DESIGN PARA PESSOAS: CADÊ A TUA RESPONSABILIDADE SOCIAL?

Semana passada recebi de presente pelo Facebook o link para a tese de doutoramento da Cecília Carvalho, defendida na Universidade do Porto, que pode ser baixada clicando aqui.

“Mas o que é que o design tem a ver com os pobres?” muitos devem estar se perguntando não é mesmo? Pois bem, esse foi um dos questionamentos fundamentais que a levou a trilhar por esse tema em sua pesquisa.

Em “Utopia nas margens: o papel do design na co-criação de alternativas num contexto de exclusão social”, ela trata das questões relativas à comunicação destinada aos menos favorecidos com relação aos seus hábitos alimentares: conhecimento sobre alimentação saudável, investigação sobre problemas alimentares e delineação de propostas visando reverter o déficit alimentar dessa população carente.

Design para pessoas

É exatamente sobre isso que venho me questionando já há um bom tempo: qual o pape do DInt nesse contexto? Dentro e fora da academia vejo incontáveis projetos sem qualquer lastro com a pegada – ou responsabilidade – social de nossa área. Até mesmo nos projetos de TCC ou artigos inscritos em eventos científicos pouquíssima coisa se vê nesse sentido.

Quando aparece alguma atividade nesse sentido, não sei se por erro de estratégia ou por real motivação, deixa a entender que que tal ato não se trata de responsabilidade social e sim, apenas, de busca de holofotes sobre uma suposta pegada social visando alcançar a mídia num claro ativismo elitista de “fazer o bem” para aplacar a sua consciência e mostrar à plateia como se é “caridoso(a)”.

Começando de leve: Alguma vez já se preocupou realmente com as condições de vida de sua empregada doméstica (ou diarista) além do pagamento mensal que faz a ela e dos presentes toscos dados em datas festivas?

Não! A responsabilidade social não busca isso e nem deve buscar esse reconhecimento. Se assim for realizada não é nada além de uma forma mascarada de massagear seu próprio ego. Ela deve ser espontânea, gratuita e capaz de entrar onde estão as pessoas que realmente precisam de ajuda, que perderam a noção de seus direitos e cidadania, que não tem acesso a informações das mais variadas sobre o que afeta a sua vida (pessoal ou comunitária) e estão em um estado de dormência, anestesiados por tanto sofrimento que os faz acreditar que aquela é a única realidade disponível para eles.

Vocês por acaso sabem que existem pessoas residentes nas periferias de suas cidades que NUNCA saíram de seus próprios bairros, que desconhecem suas próprias cidades? Que acreditam que aqueles serviços públicos de péssima qualidade “é o que tem disponível e não tem como melhorar”? Que aquela péssima infraestrutura (falta de saneamento, asfalto, distribuição de água e energia, lixões a céu aberto, etc) a eles ofertada é o suprassumo? Que sofreram e sofrem tanto que o conformismo e derrotismo já corroeu suas almas, suas vidas, retirando destes qualquer desejo ou força para lutar pelo que lhes é de direito?  Pois sim, existem aos milhares de pessoas que vivem nessa condição, infelizmente.

Ou será que você acredita que aquele morador de rua – que você passa e desvia seu corpo e olhar – está ali porque quer?

Nosso país tem sérios problemas causados pela péssima administração e gestão pública (modelo arcaico e burocrático) aliado à corrupção que não se restringe apenas aos políticos e gestores. É má distribuição de renda, de recursos, de serviços, de TUDO! E você aí pensando que não tem nada a ver com isso ne? Que não tem como mudar pois o país é assim, o sistema é assim ou seja lá quantas desculpas mais você pode arranjar para isentar-se de sua responsabilidade sobre os problemas acima elencados e tantos outros mais que afligem a nossa população.

Conheço muitos DInts que NUNCA sequer pensaram em passar perto de uma área periférica de suas cidades. Seja pelo justo medo da violência ou por acreditar realmente que aquela caridade prestada onde for já basta para fazer a sua parte. Queridos, doar 1 litro de leite em alguma campanha não basta. Só para apaziguar consciências humanas ocas. Fazer aquela visita de seu grupo (seja lá de que for) 1 vez por ano a um asilo ou orfanato não é caridade.

Para muitos, a caridade se resume apenas a uma parte do que ela realmente significa. Para esclarecer, utilizarei exemplos baseados no significado da palavra segundo os dicionários;

Muitos acreditam numa visão cristã sobre “Amor a Deus e ao próximo: a caridade é uma das três virtudes teologais.” ou, como dizem no popular, “Amor ao próximo: agir por pura caridade”. E ainda “aquilo que se oferece a; esmola, favor, benefício: fazer a caridade”.

A responsabilidade social de nossa profissão ultrapassa essa visão pequena e egocêntrica e pequena. Ela deve ser tratada, ainda na caridade, como a “disposição para ajudar o próximo; tendência natural para auxiliar alguém que está numa situação desfavorável; benevolência, piedade.” Deve, portanto, ser uma coisa natural em cada um de nós, incorporada em uma prática diária e inconsciente que nos torna capaz de observar o mundo e a sociedade ao nosso redor, não apenas aquela a qual pertencemos pois essa não precisa de nós para além de estética e status. Devemos, por obrigação moral, ajudar e servir ao próximo que realmente necessita do Design.

Cecília, em sua pesquisa, chegou a um ponto onde tenho certeza, a maioria de vocês sequer imaginavam que o Design pudesse atuar: a qualidade da alimentação. Também tenho certeza que muitos que chegaram até aqui ainda pensam: mas isso é problema para o nutricionista resolver. Ledo engano caros “disáinhers”. Se não entenderam durante os anos de estudo e de mercado, o Design está em TUDO.

Segundo Paul Rand, “Design é uma disciplina que soluciona problemas”. Então, a detecção dos reais problemas relacionados à alimentação passa sim por ferramentas e abordagens do Design, como Design Thinking, Design de Serviços, diferença clara e correta entre Briefing e programa de necessidades e outras tantas mais. Se não aprendeu isso na academia, volte lá e reclame com seus professores e coordenadores de curso pois tua formação definitivamente pouco teve a ver com DESIGN.

O Design é sim uma ferramenta POLÍTICA! E é somente através deste olhar holístico que conseguimos perceber o mundo – além das bolhas que nos cercam e vivemos – afim de propor as ações e mudanças necessárias. Não só propor mas doar-se por causas justas – especialmente as humanitárias – correndo atrás e lutando para que estas se tornem realidades e sejam concretizadas de forma efetiva e não apenas paliativas num ato ignorante de “empurrar com a barriga” o problema para frente e depois, lá na frente, repetir o mesmo ato e assim consecutivamente sem nunca resolvê-lo.

O Design deve presente nas políticas públicas, no desenvolvimento, na economia, na educação, na segurança, no meio ambiente, nas cidades, enfim, em TUDO que afete as interações:

Usuário <> espaço

Usuário <> serviços

Usuário <> acesso a direitos

Usuário <> cidadania

Usuário <> qualidade de vida

Usuário <> existir

Usuário <> usuário

Se tua caridade se resume a ações para aparecer nas colunas sociais como benfeitor(a) de uma determinada ação ou vausa, ela não é caridade. Você só quer aparecer mesmo com seus brindes com champanhe e poses para fotos, nada além disso.

Se o teu Design se resume a projetos que nunca chegam aos que realmente necessitam, lá nas favelas e periferias, me desculpe pessoa mas de nada ele serve. Você realmente não aprendeu ou entendeu NADA sobre o que é Design.

Duas excelentes dicas de leitura – que tenho certeza a maioria sequer ouviu falar na academia ou na vida profissional que tenho certeza irão abrir seus olhos, coração e mente para o papel real do Design:

Design para um mundo complexo, Rafael Cardoso. Ed. Ubu.

O designer humilde, Charles Bezerra. Ed. Rosari.

Resta colocar, por fim, que o Design tem um papel fundamental de buscar interagir ao máximo com o tudo e todos, de propor soluções para melhorar essa interação entre as diversas pontas desse complexo mundo em que vivemos visando alcançar positivamente, principalmente, aqueles que realmente necessitam.

Não. Lar doce lar, Decora e outros programas similares que vemos em diversas mídias e formatos, que tantos idolatram, pouco tem a ver com a verdadeira responsabilidade social do Design e do Design de Interiores.

E não, pessoas. Aqueles jantares beneficentes que você paga fortunas para participar não chegam aos pés do real significado de responsabilidade social do Design. Aquilo só serve para enganar a sua consciência isentando-se de encarar de frente a realidade do que é ser um designer realmente responsável com o social.

 

 

 

#FimdeSemanaNoMuseu!

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Sim, esta é uma campanha que todos devem abraçar!

Após diversas ocorrências de sinistros que dizimaram importantes Museus e Centros de Pesquisas brasileiros por puro descaso do poder público, precisamos agir com urgência em defesa do pouco que nos resta.

A ideia á simples: nos próximos finais de semana – ou em dias livres da semana – procure visitar o(s) museu(s) de sua cidade. Seja com seu smartphone ou máquina fotográfica, registre TUDO que perceber de errado relacionados a infraestrutura, segurança e outros elementos que colocam em risco estes espaços e que podem provocar incidentes como o ocorrido recentemente com o nosso Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

SE NÓS NÃO DENUNCIARMOS O DESCASO, FATALMENTE IREMOS PERDER O POUCO QUE NOS RESTA. É NOSSO DEVER, COMO CIDADÃOS, TOMAR CONTA DO QUE É NOSSO!!!

Não tem museu em sua cidade ou em outra próxima? Existem outros espaços que também devemos cuidar: Bibliotecas, teatros, praças… Qualquer espaço que seja NOSSO e que é obrigação do governo de manter!!!

Se estiver fechado, fotografe também!

Espalhe esta ideia entre seus familiares, amigos, vizinhos, colegas profissionais ou de curso. Envolva a sociedade de sua cidade nisso!!!

Ajude a compartilhar esta ideia.

#todomundonomuseu #MuseuNacional #elesprecisamdenós #VamosTomarContaDoQueÉNosso #PatrimônioPúblico #NossaHistória #acervo #pesquisa #FimdeSemanaNoMuseu

DÉCOR SOCIAL – uma iniciativa que vale a pena apoiar.

decor social

Poucas vezes vi uma iniciativa ligada ao Design de Interiores que realmente chamasse a minha atenção e despertasse o meu desejo real de ajudar. E esta, sem sombra de dúvida, é uma das mais belas que já vi por seu caráter social – uma das funções do DInt que é negligenciada nos diversos níveis: da academia aos profissionais. É um projeto que realmente impacta a vida das pessoas envolvidas sejam elas os profissionais e fornecedores envolvidos mas, especialmente, dos beneficiados.

Apresento a vocês o Décor Social:

A Decór Social é uma Associação sem fins lucrativos com o objetivo de reformar e decorar abrigos que acolhem crianças e adolescentes por meio da mobilização voluntária de arquitetos, designers, decoradores, paisagistas, e com apoio de marcas, lojas, jornalistas, veículos, empresários, formadores de opinião e sociedade em geral.

Esse projeto nasceu da inquietude e indignação de seus fundadores. Da intenção de mudar a vida daqueles esquecidos pela sociedade. De transformar o ambiente em que essas pessoas vivem, despertando sensações, promovendo o bem estar por meio da decoração e elevando a autoestima.

TEM COMO MISSÃO, PROVER A ESSES INDIVÍDUOS UM AMBIENTE DIGNO, UM VERDADEIRO LAR.

A ideia da Decor Social começou lá atrás, a partir da iniciativa de uma de suas fundadoras, a designer de interiores Katia Perrone que, atuando de forma voluntária na Associação Ma. Helen Drexel, fez uma reforma em um dos lares por conta própria. Logo percebeu que, de forma solitária, seria muito difícil fazer a revitalização dos espaços das casas abrigo. Em um encontro com o colega arquiteto Vicente Parmigiani, decidiram fazer um projeto social nos moldes de uma “Mostra de Decoração”, contando com a parceria dos profissionais do portal Diário do Arquiteto, de Simone Goltcher, que voluntariamente se uniram à causa. Assim nascia o projeto DAdobem. Sob a coordenação de Katia e Vicente, foram entregues 03 lares graças a uma grande rede do bem, com mais de 50 profissionais, 180 empresas e fornecedores parceiros.

Com os lares entregues e as crianças e adolescentes tendo suas vidas impactadas pelo novo ambiente das casas, Katia e Vicente decidiram seguir com o modelo de projeto e fundar uma ONG. Convidaram a economista Andrea Bonventi e a designer de interiores Lucy Amicón, e juntos lançaram a DECOR SOCIAL“.

O desenvolvimento dos projetos segue as etapas:

  1. É selecionada a Instituição a ser beneficiada;
  2. Recruta-se os Profissionais e os selecionados participam do sorteio dos ambientes;
  3. Inicia a Campanha de Captação de Recursos via crowdfunding;
  4. Realiza-se a execução do projeto de reforma e montagem dos ambientes pelos profissionais;
  5. Entrega do Projeto finalizado para a Instituição e realização do Evento de Inauguração.

Você pode participar como profissional ou fornecedor, basta cadastrar-se no site. Profissionais doam o projeto e execução das obras, os fornecedores  doando materiais, equipamentos e mão de obra.

As instituições que desejam ser beneficiadas também podem se cadastrar através do site neste link.

Se você não tem tempo ou disposição para ajudar, pode doar dinheiro para o projeto através de e opções que você encontra clicando aqui.

Ou ainda através da campanha de crowdfunding do projeto na plataforma kickante.

Veja abaixo uma sequência de trabalhos já realizados por eles:

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É o tipo de projeto que eu sonho ver espalhado por todo esse nosso país – e até fora – levando alegria, segurança e cuidado a aqueles que tanto precisam. E também amor, MUITO AMOR!

Siga, divulgue a apoie o projeto através das redes sociais:

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Instagram

LinkedIn

Parabéns a todos os envolvidos. O mundo precisa de mais pessoas como vocês. No que eu puder ajudar, estou aqui.

Pela beleza e qualidade do projeto, ganharam um selo com link direto aqui na lateral de meu blog.

Se me pedissem para resumir este projeto em uma frase eu diria que

“É o DInt sendo usado para fazer o bem e levar amor e cuidado a quem precisa!”

CARTA ABERTA PARA A COMUNIDADE DE DESIGN: LEVANTE PELA DEMOCRACIA

Reproduzo aqui a tradução em português da Carta Aberta para a Comunidade de Design: Levante pela Democracia escrita por Ezio Manzini e Victor Margolin em 5 de março de 2017, em Chicago, EUA:

Fonte: Politize!

“Estamos em tempos difíceis e perigosos. Durante muitos anos, vivemos num mundo que, apesar de seus problemas, estava comprometido com os princípios da democracia, nos quais os direitos humanos, as liberdades fundamentais e as oportunidades de desenvolvimento pessoal estavam aumentando. Hoje, este quadro mudou profundamente. Há ataques à democracia em vários países – incluindo aqueles em que a democracia parecia ser inabalável.
Diante desses desenvolvimentos, acreditamos que a comunidade de design deva tomar uma posição, falar e agir: praticantes, pesquisadores, teóricos, estudantes, jornalistas, editores e curadores – todos que estão profissionalmente envolvidos em atividades relacionadas ao design.

