É Proibido!

– Derrubar paredes

– Alterar esquadrias

– Trabalhar na área externa pois seu curso é Design de INTERIORES

Balela!!!

Respondi ha pouco um comentário de uma leitora do blog que me fez pensar novamente sobre este assunto: derrubar paredes – ato possível ou impossível para um Designer de Interiores/Ambientes.

Para muitos – não formados na área – isso é impossível. Claro, desconhecem completamente a estrutura e conteúdos dos cursos para afirmar tal coisa.

Para mim sinceramente não vejo grandes problemas nisso desde que a estrutura seja previamente analisada e estudada.

Derrubar uma parede visando a melhoria de um ambiente quando isso é possível (ex: a construção não é alvenaria estrutural) sem o acompanhamento de um engenheiro ou arquiteto é sim possível para os Designers de Interiores/Ambientes. Assim como também não vejo problema algum em realizar a troca de uma (ou umas) esquadria que esteja danificada ou desgastada.

Isso tudo para mim, assim como a questão do tal “direito autoral” me cheiram sim, apenas, à uma mera reserva de mercado mascarada como outra coisa.

Entendam bem: não estou defendendo que os profissionais de Design de Interiores/Ambientes saiam por aí mandando os pedreiros sentarem a marreta em paredes livremente, mas sim uma liberdade maior de atuação profissional. Tanto que caso isso ocorra, deverá constar do contrato celebrado entre o profissional e o cliente a responsabilidade técnica sobre todo o projeto.

Sempre que este assunto vem à tona me lembro dos puxadinhos e alterações que são feitas nas casas das vilas da periferia onde NENHUMA fiscalização acontece e os projetos são feitos por quem? Pelos profissionalíssimos pedreiros sem a cobertura de qualquer profissional seja ele um designer, um engenheiro ou um arquiteto.

Temos também alterações em imóveis comerciais que são feitas livremente sem que qualquer fiscalização seja realizada. Há algum “acerto” por trás disso tudo??

A questão que percebo é: projeto de vila não dá grana ($$$$$$$) então não é interessante para os conselhos e órgãos fiscalizadores. Já as casas e apartamentos em bairros mais nobres, claro, estas são sim digna$ de um olhar mais atento.

Basta ter uma placa de um profissional de Interiores na frente daobra que lá vem aporrinhação. Mesmo tendo consciência de por não nos aceitar dentro dos conselhos eles não tem absolutamente qualquer poder sobre a nossa atuação profissional, insistem em nos atrapalhar.

Isso tudo tem a ver com ReDesign e esta ferramenta já foi absorvida nos mercados do exterior onde vemos constantemente edificações sendo alteradas por designers para atender as novas demandas e necessidades dos usuários.

Temos visto contantemente projetos onde foram feitas alterações drásticas em construções que originalmente era uma coisa e depois passou a ser utilizada para outra, como as igrejas que foram transformadas em residências abaixo:

Estou tentando a algum tempo finalizar um post sobre ReDesign onde foco melhor isso tudo. O duro é tempo!

Mas em breve estará aqui pelas páginas do blog ok?

TCCs – um olhar ampliado

Tenho recebido com certa frequência comentários e e-maisl de acadêmicos me solicitando ajuda para seus TCCs. De dicas à indicação de bibliografia e materiais diversos, vem de tudo um pouco que, sempre que possivel ou de meu conhecimento, tenho o maior prazer em compartilhar.

No entanto, tenho percebido uma crescente demanda por assuntos relacionados a áreas que  estão me surpreendendo.

De casas populares, embarcações, aeronaves, automóveis, áreas externas, redesign e adaptações de veículos para outra finalidade entre tantas outras visões sobre as possibilidades de atuação profissional que sempre defendi aqui neste blog.

Isso me deixa imensamente feliz por perceber que não só os acadêmicos, mas também as coordenações de alguns cursos estão conseguindo livrar-se do lodo que impunha a atuação do Designer de Interiores apenas entre 4 paredes.

Estão conseguindo ver o profissional de Design de Interiores de forma mais ampliada e correta, não restringindo as suas competências, habilidades e conhecimentos a estas 4 paredes ao perceber que este profissional pode contribuir e muito com o mundo que o cerca, formando então, Designers de Ambientes!!!

Vejo que também estão se livrando dos majestosos projetos de revistas, de apartamentos e residências de 500m² de clientes ricos e utópicos, trazendo os profissionais para a realidade e ao mesmo tempo fazendo-os trabalhar e desenvolver o lado social que DEVE estar presente na vida de qualquer profissional.

