Categoria: Regulamentação

  • Trabalho final da pós

    Escrever-Rápido1

    É pessoal, finalmente terminei meu artigo da pós em Iluminação do IPOG. Já foi devidamente entregue, corrigido e liberado para publicação.

    Bem diferente dos trabalhos que tenho visto sendo publicados onde o foco são os projetos, parti em outra direção: uma análise do mercado profissional brasileiro, associações e ações ilícitas destas últimas, especialmente a AsBAI.

    O trabalho consiste na construção de uma cartilha informativa sobre o Lighting Design. Esta já é uma idéia antiga que eu vinha amadurecendo em conversas com o Valmir Perez e outros profissionais da área.

    Segue então os arquivos em PDF:

    – Artigo: Cartilha informativa sobre Lighting Design

    artigo_apresentação_cartilha

    – Modelo inicial da Cartilha

    cartilhaLDfinal

    É sempre bom lembrar que eu não sou designer gráfico, portanto a apresentação da cartilha é apenas uma ideia.

    Espero que gostem (a AsBAI sei que não vai gostar nem um pouco ah ah ah) e que dele surjam novos movimentos profissionais e acadêmicos.

  • Estágio, DA e portfólio

    É bastante comum receber comentários e e-mails indagando sobre uma situação bastante corriqueira para quem está começando.

    “Como sabemos, a maioria dos escritórios não divulgam o nome de todos que participam da equipe que realizou determinado projeto, ou seja, os créditos pelo projeto ficam somente em nome do arquiteto que é o dono do escritório. Isso torna a divulgação do profissional de interiores ainda mais complicada.

    Enfim, a dúvida que fica é:

    Pode um designer utilizar trabalhos realizados no escritório que atua como contratado em seu portfólio particular? Qual é a melhor forma de fazê-lo?”

    O trecho acima é de um deles que recebi a pouco tempo aqui em meu blog.

    Ilustração: Rafael Corrêa
    Ilustração: Rafael Corrêa

     

    Sim, é fato que a maioria dos escritórios não divulgam os nomes de todos os envolvidos nos projetos, especialmente dos estagiários. Geralmente vemos, quando muito, os nomes dos profissionais parceiros ou empregados dos escritórios “oficiais” que, via de regra, levam os nomes de seus titulares. Assim, estes profissionais acabam levando sozinhos os louros pelos trabalhos desenvolvidos por outros profissionais/acadêmicos. Também os lucros.

    Não estou generalizando  ok? Apenas constatando uma atitude muito desonesta e comum em vários escritórios.

    Conheço alguns escritórios que os titulares entregam nas mãos da equipe alguns rabiscos acompanhados de alguns garranchos acrescidos da seguinte frase: “é isso que eu quero”. Não difícil é perceber que tratam-se de meras garatujas tais rabiscos e tampouco que o tal profissional não tem a menor idéia do que exatamente ele terá de fazer. Aliás, a equipe que se dane em resolver já que são pagos (na maioria das vezes bem mal pagos).

    Do projeto arquitetônico ao projeto de mobiliário (quando há) raros são os titulares que realmente sentam em suas pranchetas ou PCs para resolve-los. Traçam as linhas gerais e depois ficam apenas coordenando os trabalhos. Nesse momento entram as criações “dos outros”, ou seja, aquelas soluções criadas pelos funcionários que são prontamente aceitas e assumidas como “suas”.

    Percebemos isso até em mostras e revistas ditas especializadas em Decoração.

    Aí vem a questão: você trabalhou por anos ali dentro do escritório do outro ou se formou e finalizou seu estágio e quer lançar carreira solo. Para tal, necessita de um portfolio. Afinal, você podem ou não utilizar as imagens dos projetos em seu portfolios?

    No meu ponto de vista não só pode como deve utiliza-las, afinal nelas estão as marcas de sua experiência profissional, você participou ativamente da criação daqueles projetos. Assim, você é co-autor destes projetos.

    No entanto, deve-se ponderar algumas coisas antes de fazê-lo:

    – observe se no seu contrato de trabalho ou estágio existe alguma cláusula de impedimento disso. Existem escritórios que exigem a renúncia dos direitos autorais em favor do titular.

    – sempre que utilizar este tipo de imagem seja honesto e coloque os créditos corretamente citando, ao menos, o nome do escritório titular ou destrinche os nomes de todos os envolvidos no estilo “quem fez o que?”.

    No primeiro caso, havendo este empecilho tente contato com o escritório para negociar uma autorização do uso de imagens explicando o fato da necessidade do portfolio. Caso não haja acordo, entre na justiça afinal trata-se de um abuso cometido livremente por muitos escritórios (e empresas) contra o trabalhador. Além disso, há também o fator de “apoderação de criação alheia” ou, no bom e velho português, roubo de idéias ou de propriedade intelectual mesmo.

    Não tenha medo e tampouco sinta-se menor que o outro quando for conversar. Fale sempre de igual para igual.

    Outro caminho é tentar uma denúncia via CAU ou CREA uma denúncia. Não sei se estes órgãos apoiam esse tipo de atitude, se seus estatutos, regimentos e códigos de ética permitem tais abusos por parte de seus filiados. Duvido que permitam isso livremente.

    Espero ter ajudado aos que ainda tem dúvidas sobre isso.

  • Retrospectiva 2012

    Bom pessoal, sei que escrevi muito pouco neste ano, mas vale ressaltar aqui o que de melhor rolou por estas páginas:

    2012a

    Janeiro:

    E EU QUE PENSAVA….

    Vale relembrar também o PDF com a excelente entrevista do Francesco Iannone, publicada em 2007 na revista Lume Arquitetura.

    Fevereiro:

    Aproveitando-se da histeria coletiva

    Negativista?

    Março: neste mês este humilde blog virou 1 milhão de acessos!!! ;-)

    COMO PRECIFICAR PROJETO, CONSULTORIA E ACOMPANHAMENTO DE OBRAS?

    As matérias sobre materiais madeirados e lenhosos I e II.

    Abril:

    é… estamos ferrados???

    Mais do mesmo de sempre

    Maio:

    =\

    Iluminação comercial x iluminação técnica

    Junho:

    AsBAI e reserva ilegal de mercado

    Julho:

    A “bendita” e mal intencionada reserva de mercado

    Antes do designer, vem o Design.

    E, claro, a cobertura de minha participação no NJeitos que vocês podem ler aqui, aqui e aqui.

    Agosto:

    sumido e consumido…. Expoflora 2012

    Setembro:

    Iluminação cênica x arquitetural

    Tendências em projetos de Ambientes e Decoração.

    Uma questão de bom senso…

    Outubro:

    ABD e a tentativa de golpe na Regulamentação

    PROPINA

    Sites de decoração online

    Novembro:

    The Gangs

    Já deu, agora basta ABD.

    Defesa da área como DESIGN

    Dezembro:

    Sejamos honestos?

    Desassociação!

    Vale ressaltar também – e agradecer – as minhas participações em eventos acadêmicos e profissionais:

    NJeitos

    Eita!

    Semana Acadêmica de Design da UFSM

    Design na Brasa

    Além das palestras ministradas.

    Agradeço também ao Portal LightingNow pela oportunidade da realização do 1° workshop online e a todos os participantes!!!

    Também devo agradecer à Maria Clara De Maio por me aguentar como membro da família Lume Arquitetura rsrs

    E agradeço também de coração a todos vocês que me acompanham aqui pelo blog ou pelas redes sociais por mais este ano cumprindo o meu papel: informar e educar sem usar máscaras.

    2012 foi um ano louco, mas sobrevivemos, o mundo não acabou e que venha 2013 mais que iluminado para todos nós!!!

  • Desassociação!

    Bem meus amigos, esta semana levei a cabo o que vinha pretendendo ja a bastante tempo: desfiliar-me de associações e grupos que definitivamente não contribuem em nada com as áreas de Design de Ambientes e Lighting Design.

    A primeira a rodar foi, claro, a ABD (Associação Brasileira dos DECORADORES).

    Estava incoerente demais eu aqui criticando, alfinetando, mostrando os podres, erros e abusos dessa associação ao mesmo tempo em que me mantinha associado a ela. Para muitos dava a impressão que eu os apoiava o que é uma inverdade.

    No estatuto da associação está escrito que todos os associados tem direito a voz e serão atendidos em suas solicitações.

    BALELA!

    Não só eu, mas muitos profissionais cansaram de encaminhar e-mails ou telefonar para essa associação sem conseguir absolutamente nada em resposta. É o perfeito exemplo do descaso com o associado.

    Quando encaminhei o e-mail, recebi a seguinte resposta:

    “Bom dia Sr. Paulo,
    Por favor, peço que nos envie uma declaração com os seus dados completos (RG, CPF e numero ABD) solicitando o desligamento da associação. Se possível, pedimos que o senhor coloque o motivo, sendo assim se um dia o senhor optar por retornar o senhor não perderá o seu histórico com a associação e nem o seu numero AB.
    Estamos a disposição.
    att”

    Apesar de achar estranho questionar os motivos da desassociação, encaminhei-os:

    Londrina, 09/12/2012.

    DECLARAÇÃO DE DESFILIAÇÃO

    Eu, PAULO ROBERTO GONÇALVES DE OLIVEIRA, portador do RG n° xx.xxx.xxx.x, CPF xx.xxx.xxx.xx, associado ABD n° 9024 venho, através deste, solicitar a minha desfiliação desta associação bem como o imediato cancelamento das cobranças de anuidade em meu cartão de crédito.

    Os motivos desta desfiliação estão claros em meu blog. Tenho conhecimento que muitos dos diretores lêem meu blog e tem ciência de todos os pontos de discordância entre eu e a associação e a associação e o mercado REAL. Porém o que me levou a esta decisão final foi a questão da regulamentação profissional. A ABD não tem o menor direito de falar em nome dos Designers de Interiores/Ambientes. Não tinha o direito de retirar a área do projeto de regulamentação do Design numa ação vil e baixa desrespeitando todos os verdadeiros profissionais HABILITADOS em Design de Interiores/Ambientes bem como, amputando a área do Design em seu processo de regulamentação causando um enorme desconforto entre os Designers.

    Por diversas vezes tentei dialogar, apontei erros, dei dicas. Mas a ABD se acha acima do bem e do mal e senhora absoluta da verdade, da razão e das Leis. Na tentativa de calar-me, tentaram me comprar oferecendo-me oportunidades que nunca saíram do papel, pois nunca me calei.

    Se a ABD quiser continuar com seu joguinho, que o faça, mas apenas com os Decoradores e com os Arquitetos Decoradores, porém, que deixem os Designers (verdadeiros) em paz. O PL de vocês não vai andar no Congresso. Não com o nome Design de Interiores. Não com as atribuições dos Designers de Interiores. Se quiserem, que se virem com os Decoradores e suas atribuições que, diga-se de passagem, são bem menores que as dos Designers.

    Se a ABD pensa que ainda tem algum moral entre os Designers (do PL de regulamentação), podem esquecer disso, pois a brincadeira arrogante e desesperada de vocês pode ter colocado em cheque a PL de Regulamentação do Design. Ou seja, tudo que eu sempre alertei ao grupo do Freddy Van Camp, Ernesto Harsi, Bruno Porto e outros, se materializou agora através desse projeto de regulamentação de vocês. E a ABD despencou no conceito e respeito. Isso sem contar os parlamentares que também não gostaram nada dessa brincadeira de vocês.

    ABD não respeita ninguém a não ser seus próprios diretores. Esta associação não tem qualquer relação ética com o mercado REAL.

    Assim sendo, peço deferimento.

    ATT,

    Paulo Oliveira – LD”

    Em resposta veio apenas um

    “Muito Obrigada Sr. Paulo
    A sua desfiliação foi finalizada.
    att”

    Agora é esperar chegar a proxima fatura do cartão de crédito e verificar se a cobrança da anuidade continua…

    Ah se continuar…

    A segunda a rodar foi a AsBAI.

    Da mesma forma que a ABD, a AsBAI se acha no direito de impor suas vontades no mercado assim como as suas (in)verdades.

    É uma associação arrogante e prepotente. Mas isso tem uma razão de ser. Eles tem medo, muito medo da concorrência dos outros profissionais.

    Já coloquei neste post o que a tal “Dama da Luz”, matriarca dessa associação, anda fazendo.

    Já denunciei em diversos posts os absurdos e sandices que esta associação vem cometendo.

    Seria muito incoerente de minha parte continuar também associado a esta jpa que eles, assim como a ABD, só ouvem e atendem os pedidos dos amiguinhos da corte (a diretoria).

    Não posso continuar compactuando com as atitudes surreais (e até ilegais) desses dois grupelhos mantendo-me associado ou com qualquer ligação com eles.

    Quem tem medo do mercado?

    Certamente estas duas associações aí tem sim, e muito! Não só do mercado, mas especialmente, da COMPETÊNCIA DOS OUTROS PROFISSIONAIS.

  • Defesa da área como DESIGN

    A seguir, a apresentação que fiz ontem (24/11) em São Paulo no Design na Brasa, na mesa sobre a regulamentação profissional, em defesa da área de Design de Interiores/Ambientes como uma especialidade do Design. Colocarei as imagens do PPT e farei alguns comentários sobre cada uma delas.

    Sim, Design de Interiores/Ambientes também é Design!

    Notem que risquei propositalmente a denominação Interiores pois estamos num momento de transição e formação de nossa identidade profissional. São muitos os profissionais que, assim como eu, rejeitam o termo e adotam AMBIENTES.

    Isso se deve às velhas questões de cerceamento profissional impostas pelo termo “interiores” (entre quatro paredes) e as consequentes limitações profissionais. Os conhecimentos adquiridos por nós nos anos de faculdade nos habilitam a trabalhar além desta barreira imposta pelo termo “interiores”. Portanto, se você é formado, passe a adotar profissionalmente o termo AMBIENTES.

    Infelizmente, apesar de todas as indicações e solicitações, o grupo que se reuniu para trabalhar na minuta do PL de regulamentação do Design resolver fazer tudo que eu e vários outros profissionais da área pedimos que não fizessem: foram atras da ABD, conversaram com Arquitetos em busca de informações sobre a área. Deu no que deu e acabamos ficando de fora da regulamentação.

    A ABD é uma associação formada essencialmente por arquitetos decoradores e decoradores. Seu nome original é ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS DECORADORES – tanto que sua sigla continua sendo ABD.

    Num ato da diretoria, resolveram anos atrás alterar a denominação para Associação Brasileira dos Designers de Interiores contudo, sem distinguir os tres profissionais que ela pretendia agregar: arquitetos decoradores, desoradores e designers de interiores. Para ela, são todos iguais à excessão dos arquitetos que tem atribuições mais amplas dada a sua formação acadêmica. Ela não consegue fazer essa distinção simplesmente porque desconhece completamente a área de Design de Interiores/Ambientes. Não faz a menor idéia de sua amplitude, multidisciplinaridade e tranversalidade.

    Já, questionar arquitetos sobre Design também é uma furada pois ha muito tempo os cursos de Arquitetura eliminaram de suas matrizes as disciplinas que a aproximavam do Design. O que vemos hoje, no máximo, é História do Design. Também não são uma referência que pode ser levada à sério nesse contexto.

    Outro fator que provoca a distorção da concepção da área é que a maioria dos professores dos cursos de Design de interiores/Ambientes ainda são arquitetos. A maioria deles sem qualquer especialização ou vivência em DESIGN. Muitos dos coordenadores são arquitetos e muitos cursos estão engessados aos departamentos de Arquitetura. Um erro tosco que precisa com urgência ser combatido.

    Num vídeo de um encontro da ADG sobre a regulamentação do Design, o Ernesto Harsi deixa claro que, além da egocentrismo da ABD em retirar a área do PL de regulamentação do Design outro problema teria de ser evitado: o confronto e o consequente lobbye dos arquitetos no Congresso Nacional. Porém, mais uma vez isso ocorreu por mero erro de concepção sobre a área. Se tivessem prestado atenção – ainda na época do Orkut, na comunidade Regulamentem o Design Já – em tudo que eu e vários outros profissionais escrevemos sobre a nossa área, esse confronto fatalmente não ocorreria e não haveria porque ter medo dos lobbies.

