A FALÁCIA DO VETO À REGULAMENTAÇÃO DO DESIGNER

Por: Bianco Zalmora Garcia *

Eis alguns exemplos de profissões regulamentadas, dentre várias categorias: Arquivistas, Atuários, Bibliotecários, Economistas e Economistas Domésticos, Enólogos e Sommeliers,  Estatísticos, Leiloeiros, Guias de Turismo,  Meteorologistas, Artesãos, Publicitários, Taquígrafos, Técnicos de Arquivo, Técnicos em Biblioteconomia, Atletas profissionais de futebol, Corretores de Imóveis, Despachantes Aduaneiros, Músicos, etc.

Se considerarmos boa parte do rol das profissões regulamentadas podemos entender que a regulamentação não é exigida e tampouco determinada pelos eventuais danos à sociedade que uma ou outra profissão, em seu exercício, pode implicar cada qual a seu modo. A prevenção contra tais danos e suas responsabilidades devem ser contempladas normativamente no ato regulatório.

Há quem diga que nem toda profissão precisa ter uma regulamentação específica, pois a própria Constituição declara que “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer” (inciso XIII do artigo 5º), ressalvadas aquelas que possam implicar em riscos para a sociedade. Aliás, seria um contra-senso – em virtude de outros preceitos constitucionais – opor-se a esta ressalva, embora a mesma não conste nesse enunciado constitucional. O que importa salientar é que o veto presidencial reduz-se à tal ressalva como sua razão sem quaisquer esclarecimentos que possam fundamentá-la. Enfim, a premissa é tomada – por um embuste ilógico – na própria razão.

Considerando este argumento do “livre exercício profissional” e levando em conta muitas das profissões regulamentadas, incluindo algumas das supramencionadas, entendemos que essas, salvo engano, não oferecem nenhum risco imediato de danos para os seres humanos e para a sociedade. Ora, seria esta a razão de terem sido agraciadas com a regulamentação?

Entretanto, o que dizer daquelas profissões regulamentadas cujo exercício apresenta clara e potencialmente, de um modo ou de outro,  sérios riscos, tais como, por exemplo, Arquitetos, Biomédicos, Engenheiros, Químicos, Agrônomos, Médicos, Contabilistas, Advogados, Radialistas, Cirurgiões Dentistas, Aeronautas,  etc. Por que para estas profissões a ressalva – a tal “razão” do veto presidencial contra a regulamentação profissional do designer – não se aplica? A explicação é óbvia: para estas profissões a regulamentação se apresenta como ato normativo legítimo e, principalmente, necessário para disciplinar o exercício profissional, assegurando sua excelência e preservando, deste modo, os seres humanos e a sociedade de tais riscos, além de determinar responsabilidades e procedimentos de recurso. Diante disso somos forçados a reiterar o engodo do veto presidencial, cuja “razão” aventada não passa de uma mera premissa tomada arbitrária e falaciosamente como fundamento.

Neste sentido, só podemos atribuir à má-fé a utilização deste argumento falacioso e inapropriado para justificar o veto à regulamentação do designer. Quem insiste ardilosamente nesta falácia parece ser o CAU-BR nas suas tentativas de arrogar para os arquitetos as inúmeras competências profissionais específicas do designer, apesar de [os arquitetos] não terem, dentre outras, a formação teórico-prática e técnica adequada, consistente e suficiente para este exercício profissional específico. Além, talvez, de uma suposta e decorrente incompetência para a interdisciplinaridade, base necessária para operacionalizar interações/parcerias profissionais. Pela ausência dessa formação adequada, consistente e suficiente se pode entender, por analogia, que esse desvio profissional [a do arquiteto que “se acha” designer sem ser formado como tal] impõe potencialmente um grave risco de danos para a sociedade. O CAU-BR deveria olhar para seu próprio umbigo. Um pouco de “vergonha na cara” – além do respeito – não faz mal para ninguém: afinal, coerência consiste em uma virtude ética que convém para qualquer cidadã e cidadão numa sociedade democrática.

Diante de tudo isso, com base no inciso XIII do artigo 5º da Constituição, podemos inferir que a necessidade de uma regulamentação é determinada principalmente pelo seguinte propósito: acima de tudo, oferecer a segurança jurídica para o livre exercício profissional, contemplando direitos e deveres que lhe são inerentes. E, por sua vez, essa segurança jurídica implica na consolidação de uma identidade profissional e suas respectivas competências que exigem a construção de conhecimento específico pela pesquisa e o desenvolvimento de práticas formativas, instrucionais, técnicas e educacionais objetivando a excelência profissional.

Não obstante os lobbies corporativistas contrários, em razão de interesses escusos por uma reserva agressiva (abusiva) de mercado, o equívoco no argumento de veto da presidência em relação à regulamentação do designer está na alegação de um potencial risco de danos à sociedade no exercício desta profissão. Como muitas outras profissões regulamentadas, não se nega ao exercício profissional do designer a possibilidade de oferecer danos à sociedade. O absurdo é utilizar isso como justificativa para o veto quando o ato regulatório deve levar em conta esse risco impondo normas que o coibam e explicitem formas de controle e as responsabilidades. A justificativa, neste sentido, recai – reiteramos mais uma vez – numa descarada circularidade falaciosa: a do petitio principii. Adota-se como premissa do argumento a própria conclusão que se tenciona provar.

Em outras palavras – concluindo – o sub-reptício veto presidencial se enreda nessa falácia circular e, por este fato, apresenta-se desprovido de qualquer fundamentação. O que torna estranhamente duvidosa a sua intencionalidade.
A função da regulamentação é justamente a de garantir um exercício profissional seguro dentro de parâmetros normativos. Se levarmos às últimas consequências, por coerência e analogia, essa “razão” equivocada do veto presidencial na circularidade falaciosa do pseudo-argumento, seria impossível regulamentar a profissão de arquiteto e engenheiro, como exemplo dentre outras correlatas. Sem uma regulamentação, o exercício destas profissões traria potencialmente um grave risco para a sociedade.

Enfim,  o argumento simplista – senão medíocre e duvidoso (quanto a sua isenção) – que marca o veto da presidente decai para uma falácia oportuna. Assim resta-nos questionar: para quem interessa esta falácia presidencial? A quem serve?

