Victoria’s Secret Fashion Show 2010-2011

Bom, para os antenados de plantão, isso já nem é tão novidade. Consegui agora o vídeo completo do show da Victoria’s Secret deste ano. Na verdade, está dividido em 4 partes.

Quem já viu algum sabe do tipo de show que estou falando, vale cada segundo, cada detalhe. E, como a produção de Set é uma das possíveis áreas para os Designers de Interiores/Ambientes, vou posta-los aqui para vocês com alguns comentários abaixo de cada parte.

Quem está acostumado com as mega produções deste desfile pode ter estranhado o deste ano. Apesar de continuar sendo um mega evento, com uma mega produção, este ano eles optaram pela simplicidade: prova de que nem tudo precisa ser caro e/ou precioso para valorar a montagem.

Um outro detalhe importante é que nestes vídeos aparece o backstage (as coxias como chamam aqui no Brasil) que é o espaço de preparação e produção das modelos e de moda. Além de todo o aparato necessário, que é também, este espaço, trabalho nosso.

Vamos aos vídeos.

Na primeira parte devemos observar a largura da passarela que eles sempre usam. Essa deve ser larga o suficiente para que as modelos possam exibir os adereços que fazem parte da produção de moda. Perceberam o revestimento do piso da passarela? Não sei se é isso, mas me lembrou um papel de parede que vi em São Paulo aplicado na parede de uma loja. É um papel com gliter, maravilhoso!

Na boca de cena, vemos um cortinão simples e  levemente translúcido com grafismo simples. Sobre a boca de cena, apenas um trabalho também simples de frontão que passa perfeitamente o recado da marca. Identidade total!

Temos um grande coreto giratório no centro do palco que é, na verdade, o único elemento cênico desta parte. Simples, e manda o seu recado.

Já na parte do show da Katy Perry, nada de especial cenograficamente falando a não ser os fresnéis que descem sobre a passarela criando um efeito fantástico e inesperado. Raramente se vê uma iluminação que desce para o meio do palco.

Nota mil para esta parte!

Repito, prestem muita atenção na estrutura montada no backstage. Tudo tem de ser muito bem layoutado e atendendo um fluxograma que permita a agilidade de locomoção de toda a equipe.

Nesta parte vemos que para a cenografia foi utilizado um elemento bastante simples que lembra bastante os celeiros das fazendas norte-americanas. Muito simples e com um efeito belíssimo!

Na sequência entra uma parte mais agitada onde, cenograficamente falando, não temos elementos. Na verdade temos apenas os adereços utilizados pelos atletas de ginástica e um trabalho de Lighting Design estonteante. É a parte esportiva.

Peceberam como tudo muda do vermelho para o azul num piscar de olhos? É o poder da luz.

Nesta parte temos o show do Akon com as modelos desfilando ao mesmo tempo. Prestem atenção na quantidade de cristais suspensos formando um grande céu estrelado sobre a platéia. E, novamente, quem faz a cenografia é o lighting design. Quando as modelos comeam a entrar, descem fios com cristais presos nas pontas sobre a boca de cena. Conforme as modelos vão esbarando nos mesmos, eles começam a balançar (dançar) suavemente ampliando ainda mais o efeito. Certamente também há um pouco de vento promovendo a movimentaçção.

Simples e lindo!

Após, entramos numa cenografia bastante simples com grandes árvores na boca de cena. Sobre a passarela descem lanternas. Tudo bastante étnico.

E novamente, quem comanda o espetáculo é o Lighting design.

Na última parte do vídeo temos novamente a participação da Katy Perry. A cenografia foi muito bem sacada: simples e linda! Mostra toda a alegria e energia, características muito fortes na marca.

Em cada lateral do palco temos um monte de balões metalizados coloridos. No centro, um elemento bastante simples também na forma de um cachorro deitado.  Ao ser virado, aparece uma escadaria.

De fundo, temos um trabalho muito bonito também de lighting design.

E, promovendo a interação com a platéia, além da que as modelos já fazem, vemos os mesmos balões do palco caindo suavemente sobre a platéia.

Por falar em platéia, vocês perceberam o layout dela? O recuo necessário para as câmeras sobre trilhos e gruas? A iluminação de segurança trabalhada de forma bastante estética fugindo dos tradicionais balizadores de piso?

Bom é isso gente. Este show da Victoria’s Secret mostra claramente que não é necessário um cenário gigantesco, cheio de detalhes para conseguir passar o recado.

Espero que tenham gostado.

Abraços.

#5do11 O que comemorar?

Pois é Designers, chegamos a mais um #5do11. Mais um do mesmo, de novo.

Mais um ano se passou e aí?

Como vai o Design por aí onde você mora e trabalha?

Como vai o design por aí, dentro de você?

QQ tá rolando? QQ tá pegando? QQ tá acontecendo? Alguma novidade sobre isso tudo?

Pois é, vi que ha pouco tempo atrás fundaram uma tal de associação de designers aqui do Paraná, só feita por curitibanos e pelo que pude observar, a tal paranaense só vai atender aos curitibanos… e se diz “paranaense”. Sei, sei… E ainda há o fato de os mentores terem “engolido” atravessado a sub-área de moda, porém regurgitaram completamente a de Interiores e Ambientes.

