Relatório de consultoria de viabilidade técnica.

Disponibilizo abaixo o relatório de uma consultoria que fiz recentemente para um condomínio no litoral paulista. Sim, a análise de viabilidade técnica também pode ser realizada por designers de interiores assim como o consequente projeto resultante da análise.

 

Praia Grande, 27 de julho de 2019.

 

Para: Condomínio XXXXX XXXXXXXXXXXX XX

Ref: Relatório de consultoria de viabilidade técnica.

De: Paulo Oliveira LD – Design de Interiores e Lighting Design.

 

Prezado Sr. XXXXXXXX, síndico do Edifício XXXXX XXXXXXXXX XX e demais proprietários das unidades residenciais.

Primeiramente gostaria de fazer uma breve apresentação profissional:

Sou Designer de Interiores, especialista em Lighting Design (iluminação) atuante há mais de 18 anos no mercado nacional. Atuo também como docente e pesquisador em minhas áreas profissionais sendo autor do principal blog de conteúdo acadêmico em DESIGN do Brasil – Design: Ações e Críticas. Faço parte da equipe acadêmica da Associação Brasileira de Designers de Interiores.

Feito isso, devo ressaltar que este trabalho por mim desenvolvido foi feito absolutamente sem custos para o Condomínio, de forma voluntária. Importa indicar que uma consultoria desse porte hoje em dia tem um valor aproximado de R$ 2.500,00.

Passo então ao relatório da consultoria solicitada a mim pela Comissão eleita de proprietários para análise orçamentária:

Problemas indicados: implantação de (I) área para Academia, (II) área de jogos (III) área kids (brinquedoteca) e espaço disponível para instalação dos mesmos.

Inicialmente fui chamado pela Comissão para uma conversa informal sobre a viabilidade da instalação dos equipamentos para as áreas supramencionadas considerando a estrutura disponível do edifício. Após alguns comentários iniciais a Comissão me solicitou uma consultoria de viabilidade técnica para a implantação dessas áreas e equipamentos. Ressalte-se que consultoria não é o mesmo que projeto. Trata-se de uma análise relacionada às condições das instalações e ambiente para verificação se é possível ou não realizar as intervenções solicitadas.

Importa destacar que a Sr.ª XXXXX (apto XX) trouxe para a reunião da Comissão a planta de venda, apresentada pela Construtora, onde são indicados os layouts dos apartamentos e das áreas comuns, em especial das áreas de jogos e de festas do salão social que deveriam ter sido implantadas adequadamente pela mesma no ato de entrega das chaves aos proprietários.

Apresento a análise apontando os prós e contras de cada ambiente levando em conta a sustentabilidade orçamentária do Condomínio e, de acordo com a legislação vigente, o espaço físico disponível:

Item I – ÁREA DE ACADEMIA

Fui questionado pela Comissão sobre a possibilidade da instalação de uma Academia para uso comum dos proprietários.

Prós: seria um espaço voltado para atividades físicas ajudando a combater o sedentarismo, melhorar o condicionamento físico e valorizar o prédio bem como, em contrapartida, valorizar os apartamentos para negócios imobiliários futuros.

Contras: Academias são espaços complexos. Por isso apresento pontualmente os contras com as devidas explicações.

  1. Os equipamentos utilizados em Academias, até uma simples bicicleta, trazem riscos aos usuários. Por se tratar de um espaço comunitário é muito provável que crianças e adolescentes adentrem no mesmo e acabem se acidentando (de leve a gravíssimo). Isso pode acontecer também com adultos que não estão familiarizados com os equipamentos. Por isso as Academias dispõem – obrigatoriamente – de profissionais habilitados em Educação Física para instruir e cuidar dos usuários;
  2. A aquisição deste tipo de equipamentos não é barata. São caros, inclusive os mais simples, o que certamente acarretaria uma chamada de capital;
  3. Os equipamentos com o tempo apresentam desgaste, seja pelo uso inadequado, seja por causa da maresia em regiões litorâneas. A manutenção destes demanda um custo alto. Fato este que impactaria no valor do condomínio.
  4. Todos os equipamentos de Academia são muito pesados. Para a instalação deste tipo de equipamento o piso precisa ser bem reforçado, especialmente em locais como o mezanino onde temos um piso/laje. Como este espaço não consta do projeto original, provavelmente os pisos não foram projetados para suportar tamanha carga. Isso pode acarretar o rompimento e desabamento do piso local com graves riscos humanos e financeiros.
  5. A melhor possibilidade para instalação futura seria a garagem do mezanino que quase não é utilizada pela dificuldade de acesso. Por prever a carga de veículos, provavelmente apresenta-se reforçada e suportaria a carga dos equipamentos. Porém, com a implantação da Academia, voltamos aos problemas 1, 2 e 3.

Indicação técnica: não instalar a Academia.

Item II – ÁREA DE JOGOS

O projeto de apresentação do edifício apresenta, no salão social, uma área de jogos contígua à área de festas e outras reuniões sociais (vide planta de venda e layout). Porém, este espaço não foi entregue equipado nem encontra-se preparado tecnicamente para as áreas previstas. É de responsabilidade da Construtora providenciar sua readequação, que é considerada de direito de todos os proprietários.

Analisando o salão social, existe sim a possibilidade de instalação de alguns equipamentos neste espaço sem prejuízo da área destinada para festas e outras reuniões sociais. A solicitação inicial da Comissão previa: (a) mesa de pingue-pongue, (b) mesa de sinuca, (c) mesa de carteado, (d) mesa de aero hóquei e (e) pebolin/totó.

Prós: além de valorizar o prédio bem como, em contrapartida, valorizar os apartamentos para negócios imobiliários futuros, as áreas de jogos são espaços voltados a encontros informais da comunidade do edifício. Serve também para ampliar o espaço comum para além da porta dos apartamentos proporcionando mais espaço para circular, estar e conviver.

Contras: deve-se estar atento às escolhas dos equipamentos especificados para este tipo de ambiente. Assim como a Academia, o uso constante e despreparado destes equipamentos pode causar acidentes sérios principalmente com as crianças.

  • Mesa de pingue-pongue: tem uma dimensão grande o que consome boa parte do espaço disponível. Uma mesa de pingue-pongue padrão tem 1,55m x 2,74m. Além do espaço tomado pela mesa deve-se prever uma área livre de segurança no entorno de, pelo menos, 2m de cada lado da mesa. Isso se deve ao fato de que este é um esporte bastante dinâmico e o “corre-corre” em torno da mesa é constante. Isso pode levar a acidentes diversos, de leves a graves. Um escorregão, uma tropeçada, um desequilíbrio convém levar em conta a existência de PAREDES com quinas secas e outros equipamentos ao redor. Quando temos crianças jogando é muito comum que elas se lancem sobre a mesa afim de alcançar a bolinha. Isso desgasta e quebra a mesa – que não é forte – gerando custo constante de manutenção ou até mesmo, a necessidade de aquisição de uma nova. Não é uma boa opção.
  • Mesa de sinuca: as mesas de sinuca são bastante reforçadas apesar do esporte ser tranquilo, lento e não haver necessidade de correria no entorno da mesma. Ela necessita de algum espaço livre em volta para o manuseio dos tacos, mas nada de extraordinário. O risco de acidentes são bastante baixos. Porém, mesas de sinuca possuem mecanismos internos (calhas e gavetas) que acabam necessitando de manutenção periódica. É bastante comum em clubes que crianças, adolescentes e até mesmo adultos acabem jogando tampinhas de garrafas, papéis e outros objetos dentro das bocas. Para retirá-los é necessário desmontar o tampo da mesa implicando em custos adicionais de manutenção. Indico, portanto, a aquisição de uma mesa de bilhar (aquela com sacos nas bocas para guarda das bolas que caem).
  • Mesa de carteado: trata-se de uma mesa simples de 6 a 8 lugares (cadeiras) para jogos de baralho. Não há risco de acidentes.
  • Mesa de aero hóquei: trata-se de uma mesa de jogo destinada mais a crianças e adolescentes. A movimentação no entorno é pequena não necessitando de grandes espaços vazios. A manutenção não é cara. É um jogo seguro não havendo riscos consideráveis de acidentes.
  • Pebolim/totó: mesa de pequena dimensão que não necessita de grande espaço no entorno. Jogo seguro para crianças e adolescentes não oferecendo riscos de acidentes. Manutenção baixa.

Indicação: montagem da área de jogos contígua à área de festas no espaço sugerido pela Comissão (à direita de quem entra) contendo: 1 mesa de carteado com 6 cadeiras, 1 mesa de bilhar, 1 mesa de space hóquei e 1 mesa de pebolim.

Observação: foi levantada a questão das bolas da sinuca caírem sobre o piso danificando-o. Isso somente pode acontecer se o piso foi mal assentado, aí o problema é da Construtora. Caso julguem necessário existem materiais de sobreposição para prevenir danos no piso.

Item III – ÁREA KIDS (BRINQUEDOTECA)

O projeto de apresentação do edifício não apresenta uma área específica para crianças.

Analisando o salão social e outras áreas disponíveis, existe a possibilidade de instalação dessa área no apartamento destinado ao zelador, que está inutilizado, ao lado do salão social. Ali existe uma sala, um quarto e uma cozinha que podem ser adaptados e aproveitados para acomodar elementos e brinquedos seguros para que as crianças tenham onde passar momentos lúdicos divertindo-se com segurança.

Prós: promover a socialização e interação entre as crianças do edifício em um ambiente seguro e controlado. Possibilidade de montar 3 espaços diferentes. Valorizar o prédio bem como, em contrapartida, valorizar os apartamentos para negócios imobiliários futuros.

Contras: será necessário realizar algumas adequações no espaço visando garantir a segurança física das crianças. Mas nada que tenha um custo exorbitante.

Indicação: implantação da área kids no apartamento do zelador com equipamentos simples e seguros com baixo custo de instalação.

A Comissão apresentou-me uma previsão orçamentária disponível na Caixa de Custeio do Condomínio sem a necessidade de chamada de capital. A pergunta feita foi se é possível fazer a instalação das áreas de jogos e brinquedoteca com o montante disponível. A resposta: sim.

Finda a análise técnica, destaco que, ao contrário do que vem sendo dito por algumas pessoas mal intencionadas, a ideia da implantação destes espaços não surgiu nem foi proposta por mim, mas apresentada a mim pelos integrantes da Comissão ao explicar as demandas de outros proprietários. Eu apenas ofereci a consultoria descrita acima.

Por fim, foi-me questionado se existe a possibilidade de melhorar a acústica (eco/reverberação), a climatização (temperatura) e iluminação do salão social. A resposta é sim, por meio de projeto adequado feito por profissional habilitado (sim, um designer de interiores pode resolver todos estes problemas) em razão das normas técnicas e de segurança envolvidas. Entende-se, de acordo com a Comissão, que os custos de execução são de responsabilidade da Construtora, considerando que estes ajustes são necessários para o uso saudável e seguro do salão social.

Gratos pela atenção, coloco-me à disposição para futuros esclarecimentos.

 

Paulo Oliveira

Designer de interiores e Lighting Designer.

Revista Intramuros – 2ª Edição, 2019.

Acaba de sair do forno a 2ª Edição da Revista Intramuros. Para quem não sabe, esta é a única revista acadêmica específica em Design de Interiores no Brasil, escrita por designers de interiores.

Na primeira edição da revista, resolvi não enviar nenhum material para ser publicado. Tinha sim artigos e ensaios para encaminhar mas preferi não. Já haviam me questionado nas redes sociais se “coordenadores acadêmicos tinham vantagem na seleção”. Para evitar falatórios, não encaminhei nada.

Nessa 2ª edição da #RevistaIntramuros, publicação acadêmica da ABD, fiz questão de participar. E, para infelicidade dos maldosos, saibam que tive que passar pelo mesmo crivo que todos os outros no processo de seleção. Aliás, creio que até mais puxado exatamente por ser Coordenador Acadêmico da Regional PR da ABD.

Mandei 4 – 2 artigos completos e 2 ensaios. Os 4 foram aprovados mas resolvi escolher apenas 2.

Um artigo e um ensaio:

Artigo:
A AUSÊNCIA DE UMA IDENTIDADE PROFISSIONAL AUTÔNOMA E PLENA NO DESIGN DE INTERIORES: Os reflexos no ensino, na pesquisa, no mercado e a identificação de sua origem.
Resumo: Considerando como objetivo deste estudo evidenciar os entraves e as possibilidades para o resgate e o fortalecimento da identidade do profissional designer de interiores e ambientes, os fundamentos teórico-práticos pertinentes necessários para o pleno exercício profissional relacionado com a construção da identidade do designer de interiores de forma autônoma, este artigo faz uma análise da atual situação relacionada à percepção social reduzida e a auto identificação dos profissionais da profissão Designer de Interiores e Ambientes. Busca-se portanto, através de levantamento bibliográfico e documentos oficiais, identificar onde estão e quais são os problemas geradores de distorções que atingem – e prejudicam – a área e propõe, por fim, um modelo para superar tais dificuldades.

