Você é designer mesmo? Tem certeza disso?

Resolvi escrever melhor sobre este assunto aqui em meu blog por causa de algumas mensagens privadas e comentários que recebi nas postagens em meu Facebook e Instagram por causa desta imagem que postei (não sei a autoria).

Confesso que, me assustou o desconhecimento e a leviandade de muitos. De outros profissionais até dá para entender a falta de noção e/ou desconhecimento.

Mas de DInts, é IMPERDOÁVEL.

Não vou me aprofundar, detalhar ou dar aula de graça sobre estes assuntos. Vou apenas lançar alertas sobre coisas que vem me incomodando faz tempo nas redes sociais.

Bom, vamos lá.

Quando projetamos um determinado espaço, enquanto designers de interiores/ambientes, devemos pensar no uso que será feito do mesmo por todos os usuários, especialmente quando falamos de espaços comerciais, institucionais e de serviços. Neste texto apresentarei questões relacionadas às práxis projetuais do Design – raiz de nossa especialidade. Algumas conhecidas pelos DInts, outras nem tanto – deixando clara falhas na formação acadêmica pela maioria das escolas que precisam ser estancadas com urgência urgentíssima (mas isso é assunto para outro texto sobre perfil mínimo necessário dos professores de DInt que escreverei ainda este mês).

É bastante comum ouvirmos falar em programa de necessidades e briefing – favor ignorar os achismos (Morin) daqueles que afirmam que estas duas ferramentas são a mesma coisa pois não são. Programa de necessidades é uma ferramenta QUANTITATIVA. Briefing é QUALITATIVA. São complementares e em alguns aspectos parecidos, mas não a mesma coisa. Ressalte-se que, parecido não é o mesmo que igual (Google it!).

Além do briefing e do programa de necessidades, os designers trabalham com outras ferramentas/abordagens específicas da área. E somente através da correta aplicação destas e da análise atenta dos dados das mesmas é que temos condições de entender a dimensão do(s) problema(s) relacionados à estrutura e uso dos espaços projetados. Em suma, parafraseando Paul Rand, “Design de Interiores é uma disciplina que soluciona os problemas existentes na interface “usuários <> espaços” ocupados”.

Para começar, nenhum projeto pode ser considerado como Design se não atende à todos os 3 eixos da Ergonomia (pilar da profissão). Não se trata apenas de dimensionamento e, tampouco de acessibilidade/mobilidade. Estes são apenas recortes pequenos dentro desta ciência, típicos daqueles reducionistas que – mais uma vez – “acham” que sabem do que estão falando. Se, durante o levantamento do briefing e do programa de necessidades não é realizado o correto levantamento ergonômico – do espaço e dos usuários – o projeto certamente terá erros. E erros ou problemas ergonômicos, nem o(a) melhor PHD em Estética do universo consegue esconder. Eles afloram no decorrer do uso dos espaços. E, após o levantamento, assim como os anteriores, deve-se atentar para a correta e atenta análise de todos os dados coletados aplicando os resultados no projeto.

Mas não para por aqui. Creio que já deu para perceber que cada abordagem tem uma finalidade específica. Como estamos trabalhando (no exemplo deste texto) com espaços comerciais, institucionais e de serviços, existem outras abordagens que devem ser realizadas afim de entender a complexidade do “negócio” bem como, dos usuários fixos e visitantes.

O Design de Serviços é uma ferramenta utilizada para conhecer e entender todo o funcionamento, logística e qualidade de uma empresa – pública ou privada – que oferece algum serviço material ou imaterial ao público. Desde questões internas (logística, layout, funcionários, etc) às externas (experiência e reação do público, mídia, etc), esta ferramenta busca identificar os elementos positivos e negativos, muito além da estética e ergonomia. O Design de Serviços adentra no cotidiano do empreendimento para entender o seu funcionamento de uma forma ampla, atento a detalhes. Especialmente, às respostas dos clientes sobre o todo oferecido pela empresa.

E sim! Tem muita coisa do dia a dia da empresa que se o designer não detectar e corrigir, de nada vai adiantar fazer o proprietário gastar fortunas. Se o serviço é ruim, nem mesmo centenas de milhares de reais irão garantir a sobrevivência. Dois exemplos simples:

– Atendimento inicial (recepcionista/telefonista) que sempre está com a cara/voz trancada, brava, trata os clientes de forma seca. Isso só afasta os clientes, por mais belo que seja o espaço ou a qualidade dos produtos/serviços oferecidos.

– Localização (e seus complicadores). Também não adianta gastar fortunas em uma obra mal localizada, distante, em um bairro não seguro, sem estacionamento, sem segurança. A insegurança e desconforto (ansiedade) dos clientes os afastarão do local.

