Casa Conceito 2011 – Passeio

Demorei, a mostra já foi encerrada, mas aqui está o ambiente “Passeio” que fizemos na Casa Conceito 2011 aqui em Londrina.

Trata-se da calçada frontal da residência.

A avenida onde a casa está implantada é de grande fluxo e importância para a cidade porém não vemos nada que se destaque, falando sobre muros.

Se passamos na avenida durante o dia vemos uma sequencia de nada ou salpicados de alguma coisa copiada de qualquer lugar (era, tijolinhos, pintura ou falta dela, etc). Se passamos durante a noite, é tudo cinza, escuro e sem vida (incluindo a péssima iluminação pública).

Calçada e muro - antes

Outro fator a destacar é que nas mostras (e na vida real) dificilmente as pessoas dão o devido valor à este elemento que faz parte da edificação. Costumam dizer que o Hall de entrada é o cartão de visitas da casa.

NÃO MESMO. Sempre digo que o muro e a calçada frontal é que o são, afinal eles são os primeiros contatos dos visitantes com a edificação.

Assim pensamos num projeto que desse o devido destaque à estes elementos da construção, chamando a atenção do público. E acredito piamente que conseguimos pois com todos os visitantes que conversei perguntavam se o muro “era meu” e parabenizavam.

O projeto original foi pensado já desde o início para utilizar as esculturas de parede do Jadir Battaglia. Apesar dos riscos envolvidos (vandalismo e roubos) ele aceitou ceder as peças pois nunca tinha realizado uma aplicação nesse sentido de suas peças. Isso nos levou a fechar parceria também com a empresa de segurança Digitemp que colocou um sistema de alarme magnético nas esculturas e nas luminárias.

O projeto inicial era esse:

As molduras em EPS da Decorpol formariam os “quadros” e a “tampa” do muro. Em uma semana a empresa enviou o produto. O detalhe é que eu precisava de um modelo que proporcionasse a instalação de fita ou mangueira LED para iluminar as esculturas. Fiz o desenho, encaminhei e recebi o produto exato, como eu precisava.

Porém, com o passar do tempo este projeto começou a gerar dúvidas: não tínhamos contato direto com a proprietária da casa para verificar a necessidade de alterações pós-mostra e também começamos a perceber que estávamos caindo no óbvio, na aplicação comum. Também o detalhe que na escultura da direita, bem nesse espaço, há o relógio de luz da Copel e este não poderia ficar inacessível. O projeto em si não atrapalhava em nada o acesso a ele, porém ele estragava o visual do projeto. Resolvemos então alterar radicalmente o projeto.

Como estávamos precisando de algo para a parede do Lounge Externo por causa da sacanagem do fornecedor da cobertura, optamos por retirar uma escultura do muro e colocá-la lá. Buscamos então uma linguagem mais clean e contemporânea, algo inexistente aqui em Londrina.

Alteramos o projeto de LD, o paisagismo, as cores e a disposição dos elementos do muro. Com isso ganhamos muito esteticamente. Mantivemos o volume que desejávamos desde o início e o destaque de dia e/ou noite.

Foto oficial by Ruffino

Sim, chapamos uma tinta branca em todo o muro e abusamos com os números (também feitos sob encomenda em EPS pela Decorpol) em vermelho.

Para esconder (ou ao menos suavizar esteticamente) o quadro de luz, optamos por vasos com samambaias afixados acima dele onde, as folhas, não atrapalham o acesso ao mesmo. Este mesmo elemento aplicamos em outros pontos do muro para não chamar a atenção justamente em cima do problema. Poucas pessoas perceberam que tinha um quadro de luz ali.

Pra ajudar, na noite anterior à inauguração da mostra, enquanto estávamos tentando finalizar o Lounge um caminhão saindo acabou por enroscar o seu baú no portão e nos fez esse favor:

Isso porque já eram mais de 23:00hs. Quiseram jogar a responsabilidade disso sobre nós mas, como viram que eu tinha tudo devidamente registrado (fotos, vídeos e testemunhas), desistiram. Porém o portão ficou lá danificado durante toda a mostra e ainda está. Será entregue assim à Luciane, proprietária da residência?

Sobre este portão, vale ainda ressaltar que tentaram nos forçar a pinta-lo. Relutei fortemente contra isso pois trata-se de madeira bruta (peroba rosa), bastante antiga que não merece essa infelicidade. Sim sou contra este tipo de destruição. Este portão, assim como o deixamos, nos conta a sua história. Se soltássemos uma camada de tinta sobre ele, não seria mais ele. Também perderia o seu valor material.