Ensaio:
DIREITOS AUTORAIS NO BRASIL: O erro conceitual os abusos sobre o que não é de direito real e que atrapalham o pleno exercício profissional do designer de interiores.
Resumo: Este ensaio traz uma reflexão sobre a questão dos Direitos Autorais no Brasil – em especial quando relacionados à Arquitetura – demonstrando, através de exemplos e dados, como a prática atual fere princípios constitucionais, os direitos dos consumidores e da liberdade e autonomia de outros profissionais quando o objeto base dos projetos é arquitetônico. Seja como for, faz-se necessário uma urgente revisão dos dispositivos que legalizam atos claramente corporativistas, protecionistas e que beneficiam apenas aos arquitetos através de uma reserva de marcado criminosa e ilegal, prejudicando toda a sociedade em sua liberdade de escolha e direito patrimonial e profissional.

Obrigado ABD por esse grande serviço em prol da academia brasileira de #DesignDeInteriores!!!

É uma honra fazer parte dessa história!!!

Para ler meus trabalhos e os outros selecionados, acesse o link: http://abd.org.br/revista-intramuros

Revista Intramuros – ANO 02 – N°02 – JAN|19

Bastante aguardada pelo meio acadêmico, vem aí a segunda edição da Revista Intramuros, uma publicação do ABD Acadêmico.

A segunda edição da revista está em processo de finalização da edição e a previsão é que saia até o dia 31/01/2019.

Destaco que a Revista Intramuros é disponibilizada gratuitamente no formato digital através do site da ABD, na aba ABD Acadêmico.

Desta vez, entrei com 2 materiais que serão publicados:

  • Um artigo bastante sério e necessário sobre a nossa profissão;
  • Um ensaio, também importante e necessário, conclamando a todos para iniciar o debate sobre o assunto abordado e que tanto nos afeta profissionalmente.

Não posso revelar os conteúdos ainda por questões óbvias.

Aguardando ansioso a publicação.

 

Portal LightingNow – atualizado e com muito mais conteúdo para todos.

Mas gente!!!!

O Portal LightingNow está totalmente reformulado!

Agora, além dos cursos já conhecidos por muitos de vocês, agora oferece novos cursos (online e presenciais) com novos professores/profissionais além de disponibilizar uma grande carta de serviços destinada a todos.

Essa grande atualização no formato do portal se deu por uma realidade básica e atual: a “ILUMINAÇÃO NÃO É PROJETO COMPLEMENTAR“. É uma área que evoluiu tanto nos últimos anos que ganhou identidade própria e autonomia. E aqui no Brasil nós, profissionais e acadêmicos de LD, necessitávamos de um espaço digital independente onde pudéssemos apresentar corretamente a área e validar através de indicações a qualificação de profissionais, produtos e outros relacionados à prática profissional visando, acima de tudo, a qualidade.

Assim nasceu essa ideia de reformulação do portal: iniciamos com um pequeno grupo, no WhatsApp, de profissionais e acadêmicos – que hoje já somos mais de 120. Destas conversas foram surgindo ideias que acabaram sendo aplicadas na reformulação e redirecionamento do mesmo.

Veja aqui em resumo do que você encontrará lá:

Na aba “O Portal” tem um link “Colaboradores“. Ali você encontrará diversos profissionais que contribuem com textos (uma espécie de blog) sobre diferentes visões relacionadas ao universo da Iluminação ou Lighting Design e os links para suas colunas. Eu, por exemplo, versarei sobre a “Ergonomia aplicada aos projeto de Iluminação” e “Aspectos sensoriais da luz” em minha “Coluna do Paulo Oliveira“.

Em “Agenda” você encontrará cursos, palestras, workshops, oficinas e eventos relacionados ao universo da iluminação em todo o Brasil.

Já em “Profissionais”, encontrará listas de profissionais que trabalham com projetos de iluminação, projeto de produtos destinados à iluminação e de palestrantes qualificados e experientes para falar sobre. Este último item foi pensado para facilitar aos que buscam por pessoas realmente qualificadas para seus eventos bem como – e especialmente – para combater a proliferação de “gramers”, “tubers” e demais “ers”que temos observado nas redes sociais, sem formação alguma e andam disseminando e vendendo conteúdos absurdamente errados sobre iluminação.

Já na aba “Cursos e Formação”, serve também para combater o problema citado anteriormente mas, principalmente, para auxiliar aqueles que desejam aprender mais sobre o assunto com a garantia da qualidade dos professores e dos cursos. Aqui você encontrará os “Cursos online” de curta duração, “Cursos Presenciais” e uma lista com os “Cursos de Pós-Graduação” existentes no Brasil e que são aprovados e indicados por profissionais e acadêmicos do universo da iluminação e Lighting Design brasileiros. Nestes sim vale a pena investir seu dinheiro. O resto que não faz parte do Portal, “é cilada Bino!”.

Já em “Produtos” você encontra duas listas de produtos nacionais ou internacionais destacados pelos profissionais, seja pela qualidade, estética, aplicação e manutenção ou outros aspectos que devem ser observados na especificação.

E, na aba “Fornecedores”, você encontrará listas de fabricantes, distribuidores autorizados, lojas e instaladores. Se você é algum destes, entre em contato com o Alexandre para.

Como podem ver, este agora é um espaço mais amplo, abordando outros aspectos relacionados à iluminação e LD, criado e alimentado por profissionais realmente qualificados.

Aproveitem!

Palestra ABD_PR / FAG – Cascavel-PR.

Bora trabalhar em defesa de nossa profissão!

Palestra #ABD_PR na #FAG, em Cascavel – PR.

A Ana Eliza Roder França irá falar sobre a nossa regulamentação profissional (tramitação, bastidores e as conquistas para a nossa profissão através da Lei n° 13.369/2016.

Na sequência eu irei apresentar a minha palestra campeã de solicitações “Design de Interiores: N Jeitos de Atuar”, sobre os diversos nichos de mercado possíveis para nós, profissionais de Design de Interiores.

O pessoal de toda a região está convidado e serão muito bem-vindos!

Agradecimento especial à coordenadora Marieli G. Moreira, por abrir as portas da FAG para a ABD.

Mais informações e inscrições no link:
http://abd.org.br/guia-de-designers/palestra-pr-regulamentacao-profissao-fag?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=Palestra+PR+FAG+Profiss%26atilde%3Bo+de+DI

Lei 13.369/2016 – Agradecimento

Um vídeo rápido em agradecimento ao Deputado Federal Ricardo Izar que foi uma peça fundamental na tramitação de nosso PL dentro do Congresso Nacional para alcançarmos a nossa regulamentação profissional através da Lei n° 13.369/2016.

Meu mais sincero agradecimento em nome de todos os estudantes e profissionais de Design de Interiores brasileiros!

 

Pró-DInt – Assessoria, Consultoria e Planejamento em DInt.

A necessidade de movimentar-se para sair do lugar comum é uma característica daqueles que buscam a inovação e a melhoria dos diversos aspectos que cercam seu meio profissional. Com isso em mente, entro em uma nova empreitada em minha carreira e passo a oferecer novos serviços através da PróDInt – Assessoria, Consultoria e Planejamento.

Atuar além dos projetos de Design de Interiores e Ambientes brasileiro sempre foi o meu foco buscando trabalhar e auxiliar na valorização, defesa e evolução de minha área profissional. E ainda tem muito a se fazer nesse sentido.

Com base em minha experiência adquirida durante estes anos atuando no mercado, pesquisando exaustivamente para meu blog e minha vivência acadêmica, possuo um bom conhecimento sobre aspectos relevantes para o ensino e prática do Design de Interiores e Ambientes para compartilhar com vocês.

A base de atuação desta nova empreitada está alicerçada sobre quatro esferas:

1) Para as IES e escolas, auxiliar o meio acadêmico através de consultorias e assessorias em suas revisões e atualizações curriculares de graduação e pós-graduação, de planejamentos de atividades de extensão, pesquisa, eventos e análise e treinamento de corpo docente para atuação em cursos de DInt.

2) Para os alunos dos cursos de Design de Interiores brasileiros, assessoria no desenvolvimento de projetos, pesquisas e trabalhos acadêmicos.

3) Para comunicadores e mídia em geral, serviços de consultorias no que diz respeito a projetos de Design de Interiores e Ambientes elaborando e revisando conteúdos e pautas, listas de entrevistados e abordagens de matérias e programas.

4) Oferecer palestras, cursos e workshops focados na real inserção do Design – suas metodologias, técnicas e abordagens – nos projetos de Interiores e Ambientes.

Fiquem a vontade para entrar em contato. É conversando, debatendo e dialogando que evoluímos.

E-mail: prodintconsultoria@gmail.com

Fanpage: https://www.facebook.com/ProDIntConsultoria/

Wpp: (43) 99905-9503

Paulo Oliveira.

#Entrevista #Facnopar

Olá meus leitores, salve salve!!!

Segue entrevista que dei à Facnopar (Apucarana-PR) onde conversamos sobre o que é Design de Interiores, quem é este profissional e para que serve, qual o perfil profissional, situação do mercado de trabalho,regulamentação profissional, os vetos e as perspectivas para a profissão.

Espero que gostem.

Para assisti-lo, clique aqui.

Até a próxima!!!

 

 

A ABD REALMENTE TEM A SUA ANUIDADE MUITO CARA?

Este é, sem sombra de dúvida, o questionamento mais corriqueiro que recebo de diversos profissionais e acadêmicos. Alguns alegam que a ABD é somente uma associação e cobra caro demais a anuidade para não oferecer nada em retorno.

Não é bem assim. Em parte está correta esta afirmação porém, demonstra desconhecimento de quem a utiliza, especialmente publicamente. Devo confessar que já fui usuário deste argumento. Porém, estando fora eu não conhecia o lado interno da ABD e suas necessidades. Hoje já não me atrevo mais a alegar tal coisa. Portanto, para responder adequadamente estas questões, preciso esclarecer alguns pontos, desconhecidos pela maioria.

 

Vamos aos fatos:

Sim. A ABD é apenas uma associação. No entanto, é a única associação de representação Nacional de nossa profissão. Não há outra e nem a possibilidade de abertura de mais uma associação de âmbito nacional para a mesma profissão. É ilegal. No entanto, é o único órgão de representatividade nacional que podemos contar.

Cobra caro? SIM.

Cobrar R$ 616,00 é muito dinheiro realmente, mais caro que os Conselhos Federais cobram de seus membros. Mas ao dividirmos esses R$ 616,00 por 12 meses, temos um valor irrisório de pouco mais de R$ 50,00 por mês. Não é tão caro assim como podem ver. Porém em um Conselho a adesão é compulsória (obrigatória) para o exercício profissional. Numa associação não.

Mas vale ressaltar que a Abd conta com poucos associados para cobrir todas os custos da sede, das 9 regionais e das atividades e ações que desenvolve constantemente. Com poucos associados, a anuidade acaba ficando alta mesmo. Porém, quanto mais associados tiver, esse valor tende a diminuir afinal, serão mais pessoas “rachando” estes custos todos. É uma conta simples que qualquer pessoa com um mínimo de entendimento administrativo consegue fazer.

Sobre a afirmação de que não há retorno, isso é uma injustiça. Dentro do que lhe é possível com o caixa disponível, a ABD vem promovendo ações constantes em defesa da área e tantas outras pela visibilidade de nossa profissão. À saber:

– As regionais promovem atividades praticamente mensais voltadas às universidades e outras aos profissionais. A questão destas serem realizadas apenas nas capitais tem a ver diretamente com o fato de que a maioria dos associados estão nestas capitais e a demanda real (aquela solicitada oficialmente à ABD) por pessoas e instituições do interior é baixíssima quando não, inexistente nas regionais. Vale ressaltar também que as diretorias das regionais são localizadas nas capitais dos Estados. Mas isso também está sendo alterado através da descentralização das diretorias onde estão sendo inseridos diretores e/ou coordenadores acadêmicos do interior para que as ações alcancem o público de todo o Estado. Eu sou uma prova disso pois acabo de assumir como Coordenador Acadêmico da Regional PR e moro a mais de 500km de Curitiba.

– A ABD investiu cifras altíssimas na tramitação do PL de regulamentação profissional com o constante deslocamento de diretores, advogados, profissionais e estudantes até Brasília para dialogar com os parlamentares em defesa de nossa profissão. Semanalmente haviam representantes nossos lá. Nestes custos estavam inclusos as passagens, hospedagem, alimentação e traslados deste pessoal.

Ainda neste ponto vale informar as custas das consultas a juristas em busca de soluções para enfrentar o forte lobbie dos arquitetos contrários à nossa regulamentação.