“Isso me fez pensar…” e tem gente que odeia quando escrevo isso….

Outra coisa é que tivemos recentemente também aqui no Paraná uma tal de Bienal de Design. Tudo bem ser realizada em Curitiba até mesmo porque nas outras cidades do Estado, infelizmente, não encontramos estrutura necessária para a realização de um evento deste porte. Mas então, observando as noticias, coberturas, fotos e posts por aí, além de todos os pappers lançados anteriormente, percebi com tristeza que a minha área foi deixada de fora. Deixada não, foi ignorada mesmo. No entanto, contrataram profissionais de outras áreas para fazer trabalhos que qualquer profissional de Design de Interiores e Ambientes é capaz de fazer. Mas não estranhei tanto não isso…

Pouco antes disso, percebi numa comunidade do Orkut que alguns profissionais de outras áreas do design estão atacando seriamente Interiores e Ambientes. Afirmo com toda certeza de que se tratam de “dezáiners” independente de ter formação superior, mestrado ou doutorado. Pelo tipo e formato de argumentação percebe-se claramente que, depois de anos de estudos e vida profissional, ainda não conseguiram compreender a complexidade e abrangência do DESIGN. Porém, o mais triste foi ver um deles (que é arrogante ao extremo e se acha um deus, e odeia críticas) que é da área de produtos, postar que está começando a fazer… interiores… #KiMedo…. rsrsrs

Pois é, mais um ano se passou, nada mudou e a população do país reelegeu o partido que diz que o Design não deve ser regulamentado porque “senão a dona Maria, que mora lá na vila, não vai mais poder pintar seus panos de pratos”…. é gente, a dona Maria vai continuar a ser uma excluída, à margem da sociedade, com a sua TV de plasma pendurada na parede da sala que ela ainda tem mais umas 500 prestações à pagar nas Casas Bahia, vai continuar a pisar no esgoto a céu aberto no portão da sua casa, agonizando nas filas do SUS, vendo seus netinhos serem deseducados na escola e marginalizando-se pelas ruas mas está feliz: tá pintando e vendendo os seus paninhos de pratos.

Enquanto isso a gente vai seguindo, sem uma identidade própria, vendo empresas e empresários importarem design e designers, a mídia deseducando e desinformando ao apresentar “dezáiners e dezáine”, qualquer um virando “dezáiner e fazendo dezáine”, nossos parlamentares continuando a confundir Design com artesanato e a gente aqui, no nosso cantinho, cômodamente vendo a caravana passar… e aplaudindo… assoviando e chupando cana… e batendo no peito cheio de orgulho e arrogância que “eu sou Designer!”

E as associações? O que elas fizeram por nós este ano?

Ah, você nem sabe que existem associações de Designers? Ah, você sabe, faz parte mas apenas paga a anuidade e nem se importa com o que rola dentro da associação? Tem um número apenas para dizer que tem?

Aham… senta lá Cláudia, senta….

Pois é né, e aquele monte de grupos, comunidades, redes sociais que você participa?

Tá ja sei, você [Insane mode enabled] entra diariamente em todas elas, troca lances imagéticos (coraçõezinhos, leõezinhos, carneirinhos, cachorrinhos, inhosinhosinhos) com seus contatos, marca baladas e apenas dá uma geral nos assuntos. Afinal você é uma pessoa normal. E o Design não precisa nem um pouco do seu pensamento, da sua voz, da sua reflexão… Para quê se, afinal de contas, já existem uns 20 malucos por ai que já fazem isso, pensam por todos nós não é mesmo? Eles até falam sobre todos os assuntos que me interessam, então nem preciso me meter, propor algo, questionar nada, já está tudo ali mastigadinho. Ah, eu prefiro entrar nos blogs de meus amigos, ver aquele monte de imagens lindas e deixar um beijinho pra eles no comentário. Tá ótimo! Já fiz a minha parte!

Quando eu precisar de alguma coisa dou uma corrida até o blog da Mônica, ou o IFD da Iris, este aqui do Paulo, quem sabe o do Morandini, dou uma chegadinha até o Portal DesignBR, talvez no Espaço.com, pode até ser no Brains9 ou quem sabe ainda na Design Brasil do Orkut. Tem tudo por aí, dou um ctrlC+ctrlV, troco umas palavrinhas e pronto, posso apresentar a minha criação pro meu professor ou pro meu cliente. Tá ótimo!

Mas eu acho que ainda faltou trocar a cor daquela cadeira… azul não tá “ornando”.. acho que vou mudá-la pra vinho aí ninguém vai perceber de onde chupei a idéia.

