Tag: Design

  • Antes do designer, vem o Design.

    Como se já não bastasse toda a problemática que enfrentamos entre profissões – alguns profissionais de outras áreas são ardilosamente maldosos – e a desinformação geral, ainda temos de lidar com preconceitos dentro do próprio Design!

    É corriqueiro e comum no meio do Design preconceitos entre as áreas. Rola de tudo um pouco. É só olhar em qualquer fórum de Design e também nos das áreas.

    Toda piadinha, por mais inocente que seja, carrega em si um lastro de preconceito. Já as acusações vêm impregnadas do preconceito e uma absurda ignorância sobre o assunto.

    “Ah, ele partiu pra Produto porque não tem o dom da arte”, diz um gráfico.

    “Ah, ele foi pra Gráfico porque é péssimo em matemática” diz o de produto.

    “Ah, Interiores é coisa de patricinha ou de viadinho”, dizem muitos.

    São imensuráveis as piadinhas. No último NDesign ouvi muitas delas, especialmente sobre a minha área, Interiores.

    A não inserção de minha área na Regulamentação do Design tem muito a ver com isso.

    Basta de apartheid! Chega de guetinhos!

    O que ocorre é o seguinte: quando entramos para a faculdade pensamos que vamos encontrar um mundo maravilhoso, um universo infinito de possibilidades. Mas rapidamente percebemos que não é bem assim. Ou não, às vezes não nos damos conta de que as coisas não são bem assim. Somos forçados a acreditar que as coisas são exatamente como nos pintam.

    Por exemplo: numa universidade existem quatro cursos de Design: Produto, Moda, Gráfico e Interiores (Ambientes). Cada um tem o seu departamento, seus laboratórios, suas salas, seus professores (alguns compartilhados, mas em horários distintos), seus alunos, seus espaços.

    Muitas vezes percebemos que se trata de guetos que não se misturam nunca e/ou raramente algum maluco ousa interagir com outro grupo quando já é rapidamente repreendido seja lá de que maneira for.

    Não há interação, não há integração. Ficam todos fechados em seus mundinhos, observando e absorvendo apenas o que está em seu campo visual (aproximadamente 150° somando a visão central + a periférica) nos esquecendo dos 210° restantes.

    Não os culpo afinal, já foram condicionados a isso desde quando cursaram suas universidades. Na verdade o ser humano sempre é condicionado a isso, desde quando nasce:

    – Somos ricos, não se misture com “aquela gentinha” (pobres);

    – Aquele menino não é uma boa companhia para você;

    – A sociedade, que devemos participar, é apenas aquela à qual pertencemos;

    – Não devemos nos casar com outro de jugo desigual (igrejas);

    Entre outras incontáveis frases que ouvimos desde que nascemos que condicionam, normatizam e engessam o nosso desenvolvimento como seres humanos. Se ousarmos quebrar uma destas regras somos tirados como loucos, irresponsáveis, etc. Na verdade,

    https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ruN_LR60ZfQ

    A gente se acostuma numa vã ilusão de que seguindo estas regras seremos felizes… a gente se acostuma até mesmo a engolir e sofrer calados quando estas regras nos trazem tristeza, sofrimento e dor…

    Durante os cursos, a gente se acostuma a focar em nossa especialidade, a conviver com nossos colegas de curso, a pensar apenas em nossa área. Chegamos à faculdade e vamos direto para o nosso gueto. Se vamos à biblioteca buscamos as prateleiras de nossa área. Se encontrarmos com professores pelos corredores, só paramos para conversar com os de nosso curso. Na verdade só conhecemos estes. Só lemos revistas, livros, artigos, blogues, sites e toda forma de informação relativa à nossa área. Somos condicionados a isso. O sistema nos leva a isso.

    Pergunte a um professor: “o que é Design?”.

    Certamente ele irá começar um discurso teórico que rapidamente entrará em sua especialidade. Se ele for de produto, levará o discurso para esse lado.

    Interrompa-o. “Professor, eu perguntei o que é Design, não Design de Produto.” Tenho certeza que a maioria dos professores não conseguirá fazê-lo ou tentará algo que ficará genérico demais.

    A gente se acostuma a viver em nossos mundinhos, em nossos guetos, fechados em nossas conchas. E isso tem muito a ver com os profissionais no mercado também.

    Daí nascem essas piadinhas e comentários maldosos e errados sobre as áreas.

    Quando cheguei ao NJeitos, conversando com alguns encontristas e convidados ou ouvindo conversas paralelas, ouvi diversas vezes a frase  de que “interiores é coisa de patricinha ou viadinho”. Ficava quieto e apenas lançava: procure assistir a mesa redonda ou a palestra de amanhã sobre esta área. Acho que vai ser interessante para vocês.

    E o pessoal de gráfico que não aceita muito bem seus próprios colegas de curso que preferem trabalhar com ilustração? Porque não foram fazer artes plásticas então já que gostam tanto de desenhar?

    Mesmo diante de uma grade de conteúdos cobrindo uma imensidão de assuntos, percebe-se que o pessoal prefere informar-se apenas sobre a sua área. Muitos se tornam “achistas” sobre vários assuntos porque ouviram outros “achistas” dizer que é assim e aceitaram passivamente a desinformação como se fosse informação. Tornam-se achistas porque recebem uma informação e não vão pesquisar sobre o assunto para ver se confere com a realidade. Perguntam para um professor de Produto, o que é o curso de Interiores, por exemplo. Se este não tiver ligação com o curso de Interiores, certamente não conhece a especialidade para poder falar sobre com autoridade e acaba lançando ideias e teorias erradas.

    Professores também são assim. Vem direto para as aulas, quando tem um tempinho ficam na sala de professores de seu departamento/curso, não interagem – ou muito pouco – com professores de outros cursos. Muitos nem conhecem a maioria dos professores dos outros cursos além do visual.

    O de Grafico “acha” que sabe o que é Moda. O de Produto “acha” que sabe o que é Interfaces. O de Moda “acha” que sabe o que é Interiores. E o ciclo segue: a desinformação vai imperando.

    As associações segmentadas também contribuem alimentando esse tipo de desinformação e apartheid. Elas até conversam entre si, mas não – ou pouco – cooperam umas com as outras.

    E as coisas não devem, não podem continuar assim.

    Essa linha de pensamento afeta o mercado onde profissionais se digladiam e não se entendem. Isso está afetando até mesmo o processo de regulamentação profissional em trâmite no Congresso Nacional.

    Temos de ter em mente que:

    Antes do designer (especialidade), vem o Design (área).

    Não podemos e nem devemos manter ou alimentar estes guetinhos como se fossem coisas absolutamente distintas, não misturáveis, não integráveis ou integrantes da mesma raiz: o Design.

    Um exemplo rápido: o pessoal de Moda quando faz um desfile, não busca conversar com o pessoal de Interiores/Ambientes para que estes desenvolvam a cenografia de seus desfiles ou produções de catálogos e editoriais. E as salas de aulas são ali, uma ao lado da outra. Mas ficam isolados em seus mundinhos.

    Não podemos nos esquecer de que a base de todas as especialidades é a mesma: o Design.

    Pregam que o Design é multidisciplinar, mas na pratica não vemos isso acontecer de maneira efetiva. Produto pega parte de Gráfico apenas no que lhe interessa. Interiores pega parte de Moda apenas no que lhe interessa. E não há uma busca real de integração, interação, complementação, cooperação. O que temos é apenas um aproveitamento de conhecimentos.

    Prefiro afirmar que o Design é trans ou até “megadisciplinar”. Ele não é apenas multidisciplinar. Ele passeia e dialoga por praticamente todas as áreas do conhecimento que seus conteúdos abrangem.

    Portanto, entes de sermos designers, temos de ter em mente que temos uma raiz em comum: o Design.

    Então, não leiam e pesquisem apenas sobre a sua especialidade.

    Professores, não falem sobre outra especialidade se não tem autoridade sobre o assunto. Não fechem as possibilidades de seus alunos apenas na sua especialidade. Não limitem os TCCs ou TFGs à especialidade.

    Alunos, interajam com alunos de outros cursos, busquem formas de integração, cooperação. Ampliem seus conhecimentos.

    Porque não uma associação nacional que agregue todas as áreas do Design? Seria muito mais forte, teria muito mais peso e, consequentemente, mais facilidade de trânsito e visibilidade que as segmentadas.

    Somos muito mais do que nos condicionam e nos acostumamos a pensar.

    O NJeitos foi um excelente exemplo disso. Apesar das piadas paralelas, a integração entre especialidades foi excelente e engrandeceu o Design e a compreensão sobre o Design.

    Quem não é da área e assistiu ao Dedo de Prosa ou à minha palestra sobre Design de Interiores/Ambientes saiu com uma visão diferente da que tinha sobre a mesma. Conseguiu compreender – além do porque é sim Design – como é importante e integração e cooperação entre as áreas. E assim foicom as outras atividades. Isso ficou bastante claro nos dois últimos dias nas conversas que tive com o pessoal e pude perceber a alteração positiva de pensamento sobre a área pelo pessoal de outras áreas.

    Viemos do Design, e ele é muito maior que as especialidades.

  • Design de Ambientes – isso também é Design.

    É bastante comum a confusão entre o que é arquiteto, decorador, designer de interiores e designer de ambientes. Pela pouca produção teórica específica na área que mostra-se incipiente e também por poucos profissionais dispensarem alguns momentos para pensar a profissão por estarem sempre enfiados em projetos e mais projetos, vivemos em meio a este turbilhão de desinformação. Precisamos pensar a nossa profissão de maneira coerente, séria e ética. É isso que proponho com este texto.

    Há anos cobramos da ABD uma definição que, pelas praticas desta associação, constata-se uma forte resistência a esta definição correta. Buscam então impor a desinformação, sem qualquer possibilidade de diálogo.

    Já escrevi em meu blog “Design: Ações e Críticas” sobre as diferenças básicas neste post e também neste outro. Mas vou ser mais profundo, crítico e prático sobre o assunto.

    Atenção: Nem de longe pretendo aqui desmerecer ou desqualificar a arquitetura, que fique muito claro isso. Quem entender assim o fará por pura deturpação de meu texto, baseado em sua visão corporativista. Então muito cuidado com a interpretação do conteúdo deste texto. Vale lembrar que:

    “Eu sou responsável pelo que escrevo, penso e falo. Nunca pelo que você entende de maneira distorcida”.

    Existe um ditado no meio profissional que afirma:

    “Todo arquiteto é designer e nenhum designer é arquiteto”.

    Calma lá, as coisas não são bem assim. Não podemos admitir que “todo arquiteto é designer” de forma leviana como vem sendo pregado. As coisas não são bem assim. Então vamos colocar os pingos nos “Is”.

    Essa linha de raciocínio vem dos catedráticos que impõem leis por eles ditadas ou replicadas como se fossem verdades absolutas e que ninguém, nunca, deve ousar questioná-las. Porque é Vitruvius (sem bem que este coitado é mais distorcido que Marx nas interpretações e releituras), Gropius ou qualquer outro “deus” da arquitetura, é inadmissível refutar e muito menos ousar tentar derrubar qualquer uma de suas teorias. Teorias estas que são repassadas de geração em geração da mesma forma como um cabresto. Devemos aceitar que nos enfiem goela abaixo, mesmo que forçado, tudo isso sem questionar absolutamente nada. Porém vale lembrar que eles são meros humanos, pensantes, como eu, você e qualquer outro. Não foram, não são e tampouco serão deuses. As praticas, formas de pensar deles relacionam-se com o seu momento, o seu tempo, o seu contexto histórico, com as suas necessidades. Se vivessem hoje, teriam certamente outra forma de pensar. E nas academias, de um modo geral, teorias não devem ser contestadas.

    O equivoco hermenêutico é desconsiderar o tempo e o espaço em que se insere um determinado autor. Só há espaço para pensar o novo se for relacionado a tecnologias.

    Em primeiro lugar, a academia de arquitetura e os profissionais devem parar de colocar que tudo, desde a criação é arquitetura. Isso é uma mentira debochada e leviana. Ah, o homem de neanderthal, numa caçada encontra-se repentinamente em meio a uma tempestade e não tem onde abrigar-se. Pega então três galhos, joga umas folhas por cima e voilá: é arquitetura!

    Não mesmo. É uma barraca e arquitetos não projetam barracas nesse sentido. Isso é produto. Arquitetura é fixa, é estrutura, é construção. Não a carregamos nas costas para onde vamos.

    Portanto, nem todo arquiteto é designer. Alguns – muito poucos – podem vir a serem sim. Mas apenas por receber seu diploma de arquitetura não. Nenhum arquiteto sai da universidade como designer, com conhecimentos específicos sobre a área que o enquadrem como Designer. Ter tido em sua matriz curricular disciplinas como História do Design ou desenho e detalhamento de móveis não o tornam designers. Design é tão complexo em sua especificidade quanto a arquitetura, tanto que os cursos são tão longos quanto os de arquitetura. Apenas aqueles que buscam especializar-se e atuar especificamente com Design podem ser reconhecidos como tal. O restante, são arquitetos.

    Em segundo lugar, ainda corroborando o parágrafo acima e apenas para lançar um breve exemplo disso, o desenho e detalhamento de móveis ensinado nas faculdades de arquitetura nem de longe se aproxima da mesma disciplina ensinada nos cursos de Design. Na arquitetura ficam basicamente na forma, função e estética (não necessariamente nessa ordem). Os desenhos são geralmente um esboço do que foi idealizado. As soluções técnicas construtivas ficam a cargo dos marceneiros que definirão e solucionarão a resistência dos materiais, ferragens (pregos, parafusos, dobradiças, corrediças, etc), processos de montagem. Nenhum arquiteto sai da universidade consciente do que é um desenho industrial e capaz de fazê-lo de tal maneira que possa ser inserido na central de controle de uma linha de produção para que o produto saia na última máquina pronto, sem falhas ou interrupções. Nem mesmo os ciclos do processo produtivo e de vida do produto são ensinados. Portanto, não é Design.

    Os arquitetos de formação são na verdade arquitetos-decoradores, nunca arquitetos designers de interiores por estas e várias outras situações que poderia elencar neste post. Mas ainda vale lembrar que sim, Decoração nasceu dentro da arquitetura, mas em seu início não era feita por arquitetos. Ou será que o primeiro neanderthal que resolveu usar uma caverna como abrigo ocupando seus espaços tinha feito uma faculdade de arquitetura? Sabemos piamente que não. Então porque este processo não pode também ser admitido como o princípio do Design de Ambientes? Porque não se pode questionar isso? Devemos nos lembrar também que dos primeiros arquitetos reais até bem pouco tempo atrás, eles cuidavam da estrutura, da edificação, da construção, de seu impacto no entorno, das cidades. A parte interna, decorativa, geralmente era feita por pessoas de bom gosto. Os mobiliários, projetados e confeccionados por marceneiros (artesãos). E nenhum deles eram arquitetos.