E sim! Isso é trabalho do designer de interiores. Partindo da premissa de que Design é investimento, de que adianta investir em algo fadado a quebrar por causa de um serviço ruim?

O Design Thinking aparece para acolher, agrupar, analisar, compreender todos os dados coletados para identificar corretamente os problemas e propor soluções para os mesmos. Por exemplo, a dona da casa pode ter a impressão que sua sala é “feia” e o contrata para deixa-la com cara de revista. Porém, ao passar por todos estes filtros percebe-se que o problema real era apenas a falta de organização, ou um layout nada atrativo, entre outras respostas inesperadas.

Devemos nos atentar, especialmente, à correta análise de todo o escopo do projeto através do Design Thinking e do Design de Serviços. Caso estas ferramentas (abordagens) do Design não sejam aplicadas ou aplicadas de forma incorreta, os projetos correm o risco de serem finalizados com erros diversos.

Por isso o BRIEFING jamais deve ser tratado apenas como uma conversa inicial e algumas outras trocas de informações com o cliente. Ele deve ser COMPLETO e COMPLEXO, abrangendo todas as possibilidades relacionadas ao projeto.

Se não há análise através das abordagens específicas do Design, não é Design de Interiores e sim, apenas Decoração.

 

Revestir2019 > Dia do Designer de Interiores

Pois é pessoal, a Expo Revestir 2019 está chegando!

E como todo ano, a ABD realizará o fórum DIA DO DESIGNER DE INTERIORES durante a feira.

Este ano será no dia 14/03, a partir das 14:00h.

Para meu deleite pessoal – e claro, de todos vocês – este ano teremos a presença do designer italiano FERRUCCIO LAVIANI, proprietário do Studio Laviani.

Enquanto, durante a faculdade, os professores focavam nos nomes da moda e nos levavam a fazer trabalhos sobre estes, sempre busquei verificar se eram só aqueles – sempre e somente aqueles – profissionais que realizavam projetos de excelência no mundo. Para minha grata surpresa vi que não! Existiam (e existem!) diversos outros profissionais de altíssima qualidade que passavam despercebidos em nossa academia pois os professores parecem favorecer apenas aqueles que estão na moda – uma pena!

Nestas pesquisas, encontrei o excelente trabalho do Ferruccio e me apaixonei de pronto. Desde então, o sigo nas redes sociais e através do site de seu estúdio.

É surpreendente a versatilidade de seus trabalhos que transita entre Arquitetura, Arte e Design.

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E é isso tudo e muito mais que ele vem apresentar para os participantes do fórum na Expo Revestir deste ano!

E você, vai perder?

Eu não!

Anote na sua agenda e venha! Além do Fórum, tem a feira que é sempre fantástica!

Serviço:

Transamerica Expo Center
São Paulo, SP 12-15 Março 2019 / 10h às 19h

DESIGN PARA PESSOAS: CADÊ A TUA RESPONSABILIDADE SOCIAL?

Semana passada recebi de presente pelo Facebook o link para a tese de doutoramento da Cecília Carvalho, defendida na Universidade do Porto, que pode ser baixada clicando aqui.

“Mas o que é que o design tem a ver com os pobres?” muitos devem estar se perguntando não é mesmo? Pois bem, esse foi um dos questionamentos fundamentais que a levou a trilhar por esse tema em sua pesquisa.

Em “Utopia nas margens: o papel do design na co-criação de alternativas num contexto de exclusão social”, ela trata das questões relativas à comunicação destinada aos menos favorecidos com relação aos seus hábitos alimentares: conhecimento sobre alimentação saudável, investigação sobre problemas alimentares e delineação de propostas visando reverter o déficit alimentar dessa população carente.

Design para pessoas

É exatamente sobre isso que venho me questionando já há um bom tempo: qual o pape do DInt nesse contexto? Dentro e fora da academia vejo incontáveis projetos sem qualquer lastro com a pegada – ou responsabilidade – social de nossa área. Até mesmo nos projetos de TCC ou artigos inscritos em eventos científicos pouquíssima coisa se vê nesse sentido.

Quando aparece alguma atividade nesse sentido, não sei se por erro de estratégia ou por real motivação, deixa a entender que que tal ato não se trata de responsabilidade social e sim, apenas, de busca de holofotes sobre uma suposta pegada social visando alcançar a mídia num claro ativismo elitista de “fazer o bem” para aplacar a sua consciência e mostrar à plateia como se é “caridoso(a)”.

Começando de leve: Alguma vez já se preocupou realmente com as condições de vida de sua empregada doméstica (ou diarista) além do pagamento mensal que faz a ela e dos presentes toscos dados em datas festivas?