    Vale lembrar também que nos diversos países onde o Design foi ou está sendo regulamentado, a área de Design de Interiores/Ambientes está contemplada nos respecivos projetos de regulamentação ou Conselhos já criados. Porque aqui o Brasil tem de ser diferente. Porque aqui no Brasil deve-se amputar o Design desrespeitando os profissinais das áreas não contempladas?

    Creio que já somos maduros o sufuciente para encararmos os lobbies de frente, denunciarmos qualquer ato autocrático afinal, vivemos numa democracia.

    Bom, a partir daqui eu comecei a desconstruir a falsa idéia que é vendida – e defendida pela ABD – de que o Design de Interiores é uma “evolução” da Decoração.

    Começamos essa análise por dados básicos:

    1 – a carga horária

    Nos antigos cursos de Decoração raros eram os que chegavam às 400 horas aula citadas. Na verdade, também fui bem bonzinho em colocar como mínimo de 54 horas. Existiam muitos cursos com 16, 20 e 36 horas aula. Na verdade, estes eram os que predominavam.

    Já os cursos de Design de Interiores/Ambientes tem uma carga horária muito mais cheia que vão de 1800 a 2670 horas aula ou até mais que isso.

    2 – Pré requisitos:

    Nos antigos cursos de Decoração a exigência era a idade mínima de 16 anos e o ensino FUNDAMENTAL completo. E só.

    Já para os cursos de Design de Interiores/Ambientes a exigência é o ensino MÉDIO completo.

    3 – Modalidades

    Os antigos cursos de Decoração eram cursos livres, ministrados por instituições como Senac, Sesc, Instituto Universal Brasileiro (por correspondência) e outros. Cursos livres não são classificados como modalidades de ensino, são apenas de complementação curricular ou para adquirir conhecimentos básicos.

    Já os cursos de Design de Interiores são classificados como Técnicos (ensino médio), Tecnológicos e Bacharelados (ensino superior). Estes são ministrados por instituições de ensino oficiais e devem ter seus Projetos Políticos e Pedagógicos (PPPs) aprovados pelo MEC.

    4 – Público alvo:

    Quem buscavam os antigos cursos de Decoração eram, em suma, vendedores de lojas de artigos de decoração, arquitetos em busca de uma complementação curricular e as madames que queriam “dar um novo visual” para suas casas. Tanto é verdade isso que até hoje carregamos o estigma de que é um curso de “gente fresca, que não tem o que fazer, etc”, por causa da confusão gerada entre Decoração e Design de Interiores/Ambientes.

    Já quem busca os cursos de Design de Interiores/Ambientes são pessoas conscientes, que não quere apenas “decorar ou melhorar o visual” de suas casas. São sim pessoas preocupadas em melhorar a qualidade de vida das pessoas onde quer que elas estejam, sejam em qual ambiente for.

    Vamos então analisar as Matrizes Curriculares dos cursos:

    Pois é, esta é a matriz curricular dos antigos cursos de Decoração. Quando havia alguma diferença era coisa pouca que não alterava o conteúdo. E olhem que ainda errei ao colocar “planta baixa” pois na verdade o que eles faziam era no máximo um layout dos espaços internos.

    Quando havia alguma disciplina sobre desenho de móveis resumia-se ao mesmo padrão que os cursos de Arquitetura oferecem: a linguagem de marcenaria, que nada tem a ver com a linguagem industrial.

    Agora, observem a matriz curricular dos cursos de Design de Interiores/Ambientes:

    Ok, nem todos os cursos oferecem todas estas disciplinas ou a quantidade de módulos. Mas na essência é esta a Matriz dos cursos de Design de Interiores/Ambientes.

    Tem como alegar que Design de Interiores/Ambientes é uma “evolução” da Decoração?

    Não mesmo. Tanto que ainda existem cursos de Decoração sendo ofertados no mercado por algumas escolas livres.

    Como se pode observar, Design de Interiores/Ambientes é uma área multidisciplinar. Eu diria até transdisciplinar pois ela passeia por praticamente todas as especialidades do Design e outras formações.

    Exemplificando rapidamente:

    Do Design de Produtos trazemos os conhecimentos sobre projetos de móveis, objetos e acessórios em linguagem industrial. Não é porque um móvel projetado para determinado cliente é único que ele não possa ser inserido num ciclo industrial afinal o seu projeto é em linguagem industrial, completo. Se colocarmos o projeto na boca da fábrica, o produto sairá lá no final da produção seriada e pronta para ser vendida em larga escala. Também não cabe aqui dizer que por serem praticamente projetos únicos ou exclusivos os que fazemos que não seja Design afinal, não devemos nos esquecer que em Design também se trabalha com produtos exclusivos (padrão A) onde são feitos peças únicas ou com edições limitadas. Também aproveitamos os conhecimentos sobre materiais, revestimento, resistência, ergonomia, etc.

    Do Design Gráfico aproveitamos todo o conhecimento sobre as Cores (significados, psicologia, etc), semiótica, informação visual, identidade corporativa entre vários outros conhecimentos.

    Do Design Têxtil, aproveitamos os conhecimentos sobre texturas, tramas, resistência, sensorial, etc.

    Do Design de Moda aproveitamos, assim como todas as outras áreas, as tendências, os estilos, as linguagens, os signos, etc.

    Ainda aproveitamos conhecimentos de outras especialidades do Design, mas creio que por hora já basta para entender que temos sim a nossa formação fincada na raiz Design. Mas não paramos por aqui…

    Podem estar se perguntando do porque eu ter colocado Engenharia e não Arquitetura. Simples: estes conhecimentos são da Engenharia. A arquitetura apodera-se deles também para formar a sua Matriz.

    Mas não paramos por aqui… também vamos além:

    Exatamente isso! Usamos o objeto arquitetônico APENAS quando é o caso de um projeto que envolva um espaço arquitetônico. Apenas quando estamos trabalhando em projetos de interiores residenciais, comerciais, etc.

    Porém, como coloquei no início desta apresentação temos rejeitado o termo Interiores exatamente por isso. Somos formados para ir muito além dos limites arquitetônicos. Somos formados para atuarmos em um amplo campo no mercado de trabalho que extrapola os limites arquitetônicos e vai onde quer que esteja um usuário.

    Se há um usuário necessitando da solução de um problema, lá estaremos para atendê-lo.

    Quem insiste em afirmar qualquer uma das duas coisas acima está simplesmente assinando o seu atestado de completo desconhecimento sobre a área.

    Portanto, como já deu para perceber,

    Não mesmo, nem de longe afinal,

    Claro, a Arquitetura também trabalha nas questões do Urbanismo. Porém Design Urbano não pode e nem deve ser confundido com Urbanismo.

    São coisas significativamente diferentes. O Design Urbano atua sobre o Urbanismo já implantado visando a melhoria da usabilidade, acessibilidade, embelezamento, humanização, etc. Ou, em casos de escritórios multidisciplinares (co-criação), ele já está presente desde o momento em que o arquiteto começa a pensar no plano urbanístico, num trabalho em conjunto com o designer.

    Notem que no primeiro grupo temos a visão simplista e limitada daqueles que desconhecem a área (ABD). O segundo grupo, já é uma pequena ampliação.

    Já escrevi em diversos posts neste blog sobre áreas de atuação profissional que vão além dos limites arquitetônicos. Resumindo, também podemos atuar

    – nos interiores e automóveis

    – nos interiores e exteriores de embarcações

    – nos interiores de aviões

    – em projetos de mobiliários e equipamentos urbanos

    – em projetos de design urbano

    Entre várias outras frentes que podemos, através dos conhecimentos adquiridos na academia, somos devidamente e legalmente habilitados para atuar.

    Creio que não é necessário acrescentar mais nada sobre este slide.

    Pois é, eis a grande questão: criamos um Conselho próprio ou, para agilizarmos o processo, nos enfiamos em algum já existente?

    Dos possíveis existentes temos o CREA e o CAU. Mas vale ressaltar aqui alguns detalhes sobre isso:

    CREA – começou a aceitar como associados os Técnicos em Decoração (posteriormente, Técnicos em Design de Interiores). Mesmo com o crescente aumento dos cursos superiores de Design de Interiores/Ambientes, eles se recusavam em fornecer as credenciais com nível superior e tampouco alterar as atribuições profissionais. Quem se filia ao CREA acaba jogando no lixo grande parte de seus conhecimentos adquiridos na faculdade pois ficara limitado às atribuições descritas no órgão. Porém, estas atribuições foram feitas quando existiam apenas os cursos de Decoração e não contemplam, nem de longe, a totalidade de conhecimentos que nós, designers de interiores/ambientes, possuimos.

    CAU – Um conselho formado por e para arquitetos. Vale lembrar que foram os arquitetos que fizeram as atribuições dentro do CREA e também são eles que também confundem Decoração com Design de Ambientes. Certamente não será uma boa pois ocorrerão diversas ingerências na área do Design, por mais que venha a existir uma diretoria propria para o Design. O que eles sofriam dentro do CREA (mais engenheiros que arquitetos) fatalmente ocorrerá conosco.

    Portanto, devemos sim lutar pela implantação de um Conselho Federal de Design. Pode demorar um pouco mais para estritura-lo, mas certamente é a melhor saída pois somente assim teremos condições de criarmos a nossa identidade e alcançarmos a nossa autonomia acadêmica e profissional.

    Espero ter deixado claro que,

  • Já deu, agora basta ABD.

    Não vou entrar em detalhe sobre os planos macabros da ABD em forçar uma regulamentação profissional separado do PL do Design, pois já escrevi exaustivamente sobre isso aqui no blog.

    Também não vou falar mais sobre os porquês disso acontecer, pois já está tudo detalhadamente descrito aqui nas páginas deste blog.

    A questão agora é: a ABD novamente mostrou a sua verdadeira face: hipócritas, umbiguistas e estúpidos. Estão pouco se lixando pra quem quer que seja que não faça parte de seu grupelho.

    O fato é:

    1 – estamos com o PL de regulamentação do Design nos trâmites finais no Congresso Nacional. Atualmente ele está na última Comissão e após isso é só esperar a assinatura da Presidente Dilma e pronto: O Design finalmente estará regulamentado aqui no Brasil.

    2 – Diante do que escrevi em um e-mail particular para o Jéthero Cardoso  e ele, num ato estúpido, desrespeitoso e antiético, simplesmente apresentou o inteiro teor deste e-mail numa reunião para toda a diretoria da ABD. Assim, ela simplesmente resolveu forçar a entrada de seu projeto idiotizado de regulamentação da área de Design de Interiores através do deputado Ricardo Izar.

    A questão é:

    Estamos com um projeto sobre Design em trâmites finais. Agora, entra um segundo projeto, também sobre Design. É sabido que a maioria dos parlamentares desconhecem o que é Design, muitos ainda confundem Design com Artesanato ou Arte. O que vai acontecer?

    “Acabou de passar por aqui um projeto sobre Design e agora vem esse outro?”

    Sim, é esse o pensamento que vai rolar na cabeça dos parlamentares e querem saber o que isso pode implicar?

    O impedimento da finalização da tramitação do PL do Design ou seja: todo o trabalho desenvolvido pela Comissão (Van Camp, Harsi, Patricia e tantos outros) nos estudos e confecção da minuta e posteriormente pelo Deputado Penna dentro do Congresso Nacional mais a pressão feita pela ADG nas Comissões e gabientes dos parlamentares vão pelo ralo. Literalmente falando, teremos mais um PL engavetado.

    Parabéns ABD!!!

    Mais uma vez vocês deixam claro que só se importam com seus próprios umbigos. São arrogantes, são ignorantes, são ingratos enfim, são o que são: LIXO!!!!

    Pois então, para evitar que isso tudo aconteça, começo pelo seguinte:

    Aqui está, oficialmente, o meu pedido de desfiliação dessa associação estúpida. Não vou ficar em suas fileiras dando a impressão de que concordo com seus atos arbitrários – sim, pois vocês NUNCA consideram o que os associados pensam, desejam, questionam. O que vale são apenas as suas vontades.

    Em seguida, conclamo aos verdadeiros profissionais de Design de Interiores/Ambientes(os estudantes também)  filiados à ABD que também desfiliem-se dela.

    Acordem gente, ela é apenas uma associaçãozinha, não tem poder legal para ditar absolutamente nada com relação ao mercado de trabalho, não tem direito algum a autorizar ou avaliar cursos nem nada.

    No próximo post vou colocar a apresentação que fizontem (24/11) no Design na Brasa, defendendo a nossa área como DESIGN e diferenciando-a da Decoração. Na verdade esta apresentação serve também para refutar a visão reducionista que a ABD tem da área. Também uma associação formada por Decoradores e Arquitetos (não menosprezando-os profissionalmente) não tem a menor condição de entender a amplitude do Design de Interiores/Ambientes. Por isso eles relutam tanto em fazer a correta distinção das atribuições profissionais entre Arquitetos decoradores, Decoradores e Designers de Interiores/Ambientes. Para eles, quanto maior a confusão e desinformação sobre a área, é lucro… para eles apenas.

    Também conclamo a todos a encaminharem e-mails ao deputado Ricardo Izar (dep.ricardoizar@camara.leg.br) repudiando integralmente o PL-4692/2012 (o projeto de regulamentação da ABD).

    Também encaminhem e-mail ao Deputado Jose Luiz Penna (dep.penna@camara.leg.br) apoiando o PL de regulamentação do Design de sua autoria, repudiando o PL do deputado Izar e solicitando a inserção de nossa área no referido PL pós sanção presidencial.

    Vejam bem: se inserirmos agora a nossa área no PL em tramitação o mesmo terá de voltar lá na primeira Comissão. Voltaremos à estaca zero!!! Portanto, o mais correto é:

    Ficaremos aguardando a finalização deste PL de regulamentação do Design e, assim que a Presidente Dilma sanciona-lo, o deputado Penna irá entrar com uma emenda ao PL do Design inserindo a nossa área.

    Portanto, não temos o que temer.

    Seremos sim regulamentados junto com o Design.

  • Sites de decoração online

    Pensei que seriam poucos, mas agora já temos uma série de sites de decoração (e design) online. São sites onde os clientes preenchem um brieffing, os profissionais cadastrados tem acesso a este material e a partir dele desenvolvem projetos. Aí, o cliente escolhe o que mais gostar e paga por este projeto.

    Na verdade funciona como um “concurso de projetos”.

    Vamos então analisar quais os problemas que este tipo de serviço destes sites oferecem:

    1) Brieffing

    As questões levantadas no brieffing são fundamentais para o desenvolvimento de projetos. No entanto, é barrado o contato dos profissionais com o cliente. Logo, a conversa, o diálogo, aqueles detalhes que só conseguimos perceber numa conversa direta com o cliente não são alcançados, não  temos a percepção das entrelinhas (aquilo que o cliente diz sem ser preciso), não notamos as reações (expressões faciais, gestual, entonação vocal, etc) que nos permite perceber por onde estamos indo.

    É falho, logo, não tem como ser preciso e exato dando margem à diversos problemas na hora da execução e/ou do uso.

    2) Projetos por ambientes

    Com esse tipo de atitude, o cliente corre um sério risco de ter em sua casa um verdadeiro picadeiro de estilos. Usei picadeiro pois, ao contratar livremente o cliente pode pegar vários profissionais diferentes. Cada profissional tem um modo de projetar, tem suas técnicas, tem suas interpretações dos estilos entre diversos fatores que tornam, para o cliente, praticamente uma roleta russa esse tipo de atitude.

    3) Valores cobrados

    Peguei estes valores em um dos sites. Observem:

    01 Ambiente: R$ 549,00; 02 Ambientes: R$ 1.078,00; 03 Ambientes: R$ 1.587,00; 04 Ambientes: R$ 2.076,00; 05 Ambientes: R$ 2.545,00.

    Já num outro site encontrei estes valores:

    Quarto R$ 450,00; Cozinha R$ 500,00; sala de jantar R$ 550,00; sala de estar R$ 550,00; sala de tv R$ 550,00; escritorio R$ 550,00; hall R$ 400,00; banheiro / lavabo R$ 400,00; closet R$ 400,00; sala comercial R$ 900,00.

    E, num outro site mais recente encontrei estes valores:

    Projeto Residencial: Casa e Apartamento – A partir de R$ 2000.00; Loft – A partir de R$ 1400.00; Quarto – A partir de R$ 350.00; Sala de jantar – A partir de R$ 400.00; Sala de estar – A partir de R$ 450.00; Cozinha – A partir de R$ 500.00; Banheiro e Lavabo – A partir de R$ 250.00; Área de serviço – A partir de R$ 250.00; Monte seu Projeto – A partir de R$ 500.00; Consultoria de Projeto – A partir de R$ 150.00.