Ah meu, tem tbm aquele povo chato daquele grupo que tá achando que eu sou um trouxa e vou dar dinheiro pra ajuda-los a manter aquilo lá… Tudo bem que tem muita coisa legal lá, fiz excelentes contatos, já rolaram até alguns jobs por lá.. ah, mas eu não tenho nada a ver com isso não. Nem tem empresários que visitam aquele espaço mesmo… Como o nome de lá diz é um ponto de encontro apenas para designers. E também tem outra, eles que são donos que tem de agitar aquilo lá e não vir entupir a minha caixa de e-mails com spams pedindo que eu entre lá para dar idéias. Fala sério meu…

E se tem uma coisa que me irrita profundamente é começar a trocar umas idéias com uns colegas da minha área lá naquele grupo e sem mais nem menos vem uns idiotas de outra área querer dar pitaco. Pô que sem noção aquela mina que faz roupas vir querer discutir sobre grafismos com a gente… [Insane mode disabled]

Pois é, meio amargo ler isso tudo não é mesmo? Mas infelizmente é a realidade.

Tá bom, parei!!!!

Afinal hoje é dia #5do11 e temos de comemorar!

Ok, então apesar da #vergonhalheia, eu vou comemorar o meu sucesso profissional, os novos contatos que eu fiz, clientes atuais e prospects, novos projetos, idéias e possibilidades, o sucesso deste meu blog, o respeito e reconhecimento que venho recebendo, o diálogo com parlamentares sérios que consegui abrir e que vou usa-los para regulamentar as minhas área s profissionais, entre outras coisas mais.

E faço da alegria desta minha comemoração, um brinde a todos os Designers brasileiros, de todas as áreas por este dia tão especial.

Tim-tim!

Pós em iluminação – IPOG – novas turmas

Amigos, recebi um e-mail da Jamile Tormann informando a abertura de mais duas turmas do curso de especialização em Iluminação e Design de Interiores:

Curitiba III – 05 de novembro de 2010

Porto Alegre V – 26 de novembro de 2010

O planejamento de 2011 está iniciando este mês e assim que tivermos a confirmação das filias repassaremos. Creio que isto ocorrerá após reunião do dia 20 de dezembro.

Bom, assim que eu receber estas informações vou postar aqui para vocês ok?

Ah, claro, para maiores informações, entre em contato com a secretaria do IPOG.

Grade de oficinas do RLondrina2010

Olha só pessoal, acabou de sair a grade de oficinas do RLondrina2010:

A minha oficina, Design Crítico, será ministrada nos dias 4 e 5/11 das 09:00h às 11:00h.

As inscrições podem ser feitas através do site do RLondrina2010.

Nos vemos lá ok?

Coletânea de materiais – LabLuz

Pessoal, já postei aqui ha bastante tempo mas sempre é bom relembrar:

O LabLuz – Laboratório de Iluminação da UNICAMP – tem uma coletânea de arquivos disponível no site deles com muuuuuuuito material sobre iluminação, arquitetura, cênica, etc.

É um trabalho desenvolvido pelo colega Valmir Peres, LD especialista em iluminação cênica.

Vale a pena uma visita pois tem muita coisa boa por lá pra quem gosta de ler e busca informação.

O link para a coletânea é este aqui.

 

 

R Design Londrina 2010 – oficineiro

Olá pessoas!

Ontem tive a felicidade de receber um e-mail da CORDE confirmando que a minha oficina foi escolhida para o RLondrina2010.

A proposta da oficina é a seguinte:

Nome: Design Crítico – formação de pensadores próprios em Design.

Justificativa: É cada dia mais urgente a necessidade da formação de pensadores e críticos específicos em Design. O que temos visto na mídia são profissionais de outras áreas tecendo seus comentários ácidos sobre as áreas do design em virtude da carência de pessoal próprio disposto a realizar este trabalho.

A crítica séria (positiva ou negativa) feita através da observação ou da análise de algo (ambiente, produto, serviço, etc) faz-se necessária em um país que não tem ainda o Design regulamentado e, muitas vezes, confundido com artesanato.

Esta oficina busca fazer os participantes pensar o Design além do projeto. É comum vermos a maioria dos acadêmicos nos cursos voltando o seu foco apenas para a área projetual, esquecendo-se que existem áreas editoriais e acadêmicas que podem ser tão ou até mais rentáveis que a projetual.

Objetivo: Formar pensadores próprios em Design é uma necessidade urgente.

Turma: min 15 máx 30 – sala de aula

participantes levar:
papel almaço (2 folhas)
caneta
revistas e catálogos que possam ser recortados

Bibliografia: A Linguagem das Coisas. Deyan Sudjic. Ed Intrínseca.

Informações e inscrições: no site do RLondrina2010

Zés, preparem-se pois a cobra vai fumar nessa oficina!

 

 

como anda o seu vocabulário?

Neste final de semana tive mais um módulo da pós. Desta vez a grata surpresa foi a aula com o mestre Glaucus Cianciardi (Belas Artes-SP) no módulo Design de Interiores Residenciais.

Não preciso escrever aqui que o cara é fera, conhece e entende pacas sobre o assunto. Foi simplesmente brilhante a aula. Aos poucos vou compartilhando com vocês algumas coisas sobre este módulo.

Uma coisa que me deixou bastante feliz foi ver, no meio do material distribuído, o  meu modelo de contrato já disponibilizado para vocês aqui no blog, como modelo padrão que está sendo divulgado e distribuído a todas as turmas do IPOG.