Não! A responsabilidade social não busca isso e nem deve buscar esse reconhecimento. Se assim for realizada não é nada além de uma forma mascarada de massagear seu próprio ego. Ela deve ser espontânea, gratuita e capaz de entrar onde estão as pessoas que realmente precisam de ajuda, que perderam a noção de seus direitos e cidadania, que não tem acesso a informações das mais variadas sobre o que afeta a sua vida (pessoal ou comunitária) e estão em um estado de dormência, anestesiados por tanto sofrimento que os faz acreditar que aquela é a única realidade disponível para eles.

Vocês por acaso sabem que existem pessoas residentes nas periferias de suas cidades que NUNCA saíram de seus próprios bairros, que desconhecem suas próprias cidades? Que acreditam que aqueles serviços públicos de péssima qualidade “é o que tem disponível e não tem como melhorar”? Que aquela péssima infraestrutura (falta de saneamento, asfalto, distribuição de água e energia, lixões a céu aberto, etc) a eles ofertada é o suprassumo? Que sofreram e sofrem tanto que o conformismo e derrotismo já corroeu suas almas, suas vidas, retirando destes qualquer desejo ou força para lutar pelo que lhes é de direito?  Pois sim, existem aos milhares de pessoas que vivem nessa condição, infelizmente.

Ou será que você acredita que aquele morador de rua – que você passa e desvia seu corpo e olhar – está ali porque quer?

Nosso país tem sérios problemas causados pela péssima administração e gestão pública (modelo arcaico e burocrático) aliado à corrupção que não se restringe apenas aos políticos e gestores. É má distribuição de renda, de recursos, de serviços, de TUDO! E você aí pensando que não tem nada a ver com isso ne? Que não tem como mudar pois o país é assim, o sistema é assim ou seja lá quantas desculpas mais você pode arranjar para isentar-se de sua responsabilidade sobre os problemas acima elencados e tantos outros mais que afligem a nossa população.

Conheço muitos DInts que NUNCA sequer pensaram em passar perto de uma área periférica de suas cidades. Seja pelo justo medo da violência ou por acreditar realmente que aquela caridade prestada onde for já basta para fazer a sua parte. Queridos, doar 1 litro de leite em alguma campanha não basta. Só para apaziguar consciências humanas ocas. Fazer aquela visita de seu grupo (seja lá de que for) 1 vez por ano a um asilo ou orfanato não é caridade.

Para muitos, a caridade se resume apenas a uma parte do que ela realmente significa. Para esclarecer, utilizarei exemplos baseados no significado da palavra segundo os dicionários;

Muitos acreditam numa visão cristã sobre “Amor a Deus e ao próximo: a caridade é uma das três virtudes teologais.” ou, como dizem no popular, “Amor ao próximo: agir por pura caridade”. E ainda “aquilo que se oferece a; esmola, favor, benefício: fazer a caridade”.

A responsabilidade social de nossa profissão ultrapassa essa visão pequena e egocêntrica e pequena. Ela deve ser tratada, ainda na caridade, como a “disposição para ajudar o próximo; tendência natural para auxiliar alguém que está numa situação desfavorável; benevolência, piedade.” Deve, portanto, ser uma coisa natural em cada um de nós, incorporada em uma prática diária e inconsciente que nos torna capaz de observar o mundo e a sociedade ao nosso redor, não apenas aquela a qual pertencemos pois essa não precisa de nós para além de estética e status. Devemos, por obrigação moral, ajudar e servir ao próximo que realmente necessita do Design.

Cecília, em sua pesquisa, chegou a um ponto onde tenho certeza, a maioria de vocês sequer imaginavam que o Design pudesse atuar: a qualidade da alimentação. Também tenho certeza que muitos que chegaram até aqui ainda pensam: mas isso é problema para o nutricionista resolver. Ledo engano caros “disáinhers”. Se não entenderam durante os anos de estudo e de mercado, o Design está em TUDO.

Segundo Paul Rand, “Design é uma disciplina que soluciona problemas”. Então, a detecção dos reais problemas relacionados à alimentação passa sim por ferramentas e abordagens do Design, como Design Thinking, Design de Serviços, diferença clara e correta entre Briefing e programa de necessidades e outras tantas mais. Se não aprendeu isso na academia, volte lá e reclame com seus professores e coordenadores de curso pois tua formação definitivamente pouco teve a ver com DESIGN.

O Design é sim uma ferramenta POLÍTICA! E é somente através deste olhar holístico que conseguimos perceber o mundo – além das bolhas que nos cercam e vivemos – afim de propor as ações e mudanças necessárias. Não só propor mas doar-se por causas justas – especialmente as humanitárias – correndo atrás e lutando para que estas se tornem realidades e sejam concretizadas de forma efetiva e não apenas paliativas num ato ignorante de “empurrar com a barriga” o problema para frente e depois, lá na frente, repetir o mesmo ato e assim consecutivamente sem nunca resolvê-lo.