    Projeto Comercial: Escritório e Consultório – A partir de R$ 1000.00; Estande – A partir de R$ 1100.00; Lojas – A partir de R$ 1500.00; Restaurante, Bar e Cafeteria – A partir de R$ 1300.00; Monte seu Projeto – A partir de R$ 500.00.

    É simplesmente irresponsável cobrar estes valores. O valor de um ambiente não cobre nem mesmo os custo operacionais de um escritório sério. Os outros valores também são absurdamente fora da realidade do mercado. A única explicação para isso é este pessoal estar ganhando pelas costas dos clientes com as RTs dos fornecedores cadastrados e parceiros deste tipo de site.

    4) Fornecedores

    São várias as empresas de móveis, revestimentos e outros mais que estão fazendo parceria com este tipo de site. Estão no direito deles? Sim! Porém estão contribuindo para a prostituição profissional ao validar esta prática  condenável.

    Em tempos de responsabilidade social, esse tipo de atitude é um tiro no próprio pé além do desrespeito aos profissionais sérios que atuam no mercado.

    5) Visibilidade profissional

    É mais um argumento mentiroso para atrair profissionais incautos. Um cliente sério e que busca  qualidade (por mínima que seja) em seu projeto, jamais vai contratar o serviço de um profissional que ele nem sabe quem é. Não vai contratar um profissional apenas pelo projeto apresentado virtualmente. Estes clientes são aqueles que desejam o profissional atuante sempre que possível, acompanhando as obras e o acompanhando nas compras.

    São clientes que gostam de discutir o projeto, entende-lo por completo. E são estes clientes que fazem a diferença na carreira de qualquer profissional.

    Clientes que usam este tipo de serviço certamente são aqueles que adoram o “jeitinho brasileiro” de tirar vantagem em cima de tudo e todos que puder. E é exatamente isso que estes sites promovem.

    6) Concorrência criativa

    Não, na verdade o que temos neste tipo de proposta é a CONCORRÊNCIA ESPECULATIVA.

    É uma prática bastante comum em concursos de Design não sérios e que agora está invadindo o mercado profissional.

    É condenável a partir do momento em que faz os profissionais trabalharem de graça sem ter a certeza do pagamento. Infelizmente esta é uma artimanha que pega muitos estudantes e profissionais ainda não estabelecidos no mercado.

    Veja vem: você só irá receber aquele valor ridículo (sim, lembre-se que nesses valores cobrados, ainda vem descontadas as “taxas administrativas”) SE, e somente SE o cliente escolher o seu projeto.

    Caso ele escolha outro profissional, parabéns orelhudo, trabalhou de graça, perdeu tempo com algo não retornável. Mantenha seu caixa no vermelho assim seu BURRO!!!

    Tenho certeza de que se estes profissionais fossem rodar bolsinha n’alguma rua ganhariam muito mais dinheiro, pois o que não falta é cliente atrás de prostitutas!

    Além, é claro, de não sujar a nossa profissão perante o mercado.

    Esse tipo de trabalho me lembra claramente uma frase que ouvi num filme a muito tempo atrás:

    “Dinheiro na mão, calcinha no chão!”.

    Pois é, e temos uma associação que diz ser ética e séria e não faz absolutamente nada contra isso. E, para quem não sabe, uma associação serve para defender os direitos dos profissionais.

    Tá bem difícil ABD.

    Se vocês acham que são alguém saibam que não passam de um monte de LIXO!!!

    E, cada dia que passa tenho mais certeza disso.

    No entanto, com isso só não identifiquei ainda se vocês são mero LIXO ou cafetões…

    #ParaPensar…

  • Design na Brasa 2012

    Pois é pessoal, como alguns já estão sabendo, fui convidado pela designer Patricia Penna (e me sinto muito honrado com isso) para ser um dos integrantes na mesa sobre Regulamentação Profissional no Design na Brasa 2012. O evento será realizado em São Paulo no dia 24/11.

    Abaixo a programação do evento:

    9:00 Credenciamento

    10:00 – 10:30 Mesa de abertura

    – Prefeito da cidade de São Paulo ( a confirmar ) – Patricia Penna ( Autora do Design na Brasa )

    10:30 – 12:00 1a. Mesa: A regulamentação da profissão

    Esclarecer o projeto de Lei e orientar alunos e profissionais das possibilidades de mercado, trabalho e economia para o país.

    Palestrante 1: Deputado Penna ( Autor do Projeto de Lei sobre a Regulamentação da profissão ) Palestrante 2: ABDesign ( Associação das agencias de design do Brasil ) ( a confirmar ) Palestrante 3: Bruno Porto – Representante do grupo REGULAMENTEM O DESIGNER JÁ! ( a confirmar ) Palestrante 4: Paulo Oliveira (Lighting Designer e Designer de Ambientes)

    12:00 – 13:00 Break para almoço

    13:00 – 14:30 2a. Mesa: Design e Economia Criativa

    O design no Brasil ocupa hoje, espaço na Secretaria de Economia Criativa que por sua vez está inserida no Ministério da Cultura. Quais os benefícios, desafios e ameaças dessa posição?

    Palestrante 1: Representante da secretaria de cultura de SP ( a confirmar ) Palestrante 2: Representante do Ministério da Industria e Comércio ( a confirmar ) Palestrante 3: Representante da Faculdade

    14:30 – 16:00 3a. Mesa: Design e Sustentabilidade

    Hoje tudo que produzimos no planeta já deu para consumir mais ou menos, segundo cientistas, uns 4 planetas. Quais os critérios de sustentabilidade que podemos aplicar no desenvolvimento de produtos?

    Palestrante 1: Cristian Ulmann ( a confirmar ) Palestrante 2: Indústria que respeita o meio ambiente Palestrante 3: Ong

    16:00 – 16:30 Break para café

    16:30 – 18:00 4a. Mesa: Design, tipografia e o mundo digital

    Inúmeras possibilidades existem hoje que integram o virtual e o real. Conheça as discussões e ideias sobre este tema!

    Palestrante 1: Representante da Cidade Digital da USP ( a confirmar ) Palestrante 2: Empresa que trabalhe com mídias sociais Palestrante 3: Alexandre Lopes

    18:00 – 19:30 5a. Mesa: Design e a Indústria Brasileira

    Como as indústrias brasileiras estão sobrevivendo no cenário em que a China domina o mercado industrial internacional?

    Palestrante 1 : Representante da FIESP ( a confirmar ) Palestrante 2: Representante de uma indústria Palestrante 3: Designer Insdustrial

    19:30 Encerramento

    Vale ressaltar aqui a dinâmica deste evento composta apenas de mesas de debates. Assim, a troca de idéias, informações, conceitos, opiniões, posicionamentos torna-se parte de uma grande dialética, ao contrário do que ocorre em eventos onde há apenas um palestrante como foco das atenções. Em cada mesa há um moderador que irá controlar o tempo de exposição de idéias de cada palestrante (15 minutos) bem como as perguntas ao final das apresentações.

    Além disso, já estão rolando uma ação muito interessante pré-evento onde os designers são convidados a montar uma “máscara” com saco de papel, fotografar e enviar para ser inserida no site. Creio que isso tem muito a ver com a falta de identidade ( ou rosto) do Design brasileiro perante o mercado ou também a diversidade de identidades dentro de nosso meio.

    Saliento a importância da presença da maior quantidade possível de Designers de Interiores/Ambientes para defendermos a inserção de nossa área no PL de Regulamentação do Design contrapondo a tentativa falaciosa da ABD de regulamentar a área em separado.

    Somos Designers, nossa matriz é o Design. Então, não tem porque sermos ignorados ou deixados de lado.

    Para inscrever-se, basta acessar este link.

    Mais informações, acesse o site do Design na Brasa 2012.

    Nos vemos lá ok?

  • ABD e a tentativa de golpe na Regulamentação

    Pois é meus amigos. Conforme prometido está aí o texto do tal PL de regulamentação profissional que a ABD está tentando enfiar no Congresso Nacional depois de arrogantemente e arbitrariamente retirar a nossa área do PL de regulamentação do Design.

    Segue o texto que recebi por e-mail do Jethero Cardoso. Os grifos e numerações entre parênteses são meus para marcar minhas considerações após o texto.

    PROJETO DE LEI Nº……………DE 2012

    Regula o exercício da profissão de designer de interiores e dá outras providências.

    O CONGRESSO NACIONAL decreta:

    Art.1º  Esta lei regulamenta a profissão de designer de interiores, estabelece os requisitos para o exercício da atividade e determina o registro em órgão competente.(1)

    Art. 2º É livre o exercício da atividade profissional  de designer de interiores desde que atendidas as qualificações e exigências estabelecidas.

    Art.3º O exercício da profissão de designer de interiores, em todo o território nacional, é privativo dos portadores de:

    I – diploma de curso superior em Designer de Interiores, Composição de Interiores e Design de Ambientes expedido por instituições regulares de ensino; (2)

    II – diploma de curso superior em design de interiores, expedido por instituições estrangeiras e revalidado no Brasil, de acordo com a legislação.

    III – dos que, possuidores de outros cursos superiores em áreas afins, tais como, Arquitetura, Desenho  industrial, Artes plásticas e outros similares, venham exercendo, comprovada e ininterruptamente, à data da publicação desta lei, as atividades de designer de interiores  por, pelo menos, dois anos. (3)

    IV – dos que, tenham sido diplomados como técnicos em decoração ou designer de interiores  ou tendo concluído  o segundo grau e vêm exercendo comprovada e efetivamente, à data da  publicação desta lei, as atividades de designer de interiores, por um período mínimo de três anos, com credenciais expedidas por associações de classe estabelecidas no território nacional.

    Art. 3°  São atividades do designer de interiores:

    I  – planejar e organizar espaços, visando o conforto e a estética, a saúde e a segurança do ser humano em qualquer de suas atividades, idades ou condição física.

    II – estudar e projetar os espaços conforme os objetivos e necessidades do cliente, seguindo normas técnicas homologadas pela ABNT de acessibilidade, ergonomia, conforto lumínico, térmico e acústico.

    III  – elaborar projetos de interiores, sistemas e equipamentos, mobiliário e objetos de decoração de interiores e  exteriores e responsabilizar-se pelos mesmos;

    IV – elaborar plantas, cortes, elevações, perspectivas e detalhamento de elementos construtivos não estruturais.

    V – especificar mobiliário, equipamentos, produtos, sistemas de automação, telefonia, internet, eletro/eletrônicos e segurança, providenciando orçamentos e instruções de instalação.

    VI – selecionar e especificar cores, materiais, tecnologias, revestimentos e acabamentos .

    VII -comprar produtos, sistemas e equipamentos, após cotação e aprovação pelo cliente.

    VIII-  Administrar compras e fluxos organizacionais, gerenciar obras e serviços, manter o orçamento dentro dos valores previstos ou submetendo ao cliente qualquer alteração para prévia aprovação.

    IX – planejar  interferências de espaços pré-existentes internos e externos, alterações não  estruturais, circulações, abertura e fechamento de vãos;  (4)

    X -promover eventos relacionados a área de design de interiores ;

    XI  – fornecer consultoria técnica referente ao design de interiores e exteriores;  (5)

    XII – desempenhar cargos e funções em entidades públicas e privadas relacionadas com ao design de interiores;

    XIII – exercer ensino e fazer pesquisa, experimentação e ensaios;

    XIV – fazer produção técnica especializada, para cinema, tv, shows, eventos, cenografia e produção fotográfica.

    XV  – estudar o comportamento humano  e preservar os aspectos culturais que os constituem.

    XVI – (13)

    Art. 4º  Compete ao designer de interiores,  na execução do projeto de interiores:

    I  – especificação de materiais de revestimento, aplicação e troca dos mesmos;

    II  – especificação, montagem, reparo, substituição e manutenção de mobiliários e equipamentos;

    III – alteração de forro e piso através de rebaixamento ou elevações;

    IV  – planejamento hidráulico, elétrico, eletrônico, luminotécnico, telefônico, de ar condicionado e de gás;

    V –criação desenho e detalhamento de móveis;

    VI  – criação de elementos avulsos para complementação do projeto;

    VII – planejamento de paisagismo e jardinagem

    VIII  – planejamento e interferências de espaços pré-existentes internos e externos, alterações não  estruturais, circulações, abertura e fechamento de vãos;  (4)

    IX – especificação e disposição do mobiliário, observando normas técnicas de ergonomia, conforto térmico, acústico e lumínico visando o conforto e a saúde do usuário.

    X -formalizar  a prestação dos serviços em contrato escrito, que estabeleça  as fases do projeto de interiores , prazos, honorários contratados e as formas de remuneração, as responsabilidades do profissional e todas as demais cláusulas necessárias à transparência , objetividade e descrição dos direitos e obrigações das partes no transcorrer da prestação de serviços.

    XI – certificar-se de que os produtos e serviços que oferece e/ou indica são adequados aos fins propostos.

    § 1º Na execução do projeto, o designer de interiores deverá prestar assessoria técnica, exercendo as seguintes atividades:

    I – coleta de dados de natureza técnica;

    II – desenho de detalhes e sua representação gráfica;

    III – elaboração de orçamento de materiais, equipamentos, instalações, prestadores de serviços especializados e mão-de-obra;

    IV – elaboração de cronograma de trabalho, com observância de normas técnicas e de segurança;

    V – fiscalização, orientação, acompanhamento e coordenação do projeto nas instalações, montagens, reparos e manutenção;

    VI – assessoramento técnico na compra e na utilização de materiais, tecnologias,  móveis,equipamentos, adornos e objetos de arte;

    VII – responsabilidade pela execução de projetos compatíveis com a respectiva formação e competência profissional;

    VIII – condução da execução técnica dos trabalhos de sua especialidade.

    IX -Gerenciamento da obra observando organogramas e fluxogramas.

    § 2º –  Na execução dos itens, IV e VIII, do “caput” deste artigo o designer de interiores deverá ter o acompanhamento de técnico responsável  especializado.  (6)

    Art. 5°  O projeto de interiores é de autoria exclusiva do designer de interiores, que o assina, e de sua inteira responsabilidade, quando o executa.

    Art. 6º  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

    JUSTIFICAÇÃO

    O Design de interiores já é uma profissão amplamente reconhecida pela sociedade, por todas as  mídias,  pela indústria, pelo comércio e por inúmeros profissionais prestadores de serviços que trabalham em parceria com o designer de interiores. Este exercício profissional  vem sendo utilizado pela sociedade há mais de cem anos com o objetivo de se viver melhor. (7)

    O design de interiores projeta ambientes atendendo, através de seus saberes específicos, o Ser Humano em qualquer espaço onde aconteça a atividade humana, de uma sala de estar a qualquer das tipologias que o trabalho exigir, em escritórios, indústrias, hospitais, nos transportes  e em outros espaços,  em qualquer de suas idades, de um recém nascido a um ancião, todos precisam de cuidados especiais, sob qualquer condição física em que o ser humano possa se encontrar ou com qualquer deficiência física.

    Neste sentido, o trabalho do designer de interiores atinge a todos seres humanos que circulem, habitem ou trabalhem em um determinado ambiente, independente até de sua classe social ou condição financeira.

    Todos nós, seres humanos precisamos viver com conforto físico e estético, com respeito a nossa  cultura e em condições  que preservem nossa saúde e felicidade, é este o eixo fundamental da atividade profissional do designer de interiores.

    O designer de interiores,  a partir da década de 60 do século XX vem tendo um aprimoramento contínuo em seu processo de formação  profissional,  através de conhecimentos técnicos, cursos de reciclagem e pós graduação, seminários e congressos nacionais, pesquisas e permanente atualização dos aspectos da evolução tecnológica, que fazem parte da vida contemporânea .

    Desta maneira, vem ampliando continuamente sua atuação num  mercado, cada vez mais complexo, visando sempre o bem estar, o conforto, a estética, a saúde e segurança de quem o contrata.

    O profissional habilitado tecnicamente no desempenho de sua profissão contribui para a humanização de grandes e pequenos espaços, como creches, hospitais, praças, fábricas etc. Recuperação e conservação de espaços históricos, através do restauro de ambientes e bens culturais.

