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  • Uma visão poética do design

    Luis Emiliano Costa Avendaño

    “A poesia é por sua vez o centro e a circunferência do conhecimento. É ao mesmo tempo, a raiz e a flor de todos os demais sistemas do pensamento”.
    Percy B. Shelley

    A complexidade da comunicação, da profusão das imagens urbanas nos deixa sem a capacidade de nos deter e observar lentamente o que acontece ao redor. São seus ruídos que molestam, que confundem, que evitam enxergar o longe e o perto, que complicam o observar e o contemplar.

    Faz parte do nosso oficio perceber estes momentos, oficio que esteve sempre em constante ressonância com a poesia, a qual lhe permite interpretar e possuir uma visão artística do mundo permanecendo assim na abertura criativa deste oficio, concebendo e realizando obras que permeiam a condição humana.

    Esta condição comparece através da observação, desenhada, medida e escrita na cidade onde moramos e no que acontece nela, para desta maneira, pelo ato, se apresentar e ser percebida.

    A observação – ato da natureza artística – ao se situar na origem da forma e da imagem não se opõe nem se contradiz com a formação técnica já que como ato criativo posiciona-se como um meio tornando-se concreta na obra.

    O design é necessariamente inovação. A observação tem a capacidade de descobrir a ordem da realidade, uma ordem que estabelece coerência entre o espaço e o ato, ordem que num futuro seja capaz de estabelecer uma nova ordem, não devem ser ordens estabelecidas, assim seria uma cópia, deverá ser uma nova ordem.

    Quando enfrentamos uma situação onde o design pode interferir, tradicionalmente pensamos em resolver algo que já existe e imediatamente damos um nome a esse algo. Não nos perguntamos pela razão de ser aquilo que já existe e tem nome, temos que ver além do simples objeto e da imagem mental fixa que nos leva a nomeá-lo com a palavra, temos que ver os objetos cotidianos como objetos de conhecimento, inseridos num contexto de espaço e tempo. O objeto real do conhecimento não é o objeto em si, e o conjunto que compreende o objeto e seu contexto.

    Nós, os designers, problematizamos a relação entre a forma e seu contexto, isto é, vemos uma problemática a resolver na integração da forma de um objeto ao seu contexto. Esta relação não pode resolver-se automaticamente, requer conhecimento. O objeto do conhecimento do design é precisamente esta relação. Observar é desentranhar e determinar as causas da ordem destas relações.

    O designer é um “problematizador” por excelência e procura uma situação conflitante que o induz à curiosidade epistemológica e o faz através da informação e observação, em outras palavras o designer é capaz de observar a relação objeto/contexto inserindo-se e apoderando-se dele, de outra maneira não há conhecimento e por conseqüência não há design.

    Design é a capacidade de observar o acontecer humano e traduzir esta observação – dos atos poéticos, em soluções.

    É essencial a presença de uma mente aguçada e capaz de observar com detenção de ir além das aparências, e questão de adestrar a capacidade de observação para estar constantemente alerta, a espreita do inesperado e habituar-se a examinar o que se nos apresenta – um regalo.

    A casualidade se limita a oferecer uma oportunidade que a mente preparada reconhece e interpreta, assim sendo, a essência da mente preparada será sua capacidade para ver o significado de uma observação aparentemente trivial e mundana.

    A observação nasce num estado de nudez, de um estado de vigília que mantenha o sujeito numa assepsia ideológica, de virgindade intelectual para que não predetermine nada e gere seus próprios valores individuais, únicos e irrepetíveis, desenvolvendo uma reflexão sem ordem preconcebido. Partindo de cada experiência o individuo vai gerando novos valores os quais supostamente terá que abandonar ao iniciar a seguinte observação para aumentar sua liberdade que lhe é própria.

    É fundamental que os designers e estudantes de design conheçam a vida na cidade, o âmbito do seu problema, o ato que acontece nela, os bons designers são aqueles que sabem ler a vida, sabem construir o rosto que tem o espaço, trata-se dos atos dos habitantes deste espaço e somente assim dar-lhes-ão forma espacial e objetual.

    Mas essa leitura da vida precisa forçosamente de uma interpretação, mais do que a simples observação é uma explicação hermenêutica própria da linguagem filosófica. Este tipo de proposta não tem se colocado de forma sistemática no ensino do design, seguindo-se este caminho seria um aporte original se as universidades abordassem esta problemática a partir da hermenêutica, raiz mais profunda da idéia da pura observação.

    Em contraposição as outras teorias do design, a teoria comunicativa do produto e da imagem tem como base um procedimento hermenêutico. A aplicação resulta da compreensão e interpretação na teoria e na prática. Isolar, descrever e caracterizar os atos insertos num contexto determinado pode ser uma das tarefas que a observação terá que desenvolver no futuro, partindo da ciência dos atos e das ações – a praxeologia. Ela estuda os métodos de interferência utilizados na atividade humana e define as características gerais deste processo: fins, métodos, atos, planejamentos, eficiências, rendimentos, etc.

    “Se não conheces o passado, não terás futuro. Se não sabes onde tua gente tem estado, não saberás para onde vás” (Forrest Carter).

    Para o design a poesia pode ser a raiz, o centro e a origem do conceito, mas também pode ser a flor, o excêntrico, a culminação e a coroação da obra. O design é poesia quando surge um processo verbal que descreve o conhecimento emocional, recreação dos atos, aqueles aspectos da realidade até certo ponto ignorados e desconhecidos.

    A expressão de uma emoção ou de uma experiência poética, ambas subordinadas a um elevado grau de excitação, são produtos, na maioria dos casos, de um estímulo proveniente da observação. O conhecimento poético é o conhecimento emocional, o conhecimento ao qual se acede através da emoção, no poema é conservação, transmissibilidade deste conhecimento.

    Consultor de Design, professor e coordenador do Curso de Graduação Desenho Industrial e do Curso de Pós Graduação em Design de Luminárias das Faculdades Oswaldo Cruz, professor do curso de Pós Graduação de Iluminação e Design de Interiores, convênio entre a Instituto de Pós Graduação de Goiás – IPOG e a Universidade Castelo Branco – RJ e Faculdades Oswaldo Cruz – SP. E-mail: luis.emiliano@oswaldocruz.br

    fonte: Portal DesignBrasil – http://www.designbrasil.org.br

  • O que você tem na cacholinha?

    Os seres humanos são, por natureza, criativos. Todos possuem a habilidade de criatividade e desenvolvimento racional próprio. Prova disso são as invenções lançadas ao mundo para a sobrevivência da espécie humana. Desde os primórdios, o homem tem desenvolvido novas técnicas, como a roda, a lâmpada e o Google, sob os efeitos da criatividade. Porém, cada idéia parte de diferentes informações e necessidades. Manias, rituais, estudos, tentativas, erros, pesquisas, aditivos, organização, são elementos que definem o produto final de cada peça apresentada, seja ela artística, comercial, visual ou escrita. LACUNA é a nova criação do homem, a criatividade sob a perspectiva da invenção. Ou seja, é um projeto elaborado para entender, compreender e disseminar o processo criativo das pessoas e do mundo.

    Para participar, basta se inscrever e responder algumas perguntas sobre processos criativos. Coloque os itens que você acha interessante e que tenha utilizado em alguma peça. Depois, envie o trabalho com o tema: “Processos Criativos”.

    Os trabalhos podem virar um vídeo, com o roteiro baseado na síntese do material recebido, aparecer na Revista Digital do Projeto LACUNA, ou sair em uma publicação, formato revista, dos 20 projetos selecionados pelo júri.

    Os vencedores serão premiados com DVD’s, publicação dos trabalhos e assinatura de um ano da Revista Zupi, apoiadora do evento.

    Por isso, não vacila, e contribua! Vamos descobrir de onde vem isso tudo! As inscrições vão até 5 de novembro.

    Quando: Até 5 de novembro
    + Informações: www.projetolacuna.com

  • A importância da preparação de textos de conceituação do processo criativo da iluminação

    A comunicação entre profissionais pode ser facilitada através da criação de textos de conceituação dos processos criativos de cada um e da troca dessas informações entre as partes. Muitas vezes os profissionais não podem se reunir constantemente para avaliação de seus projetos e tomadas de decisões. A disponibilização e a troca desses materiais contribuem para que a equipe criativa tenha uma idéia das constantes mudanças que ocorrem numa produção e, a partir daí, podem ir se ajustando dentro desses novos conceitos.

    Quando se fala em comunicação e troca de informações através de textos na atualidade não se pode deixar de comentar e, até mesmo indicar, a utilização das novas ferramentas de comunicação através da rede mundial de computadores: e-mails, listas de discussões, bancos de dados on-line etc. Essa tecnologia trouxe aos usuários uma enorme facilidade de comunicação em tempo real e encurtou as distâncias. É possível hoje, também, a troca de esboços, desenhos, simulações, vídeos, sons, enfim, uma infinidade de materiais de estudo dos elementos da cena e até mesmo da própria cena como um todo.

     

     

    Valmir Perez
    Lighting Designer
    Laboratório de Iluminação
    DAC/IA – Unicamp
    http://www.iar.unicamp.br/lab/luz
    (19) 35212444
    (19) 92229355

  • A importância da preparação de esboços visuais de efeitos, mudanças e nuances principais da iluminação nas cenas

    A maioria dos artistas realiza seus estudos e pesquisas paralela e concomitantemente à criação de esboços e rascunhos dessas idéias. No caso dos designers de iluminação, esse exercício é fundamental para o entendimento visual do que está sendo desenvolvido como idéia criativa, na reformulação de propostas que, porventura, não funcionem e também na troca de informações com os outros profissionais de criação.

    Os esboços podem conter desenhos esquemáticos das cenas, anotações de mudanças e comportamentos da luz, das cores, das formas, das áreas de incidência da luz, palavras-chave que remetem a possíveis conceitos expressivos, enfim, uma infinidade de signos e sinais que os artistas criam para delimitar e relembrar os processos e as idéias envolvidas na criação. Na fase de pesquisa, os esboços também podem conter referências históricas, ideográficas, visuais, sonoras e, muitas vezes, de cunho sentimental e emocional particulares.

                    É a partir desses esboços e outras informações que, posteriormente, os designers elaboram a construção de um universo particular de criação final. Para facilitar a releitura desses materiais, os designers podem optar pela construção de uma espécie de arquivo visual, de textos, de anotações, baseados em datas, locais etc. Isso é realizado e administrado de maneira bastante própria e, geralmente, acompanha o artista exatamente como o seu estilo. São também esses esboços que formam o conjunto de materiais que podem ser disponibilizados aos diretores, encenadores, coreógrafos etc., para que esses últimos acompanhem os desenvolvimentos dos projetos.

     

     

    Valmir Perez
    Lighting Designer
    Laboratório de Iluminação
    DAC/IA – Unicamp
    http://www.iar.unicamp.br/lab/luz
    (19) 35212444
    (19) 92229355

  • Montar um novo negócio não é tão simples!

    por Armando Lourenzo Moreira Júnior Temos visto que diversos especialistas estão apontando tendências e uma destas já está ocorrendo no presente, ou seja, o grande aparecimento de pequenas empresas.Vários são os motivos que nos levam a montar um negócio, que vão desde a vontade de ganhar dinheiro até a possibilidade de podermos caminhar em direção a autorealização.

    Geralmente conhecemos alguém que todos os dias nos procura com “idéias brilhantes” e com a mesma velocidade que aparecem elas se vão. De certa forma isto não é um problema, pois as grandes idéias em relação a novas empresas podem surgir de uma hora para outra, agora, colocar em prática pode ser uma atitude perigosa sem que seja feita uma boa análise quanto ao futuro negócio.

    Dentro dos programas de treinamento e consultoria que realizamos, pudemos observar várias dificuldades que os empreendedores têm com suas novas pequenas empresas e para estas relacionamos abaixo algumas dicas, que não são as únicas, para gerenciar seu negócio:

    Visão de mercado: Antes de iniciar um negócio, é preciso ter certeza de que o produto terá compradores, pois podemos nos enganar achando que como gostamos do produto todos gostarão. Deve ser feito uma pesquisa com pessoas que têm o perfil dos futuros compradores a fim de testar a sua saída em termos de venda. Outro ponto importante relaciona-se ao tempo que o produto a ser comercializado será de utilidade, pois como tudo está mudando rapidamente é possível que um produto criado hoje não sirva para o consumo em um curto espaço, o que pode não ser vantajoso em termos de investimento…

    Relacionamento com o pessoal: Os funcionários devem ser vistos como colaboradores e estes devem ser incentivados a todo o momento, não necessariamente em termos financeiros, mas deixando-os participar nas decisões ou podendo colocar em prática novas idéias. Temos percebido que a participação das pessoas nas decisões, não apenas melhora o desempenho, como cria um maior comprometimento delas com o trabalho.

