Mitos contra a regulamentação

O Ed postou no portal DesignBR ontem um texto da Camila Mariana Coutinho sobre a regulamentação profissional.

Numa primeira lida (rápida) não percebi alguns detalhes contidos no texto. Passo então a analisa-lo e, porque não, desmistificar alguns argumentos (não ficou claro se são dela ou ela coletou pela web) contra a regulamentação profissional dos designers citados no texto dela.

1 – Desvalorização da profissão, a partir da oferta de cursos de baixa qualidade e estudantes pouco comprometidos com o conhecimento, buscando apenas o diploma para exercício profissional.

É absurdamente equivocado este tipo de pensamento.

Sobre a qualidade dos cursos ofertados a tendência pós-regulamentação é que eles melhorem e muito em qualidade e que aqueles oferecidos por “uniesquinas” acabem por falir (graças a Deus!).

A questão é simples: atualmente o MEC não consegue fiscalizar todas as universidades e cursos existentes no Brasil. Falta estrutura, faltam profissionais e falta, principalmente, vergonha na cara dos donos das IES privadas. Digo isso, pois eles contratam mestres e doutores apenas para aprovação do curso. Com a resolução em mão a tendência é demitir os mestres e doutores e ficar apenas com, quando muito, especialistas. Outro fator diz respeito à infraestrutura: o que tem IES privadas por aí que alugam bibliotecas vocês não fazem idéia.

No conselho federal deve existir uma diretoria de ensino e pesquisa que irá avaliar os cursos juntamente com o MEC ( ou auxilia-lo a melhorar as diretrizes) assim como acontece nos cursos das profissões já regulamentadas. É esta diretoria que irá propor correções nas matrizes, direcionar ementários “desfocados” entre tantas outras ações visando sempre a melhora da qualidade dos cursos ofertados. Ou então, pode-se optar por outra instituição credenciada junto ao conselho para que faça especificamente este serviço. Olhem aqui o site da ABEA – Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo.

Já sobre os estudantes isso sempre existiu e sempre existirá, regulamentada ou não a profissão. A questão é que estes que levam o curso “empurrando com a barriga” dificilmente conseguirão um lugar ao sol no mercado.

2 – O custo das empresas com encargos trabalhistas seria transferido para os projetos, elevando os preços e prejudicando a contratação legal por parte das micro e pequenas empresas.

Não vejo arquitetos, engenheiros e outros profissionais reclamando disso.

É preferível então ter uma vida profissional clandestina só para manter os valores ridículos que tem sido praticados no mercado?

É preferível então não ter segurança jurídica alguma?

É preferível então continuar usando a conta bancária pessoal na vida profissional?

É preferível então desgastar dia a dia o carro pessoal no trabalho porque não conseguimos abrir um leasing em nome da empresa?

É preferível então ficarmos reféns do mercado perdendo grandes oportunidades nas licitações públicas por não sermos pessoas jurídicas?

Posso citar ainda muitas outras situações que desmentem facilmente essa artimanha. Mas creio que já está bom.

3 – Obrigatoriedade do registro na entidade profissional, o que nem sempre significa cumprimento dos direitos por parte das empresas.

Não sei, mas acredito que esta afirmação tem um erro. No lugar de “direitos” deveria estar “deveres” ou “responsabilidades”.

Se é para ser como está escrito, direito é direito. Se o seu foi desrespeitado vá atrás deles. Denuncie e, se necessário, busque-os por vias judiciais.

Se estiver realmente incorreta e deveria estar “deveres”, e aí é uma questão de ética pessoal e profissional. Quem não cumpre com seus deveres profissionais, definitivamente boa praça não é. Logo, não merece ter direitos e os benefícios destes.

4 – Exclusão do mercado de profissionais autodidatas que apresentam trabalhos de ótima qualidade.

Em momento algum a regulamentação profissional visa excluir quem já atua no mercado. Se é um profissional de “ótima qualidade”, tem portfólio que comprove, qualidade nos projetos e os anos mínimos de exercício profissional previstos na Lei da regulamentação, poderá continuar a atuar tranquilamente.