(*) Bianco Zalmora Garcia, bacharel e licenciado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e Graduado em Teologia pelo Instituto Superior de Filosofia e Teologia dos Frades Capuchinhos Paraná Santa Catarina. Mestre em Educação pela Universidade de São Paulo e Doutor em Educação – Filosofia da Educação pela Universidade de São Paulo. Atualmente Professor Associado da Universidade Estadual de Londrina lotado no Departamento de Filosofia do Centro de Letras e Ciências Humanas (CCH/UEL). Docência em Lógica Clássica, Ética e Direito, Argumentação Jurídica, Metodologia da Pesquisa.  Atua como professor colaborador no Mestrado em Direito Negocial e Coordenador do Curso de Pós Graduação Lato Sensu – Especialização em Filosofia Política e Jurídica. O enfoque principal de sua pesquisa concentra-se, sob a perspectiva teórico-crítica, na inter-relação das áreas de Ética, Educação, Esfera Pública, Cidadania, Políticas Públicas, Democracia e Direito e interfaces relacionadas ao Estado Democrático de Direito.
[Texto revisado em 30/10/2015 22h00 pelo autor]

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DESPACHOS DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA
MENSAGEM No 444, de 27 de outubro de 2015.
Senhor Presidente do Senado Federal,
Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar integralmente, por inconstitucionalidade, o Projeto de Lei no 24, de 2013 (no 1.391/11 na Câmara dos Deputados), que
“Dispõe sobre a regulamentação do exercício profissional de Designer e dá outras providências”.
Ouvidos, os Ministérios da Justiça, da Fazenda, do Planejamento, Orçamento e Gestão, do Trabalho e Previdência Social, da Educação e a Advocacia-Geral da União manifestaram-se pelo veto ao projeto pela seguinte razão:
“A Constituição, em seu art. 5o, inciso XIII, assegura o livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, cabendo a imposição de restrições apenas quando houver a possibilidade de ocorrer dano à sociedade.”
Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional
http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/…
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Relação das Profissões Regulamentadas por Legislação Federal. Vide os seguintes links:
http://pjf.mg.gov.br/subsecretarias…
http://www.guiatrabalhista.com.br/g…
http://www.mtecbo.gov.br/cbosite/pa…

Outras fontes sobre o veto:
http://g1.globo.com/concursos-e-emp…
http://www12.senado.leg.br/noticias…
http://pv.org.br/2015/10/28/projeto…
http://www.designbrasil.org.br/desi…

Enquanto isso…

Temos acompanhado a insistente ação do CAU na clara intenção de caçar encrenca com outras áreas profissionais, especialmente com as Engenharias e com os Designs.

É Resolução n° 51, é campanha publicitária totalmente desprovida de ética, quiçá um mínimo de respeito e responsabilidade profissional, ações dentro do Congresso Nacional ENGANANDO parlamentares através de mentiras ou seja, uma exemplar  amostra de tudo que um órgão que se diz Conselho Federal não deveria, JAMAIS fazer.

Tudo em nome da tal “defesa da sociedade contra maus profissionais, profissionais não habilitados e os riscos que isso tudo envolve”.

BALELA!!!

MENTIRA DESCARADA!!!

Tudo que este grupelho tem feito é tomar ações meramente corporativistas visando a reserva de mercado para seus profissionais – mesmo aqueles que nem sabem o que significam muitas das tais atribuições indicadas na tal Resolução n° 51.

Enquanto isso, dentro do próprio país onde esse grupelho arrogante e alienado atua andam acontecendo coisas graves e que são feitas diante de seus proprios olhos, mas preferem fazer vista grossa como se não soubessem.

Um exemplo?

Trabalhar com favela não dá status…

Trabalhar com pobre não dá lucro…

Na verdade, a maioria dos profissionais desta área ignora o lado social da Arquitetura e só querem saber das capas de revistas e sonham um dia receber um Pritzker.

Imagina que irão querer sujar seus sapatinhos e roupinhas engomadinhas dentro de uma… favela… numa periferia…

Acordem arquitetos!!! (sorte que alguns poucos já acordaram, mas precisam acordar o restante de sua classe).

O país precisa e muito de vocês. Mas do lado Arquiteto de cada um e não este lado arrogante e endeusado e achista.

Onde estão os arquitetos e urbanistas para intervir na situação apresentada acima? E não se enganem pensando que isso é um fato pontual e único. Andem por suas cidades, mas não nos shoppings e condominios. Vão até as favelas, as preriferias e vejam quanto campo de trabalho há para vocês.

Mas pelo visto preferem ficar choramingando que o mercado está uma bosta, que a concorência está fortíssima, e nem sei quantos mais blablablás.

Se a Arquitetura brasileira está falindo a culpa é de vocês e do Conselho que os rege. Parem de procurar um bode expiatório e assumam suas próprias merdas.

ACORDEM Princesinhas e principezinhos!!!

Bipolaridade ou falta de caráter?

Já faz um bom tempo que os órgãos que comandam a Arquitetura brasileira andam provocando situações constrangedoras, vexatórias e humilhantes contra outras profissões. Nem preciso escrever nada sobre o que eles vem fazendo contra os designers pois isso já é de conhecimento de todos.

Mas um fato novo revelou a verdadeira face desses grupos:

São bipolares ou sofrem de uma baita falta de caráter?

Vamos analisar isso passo a passo.

Primeiramente, criaram o CAU alegando que dentro do CREA não tinham voz, que eram humilhados lá dentro e blablablablablablablabla…

Será mesmo que eram tão vítimas assim?

Vale lembrar aqui que enquanto eles estavam dentro do CREA foi formulada a resolução dos técnicos em Design de Interiores, não reconhecendo os profissionais de nível superior ao mesmo tempo em que atribui aos técnicos competências que qualquer pessoa não formada possui. E assim permanece até hoje: somente técnicos que, basicamente, trocam almofadinhas e combinam vasinhos com os quadrinhos.

Pois bem, criado o CAU começou uma verdadeira “guerra santa”, numa falaciosa defesa da sociedade contra maus profissionais e/ou não qualificados, onde este grupo resolveu jogar na fogueira de SUA inquisição todos que estivessem em sua ensimesmada-endeusada trajetória. O alvo inicial, óbvio, fomos nós designers. Já postei aqui no blog diversas vezes, mas vale relembrar a Manifestação sobre o PL 1.391/2011 da AAI Brasil/RS que mostra um claro ataque articulado nos podres bastidores do poder e as reais intenções desse grupo.