UIA!!! Virei bibliografia, agora oficialmente ahahahaahha.

Bom, mas vamos ao que realmente interessa então neste post. Como anda o seu vocabulário profissional?

Este é um tema bastante complicado de ser apresentado pois os regionalismos e jargões profissionais existem e sempre há bastante resistência na aceitação de termos, muitas vezes, oficiais em detrimento daqueles comumente usados. E isso não deixou de acontecer aqui em Londrina neste módulo.

Os termos oficiais existem sim porém, no dia a dia das obras e contatos diversos acabamos assimilando e colocando em uso palavras mais “fáceis” ou populares. A lista abaixo eu fui anotando no meio da aula e confesso que me peguei rindo diversas vezes por causa de algumas delas comparando-as com as que eu uso. Não estão em ordem alfabética e tampouco com a definição exata pois foram sendo anotadas no decorrer da aula. Mas já dá para vocês terem uma excelente idéia. Vamos lá:

Apuí: fibra natural possível de vergar. Ela não racha ou trinca quando “entortada”.

Boiserie: Revestimento de paredes típico dos séculos XVII e XVIII. Trata-se de painéis de madeira adornados com baixos-relevos.

Lambri: a mesma coisas que bouaserie – painel de madeira na parede porém sem entalhes e baixos relevos.

Woodflex: madeira plástica.

Escabelo: banco de origem africana.

Etologia: delimitação de espaços. Pense no mesmo que um animal delimitando o seu espaço ou território. Da mesma forma, nós humanos fazemos isso em nossos lares.

Frugalidade: busca pela simplicidade.

Stimmung: criar um stimmung para o espaço. Atmosfera do espaço. O elemento primordial para a criação de um stimmung é a luz.

Mélange: ecletismo, mistura de estilos.

Vintage: peças que marcaram determinada época. São o que as revistas chamam de clássicos do design.

Baldaquim: estrutura (balaustres) sobre as camas para fixar tecidos (dosel).

Alabastro: pedra translúcida de cor amarelada, bastante usada em iluminação.

Alma: um espaço que eu deixo entre um quadro e outro ou entre objetos. Necessário para que a composição e o olhar “respirem”.

Aplique: arandela de parede de estilo clássico.

Bandeira: parte superior da porta (janela) para auxiliar na ventilação e iluminação naturais.

Bay window: janela avançada.

Chinoiserie: qualquer coisa de influência chinesa.

Blanc d’chine: branco chinês.

Chine blue: azul chinês, tendência para casas junto à água.

Botonê: botões colocados no estofado que ficam na superfície.

Capitonné: botões mais para baixo, mais afundados no estofamento.

Bordure: faixa (de acabamento) externa dos tapetes clássicos.

Border: mesma faixa mas em modelos contemporâneos.

Brise-brise: meia cortina colocada na parte metade baixa da janela. A parte de cima chama-se sanefa.

Cabuchon: (ou toseto) detalhes no piso.

Colchão grego: o que chamam de futton.

Cantaria: revestimento em pedra.

Casual: frugal, simples.

Clapboard: revestimento de parede em escamas feita com gesso acartonado na horizontal.

Clean: década de 80, limpeza formal, bastante minimalista.

Damier: piso em duas cores ou texturas com a função de gerar movimento.

Day bed: cama para área de piscina e praia com cobertura em tecido.

Dipitco: quadro em duas partes.

Triptico: quadro em tres partes.

Debrum: costura grossa (reforçada e aparente) em estofados.

Draperie: um tecido preso à parede para dar acabamento às cortinas.

Espaleta: parede geralmente usada para dar acabamento (laterais de armários por exemplo com no Maximo 50cm) mas pode ser usada também como elemento compositivo.

Faiança: é uma porcelana mais grosseira, rústica. Usada bastante no estilo provençal Francês.

Faux: ou fake – coisas falsas que imitam outras.

Ferronerie: serralheria.

Frontão: parte fronteiriça da lareira.

Roda pia ou saia: para bancadas de banheiros.

Galuchat: revestimento com pele de arraia esticada. Mais anti-ecológico impossível.

Gregas: grafismo ou desenho espiral de tendência grega.

High tech: alta tecnologia aparente, exposta.

Housse: capa de cadeira.

Japonaiserie: influência japonesa na decoração.

Kitsch: não é mau gosto e sim uma irreverência, brincadeira de bom gosto.

Loft: espaço comercial ou industrial (geralmente galpões) que passou por um processo de retrofit arquitetônico para ser tornar um espaço residencial. Nem de longe loft quer dizer estes apartamentos ou casas construídas de forma integrada que vemos hoje.

Masstige: a peça de mais prestígio, elegância e destaque da ambientação.

Óculum: abertura circular na parede que não abre como a janela.

Off White: tons de branco ou branco sujo que não o branco puro – 001.

Panejamento: um trabalho com tecido colocado nas paredes como composição. Bastante comum em festas e casamentos. Pode ser chamado também como draperie.