Mas na parte dos prós encontrei um probleminha também:

Reserva de mercado.

Quem insiste em bater nessa tecla mostra claramente que desconhece o inteiro teor do PL e a Lei brasileira. Reserva de mercado é crime, simples assim.

O que acontece é que, regulamentada a profissão, a pessoa para exercer a profissão terá de obedecer o que diz a nossa Constituição Federal:

Art. 5º – XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;

Ou seja: a partir da regulamentação, quem quiser trabalhar na área terá de fazer uma coisinha que está bem fora de moda (e cada dia mais fora) atualmente: estudar.

Outro equívoco dela foi dar destaque ao projeto de regulamentação do Design de Interiores enfiado pela ABD via deputado Ricardo Izar e não questionar veementemente a não inserção de nossa área no PL do Design.

Essa é a derradeira tentativa da ABD vir a ser o Conselho Federal da área. É o que eles sempre quiseram, sonharam, e desejam com todas as forças (negras e egoísticas) de suas almas. Tanto que suas ações provam isso ao vermos várias empresas (Tok&Stok, Etna, Leroy Merlin e várias outras) exigindo a filiação à ABD para poder fazer parte de seus programas de parcerias e benefícios.

Já escrevi diversas vezes e repito: a ABD é apenas uma associação. Não tem direito algum de tentar regulamentar nada e tampouco impor-se como autoridade sobre a área. Isso é papel dos Conselhos Federais e isso, definitivamente, ela não tem moral e nem ética para ser.

É ilegal esse posicionamento que ela tem forçado as empresas à tomar. Tanto ela quanto as empresas que cedem aos seus chiliques estão passíveis de punição na Lei.

Bom, por hora é isso o que eu tinha a esclarecer sobre este assunto.

Até o próximo post!!!

Concurso Cultural Digital Software – Portal DesignBR

Atenção estudantes e profissionais de Design de Interiores/Ambientes:

O Portal DesignBR em parceria com a Digital Software acaba de lançar seu primeiro concurso cultural.

É um concurso exclusivo para membros do Portal.

O que tá valendo?

Uma licença do software VD Max 3.0.

Interessou? Clique aqui e participe!

Boa Sorte a todos!

de luto e de mudança: DesignBR

Bom pessoal, infelizmente tenho de informar que o nosso espaço DesignBR no Ning irá desaparecer dentro de alguns dias.

Eu e a equipe que vinha mantendo aquele espaço estamos bastante chateados pois sabemos que muito do conteúdo que ali foi depositado irá perder-se assim que a equipe do Ning apertar a tecla “delete”.

Isso se deve ao fato de que a partir de agora, a hospedagem de grupos naquela plataforma passou a ser paga – e bem paga.

Tentamos contato com diversas empresas buscando apoio, patrocínio ou ajuda para que pudéssemos levantar a quantia necessária para manter o portal online e, infelizmente, não conseguimos. Até mesmo com faculdades e universidades nós conversamos e nada.

As que sinalizavam aparentemente de forma positiva vinham tentando impor suas condições que, via de regra eram:

– exclusividade

– exigências com relação ao conteúdo querendo impor censuras absurdas

– acesso direto aos dados de membros

– entre outros absurdos.

Com isso, tivemos de engolir o amargo sabor da derrota, da perda de um trabalho desenvolvido exaustivamente pela equipe de moderadores, especialmente o Ed Ramos que é quem estava tocando firme o DesignBR nestes últimos tempos.

Um espaço voltado para designers que em menos de 4 anos conseguiu reunir num mesmo espaço uma quantidade absurda de estudantes, profissionais, professores das diversas áreas do design como nenhum outro espaço já conseguiu.

Um espaço onde o livre pensar, os debates, a troca de informações, a construção do conhecimento eram as chamas que mantinham o portal em pé.

Um espaço técnico, acadêmico e profissional que tornou-se uma grande enciclopédia do design.

