Lei Cidade Limpa – Londrina-PR

Muito bate-boca baseado em argumentos desnecessários tanto por parte da prefeitura quanto da ACIL e comerciantes por causa da Lei Cidade Limpa que foi (?) recém implantada aqui em Londrina. Baseada na mesma lei que foi implantada em São Paulo, aqui ela tem gerado controvérsias e brigas judiciais que, no meu ponto de vista, são totalmente desnecessárias. Está faltando diálogo no lugar de acusações.

A ACIL, que deveria agir com precaução, deixou até mesmo o corporativismo de lado e agiu de maneira inesperada e inoportuna, posso dizer até mesmo emocional e impensada demais. Seria muito mais útil se tivesse procurado informar-se com as associações das cidades que já passaram pela mesma situação e, antes de cometer os mesmos erros, antecipar-se usando a inteligência.

Do outro lado, a prefeitura que insiste em impor normas e regras sem o devido diálogo entre as partes envolvidas seja para o que for. Por sinal, enta administração e sai administração, a prefeitura continua insistindo nos mesmos erros de seus antecessores. Londrina é a única cidade do mundo que tem rotatórias em forma de “S” – o projetista certamente é um fã eufórico do Airton Senna.

Brincadeiras à parte, tem um blog aqui de Londrina sobre arquitetura e urbanismo que, ao conhecê-lo, gostei muito e acrescentei-o ao blogroll aqui ao lado pela seriedade que – aparentemente – levantava assuntos através de seus posts. Lendo meu reader hoje me deparei com mais um excelente texto de seu autor sobre este assunto da Lei Cidade Limpa e postei um comentário que – claro – deverá ser ou não aprovado pelo mesmo.

Ser aprovado ou não?

Nesse momento fui verificar se o comentário que eu tinha feito num outro post do referido blog, falando sobre as horrendas cabines-cópias-fajutas-vermelhas das cabines telefônicas de Londres – que estão querendo enfiar goela abaixo aqui em nossa cidade sob uma falaciosa historização e romantização de uma pseuda e nunca existente colonização desta minha amada terra por ingleses – tinha sido aprovado.

Para minha surpresa e espanto ele não está lá aprovado.

Então, já que meu post não foi aprovado lá, vamos à uma breve aulinha de história sobre minha amada terrinha: Londrina (que foi o conteúdo do comentário censurado).

No comentário proibido, acrescentei alguns dados REAIS sobre a verdadeira história de Londrina para complementar a excelente análise estética/urbana/climática realizada sobre as tais cabines telefônicas.

Postei com argumentos baseados em fatos também REAIS que Londrina não é nem nunca foi uma “pequena Londres” e que não foram os ingleses que colonizaram esta minha terra amada e sim que eles, através da Companhia de Terras Norte do Parana, estavam apenas abrindo novos espaços para venda terras em toda esta região. Que na vila recém aberta em meio a mata nativa permaneceram apenas sete ingleses gerenciando o escritório de vendas de terras e que, na verdade, quem construiu e fez essa cidade “vingar” foram os imigrantes japoneses, italianos e de outras etinias que migraram para cá atras de seus sonhos.

Também informei que a “Praça  da Bandeira” nada tem a ver com o desenho da bandeira inglesa salvo a triste ironia da forma de seu calçamento. Na verdade, não remete à esta bandeira e sim ao FATO de que por esta ter sido construída num momento em que o Brasil passava por um forte sentimento nacionalista, era “norma nacional ” que todos os espaços públicos onde houvessem o Pavilhão Nacional, seus acessos deveriam direcionar ao mesmo e forçar o olhar dos transeuntes para o este elemento de qualquer lado que chegassem. Por isso existem praticamente em todas as cidades, praças com formato semelhante ao da bandeira inglesa. Mas isso não quer dizer que é uma homenagem à esta. Se assim fosse, quantas “pequenas Londres” teríamos de ter espalhadas por este Brasil? Eu que não vou contar todas.

Olhem bem meu caros leitores, qual forma é melh0r que esta para permitir o acesso por todos os lados e trazer para um mesmo ponto central/focal não concordam?

Como eu sei disso tudo?

Simples: foi o meu avô quem desenhou e construiu aquela praça. Minha família chegou aqui em Londrina logo em seu “iniciozinho”. Além de meu avô que construiu e pavimentou grande parte dessa cidade – sim, os paralelepípedos que hoje se encontram sufocados embaixo de camadas de asfalto foram colocados por ele – tem também a minha bisavó que foi a primeira educadora desta vila Londrina quando ainda nem existia escolas por aqui e ela lecionava na garagem de sua residência. No entanto, nem uma escola com o seu nome existe aqui nesta cidade.

Como sempre, a VERDADE dói em alguns pois terão de assumir seus erros e mentiras. Então é melhor deixar quieto, ignorar a verdade e sufocar os que tentam mostra-la. Além de claro, pagar bem para ter matérias jornalísticas apoiando cegamente essas MENTIRAS disseminando a desinformação e deseducando a sociedade.

Mas eu tenho este meu delicioso espaço para poder compartilhar estas histórias com vocês não é mesmo? E melhor: sem sofrer censura dessa gente que só busca desinformar.

Pô prefeitura, faltou um Designer pra fazer o logo?

 

Bom, mas voltando ao tema do tópico, como não sei se meu novo comentário será aprovado lá naquele blog, então vou transcrevê-lo aqui e, claro, acrescentar mais alguns dados já que o espaço me permite isso (e sei que vocês adoram me ler demorada e longamente ahahahah).

Percebo que,

o que tenta ser imposto pelos comerciantes, pela ACIL e pelos publicitários com relação à Lei Cidade Limpa, é uma forma de acomodação. E isso é facilmente percebido pelos “argumentos” postados nos comentários em diversos sites e blogues que vem tratando do “assunto da moda” aqui por estas bandas.