Fundamental foi a parceria com a Arte Flores e Paisagismo M.E., através de seu proprietário Fabiano, na parte de paisagismo que nos forneceu as plantas, elementos e insumos necessários e também a Madeplast que forneceu o deck de madeira plástica (que infelizmente não saiu na foto oficial pois não estava instalado ainda). Também temos a parte de iluminação com o apoio da Eletroville, da GE Iluminação e do Renaldo.

Por falar em iluminação, neste projeto pensamos numa forma de atingir os objetivos estéticos e dar o devido destaque aos elementos aliado ao baixo consumo energético. Apesar de termos trabalhado com lâmpadas halógenas, o alto rendimento das luminárias nos permitiu isso.

Está aí, um belo projeto, bastante elogiado e destacado na CasaConceito 2011 aqui de Londrina.

Vamos ao Reader…

O que tá rolando de interessante pelo meu Reader:

1. Cienna Lounge by Bluearch:

Muito interessante a solução para o projeto de iluminação usando RGB.

Iluminação geral feita pelas sancas que não interfere no todo.

Iluminação mais pontual sobre as mesas.

Destaque também para o belo trabalho feito no balcão com iluminação built-in em cor contrastante com o entorno.

Muito bom o projeto.

2. Plenty of colour – RGB wallpapper:

Muito bom esse trabalho. O uso da luz em RGB e de tintas especiais favorecendo a mutabilidade do ambiente.

Se a luz branca reflete todas as cores, o que aconteceria se usássemos cores específicas com pigmentos que reagem à elas?

Está aí o resultado.

3. Rock

Apesar de alguns reflexos. mo geral este é um belo exemplo de projeto tanto de interiores quanto de iluminação.

Destaque para o elemento suspenso sobre o balcão acompanhando o desenho.

4. dilicias para ter em casa:

Olhem que delicia de mimo para ter em casa. Mega fácil de fazer e com um efeito surpreendente.

Adorei!!!

5. decoração floral através da luz:

Genial essa idéia para usar a luz rebatida.

Não fica uma luz agressiva e tampouco cansativa.

Esse projeto me fez lembrar de um outro que vi a algum tempo atrás usando o mesmo princípio:

Um outro recurso que gosto muito é o de desenhar com a luz. Um bom exemplo desse tipo de trabalho:

Mas percebam que este elemento não fica visível de forma direta aos olhos dos usuários, portanto não oferecem risco de ofuscamento.

E há também o recurso dos vitrais para a iluminação diurna, especialmente:

Além de embelezar as paredes, os vitrais oferecem a possibilidade de colorir os ambientes independente da cor das paredes. Percebam que nessa foto a parede é em concreto puro e mesmo assim a cor dos vitrais traz vida à frieza do material.

6. Aura Spa at the Park Hotel / Khosla Associates:

Um ambiente desse, com uma musiquinha zen de fundo… Precisa de algo mais???

Agora, observem que fantástica esta escultura e o efeito que ela causa no ambiente quando iluminada:

Apenas dois spots embutidos no teto iluminam esta peça. Revestidas com aqueles espelhinhos quadriculados, refletem a luz para o ambiente.

Agora tentem imaginar esta peça iluminada por 4 spots ligados num sequencial, acendendo um de cada vez, dimerizados. Cada facho irá gerar um efeito diferente, dinamizando o ambiente.

7. Vidros adesivados.

Bom, vi vários tipos e aplicações, aqui vai uma idéia:

Puckapunyal Military Area Memorial Chapel / BVN Architecture

Olhem que idéia bárbara para fazer no insufilm. Esse aqui foi feito em chapas mas dá pra fazer em insufilm e aplicar nos vidros. O efeito da luz que passa direto pelos vãos podem gerar e tudo vai depender do desenho e da luz que atinge diretamente o ambiente.

Mas também pode ser usado em panos de vidro que dividem ambientes com diferentes niveis e tipos de iluminação.

8. DIY (Do It Yourself)

Do blog de minha amiga Elenara uma idéia bárbara que me fez viajar na maionese aqui:

É, são moedas antigas… Ah se meu pai sonha com minhas reais intenções com relação à coleção de moedas que ele guarda que herdou de meu avô, que herdou de meu bisavô…

Mais DIY: Tol Dot é um imã  bastante resistente ideal para pendurar objetos mais pesados. De fácil aplicação, basta usar a criatividade para atender as necessidades.

Vi no Bem Legaus!