Um espaço que transformou-se numa verdadeira vitrina do design brasileiro.

Triste, constatamos que se fossemos pedir apoio, patrocínio ou socorro para um timinho qualquer de futebol, de fundo de vila, para um campeonatinho de milésima categoria, não nos faltariam recursos cedidos. Absolutamente tudo nos seria cedido.

Triste constatamos que aqui neste país não se valoriza o que é daqui, a produção nacional.

Triste constatamos que tampouco valoriza-se a construção permanente do conhecimento.

Não conseguimos salvar quase nada de lá do portal. Na verdade, pouco mais que arquivos com a listagem de membros.

Os materiais das comunidades, fórum, imagens e todos os outros dados serão, fatalmente perdidos.

Até mesmo o Ning não respondeu sobre um possível apoio ao portal reduzindo o valor ou isentando-nos deste valor. Vou tentar mais um contato nesta semana tentando mostrar a eles a importância da manutenção daquele espaço.

Pensamos em fazer uma chamada de fundos junto aos membros mas desistimos ao analisar outras ações envolvendo arrecadação de fundos onde quem recebe sempre é acusado de absurdos, por melhor, pura e verdadeira que seja e sua intenção.

Assim, estamos sim de luto por causa da “morte” anunciada daquele espaço.

De luto por causa da ignorância nacional.

De luto por causa da leviandade dos empresários nacionais.

De luto por causa da falsidade das Instituições de Ensino que “dizem” promover o conhecimento.

De luto por nos ver de mãos e pés amarrados, boca, olhos e ouvidos vedados por causa da superficialidade humana.

Se você também sente-se de luto por esta perda assim como nós, divulgue este manifesto contra a ignorância e descaso cultural que varre nosso país. Seja por e-mail, em seu blog, nas redes sociais que você participa. O importante é mostrar publicamente qual é a realidade de nosso país.

Outra forma de você tentar ajudar é mandando mensagens ao Ning solicitando apoio a nossa causa, que o portal não seja eliminado, mostrando que é um espaço acadêmico, voltado á construção e disseminação do conhecimento.

Mesmo assim, estamos tentando elaborar um outro espaço com as mesmas funcionalidades mas isso demandará tempo.

O Jonas do blog espaço.com é quem está nos ajudando nisso tudo. Valeu garoto!

Portanto mesmo de luto, nos sentindo como uma ave que acaba de ter sua asa decepada, estamos tentando voar em prol do conhecimento e da cultura do Design aqui no Brasil.

DesignBR – Ning

Olá meus leitores, volto a chamar a atenção de vocês, Designers, para a existência do DesignBR no Ning.

A plataforma do Ning assemelha-se e muito à do Orkut onde você monta a sua rede de relacionamentos, participa de grupos específicos e dos fóruns com assuntos diversos além de fazer novos amigos/contatos profissionais, postar seu portfolio, montar ou linkar o seu blog entre outras coisas.

Atualmente estamos debatendo de forma muito construtiva alguns temas lá dentro como por exemplo:

– Selo de qualidade em Design

– Crise criativa

– Fórum Brasileiro de Design

– A importância do português no Design

– Educação e Design

entre vários outros.

Já nos grupos são tratados de assuntos bem específicos dentro de cada área ou assunto pertinente como:

– Design de Interiores

– Sustentabilidade

– Design Automotivo

– Design Editorial

– Professores de Design

– Eco-Design

– Pesquisa

– TCCs

– Negócios

– Design de Produtos

– Moda

entre vários outros.

Em menos de um ano de existência do DesignBR já agregamos 1276 Designers das diversas áreas que estão participando ativamente das ferramentas do Ning.

Mas o melhor é perceber – diferentemente do orkut e outros espaços – que o pessoal por lá realmente está afim de se mexer em prol do Design Nacional, seja apenas para torna-lo visível, seja por uma luta mais árdua pela regulamentação.

Se você ainda não faz parte desse grupo entre já!

Venha para o DesignBR.