Não temos de partilhar exatamente a mesma ideia do que é a democracia: para defendê-la como um valor central, basta reconhecer a forte convergência entre a democracia e o design em quatro aspectos:
(1) design da democracia – melhorar os processos democráticos e as instituições sobre as quais se constrói a democracia;
(2) design para democracia – permitir que mais pessoas participem no processo democrático, especialmente através da utilização da tecnologia;
(3) design na democracia – construir o acesso, a abertura e a transparência nas instituições de forma a garantir igualdade e justiça;
(4) design como democracia – a prática do design participativo para que diversos atores possam moldar nossos mundos presentes e futuros de maneira justa e inclusiva.

O desenvolvimento de formas e processos democráticos sempre envolveu o design, e deve continuar a fazê-lo. Mas precisamos fazer mais, agora, do que projetar como normalmente.

A melhor maneira de resistir a essas tendências negativas é conceber, desenvolver e conectar novas possibilidades para a democracia e o bem-estar. Em todas as áreas possíveis onde o design tem voz, isso significa conceber ações altamente visíveis e eficazes que respondam aos desafios cruciais de hoje: criação de emprego, reforma do bem-estar, sustentabilidade ambiental. À medida que esses fios de ação interagem e se sustentam, podem se tornar uma forma dinâmica de resistência pró-ativa.

Para além de expressar e compartilhar a nossa preocupação, esta carta pretende ajudar a aprofundar e ampliar as ações em que a comunidade do design, com toda a sua riqueza e diversidade, já está a tomar uma posição. Estas discussões e iniciativas merecem mais visibilidade.

Estamos enviando esta carta para amigos e colegas que desempenham papéis diferentes na comunidade de design: associações de design, escolas de design, centros de pesquisa, publicações de design e mídia, instituições culturais relacionadas ao design.

Aos membros desta comunidade que concordam com o espírito desta carta, propomos três ações:

– escrever uma declaração pessoal de menos de 500 palavras;
– divulgue a declaração em suas redes;
– organizar um evento nos próximos meses.

Nós dois estamos empenhados em coletar essas declarações, além de informações sobre os eventos conforme estão sendo organizados, e torná-los visíveis em todas as formas possíveis.

Como podemos ser eficazes neste trabalho depende de como esta carta é recebida, e que novas energias ela gera. Esperamos que ela irá estimular os designers a se levantar e lutar pela democracia em suas próprias comunidades e em todo o mundo.”

Texto original em inglês: http://www.desisnetwork.org/2017/04/11/open-letter/

PRÊMIO LÁUREA MÁXIMA BRASIL DESIGN DE INTERIORES

laurea

PRÊMIO LÁUREA MÁXIMA BRASIL DESIGN DE INTERIORES

REGULAMENTO

 

Baixe o edital completo aqui. REGULAMENTO LAUREA MAXIMA BRASIL DESIGN DE INTERIORES VF

 

A Associação Brasileira de Designers de Interiores – ABD, com sede na capital do Estado de São Paulo, inscrita no CNPJ sob o nº 45.292.224/0001-52, realiza a 1a Edição do PRÊMIO LÁUREA MÁXIMA BRASIL DESIGN DE INTERIORES. Este Concurso possui caráter meramente cultural, não se sujeitando a quaisquer fatores aleatórios, modalidades de sorteio ou pagamento pelos participantes, nem vinculação destes ou dos contemplados à aquisição ou uso de qualquer bem, direito ou serviço, sendo dispensado de autorização, nos termos do Artigo 3º, II, da Lei Nº 5.768/71 devidamente regulamentada pelo Decreto Nº 70.951/72.

EMENTA

Concurso Nacional ABD de trabalhos de conclusão de cursos superiores – bacharelados e tecnologias – e técnicos em Design de Interiores, direcionado a estudantes formandos. Exercícios acadêmicos por excelência, os Trabalhos de Conclusão de Curso [1] – doravante chamados TCCs – devem necessariamente obedecer aos critérios e à orientação didática dos respectivos cursos no que se refere a tema, conteúdo, área e desenvolvimento, devendo necessariamente constituir-se como um PROJETO de design de interiores.

PARTICIPAÇÃO

1. A participação é aberta aos estudantes que tenham desenvolvido seus TCCs em cursos superiores – bacharelados e tecnologias – e técnicos na área de Design de Interiores (e denominações correspondentes) nos anos de 2015 e 2016, em instituições brasileiras devidamente autorizadas pelo Ministério da Educação – MEC ou reconhecidas pelas Secretarias de Educação de seus respectivos Estados;

2.  Os trabalhos – projetos de design de interiores – serão sempre individuais, não se aceitando a participação dos elaborados em equipe, mesmo que parcialmente.

INSCRIÇÃO

3.  A inscrição é feita em três fases:

     3.1.  FASE 1: CREDENCIAMENTO DOS CURSOS

           3.1.1. Caberá a cada Curso, através da Coordenação ou Direção Acadêmica, preencher via internet o cadastro da instituição através do Formulário 1 disponível até o prazo limite de 23h59min de 16 de setembro de 2016 no site do Concurso http://www.abd.org.br;

            3.1.2. Neste Formulário 1, deverão ser fornecidas:

                     a)  nome da instituição e do curso, nível (bacharelado, tecnológico ou técnico), cidade, estado;

                  b)  as listagens dos alunos que tiveram seus TCCs aprovados no ano de 2015 e no primeiro semestre de 2016, assim como os que pretendem finalizá-lo no segundo semestre de 2016;

                   c)  os nomes, em número máximo, de três professores da área de projeto de interiores da instituição para comporem listas de docentes a serem sorteados como membros das Comissões Julgadoras, segundo os critérios estabelecidos no item 5;

           3.1.3. A confirmação do credenciamento se dará através de e-mail da Comissão Organizadora do Concurso com a remessa de login e senha para acesso das instituições ao site do Concurso na segunda fase.

     3.2.      FASE 2: INDICAÇÃO DOS TRABALHOS SELECIONADOS

         3.2.1. Caberá a cada Curso realizar, através da Coordenação ou Direção Acadêmica, uma seleção dos trabalhos para participação nesta 1a Edição do Concurso, indicando percentual máximo de 30% do número total de discentes que tiveram seus TCCs aprovados nos anos de 2015 e 2016[2];

        3.2.2. Este percentual, se número racional, será sempre arredondado para o número natural imediatamente superior;

         3.2.3. Cursos com número inferior a 10 trabalhos aprovados por ano têm direito a indicar três projetos;

         3.2.4. Através do site, utilizando login e senha, deverão ser fornecidos no Formulário 2, os seguintes dados:

             a) Projetos selecionados pela instituição, de acordo aos subitens 3.2.1, 3.2.2 e 3.2.3, explicitados separadamente para os anos de 2015 e 2016;

                   b)  Tema sucinto[3] de cada projeto cadastrado;

       3.2.5. O cadastro de cada trabalho indicado para concorrer nesta edição poderá ser realizado e enviado em acessos distintos, até o prazo limite de 23h59min do dia 23 de dezembro de 2016;

       3.2.6. A confirmação do cadastro de cada trabalho será realizada pela Comissão Organizadora através de um número de inscrição e senha individual enviados por e-mail para a Coordenação ou Direção Acadêmica e para o autor do projeto, que dele farão uso na fase 3.

    3.3.      FASE 3: EFETIVAÇÃO DE INSCRIÇÃO

       3.3.1. Caberá ao autor de cada projeto efetivar a inscrição por meio da realização de upload do trabalho, obrigatoriamente via internet, através do wetransfer para o e-mail concurso@abd.org.br até as 23h59min do dia 13 de janeiro de 2017, dos seguintes arquivos:

                  a)  Projeto: em 1 (um) único arquivo no formato .pdf com no máximo 30 MB, seguindo o formato de apresentação estabelecido no subitem 4.1;

                    b) Resumo para divulgação: em 1 (um) único arquivo no formato .pdf, com no máximo 1 MB, conforme indicado no subitem 4.2;

                c) Escopo resumido do trabalho, elaborado pelo Professor Orientador ou pela banca examinadora da instituição, em 1 (um) único arquivo no formato .pdf, com no máximo 1MB, conforme indicado no subitem 4.3;

            d) Formulário 3:  impressão, preenchimento do mesmo e assinaturas do Professor Orientador ou Coordenador do curso (Diretor Acadêmico) e do autor do projeto, em 1 (um) único arquivo no formato .pdf, com no máximo 1 MB, em que se garante a fidelidade do projeto enviado ao TCC elaborado na instituição;

         3.3.2. Após o recebimento do material pela Comissão Organizadora e da conferência dos arquivos até o prazo limite de 23h59min de 23 de janeiro de 2017, a confirmação da inscrição será feita por e-mail para a Coordenação de Curso e para o autor do projeto.

APRESENTAÇÃO DOS TRABALHOS

4.  Todos os trabalhos inscritos deverão seguir as normas gerais de apresentação definidas a seguir:

     4.1.  Projetos devem ser apresentados em um único arquivo digital, no formato .pdf, com até 30 MB, com no máximo 10 (dez) pranchas A2 da ABNT (42 X 59,4cm), orientação PAISAGEM. As pranchas deverão ser numeradas no canto inferior direito ou esquerdo, 1/10, 2/10, 3/10, 4/10 e assim sucessivamente, indicando o seu número e o número total de pranchas. Ver diagrama a seguir:

           4.1.1. O título do trabalho[4] deverá constar obrigatoriamente da primeira prancha (1/…), podendo, se o autor julgar conveniente, estender-se às demais;

            4.1.2. O número de inscrição deve constar em todas as pranchas;

           4.1.3. Informações necessárias à compreensão do trabalho e que não impliquem na sua identificação devem ser apresentadas na Prancha 1 (programa, briefing – território, função e perfil do usuário, conceito). No entanto, nas pranchas não poderão aparecer o nome ou o logotipo do autor, orientador, universidade, curso ou escola e assinatura de desenhos que possibilitem a identificação do trabalho;

      4.1.4. Não poderão constar nas pranchas quaisquer menções a marcas comerciais, sendo sumariamente desclassificado o projeto que não obedecer a esse quesito;

          4.1.5. É permitida a inclusão de crédito para fotos cuja autoria pertença a fotógrafo profissional;

    4.1.6. Todos os textos, memoriais, explicações ou especificações complementares deverão constar obrigatoriamente nas pranchas, não podendo ser entregue texto avulso para fins de avaliação;

       4.1.7. As pranchas devem ser consideradas independentes para fins de apresentação e leitura, não devendo ser utilizado o recurso de continuidade do desenho de uma para outra para fins de visualização completa do objeto;

    4.2.  Resumo para divulgação: deverá ser enviado em arquivo digital à parte, no formato .pdf, com no máximo 1 MB e no máximo 30 linhas, texto com breve descrição do trabalho, destinado exclusivamente à posterior divulgação. Esse texto deverá ser a síntese explicativa do trabalho final de graduação e não será submetido à análise da Comissão Julgadora;

    4.3.  Escopo resumido do trabalho[5]: deverá ser enviado em arquivo digital à parte, no formato .pdf, com no máximo 1 MB e no máximo 80 linhas, texto elaborado pelo Professor Orientador ou pela Banca Examinadora da instituição com o escopo resumido do trabalho, onde constem os dados necessários para a compreensão do projeto proposto e suas exigências de apresentação: indicação do território (características físicas e culturais de sua localização, orientação e demais dados de interesse), função (a destinação dos espaços quanto às funções e atividades) e público alvo (o perfil do usuário), assim como as exigências de apresentação do mesmo;

         4.3.1. Este texto será submetido à análise da Comissão Julgadora, dele não podendo constar qualquer elemento de identificação, exceto o título do trabalho (V. 4.1.1) e o número de inscrição;

        4.3.2. Para fins de identificação da origem de autoria do texto deverá ser inserido o cargo/função do seu autor para posterior nomeação na etapa final, caso o trabalho seja classificado (Ex. Professor Orientador, Membro da Banca Examinadora, Coordenador ou Diretor Acadêmico);

    4.4.  Não será permitida a apresentação de trabalhos audiovisuais, vídeos, com animação e/ou semelhantes, bem como material descritivo ou levantamento de dados, em separado. O campo de expressão do autor constitui apenas as dez pranchas previstas no subitem 4.1. Os trabalhos maiores deverão ser resumidos nas dez pranchas; os desenvolvidos em processos não convencionais deverão ser transpostos para duas dimensões (exemplo: maquetes poderão ser fotografadas), desde que garantida pela instituição a fidelidade ao TCC aprovado, conforme a nota de rodapé assinalada no subitem 4.3;

    4.5.  Respeitadas as restrições de número, tamanho e diagramação básica (subitem 4.1 e seus desdobramentos), a apresentação é livre, assim como a organização das pranchas, permitindo-se o uso de qualquer técnica de desenho (manual ou digital), plotagem, fotografia, colagem, maquete eletrônica e outras mídias, sendo obrigatório o uso da cor nos desenhos, evidenciada a ambiência proposta pelo autor;

    4.6.  O concorrente deverá atentar para a legibilidade dos textos e desenhos que possibilitem a sua perfeita compreensão e avaliação.