9. Banco para jardim?

Da série#EuQuero…

Olhem que delicia de banco (rede, sei lá) para sentar, deitar e relaxar…

10. Customizar?

Aí sim!!!

Estas cadeiras são cópias portanto a idéia é mais que bem vinda para personalizar os ambientes.

Nada de sair fazendo isso com móveis originais ok pessoal?

As cópias existem para isso mesmo ;-))

Via: Chair Blog

11. Chuva de luz

O que muitos cristais, fibra ótica, criatividade e  extremo senso estético podem fazer? Isso:

Fala sério… #EuQuero

E o que luminárias muito bem construídas e aplicadas podem fazer? Isso:

12. Aeronaves: interiores

Prestem atenção nas soluções. O ambiente não é grande – coisa mais que comum nos projetos que realizamos hoje em dia.

Bom, acho que já deu, acabou virando um mega post e não coloquei tudo.

Posto mais durante a semana.

Abraços.

Escultura – Gota de Mercúrio

Uma das mais belas esculturas que já vi.

A idéia é imitar uma gota de mercúrio porém, em grandes proporções.

É uma estrutura bastante simples mas os reflexos proporcionados dão o toque final e, a cada novo ângulo de observação, novos horizontes são percebidos.

by Anish Kapoor in Millennium Park, Chicago

Iluminação e Arte

Iluminar peças de Arte não se faz da mesma forma que ambientes residenciais ou comerciais. Obras de arte são objetos, em sua maioria bastante sensíveis, e devem ser tratadas com zelo e cuidados especiais.

Toda peça de arte é confeccionada com materiais que são frágeis, delicados. A mistura luz + material na maioria das vezes acaba em resultados desagradáveis se o projetista não tiver domínio e conhecimentos sobre os efeitos negativos da luz sobre materiais.

Este cuidado também deve ser tomado quando o projeto é para ambientes pois a luz estraga sim  os materiais sobre os quais é lançada. Quem é dono de lojas sabe bem do que estou falando: aquelas peças em exposição na vitrine que saem “queimadas” depois de um tempo em exposição.

Dias atrás um lojista daqui me chamou para uma consultoria em sua loja de colchões. Todas as peças estavam desbotando rapidamente e naquelas onde haviam fachos concentrados, percebia-se uma marca de forma circular exatamente onde o facho de luz incidia. As lâmpadas e luminárias utilizadas em sua loja estavam deteriorando os produtos.

Não é nada difícil encontrarmos até mesmo dentro de casa, bancadas de madeira ou pedras também com essas marcas, perda de brilho, ressecamento enfim, vários eventos que nos indicam que algo não está bom ou funcionando direito.

Se esse tipo de dano acontece em materiais como madeiras e pedras, imagine então o que a luz não é capaz de fazer com estofados, cortinas e especialmente com os objetos de arte, com as tintas, pigmentos, tecidos…

O que a maioria das pessoas não sabem ou não levam em consideração é o fato de que as lâmpadas emitem uma alta carga de raios UV, especialmente os UVA. Estes raios são nocivos a qualquer material –  até mesmo a nós tanto que usamos bloqueadores no verão. Porém, a moda e beleza de certas lâmpadas e luminárias acabam por direcionar facilmente ao erro projetual quando não se leva em consideração este fator ou até mesmo de técnicas e equipamentos que visam diminuir o efeito dos raios UV sobre as peças de arte.

É, refiro-me aqui ao mesmo raio UV do sol e que temos de nos proteger especialmente no verão.

Nas normas técnicas internacionais, os objetos de arte estão divididos em três categorias de acordo com suas características compositivas, porém vamos usar aqui uma outra mais simples:

Pouco sensíveis: metal, pedra, vidro, cerâmica, jóias e peças esmaltadas.
Nesses materiais não se aplica uma quantidade máxima de lux/ano, porém deve-se levar em consideração o calor radiante.

Moderadamente sensíveis: pinturas (óleo, tempera), couros naturais, tecidos com tinturas estáveis, chifre, osso, marfim, madeiras finas e lacas.
Para esses materiais já temos de observar que durante o ano todo as peças podem receber no máximo 150 lux (360.000 lux/hora/ano) e o calor radiado não deve atingir as peças.

Extremamente sensíveis: pinturas (guache, aquarela e similares), desenhos, manuscritos e impressos, selos, papéis em geral, fibras naturais, algodão, seda, rendas, lã, tapeçarias, couro tingido e peles e peças da história natural.
Para esse grupo, temos de usar no máximo 50 lux (120.000 lux/hora/ano) e também evitar o calor radiante.