    De acordo com levantamento realizado pela ABD (Associação Brasileira de Designers de Interiores) em 2011, durante o VI Encontro Nacional de Professores e Coordenadores de cursos de design de interiores, realizado pela ABD em Itú S. P. obtivemos os seguintes e expressivos números:

    O Brasil conta com 92 cursos de design de interiores em nível superior (Bacharelados e Tecnológicos) com 17.678 alunos e 1.477 professores.

    Soma-se a formação universitária  os 90 cursos de técnicos em design de interiores com 10.080 alunos e 874 professores.

    Totalizando um numero significativo de estudantes de design de interiores no Brasil,  27.678 estudantes e 2.351 professores em 182 escolas regulamentadas pelo Ministério da Educação e pelas Secretárias Estaduais de Educação no ensino técnico.

    Temos mais de 50 títulos nacionais de revistas especializadas em design de interiores nas bancas de jornais, vários programas de tv  e inúmeros artigos publicados diariamente nos jornais de grande circulação sobre a área de design de interiores. (8)

    O Brasil realiza através das mostras; Casa Cor (26 anos), Mostra Artefacto (21 anos), Morar mais por Menos( 8 anos) e Casa Black(2 anos) a maior exposição de design de interiores do planeta, envolvendo a indústria, o comércio e a prestação de serviços para apresentar ao público, diferentes maneiras de ocupar os espaços interiores que envolvem da mais sofisticada tecnologia  ao artesanato mais puro das raízes culturais brasileiras. (9)

    Não podemos mais desprezar ou ignorar esta atividade que movimenta  de acordo com o DCI (Diário do Comércio, Indústria e Serviços) R$ 60 bilhões de reais por ano, distribuindo riqueza por entre grandes e médias indústrias e pequenas empresas de marcenarias e prestadores de serviços autônomos, como pedreiros, pintores, encanadores, eletricistas, gesseiros, artistas plásticos, lustradores, marceneiros, serralheiros, jardineiros etc.

    Com a regulamentação da profissão dá-se condições ao designer de interiores  para exercer a profissão na sua amplitude de seus direitos e deveres. Permite ao profissional participar de licitações públicas, candidatar-se a cargos específicos em empresas públicas ou privadas, e prestar serviços àquelas que exigem documentação profissional.

    Não é demais lembrar que o  trabalho profissional do designer  está também intimamente ligado à saúde e à segurança da população.

    O exercício por pessoas ou profissionais de outras áreas não qualificados, sem conhecimento técnico de ergonomia, de iluminação, acústica e conforto térmico, das normas técnicas homologadas  pela  ABNT e de outros aspectos relativos à segurança, pode acarretar danos irreparáveis à saúde do  usuário.

    A Medicina do trabalho identifica as causas da infortunística* mas é o designer de interiores o profissional que esta apto a projetar e executar projetos de interiores que evitem doenças como:  a Tenossinovite, Tendinite, Epicondilite, Bursite, Miosites, Síndrome do Túnel do Carpo, Síndrome Cervicobraquial, Síndrome do Ombro Doloroso, Cisto Sinovial, Doença de Quervain , que somadas são a segunda maior causa do afastamento do trabalho no Brasil.

    *De acordo com Lorenzo Borri a Infortunística é a parte da Medicina legal que estuda os acidentes de trabalho ou “o conjunto de conhecimentos que cuida do estudo teórico e prático, médico e jurídico, dos acidentes do trabalho e doenças profissionais, suas consequências e seus meios de preveni-los e repara-los.”

    A lesão corporal, a perturbação funcional, a irritabilidade, depressão e estresse podem ser evitadas através de projetos de design de interiores que transformem os ambientes de trabalho em espaços com cores e revestimentos agradáveis, com conforto acústico, térmico e lumínico, com mobiliário ergonomicamente adequado as atividades desenvolvidas, são estes o fatores que constituem os  ambientes saudáveis para o trabalho.

    O Brasil possui duas grandes associações de profissionais a ABD (Associação Brasileira de Designers de Interiores) fundada em 30 de outubro de 1980 com escritórios regionais em  Salvador, Porto Alegre,Curitiba, Brasília, Goiana, Vitória, Rio de Janeiro, e AMIDE (Associação Mineira de Designers de Ambientes de nível superior) afiliadas a IFI (Federação Internacional de Designers de Interiores)e mais uma série de associações de profissionais regionais.

    Propõe-se, atualmente, a regulamentação das profissões via negocial, onde as regras e condições de trabalho de natureza profissional seriam demarcadas por intermédio do entendimento entre os interessados. (10)

    Argumentam os defensores desta ideia que seria improdutivo fazer da negociação coletiva o grande instrumento jurídico para criar normas e condições de trabalho e, ao mesmo tempo, continuar preservando as regulamentações  de profissão pela via legal. (10) 

    Não é demais enfatizar, porém, que a regulamentação legal de uma determinada profissão integra a tradição de nosso ordenamento jurídico, como o confirmam as diversas leis e dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho.

    Teve seu início na década de trinta  do século passado, com a finalidade de disciplinar certas profissões, a fim de garantir ao cidadão a prestação qualificada de bens e serviços.

    Nesse contexto, insere-se a regulamentação do exercício da profissão de designer de interiores num mundo  globalizado, onde a qualidade e a excelência de bens e serviços vem  se sofisticando cada vez mais, os profissionais da área de design de interiores  devem ter habilitação especializada, pois a organização dos espaços interiores, residenciais, comerciais, culturais e institucionais requerem procedimentos projetuais sofisticados que envolvem a somatória de diversas especialidades.

    Conforme disposto na Constituição Federal (art. 5º, inciso XIII) é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.

    Observando os limites impostos pela Constituição, a situação dos designers de interiores exige medida legislativa, a fim de corrigir omissões e lacunas no ordenamento jurídico, que tem prejudicado a atuação desses profissionais em todo o território nacional.

    A atividade  do designer de interiores está relacionada com à do arquiteto, sem, contudo, confundir-se com ela. A C.B.O. (Classificação  Brasileira de Ocupações) realizada pelo Ministério do Trabalho e do Emprego, identifica distintamente as profissões de designer de interiores (código 2629) e a de arquiteto (código 2141) e também os técnicos em design de interiores de nível médio(código 3751).

    Ocorre que a falta de regulamentação da  profissão de designer de interiores leva a dúvidas quanto ao livre exercício profissional  desta atividade e uma série de argumentos pré-conceituosos  e de ordem legal são colocados através dos CREAs para inibir e restringir o exercício profissional. (11)

    Hoje os processos de formação profissional em curso no Brasil habilitam com qualidade os profissionais ao pleno exercício da atividade.Para tanto, a proposição que ora apresentamos tem o objetivo de esclarecer as atividades  e responsabilidade dos designers de interiores, diferenciando-a explicitamente das exercidas pelos arquitetos.

    Observamos, que não se propõe reserva de mercado. Ao contrario, busca-se a expressa autorização legislativa para que os designers de interiores possam atuar em um campo que equivocadamente , tem sido em nome da lei, e protegido por ela, convenientemente  atribuído somente aos arquitetos e isto sim, se configura em reserva de mercado e contraria a legislação em vigor. (12)

    Por entender que a regulamentação da profissão de designer de interiores virá em benefício não somente da categoria  mas, principalmente, dos usuários dos serviços,  pedimos aos nobres Pares apoio para a aprovação deste Projeto de Lei.

    (1) Vai ser assim? Todos enfiados no mesmo saco como se fossem a mesma coisa? Sem distinção entre arquiteto decorador, decorador e designer? Manterão “interiores” para continuarmos enjaulados entre 4 paredes e as partes internas das edificações dificultando a nossa contratação por clientes que necessitam de projetos internos e externos tendo de optar por dois profissionais distindos (1 para interior e outro para exterior) ou um que faça as duas coisas nos fazendo perder clientes?
    Hummm…

    (2) No meu caso (e em casos atuais), o nome do curso é Decoração de Interiores porém a matriz curricular é a mesma de Design de Interiores/Ambientes. Isso se deu por ingerência e arrogância do ex-coordenador do curso (um arquitrouxa) que odiava a ideia da existência deste curso e destes profissionais. Eu já tenho experiência de sobra para entrar por “tempo de atuação” mas como fica esse pessoal que está se formando nos cursos de “Decoração de Interiores” que ainda existem hoje cujas matrizes são de Design?

    (3) Só dois??? Os decoradores que nunca estudaram instalações prediais e sempre largam isso nas mãos de outros profissionais serão DESIGNERS??? A madame que nao tem o que fazer e começa a “dar um tapa” na decoração da propria casa, depois da filha, depois de uma ou outra amiga, faz um curso livre de Decoração e se tiver mais de dois anos de “atuação profissional em DECORAÇÃO vai ser DESIGNER?? Difícil heim…

    (4) Porque não podemos PROPOR alterações estruturais visando a melhoria e adequação dos espaços para os usuários? Pensar, analisar o problema e propor soluções que envolvam alterações estruturais é uma coisa, realizar a alteração é outra bem diferente. Para isso existem as parcerias profissionais onde, quando necessário, existe um profissional competente para realizar estas alterações chamado ENGENHEIRO CIVIL que é quem ficará responsável por esta parte. Por isso eu inseri a observação n° 13, que explicarei abaixo.

    (5) Já que falam em interiores e exteriores, porque não assumem de vez a nomenclatura mais adequada que é AMBIENTES libertando-nos de vez do estigma setorizado (melhor dizendo, ENJAULADO) de atuação profissional?

    (6) Porque se não tem nada demais nisso? No item IV estamos executando o que fomos “treinados” para fazer na universidade. No item VIII, é uma tarefa normal na execução de obras. Salvo no caso de alterações estruturais, aí sim entra a necessidade de acompanhamento técnico, preferencialmente de engenheiros. Propor é uma coisa, executar é outra.

    (7) Surtaram? O que existia ha 100 anos era Arquitetura segundo os decanos da Arquitetura e, para os mortais, um tipo de “arrumação” que foi o princípio da Decoração. Ou será que este surto é mais uma compra de briga com os arquitetos? A 100 anos mal se falava em DESIGN, que é a matriz de onde viemos. Antes de propor algo nesse sentido, vocês deveriam cobrar das IES que apoiam e “validam” seus cursos que produzam mais materiais em teoria e história sobre a área pois ainda não existe bibliografia sólida sobre isso aqui no Brasil.

    (8) Vamos lá, me diga 1 revista ou programa de TV ou encarte de jornais que seja realmente especializada em Design de Interiores/Ambientes. O que temos é um monte delas que mistura arquitetura, design, decoração e artesanato como se fosse a mesma coisa. “Cafofo da Cráudia” vir dizer que é especializada em Design é uma piada de mau gosto aliás, eles nem sabem o que é DESIGN! Isso é uma mentira! O que as revistas mostram é apenas uma pequena e irrisória parte do nosso trabalho e, muitas vezes também, trata-se de ARQUITETURA. É um total desrespeito com a nossa área profissional. Estas revistas só servem para confundir o mercado.

    (9) Da totalidade de ambientes das mostras que acontecem no Brasil, se contarmos 2% dos ambientes que são (ou foram) realmente projetos de Design de Interiores/ambientes é muito. É pura decoração, arquitetura e exposição de peças de design e lançamentos de produtos. Outra coisa que distancia as mostras do Design é que predominam tendências, estética, luxo… os elementos do design ficam para trás e em muitos espaços não se observa absolutamente nada dele. É um surto coletivo de mediodridade conceitual que somente prejudica o mercado.

    (10) ATENÇÃO AQUI=> Isso me soou assim: olha aqui deputados, isso é somente entre nós (ABD) e vocês parlamentares.  SE, e somente SE houver a necessidade de ouvir alguém de fora, somente serão os por nós indicados e que “rezem a nossa bíblia”. Muito ético, muito  transparente, muito respeitoso com os profissionais não é mesmo? No entanrto vale lembrar-lhes que vivemos numa DEMOCRACIA onde o arbitrarismo (normal para vocês) não tem espaço.

    (11) Opa pera lá!!! Onde estão o CAU, IAB, AsBEA e outros ligados à Arquitetura que são quem realmente nos enchem o saco com suas sandices??? Os engenheiros NUNCA nos causaram problemas.

    (12) Poxa, até que enfim aparece isso vindo pela ABD. Uma pena que esse discurso somente ficará no texto de defesa deste projeto. Pois SE a ABD fosse séria, já teria lançado inúmeras notas e campanhas sobre este assunto, mas mantem-se calada como se nada disso acontecesse. E tem mais, direito adquirido não é significado de reserva “ilegal” de mercado, portanto este argumento dos arquitetos é falacioso e criminoso.

    (13) De acordo com o item 4 acima, o correto seria a existencia do seguinte texto: “planejamento de alterações estruturais visando a melhoria dos espaços/ambientes adequando-os às necessidades dos usuários.”

    Minhas considerações finais:

    Está, de modo geral, bom o projeto. Porém é mais salutar e ético e ABD deixar os designers de interiores/ambientes em paz e ficar apenas com os arquitetos decoradores e decoradores como seus membros. Já que não nos respeita em nossa especificidade que pare de nos usar porcamente.

    Também, revogar a ação idiota de alteração do nome e voltar a ser Associação Brasileira dos Decoradores, já que de designers, nunca foi nem nunca será.

    Outra coisa, este texto está ótimo sabe para que? Para depois da regulamentação do DESIGN ele servir para regulamentar a área dentro do Conselho de Design, assim como acontecerá com as outras áreas suprimidas do PL de regulamentação do DESIGN. Mas claro, aproveitado por NÓS, verdadeiros DESIGNERS e sem ingerência desta associação tosca e vendida.

    Vi várias vezes em comunidades e fóruns pela web, o pessoal mais ligado ao CAU elaborando planos para regulamentar Design de Interiores através deles, dentro do CAU. Mas o primeiro passo seria a extinção dos cursos de Design de Interiores aqui no Brasil. Isso é só uma parte das sandices que vi pela web.

    Também alerto para o fato de que um amigo meu de Brasilia me informou que tem um deputado negociando com o CAU a inserção da área dentro do conselho, já com um projeto de regulamentação em mãos.

    INADMISSÍVEL!!!!

    Já vi várias afrontas do CAU e outros órgãos da arquitetura sem que a ABD se pronunciasse, deixando parecer para todos que eles estão certos.

    Se a ABD quiser seguir em frente com isso, terá de alterar este projeto para Decoração (o nome da associação também) eliminando atribuições dos designers e arquitetos. Estes são apenas alguns pontos de discordância e existem ainda muitos outros que corroboram a posição de vários profissionais verdadeiros da área e nos embasam inclusive, juridicamente, para barrar essa tentativa de golpe contra a nossa profissão.

    Então é bom a ABD parar com esse processo, pois de estudantes à profissionais, enfrentarão uma batalha que jamais imaginaram contra essa tentativa descabida de golpe contra a nossa profissão pois de profissionais a estudantes, serão muitos os que se levantarão contra esta associação.

    Já existem grupos formados e observando o andamento de tudo isso. Não há nenhum vinculo desta ação com qualquer outra associação. São grupos compostos por acadêmicos e profissionais formados em Design de Interiores/Ambientes revoltados com o descaso, desrespeito e falta de transparência e ética da ABD.

    Na próxima semana estou pedindo minha desfiliação da ABD e vou sim postar em meu blog, mais uma vez, o porque da decisão. Associado, entende-se que eu concordo com as atitudes dela. Por mais que eu diga que não e afronte-a em meu blog e redes sociais de nada adianta.

    Por duas vezes a ABD tentou comprar o meu silêncio oferecendo-me vantagens. Mas não me deixo comprar, não sou sujo.

    Um exemplo disso foi quando “surtei” (novamente) meses atrás e lancei um post ácido e critico contra a ABD, o pessoal entrou em contato comigo me convidando para ser colaborador para palestrar, ministrar cursos, escrever artigos para o site, etc… desconfiei… e realmente não passou de uma tentativa de me comprar/calar pois nunca mais entraram em contato.

    Por falar nisso, comentei (sem saber quem era ou se havia alguma ligação dela com a ABD) com uma colega de profissão sobre isso e ela literalmente teve um piti em publico, surtou porque “como a ABD convida pessoas sem ao menos me consultar, pedir minha aprovação? Sou eu que mando nisso lá dentro!”. Foram as palavras dela… Prova de que tudo não passou de mais uma armação imunda da ABD na tentativa desesperada de comprar o meu silêncio.