Como se não bastasse implantam notícias falaciosas desinformando a sociedade sobre as atribuições profissionais de outras profissões. Tudo, claro, acreditando na impunidade imperante em nosso país.

Observem o teor deste ataque contra os designers de interiores:

“Que é isso cumpanhêro?” Pra que tanta desinformação e mentira contra uma classe profissional reconhecida internacionalmente?

Bom, não bastando isso ainda devemos analisar o perrengue provocado pela Resolução n° 51. Essa insanidade provocou um mal estar não apenas com os designers mas, especialmente com os engenheiros e o CREA. E, da mesma forma, passaram a divulgar notas para todos os lados atacando os engenheiros também:

Como toda ação tem uma reação, era óbvio que as defesas dos atacados deliberadamente e irresponsavelmente iriam surgir cedo ou tarde. Primeiro temos a ação do CREA contra o CAU, com relação à Resolução n° 51 que, ao contrário do que diz o grupinho, ainda está em julgamento. Não tem nada transitado em julgado ou seja, definitivo, de favorável ao CAU. Mais uma MENTIRA.

Então, o CREA-ES resolveu fazer o CAU provar do próprio veneno: lançou uma contra-campanha exatamente nos mesmos moldes, utilizando a mesma linguagem e conteúdo:

Eu juro a vocês que ri litros quando vi isso publicado (eu já tinha conhecimento prévio de que seria feito). E ri mais ainda quando começaram as reações dos arquitetos com relação a esta nota.

Claro que a resposta do CAU viria, porém não imaginava a cara de pau deles:

Oras CAU, estão provando do próprio veneno e agora vem com esse mimimi todo?

Como dizem, “pimenta no zóio do outro é refresco” né?

Vão ficar se fazendo de vítima de uma reação provocada por sucessivas ações inconsequentes de vocês mesmos?

Pois bem, parafraseando o texto desta notinha acima lhes afirmo que:

“Todas as matérias por vocês divulgadas atacando outras profissões, especialmente os designers, demonstram equivocadamente os valores pessoais de uns poucos (dirigentes dos órgãos ligados à Arquitetura brasileira), em detrimento de tantos colegas Arquitetos (com A maiúsculo mesmo), amigos e parceiros históricos de trabalho que tanto dignificam sua profissão.
Um esforço vazio de conteúdo, típico daqueles que na ausência de uma argumentação real, atacam a dignidade e respeitabilidade do outro.
Fere não apenas os designers e engenheiros, mas toda sociedade ao desrespeitar Leis Federais, diretrizes do MEC e a CBO do Ministério do Trabalho e Emprego que definem as atribuições profissionais e campo de atuação dos engenheiros e designers, definições estas baseadas na sua formação profissional.
Em outras palavras, atuamos onde fomos preparados para atuar, onde fomos preparados para gerar segurança e qualidade de vida para todos, indistintamente.”

Então CAU, pare de agir assim:

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Bom, indiferente ao que irão optar como resposta para mim vocês (órgãos ligados à Arquitetura) não são bipolares.

Já que alegam ser tão preocupados com a sociedade, comecem sendo, um mínimo que seja, HONESTOS com ela e ÉTICOS profissionalmente.

busca-tempo-realP.S.:

Após a publicação deste post tomei conhecimento de mais um dado: o CREAPR também resolveu defender seus profissionais contra a desinformação e má fé do outro Conselho. Publicaram em seu site no dia de ontem, uma nota explicativa sobre as atribuições LEGAIS dos engenheiros e demais profissionais sob a jurisdição deste Conselho Federal. No mesmo link encontra-se disponível o ofício que foi encaminhado a todas as prefeituras do Estado do Paraná esclarecendo o problema.

Fonte: file:///C:/Users/PAULO/Pictures/ofcio%20circular%20001-2015_prefeituras.pdf

Fonte: file:///C:/Users/PAULO/Pictures/ofcio%20circular%20001-2015_prefeituras.pdf

Percebam que na nota o CREAPR explica o porque da necessidade de tal atitude:

“(…) algumas empresas de engenharia encontraram dificuldades em suas participações em processos licitatórios conduzidos por alguns municípios do nosso Estado. Tais dificuldades dizem respeito a informações equivocadas chegadas às Comissões de Licitação de que os Engenheiros em suas diversas modalidades e demais profissionais jurisdicionados ao CREA-PR teriam perdido parte de suas atribuições a exemplo da elaboração de projetos de edificações ou arquitetônicos ou ainda no gerenciamento e fiscalização de equipes e de serviços em atividades ligadas ao meio urbano, entre outros.”

Fica claro então que o CAU e demais órgãos (infelizmente) ligados à Arquitetura brasileira andam deliberadamente provocam situações constrangedoras a outras profissões e profissionais numa aboluta demonstração de falta de ética e respeito.

Que feio heim CAU?

Sorte que ainda existem Arquitetos que discordam das sucessivas ações equivocadas do CAU. Oxaká estes criem coragem e candidatem-se nas próximas eleições do Conselho. Quem sabe assim consigam salvar a dignidade da Arquitetura brasileira que estes tolos “que falam em nome de todos os arquitetos” conseguiram destruir.

Mas…. heim????

Da série: quando uma imagem (e ações) diz mais que mil palavras… e as máscaras caem.

POCC_30 Apr. 19 15.56

POCC_31 Apr. 19 15.56

Taí o Link: http://mgm-rio.fgv.br/eventos/negociacao-habilidade-para-arquitetos-designers

Incoerência pouca é bobagem…

Data e hora da foto da tela:

POCC_34 Apr. 19 16.10

Esse grupo definitivamente não representa os designers!!!

¬¬

Notificação ao CAU

São Paulo (SP), 8 de agosto de 2013.