O Design deve presente nas políticas públicas, no desenvolvimento, na economia, na educação, na segurança, no meio ambiente, nas cidades, enfim, em TUDO que afete as interações:

Usuário <> espaço

Usuário <> serviços

Usuário <> acesso a direitos

Usuário <> cidadania

Usuário <> qualidade de vida

Usuário <> existir

Usuário <> usuário

Se tua caridade se resume a ações para aparecer nas colunas sociais como benfeitor(a) de uma determinada ação ou vausa, ela não é caridade. Você só quer aparecer mesmo com seus brindes com champanhe e poses para fotos, nada além disso.

Se o teu Design se resume a projetos que nunca chegam aos que realmente necessitam, lá nas favelas e periferias, me desculpe pessoa mas de nada ele serve. Você realmente não aprendeu ou entendeu NADA sobre o que é Design.

Duas excelentes dicas de leitura – que tenho certeza a maioria sequer ouviu falar na academia ou na vida profissional que tenho certeza irão abrir seus olhos, coração e mente para o papel real do Design:

Design para um mundo complexo, Rafael Cardoso. Ed. Ubu.

O designer humilde, Charles Bezerra. Ed. Rosari.

Resta colocar, por fim, que o Design tem um papel fundamental de buscar interagir ao máximo com o tudo e todos, de propor soluções para melhorar essa interação entre as diversas pontas desse complexo mundo em que vivemos visando alcançar positivamente, principalmente, aqueles que realmente necessitam.

Não. Lar doce lar, Decora e outros programas similares que vemos em diversas mídias e formatos, que tantos idolatram, pouco tem a ver com a verdadeira responsabilidade social do Design e do Design de Interiores.

E não, pessoas. Aqueles jantares beneficentes que você paga fortunas para participar não chegam aos pés do real significado de responsabilidade social do Design. Aquilo só serve para enganar a sua consciência isentando-se de encarar de frente a realidade do que é ser um designer realmente responsável com o social.

 

 

 

DInts: o que aconteceu com muitos de vocês?

Vou me ater e me dirigir aqui diretamente aos DInts e LDs, pois são minhas áreas profissionais. Porém, o que escreverei nas linhas a seguir vale para TODAS as outras áreas que trabalham com criatividade, com desenvolvimento e, principalmente, com o cuidado e bem-estar humano: medicina, arquitetura, engenharias, educação, direito, psicologia, etc.

Vi com tristeza, nas últimas semanas, inúmeros colegas de profissão – e até acadêmicos – agindo de forma estranha e NADA compatível com a função de nossa profissão. Cegos para diversos problemas reais e importantes, fazendo-os seguir por um caminho que coloca em risco não apenas a segurança institucional de nossa nação enquanto Estado Democrático de Direito mas, acima de tudo, a segurança de nosso povo e vida de milhões que TAMBÉM fazem parte desta nação – nosso povo.

O QUE ACONTECEU COM VOCÊS? ALGUÉM CONSEGUE ME EXPLICAR?

Nossa profissão é, acima de tudo, uma área técnico-criativa que exige domínio de conhecimentos e ferramentas que nos possibilitam observar e abordar os problemas por diversos ângulos sempre em busca da melhor solução para eles. E esta solução não deve atender as necessidades de apenas um usuário ou um grupo de usuários e sim, de TODOS os usuários envolvidos. Caso isso não aconteça, o projeto falhará ao errar por falta de atenção colocando os outros em riscos – até de vida. Caso você resolva escolher as preferências e necessidades de um grupo, certamente estará deixando de lado as necessidades de outros grupos que também fazem parte do todo. Pelos discursos que li e ouvi, vale ressaltar que a ideia propagada contra direitos de minorias em prol de um direito igualitário e comum a todos é perfeita, mas apenas se vivêssemos em um país evoluído, educado, respeitoso onde todos teriam o direito de ser o que são independente se A, B ou C não gostam. Mas esta NÃO É a nossa realidade. Estamos anos luz distantes dessa realidade e as manchetes dos jornais nos mostram isso diariamente, infelizmente. Então, o correto seria escolher a solução que melhor se adeque para atender aos problemas de TODOS, dentro do possível. E sim, era possível mas ignoraram isso.

Existem interferências no meio do caminho que podem desviar a nossa atenção levando-nos a errar. De alterações não autorizadas por nós, propostas e realizadas pelos próprios clientes em conversas com pedreiros ou amigos àquelas feitas por vendedores, são várias interferências que ocorrem e, caso não estejamos atentos e acompanhando de perto a obra, podemos ter graves problemas no futuro. Nos últimos dias vi a disseminação de ruídos pegando em pontos frágeis e mal resolvidos da maioria da população (como religião, família, educação, etc) com a clara intenção de desviar a atenção de vocês daqueles pontos que guiavam para outra verdade grave: esquecer que neste projeto existe um público alvo imenso, com todas as cores, bandeiras, níveis sócio-educacionais, ideologias religiosas, etc.