O meu mais sincero respeito, agradecimento e parabéns às coordenações destes cursos que conseguiram avançar e ampliar a visão.


Portanto, lanço aqui neste blog a oportunidade para acadêmicos, profissionais e IES mostrar o que estão produzindo nesse sentido.

Se você tem algum projeto assim ou conhece alguém que está desenvolvendo ou já desenvolveu, entre em contato comigo (ld.paulooliveira@gmail.com) e vamos mostrar o que podemos fazer de bom e melhor.Seu trabalho pode ser publicado aqui neste blog!!!

Vamos mostrar do que somos capazes e o que o Design de Interiores/Ambientes tem à contribuir com a sociedade e o mercado.

 

Yes! Nós temos CBO!!!

Uma brincadeira com a música “Yes! Nós temos bananas!”.

Encontrei a nova classificação do CBO (Cadastro Brasileiro de Ocupações) da área de Design de Interiores/Ambientes.

Dentre tudo o que venho defendendo sobre a nossa área, a nossa atuação profissional, muitas agora já constam lá. Copiei alguns trechos para voces:

2629 :: Designer de interiores de nível superior

Participantes da Descrição

Especialistas
Adriana Siqueira Dos Santos Oliveira
Ana Lúcia Rodarte
Carolina Szabó
Daniela Buscaroli
Jéthero Cardoso De Miranda
Marize Malta
Sérgio De Oliveira
Thaís Luz De Oliveira

Instituições
Amide – Assoc. Mineira De Decoradores De Nível Sup
Buscaroli Arq-design E Interiores S/c Ltda.
Carolina Szabó Interiores
Faculdade De Belas Artes De São Paulo
Faculdades Integradas Teresa Dávila
Sérgio De Oliveira Prof. Arquitetura De Decoração Ltda.
Thais Luz – Designe De Interiores
Universidade Federal Do Rio De Janeiro (Ufrj)

Instituição Conveniada Responsável
Fundação de Desenvolvimento da Unicamp – Funcamp

Áreas de Atividade:

A   – ANALISAR PROPOSTA DE TRABALHO
A.1  – Realizar entrevistas com cliente para identificar intenções
A.2  – Identificar os procedimentos e atividades a serem executadas
A.3  – Avaliar limites orçamentários
A.4  – Avaliar prazos
A.5  – Avaliar possibilidades e limites técnicos do espaço a ser trabalhado
A.6  – Elaborar proposta de trabalho
A.7  – Elaborar proposta de honorários
A.8  – Estabelecer cláusulas do contrato de trabalho
B  – CONCEITUAR O PROJETO
B.1  – Realizar entrevistas com o cliente para definir necessidades funcionais e técnicas
B.2  – Realizar levantamento e análise do espaço
B.3  – Pesquisar o tema e o perfil do usuário
B.4  – Pesquisar contexto social e histórico da obra
B.5  – Pesquisar as necessidades específicas das diferentes áreas do espaço a ser planejado
B.6  – Levantar normas e legislação
B.7  – Analisar os dados levantados
B.8  – Diagnosticar problemas
B.9  – Definir programas de necessidades
B.10  – Definir conceito e partido do projeto
B.11  – Planejar espaços
B.12  – Elaborar fluxograma
B.13  – Elaborar organograma
C  – ELABORAR ESTUDO PRELIMINAR
C.1  – Definir ocupações do espaço
C.2  – Elaborar a solução criativa para o espaço
C.3  – Sugerir eventuais modificações ao projeto arquitetônico
C.4  – Definir soluções de conforto ambiental
C.5  – Aplicar conceito ergonômico
C.6  – Pesquisar materiais
C.7  – Representar espaço criado graficamente
C.8  – Apresentar estudo preliminar ao cliente
D  – ELABORAR ANTEPROJETO
D.1  – Adequar as alterações do projeto ao espaço
D.2  – Definir formas, texturas e cores
D.3  – Definir materiais e equipamentos
D.4  – Representar graficamente o espaço redimensionado
D.5  – Elaborar planilha e especificação de materiais e equipamentos
D.6  – Interagir com projetos complementares
D.7  – Apresentar o anteprojeto ao cliente
E  – ELABORAR PROJETO EXECUTIVO
E.1  – Representar graficamente o projeto para execução
E.2  – Projetar a locação de pontos luminitécnicos
E.3  – Locar pontos de lógica
E.4  – Locar pontos de telefonia
E.5  – Locar pontos elétricos
E.6  – Locar pontos de ar condicionado
E.7  – Locar pontos hidráulicos
E.8  – Especificar os materiais e equipamentos a serem utilizados considerando normas de higiene
E.9  – Criar peças especiais
E.10  – Criar móveis considerando ergonomia
E.11  – Adaptar projetos às normas da abnt
E.12  – Estabelecer interfaces gerenciando projetos complementares
E.13  – Elaborar memorial descritivo
E.14  – Orçar projeto
F  – EXECUTAR O PROJETO
F.1  – Elaborar cronograma físico e financeiro
F.2  – Realizar cotação ou concorrência de produtos e serviços
F.3  – Selecionar fornecedores
F.4  – Estabelecer colaboração com outros profissionais (engenheiros, arquitetos, paisagistas)
F.5  – Contratar serviço de mão-de-obra especializada (pintor, eletricista etc)
F.6  – Coordenar as diferentes equipes de trabalho
F.7  – Gerenciar obra ou projeto
G  – ACOMPANHAR A EXECUÇÃO DA OBRA
G.1  – Supervisionar os processos construtivos
G.2  – Supervisionar cronograma
G.3  – Fazer ajustes ao projeto quando necessário
G.4  – Avaliar resultado do projeto junto ao cliente
G.5  – Orientar a execução específica de materiais e serviços
G.6  – Avaliar a pós ocupação do espaço
H  – PESQUISAR PRODUTOS, MATERIAIS E EQUIPAMENTOS
H.1  – Testar produtos, materiais e equipamentos
H.2  – Participar de grupos de especialistas para avaliar produtos e materiais
H.3  – Contribuir para o desenvolvimento de produtos, materiais e equipamentos
H.4  – Criar espaços ou ambientes utilizando novos produtos
H.5  – Participar do lançamento de novos produtos
H.6  – Adaptar materiais para criação de ambientes
H.7  – Criar soluções para portadores de necessidades especiais
H.8  – Pesquisar materiais que garantam a preservação ambiental
I  – PROMOVER O CONSUMO
I.1  – Criar ambiente favorável ao consumo
I.2  – Criar ambientes temáticos e estéticos
I.3  – Montar espaços que destaquem o produto
I.4  – Destacar atrativos sensoriais na distribuição dos objetos para estimular o consumo
I.5  – Proporcionar atrativos sensoriais no ambiente para promover bem-estar
Z  – DEMONSTRAR COMPETÊNCIAS PESSOAIS
Z.1  – Comunicar-se com diferentes públicos
Z.2  – Demonstrar poder de persuasão
Z.3  – Participar de exposição e mostras
Z.4  – Divulgar trabalhos na mídia
Z.5  – Demonstrar capacidade de aplicção de técnicas de representação gráfica
Z.6  – Demonstrar capacidade de captar os objetivos do cliente
Z.7  – Ser capaz de transmitir informações culturais para o cliente
Z.8  – Ser capaz de atender as necessidades do cliente
Z.9  – Ter formação de nível superior
Z.10  – Demonstar domínio técnico, tecnológico e científico
Z.11  – Exercer liderança
Z.12  – Estar capacitado para promover bem-estar, saúde e segurança
Z.13  – Prestar consultoria na sua área e áreas afins
Z.14  – Ser capaz de ministrar aulas
Z.15  – Ser capaz de realizar pesquisas
Z.16  – Manter-se atualizado à respeito da aplicação de materiais e equipamentos
Z.17  – Manter-se atualizado com as tendências de mercado
Z.18  – Demonstrar capacidade de técnicas de informática
Z.19  – Demonstrar ética profissional

É, como podemos ver agora sim a nossa profissão está começando a ser respeitada e ter a sua atuação delimitada coerentemente. Está completa? Não! Ainda faltam alguns pontos, mas isso já basta para dar um cala boca em muita gente.

Então é isso pessoal, mais uma vitória nossa, de nossa classe, de nossa profissão! Mais um passo rumo à regulamentação profissional.

Bons projetos daqui pra frente e, agora, respaldados por um órgão federal superior a qualquer associação ou conselho.