    A ABD não passa de ilusão, de um reininho cor de rosa onde os pseudos reis e rainhas intercalam-se no poder para manter sempre a mesma coisa nojenta, inescrupulosa e ineficiente. Usam-na apenas como trampolim profissional e social através da mídia que compram. E os idiotas associados aplaudindo cegamente e bancando toda essa palhaçada sem questionar nada ou, quando questionam, não recebem qualquer resposta. No máximo recebem uma resposta de que a diretoria analisará a situação e enviará um parecer que. Bem sabemos,  NUNCA vai chegar tal resposta. E afirmo isso por experiência própria.

    Então é isso. Taí a porcalhada que a ABD está tentando fazer nos bastidores.

    Siga-a e aplauda-a quem for idiotizado ou acéfalo.

    Eu tou fora.

  • Uma questão de bom senso…

    E a regulamentação do Design no Congresso Nacional (CN), vai muito bem, obrigado!!! Esta semana ela foi aprovada em mais uma Comissão e segue a passos largos para a aprovação final.

    No entanto, vale lembrar que a área de Design de Interiores/Ambientes foi excluída do processo por pressões  da ABD e do lobby dos arquitetos lá no CN. Logo, a nossa área não está sendo regulamentada.

    Por um lado, uma associação frustrada e irresponsável, um reininho formado ensencialmente por não designers, que se acha no direito de falar em nome dos designers. Sim, a maioria lá dentro são arquitetos e decoradores. A minoria é designer.

    Embrenham-se no meio do processo, dizem “não pois temos um projeto proprio de regulamentação” como se tivessem o direito de falar em nome dos designers.

    Uma associação que num ato arbitrário, altera ao seu nome desconsiderando as diferenças entre os diversos profissionais que fazem parte de seu quadro de associados e atuam no mercado com atribuições distintas que por vezes – apenas por vezes – sobrepõem-se. Não faz a correta distinção entre estes profissionais. Diz amém às imposições de conselhos federais e associações de outras áreas, etc.

    Uma associação que faz vista grossa com a realidade do mercado. Uma associação que só se mexe quando a água bate na bunda de seus diretores ou amiguinhos. Uma associação que só se mexe em suas cidades sedes e se esquece completamente do restante do país. Uma associação que deixa seus associados sem qualquer apoio quando precisam.

    Uma associação formada por alguns membros sem caráter, dissimulados, que mentem, se fazem de amigos para conseguir informações confidenciais e depois divulgam-nas abertamente em reuniões da diretoria. (#PerdeuPlayboy) (#JáEra)

    Uma associação que apoia coisas como o curso de decoração da revista Casa Claudia (inclusive, vários diretores são “professores” desse lixo), aberto para qualquer pessoa que queira participar e avalisa cursos superiores-lixo de qualquer uniesquina.

    Uma associação que defende o direito e a legalidade da Reserva Técnica (RT), prática execrável pois prostitui o mercado além de ser anti-ético com os clientes que pagam duas vezes por um serviço contratado e com os colegas de profissão sérios.

    Uma associação que para calar-me (ou comprar-me) me oferece benefícios como, por exemplo, vir-a-ser palestrante ou colaborador do site – coisa que nunca aconteceu.

    Que feio ABD!!!

    Já que jogaram sujo comigo, me dou o direito de divulgar o LIXO do PL de regulamentação que vocês estão tentando enfiar no CN. Afinal, trata dos direitos de inumeros profissionais reais, sérios e competentes de Design de Interiores/Ambientes que vocês insistem em desrespeitar. Além do fato que estão fazendo isso pelas nossas costas, sem consulta, sem direito a opinar, sem direito a discordar, sem direito a nada. Então, vou sim divulgar a íntegra desse lixo de PL para que todos os profissionais de Design de Interiores/Ambientes tenham acesso a ele e fiquem cientes da grandiosa sacanagem que vocês estão propondo. Servirá também de alerta para os congressistas para que não comprem (ou se vendam) à esse PL ridículo.

    Por outro lado, um grupo corporativista existente dentro e fora do CN – o lobby – que pressiona para que a área seja excluída do projeto caso contrário haveria forte pressão visando a derrubada do projeto, o que levaria à bancarrota de mais uma tentativa de regulamentação do Design. Um grupo que não tem a menor noção da realidade, que acha que sabe o que é Design, que se acham designers quando na verdade o máximo que estudaram sobre Design foi a História do Design.

    Neste último grupo, alguns alegam que fizeram especialização em “Design de alguma coisa”, portanto são designers. Porém se eu – ou qualquer outro profissional – fizer uma especialização, mestrado e doutorado em “arquitetura de alguma coisa” e usar o título arquiteto eles me processam por “exercício ilegal da profissão”.

    Aham…

    Quanta seriedade e ética…

    =0

    Mas temos outros lados nessa história ainda:

    – Um CN formado por vários parlamentares desinformados e vendidos, que ainda confundem Design com Artesanato por exemplo;

    – A equipe que se reuniu para elaboração do PL de regulamentação do Design e chamou a ABD apesar de ter sido advertida incontáveis vezes – e por diversos profissionais – para que não fizessem isso, tendo recebido todas as informações precisas sobre o assunto provando que a ABD não era a melhor escolha.

    – Uma classe profissional desunida formada pro profissionais que não olham nada além de seus proprios umbigos.

    – O MEC que aprova qualquer porcaria de curso superior, especialmente das IES privadas. Cursos superiores mal elaborados, ineficientes, incompletos, superficiais, enfim, errados em vários aspectos.

    – IES privadas que só visam o lucro fácil.

    Estes são apenas alguns pontos que merecem ser destacados nesse contexto que estamos sendo forçados a viver. Pontos que merecem uma reflexão mais aprofundada por parte dos envolvidos e, principalmente, dos profissionais verdadeiramente formados em Design de Interiores/Ambientes.

    Num próximo post vou liberar o PL que a ABD está tentando enfiar no CN pelas nossas costas. Farei minhas considerações sobre o mesmo.

  • Cadastro e eleição no Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC).

    O Ministério da Cultura publicou no Diário Oficial da União desta sexta-feira (17), Portaria n° 116 (Seção 1, pág. 16) reabrindo, de 22 a 26 de agosto, o prazo para inscrições no processo eleitoral para escolha dos representantes da sociedade civil no plenário e nos colegiados setoriais do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC). O novo período também servirá para a a conclusão dos cadastros de eleitores e candidatos já inscritos.

    Aqueles que ficaram impossibilitados de se inscrever seja como eleitor, seja como candidato, e também os já inscritos que tenham feito cadastro incompleto, ou aqueles que precisarem acrescentar dados, anexar documentos ou que ficaram impossibilitados de fazer isso no dia 8, terão agora um prazo de cinco dias para validar a sua inscrição”, explicou João Roberto Peixe, secretário de Articulação Institucional do MinC.

    Com a reabertura das inscrições, foram alterados, também, os artigos referentes ao calendário do processo eleitoral. Os fóruns estaduais setoriais para a eleição dos delegados aos fóruns nacionais setoriais serão realizados de 18 a 23 de outubro, com votação durante esses dias na plataforma virtual do processo eleitoral do CNPC, disponibilizada pelo MinC.

    A comissão organizadora nacional poderá autorizar a realização de fóruns presenciais, mas a votação será eletrônica para permitir que todos os eleitores que tenham suas inscrições validadas possam exercer o seu direito de voto.

    Uma vez eleitos, os delegados estaduais setoriais se reunirão nos fóruns nacionais setoriais, que serão realizados entre 22 e 23 de novembro, para debater as políticas setoriais e eleger os candidatos aos colegiados setoriais do CNPC.

    Alterações

    A portaria também faz duas alterações no artigo 17, referentes ao registro de candidatos. Para facilitar as candidaturas, reduz de 10 para 3 o número mínimo de eleitores que devem subscrever carta de apoio ao candidato. A segunda exclui o limite de três cartas de apoio aos candidatos pelas entidades, que, agora, ficam livres para indicar quantos candidatos quiserem, inclusive as entidades de atuação nacional, que poderão apoiar candidatos nos diversos estados onde atuam.

    É importante ressaltar que os maiores problemas, hoje, são os cadastros incompletos dos eleitores e candidatos já inscritos e o número ainda insuficiente de candidatos. Estas mudanças no processo eleitoral irão permitir a complementação dos cadastros e possibilitar a validação de um número maior de candidaturas, especialmente nos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, afirmou Roberto Peixe.

    Segundo o secretário, as mudanças também possibilitarão que as áreas que enfrentam maiores dificuldades, como arquivos, circo, cultura dos povos indígenas, artesanato, arquitetura e urbanismo, moda, arte digital, patrimônios material e imaterial, possam atingir o quórum mínimo de eleitores e de candidatos inscritos em mais estados.

    É preciso que todos fiquem atentos, pois essa será a última oportunidade de assegurar a participação no processo eleitoral do CNPC”, concluiu.

    Documentação necessária

    Para participar como eleitores, os interessados devem ter, no mínimo, 18 anos, preencher o formulário de cadastramento, comprovar a atuação de três anos no setor em que desejam participar e apresentar cópia digitalizada dos documentos pessoais e do currículo profissional.

    Para o cadastramento como candidato será necessária, também, a apresentação de carta de apoio subscrita por entidade com atuação na área em que concorre ou pelo menos três eleitores da mesma área.

    (Texto: Marcelo Lucena, Ascom/MinC)

    ++++++

    Fiquem atentos ao site do MinC para efetuar sua inscrição.

  • Um esclarecimento necessário: eu e a regulamentação.

    Desde que começou  a movimentação pela regulamentação do Design, ainda lá no “falecido” Orkut, procurei estar presente nos debates nas diversas comunidades buscando contribuir.

    Quando foi apresentado que seria montado um comitê para elaborar uma minuta de projeto de lei, apoiei de imediato a idéia. Melhor um grupo que se reunisse no mundo “físico” que os diversos grupos que nunca chegavam à um denominador comum no mundo virtual.

    Porém, em determinado ponto foi lançado que este comitê seria formado esencialmente por associações com alguns poucos profissionaos convidados.

    De pronto indaguei se a associação que representaria a minha área (Design de Interiores/Ambientes) seria a ABD e tive uma resposta positiva: sim, seria a ABD.

    Parti então numa tentativa de mostrar que a ABD não seria a melhor opção mostrando com diversos exemplos práticos e reais os porques disso. Especialmente aquele que até hoje ela não fez: a ética e correta distinção entre Decorador, Arquiteto Decorador e Designer de Interiores/Ambientes.

    Em momento algum exigi ser “o profissional convidado” de minha área. Apenas me dispus a contribuir seja fornecendo material e conhecimentos específicos sobre a minha área ou até mesmo, caso convidado, participar das reuniões com recursos proprios.

    Como um determinado integrante deste comitê deturpou absolutamente tudo o que eu tinha exposto e percebi que, por ele, eu não seria bem vindo nem pessoalmente e tampouco virtualmente, passei a indicar outros profissionais formados na minha área e indiquei a AMIDE como uma associação mais coerente.

    Porém ele preferiu ignorar e fazer absolutamente tudo o que eu e diversos outros profissionais (até mesmo de outras áreas do Design) imploramos para que não o fizesse. Isso inclui ir buscar inormações da área dentro do meio da Arquitetura. Sim, ele entrou em diversas comunidades e fóruns de Arquitetura para buscar informações sobre Design de Interiores.

    De qualquer maneira eu nunca postei-me contra a regulamentação, mesmo depois de saber que minha área havia sido excluída do PL. Passei sim a lutar contra a palhaçada da ABD e seu arrogante rascunho de um projeto de lei independente que é absurdamente ineficaz e não vai alterar em nada a realidade das academias e do mercado de Design de Interiores/Ambientes. Vai continuar tudo na mesma: uma bagunça, todos dentro do mesmo balaio como se fossem a mesma coisa.

    Dias atrás recebi uma chuva de despautérios surtados desse senhor por causa deste comentário que fiz na page do Portal DesignBR:

    “XXX, quantas vezes terei de te avisar que a ABD não é referência para falar sobre Design de Interiores/Ambientes? Que eles nem sabem o que é isso pois só entendem de decoração? Ha aproximadamente duas semanas você teve uma nova reunião com eles. De nada adianta alerta-lo (coisa que faço desde quando começou a movimentação pela regulamentação lá no orkut). Cansei de me disponibilizar para participar das reuniões do comitê e vc preferiu me ignorar, me agredir publicamente nas comunidades (tem “n” testemunhas disso) e foi exatamente pelo caminho inverso e fez tudo que te alertamos para não fazer. Você não sabe o que é Design de Interiores/Ambientes… vc pensa que sabe mas nao verdade não sabe NADA sobre minha área. Teria sido muito importante que você tivesse ido participar do NDesign deste ano onde eu eu outros verdadeiros profissionais de minha área estiveram presentes para entender do que se trata e porque é sim DESIGN. Os presentes (convidados e encontristas) conseguiram entender a minha área sim como Design. Uma pena que vocês, cabeças duras, não tenham enviado um único representante nem que fosse apenas como ouvinte ou que fosse procurar os profissionais da minha área para conversar. Isso que estão fazendo não é regulamentação, é palhaçada, cirquinho baseado em guetinhos estúpidos. E o Design não precisa disso. Paulo Oliveira”

    Tudo bem que errei ao generalizar e dar a entender que eu me referia a todo o comitê, o que nem de longe é verdade. Referi-me especificamente a este senhor que, desde nossos primeiros contatos nas comunidades do Orkut preferiu, na falta de argumentos, passar a agredir-me ferozmente na pessoa, já que nas idéias sempre deixou claro não ter competência. O que se seguiu da parte dele nem vale a pena postar aqui pois nao vou sujar meu blog com suas palavras e palavrões em momento de “piti” e histeria.

    Logo após esse entrave na page do portal, o mestre Freddy solta uma nota no grupo setorial. De inicio não me atentei para o “FVC” no final da nota e pensei ser coisa do fulano. Independente do autor, percebe-se que distorcem o que escrevo alegando que:

    “Temos visto algumas observações de que”faltamos” ao NDesign. Na verdade nós somos um grupo de pessoas que se dispõe a participar desta luta e não um grupo de interesse que representa alguem ou alguma instituição. No momento atual com um projeto correndo no Congresso, com a necessidade de pressão para que nossos interesses sejam respeitados e apoiados, nos surpreende que o item não tenha sido ao menos incluido na pauta do NDesign. Pode até ser que tenha havido alguma discussão mas a falta de convite a alguém deste grupo, ao menos para esclarecer do que se trata, mostra uma profunda falta de interesse da atual classe de estudantes pelo assunto. Dá vontade de perguntar se há “futuro” nesta discussão e luta!!! /FVC”

    Provavelmente tem a ver com o que rolou lá na page do Portal. Mas erraram novamente: vários convidados falaram sobre o assunto em suas atividades. Vários bate papos aconteceram informalmente (alguns até bem quentes com divergências). Sim estiveram presentes, mas não sei o que fizeram ou se fizeram algo.

    Porém destaco que SE fizeram foi algo muito tímido e, tratando-se de NDesign, sabemos que com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, se nao fizer barulho, não é notado.

    Eu, que participei do dia 19 até o último dia não vi sequer um cartazinho qualquer com a palavra regulamentação chamando o pessoal para conversar numa sala ou o qualquer outra ação que fosse.

    Portanto, deixo claro que não sou contra a regulamentação do Design. Sou contra a exclusão da minha área do PL e a resistência em não inseri-la entre as áreas contempladas no PL.

    Até propus a alguns membros do comitê uma simples alteração:

    Eliminar as áreas e regulamentar o Design.

    Depois disso, dentro do Conselho, delimitar as áreas. É o mais correto, o mais justo, o mais ético.

    Como o projeto ainda está em tramitação (leia-se: sofrendo alterações), é possível fazer isso sem grandes consequências. Pode ser que demore um pouco mais o trâmite até a aprovação e sanção, porém não o inviabilizará ou levará tudo à estaca zero como alguns estão falando por aí na rede. E, para quem espera por isso ha mais de 20 anos, o que serão alguns meses a mais nesse processo?

    Então, que fique bem claro:

    Eu nunca fui contra a regulamentação do Design.