    Mas prefiro aproveitar o espaço do presente texto para esclarecer corretamente porque Design de Ambientes tem sua raiz no Design e não na Arquitetura.

    Como não temos a intenção de projetar e tampouco construir edificações e tampouco este é o nosso foco, não temos o menor interesse em sermos reconhecidos como arquitetos. Portanto, não cabe a acusação de que tentamos invadir a arquitetura.

    Já a idéia de que Design de Interiores (doravante, Designer de Ambientes ou Design de Ambientes) é uma “evolução” da decoração – inclusive a ABD prega isso como regra – precisa ser desmentida pois trata-se de uma falácia maldosa e sem sustentação teórica alguma.

    Nem de longe aqueles antigos cursos de curta duração (poucos dias) tem algo a ver com Design de Ambientes. Na verdade, a Decoração é apenas uma pequena parte dentro do Design de Ambientes e da Arquitetura. Como já expliquei aqui em meu blog, Decoração é o ato de coordenar panejamentos, revestimentos e acessórios com a intenção de embelezar os interiores. Não deve ser negado o fato de que estes cursos antigos eram freqüentados essencialmente por madames que buscavam conhecimentos para melhorar esteticamente as suas próprias residências ou para ocupar o seu tempo ocioso. Poucos estudavam para aprender uma nova profissão e trilhar este caminho. Tanto que os decoradores – e nós também – sofrem até hoje com o estigma de que “isso é coisa de madame que não sabe o que fazer na sua vida” ou “isso é meramente um hobby e não uma profissão”.

    Também devo ressaltar a questão da especificação: decoradores especificam móveis prontos e no máximo lançam escopos de algo mais personalizado, mas não fazem a menor idéia de como desenvolver o projeto de um móvel e desconhecem os processos envolvidos. Sempre são peças únicas e/ou adaptadas de outros projetos. Outros detalhes que deixam claro essa diferença: nos cursos de decoração não eram ensinados projetos hidráulicos, elétricos, sistemas prediais, ergonomia, segurança entre vários outros elementos que a Arquitetura e o Design de Ambientes utilizam em seus projetos. Também vale ressaltar que o processo projetual na Decoração coloca a estética/estilo/bem-estar antes de elementos muito mais importantes como os estudos de levantamento, detecção e soluções para o problema, função, formas e meios de produção entre outros.

    Portanto não, Decoração não é o mesmo que Design de Ambientes. É apenas uma pequena parte dele e da Arquitetura.

    Chegamos finalmente ao Design de Ambientes.

    Eu me recuso a utilizar o termo Interiores e uso Ambientes. Explico o porquê:

    O termo “Interiores” vem do nascimento desta profissão e que, infelizmente, foi elaborada e pensada nas universidades essencialmente por arquitetos. Especialmente aqui no Brasil. poucos foram os designers – das diversas áreas – que tiveram acesso a esse processo de pensar a profissão. Tanto é verdade que até hoje a maioria dos docentes dos cursos são arquitetos, incluindo disciplinas específicas em Design onde, também a maioria, não tem qualquer especialização ou conhecimentos específicos no assunto. Isso atrapalha e engessa desde o pensar até a definição e evolução para chegar à informação correta, à acreditação e visibilidade da profissão. Muitos debocham de seus alunos com relação à escolha da profissão denegrindo-a. Outros tantos estão ali não por amor à educação mais por interesses pecuniários do que propriamente reconhecer o valor do profissional que está sendo formado dentro de um currículo. Estão distantes do que propõe a proposta curricular do curso onde são docentes.

    Longe de desmerecer a atuação docente dos arquitetos dentro dos cursos de Design de Interiores/Ambientes, o correto, coerente e ético é que eles permaneçam no corpo docente, mas apenas em disciplinas de sua alçada: sistemas prediais, sistemas estruturais, desenho arquitetônico, história da arquitetura, restauração, etc. Deixando a parte relativa ao Design, com docentes da área do Design. Até mesmo iluminação é interessante deixar nas mãos de um designer afinal, já tem especialistas no assunto no mercado.

    Isso também tem a ver com as distorções detectadas em praticamente todos os cursos de Design de Interiores e a própria nomenclatura que leva-me a acreditar que essa escolha foi proposital. É comum alunos ouvirem de seus professores arquitetos que o curso é de “interiores”, portanto nada que estiver para fora das quatro paredes (exterior) podemos mexer.

    Se um cliente contrata um designer e o ambiente é composto por um living com uma varanda anexa, insistem que o designer não pode atuar na varanda por ser um ambiente externo. No entanto não reclamam de um artista plástico faz uma intervenção numa fachada.

    Incoerente isso.

    Esse tipo de atitude levanta muralhas psicológicas no acadêmico que permanecerão durante sua vida profissional cerceando a sua capacidade criativa e conseqüente produção. E são impostas como leis irrefutáveis.

    Outro ponto importante é que os arquitetos lidam essencialmente com arquitetura e tem seu foco mercadológico nessa área. Com isso, as disciplinas de projetos ficam na maioria das vezes focadas apenas em interiores residenciais e comerciais. Esquecem-se, no entanto, que existem muitos outros segmentos em que o designer de ambientes pode e deve atuar. Na verdade reafirmam veementemente que a atuação resume-se aos projetos de interiores. Percebe-se claramente que a exigência na elaboração dos projetos impõe tendências, peças de design assinado ou os clássicos em suma, um arranjo de coisas prontas, bonitas e organizadas que são mais decoração que design.

    Afirmo isso pois é inadmissível um paradigma que enjaula e engessa todo o conhecimento de um designer de ambientes – seja por corporativismo ou qual motivo for – entre quatro paredes permaneça intocável, como se fosse um baluarte santificado.

    Se aprendemos a projetar um banco para uma residência, porque não podemos projetá-lo para uma praça? Se aprendemos paisagismo, porque aprisionar o nosso conhecimento em jardins de inverno ou vasos no interior? Só porque o nome do curso é Interiores?

    Creio que seja por causa do desconhecimento que estes tem sobre o que é DESIGN. Muitos acham que sabem o que é Design quando na verdade tem apenas uma vaga idéia, e bastante distorcida. E vemos constantemente na mídia provas disso. Outros tantos o fazem pela visão errada de que estamos invadindo áreas o que também é uma falácia em que acreditam. Se formos por esse caminho, arquitetos invadem a área da engenharia civil e aí como fica?

    Podem também alegar os Designers de Produto que estamos invadindo a área deles? Sim em partes, pois o projeto de um móvel feito por um profissional de produto tem um estilo seriado e industrial ou seja, comercial. O de ambientes faz o mesmo projeto de produto, porém consegue captar necessidades, peculiaridades e personalidade das pessoas e adaptá-las na seriação de maneira que possa ser também vendável e rentável respeitando igualmente todo o ciclo de produção e vida do produto final. E não, afinal nossa raiz é a mesma: o Design.

    Não somos e tampouco queremos invadir. Nosso foco é outro completamente diferente.

    Porém não podemos deixar de contribuir, somar.

    Na verdade esta é a meta de todas as profissões: contribuir para a construção de um mundo melhor, mais justo, mais seguro, mais humano, mais viável, mais prático, mais belo, mais ético. E nenhuma, absolutamente nenhuma profissão é capaz de realizar isso sozinha. Todas dependem direta ou indiretamente umas das outras.

    E o Design está em tudo, em todos os lugares, em todas as áreas e tem muito a contribuir com todas as outras profissões e a sociedade. E estamos aqui exatamente para isso.

    E, antes de sermos designers de ambientes, devemos nos lembrar que nossa raiz está no Design.

    Portanto, passemos a utilizar a nomenclatura mais adequada: Design de Ambientes como profissão; designer de ambientes como profissional.

  • N Jeitos – Ô trem bão!!!

    É, o NDesign em BH foi um evento daqueles que nos fazem pensar “Ô trem bão sô”!!!!

    Foi tão bão, mas tão bão que ninguém queria que acabasse…

    Foi tão bão, mas tão bão que ouvi de alguns organizadores dos próximos eventos que o NJeitos complicou a vida deles pois vão ter de trabalhar muito para ao menos igualar o nível do evento.

    No Open Space (atividade em grupos para pensar os próximos eventos), antes da plenária final, decidi participar para aproveitar e colocar mais atenção sobre a nossa área, Interiores/Ambientes, nos próximos eventos.

    Acabei falando antes da plenária final, parabenizando-os e incitando (energizando) todos os presentes. Pena que eu não tinha conhecimento deste vídeo, senão teria pedido para passar antes do encerramento:

    The Wayseer Manifesto – Visionarios do Caminho (Legendado)
    watch?v=hlSX3e6Kbx0&feature=player_embedded

    Tem tudo a ver com o espírito do evento, dos participantes e dos Designers!!!

    Então propus aos presentes o seguinte desafio daqui para a frente:
    “Antes do designer, vem o DESIGN.”

    Para os próximos eventos dei a idéia de que no primeiro dia, as primeiras atividades não foquem em nenhuma área específica e sim, apenas no DESIGN. Que seja apenas uma palestra, mesa redonda, bate papo onde o “apartheid”, a segregação não estejam presentes. Derrubar os preconceitos entre áreas já de início. Após “abrir a mente” dos participantes, parte-se para as especificidaders.

    Antes de eu ser designer de ambientes, a minha raiz, base, estrutura está no DESIGN. Uma idéia para quebrar barreiras, derrubar paradigmas, eliminar os guetos profissionais e dos departamentos…

    Se você é de produto, não interaja apenas com o pessoal do seu curso, não leia apenas sobre produtos, não produza apenas sobre produtos, não pense apenas em produtos. Isso é um paradigma imposto pelo sistema que precisa ser questionado até ser derrubado.

    Promovam a interação entre os departamentos de design nas universidades estudando como um segmento pode contribuir, colaborar, somar com os outros.

    Ampliar a mente, expandir a visão e o foco. Somos multi, pluri, trans e megadisciplinares.

    E nunca pedir informação sobre ambientes para um gráfico. Faça isso diretamente a um de ambientes.

    O N Jeitos trouxe uma nova forma de ver o Design, várias atividades foram multifacetadas (inter-áreas). Não deixem isso morrer.

    Como falei no encerramento, o nome “N Jeitos” foi uma sacada genial da organização. Já derrubaram inúmeras barreiras só através do nome escolhido.

    Também elogiei o pessoal que está organizando o RDesign de Curitiba (acho que em outubro próximo): 360°.

    É isso, abram suas mentes, ampliem seu mundo, nosso campo visual é em média de 150° e com isso, deixamos de perceber o restante que fica escondido nos 210°.

    Me esqueci de falar na hora mas tinha um grupo bem na minha frente e o nome do R é bem isso: Revolução!!!

    Revolucionem, não se contentem, não aceitem pacificamente tudo que lhes é imposto. Que a partir do N Jeitos, esse pensamento de inovação, inquietação, indignação, inspiração, integração esteja presente não só nas organizações dos próximos eventos mas, principalmente, na cabeça de todos.

    Como falei, estou a disposição de todos para auxiliar, indicar, propor, participar enfim, ajuda-los a construir os proximos eventos. É só entrar em contato que terei o maior prazer em ajuda-los.

    Afinal, somos parte dos “Visionários do Caminho”!!!

    Valeu pessoal!!!

  • DESIGN E CULTURA ou A (DES)CULTURA do DESIGN

    Por Renata Rubim*

    Ao ler “design e cultura”, o que ocorre na sua mente, que pensamento vem?

    A minha experiência me mostra que ainda se confunde bastante design com glamour, sofisticação e, quem sabe, com o desnecessário, o inútil.

    Mas design no seu sentido mais intrínseco é justamente o contrário disso, design é simples, básico e completamente necessário. Design está em tudo que nos rodeia desde que acordamos até quando adormecemos. Ninguém vive separado do design. O nosso cotidiano é feito e permeado de design. Design, design, design.

    Mas e cultura? O tema cultura tem a mesma importância que o tema design. Um não existe sem o outro. Não há designer inculto. O inculto não será designer porque ele não terá ferramentas essenciais para desempenhar e desenvolver seu trabalho. A cultura é o alimento do designer. E design é, por sua vez, cultura.

    Fico constantemente abismada ao constatar que pouquíssimo dos nossos intelectuais tem ideia da abrangência do design. Ao listar áreas culturais serão certamente mencionadas a literatura, as artes visuais, o cinema, o teatro e talvez alguma outra expressão como HQ (História em Quadrinhos), quem sabe.

    Outro aspecto que me chama a atenção é o foco usado pela mídia. Foco esse, muitas vezes, distorcido que a mídia em geral tem do design. Se quisermos ler sobre design nos jornais diários ou em revistas semanais, será quase impossível achar algum artigo, reportagem ou matéria fora das páginas e cadernos de decoração ou moda. Muito raramente aparece alguma referência na parte de economia. Impressiona-me que hoje, século XXI, quando estamos imersos num cotidiano permeado de design, não seja dado ao assunto o seu devido valor.

    Mas não é assim em outros países e não tem que ser aqui. O meu principal argumento é que se cada um de nós tiver um pensamento humanitário, naturalmente se lembrará do design voltado à medicina, o design voltado às necessidades e carências essenciais, ao meio ambiente, etc. Não se pode desligar uma área de sua cultura original. Um exemplo claro é o da medicina chinesa, ligada à cultura e à filosofia da China.

    Kenji Ekuan, um dos mais respeitados designers japoneses, criador da célebre garrafinha do molho de shoyu que todos conhecemos, é um estudioso do budismo. É interessante se olhar com mais profundidade para isso, que pode parecer um paradoxo. Afinal, o budismo é principalmente uma filosofia de vida onde a matéria é
    conseqüência de uma série de ações imateriais. Bem, mas Kenji respeita os produtos como se vivos fossem. Não pela sua aparência ou pelo possível luxo, mas pelo que está neles embutido: o processo. Em respeito ao conhecimento e à bagagem que cada componente desse longo e delicado processo possui. Desde o homem rural até o consumidor final, que elege e adquire algo relacionado com a cultura que o rodeia.

    Cultura e design andam de mãos dadas. Dançam juntos. São interlocutores, portanto, indissociáveis. Fazer design é se envolver com as diferentes etapas do processo, (início, meio e fim), começando pelas pontas. Falando simplesmente: numa ponta está aquele que investe ou produz e na outra ponta aquele que adquire o resultado final. Mas essa, como todas as linhas, é composta de pontinhos, todos básicos para a sua formação.

    Um designer envolvido seriamente com o seu ofício tem interesse em áreas diferentes do repertório cultural, ambiental e social porque se o seu projeto estiver bem inserido na comunidade, significa que há diálogo e interação entre ele e o usuário.

    Sendo assim, quem faz design, faz parte de uma sociedade tanto quanto quem faz economia, medicina ou jornalismo. É um integrante de uma determinada cultura ou grupo de pessoas e ocupa um lugar de importância igual, nem maior, nem menor. Nem acima, nem abaixo. Mas, ao lado. Junto.