Como são complicadas certas coisas…

Os meu amigos leitores deste blog e também aqueles que já me conhecem, já devem ter percebido que uma das coisas que mais me irrita – seja profissionalmente, seja numa sala de aulas ou ainda na vida pessoal – são pessoas preguiçosas…

Tanto aqui neste blog quanto em vários outros que visito diariamente e também em fóruns das comunidades do Orkut, Ning, etc tenho percebido claramente a insistência dos preguiçosos.

O que acontece é os eguinte: as pessoas simplesmente NÃO LÊEM direito – se lêem alguma coisa além de seu foco – e postam comentários estapafúrdios. E depois ainda temos de aturar sermos chamados de arrogantes, estrelinhas, blábláblás sem fim.

“Deixei” passar um comentário no post Tira Dúvidas em Design de Interiores propositalmente. No texto deixo claro que o mesmo não se destina a “dar dicas de decoração” e sim sanar dúvidas sobre a profissão, a academia, etc. Mas não dar dicas sobre “o que ou como fazer pra minha sala ficar mais bonita”? E isso está lá em cima no texto, claro, cristalino e em NEGRITO! Mas mesmo assim recebo diariamente vários comentários nesse sentido.

Outro fato: “preciso saber desenhar para fazer este curso?” Alguém aí pode contar nos comentários quantas vezes eu já respondi isso? E mesmo assim tem uma média de 12-15 comentários questionando isso diariamente. Então o que vale é só o que está escrito nos posts? Será que a preguiça em ler os comentários na sequencia é tamanha que pulam direto pra caixa de postagem de comentários? E quando pedimos para lerem os comentários somos tirados por intolerantes, grossos, estúpidos…

Dias atrás numa comunidade aconteceu uma coisa no mínimo estranha. Um rapaz – ainda acadêmico -postou uma dúvida e eu e os outros designers mais experientes buscamos fazê-lo refletir sobre os erros cometidos por ele no processo para que ele não voltasse a incorrer neste erro para não prejudicar nem a futura vida profissional dele mesmo nem ao mercado de design que já anda podre por causa de ações do tipo da que ele adotou também junto àquele cliente específico. O fato foi que ele entendeu perfeitamente o movimento que fizemos na tentativa de ajudá-lo. Quando pensamos que o caso estava resolvido e que ele tinha conseguido finalmente entendido e mudado de atitude – ele até nos agradeceu e muito pelas coisas postadas – outros “ainda acadêmicos” entraram no tópico botando pose pois sentiram-se ofendidos… Ofendidos por agirem exatamente da mesma forma errada e irresponsável que o autor do tópico, porém preferem não mudar seus modos e formas de atuação profissional. Preferem já pensar – ainda que dentro de uma academia – como prostitutas do design. “Dinheiro na mão, calcinha no chão!”

Desculpem o termo mas é esta a verdade.

E nestes casos não adianta argumentar, não adianta mostrar e apontar os erros e as consequências dos mesmos.

Infelizmente é esse tipo de “profissional” que vem sendo formado pelas academias. Os professores não prestam atenção e os alunos não pedem ajuda antes de fazer as caquinhas. Saem já viciados e prostituídos em sua maioria.

Vindo diretamente para Interiores, tenho trocado e-mails com alguns Designers que já tem anos de carreira, são experientes e pessoas que respeito muito profissionalemente. Todos são taxativos num ponto:

– A formação que recebemos e continuam passando nas IES é uma ilusão!

Raros são os professores que passam a realidade do mercado. Preferem continuar com suas aulinhas medívcres fazendo seus alunos sonharem com “o cliente” que vai tirar seus pés da lama, encher seus bolsos de grana, projetar seus nomes pra dentro das revistas e mpidias e blablablablas infinitos.

Heeeellooooooooooo people!!!! Acordem Cinderelas alienadas e alucinadas!

Existem sim estes clientes com suas mega-mansões e que só de RT o designer consegue tranquilamente comprar o carro importado do momento, comprar o apartamento ou casa que tanto quer. Mas isso raramente vai aparecer! SE aparecer!

Me poupem os sonhadores e alucinados de plantão!

Seria tão bom se os professores mostrassem a realidade do mercado…

Me lembro que em minha formação TODOS os projetos eram enormes, salas enormes, quartos gigantes, cozinhas big! Porém a realidade me mostrou – e a todos os outros designers que tenho contato – que as coisas não são bem assim.

Sim já tive clientes excelentes e exatamente como aqueles estudados e criados em sala de aulas mas posso afirmar que a maioria são clientes normais, gente normal onde o excesso de m² da construção não é o ponto principal e sim a qualidade de vida, a qualidade projetual.