Peanhas: suporte afixado na parede para colocar algo em cima, mão francesa.

Peça curinga: é a peça versátil no ambiente que pode ser utilizada de varias formas devido a sua versatilidade.

Repaginar: trocar a composição interna.

Reformar: envolve a parte arquitetônica.

Retro: estilo das décadas de 50, 60 e 70.

Faux boiserie: parede falsa de madeira.

Saia e blusa: forro em duas folhas, padrão da casa colonial brasileira. Neste caso dá a sensação de descer o pé direito.

Tabica: espaço deixado entre a parede e o forro. Na verdade é a junta de dilatação. Deve ser pintado na cor da parede e não do forro para um melhor efeito.

Trompe l’oeil: enganar os olhos. Falsa perspectiva ou falsa representação de algo feita com pintura. Pode ser aplicado em paredes, tetos, pisos ou móveis. Pintura parietal.

Verdure: é o tema da tapeçaria para paredes.

Washed: efeito lavado.

Composé: é a combinação de padronagens, cores e texturas.

Incrustração: aplicação de metal sobre a madeira.

Marchetaria: junção de lâminas de madeira. Não necessariamente para formar desenhos e recortes.

Laca: é uma resina natural aplicada sobre a madeira. Nada tem a ver com o que o mercado chama de laca para mobiliário. Nem na aparência.

Plafonnier: luminária de sobrepor. É o que chamam de plafon.

Existem ainda muitos outros termos. Dentro de cada parte de um projeto existem estes termos como por exemplo no panejamento. Porém, o mais acertado é você adquirir o seguinte livro para saber certinho o que é cada um deles:

MOUTINHO, Stella Rodrigo Octavio; et alli, Dicionário de artes decorativas e decoração. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999

Lembro que devemos ter bom senso quando do uso deste vocabulário junto aos clientes que geralmente são leigos. Ao mesmo tempo em que estes podem passar uma imagem positiva do profissional, demonstrando o seu conhecimento e segurança, para outros clientes pode passar uma informação boçal, arrogante. Imagine então usar estes termos numa obra junto aos operários.

Portanto devemos conhecer os termos, seus significados e as palavras mais simples (jargões) que dizem o mesmo e também saber quando, como e com quem utiliza-los.

Espero que se divirtam fazendo biquinho para falar varias delas já que a maioria tem origem francesa.

Até o próximo post

Indicação de filmes

Assisti neste final de semana a dois filmes e quero compartilhar com vocês leitores pois, além de excelentes roteiros e argumentos são um espetáculo cenográfico, de locações e de figurinos.

Vou escrever sobre “A Single Man” (pessimamente traduzido para o português como “direito de amar”). O mais coerente com a tradução e com a história seria “um homem sozinho” ou coisa assim. O segundo filme coloco um pouco no final deste post.

Confesso que ainda estou bastante tocado por este filme por causa da história. Já aviso que é doída, corta a alma e nos deixa com um apertado nó na garganta e no coração.

Colin Firth está surpreendente neste filme. Jamais esperaria vê-lo interpretando um homossexual, mas agradáveis surpresas sempre acontecem. Ele trata o tema do filme e o carater da personagem com uma integridade moral e ética perfeitas.

Em resumo, ofilme apresenta o drama de um professor homossexual no início da década de 60 que perde seu companheiro de 16 anos num acidente de carro e não vê – apesar da vida que leva cheia de luxo e uma posição social privilegiada – razão para continuar vivendo.

Os mais homofóbicos podem ficar tranquilos pois este filme não é nada agressivo e tampouco tem cenas de putaria que vocês adoram ver nos filmes héteros. Pelo contrário, mostra um homem já maduro e bem resolvido em todos os sentidos na vida e que sofre pela perda do amor de sua vida. Se vocês pensam que ser gay é ser uma caricatura de mulher apenas, não percam a oportunidade de conhecer o outro lado gay que a mídia não mostra por não dar retorno: o dos homens, que são homens, gostam de ser homens, andam, falam, gesticulam como homens e não tem o menor problema com a sua sexualidade. São simplesmente homens que gostam de homens. E, principalmente, que tem o direito de amar livremente assim como você.

Bom, tecnicamente falando o filme é um show em todos os sentidos.

A fotografia, cenografia e locações são um espetáculo e para aqueles que querem conhecer um pouco mais sobre como eram as coisas e a vida na década de 60 é fundamental assisti-lo. Indiscutivelmente a melhor representação deste período que eu já vi em filmes até hoje.

O make-up é outro show a parte. Os penteados e maquiagens são uma verdadeira viagem no tempo.

Os figurinos são uma perfeita representação de bom gosto. Também pudera, o diretor estreante é ninguém menos que Tom Ford. Não sabe quem é ele?

Foi Tom Ford quem reergueu a grife Gucci e ocupou o lugar de Yves Saint Laurent depois de sua morte.

Daí os figurinos impecáveis, ternos absurdamente alinhados e vestidos maravilhosos como o usado pela Juliane Moore (num papel pequeno mas fundamental à história) na noite de natal que aparece em parte na foto acima.