    Diferencial do produto ou serviço: No momento em que resolvemos montar um negócio, é provável que já exista algum parecido, quando não comercializando o mesmo produto ou serviço. É preciso então que o empresário entre no mercado com um produto diferenciado, que pode ser desde um atendimento personalizado até um prazo de entrega mais rápido. Utilizar esta estratégia de diferenciação pode ser uma das chaves para o seu sucesso.

    Disponibilidade e resultado financeiro: Dois aspectos são indispensáveis, o primeiro refere-se a necessidade financeira real para iniciar a atividade, pois descobrir apenas no meio do caminho que vai faltar dinheiro pode inviabilizar todo o andamento do empreendimento. O segundo fator é o lucro, que por falta de conhecimento quando se calcula, pensa-se que é grande e no fim acaba não trazendo os resultados esperados, criando assim uma situação frustrante e difícil de ser mantida.

    Organização e controles: É importantíssimo que desde o início se preocupe com os controles e a organização geral, pois muitas das empresas que conhecemos hoje já foram pequenas e um dos pontos mais fortes que a ajudaram a crescer reside exatamente neste aspecto, pois é muito comum vermos o pequeno empresário não tendo tempo para vender por ser desorganizado.
    Empresa familiar: Algumas vezes escutamos que a empresa familiar não é sinônimo de bom negócio. Nós não compartilhamos desta opinião, até porque se olharmos a nossa volta poderemos observar vários casos de sucesso. O importante é que esse tipo de empresa tome certos cuidados, como as questões da sucessão e da profissionalização.

    fonte: http://escoladeempreendedores.com.br/site/artigos1.asp?codigo=1

  • Novo livro sobre habitação social está disponível para download gratuito

    Já está disponível para download gratuito no site www.habitare.org.br o livro ´Habitação social nas metrópoles brasileiras: uma avaliação das políticas habitacionais em Belém, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo no final do século XX`. A obra faz parte da série Coleção Habitare, editada pelo Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare), da Financiadora de Estudos e Projet os (Finep), com apoio da Caixa Econômica Federal.

    A publicação traz o relato de pesquisas que permitiram a avaliação de políticas habitacionais nas seis regiões metropolitanas. Apoiados pelo Programa Habitare, os estudos foram desenvolvidos por uma rede de instituições e liderados pelo Observatório das Metrópoles, ligado ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ).

    Organizado em 16 capítulos, o livro contempla cenários gerais para cada região, assim como estudos específicos: o Programa Camaragibe, desenvolvido na periferia metropolitana do Recife; o Favela-Bairro, no Rio de Janeiro; as Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS), em Diadema, e os mutirões da Companhia do Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), em São Paulo. Avalia também a experiência dos conjuntos Paraíso dos Pássaros e Vila da Barca, na Região Metropolitana de Belém; do Residencial Asca e do Conjunto Granja Freiras III, em Belo Horizonte, e dos condomínios dos Anjos e Lupicínio Rodrigues, em Porto Alegre.

    De acordo com o organizador, professor Adauto Lúcio Cardoso, do IPPUR/UFRJ, os estudos mostram forte presença dos governos locais na construção da habitação de interesse social. Revelam também a importância crescente das organizações não-governamentais e do papel dos movimentos de moradia, assim como o considerável potencial técnico e político que vem sendo acumulado no desenvolvimento da construção habitacional. Os levantamentos indicam ainda importante capacidade de inovação, muitas vezes disseminada entre municípios vizinhos.

    Do ponto de vista técnico, os mapeamentos apontam melhoria nas técnicas e na qualidade do trabalho em mutirões, embora as avaliações reconheçam a permanência de problemas significativos. Em vários municípios foram também constatadas inovações em termos de gestão, com ampla participação da população. Permanece, no entanto, a carência de recursos destinados a combater o déficit habitacional brasileiro e o problema da gestão de regiões metropolitanas.

    O Plano de Divulgação do Programa Habitare, que vem permitindo a edição de diversas obras, tem apoio da Caixa Econômica Federal. O objetivo é divulgar os resultados do Programa de Tecnologia de Habitação entre públicos diversos. Visite a seção Publicações do site www.habitare.org.br e veja os livros já disponíveis para download.

    Mais informações:

    Adauto Lúcio Cardoso
    UFRJ – IPPUR
    (21) 2598 1929

     

    Fonte: Programa Habitare/Finep

     

    **No site da Habitare existem outros livros para download. Vale a pena conferir.

     

  • MANIFESTO ANTI-DESIGN

     

    UM MANIFESTO ANTI-DESIGN

    I. UMA IDÉIA


    O designer não é artista. Aliás, ele faz questão de deixar isso bem claro. No Brasil, ele briga com o publicitário, com o arquiteto, com o micreiro. O designer gosta de brigar.

    Mas ele sequer sabe quem é. Ele adora falar sobre “criatividade”, uma questão complicadíssima das quais os filósofos, os místicos, os cientistas e os psicólogos se debatem por anos. Mas será que o designer procura esses estudos?

    Quantos são os designers que discutem em sala de aula Platão, Kant, Hegel, Nietzsche, Freud, Jung, Sartre, Bachelard, Hillman, Peirce…? Sempre existe um maluco em cada cinqüenta “normais”. Mas, onde eles estão? Por que não fazem barulho? Será que estão dormindo?

    Enfim…

    Mas como pode o designer saber o que faz, se não sabe nem o que é?

    Ele não é artista, ele não é “marketêro”, ele não é publicitário, ele não é arquiteto. Ele é essa “coisa” que às vezes lembram de chamar quando alguém precisa de uma “logomarca” (que por sinal, sequer existe).

    O designer é preguiçoso: quer a parte prática. E que paradoxo este é! Mal sabe ele que está em um molde filosófico pragmático, que opera somente em função de um mercado, que por sua vez possui um modelo econômico americano. Para os desavisados, isto é o chamado comportamento neoliberal norte-americano, que tantos gostam de criticar, mas não se dão conta que o simples fato de não saber que vive nele já o fortalece. E ao pormos nestas palavras, pode ficar mais claro para alguns que um Design brasileiro torna-se complicado de se realizar.

    É engraçado que quando falamos em mitos como os dos deuses egípcios, parece não haver contestação do público geral para dizer que eles são realmente mitos. Mas ao tocarmos em pontos como “Mercado”, “Estado”, “Leis”, ninguém compreende a abstração que estes termos envolvem.

    Ora, alguém já viu o mercado andando por aí? E o Design? E o “jeito certo” de se fazer Design? Não é estranho como essas abstrações, essas construções humanas ganham tanta força pela repetição, que acabamos acreditando que elas realmente são reais? Estão repetindo o mesmo erro de alguns positivistas: confundem o que é “modelo” com o que é “real”.

    Como é que o designer no Brasil, como universitário, e assim integrante da elite intelectual brasileira, espera ser um formador de opinião se simplesmente aceita o modelo dos outros? Pior: será o designer brasileiro um conformado ou um ignorante?

    Se o Design é isso que aprendemos na academia, uma grande simulação baseada em valores de mercado que nunca são exatamente concretos, ou seja, são também simulações, dizemos alto e claro: não acreditamos no Design.

    Propomos então aqui uma idéia que acreditamos ser nova e interessante dentro deste cenário.

    Entendam: às vezes, é necessário o oposto se apresentar para que algo possa se definir. Temos assim a definição da Arte pela Anti-Arte, a Lei pela Transgressão, a Ordem pelo Caos. Todo modelo requer um Anti-Modelo.

    Então, através deste manifesto, declaramos público o que acreditamos: o Anti-Design.

    Melhor ainda: acreditamos na tensão entre Design e Anti-Design. Mas tendo em vista que em terras brasileiras sequer existem produções sobre o segundo elemento, buscamos, através deste modesto manifesto, uma definição.


    II. UMA CONTESTAÇÃO COMO CRIADORA DE TENSÃO


    Lembrem-se: da repetição à imposição, é um pulo. O poder do torturador, por exemplo, só se dá pela repetição dos seus atos – uma única chibatada pode ser facilmente esquecida e perdoada (“foi um acidente, sem querer”), ao passo que uma série de chibatadas torna-se uma tortura (é calculado, consciente).

    O poderoso se impõe pela força, enquanto que o líder surge naturalmente. Interessante notarmos que esta “força imposta” pelos poderosos muito freqüentemente ocorre por meios muito elegantes, sutis e democráticos. Para quem então será conveniente seguirmos tudo o que aprendemos? Para nós? Para os professores? Para aquele Frankenstein chamado “Mercado”?

    O Anti-Design, por não estar preso à necessidades pré-impostas por alguém, nos permite entender escolas de pensamento como a fenomenologia, por exemplo, que tanto teria a contribuir para a produção acadêmica.

    No modelo atual de Design, ela acaba deixada de lado, pois não é “prática” o suficiente (ao menos assim pensam os que precisam de dados concretos). Mais uma vez, estamos sob o domínio de uma escola de pensamento fria, que reduz a experiência universitária a um campo de conhecimento limitadíssimo de um curso técnico, e sequer temos consciência disso. Pior: aplaudimos e damos graças pelo curso ser mais “prático” e “fácil”, o contrário de “teórico” e “complexo”. Não é incomum ouvirmos dos colegas o quanto o estudo de teoria é “chato” e “inútil”, com defesas ideológicas infames como “para quê que eu vou usar isso na minha vida?”. Este é o maior exemplo do “cego que não quer ver”.

    Por favor, não entendam aqui um detrimento ao trabalho prático. Ele é fundamental. Mas nós desafiamos os estudantes que lêem este manifesto a pensarem no número de vezes que tiveram discussões ferozes de cunho ideológico-teórico com professores. Não temos dúvidas de que foram muito menores do que as de cunho ideológico-prático.

    Infelizmente, sem o conteúdo teórico a prática não tem força na academia. E um curso que se diz universitário (e que pretende se manter assim) não pode se dar ao luxo de passar por esses cenários.

    O Anti-Design nos permite criticar o Mercado, contestar o “Espetáculo” – afinal, o Design é escravo do mercado, o que impede a liberdade acadêmica. Falar mal deste mito torna-o um herege. Basta dizer que consideramos um designer bem-sucedido aquele que for trabalhar na Globo, que por sua vez, é a maior “emburrecedora” da sociedade brasileira. Não creio ser necessário nos estendermos mais neste assunto.

    E por favor, não queiram nos dizer o contrário. Não sejamos cínicos. Sem o mercado, o Design perde identidade. Cansamos de ouvir professores e profissionais dizendo que “se não vender, se não tiver propósito, é Arte”. Estão confundindo a universidade com a prática de mercado – um erro gritante e triste.

    O Design, como área “científica” universitária, está fadado a morrer nos termos que se encontra, pois os cursos universitários desta área viraram cursos técnicos – e tem gente aí fora achando isso ótimo!

    A profissão sequer é reconhecida ainda, e não acho que seria grave atrevimento falar que grande culpa disso é nossa pobreza intelectual, nossa falha reflexiva (incluímos aqui alunos e professores). Estamos pensando no Design só dentro do mercado, e não saímos dele. Chovemos assim no molhado, pois justificamos até mesmo os atos de contestação dentro do mesmo modelo! “Você deve contestar, mas deve vender. Se vira!”.

    Estamos então vivendo em função de querer agradar a uma simulação chamada mercado que sequer nos conhece! Seria engraçado, se não fosse patético. Somos penetras em uma festa, marginais vagabundos, mas nos sentimos convidados de honra, e falamos com autoridade: “se não vender, não é bom!”.

    Nós é que deveríamos ser os maiores críticos de toda essa bagunça! Mas assusta perceber que um olhar externo, de fora do modelo atual, não é sequer ouvido pela grande maioria.

    Mesmo que fôssemos reconhecidos em nossas profissões, se criticássemos o mercado pelas suas próprias condições de existência estaríamos fazendo o mesmo que esperar que um carro sem gasolina ande ao empurrarmos o pára-brisa. Qualquer leigo em física mecânica entende que o carro só vai andar se for empurrado de fora, ou seja, que uma força EXTERNA atue.

    Por sinal, espero que esta última explicação possa fazer refletir melhor aqueles que dizerem que o Anti-Design já exista no Brasil.

    Arte não é Anti-Design – é Arte.
    Publicidade não é Anti-Design – é Publicidade.
    Micreiro não é Anti-Designer – é Micreiro.