Senhor Presidente,

A Associação Brasileira de Designers de Interiores, sociedade civil que representa os interesses dos designers de interiores/ambientes em todo o território brasileiro, com sede na Alameda Casa Branca, nº 652, conjuntos 71 a 73, Jardim Paulista, São Paulo (SP), inscrita no CNPJ sob o nº 45.292.224/0001-52, representada pelo advogado “in fine” assinado, devidamente qualificado no instrumento de mandato em anexo, com endereço profissional na Avenida Champagnat, nº 304, conjunto 304, “Praia da Costa”, Vila Velha (ES), considerando os termos da Resolução nº 51, aprovada em 12/JUL/2013, em especial a expressão “privativas” constante do art. 2º do referido ato, NOTIFICA formalmente o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, na pessoa do seu ilustre Presidente, quanto à ilegalidade consagrada no ato regulamentar acima indicado, por excesso ao disposto no § 2º do art. 3º da Lei Federal 12378, de 2010,  tudo na intenção de  prevenir  direitos  do(a)s  Associado(a)s  à

________________________________

Ilustríssimo Senhor

Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil

SCN Quadra 01 Bloco E

Edifício Central Park, salas 302/203

CEP 70711-903

Brasília (DF)

NOTIFICANTE e advertir quanto à responsabilidade por eventuais danos morais e materiais que os mesmos possam experimentar no exercício das suas atividades laborais.

Os designers de interiores/ambientes não são pessoas “leigas” nas atividades que exercem. Muitos são habilitados a tal por grau (bacharelato ou tecnólogo) que lhes foi concedido por Instituições de Ensino Superior ou mesmo por cursos técnicos, de nível médio. E é de se ressaltar, ainda, que há outros profissionais que exercem o mister de designer de interiores/ambientes mesmo sem uma habilitação formal, mas baseados numa formação decorrente de uma longa experiência, aliada, muitas das vezes, à habilitação em outras áreas de conhecimento afins à atividade.

Assim, é essencial deixar claro e irrefutável, desde logo, que o(a)s Associado(a)s da NOTIFICANTE não são “pessoas leigas” na atividade de design de interiores/ambientes, como este douto Conselho vem propagando na sociedade.

Afinal, leigo, segundo Houaiss, é “… aquele que é estranho a ou que revela ignorância ou pouca familiaridade com determinado assunto, profissão etc.; desconhecedor, inexperiente”.

Como dito acima, quem exerce a atividade de design de interiores/ambientes não é inexperiente e nem desconhece as técnicas, a arte e o senso estético por ela exigida, em especial para atingir o fim maior que é otimizar a utilização de um determinado espaço pelo ser humano, seja para moradia, seja para o trabalho ou para qualquer outra serventia.

E tais profissionais sempre deixam claro que são designers de interiores/ambientes – para o que sempre estiveram e estão devidamente habilitados.

Enquanto designers de interiores/ambientes, tais profissionais não se registram perante este douto Conselho – vez que nem sempre preenchem os requisitos a tal, nos termos do art. 6º da Lei Federal 12378, de 2010.

Então, não sendo inscritos no Conselho de Arquitetura e Urbanismo, os designers de interiores/ambientes, enquanto atuarem como tal, não estão sujeitos à fiscalização do mesmo. O § 1o  do art. 24 da Lei Federal 12378, de 2010, é claro:

“O CAU/BR e os CAUs têm como função orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo, zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe em todo o território nacional, bem como pugnar pelo aperfeiçoamento do exercício da arquitetura e urbanismo.”

(destacou-se)

Assim, se os designers de interiores/ambientes não têm como profissão a arquitetura e nem o urbanismo, a sua atividade não se sujeita ao poder de polícia deste Colendo Conselho, “data máxima vênia”.

E nem se diga que eles devam ser submetidos a este Conselho porque a profissão de designer de interiores não está regulamentada e nem está sujeito a um órgão de classe específico, pelo simples fato de ausência total de fundamento legal a tal pretensão.

E nem se alegue, igualmente, a suposta infração ao art. 7º da Lei 12378, de 2010, que tem a seguinte redação:

Exerce ilegalmente a profissão de arquiteto e urbanista a pessoa física ou jurídica que realizar atos ou prestar serviços, públicos ou privados, privativos dos profissionais de que trata esta Lei ou, ainda, que, mesmo não realizando atos privativos, se apresenta como arquiteto e urbanista ou como pessoa jurídica que atue na área de arquitetura e urbanismo sem registro no CAU.”

(destacou-se)

Analisando-se estra regra, vê-se logo que ela NÃO se refere a uma INFRAÇÃO DISCIPLINAR, que se sujeita ao controle do órgão de classe, mas, isto sim, ela define, em relação à arquitetura e urbanismo, um TIPO  PENAL.

Ocorre que esta norma, de natureza penal, embora descreva um TIPO, o faz de modo incompleto e não especifica a PENA aplicável.

É, pois, inapelavelmente, LETRA MORTA!

No máximo, ela poderia ser considerada uma norma complementar ao art. 47 da Lei de Contravenções Penais (Decreto lei 3688, de 1941), que tem a seguinte redação:

Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício.

Contudo, a apuração de fato tido como contravenção penal NÃO compete a este Colendo Conselho.

Mas, mesmo que assim não fosse, é fundamental observar-se que o tal exercício ilegal só se dá quando alguém

“… realizar atos ou prestar serviços, públicos ou privados, privativos dos profissionais de que trata esta Lei…”

  (destacou-se)

E quais seriam os tais atos ou serviços privativos dos arquitetos e urbanistas?

A Lei Federal 12378, de 2010, não os especifica diretamente. Mas a leitura atenta do seu art. 3º é suficiente para clarear o assunto:

Art. 3o  Os campos da atuação profissional para o exercício da arquitetura e urbanismo são definidos a partir das diretrizes curriculares nacionais que dispõem sobre a formação do profissional arquiteto e urbanista nas quais os núcleos de conhecimentos de fundamentação e de conhecimentos profissionais caracterizam a unidade de atuação profissional.

§ 1o  O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil – CAU/BR especificará, atentando para o disposto no caput, as áreas de atuação privativas dos arquitetos e urbanistas e as áreas de atuação compartilhadas com outras profissões regulamentadas.

§ 2o  Serão consideradas privativas de profissional especializado as áreas de atuação nas quais a ausência de formação superior exponha o usuário do serviço a qualquer risco ou danos materiais à segurança, à saúde ou ao meio ambiente.”

Portanto, realmente cabe ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil especificar quais são as atividades privativas dos arquitetos e urbanistas, mas, para tanto, deverá observar, inexoravelmente, os limites definidos no § 2o do art. 3º da Lei Federal 12378, de 2010.