– A ABD ingressou no STF (Supremo Tribunal Federal) com uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) questionando vários elementos claramente inconstitucionais constantes nas resoluções e ações do CAU que afetam diretamente o nosso livre e pleno exercício profissional. Está na mesa do excelentíssimo ministro Marco Aurélio de Mello atualmente onde passa por análise jurídica para elaboração de seu parecer (voto). A idéia é derrubar as ações praticadas por este conselho apontando os equívocos e consequentes danos contra a nossa profissão.

Esta foi também uma cifra altíssima paga, apenas, através do caixa da ABD mantido com as poucas anuidades de seus associados. E ainda não acabou pois a cada passo da tramitação é mais dinheiro que tem que ser aplicado por causa das taxas judiciais.

Bom meus amigos e colegas de profissão, acredito que já deu para entender o porquê da anuidade ser realmente alta né? Ao menos por enquanto…

Lembro que quanto mais associados tivermos, a anuidade tende a baixar. Então, dá para mudar isso. É só termos mais associados efetivos.

Mas ainda não se convenceu mesmo após tudo isso?

Ok, além disso tudo que já abordei informo ainda outras despesas (que não são baratas) que a ABD tem, atuando em diversas frentes em defesa de nossa profissão:

– Está atuando dentro dos comitês da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que tratam de normas relativas – ou que atingem – à nossa área;

– Está atuando junto ao MEC buscando diálogo para atualizar as diretrizes curriculares e normas relativas aos nossos cursos;

– Desenvolve em todas as regionais atividades voltadas para os acadêmicos e profissionais através de palestras, encontros, painéis, visitas técnicas e à fábricas;

Mantém um corpo jurídico à disposição dos associados;

Elabora e disponibiliza materiais de apoio aos associados como o plano de reforma, modelos de contratos, entre outros materiais necessários ao exercício profissional de acordo com a legislação vigente.

Portanto nobre colega, não ataque livremente a ABD desconhecendo a realidade dos fatos. A ABD pode ter errado muito no passado e não nega isso. Pelo contrário.

Suas últimas gestões vem trabalhando arduamente buscando corrigir erros do passado e implantar novas frentes de atuação necessárias para alcançarmos o devido e merecido respeito e visibilidade pelo mercado.

Um exemplo é a implantação da Diretoria Acadêmica Nacional, um “braço” independente da Diretoria Nacional que trata especificamente das atividades relacionadas à formação acadêmica, congressos e atividades acadêmicas, elaboração de concursos e premiações acadêmicas além de atividades para atualização profissional dos docentes.

Então nobre colega, repense sobre esta sua visão errada e desconexa sobre a ABD ser cara. Não escreva ou fale mais sobre desta forma leviana. Creio que agora você já entende o porquê da anuidade AINDA ser tão cara não é mesmo?

Venha para a ABD e ajude a, além de baixar o valor da anuidade, a aumentar a representatividade legal de nossa profissão através destas e de tantas outras ações planejadas pela ABD em benefício de todos nós, profissionais e estudantes de Design de Interiores.

Abraços fraternos,

Paulo Oliveira.

 

E.T.> Aproveite pois a ABD está com uma promoção para novos associados em todas as categorias. Mas esta promoção não vai durar muito.

Reativando o blog.

Olá pessoas, faz tempo que não escrevo nada por aqui não é mesmo?

Pois é. Mas fiquem tranquilos pois estou reativando o blog e já cheio de textões para que possam se deleitar pelas minhas linhas.

Tive meus motivos para este período de silêncio mas os motivos são justos e vocês perceberão alguns deles à medida em que eu for colocando estes novos posts.

Super abraço a todos,

Paulo

NDesign2016 / NParahyba

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Pois é pessoal!

E lá vou eu mais uma vez participar como representante de nossas áreas (Interiores e Lighting) de mais um NDesign, o N Parahyba, e claro, respirar por mais uns dias o maravilhoso ar nordestino!

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Como já devem ter visto, esse ano será realizado em João Pessoa, na Paraíba.

E esta será a VIGÉSIMA SEXTA EDIÇÃO!!!

Não você não leu errado: 26ª edição deste evento!!!

O NDesign é o Encontro Nacional de estudantes de Design, realizado a cada ano numa região diferente do País. Faz parte das ações do CONe Design (Conselho Nacional dos Estudantes de Design). É um baita evento organizado por estudantes (CONDe) locais com uma semana inteirinha de puro Design pra você se deliciar!

Tem muuuuuuuuuito conteúdo! Duvida?

Oficinas e SEPAs e SEPP , veja aqui.

Convidados, palestras e workshops, veja aqui.

E tem festas, parceiros, patrocinadores, alojamento, local do encontro e tudo mais que você precisa ou quer saber aqui ó.

Não estarei sozinho este ano na missão de representar o Design de Interiores. Tem também essa figura linda aqui:

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É a Margaret de Zorzi que também estará lá falando sobre o que amamos!!!

E pensa que acabou?

Nananinanão!!!

Ainda tem mais nomes de nossa área como convidados. Pena que ainda não posso divulgar os nomes. Só depois que CONDe Parahyba divulgar posso compartilhar.

Mas garanto que são grandes nomes!!!

E você? Vai ficar de fora?

Poxa, ainda não sabe o que é o NDesign?

Como assim nunca ouviu falar sobre este, que é o principal evento de Design do Brasil, em sua faculdade?

Coloque seu(a) coordenador(a) e professor(a) na parede e peça explicações.

Garanto que vale a pena cada suado centavo investido para participar!

Nos vemos no N?

#FériasLume #ComeçoRosa

Olá pessoal, faz algum tempo que não posto aqui no blog por causa da correria. Mas tenho algumas novidades. e irei postando aos poucos.

logo LUME

Bom, para começar informo que entrei num período de férias como colunista da Revista Lume Arquitetura.

Parece que não foi nada, mas foram quatro anos escrevendo a coluna Luz e Design em Foco. Foram quatro anos onde algumas vezes eduquei e outras apontei sem medo os problemas do ensino e, principalmente, do exercício profissional que vem sendo cerceado de maneira baixa pelo CAU, descortinando as ações insanas desse grupo contra os profissionais não arquitetos. Foram quatro anos de aprendizado!

E foram quatro anos de convivência com essa família linda que é formada por pessoas maravilhosas e que me acolheram com tanto carinho e confiança.

Isso não quer dizer que não escreverei mais para a revista. Apenas a coluna está em férias, mas vez ou outra vocês encontrarão textos meus na mesma.

A parceria continua a mesma de sempre!

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Como não consigo ficar parado, fui convidado pela minha prima Lênia Luz (olha o sobrenome rsrsr) para escrever para o blog dela: o Empreendedorismo Rosa. Apesar de ser tudo rosa e o início ter sido voltado para as mulheres empreendedoras, hoje TOD@S e TODAS as cores são bem vindos ao espaço.

Você é empreendedor ou tem vontade de ser? Passa por lá, leia o conteúdo publicado por diversos proseadores e participe.

Sobre o que irei escrever? Não sei. Só sei que será sobre Design.

Primeiramente irei me apresentar e escrever genericamente sobre o Design. Tem alguma dúvida? É só mandar. Pode virar um belo post por lá! Compartilhar conhecimento sempre!

São ciclos que se encerram, ciclos que são pausados e ciclos que se iniciam. A vida é assim!

Ainda bem senão ficaria tudo tão monótono, e eu adoro um desafio.

Nos vemos então aqui e lá!

R Design Capixaba 2015

E lá vou eu, de novo, ajudar a construir um país com designers mais críticos, pensantes, questionadores! Desta vez em Vitória – ES.

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É o RDesign Capixaba que jajá começa!

A programação está muuuuuuuuuuito boa! Foi pensada com carinho pela CORDe para atender a todos e com qualidade. Dá uma espiada clicando aqui.

O R Capixaba vai acontecer de 9 a 12 de outubro na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) – CCJE – Prédio ED III e ED IV.
Av. Fernando Ferrari, 514 – Goiabeiras, Vitória – ES

Para maiores informações acesse:

Facebook: clique aqui.

Site: clique aqui.

No vemos no R!

O DESIGN APLICADO AOS AMBIENTES: UMA BREVE RELEITURA.

“A organização de cada historiografia em função de óticas particulares e diversas se refere a atos históricos, fundadores de sentidos e instauradores de ciências.” (CERTEAU, 1982, pp 35).

Os estudos sobre a Filosofia da História e também sobre a Escrita da História nos mostram que este é um conhecimento que vem sendo, desde sempre, sistematicamente escrito e reescrito de acordo com os interesses de grupos sociais. Fato é que hoje temos incontáveis versões da Bíblia, cada uma atendendo os interesses doutrinários de sua denominação onde vemos textos alterados, palavras inexistentes no período bíblico e que vem sendo inseridas e aplicadas em – e com – contextos distorcidos relativizando, assim, a história religiosa.

Para basear este artigo, utilizo o livro de MICHEL DE CERTEAU, A Escrita da história. Neste livro ele faz uma profunda análise histórica sobre como a ideologia religiosa se impôs e moldou a História ao mesmo tempo em que lutava contra as suas próprias contradições e inconsistências. É importante perceber como a difusão da história manipulada por um determinado grupo (ou uma determinada área profissional) pode levar a uma degradação progressiva da sua própria história, bem como, a falta de pesquisas e análises de possibilidades pode reforçar a idéia imposta de uma “história inexistente” sobre outros grupos (ou outras áreas profissionais), como é o nosso caso.

Digo isso, pois é comum vermos a História do Design de Interiores totalmente amarrada à História da Arquitetura. Não questiono isso já que, de maneira bem específica, estas duas áreas sempre estiveram realmente muito próximas e atuando juntas, uma completando a outra. Porém, apenas em sua relação no tocante ao elemento arquitetônico. Com isso, não podemos permitir que estas amarras cerceiem ou sirvam de barreiras para o nosso pleno exercício profissional.

Também não podemos pensar na História do Design de Interiores apenas por dados concretos relativos ao nosso País já que esta é uma profissão internacionalizada assim como todas as outras e que faz parte do cotidiano de qualquer pessoa direta ou indiretamente. Da mesma forma que não podemos acatar passivamente a história oficial que conhecemos. Ao aceitarmos este tipo de abordagem histórica eliminamos todos os lastros do “pensar o melhor uso dos espaços[1]” – um dos pilares de nossa profissão – claramente percebidos na História da humanidade.

Nesse sentido fica claro que diversos lastros históricos acabam sendo descartados, pois a “versão oficial” que nos ensinam desconsidera e/ou distorce elementos importantes para que a mesma passe a atender aos interesses destes grupos dominantes. Percebe-se que a História é marcada por um constante conflito entre a historiografia e a arqueologia. Com isso, não podemos descartar estas imposições ideológicas sempre alterando, omitindo, distorcendo aspectos, elementos e fatos importantes em benefício próprio. Tais detalhes, por vezes sutis e aparentemente sem grande relevância podem conter lastros importantes para a nossa história.[2]

“Certamente, em seu uso corrente, o termo história conota, sucessivamente, a ciência e seu objeto – a explicação que se diz e a realidade daquilo que se passou ou se passa. […] O próprio termo “história” já sugere uma particular proximidade entre a operação científica e a realidade que ela analisa.” (CERTEAU, 1982, pp 24).

Quando Certeau nos apresenta esta descrição, temos maior clareza de que os fatos retratados nas justificativas históricas que recebemos atualmente são carregadas de imprecisões – propositais – da realidade do passado. Não à toa percebemos um insistente avanço da área de Arquitetura sobre a área de Arqueologia, impondo às descobertas que “tudo contido no sítio é Arquitetura”. O mesmo fez a Igreja quando impôs a historiografia sobre a arqueologia para, através dos mitos e lendas que são a base de sua ideologia/doutrina – midraxes – como bem nos mostra Certeau quando, referindo-se ao trabalho do historiador, afirma que “como objeto de seu trabalho, a teologia se lhe apresenta sob duas formalidades igualmente incertas na historiografia; é um fato religioso; é um fato de doutrina.”[3]

Passivamente somos condicionados a pensar através de uma História “oficial” que nos é repassada pela academia, desde o ensino fundamental, e reforçada no ensino superior. É fácil aceitarmos passivamente a ideia de que a primeira habitação humana – as cavernas – é fruto da Arquitetura. Não há, ou se há não recebeu o devido reconhecimento, refutações sobre este fato, ao mesmo tempo em que percebemos o quão óbvio é que uma caverna não é um elemento arquitetônico por ser este, um espaço criado e construído pela própria natureza e não pelo homem. Vemos neste simples exemplo, o apoderamento de algo que não pertence àqueles que dele se vangloriam como se feitos históricos de sua área o fosse. Certeau, em uma nota de rodapé (3) explicando o termo “produção” utilizado por ele referindo-se à História, nos mostra que

Aqui como em muitos outros casos (cf. por “manifestação”, “aparição” e até por “ação”), uma pressão da linguagem corrente leva o sentido a se transformar do ato em seu resultado, do ativo do fazer ao passivo do ser visto, do gesto à sua imagem no espelho. Uma clivagem crescente entre a pesquisa e a vulgarização ocorre tanto na história quanto na teologia: as pesquisas tomam a forma de meios específicos e diferenciados por procedimentos próprios; mas, na sua “vulgarização”, a história e a teologia se tornam objetos de saber ou de curiosidade, distribuídos e impostos a um “público” de consumidores que participa cada vez menos da produção.” (CERTEAU, 1982, pp 24).