    O Anti-Design é contestação, protesto, crítica, provocação – no Design! É a recusa de modelos impostos, principalmente os modelos redutores, que vêem o humano como uma máquina precisa, estritamente biológica, consumista e previsível que busca tudo o que é mais prático.

    Não vemos outra forma de fazer o Design “andar” no campo intelectual sem ser contestado, sem ser provocado e posto em contraste, sem uma força que seja ao mesmo tempo EXTERNA e IRMÃ. E se ele não anda, mesmo após tantos apelos por parte de alguns participantes desse mito, o Anti-Design deverá suprir essa necessidade.

    A todos aqui que dividem nossa opinião e se identificam com essas idéias: temos agora um nome.


    III. UM EXEMPLO


    Um breve exemplo:

    não parece existir evidência maior dessa nossa pobreza intelectual do que trabalhos de Psicologia e Design. Todos falam de Gestalt, Cognitiva, Comportamental, que são importantíssimas e fundamentais, ao mesmo tempo em que são linhas mais funcionais, cruas, cientificistas, aplicáveis rapidamente ao mercado. Em outras palavras: seus resultados são mensuráveis por formas visuais e números. E todo designer gosta de um número, uma estatística, qualquer coisa que prove por A+B que o trabalho dele vende (mesmo que no dia seguinte ninguém mais lembre). Para o Design, essas psicologias “funcionam”.

    Mas o que é este “funcionar”? São os números que aparecem no pagamento mensal? Onde está Freud, Jung, Adler, Frankl, Lacan, enfim, todos aqueles que fizeram longos tratados sobre a experiência humana e os símbolos produzidos na psique? Será que toda nossa experiência se resume a números? Será que o Design, produzindo ícones que vão de um lado para o outro no mundo atual, criando as mais diversas sensações e experiências no público, não teriam absolutamente NADA a aprender com essas escolas mais profundas que não são possíveis de serem mensuradas por instrumentos e/ou números precisos? Mais uma vez: será toda a experiência humana possível de ser expressa em números?

    (por sinal, um fato interessante: apesar de sermos tão dependentes de valores numéricos como estatísticas, notas e cifras, aquele pensamento filosófico chamado “positivismo” sequer é citado. Mais e mais, parece que o designer não sabe quem é, nem o que faz).

    E onde está o fenômeno? Onde está o Mito? Onde está o Símbolo profundo?
    Onde estão os poetas? Onde está a ficção científica? A fantasia?
    Para onde foi o inconsciente no Design?
    Será que o fato de não ser mensurável (numérica ou graficamente) torna o estudo da produção de símbolos pela experiência pessoal simbólica inútil ao designer?

    (Que fique claro: o símbolo semiótico não corresponde exatamente ao símbolo psicológico.)


    IV. UMA TENTATIVA


    Como toda “ciência” humana, o Design nunca possuirá definições mais precisas e rígidas como nas ciências exatas. Contudo, é triste ver que não existem mais brigas novas. As brigas que ocorrem na academia são as mesmas de décadas atrás, e a sensação de que andamos em círculos é inevitável.

    Somos então anti-designers que não aceitam mais as fórmulas prontas da academia, destas que não conseguem definir um “Design brasileiro”, em que todo mundo critica todo mundo… e no final não dizem nada.

    Claro que é bom falarmos de empreendimentos, “fórmulas mágicas”, “10 passos para o sucesso”, etc. É apenas uma pena que a maioria vicie nisso, aceitando no final a ilusão de que “auto-estima” e “sucesso” se compram em livros e palestras de outras pessoas. Aliás, é possível vender auto-estima? Vender sucesso? Felicidade? Segundo aquele mito gigante chamado mercado, e os seus números infalíveis, sim.

    No final disso tudo, o senso crítico do designer atual se baseia no seu próprio “achismo”, que acaba resultando em… nada (mais uma vez).

    Pois lhes dizemos bem claramente: o Design, como existe hoje no Brasil, morrerá se não criar tensões de nível intelectual. De tensões práticas já somos mestres – basta ver a definição de professores para “o que é um trabalho bom”, outra grande falácia que temos de enfrentar.

    Como compreendemos que isso é “besteira” para a maioria dos designers que vivem cegos (ou conformados) com essa realidade pragmática e fria que reduz nossas humanidades a cifras e estatísticas de eficiência, lhes dizemos de modo complacente: não se preocupem. Podem ficar com seu Design.

    Nós, Anti-Designers, os marginalizados dos marginalizados, temos agora uma nova casa.

    Mas lhes fazemos também um convite: venham nos visitar. Estamos logo ao lado (de repente, estamos até dentro de você). Nós não buscamos regras, instituições definidas, formas ou modelos. Somos uma ideologia, uma nova escola de pensamento, que pretende dialogar e contestar – mesmo que, em primeiro momento, vocês nos achem ingênuos.

    Alertamos-lhes: o Design como existe hoje parece não encontrar antítese. Isso é preocupante (para não dizer desesperador). Hoje em dia, toda idéia que busca um contraste acaba sendo rebaixada como ingenuidade, lixo, pelo simples fato de dizer que o modelo pragmático mercantil não deve ser o único ponto de vista. Será esse realmente um ambiente acadêmico então, onde idéias das mais absurdas devem ser discutidas, ou uma ditadura ideológica? Se essa ditadura não existe, pior ainda: as idéias novas se rebaixam por algo que sequer tem forma ou nome. Ou seja, os designers estão perdidos, e não sabem nem o porquê.

    Portanto, se o Design quiser sobreviver, é melhor que nos enfrente – afinal, o designer briga com todo mundo, não é? Caso dessa vez não compre a briga, podemos até profetizar: o Design morrerá sozinho, admirando o próprio reflexo no espelho.

    Obviamente, o que falamos não é nenhuma novidade. Muitos já fizeram e continuam fazendo um “Anti-Design”, principalmente no exterior (vide o movimento Anti-Design ocorrido lá fora há mais de 50 anos atrás), indo assim contra essa ideologia pragmática e mercantil importada que engolimos como um grande sapo, sempre com a mesma desculpa de que “não há outra forma”. Dessa maneira, não é incomum encontrarmos “designers” disfarçados de “anti-designers” – e vice-versa.

    Mas o próprio Design como um jogo parece então ter regras muito complicadas, que não são necessárias de ser entendidas – contanto que venda.

    E daí, claro, cria-se essa cultura descartável que temos hoje em dia, na qual ao invés de visitarmos museus, visitamos shopping centers das cidades que visitamos.

    E o designer está sempre ali, criando os ícones que serão usados por alguns meses… e depois jogados fora.

    A pior forma de Mercado é aquela que se vê como única instância moral – e é esta a forma que vivemos. Se nós acadêmicos não contestarmos e vivermos pelas suas regras, quem é que irá pensar sobre isso? Talvez, quem sabe, o Anti-Design possa ajudar-nos.

     

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    EU, PAULO, ACRESCENTO AQUI UM TRECHO DE UM LIVRO SOBRE EDUCAÇÃO QUE JULGO TER MUITO A VER COM ISSO TUDO:

    “Nossos sistemas de idéias (teorias, doutrinas, ideologias) estão não apenas sujeitos ao erro, mas também protegem os erros e ilusões neles inscritos. Está na lógica organizadora de qualquer sistema de idéias resistir à informação que não lhe convém ou que não pode assimilar. As teorias resistem à agressão das teorias inimigas ou dos argumentos contrários. Ainda que as teorias científicas sejam as únicas a aceitar a possibilidade de serem refutadas, tendem a manifestar esta resistência. Quanto às doutrinas, que são teorias fechadas sobre elas mesmas e absolutamente convencidas de sua verdade, são invulneráveis a qualquer crítica que denuncie seus erros.”
    Edgar Morin

  • PROSPECTANDO CLIENTES

    Nao sabe como arrumar clientes?

    Nesse texto eu conto um pouco sobre a minha experiencia nesse assunto, as tecnicas que eu utilizava na epoca em que eu era atendimento num agencia…
    Entre e leia.

    “Olá amigos, Todos sabemos que o melhor vendendor para o nosso tipo de negócio é o famoso boca-a-boca… Cliente indica para cliente, que indica para amigos e assim vai… Uma verdadeira corrente da alegria…Mas.. O que fazer quando você está iniciando e ainda não tem ninguém para te indicar??
    Bem, suponhamos que você já tenha um portfolio bacana, um cartão de visitas simpático, ama o que faz, tenha boa argumentação, etc, etc, etc… O que fazer??

    Caçar clientes exige estratégia. Por isso, vou contar um pouco da minha experiência como atendimento em uma agência de propaganda há alguns anos atrás.

    Em primeiro lugar, é preciso adquirir alguns hábitos:

    * Ser observador e estar atento às oportunidades: aprenda a perceber quais são as empresas ou pessoas que podem estar precisando do seu trabalho. (Logotipos mal feitos, anúncios ruins, folhetos amadores, amigos que estão abrindo uma empresa…)

    * Andar sempre com cartões de visitas no bolso ou na bolsa.: (a gente nunca sabe quando vai encontrar um cliente em potencial. Já fiz prospecção na piscina do prédio..!.) Precisamos ser vendedores 24 horas por dia!!

    * Ser confiante e entusiasmado: Sim, é preciso desenvolver alguma cara de pau… E a melhor forma de expulsar a timidez é confiar no próprio trabalho… Acredite firmemente nos benefícios que suas idéias trarão para o negócio do seu cliente e você vai ver os milagres que isso vai fazer na sua auto-confiança… Seja honesto e se interesse pelo sucesso dele. Seu entusiasmo quebrará muitas barreiras.De posse daquele hábito observador, comece a procurar a sua vítima: pode ser no seu bairro, na sua comunidade, no seu clube, na sua academia.. Comece a estudá-la minuciosamente e reúna informações de modo a encontrar qual é a melhor forma de abordá-la.
    Um e-mail, uma carta, uma visita pessoal..?? Cada caso é um caso e a gente precisa saber adaptar a forma de acordo com cada cliente.Vou contar um exemplo prático e bem sucedido:

    Uma época lá na agência, nós queríamos prospectar uma concessionária de automóveis. Eu conhecia algumas perto da minha casa e comecei a visitá-las… Passava lá como se fosse uma simples compradora de automóveis… Conversava com vendedores, fazia test-drive, pegava tabelas… folhetos…
    Observava, fazia perguntas… E numa dessas visitas, olha só! Descobri que uma das concessionárias iria iniciar uma concorrência para mudar a agência de propaganda….!!!!! Bingo!

    Foi só descobrir com o vendedor qual era o nome da pessoa responsável e…
    No mesmo dia liguei para perguntar se podia participar da concorrência!
    Fomos aceitos e…. Ganhamos a conta!

    É claro que essa é apenas uma forma de prospectar clientes… Existem muitas e cada um deve descobrir aquela que melhor se adapte às suas necessidades e ao seu perfil. O importante é que sejamos criativos e saibamos desenvolver uma auto-confiança capaz de driblar as dificuldades iniciais… Acreditem, com o tempo a gente acaba desenvolvendo uma postura extremamente vendedora…

    Precisa até tomar cuidado para não virar um chato de galochas.. Risos

    Um abraço,

    Mônica”

    Fonte: http://www.monicafuchs.com.br/cutenews/blog.php?subaction=showfull&id=1118157393&archive=&start_from=&ucat=5&

  • DESIGNERS DECAPITADOS

    * Por Ernesto Paulo Harsi, designer e diretor de Projetos da Associação de Designers de Produto – ADP.

    É extremamente comum sermos envolvidos em discussões a respeito do que as escolas de design devem ensinar: se é dar bases teóricas ou preparar para a prática, neste caso, o mercado de trabalho.

    Afastando-nos do frequente argumento de que a teoria é para a vida inteira e prática só serve para hoje, vejamos outro aspecto comumente ignorado: a avaliação de que o tempo passado na academia é usado para se sonhar, divagar e explorar caminhos teóricos sem nenhuma conexão com o “mundo real”, da labuta diária de uma profissão, em que, por outro lado, temos que ser produtivos, portanto, não podemos “perder tempo” com teorias.

    É comum a percepção, até de profissionais experientes, de que teoria e prática são duas coisas diferentes, cada uma utilizada em seu tempo e para fins diversos. Isto se manifesta principalmente na convicção de muitos de que “teóricos” (entenda-se por isso acadêmicos) devem ensinar História, Pesquisa e Semiótica e “práticos” (entenda-se por isso profissionais atuantes) devem ensinar projeto. Isto parte da convicção de que o profissional atuante não “perde tempo” com teoria, vai direto ao ponto, é mais eficiente (em termos de tempo) e “resolve”, enquanto o acadêmico teórico ensina porque “não sabe fazer”, ou se perderia em explorações de caminhos inúteis em vez de “fazer” o que o “senso comum” exige que seja feito.