Vivemos hoje num mercado onde os espaços estão cada vez menores. Vivemos hoje num mercado onde os clientes são pessoas normais, da classe média e até aqueles abaixo disso. Os magnatas não pegam profissionais comuns e sim pagam por grifes – por mais que não passe apenas de uma falsa grife.

Mas os professores continuam alimentando essa falsa impressão de que tudo na vida profissional de um Designer de Interiores/Ambientes é um lindo mar de rosas, com um cé azul e um lindíssimo sol a brilhar… Não preparam os alunos para o mercado verdadeiro. Não mostram a realidade do mercado. Não  mostram a concorrência. Não mostram a falta de regulamentação e sua importância. Não trabalham questões como parcerias profissionais, ética profissional, entre outras… Infelizmente.

Pelo contrário, muitos professores tratam os alunos como “potenciais concorrentes futuros”. Continuam a formar “decoratores e decoratrizes” alienados, alucinados, sonhadores e totalmente fora da realidade.

Por outro lado, continuamos a ver alunos entrando nos cursos de Design de Interiores penando não se tratar de nada além de mera “decoração”. Continuamos a ver alunos – e infelismente profissionais já formados – realizando projetos em cima de mobiliários já prontos e deixando o verdadeiro DESIGN de lado.

Pra se montar um espaço pegando uma cadeira na loja A, uma mesa na loja B, um tapete na loja C, umas almofadinhas na loja D, É FÁCIL, QUALQUER UM FAZ, NÃO PRECISA DE CURSO PARA ISSO.

Isso contribui e muito para desvalorização de nossa profissão, contribui para a prostituição do mercado, contribui para que cada vez mais sejamos vistos como profissionais desqualificados e incompetentes pois não fazemos nada além de ajeitar alguns objetos dentro de um espaço de forma jeitosinha, bonitinha e arrumadinha.

Se você é desses, por favor, não diga nunca que você é um Designer, apresente-se apenas como mais um decorador em meio à multidão. Assim você não suja o nome de nossa profissão. Design é muito mais que apenas isso que vocês pensam que é. Design é muito mais do que se vê nas revistas de DECORAÇÃO!

Pode parecer meio confuso o texto acima mas ele abre portas para diversos debates, diversos assuntos à serem tratados. Mas nem de longe representa qualquer frustração de minha parte para com a minha vida profissional que, graças a Deus, vai muuuuuuito bem, obrigada! É apenas um ponto de vista de quem ha muito tempo vem exaustivamente e diariamente tendo de arrumar as concepções errôneas sobre a área de Design de Interiores/Ambientes que o mercado tem por causa de atitudes irresponsáveis de outros “profissionais” junto a clientes, mídia, academias, etc.

Seja consciente academicamente e profissionalmente faloando, não seja preguiçoso! Não seja mais um prostituto!

Formação plena x parcerias profissionais

Em uma de minhas palestras – Design de Ambientes – áreas de atuação profissional – logo de início chamo a atenção dos ouvintes para um fator essencial nos dias de hoje: as parcerias profissionais.

Antes de entrar neste assunto – e ainda dentro do embróglio do assunto – tenho de destacar a forma como entro neste assunto na palestra.

É mais que comum vermos profissionais auto-suficientes, todo-poderosos, detentores mor de todo o conhecimento. BALELA!

O profissional que se coloca desta forma é no máximo medíocre pois sabe um tiquinho de nada de tudo. BÁSICO.

Nossas formações acadêmicas nos mostram caminhos que podemos seguir. Isso nem de longe quer dizer que podemos fazer tudo ou que estamos realmente aptos a fazer tudo. Seja em engenharia, arquitetura, design, advocacia, medicina…Dois excelentes exemplos por sinal estas duas ultimas áreas citadas.

Não vemos um médico que faça de tudo em todas as áreas da medicina assim como não vemos um advogado que atue em todos os campos do direito. Porque em nossa área (engenharia, arquitetura e design) tem de ser diferente? EGOS!!!

Muitos vão dizer que se eu me especializei em determinada área em detrimento das outras vou ficar refém de outros profissionais, ou ainda que vou atuar na sombra destes e mais um monte de afirmações descabidas e inconsequentes.