    Pensar design é participar e formar comunidades mais receptivas, adequadas e equilibradas. Por isso, nós designers, temos interesse especial que a comunidade em que estamos saiba o que é design no seu sentido mais amplo. Que quando todos pensarmos design (design thinking), entendermos suas inúmeras possibilidades (design de serviços, por exemplo) e olharmos para as necessidades básicas das pessoas (idosos, deficientes, crianças, carentes, adictos) teremos uma sociedade bem mais humana e bem mais inteligente.

    *Renata Rubim
    Designer de superfícies e consultora de cores. Colabora com a difusão do design em projetos industriais e educativos. Em palestras e workshops pelo Brasil e América Latina compartilha conhecimento adquirido ao freqüentar a Rhode Island School of Design, Providence, USA, com bolsa Fulbright. Escreveu “Desenhando a Superfície”, Ed. Rosari, SP, primeiro no Brasil sobre o tema. Seu escritório atende a clientes de diferentes segmentos. Recebeu os prêmios Bornancini 2008 e Idea/Brasil 2009, com parcerias. Participou da Bienal Brasileira de Design 2010 e da Cowparade Porto Alegre.

  • Iluminação comercial x iluminação técnica

    Lancei dias atras (25/5) no grupo Lighting Design Brasil, no Facebook, uma questão simples:

    E você?
    Sabe a diferença entre iluminação comercial e iluminação técnica?

    Não sei se deu nó na cabeça do povo ou o que foi, mas apenas o Ugo Nitzsche ousou escrever algo e o Alexandre (LightingNow) tentou alegando o seguinte:

    Uma está ligada ao tipo de atividade/função (Comercial, Residencial, Corporativa, etc…) e a outra estla ligada ao equipamento (Técnica, Decorativa, Emergência, Pública, Natural). A fusão destas “definições” é frequente, pois invariavelmente temos ambientes comerciais e corporativos que tem muitas peça de cunho decorativo e residenciais com peças técnicas para cumprir funções específicas. No final, o que precisamos é ter o resultado projetado e desejado.”

    O Alexandre não está de todo errado, mas não é bem isso que eu quis explorar.

    Pois bem. Para responder esta questão é preciso esclarecer que no caso em questão, iluminação comercial em nada tem a ver com diferenças entre iluminação comercial, residencial, hospitalar, esportiva, etc. Essas são definições básicas aceitas e divulgadas por grande parte da mídia e até mesmo por profissionais.

    No entanto, quando coloquei iluminação comercial x iluminação técnica eu estava focado em meu artigo da pós e, senti a necessidade de fazer esta distinção. No entanto, não encontrei definição melhor que “iluminação comercial” para denominar este segmento.

    Iluminação Comercial, para mim, ficou sendo (além daquela já amplamente divulgada pela mídia não especializada) aquela que qualquer um faz. É aquela que aprendemos a fazer em nossos cursos de arquitetura, engenharia, design…

    É aquela iluminação que valoriza mais o status (ou o design) que a peça especificada pode trazer ao ambiente que a sua eficiência e atendimento às necessidades dos usuários.

    É aquela iluminação “para vender”, digna de lojas de luminárias onde os vendedores (os despreparados e iniciantes) procuram empurrar as peças mais caras.

    É também aquela iluminação que aparece nas revistas , tipo “Cafofo da Cráudia”, e que vemos repetida em diversos projetos. Aplicação básica, projetos sempre com a mesma cara (observando a iluminação), sensação de repetição ou cópia por diversos projetistas.

    É aquela que aparecem citadas nos boxes de matérias da mídia não especializada como “dicas” de como iluminar os ambientes.

    É aquela iluminação que geralmente uso em meus posts sobre erros em iluminação.

    É aquela iluminação onde fica evidente que o projetista conhece apenas o que está disponível (e pendurado) nas lojas de iluminação. Nem sabe da existência de catálogos e muito menos a diferença entre catálogo técnico e catálogo de vendas.

    É aquela iluminação onde as lâmpadas são , na linguagem corporativa das indústrias,  as comerciais. Aquelas que qualquer um leva de baciada pra casa, encontradas em grandes lojas de artigos de construção.

    É aquela iluminação que segue à risca a NBR 5413.

    É aquela iluminação onde o projetista fala em automação para criar cenas.

    É aquela iluminação urbana tradicional e horrorosa.

    É aquela iluminação que o cliente gastou uma fortuna em luminárias para fazer rasgos de luz numa parede e mais ainda num pendente para o mesmo ambiente onde a luz explode para todos os lados apagando os rasgos…

    É aquela iluminação feita por um projetista que não faz a menor idéia de como aplicar os equipamentos de cênica em um ambiente.

    É isso. A criatividade passa longe. A técnica passa longe. O conhecimento sobre os equipamentos voltados à iluminação resumem-se ao básico.

    É uma iluminação feita para vender como coco em beira de praia em alta temporada.

    É uma iluminação onde o projetista se acaba em neuroses e dúvidas para finalizar a especificação e, na maioria das vezes corre pedir ajuda a algum vendedor ou “dicas” para algum colega especialista.

    Já a Iluminação Técnica tem tudo a ver com o Lighting Design e a sua consequente imposição da especialização e informação constante e diária do profissional que deseja usar o título Lighting Designer.

    É aquela iluminação onde as lâmpadas são cautelosamente especificadas baseadas em suas especificações técnicas IRC, TC, IP, soquete, radiação, ° de facho, entre outros.

    É aquela iluminação onde as luminárias não consideram em primeiro plano o “dizáine assinado” e sim como a luz projetada por esta irá afetar o ambiente iluminado.

    É aquela iluminação onde os conhecimentos sobre psicologoia – relativa à percepção e influência da luz – são aplicados no projeto.

    É aquela iluminação onde o uso de filtros de correção de cor faz-se presente sempre que necessário.

    Por falar em cor, é aquela iluminação onde percebe-se claramente que a distinção entre cor-luz e cor-pigmento faz parte do conhecimento do projetista.

    É aquela iluminação onde o projetista consegue transformar a percepção, cores e estilo do ambiente, sem alterar a sua forma arquitetônica.

    É aquela iluminação que baseia-se na NBR 5413 mas o projetista tem consciência dos pontos de necessidade dispensando-a em pontos complementares.

    É aquela iluminação que surpreende quem chega a um ambiente não apenas “por ser uma iluminação mais cênica”, mas sim porque seus sentidos são atiçados sem ele perceber o que está fazendo isso.

    É aquela iluminação que preocupa-se com reflexos, brilhos, ofuscamentos, refração, aquecimento do ambiente, saúde e segurança dos usuários, entre outros cuidados.

    É aquela iluminação onde o projetista aplica os equipamentos e conceitos cênicos tranquilamente integrando-os ao ambiente.

    É aquela iluminação onde o projetista fala em controle da luz visando economia, eficiência energética, segurança, efeitos.

    É aquela iluminação urbana que visa o embelezamento (valorização através da estética) e segurança (bem-estar através da técnica) nos espaços urbanos.

    Em suma, é uma iluminação que depende de um profundo conhecimento sobre o universo da iluminação, muito mais amplo que aquele básico adquirido nos cursos de arquitetura, engenharia e design.

    É aquela iluminação onde o projetista diverte-se entre equipamentos e busca levar essa diversão e, sempre que possível, busca levar essa diversão para os ambientes de forma inesperada e inusitada.

    Esse é o Lighting Design!

    Entenderam agora?

  • é… estamos ferrados???

    A falta da regulamentação profissional do Design de Interiores/Ambientes está afetando cada dia mais o nosso exercício profissional. Muitos acadêmicos nem fazem idéia do que anda acontecendo e incontáveis profissionais já formados simplesmente fazem de conta que o problema não é com eles.

    Pois bem, está tramitando no Congresso Nacional o PL 1391/11, de autoria do Deputado Luiz Penna, que regulamenta a profissão do designer. No entanto, abre-se uma grande discussão em torno desta regulamentação.

    O PL contempla apenas as seguintes áreas: Comunicação Visual, Desenho industrial, Programação Visual, Projeto de Produto, Design Gráfico, Design Industrial, Design de Moda e Design de Produto. Design de Interiores/Ambientes ficou de fora.

    Esta é uma discussão que já tenho há vários anos com alguns “cabeças do referido PL”. Com um deles, especificamente, não há mais qualquer respeito no tratamento um com o outro – e também nem faço questão disso com relação especificamente a esse cara. Explico:

    Em todos os fóruns que participo sobre o assunto sempre tentei mostrar a área de Interiores/Ambientes como parte integrante da raiz Design. Tanto é verdade isso que até mesmo as diretrizes do MEC a mantém ligada à raiz Design. No entanto, nunca recebi qualquer argumento convincente que me calasse. Todas as tentativas foram baseadas em máscaras e deixavam claro o desconhecimento total deste(s) com relação à área de Interiores/Ambientes. Não passam de meros “achismos”.

    Sempre questionei sobre as escolhas das pessoas que iriam compor este comitê para estudos do PL, especialmente sobre “quem” representaria Interiores neste grupo. Também me posicionei radicalmente contra a escolha da ABD como representante em detrimento da AMIDE, ou melhor, porque associações são ouvidas e os profissionais não? Porque alguns profissionais de outras áreas do Design foram ouvidos e nenhum da área de Interiores foi? Alertei inúmeras vezes de que isso não funcionaria, pois a ABD não é uma associação de Design. Ela é uma associação que congrega decoradores, arquitetos decoradores E designers de interiores/ambientes. Para piorar a situação, a própria associação é incapaz de distinguir os três profissionais que fazem parte de seu corpo de associados. Mas foi a escolha deste grupo, sem qualquer tipo de consulta aos profissionais da área. Claro e óbvio que não funcionou e a ABD caiu fora alegando ter “um projeto próprio de regulamentação”.

    Certa vez, depois de um forte debate e, quando vários designers de outras áreas perceberam a enrolação dele e começaram a pegar no seu pé para que me respondesse claramente ele soltou:

    “Não queremos problemas com os arquitetos”.

    Na sequência, quando percebeu que isso revoltou vários profissionais presentes, ele apagou o post. Nesse mesmo período, o pessoal das comunidades de arquitetura estavam com um forte movimento pela criação do conselho próprio, o CAU. Vários assuntos eram debatidos e entre eles, claro, ficava claro o descontentamento deles com a invasão (na verdade percebia-se o medo pela competitividade) dos Designers de Interiores/Ambientes, raça infeliz que tinha de ser extirpada. Como, legalmente, isso não é possível, começaram com um trololó de fazer a regulamentação da área através do CAU. E esse fulano juntou-se ao coro deles apoiando integralmente a ideia. Aí foi quando o respeito meu por ele acabou de vez (o dele por mim nunca existiu).

    Então é assim. Corta-se na carne para beneficiar alguns grupos – ou áreas – e que se danem os outros. Uma postura no mínimo vergonhosa e que deve ser motivo de vergonha para todos os designers, de todas as áreas, nesse processo em andamento e para os parlamentares que o estão aprovando cegamente.

    O Design no Brasil está sendo regulamentado, porém, antes disso, foi estupidamente amputado.

    E pior, ainda tem gente que acredita que fazendo isso o Design brasileiro vai encontrar finalmente a sua identidade…

    Mas devemos culpar apenas este grupo por esse erro insano?

    Não!

    Querem saber de quem também é a culpa? Vamos lá:

    Das IES:

    Enquanto tivermos cursos de Design de Interiores ligados à coordenações de Arquitetura e não de Design, enquanto tivermos uma maioria do quadro docente oriundos da Arquitetura e não do Design, dificilmente teremos cursos reais de Design de Interiores/Ambientes. Grande parte dos cursos está formando meros decoradores por causa destes dois problemas citados.

    Ponto 1: O curso deve, assim como direciona o MEC, ser ligado ao departamento de Design;

    Ponto 2: Os professores devem ser primeiramente das diversas áreas do Design que são utilizadas num projeto de Interiores/Ambientes. Arquitetos e engenheiros entram apenas nas disciplinas técnicas de plantas arquitetônicas, hidráulica, elétrica e similares. O resto tem de ser ministradas por DESIGNERS.

    Ponto 3: os coleguismos nas contratações devem acabar. Professor que não tem comprometimento com a educação e não está disposto a compartilhar conhecimento, não merece espaço numa IES séria. E temos muitos pseudos-professores que não vêem alunos e sim futuros concorrentes no mercado de Interiores e evitam a todo custo, compartilhar corretamente os conhecimentos.

    Ponto 3: Devemos pressionar e incentivar as IES públicas no sentido da abertura deste curso. A grande maioria dos cursos brasileiros é oferecida por IES privadas e todos sabem muito bem como estes funcionam (PP e PPP).

    Ponto 4: O reconhecimento de qualquer profissão e o fortalecimento vêm através de pesquisas e, nas IES privadas isso não interessa. Para as IES provadas a pesquisa é um gasto desnecessário. Tanto é verdade isso que a bibliografia brasileira na área é ridícula.

    Ponto 5: Nos vestibulares faz-se urgente a exigência de THE (Teste de Habilidade Específica). Da forma como vem sendo feito, muitas IES privadas cobram apenas uma redação que, muitas vezes, não passam de um parágrafo ridículo e mal escrito. Não à toa que muitos calouros desistem do curso ao descobrir que o curso de Design de Interiores/Ambientes não é mera decoração como pensavam e sim algo bem mais complexo. Um THE já eliminaria essa visão errada do curso e, certamente, teríamos alunos mais preparados para o curso.

    Ponto 6: as IES devem ver este curso como uma importante área para o bem estar da sociedade e não apenas como um mero arrecadador de dinheiro, já que está na moda e a procura é grande.

    Ponto 7: eliminação da oferta deste curso na modalidade “à distância”. É uma área técnica e que exige a presença constante do professor ao lado do aluno para corrigir seus erros e ensinar a forma correta de fazer um projeto e tudo que engloba o mesmo. Não vemos cursos de Arquitetura à distância. Da mesma forma é impensável um curso de Design de Interiores/Ambientes à distância dada a sua complexidade e transdisciplinaridade.

    Das associações:

    Ponto 1: Seriedade. Ninguém aqui estudou e investiu tanto para ficar brincando de casinha. As associações tem de acordar para a realidade do mercado e posicionar-se claramente sobre o mesmo. Não devem agir apenas quando um problema acontece com um dos membros da corte e na sequencia simplesmente fazer o problema cair no esquecimento da mídia.

    Ponto 2: Jamais uma associação deve ficar em cima do muro por melindres ou medinhos. Deve encarar de frente os problemas que afetam os profissionais por ela representados.

    Ponto 3: Transparência. As associações devem ser claras nas informações destinadas ao público, distinguindo corretamente os profissionais que agregam.
    Ponto 4: Ação. Elas devem promover ações propositivas e positivas no sentido de educar o mercado corretamente e de maneira eficiente.

    Ponto 5: Isenção. Uma associação jamais deve deixar-se guiar por fornecedores tornando-se refém. Em primeiro lugar devem vir os profissionais por ela representados, depois idem, depois idem e se sobrar tempo, idem.