COMISSÕES JULGADORAS 

5.  Em cada uma das etapas do Concurso – na Primeira Etapa e na Etapa Final – serão três as Comissões Julgadoras dos projetos: as duas primeiras para os trabalhos oriundos de cursos de nível superior – bacharelados e tecnologias, e a terceira para os trabalhos oriundos de cursos de nível técnico;

    5.1.  No ato do credenciamento, cada instituição participante se comprometerá a indicar pelo menos três docentes responsáveis por disciplinas de projeto em seus cursos, devidamente associados à ABD[6], encaminhando seus dados através do Formulário 1 (subitem 3.1.2, alínea c), pressupondose, por princípio, sua aceitação em participar dos sorteios para as Comissões Julgadoras, observadas as datas de avaliações das duas etapas já estabelecidas (V. 6.2.1 e 6.3.1 );

    5.2. Cada Comissão Julgadora será composta por docentes oriundos de cursos dos mesmos níveis aos dos trabalhos em avaliação;

    5.3.  As três listagens completas dos eventuais partícipes das Comissões Julgadoras da Primeira Etapa e da Etapa Final, referentes aos trabalhos de cursos superiores – bacharelados e tecnologias – e de cursos técnicos serão disponibilizadas via site do Concurso, pelo menos 14 dias após o término do credenciamento dos cursos (Fase 1), ou seja, no dia 30 de setembro de 2016;

    5.4.  As Comissões Julgadoras, com cinco membros cada, serão compostas por docentes sorteados das listas de professores com a qualificação indicada, em cada nível; seus suplentes serão igualmente sorteados na mesma lista, não podendo haver em cada uma das Comissões mais de um professor sorteado por instituição;

    5.5.  Para a Primeira Etapa e para a Etapa Final, os sorteios das três Comissões por nível serão realizados na sede da ABD no dia 21 de novembro de 2016;

              5.5.1. Os nomes dos componentes titulares (5) e suplentes (5) sorteados para cada etapa serão divulgados até o dia 28 de novembro de 2016;

    5.6. As três Comissões Julgadoras da Primeira Etapa terão os nomes dos seus componentes titulares (5) e suplentes (5) ratificados ou retificados no dia 12 de janeiro de 2017, sendo esses responsáveis pela escolha dos semifinalistas nos três níveis, através de avaliação online dos trabalhos;

           5.6.1. As instruções, o formulário de avaliação e as senhas de acesso individuais serão encaminhados aos membros nas vésperas do início dos trabalhos;

    5.7.  Para a Etapa Final os nomes dos componentes titulares (5) e suplentes (5) serão ratificados ou retificados no dia 03 de fevereiro de 2017, não podendo compor a banca nenhum docente oriundo de instituição semifinalista;

            5.7.1. Esses docentes serão responsáveis pela classificação dos finalistas nos três níveis, através de avaliação online dos trabalhos;

           5.7.2. As instruções, o formulário de avaliação e as senhas de acesso individuais serão encaminhados aos membros nas vésperas do início dos trabalhos;

             5.7.3. Poderá a Presidente da ABD, a seu critério, participar desta Etapa como membro avaliador, sendo então a Comissão Julgadora composta por seis membros;

    5.8.  Os professores membros das Comissões Julgadoras receberão certificados de participação.

PROCESSO SELETIVO E A AVALIAÇÃO

6.  O processo seletivo se dará em três fases:

    6.1.  Seleção interna na instituição de ensino dos melhores trabalhos finais de conclusão de curso nos anos de 2015 e 2016 (V. 3.2.1 do subitem 3.2 e nota de rodapé); percentual máximo de 30% do número total de discentes que tiveram seus TCCs aprovados nos anos de 2015 e 2016 poderão ser selecionados (V. 3.2.2, 3.2.3 e 3.3.4 do item 3.2);

    6.2.  Na Primeira Etapa, avaliação online pelas Comissões Julgadoras em nível nacional para seleção dos projetos semifinalistas:

             6.2.1. Seleção de até 5 melhores projetos de cada um dos níveis dos cursos participantes (totalizando até 15 projetos semifinalistas), seguindo os critérios de avaliação estabelecidos;

             6.2.2. A avaliação da Primeira Etapa se dará de 24 a 31 de janeiro de 2017;

    6.3. Na Etapa Final, avaliação online pelas Comissões Julgadoras em nível nacional para seleção dos projetos finalistas;

          6.3.1. Seleção, entre os 15 semifinalistas, dos 3 melhores projetos de cada um dos níveis dos cursos participantes (totalizando até 9 projetos finalistas), através da análise dos mesmos em relação às exigências estabelecidas em cada instituição e aos critérios de avaliação do Concurso;

              6.3.2. A avaliação da Etapa Final se dará de 07 a 09 de fevereiro de 2017.

    6.4. Em ambas as Etapas, será atribuída pontuação e justificativa para cada um dos quesitos dos itens de avaliação;

     6.5.  As decisões das Comissões de Avaliação serão fundamentadas e delas não caberão recursos.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

7. Serão adotados os seguintes critérios de avaliação, para todos os trabalhos participantes que estejam em conformidade com as exigências deste regulamento: a) Programa, briefing e o conceito do projeto;

    b)  Concepção do projeto, coerência entre conceito e partido;

    c)  Criatividade, viabilidade e exequibilidade de solução;

    d) Atendimento ao conceito de design universal;

    e) Eficiência energética e atendimento aos conceitos de sustentabilidade;

    f) Conforto térmico, acústico, lumínico;

    g) Representação gráfica, apresentação e comunicação do projeto.

DIVULGAÇÃO DOS SEMIFINALISTAS 

8. Realizada a seleção da Primeira Etapa, será encaminhado pela Comissão Organizadora, até o dia 02/01/17, e-mail para os Coordenadores de Curso ou Diretores Acadêmicos, autores e Professores Orientadores com os resultados;

    8.1. Serão divulgados no site http://www.abd.org.br, os nomes das instituições que tiverem seus trabalhos entre os semifinalistas;

   8.2. Os autores e Professores Orientadores receberão uma declaração de participação no Concurso como semifinalistas.

DIVULGAÇÃO DOS FINALISTAS E VOTAÇÃO ABERTA

9.  Serão divulgados no site http://www.abd.org.br, os três primeiros trabalhos classificados (finalistas) em cada um dos níveis (totalizando 9 projetos) no dia 20 de fevereiro de 2017;

10. Os projetos finalistas estarão disponibilizados online para apreciação e votação aberta ao público no período entre 20 de fevereiro até as 23h59min do dia 03 de março de 2017;

    10.1.   Os votos serão dados contra inserção de número de CPF, e preenchimento de dados de profissão e indicação de cidade de origem do eleitor;

    10.2.   Os votos de associados à ABD de qualquer categoria (profissional, estudante ou professor), devidamente comprovados mediante a indicação do número de registro da ABD – terão peso 2; os votos do público em geral terão peso 1.

DIVULGAÇÃO DOS RESULTADOS FINAIS E PREMIAÇÃO

11. A divulgação da classificação dos trabalhos vencedores nacionais, assim como a identificação do trabalho vencedor na votação aberta ocorrerão em cerimônia específica de premiação da 1a Edição do PRÊMIO LÁUREA MÁXIMA BRASIL DESIGN DE INTERIORES, a realizar-se na Feira REVESTIR em 7 de março de 2017, em horário e local a serem definidos oportunamente;

12. Instituições de ensino responsáveis pelos trabalhos finalistas, autores e Professores Orientadores receberão certificados conferidos pela ABD e terão seus projetos publicados no site http://www.abd.org.br, entre outros meios a serem definidos a critério da Comissão Organizadora;

13. Os alunos classificados em primeiro lugar nos três diferentes níveis receberão como prêmio um tablet.

14. Na votação aberta, o aluno com trabalho vencedor receberá como prêmio uma viagem nacional com acompanhante, a ser marcada com pelo menos 60 dias de antecedência e de acordo a critérios estabelecidos pelo patrocinador;

    14.1. A viagem deve ser realizada no prazo máximo de um ano, contado a partir da data de divulgação da premiação.

DISPOSIÇÕES GERAIS

15. Não há impedimento de participação de trabalhos que tenham concorrido em outras premiações regionais, nacionais e internacionais, porém não serão aceitos aqueles premiados em outros concursos.

16. Trabalhos que possam ser configurados como plágio, por evidente similaridade em tema, implantação, solução, dentre outros itens, serão automaticamente desclassificados.

17. A simples entrega dos trabalhos implica no conhecimento e aceitação de todas as condições e normas deste regulamento e dos seus resultados, renunciando o autor e/ou Professor Orientador e/ou instituição a quaisquer ações judiciais, interpelações e/ou recursos.

18. Ao inscrever-se neste Concurso, nos termos deste regulamento, os participantes estarão, automaticamente reconhecendo e aceitando expressamente que a ABD não é responsável, nem poderá ser responsabilizada, por qualquer dano ou prejuízo oriundo desta participação ou da eventual aceitação do prêmio.

19. Serão desclassificados, em qualquer fase do concurso, os autores e projetos que não cumprirem todas as exigências deste regulamento.

20. Em caso de necessidade e com objetivo de garantir os trabalhos de avaliação dentro dos prazos estabelecidos, pode a Presidente da ABD delegar a um ou mais membros de sua diretoria a participação nas Comissões Julgadoras  em qualquer das etapas.

21. A premiação atribuída aos projetos não será suscetível de recursos ou impugnações, estando os participantes cientes e de acordo que os possíveis prêmios divulgados serão cedidos pelos patrocinadores do concurso, sendo, portanto, de sua total responsabilidade.

22. Prova de envio não será considerada prova de recebimento pela Comissão Organizadora que não se responsabiliza por nenhum problema técnico, defeitos de qualquer linha telefônica, sistemas de computadores, servidores, provedores, hardware/software, perda ou indisponibilidade de conexão de rede ou transmissão de computador com falha, incompleta, adulterada ou atrasada ou qualquer combinação destas que possa limitar a capacidade do usuário de participar do Concurso; não se responsabiliza ainda por qualquer dano a qualquer sistema/software de computador ou telefone celular do participante relacionado a ou decorrente da participação ou download de quaisquer materiais deste Concurso; não assume nenhuma responsabilidade por e-mails não entregues resultantes de qualquer forma de filtragem ativa ou passiva de e-mails por parte do provedor de serviços de Internet e/ou cliente de e-mail do usuário ou por espaço insuficiente na conta de e-mail do usuário para receber/enviar e-mail.

23. Todos os autores e Professores Orientadores, premiados ou não, concordam em ceder os direitos de publicação dos trabalhos apresentados em qualquer meio de divulgação, bem como permitem a utilização de seus nomes e imagens para divulgação deste concurso e dos seus resultados em qualquer órgão de comunicação, sem qualquer ônus para as partes envolvidas.

24. O presente regulamento e a sua premiação poderão ser alterados e/ou o concurso suspenso ou cancelado, a qualquer tempo e por qualquer motivo sem que a ABD seja por esse motivo  responsabilizada; nesta situação, a ABD comunicará aos participantes por meio de divulgação em seu site http://www.abd.org.br.

25. O e-mail para consultas à Comissão Organizadora é: concurso@abd.org.br, sendo a mesma composta por Rosane Gulhak, Luciana Teixeira e Raphael Oliveira.

26. Todos os casos omissos, dúvidas e/ou questões surgidas neste concurso serão solucionadas pela ABD e parceiros da ação, considerando a legislação em vigor. Das decisões da ABD não caberá nenhum tipo de recurso, sendo sua decisão soberana e irrecorrível e irrevogável.

27. Fica eleito o Foro da Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, para dirimir eventuais questionamentos do presente concurso, com exclusão de qualquer outro, por mais privilegiado que seja.

28. Calendário anexo.

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NOTAS EXPLICATIVAS:

[1] Os Trabalhos de Conclusão de Curso também chamados Trabalhos Finais de Graduação, em alguns cursos constituem-se como disciplinas de último período, com o mesmo perfil e configuração; todos estes estão igualmente inclusos neste Concurso.

[2] Nesta 1a Edição do Regulamento, o cálculo do número de trabalhos selecionados deve ser feito, separadamente, por ano, com um resultado para 2015 e outro para 2016, independente do sistema curricular semestral ou anual praticado pela instituição.

[3] Exemplos: Hotel urbano; Centro cultural; Residência de praia; Loja em shopping.

[4] Refere-se ao título do projeto, conforme consta nos desenhos praticados na instituição. Exemplos: Clínica Santa Marta; Hotel da Serra do Mar; Escola de Albuquerque; Sapataria Afrânio.

[5] O objetivo deste item é dar uma visão de conjunto sobre as exigências do trabalho em cada instituição, devido à possibilidade de que a remessa integral do projeto talvez não seja possível, devendo – autor e Professor Orientador – realizarem uma seleção e uma adaptação ao formato exigido no Concurso, garantida a fidelidade ao TCC aprovado, responsabilidade do Coordenador ou Diretor Acadêmico da instituição.

[6] O associado pode ter vínculo como professor ou como profissional.

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ANEXO: CALENDÁRIO DAS ETAPAS DO PROCESSO E ATRIBUIÇÕES

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#FériasLume #ComeçoRosa

Olá pessoal, faz algum tempo que não posto aqui no blog por causa da correria. Mas tenho algumas novidades. e irei postando aos poucos.

logo LUME

Bom, para começar informo que entrei num período de férias como colunista da Revista Lume Arquitetura.

Parece que não foi nada, mas foram quatro anos escrevendo a coluna Luz e Design em Foco. Foram quatro anos onde algumas vezes eduquei e outras apontei sem medo os problemas do ensino e, principalmente, do exercício profissional que vem sendo cerceado de maneira baixa pelo CAU, descortinando as ações insanas desse grupo contra os profissionais não arquitetos. Foram quatro anos de aprendizado!

E foram quatro anos de convivência com essa família linda que é formada por pessoas maravilhosas e que me acolheram com tanto carinho e confiança.

Isso não quer dizer que não escreverei mais para a revista. Apenas a coluna está em férias, mas vez ou outra vocês encontrarão textos meus na mesma.

A parceria continua a mesma de sempre!

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Como não consigo ficar parado, fui convidado pela minha prima Lênia Luz (olha o sobrenome rsrsr) para escrever para o blog dela: o Empreendedorismo Rosa. Apesar de ser tudo rosa e o início ter sido voltado para as mulheres empreendedoras, hoje TOD@S e TODAS as cores são bem vindos ao espaço.

Você é empreendedor ou tem vontade de ser? Passa por lá, leia o conteúdo publicado por diversos proseadores e participe.

Sobre o que irei escrever? Não sei. Só sei que será sobre Design.

Primeiramente irei me apresentar e escrever genericamente sobre o Design. Tem alguma dúvida? É só mandar. Pode virar um belo post por lá! Compartilhar conhecimento sempre!

São ciclos que se encerram, ciclos que são pausados e ciclos que se iniciam. A vida é assim!

Ainda bem senão ficaria tudo tão monótono, e eu adoro um desafio.

Nos vemos então aqui e lá!

Design de Interiores, outro objeto base: Comboio Social Unoeste.

Pois bem meus amigos e seguidores, poucos sabem mas estou lecionando também no curso de Design de Interiores na Unoeste, em Presidente Prudente – SP. A disciplina é “Projeto de Ambientes Institucionais e de Serviços”.

O coordenador, Prof. Ms Marcelo Motta, me deu total liberdade para trabalhar a disciplina e agradeço a ele a credibilidade e a oportunidade de poder desenvolver este projeto. Resolvi então fazer o que mais gosto: pensar fora da caixinha e agir fora da gaiola. Estou fazendo isso ao escolher como objeto base dos projetos algo não arquitetônico.

Chega de casinhas, lojinhas e outros projetos que tem como objetos base apenas aqueles ligados à Arquitetura. Design é muito mais que isso e as possibilidades de sua aplicação vão muito além de um objeto arquitetônico. Consequentemente, é um erro insistir em manter a área de Design de Interiores/Ambientes fechada dentro da caixinha arquitetônica. Além de erro, este ato traz danos à nossa profissão. Mas isso é assunto para outro post.

Resolvi então levar os alunos a pensar em um espaço inesperado. Para tal, tive que procurar algo onde eles conseguissem ir além do básico e fixo (as paredes de uma edificação) e trabalhar em algo nem tão estático assim. Aqui temos um grande problema a ser solucionado (base do Design) que implica em conhecer o desconhecido e buscar materiais e outras soluções para atingir o objetivo: um projeto móvel, instável (ocorrem torções, grande vibraçãoe solavancos) além do espaço reduzido para a maioria dos projetos: as carretas do tipo baú.

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É o projeto Comboio Social. São dez carretas que estão sendo trabalhadas por grupos, cada uma com seu tema específico. Este comboio percorrerá as pequenas cidades, vilarejos e assentamentos levando diversos atendimentos, diversão e conhecimento a estas pequenas comunidades que tanto necessitam.