Mas o que aconteceria se os designers passassem a estudar e analisar o trabalho arqueológico buscando as pistas do início de nossas profissões? Certamente teríamos uma reviravolta na história da Arquitetura e do Design, pois muitas das teorias que conhecemos hoje como fatos incontestáveis podem ruir dando lugar a novos olhares multidisciplinares, o que reforçaria ainda mais a veracidade destes novos estudos.

“E se o sentido não pode ser apreendido sob a forma de um conhecimento particular que seria extraído do real ou que lhe seria acrescentado, é porque todo “fato histórico” resulta de uma práxis, porque ela já é o signo de um ato e, portanto, a afirmação de um sentido. Este resulta dos procedimentos que permitiram articular um modo de compreensão num discurso de “fatos”.” (CERTEAU, 1982, pp 35).

No entanto, percebemos que há um movimento tentando forçar a ideia de que o Design de Interiores surgiu como área recentemente e ligada apenas ao elemento arquitetônico, ou edificação. Podemos até levar esse argumento como verdadeiro se analisarmos sob a ótica educacional afinal aqui no Brasil, os primeiros cursos de formação oficiais surgiram apenas na metade do século passado com claros reflexos do pensamento da Bauhaus. Gropius[4], o responsável pela reformulação curricular desastrosa desta escola afirmou que

“Não obstante, o nosso objetivo mais nobre é o de criar um tipo de homem que seja capaz de ver a vida em sua totalidade, em vez de perder-se muito cedo nos canais estreitos da especialização”.

Com isso, essa renovação pedagógica proposta culminou com o fim dos ateliês independentes de prática das artes (escultura, pintura, artes manuais, musica, artesanato, etc) em meras disciplinas, consideradas como elementos inseparáveis da Arquitetura. Em outras palavras, seriam práticas que dependiam da Arquitetura para existir. Vale ressaltar também, como destaca Wolfe[5], que no inicio da Bauhaus, a vinda destes mestres-artesãos para a escola já havia sido planejada para que estes produzissem mais voltados para os interiores arquitetônicos que para a sua verdadeira função enquanto produtores de produtos variados. É claro que a intenção foi mais no sentido de “reinventar” a Arquitetura transformando-a em algo totalitário e acima de todas as outras áreas do que promover e integrar (interação/cooperação) as artes e ofícios.

O estilo Bauhaus na verdade era uma apropriação de movimentos artísticos que estavam ocorrendo no período com um viés do socialismo impregnado na época pelo cenário de destruição e esperança do pós-guerra[6].

Assim conseguimos entender como a ligação de nossa área com a Arquitetura é algo forçado e ilusório. Esta “amarra” que nos prende (no ideário acadêmico e de mercado) não passa de uma visão ufanista impregnada de considerações ditatoriais, reflexos da época em que a Bauhaus esteve operante[7], pouco antes de sua falência.

Adrian Forty[8] (2013), mais especificamente no capitulo denominado “O Lar”, retrata como eram pensados os espaços residenciais antes disso tudo. Foi no período concomitante à Revolução Industrial[9] (o início desta distorção) e após este, chegando aos dias de hoje, este pensar amarrado habita o imaginário sobre o conceito da área. Quando houve a Revolução Industrial, criou-se uma ideia de que o Design era algo que devia ser industrializado[10] e somente então a profissão de desenhista industrial foi considerada ou validada. Mas percebe-se que há aqui a mesma despreocupação com lastros históricos desta prática, incluindo alguns bibliográficos. As razões disso poderão ser compreendidas na mesma medida em que for acompanhando meu raciocínio sobre a nossa área.

Reescrevendo a nossa linha do tempo – reflexões e observações.

Desde o século XVIII este trabalho de desenvolver os ambientes vinha sendo realizado por tapeceiros e estofadores. Estes artesãos definiam os materiais, os revestimentos e as formas. Porém houve uma forte reação à incapacidade destes de fornecer móveis e projetos de decoração que atendessem aos novos conceitos e padrões morais.

Na época Vitoriana[11], estes padrões morais foçaram a separação entre o espaço de trabalho do espaço denominado “lar”. O primeiro destinado ao ofício e o segundo ficara reservado para o convívio familiar e social. Esta tendência levou a casa a contemplar aspectos diferenciados representados pela decoração e pelo design dos objetos inseridos nos diversos espaços da realidade urbana (externa) desvinculando, assim, a habitação do espaço de trabalho.

Isso nos mostra a visão, vigente até os dias atuais, de que o lar busca contrapor os espaços frios dos ambientes de trabalho[12]. Passaram a ser um espaço onde as energias dispensadas no labor diário poderiam ser recuperadas através da “paz” e do isolamento que este espaço passou a refletir: antes um ambiente múltiplo onde o trabalho, muitas vezes artesanal, e a convivência familiar dividiam os mesmos espaços, agora um ambiente íntimo destinado apenas à família e aos poucos convidados. Isso ficava claro observando as formas de se vestir nos dois ambientes.

“Desse modo, o lar passou a ser considerado um repositório das virtudes perdidas ou negadas no mundo exterior. Para as classes medias do século XIX, lar significava sentimento, sinceridade, honestidade, verdade e amor. Essa representação do lar compreendia uma dissociação completa de todas as coisas boas do mundo público e de todas as coisas ruins do mundo doméstico. Era transformar o lar em um lugar de ficção, um lugar onde florescia a ilusão. Essas condições de exclusão artificial de todos os sentimentos “ruins” do lar, combinadas a um ócio intelectual forçado, proporcionaram, como Sigmund Freud e Joseph Breuer observariam na década de 1890, o clima para a histeria, um dos males mais comuns das mulheres burguesas do século XIX.” (FORTY, 2013).

A partir de 1860 começaram a surgir manuais que ditavam padrões especiais de bom gosto, bem como reforçavam as funções sociais das mulheres que as levou a manter-se afastadas do mundo do trabalho (ao menos as burguesas[13]). Agora, além dos afazeres domésticos e das prendas[14] que deviam possuir como sinônimo de valorização pessoal, passam a ficar responsáveis pelo cuidado e pela decoração de seus lares. O marido traz o sustento e a esposa zela, mantém e renova a casa. Este cuidar aumentava o rol de prendas esperadas de uma mulher: definir os mobiliários, cores, texturas e objetos que comporiam os ambientes e elas, agora, até mesmo pintavam e empapelavam as paredes[15].

Tais manuais, em sua maioria, eram escritos por mulheres[16] que trabalhavam especificamente com esta área. No período de 1800, Rhoda e Agnes Garret eram decoradoras e diretoras de uma escola de Decoração. De 1880 a 1890 a Sra Panton escrevia uma coluna semanal no The Lady Pictorial[17], falando sobre o tema e também prestava consultorias. Elsie de Wolf e Edith Wharton já contavam com respeito em NY como designers de interiores desenvolvendo diversos projetos.

Com esse tipo de atitude, diversas metáforas e imagens alegóricas sobre o “lar perfeito” foram criadas. Em 1913 Elsie de Wolf escreveu[18] que

“[…] um homem pode construir e decorar uma linda casa, mas cabe à mulher fazer dela um lar para ele. É a personalidade da dona da casa expressa. Os homens são para sempre convidados em nossos lares, não importa quanta felicidade eles possam encontrar ali.”

O que não contavam é que este aprisionamento das mulheres as levariam ao ócio forçado e, como exposto anteriormente, à histeria. Percebe-se a busca pela personalidade no lar, porém representando apenas a da senhora. Este conceito de que os interiores devem mostrar o caráter pessoal foi amplificado no século XIX quando as aparências (status) contavam mais que o verdadeiro caráter. Este pensamento era tão sério que, a mulher que não fosse capaz de expressar a sua personalidade através da decoração, era tida como menos feminina. Percebe-se então, que a profissão de Decoração já existe desde o final dos anos 1700 de maneira formal (estas senhoras citadas) bem como informal (as donas de casa)[19].

Como se vê, tudo isso tem a ver com convenções sociais de períodos específicos. Tais convenções são criadas por grupos dominantes e que as impõem como verdades absolutas. Paradoxalmente percebe-se que ao mesmo tempo em que as “autoridades” ditavam através de regras de Decoração as tendências e o certo/errado, impunham questões como a individualidade do caráter que deveria ser refletido nos espaços residenciais. Somente muito tempo depois disso percebeu-se que o bem estar moral (status/beleza/estética) deveria dar lugar ao pensamento sobre o bem estar físico (função/conforto). Ou seja, voltando às raízes do pensamento lá nas cavernas: como melhor utilizar o espaço disponível.

Não vou perder tempo aqui analisando a História recente desta profissão (séculos XIX e XX) já que existe farto material disponível sobre este assunto em livros e na internet. Mesmo que, na maioria das vezes diretamente ligados à pratica da Arquitetura, percebe-se que esta práxis não faz parte da mesma afinal, o elemento tratado e os objetivos são distintos em sua essência. Vamos começar então pela data “oficial” reconhecida pela História.

Oficialmente, atribui-se o nascimento de nossa área à passagem do Renascimento para o Barroco. Fica evidente a tentativa de ligação da nossa história à evolução dos estilos arquitetônicos, tanto que Le Brun – um arquiteto – é considerado o primeiro decorador de interiores da história. Conforme nos aponta GIBBS (2009):

“Na Itália do século XVII, o classicismo do Renascimento começou a evoluir para o estilo Barroco, caracterizado por sua teatralidade e exuberância dos ornamentos. A partir da Itália, esse estilo difundiu-se em toda a Europa, florescendo particularmente no sul da Alemanha, na Áustria, na Espanha e em Portugal. Quando o estilo Barroco começou a se manifestar na França e na Inglaterra, eram poucos os arquitetos que definiam os interiores das edificações que projetavam, e os projetos de maiores proporções costumavam ser desenvolvidos por artesãos especializados, que os realizavam a partir de gravuras de arquitetos italianos.”

Perceba que há um equívoco – para mim, proposital – no discurso atual da Arquitetura quando alegam que os projetos de interiores SEMPRE fizeram parte da práxis dos arquitetos. Le Brun assumiu exclusivamente a responsabilidade de realizar o projeto de interiores do Palácio de Versalhes, pois os arquitetos responsáveis pelas intervenções na edificação, François Mansart e Louis Le Vau, perceberam que não iriam conseguir contemplar todos os aspectos (estruturais, funcionais e estéticos) sozinhos bem como as exigências do projeto de interiores deveriam ser tão ricas em detalhes – principalmente que representassem o status do rei Henrique VI – que um artesão sozinho, por mais especializado que fosse, provavelmente não conseguiria atingir os objetivos criativos, inovadores e estéticos necessários. Mas não se sabe – ao menos oficialmente – se Le Brun realmente desenvolveu sozinho estes projetos ou se o fez em parceria com estes artesões, dada a complexidade dos detalhamentos e das estruturas do mobiliário e objetos decorativos. E, notadamente, os artesãos dominavam técnicas e materiais específicos que os arquitetos desconheciam.

Digo isso pois neste mesmo período, século XVII, o rei Henrique VI concedeu proteção real aos artesãos (marceneiros, carpinteiros, ferreiros, pintores, costureiras, etc.) reconhecendo a importância destes profissionais que eram, na verdade, aqueles que desenvolviam os projetos de interiores.

“Os huguenotes[20] refugiados exerceram um papel importante na evolução do Design de Interiores inglês, pois muitos eram artesão altamente qualificados.” (GIBBS, 2009).

Percebe-se claramente então, que o inicio real da área está intrinsecamente ligado aos artesãos bem como ao ser humano e a sua prática vernacular. Nesta prática, o projetar – aqui com significado de pensar em como solucionar o problema – está intimamente ligado ao fazer que é repassada de geração em geração através dos tempos. Isso significa que estes artesãos, muito antes da idéia de projeto introduzida pela Revolução Industrial, já haviam produzido padrões (projetos) que eram seguidos para a produção de objetos e repassados adiante de maneira informal seja pela observação ou pelo aprendizado prático como assistente. Não havia conhecimento teórico acerca do que estava sendo feito, mas sim, um conhecimento empírico do por que, para que e como fazer.