    Vamos concluir daí que o profissional atuante “ignora” (consciente ou inconscientemente) a teoria? Que a teoria é apenas o “creme” do bolo? Vamos concluir que o professor de projeto deve passar ao largo da teoria na hora de ensinar a prática?

    Nada mais falso. Esta visão vem de um entendimento da divisão do trabalho que separa pensar do fazer, que separa a cabeça da mão.

    Designers são pagos no mercado de trabalho para desenvolver soluções inovadoras, interessantes, atraentes e úteis para o consumidor final e também estrategicamente para a empresa. Como fazer isso bem feito, se não aplicarmos a teoria na prática?

    Então não vamos usar o que aprendemos de História do Design ou Gestalt na hora de definir o aspecto comunicativo do produto? Não vamos usar o que aprendemos em Teoria de Marketing para definir aspectos da aparência do produto adequados para a posição que ele ocupará no conjunto de opções disponíveis no mercado? Vamos descartar tudo o que aprendemos em Metodologias de Pesquisa para simplesmente seguir as “tendências” que outros estão fazendo, ou seguir cegamente as “inspirações” do cliente?

    Se por um lado existe o receio justificado de “superintelectualizar” a prática, por outro lado, ao nos tornarmos designers industriais nos diferenciamos dos artesãos que adquirem e aperfeiçoam seu conhecimento e habilidade apenas na prática diária.

    Outro receio comum é que a teoria, vista como externa ao processo de design, vai cortar a “intuição” e a imaginação criadora do designer. Vamos concluir daí que o processo do design é irracional? Intuitivo? Estamos dizendo ao nosso cliente que o produto em que ele está investindo dezenas ou centenas de milhares de reais foi projetado na intuição?

    Sabemos que o design é uma profissão que não pode ser aprendida nos livros, só a prática nos torna designers de verdade, porém esta prática tem que incorporar a teoria e não se basear no acúmulo de “intuições”. Criatividade não é fazer qualquer coisa livremente, mas sim encontrar o caminho mais interessante e inovador dentro dos parâmetros definidos pelo “briefing”.

    Ouvimos dizer também que a teoria não leva em conta o que é possível e o que não é possível de se fazer, coisa que só quem “faz” é que sabe. Então estamos usando a teoria de forma errada. A teoria também tem que ser construída através da prática.

    A teoria tem que ser a intervenção crítica no próprio trabalho, a reflexão sobre o que estamos fazendo e o embasamento de nossas propostas. A responsabilidade do design é tão grande para as empresas nos dias atuais, que não podemos nos dar ao luxo de não incorporarmos a teoria em nossa prática no dia-a-dia.

    A teoria só serve se for realmente usada na prática. E inversamente, a prática só tem qualidade se embutir a teoria. Não podemos perder nossas cabeças.

    Ernesto Paulo Harsi estudou arquitetura e design na FAU-USP. Frequentou cursos de design de móveis, design de interiores, design de automóveis e desenho artístico. Foi gerente de design da Philips do Brasil, especializado no desenvolvimento de produtos de áudio e vídeo. Empreendeu períodos de trabalho na Holanda, Bélgica e Estados Unidos. Integrou várias vezes a equipe dos workhops para criação de produtos mundiais da empresa. Em parceria com vários escritórios de design, orientou projetos de design gráfico e design promocional para ponto de venda, inclusive ambientes de lojas. Com escritório próprio desenvolveu produtos industriais, várias linhas de mobiliário para lojas e instalações comerciais e projetos de identidade visual para empresas e eventos. Professor de Design Gráfico e História do Design. Consultor em Design Estratégico e Criatividade Aplicada a Projetos, assuntos sobre os quais também ministra cursos e workshop.

    Fonte: http://www.designbrasil.org.br/portal/artigos/exibir.jhtml?idArtigo=523

  • PREGUICA ACADEMICA

    *por Tom Coelho (www.tomcoelho.com.br)

    “Nada fazer é o caminho certo para não ser ninguém.”
    (Nathiel Hower)

    Ela foi lançada em 1964 e teve sua primeira edição esgotada em apenas dez meses. Rapidamente tornou-se não apenas um objeto de desejo, mas um instrumento singular de apoio educacional. Nos anos setenta e até meados dos oitenta, foi o melhor presente que pais poderiam conferir a seus filhos, muitas vezes adquirida com dificuldade mediante pagamento parcelado. Estou falando da Enciclopédia Barsa.

    Lembro-me daquela coleção com dezesseis livros de capas vermelhas e letras douradas que me auxiliava nas tarefas escolares e me abria as portas para um mundo surpreendente esperando para ser desvendado. O atlas geográfico suscitou-me a curiosidade por países, bandeiras, moedas e idiomas. E as pesquisas aos diversos verbetes estimulavam o prazer pela leitura e, por conseguinte, pela escrita, uma vez que os temas consultados tinham que ser relatados num caderno ou em atividade acadêmica para ser entregue.

    Com o advento da internet as enciclopédias caíram em desuso. Hoje, um estudante não precisa mais folhear páginas a procura de uma informação. Basta acessar um site de busca para localizar o tema de seu interesse, muitas vezes com milhares de links relevantes. Depois, é copiar e colar o texto, imprimindo-o e dando por encerrada a missão.

    Neste processo, há muitas perdas. O prazer pela leitura se dissipa. Jornais, revistas e livros são proporcionalmente veículos menos utilizados. E o hábito da escrita também se esvai. Papel e caneta são substituídos por processadores de texto. A emoção e a personalidade presentes na caligrafia dão lugar à frieza dos bits e bytes.

    Mas a facilidade de acesso à informação também trouxe consigo um efeito colateral: os jovens estão ficando mais indolentes e apáticos. Quase diariamente recebo mensagens de universitários solicitando artigos, ensaios, gráficos ou qualquer tipo de material que possa ajudá-los em um trabalho acadêmico ou na elaboração de suas monografias. Há ocasiões em que estes pedidos chegam de forma serena e consciente, deixando claro que minha eventual contribuição será acessória, complementar à atividade que desenvolvem.

    Todavia, há circunstâncias nas quais os pedidos que me visitam vão desde a definição de uma palavra que pode ser encontrada nos dicionários (estes, também em desuso) até a mera transcrição, na íntegra, de uma tarefa proposta, incluindo data para entrega e regras para apresentação. Assim, o estudante encaminha as questões tal como lhe foram formuladas, esperando respostas prontas que possam eximi-lo do trabalho de pesquisar, ler, compilar, enfim, estudar.

    Esta verdadeira febre assola também as chamadas comunidades virtuais. Quem participa de grupos ou fóruns temáticos de discussão, sabem o que estou dizendo. E, neste caso, a conduta se estende também a profissionais à caça de planilhas, testes de avaliação, dinâmicas de grupos, entre outros.

    Informação e conhecimento devem ser compartilhados. Por isso, jamais deixo sem resposta um leitor, qualquer seja sua demanda. Mas vejo com preocupação este comodismo, às vezes travestido de oportunismo, porque me faz lembrar Confúcio que dizia: “A preguiça anda tão devagar que a pobreza facilmente a alcança”.

    17/11/2006

    Tom Coelho!, com formação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP, especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP, é empresário, consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Infinity Consulting e Diretor Estadual do NJE/Ciesp. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br.
    Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.tomcoelho.com.br e comunicada sua utilização através do e-mail talento@tomcoelho.com.br

  • Como lidar com clientes que gostam de atrapalhar

     Sartre disse que o inferno são os outros. Nem tanto – o inferno pode ser os clientes enrolados e os desvios que propõem. Para não se perturbar, use suas táticas preventivas.

    Por Carlos Lorenzon

    Clientes são importantes para os negócios porque representam a ligação mais forte entre você e o dinheiro que você precisa receber todo mês. São eles que vão pagar e esperam receber um bom trabalho em troca.

    Manter o cliente satisfeito não é apenas uma questão de educação; é a peça chave para atingir sua meta nos negócios e fazer dinheiro.

    Com o tempo você vai se tornando um expert no relacionamento com os seus clientes. Aprende a distinguir os mais importantes e identificar o que eles precisam. Não existe uma forma padrão de tratamento para todos. E sempre aparecem no caminho certas figuras com atitudes manjadas que podem desviar você de seus objetivos.

    Veja alguns destes tipos e o caminho para neutralizá-los.

    O SABE TUDO

    Possui um repertório infinito de sugestões capaz de irritar o mais calmo dos monges budistas. Pensa que sabe mais sobre o trabalho do que você e tem sempre uma maneira melhor e mais inteligente de executar uma tarefa.

    Tática: ouça as idéias porque elas podem servir para alguma coisa. Entretanto, deixe bem claro que você é um profissional, que sabe o que está fazendo e que o processo que você está usando produzira um bom resultado. Se ele continuar a interferir, diga que você pode escutar todas as suas sugestões de mudanças depois que o trabalho estiver pronto. Desta forma você poderá cobrar taxas extras para cada alteração feita depois da entrega do trabalho.

    O NEGOCIADOR

    Simpáticos tapinhas nas costas, gargalhadas indiscretas e piadas sem graça são marcas registradas. Intimidade é sua principal armadilha. Começa com um convite para uma cerveja no bar na esquina e termina com a história das dividas que o sócio deixou antes de fugir para Bahamas que vem acompanhada de um pedido de atraso no pagamento.

    Tática: Não crie laços de amizade. Chame-o sempre de senhor para provar que sua relação com ele é estritamente profissional. Recuse convites com desculpas educadas e não ceda a chantagem emocional (você não é uma entidade filantrópica).

    O PILATOS

    Se você vê-lo mais duas vezes depois da assinatura do contrato será um milagre. É do tipo que não faz a mínima questão de saber o que está acontecendo e que só aparece no dia da entrega do trabalho. Nunca tem tempo para conversar sobre problemas e quando não gosta de alguma coisa diz que não foi informado sobre nenhuma mudança.

    Tática: se falar com ele é uma odisséia, escreva. Faça relatórios periódicos e peça uma assinatura de aprovação. Eles servirão como prova de defesa caso no futuro, você seja acusado de omitir informação. Mas não envie nada por correio nem deixe de pegar os papéis depois. Vá atras do cliente pessoalmente e só saia de perto depois que ele tiver assinado todas as folhas.

    O ESQUECIDO

    Infelizmente, é um tipo de cliente muito comum. Sofre de amnésia no dia do pagamento, que pode se estender por mais de uma semana. Quando cobrado, costuma repetir frases do tipo “a secretária esqueceu de colocar o cheque no correio” ou “ah sim, vou fazer isso hoje”. Se você é uma pessoa muito otimista ou acredita em Papai Noel, pode estender seu prazo normal de 30 dias para dois meses ou três meses. Se estiver precisando de grana em dia é melhor se proteger desse tipo de cliente.

    Tática: Inclua uma cláusula de depósito no contrato, determinando a data do pagamento e multa por atraso. Você também pode exigir parte do pagamento adiantado sem problemas.

    O DESESPERADO

    Mal começou o trabalho e ele quer saber se o prazo vai ser cumprido. Liga dez vezes ao dia para saber o que está acontecendo, entope a caixa postal do seu celular de recados e entra em pânico se você disser que há algum problema.

    Tática: não deixe contagiar pelo estresse do cliente. Antes de atender o telefone, respire fundo e conte até dez. Use o contrato para mostrar que as coisas estão indo conforme planejado e, se estiver com problemas, assegure sempre que tudo está sobre controle (mesmo que não esteja).

    Um manual básico

    • Trate os clientes como você gostaria de ser tratado. Se você for anti-profissional com eles espere o mesmo;
    • Pegue o máximo possível de informações que puder por escrito e exija assinaturas em todos os documentos;
    • Evite intimidades;
    • Seja firme ao fixar um preço. Independente do poder econômico do cliente;
    • Seja franco e não esconda nenhum dos termos e condições do contrato;
    • Faça reuniões periódicas para que o cliente acompanhe seu trabalho e não tenha surpresas no final;

    Sobre o autor: Carlos Lorenzon (carlos@whbrasil.com) mantém os sites WHbrasil e Centosbr.

    FONTE:
    Webinsinder

  • Lâmpadas de plasma feitas de folhas alumínio superam lâmpadas incandescentes

    Lâmpadas planas, finas como folhas de alumínio, que não precisam de suportes metálicos, super-leves, podendo se adaptar a qualquer ambiente e servindo inclusive a aplicações médicas. Essa é a novidade apresentada por pesquisadores da Universidade de Illinois, Estados Unidos.