    Dos Profissionais:

    Depois de formados saem feito loucos atrás de clientes sem se importar com questões profissionais. Só aparecem quando enfrentam algum problema. Mas assim que é resolvido, desaparecem novamente sem se importar com os colegas de profissão. Na verdade o problema é bem mais sério.

    Ponto 1: A maioria atua como decoradores e se esquecem dos princípios do Design em seus projetos. Vivem dentro do mesmo mercado que os decoradores e os arquitetos decoradores. Raramente aplicam seus conhecimentos em Design em seus projetos. A maioria não desenha um móvel mais que a forma externa e esboços do que pensaram para as divisões internas. Especificar ferragens e materiais pra que se o marceneiro sabe tudo e fará o trabalho? A maioria prefere largar o projeto da cozinha nas mãos dos vendedores projetistas das lojas. Também pra que perder esse tempo todo se temos móveis prontos em lojas de qualquer esquina? Onde enfiaram os conhecimentos aprendidos na faculdade? Ou será que só frequentaram faculdades do tipo PP (pagou passou) ou PPP (papai pagou passou)? Ou ainda, será que cursaram mesmo Design de Interiores ou algum curso mascarado de decoração? Foram enganados?

    Ponto 2: Será que a formação foi tão deficiente para lançar no mercado meros decoradores com canudo de designers?

    Ponto 3: profissionais que preferem ficar com suas bundas gordas confortavelmente sentados esperando que alguém faça o “trabalho sujo”, que “dê a cara pra bater”. Assistem tudo de camarote e são covardes ao ponto de não se pronunciar, mesmo sabendo que a situação pode afetar o seu lado profissional.
    Ponto 4: estes mesmos profissionais folgados que, depois de regulamentada a profissão e, antes mesmo da instalação do Conselho Federal, já estarão berrando nas redes sociais que querem a sua carteira profissional.

    Como muito bem colocou a Keylla Amelotti no grupo Design de Ambientes – UEMG:

    “Acredito que se os próprios designers de ambientes se entendessem como uma disciplina de design e não um “braço” da arquitetura, não bateríamos tão de frente com a arquitetura. Porque nós, designers de ambientes, fazemos muito mais do que decorar e humanizar a edificação que o arquiteto projetou; nós podemos ser paisagistas, designers de móveis, cenógrafos, designers de eventos; nós podemos fazer a diferença na qualidade de vida dos trabalhadores de uma loja, de uma fábrica, de um consultório; nós podemos auxiliar na produtividade de uma empresa, nós podemos transformar a forma como uma criança pode ver e sentir toda a sua vida escolar; nós podemos fazer o sonho de uma vida virar realidade num casamento, numa festa de aniversário, num quarto com alma… Nós somos e podemos muito mais do que a maioria pensa – muito mais do que alguns de nós mesmos pensam, e é por isso que parece que lutamos por migalhas de arquitetos. Nós temos muito mais a oferecer à sociedade do que querem nos fazer acreditar. Basta que a gente descubra isso, inclusive dentro da escola de design.”

    Disse tudo!

    Todo Designer de Interiores/Ambientes é também um Decorador. Mas não é Arquiteto.

    Todo Arquiteto é também um Decorador. Mas não é Designer.

    Todo Decorador é apenas Decorador. Não é Arquiteto. Também não é Designer.

    Isso é um fato real e tem de ser encarado de frente, sem achismos, melindres e ego(ísmo)s.

    Daí a necessidade de um profissional necessitar da parceria com os outros numa equipe multidisciplinar. Cada um no seu quadrado correto.

    Ou preferem ficar aí vendo a banda passar para depois chorar sobre o leite derramado se fazendo de vítimas do sistema?

  • “Só dizáiner?” (sic)

    É pessoal, depois eu que sou ranzinza e birrento. Mais uma vez me deparei com uma situação constrangedora em uma loja aqui de Londrina.

    Estava com um amigo/cliente acompanhando-o em compras, quando resolvemos procurar puxadores para os criados-mudos recentemente adquiridos. Como a Belquímica (onde costumo comprar materiais de marcenaria) encontrava-se fechada em razão de férias coletivas fomos até a Casa dos Puxadores, na Rua Belo Horizonte 450, aqui na cidade de Londrina.

    Verificamos o mostruário disponível sem acompanhamento ou qualquer interferência do vendedor que estava atrás do balcão, entretido no computador fazendo não sei o que. Definido o modelo chamei este vendedor para solicitar oito peças do produto escolhido.

    Como eu já imaginava que o valor em RT seria ridículo, solicitei ao vendedor que o revertesse em desconto para o cliente.

    Ele me perguntou se eu tinha cadastro na loja. Respondi que provavelmente não e ele falou que iria primeiramente fazer o cadastro. Perguntou-me então “O senhor é o ARQUITETO…(?)

    Respondi de pronto que eu não era arquiteto e sim DESIGNER.

    Ele olhou para mim com certo desdém e soltou:

    Só dizáiner(SIC)?”

    Questionei “como assim “só designer? Sou um especificador da mesma forma que eles.

    Então, indiferente à situação de embaraço a que submeteu o cliente, ele retrucou: “Nosso sistema só aceita arquitetos”.

    Reiterei que eu, na qualidade de designer, sou um especificador assim como qualquer arquiteto. Ou melhor, na maioria das vezes muito mais que os arquitetos, considerando que dentre as competências profissionais do designer destaca-se a de projetar e produzir os móveis por completo e não apenas comprá-los em lojas de móveis.

    A resposta do vendedor foi que “não tem como cadastrar a não ser que o meu supervisor libere o sistema“.

    Meu cliente, indignado com a situação, ao perceber o constrangimento e a falta de respeito profissional em relação a mim – creio que deveria estar visível o meu rosto roxo de raiva – pediu para sairmos dali e encontrar outra loja.

    Antes de sair, falei para o vendedor que a loja perdeu um especificador, vendas futuras e também que não espere que eu fale bem da loja onde for.

    No caminho para o carro meu cliente (formado em grau superior, pós-graduação em nível de doutorado) estava perplexo! De origem paulistana, morando alguns anos em Londrina, disse que se surpreendeu pela forma ignorante, medíocre e provinciana de perguntar “você é só designer?”! Como se houvesse graus inferiores no exercício da excelência profissional. Na conversa, mostrou-me por analogia como se aplicaria este absurdo em outros ramos técnicos ou profissionais, no âmbito da pesquisa, tecnologia e congêneres.

    É preciso respeitar as competências específicas de cada área, inclusive considerando suas intersecções, que não obscurecem a identidade profissional. Ao contrário, segundo este cliente, num contexto onde valorizamos a interdisciplinaridade e as decorrentes interações na elaboração de projetos (em qualquer área) como condição sine qua non de qualidade e confiabilidade, esta reserva de mercado é obsoleta e inaceitável. Em outras palavras, um mercado de “mente pequena”, atrasado e de olhar míope para a própria realidade.

    Como se pode observar, a indignação deste cliente lhe permitiu entender o corporativismo grosseiro e anacrônico que ainda reina nesta área profissional em Londrina: um sério obstáculo para parcerias que seriam bem vindas e que, com certeza por meio de uma sadia concorrência, proporcionaria o avanço em inovações de projetos para além da estagnação da criatividade que marca especificamente o mercado londrinense.

    Na verdade, um mercado com contradições! Nem tudo está perdido! Saímos desta loja – Casa dos Puxadores – e fomos para outra próxima, do outro lado da rua Belo Horizonte, onde fomos bem atendidos com respeito profissional na compra dos puxadores de ótima qualidade.

    Esta situação merece uma reflexão crítica muito séria e mais aprofundada: este caso deste vendedor e da loja que ele representa – que não é isolado – manifesta um corporativismo latente por detrás dos balcões comerciais. Para além de um comércio tacanho, a pergunta que devemos sempre fazer é a seguinte: a quem realmente interessa estas práticas de visão estreita?

    É pessoal, aqui em Londrina – assim como em cidades do porte de Londrina e menores – podemos constatar uma certa “máfia” de arquitetos, encabeçada por uns poucos que se acham “estrelinhas” em torno dos quais gravitam aqueles que se contentam com migalhas do mercado sob tácita reserva. Entretanto, vários destas “estrelinhas” precisam ficar fazendo interiores pra sobreviver, confundindo ou enganando os clientes e, por sua vez, demonstrando claramente sua incompetência em destacar o que é específico no exercício profissional de arquitetura, sua verdadeira formação.

    No que se refere à formação – inclusive do ponto de vista de uma ética profissional – cabe aos cursos de Design implementarem com seriedade curricular um diálogo com a Arquitetura – desde que esta se abra para isso – demarcando claramente as competências e as possibilidades de interação profissionais, abrindo o mercado para parcerias produtivas e para o respeito das especificidades de atuação. Não se pode mais suportar estratégias escusas e imorais para garantir reserva corporativista de mercado.

    Considerando o Curso de Design ofertado pela UNOPAR, espero sinceramente que seu novo gestor, a empresa Kroton Educacional, sem se tornar refém de “coleguismos” provincianos,  promova um efetivo “choque de gestão” priorizando a qualidade curricular deste Curso sobretudo com a contratação de docentes de reconhecida competência para as áreas teórico-práticas e tecnológicas relacionadas com o Design.

    Indo mais a fundo no problema inicial deste post, aqui em Londrina, arquitetos recebem o quanto querem como RTs das lojas (já ouvi relatos de até 40%) enquanto os designers tem de chorar muito para conseguir míseros 5% – quando conseguem isso. Pouquíssimas são as lojas que nos dão 10% de comissão. Sem considerar que muitas lojas também são coagidas a privilegiar os arquitetos, com receio de perder clientela. No entanto, os colegas designers por necessidade continuam levando clientes, submetendo-se a essa humilhação. Seria muito melhor se fossem éticos com seus clientes, relatassem como isso tudo acontece – inclusive a existência das RTs. Certamente o cliente ficaria do seu lado e não da loja.

    Outro detalhe: as RTs dos arquitetos são pagas rapidamente. Estou com três lojas que, desde maio deste ano, estão me “enrolando” e não me pagam o que me devem de RT.

    Aqui em Londrina rolam altos coquetéis das lojas, construtoras e empreiteiras que NUNCA convidam designers. O que acontece (e sei disso através de uma amiga que organiza as melhores festas aqui) é que um determinado grupo de arquitetos assedia os organizadores para saber quem são os convidados e, se tiver um único designer convidado eles boicotam a festa. Já relatei isso aqui em meu blog e já vinha relatando antes dele, ainda no orkut. Como vêem, nada mudou por aqui.

    Enquanto isso na “Ilha da Fantasia” a ABD fica fazendo festinha e carnaval mascarando o real problema que afeta o mercado, isto é, a dura realidade a que somos submetidos diariamente.

    Enquanto a nossa categoria (designers de interiores/ambientes) não conseguir reverter a asneira que a ABD fez junto ao grupo do prof Freddy Van Camp e termos a nossa área inserida no projeto de regulamentação do Design as coisas continuarão a ser assim. Fica aqui mais uma vez a minha solicitação para que o grupo do professor Freddy e os deputados envolvidos reavaliem essa questão pois a ABD, por interesses estranhos que rolam nos bastidores, não tem qualquer autonomia ou autoridade representativa para decidir sobre a nossa profissão, nosso futuro profissional.

    A ABD afirma que não há essa rinha entre arquitetos e designers, porém até mesmo o Ricardo Botelho (que vocês conhecem muito bem) já escreveu recentemente sobre isso no portal ADForum. Tanto não há que a ABD insiste em não enquadrar ou separar os profissionais corretamente como Designers de Interiores/Ambientes, Arquitetos Decoradores e Decoradores. Irresponsavelmente, insistem em dizer que são a mesma coisa. Porém ficam quietos quando os arquitetos “sentam o cacete” nos designers.

    Percebo claramente que a ABD continua refém do mesmo grupinho de “espertalhões” que se acham poderosos e espertos. Mas na verdade escondem as intenções oportunistas que não condizem com a maioria dos profissionais sérios que não participam da “rodinha” privilegiada.

    Talvez o pessoal das grandes cidades não consiga entender estes problemas por ser bem mais difícil que estes aconteçam já que a realidade é bem diferente. Sempre recebo convites de empresas de São Paulo, Campinas e Curitiba para seus coquetéis e festas. Mas mesmo que não sintam estas dificuldades e não passem por estas humilhações diariamente não quer dizer que devem se calar e não defender a nossa classe profissional.

    Então, profissionais, acadêmicos e docentes de Design de Interiores/Ambientes, acordem. Leiam e releiam este post quantas vezes forem necessárias para refletir sobre esta (e tantas outras) situação estúpida que temos de nos submeter diariamente longe dos grandes centros. Somos formados, estudamos muito como qualquer outra profissão exige. Então não tem porque termos de nos submeter a este tipo de humilhação diariamente.

    Se a ABD não se mexe, nos mexamos nós então. Aqui vão, inicialmente, algumas sugestões de como nos unir. Vou refletir sobre isso e soltarei um post em breve com mais sugestões para educar o mercado.

    1 – Entrem em contato com o grupo do professor Freddy Van Camp pedindo que acrescentem Interiores/Ambientes nas especialidades do PL de regulamentação do Design com urgência. Se você já passou por alguma situação constrangedora ou vexatória não tenha vergonha de relatar isso a eles.

    2 – Converse com as lojas (preferencialmente com o gerente) antes de levar os clientes para compras. Ligue e diga que é arquiteto (invente um nome) e pergunte quanto é a RT. Depois ligue, apresente-se corretamente e questione quanto é a RT. Se houver diferença, fale na cara dura que a loja perdeu um especificador e o porquê disso. Também avise seus colegas profissionais de sua cidade sobre a sacanagem que tal loja faz.

    3 – Boicote também as lojas que fazem coquetéis e festas “só para arquitetos”.

    4 – Se algum estabelecimento – ou alguém – exigir a sua carteira de associado da ABD para seja lá o que for, diga claramente que ela não é um Conselho Federal, não tem poder legal, portanto não há o menor cabimento nessa exigência.

    Bom é isso por hora.

    Hoje é meu aniversário e eu não conseguiria curtir tranquilo a minha festinha aqui em casa sem colocar isso para fora.

  • iés! Nóis tá na roça!!!

    Ontem o Senado aprovou a regulamentação da profissão de DJ!!!!!!

    U-A-W!!!

    Realmente este é um profissional extremamente útil e importante para a sociedade. Arrisco-me a dizer IMPRESCINDÍVEL, NECESSÁRIO!!! O que seria de nossa sociedade sem a existência destes profissionais não é mesmo?

    Veja o texto completo aqui.