“No passado, muitos objetos foram sistematicamente produzidos com projetos muito sofisticados e com a mesma falta de compreensão da base teórica. É comum chamar esse procedimento de “projeto de ferreiro”, porque o artesão, tradicionalmente, projetava os objetos enquanto os fazia, sem desenhos técnicos, baseado em padrões antigos passados de geração em geração.” (LAWSON, 2011).

Os esquimós são um exemplo perfeito desta prática vernacular[21], pois nunca precisaram de um arquiteto, engenheiro ou projetista para criar – no início – e aperfeiçoar o modelo construtivo assim como o uso dos iglus. Eles vão recriando e adaptando-o conforme suas necessidades mudam. “Segundo Kingston Wm.Heath (2003), o vernacular é produzido por um indivíduo para seu próprio uso, ou por construtores anônimos e locais que respondem a fórmulas localmente adaptadas[22].

Christopher Alexander (1964) nos lembra que quando a sociedade é submetida a mudanças rápidas – como é o caso da Revolução Industrial – e a necessidade de artefatos[23] aumenta, seja em variedade ou em quantidade. Assim, é óbvio que a produção artesanal torna-se incapaz de suprir à demanda. Portanto, faz-se necessária uma abordagem mais ampla e técnica: o processo profissionalizado de concepção de produtos que atendam às novas necessidades aliado à rápida manufatura. Percebe-se então que o projeto, como o conhecemos hoje, não é fruto de planejamentos cuidadosamente calculados e sim, de uma reação às necessidades impostas pelas mudanças sociais e culturais da sociedade.

Mas voltando à História de nossa área, observando os elementos vernaculares e os subjetivos existentes[24], podemos concluir que a forma de “pensar o melhor uso” dos diversos espaços utilizados pelos seres humanos (base de nossa profissão) de maneira confortável, segura e eficiente ao mesmo tempo em que satisfaz as necessidades vem de longe, de eras bem mais distantes.

Na verdade, este pensar sobre as formas de usar os ambientes pode ser notado já, arrisco-me a afirmar, antes mesmo da Arquitetura (construção) surgir. Mas disso trataremos um pouco mais adiante ainda neste artigo. Vamos retrocedendo no tempo, nos aproveitando das práticas vernaculares e de pistas espalhadas pela História da humanidade, para que possamos entender este processo.

Antes de Le Brun (século XVII), nos séculos XV e XVI durante o período do Renascimento, já percebemos uma renovação sobre a função de criar os espaços interiores ou adequá-los ao melhor uso. Aqui percebemos que existiam, além dos artesãos, alguns arquitetos que tinham abandonado a Arquitetura pura[25] e enveredado para esta área bastante especifica passando a trabalhar apenas com isso. No entanto, é leviano afirmar que a Decoração ou o Design de Interiores e Ambientes nasceram da Arquitetura por causa disso. Percebam que houve uma necessidade específica (demanda) sobre um objetivo (problema) que não era uma “peça chave” considerada dentro da Arquitetura.

Já no século XII, as casas e templos recebiam cores, mobiliários, panejamentos e objetos decorativos bem como, a entrada de uma “luz” natural através dos rasgos na alvenaria oriundos do movimento Gótico após um longo período de escuridão, em diversos aspectos, que o antecedeu: a Idade das Trevas foi um período onde o processo criativo foi perseguido, ficou estagnado e quase foi eliminado. As Artes e a Arquitetura, bem como as práticas artesanais passaram a seguir padrões que refletiam o período: as guerras medievais (social) e a ascensão da igreja (moral) que geraram um momento de austeridade impostas por estas duas situações.

Retrocedendo um pouco mais, na Roma Antiga, os ambientes eram ricamente elaborados (estética) e inovaram em um ponto fundamental de nossa profissão: a busca pelo conforto. Os espaços passaram não apenas a servir como um espaço para ser admirado, mas deviam fundamentalmente propiciar o bem estar (conforto e segurança) de seus usuários permanentes e convidados.

Esta preocupação com a estética (para mostrar poder e status social) levou à renovação na forma de produção dos móveis, com atenção especial à ornamentação, pois agora estes faziam parte do embelezamento dos espaços.

Antes disso, na Grécia Antiga, já conseguimos perceber uma preocupação com essa área. “Os móveis outrora rústicos e feitos ao acaso passaram a ocupar grande parte da preocupação de seus feitores: sua elaboração passou a ser feita com mais esmero, e alguns móveis mais finos já traziam detalhes em metais nobres, tais como o marfim e a prata.[26]“.

Chegamos então a um credito “não oficial” do nascimento do Design de Interiores: o Egito. Neste período já se percebem traços do cuidado dos usuários (conhecimento vernacular) com relação aos espaços por eles utilizados, especialmente dentro de suas casas onde, entre outras coisas, buscavam desenvolver mobiliários utilitários (função) ao mesmo tempo em que, à sua maneira, tentavam torna-los mais agradáveis visualmente e confortáveis com o revestimento de peles e tecidos. Também se percebe nestes mesmos ambientes a existência de murais, acessórios utilitários e objetos decorativos. Tais cuidados refletem claramente a constante preocupação com a organização dos espaços internos.

Como se vê, a preocupação com o bem estar – e tudo que este termo engloba – dentro e fora das edificações está presente há muito tempo na História da humanidade. Mas não podemos parar por aqui afinal, a nossa História contém ainda muitos passos que podem ser percebidos muito antes do Egito Antigo.

Regredindo um tanto mais na linha do tempo chegamos ao homem que utilizavam as cavernas[27], a primeira “habitação” do ser humano.

Na verdade as cavernas não podem ser tratadas como habitação e sim como abrigos. Segundo o Dicionário Michaelis, o termo habitação refere-se a

“ha.bi.ta.ção

sf (lat habitatione) 1 Ato ou efeito de habitar. 2 Lugar em que se habita. 3 Casa, moradia, residência, vivenda. 4 Habitat. 5 Designação do lugar ou sítio onde os animais se recolhem.” (grifo nosso).

Já os abrigos significam, segundo o mesmo dicionário,

“a.bri.go

sm (lat apricu) 1 Tudo que serve para abrigar das intempéries: “Na hora quente do dia, o sol cintilava na clareira do abrigo, os animais se juntavam debaixo das árvores” (Amadeu de Queirós). 2 Cobertura, galpão, telheiro. 3 Algo que oferece proteção ou refúgio contra exposição, dano físico, ataque, observação, perigo etc. 4 Enseada. 5 Guarida. 6 Proteção. 7 Mil Construção à prova de projéteis e bombas. A. antiaéreo: estrutura subterrânea, construída especialmente para proteger pessoas contra ataques aéreos. A. de menores: internato para educação e reeducação de crianças ou jovens abandonados. A. público: abrigo contra o sol e a chuva, nos pontos de espera de veículos coletivos, em grandes cidades. Ao abrigo de: protegido de. (grifos nossos).

Percebe-se claramente com estas definições que, por mais que se faça presente na definição de abrigo o elemento relativo à construção dos abrigos à prova de projéteis e bombas, as cavernas não podem ser consideradas habitações, pois não possuem elementos construtivos. Pelo contrário, são espaços naturais existentes formados pela própria natureza. Os homens primitivos apoderavam-se destes espaços naturais para enfrentar as adversas condições impostas pela natureza já que encontraram nestes lugares, áreas perfeitas para aquecê-los em noites frias especialmente nos períodos de inverno, para protegê-los da chuva, do vento e dos animais. Era bastante comum também que eles colocassem na entrada destas cavernas grandes pedras ou fizessem fogueiras para evitar a entrada de animais garantindo assim a segurança de todos os usuários.

Dentro das cavernas percebemos outros elementos que também podemos considerar como o início da forma de “pensar o melhor uso para os espaços” utilizados por eles já que a caverna era dividida em áreas distintas e basicamente bem definidas, dependendo da dimensão do ambiente. Havia a área para dormir, a área de convivência e a área para preparo e consumo da alimentação. Também encontram-se provas de que haviam preocupações com o conforto, mesmo que de forma rudimentar, ao observarmos as “camas” feitas de capim bem como as imagens retratadas nas paredes, as pinturas rupestres[28], traziam aos usuários a sua história, registram as formas de agir e de planejamento do clã em suas ações, bem como representam de certa forma, o status do clã. Podem ser consideradas também como elementos decorativos ligados diretamente à estética.

Como podemos perceber, independente da História oficial afirmar uma coisa, observando a trajetória da humanidade é fácil perceber que a forma como utilizamos os diversos espaços em nosso dia a dia, assim como a constante preocupação com o bem estar, o conforto, a segurança e a estética estão enraizados desde os nossos primórdios. Isso reflete claramente o processo de trabalho de um designer: encontrar o problema – seja de qual natureza for – e buscar a melhor solução para ele. Esta é a forma de pensar do designer.

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[1] Refiro-me aqui a todo o processo envolvido no desenvolvimento e implantação de um projeto que vai desde a coleta de dados, passa pelo estudo e analise de possibilidades chegando ao projeto final que será implantado.

[2] CERTEAU, Escrita da história, 1982.

[3] Idem, pp 26.

[4] “Bauhaus: Novarquitetura”, 1974 – 2 ed.

[5] WOLF, Tom. “Da Bauhaus ao nosso caos”, Ed. Rocco, 1990.

[6] NETO, Mariano Lopes de Andrade; CAMPOS, Lívia Flávia de Albuquerque; MARSON, Elissandra; KAMISAKI, Margareth Sayuri; SILVA, José Carlos Plácido da; PASCHOARELLI, Luis Carlos. “Bauhaus e o Jardim de Epicuro: Discurso e Prática”.

[7] Percebem como este tipo de pensamento ainda é empregado hoje em dia? De profissionais a órgãos ligados à Arquitetura, ainda hoje vemos constantemente falas e ações que representam claramente este absolutismo arquitetônico tentando ser imposto.

[8] FORTY, Adrian. “Objetos de Desejo”. Edição revisada e ampliada. Ed. Cosac Naify, 2013. A original data de 1686.

[9] A Primeira etapa da Revolução Industrial ocorreu entre 1760 a 1860 e ficou limitada, primeiramente, à Inglaterra. A Segunda Etapa ocorreu no período de 1860 a 1900, abrangendo países como Alemanha, França, Rússia e Itália que também se industrializaram. A Terceira Etapa considera os avanços tecnológicos do século XX e XXI.

[10] Produzido em larga escala, mecanicamente ou manufaturadas.

[11] De junho de 1837 a janeiro de 1901.

[12] Hoje trabalha-se com a ideia dos home offices. Um movimento contrário à ideia de separação dos ambientes. Isso se deve cada vez mais pelas necessidades especificas da sociedade e das pessoas.

[13] Aqui podemos perceber claramente de onde vem a concepção de que nossa área está relacionada aos projetos dignos de capas de revistas, bem como esta ser uma atividade feminina.

[14] Prendado – adj. Dotado de muitas e boas qualidades. / Que tem esmerada educação.

prenda – s.f. Presente, dádiva. / Qualidade, dom. / Aptidão; conhecimentos; arte; habilidade. / Bras. (RS) Jóia. // Fam. e Ironic. É uma…

[15] Não à toa que ainda hoje vemos nossas clientes (esposas) dominando o pensar sobre como deve ser o projeto, definindo questões pertinentes a outros usuários (esposo, filhos, etc.) e assim por diante. Absurda e lamentavelmente, ainda percebemos ecos dessa época atualmente.

[16] Sra. Haweis, Sra. Paton, Sra. Edith Wharton, Sra. Ogden Codman, Sra. Elsie de Wolf entre outras.

[17] Lady’s Pictorial – In print: 1891. The Lady’s Pictorial was a periodical aimed squarely at middle class women, and a rival to The Queen. It regularly printed articles on the enlargement of women’s sphere, particularly in employment. A large number of women were employed on the staff. (Disponível em http://www.cardiff.ac.uk/).

[18] Livro “The house in good taste”.

[19] Isso rompe com o ideário de que a organização dos espaços internos sempre foi uma prerrogativa da Arquitetura.

[20] Recebia o nome de huguenote todo o seguidor da religião protestante na França. Eram na maioria calvinistas (acreditavam nos ensinamentos de João Calvino) e membros da Igreja Reformada. A origem do termo é creditada aos católicos franceses, que o teriam criado baseando-se no nome de Besançon Hugues, líder religioso suíço. (http://www.infoescola.com/religiao/huguenotes/).

[21] Já que fala-se tanto sobre “Arquitetura Vernacular”, destacando a sua relevância e importância histórica para a área (em 1997, foi lançada “The Enciclopedia of Vernacular Arquitecture”, o primeiro estudo internacional sobre edifícios vernáculos, editada por Paul Oliver), podemos também utilizar este termo para defender estas ideias sobre a nossa área: o Design vernacular.

[22]O Design e a Valorização do Vernacular ou de Práticas Realizadas por Não-Designers”. Ibarra, MSc Maria Cristina.; Ribeiro A.C., Dra Rita.(2014).