Ou seja, para ser privativa de arquiteto e urbanista, é essencial que “…a ausência de formação superior exponha o usuário do serviço a qualquer risco ou danos materiais à segurança, à saúde ou ao meio ambiente.”

Portanto, não é qualquer atividade atribuída ao arquiteto e ao urbanista pela Lei 12378, de 2010, ou por Resoluções do CAU, que pode ser qualificada como PRIVATIVA.

É preciso que se caracterize que a atividade:

 1.   se for desenvolvida por pessoa sem formação superior;

 2. exponha o usuário do serviço a risco (potencial) ou danos materiais (efetivos) à segurança, à saúde ou ao meio ambiente.

Ocorre que este douto Conselho  não observou estes limites legais ao aprovar a Resolução 51, de 12/JUL/2013, em especial, repita-se, à “expressão “privativas” contida no seu art. 2º.  Consequentemente, a norma está a ofender o princípio da reserva legal e, sendo ilegal tal Resolução, neste particular, é evidente que a mesma não se mostra aplicável.

E nunca é demais lembrar a GARANTIA FUNDAMENTAL insculpida no inciso XIII do art. 5º da Carga Magna, “in verbis”:

“é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”

Esta GARANTIA FUNDAMENTAL, que se sobrepõe aos interesses corporativistas, inibe práticas como as deste Conselho, pois assegura a(a)s Associado(a)s da NOTIFICANTE o pleno exercício do seu mister como design de interiores/ambientes, não se submetendo à vontade ilegal deste Conselho.

Neste ponto, cabe asseverar que, examinando-se as grades curriculares dos Cursos de Arquitetura e Urbanismo e dos Cursos de Design de Interiores/Ambientes, vê-se claramente que estes últimos oferecem muito mais conhecimento para a elaboração de projetos de forma criativa e científica buscando soluções para espaços interiores residenciais, comerciais e institucionais, visando a estética, a eficiência, a segurança, a saúde e o conforto, além de pesquisa de produtos, materiais e equipamentos para elaboração e execução de projetos de interiores.

E é esta a atividade do designer de interiores/ambientes!

Aparentemente, ela até pode se aproximar muito da atividade da “arquitetura de interiores”, mas nem de longe ela pode ser tida como PRIVATIVA de arquitetos, como acima claramente demonstrado.

Pelo exposto, fica este Conselho devidamente cientificado de que:

1. a Resolução CAU 51 há de ser revista, vez que não observou o limite fixado no § 2o do art. 3º da Lei Federal 12378, de 2010, e, assim, quedou ilegal quanto à atribuição da qualidade de “privativas” de arquitetos e urbanistas às atividades descritas no seu art. 2º;

2. não há competência e/ou justa causa para fiscalizar as atividades desenvolvidas pelo(a)s Associado(a)s da NOTIFICANTE enquanto designers de interiores/ambientes  e muito menos para lhe atribuir prática infracional e apená-la.

Por fim, fica este Conselho notificado de que, caso persistam os atos de fiscalização das atividades de Associado(a)s enquanto designers de interiores/ambientes, poderá vir a ser responsabilizado civilmente pelos danos morais e materiais decorrentes de tais atos, vez que ilegais e, consequentemente, abusivos, nos termos do art. 37, inciso VI, da Constituição da República.

Jonatan Schmidt

ADVOGADO – OAB/ES 330-B

AsBAI e reserva ilegal de mercado

Em meu artigo final da pós em iluminação, um dos assuntos que retratei foi a insistente tentativa de fechamento da área de LD para arquitetos. Na verdade trata-se de uma reserva de mercado ilegal perante o Código Civil e antiética com o mercado. Porém não imaginava na época que o caso estava tão sério e grave.

Em meio a tantos discursos alienados e corporativistas de alguns ex-diretores, percebo que a “nova geração” continua com a mesma cabeça oca, com os mesmos pensamentos idiotizados baseados numa lógica corbusiana insustentável para os dias atuais.

Rafael Leão – da “nova geração” – assumiu a presidência em Janeiro/2012. Sob o discurso de renovação e revisão de alguns pontos fundamentais dentro da associação percebe-se que o principal ponto que deveria ser revisto continua na mesma: a reserva ilegal de mercado para arquitetos.

Em sua entrevista à revista Lume Arquitetura (edição atual), Rafael reafirma tudo o que já foi dito pelas diretorias anteriores. É o mesmo blábláblá de sempre sem qualquer fundamentação teórica consistente. Baseiam-se em meros achismos, suposições e, principalmente, em corporativismos demonstrando que esta associação está muito aquém do que o mercado realmente necessita e merece, especialmente no quesito seriedade bem como desconhece completamente a formação acadêmico/prática de outros profissionais que atuam no segumento.
Apesar de insistirem no discurso de que seguem os padrões do PLDA e do IES, percebe-se que essa insistente tentativa de fechar o mercado desmente claramente isso.

Segundo ele,

 “(…) a associação é democrática(…) Os interesses da associação são os mesmos dos profissionais de iluminação e não apenas de seus fundadores.”

Mentira descarada! Conheço vários profissionais – inclusive arquitetos – que não concordam com determinadas posturas da AsBAI e preferem manter-se distantes. Não concordam com a reserva de mercado, não concordam com o discurso ufanista, e não conseguem um canal de comunicação decente com a associação.

Na própria entrevista ele coloca sobre cursos e palestras em faculdades de arquitetura. Porque não estender também às faculdades de Design de Interiores/Ambientes, engenharia e outros mais? Aliás, porque aceitar desenhistas industriais e não aceitar designers de interiores/ambientes, o pessoal da cênica entre tantos outros profissionais de outras áreas que trabalham tão bem – ou até melhor que muitos membros – com a luz?

Ele alega que a regulamentação profissional do LD é algo muito complexo e desnecessário. Claro! Afinal na sequencia ele deixa claro que já estão em contato com o CAU, pois é de extrema importância que profissão de “arquitetura de iluminação” (SIC) seja formalmente reconhecida por este conselho e venha a fazer parte do Colégio Brasileiro de Arquitetos.