Um detalhe importante é que estamos trabalhando ao mesmo tempo ambientes institucionais e de serviços: a instituição por trás do projeto é a própria Unoeste que deve estar representada e os serviços, aqueles relacionados aos cursos oferecidos pela universidade. Uma mescla perfeita onde os alunos tem de resolver qual a melhor forma de apresentar a instituição mantenedora bem como projetar atendendo as necessidades de sua área tema. Além disso, estas carretas serão utilizadas como espaços para estágio dos alunos dos cursos da Unoeste.

Os temas são:

1 – Arte: uma carreta destinada à apresentações artísticas como música, dança e teatro.

2 – UBS: uma carreta destinada ao atendimento básico em saúde, medicina (não invasiva) e enfermagem.

3 – Biblioteca: uma biblioteca que atenda de crianças a adultos, com espaços para emprestar, atividades culturais e doações de livros.

4 – Clínica Veterinária: uma carreta para atendimentos a animais de pequeno e médio porte. De consultas a pequenas cirurgias.

5 – Corte e costura: esta área infelizmente ainda não está contemplada na Unoeste, porém, ainda é bastante comum encontrarmos famílias que sobrevivem com serviços de pequenos reparos em roupas e até mesmo da confecção. Portanto, uma atualização faz-se necessária a estas pessoas.

6 – Serviço Social: uma carreta destinada ao atendimento social envolvendo psicologia, assistência social, direito, pedagogia.

7 – Estética: carreta para atendimento nas páreas de estética, dermatologia e fisioterapia.

8 – Gastronomia: carreta que oferecerá cursos de culinária saudável, cultivo de alimentos para consumo próprio e treinamento para merendeiras escolares. Envolve as áreas de gastronomia, nutrição e agronomia.

9 – Coletivo: uma carreta voltada para o empreendedorismo e soluções de conflitos públicos. Nesta carreta ocorrerão atendimentos a associações de bairros, audiências públicas e outras atividades relacionadas com a vida coletiva/comunitária. Administração, economia, direito, design, arquitetura, engenharia, gestão e outras áreas que podem contribuir para a melhoria e soluções dos conflitos.

10 – Design Social: como o Design pode ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas? É o que esta carreta buscará apresentar. De um redesign residencial, comercial ou de um espaço público à assessoria na elaboração de materiais gráficos e melhoria na qualidade de produtos.

Para que o projeto consiga atender às demandas particulares de cada área, dividi o trabalho em sete fases. Importante ressaltar que antes da sexta fase ficou proibido o uso de softwares. O foco é o sketch, usar e abusar desta ferramenta para reforçar nos alunos a importância do estudo manual antes do projeto. São as fases:

COLETA DE INFORMAÇÕES INSTITUCIONAIS: Conhecer a instituição mantenedora do projeto:

Quem é, o que faz, sua marca, qual sua missão, quais seus valores, suas características principais, diferenciais e sua estrutura.

COLETA DE INFORMAÇÕES PÚBLICO ALVO – Conhecer os públicos alvos do projeto:

Pessoas: quem são, realidade social, onde estão, necessidades. Cidades: mapeamento, estrutura local, espaços públicos disponíveis.

COLETA DE INFORMAÇÕES SOBRE A ÁREA TEMA – Conhecer a área tema do projeto:

O que é, o que faz, como faz, suas características principais, diferenciais sociais, estrutura necessária e normas técnicas relativas à área.

COLETA DE INFORMAÇÕES SOBRE CARRETAS – Conhecer o objeto base do projeto (carreta):

O que é, o que faz, suas características principais, tipos, necessidades e limitações, fabricantes, exemplos de transformações e legislação vigente.

PAINÉIS SEMÂNTICOS – Apresentação do conceito do projeto:

Elaboração dos painéis semânticos relativos à área tema do projeto para explicar adequadamente o conceito do projeto apresentando os correlatos, materiais, equipamentos e utensílios necessários à área e os primeiros sketches.

PROJETO I – Desenvolvimento de projeto conceitual:

A fusão de todos os conhecimentos levantados nas etapas anteriores e que os direcionaram para o desenvolvimento do projeto, os problemas encontrados e as possíveis soluções aplicáveis. Desenho manual (sketch) e desenho digital (CAD e SketchUp).

PROJETO II – Desenvolvimento de projeto executivo:

Detalhamentos totais dos projetos e elaboração de maquetes.

Importante ressaltar que, como ainda estamos no inicio da disciplina, mesmo sem trabalhar os projetos no computador os alunos já começaram a perceber os problemas e necessidades específicas de cada área. Para algumas uma carreta basta, outras terão de utilizar carretas do tipo bi-trem e outras terão de elaborar propostas de expansões verticais e/ou horizontais para conseguir atender suas demandas específicas.

Em todos os projetos o direcionamento principal é atender as normas técnicas bem como trabalhar com uma forte pegada de sustentabilidade.

Vale ressaltar também a questão multidisciplinar do projeto onde diversas disciplinas específicas do curso estão envolvidas diretamente, bem como conhecimentos oriundos das outras áreas temas além das engenharias.

Agora, finalizamos a primeira etapa de estudos e análises teóricas e técnicas. Partimos então para os painéis semânticos e projetos.

Assim que tiver os resultados, os projetos finalizados vou fazer as postagens sobre cada carreta.

Espero que este modelo de projeto aqui apresentado sirva de norte para outros coordenadores de cursos de Design de Interiores/Ambientes, eliminando a amarra arquitetônica imposta sobre a nossa área e liberando o pensamento de que somos DESIGNERS, autorizando seus professores a desenvolver projetos similares e que saiam da caixinha.

Somos designers, podemos mais, muito mais.

O Lighting como Design.

Revista Lume Arquitetura
Coluna Luz e Design em Foco
Ed. n° 58 – 2012
“O Lighting como Design.”
By Paulo Oliveira

58
Em meio à forte onda mundial em prol da Economia Criativa e na implementação de Comunidades Criativas, o ranço corporativista ainda impõe barreiras ao desenvolvimento do país. Isso ficou claro, por exemplo, na entrevista com o presidente da AsBAI na edição n° 56 desta revista. Traz à tona o velho discurso de que “apenas o arquiteto é capaz de iluminar a arquitetura”. No desenrolar da entrevista, reconhece que as universidades formam arquitetos incapazes de iluminar seus próprios projetos. Daí a proposta de urgentes alterações curriculares nos cursos de arquitetura aprofundando o tema iluminação.

Ao invés de uma formação global orientada para parcerias, incorrem no equívoco conteudista de que o currículo deve incorporar e esgotar todas as especialidades. Esta sutil artimanha para reforçar a reserva de mercado (ilegal e, sobretudo, antiética), disseminada nos argumentos falaciosos de seus defensores, deixa claro dois pontos:

1° – Segregam, dado o desconhecimento do que significa realmente trabalhar com iluminação, salvo a arquitetural. Fazem-no por nunca ousar romper com a visão reducionista do que seja o arquitetônico. Falam com pseudoautoridade sobre as competências curriculares e profissionais de outras áreas. Isso fica claro na ênfase excludente dos seus discursos eivados de ufanismo.

2° – Reservam, porque escondem seu medo ou incompetência para enfrentar a concorrência qualitativa projetual.

As tentativas estratégicas, mediante ações escusas arquitetadas nos bastidores, para impor uma reserva de mercado em relação ao LD, ocorrem desde o momento em que os projetos de iluminação deixaram de ser complementares para se tornarem um dos elementos mais significativos de uma obra, não apenas por uma demanda estética, mas por sua relevância funcional na qualidade e solução dos problemas.

Com efeito, no Design, os processos que iniciam e norteiam o desenvolvimento de um projeto são: avaliação, necessidades, função, planejamento, tecnologias, qualidade e compatibilidade. Nestes processos são incorporados indissociavelmente elementos como identidade, estética, linguagem, comunicação, entre outros. Em cada processo, a criatividade faz-se presente.

Aqui se encontra a diferença entre um projeto de iluminação e um projeto de LD. Seja para qual aplicação for, um projeto de LD tem por finalidade, em primeiro lugar, a solução dos problemas e o atendimento das necessidades dos usuários. Apesar de sua reconhecida importância, a “casca” arquitetônica, em um primeiro momento, não é o foco para o LD. O aspecto arquitetônico, de modo algum, é desmerecido, ao contrário, é valorizado e incorporado ao projeto de LD, longe de se apresentar como algo acessório ou decorativo.

Além disso, outro foco precisa ser destacado: observa-se o desconhecimento com relação à linguagem cênica que aplicamos em nossos projetos. Convenhamos: raros são os arquitetos, não obstante sua competência profissional, que conhecem ou conseguem aplicar esta linguagem ao aparato arquitetônico ou entendê-la visualmente por nunca ter botado os pés numa caixa cênica.

Este tipo de discurso manifesta um desconforto crescente à medida que surgem outros profissionais que atestam conhecimento, competência aliada ao domínio tecnológico da iluminação e criatividade para a resolução de projetos complexos de iluminação.

Aqueles que apelam para este tipo de discurso tentam desesperadamente um face-lifting para mascarar seu ensimesmamento feudal e camuflar suas intenções egocêntricas de manutenção do status-quo.

Há uma inversão funcional no trato profissional. Atitudes corporativistas, excludentes e segregacionistas cada vez mais, perdem seu espaço nos atuais contextos do mercado profissional, nacional e internacional.

Relações de mercado.

Revista Lume Arquitetura
Coluna Luz e Design em Foco
Ed. n° 56 – 2012
“Relações de mercado.”
By Paulo Oliveira

56
As relações de mercado devem primar pela ética acima de tudo. É justamente esta ética que o mantém saudável e competitivo. Se esta base mercadológica é quebrada, teremos então um mercado baseado no “quem dá mais” ou o “salve-se quem puder”.

Se temos clientes que não querem pagar o valor justo do projeto, a culpa de tal situação, dentre outros fatores, pode ser atribuída aos profissionais que não cobram pelos projetos, vivendo à custa de comissões pagas pelas indústrias e lojas em acertos de bastidores e que afetam a todos que estão no mercado.

Conversando recentemente com um grande amigo – e mestre – senti-me como Cazuza quando cantou que “meus heróis morreram de overdose” tamanha a decepção ao ver nominados aqueles que um dia tive como ídolos e referências. Ruíram pelo simples fato de constatar que suas práticas profissionais, de modo geral, são desrespeitosas, especialmente com os colegas de profissão. Nesta conversa pude confirmar que estes só chegaram onde estão graças às artimanhas e negociatas promíscuas que utilizam. Alguns até furtando projetos de outros profissionais. Profissionais que para atender sua gana egoísta e satisfazer seu estrelismo mergulham de corpo e alma nessas jogatinas.

Porém, este ato supostamente bondoso, para ganhar o cliente, esconde tacitamente o fato de que ele está recebendo alguma coisa; afinal, ninguém trabalha de graça. Ora, o ganho ou os rendimentos que este tipo de profissional percebe, advém de comissões – ou RTs – que as indústrias e lojas embutem em serviços e materiais adquiridos pelo cliente e que para eles são transferidos. Ao final das contas, seja qual for a fonte, o profissional acaba lucrando sem se importar que este ato prejudica a seriedade e o respeito pelos quais a profissão deveria ser encarada e respeitada.

Com as comissões, um profissional pode ter um lucro muito acima do justo e real valor que o projeto deveria ter. As empresas oferecem de 3% a 20% de comissão, e tudo depende do valor da compra e, em geral, do renome do profissional.

Neste aspecto, aprofunda-se o prejuízo corporativo para a classe profissional que se rende a segmentações internas: uns lucram 20% por seu status enquanto outros dificilmente conseguem chegar aos 10%.

Assim fica claro como alguns profissionais conquistam vários projetos ao mesmo tempo e, consequentemente, ganham mais espaço na mídia, o que alimenta uma popularidade camufladora de sua voracidade egocêntrica. Não se cobra pelo projeto viabilizado por meio de uma“doação” para aquele cliente ou aquela cidade, enquanto se lucra em acertos de bastidor com uma ou algumas indústrias ou empresas comerciais. Forja-se uma cumplicidade perniciosa para uma éticaque se espera nas relações de mercado.

Outro detalhe igualmente grave deste tipo de prática refere-se à eliminação da livre concorrência, especialmente aquela relacionada com a criação e as ideias que envolvem a elaboração de projetos.

Mais uma vez o prejuízo recai sobre o cliente, que, muitas vezes, ignora tais práticas e tampouco desconfia de que esteja de fato recebendo o melhor produto, ao ser induzido a optar por uma ou outra marca apenas baseado em vantagens. O profissional pode não especificar o melhor produto e deixar de encontrar soluções até mais interessantes técnica e esteticamente. Não é à toa que vemos vários projetos de um mesmo autor com a mesma “cara”.

As indústrias e lojas devem encontrar outra forma de fidelizar seus clientes e especificadores. Ofereçam no lugar das comissões, premiações que não envolvam dinheiro vivo. Uma viagem, por exemplo. Inclusive vocês só têm a ganhar, pois terão muitos outros profissionais na disputa.

Então, temos de decidir: ou optamos por um mercado antiético onde as negociatas de bastidores assemelham-se às politicagens que deploramos ou assumimos práticas pelas quais manifestamos nosso comprometimento ético por um mercado saudável e decente onde todos recebam o devido e igual respeito.

Hackear a cidade? #ÉNOIS

Estava navegando pelo meu face e me deparei com uma postagem com este título. Curioso fui assistir ao vídeo e me surpreendi com a qualidade do material, a clareza das informações e a disposição em mostrar e apontar caminhos possíveis apresentados pela a jornalista Natália Garcia, especialista em planejamento urbano.

No primeiro vídeo ela fala sobre “Como hackear a cidade”.

Calma, nada tem a ver com atividades marginais ou visando prejudicar alguém ou algo. Ela explica o conceito da ideia e dá dicas de como podemos – e devemos – mudar nosso olhar sobre o lugar onde vivemos.

https://www.youtube.com/watch?v=bHagymDQENA

Já no segundo vídeo, ela nos apresenta um novo olhar sobre “O Que É Cidade?”.

Precisamos entender como esse lugar funciona. Nesta aula, explica um conceito de cidade adorado por muitos e odiado por algun$$.

https://www.youtube.com/watch?v=NK_RoGAwkSw

No terceiro vídeo, “Que problemas você quer atacar?”, nos faz refletir sobre como escolher um problema para ser resolvido ou destacado em nossa cidade. Como ela mesma afirma, a cidade é um complexo sistema, cheio de engrenagens. E todo sistema é composto por diversos problemas, dos micro aos mega. Aqui ela deixa pistas claras do que é um briefing e como ele deve ser tratado. Briefing não são apenas anotações e rabiscos e sim muita atenção, observação, reflexão, interação, etc. #FicaDica

https://www.youtube.com/watch?v=r26kPu-2PAo

Já no último vídeo – ou módulo – ela fala sobre “Como agir?”. Exemplificando com intervenções urbanas realizadas em vários lugares do mundo, nos dá dicas pra você montar seu próprio projeto e melhorar sua cidade.

Muito além da superfície, ele nos traz a tona elementos que vem sendo ignorados em nossa sociedade. Entre estes destaco a CIDADANIA, muito falada, e pouco praticada.

Parabéns à Natália por este projeto mais que importante para o nosso país.