Sim, nossa profissão que carrega o sério e valoroso nome de DESIGN é uma atividade política. Este debate se faz presente em TODAS as etapas de nosso labor diário onde temos a obrigação de ouvir e atender as demandas de nossos clientes e fornecedores, mesmo que não concordemos com as mesmas. Ao mesmo tempo, devemos respeitar as normas e legislação vigente que afetam diretamente nosso trabalho. Sem esse debate democrático e essa capacidade política de articular todos os elementos de um projeto, o mesmo está fadado ao fracasso total.

Posto isso tudo, só me resta uma coisa a fazer, PERGUNTO:

Onde foi parar a capacidade de elencar o PROGRAMA DE NECESSIDADES, utilizado para identificar os problemas, as possibilidades e as necessidades reais aplicando, para isso, os devidos filtros, estando atento à capacidade de realização dos elementos necessários, estando atento às normas e legislação vigente eliminando os riscos aos usuários através da correta atenção dos mesmos?

Também preciso questioná-los sobre onde foi parar a sua capacidade básica – fundamental e essencial no Design, de nosso labor profissional – de BRIFAR? Onde foi parar a capacidade de coletar, estudar e analisar minuciosamente TODOS os dados necessários para desenvolver os projetos da forma mais segura, correta e adequada aos nossos clientes visando o bem-estar DE TODOS os envolvidos? Pelo que ficou claro, a atenção de vocês ficou fixada em apenas um ponto e vocês ignoraram conscientemente (pois burros sei que não são) todos os outros problemas acobertados por um detalhe aparentemente grave (e não é) que apontam claramente para um projeto desastroso, que não atenderá questões e necessidades mínimas para solucionar TODOS os problemas que presentes nesse pacote de projeto.

Preocupam-se tanto com a segurança optando por não ter mais que gastar “blindando as vidraças” que não perceberam que mais de 90% da população – aquela pobre que mais sofre e precisa de segurança diariamente – não tem a menor condição nem de colocar grades em suas casas. Também não percebem nem pensaram em soluções para os graves problemas – da segurança à economia – que acometem outros usuários, os faz sofrer, chorar e sangrar TODOS OS DIAS.

Será que vocês entenderam algo nas aulas sobre SEMIÓTICA, aquela matéria básica que trata de símbolos, linguagens e metalinguagens – incluindo as subliminares? Não se recordam de nada sobre arquétipos?

Igualmente, preciso tentar entender onde foi parar os conhecimentos sobre MARKETING e VISUAL MERCHANDISING que tanto utilizamos em projetos comerciais, principalmente para SEDUZIR E ENCANTAR os clientes através de técnicas de exposição para que eles entrem e comprem as ideias (produtos) de nossos clientes? Inacreditavelmente, percebi que muitos foram dragados pelo “canto da sereia” de uma forma sutil onde, através de manobras e práticas de persuasão absolutamente desconectadas com a realidade, da mesma forma de um empresário que quer destruir seu concorrente para que reine sozinho. Não perceberam que entraram numa jogatina suja onde “os fins justificam os meios”?

Onde foram parar os “pseudos intelectuais” com sua “superior capacidade de pensar”? Onde está a filosofia que tanto berram dominar ao citar, através de frases em posts de facebook ou Instagram? Cadê a capacidade básica de “suspender o juízo” e analisar, de fora e sem predefinições, dois – ou mais – lados de um mesmo problema para conseguir tomar uma decisão pragmática baseada, principalmente, na melhor solução que é a ÉTICA? Vale lembrar que esta palavra não serve só para o que lhe é ético conforme suas conveniências pessoais. Se assim o for, não é ética e sim, charlatanismo e hipocrisia.

Onde vocês enfiaram os conhecimentos sobre DESIGN THINKING, DESIGN DE SERVIÇOS, Técnicas de Conservação e Restauração, escolha e especificação de materiais, análise de correlatos e tantos outros conhecimentos necessários aos projetos?

Para que então foi inserido na LEI N° 13.369/2016 que devemos, entre outras coisas, “zelar pela segurança dos usuários“? E, entende-se por “usuários”, TODOS os usuários daquele espaço e não apenas quem define a cor, o estilo, os horários, etc. Isso entrou na nossa Lei só para enfeitar e ficar bonito? Apenas para trazer uma suposta “responsabilidade”?

Por falar nisso, alguma vez ouviram falar sobre RESPONSABILIDADE SOCIAL?