Isso só confirma o seguinte: eles sabem que num Projeto de Lei (PL) de regulamentação profissional no Congresso Nacional (CN), a tentativa de fechamento do mercado (reserva ilegal de mercado) para os arquitetos será o motivo claro para que o CN rejeite o projeto ao perceber que muitos outros profissionais, não arquitetos, e que desenvolvem projetos até melhores que a maioria dos membros e associados da AsBAI ficarão de fora e não mais poderão atuar. As comissões do CN irão rejeitar de pronto isso e nem mesmo o lobby que os arquitetos tem lá dentro serão capazes de superar isso. E, caso o lobby vença, irá acontecer o mesmo que aconteceu com o CAU: o Gabinete da Presidência não irá sancionar e o projeto terá de refazer todo o trajeto com as alterações especificadas, especialmente a inclusão de outros profissionais. Então é preferível ir pelos bastidores na tentativa desse golpe* estúpido e desrespeitoso não só com os diversos profissionais, mas especialmente com o mercado.

Eles tentam fazer isso porém, ele mesmo (e outros diretores e membros) afirma que em sua formação em arquitetura não houve um conhecimento aprofundado na área de iluminação – como em qualquer outro curso de arquitetura – e assume que teve de pesquisar por fora depois de formado para entender mais sobre iluminação.

Também não posso deixar de citar que a exigência de mestrado ou doutorado ligados à arquitetura é algo idiotizado já que é sabido que estas duas pós-graduações são destinadas àqueles profissionais que visam atuar no meio acadêmico e não no mercado. Para o mercado as especializações e MBAs são mais que suficientes e eficientes que os mestrados e doutorados por serem mais práticos e não excessivamente teóricos. É apenas mais uma fundamentação ridícula na tentativa de reservar o mercado já que também é sabido que dificilmente um Designer de Interiores/Ambientes ou alguém vindo da área Cênica consegue entrar num mestrado ou Doutorado em arquitetura, ao menos aqui no Brasil estupidamente corporativista e melindroso.

Outro ponto interessante na entrevista é que ele prega que os profissionais ligados à AsBAI são livres de conflitos de interesse (ligação direta com a indústria) porém não é bem isso que tenho visto. São vários os membros desta associação que estão descaradamente ligados a uma ou outra indústria, fato que retrato em minha mais recente coluna da revista Lume Arquitetura.

Sou associado AsBAI desde 2005. Recebi minha carta de aprovação de associação no dia de minha formatura no curso de Design de Interiores (não me esqueço dessa data). De lá para cá se recebi cinco e-mails desta associação até hoje foi muito. E, pelo que me lembro, foram apenas relativos à anuidade.  Nesse tempo houve um recadastramento dos associados. Não recebi qualquer notificação relativa a isso. Mas recebi sim uma cobrança pelo atraso do pagamento de uma parcela da anuidade da qual eu não tinha recebido o referido boleto. Entrei em contato para resolver a situação e descobri sobre o recadastramento e que o mesmo já tinha terminado o prazo. Solicitei então como fazê-lo e houve uma lacuna de mais de 3 meses para solução. Ao tentar fazer meu recadastramento, vários erros de sistema ocorreram e não consegui efetua-lo e tive de fazê-lo por e-mail (tenho todas as provas aqui em meu back-up).

Hoje, ao observar o site “remodelado e renovado” percebi que fui rebaixado a mero assinante e que meu cadastro consta como região sudeste!!! Mas o pior foi observar os tais aspirantes, e perceber vários profissionais com menos de 1 ano de mercado (nem deu tempo de fazer uma especialização após a formatura), muitos outros com até 3 anos de mercado, 5 anos de mercado…

E eu, um mero assinante… WOW!!!!!

Não há qualquer diálogo ou seriedade por parte da AsBAI com seus associados que pagam a anuidade.

É difícil acreditar numa associação que age nos bastidores visando apenas o benefício próprio e de poucos profissionais. Mais difícil ainda acreditar quando percebemos que suas ações são meramente teatrais na fachada, mas essencialmente danosas e antiéticas com a sociedade e o mercado.

Falta muita ética à AsBAI. Aliás, isso é um ponto que acredito que esta associação desconhece completamente apesar de seu código de ética, feito apenas pra inglês ver.

Portanto, vamos parar de palhaçada e de agir como criança mimada e melindrosa com medo de perder o doce e agir como adultos sérios e, principalmente honestos?
Pretendo que este post abra um canal de diálogo com esta associação onde a dialética prevaleça baseada na seriedade, honestidade e transparência. Mas, se houver retaliação com a minha expulsão da mesma eu não me importo. Afinal este ato somente estará confirmando o que eu denuncio aqui além de ser um dinheirinho a mais que economizarei anualmente.

Profissionais de iluminação e LD fiquem atentos a mais este golpe que está sendo arquitetado (não peço desculpas pelo trocadilho) nos bastidores.

* Vale ressaltar aqui que o atual PL de regulamentação do Design eliminou Design de Interiores das áreas por força deste lobby dos arquitetos. Segundo Ernesto Harsi – um dos autores do texto base – isso se deu para “não entrar em conflito com os arquitetos e o consequente arquivamento – novamente – do PL.

cada macaco no seu galho…

ou cada um no seu quadrado, é o que alguns de outras áreas correlatas adoram pregar alfinetando-nos sobre possíveis áreas de sombreamento ou interposições profissionais.

Infelizmente, estes mesmos que bradam fervorosamente isso são, geralmente, os primeiros a burlar o que seria ético, correto.

Imagem: rleite

Hoje mesmo tive mais um exemplo de como isso não é uma via de mão dupla no nosso caso.

Sempre me senti bastante incomodado com duas figuras daqui que vira e mexe estão na mídia local blablablaseando sobre a importância do lighting design nos projetos. Porque o LD isso, porque o LD aquilo e aquele outro também… Mas me falaram que eles eram especialistas em iluminação e tal, resolvi deixar quieto mesmo quando tempos depois comecei a suspeitar de que havia algo de errado pois os discursos sobre LD eram recorrentes, repetitivos… daqueles tipo de frases prontas ou na pior da hipótese, dado um ctrlC+ctrlV verbal de frases retiradas de sites específicos de lighting design.

Fui logo cedo numa loja daqui para comprar umas lâmpadas aqui para minha casa e acabei topando com as duas figuraças lá. Estavam sentados numa mesa afastada com um vendedor detalhando um projeto.