Tudo isso embalado por uma trilha sonora e uma sonoplastia impecáveis.

Vale cada segundo. Veja o trailler:

O segundo filme, aqui no Brasil traduziram seu nome para “Os homens que não amavam as mulheres” .

Este é um filme sueco (falado em sueco também) e muito interessante. É uma história de investigação que envolvem crimes contra mulheres. Cria-se uma estética interessante ao misturar vários elementos de personagens distintos. O filme faz parte de uma trilogia do autor sueco Stieg Larsson. Todos os tres livros já foram filmados por lá.

Uma curiosidade: Larsson não chegou a ver o sucesso de sua obra, ele morreu de infarto pouco após entregar os três livros ao seu editor. Parece que seria uma decalogia mas o sueco não viveu para tanto.

Para quem não conhece a Suécia é uma excelente oportunidade para perceber um pouco da paisagem e do modo de vida deles. Veja o trailler e fique com vontade:

Material disponível na WEB

Encontrei dias atrás uma reportagem da revista Epoca falando sobre cursos online disponíveis na web oferecidos por diversas universidades espalhadas pelo mundo.

A coisa boa mesmo é que na maioria delas os professores disponibilizam os materiais destes cursos gratuitamente nos sites dos cursos.

Pra variar, virei a noite xeretando em todos os sites da lista e posso afirmar: tem mesmo!!!! Cada material de cair o queixo!!!

Você terá de ter um pouco de paciência para foçar, procurar e encontrar (mais ainda se seu inglês não for bom) os materiais dentro dos portais, mas não é tão difícil assim. Tem material sobre Arte, Design, Engenharias, Arquitetura, Urbanismo, Paisagismo, mobiliário, design automotivo, aeroespacial, embarcações enfim, muita coisa ali, disponíveis a um clique.

No entanto vale ressaltar que tem materiais de outras áreas que são bastante pertinentes ao nosso trabalho. Vale a pesquisa também.

A lista é esta:

Massachussetts Institute of Technology – MIT (EUA): oferece dois mil cursos, com material de leitura, atividades e vídeo aulas. É um dos mais completos que existe.

Fundação Getúlio Vargas (Brasil): é a única no país a oferecer esse tipo de serviço. São 20 cursos divididos em quatro categorias.

Universidade Yale (EUA):  o material disponível introduz aos cursos ministrados na instituição.

Universidade de Berkeley (EUA): os cursos gratuitos são selecionados a cada semestre. Servem principalmente para os alunos estudarem.

Universidade Virtual de Monterrey (México): é pioneira no ensino online na América Latina. Foi criada no fim dos anos 90.

Universidade Estadual de Utah (EUA): o material online vem de 20 departamentos diferentes, entre eles Economia e Comunicação.

Universidade de Michigan (EUA): os departamentos de Medicina e Informática estão entre os que mais tem cursos disponíveis.

Paris Tech (França): é uma associação entre doze institutos de educação e pesquisa na França. Para quem se interessa por ciência e engenharia. Os cursos são em francês.

Universidade de Nova Jersey (EUA): os cursos são de quatro departamentos diferentes, alguns têm vídeo, outros só áudio. O material de leitura disponível também varia.

Para encontrar outros cursos, procure por Open Course Ware ou visite o site OCW (em inglês).

Existem escolas que oferecem cursos híbridos: misturam ensino online com a presença no campus. São pagos, garantem diploma e tem processo seletivo.

Universidade de Columbia (EUA)
: matérias a distância podem ser usadas como crédito para cursos presenciais.

Universidade de Londres (Inglaterra): o primeiro programa de ensino a distância foi criado ainda no século 19. Hoje, há instituições cadastradas pelo mundo onde os alunos a distância podem ter acompanhamento e fazer as provas. No Brasil, há seis pontos credenciados.

Universidade Harvard (EUA): o aluno pode ganhar créditos a distância, mas não ganha diploma sem frequentar o campus num tempo determinado. Harvard também tem uma seção digital, com materiais gratuitos.

Tem ainda outras universidades no Canadá, Reino Unido e Espanha que também disponibilizam seus cursos e materiais gratuitamente na web.

Boa pesquisa e leitura!!!

Entrevista: Jamile Tormann – iluminadora

Bom, prometi que iria começar a sessão de entrevistas aqui no blog em alto estilo. Cumpro a promessa com esta entrevista exclusiva da lighting designer Jamile Tormann.

Uma “iluminadora de bolso” (como ela mesma se entitula) que tem um trabalho de excelência e respeitadíssimo. Pesquisadora, autora de livros, coordenadora de cursos, faz parte e ajudou a fundar as principais associações de iluminação do Brasil além de ser uma pessoa adorável.

Agradeço a ela pela presteza e simpatia de sempre no atendimento aos seus contatos e também, por aceitar compartilhar -e muito – de sua experiência profissional com todos através desta entrevista.

Para quem desejar conhecer mais de seu trabalho, visite o site dela, sempre recheado de informações e novidades.

Segue a entrevista:

Jamile, fale um pouco sobre a sua formação e início de carreira.