    Enquanto isso, nós designers continuamos enfrentando o DESCASO e os lobbies de nossos parlamentares que chegam ao absurdo de referir-se ao Design como mero artesanato (sim ainda hoje tem imbecil que pensa assim lá no Congresso Nacional). Talvez por isso vemos tantos materiais de campanha (gráfico e produto) de péssima qualidade nas eleições…

    Mas voltando aos DJs. Que fique bem claro que eu não tenho absolutamente nada contra eles até porque adoro me jogar numa pista de dança (desde que a música seja boa) e me acabar. Só saio quando o corpo pede cama! Mas, regulamentar esta profissão é uma afronta a várias categorias profissionais, especialmente a nós, designers, que já estamos ha décadas tentando regulamentar a nossa profissão sem sucesso.

    “Art. 25. ………………………………….
    Parágrafo único. A realização de eventos com a utilização de profissionais estrangeiros deverá ter, obrigatoriamente, a participação de, pelo menos, 70% (setenta por cento) de profissionais brasileiros.” (NR)

    O texto torna obrigatória a participação de pelo menos 70% de profissionais brasileiros nos eventos promovidos no País com atrações estrangeiras. Pois bem, se isso não for RESERVA DE MERCADO, não sei mais ler. Isso deixa claro que este argumento utilizado CONTRA a regulamentação do Design é BALELA, conversa pra boi dormir.

    Acham pouco? Olhem isso:

    “Art. 7º………………..
    IV – …….
    § 3º O DJ ou Profissional de Cabine de Som DJ (disc-jockey) e o Produtor DJ (disc-jockey), se estrangeiros, ficam dispensados das condições exigidas neste artigo, desde que sua permanência no território nacional não ultrapasse o período de 60 (sessenta) dias.” (NR)

    Aham, FORA INTRUSOS!!!

    Mais outra coisa interessante:

    “Art. 24. É livre a criação interpretativa do Artista, do Técnico em Espetáculos de Diversões, do DJ ou Profissional de Cabine de Som DJ (disc-jockey) e do Produtor DJ (disc-jockey), respeitado o texto da obra.” (NR)

    Ou seja: Madonna cria uma bela música, o DJ vem e detona com a música descaracterizando-a (na maioria das vezes) e alterando-a completamente (por vezes até o ritmo e a voz são modificados) e ganha dinheiro com isso. Mas o autor que se FODA!!! Não leva nada!!! Afinal já paguei pro ECAD (duvido!) pelos direitos autorais.

    Aham… senta lá cráudia!!!

    É meus amigos, realmente vivemos numa PUTOcracia!!!

    Porém toda regulamentação deve ser normatizada por um conselho federal. Assim fica aqui então esta questão para esse futuro conselho deliberar e tomar providências URGENTES:

    1 – o DJ será responsabilizado pelos danos físicos (diminuição ou perda parcial de audição) dos “usuários de seus produtos”?

    Posso colocar ainda outra questão:

    Uma aulinha grátis sobre o poder e influência da música sobre as pessoas:

    Quando fiz faculdade de música, numa das pesquisas desenvolvidas analisamos a questão da influência do som nas pessoas. Uma delas versava sobre as diferenças de reações das pessoas entre dois tipos de músicas: dance e techno (e suas variantes como o trance,por exemplo).

    Dance: por ter uma batida mais tranquila – apesar de altamente dançante e bem marcada – tem letra, canto, voz. Isso proporciona às pessoas cantar, o que libera seus “demônios” ao mesmo tempo em que dançam, transpiram, exercitam seus corpos. Olhem este exemplo da Deborah Cox:

    Nussss como dancei e cantei essa música ahahah

    Techno: por ser totalmente instrumental não existe o elemento canto. Também é uma música totalmente eletrônica e raramente aparece uma ou outra palavra (geralmente falada e não cantada). Esta música é mais “dura”, robotizada podemos dizer. Até mesmo a dança é diferente pois leva as pessoas a um estado de tensão muscular constante. Logo, a liberação da expressão falada/cantada é praticamente NULA. Não foi surpresa para nós quando percebemos que em locais onde este tipo de música imperava eram constantes as brigas, discussões, bate bocas e, em muitas vezes porrada mesmo. Olhem este exemplo de techno:

    Eu particularmente nunca gostei disso…

    Temos de lembrar também das músicas que incitam a violência explicitamente em suas letras ou sob a máscara da identidade da banda, sob a alegação da tal “liberdade de expressão” ou “liberdade artística”.

    Agora vem outra questão para o futuro conselho:

    O DJ será responsabilizado por estes danos à integridade física dos consumidores de seu produto? Coloco isso pois se o cara quer trabalhar com música, deve, no mínimo, ter uma formação em música, especialmente nas questões que envolvem a musicoterapia.

    Poderia citar ainda outras situações envolvendo esta regulamentação que foi feita (à partir da leitura do texto) de maneira totalmente IRRESPONSÁVEL isentando os profissionais envolvidos de qualquer responsabilidade.

    Esperamos agora (escrevo agora em nome de toda a sociedade de bem) que os nobres parlamentares que aprovaram essa regulamentação fiquem em cima deste futuro conselho federal EXIGINDO a análise e consideração destas e de outras questões sérias e que envolvem o trabalho desenvolvido por estes profissionais e seus consumidores que, segundo a Lei de regulamentação, deve considerar o risco ao usuário.

    Pedimos também aos nobres parlamentares que apóiem o projeto de lei 1391/2011 que dispõe sobre o exercício profissional de Design que está com o deputado José Luiz Penna (PV-SP).

    Design não é artesanato e não pedimos uma reserva de mercado. Apenas pedimos que a nossa profissão seja respeitada, reconhecida e que os profissionais envolvidos em sua prática profissional sejam responsáveis por seus trabalhos realizados. Leiam esta Carta Aberta ao Senado Federal que postei aqui neste blog a algum tempo atrás.

    Aos que se interessarem, por favor peço que insiram a área de Design de Interiores/Ambientes neste PL. Ela não foi inserida por uma manobra estúpida da ABD (Associação Brasileira dos DECORADORES) que se coloca como representante dos profissionais da área, porém só tem atrapalhado o exercício profissional dos formados em Design de Interiores/Ambientes. Prova é a retirada desta área do PL 1391/2011 sob a alegação que iriam buscar uma regulamentação própria. No entanto, não questionam o que os profissionais desejam, não respondem às nossas demandas ou seja, é uma organização meramente corporativista, lobbista e, arrisco-me a dizer: irresponsável. Sou associado ABD registrado com o n° 9024 porém estou farto de pagar anuidade para uma associação inútil que, entre outras coisas, não faz a distinção entre os profissionais da área (designers, decoradores e arquitetos) além de “avalizar” cursos de qualidade mais que duvidosa.

    Senadores e Deputados, já passou da hora de vocês trabalharem com ética e responsabilidade atendendo esta demanda de décadas.

    DESIGN NÃO É ARTESANATO!!!

    REGULAMENTEM O DESIGN JÁ!

  • Vamos ao meu Reader???

    Bom, 3 meses sem acessar o meu reader por absoluta falta de tempo…. Vou demorar uma semana pra ver tudo aquilo… Mas vamos dar uma olhada no que tem de interessante por lá.

    1 – Polka dot motif
    Yayoi Kusama está com uma exposição no Centre Pompidou onde celebra os artistas japoneses com pinturas, esculturas e instalações.

    2 – Kevin Kane, da Arktura
    Móveis, formas, sombras e texturas. Esse pessoal são feras em desenhar móveis que ajudam na complementação dos ambientes seja pelas formas, cores ou sombras provocadas por eles.

    3 – Wandering in Knowledge Installation \ Manuel Dreesmann
    O vídeo diz tudo… Lindo!!!

    4 – Velas na decoração de Natal
    Sou apaixonado por velas e olha só estas três idéias que encontrei no blog da Ana Claudia Cavalcante para o Natal.

    ADOREI!!!

    5 – Dim Sum Bar, Hou de Sousa
    Olhem que balcão lindo desse bar em Quito, no Equador!!!

    6 – The Florakids Bathroom Collection by Laufen
    Cores e formas para seus filhos ;-))

    7 – Hashid > Carne de vaca e/ou arroz de festa

    Sinceramente gente? Não aguento mais ver Hashid pipocando em tudo quanto é blog e site. Pra mim, já perdeu a graça faz tempos pois virou um mero copiador de si mesmo. Não, não o vejo mais como um profissional que tem identidade e sim como alguem que encontrou um nicho e uma cor que fez sucesso e depois disso passou a ficar repetitivo, enjoativo, sem graça. Identidade tem é o Rosenbaum que, com projetos super diferentes um do outro, você reconhece a mão e a mente dele só de bater os olhos nas fotos. Já Hashid está se copiando direto, sempre as mesmas formas, sempre a mesma cor, sempre o mesmo. Nem olho mais quando vejo algum post sobre ele pois ja cansei de ver sempre a mesma coisa. Pra mim, virou, como dizem os populares, carne de vaca e/ou arroz de festa. Não passa de mais um que tem $$ para bancar o jabá da mídia “dita especializada”. Ha, o Rosenbaum também tem? Ok, então indico um mega designer autoral: o Vinícius, do Pé Direito Duplo. O cara deixa a sua marca em todos os projetos sem ser nada repetitivo. #ProntoFalei

    8 –  Chega de demolir
    Sempre que vejo este blog fico triste em perceber que o desrespeito à nossa história não é um problema apenas aqui de Londrina (onde tudo que é “velho” tem de dar lugar ao novo, à “evolução”.
    Isso reflete claramente o nível da educação ofertada nos últimos anos que está gerando uma sociedade cada vez mais burra, alienada e egoísta.
    É triste vermos diariamente edificações que fazem parte de (e contam a) nossa história irem abaixo.
    Mas culpa disso vem especialmente dos empresários gananciosos e do poder público (vendido e corrupto).
    Triste. Um povo sem memória é um povo sem história.

    9 –  ADOOOOOGOOOOOOOO

    Acho até que ja postei essa imagem aqui no blog mas vale a pena repeti-la se for o caso rsrsrsrs

    Se alguém souber onde tem pra vender aqui no BR me avisa ;-)

    10 – Cansei….

    Tem muita coisa ainda em meu reader, mas acho que por hoje já deu rsrsrsr

    Então fiquem com estes dois vídeos para encerrar:

    Primeiro, um do Qubique Next-Generation Tradeshow:

    E agora uma sequência de Natal. São vídeos do Natal do Palácio Avenida, em Curitiba. Muito além de ser um evento MARAVILHOSO devo destacar o trabalho que é feito nos bastidores junto às crianças órfãs. E neste ano, com o tema “O Poder da Música” o espetáculo ganha uma nova dimensão e beleza. As músicas escolhidas este ano levam este tema ao pé da letra, está perfeito! São apenas 4 partes do espetáculo que apresento aqui mas vale a pena ir à curitiba para assisti-lo inteiro.

  • Marcenarias: vamos educar o mercado?

    Profiçionalizmo…

    Acho que já comentei isso aqui em meu blog mas não me lembro se cheguei a me aprofundar sobre o assunto. Então vamos lá: a bola da vez é a safadeza da maioria dos marceneiros. Mas calma gente, a culpa não é só deles, é também de péssimos e folgados profissionais de design e arquitetura que educaram o mercado dessa forma.

    Seguinte: em março, comprei os materiais (madeiras, MDF, ferragens, etc) para fazer dois móveis aqui de casa (cabeceira e painel para TV). Estão guardados lá na loja desde o dia da compra. Até aí tudo bem.

    O problema é que eu simplesmente não estou conseguindo um marceneiro que me façam os móveis. A resposta é sempre:

    “Não trabalhamos assim, com o projetista fornecendo o material. Nós que compramos o material.”

    CraroCreidi, tá me achando com cara de idiota??? SentaLáCreidi!!!

    Sabem porque eles não trabalham assim? Então vamos esclarecer as coisas e colocar tudo em pratos limpos.

    A verdade é que eles compram os materiais e revendem pelo dobro do preço.

    Geralmente o custo calculado por eles para executarem um projeto é formulado assim:

    Custo do material + 100% deste custo + mão de obra (100% em cima da soma dos dois anteriores).

    Em números para ficar melhor exemplificado:

    Custo material: R$ 1.800,00
    Custo material repassado ao cliente: R$ 3.600,00
    Mão de obra: R$ 5.400,00
    Custo final: R$ 9.000,00

    Perceberam a safadeza? Isso é uma PUTA falta de respeito tanto com os profissionais – que chamam de “parceiros” e ainda ligam reclamando quando sumimos – quanto com os clientes.

    No entanto devo ressaltar aqui a parcela de culpa dos péssimos profissionais que geraram – e mantém – esse tipo de sem vergonhice no mercado: os profissionais de design e de arquitetura. Sim, estes tem culpa também.

    Explico:

    É fácil desenhar um móvel (até meu sobrinho com suas garatujas o faz). Difícil é projetar um móvel valendo-se de TODAS as etapas que isso exige. Incluindo a COMPRA dos materiais necessários.

    Mas os folgados e preguiçosos preferem deixar esse trabalho para os marceneiros. Escolhem o padrão ou textura pela web, por catálogos ou amostras e deixam o resto todo nas mãos dos marceneiros. Os mauricinhos e patricinhas de plantão se recusam a ir sujar suas roupas e sapatos nesse tipo de lojas. Geralmente tem uma visão dantesca desse tipo de ambiente e arrisco-me a afirmar com certeza de que a maioria NUNCA entrou numa loja desta.

    Pra que vão perder tempo numa loja de madeiras e MDF se tenho quem faz para mim? “Eu escolho daqui, ele vai lá e compra.”

    Ah não posso deixar de citar também que a grande maioria dos projetos que chegam às mãos hábeis dos marceneiros vem irregulares, cheios de falhas e também tem aqueles só esboçados geralmente acompanhados de frases como:

    “Você sabe fazer, então resolva a estrutura”.

    BURROS!!!
    ASNOS!!!!
    INCOMPETENTES!!!
    IRRESPONSÁVEIS!!!!

    Depois tem a cara de pau de reclamar do preço cobrado pelos marceneiros. Tem a cara de pau de apresentar-se como Designers.

    Por causa de vocês é praticamente impossível encontrar um marceneiro que faça estes dois móveis aqui para minha casa (já tive esse problema em outros projetos para clientes e tenho certeza que praticamente 100% dos que já tentaram isso não tiveram sucesso).

    SE o mercado tivesse sido EDUCADO da maneira correta – por bons e conscientes profissionais – essas coisas não ocorreriam.

    Então vamos nos unir e DESEDUCAR essa prática absurda dos marceneiros?

    Vamos passar a fazer os projetos COMPLETOS, comprando os materiais e forçando-os a abandonar esse estelionato enrrustido?

    Passe a comprar os materiais que serão usados em marcenaria e pare de trabalhar com marceneiros que não aceitam essa forma de prestação de serviços.

    Ou vão preferir continuar perdendo clientes por causa do alto custo da execução dos projetos ou por não encontrar um marceneiro decente e ético que produza seus móveis?

  • Integração entre Design e Arquitetura

    Estava percorrendo meu reader e no Brainstorm#9 me deparei com um post falando sobre um edifício de Sampa que o Marcelo Rosenbaum e o Guto Requena fizeram o projeto de requalificação (Ed. Brasil).