Isso tudo me lembra de uma senhora que, em público, falou que os tapetes são mais importantes que a Ergonomia. Será que vocês se deixaram esvaziar tão fácil assim? Será que a formação acadêmica de vocês foi realmente sólida em princípios básicos de Design ou ficou apenas na troca de vasinhos e cortininhas? Será que vocês simplesmente passaram pela academia e não aprenderam a pensar, refletir, analisar e criticar sobre os problemas que envolvem os projetos, os usuários, a cidade, a vida? Será que vocês não aprenderam que as ferramentas, técnicas e abordagens do Design não servem apenas para projetos mas sim, para serem aplicadas também na vida diária fora dos escritórios?

E sobre RESPONSABILIDADE AMBIENTAL (também conhecida erroneamente como sustentabilidade)? Perderam a capacidade de analisar as propostas de projeto que vão claramente contra o meio ambiente, afetando fauna, flora, rios e pior: populações que vivem nestas áreas? Que esta mesma responsabilidade ambiental deve ser estendida também para as questões de preservação das poucas áreas de reservas que temos e não podemos permitir que a mineração as destruam?

Nos últimos dois meses tentei, incansavelmente, alerta-los sobre os caminhos que estavam trilhando:

– sobre todos os problemas presentes mas acobertados pela “estética” e “marketing”, apontando que haviam outras soluções mais viáveis, sensatas e, principalmente, fora mais adequadas.

– que os erros já cometidos nos projetos devem servir para aprendermos, melhorar nossas técnicas e práticas e não para serem ignorados. Na História da humanidade isso é muito claro.

– Desenhando, incontáveis vezes, que é nosso dever mostrar aos nossos clientes que para um projeto ter sucesso faz-se necessária a urgente UNIÃO de todos os usuários visando o bem comum e não de birras, picuinhas, egocentrismos, etc.

– Às vezes orbitei em meu umbigo mas não por mim e sim para exemplificar o sofrimento real vivido por milhões de pessoas que, como eu, são diferentes. E, nesse grupo tem de crianças a idosos, de todas as classes sociais, profissões, ideologias e crenças.

PARABÉNS A VOCÊS! Este projeto protótipo de péssima qualidade de um projeto mal elaborado e apoiado por vocês não passa de uma UTI implantada em um galpão abandonado há mais de 30 anos sem fazer, ao menos, uma limpeza no local. Só se esqueceram que vocês também estão como potenciais pacientes dessa mesma UTI e serão atendidos por pseudos médicos e pseudos enfermeiros sem especialização ou experiência alguma, que utilizarão equipamentos, insumos, medicamentos e técnicas de quase 50 anos atrás. E lembrem-se: não pode chorar ou reclamar senão… piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii….

DESIGNERS, O QUE ACONTECEU COM VOCÊS?

VERGONHA

DÉCOR SOCIAL – uma iniciativa que vale a pena apoiar.

decor social

Poucas vezes vi uma iniciativa ligada ao Design de Interiores que realmente chamasse a minha atenção e despertasse o meu desejo real de ajudar. E esta, sem sombra de dúvida, é uma das mais belas que já vi por seu caráter social – uma das funções do DInt que é negligenciada nos diversos níveis: da academia aos profissionais. É um projeto que realmente impacta a vida das pessoas envolvidas sejam elas os profissionais e fornecedores envolvidos mas, especialmente, dos beneficiados.

Apresento a vocês o Décor Social:

A Decór Social é uma Associação sem fins lucrativos com o objetivo de reformar e decorar abrigos que acolhem crianças e adolescentes por meio da mobilização voluntária de arquitetos, designers, decoradores, paisagistas, e com apoio de marcas, lojas, jornalistas, veículos, empresários, formadores de opinião e sociedade em geral.

Esse projeto nasceu da inquietude e indignação de seus fundadores. Da intenção de mudar a vida daqueles esquecidos pela sociedade. De transformar o ambiente em que essas pessoas vivem, despertando sensações, promovendo o bem estar por meio da decoração e elevando a autoestima.

TEM COMO MISSÃO, PROVER A ESSES INDIVÍDUOS UM AMBIENTE DIGNO, UM VERDADEIRO LAR.

A ideia da Decor Social começou lá atrás, a partir da iniciativa de uma de suas fundadoras, a designer de interiores Katia Perrone que, atuando de forma voluntária na Associação Ma. Helen Drexel, fez uma reforma em um dos lares por conta própria. Logo percebeu que, de forma solitária, seria muito difícil fazer a revitalização dos espaços das casas abrigo. Em um encontro com o colega arquiteto Vicente Parmigiani, decidiram fazer um projeto social nos moldes de uma “Mostra de Decoração”, contando com a parceria dos profissionais do portal Diário do Arquiteto, de Simone Goltcher, que voluntariamente se uniram à causa. Assim nascia o projeto DAdobem. Sob a coordenação de Katia e Vicente, foram entregues 03 lares graças a uma grande rede do bem, com mais de 50 profissionais, 180 empresas e fornecedores parceiros.