Enquanto esperava que minha lâmpadas chegassem do depósito, foi inevitável ouvir a conversa deles e, para minha surpresa, descobri que de experts em iluminação estas figuras tem tanto quanto eu de açougueiro.

Eles, de um lado da mesa, com a planta aberta mostrando a locação dos pontos e o que pensaram pera a luz. Do outro lado, o vendedor analisando a situação e especificando lampadas, luminárias e equipamentos. Pelo que percebi, as figuras mal sabem os nomes de lâmpadas básicas.

Fala sério gente, isso é um embuste sem tamanho. Uma absurda falta de vergonha na cara e de ética pessoal (nem falo da profissional pois percebi que isso não existe ali).

É mentir na cara dura, enganando clientes sobre uma coisa que você não tem: conhecimento. E olha que ja tive relatos de pessoas que pagaram caro nos tais projetos de LD desenvolvidos por eles. Agora fica mais claro do porque do mercado londrinense não perceber a diferença entyre um projeto de iluminação e um de LD. Tem rato no balaio vendendo gato vira latas por lebre.

Mas fazer o que né?

Eles tem grana, vivem na mídia, fazem parte do rol de estrelinhas de minha cidade. Não me surpreende afinal tudo aqui nesta cidade beira o “fake”, indo das pessoas até a aparência urbana de fotos passando, claro, pela administração pública e seus gestores. Porque no meio profissional isso seria diferente?

Hoje mesmo conversando com um conhecido ele me disse que tem gente trabalhando, inclusive na área de arquitetura, batendo no peito dizendo que é arquiteto e humilhando designers quando na verdade não tem formação em arquitetura.

Vou denunciar?

Não!

Isso é dever dos arquitetos daqui e não meu que sou “apenas” um designer e não lhes devo satisfação. Já que á cada macaco no seu galho, então truco! Descubram por si mesmos e ajam.

Aí fica a questão: não deveria ser cada macaco no seu galho? Ou cada um no seu quadrado? Respeitar outros profissionais e não utilizar de meios embusteiros para concorrer no mercado?

Isso não tem a ver com uma “guerrinha” entre arquitetos e designers e sim de alguns profissionais contra todos os outros profissionais afinal, eles não puxam apenas o meu tapete como especialista em lighting ou como designer mas também dos colegas arquitetos oferecendo um produto para o qual eles não são especializados, ao menos até terminarem alguma especialização em Design.

Por falar nisso, como está cada dia mais comum vermos nas placas de escritórios de arquitetura termos como Design de Interiores, Lighting Design e outros tipos de Design né gente? Triste é constatar que nas matrizes curriculares dos cursos por eles feitos não tem absolutamente nada disso, nenhuma disciplina que os autorize a usar estes termos baseado em conhecimento específico adquirido.

E os CREAS da vida insistindo em vir em cima dos Designers, fechando os olhos para o que seus agregados andam aprontando no mercado.

Façamos então a seguinte campanha colegas Designers: procure manter sempre a mão uma lista de escritórios e profissionais de arquitetura que estão utilizando erroneamente as áreas do Design em seus materiais de divulgação. Quando aparecer algum fiscal do CREA pra te encher o saco, mande-os ir a estes escritórios verificar a autenticidade das informações divulgadas pelos profissionais responsáveis.

Já disse aqui e repito: uma vez que o sistema CREA/CONFEA não nos aceita de maneira justa entre os associados, eles não tem qualquer poder sobre a nossa atuação profissional. Então, que se entendam com seus queridinhos protegidos e façam eles cumprir as regras, leis e normas às quais estão presos pelo sistema.

Pra cima de nós não!!!

Assim teremos sim cada macaco no seu galho, cuidando daquilo que é especializado.

MARKETING PARA PROFISSIONAIS DA ÁREA DESIGN DE INTERIORES

Está errado quem pensa que para um bom marketing faz-se necessário um alto investimento financeiro. Existem formas de trabalhar o marketing onde o investimento financeiro é praticamente nulo e o seu talento e esforço pessoal são determinantes.

 

O desafio pessoal está em utilizar esses instrumentos de maneira correta agregando valor ao seu lado profissional. Depois de ações básicas e nem tão difíceis de realizar, basta realizar serviços e ações de manutenção das ações.

 

Confira algumas dicas:

 

Estréia ou inicio profissional

No início da atividade profissional, ações de divulgação mais intensas no mercado têm possibilidades reduzidas de emplacarem. Primeiro, é importante construir uma base comercial, um currículo mínimo de obras, pois de nada adianta se apresentar ao mercado com belíssimos desenhos se você não tem o que mostrar em projetos já realizados. Então, de inicio, busque conseguir trabalhos dentro do círculo familiar, ou nas amizades próximas, completa, mesmo que sejam os famosos “de grátis” (SIC). Os trabalhos efetivados tem mais valor que os criados apenas no papel.

 

Rede de relacionamentos

Na universidade iniciamos a nossa rede de relacionamentos profissionais. Ela inicia-se junto aos colegas e professores, que são potenciais parceiros em trabalhos futuros. Batalhar por estágios em empresas são outra fonte valiosa de aproximação com integrantes do mercado. Durante os estudos, já deve existir a preocupação em desenvolver o plano de marketing pessoal e a gestão da carreira. Por isso mesmo é importante observar a Matriz Curricular do curso pretendido para verificar se há disciplinas como Gestão e Empreendedorismo. Depois da formação, parte-se para o plano de negócios.

 

Presença em eventos e vida social

Congressos, convenções e eventos similares são ambientes férteis para ampliação e fortalecimento do círculo de relacionamentos. O designer também pode se dispor a promover palestras ou cursos gratuitos como forma de criar projeção social. E a presença não deve se restringir a reuniões do setor. É necessário manter um bom relacionamento também com advogados, médicos e profissionais de outras áreas. Essas pessoas vão construir casas, reformar, remodelar seus escritórios e clinicas e têm um círculo de amizades que pode acabar favorecendo o designer. Estes contatos são conhecidos como prospects.

 

Internet

Uma ferramenta de baixo custo e elevado retorno para quem sabe utiliza-la corretamente.

A internet oferece diferentes meios e formas de aproveitamento profissional. A utilização mais habitual concentra-se no desenvolvimento de sites para a sua empresa ou profissionais autônomos.

Porém, existem vários outros recursos que podem ser utilizados e que não necessitam de investimentos altos como é o caso dos blogs.