O problema maior? A desinformação que forma a base dessa acomodação.

Ora meus caros, com desculpas como “atrapalhar o trânsito” ou que os clientes “não vão achar determinada loja” entre tantos outros mais no mesmo sentido, só demonstram que vocês não estão dando o devido valor e respeito nem aos seus próprios clientes nem à nossa cidade que os sustenta e abriga.

Para quem tem o costume de ir a São Paulo como eu, sabe perfeitamente que este tipo de argumento é irreal e absurdo. São Paulo continua “andando” e os clientes continuam “achando” o que procuram da mesma forma que antes da lei e sua cidade emporcalhada pelos horrendos frontões sem contudo, provocar qualquer destes “problemas” elencados por vocês  pela web.

A resposta para estas e tantas outras indagações é simples: usar das ferramentas disponíveis no mercado. Principalmente o Design (e suas vertentes lighting, interiores, gráfico e produtos)  buscando uma solução visualmente agradável e dentro da Lei em questão.

São Paulo aprendeu rápido a recorrer a esta ferramenta. Então, porque os londrinenses tem de ficar choramingando e não tratam de aproveita-la?

Não tenho visto grandes alterações até o momento. A maioria das edificações que já tiveram seus frontões retirados, acabaram desnudadas expondo o descaso “por trás das fachadas”.

 

Foto: Lilian Oyama

Para os que desconhecem, a ferramenta mais utilizada atualmente em todo o mundo é o Lighting Design (não é mera iluminação). Este, quando projetado por profissionais especializados, tem efeito muito mais atrativo tanto durante o dia quanto à noite.

Londrina tem edifícios e áreas que merecem um bom projeto de Lighting Design mas o que vemos – aos montes – são aqueles horríveis “splashes” de luzes verdes, violetas, amarelas e assim por diante como se isso desse algum valor ao negócio. Porém o efeito disso – já mostrado em pesquisas – é exatamente o contrário pois, entre outros pontos, além de ofuscar pelo excesso de luz, distorce a marca da empresa ao alterar a sua cor tornando-a, por vezes, irreconhecível.

Já locais – se existem 10 aqui em Londrina é muito – onde a iluminação foi corretamente planejada e projetada, tende a chamar a atenção dos passantes seja pelo destaque focal, pela beleza, pela suavidade, pelo elemento surpresa, pela tecnologia empregada entre tantas outras.

É claro estou aqui “vendendo o meu peixe”, como profissional especializado em Lighting Design que sou, mas sim – e acima de tudo – trazer novos horizontes e educar o mercado e seus gestores.

Também não posso deixar de observar o seguinte:

Dias atrás passando pela rua São Paulo, percebi que numa das quadras a maioria dos frontões já haviam sido retirados. Porém, o que mais me chamou a atenção não foram as fachadas nuas e horríveis pelo descuido do que estava “embaixo do tapete” e sim, a rede elétrica pública emporcalhando e que – agora sem os frontões – acabou ficando totalmente exposta, tornando-se também o ponto focal para o observador.

 

Foto: Lilian Oyama

FICA A DICA:

Se a lei prevê uma cidade limpa, menos agressiva e poluída visualmente então a prefeitura, como gestora principal, tem de fazer a sua parte também.

A ACIL e os comerciantes – mas também toda a sociedade – devem se unir e exigir a imediata (também dentro do prazo da Lei afinal a Lei é igual para todos não é mesmo?) eliminação do abastecimento “aéreo” através dos postes e fiações suspensas através de um projeto de iluminação pública eficiente ( também projetado por especialista e não por uma equipe que insiste em errar nos projetos urbanísticos) incluindo a implantação de cabeamentos subterrâneos promovendo assim o embelezamento urbano de nossa já tão sofrida e deteriorada Londrina que a Lei Cidade Limpa trata.

Se é para deixar a cidade realmente limpa e mais bonita, então que tal encerrar as guerras e dar as mãos trabalhando juntos por isso?

Certamente todos irão ganhar com isso.

Quem passou e quem passa hoje pela rua São Bento em São Paulo (na verdade pela cidade toda) sabe do que estou falando. É uma rua comercial que hoje respira e atrai muito mais clientes do que em sua fase poluída que só atraía marginais, tornando-a um local ermo dentro do centro da cidade. Hoje consegue-se olhar para cima e perceber a cidade que existe acima, coisa que antes era impossível. Também é possível ver a extensão toda da rua o que também era impossível antes. Quando passávamos por lá, a sensação de estar sufocando era constante pois os frontóes de um lado da rua quase se encontravam com os do outro lado em alguns pontos. Isso só era bom para uma coisa: esconder-se da chuva.

Porém, vejam bem nobres empreendedores: agora sem os frontões os transeuntes terão de buscar abrigo onde?

Claro, dentro de suas lojas e isso significa o que?

Heim, heim, heim?

Potenciais vendas inesperadas!!!

Querem coisa melhor que isso?

Estão percebendo como podemos transformar pedras em diamantes? Basta para isso querer e agir?

Embelezamento Urbano é uma soma de ações e, neste caso específico podemos destacar:

A despoluição visual (em todos os níveis e elementos) + A recuperação e renovação urbana + O respeito pela história local + O respeito pela cidade e seus usuários.

Tudo isso tendo como ponto principal o bem-estar e a qualidade de vida urbana.

Portanto, vamos agir com mais serenidade de ambos lados visando esta qualidade de vida que tanto sonhamos e lutamos para mante-la, ao menos, respirando?

Estou aqui à disposição para os empresários que desejarem realmente algo de qualidade e que valorizará o seu empreendimento.

Também estou à disposição da ACIL para conversar com seus diretores e associados sobre o assunto mostrando como o Design pode e deve ser utilizado como ferramenta pró-empreendedorismo e valorização empresarial.