O quadro abaixo (I) tipifica com maiores detalhes os tipos de materiais e os cuidados necessários.

Para cada categoria descrita acima, existe um nível máximo tanto de luz quanto de incidência de raios UV como se pode ver. Há também um tempo máximo de exposição anual que esses materiais suportam e que devem ser respeitados.

O calor radiante ao qual me refiro é aquela sensação de calor que temos quando paramos embaixo de uma lâmpada, especialmente dicróicas e ARs. Para verificar se a iluminação de sua obra está correta quanto a isso, basta colocar a sua mão sobre a superfície da mesma. Se sentir calor em sua pele, apague a luz e reveja o projeto luminotécnico, pois certamente a sai obra está sendo danificada pela iluminação.

Quem já visitou museus entende perfeitamente o que coloco aqui. Os museus tinham até um tempo atrás um período de visitação curto que mal dava para vermos tudo ou quando chegavamos a alguma peça, a mesma já está com a luz apagada. Isso se devia àquele tempo máximo de exposição anual colocado acima. (120.000 lux/hora/ano). Eles tinham de dividir essa radiação máxima anual pelo tempo de exposição diária. Assim chegavam ao tempo máximo de exposição possível sem que a luz viesse a danificar as peças.

Para entenderem melhor esta parte sobre lux/hora/ano vou colocar aqui alguns exemplos:

Uma obra em guache, da categoria Extremamente Sensíveis: ela pode ficar exposta com a luz incidente por no máximo 4 semanas/ano ou 12.000 lux/hora/ano.

Uma obra à óleo, da categoria Moderadamente Sensíveis: poderá ficar exposta 10 semanas/ano ou receber 42.000 lux/hora/ano.

Uma escultura em madeira, da categoria Pouco Sensíveis: poderá permanecer exposta à luz por 20 semanas ou receber 84.000 lux/hora/ano.

E um detalhe importantíssimo: os casos acima referem-se às normas para museus e galerias de arte onde a aplicação de filtros que reduzem a radiação UV são obrigatórios pela inexistência de equipamentos adequados.

Hoje, estes mesmos equipamentos utilizados pelos museus e galerias de arte estão num ponto tal de tecnologia que vemos alguns museus e galerias abertos praticamente 24 horas por dia. Esta mesma tecnologia pode e deve ser usada em residências e espaços comerciais onde existam peças de arte expostas.

Para uma melhor compreensão das novas tecnologias vou seccionar os equipamentos:

Lâmpadas (fontes de luz): hoje já dispomos de lâmpadas ou fontes de luz que não emitem a radiação UV. Porém são materiais ainda caros e na maioria das vezes tem de ser importados. As mais fáceis de encontrarmos são as dicroleds (dicróicas com leds) que tem emissão zero de UV. Mas a Osram está com uma nova linha de lâmpadas halógenas (linha energy saver) que tem emissão zero de raios UV e quase zero de calor. Há ainda a fibra óptica. Porém tem de ser aplicado na base (fonte de luz) um filtro.

Lentes: as lentes foram desenvolvidas primeiramente para colorir (disco de cor) e posteriormente para aplicações técnicas em museus (filtros). São discos que podem ou não alterar a cor da luz, mas que tem em sua composição – ou aplicado à superfície – uma camada de PVB que reduz ou bloqueia a radiação UV.

Luminárias: existem varias que já prevêem a instalação de filtros e lentes mas a maioria das comuns – estas que você tem em sua casa – não podem ser adaptadas para receber este tipo de complemento. Existem algumas que já tem em seu espelho refletor filmes ou outros revestimentos que absorvem a radiação UV.

É fácil percebermos que os museus e galerias estão mudando seus projetos luminotécnicos. Para um leigo pode parecer que o trabalho foi apenas estético, mas na realidade eles vem sendo desenvolvidos para eliminar os riscos às peças. Hoje os grandes museus e galerias tem optado pelo uso dos LEDs ou da fibra óptica seja por sua qualidade na reprodução de cores ou pela emissão zero de radiação.

E esta tecnologia toda já está disponível também para os espaços residenciais e comerciais.

Um fator muito importante que é preciso ressaltar aqui é que se o seu projeto luminotécnico não foi desenvolvido tomando estes cuidados procure apagar as luzes que incidem sobre as peças. Deixe para acendê-las apenas quando você recebe visitas ou, no caso de ambientes comerciais, aplicar um sensor de presença que fará a luz acender somente quando alguém estiver próximo à peça. Com isso você irá garantir uma vida mais longa à tua obra de arte diminuindo os riscos de perda ou dano.