    Sim, requalificação e não revitalização. Já existia e arquitetura do espaço e eles entraram com a ferramentas do design para requalificar e dar um novo sentido não só à edificação em si mas também no entorno. Por isso a requalificação. Como bem diz o Guto no vídeo “o centro já é vivo, então não faz sentido revitalizar. ”

    Assistam os dois vídeos e vejam que belíssimo trabalho foi realizado por esta parceria entre os dois.

    Primeiro um vídeo mais institucional:

    E agora um outro onde os dois comentam mais detalhadamente sobre o projeto:

    É o que eu sempre digo: segregar para que? É muito mais útil unir-se, fazer parcerias. Todos ganham!

    ;-)

  • de novo…. então é Natal…..

    Eu até acho que ja postei isso por aqui mas tou sem tempo de procurar.
    Todo ano é a mesma repetição de postagens sobre o Natal. Encontramos imagens e mais imagens pela web e fica cada dia mais difícil definirmos o que faremos em nossa casa (não faço a menor idéia ainda aqui para a minha casa). O assunto vem à tona novamente com a ligeira proximidade do Natal.

    Mas, não sou adepto dos natais tradicionais. Ok, para quem tem crianças ainda vá lá incentivar a fantasia porém, porque temos de reforçar uma imagem nada a ver com a nossa identidade e cultura brasileiras (considerando ainda a nossa realidade climática) ao usarmos simbolos que não tem a menor relação conosco?

    Tradição? Tudo bem. Estas são feitas para serem quebradas. No mais, elas só servem realmente para as sociedades que as criaram.

    Então, que tal deixarmos essa utopia para os shoppings e lojas e assumirmos que somos brasileiros? (gostou do plágio Elenara? ahahaha). Que tal rechearmos a nossa festa com elementos típicos de nossa cultura?

    Wilma Camargo – compositora curitibana – é a culpada por esta minha visão realista e patriota com relação ao Natal. Assisti uma vez em Curitiba o Natal do Palácio Avenida e as crianças cantaram uma de suas músicas: Natal verde e amarelo. Diz a letra (pena que não tou encontrando o áudio ou um vídeo decente):

    “Feliz Natal,
    Natal brasileiro, sem nada estrangeiro,
    Calor de dezembro sem neve e sem frio.
    Natal todo nosso, com sinos tocando,
    Nas velhas matrizes do nosso Brasil.

    Feliz Natal,
    Na hora da ceia não sirva peru,
    Sirva um bom café, vatapá, caruru.
    Família reunida, contente da vida,
    Que bom festejar, festejar o Natal a cantar.

    “Não há, oh gente, oh não…”
    Natal tão bonito, Natal tão azul,
    Luar do sertão e o Cruzeiro do Sul,
    A iluminar o Brasil por inteiro.

    Eu quero este ano,
    ver Papai Noel de verde e amarelo,
    Chegar alta noite e em cada chinelo deixar
    O orgulho de ser brasileiro.”

    Refiro-me especialmente às imagens de renas, flocos e bonecos de neve e o tal Papai Noel (que todos sabemos é um simbolo meramente comercial) que não tem absolutamente nada a ver com o Brasil especialmente nesta data quando estamos em pleno verão enfrentando temperaturas médias de 35 a 40°C.

    Gosto demais de trabalhar com as bolas (tem umas maravilhosas) e claro, abusar nas luzes. Também sempre tenho o meu presépio montado: este sim é o verdadeiro sentido do Natal.

    Vejamos algumas imagens que encontrei com idéias:

    1) Lembro-me saudosista da época em que aconteciam os concursos de fachadas e áreas públicas decoradas. As cidades ficavam lindas, alegres… Hoje poucas cidades investem nesses concursos. Muitas tentam mas oferecem premios tão ridículos que não compensa o esforço e investimento dispensados.


    2) Decoração de casa: eu particularmente não tenho mais paciência para todo o processo envolvido nisso (pegar as caixas, desempacotar tudo, montar, limpar a sujeira, depois de um tempo fazer o processo inverso, limpando a sujeira no final). Prefiro decorações diferenciadas, simples ou sofisticadas,e  isso depende de vários fatores. E porque tem de ficar no enjoado verde, vermelho e dourado? Algumas idéias:

    Para quem não tem muito espaço…
    Para quem não tem muito espaço… adesivos
    Para os minimalistas
    Já pensou em algo semelhante para o seu jardim???
    Que tal usar acrílico e luz para montar a sua árvore?
    Para os roqueiros

    No entanto eu gosto demais dos elementos decorativos, especialmente os bem diferentes. Cores não somente neles, sua casa pode ter renovado o ar com a simples pintura das paredes para fundo da decoração natalina que pode ficar depois.

    Ok, tem rena e flocos de neve. Mas observem o contraste da cor da parede.
    Como já falei, adoro as bolas e as infinitas possibilidades de uso delas.
    Porque não usar e abusar dos tons de roxo e lilás?

     

    Olhem que idéia genial. Mas claro que algo bem montado e decorado, não esse "baguio" aí da foto rsrsrs
    Bolas e mais bolas….
    … e mais bolas…
    … e mais bolas ainda…

    O que me fez definir que vou aproveitar o globo espelhado que usei na bilheteria da mostra e que ele será o ponto de partida da decoração deste ano aqui de casa.

    Sorte que não vou precisar comprar outros dois beams para conseguir o efeito (já que me roubaram os meus dois na desmontagem da mostra e agora ninguém é responsável por isso e tenho de morrer com esse prejuízo) e posso contar com lâmpadas e luminárias que tenho aqui em casa mesmo.

    Bom é isso. Idéias lançadas. Vamos ver o que vai dar.

    ;-)

  • 5/11 – Dia Nacional do Design

    Pois é nobres colegas de profissão, mais um ano se passou e pouca coisa mudou.

    – Continuamos com um mercado prostituído.

    – Continuamos com profissionais prostitutos.

    – Continuamos tentanto explicar o que é Design.

    – Continuamos enfrentando o descaso de profissionais em questões sérias relativas ao mercado.

    – Continuamos com a falta de compromisso dos profissionais com a profissão.

    – Continuamos com a fileira regulamentista quase sem novas adesões por mero comodismo ou umbiguismo.

    – Continuamos com associações degladiando-se para ver quem vai ser o rei no futuro Conselho Federal de Design – talvez daí a necessidade da ABD não juntar-se ao grupo sério que busca a regulamentação do Design: para não perder o troninho que acham que tem, não perder a suposta majestade.

    Porém demos um passo importantíssimo este ano: finalmente conseguimos colocar (mais um) Projeto de Lei (PL) de regulamentação dentro da Câmara dos Deputados.

    \o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/

    Sim, temos de comemorar e muito essa vitória pois todos sabemos que aquela casa somente funciona na base do lobbie ou seja: quem dá mais.

    Mas sempre tem alguma alma boa (difícil encontrar mas tem) que não está vendido ao capeta. Sim, digo isso pois uma vez entrei em contato com vários parlamentares para falar sobre a regulamentação e, geralmente as respostas eram de que não poderiam ajudar. Porém um deputado me respondeu que ja “estava comprometido com a causa dos arquitetos (CAU)”. Questionei então se este comprometimento era sério ou se era baseado em troca$$ de favores.

    Ele me respondeu dizendo que a partir dali eu trataria com a equipe jurídica dele. Fazem mais de 3 anos e estou até agora esperando esse contato para poder colocar meu advogado em campo e nada até agora… ahahahahha.

    Também escrevi este ano a “Carta Aberta ao Senado Federal” que teve uma boa repercussão. Engraçado que esta carta repercutiu em diversas mídias e dentro da comunidade brasileira de Design. No entanto, a ABD fez de conta que não viu. Não houve sequer um único pronunciamento sobre o assunto e sobre os pontos sérios que levanto sobre a atuação do Designer de Interiores/Ambientes. Ela prefere fazer vista grossa ao enviar aquele projeto paralelo e fake de regulamentação (LIXO!), separado do projeto do grupo do Freddy Van Camp.

    Pois bem, neste ano temos de agradecer muito a este grupo que trabalhou em cima de um texto sério e coerente de um projeto de regulamentação profissional.

    Temos também de agradecer ao deputado José Luiz Penna (pv-sp) que acolheu esta demanda e reconhece nela a real necessidade da regulamentação desta profissão séria.

    Assim, parabéns colegas Designers!!

    Parabéns Design Nacional!!!

    Parabéns a todos aqueles que lutam diariamente para tornar a nossa profissão reconhecida, séria e regulamentada.

    Parabéns a todos nós, regulamentistas graças à Deus!!!

  • Dia do Designer de Interiores

    Estranha-me pesquisar da web e perceber que existe uma certa confusão na escolha desta data comemorativa. Não é por menos, ambas são impostas por entidades ditas representativas da classe.

    Uma no primeiro semestre e outra recém passada.

    Eu? Não comemoro nem uma e nem outra pelo simples fato de preferir a data 5/11 quando é comemorado o Dia Nacional do Design – oficialmente aprovada e promulgada pelo Congresso Nacional.

    Alem da legalidade jurídica desta data, ela é alusiva a um grande designer brasileiro: ALOÍSIO MAGALHÃES, PERNAMBUCANO IMPORTANTÍSSIMO NA HISTÓRIA DO DESIGN BRASILEIRO.

    Chega de rinhas idiotas e separações ou segmentações. Design é Design e ponto! Não há um porque sensato em separar a nossa área do restante do Design.

    Se o dia oficial é 5/11, comemoremos então corretamente nesta data e não em datas nada a ver baseada em pavonices de gente que não tem o que fazer. Aliás tem sim: dizer que nos representa quando na verdade só serve para atrapalhar e desenvolvimento de nossa profissão.

    É ABD, este recado foi para vocês sim!!!

    Sou totalmente contrário ao projeto de regulamentação que vocês estão negociando nos bastidores do CN pois ele vai trocar seis por meia dúzia ou seja: não vai mudar NADA, tudo vai continuar a mesma ZONA e vocês continuarão aí acreditando que reinam e são senhores da razão.

    Onde é que está a correta separação entre os profissionais que atuam na área que até agora vocês não fizeram e permitem que qualquer zé mané se denomine “dezáiner de interiores”?

    Onde é que estão as ações eficazes de proteção do mercado contra esses embustes (profissionais e cursos) e dos profissionais que dizem representar?

    Sinceramente, com essa newsletter idiotizada que recebo via e-mail e aquele jornaleco que recebo pelo correio vocês estão é débito com tudo que pago anualmente para vocês. Materiais absolutamente inócuos, sem noção da realidade.

    Voltando ao tema da regulamentação, quem é a ABD para tirar o Design de Interiores do processo de regulamentação que esta sendo trabalhado pelo grupo que o mestre Freddy Van Camp faz parte que tem um projeto de regulamentação do DESIGN? Quem autorizou vocês a fazerem isso alegando que tem um projeto próprio (LIXO) e falar “em nome de” todos nós profissionais sérios da área de design de interiores???

    Não recebi qualquer coisa de vocês me questionando se eu aceitava isso ou não, como associado da ABD e também não conheço nenhum outro profissional ligado à ABD que tenha sido questionado sobre isso – salvo a diretoria e amiguinhos.

    Portanto, não apóio esse lixo de projeto (piada) regulamentista de vocês e apoio sim integralmente o outro, o original, sensato, estudado, exaustivamente debatido entre associações, profissionais e mercado, com delimitações profissionais sérias e dentro da Lei.

    Então fica aqui o recado: Não ao projeto da ABD. Não a qualquer dia comemorativo que não seja o 5/11.

    Então, dia 5/11 eu comemoro sim.

    O projeto de regulamentação do Design eu apóio sim!

    O resto, é trairagem, fuleragem e pavonices desnecessárias de gente que não tem o que fazer.

    E que venha 5/11. Ainda não conquistamos o que desejamos, não temos o reconhecimento que merecemos. Mas somos Designers, não desistimos NUNCA!

     

  • Luxuria ou futilidade?

    Estava rascunhando a algum tempo um post específico falando sobre o livro “A Linguagem das Coisas” de Deyan Sudjic. Desde que li o livro estou rabiscando algo sobre e nunca chego num ponto em que digo para mim mesmo: está digno, fiel ao livro e à visão que tenho sobre o Design…

    Mas dias atrás, lendo meu reader, me deparei com um post num blog que me indignou (também porque eu já disse que iria retira-lo de meu reader e ele ainda se mantém lá rsrsrs).

    Uma das partes do livro que mais gostei é a que ele diz sobre a deturpação (e desidentificação) que o Design vem sofrendo desde que iniciou a invasão de não designers na área, o que acabou por futiliza-la. A perda da identidade da profissão começou neste ponto. Procurem pesquisar sobre quando foi que surgiu essa porcaria de onda sobre “tendências” no Design e entenderão.

    É mais que comum vermos hoje em dia profissionais de outras áreas fazendo suas incursões no Design, especialmente o de produtos. Tem também designers de outras áreas se metendo onde não deve pois não estudou especificamente para aquilo. Tudo isso à custa do certo renome que tem (muitas vezes o jabá $$ mesmo) , então se acham no direito de invadir, impor suas sandices e que todos tem de aplaudir, aceitar e comprar, claro que também elogiando (babando-ovo) com frases de efeito: fantástico, genial, maravilhoso….

    É um tal de estilista lançar linha de móveis, arquiteto lançar roupas e mais uma infinidade de combinações estranhas e bizarras às suas raízes acadêmicas que dá medo…

    Até parece que virou moda, tendência esse tipo de coisa, #credo.

    O resultado disso?

    FUTILIDADES que destróem a essência do Design!

    Aham, a Rocca lança uma linha nova de metais – que já são caros e belos – e aí vem um imbecil e craveja a peça com cristais, diamantes ou a folheia com ouro e voilá: a futilidade personificada usando erradamente a palavrinha RE-DESIGN!!!

    Se esse tipo de coisa for um Re-Design eu não sei mais quem eu sou, onde está o céu e a terra, etc…

    Re-Design significa muito mais que simplesmente alterar a cor, textura ou revestimento de um objeto ou produto.

    Vamos ser francos gente? Pra que uma coisa dessas folheada a ouro?

    Tem público que consome? Sim, mas são mínimos se comparados ao publico normal do nosso mercado diário.

    O pior é que este nosso público começa a querer copiar esse lixo e muitas vezes nos vemos em “sinucas-de-bico” por causa disso sabem porque? Porque eles não tem $$ para comprar o original e aí caem nas porcarias das cópias fajutas.

    Vemos diariamente essas tendências sendo forçadas por sites, revistas e mídia em geral. Já escrevi aqui sobre tendências e os cuidados que temos de ter com esse tipo de coisa.

    Além de não representar a personalidade do cliente e sim apenas um desejo forjado e forçado pela mídia de consumo, as tendências são passageiras. O que hoje é moda, semana que vem já não é mais. E o cliente como fica nisso tudo? Vai ficar com um trambolho demodê ou “over” e sua casa? E quando ele cair na realidade e perceber que este produto não atende às suas necessidades diárias? Que aquilo não tem absolutamente nada a ver com a sua personalidade e está incomodando?