Também estou à disposição dos publicitários para mostrar-lhes como o Design (feito por DESIGNERS REAIS) pode ajuda-los a ampliar o leque de produtos que vocês oferecem agregando qualidade e valorizando os seus produtos para que consigam cobrir as “perdas” provocadas por esta Lei.

Também estou à disposição da mídia para ajudar a apontar o que realmente vale a pena e que seja realmente importante neste e em outros assuntos relacionados à nossa cidade e, principalmente, como o Design pode e deve ser aproveitado para a melhoria e embelezamento urbano e para a vida de qualquer pessoa.

Também estou à disposição para ajudar a prefeitura e a Copel a repensar seus projetos urbanos através do Design, transformando gradualmente a nossa Londrina numa cidade referência não através de matérias elaboradas mas sim com materias que mostrem que aqui realmente se investe em qualidade de vida de forma correta e coerente.

É, estou aqui à disposição.

Hãããnn?? O Natal já taí….

Pois é gente, mais um ano que se passa, já estamos chegando ao Natal novamente e daqui uns dias o ano já findou-se e temos de olhar pra frente esperançosos sobre o que se inicia. Foi rápido não?

Então, e ontem a noite me dei conta de que isso está rolando e eu nem tinha ousado pensar sobre a decoração daqui de casa.

Árvore eu não tenho mais, pois a minha “veinha” estava meio desfolhada e eu a levei pra casa da praia… e não comprei outra ainda. Isso já tem 3 anos rsrsrs. Também se for pra investir em outra, que seja “A árvore”, daquelas que o ponteiro faz cócegas no teto. Então estou pensando em apenas usar instalações, sei lá.

Mas olhando pela web encontrei algumas imagens inspiradoras que gosteria de compartilhar com vocês:

Recebi esta imagem num e-mail durante a semana e achei-a muito bonita. É uma guirlanda simples, limpa e elegantérrima. Mostrei a um amigo e ele me disse que parece aquelas coroas de luto rsrsrs. Mas, como a minha porta é na cor padrão e envernizada, pensei em trabalhar ou em branco ou num tom hortência. Montar isso eu consigo facilmente, mas fazer essas rosas de tecido… Vou ter de ver se encontro delas aqui na cidade se resolver assumi-la mesmo como enfeite de minha porta.

Esta imagem eu encontrei no blog da vovó Rô. Muito bonita, trabalhosa e elegante também. Mas como leva muito tempo preparar todos estes cordões acho que vou abortar esta idéia. Quem sabe para o próximo ano…

Não, eu não gostei dessa aqui por causa das luzinhas mas sim pela idéia de colocar um espelho fechando o miolo da guirlanda. Pensei em como as pessoas irão se sentir ai dar de cara com suas faces refletidas bem no meio de uma guirlanda. Essa idéia, seja qual modelo de guirlanda for que eu escolher, vou aproveitar certamente. Ah, a imagem veio do site da Apia Iluminações.

É, esta aqui eu já adorei por causa do efeito das luzinhas. Esta é feita com aqueles plasticos que usamos para doces de festas, mas fiquei imaginando como as luzinhas LED azuis que tenho aqui iriam se comportar no miolo de rosas brancas naquele primeiro modelo. A imagem vem do blog da Maria Dorotéia.

Já esta idéia que apareceu no blog Inspiração Inesperada, eu achei genial e bonita para enfeitar os “arredores” da casa. Pelo que parere é super simples de fazer, basta encontrar os “ninhos” já prontos.

Como tenho um balcão aqui em casa que todo ano recebe uma vasta decoração no espelho que fica sobre dele, gostei dessa idéia: descer a decoração para o Balcão. No espelho mantenho apenas o festão com as luzes e sobre o balcão, crio alguma cena. Gostei também do branco. Essa veio do blog AmareloOuro.

Pela quantidade e diversidade de bolas de natal que eu tenho aqui, gostei dessa idéia de aproveita-las de uma maneira diferente. Acho que vale a pena distribui-las pela casa não deixando o Natas restrito à porta de entrada e à sala. Esta eu peguei na Revista Casa e Jardim ja ha algum tempo atrás.

É, eu não tenho este espaço todo e nem o meu apartamente é ousado assim nas cores, mas confesso que ADOREI essa produção!

Talvez brincar um pouco com a quantidade imensa de cordões de luz que tenho aqui em casa? Pode ser… Gostei da idéia quando vi este post no M²Arquitetura.

Pois é, pensar nisso faz um bem danado na gente não é mesmo? Mas ao mesmo tempo, isso me entristeceu muito ao ir pesquisando as imagens. Cada vez que eu encontrava alguma imagem de decoração natalina em ruas meu coração chorava, e dói agora ao escrever este post para vocês. Vou explicar:

Se tem uma coisa que me lembra de minha infância é o Natal. Lembro-me que vínhamos lá de Assis Chateaubriand (PR) para Londrina reunirmo-nos com a família de minha mãe que é daqui de Londrina. A cidade era simplesmente linda nessa época do ano. Os comerciantes e muitos moradores investiam nas decorações de Natal e, em alguns anos, tínhamos de sair vários dias à noite para conseguir ver tudo que estava rolando.

Lembro-me que aconteciam também concursos da mais bela decoração natalina onde os vencedores residenciais e comerciais ganhavam prêmios. Então a disputa era muito acirrada e o pessoal mandava ver, caprichavam mesmo. Até hoje guardo na memória uma decoração que o Hotel Bourbon fez em meados dos anos 80 usando anjos. Tenho esta imagem com perfeição em minha mente.

As praças públicas, ruas e rotatórias das vias também recebiam decorações bem elaboradas o que nos permitia passear pela cidade absortos por tanta beleza, cores e luzes.

Mas infelizmente, a marginália e o desrespeito das pessoas pelas coisas chegou a níveis tão absurdos aqui em Londrina que eu não tenho coragem de colocar um fiozinho de luz que seja na frente do meu prédio pois sei que não vai durar um único dia. Certamente vai passar algum malaco e vai destruir tudo.