[23] “Forma individual de cultura material ou produto deliberado da mão-de-obra humana” HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro. Ed. Objetiva. 2001.

[24] As descobertas arqueológicas provam isso.

[25] Projetos arquitetônicos, edificações.

[26] Fonte: http://www.portaleducacao.com.br/iniciacao-profissional/artigos/45048/historia-do-design-de-interiores#!1

[27] ca.ver.na – sf (lat caverna) 1 Cavidade de grandes dimensões em monte, rochedo ou sob a terra; antro, furna, gruta. (MICHAELIS).

[28] ru.pes.tre – adj m+f (lat rupes) 1 Relativo às rochas. 2 Que vive nas pedras. 3 Bot Diz-se do vegetal que cresce sobre os rochedos. 4 Inscrito ou desenhado nas rochas: Pinturas rupestres. (MICHAELIS).

Novos paradigmas, ou, os nichos negligenciados.

Esta série de artigos que publico atualmente nasceu de minha palestra “Design de Interiores e Ambientes: N Jeitos de Atuar” e as constantes solicitações de maiores explicações sobre alguns aspectos mencionados na mesma e que, por falta de tempo na palestra, acabam ficando algumas pontas soltas. Então, a intenção desta série é exatamente esta: complementar e ampliar o conteúdo da palestra. Mas antes de dar prosseguimento, faz-se necessário elencar alguns aspectos de relevância para o melhor entendimento do conteúdo aqui expresso.

Causa certa estranheza a forma como as Instituições de Ensino Superior (doravante apenas IES) e as Instituições de Ensino Técnico (doravante apenas IET) abordam a área de Design de Interiores e Ambientes. Há uma falha imensa nas matrizes curriculares bem como nos ementários das disciplinas com relação às possibilidades de atuação profissional ficando, portanto, bastante distantes da realidade do mercado. Outro fator importante a destacar é que os acadêmicos não devem ser treinados para seguir um padrão projetual, ou conjunto de procedimentos pré-determinado, já que vivemos numa constante evolução em todos os aspectos tangenciais ao projeto: tipos e usos de espaços, materiais, tecnologias, entre outros.

Antes de tudo, faz-se necessário entender o que significa esta palavra “Design” que antecede o nome de nossa profissão, um detalhe que trataremos mais adiante em outro artigo. Mas, mesmo sem este conhecimento prévio, não nos impede de pensar sobre a abrangência de nossa área.

Como um campo “multidisciplinar” – prefiro dizer que é transdisciplinar – o Design de Interiores e Ambientes é uma profissão que, por suas características específicas aliadas aquelas oriundas de nossa raiz, o Design, não podem ser limitadas por barreiras supostamente definidas por sua nomenclatura, bem como não deve ser amarrada a qualquer outra área profissional (EX. o elemento arquitetônico) à exceção de sua origem: o Design.

O projetista não deve comportar-se como um motorista de taxi: “Diga-me exatamente aonde você quer chegar e me pague que eu te deixarei no destino.” (Phillips, 2008).

Durante a formação acadêmica, é praticamente imperante o direcionamento para trabalhos voltados apenas ao elemento arquitetônico. Poucas são as IES que conseguiram livrar-se do erro acadêmico de confundir a área com a Arquitetura ou a Decoração e hoje oferecem cursos de alto nível e com uma vasta abrangência de possibilidades de atuação profissional que vão muito além dos projetos residenciais ou comerciais. Aliás, existem diferentes tipologias de espaços residenciais, bem como de comerciais. Mas não somente estes tipos existem.

Jenny Gibbs[1] lembra que

Durante muitos anos, o Design de Interiores confundiu-se com a Arquitetura, ficando, muitas vezes, encoberto. Distinções mais claras entre essas duas profissões tão relacionadas entre si estão começando a se formar atualmente e, uma vez estabelecidas de forma definitiva, será mais fácil definir o Design de Interiores como uma profissão respeitada, ética, com valores, missão e objetivos claros. De forma geral, a profissão estará em melhor posição para abordar questões importantes relacionadas com a ideologia do Design, estilo de vida, segurança, conforto e comportamento humano, e estimular os aspectos sensoriais e perceptivos do Design de Interiores, além da função e ergonomia”.

O ato de projetar sempre esteve ligado ao intelecto: arte, ciência e filosofia afinal, projetar envolve um esforço mental sofisticado: lidamos com diversas ideias (vagas e precisas), informações (criatividade e cálculos), problemas (objetivos, subjetivos), materiais (físicos e sensoriais), processos industriais e construtivos, psicologia e percepção humana entre outras variáveis (pensamento sistemático e caótico), onde temos de ordena-las de forma coerente a fim de concretizar as soluções através do projeto. E assim deve permanecer, sempre em expansão acompanhando a evolução da humanidade e, principalmente, da sociedade.

Não podemos permitir sermos transformados em robôs automatizados que seguem padrões pré-definidos eliminando de nosso labor o pensar[2]. Esta falha tem a sua base no movimento modernista da Arquitetura que pregava, sutilmente, o fim da história do projeto[3]. Apesar da sutileza, este pensamento influenciou profundamente a academia, até os dias atuais. Com isso surgiu a ideia dos laboratórios onde os alunos poderiam “pôr a mão na massa”. Não podemos discordar desta prática, porém vemos que o trabalho artesanal e visual acaba tomando quase que a totalidade do tempo do processo. Normalmente transformam-se em um parque de diversões distante da realidade, deixando de lado o pensar, a reflexão, a pesquisa, a análise das realidades e outros elementos fundamentais ao processo para a obtenção de projetos, produtos e até mesmo soluções com melhor qualidade e, até mesmo, inovadores.

Quando o aluno se forma numa graduação ou num curso técnico, são recorrentes as dúvidas:

– “E agora? O que devo fazer? Por onde devo começar? Qual caminho devo seguir?”

Isso reflete a fraca oferta de conhecimento e entendimento dentro da academia brasileira bem como o desconhecimento, por parte desta mesma academia, da abrangência possível do Design de Interiores e Ambientes.

Vale ressaltar aqui, que as IES que já adotaram o termo “Ambientes” como nome de seus cursos são aquelas que melhor conseguiram entender e derrubar as muralhas impostas sobre a nossa área visando meramente o cerceamento profissional, bem como permitiram que o Design assumisse o comando curricular ao contrário de outras que ainda insistem em manter as Artes Decorativas ou a Arquitetura direcionando as matrizes curriculares.

Durante os cursos atuais, salvo raras exceções, o foco é sempre: projeto residencial ou projeto comercial. Quando se fala em residencial normalmente estudam-se projetos do tipo “capa de revista[4]” e, quando são comerciais, o foco normalmente são lojas, esquecendo-se de todo o resto do mercado. Ficam de fora as possibilidades diversas de outros segmentos e especialidades que os profissionais desta área podem atuar tranquilamente dada a sua formação complexa e holística[5]. Embora pareça que a Arquitetura e o Design de Interiores/Ambientes – lembrando que somos designers – sejam “íntimas”, ao analisarmos o processo do desenvolvimento dos projetos percebemos que existe pouco contato real entre as áreas. Na verdade resume-se, quando é o caso, ao elemento arquitetônico, ou edificação.

É preciso ressaltar aqui que sombreamento ou suposta invasão de mercados alegados por aqueles que levantam a bandeira do “direito adquirido” não pode significar exclusividade de atribuições ou de reserva de mercado – o que é crime segundo o Código Civil Brasileiro e a Constituição Federal – deixando clara, meramente, as disputas mercadológicas e interesses financeiros.

Portanto, ante qualquer dúvida sobre exercício ilegal de profissões, atribuições profissionais, exclusão profissional e outras situações constrangedoras e segregadoras, deve-se buscar as bases nos currículos acadêmicos. Caso as Leis brasileiras sejam insuficientes, pode-se utilizar como exemplos as formações e atribuições profissionais empregadas no exterior para mostrar como a área vem sendo prejudicada aqui no Brasil em sua liberdade criativa, baseada apenas em interesses tácitos de outras categorias.

Bryan Lawson[6] diz que

Até certo ponto, podemos considerar genérica a atividade de projetar, mas, ainda assim, parece haver diferenças reais entre os produtos finais criados por projetistas de vários campos, assim, uma das perguntas presentes no livro todo será até que ponto os projetistas tem processos em comum e até que ponto esses processos variam de um campo a outro e entre indivíduos.

Uma das questões latentes nesse sentido é: como superar isso e mostrar à sociedade (governos, academia, profissionais e comunidade) o que é e até onde podemos contribuir na construção de um País melhor, seja no âmbito ambiental, cultural, estrutural, econômico e social.

O designer de interiores pode fazer as pessoas pensarem, desafiarem convenções sociais e até questões políticas, destacando temas como o desperdício, quando há pessoas com carências básicas, ou o consumo desmedido em um mundo onde os recursos naturais estão se esgotando rapidamente.” (GIBBS, 2010).

Voltando ao questionamento do egresso citado acima, a dica é: especialize-se. Durante o curso você tem contato com diversos conhecimentos e certamente terá mais afinidade com algum ou alguns. Geralmente é aquela disciplina que você tem maior facilidade e geralmente faz os trabalhos acadêmicos com gosto. Passe a analisar o que e até onde essa especialidade pode te levar, quais as possibilidades de especialização e pós-graduação que a mesma proporciona e também qual a demanda do mercado sobre este nicho específico. Pode ser também aquela disciplina que você pouco ouviu falar antes do curso e que te arrebatou, maravilhou, encantou.

Lembre-se sempre que não podemos focar apenas no efeito (estética) que pretendemos obter e que devemos saber e dominar o processo (identificação e solução de problemas, função, etc.) para alcança-lo. Projetar exige muito mais que bom gosto ou bom senso estético. É impossível pensar no produto final sem passar pela fase projetual.

Desta forma você poderá encontrar um nicho de mercado bem específico (disciplina única) ou um pouco mais abrangente (mistura de alguns conhecimentos). Porém vale o alerta: não tente abraçar o mundo pensando que pode fazer tudo sozinho. Precisamos aprender a lidar com as parcerias profissionais, trabalhar em projetos de coautoria.

A partir do momento que os profissionais de Design de Interiores e Ambientes perceberem isso, passarão a trabalhar em equipes multidisciplinares (ou multiprofissionais). São estas equipes, formadas por profissionais especialistas em diversos segmentos relacionados ao projeto global, que encontrarão as melhores soluções para os problemas do projeto.

Podem questionar: mas o mercado está inchado. Como então vamos lucrar tendo que dividir o lucro do projeto entre diversas pessoas?

Simples. Tudo começa pequeno e com o tempo e o mérito vai crescendo, ganhando credibilidade e valor. A qualidade agregada e percebida pelo mercado no resultado final dos projetos é o grande diferencial que fará o grupo ter sucesso e, consequentemente, o reconhecimento e destaque pelo mercado da marca, possibilitando assim, um valor de projeto maior.

Para que estas equipes funcionem e frutifiquem é fundamental que, além de designers, façam parte das mesmas profissionais de outras áreas como, por exemplo, engenharia civil e eletricista (para cuidar da parte estrutural e elétricas dos projetos sempre que necessário). Pode-se contar também com arquitetos na equipe, desde que estes sejam conscientes da abrangência e complexidade do Design e qual é o papel de cada integrante desta equipe.

Ser especializado dentro de uma equipe multidisciplinar não significa que você irá atuar apenas dentro de sua especialidade afinal, o seu conhecimento não se restringe à sua especialidade. Para que uma equipe desta funcione realmente, temos de ter consciência de que ali dentro ninguém manda, ou melhor, todos mandam. É como um relógio com suas engrenagens: uma depende da outra. Cada uma ajuda a outra a cumprir o seu papel. Portanto, nada impede que quando o responsável pelo paisagismo estiver projetando e você passar ao lado e perceber algo no projeto e tiver uma ideia diferente do que está vendo, tenha a liberdade de apontar e propor a ideia assim como, quando você estiver desenvolvendo a sua parte, deve aceitar e considerar as opiniões dos outros integrantes da equipe.

Todos estes questionamentos levam claramente às seguintes constatações:

Se somos capacitados tecnicamente para projetar interiores comerciais (mobiliários, revestimentos, iluminação, etc) garantindo a segurança de todos os usuários (funcionários e clientes), porque não podemos projetar um ambiente externo?

Se projetamos banheiros complexos, com hidro e diversos outros equipamentos, porque não podemos projetar ambientes como os spas em espaços externos à edificação, mesmo que em varandas?

Se somos capacitados tecnicamente para projetar um banco para usuários no interior de uma residência ou ambiente comercial, porque não podemos cria-lo como mobiliário urbano ou para um shopping?

Qual a diferença?