    A grande maioria destes produtos feitos por não designers ou por designers de outras áreas se esquecem do principal: atender a necessidade do usuário (função) e a usabilidade. Sim, são estes elementos que devem nortear todos os projetos seja em qual área do design for. E as tendências não tem nada disso, não consideram isso. Tem só desejo de consumo.

    Voltando aos projetos estúpidos feitos por “dezáiners”, vejo diariamente um show de horrores pela web e pelas revistas. Sinceramente? Não tem como não acreditar na existência do “jabá” ($$).

    Pois é, acreditem ou não, essa mesinha de torno – que eu aprendi a fazer em minhas aulas de técnicas industriais quando estudei no Polivalente lá em Assis Chateaubriand nos anos 70 – foi tempos atrás lançada no mercado por um arquiteto brasuca através de uma marca podero$a.

    O que tem isso de novidade??? O que tem isso de Design??? O que tem isso demais que justifique o valor insano que é cobrado por essa peça?

    NADA!!!

    Nenhuma novidade na forma ou na estética, nenhuma técnica ou tecnologia inovadora seja em materiais ou processo de fabricação ou seja, é um NADA!

    Porém ele tem grana pra pagar o “jabá” e colocar esse lixo em lojas de renome por um preço absurdo e também para divulgar em revistas como sendo “dezáine”… é Design o c*

    Pra piorar vi dias atras um estilista internacional lançando uma linha de móveis através de uma grande marca internacional… Sinceramente? A pior aluna de minha turma de graduação ainda no 1° mês desenhava coisa bem mais útil e interessante que ele.

    Um profissional sério e que respeite o seu cliente acatar e aceitar pacificamente este tipo de imposição demonstra claramente que não entendeu absolutamente nada durante os anos de faculdade.

    Se este é incapaz de mostrar ao cliente a futilidade de determinados modismos, também cabe a mesma afirmativa anterior.

    São pouquíssimos os profissionais de outras áreas que realmente conseguiram fazer Design.

    Não é à toa que o Design continua sendo confundido com artesanato, especialmente aqui no Brasil.

    Vamos parar de idiotices e de dizer amém pra tudo que esta mídia tosca e desinformada (movida por $$) tenta impor como “IN”?

    Vamos centrar a nossa atenção no usuário e não nas revistas? Afinal fomos formados para isso e não para consumir deliberadamente porcarias.

  • Sobre tendências, revistas, cópias e o “eu” do cliente

    Hoje acompanhando meu facebook vi uma postagem da Maria Alice Miller com o link para um texto da Danuza Leão. Fazia tempo que não lia nada dela e, como sempre gostei, fui ver do que se tratava. E não é que ela continua sempre acertando na “boca do estômago” de uns e outros por aí???

    Pois bem pessoal, segue então o texto. Sugiro que leiam duas vezes:
    1) leitura normal
    2) transfira tudo isso para as nossas áreas. Ex: quando ela fala do sapato, imaginem no lugar aquele pendente “da moda” ou outras coisas comuns de vermos por aí.
    Volto na sequência.

    “Danuza Leão tem razão. Olha o texto que escreveu…
    Há muito, muito tempo, bacana era ser nobre; começava pela rainha, depois vinham as duquesas, condessas, marquesas etc. O tempo passou, cabeças foram cortadas, e os novos ricos foram os herdeiros, digamos assim, do que era a elite da época.
    O tempo continuou passando; vieram os grandes industriais, os empresários, os donos de supermercado, os bicheiros, os marqueteiros, a indústria da moda, até mesmo os políticos, houve os yuppies e surgiu uma curiosa casta nova: a das celebridades. Desse grupo fazem parte atores de televisão, personagens da vida artística, jogadores de futebol, pagodeiros, sertanejos etc., e começaram a pipocar dezenas de revistas cujo objetivo é mostrar a intimidade dessas celebridades, contando os detalhes da vida (ou morte) de princesa Diana, Madonna ou Michael Jackson.
    Quanto mais íntimos e escabrosos, melhor. Nesse admirável mundo novo, a moda tem uma enorme importância, e nesse quesito o que conta -mais que a elegância e o bom gosto- é saber de que grife é cada peça que está sendo usada; quanto custou cada uma todos sabem, já que são tão cultos. Um pequeno detalhe: quando duas celebridades se encontram, mesmo que nunca tenham se visto, se cumprimentam efusivamente.
    Antes, muito antes, era diferente: um nobre, mesmo pobre, era respeitado por suas origens, pelo que teria sido feito por algum de seus antepassados. Mais tarde, os homens de negócios eram admirados por sua inteligência, sua capacidade em construir alguma coisa importante na vida. Agora as pessoas são definidas por símbolos, a saber: onde moram, a marca do sapato, da saia, da jaqueta, da bolsa, do relógio, do carro, se têm ou não Blackberry, para onde costumam viajar, em que hotéis se hospedam, a marca de suas malas, que restaurantes frequentam, aqui e quando viajam. Ninguém tem coragem de arriscar férias em um lugar novo, um restaurante que não é famoso, usar uma bolsa sem uma grife facilmente identificável.
    Mas quem responder de maneira certa às tais indagações poderá, talvez, ser aceito na turma das celebridades. Acordei hoje falando muito do passado; acontece, vou continuar. Houve um tempo em que mulheres do maior bom gosto apareciam com uma bonita saia e uma amiga dizia “que linda, onde você comprou?”.
    Hoje, isso não existe mais, porque as pessoas -aquelas- não usarão jamais uma única peça de roupa que não seja grifada. Outro dia fui a um jantar em que havia umas 40 pessoas, sendo 20 mulheres. Dessas 20, dez usavam sapatos Louboutin, aquele que tem a sola vermelha. Preço do par, em São Paulo: R$ 10 mil. Estavam todas iguais, claro, mas o pior é ser avaliada e aceita pela cor da sola do sapato; demais, para minha cabeça.
    O prazer -e o chique, a prova da capacidade de improvisar- era botar uma roupa bonita comprada em um mercado qualquer de Belém, Marrakech ou Istambul, e ser diferente. Hoje é preciso mostrar que folheou a revista que tem a informação do que está na moda e que tem dinheiro para comprar. E os jogadores de futebol e os pagodeiros, que não aprenderam o que é bonito na infância, porque eram pobres, nem na vida adulta, porque não deu tempo, olham as revistas, entram no Armani e fazem a festa, já que são também celebridades.
    Não há mais lugar para a imaginação, a criatividade, para uma sacada de última hora, que faz com que uma determinada mulher seja a mais especial da noite. Eu não frequento este mundo, mas de vez em quando esbarro nele sem querer, e é difícil.
    Um mundo de clichês; mas como tudo passa, estou esperando a hora de acordar e pensar que essa época não passou de um pesadelo”.
    Fonte: http://blogs.estadao.com.br/chris-mello/2010/06/10/danuza-leao-tem-razao-olha-o-texto-que-escreveu/

    Voltei.

    Então, perceberam as semelhanças disso tudo com a nossa atuação profissional junto à alguns clientes? Também junto à algumas revistas tidas como referência ou “a melhor ou maior” no assunto? Perceberam a futilidade das tendências eliminando a autenticidade e identidade individual?

    Já escrevi aqui sobre tendências e aqui e aqui e aqui sobre a péssima influência que estas revistas fazem junto ao mercado.

    Repito: arquitetura e design não são meras roupas que podem ser trocadas baseadas em modismos e depois descartadas.

    Ambas áreas devem considerar a identidade do cliente e este, por sua vez e em sua grande maioria, deve ter consciência que o projeto vai permanecer ali por um bom tempo devendo acolhe-lo, fazê-lo sentir-se confortável e num ambiente que reflita a sua personalidade, onde ele se identifique.

    Não à toa que grandes redes hoteleiras estão investindo pesadamente em modelos (reformas) diferenciados de seus quartos para atender as características individuais de cada cliente. Cada quarto tem um projeto diferenciado, com estilo próprio (e até autores diferentes para cada um deles) e somente é indicado ao cliente após uma breve entrevista para perceber o estilo do mesmo. Isso se deve à grande reclamação dos clientes com relação aos hotéis: ambientes frios, despersonalizados e impessoais onde eles não conseguem se sentir “em casa”. Daí que tantas pessoas odeiam permanecer em hoteis por muito tempo. (eu mesmo não suporto mais que 2 dias).

    Assim, ver nas revistas “da moda” as tendências ou fotos das casas das celebridades e querer trazê-las para dentro de nosso lar (ou de nossos clientes) é o pior caminho a ser trilhado pois certamente resultará num fracasso projetual em pouco tempo – assim que o usuário começar a conviver diariamente com aquele amontoado de coisas estranhas.

    Devemos considerar que, quando uma celebridade (leia-se cheia da $$) mostra a sua casa nas revistas, ela contratou um profissional que projetou baseado no que ela é na verdade – dado que estas são narcisistas o suficiente para não copiar dos outros e sim impor o seu estilo – e não em cópias disso ou daquilo. Porém a mídia irresponsável (ah essa maldita novamente) acaba por vender o “eu” da celebridade como produto para o consumidor que, ávido por “estar na moda”, compra-os prontamente e só percebe o erro, depois de um tempo (ou pouco tempo) de uso e vê que aquele corpo estranho está mais atrapalhando e incomodando que ajudando.

    Portanto, clientes e, especialmente, profissionais é hora de dar um basta nisso tudo.

    Não é porque o lustre é da marca tal e custou uma fortuna que ele proporciona a melhor ou mais adequada luz.

    Não é porque o sofá da Galisteu é lindo que ele irá atender às suas necessidades ergonômicas.

    Não é porque fulano diz que a cor da moda é tal que esta irá refletir ou influir positivamente em seu organismo.

    Isso me faz lembrar de uma vez quando eu lecionava em Curitiba quando, no intervalo, rolava na rádio da escola músicas do “É o Tcham”. Desci no pátio e vi uma multidão repetindo a coreografia com perfeição. Quando acabou comecei a bater palmas e diaer: “Parabéns!!! Parecem um bando de cachorrinhos poodles adestrados. Tosos fazendo a mesma coisa. Pula. Se faz de morto. Dá a patinha.” E soltei uma forte gargalhada.

    Depois, em sala de aulas, alguns (poucos mas corajosos alunos) me questionaram sobre aquilo. Expliquei que a indústria de massa estava eliminando a identidade individual, formando um bando de seres cada vez mais parecidos uns com os outros onde até mesmo o simples ato de pensar diferente (ou ser) era motivo de bullying. Questionei do porque de quando se ouvia uma das musicas deles a obrigação (aceita socialmente) era ter de dançar exatamente como o grupo e não se podia mais “dançar como eu gosto ou como eu quero”. Eles conseguiram entender o recado e para a nossa alegria (professores e administradores da escola) percebemos grandes mudanças em vários alunos, até mesmo o aparecimento de novos (até então adormecidos) líderes.

    Então, vamos parar de palhaçada???

    Sejamos sensatos?

    Sejamos nós mesmos e vamos respeitar o “eu real” do cliente e não o que ele acha que é ele apenas por estar na moda?

    Se você se acha incapaz de fazer o cliente perceber isso, mude de profissão ou volte para a academia pois certamente esta parte de sua formação foi bastante falha.

  • Casa Conceito Londrina 2011

    A Haus Innen, tradicional mostra de decoração, arquitetura e design aqui de Londrina agora é:

    Reformulada, a mostra promete grandes surpresas na comemoração de seus 15 anos de trajetória de sucesso aqui em Londrina.

    Eu particularmente adorei essa mudança pois mostras conceituais são muito mais criativas e forçam os profissionais participantes a ir além do normal, do padrão de revistas, do certinho e arrumadinho. O conceito os deixa livres para criar. Neste tipo de mostra cabe a exposição de produtos de forma não convencional, o layout mais livre sem contudo perder a pontos cruciais de um projeto como a qualidade, acessibilidade, sustentabilidade.

    Profissionais muito bem selecionados que estão criando ambientes exclusivos e especiais para brindar os visitantes. Muitas surpresas!!!

    De 27 de agosto a 25 de setembro.

    Av. Adhemar Pereira de Barros, 555 – Londrina – PR.

    Uma bela casa à beira do Lago Igapó I está sendo totalmente reformada para abrigar este que é, sem sombra de dúvida, a maior e melhor mostra de decoração, arquitetura e design do interior do Paraná.

    Além dos ambientes especialmente decorados, a Casa Conceito abrigará também diversos eventos.

    Confira a agenda:

    30 de Agosto – Exposição de Arte da artista Isabel Santacecília no ambiente Galeria Bahiarte da arq Marlene Ricci
    31 de Agosto – Happy Hour BPW no Restaurante da Mostra dos arq Gilmar Mazari e Marcos Maia
    31 de Agosto – Palestra J. Serrano na Tenda de Eventos
    09 de Setembro – Desfile Solidário no ambiente Jardim de Esculturas da paisagista Fabíola Giocondo
    12 de Setembro – Palestra “Como divulgar sua Empresa nas Redes Sociais“ com Leandro pascoal na tenda de Eventos
    13 de Setembro – Tarde O Boticário no ambiente Galeria Bahiarte da arq Marlene Ricci
    15 de Setembro – Exposição de Arte do artista Maragoni com a presença dele no ambiente Galeria Bahiarte da arq Marlene Ricci
    21 de Setembro – Workshop Maquiagem com Roberta Peixoto na Tenda de Eventos
    21 de Setembro – Desfile Coleção Primavera Verão loja Dallu no ambiente Piscina dos arq Alessandro Cavalcanti e Ricardo Mahkoul

    Comprando o ingresso você tem acesso aos eventos!

    A Jacque me falou que tem ainda vários outros eventos sendo agendados. Assim que ela for me repassando vou atualizando este post para que vocês não percam nada.

    Ingressos:

    R$ 20,00 inteira e R$ 10,00 meia (estudantes com apresentação da carteirinha e pessoas acima de 60 anos)

    Acesso somente a maiores de 12 anos.

    Informações:

    http://www.casaconceitopr.com.br/

    Ou ainda:

    licht@hausinnen.com.br

    Andreia Scherer Hovgesen
    Coordenadora Técnica
    43 9117 2161
    andreiash@sercomtel.com.br

    Jacqueline Luz
    Coordenadora Geral e Executiva
    43 9911 6014
    jacqueline@hausinnen.com.br

  • Design de Interiores/Ambientes – localização

    Tenho visto ja a um bom tempo pessoas tentando definir ou explicar o Design de Interiores/Ambientes. Porém percebo que tais visões encontram0-se sempre distorcidas por vários fatores tácitos ou explícitos.

    Então, lá vou eu tentar resumir um pouco essa bagaça e tentar botar ordem na casa.

    Estou bem sem tempo agora, portanto vou apenas lançar algumas idéias que podem servir como direcionamentos para debates e pesquisas sobre o assunto ficando, portanto, bem longe de querer bater o martelo sobre este assunto.