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Parecer pela Inconstitucionalidade do PL 4692/2012

Parecer pela Inconstitucionalidade do PL 4692/2012

Praça dos Três Poderes – Câmara dos Deputados
Gabinete: 821 – Anexo: IV
CEP: 70160-900 – Brasília – DF

Ilmo. Sr. Deputado Gabriel Guimarães,
Relator do projeto de lei 4692 no CCJ,

Os designers de ambientes e de interiores do Estado de Minas Gerais, Paraná, Sergipe e São Paulo unidos aos professores de nível superior da UEMG e de outras IES que oferecem cursos na área, vêm solicitar que acolha os argumentos abaixo expostos e declare a inconstitucionalidade do Projeto de Lei PL 4692/2012.

A primeira faz referência ao excesso inconstitucional da regulamentação da profissão de Designer de ambientes. A segunda aponta que o PL 4692 fere o direito adquirido daqueles que já exercem a profissão.

Solicitamos que venha a reconhecer os abusos que essa categoria profissional reconhecida pela CBO, bem como remonta há mais de 50 anos de formação superior na UEMG, mas que têm sido conduzidas à ilegalidade e cerceamento da liberdade profissional pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo, e suas inferências nessa Casa Legislativa, que redundaram na redação desse projeto de lei.

Caso seja reconhecida a constitucionalidade desse projeto, o livre exercício do design de ambientes/interiores será escravizado aos Arquitetos e Engenheiros, dependendo de autorizações técnicas para mínimas intervenções nos ambientes, perdendo todo o escopo científico obtido numa graduação de quatro anos em instituições de nível superior reconhecidas pelo MEC, e reconhecidas mundialmente por sua excelência e premiações.

Um universo de mil profissionais e estudantes serão gratos por sua ação devida ao barrar este projeto inconstitucional de regulamentação da categoria!

PRIMEIRO ARGUMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE

A proposta de lei 4692 desde seu nascimento não atende os anseios dos designers de ambientes e outras categorias que seriam regulamentas, tendo passado pelas Comissões de Trabalho e Educação, sob a ação incisa de deputados ligados aos interesses dos arquitetos.

Com esse objetivo, nobre Deputado, foram atribuídos ao projeto conceitos jurídicos não determinados tais como:

INCISO III – “(…) respeitados os projetos elaborados e o direito autoral dos responsáveis técnicos habilitados”;
INCISO VIII – “(…) mediante aprovação e execução por profissional habilitado na forma da lei”;
§1 “Atividades que visem alterações nos elementos estruturais devem ser aprovadas e executadas pelos profissionais capacitados e autorizados na forma da lei”.
§2 “ (…) respeitadas as atribuições privativas de outras profissões regulamentadas em lei”.

O uso desses conceitos jurídicos não determinados como responsáveis técnicos habilitados, profissionais capacitados e autorizados na forma da lei, atribuições privativas de outras profissões regulamentadas, ensejam um grau de incerteza na relação com outras categorias tais como arquitetos, engenheiros civis, elétricos, agrimensores e outros.
No momento ou futuramente, estas categorias e outras que venham ser criadas, podem reivindicar uso privativo de suas atividades, unilateralmente definidas, que atinjam os designers.

Essa é a situação de fato, desde a emissão da Resolução 51 do CAU, que por ato interno inconstitucional reconheceu como privativos o exercício do design de ambientes/interiores e o paisagismo, bem como outros.

A referida norma tem sido combatida pelos designers, bem como pelos Engenheiros, que tem obtido vitórias judiciais.

Resta evidente o conflito com o direito de livre exercício constitucional, posto que esse possa sofrer delimitações constitucionais e infraconstitucionais, mostra-se excessiva e inconstitucional a submissão da profissão de designer de ambientes a outras categorias profissionais.

O design de ambientes possui qualificação profissional reconhecida pelo MEC, CBO, e outros órgãos governamentais, bem como pela sociedade, com reconhecimento de prêmios e condecorações.

Ademais quanto a exigência de qualificação profissional, pontua o Doutor Roger Stiefelmann Leal:

“Cumpre descobrir, desse modo, qual o sentido que se deve atribuir á expressão “qualificações profissionais”. É certo que a terminologia atual é mais abrangente dos que as expressões adotadas nas Constituições anteriores. Não se pode porém, com apoio numa pretensa extensão de significado – insinuado pela terminologia adotada – interpretar a expressão “qualificações profissionais” como permissiva da ampla liberdade de conformação do legislador”.

Diz mais:

“Impõe-se que as qualificações profissionais a serem atendidas se ajustem estritamente á profissão para a qual são exigidas. (…) O exacerbamento da liberdade de conformação do legislador na fixação das “qualificações profissionais” importa necessariamente em inconstitucionalidade. Não há lugar para determinações excessivas e desproporcionais, que inviabilizem o próprio exercício da profissão. Trata-se, in casu, de aplicação de cláusula a proibição de excesso.”

Essa cláusula foi aplicada pelo STF, quando do julgamento da constitucionalidade do Estatuto da OAB, no que se referia a dispositivos que exigiam a juízes, promotores e políticos, que observassem um período de não exercício da advocacia em função dos cargos exercidos, o que foi considerado inconstitucional.

Da mesma forma, a sujeição da atividade do designer à supostos responsáveis técnicos habilitados, profissionais capacitados e autorizados na forma da lei, bem como colidirem com supostas atribuições privativas de outras profissões regulamentadas, se mostra claramente inconstitucional!

SEGUNDO ARGUMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE

Violação ao constitucional direito adquirido

O referido projeto afrontaria ao constitucional princípio da observância, sempre e sempre, ao direito adquirido (vigente Constituição do Brasil, artigo 5º, inciso XXXVI[5]).

É que esse corpo normativo não determina que os que já exerciam esse ofício, profissão ou trabalho podem continuar a exercê-lo, sem as restrições do referido projeto.

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(…)XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;
[5]“XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;”

REFERÊNCIA
Leal, Roger Stiefelmann. Atividade Profissional e direitos fundamentais: Breves considerações sobre o direito ao livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão. Revista Jurídica. n° 81. 2006. Brasília –DF.

O Designer de Ambientes e o Mercado de Eventos: Gestão ou Projeto?

Titulo

O Designer de Ambientes e o Mercado de Eventos: Gestão ou Projeto?

The Interior Designer and the Market Events: Management or Project?

Autor

BARBOSA, Paula Glória [1]

ARAÚJO, Amanda Trindade Madeira [2]

LOPES, Marina Montenegro de Holanda [3]

MOREIRA, Samantha Cidaley de Oliveira [4]

Resumo: Ao definir evento e entender sobre as expertises do designer, é condizente relacionar a atuação desse profissional à gestão de um evento. Ao mesmo tempo é pertinente contrapor a realização deste à metodologia aplicada ao trabalho do designer de ambientes. Nessas condições, a expectativa é que este trabalho possa contribuir de maneira relevante para fomentar as reflexões sobre as múltiplas atuações do designer de ambientes em seu domínio profissional.

Palavras chave: gestão, projeto, eventos, design de ambientes.

Abstract: When defining an event and to understand about designer´s expertise, it is suitable to relate the performance of this professional to an event management. At the same time, it is relevant to contrast the performance of this to the methodology applied to the work of interior designers. In these circumstances, the expectation is that this work can contribute in important ways to encourage reflections about multiples roles of the interior designer in their professional area.

Key words: management, design, events, interior design.

Introdução

Designer de Ambientes é uma terminologia nova, instituída há cerca de 10 anos, utilizada para caracterizar o profissional da área do design que se destina ao projeto de ambientes – diz-se de ambientes os espaços da vida cotidiana de uso residencial e empresarial.

Em geral, os cursos de Design de Ambientes, oferecidos por mais de 100 escolas de design no Brasil, focam a atuação profissional dos alunos nos âmbitos residencial, comercial e institucional. Entretanto, a atuação do designer de ambientes ainda é pouco explorada para o projeto e gestão de eventos, como festas, exposições, mostras, feiras, shows, jogos e festivais, em que a diferença entre os demais ambientes está na efemeridade do produto final.

Erroneamente pode-se pensar que a atuação do design de ambientes na prática projetual de um evento se limite ao serviço de decoração, ou seja, à especificação de arranjos ornamentais, painéis de destaque, cor de toalhas dentre outras intervenções relacionadas à estética do lugar. Contudo, enquanto profissional da área do design, seu trabalho compreende, além da estética, a busca por soluções de problemas relacionados à funcionalidade, ergonomia, viabilidade, entre outros.

Desse modo, o trabalho do designer de ambientes é norteado por uma metodologia que o permite entender o problema, analisar a demanda, pesquisar, elaborar conceitos criativos e mapear processos produtivos para, então, gerar alternativas eficientes, definindo a solução mais adequada aos usuários.

Ademais, pode-se pensar equivocadamente que a atuação profissional do design de ambientes limita-se à prática projetual. PHILLIPS (2008) aponta uma nova vertente para o trabalho do designer: a gestão de projetos. Assim, a aptidão para a gerência configura-se como uma necessidade ao designer de ambientes, em especial para atuação no mercado de eventos.

Entende-se, pois, que esse mercado representa uma demanda para o designer de ambientes, ainda muito pouco explorada por este profissional. Propõe-se, assim, uma discussão acerta do trabalho do designer, que compreende o projeto e a gestão, aplicados ao evento.

Definição do Evento

“Por conceituação, evento é um acontecimento excepcional previamente planejado, que ocorre em determinado tempo e local e gera grande envolvimento e mobilização de um grupo ou comunidade, buscando a integração, a difusão e a sensibilização entre os participantes para os objetivos pretendidos” (KUNSCH, 1997, p.130).

Os eventos tornaram-se estratégias de comunicação de produtos e marcas de todos os tipos (NETO, 2001). Eles representam o conjunto de atividades profissionais desenvolvidas com o objetivo de alcançar o seu público-alvo pelo lançamento de produtos, apresentação de uma pessoa, empresa ou entidade, visando estabelecer o seu conceito ou recuperar a sua imagem (MATIAS, 2004).

Pode-se considerar o evento como uma atividade dinâmica, que modifica seu significado constantemente. É um conceito de domínio amplo, englobando desde cursos e palestras até shows, jogos e competições esportivas (NETO, 2001).

 Um evento, segundo MATIAS (2004), pode ser classificado de acordo com dois critérios: primeiramente em relação ao público, este sendo subdividido em público fechado e aberto; e por último em relação à área de interesse, seja ele de caráter cultural, mercadológico, científico, artístico, esportivo, social, religioso ou político (KUNSCH, 1997).

MATIAS (2004) aborda o processo de planejamento e organização de eventos em quatro fases denominadas concepção, pré-evento, transevento e pós-evento.

A primeira etapa consiste no processo de concepção a partir do levantamento do maior número de informações possíveis. Sob esse aspecto, a identificação do público alvo, o reconhecimento das necessidades do evento, a listagem dos resultados desejados, estimativas de exeqüibilidade econômica e técnica e estimativas de tempo e recursos necessários, por exemplo, constituem informações essenciais ao planejamento do evento.

Em seguida dá-se início à etapa do pré-evento, ou seja, das providências imediatas que devem ser tomadas após a decisão de realizar o evento, tais como a composição da estrutura administrativa e institucional, a abertura de conta bancária especial, a determinação das responsabilidades dos profissionais envolvidos e a contratação de prestadores de serviço necessários para a organização do evento. Há também a elaboração do projeto suficientemente detalhado para que o evento possa ser executado. Assim são contemplados, por exemplo, a escolha do local, a definição do tema, a elaboração do calendário e definição da data, a definição das estratégias de comunicação e marketing, a contratação de prestadores de serviços específicos, a especificação dos serviços de decoração, montagens e instalações.

Concluída essa etapa dá-se início ao transevento, que consiste na realização do planejamento. Essa fase é decisiva e muito importante, pois é posto em prática o que foi estabelecido nas duas primeiras fases do evento.

O pós-evento abrange o processo de encerramento do mesmo, possibilitando a sua avaliação técnica e administrativa.

O Projeto de Eventos pelo Designer de Ambientes

Metodologia Aplicada ao Projeto de Design de Ambientes

O designer de ambientes é o profissional habilitado a trabalhar diretamente com o esforço criativo destinado a solucionar racionalmente o arranjo e a ambiência de um espaço preocupando-se com a inovação e adequação do mesmo às características socioeconômicas e culturais dos usuários.

MOREIRA et al (2008a) apresenta um possível caminho para o desenvolvimento de projeto de design de ambientes que será tomado como referência para o presente artigo e norteará a análise do estudo de caso que se apresenta nesse tópico.

Identificar o problema é o primeiro passo, que abrange a necessidade e o objetivo do projeto. A próxima etapa consiste na elaboração do briefing1, um importante documento, instrumento de acompanhamento e avaliação, que compreende a coleta, análise e contextualização das informações para a solução pretendida.

PHILLIPS (2008) considera “o briefing como o ponto de partida para a descoberta de conceitos criativos”. Elaborado o briefing, o designer dá início à conceituação do projeto, que corresponde ao ajuste sensorial.

Paralelo à conceituação acontece o mapeamento funcional, etapa destinada ao ajuste prático do projeto. É nessa etapa que o organograma, o fluxograma, a setorização e a análise do fluxo pós setorização são discutidos com o intuído de planejar como serão estabelecidos às hierarquias, usos, funções e o intuito da ocupação, para que o ambiente seja eficiente às demandas do usuário em consonância com as do cliente.

A tradução do conceito e do mapeamento funcional em possíveis soluções corresponde à etapa da geração de alternativas. A melhor alternativa projetual é definida como solução do problema e apresentada ao cliente.

Na seqüência, a etapa de verificação identifica possíveis falhas nessa solução através da visualização ou experimentação. Considerada eficiente pelo cliente, o designer passa para a etapa de elaboração da solução, que compreende seu detalhamento, culminando no produto final.

A verificação da eficácia da solução projetual através de feedback, etapa denominada análise de resultados, acontece após a execução da solução.

Estudo de Caso

Localizada em Belo Horizonte, a empresa X, fundada em 1991, desenvolve projetos para eventos empresariais e sociais, ocupando posição de destaque em relação aos concorrentes.

Contratada há dois anos pela empresa X, a designer de ambientes – cujo trabalho apresenta-se como objeto de estudo – é responsável, juntamente com um outro profissional não-designer, pelos projetos dos eventos contratados.

A metodologia utilizada para este estudo de caso compreende as etapas de observação, registro de relatos e discussão.

Percebeu-se, durante três meses de observação e registro de relatos, a configuração da seguinte seqüência de atividades na rotina profissional da designer de ambientes:

Através de contato telefônico feito pelo cliente é agendada uma reunião juntamente com a designer. Nessa reunião são abordadas as necessidades e desejos do cliente. Inicia-se com o preenchimento de uma ficha constando dados pessoais do mesmo e outros dados como espaço, cerimonial, buffet e profissionais já contratados. Vale ressaltar que somente é possível iniciar o projeto se o espaço já estiver definido.

Através dos álbuns de fotos para consulta, fornecidos pela empresa, o cliente faz uma prévia escolha dos arranjos, mobiliários e toalhas, como também deixa previamente definido as cores e flores que serão utilizadas.