Nosso trabalho tem uma profunda ligação com o campo das idéias e a criatividade. Vale lembrar que,

A criatividade em Design só tem valor quando gera conceitos que resolvam o problema proposto. Isso começa pela compreensão e escolha da abordagem adequada em cada caso específico. Além disso, muitos problemas relacionados ao projeto são tratados apenas quando surgem. Essa abordagem emergencial dos problemas pode levar ao aumento dos custos e dilatação dos prazos.[7]

Como pretendo deixar claro nesta série de artigos, ao apresentar as diversas possibilidades de atuação destes profissionais, percebe-se que o termo “Interiores” não deve ser utilizado como jaula visando o cerceamento do exercício profissional e que o nosso conhecimento adquirido na academia extrapola qualquer barreira imposta pelo mesmo (EX. entre quatro paredes e/ou apenas ambientes internos da edificação). Devemos, portanto, reconhecer como verdadeiro e passar a adotar o título Design de Ambientes.

Exposto isso tudo, precisamos reconhecer os nichos de mercado específicos – alguns trabalhados em algumas universidades e outros negligenciados pela maioria – como forma de apontar novos horizontes para o Design de Interiores e Ambientes brasileiro.

.

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[1] GIBBS, Jenny. Design de Interiores: Guia útil para estudantes e profissionais. Ed, Gustavo Gili, 2010.

[2] Segundo o Dicionário Michaellis, pensar significa: “(lat pensare, freq de pendere) vint 1 Combinar ideias, formar pensamentos. vti 2 Meditar, refletir em. vint 3 Ser de tal ou qual parecer. vtd e vti 4 Ter na mente; lembrar-se. vtd 5 Julgar, supor. vint 6 Raciocinar. vti 7 Fazer tensão. vtd 8 Delinear mentalmente; meditar, planejar. vti 9 Estar preocupado, ter cuidado.”

[3] LAWSON, Brian. Como arquitetos e designers pensam. Ed. Oficina de Textos, 2011.

[4] Apartamentos ou residências enormes, de clientes ricos e distantes da realidade normal do mercado. Até mesmo os orçamentos propostos são fora da realidade de mais de 90% dos clientes disponíveis.

[5] Segundo Jenny Gibbs (2010), “O termo holístico costuma ser muito utilizado para designar projetos de interiores que consideram os sentidos humanos. No entanto, um projeto de interiores realmente holístico é aquele que considera todos os produtos especificados desde a sua compra e produção até o seu descarte, certificando-se de sua qualidade estética e funcional”.

[6] LAWSON, Brian. Como arquitetos e designers pensam. Ed. Oficina de Textos, 2011.

[7] PHILLIPS, Peter L. Briefing: A Gestão do Projeto de Design. Ed, Blucher, 2008.

Design de Interiores, outro objeto base: Comboio Social Unoeste.

Pois bem meus amigos e seguidores, poucos sabem mas estou lecionando também no curso de Design de Interiores na Unoeste, em Presidente Prudente – SP. A disciplina é “Projeto de Ambientes Institucionais e de Serviços”.

O coordenador, Prof. Ms Marcelo Motta, me deu total liberdade para trabalhar a disciplina e agradeço a ele a credibilidade e a oportunidade de poder desenvolver este projeto. Resolvi então fazer o que mais gosto: pensar fora da caixinha e agir fora da gaiola. Estou fazendo isso ao escolher como objeto base dos projetos algo não arquitetônico.

Chega de casinhas, lojinhas e outros projetos que tem como objetos base apenas aqueles ligados à Arquitetura. Design é muito mais que isso e as possibilidades de sua aplicação vão muito além de um objeto arquitetônico. Consequentemente, é um erro insistir em manter a área de Design de Interiores/Ambientes fechada dentro da caixinha arquitetônica. Além de erro, este ato traz danos à nossa profissão. Mas isso é assunto para outro post.

Resolvi então levar os alunos a pensar em um espaço inesperado. Para tal, tive que procurar algo onde eles conseguissem ir além do básico e fixo (as paredes de uma edificação) e trabalhar em algo nem tão estático assim. Aqui temos um grande problema a ser solucionado (base do Design) que implica em conhecer o desconhecido e buscar materiais e outras soluções para atingir o objetivo: um projeto móvel, instável (ocorrem torções, grande vibraçãoe solavancos) além do espaço reduzido para a maioria dos projetos: as carretas do tipo baú.

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É o projeto Comboio Social. São dez carretas que estão sendo trabalhadas por grupos, cada uma com seu tema específico. Este comboio percorrerá as pequenas cidades, vilarejos e assentamentos levando diversos atendimentos, diversão e conhecimento a estas pequenas comunidades que tanto necessitam.

Um detalhe importante é que estamos trabalhando ao mesmo tempo ambientes institucionais e de serviços: a instituição por trás do projeto é a própria Unoeste que deve estar representada e os serviços, aqueles relacionados aos cursos oferecidos pela universidade. Uma mescla perfeita onde os alunos tem de resolver qual a melhor forma de apresentar a instituição mantenedora bem como projetar atendendo as necessidades de sua área tema. Além disso, estas carretas serão utilizadas como espaços para estágio dos alunos dos cursos da Unoeste.

Os temas são:

1 – Arte: uma carreta destinada à apresentações artísticas como música, dança e teatro.

2 – UBS: uma carreta destinada ao atendimento básico em saúde, medicina (não invasiva) e enfermagem.

3 – Biblioteca: uma biblioteca que atenda de crianças a adultos, com espaços para emprestar, atividades culturais e doações de livros.

4 – Clínica Veterinária: uma carreta para atendimentos a animais de pequeno e médio porte. De consultas a pequenas cirurgias.

5 – Corte e costura: esta área infelizmente ainda não está contemplada na Unoeste, porém, ainda é bastante comum encontrarmos famílias que sobrevivem com serviços de pequenos reparos em roupas e até mesmo da confecção. Portanto, uma atualização faz-se necessária a estas pessoas.

6 – Serviço Social: uma carreta destinada ao atendimento social envolvendo psicologia, assistência social, direito, pedagogia.

7 – Estética: carreta para atendimento nas páreas de estética, dermatologia e fisioterapia.

8 – Gastronomia: carreta que oferecerá cursos de culinária saudável, cultivo de alimentos para consumo próprio e treinamento para merendeiras escolares. Envolve as áreas de gastronomia, nutrição e agronomia.

9 – Coletivo: uma carreta voltada para o empreendedorismo e soluções de conflitos públicos. Nesta carreta ocorrerão atendimentos a associações de bairros, audiências públicas e outras atividades relacionadas com a vida coletiva/comunitária. Administração, economia, direito, design, arquitetura, engenharia, gestão e outras áreas que podem contribuir para a melhoria e soluções dos conflitos.

10 – Design Social: como o Design pode ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas? É o que esta carreta buscará apresentar. De um redesign residencial, comercial ou de um espaço público à assessoria na elaboração de materiais gráficos e melhoria na qualidade de produtos.

Para que o projeto consiga atender às demandas particulares de cada área, dividi o trabalho em sete fases. Importante ressaltar que antes da sexta fase ficou proibido o uso de softwares. O foco é o sketch, usar e abusar desta ferramenta para reforçar nos alunos a importância do estudo manual antes do projeto. São as fases:

COLETA DE INFORMAÇÕES INSTITUCIONAIS: Conhecer a instituição mantenedora do projeto:

Quem é, o que faz, sua marca, qual sua missão, quais seus valores, suas características principais, diferenciais e sua estrutura.

COLETA DE INFORMAÇÕES PÚBLICO ALVO – Conhecer os públicos alvos do projeto:

Pessoas: quem são, realidade social, onde estão, necessidades. Cidades: mapeamento, estrutura local, espaços públicos disponíveis.

COLETA DE INFORMAÇÕES SOBRE A ÁREA TEMA – Conhecer a área tema do projeto:

O que é, o que faz, como faz, suas características principais, diferenciais sociais, estrutura necessária e normas técnicas relativas à área.

COLETA DE INFORMAÇÕES SOBRE CARRETAS – Conhecer o objeto base do projeto (carreta):

O que é, o que faz, suas características principais, tipos, necessidades e limitações, fabricantes, exemplos de transformações e legislação vigente.

PAINÉIS SEMÂNTICOS – Apresentação do conceito do projeto:

Elaboração dos painéis semânticos relativos à área tema do projeto para explicar adequadamente o conceito do projeto apresentando os correlatos, materiais, equipamentos e utensílios necessários à área e os primeiros sketches.

PROJETO I – Desenvolvimento de projeto conceitual:

A fusão de todos os conhecimentos levantados nas etapas anteriores e que os direcionaram para o desenvolvimento do projeto, os problemas encontrados e as possíveis soluções aplicáveis. Desenho manual (sketch) e desenho digital (CAD e SketchUp).

PROJETO II – Desenvolvimento de projeto executivo:

Detalhamentos totais dos projetos e elaboração de maquetes.

Importante ressaltar que, como ainda estamos no inicio da disciplina, mesmo sem trabalhar os projetos no computador os alunos já começaram a perceber os problemas e necessidades específicas de cada área. Para algumas uma carreta basta, outras terão de utilizar carretas do tipo bi-trem e outras terão de elaborar propostas de expansões verticais e/ou horizontais para conseguir atender suas demandas específicas.

Em todos os projetos o direcionamento principal é atender as normas técnicas bem como trabalhar com uma forte pegada de sustentabilidade.

Vale ressaltar também a questão multidisciplinar do projeto onde diversas disciplinas específicas do curso estão envolvidas diretamente, bem como conhecimentos oriundos das outras áreas temas além das engenharias.

Agora, finalizamos a primeira etapa de estudos e análises teóricas e técnicas. Partimos então para os painéis semânticos e projetos.

Assim que tiver os resultados, os projetos finalizados vou fazer as postagens sobre cada carreta.

Espero que este modelo de projeto aqui apresentado sirva de norte para outros coordenadores de cursos de Design de Interiores/Ambientes, eliminando a amarra arquitetônica imposta sobre a nossa área e liberando o pensamento de que somos DESIGNERS, autorizando seus professores a desenvolver projetos similares e que saiam da caixinha.

Somos designers, podemos mais, muito mais.

15/03/2015 – Porque eu fui para a rua?

E porque eu continuarei indo tantas vezes quanto forem necessárias?

Não é difícil responder isso. Para tal, nada melhor que esta música do Gabriel o Pensador: #Chega!

Entenderam?

O recado é claro!

Não fui contra A ou a favor de B.

Não fui num ato saudosista clamando pela ditadura militar – sim pois de uma intervenção para um golpe é um estalo apenas! E não quero ditadura alguma, nem a militar e nem a vremelhóide. Quero o meu Brasil livre e belo como é!

Simples assim.

11054481_863834420340086_4312131886952507127_nVocê tem todo o direito de acreditar no que quiser, inclusive nas “boas intenções” da esquerdalha brasuca. O problema é que eu quero o meu País crescendo sempre, com Ordem e Progresso. E eles (não sei como vocês que os apóiam não percebem isso) só querem nivelar TUDO e TODOS por baixo.

Não quero o meu País tomando os mesmos rumos desastrosos, desumanos e cruéis que Cuba, Bolívia e Venezuela. Se você acredita que o Socialismo é uma boa, o que está fazendo aqui ainda e não migrou para o tão sonhado “paraíso”? Vá, ninguém te impede disso. Claro, tá na cara que você tem plena consciência da MERDA que isso dá, que estes países vivem e você, como bom CAPITALISTA RECALCADO não quer a sua liberdade cortada, não quer deixar de usufruir dos produtos frutos do capitalismo e etc, etc e etc né não?

Aliás, tenho pra mim que TODO radicalismo é BURRO e só direciona para uma coisa: ferrar com todos.

Mas muito além de todos os motivos retratados na excepcional música do Gabriel, fui por motivos pessoais (que não vem ao caso aqui) e profissionais.

10354675_860385924018269_4646458422907150784_nÉ INADMISSÍVEL:

– Uma associação que não conta nem com 10% dos profissionais da área, blindar o projeto de regulamentação profissional, não dialogando com os profissionais, a academia e o mercado sobre a profissão. Que somente esta associação seja ouvida (e tenha voz) dentro do Congresso Nacional direcionando a regulamentação para um caminho altamente danoso à nossa profissão. Eu não assinei NENHUM DOCUMENTO dando direito à esta de “falar em meu nome”. Isso não é democracia, é imposição, coisa típica das piores ditaduras.

– Que o CAU tenha tanto poder dentro do Congresso Nacional, conseguindo infiltrar-se e manipular todos os parlamentares e comissões com a clara intenção de ferrar profissionais QUE NÃO FAZEM PARTE DE SEU QUADRO com a clara intenção de promover uma reserva de mercado (que é CRIME!) para seus profissionais de Arquitetura, sem considerar qualquer outra coisa salvo a sua visão DISTORCIDA do que é Arquitetura.

