não navegam…

    3) Por favor gente, se já é ruim quandou ouvimos errado de clientes, pior quando ouvimos de acadêmicos e profissionais:

    Tudo bem (OKCT!) que o MEC e o (des)governo federal resolveram destruir de vez a língua portuguesa, mas somos profissionais e lidamos, na maioria das vezes, com clientes com uma educação digamos, um pouco acima da média atual.

    4) Foi feito para o Design Gráfico, mas serve muito bem para Interiores/Ambientes:

    Pensem nisso quando forem negociar com seus clientes ;-)

    5) Um projeto muito legal: The burning house.

    If your house was burning, what would you take with you? It’s a conflict between what’s practical, valuable and sentimental. What you would take reflects your interests, background and priorities. Think of it as an interview condensed into one question.

    Idéia simples: o que você pegaria, na pressa, se sua casa estivesse pegando fogo?

    Fiquei pensando nisso e percebi que esta é uma excelente questão para ser apresentada para aqueles clientes que insistem em carregar toda a tralha para a casa nova ou não se desfaz de cacarecos quando a casa passa por reforma e aí, lá vamos nós ter de resolver onde guardar, enfiar, esconder, socar aquilo tudo (muitas vezes coisas totalmente dispensáveis).

    .

    Bom, por hora é isso.

    Abraços e até o próximo post.

  • E vamos que vamos

    Pois a correria tá grande e o tempo muito curto.

    Bom pessoal, lá vou eu com um tapão na fuça de alguns ok? Não se assustem.

    Quero e preciso destacar aqui que deu entrada no Congresso Nacional um projeto de regulamentação do Design (mais um).

    Ótimo! Espero realmente que dessa vez a coisa ande.

    Porém tenho algumas considerações à fazer sobre o referido projeto. Isso terá de ser muito debatido pois do jeito que está, vai dar complicações.


    Coloquei na resposta no Portal DesignBR o seguinte sobre o mesmo:

    “(Comunicação Visual, Desenho industrial, Programação Visual, Projeto de Produto, Design Gráfico, Design Industrial, Design de Moda e Design de Produto)

    é,

    pra não variar, a panelinha dos “dotôres” do dezáine brasuca excluíram mesmo interiores/ambientes do processo demonstrando claramente o quanto entendem realmente sobre Design.

    Entendem tanto que não conseguem perceber a obviedade da áres de interiores/ambientes ser parte da matriz Design.

    LAMENTÁVEL!

    Mas observem o absurdo disso:

    Art. 5º A denominação “designer” é reservada aos profissionais que atendam as exigências previstas no art. 3º, desta Lei.

    Ah sim senhores dôtores, então nós da área de Interiores/ambientes não poderemos nos apresentar mais como Designers? Aham… senta lá cráudia… pode sentar…

    Art. 7º A pessoa física ou jurídica que desempenhar ilegalmente as atividades reservadas aos profissionais de que trata esta lei, ficará sujeita as sanções previstas no Decreto-Lei nº 3.688, de 1941.

    Aham cráudia, continua sentadinha tá??? Eu vou sim continuar a usar o título que tenho e quero ver quem vai me impedir.

    Não, não sou contra a regulamentação e todos sabem o quanto luto por ela. Meu blog e este portal são provas disso.

    No entanto, nao posso ficar calado diante desse absurdo.

    Fica aqui registrado o meu protesto com relação a isso e intimo os “dotôres” que estao fazendo isso a efetuar consultas públicas no congresso, convidando os Designers de Interiores/Ambientes para o debate.

    Mas não associações vendidas, chamem os profissionais. E nao ajam, novamente, desta forma sorrateira e covarde.

    Apoio a causa, mas nao o meio.

    Como se vê, o projeto não contempla a área de Interiores/Ambientes e tampouco sonha com a existência da de Lighting.