Esse tipo de acontecimento acabou por enfraquecer a vontade dos Londrinenses de continuar com aquele belíssimo espetáculo de luzes que tínhamos por aqui e que, independente da idade, todos adoravam, ficavam hipnotizados. Quem daqui de Londrina não se lembra da “casa do Quebec”?

Hoje, se quisermos ver decoração natalina de qualidade aqui em Londrina, só nos resta ir aos shoppings pois nas ruas, temos de nos contentar com os pavorosos pinheiros de mangueira ou de lâmpadas que a prefeitura coloca todos os anos no poste central das rotatórias da cidade. Ô mau gosto do cão. E, mesmo sendo algo simples assim, sempre aparecem uns vândalos pra destruir o pouco que foi feito.

É, ainda bem que meus natais são em Sampa, onde posso contemplar maravilhosas decorações não só na Paulista (que é maravilhosaaaaa!) mas sim em vários pontos da cidade, inclindo a belíssima e surpreendente árvore do Ibirapuera, montada pela prefeitura todos os anos e que engloba toda a parte do lago do parque onde as árvores recebem uma iluminação especial entre outros detalhes mais. Este ano vou levar meus pais e minha vozinha, para que possam maravilhar-se também.

Ainda bem que ainda existem locais onde essa sensibilidade para com os habitantes e visitantes existe e, principalmente, existe segurança para que isso possa ser feito.

E você? Já pensou no seu natal?

parques e praças urbanas…

Vi hoje um vídeo no Vimeo que mostra um parque situado na cidade de Laatzen, Alemanha.

É uma apresentação que mostra o projeto de LD que foi instalado naquele espaço.

Simplesmente lindo!

Quem dera aqui no Brasil pudéssemos implantar projetos assim sem ter de nos preocupar com a falta de segurança, vandalismo e desvios de verbas públicas.

O desenho do produto e o desenho do espaço

* Yvonne Mautner

A idéia deste ensaio é construir relações entre a produção de mercadorias e a produção do espaço urbano. Para isso, explorei as contradições entre as propostas de apropriação coletiva de parcelas do espaço da reprodução – a moradia – relativas às atividades domésticas tradicionalmente incorporadas à moradia, e a reapropriação individual delas por meio da utilização de equipamentos domésticos produzidos industrialmente. O movimento modernista alemão mostrou-se um campo fecundo para estudo destas contradições ao se projetar mundialmente por meio de nova linguagem formal tanto para a produção industrial dos objetos como do espaço.

A disputa entre o espaço coletivo e a mercadoria no modernismo

Dos produtos industriais, o que mais diretamente foi associado a mudanças na estruturação do espaço urbano, é, sem dúvida, o automóvel. A moradia como produto industrializado que deveria, como aventavam arquitetos modernistas, ser produzida em série como o automóvel, não chegou a cumprir este destino, devido às peculariedades de seu processo de produção (1). Porém, de forma bem mais sutil que o automóvel, os equipamentos que povoam o interior da moradia também concorreram para as resultantes espaciais das cidades contemporâneas.

As propostas dos arquitetos do movimento modernista alemão aliaram os resultados do avanço técnico-científico das primeiras décadas do século XX ao projeto de uma nova ordem social, fermentada nos anos conturbados da República de Weimar, dando início em larga escala à industrialização da construção e à racionalização do desenho do interior da moradia. Estruturaram no espaço externo da habitação uma dimensão coletiva (2) do cotidiano que, por um lado, deslocava do seu interior algumas atividades e equipamentos (3) (lavanderia, lojas cooperativas, creche, jardim de infância) criando, por outro, no exterior das edificações dos novos conjuntos habitacionais, espaços para as atividades esportivas e de lazer (ver nas imagens ao lado a planta de Bruchfeldstrasse e afoto de Westhausen).

O projetar pelo e para um coletivo não foi apenas uma metáfora, os arquitetos envolvidos tiveram de fato seus interlocutores: os sindicatos, que desempenharam um papel importante no delineamento e execução das políticas habitacionais do entre-guerras na Alemanha. Em 1924, o sindicato operário ADGB, o sindicato de empregados AFA-Bund e o sindicato dos funcionários ADB fundaram uma Sociedade Anônima para o Alojamento dos Operários, Empregados e Funcionários: a DEWOG, que passou a ser a promotora de operações de habitação social, pública, tendo sido a própria construção assumida por organismos de origem sindical (4) (Kopp,1984:43).

Esta nova dimensão coletiva que se imprimiu na organização espacial de vários dos conjuntos de habitação social implantados por arquitetos modernistas em Frankfurt, Berlim, Stuttgart e outras cidades alemãs, estabeleceu-se paralelamente ao extraordinário desenvolvimento da indústria de bens duráveis no entre-guerras (que se afirmou definitivamente no pós segunda guerra, nos Estados Unidos e Europa) (5).

A difusão destes bens duráveis, contribuindo no interior de cada moradia para a simplificação e redução do trabalho doméstico, acabaria por diminuir a importância dos espaços projetados para uma “intensa vida associativa fundada em equipamentos coletivos”. O movimento na direção da “des-domesticação” e coletivização de tarefas caseiras, levando à outra divisão de trabalho entre o homem e a mulher e a novas propostas espaciais urbanas, engendrado ainda no século XIX por utópicos socialistas e por militantes feministas (Hayden,1981) acabou sendo interceptado, pelo processo de generalização da forma mercadoria, isto é, pela gradual predominância dos valores de troca sobre os valores de uso na organização da produção, penetrando também no âmbito da própria reprodução (6).
Parte do trabalho passaria a ser realizado individualmente no interior de cada moradia (resultado do aprimoramento e difusão dos aparelhos e gadgets domésticos) e parte passaria, com o tempo, a se constituir em mercadoria comprada no mercado de serviços.