Com os lares entregues e as crianças e adolescentes tendo suas vidas impactadas pelo novo ambiente das casas, Katia e Vicente decidiram seguir com o modelo de projeto e fundar uma ONG. Convidaram a economista Andrea Bonventi e a designer de interiores Lucy Amicón, e juntos lançaram a DECOR SOCIAL“.

O desenvolvimento dos projetos segue as etapas:

  1. É selecionada a Instituição a ser beneficiada;
  2. Recruta-se os Profissionais e os selecionados participam do sorteio dos ambientes;
  3. Inicia a Campanha de Captação de Recursos via crowdfunding;
  4. Realiza-se a execução do projeto de reforma e montagem dos ambientes pelos profissionais;
  5. Entrega do Projeto finalizado para a Instituição e realização do Evento de Inauguração.

Você pode participar como profissional ou fornecedor, basta cadastrar-se no site. Profissionais doam o projeto e execução das obras, os fornecedores  doando materiais, equipamentos e mão de obra.

As instituições que desejam ser beneficiadas também podem se cadastrar através do site neste link.

Se você não tem tempo ou disposição para ajudar, pode doar dinheiro para o projeto através de e opções que você encontra clicando aqui.

Ou ainda através da campanha de crowdfunding do projeto na plataforma kickante.

Veja abaixo uma sequência de trabalhos já realizados por eles:

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É o tipo de projeto que eu sonho ver espalhado por todo esse nosso país – e até fora – levando alegria, segurança e cuidado a aqueles que tanto precisam. E também amor, MUITO AMOR!

Siga, divulgue a apoie o projeto através das redes sociais:

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Instagram

LinkedIn

Parabéns a todos os envolvidos. O mundo precisa de mais pessoas como vocês. No que eu puder ajudar, estou aqui.

Pela beleza e qualidade do projeto, ganharam um selo com link direto aqui na lateral de meu blog.

Se me pedissem para resumir este projeto em uma frase eu diria que

“É o DInt sendo usado para fazer o bem e levar amor e cuidado a quem precisa!”

TCC: VALOR INSTITUCIONAL APLICADO À COORDENAÇÃO DAS AGRÁRIAS INSPIRADO EM AMACIO MAZZAROPI.

Fazia tempo que eu queria postar esse TCC que orientei, desenvolvido pelo meu ex-aluno Miguel Prado Silva.

Sabe aquele trabalho que dá orgulho orientar, que você vê a cada semana o crescimento do aluno como pessoa e como profissional, que fica evidente o amadurecimento intelectual e que te deixa a certeza de que sim, este aluno está preparado para o mercado?

Pois é, este é o caso.

Não pude postar antes pois ele me pediu para participar do Láurea Máxima Brasil de Design de Interiores, concurso acadêmico da ABD. Ele não foi selecionado entre os finalistas da categoria tecnológico mas tenho certeza que despertou paixão em todos os jurados com este belo e excelente projeto.

Segue o escopo do projeto:

Vê-se constantemente nas IES o cuidado excessivo com áreas comuns onde o nome e o padrão de qualidade das mesmas são facilmente perceptíveis. No entanto, estes cuidados tendem a diminuir conforme adentramos às áreas que não estão diretamente aos olhos do público. É comum que as coordenações e secretarias de cursos não recebam o mesmo cuidado que uma reitoria ou pró-reitorias, por exemplo (à exceção de coordenações de cursos da área criativa). Nesse sentido, percebe-se que estes espaços são, de certa forma, deixados de lado tendo de conviver com mobiliários e equipamentos reaproveitados. Isso gera um olhar de estranheza em todos os envolvidos pois, por mais que os cursos sejam de excelência e tenham diversos títulos recebidos, o descaso com estes espaços e com a qualidade de trabalho nos mesmos apontam para outra direção não refletindo coerentemente os valores declarados pelas IES. Não seriam estes espaços dignos de um melhor tratamento e cuidado tendo em vista que são o cartão de visitas destes cursos? Esta é a questão essencial deste TCC. Infelizmente faz parte do penúltimo grupo de alunos que teve TCC na instituição onde eu lecionava.

O objeto base utilizado na elaboração deste TCC é uma sala de aulas de 121,37m² que fora destinada pela IES para servir como Secretaria e Coordenações dos cursos do Departamento das Agrárias que agrega os cursos de Medicina Veterinária, Agronomia e Zootecnia. É uma sala no piso térreo, na ala frontal da edificação, localizada no Campus II. Por ser face Leste, este espaço recebe insolação direta nas janelas durante o período da manhã e tem uma ventilação natural cruzada facilitada pela disposição das janelas em paredes opostas.