Trabalho há 21 anos com iluminação. Tornei-me iluminadora graças à minha fada madrinha, Marga Ferreira, que desde os meus seis anos, me levava para os teatros gaúchos todos os finais de semana. Minha escolha profissional teve influência também em minha mãe, que foi professora de artes dramáticas, em meu pai, que chegou a ser editor de revistas, meu irmão que sempre me incentivou e por muita gente que sem saber passou por mim, e me influenciou no jeito de ver “luz”, de conceber, de agir, de pensar e de ser. Como diz Kafka: “somos a quantidade de pessoas que conhecemos”. Com 14 anos me tornei assistente de iluminação de João Acir de Oliveira, então chefe do Teatro São Pedro e, entre separar um filtro e outro, meu interesse pela área cresceu. Hoje, moro em Brasília, realizo projetos de iluminação cênica e arquitetural, sempre executado por equipes das empresas atuantes no mercado, supervisionadas por minha equipe. Como pesquisadora, investigo há seis anos a educação profissional no mundo produtivo da iluminação, com o objetivo de atuar no processo de formação, bem como de encontrar subsídios para desenvolver minha proposta de regulamentação profissional no Brasil, junto à Câmara Legislativa.

Sou sócio-fundadora de duas associações: A Associação Brasileira de Iluminação (ABIL) e a Associação Brasileira de Iluminação Cênica (ABrIC). Coordeno o curso de especialização em Iluminação e o Master em Arquitetura, ambos do Instituto de Pós-Graduação (IPOG). Cursei Arquitetura e Urbanismo, no Rio de Janeiro, e Licenciatura Plena em Artes Visuais, em Brasília, tenho pós-graduação em Iluminação, mestrado em arquitetura.

Quais as principais dificuldades encontradas nesse início? Como as superou?

O problema, desde sempre, foi a ausência da regulamentação da profissão de iluminador.  O governo necessita deste olhar mais apurado e urgente sobre o assunto para colocar ordem na casa. Fala-se tanto em eficiência energética e etiquetagem de edifícios, sabe-se que a economia gerada pelo entretenimento é a quarta maior do mundo, que sem luz não vivemos, e ainda assim não sabemos qual profissional estará de fato qualificado para atender estas demandas e lidar com a tecnologia de ponta que nos invade a cada dia. Quem sabe projetar com luz ? Ser projetista de iluminação é ser responsável por direcionar o olhar do outro. É ser um alfabetizador visual. É oferecer conforto luminoso para todos que quiserem nos contratar e usufruir deste prazer necessário. No entanto, ainda não há esse reconhecimento e nossa profissão sequer consta na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO, do Ministério do Trabalho). Somos aquele item “outros” para a lei e para os formulários que preenchemos quando, por exemplo, fazemos um check in nos hotéis. Essa é uma das razões para eu realizar uma pesquisa, por meio do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, sob a coordenação da professora doutora Cláudia Naves Amorim. Esta pesquisa pretende revelar qual a importância do profissional de iluminação, sua trajetória, área de atuação, organização, atribuições, condições de trabalho e formação profissional e, ainda, se o mercado está apto a recebê-lo. A pesquisa será a base para a elaboração do projeto de lei que pretende regulamentar o setor e será apresentado à Câmara dos Deputados pelo deputado federal Luiz Paulo Velloso Lucas (PSDB/ES).

A falta de formação do profissional de iluminação e a falta de uma metodologia de projeto, com uma linguagem unificada, são duas coisas que sempre me incomodaram muito desde o inicio. Busco desafios e tento abrir o mercado de trabalho para os que estão se formando, pesquisando e estudando, pois o empirismo acabou nos anos 90 e precisamos dar um basta a ele.


Jamile, você que também trabalha diretamente com educação, sendo coordenadora e professora do curso de pós em iluminação do IPOG, como vê a formação em iluminação nos cursos de superiores (não pós) existentes no Brasil? Falta alguma coisa?

Não há exigência de diploma para que iluminadores/lighting designers, eu chamo “projetistas de iluminação”, possam exercer suas atividades. Não há cursos regulares de iluminação, mas sim cursos livres, esporádicos, inclusive oferecidos por empresas de iluminação.

Os interessados devem procurar estágios com profissionais que tenham escritórios, em teatros, TVs, produtoras, lojas de iluminação, empresas de iluminação ou a indústria, para aprender na prática. Para quem tem graduação em outra área, já podem contar com os cursos de especialização em Iluminação que algumas Universidades oferecem em cidades como: Rio de Janeiro, Florianópolis, Brasília, Belo Horizonte, Manaus, Belém, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Londrina, Fortaleza, Salvador, Aracaju, João Pessoa, Natal, Vitória, São Paulo, Florianópolis e São Luiz. Tais cursos trazem em sua grade excelentes profissionais e docentes, com uma boa proposta pedagógica e de especialização para o profissional voltar ao mercado de trabalho com formação adequada.