    Sempre apoiei mesmo discordando da exclusão de minha área.

    O que sempre fui contra é a regulamentação separada de minha área, especialmente sendo feita pel ABD que usa indevidamente o nome Design de Interiores quando, na verdade, nem sbe o que é isso.

  • Antes do designer, vem o Design.

    Como se já não bastasse toda a problemática que enfrentamos entre profissões – alguns profissionais de outras áreas são ardilosamente maldosos – e a desinformação geral, ainda temos de lidar com preconceitos dentro do próprio Design!

    É corriqueiro e comum no meio do Design preconceitos entre as áreas. Rola de tudo um pouco. É só olhar em qualquer fórum de Design e também nos das áreas.

    Toda piadinha, por mais inocente que seja, carrega em si um lastro de preconceito. Já as acusações vêm impregnadas do preconceito e uma absurda ignorância sobre o assunto.

    “Ah, ele partiu pra Produto porque não tem o dom da arte”, diz um gráfico.

    “Ah, ele foi pra Gráfico porque é péssimo em matemática” diz o de produto.

    “Ah, Interiores é coisa de patricinha ou de viadinho”, dizem muitos.

    São imensuráveis as piadinhas. No último NDesign ouvi muitas delas, especialmente sobre a minha área, Interiores.

    A não inserção de minha área na Regulamentação do Design tem muito a ver com isso.

    Basta de apartheid! Chega de guetinhos!

    O que ocorre é o seguinte: quando entramos para a faculdade pensamos que vamos encontrar um mundo maravilhoso, um universo infinito de possibilidades. Mas rapidamente percebemos que não é bem assim. Ou não, às vezes não nos damos conta de que as coisas não são bem assim. Somos forçados a acreditar que as coisas são exatamente como nos pintam.

    Por exemplo: numa universidade existem quatro cursos de Design: Produto, Moda, Gráfico e Interiores (Ambientes). Cada um tem o seu departamento, seus laboratórios, suas salas, seus professores (alguns compartilhados, mas em horários distintos), seus alunos, seus espaços.

    Muitas vezes percebemos que se trata de guetos que não se misturam nunca e/ou raramente algum maluco ousa interagir com outro grupo quando já é rapidamente repreendido seja lá de que maneira for.

    Não há interação, não há integração. Ficam todos fechados em seus mundinhos, observando e absorvendo apenas o que está em seu campo visual (aproximadamente 150° somando a visão central + a periférica) nos esquecendo dos 210° restantes.

    Não os culpo afinal, já foram condicionados a isso desde quando cursaram suas universidades. Na verdade o ser humano sempre é condicionado a isso, desde quando nasce:

    – Somos ricos, não se misture com “aquela gentinha” (pobres);

    – Aquele menino não é uma boa companhia para você;

    – A sociedade, que devemos participar, é apenas aquela à qual pertencemos;

    – Não devemos nos casar com outro de jugo desigual (igrejas);

    Entre outras incontáveis frases que ouvimos desde que nascemos que condicionam, normatizam e engessam o nosso desenvolvimento como seres humanos. Se ousarmos quebrar uma destas regras somos tirados como loucos, irresponsáveis, etc. Na verdade,

    https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ruN_LR60ZfQ

    A gente se acostuma numa vã ilusão de que seguindo estas regras seremos felizes… a gente se acostuma até mesmo a engolir e sofrer calados quando estas regras nos trazem tristeza, sofrimento e dor…

    Durante os cursos, a gente se acostuma a focar em nossa especialidade, a conviver com nossos colegas de curso, a pensar apenas em nossa área. Chegamos à faculdade e vamos direto para o nosso gueto. Se vamos à biblioteca buscamos as prateleiras de nossa área. Se encontrarmos com professores pelos corredores, só paramos para conversar com os de nosso curso. Na verdade só conhecemos estes. Só lemos revistas, livros, artigos, blogues, sites e toda forma de informação relativa à nossa área. Somos condicionados a isso. O sistema nos leva a isso.

    Pergunte a um professor: “o que é Design?”.

    Certamente ele irá começar um discurso teórico que rapidamente entrará em sua especialidade. Se ele for de produto, levará o discurso para esse lado.

    Interrompa-o. “Professor, eu perguntei o que é Design, não Design de Produto.” Tenho certeza que a maioria dos professores não conseguirá fazê-lo ou tentará algo que ficará genérico demais.

    A gente se acostuma a viver em nossos mundinhos, em nossos guetos, fechados em nossas conchas. E isso tem muito a ver com os profissionais no mercado também.

    Daí nascem essas piadinhas e comentários maldosos e errados sobre as áreas.

    Quando cheguei ao NJeitos, conversando com alguns encontristas e convidados ou ouvindo conversas paralelas, ouvi diversas vezes a frase  de que “interiores é coisa de patricinha ou viadinho”. Ficava quieto e apenas lançava: procure assistir a mesa redonda ou a palestra de amanhã sobre esta área. Acho que vai ser interessante para vocês.

    E o pessoal de gráfico que não aceita muito bem seus próprios colegas de curso que preferem trabalhar com ilustração? Porque não foram fazer artes plásticas então já que gostam tanto de desenhar?

    Mesmo diante de uma grade de conteúdos cobrindo uma imensidão de assuntos, percebe-se que o pessoal prefere informar-se apenas sobre a sua área. Muitos se tornam “achistas” sobre vários assuntos porque ouviram outros “achistas” dizer que é assim e aceitaram passivamente a desinformação como se fosse informação. Tornam-se achistas porque recebem uma informação e não vão pesquisar sobre o assunto para ver se confere com a realidade. Perguntam para um professor de Produto, o que é o curso de Interiores, por exemplo. Se este não tiver ligação com o curso de Interiores, certamente não conhece a especialidade para poder falar sobre com autoridade e acaba lançando ideias e teorias erradas.

    Professores também são assim. Vem direto para as aulas, quando tem um tempinho ficam na sala de professores de seu departamento/curso, não interagem – ou muito pouco – com professores de outros cursos. Muitos nem conhecem a maioria dos professores dos outros cursos além do visual.

    O de Grafico “acha” que sabe o que é Moda. O de Produto “acha” que sabe o que é Interfaces. O de Moda “acha” que sabe o que é Interiores. E o ciclo segue: a desinformação vai imperando.

    As associações segmentadas também contribuem alimentando esse tipo de desinformação e apartheid. Elas até conversam entre si, mas não – ou pouco – cooperam umas com as outras.

    E as coisas não devem, não podem continuar assim.

    Essa linha de pensamento afeta o mercado onde profissionais se digladiam e não se entendem. Isso está afetando até mesmo o processo de regulamentação profissional em trâmite no Congresso Nacional.

    Temos de ter em mente que:

    Antes do designer (especialidade), vem o Design (área).

    Não podemos e nem devemos manter ou alimentar estes guetinhos como se fossem coisas absolutamente distintas, não misturáveis, não integráveis ou integrantes da mesma raiz: o Design.

    Um exemplo rápido: o pessoal de Moda quando faz um desfile, não busca conversar com o pessoal de Interiores/Ambientes para que estes desenvolvam a cenografia de seus desfiles ou produções de catálogos e editoriais. E as salas de aulas são ali, uma ao lado da outra. Mas ficam isolados em seus mundinhos.

    Não podemos nos esquecer de que a base de todas as especialidades é a mesma: o Design.

    Pregam que o Design é multidisciplinar, mas na pratica não vemos isso acontecer de maneira efetiva. Produto pega parte de Gráfico apenas no que lhe interessa. Interiores pega parte de Moda apenas no que lhe interessa. E não há uma busca real de integração, interação, complementação, cooperação. O que temos é apenas um aproveitamento de conhecimentos.

    Prefiro afirmar que o Design é trans ou até “megadisciplinar”. Ele não é apenas multidisciplinar. Ele passeia e dialoga por praticamente todas as áreas do conhecimento que seus conteúdos abrangem.

    Portanto, entes de sermos designers, temos de ter em mente que temos uma raiz em comum: o Design.

    Então, não leiam e pesquisem apenas sobre a sua especialidade.

    Professores, não falem sobre outra especialidade se não tem autoridade sobre o assunto. Não fechem as possibilidades de seus alunos apenas na sua especialidade. Não limitem os TCCs ou TFGs à especialidade.

    Alunos, interajam com alunos de outros cursos, busquem formas de integração, cooperação. Ampliem seus conhecimentos.

    Porque não uma associação nacional que agregue todas as áreas do Design? Seria muito mais forte, teria muito mais peso e, consequentemente, mais facilidade de trânsito e visibilidade que as segmentadas.

    Somos muito mais do que nos condicionam e nos acostumamos a pensar.

    O NJeitos foi um excelente exemplo disso. Apesar das piadas paralelas, a integração entre especialidades foi excelente e engrandeceu o Design e a compreensão sobre o Design.

    Quem não é da área e assistiu ao Dedo de Prosa ou à minha palestra sobre Design de Interiores/Ambientes saiu com uma visão diferente da que tinha sobre a mesma. Conseguiu compreender – além do porque é sim Design – como é importante e integração e cooperação entre as áreas. E assim foicom as outras atividades. Isso ficou bastante claro nos dois últimos dias nas conversas que tive com o pessoal e pude perceber a alteração positiva de pensamento sobre a área pelo pessoal de outras áreas.

    Viemos do Design, e ele é muito maior que as especialidades.

  • Design de Ambientes – isso também é Design.

    É bastante comum a confusão entre o que é arquiteto, decorador, designer de interiores e designer de ambientes. Pela pouca produção teórica específica na área que mostra-se incipiente e também por poucos profissionais dispensarem alguns momentos para pensar a profissão por estarem sempre enfiados em projetos e mais projetos, vivemos em meio a este turbilhão de desinformação. Precisamos pensar a nossa profissão de maneira coerente, séria e ética. É isso que proponho com este texto.

    Há anos cobramos da ABD uma definição que, pelas praticas desta associação, constata-se uma forte resistência a esta definição correta. Buscam então impor a desinformação, sem qualquer possibilidade de diálogo.

    Já escrevi em meu blog “Design: Ações e Críticas” sobre as diferenças básicas neste post e também neste outro. Mas vou ser mais profundo, crítico e prático sobre o assunto.

    Atenção: Nem de longe pretendo aqui desmerecer ou desqualificar a arquitetura, que fique muito claro isso. Quem entender assim o fará por pura deturpação de meu texto, baseado em sua visão corporativista. Então muito cuidado com a interpretação do conteúdo deste texto. Vale lembrar que:

    “Eu sou responsável pelo que escrevo, penso e falo. Nunca pelo que você entende de maneira distorcida”.

    Existe um ditado no meio profissional que afirma:

    “Todo arquiteto é designer e nenhum designer é arquiteto”.

    Calma lá, as coisas não são bem assim. Não podemos admitir que “todo arquiteto é designer” de forma leviana como vem sendo pregado. As coisas não são bem assim. Então vamos colocar os pingos nos “Is”.

    Essa linha de raciocínio vem dos catedráticos que impõem leis por eles ditadas ou replicadas como se fossem verdades absolutas e que ninguém, nunca, deve ousar questioná-las. Porque é Vitruvius (sem bem que este coitado é mais distorcido que Marx nas interpretações e releituras), Gropius ou qualquer outro “deus” da arquitetura, é inadmissível refutar e muito menos ousar tentar derrubar qualquer uma de suas teorias. Teorias estas que são repassadas de geração em geração da mesma forma como um cabresto. Devemos aceitar que nos enfiem goela abaixo, mesmo que forçado, tudo isso sem questionar absolutamente nada. Porém vale lembrar que eles são meros humanos, pensantes, como eu, você e qualquer outro. Não foram, não são e tampouco serão deuses. As praticas, formas de pensar deles relacionam-se com o seu momento, o seu tempo, o seu contexto histórico, com as suas necessidades. Se vivessem hoje, teriam certamente outra forma de pensar. E nas academias, de um modo geral, teorias não devem ser contestadas.

    O equivoco hermenêutico é desconsiderar o tempo e o espaço em que se insere um determinado autor. Só há espaço para pensar o novo se for relacionado a tecnologias.

    Em primeiro lugar, a academia de arquitetura e os profissionais devem parar de colocar que tudo, desde a criação é arquitetura. Isso é uma mentira debochada e leviana. Ah, o homem de neanderthal, numa caçada encontra-se repentinamente em meio a uma tempestade e não tem onde abrigar-se. Pega então três galhos, joga umas folhas por cima e voilá: é arquitetura!

    Não mesmo. É uma barraca e arquitetos não projetam barracas nesse sentido. Isso é produto. Arquitetura é fixa, é estrutura, é construção. Não a carregamos nas costas para onde vamos.

    Portanto, nem todo arquiteto é designer. Alguns – muito poucos – podem vir a serem sim. Mas apenas por receber seu diploma de arquitetura não. Nenhum arquiteto sai da universidade como designer, com conhecimentos específicos sobre a área que o enquadrem como Designer. Ter tido em sua matriz curricular disciplinas como História do Design ou desenho e detalhamento de móveis não o tornam designers. Design é tão complexo em sua especificidade quanto a arquitetura, tanto que os cursos são tão longos quanto os de arquitetura. Apenas aqueles que buscam especializar-se e atuar especificamente com Design podem ser reconhecidos como tal. O restante, são arquitetos.

    Em segundo lugar, ainda corroborando o parágrafo acima e apenas para lançar um breve exemplo disso, o desenho e detalhamento de móveis ensinado nas faculdades de arquitetura nem de longe se aproxima da mesma disciplina ensinada nos cursos de Design. Na arquitetura ficam basicamente na forma, função e estética (não necessariamente nessa ordem). Os desenhos são geralmente um esboço do que foi idealizado. As soluções técnicas construtivas ficam a cargo dos marceneiros que definirão e solucionarão a resistência dos materiais, ferragens (pregos, parafusos, dobradiças, corrediças, etc), processos de montagem. Nenhum arquiteto sai da universidade consciente do que é um desenho industrial e capaz de fazê-lo de tal maneira que possa ser inserido na central de controle de uma linha de produção para que o produto saia na última máquina pronto, sem falhas ou interrupções. Nem mesmo os ciclos do processo produtivo e de vida do produto são ensinados. Portanto, não é Design.

    Os arquitetos de formação são na verdade arquitetos-decoradores, nunca arquitetos designers de interiores por estas e várias outras situações que poderia elencar neste post. Mas ainda vale lembrar que sim, Decoração nasceu dentro da arquitetura, mas em seu início não era feita por arquitetos. Ou será que o primeiro neanderthal que resolveu usar uma caverna como abrigo ocupando seus espaços tinha feito uma faculdade de arquitetura? Sabemos piamente que não. Então porque este processo não pode também ser admitido como o princípio do Design de Ambientes? Porque não se pode questionar isso? Devemos nos lembrar também que dos primeiros arquitetos reais até bem pouco tempo atrás, eles cuidavam da estrutura, da edificação, da construção, de seu impacto no entorno, das cidades. A parte interna, decorativa, geralmente era feita por pessoas de bom gosto. Os mobiliários, projetados e confeccionados por marceneiros (artesãos). E nenhum deles eram arquitetos.

    Mas prefiro aproveitar o espaço do presente texto para esclarecer corretamente porque Design de Ambientes tem sua raiz no Design e não na Arquitetura.

    Como não temos a intenção de projetar e tampouco construir edificações e tampouco este é o nosso foco, não temos o menor interesse em sermos reconhecidos como arquitetos. Portanto, não cabe a acusação de que tentamos invadir a arquitetura.

    Já a idéia de que Design de Interiores (doravante, Designer de Ambientes ou Design de Ambientes) é uma “evolução” da decoração – inclusive a ABD prega isso como regra – precisa ser desmentida pois trata-se de uma falácia maldosa e sem sustentação teórica alguma.

    Nem de longe aqueles antigos cursos de curta duração (poucos dias) tem algo a ver com Design de Ambientes. Na verdade, a Decoração é apenas uma pequena parte dentro do Design de Ambientes e da Arquitetura. Como já expliquei aqui em meu blog, Decoração é o ato de coordenar panejamentos, revestimentos e acessórios com a intenção de embelezar os interiores. Não deve ser negado o fato de que estes cursos antigos eram freqüentados essencialmente por madames que buscavam conhecimentos para melhorar esteticamente as suas próprias residências ou para ocupar o seu tempo ocioso. Poucos estudavam para aprender uma nova profissão e trilhar este caminho. Tanto que os decoradores – e nós também – sofrem até hoje com o estigma de que “isso é coisa de madame que não sabe o que fazer na sua vida” ou “isso é meramente um hobby e não uma profissão”.