Mas lembre-se que mesmo assim, a troca das lâmpadas e equipamentos normais por estes especiais é essencial.

Outro fator bastante comum são os reflexos que ocorrem sobre a superfície das peças. Este erro acontece já na fase do projeto onde o ângulo de incidência não foi corretamente calculado ficando muito acima ou abaixo dos 30° no caso de telas em paredes.

Já em peças tridimensionais temos de levar em consideração que a mesma necessidade de no mínimo três focos de luz para que a mesma apareça como realmente é. Se colocamos apenas um foco superior temos uma visão bastante dramática com pontos de muita luz e outros de sombra total. Se colocamos um ponto atrás da peça, ao observarmos pela frente veremos a silhueta da peça e perderemos toda a textura. Se colocarmos um frontal teremos uma frente acesa e o resto apagado com uma luz chapada que nos faz perder a sensação de volume.

O ideal neste caso é adotarmos uma iluminação triangular onde temos uma luz de fundo fraca, uma superior forte e uma frontal fraca que servirá para preenchimento. Ou então optamos pelo sistema utilizado em estúdios de TV onde temos a luz de fundo e dois pontos frontal-lateral que banhará a peça por igual porém sem deixar a sensação de chapada.

Uma outra opção é deixar o objeto de arte ser banhado indiretamente pela luz do ambiente sem ter um foco direto sobre o mesmo. E colocar um foco direto para ser aceso apenas quando há visitas, por exemplo.

Outra ponto muito importante que não posso deixar de ressaltar é a influência da luz sobre as cores. As lâmpadas tem duas características que precisam ser observadas neste ponto: IRC (índice de reprodução de cor e a TC (temperatura de cor). O IRC diz a capacidade de fidelidade na reprodução das cores dos elementos iluminados. Quanto mais próximo do 100 mais corretas e reais serão as cores do elemento iluminado. A TC diz respeito àquela tonalidade da luz que vai do amarelo âmbar (quente) até o branco azulado (fria). O ideal neste caso é utilizar uma lâmpada o mais neutra possivel, com TC proximo dos 4000K (kelvin). É a mais próxima da luz do dia. Com estes cuidados, o seu vermelho nao irá virar laranja ou roxo por exemplo.

Se você tem condições de alterar o seu projeto de Light Design faça-o o quanto antes. Caso contrário, procure uma consultoria com um profissional de Light Design para verificar como você pode diminuir os efeitos nocivos da luz sobre as suas obras de arte.

Saudações iluminadas!!!

Paulo Oliveira

 
Quadro I – Categorias Moderadamente Sensíveis e Extremamente Sensíveis

CAT 1 / Materiais: pastéis, cores sensíveis ou de origem desconhecida, aquarelas, guache, tintas de impressão, tintas orientais, papéis tingidos, objetos tingidos da história natural, fotografias coloridas antigas e polaróides, sépias, tintas amarelas e vermelhas de origem desconhecida e qualquer produto similar de origem ignorada.
ISO 1, 2 e 3 / Pigmentos: laca amarela, pretos complexos, tinturas vegetais e índigo em algodão, índigo em aquarelas, quercina, carmim, aquarelas em papel, açafrão, azul flor-do-dia, vermelho curtume.

CAT 2 / Materiais: polpa de madeira, papéis de baixa gramatura, fotografias com revelação a base de prata, slides coloridos modernos, cybachromes, fotografias coloridas da década de 90 em diante.
ISO 4, 5 e 6 / Pigmentos: tinturas tradicionais, vermelhão, amarelo índio, principais vermelhos brilhantes (carmim, alizarina e garança).

CAT 3 / Materiais: papel de jornal de ótima qualidade, tintas à base de carbono, grafite, carvão, pigmentos de terra (ocres, óxido de ferro), giz, lápis vermelho, marrom, preto, crayons, foto P&B, gelatinas fotográficas, processos fotográfico com banho de ouro, selênio e outros processos permanentes, plásticos, polietileno e resinas sintéticas.
ISO 7 e 8 / Pigmentos: aquarelas, guaches e pastéis modernos e de alta qualidade, cádmio vermelho moderno, ultramarino, amarelo, amarelo cobalto, índigo e garança em lã.

 

Texto desenvolvido a partir da apostila “Iluminação de Museus, Galerias e Objetos de Arte” do professor Luís Antônio Greno Barbosa, da Universidade Estácio de Sá – RJ.