    Isso se deu por dois motivos que já expus aqui neste blog e vale a pena ressalta-los:

    1 – porque o grupo que se reuniu para elaborar este projeto convidou a ABD para fazer parte e a mesma fez pouco caso dizendo que tem um projeto próprio de regulamentação da área de Interiores. Porpem vale ressaltar aqui que até hoje a ABD não teve culhões para separar decoradores, arquitetos e designers e continua insistindo no ERRO de classificar todos como designers. E o projeto que a dita cuja pretende enfiar no Congresso Nacional seguirá essa linha tosca de pensamento.

    2 – porque a maioria dos “dotôres” que participaram da elaboração deste projeto preferem viver no achismo (Morin) à ir pesquisar sobre o que realmente é Design de Interiores/Ambientes. Preferem continuar vomitando seus lixos intelectualóides sobre uma coisa que sequer se preocuparam em ler sobre, em conversar com um profissional da área realmente sobre.

    Mas vale ressaltar que nos dois casos há um “argumento” velado: não querem se indispor com o pessoal da arquitetura.

    Cráudias, um detalhe:

    DESIGN DE INTERIORES/AMBIENTES NÃO É ARQUITETURA FOFFY’S, É DESIGN!!!

    Dá pra entender isso?

    Porém a coisa é mais grave: este projeto elimina outras vertentes (áreas) do Design.

    Eu já tinha falado várias vezes que o correto seria um projeto que regulamentasse o DESIGN.

    Depois disso, no Conselho à ser criado, regulamentariam-se as áreas.

    Mas os “dotôres-sabe-tudo-e-reis-da-razão” preferiram seguir seus egos. Ou melhor, as associações e grupinhos “falando em nome de” sem consultar os inúmeros “des”, que são os profissionais.

    Isso vai sim dar merda!!!

    Então, já que está no Congresso Nacional o projeto, vamos lá, para ajudar nisso tudo:

    1) Que se promovam audiências públicas (várias – pois o tema é amplo e complexo) onde os profissionais sejam convidados a participar, opinar, alterar enfim, fazer parte do processo que irá regulamentar a sua área profissional e que este não seja feito nos bastidores, apenas com grupinhos que se acham os reizinhos da cocada branca.

    2) Que estas audiências não sejam realizadas apenas em Brasília dada a dificuldade de acesso para quem mora longe, mas sim que sejam realizadas plenárias em todos os Estados (e não só nas capitais) para que um maior número possível de profissionais possam ser ouvidos. Me disponho a organizar aqui no interior do Paraná.

    3) Também que nestas audiências sejam realizadas mesas separadas por áreas, para que todas possam ser ouvidas em suas reivindicações e realidades, sem a interferência de outras áreas ou de “achistas” de plantão.

    Sim, é uma intimação isso!

    Se é pra ser, que seja.

    Mas que seja JUSTO, CORRETO e ÉTICO para TODOS os profissionais de Design.

    E aí?

    Vão encarar?

  • É Proibido!

    – Derrubar paredes

    – Alterar esquadrias

    – Trabalhar na área externa pois seu curso é Design de INTERIORES

    Balela!!!

    Respondi ha pouco um comentário de uma leitora do blog que me fez pensar novamente sobre este assunto: derrubar paredes – ato possível ou impossível para um Designer de Interiores/Ambientes.

    Para muitos – não formados na área – isso é impossível. Claro, desconhecem completamente a estrutura e conteúdos dos cursos para afirmar tal coisa.

    Para mim sinceramente não vejo grandes problemas nisso desde que a estrutura seja previamente analisada e estudada.

    Derrubar uma parede visando a melhoria de um ambiente quando isso é possível (ex: a construção não é alvenaria estrutural) sem o acompanhamento de um engenheiro ou arquiteto é sim possível para os Designers de Interiores/Ambientes. Assim como também não vejo problema algum em realizar a troca de uma (ou umas) esquadria que esteja danificada ou desgastada.

    Isso tudo para mim, assim como a questão do tal “direito autoral” me cheiram sim, apenas, à uma mera reserva de mercado mascarada como outra coisa.