Uma outra maneira de promoção virtual é a publicação de artigos, no próprio site, blog ou em outros endereços eletrônicos de interesse do público-alvo do designer. Estas iniciativas podem ser gratuitas e a exigência é muito mais por uma disposição intelectual. Vejo muitos profissionais se negando a escrever para blogs e sites por não receberem pagamento pelo trabalho. Mas também vejo estes mesmos profissionais reclamando da falta de clientes, não reconhecimento profissional. Não é preciso esperar que o escritório ou seu nome profissional cresça e seja reconhecido para desenvolver ações nesse sentido, ligadas ao plano de marketing. O importante é desenvolver o plano de marketing para, em seguida, conseguir crescer. No site do SEBRAE encontra-se à disposição um modelo de plano de marketing.

 

Parcerias

Fazendo uso dos contatos construídos ao longo dos anos, os designers têm, nas parcerias, uma ferramenta poderosa de obtenção de trabalhos. São acordos informais, de ajuda mútua, a serem feitos com outros designers, arquitetos, engenheiros e construtoras. É uma troca mutua de informações, favores, apoios, um indicando o outro. Esta é uma das principais ferramentas de promoção, hoje. Um nível adequado de parcerias por si só é capaz de manter um escritório de design num bom ritmo de atividade.

 

Força da indicação

Comparada com o recurso da publicidade e da propaganda paga, a indicação profissional traz muito mais resultados ao prestador de serviços do setor. É mais forte a indicação de um designer por um arquiteto ou engenheiro que já está na obra, já tem um grau de relacionamento ali dentro, do que se o proprietário recebesse a informação daquele profissional de design por um jornal, ou outra publicação qualquer, ou ate mesmo por indicação de outra pessoa. Não se faz leilão para contratação de designers. Os clientes gostam de trabalhar na confiança. Ou ele viu sua obra, ou alguém fez uma indicação muito incisiva do seu trabalho.

 

Manutenção dos contatos

A rede de contatos não existe para ser acessada apenas quando há interesses. A alimentação e manutenção desta precisa ser freqüente, sem que se tente planejar retorno. Se sua rede estiver bem alimentada, o nome do profissional será lembrado quando surgir uma necessidade. O engenheiro Manoel Botelho, que oferece cursos de marketing nos setores de engenharia e arquitetura, sugere que os profissionais se manifestem formalmente pelo menos duas vezes ao ano, por cartas ou e-mails. “Tem que avisar que você está vivo, está atuando, e qual sua especialidade. As pessoas esquecem”, afirma Botelho.

 

Identidade e comunicação visual

Estabelecer um padrão visual nos meios de contato com os clientes ajuda na fixação do nome do designer ou escritório. A dica se aplica do cartão de visita à placa de obra, passando pelo papel timbrado e pelos desenhos do profissional. “Em tudo que for feito, tem de haver uma marca característica, personalizada com uma lembrança indiscutível”, salienta Manoel Botelho.

 

Auxílio especializado

Além do próprio consultor de marketing (cuja atuação costuma ser vigorosa nas primeiras semanas e mais aliviada posteriormente), outro profissional especializado que auxilia na divulgação do escritório é o assessor de imprensa. Isso porque a mídia está entre os instrumentos que mais geram resultados aos diversos profissionais, incluindo-se aqui os designers. Temos visto constantemente nomes aparecendo nas publicações especializadas. Estas publicações são fundamentais. Quando você chega num cliente novo e mostra uma obra sua publicada, ele gosta, mesmo que não tenha tido acesso ao material pelas vias normais. Quando a sua intenção for grandes empreendimentos você tem de promover uma ação mercadológica mais ativa. Visita pessoal, deixar um currículo, um portfólio e, no caso de obras de menor vulto, como residências, os veículos de imprensa economizam esse trabalho de campo, na medida em que conseguem atingir diretamente o consumidor final.

 

Presença na mídia

Quem quiser evitar o custo com a assessoria especializada pode procurar, por conta própria, a interação com a mídia. Procure entrar em contato com a redação dos jornais locais fazendo sugestão de pautas ou até mesmo enviar artigos ou matérias de sua autoria. Podem ser sobre os mais diversos assuntos relacionados ao Design de Interiores/Ambientes. Assunto não falta! Com isso, fatalmente você começará a ser procurado pela imprensa sempre que houver interesse ou necessidade para alguma matéria dentro da tua área.

Outra forma é enviar às revistas especializadas cases de seus projetos e artigos de sua autoria. Envie um a cada três meses e seu nome começará a ser conhecido dentro da redação. Hora ou outra alguém fatalmente entrará em contato mesmo que seja para participação em alguma matéria mais geral. É importante, principalmente nas revistas especializadas, que você estabeleça posições, mostre o que pensa, desenvolva raciocínios e, principalmente, seja capaz de defender as suas idéias e que estas estejam embasadas.

 

Ética

Todo e qualquer resultado, seja positivo ou negativo, num plano de marketing, estão atrelados à ética do dia-a-dia. É comum vermos um profissional denegrir a imagem de outro para tentar ganhar um cliente, o que demonstra falta de profissionalismo e incapacidade de trabalhar dentro de um sistema organizado. Os clientes percebem manobras dessa natureza e isso fatalmente acarretará em conseqüências desastrosas ao envolvido.

 

Ferramentas de promoção

Super Dicas!!!

 

Contatos pulverizados

Busque relacionar-se com profissionais de diferentes segmentos. Todos são potenciais “prospects” clientes e ajudam na propagação de seu nome ou de seu escritório.

 

Parcerias

Designers com focos distintos de atuação, arquitetos, engenheiros e construtoras podem estabelecer acordos informais em que um indica o outro para trabalhos em geral.

 

Rede bem alimentada

Desenvolva o hábito de trocar informações com colegas, parceiros e clientes.

 

Internet

Utilize para criação de um site, blog ou publicação de artigos em endereços de interesse de seu público-alvo.

 

Comunicação visual

Padronize cartões de visitas, placas de obras, papel timbrado. Isso ajuda a fixar sua marca ou nome no mercado.

 

Assessoria de imprensa

Contrate para promover seus projetos em revistas especializadas e demais veículos de comunicação.

 

Texto base: http://fernandaguizi.blogspot.com/