Liselotte Ungers (1983) em seu livro A procura de uma nova forma de morar, Siedlungen dos anos 20, ontem e hoje, relativiza o impacto das novas propostas dos modernistas alemães se comparadas àquelas dos arquitetos soviéticos:

“O projeto das plantas das moradias dos conjuntos (Siedlungen) modernistas não era tão revolucionário a ponto de erigir um ‘novo homem’ para habitá-las. Não se foi tão longe, como na mesma época, os arquitetos e planejadores soviéticos, que de acordo com seu ideário político, queriam reduzir a unidade habitacional a dormitórios e um nicho de cozinhar (Kochnische), enquanto todas outras funções como cozinhar propriamente dito, comer, lazer, formação e educação eram retirados da esfera individual e colocados sob responsabilidade social. Desta forma intentava-se preparar o caminho para o socialismo e, ao mesmo tempo, dar condições de liberar a mulher do trabalho doméstico para incorporá-la ao processo produtivo” (Ungers, Liselotte,1983:224)

A cozinha de Frankfurt, desenhada por Ernst May e Grete Schütte-Lihotzky, “onde os equipamentos de cozinha transformados em produtos industriais farão sua entrada na habitação mínima da nova arquitetura” (Kopp,1990:56), é ao mesmo tempo o desdobramento de experiências anteriores (7) e a instauração de um modelo de cozinha que passará a ser adotado, com variações locais, como solução de projeto universal para a simplificação dos serviços domésticos. E, longe de constituir um ‘projeto revolucionário’, no sentido das experiências dos arquitetos russos, propõe a fusão de um novo espaço com o potencial de recursos oferecidos pelos novos equipamentos produzidos industrialmente para o interior da habitação (a seguir a ilustração do ‘novoespaço’ e da cozinha de Frankfurt):

“No projeto da habitação mínima os arquitetos não se limitaram a reproduzir em dimensões reduzidas as habitações tradicionais, pelo contrário, desenvolveram em parte devido a novas determinações técnicas, uma nova proposta de espaço. Pode-se dizer que eles partiram menos de premissas ideológicas radicais do que de conceitos de igualdade social: “moradia racionada” (Ration Wohnung) para todos, procurando enfrentar as limitações materiais através da racionalização da construção, planejamento cuidadoso, estética gestáltica, que respondessem à sua tarefa em seu tempo. Essas habitações exigiram dos moradores mudanças em suas práticas cotidianas – seja devido à nova e desconhecida organização do espaço, seja pela necessidade de mobiliar os pequenos cômodos com móveis leves e modernos em vez dos móveis “burgueses” aos quais estavam acostumados” (Ungers, Liselotte, 1983:224)

Esta ambigüidade resultante da incorporação simultânea nos projetos modernistas de ideais socialistas e dos resultados do desenvolvimento capitalista é discutida por Tafuri, em Projecto e Utopia (1985), enquanto parte integrante de uma contradição mais geral na produção intelectual e arquitetônica na Alemanha no período entre-guerras. As Siedlungen são consideradas utopia realizada, porém alheias aos processos de reorganização global da produção: ilhas ordenadas e organizadas (mortas) em meio à vitalidade da produção de um novo espaço metropolitano. A produção intelectual, por sua vez, estaria permeada pelo diálogo com o capital  (abstração tecnológica e sujeito produtivo universal) ou com as massas (abstração revestida de significado ético). No confronto das forças sociais atuantes no período (socialistas, social-democratas e liberais), convivem projetos coletivos e de expressão individual ou tradicional, e ainda no mesmo período, assiste-se ao movimento de incorporação dos princípios socialistas à economia capitalista:

“O contra-ataque capitalista … assume para si e redefine os elementos fundamentais da estratégia ‘socialista’. Socialismo como acumulação acelerada, reconstrução industrial, intervenção estatal no ciclo econômico, mas sobretudo como defesa do trabalho vivo (…). O Sozialismus do grande capital alemão entre 1918 e 1921, garante assim uma relação orgânica, no concreto, com a organização operária, política e sindical. E é inevitável que esta fase seja inexoravelmente abandonada quando, destituído qualquer perigo de organização autônoma a nível operário, o capital possa reassumir diretamente a gestão e a organização social do próprio ciclo”. (Cacciari, Massimo (1972) Sur probleme dell’organizzazione.Germania 1917-1921, Marcilio, Padua, in Tafuri,1985:51).
O processo associado de suburbanização e produção em massa nos EUA

Nos Estados Unidos, durante a ascensão da ‘cidade capitalista densa’ (8) (1870 a 1930), que conjugou, o aumento da concentração da população urbana e constantes inovações tecnológicas, o movimento das ‘feministas materialistas’ (material feminists) viveu sua época mais ativa. As campanhas pelo trabalho doméstico socializado e remunerado (1868) foram concomitantes à promoção pelos arquitetos de espaços urbanos residenciais coletivos nas cidades do Leste por meio dos primeiros edifícios construídos para as classes alta e média, como também de edifícios modelo, os tenements, para os pobres. Hayden aponta em seu livro, The grand domestic revolution (1981), o impacto poderoso dos agentes do processo combinado da suburbanização e da produção em massa sobre as concepções de cidade dos movimentos de vanguarda de urbanistas e feministas, que caminhavam para propostas de reorganização urbana bem distintas da casa isolada nos subúrbios das cidades. O início dos anos 1920 assistiu à miniaturização da tecnologia de grande escala desenvolvida para hotéis, flats, restaurantes e sociedades cooperativas de serviços domésticos, que incorporaram à arquitetura equipamentos coletivos como os compartimentos de refrigeração, aspiração de pó, e sua transformação em mercadoria a ser “plugada” em tomadas suburbanas.