    Sobre o projeto de regulamentação do Design, Interiores/Ambientes foi excluído do projeto como já exposto aqui neste post.

    Mas vamos desenvolver a análise sobre os pontos que provocaram essa exclusão:

    1) ABD

    A ABD insiste em não fazer a distinção correta entre os profissionais que são associados a ela. Ali, encontramos Designers, arquitetos, engenheiros, decoradores (sim há muita diferença) e pessoas não formadas em POHHA nenhuma. Assim, ela lança o status “Designer” para qualquer um. A impressão que fica é: pagou a mensalidade, és dezáiner (SIC).

    É óbvio que a ABD não vai se mecher nesse sentido. Afinal, as estrelinhas são, em sua maioria, arquitetos. E se a ABD fizer esta distinção, certamente muitas estrelinhas irão se sentir ofendidas e sairão da associação. E, associação sem estrelinhas, é o mesmo que associação sem crédito na praça.

    Esta semana mesmo vi uma arquiteta paisagista  se apresentando na TV como “Designer de Exteriores” (PASMEM!).

    É o KCT!

    É paisagista ou arquiteta e ponto final.

    Assim, fica mais fácil$$ para a ABD manter-se calada comodamente. Faz vista grossa sobre este e diversos outros detalhes e só se mexe quando a água bate na propria bunda – caso aconteceu no caso da Brandalise.

    Sobre a avaliação dos cursos indicados pela ABD, pelo que se percebe, qualquer lixo entra naquela lista. E também há o caso de que a própria ABD estimula as diversas formações dando status igual a elas. Sem contar que tem cursos que aparecem no site da ABD como reconhecidos que tem qualidade altamente questionável seja pela estrutura curricular, ementário e corpo docente.

    Eu, sinceramente, estou perdendo o crédito – novamente – na ABD. Jéthero, me perdoe dizer isso mas essa é a verdade. Acreditei em você, por isso me associei. Mas vejo que você não passa de mais um voto vencido lá dentro, infelizmente, como sempre aconteceu com quem tentou levar a VERDADE lá para dentro.

    Isso já está cansando.

    2) Outras associações

    ADP, ADEGRAF e tantas outras associações das outras áreas que existem no Brasil. São válidas sim e estas – ao que parece – agem com mais dignidade que a ABD, lutando por seus profissionais representados.

    No entanto, é um descabimento ter de ler profissionais de Design Gráfico ou Produto – apenas – tentando definir o que é ou onde se encaixa Design de Interiores/Ambientes dentro da raiz DESIGN.

    Nem vale à pena repetir aqui as asneiras que tenho lido. Isso se deve a um simples fator: eles não são da área, não a conhecem profundamente como conhecem as suas próprias. Acabam se deixando levar por “achismos” (Morin) e disseminam estes absurdos como se verdades fossem.

    Devo ressaltar aqui também o preconceito de alguns com relação à Interiores/Ambientes. Ressalto que preconceito = pré-conceito de algo, desconhecido com exatidão.

    3) Design

    Se formos analisar friamente, hoje não existe mais essa de Produto ou Gráfico puro. O que existe, na verdade, é o Design e as suas possíveis especialidades.

    Vejam bem, esta imagem vem de um PDF da ADEGRAF explicando alguns dos porquês da necessidade da regulamentação:

    Como se vê, Design é uma área permeável, multi, intra e transdisciplinar. Assim como ela influencia e/ou avança sobre outras áreas, também sofre influências destas.

    É impensável hoje em dia alguém afirmar que a área de produto lida apenas com produtos. Isso é MENTIRA!!! Assim como Gráfico também não lida apenas com Gráfico.

    Para desenvolver um produto, por exemplo, invariavelmente, o profissional terá de lidar com outras “disciplinas” – vamos chamar assim – à saber alguns exemplos bem rápidos:

    – do produto vem a concepção desenho (gráfico) e detalhamento geral do objeto, o conhecimento técnico, estrutural, materiais, texturas, etc.

    – do gráfico temos toda a parte de representação gráfica necessária para a apresentação e entendimento do objeto, cores e grafismos, etc

    – das engenharias vem a parte estrutural, resistencia dos materiais, produção, etc

    – da psicologia vem tudo o que engloba a parte sensorial, perceptiva, usabilidade, conforto, etc

    – da administração vem todo o processo produtivo, vendas, etc

    Da mesma forma podemos fazer a análise acima com relação ao Gráfico ou a qualquer outro tipo de Design.

    Como se vê, não existem mais áreas dentro do Design, o que existem são as especialidades que dialogam entre si. O que acontece é que cada profissional é quem escolhe como e com o que trabalhar.

    4) Design de Interiores/Ambientes

    Este faz parte da arquitetura?

    Pode até fazer, mas é um elo tão infimamente ridículo que resume-se apenas à edificação. O uso que se fará desta e como se dará este uso.

    As imagens abaixo ( também do PDF da ADEGRAF) reforçam esta minha visão:

    Existe alguma diferença no método de desenvolvimento de projetos entre um Designer de Interiores/Ambientes e outros Designers?

    Não! É exatamente a mesma coisa. Tudo gera em torno de um problema (o ambiente e seu uso) e na busca da melhor solução para ele (o produto final).

    As dificuldades de inserção ou diálogo com equipes multidisciplinares é a mesma. E, da mesma forma, estas equipes acham que sabem/entendem o sufuciente sobre Design a ponto de acreditar que não necessita de um profissional desta área junto delas. Porém, aquelas que já perceberam esse erro e assumiram profissionais de Interiores/Ambientes como membros das mesmas estão obtendo resultados fantásticos, antes impensáveis.

    Com relação à sua participação na área DESIGN, esta se faz bem mais presente pois o que o profissional desta área busca é a solução de problemas assim como qualquer outra área do Design. Não é o mero ajeitar de peças dentro de um espaço buscando a disposição mais “bonitinha”. É bem mais que isso.

    – Projeto de mobiliários: sim, o Designer de Interiores/Ambientes é capaz de realizar projetos de mobiliarios da mesma forma e padrão que um designer de produtos faz. A diferença é que este produto pode ser confeccionado como peça exclusiva (que também acontece no DP) ou seriada. O projeto é o mesmo.

    – No trabalho com cores e texturas entra a parte gráfica. Sim, pois não é raro vermos grafismos em projetos sejam na pintura de uma parede, na paginação de um piso, na composição têxtil de um jogo de cama ou panejamento (têxtil), entre outros alémde que sempre nos vemos desenvolvendo novos padrões de texturas para superfícies.

    – Superfícies? Porque não? Afinal sempre nos vemos trabalhando com materiais diversos buscando a melhor solução estética para alguma coisa através do tratamento das diversas superfícies de um projeto (produto final).

    – Materiais também pois nos vemos constantemente pesquisando e até mesmo desenvolvendo novos materiais ou aplicações para os já existentes.

    – Produtos novamente pois é bastante comum – especialmente na área de lighting ou num projeto de iluminação (que faz parte de Interiores) – desenvolvermos luminárias, suportes e outras partes para servir de suporte para o projeto  ou até mesmo para ser a peça central do projeto. Aqui inclui-se até mesmo alteração/inserção de elementos arquitetônicos.

    – Gráfico mais uma vez que engloba toda a parte de apresentação de um projeto – dos rabiscos na concepção ao desenho final do projeto executivo.

    Enfim, se formos esmiuçar tudo ainda cabem diversas transições entre-áreas do design que formam o Design de Interiores/Ambientes. Esta lista ficaria bastante extensa. Assim ocorre em qualquer outra área do Design. Pegue um caderno aí (ou o word) e procure fazer isso com a sua área e perceberá o quanto ela é maleável, dialoga e por vezes usa especialidades de outras áreas sem que você se dê conta.

    Assim, se for para falar ou tentar definir sobre Design de Interiores/Ambientes, que o façam os Designers desta área.

    Portanto, reitero aqui a minha posição: regulamentem o DESIGN.

    Depois, dentro do Conselho, regulamenta-se as especialidades.

  • Compartilhando rapidinho

    Algumas coisas que encontrei essa semana na web:

    1) a imagem abaixo reflete bem o que acontece com nossos clientes:

    Você já parou para pensar sobre isso? Não é apenas uma brincadeira. Dá um excelente tema para TCC.

    2) Outra imagem muito boa em tempos de internet (ne verdade uma charge):

    #Prestenção acadêmicos. Tem gente que acha que professores e orientadores também não navegam…

    3) Por favor gente, se já é ruim quandou ouvimos errado de clientes, pior quando ouvimos de acadêmicos e profissionais:

    Tudo bem (OKCT!) que o MEC e o (des)governo federal resolveram destruir de vez a língua portuguesa, mas somos profissionais e lidamos, na maioria das vezes, com clientes com uma educação digamos, um pouco acima da média atual.

    4) Foi feito para o Design Gráfico, mas serve muito bem para Interiores/Ambientes:

    Pensem nisso quando forem negociar com seus clientes ;-)

    5) Um projeto muito legal: The burning house.

    If your house was burning, what would you take with you? It’s a conflict between what’s practical, valuable and sentimental. What you would take reflects your interests, background and priorities. Think of it as an interview condensed into one question.

    Idéia simples: o que você pegaria, na pressa, se sua casa estivesse pegando fogo?

    Fiquei pensando nisso e percebi que esta é uma excelente questão para ser apresentada para aqueles clientes que insistem em carregar toda a tralha para a casa nova ou não se desfaz de cacarecos quando a casa passa por reforma e aí, lá vamos nós ter de resolver onde guardar, enfiar, esconder, socar aquilo tudo (muitas vezes coisas totalmente dispensáveis).

    .

    Bom, por hora é isso.

    Abraços e até o próximo post.

  • E vamos que vamos

    Pois a correria tá grande e o tempo muito curto.

    Bom pessoal, lá vou eu com um tapão na fuça de alguns ok? Não se assustem.

    Quero e preciso destacar aqui que deu entrada no Congresso Nacional um projeto de regulamentação do Design (mais um).

    Ótimo! Espero realmente que dessa vez a coisa ande.

    Porém tenho algumas considerações à fazer sobre o referido projeto. Isso terá de ser muito debatido pois do jeito que está, vai dar complicações.


    Coloquei na resposta no Portal DesignBR o seguinte sobre o mesmo:

    “(Comunicação Visual, Desenho industrial, Programação Visual, Projeto de Produto, Design Gráfico, Design Industrial, Design de Moda e Design de Produto)

    é,

    pra não variar, a panelinha dos “dotôres” do dezáine brasuca excluíram mesmo interiores/ambientes do processo demonstrando claramente o quanto entendem realmente sobre Design.

    Entendem tanto que não conseguem perceber a obviedade da áres de interiores/ambientes ser parte da matriz Design.

    LAMENTÁVEL!

    Mas observem o absurdo disso:

    Art. 5º A denominação “designer” é reservada aos profissionais que atendam as exigências previstas no art. 3º, desta Lei.

    Ah sim senhores dôtores, então nós da área de Interiores/ambientes não poderemos nos apresentar mais como Designers? Aham… senta lá cráudia… pode sentar…

    Art. 7º A pessoa física ou jurídica que desempenhar ilegalmente as atividades reservadas aos profissionais de que trata esta lei, ficará sujeita as sanções previstas no Decreto-Lei nº 3.688, de 1941.

    Aham cráudia, continua sentadinha tá??? Eu vou sim continuar a usar o título que tenho e quero ver quem vai me impedir.

    Não, não sou contra a regulamentação e todos sabem o quanto luto por ela. Meu blog e este portal são provas disso.

    No entanto, nao posso ficar calado diante desse absurdo.

    Fica aqui registrado o meu protesto com relação a isso e intimo os “dotôres” que estao fazendo isso a efetuar consultas públicas no congresso, convidando os Designers de Interiores/Ambientes para o debate.

    Mas não associações vendidas, chamem os profissionais. E nao ajam, novamente, desta forma sorrateira e covarde.

    Apoio a causa, mas nao o meio.

    Como se vê, o projeto não contempla a área de Interiores/Ambientes e tampouco sonha com a existência da de Lighting.

    Isso se deu por dois motivos que já expus aqui neste blog e vale a pena ressalta-los:

    1 – porque o grupo que se reuniu para elaborar este projeto convidou a ABD para fazer parte e a mesma fez pouco caso dizendo que tem um projeto próprio de regulamentação da área de Interiores. Porpem vale ressaltar aqui que até hoje a ABD não teve culhões para separar decoradores, arquitetos e designers e continua insistindo no ERRO de classificar todos como designers. E o projeto que a dita cuja pretende enfiar no Congresso Nacional seguirá essa linha tosca de pensamento.

    2 – porque a maioria dos “dotôres” que participaram da elaboração deste projeto preferem viver no achismo (Morin) à ir pesquisar sobre o que realmente é Design de Interiores/Ambientes. Preferem continuar vomitando seus lixos intelectualóides sobre uma coisa que sequer se preocuparam em ler sobre, em conversar com um profissional da área realmente sobre.

    Mas vale ressaltar que nos dois casos há um “argumento” velado: não querem se indispor com o pessoal da arquitetura.

    Cráudias, um detalhe:

    DESIGN DE INTERIORES/AMBIENTES NÃO É ARQUITETURA FOFFY’S, É DESIGN!!!

    Dá pra entender isso?

    Porém a coisa é mais grave: este projeto elimina outras vertentes (áreas) do Design.

    Eu já tinha falado várias vezes que o correto seria um projeto que regulamentasse o DESIGN.

    Depois disso, no Conselho à ser criado, regulamentariam-se as áreas.

    Mas os “dotôres-sabe-tudo-e-reis-da-razão” preferiram seguir seus egos. Ou melhor, as associações e grupinhos “falando em nome de” sem consultar os inúmeros “des”, que são os profissionais.

    Isso vai sim dar merda!!!

    Então, já que está no Congresso Nacional o projeto, vamos lá, para ajudar nisso tudo:

    1) Que se promovam audiências públicas (várias – pois o tema é amplo e complexo) onde os profissionais sejam convidados a participar, opinar, alterar enfim, fazer parte do processo que irá regulamentar a sua área profissional e que este não seja feito nos bastidores, apenas com grupinhos que se acham os reizinhos da cocada branca.

    2) Que estas audiências não sejam realizadas apenas em Brasília dada a dificuldade de acesso para quem mora longe, mas sim que sejam realizadas plenárias em todos os Estados (e não só nas capitais) para que um maior número possível de profissionais possam ser ouvidos. Me disponho a organizar aqui no interior do Paraná.

    3) Também que nestas audiências sejam realizadas mesas separadas por áreas, para que todas possam ser ouvidas em suas reivindicações e realidades, sem a interferência de outras áreas ou de “achistas” de plantão.

    Sim, é uma intimação isso!

    Se é pra ser, que seja.

    Mas que seja JUSTO, CORRETO e ÉTICO para TODOS os profissionais de Design.

    E aí?

    Vão encarar?