    Lâmpadas de plasma

    As novas lâmpadas são formadas por um sanduíche de duas folhas de alumínio separadas por uma finíssima camada isolante de óxido de alumínio (safira). O que faz essa estrutura emitir luz é uma série de pequenas cavidades cheias de gás, que penetram a folha de alumínio superior e a camada de safira.

    Essas cavidades, com o formato de um diamante, são depósitos de plasma, que emitem luz sob a ação de uma corrente elétrica. O princípio é o mesmo das lâmpadas fluorescentes, só que as lâmpadas de plasma dispensam refletores e até mesmo os invólucros e suportes metálicos.

    Por cima da folha superior de alumínio vai uma camada de vidro de 0,5 milímetro de espessura, com o lado interno recoberto por uma película de fósforo de 10 micrômetros de espessura. Com isso, todo o painel de lâmpadas de plasma tem uma espessura total de apenas 800 micrômetros, ou 0,8 milímetro.

    “Construídos de folhas de alumínio, safira e minúsculas quantidades de gás, os painéis têm menos de 1 milímetro de espessura e podem ser pendurados na parede como se fossem quadros,” explica o professor Gary Eden.

     

    As lâmpadas de plasma poderão ser utilizadas para iluminação residencial e comercial e também para algumas aplicações biomédicas. Para se produzir lâmpadas de várias cores, basta alterar o gás no interior das microcavidades e o fósforo utilizado.

    “Cada lâmpada tem o diâmetro aproximado de um cabelo humano,” explica Sung-Jin Park, outro membro da equipe que desenvolveu as novas lâmpadas. “Nós podemos colocar um conjunto de mais de 250.000 lâmpadas em um único painel.”

    Eficiência energética

    No atual estágio da pesquisa as lâmpadas de plasma têm uma eficiência de 15 lumens por watt. Os pesquisadores afirmam ser possível chegar aos 30 lumens por watt quando o projeto do painel e da geometria das microcavidades estiver totalmente otimizado. Uma lâmpada incandescente tradicional tem uma eficiência entre 10 e 17 lumens por watt.

    Embora o painel de lâmpadas de plasma seja seis vezes mais fino do que um painel de LEDs, o consumo de energia ainda não é o ideal. O gasto de energia das lâmpadas de plasma fica muito acima dos LEDs, em um nível intermediário entre as lâmpadas fluorescentes e as lâmpadas incandescentes.

    Lâmpadas curvas

    Os pesquisadores também construíram conjuntos de lâmpadas de plasma seladas no interior de um invólucro de plástico transparente. Essas lâmpadas flexíveis abrem novas oportunidades para o design de sistemas de iluminação, que poderão ser instalados sobre superfícies curvas – como no interior de pára-brisas de carros, por exemplo.

    As lâmpadas curvas também poderão ser utilizadas como bandagens foto- terapêuticas para tratar determinadas doenças, como a psoríase.

  • Luminária robótica aprende onde e quando iluminar

    Lâmpadas de leitura e abajures não costumam ser muito inteligentes e nem tampouco associados à alta tecnologia. Mesmo os mais versáteis possuem apenas uma flexibilidade de posicionamento da lâmpada – mas geralmente insistem em sair lentamente da posição, geralmente descendo até o chão.

    Mas Guy Hoffman, pesquisador do Laboratório de Mídias do MIT, uma das maiores universidades norte-americanas, acreditou que seria capaz de fazer algo mais. Em sua tese de doutoramento, ele resolveu construir uma luminária robótica.

    A luminária de mesa robotizada, batizada de Aur, faz bem mais do que iluminar uma pequena área. Ela acabou transformando-se em um plataforma robótica “não-antropomórfica”, um conceito que vem ganhando terreno rapidamente, à medida em que os pesquisadores percebem que equipamentos robóticos podem atingir nichos nunca antes imaginados – aspiradores de pó são um bom exemplo.

    A base do robô é um braço robótico com cinco graus de liberdade. O controle é feito por gestos e voz “permitindo o controle de comportamentos criados em um sistema de animação 3D.”

    A idéia final, ainda não totalmente implementada, é que a lâmpada robótica possa interagir com o usuário, aprendendo quando ela deve acender, onde se posicionar e até o ponto focal a ser utilizado.

  • Sistema de iluminação híbrido utiliza luz solar para substituir lâmpadas

     

    Engenheiros norte-americanos apresentaram um sistema híbrido de iluminação que aproveita a luz solar para iluminar diretamente o interior de residências e prédios comerciais, sem necessidade de conversão da luz em eletricidade. Em dias nublados, o equipamento controla automaticamente a intensidade das lâmpadas normais, mantendo sempre o mesmo nível de iluminação no ambiente.

    Iluminação com luz solar

    A técnica de iluminação híbrida solar-elétrica utiliza um coletor de luz solar instalado no telhado, medindo 1,2 metro de diâmetro e um espelho secundário que rastreia a posição do sol ao longo do dia. O coletor concentra a luz solar em 127 fibras ópticas que vão até o interior da construção, onde são conectadas a cilindros difusores de luz, parecidos com lâmpadas fluorescentes. São esses cilindros que espalham a luz em todo o ambiente.

    Um único coletor atualmente consegue abastecer de oito a 10 cilindros difusores, que são capazes de iluminar uma área de quase 100 metros quadrados. Um sensor detecta quando cai o nível de iluminação – o que ocorre quando o sol se esconde por detrás das nuvens ou em dias nublados – e aciona automaticamente a intensidade das lâmpadas fluorescentes normais que completam o sistema híbrido.

    Teto de vidro

    O sistema é mais eficiente do que um simples teto de vidro por vários motivos. O primeiro é que a luz ultravioleta é bloqueada, assim como o calor representado pelos raios infravermelhos. Além do que a luz é distribuída de maneira uniforme e suave.

    Os pesquisadores estimam que o sistema híbrido solar-elétrico pode representar uma economia de 6.000 kilowatts/hora por ano em iluminação e outros 2.000 kilowatts/hora na redução no uso do ar-condicionado.

  • USO EFICIENTE DE ENERGIA NA SUA CASA

    Em primeiro lugar, você paga menos pela sua conta de luz. Este já é, com certeza, um ótimo motivo. Além disso, você também estará ajudando a preservar as fontes de energia.
    E como eu faço para usar eficientemente a energia?
    Antes de tudo, é importante lembrar que a energia elétrica serve para melhorar a sua qualidade de vida, trazendo conforto e comodidade. E você deve aproveitar tudo isso ao máximo.
    Por isso, economizar energia não significa deixar de ver televisão, nem passar calor para não ligar o ar-condicionado.
    O segredo está no uso de equipamentos elétricos eficientes, sem desperdício.
    Veja aqui algumas dicas para usar energia de forma eficiente.

    O gráfico abaixo mostra como as pessoas usam a energia elétrica de maneira geral.

    Como você pode perceber, a geladeira, o chuveiro elétrico e a luz da sua casa utilizam energia elétrica com mais intensidade.
    Portanto, tudo o que você puder fazer para melhorar o uso destes equipamentos poderá trazer grandes resultados.
    A seguir, sugestões para usar melhor os eletrodomésticos sem desperdiçar energia elétrica:

    Geladeira

    • Não abra a porta sem necessidade ou por tempo prolongado.
    • Coloque e retire os alimentos e bebidas de uma só vez.
    • Evite guardar alimentos ou líquidos quentes na geladeira.
    • Não forre as prateleiras da geladeira com plásticos ou vidros.
    • Evite a formação de uma camada muita espessa de gelo, faça o degelo periodicamente.
    • No inverno, diminua a regulagem da temperatura.
    • Mantenha limpa a parte traseira, evitando utilizá-la para secar panos, roupas, etc.
    • Verifique se as borrachas de vedação das portas estão em bom estado. Faça assim:
    1. Feche a porta da geladeira prendendo uma folha de papel e tente retirá-la*.
    2. Se ela deslizar e sair facilmente é sinal que as borrachas não estão vedando corretamente. Neste caso, troque as borrachas e uma oficina de qualidade.
    * Repita esse teste em toda a volta da porta.

    Chuveiro Elétrico

    • Evite banhos quentes demorados.
    • Utilize a posição “inverno” somente nos dias frios. A chave na posição “verão” gasta até 40% menos energia. Não mude a chave “verão-inverno” com o chuveiro ligado.
    • Não diminua, não emende nem reaproveite resistência queimada.
    • A fiação deve ser adequada, bem instalada e com boas conexões. Fios derretidos, pequenos choques e cheiro de queimado são sinais de problemas que precisam ser corrigidos imediatamente.
    • Se costuma lavar o banheiro utilizando a água do chuveiro, mantenha a parte elétrica desligada.

    Iluminação

    • Evite acender lâmpadas durante o dia; abra bem as cortinas e persianas e use ao máximo a luz do sol.
    • Use cores claras nas paredes internas da sua residência – as cores escuras exigem lâmpadas com potência maior (Watts) que consomem mais energia.
    • Prefira lâmpadas fluorescentes ou fluorescentes compactas, pois iluminam melhor, consomem menos energia e duram até dez vezes mais do que as lâmpadas incandescentes.
    • Apague sempre as luzes dos ambientes desocupados, salvo aquelas que contribuam para a segurança.
    • Limpe regularmente luminárias, globos e arandelas para ter um bom nível de iluminamento.

    Televisor, aparelho de som e computador, entre outros

    • Televisão, som ou computador? Mantenha ligado somente o aparelho que você está utilizando.
    • Evite o hábito de dormir com aparelhos ligado.
    • Não deixe aparelhos ligados sem necessidade.

    Ferro elétrico

    • Espere acumular uma boa quantidade de roupa e passe tudo de uma vez. Ligar o ferro várias vezes ao dia desperdiça muita energia.
    • No caso de ferro elétrico automático, use a temperatura de aquecimento indicada para cada tipo de tecido, iniciando sempre pelas roupas que requerem temperaturas mais baixas.
    • Deixe o ferro desligado quando não estiver em uso, mesmo por intervalos curtos.

    Máquinas de lavar roupa e louça

    • Utilize as máquinas de lavar roupa ou louça sempre na capacidade máxima.
    • Utilize a quantidade adequada de sabão ou detergente, para não ter que repetir a operação de enxaguar.

    Condicionador de ar

    • Mantenha as portas e janelas fechadas ao usar o condicionador de ar.
    • A vedação do ambiente deve ser bem feita.
    • Limpe os filtros do aparelho periodicamente, para melhorar a circulação do ar e consumir menos energia.
    • Desligue o aparelho quando for ficar fora do ambiente por mais de uma hora.
    • Evite instalar o aparelho em local exposto aos raios solares.
    • Regule o termostato. O frio ou calor máximo nem sempre é a condição mais confortável.

     

    fonte: http://www.copel.com/PagCopel.nsf/docsap/ABBD6BF29BA79DEA03256AFD004F426C?OpenDocument&secao=DIS%3Ainformacoes%3Auso%20eficiente%20de%20energia%20eletrica&

  • Acessibilidade e sua importância nos projetos de hoje e do futuro

    Acessibilidade é um dos temas mais atuais e importantes no setor da construção civil. O assunto não é aplicado apenas na arquitetura e urbanismo mas, nesse campo, é cada vez mais discutido e deve ser tratado com seriedade. De modo geral, trata-se de permitir às pessoas com deficiência, definitiva ou temporária, participarem de atividades que incluem o uso de edifícios, produtos, serviços e informação.

    Na arquitetura e no urbanismo, a acessibilidade tem sido uma preocupação constante nas últimas décadas. Atualmente estão em andamento obras e serviços de adequação do espaço urbano e dos edifícios às necessidades de inclusão de toda população. Construções adaptadas e equipadas para garantir o máximo conforto e segurança aos moradores da terceira idade, por exemplo, têm tido estudos recentes no Brasil, mas já permitem referências suficientes para a concepção de espaços adequados à dinâmica de vida doméstica de todos.

    Banheiros com barras de apoio, pisos planos e anti-derrapantes, boa iluminação das áreas de circulação, botões de emergência nos cômodos são itens que merecem atenção para moradias que atendem à essa faixa etária e, na maioria dos casos, podem ser executados com baixos investimentos.

    Incentivar a sociabilização familiar, proteger a saúde e a integridade física promovendo o seu bem-estar são alguns dos objetivos alcançados quando se leva em consideração a questão de acessibilidade nos projetos.

    Lar, doce lar

    Uma casa é mais do que uma reunião de tijolos, cimento, telhas e tantos outros materiais. É o lugar de nossos sonhos, símbolo de status, espaço privado em que nos reabastecemos para enfrentar a vida “lá fora”.