Embora o conceito do evento não seja documentado, ele é elaborado a partir das informações fornecidas pelo cliente à designer de ambientes. O mapeamento funcional do evento é criado nessa reunião, mas ele somente é entregue ao cliente após o fechamento do contrato.

Podem ocorrer também projetos específicos, nos quais a profissional identifica o diferencial desejado pelo cliente. Finalizada a reunião, o orçamento é destrinchado de acordo com as escolhas pré-definidas, permitindo que os coordenadores calculem o valor do mesmo.

Posteriormente, ocorrem duas situações: a primeira quando o contato é feito pelo próprio cliente, onde é novamente agendado um horário para revisão do projeto; a segunda quando o contato é feito pela empresa em busca de um retorno.

Durante a reunião de revisão do projeto acontece a apresentação do leiaute em aplicativo 2D. Se aprovada a proposta são negociadas as formas de pagamento. Caso o demandante não se decida naquele momento há uma prorrogação do prazo de validade do orçamento acarretando em outras reuniões até que o mesmo contrate ou não o projeto.

Aprovado o projeto, a designer de ambientes emite o contrato constando, em anexo, todos os itens do orçamento bem como o leiaute. Á partir desta aprovação, todo o material terceirizado como luz cênica, guardanapos de tecido e sousplats são encaminhados ao setor de coordenação para que seja confirmada a reserva dos mesmos nas empresas parceiras.

Em sua grande maioria, os eventos são contratados com um mínimo de oito meses de antecedência, exceto os empresariais, que reduzem este prazo pela metade. Nesse período a designer de ambientes planeja todo o evento e se prepara para a última reunião com o cliente, na qual ocorre a revisão de tudo o que foi planejado. Solicitações de mudanças no projeto podem acontecer durante esse tempo e são efetivadas nessa reunião.

Encerrada e concluída todas as alterações a designer de ambientes gera a ordem de decoração, que contém todos os itens e informações necessárias para a execução do evento, e o comando de flor, que contém a quantidade e o tipo de flor utilizada nos arranjos escolhidos.

Em algumas ocasiões ocorre uma reunião, coordenada pela designer de ambientes, com todos os parceiros diretamente envolvidos no evento. Nessa reunião é feita uma breve apresentação do projeto respondendo os check list de parceiros, em especial buffets e cerimoniais.

A ordem de decoração e o comando de flor são encaminhados aos coordenadores que dão segmento gerando respectivamente o check list, este para a empresa X, e o pedido de flor.

Na quarta-feira antecedente ao evento acontece uma reunião interna da empresa, na qual participam apenas os funcionários da mesma. Os eventos são brevemente apresentados pela designer, exceto quando há algum aspecto mais delicado a ser abordado a respeito da montagem, que é tratado com um tempo adequado. Em geral esse aspecto diz respeito a ornamentações aéreas no salão, particularidades do cliente ou do evento.

No dia da execução, data do evento, toda a equipe envolvida se dirige ao espaço onde este acontecerá. Com o leiaute, a ordem de decoração e o comando de flor em mãos a designer coordena toda a montagem de mobiliário, bem como todos os itens terceirizados e confecção dos arranjos. Por último, ficam os detalhes como colocação de jogo americano, sousplats, guardanapo de tecido e velas.

Em média, a montagem do evento acontece em nove horas. Após essa etapa, é encerrada a participação da designer.

Na segunda-feira posterior ao evento, a equipe de marketing entra em contato com o cliente buscando um feedback, satisfação do mesmo por todo o projeto, abrangendo desde o primeiro atendimento feito pela designer até a montagem executada pela equipe da empresa.

A prática projetual da designer de ambientes compreende todas as fases da metodologia de desenvolvimento de projeto. O diagnóstico da necessidade (compreensão do problema) é feito na primeira reunião, juntamente com o briefing. É interessante ressaltar, como afirma PHILLIPS (2008), que não existe uma receita para a elaboração do briefing. Ele precisa ter o tamanho e as informações necessárias para o desenvolvimento do projeto. Após aprovação do briefing, a designer apresenta a proposta de ornamentação, iluminação e disposição de mobiliário e serviços, o que configura a aplicação das etapas de conceituação e mapeamento funcional. A apresentação do projeto para o cliente, que acontece na segunda reunião, é a solução decorrente do processo de geração de alternativas. Nesse momento o cliente é convidado à etapa de verificação, juntamente com a designer, na qual identificam visualmente possíveis falhas na solução apresentada. Aprovada a solução, o designer segue para a etapa de elaboração, onde apresenta o detalhamento do projeto para os específicos setores da empresa e terceirizados. O acompanhamento da execução do projeto acontece no dia do evento, e o feedback, etapa de verificação, é realizado pela equipe de marketing da empresa.

Entende-se, pois, a partir da definição de evento e em conseqüência do processo de discussões que configuram a última etapa do estudo de caso, que a busca pela solução de um evento baseando-se na metodologia de desenvolvimento de projeto apresentada é absolutamente plausível.

Porém, entendendo que todo projeto de design deve ser inovador, questionou-se á designer de ambientes responsável pelos projetos dos eventos da empresa X quanto à ausência desse aspecto em seu trabalho. A mesma apresentou uma justificativa de tal atitude em virtude do custo adicional e material disponível:

O meu grande desafio, como designer, é fazer com que todos os projetos sejam elaborados de maneira exclusiva e diferenciada, mesmo que sejam utilizados os mesmos mobiliários, as mesmas peças, o mesmo acervo. Caso o cliente solicite algo inovador, estou apta a desenvolver e aprovar a sua execução. Esse tipo de situação equivale a menos de 1% da demanda da empresa. É importante destacar que isso acarreta em custos adicionais, e não há muitas pessoas dispostas a pagar por isso.

A Gestão de Eventos pelo Designer de Ambientes

Bem como à capacidade projetiva do designer de ambientes é pertinente pensar na sua atuação em gestão. Gerir é uma disciplina cujo profissional responsável precisa liderar, negociar e compreender o mundo que o cerca.

Kenneth Andrews, citado por PHILLIPS (2008), apresenta um tripé sobre o qual deve basear-se uma boa gestão:

O primeiro pé é uma capacidade técnica para dotar o grupo de instrumentos e organização para melhorar a capacidade técnica operacional do grupo. Segundo pé: uma liderança baseada na capacidade de comunicação, visão, atitude, lealdade e respeito ao grupo. Terceiro pé: a capacidade de conduzir os trabalhos na direção desejada, além da persistência para que os objetivos sejam alcançados (PHILLIPS, 2008, p.109).

Acredita-se que a graduação em design de ambientes deve ser capaz de formar empreendedores, uma vez que, para projetar espaços empresariais é necessário pensar como empresário e ter informação e conhecimento sobre o mundo dos negócios.

Quando se pensa em gestão de negócios o evento configura-se como uma possibilidade. Capacidade de análise, disposição para pesquisa, comportamento proativo, visão estratégica, conduta empreendedora e conhecimento técnico específico são expertises desenvolvidas pelo designer de ambientes que o predispõe à gestão de projetos.

Constatou-se, nesse sentido, que a designer de ambientes, cujo trabalho foi observado e analisado, desenvolve competências da gestão para viabilizar os eventos contratados. Ela, por exemplo, organiza as informações, articula a atuação de parceiros e terceirizados com os procedimentos internos à empresa, elabora check lists e delega responsabilidades para a execução da montagem.

Além da visão sistêmica do processo, que compreende projeto e gestão, o profissional precisa se manter atualizado e informado sobre o mundo dos negócios. A análise criteriosa e o conhecimento de mercado são quesitos necessários ao desenvolvimento de estratégias, bem como para a visualização de uma oportunidade de inovação, melhoria ou possibilidade de negócio.

Um Panorama sobre a Demanda de Eventos na Capital Mineira

Nos últimos quatro anos houve uma expansão extremamente significativa do mercado de eventos em Belo Horizonte. Muito se deve à ampliação do Expominas – o mais moderno centro de convenções, feiras e exposições do Brasil – que teve seu espaço triplicado possibilitando sediar eventos de grande porte como a Bienal do Livro de Minas Gerais (2008) e a 47ª Reunião Anual dos Governadores do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento (2006).

O turismo de negócios enxerga na capital mineira potencialidade para receber congressos da área de saúde, tecnologia e feiras de diversas naturezas. A SETUR – Secretária de Estado de Turismo propõe investimentos neste setor e estimula o mercado a conhecer Belo Horizonte como um pólo do turismo de negócios e eventos. Planos de ação são elaborados em prol dessa expansão, como a criação de ferramentas on-line que informam sobre agenda, captação de recursos e gestão de projetos, facilitando o acesso aos acontecimentos.

Por sua vez, a colaboração do governo do estado de Minas Gerais tem sido cada vez mais intensa. Investimentos em áreas paralelas ao turismo também vêm contribuindo para a ascensão desse setor – destaque para a expansão do Aeroporto Internacional Tancredo Neves e a concretização da Linha Verde, um conjunto de obras viárias que liga a capital à região metropolitana, possibilitando também, um melhor e mais rápido acesso a esse aeroporto.

No caso da empresa X, analisada no estudo de caso, observou-se que a mesma recebe uma crescente demanda de eventos empresariais, festas de quinze anos e principalmente casamentos, que são considerados, em média, 80% do seu faturamento.

Conclusão

O domínio dos aspectos relacionados ao planejamento e à gestão das soluções projetuais configura-se como uma possibilidade de atuação do designer de ambientes no mercado de eventos. Este mercado apresenta um relevante crescimento, em especial na cidade de Belo Horizonte, e coloca-se como um rico campo de oportunidades a ser explorado.

Considerações Finais

A necessidade de embasamento teórico e estudos acerca do design de ambientes nos permitiram a preposição desse estudo. Maior do que a satisfação de poder escrever um artigo expressando as idéias resultantes de discussões e pesquisas é incitar reflexões sobre as possibilidades de atuação profissional do designer de ambientes, bem como os processos e metodologia do seu trabalho.


Notas

1 – Para que o briefing seja bem elaborado e apresente-se como uma ferramenta estratégica fundamental na solução de problemas de design de ambientes ele deve compreender, dentre outros: “os objetivos, que determinam o foco do projeto, identificando os problemas a serem resolvidos, os ganhos esperados, o diferencial a ser explorado e os resultados desejáveis; […] o perfil do cliente – que diz de quem contrata e muitas vezes é o responsável pela aprovação do projeto – quais são suas experiências de vida, suas expectativas e peculiaridades; [..] o perfil dos usuários – que diz de quem usa o ambiente a ser projetado – qual sua faixa etária, sexo, escolaridade, ocupação, o que consome; […] as demandas, pois se relacionam às necessidades; […] é necessário que o designer conheça da localização e entorno – que define e caracteriza o lugar a ser projetado […]”; um estudo sobre as obras análogas, “análise crítica de projetos que sirvam de referência, com a finalidade de identificar os problemas e soluções comuns e freqüentes […]; e estabelecer detalhes sobre limitações de prazo e custo do projeto, que diz como executar e quanto investir” (MOREIRA 2008b, p.3-4).

Referência Bibliográfica

KUNSCH, Margarida M. Krohling (org.). Obtendo resultados com relações públicas.

São Paulo: Pioneira, 1997.

MATIAS, Marlene. Organização de eventos: procedimentos e técnicas. Barueri:

Manole, 2004.

NETO, Francisco P. de M. Criatividade em eventos. São Paulo: Contexto, 2001.

PHILLIPS, Peter L; (trad Itiro Iida). Briefign: a gestão do projeto de design. São Paulo: Blucher, 2008.

MOREIRA, Samantha C. O. et al. Caminho possível para o desenvolvimento de projeto de design de ambientes: uma metodologia. Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design (P&D Design 2008), São Paulo, 8ª edição, p.1-7, outubro. 2008a.

MOREIRA, Samantha C. O. et al. Briefing: Uma estratégia para o projeto de Design de Ambientes. Artigo inédito. p.1-6, outubro. 2008b.

Dados autor:

  1. BARBOSA, Paula Glória – Centro de Inovação para Ambientes ED/UEMG – Graduada em Design de Ambientes, UEMG .
  2. ARAÚJO, Amanda Trindade Madeira – Graduada em Design de Ambientes, UEMG
  3. LOPES, Marina Montenegro de Holanda – Graduando em Design de Ambientes, UEMG
  4. MOREIRA, Samantha Cidaley de Oliveira – Designer de Ambientes, Msc – Gestora de Empreendedorismo e Inovação – CDE/IED

Design de Ambientes – Breve histórico, definições e considerações

Paula Glória Barbosa

Profª MSc da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais

Considerações sobre o termo design

A palavra design tem ambiguidade em sua etimologia. Designare, do latim, origem mais remota do termo, significa, simultaneamente, designar (conceber, projetar, atribuir) e desenhar (registrar, configurar, formar) (CARDOSO, 2008)[1]. Segundo Schneider (2010, p.195)[2], em 1588, o termo foi mencionado pela primeira vez no Oxford English Dictionary, definido “como um plano elaborado por uma pessoa ou um esquema de algo a ser realizado, além de um primeiro esboço para uma obra de arte (ou) um objeto de arte aplicada, necessário para a realização de uma obra”.

Do inglês, a palavra foi apropriada pelo português, mantendo a ideia de concepção, intenção, desígnio, projeto (referência ao abstrato) e configuração, arranjo, estrutura, desenho, produto de uma concepção (âmbito concreto) (HOUAISS, 2013)[3]. O design, na sua acepção de substantivo que determina uma profissão ou área do conhecimento, pode ser entendido, conforme apresenta Cardoso (2008)[4], como uma atividade destinada a atribuir forma material a conceitos intelectuais. Moura (2005)[5], em seus estudos, discute o design a partir do significado de desenho, projeto e desígnio, três sentidos que, inter-relacionados, dizem da intenção de levar algo da não presença à presença. Nesse processo, o projeto, visualizado principalmente por desenhos, configura-se como o meio pelo qual é possível levar uma ideia do imaterial ao tangível, possibilitando a concretização da intenção.

Como organização internacional dedicada à discussão e ao reconhecimento do design e sua comunidade, o International Council of Societies of Industrial Design (Icsid) apresenta, desde a sua fundação em 1957, diferentes definições para design que acompanham o seu processo evolutivo. A última conceituação de design publicada pelo Icsid contextualiza algumas das principais temáticas presentes no debate contemporâneo da disciplina, como as novas tecnologias e seus impactos socioculturais e ambientais:

Design é uma atividade criativa na qual o objetivo é estabelecer as qualidades multifacetadas dos objetos, processos, serviços e seus sistemas, compreendendo todo o ciclo de vida. Portanto, design é um fator central de inventiva humanização das tecnologias e fator crucial de trocas culturais e econômicas. (ICSID, 2013).[6]

Cabe, portanto, ao designer, o papel de interpretar e relacionar, de forma holística, os múltiplos aspectos dos objetos, processos, serviços e seus sistemas com o contexto de projeto, visando o equilíbrio entre a inovação tecnológica e o ecologicamente correto, o economicamente viável, o socialmente justo e o culturalmente aceitável. Essas interpretação e relação são, em suas essências, complexas, exigindo do designer uma abordagem criativa e multidisciplinar na busca por soluções pertinentes, viáveis e eficientes. Ressalta-se, nesse processo, o usuário final como centro das atenções do projeto.