Ao especializar-me em uma determinada área estarei ajustando o foco e direcionando os meus trabalhos para aquilo que realmente gosto e tenho interesse. Aquilo que realmente me dará prazer pessoal e profissional. Confesso aqui que não gosto nem um pouco de trabalhar com a parte hidráulica. Por isso mesmo, sempre entrego estas partes a algum engenheiro parceiro que trabalhe exclusivamente com hidráulica. Prefiro que ele faça isso de forma correta e perfeita a eu ter de queimar a cabeça re-estudando e relendo sobre isso o que me gastaria tempo precioso.

A área de design de ambientes hoje nos proporciona um grande mercado com muitas áreas para atuação profissional. Porém, assim como na medicina, faz-se necessário que o profissional seja mais que apenas qualificado e sim altamente especializado em determinado assunto.

É o caso da iluminação x lighting design. Engana-se muito quem pensa tratar-se da mesma coisa – vá pesquisar direito! Assim como também engana-se quem continua a acreditar que arquitetura de interiores é o relativo à design de interiores na área de arquitetura. Desinformação pura!

Quando escolhi especializar-me em lighting design, não foi uma coisa motivada por modismos – até mesmo porque nem se falava em lighting aqui no Brasil ainda. Foi uma escolha motivada por gosto mesmo. A luz sempre me fascinou, me hipnotizou, me seduziu, me incomodou. Daí, partir para esta área foi um estalo pois já entrei na faculdade com este foco bem específico.

Eu já vinha analisando ha muito tempo como o mercado externo funcionava e o que estava sendo alterado. E é exatamente no ponto das parcerias que estavam as maiores alterações. Mas como parcerizar se os profissionais se acham “deuses”?

Aí é que está o X da questão! Os ego-centrados preferem fazer tudo sozinhos a ter de compartilhar os créditos do projeto com outros profissionais. No entanto esta maneira de ser pode reverter-se contra ele mesmo pois seus projetos acabarão caindo numa mesmice, erros básicos – como os de lighting expostos no post anterior, muitas cópias, releituras e etc.

Quando você toma consciência de que na verdade não sabe quase nada de tudo, o seu lado profissional tende a sofrer uma grande mudança: para melhor!

Quando você toma consciência de que chamar algum amigo para auxilia-lo num projeto nem de longe quer dizer que você não entende do assunto mas sim que você realmente está preocupado com a qualidade final do projeto e a satisfação dos seus clientes, a sua vida profissional e pessoal vai mudar também: para melhor!

Isso nem de longe quer dizer que você ficará refém ou estará atuando na sombra deste ou daquele profissional, mas sim que você é um profissional consciente, racional, que prima pela qualidade e que vê isso como PARCERIAS PROFISSIONAIS.

Profissionais parceiros tendem a agrupar-se e acabam por “trocar favores” entre si. Tenho um engenheiro parceiro que sempre me chama para fazer os projetos de iluminação e lighting dos projetos dele. Todos os projetos são realizados por mim.

Outros parceiros arquitetos – que não gostam de interiores e sim de obras – fazem a mesma coisa.

Como retribuo? Sempre que aparece algum projeto que necessite de alguma alteração que não posso assinar, chamo-os para resolver. Entrego os esboços com os conceitos, idéias, brieffing e trabalhamos em conjunto. Simples assim.

Esta troca “de favores” só traz melhorias para todos: você, parceiros, fornecedores e clientes.

Coloquei fornecedores pois novamente confesso: não sou nenhuma assumidade em hidráulica. Prefiro fazer uma parceria com algum designer, engenheiro ou arquiteto que entenda realmente destes assuntos a cometer erros que depois darão dor de cabeça a mim, ao cliente, ao lojista, ao empreiteiro e à indústria.

Mas percebo que ainda aqui pelo Brasil isso é muito complicado de acontecer. Cada um prefere ficar enclausurado em seu egocentrismo, errando repetidas vezes mas sempre sem abaixar o topete.

Trabalho atualmente com vários parceiros de São Paulo, Campinas, Curitiba, Maringá e outras cidades mais. às vezes na forma de parceria, outras em consultorias. Mas percebo que ainda existem “vilas” onde os profissionais não amadureceram profissionalmente – alguns já com mais de 20 anos de estrada.

Portanto nobre leitor, “caia na real” e abra seus olhos e procure perceber o que realmente você gosta de fazer dentro de um projeto. Aquelas áreas onde você tem mais dificuldades ou que não gosta mesmo de mexer, coloque nas mãos de alguém que realmente entenda do assunto. Todos voces só tem a ganhar com isso!

Bom trabalho, parceiros!