    Entendam bem: não estou defendendo que os profissionais de Design de Interiores/Ambientes saiam por aí mandando os pedreiros sentarem a marreta em paredes livremente, mas sim uma liberdade maior de atuação profissional. Tanto que caso isso ocorra, deverá constar do contrato celebrado entre o profissional e o cliente a responsabilidade técnica sobre todo o projeto.

    Sempre que este assunto vem à tona me lembro dos puxadinhos e alterações que são feitas nas casas das vilas da periferia onde NENHUMA fiscalização acontece e os projetos são feitos por quem? Pelos profissionalíssimos pedreiros sem a cobertura de qualquer profissional seja ele um designer, um engenheiro ou um arquiteto.

    Temos também alterações em imóveis comerciais que são feitas livremente sem que qualquer fiscalização seja realizada. Há algum “acerto” por trás disso tudo??

    A questão que percebo é: projeto de vila não dá grana ($$$$$$$) então não é interessante para os conselhos e órgãos fiscalizadores. Já as casas e apartamentos em bairros mais nobres, claro, estas são sim digna$ de um olhar mais atento.

    Basta ter uma placa de um profissional de Interiores na frente daobra que lá vem aporrinhação. Mesmo tendo consciência de por não nos aceitar dentro dos conselhos eles não tem absolutamente qualquer poder sobre a nossa atuação profissional, insistem em nos atrapalhar.

    Isso tudo tem a ver com ReDesign e esta ferramenta já foi absorvida nos mercados do exterior onde vemos constantemente edificações sendo alteradas por designers para atender as novas demandas e necessidades dos usuários.

    Temos visto contantemente projetos onde foram feitas alterações drásticas em construções que originalmente era uma coisa e depois passou a ser utilizada para outra, como as igrejas que foram transformadas em residências abaixo:

    Estou tentando a algum tempo finalizar um post sobre ReDesign onde foco melhor isso tudo. O duro é tempo!

    Mas em breve estará aqui pelas páginas do blog ok?

  • TCCs – um olhar ampliado

    Tenho recebido com certa frequência comentários e e-maisl de acadêmicos me solicitando ajuda para seus TCCs. De dicas à indicação de bibliografia e materiais diversos, vem de tudo um pouco que, sempre que possivel ou de meu conhecimento, tenho o maior prazer em compartilhar.

    No entanto, tenho percebido uma crescente demanda por assuntos relacionados a áreas que  estão me surpreendendo.

    De casas populares, embarcações, aeronaves, automóveis, áreas externas, redesign e adaptações de veículos para outra finalidade entre tantas outras visões sobre as possibilidades de atuação profissional que sempre defendi aqui neste blog.

    Isso me deixa imensamente feliz por perceber que não só os acadêmicos, mas também as coordenações de alguns cursos estão conseguindo livrar-se do lodo que impunha a atuação do Designer de Interiores apenas entre 4 paredes.

    Estão conseguindo ver o profissional de Design de Interiores de forma mais ampliada e correta, não restringindo as suas competências, habilidades e conhecimentos a estas 4 paredes ao perceber que este profissional pode contribuir e muito com o mundo que o cerca, formando então, Designers de Ambientes!!!

    Vejo que também estão se livrando dos majestosos projetos de revistas, de apartamentos e residências de 500m² de clientes ricos e utópicos, trazendo os profissionais para a realidade e ao mesmo tempo fazendo-os trabalhar e desenvolver o lado social que DEVE estar presente na vida de qualquer profissional.

    O meu mais sincero respeito, agradecimento e parabéns às coordenações destes cursos que conseguiram avançar e ampliar a visão.


    Portanto, lanço aqui neste blog a oportunidade para acadêmicos, profissionais e IES mostrar o que estão produzindo nesse sentido.

    Se você tem algum projeto assim ou conhece alguém que está desenvolvendo ou já desenvolveu, entre em contato comigo (ld.paulooliveira@gmail.com) e vamos mostrar o que podemos fazer de bom e melhor.Seu trabalho pode ser publicado aqui neste blog!!!

    Vamos mostrar do que somos capazes e o que o Design de Interiores/Ambientes tem à contribuir com a sociedade e o mercado.