Estes movimentos de vanguarda foram desgastados por anos de lutas e perseguições e campanhas de difamação (red-baiting) e terminam vencidos pela implantação das políticas habitacionais contidas no Relatório da Comissão Hoover (1931): Home Building and Home Ownership  apoiadas por construtoras, banqueiros e industriais, e que advogava propriedades residenciais suburbanas unifamiliares. Na década de 1960, os subúrbios já continham uma porcentagem maior da população urbana nacional que as áreas centrais. Na década de 1970, sete em dez famílias moravam em casas unifamiliares (Hayden,1981: 9 e 25), base do consumo individualizado de automóveis e de todos os equipamentos domésticos. Vale a pena citar uma passagem de Kenneth Jackson (1985), relatando como, na recessão entre 1929 e 1933 (onde cai de 95% a produção habitacional), era mantida a visão da casa própria para o povo americano, por meio das campanhas dos programas hipotecários da Federal Housing Administration:

“A ‘casa modelo’, em particular, tornou-se um objeto de marketing popular, especialmente mais para o fim da década. Cada novo loteamento e casa modelo dos subúrbios, geralmente incluía uma casa ideal, escala um para um, repleta com os últimos equipamentos domésticos. Em 1935, a General Electric Company financiou um concurso de arquitetura para uma pequena habitação unifamiliar. Aos 2.040 participantes era requisitado listar os equipamentos da GE a serem incorporados ao projeto; um dos arquitetos propôs 76 aparelhos” Jackson1(1985) :187.

O modelo de urbanização americano, de multiplicação de subúrbios, baseado na casa própria, isolada em bairros residenciais, e no automóvel, será a base perfeita para receber a produção acelerada de equipamentos domésticos empreendida pela grande expansão industrial do entre e pós-guerra. A implantação da casa própria suburbana, enquanto política nacional de habitação nos Estados Unidos, ofereceu uma idéia do pós-guerra I à sociedade do pós guerra II. Parcelamento do preço e dedução de impostos, oferecidos pelo Estado a proprietários de casa própria na era do pós-guerra II, derrotou históricas aspirações feministas, porém, possibilitou o grande boom dos construtores especulativos, dos produtores de eletrodomésticos e de automóveis. As mulheres tendo sido expulsas dos empregos assumidos durante a guerra, passaram para a nova vida de esposas suburbanas contribuindo para o aumento da taxa de natalidade e o consumo de massa. Empresas construíram milhões de casas unifamiliares, sem cuidados de implantação, de provisão de espaço comunitário ou de participação de arquitetos nos projetos. Estas casas eram verdadeiras caixas a serem entupidas de bens de consumo produzidos em massa (Hayden,1981:23).
Capitalismo luterano ou indomado?

O embate entre uma produção industrial “planejada” e o livre rolar das forças do mercado, que se materializa na guerra ideológica entre a União Soviética e os Estados Unidos, respectivamente, após a Segunda Guerra Mundial, será um profícuo campo de debates sobre qual deveria ser a amplitude e natureza desta produção.

O interesse em mencionar esta discussão, mesmo se de forma breve, deve-se ao fato de ela não ter repercutido ao longo deste século somente no campo das políticas econômicas, porém de ter penetrado também no âmbito da formação de quadros técnicos para a produção de mercadorias e do espaço urbano. O próprio princípio da economia de materiais, do desperdício consumista e algumas premissas dos atuais movimentos ecológicos ligadas à organização da produção já eram questionados no início do século XX. A discussão se abrigava muitas vezes no confronto entre a “racionalização”, o utilitário (necessários aos projetos sociais) e a “liberdade criadora”, a arte, (refúgio único da expressão individual), mantendo em esferas separadas o princípio modernista de reprodutibilidade e socialização da arte e o da diversificação para a “individualização” do consumo (9).

Ainda antes da Primeira Guerra Mundial, o problema da produtividade industrial era abordado na Alemanha por meio da racionalização e tipificação dos objetos a serem produzidos em série (10). Na mesma época, nos Estados Unidos, o problema era colocado de forma diversa: a produtividade era considerada na totalidade do processo produtivo, isto é, por meio das relações entre a organização científica do trabalho na fábrica e a configuração formal do produto. Ford (1863-1947), por exemplo, estudou a cadeia de montagem em função do modelo “T”, e vice-versa, em um processo que resultaria na primeira grande vitória da produção em massa, e por quase um século, permaneceria o epítome do capitalismo “moderno”.

Em 1907, Muthesius (1861-1927) faz a famosa conferência sobre A Importância da ArteAplicada (Die Bedeutung des Kunstgewerbes) na Escola Superior de Comércio de Berlim. Nesta época o Kunstgewerbe alemão ainda seguia as modalidades formais dos estilos decorativos herdados da tradição e gosto da era vitoriana: neo-egípcio, neo-grego, neo-gótico, neo-chinês, neo-renascentista etc.
 
Muthesius atribui os sucedâneos e imitações às “pretensiosas atitudes de parvenu” de uma determinada classe social, a dos “burgueses melhor situados”, obcecados pelo desejo de “aparentar mais”. Muthesius observa, portanto, assim como o fazia também Veblen (10), os objetos de um novo ponto de vista: associando-os a uma classe; expõe também, na mesma conferência de 1907, implicações de ordem econômico-produtivas: “…gasta-se (mal) antes de mais nada, um colossal patrimônio nacional em matéria prima, agregando-se a ele um trabalho inútil”. Um ano após, Loos (1908) usa praticamente o mesmo argumento para negar a legitimidade a todo objeto decorado:  “A ornamentação é força-trabalho esbanjada, e portanto saúde mal gasta… Hoje em dia isto significa também material mal gasto e por último, capital esbanjado”. (12)

Discursos similares ao de Muthesius adotam também outros artistas e arquitetos, como Behrens (1863-1940), R. Riemerschmid (1868-1957), Schumacher (1869-1947). Estas e outras adesões fizeram nascer em Munique, em 1907, uma nova associação, o Deutscher Werkbund, cuja finalidade era a de estabelecer no trabalho industrial uma contínua colaboração entre indústria, arte e artesanato. Em 1914, Muthesius e Van de Velde tornam-se oponentes no Werkbund, o primeiro defendendo a racionalização e tipificação e o segundo “a liberdade criadora do artista”. O conflito entre a desconsideração e a necessidade da norma que disciplina a dinâmica produtiva, entre a Konstanz (constância) e a Veränderung (mudança) ainda estará em discussão no Werkbund suiço em 1954 (Maldonado,1977).