    É, antes de tudo, nosso ninho e, como tal, o lugar mais seguro e aconchegante do mundo. Ou pelo menos deveria ser, mas há riscos nem sempre visíveis. Podemos nos sentir bem em nossas casas mas, dependendo da forma como foram planejadas podem vir a causar acidentes, limitações e desconforto.

    No Brasil, a questão econômica sempre foi fator decisivo, principalmente quando o assunto é a casa. Como não podemos nos mudar, cada vez que uma necessidade nova surge –– nascimento de filhos, problemas de saúde, idade avançada — precisamos transformá-la em um lugar em que possamos viver e desfrutar de todas essas fases de forma segura, prática e agradável.

    Prevenção de Acidentes: cuidando do ambiente

    As crianças e os idosos são os dois grupos que mais sofrem acidentes em casa. As crianças, por não terem total controle de suas ações, e os idosos, devido às limitações naturais do envelhecimento. É preciso ter atenção redobrada para que os riscos que eles corram sejam os menores possíveis.

    Além disso, em geral, os acidentes ocorrem por causa das condições do ambiente combinadas com mais dois fatores: limitações físicas e hábitos pessoais dos moradores. Assim, um ambiente não adequado pode aumentar em muito a chance de ocorrências desses acidentes. Quedas, queimaduras, envenenamento por gás ou medicamento, lesões quando a pessoa bate forte em móveis são algumas ocorrências comuns no cotidiano e que se agravam em construções mal planejadas.

    Apesar da diversidade de fatores que podem causar incidentes numa moradia, o profissional responsável pelo planejamento de uma obra deve ter em mente tudo isso. Com relação aos imprevistos causados em virtude das condições do ambiente, podemos destacar:
    • O uso ou a instalação de pisos escorregadios,
    • Falta de apoios,
    • Tapetes soltos,
    • Iluminação inadequada,
    • Mobiliário leve ou solto,
    • Fios e extensões descascados,
    • Falta de manutenção em equipamentos,
    • Irregularidade do piso,
    • Armários muito altos,
    • Escadas sem corrimão,
    • Vaso sanitário e lavatório em altura inadequada,
    • Falta de iluminação,
    • Rota de fuga obstruída,
    • Torneiras sem controle de temperatura,
    • Fogões e churrasqueiras mal protegidas,
    • Instalações elétricas sobrecarregadas ou com defeito,
    • Área de armazenamento de produtos de limpeza e medicamentos sem trancas,
    • Panelas com cabos soltos.

    Prevenção de Acidentes: erros mais comuns entre os deficientes e doentes

    Além dos fatores relacionados ao ambiente e seus objetos, há também acidentes cuja causa está relacionada aos hábitos das pessoas. Entre estes, podemos destacar:
    • Andar muito rápido,
    • Carregar muito peso, acima de sua capacidade;
    • Não acender as luzes e andar no escuro,
    • Usar calçados inadequados ou andar só de meia,
    • Manter animais dentro de casa,
    • Usar roupas muito longas,
    • Usar cadeiras e banquinhos para alcançar lugares altos,
    • Uso inadequado de medicamentos, deficiência nutricional por alimentação inadequada,
    • Carregar líquidos quentes,
    • Uso inadequado de panelas,
    • Tomar banho com água muito,
    • Usar produtos inflamáveis para limpeza,
    • Mal uso de equipamentos elétricos,
    • Manter o hábito do fumo,
    • Fazer duas atividades ao mesmo tempo, e
    • Armazenar remédios de maneira inadequada e sem indicações de uso.

    Tipos de deficiência permanente ou transitória

    Um arquiteto, engenheiro ou decorador, quando planeja uma obra, já deve ter em mente que as pessoas podem ter ou vir a ter diversos tipos de problemas. Entram aí os fatores pessoais, a serem considerados também pelo construtor antes da execução da obra, tais como:
    • Ossos ou musculatura enfraquecidos,
    • Agilidade diminuída,
    • Equilíbrio reduzido,
    • Incontinência urinária,
    • Má adaptação a mudanças de intensidade de luz,
    • Reações lentas,
    • Baixa resistência física,
    • Coordenação motora comprometida,
    • Flexibilidade diminuída,
    • Tendência a exaustação,
    • Sensibilidade nas articulações,
    • Não perceber diferentes distâncias,
    • Postura instável e/ou vertigem,
    • Memória reduzida,
    • Visão diminuída, aem perceber detalhes,
    • Audição diminuída (leva a desatenção),
    • Tato reduzido,
    • Falta de percepção dos riscos,
    • Perda de interesse e confusão mental,
    • Olfato reduzido, entre outros relacionados, quase sempre, às condição físicas e psíquicas das pessoas.

    Uma casa para ser considerada segura e confortável deve ser organizada de modo a evitar acidentes domésticos, tão comuns, e que muitas vezes podem comprometer física e psicologicamente as pessoas. E é nesse aspecto que a acessibilidade já é uma realidade e deve ser tratada como fator primordial antes da execução de uma obra.
    <!– Instituto Brasil Acessível

    Se você é profissional do setor não pode deixar de acompanhar o trabalho de uma organização preocupada com a questão da acessibilidade na área da construção civil. Trata-se do Instituto Brasil Acessível (IBA), fundado em 2004 e comandado pela arquiteta Sandra Perito, especialista no assunto. Segundo ela, o custo benefício da aplicação deste conceito é inestimável, pois possibilita uso pleno e independente em qualquer situação, mantendo o cidadão integrado à sua comunidade e garantindo uma boa qualidade de vida.

    “O que parece faltar é a conscientização dos arquitetos para que se aplique esse conceito cada vez mais fundamental para construirmos um país melhor, adequado às necessidades da população, com uma boa qualidade residencial”, comenta a arquiteta.

    O IBA desenvolve diversos diversos trabalhos dessa área, dos quais podemos destacar: o Projeto Nova geração, que aplica conceitos de Universal Design; Projeto Vovô Querido, direcionado aos idosos para uso pleno e seguro do ambiente onde residem; além do Projeto Moradia Segura, que alerta os usuários para fazerem uso seguro de suas moradias. –>

     

    Fonte: http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=32&Cod=144

  • Moradias do futuro aliam conforto, segurança e também acessibilidade

    Já é de conhecimento geral, a importância que tem a acessibilidade para tornar as moradias mais confortáveis e seguras para todos, independente de sua condição física. A grande questão é o que se fazer na prática, como aplicar no dia-a-dia algumas recomendações simples porém eficientes e algumas delas de baixo custo em nossas residências.

    Veja algumas dicas que podem e devem ser aplicadas por um engenheiro, arquiteto ou construtor na elaboração de um projeto, tendo em vista a questão da acessibilidade como parte fundamental para a construção de uma moradia mais segura, moderna e adaptável às diversas fases e situações vividas pelos seus moradores no decorrer de suas vidas.
    Vamos dividir nosso projeto em partes, considerando cada cômodo e área da moradia, a fim de obtermos um melhor planejamento. Vejamos:

    Áreas externas e jardim
    Caso sua casa tenha quintal, jardim ou terraço, estes devem ser considerados como uma extensão natural da parte interna, recebendo, portanto, os seguintes cuidados:

    • Jardins ou vasos acessíveis e seguros estimulam e facilitam as atividades de cultivo, que são muito relaxantes
    • Ilumine bem qualquer área externa para melhorar a visibilidade e reduzir riscos
    • Posicione as torneiras do jardim a 50cm do piso, para facilitar o alcance
    • Instale floreiras em várias alturas para que possam ser cultivadas por pessoas em pé ou sentadas. Não pode haver cantos pontiagudos ou obstrução da circulação do jardim
    • Utilize baldes com rodas para reduzir o esforço para carregá-los
    • Coloque um banco para descanso na área externa deixando espaço para cadeira de rodas ao lado. Isto permite os banhos de sol dos idosos com companhia
    • Não utilize nas áreas laterais à circulação, plantas venenosas, com espinhos ou ainda árvores com ramos de altura inferior a 2m que podem causar ferimentos principalmente nos olhos e no rosto
    • Escolha plantas que mudem a floração ao longo do ano, isso ajuda a manter a noção do tempo
    • Utilize plantas com flores e frutos para atrair passarinhos, estimular o olfato e proporcionar uma variedade de cenários e cores – os idosos serão beneficiados
    • Proteja terraços, lajes, sacadas e varandas instalando parapeito de pelo menos 90cm de altura
    • Os parapeitos devem permitir a visão, mas não servir de escada para crianças. Instale sempre redes de proteção
    • Instale números grandes na fachada, para facilitar a identificação do imóvel
    • Especial atenção deve ser dada ao caimento do piso externo, para não acumular água – o que pode provocar escorregões

    O que você deve evitar
    • Pisos de pedriscos, pedras soltas ou buracos nos pisos
    • Pisos de madeira com vãos entre as peças ou com desníveis
    • Pisos escorregadios ou encerados

    Dicas
    • Troque o número da fachada por elementos grandes e de fácil visualização na rua
    • Deixe espaço pra cadeira de rodas
    • Árvores com ramos a 2m do chão
    • Instale número grande para identificar o imóvel
    • Ilumine bem a área externa
    • Coloque um banco para descanso
    • Use piso antiderrapante
    • Atenção ao caimento do piso para não acumular água
    • As torneiras devem estar a 50cm do piso
    • Ilumine bem a área externa

    Circulação
    A facilidade de acesso e uma boa área de circulação são questões fundamentais para garantir a segurança na casa. Veja as principais características para as áreas de construção:

    Porta de entrada
    • Porta de entrada com desnível inferior a 1,5cm
    • Instale uma rampa no degrau, caso ele seja mais alto que 2cm para evitar tropeços
    • Coloque capachos no mesmo nível do piso (faça rebaixamento para embutí-los)
    • Protegê-la da chuva com cobertura (terraço ou beiral) para garantir o conforto de quem está entrando ou saindo
    • Ilumine-a adequadamente para melhor visualização da fechadura
    • Instale visor lateral, para controle do ambiente externo
    • Coloque uma prateleira ou banco ao lado dela para apoiar pacotes enquanto abre a porta

    Outras portas e acessos
    • Utilize maçanetas tipo alavanca, que não exigem muito esforço e facilitem o manuseio por crianças e idosos
    • Portas dos cômodos com no mínimo 80cm de passagem, isso deve ser feito pelo menos no acesso a um dos banheiros ou no único existente
    • Prefira rampas em lugar de degraus (no máximo 7% de inclinação)
    • Escadas com no mínimo 90cm de largura e degraus com 27cm (mínimo) de profundidade e 17,5cm de altura (no máximo)
    • O corrimão da escada deve ser contínuo em pelo menos um dos lados
    • Corrimãos em duas alturas – 70 e 92cm, com 4 cm de diâmetro e distante até 5cm da parede
    • Corredores com no mínimo 90 cm de largura
    • Luminárias de emergência devem ser instaladas nos corredores para facilitar a circulação quando falta luz • Instale também arandelas na escada com 1,60 m de altura para facilitar a manutenção e troca de lâmpadas
    • Instale interruptores paralelos (um no início e um no final) das áreas de circulação para não ter de andar no escuro
    • Elimine móveis ou objetos supérfluos nas áreas de circulação, para evitar tropeços
    • Desobstrua as rotas de saída para facilitar a evacuação em situações de pânico
    • O revestimento do piso externo deve ser áspero para evitar escorregões

    Detalhes que farão a diferença
    • Fechaduras com maçaneta abaixo do cilindro facilitam a visualização na hora de colocar a chave
    • Dois olhos mágicos na porta externa em diferentes alturas podem ser usados por pessoas em pé ou sentadas e, ainda, por crianças
    • Escolha luminárias que proporcionem vida longa às lâmpadas, sejam de fácil manutenção e simplifiquem a troca

    Dicas
    • Aplique fita adesiva antiderrapante e com cor contrastante na borda de qualquer degrau, inclusive nos degraus das escadas para que se tornem mais visíveis e seguros
    • Troque os interruptores por sensores de presença que acendem a luz nas áreas de circulação, incluindo o trajeto dormitório, banheiro, escada e área externa

    Sala
    As salas são os espaços de lazer e convívio social de sua casa, por isso, devem ser confortáveis e relaxantes. Veja algumas dicas importantes:

    • Utilize cortinas ou persianas internas e externas, permitindo passagem de luz natural. Evite cortina pesadas e escurecimento total
    • Use iluminação difusa (com vários pontos de menor intensidade ao invés de um único foco) e anti ofuscante (lâmpadas leitosas, luminárias, que escondam a lâmpada ou iluminação indireta)
    • Os locais de trabalho e a mesa de refeições devem ter iluminação direcionada
    • Abajures devem ser acionados por interruptores, evitando a circulação no escuro para acendê-los
    • Tomadas devem ser instaladas a 45cm do piso e interruptores a 1m para facilitar o alcance de todos

    Móveis e objetos
    • Devem ter cores e texturas contrastantes com as do piso e parede, para evitar que as pessoas esbarrem neles
    • Devem ser pesados para evitar quedas
    • Devem ser foscos para evitar reflexo e ofuscamento, tanto de dia, com a incidência de luz solar, quanto à noite, com a iluminação artificial
    • Devem ter bordas arredondadas, diminuindo os riscos de lesões em casos de batidas bruscas
    • Devem ser colocados longe da janela para evitar que sirvam de escada para as crianças
    • Estantes devem ser presas à parede para não tombarem
    • Prefira sofás e cadeiras com braços e altura do acento adequada – ou seja, que permita ao morador colocar toda a sola dos pés no chão quando sentado
    • Escolha cadeiras de mesa de jantar pesadas (que são mais difíceis de cair e podem servir de apoio às pessoas) e sem braços (para evitar que roupas se enrosquem)
    • Utilize Tvs e equipamentos de som com controle remoto, o que diminui a necessidade de sentar e levantar com muita freqüência
    • Abajures ou luminárias devem ser leves e ao mesmo tempo resistentes
    • Tenha sempre mesa de apoio próxima ao sofá para colocar telefone e abajur
    • Evite mesas de centro ou laterais com quinas vivas para que o morador não se machuque (vidro e mármore não são indicados)

    O que você deve evitar
    • Fios elétricos ou de telefones soltos: prenda-os no rodapé ou atrás dos móveis
    • Objetos e mobiliário de vidro ou acrílico e espelhos decorativos, que podem causar confusão visual
    • Tapetes soltos
    • Pouco espaço para passagem

    Dicas
    • Utilizar todos os interruptores com LED (pequena luz vermelha) para facilitar a sua visualização no escuro
    • Acionar abajur por interruptor próximo à entrada
    • Evite cortinas pesadas
    • Utilize grades ou telas de proteção
    • Utilize móveis firmes, de preferência presos à parede
    • Tampar tomadas em desuso
    • Tvs e equipamentos de som devem ter controle remoto
    • Mesas não devem ter quinas ou serem de vidro ou mármore utilize mesa de apoio próximo ao sofá

    Dormitórios
    O dormitório é o espaço mais íntimo do morador, seja ele criança, adulto ou idoso. Por isso, deixá-lo com a cara do usuário, dando aquela agradável sensação de ser um lugar só dele, aconchegante e agradável. Porém alguns elementos não devem ser esquecidos para unir conforto e segurança:

    • Usar cores contrastantes nas paredes e portas facilita sua localização por crianças e idosos.
    • Evitar revestimentos de piso (como carpetes) que acumulem poeira e ácaros, para evitar alergias
    • Os quartos dos idosos devem estar preferencialmente no mesmo pavimento que a sala e banheiro
    • Peitoris de janelas não devem ultrapassar 70cm de altura para que se possa ver o ambiente externo sentado ou mesmo deitado.
    • Caso haja circulação de crianças na casa, é necessária a instalação de redes ou grades de proteção
    • A instalação de condicionadores de ar ou ventiladores fixos evita o uso de extensões e fios soltos que podem causar quedas
    • Ter sempre no quarto uma poltrona ou cadeira para sentar facilita na colocação de meias e sapatos
    • Instalar interruptores do ponto de luz do teto e do abajur ao lado da cama para evitar a circulação no escuro
    • Como na sala, devem-se instalar tomadas a 45cm do piso e interruptores a 1,0m para facilitar o alcance de todos
    • A altura da cama deve variar entre 45 e 50cm, pois o usuário precisa colocar os pés no chão ao sentar, evitando desequilíbrio ou tontura ao se levantar
    • Cobertores e colchas devem estar presas no pé da cama para que ninguém tropece nelas
    • Crianças e idosos devem usar apenas um travesseiro para evitar o sufocamento
    • Evitar colchão muito macio para crianças. Ele pode causar asfixia durante o sono, caso a criança não consiga se virar
    • A grade do berço deve ter altura suficiente para a criança não pular. A distância entre as barras deve ser de até 5cm para ela não se prender nos vãos
    • As mesas de cabeceira devem ser fixas e ter 10cm a mais que a cama para não tombarem no caso de alguém se apoiar
    • Utilizar relógio com números grandes ou digitais e telefone que indique a chamada com sinal luminoso para facilitar a visualização no escuro
    • Armários ou guarda-roupas devem ter: iluminação interna acionada pela abertura de portas, prateleiras com alturas variadas, facilitando o alcance, gavetas com corrediças suaves e sistema de travamento para que elas não se soltem, cabideiros em duas alturas – o mais baixo a 1,10m do piso para ser alcançado por todos

    Dicas
    • Utilize puxadores dos armários de modelo tipo alça
    • Cabideiros altos devem ser basculantes
    • Dimmers controlam a intensidade da luz, evitando ofuscamento
    • Dê preferência para tapetes e carpetes antialérgicos, baixos tipo bouclé e bem fixos ao chão
    • Luminárias de emergência ou lanternas a pilha devem ser colocadas em todos os cômodos
    • Acople luz com sensor de luminosidade a alguma tomada do dormitório que é ativada ao escurecer
    • Caso o idoso passe muito tempo no dormitório ou mesmo durante a noite, um telefone e uma sineta devem estar à sua disposição no criado-mudo

    Banheiro
    O banheiro é o local onde ocorre o maior número de acidentes domésticos. Portanto, garantir que os moradores possam usá-lo com segurança e sem ajuda de outras pessoas é uma forma de manter a privacidade (muito importante). Vejamos algumas providências a serem adotadas:

    • Nunca instale o chuveiro dentro da banheira, evitando o desconforto e o risco de ter de entrar nela diariamente
    • Os comandos e torneiras da banheira devem ficar do lado de fora da bacia para facilitar o alcance
    • Cole adesivo antiderrapante no piso da banheira para evitar escorregões
    • O box deve ter desnível máximo de 1,5cm em relação ao piso do banheiro e possibilitar o acesso de duas pessoas (para facilitar o banho de crianças e idosos)
    • No piso do box cole faixas adesivas antiderrapantes, com distância de 30cm entre elas. Se preferir, use tapetes com ventosas para fixação
    • No box, de preferência às cortinas plásticas, que não quebram.
    • Se houver porta no box, ela deve ser preferencialmente de correr, com abertura de no mínimo 80 cm. Se for de abrir, o sentido deve ser sempre para fora, possibilitando socorro em caso de emergência
    • Dentro do box, utilize recipientes para sabonete líquido fixos na parede com altura máxima de 1,10m o que evita a queda do sabonete
    • O ralo deve ter bom caimento, contínuo (tipo grelha) e fora da área de pisada
    • Chuveiros devem ter os registros na entrada do box, fora do eixo da ducha
    • A ducha manual facilita o banho em crianças, idosos e em pessoas acidentadas ou em recuperação
    • O registro de abertura das torneiras do gabinete do banheiro na lateral do tampo ao invés de no fundo, o que facilita o alcance
    • Espelhos instalados sobre o lavatório deverão ser inclinados, facilitando a visualização por uma pessoa sentada ou uma criança
    • O suporte para papel higiênico deve ser instalado a uma altura de 6cm do piso, facilitando o alcance
    • Se no banheiro não houver ponto de telefone, levar sempre aparelho sem fio para chamada de emergência • Na porta do banheiro prefira instalar fechadura com chave ao invés de trinco interno, pois as crianças e idosos podem ficar presos
    • No casos de cômodo muito pequeno, considere a possibilidade de inverter para fora a abertura da porta do banheiro, facilitando o socorro, caso alguém fique preso
    • Considere banheiro com medida que permita a circulação com uma cadeira de banho

    O que você deve evitar
    • Bancos ou cadeiras de plástico para o banho sentado. Eles podem escorregar ou quebrar.
    • Usar o porta-toalha como barra de apoio, ele pode se soltar da parede.
    • Existem barras específicas para apoio.
    • Crianças e idosos trancando com chave o banheiro

    Dicas
    • Assento de bacia com espessura de 5cm facilita o uso por pessoas ou idosos
    • Colar por cima da cerâmica do piso revestimento emborrachado no box, e se possível, em todo o banheiro
    • Chuveiro com barra deslizante que se ajusta à altura do usuário
    • Sineta no banheiro para o idoso chamar em caso de acidentes

    Cozinha
    A cozinha é um dos cômodos mais usados de uma casa. Ao mesmo tempo é o que concentra grande número de obstáculos e riscos para as crianças e pessoas com problemas motores ou decorrentes da idade mais avançada.
    Se sua cozinha não foi reformada nos últimos anos, você provavelmente ainda tem que fazer muita ginástica para cozinhar pegar objetos e utilizar os eletrodomésticos.
    Pensando no conforto e praticidade, projetistas industriais estão criando cozinhas mais funcionais, com tudo planejado para facilitar o manuseio. Também estão sendo incluídos itens de segurança em todos os equipamentos o que é uma boa notícia para cozinheiros de todas as idades. Você também pode atualizar sua cozinha fazendo algumas mudanças sugeridas a seguir:

    • Refrigerador e freezer dispostos lado a lado facilitam o trabalho
    • Ao lado de cada equipamento deve haver uma superfície de apoio.
    • No caso do fogão, deve ser dos dois lados, para as pessoas não terem de circular com travessas quentes ou pesadas
    • Se você estiver trabalhando sentado, utilize telas plásticas ou de aço para diminuir a profundidade da pia, facilitando o alcance do conteúdo
    • Utilize carrinho ou mesinha com rodas para transportar alimentos o que evita acidentes
    • O botijão de gás deve ser instalado no lado de fora da casa
    • Se você tem armários altos, sobre a pia por exemplo, deve colocar pontos de luz na parte inferior para iluminar a bancada de trabalho, dando preferência também para portas com vidro que facilitam a visualização do conteúdo
    • Não se deve enche os armários altos, nem usar a prateleira até a borda, para evitar que o material caia ao abrir as portas
    • Puxadores de armários de alça e torneiras do tipo alavanca facilitam o manuseio
    • Gavetas devem ter altura entre 30 e 80cm do piso
    • Gabinetes fixos devem estar sobre bases de alvenaria, a no mínimo 20cm do piso e recuados pelo menso 15cm da face do tampo, possibilitando aproximação e facilitando a limpeza
    • As bordas dos tampos das bancadas da cozinha devem ser arredondadas e ter constraste com o restante da superfície
    • Posicionar as torneiras da pia da cozinha a lateral do tampo, ao invés de no fundo, para facilitar o alcance
    • O balde de lixo deve ter rodas para facilitar seu transporte sem muito esforço
    • Marque os controles do fogão com adesivos coloridos para facililitar a visualização
    • Instale detector de fumaça para alertar em caso de uma panela no fogo
    • O revestimento do piso deve ser antiderrapante e não ofuscante para evitar escorregões ou quedas quando há acúmulo de água
    • Não permita que crianças brinquem na cozinha principalmente se o forno estiver quente
    • Deve haver espaço de giro para cadeira de rodas na cozinha (círculo de 1,50m livre)

    Dicas
    • Dê preferência aos gabinetes com rodízios para possibilitar o uso dos tampos por pessoas sentadas
    • Instale um detector de gás no lugar de uma tomada
    • Troque suas torneiras por modelos de alavanca e as instale preferencialmente na lateral da cuba
    • Utilize luvas térmicas e suportes para manuseio de pratos quentes evitando queimaduras
    • Deixe objetos de uso freqüente em locais de fácil acesso

    O que se deve evitar
    • Deixar facas e facões em lugares de fácil acesso
    • Colocar o microondas sobre a geladeira ou freezer (instale-o no tampo)
    • Instalar gabinete com rodízios – dê preferência para módulos com gavetões
    • Panelas em mal estado
    • Panelas com cabos para fora do fogão

    Lavanderia
    Os avanços tecnológicos dos últimos anos conseguiram facilitar a vida doméstica. Mas algumas atividades ainda dependem de algum esforço físico. Por exemplo, lavar e passar roupas. Veja como algumas alterações podem tornar a lavanderia bem mais prática e segura.