    Também devo ressaltar a questão da especificação: decoradores especificam móveis prontos e no máximo lançam escopos de algo mais personalizado, mas não fazem a menor idéia de como desenvolver o projeto de um móvel e desconhecem os processos envolvidos. Sempre são peças únicas e/ou adaptadas de outros projetos. Outros detalhes que deixam claro essa diferença: nos cursos de decoração não eram ensinados projetos hidráulicos, elétricos, sistemas prediais, ergonomia, segurança entre vários outros elementos que a Arquitetura e o Design de Ambientes utilizam em seus projetos. Também vale ressaltar que o processo projetual na Decoração coloca a estética/estilo/bem-estar antes de elementos muito mais importantes como os estudos de levantamento, detecção e soluções para o problema, função, formas e meios de produção entre outros.

    Portanto não, Decoração não é o mesmo que Design de Ambientes. É apenas uma pequena parte dele e da Arquitetura.

    Chegamos finalmente ao Design de Ambientes.

    Eu me recuso a utilizar o termo Interiores e uso Ambientes. Explico o porquê:

    O termo “Interiores” vem do nascimento desta profissão e que, infelizmente, foi elaborada e pensada nas universidades essencialmente por arquitetos. Especialmente aqui no Brasil. poucos foram os designers – das diversas áreas – que tiveram acesso a esse processo de pensar a profissão. Tanto é verdade que até hoje a maioria dos docentes dos cursos são arquitetos, incluindo disciplinas específicas em Design onde, também a maioria, não tem qualquer especialização ou conhecimentos específicos no assunto. Isso atrapalha e engessa desde o pensar até a definição e evolução para chegar à informação correta, à acreditação e visibilidade da profissão. Muitos debocham de seus alunos com relação à escolha da profissão denegrindo-a. Outros tantos estão ali não por amor à educação mais por interesses pecuniários do que propriamente reconhecer o valor do profissional que está sendo formado dentro de um currículo. Estão distantes do que propõe a proposta curricular do curso onde são docentes.

    Longe de desmerecer a atuação docente dos arquitetos dentro dos cursos de Design de Interiores/Ambientes, o correto, coerente e ético é que eles permaneçam no corpo docente, mas apenas em disciplinas de sua alçada: sistemas prediais, sistemas estruturais, desenho arquitetônico, história da arquitetura, restauração, etc. Deixando a parte relativa ao Design, com docentes da área do Design. Até mesmo iluminação é interessante deixar nas mãos de um designer afinal, já tem especialistas no assunto no mercado.

    Isso também tem a ver com as distorções detectadas em praticamente todos os cursos de Design de Interiores e a própria nomenclatura que leva-me a acreditar que essa escolha foi proposital. É comum alunos ouvirem de seus professores arquitetos que o curso é de “interiores”, portanto nada que estiver para fora das quatro paredes (exterior) podemos mexer.

    Se um cliente contrata um designer e o ambiente é composto por um living com uma varanda anexa, insistem que o designer não pode atuar na varanda por ser um ambiente externo. No entanto não reclamam de um artista plástico faz uma intervenção numa fachada.

    Incoerente isso.

    Esse tipo de atitude levanta muralhas psicológicas no acadêmico que permanecerão durante sua vida profissional cerceando a sua capacidade criativa e conseqüente produção. E são impostas como leis irrefutáveis.

    Outro ponto importante é que os arquitetos lidam essencialmente com arquitetura e tem seu foco mercadológico nessa área. Com isso, as disciplinas de projetos ficam na maioria das vezes focadas apenas em interiores residenciais e comerciais. Esquecem-se, no entanto, que existem muitos outros segmentos em que o designer de ambientes pode e deve atuar. Na verdade reafirmam veementemente que a atuação resume-se aos projetos de interiores. Percebe-se claramente que a exigência na elaboração dos projetos impõe tendências, peças de design assinado ou os clássicos em suma, um arranjo de coisas prontas, bonitas e organizadas que são mais decoração que design.

    Afirmo isso pois é inadmissível um paradigma que enjaula e engessa todo o conhecimento de um designer de ambientes – seja por corporativismo ou qual motivo for – entre quatro paredes permaneça intocável, como se fosse um baluarte santificado.

    Se aprendemos a projetar um banco para uma residência, porque não podemos projetá-lo para uma praça? Se aprendemos paisagismo, porque aprisionar o nosso conhecimento em jardins de inverno ou vasos no interior? Só porque o nome do curso é Interiores?

    Creio que seja por causa do desconhecimento que estes tem sobre o que é DESIGN. Muitos acham que sabem o que é Design quando na verdade tem apenas uma vaga idéia, e bastante distorcida. E vemos constantemente na mídia provas disso. Outros tantos o fazem pela visão errada de que estamos invadindo áreas o que também é uma falácia em que acreditam. Se formos por esse caminho, arquitetos invadem a área da engenharia civil e aí como fica?

    Podem também alegar os Designers de Produto que estamos invadindo a área deles? Sim em partes, pois o projeto de um móvel feito por um profissional de produto tem um estilo seriado e industrial ou seja, comercial. O de ambientes faz o mesmo projeto de produto, porém consegue captar necessidades, peculiaridades e personalidade das pessoas e adaptá-las na seriação de maneira que possa ser também vendável e rentável respeitando igualmente todo o ciclo de produção e vida do produto final. E não, afinal nossa raiz é a mesma: o Design.

    Não somos e tampouco queremos invadir. Nosso foco é outro completamente diferente.

    Porém não podemos deixar de contribuir, somar.

    Na verdade esta é a meta de todas as profissões: contribuir para a construção de um mundo melhor, mais justo, mais seguro, mais humano, mais viável, mais prático, mais belo, mais ético. E nenhuma, absolutamente nenhuma profissão é capaz de realizar isso sozinha. Todas dependem direta ou indiretamente umas das outras.

    E o Design está em tudo, em todos os lugares, em todas as áreas e tem muito a contribuir com todas as outras profissões e a sociedade. E estamos aqui exatamente para isso.

    E, antes de sermos designers de ambientes, devemos nos lembrar que nossa raiz está no Design.

    Portanto, passemos a utilizar a nomenclatura mais adequada: Design de Ambientes como profissão; designer de ambientes como profissional.

  • A “bendita” e mal intencionada reserva de mercado

    Fico muito feliz que minhas duas últimas colunas na Lume Arquitetura estejam dando um verdadeiro chacoalhão no mercado.

    A primeira direcionada aos profissionais. A segunda à industria, fornecedores e lojistas.

    Sim, atingi meu objetivo. Estou recebendo muitos elogios, mas também críticas. Ótimo sinal de que fui certeiro nos problemas e, como nao tenho o rabo preso com ninguém, falo o que quiser.

    Porém, os que me criticam deixam claro que concordam com as práticas espúrias que prostituem o mercado e não estão interessados na construção da profissão. Destes, nós profissionais sérios e comprometidos, definitivamente, não precisamos. O mercado nao precisa de gente assim maculando a profissão.

    Na última edição saiu uma entrevista com o presidente da AsBAI no mínimo, nojenta. Sob um falso discurso de renovação, novos ares, novos caminhos, percebi que nada mudou, continuam com a mesma cabeça oca de sempre. Só que agora estão agindo nos bastidores (sim sei dos passos que estão trilhando nos bastidores) e me levou a fazer o post AsBAI e reserva ilegal de mercado.

    Diante disso exposto, muitos profissionais revoltaram-se com a situação e intenções desta associação. Tanto que a Malu Junqueira soltou na sequencia outro texto também bastante ácido e sério sobre a situação.
    Transcrevo-o abaixo. Volto ao final:

    A “bendita” e mal intencionada reserva de mercado

    Fazendo um contraponto ao dito de meu colega lighting designer e designer de interiores, Paulo Oliveira, coloco também meu ponto de vista. Em relação a matéria da revista renomada e séria, Lume Arquitetura, com conteúdo de uma entrevista ao recém-empossado presidente da AsBAI, o jovem Rafael Leão, concordo plenamente com o colega Paulo. Rafael não tem vivência suficiente para poder colocar todas as suas prerrogativas como sendo a verdade absoluta. Como já disse em outras ocasiões, não existem verdades, mas sim versões. E, Deus só existe um, o onipotente.

    Acredito até que ele tenha boa vontade e ótimas ideias, mas em pleno século vinte e um, não podemos admitir que ainda pudesse existir discriminação, seja ela racial, religiosa ou mesmo profissional. E é o que acontece com a AsBAI. Os outros profissionais não aceitos em seu quadro, mesmo sendo arquitetos, se sentem rejeitados e discriminados por não compactuarem com seus modos de pensar; e com isso se colocam à margem vendo a banda errada passar.

    Os dirigentes de associações voltadas para a iluminação também não aceitam e nem concordam com seus estatutos. Está se formando uma associação protecionista apenas para quem reza em sua cartilha. O que fazer com esses profissionais que de uma forma ou outra são reconhecidos? Pelas escolas, pelos alunos, pelos leitores e por dirigentes sérios de um profissionalismo exemplar? Se temos respeitadíssimas pessoas em nosso mercado de trabalho (o da iluminação) que até são convidadas para participar de evento internacional em solo nacional, o Rio +20 e membro de associação abalizada e que faz restrição aos estatutos dessa “mandona” entidade, por que os “manda – chuvas” querem por força serem melhores? Não seria de bom tom e melhor convivência não impor regras e deixar o mercado ser algoz?

    Se nós “os pequenos” que fomos aceitos pelo mercado de trabalho, pelos nossos clientes e fomos não só analisados, mas fomos agraciados com prêmios pelos nossos trabalhos executados, não basta?

    Será que os novatos sofreram lavagem cerebral? Será que o tempo dos coronelismos não vai acabar nunca? Eu mando e você obedece? Isso é inadmissível…

    Essa sociedade brutal precisa acabar, pois o sol nasceu para todos; por certo que a sombra só para meia dúzia, mas espaço há para todos e que se sobressaia o melhor. A competição é salutar! Ou será que essa imposição absurda reflete certo temor em perder o poder? O que neste século, nosso papel, é, de na corrida da vida mostrar que podemos e devemos ser melhores pessoas para que com nosso exemplo, possamos inspirar novas gerações com o livre arbítrio de pensar e agir. Pelo menos temos que tentar.

    Fiz parte dessa associação (discriminadora) por um curto espaço de tempo, e deliberadamente resolvi sair, por me sentir aviltada por tentar ajudar e não ser aceita. Já que na área da iluminação era discriminada, tentei ajudar na área jurídica. Também sou bacharel em direito. Não fui levada a sério.

    Então lutemos com as armas que temos e vamos em frente. Quem sabe possamos deixar este grito para o futuro.”

    Diante da divulgação de meu texto e depois deste da Malu, surgiu um forte movimento de indignação de profissionais que atuam na área da iluminação.

    Comprometimento é a palavra e defesa a regra.

    Vale salientar que não falamos de pessoas e sim da instituição e suas artimanhas. Esse recado vai para a ABD também. Estão no mesmo barco que a AsBAI, tramam as mesmas sujeiras nos bastidores sob a lápide da ética.

    Mas que ética se nem mesmo seus diretores, membros cumprem um simples código de ética ditado e imposto por eles mesmos?

    Em breve terei mais notícias muito boas para vocês que não posso compartilhar por hora, mas os reinadinhos baseados em apartheids e reservas ilegais de mercado irão desmoronar.

    E a ação já começou!!!

  • N Jeitos – Ô trem bão!!!

    É, o NDesign em BH foi um evento daqueles que nos fazem pensar “Ô trem bão sô”!!!!

    Foi tão bão, mas tão bão que ninguém queria que acabasse…

    Foi tão bão, mas tão bão que ouvi de alguns organizadores dos próximos eventos que o NJeitos complicou a vida deles pois vão ter de trabalhar muito para ao menos igualar o nível do evento.

    No Open Space (atividade em grupos para pensar os próximos eventos), antes da plenária final, decidi participar para aproveitar e colocar mais atenção sobre a nossa área, Interiores/Ambientes, nos próximos eventos.

    Acabei falando antes da plenária final, parabenizando-os e incitando (energizando) todos os presentes. Pena que eu não tinha conhecimento deste vídeo, senão teria pedido para passar antes do encerramento:

    The Wayseer Manifesto – Visionarios do Caminho (Legendado)
    watch?v=hlSX3e6Kbx0&feature=player_embedded

    Tem tudo a ver com o espírito do evento, dos participantes e dos Designers!!!

    Então propus aos presentes o seguinte desafio daqui para a frente:
    “Antes do designer, vem o DESIGN.”

    Para os próximos eventos dei a idéia de que no primeiro dia, as primeiras atividades não foquem em nenhuma área específica e sim, apenas no DESIGN. Que seja apenas uma palestra, mesa redonda, bate papo onde o “apartheid”, a segregação não estejam presentes. Derrubar os preconceitos entre áreas já de início. Após “abrir a mente” dos participantes, parte-se para as especificidaders.

    Antes de eu ser designer de ambientes, a minha raiz, base, estrutura está no DESIGN. Uma idéia para quebrar barreiras, derrubar paradigmas, eliminar os guetos profissionais e dos departamentos…

    Se você é de produto, não interaja apenas com o pessoal do seu curso, não leia apenas sobre produtos, não produza apenas sobre produtos, não pense apenas em produtos. Isso é um paradigma imposto pelo sistema que precisa ser questionado até ser derrubado.

    Promovam a interação entre os departamentos de design nas universidades estudando como um segmento pode contribuir, colaborar, somar com os outros.

    Ampliar a mente, expandir a visão e o foco. Somos multi, pluri, trans e megadisciplinares.

    E nunca pedir informação sobre ambientes para um gráfico. Faça isso diretamente a um de ambientes.

    O N Jeitos trouxe uma nova forma de ver o Design, várias atividades foram multifacetadas (inter-áreas). Não deixem isso morrer.

    Como falei no encerramento, o nome “N Jeitos” foi uma sacada genial da organização. Já derrubaram inúmeras barreiras só através do nome escolhido.

    Também elogiei o pessoal que está organizando o RDesign de Curitiba (acho que em outubro próximo): 360°.

    É isso, abram suas mentes, ampliem seu mundo, nosso campo visual é em média de 150° e com isso, deixamos de perceber o restante que fica escondido nos 210°.

    Me esqueci de falar na hora mas tinha um grupo bem na minha frente e o nome do R é bem isso: Revolução!!!

    Revolucionem, não se contentem, não aceitem pacificamente tudo que lhes é imposto. Que a partir do N Jeitos, esse pensamento de inovação, inquietação, indignação, inspiração, integração esteja presente não só nas organizações dos próximos eventos mas, principalmente, na cabeça de todos.

    Como falei, estou a disposição de todos para auxiliar, indicar, propor, participar enfim, ajuda-los a construir os proximos eventos. É só entrar em contato que terei o maior prazer em ajuda-los.

    Afinal, somos parte dos “Visionários do Caminho”!!!

    Valeu pessoal!!!

  • NDesign 2012 – N Jeitos – BH

    Bom, pra quem perdeu e para aqueles que não fazem a menor idéia do que são os NDesign, taí o vídeo que foi apresentado no encerramento do N Jeitos para que vocês vejam e sintam um pouquinho do que foi, o que rolou, como é…

    watch?v=YTy4oC-MFRc&feature=player_embedded

    Gente, vocês não fazem idéia do quanto me senti honrado em participar como convidado deste evento e como estou mega feliz com o resultado positivo da inserção da nossa área de Design de Ambientes dentro da grade oficial.

    Pensei que eu fosse o único professor que não suporta ficar na sala dos professores nas horas livres e curte muito ficar no meio dos alunos interagindo, mas percebi que os outros convidados também adoram fazer isso.

    Interagir, contribuir, compartilhar, construir, instigar, direcionar sem o uso de rédeas, derrubando muralhas e levantando em seu lugar pontes.

    É isso.

     

     

  • N Jeitos – conteúdos

    Foi realizado entre os dias 15 a 21 de julho, na cidade de Belo Horizonte, o N Design 2012. O tema deste ano foi N Jeitos.