A importância desta discussão, é que seus protagonistas prevêem nela a aproximação de uma encru¬zi¬lhada no capitalismo moderno: “a produção industrial apontará para a disciplina ou turbulência do mercado? ela se dirigirá a um aprofundamento controlado ou a uma expansão incontrolada? para uma estratégia de poucos ou de múltiplos modelos de produtos?” ( Maldonado,1977:39-45).

O histórico de Maldonado sobre a discussão do início do século, a respeito da hegemonia da técnica ou da arte, da “norma” ou da “liberdade” nos produtos industriais que vão formar a cultura material de uma sociedade, mostra os defensores da racionalização e tipificação como representantes do fordismo europeu, um “fordismo culpado”, ou talvez, um capitalismo luterano, que tornou ambígua a ideologia do produtivismo na Europa. Maldonado, em seguida, compara a ambigüidade das posições alemãs com a objetividade de Ford expressa em My life and work, do qual cita:
“Se o plano construtivo de um produto foi bem estudado, as modificações serão poucas…, no entanto, no processo de produção, as mudanças serão freqüentes e espontâneas… Para mim é motivo de orgulho que cada peça, cada artigo que produzo seja bem trabalhado, forte, e que não se veja necessidade de substituí-lo. Todo bom automóvel deveria durar como um bom relógio… No passado sempre namorei com a idéia de um modelo universal”. (Maldonado, 1977:46)

Nos Estados Unidos, no entanto, o fordismo não sai vencedor na produção capitalista depois de 1930, menos ainda a defesa da utilidade da função ante o decorativismo, a maquilagem. Ainda nos anos 1920, o modelo “T”da Ford começa a sentir a competição da General Motors, mais caro, porém mais ao gosto do público. O mesmo passa a ocorrer com outros produtos, e vai se transformar em um fenômeno generalizado após a crise de 1929. Diz Maldonado:

“uma coisa é certa: enquanto antes da crise a indústria americana nos setores automobilístico e de eletrodomésticos estava orientada para uma política de poucos modelos de grande durabilidade, ela se orienta após a crise para uma política de muitos modelos de pouca durabilidade. E se antes da crise a forma dos produtos é concebida respeitando as exigências da simplicidade construtiva e funcional, depois dela sucede o contrário. Trata-se do nascimento do styling”.

A expansão do mercado consumidor realizada originalmente pelo barateamento propiciado pela repetição de um modelo, acabou por se difundir por meio de outros artifícios e novas técnicas de sedução mercadológica e produção industrial: o styling aparece como o precursor da obsolescência programada, a pesquisa de mercado como o horizonte formal da mercadoria e o marketing como o desbravador de novos nichos de consumo.

 
(1) Ball, Michael(1988) Rebuilding Construction; Clarke,Linda (1992); Mautner,Yvonne (1991).

(2) “A casa alugada desaloja a casa de família herdada, cessa a domiciliação amarrada a um lugar e começa um novo nomadismo dos indivíduos, favorecido pela rápida progressão dos meios de transporte. Assim como a tribo perdeu suas terras, a família perde sua casa. O poder do laço familial retrocedeu diante do direito público da cada indivíduo. As condições de produção social permitem que o indivíduo independente troque de lugar de trabalho, por sua livre vontade, a liberdade de locomoção aumenta enormemente. A maior parte das antigas funções da família torna-se presa da socialização gradativa;” Gropius,Walter (1997:147). Artigos de Gropius da década de 1930.

(3) O aspirador de pó percorre uma trajetória exemplar, pois nasce como um serviço, ou como um equipamento coletivo, passando a ser posteriormente desenvolvido enquanto produto individualizado: “Mais eficientes que aparelhos de limpeza manuais eram as máquinas a vácuo, movidas a eletricidade. Estas foram desenvolvidas ao mesmo tempo na Inglaterra e França  por volta de 1902. Movidas por eletricidade ou parafina, as máquinas eram grandes e operadas por companhias que as alugavam com os operadores. Os serviços eram utilizados principalmente em edifícios grandes, como lojas de departamentos e teatros, mas eram também ocasionalmente usados individualmente para limpeza doméstica. Uma alternativa à mobile vacuum plant era uma instalação permanente com saídas para cada cômodo. Sistemas como este foram instalados no Frick Building em Nova York em 1902 e logo após na Câmara dos Comuns em Londres; instalações permanentes para uso doméstico eram propagandeadas nos Estados Unidos, seu custo porém as restringiu certamente para os muito ricos” Forty (1987):176.

(4) ADGB (Allgemaine Deutsche Gewerksschaftbund), AFA-Bund (Allgemeine Freie Angestelltenbund), ADB (Allgemeine Deutcshe Beamtenbund) e DEWOG (Deutsche- wohnungfürsorge Aktien Geselshchaft für Beamten, Angestellten und Arbeiter). Sobre a necessidade de uma nova forma de projetar, tanto no plano social como arquitetônico, consultar o capítulo III de Kopp,1990:42)

(5) No fim do século XX o uso eletricidade já era praticamente compulsória para operar toda uma nova classe de mercadorias, os eletrodomésticos. Em 1913, metade do comércio mundial em produtos eletro-químicos estava em mãos da Alemanha (AEG e Siemens & Halske-Schukert, que trabalhavam em colaboração desde 1908); a outra metade com os Estados Unidos, na GE (uma associação entre a Thomas- Houston & Edison Co). A generalização do consumo de eletricidade possibilita a difusão dos aparelhos eletrodomésticos, dos quais, por exemplo, o aspirador de pó, que começa a ser difundido nos anos 1910, chega a seu desenho mais conhecido, o modelo Hoover 150, (realizado pelo desenhista industrial Henry Dreyfuss para a American Hoover Suction Sweeper Company) nos anos 30. O seu primeiro modelo clássico, na melhor tradição fordista, perdurou de 1916 a 1936, (ambos são ilustrados ao lado, Forty (1987) p:177 e 180).