Além dos três coordenadores, trabalham ali três professores de apoio aos coordenadores e duas secretárias: uma para serviços internos e outra para atendimento ao público, totalizando cinco funcionários fixos e três com horários livres. O uso do espaço considera, como já descrito, aspectos de secretaria de cursos e de coordenações: neste local são desenvolvidas todas as atividades de gestão acadêmicas, administrativas e financeiras dos cursos; possui área de espera/atendimento a alunos, corpo docente e visitantes, para armazenamento de documentos e materiais diversos relativos aos cursos e de TCCs, exposição de troféus e premiações recebidos pelos cursos, realização de reuniões, atendimento para professores e convidados externos e área de lanches rápidos – copa.

No levantamento inicial foram detectados problemas gerais que atrapalham o desenvolvimento das atividades por todos que frequentam o espaço. Ficou constatado que não há separação física entre os setores o que prejudica as atividades de todos; visualmente, os coordenadores ficavam expostos e em seus atendimentos, não existe privacidade; o mobiliário já antigo e que não atende as necessidades de armazenamento e guarda segura de documentos nem permite a construção de uma barreira de acesso para o público externo; Acrescente-se ainda, a inexistência da Identidade Visual – seja dos cursos ou da IES – aplicada dentro do espaço. Estes fatores promovem uma desorganização geral do espaço seja por questões estruturais (falta de mobiliário, layout ruim, etc.) ou visuais e estéticas. Tais problemas são de conhecimento comum dentro da IES e há algum tempo as coordenações tentam uma melhoria em sua sala porém, faltava um projeto para a mesma.

A orientação foi realizada com encontros semanais seguindo o padrão exigido pela IES para a elaboração e apresentação de TCCs. Além dos elementos tradicionais como briefing, estudos conceituais e técnicos, levantamentos inloco, pesquisas institucionais sobre os cursos e estudos sobre estilos e cores, foram inseridos pelo orientador outros estudos e abordagens de Design visando a melhor compreensão dos problemas tais como o Design Thinking, a Análise Volumétrica, o Design de Serviços e a correta distinção entre Briefing e Programa de Necessidades. Aparentemente, por ser uma sala ampla para apenas três coordenações, seria fácil a definição dos espaços. No entanto, ergonomicamente falando, o trabalho não foi tão simples dadas as peculiaridades de cada coordenação – e coordenadores – e do restante das áreas solicitadas pelos usuários fixos. A análise volumétrica – estudo através de blocos em 3D – foi necessária para a percepção de elementos e detalhes que poderiam ser modificados em sua dimensão e forma promovendo um melhor aproveitamento dos ambientes projetados além de garantir a correta análise do fluxo e da ergonomia nos espaços.

A região onde está inserido o projeto é bastante rica e tem sua renda predominantemente oriunda do agronegócio. Por este motivo, estes cursos estão entre os principais oferecidos pela Instituição e estão entre os mais procurados. O ponto em comum é a roça (chácaras, sítios e fazendas) onde os profissionais destas áreas atuam no dia a dia. O contato direto com as pessoas destes espaços ajuda a manter as tradições rurais bem como reforça nos estudantes o gosto por este estilo de vida. O jeito “jeca” representado por Amacio Mazaropi no cinema nos traz pistas de como é este modo de vida simples, regada a muito suor no labor diário da roça, uma alimentação simples porém saborosa e a honestidade e honradez pessoal e os fortes laços familiares. Trazer os valores do homem da roça, que descrevem muito bem o dia a dia dos cursos das agrárias, do modo de falar e pensar aos elementos físicos típicos das casas sertanejas da região sudeste do Brasil e que se fazem presente no dia a dia da cidade grande tendo sido incorporado à cultura local.

Dada a complexidade física das necessidades encontradas, o projeto propôs um excelente aproveitamento dos espaços através de um layout justo, racional e sem excessos expressando o cuidado institucional com seus setores. Aliado a isso, trazer para dentro da instituição a “cara” do meio onde os trabalhos são desenvolvidos através de formas, cores, materiais, elementos e detalhes típicos da roça reforça a preocupação na manutenção do elo social da IES com seu público alvo e final.

 

Parabéns meu (agora) colega profissional Miguel Prado!!!

#Entrevista #Facnopar

Olá meus leitores, salve salve!!!

Segue entrevista que dei à Facnopar (Apucarana-PR) onde conversamos sobre o que é Design de Interiores, quem é este profissional e para que serve, qual o perfil profissional, situação do mercado de trabalho,regulamentação profissional, os vetos e as perspectivas para a profissão.

Espero que gostem.

Para assisti-lo, clique aqui.

Até a próxima!!!