    • Instalar piso antiderrapante, mas de fácil limpeza
    • Paredes com cores opacas para não ofuscar
    • Tanque bem fixo na parede evitando que caia sobre crianças ou idosos ao se apoiarem na pia
    • Torneira do tanque instalada na própria peça, ao invés de na parede, e do tipo alavanca, para ser facilmente alcançada por todos
    • Máquina de lavar roupa com abertura frontal instalada em cima de base para elevá-la o que permite o uso sem muito esforço
    • Varal com manivela diminui em até dez vezes o esforço para movimentá-lo
    • Tábua de passar fixa é mais segura
    • Espaço vazio sob a bancada e tábua de passar roupa facilitando passar e dobrar as roupas sentado
    • Cesto para roupas com rodas e embutido no armário de forma a não atrapalhar a circulação e facilitar a retirada
    • Armários fechados com chaves, pois produtos e objetos podem ser perigosos para crianças pequenas (quando os adultos se ausentam podem ser fechados)
    • Especial atenção com a correta exaustão do aquecedor de água a gás para evitar envenenamento ou acidentes
    • Não deixe roupas de molho em balde com produtos de limpeza, pois pode intoxicar crianças se ela ingerir a solução – além disso, crianças pequenas podem cair de cabeça dentro de baldes grandes e se afogar
    Fonte: Serviço Social da Indústria – SESI-SP

  • Banheiro inclusivo e Universal Design: segurança e comodidade

    Por Arq. Iberê M. Campos

    O banheiros está entre os locais mais importantes e caros de uma construção, sem falar que é uma das áreas onde mais se encontra projeto e tecnologia em cada detalhe. O conceito de banheiro inclusivo procura dar um novo enfoque no projeto destes ambientes, visando à segurança e independência dos usuários.

    Segurança e independência são dois importantes objetivos para projetos de banheiros. A Arquiteta Sandra Perito, doutoura na aplicação do Desenho Universal pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo e autora do protótipo Universal Home (http://www.universalhome.com.br), considera todo o banheiro como área molhada, e não apenas o box, tornando assim o espaço mais seguro e funcional, no que se convencionou chamar de “Banheiro inclusivo”.

    A especialista propõe cinco elementos críticos incorporados em projetos de banheiro:
    • Espaço vazio embaixo da pia
    • Previsão para instalação de barras de apoio
    • Piso antiderrapante
    • Box acessível e seguro
    • Metais de uso facilitado.

    Algumas das características sugeridas, segundo os conceitos do Design Universal:
    • Usar torneiras e registros de pressão de alavanca, de um quarto de volta ou monocomando pois exigem pequeno esforço para manuseio
    • Colocar os registros na entrada do banheiro, para permitir regular a temperatura da água do chuveiro de fora do box, para evitando escaldamento
    • Abrir as portas do box com abertura para fora, com 80 cm de vão. A idéia é possibilitam a entrada com cadeira higiênica e também facilitar o socorro em caso de emergência
    • Desnível de 2 cm em rampa entre o piso do banheiro e do box. Isto evita que o box transborde ao mesmo tempo em que não cria barreiras
    • Diferenciação de textura e cor entre o piso do banheiro e do box para facilitar a identificação por pessoas com baixa acuidade visual
    • Cubas de sobrepor evitam que cedam, no caso de alguém se apoiar nelas
    • Prever arras de apoio fixas no box, ao lado da bacia sanitária, para facilitar que pessoas com baixa mobilidade nas pernas consigam se mover sozinhas
    • Espelhos baixos, grandes ou com inclinação facilitam a visualização por crianças ou pessoas sentadas
    • Previsão para instalação de telefone, interfone ou botão de pânico.

    Evitar acidentes é dever de todos

    Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que haja de 150 a 200 ferimentos graves para cada acidente fatal, e o acidente doméstico é classificado como um dos fatores externos de mortalidade não-natural. Apesar dos idosos sofrerem menos acidentes que as crianças, geralmente os acidentes com a população com mais de 60 anos são fatais devido à maior fragilidade do indivíduo, e a situação é agravada pois as pessoas na terceira idade costumam considerar seguros os ambientes de seus lares.

    As causas mais freqüentes de acidentes domésticos são quedas da própria altura, quedas acima da altura própria, queimaduras, escaldamento no momento do banho e envenenamento por gás. Porém, quando se trata de idosos, essas causas geralmente estão relacionadas às condições físicas, mentais e funcionais do indivíduo.

    Quedas são a principais causas de acidentes domésticos com os idosos. Há vários motivos, que podem se somar e que podem ser divididos em fatores de risco internos, ou seja, inerentes à saúde e condições físicas e mentais da pessoa e aqueles de risco externo, que são aqueles causados por problemas no ambiente ou nos hábitos do indivíduo. A associação dessas duas categorias de risco costuma ser fatal.

    Segundo a Arquiteta Sandra Perito, projetos residenciais adaptáveis que considerem as mudanças fisiológicas, físicas, sensoriais e psíquicas do homem — baseados nos princípios do DesenhoUniversal — produzem boas soluções ambientais, capazes de aumentar a autonomia do usuário, além de permitir que as adaptações aconteçam naturalmente, com facilidade e custo reduzido.

    Parece ser algo óbvio, mas é comum que Arquitetos e Engenheiros na flor da idade desconsiderem totalmente o fato das pessoas envelhecerem ou sofrerem acidentes que os impossibilite de se locomover com segurança e rapidez… Este enfoque errôneo resulta em projetos com escadas e desníveis em abundância, sem a menor preocupação com acessibilidade, como se aqueles ambientes estivessem destinados a serem usados única e permanentemente por jovens sadios e perfeitos.

    Fonte: http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=15&Cod=77

  • As cores e seus significados

    Por Arq. Iberê M. Campos

    Uma simples mudança de cor pode alterar totalmente um ambiente, um humor, uma ação e, consequentemente, a vida das pessoas que frequentam aquele local. Segundo a Arquiteta Bianca Tognollo, especialista em cores e colaboradora do Fórum da Construção, as tonalidades deve ter seu uso estudado não só na arquitetura e decoração mas também no mundo da moda, design e nas artes.

    Bem, isto as mulheres já sabem há milênios e os publicitários e desginers gráficos usam e abusam das cores nas propagandas e embalagens para incentivar o consumidor a consumir os produtos. Em termos de arquitetura, quando se passeia por um ambiente, percebemos as cores presentes em uma parede, num copo de vinho, nos cabelos das pessoas, no vestido das mulheres e em todos os lugares, dando um formal, repousante ou estimulante ao local e às pessoas que lá estão. É possível observar que a paleta de cores usadas na arquitetura sofre alterações influenciadas pelos interesses da sociedade. Observa-se que as mudanças nas cores, com o passar do tempo, podem ser intuitivas ou evolutivas. Algumas mudam radicalmente em resposta a modernidade, enquanto outras permanecem constantes por um tempo considerável.

    Cores, significados e usos

    Para cada finalidade, uma cor. Além do sentido figurado e oculto das cores, existem referências científicas ao que cada uma causa nas reações humanas. Este tema é muito extenso e daria origem a grandes coleções de livros. Como aperitivo, decifre um pouco do significado das cores e as reações que elas podem despertar nas pessoas, quando usadas nos ambientes.

    Vermelho Representa vida, atividade, energia. Cor mágica em muitas culturas, representa o sangue, a essência da vida. No Japão, crianças com catapora são mantidas em um quarto totalmente vermelho, vestidas com roupas vermelhas para apressar o processo de cura. É também um sinal de ódio e de energia que deu errado e resultou em crueldade, tendo por isto se tornado o símbolo de Satã. Por ser uma cor quente ela não é tão apreciada pela a maioria das pessoas. Pode ser usada em salas de estar, em detalhes ou para valorizar uma parede.

    Laranja As laranjeiras fornecem flores generosas. Tanto nas culturas ocidentais como orientais, suas flores são usadas pelas noivas como um símbolo de fertilidade. Em aromaterapia, o perfume da laranja é usado como calmante. Em arquitetura, o tom desperta o apetite e a ajuda a amenizar a dificuldade de comunicação. Traz aconchego, as pessoas que entram num ambiente com tons alaranjados tendem a se sentir acolhidas.

    Amarelo Os corpos dos aborígines australianos são pintados com ocre amarelo nas cerimônias funerárias. Na Idade Média tanto Judas como o Diabo eram representados vestidos de amarelo. A amarelo-ouro é o símbolo do Sol, significando o poder e a bondade de Deus, a auréola dos santos é dourada para mostrar a luz da vida eterna. Nos ambientes, o amarelo proporciona concentração, atenção. É excelente para ambientes onde serão desenvolvidas atividades intelectuais, como salas de estudo e escritórios.

    Verde Devido ao seu uso nas cerimônias pagãs, o verde foi banido pelos primeiros cristãos. A cor é muito usada nos hospitais com base na crença de que esta cor ajuda o processo de recuperação da saúde. Para os muçulmanos, o verde é sagrado e simboliza a imortalidade. Aplicada nos ambientes, enseja tranqüilidade, mas de forma ativa. Também provoca sensação de frescor e limpeza. Pode ser explorado em salas, cozinhas e banheiros.

    Azul O Deus dos Judeus ordenou aos israelitas que usassem um barrado azul em suas roupas No norte da Europa, por volta de 1600, um pano azul era usado no pescoço para evitar doenças. Culturas asiáticas acreditam que vestir ou carregar algo azul afasta o mau olhado. Diferente do verde, nos ambientes a cor azul provoca uma tranqüilidade passiva, É um tom altamente calmante.. Leva a uma introspecção profunda sendo ideal para ambientes onde as pessoas pretendem relaxar como quartos, salas de relaxamento e clínicas.

    Violeta Tom especialmente sagrado para as culturas romanas e egípcias nas figuras de Júpiter e Osíris. Associa-se às dimensões sagradas, justiça, diligência, nobreza de espírito, pensamento religioso, idade avançada e inspiração. Na China o violeta simboliza a morte e é a cor das viúvas. Suas várias matizes representam sofisticação e denotam espiritualidade. É uma cor preciosa, luxuosa e que pode ser usada, sem restrições, tanto em quartos como em salas.

    Preto Na Grécia antiga o preto simbolizava a vida porque o dia nascia da escuridão. Já para os antigos egípcios a negra lama do Nilo representava um renascer e os gatos pretos eram considerados duplamente sagrados. Este tom, que representa a ausência de cor ou de luz, demonstra poder e elegância mas deve ser usado numa elaboração bem feita.

    Marrom (castanho) Nas culturas orientais acredita-se que o marrom incorpore toda a força natural do elemento terra. Na Idade Média era a cor designada aos camponeses, e portanto é associada à humildade. Nos ambientes, dá a impressão de algo sólido, seguro e calmo. Também pode ser associada a idéias de natureza, rusticidade, estabilidade, estagnação, peso e aspereza.

    Branco Pitágoras, o filósofo grego, acreditava que a cor branca continha, além de todas as outras cores, todos os sons. As tradições nipônicas consideram o branco a cor do luto. Para denotar inocência virginal, lírios brancos apareciam nas pinturas da Anunciação. Na Arquitetura e Decoração, o branco pode ser usado como cor neutra mas também para dar uma idéia de pureza, inocência, reverência, paz, simplicidade e esterilidade.

    Cinza Essa cor foi utilizada pelos povos primitivos para marcar as paredes das cavernas e reclamar seus domínios. É uma cor sombria, e foi utilizada pelas pessoas comuns durante o tempo de Carlos Magno, no século VIII.. Modernamente, o cinza é uma cor neutra mas que também pode ser usada para significar elegância, humildade, respeito, reverência e sutileza.

    Para quem deseja se aprofundar no estudo das cores, há uma boa resenha na WikiPedia.

    Fonte: http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=4&Cod=54

  • Fête des Lumières 2006 – Lyon

    Um dos melhores eventos de Lighting Design da atualidade.

    Os melhores LDs do mundo reunidos em Lyon pintando e brincando com a paisagem urbana com a luz e os infinitos efeitos que conseguimos tirar dela. O evento ocorre anualmente em Dezembro sempre próximo ao dia 13.

    ( por Warrener Art et Technique – Illumination de l’Hotel de Ville : La traversée contemplative.)

    A técnica de iluminação utilizada para este projeto foi a do chromolite, infelizmente pouco conhecida e utilizada aqui no Brasil.

     

    (por Hélène Mugot e Eric Desnoues – Capela da Trinitè: Mundus Mundus, L’harmonie des Sphère)

    Sem sombra de dúvida a mais bela instalação desta edição. Com elementos simples e já bastante conhecidos pelos profissionais de LD, a plastica alcançada por esta instalação foi algo inexplicável.

    Outras imagens do evento.