(6)Marx, (1867) Capital, volume 1,The Pelican Marx Library, Harmondsworth, 1976.

(7) Como a Bauhaus Küche, cozinha projetada para o Haus am Horn em 1923, ou a cozinha projetada por Bruno Taut em 1927, ainda como exemplos únicos ou artesanais da racionalização doméstica do trabalho (Kopp,1990:56). É importante lembrar também a experiência concomitante americana relatada em livro de Christine Fredericks (1921) traduzida para o alemão em 1922 e que serviu como base de pesquisas realizadas na Alemanha para “taylorização” do trabalho doméstico na cozinha

(8) Nesta época, feministas materialistas percebem que várias decisões sobre a organização da sociedade futura eram incorporadas no ambiente construído. Por isso, apontavam as transformações espaciais do trabalho doméstico sob controle do movimento como um ponto chave de ligação com campanhas de eqüidade social, justiça econômica e reforma urbana (Hayden,1981:10)

(9) Tafuri (198-:79) diz que a Siedlung Siemensstadt, em Berlim, planificada por Sharoun, é um exemplo de ruptura do movimento modernista. Se Gropius e Bartning se mantêm fieis à construção do conjunto como cadeia de montagem, aos “blocos” arquitetônicos, os “objetos” de Sharoun e Häring se contrapõem a estes na recuperação da “aura” benjaminiana nos edifícios por eles projetados para o conjunto.

(10) Riemerschmid, Richard (1868-1957), um dos fundadores do Deutsche Werkbund, colabora com seu cunhado Karl Schmidt, marceneiro, no design de móveis para produção industrial. Os primeiros modelos são expostos em 1905 na Exposição de Dresden. ThePenguin Dictionary of  Design and Designers (1984:412), Penguin Books, England

(11) Assim como Th. Veblen (1857-1929) em seu livro The theory of the leisure class, publicado em 1899.

(12) Quanto a Loos, aqui entrando nas criticas ao funcionalismo na arquitetura, Benjamin chama a atenção para uma “nova pobreza” na arquitetura e urbanismo, tomando como exemplo o “reducionismo estético e a proibição formal” de Loos, considerado o arquiteto da tabula rasa e do “calvinismo”. Contra esta visão mais formalista da arquitetura modernista ver Quando o modernismo era uma causa e não um estilo de Anatole Kopp.

(13) Maldonado,Tomas(1977) El diseño industrial reconsiderado, Coleccion Punto y Linea, Ed G. Gili, Barcelona. Styling: cosmética de produto, atividade que permanece na superfície, na pele do produto. A preocupação estética de se separa do resto dos fatores que intervêm na determinação da configuração de um produto industrial: análise de necessidades, factibilidade técnica de produção, disponibilidade de materiais, normas, redução de custo.
Bibliografia

BALL, M. Rebuilding Construction: Economic Change and the British Construction Industry. London: Routledge,1988.

CLARKE, Linda. The production of the built environment: peculiar or backward? Bartlett International Summer School Proceedings 6, University College London,1985.

COLUCCI JR., José) O design na era da integração, Dissertação de Mestrado, FAUUSP), 1988.

Das Paradies kommt wieder. Museum der Arbeit, Hamburg, 1993:23

FORTY, Adrian. Objects of desire. Thames & Hudson, 1987.

GROPIUS,Walter Bauhaus: Novarquitetura. S.Paulo: Ed. Perspectiva,1997, 5ª. edição, p:147.

HAYDEN, Dolores. The grand domestic revolution. London: MIT Cambridge, Mass, 1981.

________________. Redesigning the american dream,  NY, London:W.W. Norton & Company 1984.

JACKSON, Kenneth T. Crabgrass Frontier-The Suburbanization of the United States. NY, Oxford: Oxford University Press, 1985.

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LOOS, Adolf (1908) Ornament und Verbrechen (Ornamento e Delito), Prachner Verlag (Sondereinband – 2000)

MALDONADO,Tomas El diseño industrial reconsiderado. Barcelona: Coleccion Punto y Linea, Ed G. Gili, 1977.

MARX, (1867) Capital, Volume 1, The Pelican Marx Library, Harmondsworth, (1976).

MAUTNER,Yvonne  “A periferia como fronteira de expansão do capital” in Deák, Csaba & Schiffer, Sueli (orgs.) O processo de Urbanização no Brasil. São Paulo: Fupam, Edusp, 1999.PAMPLONA,Telmo. Desenho da Ruptura – Modernidade na Implantação da Indústria. São Paulo 1900-1920  Tese de Doutorado FAU/USP, 1992.

TAFURI, Manfredo Projecto e Utopia. Lisboa: Ed. Presença, 1985.

The Penguin Dictionary of  Design and Designer. England: Penguin Books, 1984.
UNGERS, Liselotte Die suche nach einer neuen Wohnform.  Stuttgart: Deutsche Verlags-Anstalt, 1983.

Fonte: Revista AGIPROP

Solar tree

Com um desenho que remete à um buquê de flores, a Solar Tree, de autoria do designer Ross Lovegrove é alimentada com energia solar e utiliza LEDs.

As placas fotovoltaicas encontram-se na parte superior das “pétalas” e as baterias embutidas no interior das mesmas.

Destinada à iluminação pública, tem seu foco estético também no embelezamento urbano.