    N Jeitos de fazer, pensar, aplicar, estudar, atuar, produzir, formar, enfim, N Jeitos de sair do quadradinho.

    Pela primeira vez a minha área ganhou espaço e recebeu o devido respeito dentro de um evento de Design. Digo isso, pois em outros eventos quando aparece alguma atividade em minha área, ela não recebe a mesma prioridade das outras e para piorar a situação, sempre convidam designers ou outros profissionais de outras áreas para falar sobre. O resultado é sempre a distorção e a disseminação da desinformação.

    Tanto é verdade que estamos fora do processo de regulamentação do Design porque os membros do comitê não entendem Interiores/Ambientes como área do Design. Porém só firam buscar informações dentro dos grupos de arquitetura e, pior ainda, da ABD.

    Mas desta vez, quem esteve presente como convidado foram pessoas realmente comprometidas com a profissão, com formação na área, que sabem muito bem o que estão afirmando e mostrando tornando possível a eliminação do “achismo” que impera sobre a nossa área e acima de tudo, são Designers de formação específica na área.

    Dentro do projeto original de construção do N Jeitos os pilares foram:
    – Foco no processo
    – Integração com outras áreas (não só do Design)
    – difusão do conhecimento.

    Dentro desse espírito foi lançada a grade de atividades. Dêem uma olhada em tudo que rolou (palestras, oficinas, workshop, plenárias, atividades, exposições, sepas, bazar, etc.) através deste link:

    http://www.ndesign.org.br/2012/atividades/

    Como podem perceber, foi muita coisa, cobrindo todas as áreas do Design e muitas ainda mostrando como o Design pode e deve contribuir com outras profissões.

    Em Design de Interiores/Ambientes tivemos:

    MESA REDONDA
    Dedo de Prosa – Design de Ambientes
    Mediador: Viviane Gomes Marçal
    Com
    Paulo Oliveira e Samantha Cidaley
    Era para ser uma mesa redonda e acabamos fazendo um bate papo onde a Viviane também pudesse participar mais ativamente, expondo seus pontos de vista e opinar afinal, ela também é uma profissional e educadora da área.

    PALESTRA
    Design de Interiores/Ambientes – N Jeitos de atuar
    Palestrante: Paulo Oliveira
    Descrição da Atividade:
    Falará sobre os diversos segmentos onde o profissional de design de ambientes/interiores pode vir a atuar no mercado, esclarecendo sobre nichos específicos e as áreas já tradicionais. Apresentará a multidisciplinaridade e amplitude da área mostrando muito mais do que é mostrado em salas de aulas nas universidades.

    SEPAS

    “As SePAs, ou Seminários de Produção Acadêmica, são espaços destinados à apresentação de trabalhos e pesquisas acadêmicas. Atividade tradicional no N Design, é, desta vez, adaptada para se adequar melhor à proposta N Jeitos. As SePAs serão divididas em Mercado, Universidade e Pesquisa, de forma a melhor orientar o encontrista no momento de sua escolha.” E dentro desta parte tivemos especificamente em Design de Interiores/Ambientes:

    Agencia bancaria referencia: valorização da interação ambiente-usuário (Thabata Regina de Souza) – A pesquisa propôs estudar a interação dos usuários com o ambiente das agencias bancárias, tendo como cliente o grupo Santander.

    Experiências sensoriais em ambientes interiores (Maryana Mondini) – Este trabalho traz um tema para a reflexão dos ambientes interiores atuais. Partindo de um novo conceito em ambientes: o branding design.

    Consultoria participativa para demanda popular no Design de Ambientes: método de Livingston (Talita Marques Soares) – Metodologia participativa que pode ser aplicada no Design de Ambientes, o método Livingston, que abrange técnicas, recursos e práticas de consultoria destinadas a parcelas pobres da população.

    A identidade corporativa e o uso do Design de Ambientes para o seu reforço: o caso Google. (Juliana Rizola) – A essencialidade da inserção do design nos ambientes corporativos e de como eles interagem na relação da sociedade com as empresas.

    GT – GRUPO DE TRABALHO DESIGN DE AMBIENTES

    Esta atividade surgiu por solicitação dos participantes após a mesa redonda: um grupo de trabalho onde pudéssemos pensar ações visando a melhoria da formação acadêmica, a acreditação e afirmação da área como integrante sim do Design e para promover a visibilidade da área. Tudo isso combatendo de forma positiva a informação imperante, desvinculando-a da arquitetura e decoração.

    (tema de mais um post MEU que provavelmente gerará uma guerra declarada com a ABD e minha expulsão da mesma. Tou nem aí, basta!)

    OUTROS

    Senti falta de oficinas específicas na área, porém diversas das de outras áreas puderam ser aproveitadas pelos acadêmicos de Design de Ambientes.

    Vale ressaltar também algumas outras atividades que aconteceram e me chamaram a atenção como, por exemplo, a SEPA Transdisciplinaridade do Design (Deborah Maeda Brasil) que expôs como o Design se relaciona com outras áreas de conhecimento, o que o caracteriza como transdisciplinar. (falarei mais sobre isso em outro post).

    Nas oficinas, Design Social – o Designer a favor da sociedade (Fabricio Silva Albuquerque). O Designer e a Economia Criativa (Barbara Schrage e Rômulo Pellizzaro).

    Passando por gestão, produção, pensamento, educação/formação enfim, por tudo, cada componente da grade do N Jeitos foi altamente positiva.

    Surpreendeu-me também a quantidade de acadêmicos da área participando do evento vindo de diversos cantos do país. Mas os acadêmicos de nossa área devem participar mais e mais sim.

    Portanto fica o recado para os cursos de Design de Interiores/Ambientes: fiquem atentos aos RDesign que acontecem na sua região e ao próximo NDesign que em 2013 será realizado em Salvador-BA.

    OPEN SPACE

    Foi uma atividade criada pela organização e lançada no N Jeitos que foi realizada antes da plenária de encerramento.

    São formadas mesas onde cada um pode propor um tema e os interessados se reúnem e debatem, propõem idéias e ações visando o NDesign do próximo ano e os próximos Rs. De assuntos, palestras, eventos, oficinas até a parte organizacional, estrutural e de conteúdos.

    Uma sacada genial deles e que deu muito certo. Foi bastante produtiva, interativa.

    Quem esteve presente e eu fiquei doido porque não consegui acompanhar nenhuma de suas atividades foi, simplesmente, Jum Nakao. Óbvio que terminou com um desfile dele, mas rolou palestra e oficina. Além de ser, no meu ponto de vista. O “the Best” em moda aqui no Brasil, o cara é antes de tudo Designer. Mostrou que não é porque é da moda que deve ficar preso ali no seu quadradinho.

    Eu, Samantha e Viviane também batemos nessa tecla no dedo de prosa e reforcei novamente na palestra, depois no GT e também no Open Space. Vou escrever um post específico sobre isso.

    Como podem ver, o N Jeitos apresentou o Design antes das áreas. Tanto que isso surgiu bastante forte nos assuntos do Open Space.

    Porém, o melhor de tudo foi perceber, por parte do pessoal de outras áreas (participantes e convidados), a receptividade e um melhor entendimento do porque Interiores/Ambientes é sim Design. Até mesmo um dos convidados que já tive debates com ele onde ele não aceitava e nem admitia (categoricamente) nossa área como parte do design. Após a mesa redonda e a palestra ele veio conversar comigo e me pedir desculpas pelas vezes em que ele foi ate mesmo grosseiro comigo pelos fóruns da web. Hoje ele entende sim a nossa área como Design e não mais como arquitetura ou decoração.

    Bom, como primeiro post sobre o N Jeitos, acho que já deu para vocês perceberem que foi “bão demais!”, em todos os sentidos.

    À organização (vou escrever um post específico sobre isso), os meus parabéns pelo conteúdo transdisciplinar e abrangente. Também agradeço (em nome de todos os estudantes e profissionais) o espaço que finalmente uma organização deu à minha área.

    Até o próximo post sobre o N!!!

  • AsBAI e reserva ilegal de mercado

    Em meu artigo final da pós em iluminação, um dos assuntos que retratei foi a insistente tentativa de fechamento da área de LD para arquitetos. Na verdade trata-se de uma reserva de mercado ilegal perante o Código Civil e antiética com o mercado. Porém não imaginava na época que o caso estava tão sério e grave. Pena que eu não tinha conhecimento destes novos passos pois teria sido muito mais ácido em meu artigo. Agora, conhecendo-os faço questão de publicar na íntegra em todos os cantos possíveis e imaginaveis o meu artigo¹.

    Em meio a tantos discursos alienados e corporativistas de alguns ex-diretores, percebo que a “nova geração” continua com a mesma cabeça oca, com os mesmos pensamentos idiotizados baseados numa lógica corbusiana insustentável para os dias atuais.

    Rafael Leão – da “nova geração” – assumiu a presidência em Janeiro/2012. Sob o discurso de renovação e revisão de alguns pontos fundamentais dentro da associação percebe-se que o principal ponto que deveria ser revisto continua na mesma: a reserva ilegal de mercado para arquitetos.

    Em sua entrevista à revista Lume Arquitetura (edição atual), Rafael reafirma tudo o que já foi dito pelas diretorias anteriores. É o mesmo blábláblá de sempre sem qualquer fundamentação teórica consistente. Baseiam-se em meros achismos, suposições e, principalmente, em corporativismos demonstrando que esta associação está muito aquém do que o mercado realmente necessita e merece, especialmente no quesito seriedade bem como desconhece completamente a formação acadêmico/prática de outros profissionais que atuam no segumento.

    Apesar de insistirem no discurso de que seguem os padrões do PLDA e do IES, percebe-se que essa insistente tentativa de fechar o mercado desmente claramente isso.

    Segundo ele,

     “(…) a associação é democrática(…) Os interesses da associação são os mesmos dos profissionais de iluminação e não apenas de seus fundadores.”

    Mentira descarada! Conheço vários profissionais – inclusive arquitetos – que não concordam com determinadas posturas da AsBAI e preferem manter-se distantes. Não concordam com a reserva de mercado, não concordam com o discurso ufanista, e não conseguem um canal de comunicação decente com a associação.

    Na própria entrevista ele coloca sobre cursos e palestras em faculdades de arquitetura. Porque não estender também às faculdades de Design de Interiores/Ambientes, engenharia e outros mais? Aliás, porque aceitar desenhistas industriais e não aceitar designers de interiores/ambientes, o pessoal da cênica entre tantos outros profissionais de outras áreas que trabalham tão bem – ou até melhor que muitos membros – com a luz?

    Ele alega que a regulamentação profissional do LD é algo muito complexo e desnecessário. Claro! Afinal na sequencia ele coloca que já estão em contato com o CAU, pois é de extrema importância que profissão de “arquitetura de iluminação” seja formalmente reconhecida por este conselho e venha a fazer parte do Colégio Brasileiro de Arquitetos.

    Isso só confirma o seguinte: eles sabem que num Projeto de Lei (PL) de regulamentação profissional no Congresso Nacional (CN), a tentativa estúpida de fechamento do mercado (reserva ilegal de mercado) para os arquitetos será o motivo claro para que o CN rejeite o projeto ao perceber que muitos outros profissionais, não arquitetos, e que desenvolvem projetos até melhores que a maioria dos membros e associados da AsBAI ficarão de fora e não mais poderão atuar. As comissões do CN irão rejeitar de pronto isso e nem mesmo o lobby² que os arquitetos tem lá dentro serão capazes de superar isso. E, caso o lobby vença, irá acontecer o mesmo que aconteceu com o CAU: o Gabinete da Presidência não irá sancionar e o projeto terá de refazer todo o trajeto com as alterações especificadas, especialmente a inclusão de outros profissionais. Então é preferível ir pelos bastidores na tentativa desse ato estúpido e desrespeitoso não só com os diversos profissionais, mas especialmente com o mercado.

    Eles tentam fazer isso porém, ele mesmo (e outros diretores e membros) afirma que em sua formação em arquitetura não houve um conhecimento aprofundado na área de iluminação – como em qualquer outro curso de arquitetura – e assume que teve de pesquisar por fora depois de formado para entender mais sobre iluminação.

    Também não posso deixar de citar que a exigência de mestrado ou doutorado ligados à arquitetura é algo idiotizado já que é sabido que estas duas pós-graduações são destinadas àqueles profissionais que visam atuar no meio acadêmico e não no mercado. Para o mercado as especializações e MBAs são mais que suficientes e eficientes que os mestrados e doutorados por serem mais práticos e não excessivamente teóricos. É apenas mais uma fundamentação ridícula na tentativa de reservar o mercado já que também é sabido que dificilmente um Designer de Interiores/Ambientes ou alguém vindo da área Cênica consegue entrar num mestrado ou Doutorado em arquitetura, ao menos aqui no Brasil estupidamente corporativista e melindroso.

    Outro ponto interessante na entrevista é que ele prega que os profissionais ligados à AsBAI são livres de conflitos de interesse (ligação direta com a indústria) porém não é bem isso que tenho visto. São vários os membros desta associação que estão descaradamente ligados a uma ou outra indústria, fato que retrato em minha mais recente coluna da revista Lume Arquitetura.

    Sou associado AsBAI desde 2005. Recebi minha carta de aprovação de associação no dia de minha formatura no curso de Design de Interiores (não me esqueço dessa data). De lá para cá se recebi cinco e-mails desta associação até hoje foi muito. E, pelo que me lembro, foram apenas relativos à anuidade.  Nesse tempo houve um recadastramento dos associados. Não recebi qualquer notificação relativa a isso. Mas recebi sim uma cobrança pelo atraso do pagamento de uma parcela da anuidade da qual eu não tinha recebido o referido boleto. Entrei em contato para resolver a situação e descobri sobre o recadastramento e que o mesmo já tinha terminado o prazo. Solicitei então como fazê-lo e houve uma lacuna de mais de 3 meses para solução. Ao tentar fazer meu recadastramento, vários erros de sistema ocorreram e não consegui efetua-lo e tive de fazê-lo por e-mail (tenho todas as provas aqui em meu back-up).

    Hoje, ao observar o site “remodelado e renovado” percebi que fui rebaixado a mero assinante e que meu cadastro consta como região sudeste!!! Mas o pior foi observar os tais aspirantes, e perceber vários profissionais com menos de 1 ano de mercado (nem deu tempo de fazer uma especialização após a formatura), muitos outros com até 3 anos de mercado, 5 anos de mercado…

    E eu, um mero assinante… WOW!!!!!

    Não há qualquer diálogo ou seriedade por parte da AsBAI com seus associados que pagam a anuidade.

    É difícil acreditar numa associação que age nos bastidores visando apenas o benefício próprio e de poucos profissionais. Mais difícil ainda acreditar quando percebemos que suas ações são meramente teatrais na fachada, mas essencialmente danosas e antiéticas com a sociedade e o mercado.

    Falta muita ética à AsBAI. Aliás, isso é um ponto que acredito que esta associação desconhece completamente apesar de seu código de ética, feito apenas pra inglês ver.

    Portanto, vamos parar de palhaçada e de agir como criança mimada e melindrosa com medo de perder o doce e agir como adultos sérios e, principalmente honestos?
    Pretendo que este post abra um canal de diálogo com esta associação onde a dialética prevaleça baseada na seriedade, honestidade e transparência. Mas, se houver retaliação com a minha expulsão da mesma eu não me importo. Afinal este ato somente estará confirmando o que eu denuncio aqui além de ser um dinheirinho a mais que economizarei anualmente.

    Profissionais de iluminação e LD fiquem atentos a mais este golpe que está sendo arquitetado (não peço desculpas pelo trocadilho) nos bastidores.

    ¹ Interessante notar que a minha produção intelectual, especialmente aqui neste blog está muito acima dos tais “mestres e dotôres”, exigência da AsBAI para ser membro…

    ² Importante lembrar que o atual PL de regulamentação do Design está tramitando no CN porém com a exclusão da área de Interiores/Ambientes. Ernesto harsi, um dos autores do texto original, alega que isso foi feito para evitar confronto com os arquitetos – e o consequente arquivamento deste novo PL – por causa desta área. Resalto ainda que quando me refiro a “arquitetos” não estou generalizando e sim mencionando aqueles ligados à associações sindicatos e conselhos e suas diretorias que são os que geram estes problemas.