Nessa definição, percebe-se, também, a expansão do campo de atuação do design, antes centrado em produtos industriais e agora capaz de abarcar objetos, processos e serviços, a partir de uma visão integral do sistema que os envolve, se expandindo, pois, em especialidades como o design de ambientes, o design gráfico, o design de serviços, o design de moda e o design de produtos.

Para Schneider (2010)[7], o design, de um modo geral, expressa-se por meio de suas três funções: a prático-técnica, a estética e a simbólica. A primeira, conhecida também como funcional, refere-se às características intrínsecas do objeto, como durabilidade, confiabilidade, qualidade técnica, segurança e manuseabilidade, ou seja, aos aspectos que podem ser avaliados e mensurados de forma racional pela percepção humana. A função estética, ao contrário, é emocional e subjetiva, tratando do aspecto formal do objeto a partir da composição de cores, materiais, formas e superfícies. Essa composição dá ao objeto a conotação de signo, tornando-o “legível” e dando indicações visuais para o seu uso. Por fim, a função simbólica diz respeito ao significado do objeto, codificado e transmitido pelo proprietário às pessoas de seu convívio social. Refere-se, portanto, a estilos e a filosofias de vida. Assim, os objetos identificam personalidades e se configuram como uma forma de expressão decodificável, possibilitando integração social, diferenciações e classificações.

Os objetos de design refletem, portanto, formas de vida e de produção de uma sociedade, de uma época. Segundo Shcneider (2010, p.201)[8], “o projeto de objetos de design é tanto uma prática social quanto a reflexão sobre essa prática”. Tal discussão corrobora com a ideia do design enquanto “fator crucial de trocas culturais e econômicas”, conforme exposto na ultima definição de design elaborada pela Icsid.

Em conclusão, o design pode ser entendido como uma atividade capaz de solucionar diversos problemas da sociedade contemporânea, marcada, principalmente, pelo incentivo à inovação, pela diversidade de materiais e tecnologias, pelo processo de globalização e pela necessidade do consumo sustentável. Nesse cenário, o designer se posiciona como um profissional habilitado a responder, a partir de uma perspectiva sistêmica de gestão da complexidade, pelo desenvolvimento de projetos centrados nos usuários, sob a perspectiva da abertura à pesquisa, do diálogo interdisciplinar, do apoio à diversidade cultural e da capacidade de articular inovação e sustentabilidade, posicionando-se como uma disciplina capaz de moldar o ambiente humano e influenciar os padrões de vida em sociedade (Cardoso, 2012; Krucken, 2008; Moraes, 2008)[9].

Da Decoração ao Design de Ambientes: um brevíssimo histórico

O contexto industrial das décadas de 1940 e 1950 – a profusão de artefatos, de móveis e de eletrodomésticos disponíveis para o consumo – caracterizou, segundo Santos (2009)[10], os hábitos da vida moderna e influenciou, diretamente, a configuração dos espaços habitados, bem como as relações que ali eram estabelecidas, evidenciando extrema preocupação com a aparência e a praticidade.

Organizar os espaços interiores do cotidiano para usufruto das vantagens da cidade moderna e das novidades industriais era, mais do que um desejo, uma necessidade. Embora houvesse recursos alternativos para o aprendizado sobre as tendências de composição dos interiores – como reportagens e propagandas veiculadas em revistas especializadas no assunto – na década de 1950 a presença de um profissional que considerasse, em projeto, aspectos técnicos e estéticos da composição se tornou mais requisitada. Surgiu, assim, a demanda por um profissional que soubesse planejar os interiores domésticos e comerciais, de modo que o antigo de então recebesse, harmônica e funcionalmente, o novo daquele tempo. (MOREIRA, 2006)[11].

De início, dada a novidade da ocupação cuja essência e demanda passavam a se desenhar, tal atividade era desenvolvida substancialmente por arquitetos, artistas e pessoas de “bom gosto”, obviamente não por quem se dedicasse profissional e exclusivamente à tarefa, então denominada Decoração.

O significado do termo decoração está intimamente associado à arte de ornamentar, adornar, embelezar (HOUAISS, 2012)[12]. No entanto, no contexto da vida moderna, além da preocupação com a aparência, existia a necessidade de se planejar o uso e a ocupação dos espaços habitados da cidade, visando facilitar a prática das atividades cotidianas em virtude da maneira cada vez mais dinâmica de viver.

Em Belo Horizonte, visando à capacitação profissional de alunos interessados nessa área inaugurou-se, em 1957[13], a Escola de Artes Plásticas (ESAP), subordinada à já existente Universidade Mineira de Arte (UMA). A ESAP entrou em funcionamento oferecendo quatro cursos inéditos na época, estruturados em quatro áreas distintas, dentre elas a Decoração, inicialmente na forma de curso livre. Em 1963[14], foi instituída a Fundação Universidade Mineira de Arte (FUMA), que passou a congregar a ESAP.

Em 1964[15], foi concedido reconhecimento à ESAP/FUMA por parte do governo federal, garantindo o título de bacharel em Decoração aos alunos graduados pela instituição. No ano de 1994[16], a FUMA foi extinta, seu corpo docente e administrativo foi transferido à recém-criada[17] Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e, posteriormente, a ESAP passou a ser denominada Escola de Design (ED).

Para obter o título de decorador era necessário cursar disciplinas práticas e teóricas por um período mínimo de quatro anos. O objetivo desse curso era, conforme apresenta Moreira (2006, p.67)[18], “formar profissionais qualificados para compreender as demandas do público alvo, seu contexto social e cultural, entender o espaço, suas funções e possibilidades, propor soluções adequadas, considerando aspectos históricos e artísticos, e ainda, representar graficamente suas ideias”.

A sociedade, por sua vez, experimentou grandes mudanças desde a década de 1950. A revolução tecnológica, que se iniciou na segunda metade do século XX e perdura até os dias de hoje, implicou maior velocidade no ritmo de vida das pessoas, já acelerado desde a revolução industrial. A Decoração, então, precisou ser adaptada a esse novo cenário. Fez-se necessário, portanto, a compreensão da abrangência da profissão, desvinculado-a da simples ideias de ornamentação e organização.

Diante desse contexto, desde a inauguração do curso de Decoração o respectivo colegiado buscou adequá-lo às necessidades da sociedade e do mercado de trabalho, alterando diversas vezes a matriz curricular e o conteúdo das disciplinas de forma a acompanhar as inovações ocorridas nos campos de atuação do decorador (ESCOLA DE DESIGN, 2003)[19].

Por meio de esforços empreendidos desde 1994 pela necessidade de reformulação geral do conteúdo das disciplinas, implantou-se, em 2004, um novo currículo para o curso de Decoração, que passou a se chamar Design de Ambientes.

Dessa forma, o então curso de Decoração da ED/UEMG modificou-se para adequação à ideia vigente de design, pautada em uma metodologia de desenvolvimento de projeto com foco no usuário, no incentivo à pesquisa, no trato da inserção das novas tecnologias no cotidiano e no compromisso com a inovação e a sustentabilidade, se propondo a fazer design para ambientes.

Design de ambientes é, portanto, uma especialidade do design, responsável por identificar e analisar problemas oriundos das relações entre o individuo e o espaço que habita, propondo soluções que promovam bem estar e qualidade de vida aos usuários.

Considerações sobre o Design de Ambientes

O design de ambientes pode ser entendido como uma atividade criativa e de caráter multidisciplinar dedicada ao planejamento da ocupação e do uso dos espaços habitados – sejam internos ou externos; residenciais, empresariais, institucionais, industriais ou efêmeros; arquitetônicos ou não arquitetônicos –, tendo o usuário como foco de projeto e considerando os aspectos funcionais, estéticos e simbólicos do contexto sócio-econômico-cultural em que atua, de modo a resultar em ambientes confortáveis e eficientes às demandas instituídas, contribuindo para o bem estar e a qualidade de vida dos seus usuários.

O planejamento de um ambiente envolve, basicamente – e a partir da articulação entre os referidos aspectos funcional, estético e simbólico –, a elaboração do layout; o estudo e a definição das cores, formas, texturas, mobiliários, equipamentos e obras de arte que compõe o ambiente; a especificação dos materiais para revestimentos de pisos, paredes, divisórias, forros, etc.; e a elaboração das estratégicas de conforto ambiental, como a configuração da iluminação e dos sistemas de condicionamento de ar. Deve, também, atender às exigências normativas pertinentes e dar atenção a questões como sustentabilidade e inovação. Cabe, no ponto, ressaltar a limitação de atuação do designer de ambientes quanto às alterações estruturais construtivas, hidrossanitárias e elétricas.

A ocupação de um ambiente está relacionada ao sentimento de apropriação, em que o projeto tem, intencionalmente, o objetivo de estimular determinada sensação com o intuito de despertar, no usuário, o sentimento de identificação, de posse, de pertencimento àquele lugar. O uso, por outro lado, refere-se à utilidade prática do ambiente de acordo com a sua natureza, como dormir, estudar, comer, conversar, entre outras ações possíveis a partir da relação do indivíduo com o espaço e entre os próprios indivíduos envoltos pelo ambiente.

A diferença conceitual entre interno e externo se dá pela existência (no caso do primeiro), ou não (em se tratando do segundo), de uma estrutura que circunde o ambiente em questão. Exemplos de ambientes internos são o interior de uma embarcação ou de um trem, uma vitrine de loja de roupa, um cômodo de dormir, uma sala de aula, uma clínica odontológica ou o palco de um teatro. Para os ambientes externos, há a possibilidade de se trabalhar, dentre outros, o paisagismo de uma pousada, a configuração de uma exposição ao ar livre ou um show musical em uma praça. A partir desses exemplos é possível perceber a diversidade de espaços possíveis para interferência do designer de ambientes, sejam esses arquitetônicos ou não, para as funções residencial, empresarial, institucional, industrial ou efêmera.

Assim, o designer de ambientes se posiciona, na atualidade, como um profissional capacitado tecnicamente e hábil na compreensão das demandas contemporâneas, na interpretação dos modos de vida e na proposição de soluções que promovam conforto, bem-estar e qualidade de vida aos usuários.

A diferença que há entre o trabalho do designer de ambientes e de outros profissionais ligados ao planejamento e à configuração dos espaços, como os arquitetos, é a forma como os designers analisam as necessidades, as experiências e os desejos dos usuários; pesquisam as condicionantes técnico-práticas, estéticas e simbólicas do contexto projetual; interpretam os modos de vida e as respectivas possibilidades de adequação ao ambiente em questão; e propõem soluções pertinentes, viáveis e singulares, posicionando-se como um profissional especialista no planejamento e na configuração dos ambientes para vivência humana.


[1] CARDOSO, Rafael. Uma Introdução à História do Design. 3.ed. São Paulo: Edgar Blücher, 2008.

[2] SCHNEIDER, Beat. Design – Uma Introdução: o Design no contexto social, cultural e econômico. Trad.: Sonali Bertuol, George Bernard Sperber. São Paulo: Editora Blücher, 2010.

[3] HOUAISS. Grande Dicionário da Língua Portuguesa. Design. Disponível em:

<http:// http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=design&gt;. Acessado em: 09 de Setembro de 2013.

[4] Idem nota 1.

[5] MOURA, C. O desígnio do design. In: Livro de Actas – 4º SOPCOM | Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, Aveiro, 2005, p. 73-81.

[6] ICSID. International Council of Societies of Industrial Design. About ICSID. Disponível em:

<http://www.icsid.org/about/about.htm&gt;. Acessado em: 26 maio 2013. Traduzido pela autora. Texto original: “Design is a creative activity whose aim is to establish the multi-faceted qualities of objects, processes, services and their systems in whole life cycles. Therefore, design is the central factor of innovative humanisation of technologies and the crucial factor of cultural and economic exchange”.

[7] Idem nota 2.

[8] Idem nota 2.

[9] CARDOSO, Rafael. Design para um Mundo Complexo. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

KRUCKEN, Lia. Competências para o design na sociedade contemporânea. Caderno de Estudos Avançados: Design e Transversalidade, Caderno 2, v. 1. Belo Horizonte: Santa Clara: EdUEMG, 2008. P. 23-32.

MORAES, Dijon de. Design e Complexidade. Caderno de Estudos Avançados: Design e Transversalidade, Caderno 2, v. 1. Belo Horizonte: Santa Clara: EdUEMG, 2008, p. 07-22.

[10] SANTOS, Edgar Souza. A caminho do lar – a narrativa dos anúncios de eletrodomésticos. 2009. 207 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Universidade de São Paulo, USP, São Paulo, 2009.

[11] MOREIRA, Samantha. C. de O. Interiores de Casas Residenciais em Belo Horizonte: a década de 1950. 2006. 137f. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.

[12] HOUAISS. Grande Dicionário da Língua Portuguesa. Decoração. Disponível em:

<http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=decora%25C3%25A7%25C3%25A3o&gt;. Acessado em: 21 de Setembro de 2013.

[13] Escola de Design/UEMG. História. Disponível em: < http://www.ed.uemg.br/sobre-ed/historia&gt;. Acessado em 09 de Setembro de 2013.

[14] Lei Estadual nº 3.065, de 30 de dezembro de 1963. Disponível em: Diário do Executivo. 31/12/1963. p. 3_col5.

[15] Decreto nº 55.068, de 24 de novembro de 1964. Disponível em: Diário Oficial da União – Seção 1 – 16/2/1965, Página 1881.

[16] Decreto Estadual nº 36.639, de 10 de janeiro de 1995. Disponível em: Diário do Executivo. 11/01/1995. p. 1_col2.

[17] Constituição Mineira de 1989: Art. 199 – Estabelece autonomia universitária e define a forma de constituição da UEMG; Ato das Disposições Constitucionais Transitórias: Art. 81 – Cria a UEMG; Art. 82 – Possibilita a absorção, pela UEMG, de fundações educacionais.

[18] MOREIRA, Samantha. C. de O. Interiores de Casas Residenciais em Belo Horizonte: a década de 1950. 2006. 137f. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.

[19] ESCOLA DE DESIGN da Universidade do Estado de Minas Gerais (ED/UEMG). Projeto Pedagógico – Curso de Design de Ambientes. Belo Horizonte, 2003.

N_Goiânia 2014 – confirmado!

Pois é pessoal, mais um NDesign pela frente.

NDesign2014

Apesar deste ser a VIGÉSIMA QUARTA edição do evento, é apenas a TERCEIRA onde Design de Interiores/Ambientes tem seu merecido espaço na grade. Já podemos dizer que conseguimos ser reconhecido, pelos acadêmicos, como uma área do DESIGN!

E eu mais uma vez estarei por lá defendendo a nossa área.

Quando?

de 19 a 26 de julho de 2014.

Fiquem ligados nas novidades através da page deles no facebook.

A programação das atividades assim que estiver disponível postarei aqui no blog.

Go, go go go Goiânia!!!!

Nos vemos lá!!!!

 

;-)

#VemPraRuaDesigner – Expolux

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Amigos Designers (de todas as áreas), especialmente os de São Paulo (capital), ATENÇÃO!!!

Temos de começar a fazer barulho senão a regulamentação não vai sair.