– Ainda sobre o CAU, que um conselho tenha tanto poder  para manipular o Congresso Nacional (ou será que tem tanto parlamentar de rabo preso com eles assim?) e, com isso, consiga gerar tantos atritos, com tantas outras profissões, mesmo ciente de que a maioria dos arquitetos não concordam com tais ações. Afinal, o CAU existe para regular os arquitetos e urbanistas. Não para ingerir sobre outras áreas profissionais que não são de sua alçada.

– Que a ABNT chame para elaborar normas sobre Design, profissionais de Arquitura. E que esta chamada tenha sido feita em sigilo sem convocar os designers para tal.

– Que a ABNT (uma empresa privada) lance normas que somos OBRIGADOS A SEGUIR e que, ao mesmo tempo, temos que pagar fortunas por cada uma delas.

– Que estas mesmas normas (direcionamentos) sejam publicadas e divulgadas como se Leis fossem, causando transtornos em diversas profissões, causando desconfiança nos clientes e prejuízos aos profissionais.

– Aliás, que o MEC chame arquitetos para “definir” o que é Design de Interiores e Ambientes.

– Também, que o mesmo MEC chame um grupo de SETE profissionais para rever o ENADE sobre Design de Interiores, e somente UM dos membros seja DESIGNER. O resto? Todos arquitetos.

– TER UM CONGRESSO NACIONAL VENDIDO E QUE APOIA TODA ESSA SUJEIRA E MUITO MAIS.

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Tem outros motivos também, mas já deu pra entender do porque eu fui pra rua né?

O que importa é que essa não foi a primeira e não será a última manifestação popular de indignação contra tudo isso que está errado em nosso País.

1978604_877930818935951_4417766126280614190_n#VemPraRua

#MudaBrasil

#PorUmPaísDecente

#XôCorruptos

Lacombeando ou livrando-se das gaiola

Revista Lume Arquitetura
Coluna Luz e Design em Foco
Ed. n° 71 – 2014
“Lacombeando ou livrando-se das gaiola”
By Paulo Oliveira

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Nada evolui engaiolado. Abra um livro e sua cabeça. Liberte suas ideias. Deixe o mundo entrar.” (Gustavo Lacombe, jovem escritor carioca)

Por que uma coluna sobre LD começar com esse tipo de reflexão? Simples: os conflitos relativos aos direitos de diversas categorias profissionais são criados e alimentados por pessoas egocêntricas e engaioladas. Egos incapazes de olhar as relações de mercado, o mundo além de seus umbigos. Lembra muito a questão da Caverna, de Platão.

Nota-se que as tentativas de argumentação utilizadas por esses, sobre quem pode ou não iluminar a arquitetura, vem de pensamentos engaiolados. Vitruvius embasou muito bem a área. Porém, a humanidade evoluiu, as tecnologias evoluíram, a urbe e a moradia não são mais como naquela época, as necessidades mudaram e tornaram-se mais complexas; a sociedade é outra, mas o pensamento desses não, continua engaiolado lá na época de Vitruvius.

“Fiat Lux!” diz a Bíblia. Oras, se assim ocorreu mesmo, é uma prova de que Deus, antes de tudo, foi um físico. E depois, as diferentes matérias que criaram o Universo também não são arquitetura. Está mais para paisagismo pleno, pois lida com estruturas físicas, químicas, geológicas, biológicas, entre outras, antes que possamos perceber qualquer lastro de fundamento arquitetônico na sua criação.

“Tudo é Arquitetura e tudo depende dela”, afirmam alguns. Mas reagem raivosamente contra a aplicação de uma prova no estilo OAB.

Porém, a verdade é que nem tudo depende da arquitetura, assim como a arquitetura não é capaz de tudo. Nem tudo o arquiteto pode fazer, assim como existem profissionais de outras áreas que podem.

Sinceramente, o resultado prático das normas, resoluções e diretrizes da arquitetura brasileira, seja de mercado ou acadêmica, traz aos atingidos por elas a lembrança e a sensação das piores ditaduras que mancham a história da humanidade. São forjadas nos bastidores, abusando do desconhecimento de muitos para legislar em benefício próprio e, posteriormente, impostas como se decretos fossem, como verdades absolutas. Tudo isso pensado e implantado por esses egos engaiolados. Hitler, Stalin e outros asquerosos dessa estirpe, viviam em gaiolas.

Nota-se que a percepção do todo, por parte desses engaiolados, resume-se à área interna de sua prisão. Ops, gaiola. Ops, zona de conforto.

A Resolução n° 51/2013 é uma prova disso. Foram contra o que a própria Lei 12378/2010 prega. Aquela parte que diz que qualquer decisão sobre atividades compartilhadas deveria ser tomada numa decisão conjunta. Percebe-se que a gaiola é tão absurda que nem a sua própria Lei eles conseguem cumprir e respeitar. Nem as decisões judiciais que derrubaram essa resolução eles entenderam.

Esse pensamento retrógrado continua sendo passado pela academia aos estudantes. Impressiona como profissionais já com anos de mercado não conseguem entender coisas simples que estão ali escancaradas na frente deles, são noticiadas pela mídia, explodem nas redes sociais. Estão cegos para a realidade, pois não perceberam que estão, também, engaiolados.

Mas existem, sim, arquitetos que conseguiram perceber a portinha aberta e libertaram-se. São aqueles que têm a capacidade de ver o mundo com realidades e necessidades multidisciplinares; que reconhecem, em outros profissionais, habilidades e competências que a arquitetura não possui; que rejeitam os desmandos do CAU e não ficam melindrados ou com medo da concorrência, pois sabem que o trabalho colaborativo é o que chega mais próximo da perfeição, e é até mais lucrativo.

Oscar Niemeyer que o diga!

Pra não dizer que não falei…

Revista Lume Arquitetura
Coluna Luz e Design em Foco
Ed. n° 70 – 2014
“Pra não dizer que não falei…”
By Paulo Oliveira

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…das flores,

mas não posso mais, pois, segundo o CAU, paisagismo é atribuição dos arquitetos, e as flores fazem parte desta disciplina. E não se tocaram que eu falava de um jardinzinho com flores com que resolvi presentear aquela senhorinha que acabou de perder sua família toda, para que ela tenha algum prazer no pouco tempo de vida que lhe resta.

…dos carros,

mas não posso mais, pois, segundo o CAU, mobilidade urbana é atribuição dos arquitetos e os carros fazem parte desta disciplina. E não perceberam que eu estava me referindo ao projeto de um motor office para uma ONG que trabalha com formação profissional, para que ela possa atender as comunidades mais distantes.

…das favelas,

mas não posso mais, pois, segundo o CAU, a favelização urbana não é atribuição nem responsabilidade dos arquitetos; são responsabilidade apenas dos governos. Mas não viram que eu estava fazendo um trabalho junto à comunidade sobre os acumuladores, a organização e as consequências disso sobre o bem viver e estar familiar e da população.

…das praças inutilizadas,

mas não posso mais, pois, segundo o CAU, projetos só podem ser feitos por profissionais habilitados nos termos da Lei. E não perceberam que eu estava auxiliando um grupo de moradores a pensar (brifando) sobre um espaço vazio de sua comunidade para que suas ideias pudessem chegar ao poder público e seus desejos e necessidades fossem realizados.

…do mobiliário,

mas não posso mais, pois, segundo o CAU, mobiliário é atribuição exclusiva dos arquitetos, de acordo com os cacos espalhados por trezentas disciplinas. E não perceberam que eu estava me referindo ao projeto de uma chaise, para que portadores de necessidades especiais consigam curtir os prazeres sexuais, em diversas posições, de maneira confortável e segura.

…da ergonomia,

mas não posso mais, pois, segundo o CAU, acessibilidade é atribuição dos arquitetos e os aspectos ergonômicos fazem parte desta disciplina. E não perceberam que eu estava me referindo à reorganização ergonômica de uma indústria visando à saúde, segurança e produtividade de seus empregados.

…do projeto,

mas não posso mais, pois, segundo o CAU, projeto é atribuição dos profissionais legalmente habilitados na forma da Lei. E não perceberam que eu estava me referindo ao briefing para a construção de um projeto educacional de uma creche que um grupo de empresários quer implantar próximo às suas empresas para atender a demanda de suas trabalhadoras.

…das luzes,

mas não posso mais, pois, segundo o CAU, iluminação é atribuição dos arquitetos e as luzes fazem parte desta disciplina. E não perceberam que eu estava me referindo às luzes cênicas daquela peça teatral de uma escola de periferia daqui de minha cidade, em homenagem ao dia das mães.

…“Fiat Lux!”

Aí vem o CAU dando carteirada, me enfiando uma notificação por exercício ilegal da profissão de arquiteto. E não percebeu que eu estava apenas começando a ler em voz alta a minha Bíblia em latim, em Gênesis 1:3, quando Deus diz isso.

Devaneios à parte, este é o quadro que se desenha à nossa frente: uma ditadura do CAU sobre tudo e todos. Eles agem através de dois lobbies: o primeiro, localizado no Congresso Nacional, onde se aproveitam do desconhecimento dos parlamentares sobre os assuntos e temas abordados e sapateiam na cara da sociedade e dos profissionais de outras áreas, induzindo nossos representantes ao erro, fazendo-os legislar apenas em favor dos arquitetos; o segundo é junto à mídia, onde eles conseguem anunciar o que for, mesmo que lesivo e prejudicial à sociedade, beneficiando apenas a sua classe e, propositadamente, desinformando a população.

Mas ainda dá tempo de acordar e impedir isso.

Reserva de mercado pra quê?

Revista Lume Arquitetura
Coluna Luz e Design em Foco
Ed. n° 69 – 2014
“Reserva de mercado pra quê?”
By Paulo Oliveira

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É evidente a intenção do CAU e de outros órgãos ligados à Arquitetura, com suas insistentes tentativas de legislar em benefício próprio através de resoluções internas, onde eles as apresentam à sociedade como se fossem leis: reservar o mercado para garantir um mercado eterno para eles. Fica também evidente a reiterada perseguição aos designers. Recentemente, foi bastante festejada a aprovação do Projeto de Lei (PL) 2043/2011 que regulamenta a profissão dos paisagistas.

Tudo ótimo, e parabéns aos paisagistas. No entanto, analisando o texto do referido PL percebe-se a ausência dos designers de interiores/ambientes como integrantes do quadro de profissionais legalmente habilitados para o exercício profissional. O mais curioso é que o autor deste PL é o mesmo da regulamentação de Design de Interiores e permitiu, sabe-se lá por que, a retirada destes profissionais desta área mesmo estando ciente de que os cursos oferecem esta habilitação. Por outro lado estão contemplados como aptos a atuar nesta área, os artistas plásticos. Realmente, eles estudam muito em seus cursos sobre plantas, ecossistemas, pragas, solos, adubação entre outros assuntos importantíssimos para exercer esta profissão…

Sim! Fui irônico! E o fui para mostrar exatamente o quanto são ridículas e arrogantes suas tentativas.

Agora rola um burburinho de que estão prontos para entrar com um PL regulamentando a “iluminação arquitetural”, já que perceberam que resoluções internas são facilmente derrubadas na Justiça. E, claro, só eles poderão atuar nessa área. Mesmo aqueles recém-formados, sem especialização alguma, e que mal sabem diferenciar uma “croica” de uma “fluorescente de bundinha”.

Na contramão disso tudo se percebe um movimento contrário por parte dos designers e dos lighting designers. Defendemos uma regulamentação democrática, aberta e ampla, livre de apartheids, melindres egocêntricos e ensimesmados, e não propomos qualquer reserva de mercado, pois não temos medo da concorrência.

Os dois PLs de Design em tramitação atualmente na Câmara dos Deputados não preveem o impedimento de ninguém para o exercício profissional. Todos poderão continuar projetando normalmente seus móveis, peças gráficas ou interiores. Só não poderão mais utilizar o título “designer + área” que ficará restrito aos profissionais legalmente graduados na área. É assim com outras profissões, por que com o Design tem que ser diferente? Porque eles querem e estão fazendo biquinho?

Seguindo essa lógica, por que então não propormos juntos uma regulamentação do Lighting Design, agregando os profissionais que trabalham com arquitetural, cênica, urbana e produtos, trilhando este mesmo caminho? Oras! Se de provas eles têm medo, deixemos então que o mercado diga quem serão os profissionais que continuarão e quem entrará no mercado baseado na competência profissional e não como está sendo feito descaradamente, na base do tapetão.

Fica também o chamado à indústria e aos lojistas para que se manifestem sobre este assunto. Conosco, vocês venderão X + Y. Sem a nossa participação neste mercado, vocês venderão X – Y. A escolha também é de vocês.

Errata: O documento da AAI, citado em minha última coluna, inicia falando sobre o PL 1391/2011, de autoria do deputado Penna, que regulamenta o Design (produto, moda, gráfico, joias). Na argumentação, acaba versando também sobre o PL 4692/2012, que é de autoria do deputado Izar e regulamenta apenas a área de Design de Interiores.