Vamos aproveitar a abertura da feira Expolux e fazer um barulhão pacífico lá na frente.

O Brasil, os empresários, a mídia e a sociedade precisam saber do que algumas entidades andam fazendo de podre e sórdido nos bastidores do governo CONTRA a nossa profissão.

Avise seus amigos, chame sua turma criativa e #VemPraRuaDesigner.

Nos vemos lá?

Para confirmar a sua presença é só clicar no link:

https://www.facebook.com/events/236266799899906/?ref=3&ref_newsfeed_story_type=regular

Este será o primeiro manifesto público defendendo que #RegulamentemODesignerJá. Outros serão organizados pelo Brasil.

O Primeiro Manifesto será na porta do evento da EXPOLUX no dia 22 de Abril.

Na EXPO CENTER NORTE – Pavilhão Branco e Verde, em São Paulo!

Vamos Designers! Vamos pra rua defender nossos direitos!

Sem a regulamentação não podemos assinar nossos projetos, não podemos ser contratados por órgãos públicos e alguns concursos exigem um arquiteto junto para assinar em nosso lugar. Também não podemos participar de licitações, pregões e tantas outras oportunidades de mercado.

Façam uma máscara de indignação e compartilhem conosco essa vergonha!!!!!

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E.T.> Basta! Digo não ao PL da ABD. Sou DESIGNER que exijo estar junto de minha área na regulamentação.

Pela inserção da área de Interiores na LEI PENNA após a sanção presidencial.

N_Goiânia 2014, mude seu estado_

E aí pessoas estudantes, já estão preparando as malas, mochilas, barracas, fantasias para as festas, dando uma turbinada na inspiração e reforçando a resistência para encarar as atividades do N2014??

ngoianiaEste será o 24º Encontro Nacional de Estudantes de Design (NDesign)

Desta vez será realizado em GO GO GO GO GOIÂNIA!!!

E a data já está certa!!!

De 19 a 26 de julho de 2014.

Fiquem ligados na página do NGoiânia no facebook , pois sempre está rolando promos e detalhes fresquinhos do encontro.

ngoiania1

Vai perder?

¬¬

ProDesign>pr x CAU

NOTA DE REPÚDIO À RESOLUÇÃO Nº 51 DO CAU/BR CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL

A ProDesign>pr, Associação das Empresas e Profissionais de Design do Paraná, vem à público se manifestar e posicionar contra a Resolução nº 51 do CAU/BR, Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil, somando-se às forças que em todo o país se unem veementemente contra a arbitrariedade do referido documento.

Como uma das instituições associativistas mais articuladas do Brasil, e representando seu quadro de membros e empresas associadas, a ProDesign>pr reivindica a revisão imediata e portanto, melhor redação, da Resolução nº 51 do CAU/BR por considerar que esta pode ferir o exercício da profissão de designer, notoriamente instituída no país, apesar de sua não regulamentação, e por entender que esta pode ser contrária aos anseios de todos os profissionais do Design, que de maneira formal e legal, atuam legitimamente e eticamente.

A Resolução nº 51 visa cumprir definições dispostas nos artigos 2º e 3º da Lei nº 12.378, de 2010, que em nosso entendimento passam por cima de profissionais, escritórios de design, centros e núcleos de design, setores de design em instituições públicas e privadas, instituições de ensino e de um histórico de mais de 50 anos de atuação científica e profissional dos designers no Brasil, ao simplestemente desconsiderar a profissão do designer.

Por tudo isto, a Resolução nº 51 pode ferir o exercício da profissão de designer, ainda mais quando determina para fins de Registro de Responsabilidade Técnica o desenvolvimento por arquitetos e urbanistas das seguintes atividades: – Projeto de Mobiliário; – Projeto de Mobiliário Urbano; – Projeto de Design de Interiores; – Projeto de Comunicação Visual para Edificações; – Projeto de Comunicação Visual Urbanística; – Projeto de Sinalização Viária; – Execução de Adequação Ergonômica; – Execução de Reforma de Interiores; – Execução de Sinalização Viária; – Execução de Mobiliário; – Execução de Mobiliário Urbano; – Execução de Comunicação Visual para Edificações; – Execução de Comunicação Visual Urbanística.

Muitas destas atividades sequer são contempladas por grades curriculares em vários cursos de Arquitetura e Urbanismo ao passo que fazem parte das grades curriculares dos cursos de Design. Nos parece que falta esclarecimento sobre o desenvolvimento destas atividades por profissionais que não são arquitetos e urbanistas, deixando uma lacuna que pode variar de acordo com interpretação, o que não é coerente com um documento que visa eliminar dúvidas. Isto acontece também com o Anexo da Resolução Nº 51 que procura definir conceitos descritos na própria resolução e na Lei 12.378. Um exemplo claro é a inclusão da Comunicação Visual como parte integrante da Arquitetura de Interiores, e portanto atividade exclusiva de arquitetos e urbanistas. A Resolução nº 51 do CAU/BR em nosso entendimento, parece aproveitar-se da falta de regulamentação da profissão do designer, que encontra-se neste momento em tramitação no Senado brasileiro.

A ProDesign>pr ainda entende que estas determinações caminham na contramão do trabalho cooperado entre arquitetos, urbanistas e designers, na solução de problemas para as nossas cidades, adotando as ferramentas do design e as tecnologias e metodologias desenvolvidas por designers, centradas nos usuários.

Por ainda acreditar na boa fé e nas boas práticas, a ProDesign>pr reivindica em voz uníssona a todas as Associações Profissionais de Design, Instituições de Ensino de Design, Empresas e Profissionais que corroboram dos mesmos ideais e que lutam pela valorização do Designer, a revisão no intuito da melhor compreensão, da Resolução nº 51 por parte do CAU/BR, Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil.

Curitiba, 30 de agosto de 2013

José Augusto Tulio Filho Presidente ProDesign>pr

fonte:
http://prodesignpr.com.br/inspiracao/noticias/nota-de-repudio-a-resolucao-n%C2%BA-51-do-caubr/

Quero aqui parabenizar ao Tulio e à ProDesign>pr pela excelente nota de repúdio!!!!

Importantíssima neste momento!!!

N Design 2013 – Salvador!

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Pois é pessoal, está chegando mais uma edição do N Design – Encontro Nacional dos Estudantes de Design.

Para quem não conhece e nunca participou, o N Design é um evento político, acadêmico, científico, cultural, anual, itinerante, sem fins lucrativos e sempre vinculado a uma entidade base formada por estudantes de design. É o maior evento de design do Brasil e um dos maiores da América Latina.

A edição 2013 será realizada em Salvador (já montou a sua caravana?) e acontecerá entre os dias 21 e 28 de julho.

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O pessoal da CoNe está trabalhando pesado para garantir a realização de mais um evento mega legal e recheado de conteúdos para todos os participantes.

O tema deste ano é “Insira o seu contexto aqui” e tem por finalidade pegar as milhares de pessoas com objetivos, bagagens culturais e intelectuais diferentes, mas que são unidas por um objetivo além do conhecimento em design: a troca de experiências.

O tema promete. Leia mais sobre o tema 2013 aqui

As inscrições ainda não estão abertas. Por enquanto apenas as para os editais (caso você queira compartilhar um pouco de seu trabalho e produção através de oficinas, veja neste link como participar).

Fique atento à página do N Design 2013 no facebook  e também no site desta edição. Praticamente todos os dias tem novidades quentinhas sobre a edição.

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CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL E EDIFICAÇÃO EFICIENTE

Mais um excelente artigo da Mestre Viviam para vocês:

CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL E EDIFICAÇÃO EFICIENTE: UMA BREVE INVESTIGAÇÃO SOBRE PREÇO E VALOR

RITTER, Vivian Fetzner (1)

 

As construções sustentáveis e edificações eficientes, onde se inserem, por exemplo, o controle do uso do solo, a aplicação eficiente dos recursos hídricos, a eficiência energética, a gestão dos resíduos sólidos, a preocupação com o ciclo de vida das edificações, com as energias renováveis, a iluminação sustentável e suas aplicações nas edificações, tem relação direta com a busca da eficiência e a conseqüente minimização do consumo de energia, e tais aspectos, antes de um modismo, estão efetivamente relacionados com o futuro da arquitetura, da construção civil e por que não dizer, com o futuro do planeta.

Atualmente entendemos como mera opção as questões vinculadas à sustentabilidade e às possíveis alternativas de construções sustentáveis, algo que não poderá perdurar por muito tempo. Num futuro bem próximo (2), seremos obrigados a projetar as edificações pautadas na sustentabilidade e eficiência energética. Assim, cogitando, como exemplo, o fim anunciado das lâmpadas incandescentes, outras leis deverão legitimar mudanças urgentes e necessárias, apontando para uma necessária alteração de paradigma.

Imediatamente conscientes da maneira pouco sustentável que a maioria orienta suas condutas no âmbito pessoal e profissional, vislumbramos a virada. Virada esta a nos alertar da necessidade de efetivamente mudar nossas atitudes perante o meio ambiente e todos serão chamados a fazer a sua parte. É preciso – e é possível – começar logo, através de atitudes sustentáveis no escritório, na rua, no trabalho, nas obras, nas nossas casas, nos nossos espaços. Uma mudança de concepção. Os erros do passado precisam ser sepultados. Muitos profissionais se vêem desestimulados e acreditam que a sustentabilidade somente poderia ser adotada nas construções totalmente sustentáveis, as auto- sustentáveis. Um equívoco. Uma construção mais sustentável, onde o “mais” é o fio condutor do projeto. Articular, pensar e repensar quais as lacunas latentes e passíveis de intervenção através da engenharia e da arquitetura capazes de tornar determinada construção mais sustentável e energeticamente mais eficiente.

Especificar este “mais” sustentável fará a diferença.

São infindáveis as alternativas que se apresentam, desde a utilização de placas fotovoltaicas nas construções, as válvulas de descarga com fluxo duplo, o reuso da água, a utilização consciente da iluminação natural e as alternativas para diminuir o consumo de energia através dos aparelhos de ar condicionado, cogitar a ventilação cruzada, atentar para o acionamento e desligamento das lâmpadas fluorescentes preservando, assim, sua vida útil. Enfim, definitivamente, há uma multiplicidade de práticas possíveis de serem adotadas pelos profissionais e por todos os quais desfrutam das benesses da natureza, que deveriam ser respeitadas.

Em razão disso, a atividade dos arquitetos, dos engenheiros e dos designers de interiores é de significativa importância na busca de alternativas concretas para alterar a perspectiva sombria derivada da falta de conscientização no sentido da adoção de boas práticas direcionadas à sustentabilidade. Não basta mais o cidadão ter a preocupação de separar seus resíduos domésticos, algo que ainda não foi adotado pela maioria.  É necessário, cada vez mais, que todos se envolvam na busca de soluções para a matriz energética, com a construção de edificações sustentáveis e eficientes vinculadas à preservação do meio ambiente, onde o consumo dos bens legados pela natureza necessita de preservação imediata e efetiva.

O futuro irá depender, sem dúvida, das escolhas que fizermos, pois “[…] enquanto houver a presença da família humana no planeta Terra. Em todo o tempo que durarem as relações homem-natureza, esta questão estará presente, embora num processo contínuo de mudanças e adaptações” (3).

O crescimento da escassez dos recursos encontrados no meio ambiente (4) requer o desenvolvimento de novas técnicas para a sua administração, com o objetivo de evitar o fim dos recursos disponíveis. Nesse sentido, o aumento da escassez exige um crescimento econômico vinculado ao uso ponderado de recurso não havendo dúvida de que o homem, desde os primórdios da humanidade, está destinado ao crescimento econômico (5).

Trata-se de adotar, com consciência, uma visão multidisciplinar que, apesar de alguma complexidade, integra diversas áreas do conhecimento, a fim de reeditar a diversidade que compõe o próprio mundo onde são indispensáveis conhecimentos de arquitetura, das engenharias, do design, dentre outras.

O crescimento da escassez requer o desenvolvimento de novas técnicas para a sua administração, com o objetivo de evitar o fim dos recursos disponíveis. Nesse sentido, o aumento da carência exige um crescimento econômico vinculado ao uso ponderado de recurso não havendo dúvida de que o homem está submetido ao desenvolvimento econômico.   Por isso, na discussão de preço e valor, que envolve, por exemplo, a escolha de uma lâmpada incandescente ou uma lâmpada led, não afasta a logicidade da opção pela segunda, seja por deixar de contribuir com o aquecimento global, proporcionar uma economia de energia de aproximadamente 70% a 80% em relação ao consumo de uma lâmpada incandescente, pela manutenção, por sua durabilidade, insumos estes inerentes ao conceito de sustentabilidade.  Assim, o preço a ser pago por uma construção pautada pela sustentabilidade e eficiência energética, a curto e médio prazo será muito mais econômica, eficiente e adequada à preservação do meio ambiente.

Partindo de tais premissas, concluímos ser fundamental a adoção de componentes teóricos e práticos possíveis de fomentar alternativas destinadas à otimização na utilização dos recursos naturais, com respeito senão absoluto pelo meio ambiente, ao menos próximo daquilo que as demais gerações, num futuro não muito distante, irão agradecer.  Não se pode olvidar que a natureza, como se pode perceber das inúmeras catástrofes, decidiu cobrar um preço que, talvez, por não termos dado o devido valor ao meio ambiente, nunca estejamos preparados para pagar. Quem sabe não seja esta a diferença entre “preço” e “valor” que nunca soubemos administrar.

Vivian Ritter

 (1) Doutoranda em Filosofia, Mestrado em Educação, Especialização em Iluminação e Design de Interiores, graduação em Design de Interiores, Professora de Pós-Graduação perante o IPOG, Coordenadora do MBA em Construção Sustentável e Edificação Eficiente pelo IPOG, graduanda em Direito.  
(2) Por exemplo, o Programa Brasileiro de Etiquetagem em Edificações (PBE Edifica), que avalia as construções  (residenciais, comerciais e prédios públicos) quanto à eficiência energética, como já acontece com os eletrodomésticos da linha branca, e já possui parceria com o Inmetro e com a Adene, empresa de Portugal, exemplo no referente à eficiência energética, hoje facultativa, num futuro próximo irá se tornar uma obrigatoriedade.  
(3) COIMBRA. José de Ávila Aguiar. In Curso de Gestão Ambiental: Arlindo Philippi Jr., Marcelo de Andrade Romero, Gilda Collet Bruna editores – Barueri, SP: Manole, 2004, p. 527.  
(4) Por meio ambiente se considera um conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um sistema natural, e incluem toda a vegetação, animais, microorganismos, solo, rochas, atmosfera e fenômenos naturais que podem ocorrer em seus limites. Meio ambiente também compreende recursos e fenômenos físicos  como ar, água, e clima, assim como energia, radiação, descarga elétrica, e magnetismo. Para as Nações Unidas, meio ambiente é o conjunto de componentes físicos, químicos, biológicos e sociais capazes de causar efeitos diretos ou indiretos, em um prazo curto ou longo, sobre os seres vivos e as atividades humanas.
 (5) PINHEIRO PEDRO, Antonio Fernando e all. Direito Ambiental Aplicado, obra citada, p. 619.