Uma proposta de curso, em nível superior, poderia criar diferenciais para se crescer na profissão, seja pela aquisição de um conhecimento objetivamente sistematizado, isto é, para aplicação na vida prática do mundo produtivo, seja pela inserção do profissional no campo da pesquisa, que ainda é quase inexistente no Brasil. Eu apresentei um projeto de graduação em iluminação em 2006 mas ao longo de minha pesquisa descobri que falta mesmo é função técnica, de nível técnico, no mercado. Temos deficiência de profissionais qualificados em executarem nossos projetos. Profissionais que saibam ler o que está nas plantas e ser reconhecido como tal. Espero que a pesquisa e a regulamentação da profissão, possam ajudar a modificar para melhor o cenário da formação do profissional em iluminação, no Brasil, com o apoio da indústria, das empresas e dos profissionais deste segmento.

Pós -formação. Qual a importância disso na vida do profissional?

Sabe-se que o mercado de trabalho, nos dias de hoje, vem exigindo dos trabalhadores níveis de formação cada vez mais altos, para que desenvolvam competências cada vez mais refinadas, exigidas pela complexidade que caracteriza a vida em sociedade.

Segundo relatório da UNESCO para a Educação do século XXI (UNESCO, p. 1, 2002) a Educação Profissional no Brasil está mudando. O país alertou-se para o fato de que sua população economicamente ativa não pode permanecer com tão baixos níveis de escolaridade e de formação profissional.

Nesse contexto, a educação profissional precisa proporcionar às pessoas um nível mínimo de competências que lhes possibilitem:
– Capacidade de adaptação a um aprendizado ágil e contínuo;
– Flexibilidade na aprendizagem;
– Domínio das novas tecnologias, incorporadas ao mundo do trabalho e ao conhecimento humano;
– Refletir sobre o que diz Berger Filho, quando escreveu em 2002 sobre a educação profissional e o mundo produtivo, que “o princípio da educação profissional é o da empregabilidade, pois não adianta formar pessoas para um mercado que não existe.

O mercado existe e isso explica meu esforço para com a educação profissional.

Hoje existem cursos de pós-graduação em iluminação, e o acesso ao conhecimento está mais fácil do que há 10 anos. A troca de informações entre os profissionais também melhorou bastante. Existe uma demanda grande no mercado de iluminação para profissionais capacitados e, nesse sentido, se o profissional quer sobreviver ao mercado, precisa se especializar. Não tem para onde correr.

Com relação ao mercado de trabalho, percebo que fora dos grandes centros, a resistência do mercado a projetos de Lighting Design ainda é grande. O que vemos na maioria das vezes é a aplicação daqueles “splashes” de luz colorida. Qual a situação atual e as perspectivas para o Lighting Design aqui no Brasil fora dos grandes centros?

O fazer iluminação evoluiu e transformou-se no mundo produtivo, mas não tão rápido e nítido como os equipamentos de iluminação disponíveis atualmente no mercado. A razão disto está ligada ao fato de que o material humano não é tão maleável como a aparelhagem técnica. (ROUBINE, 1998, p.182).

Quando o assunto diz respeito aos profissionais de iluminação, o ato de intervir no espaço com a luz agrega um conjunto de ações que resultam no ato de iluminar, ato sujeito às especificidades de cada situação (local, prazos, objetivos, espaço, estrutura física, outros profissionais envolvidos, tipos de equipamentos, materiais disponíveis, nível de conhecimento do projetista de iluminação (lighting designer) sobre o “objeto” que vai iluminar). Ser um profissional de iluminação significa pertencer a uma categoria com funções determinadas pela natureza do trabalho e conhecimento na área, que não pode se desvincular do desenvolvimento tecnológico da área e das áreas multidisciplinares com as quais é necessário dialogar.

O cenário de iluminação no Brasil, muitas vezes, apresenta uma dicotomia: de um lado profissionais com muita prática e sem o aprendizado teórico, e outros com muita formação teórica e nenhuma prática.

Não se trata aqui de julgar ou atribuir valores aos tipos de formação existentes, mas, antes, questionar o que seria necessário ou suficiente em termos de formação profissional. O que está na pauta, atualmente, nas reflexões que busco nutrir juntos aos pares, junto aos alunos, por exemplo, é que o mercado de trabalho, de maneira geral, vem buscando cada vez mais o profissional com conhecimento específico, aprimorado e atualizado. Em suma, alguém com desenvoltura artística e técnica, prática e teórica. Principalmente em virtude dos avanços tecnológicos e dos altos custos dos equipamentos de iluminação, bem como a sua manutenção.

Como o debate gira em torno de formação profissional, ou, ainda, a educação profissional e a sua relevância para as demandas do mundo produtivo, que são grandes, seria o caso de reconhecer o valor de uma formação que compreenda, no objeto de estudo, a prática e a teoria como fatores indissociáveis e complementares. Pois a teoria precisa estar vinculada à prática e esta, muitas vezes, precisa recorrer à teoria para obter respostas e soluções.

Assim, para que isto seja viável, entretanto, o mercado de trabalho precisa se adequar e promover as adaptações que se mostrarem necessárias para responder ao conjunto de necessidades que estiverem em jogo, seja por parte do empregador, seja por parte do novo ou antigo profissional.

A demanda é grande em centros urbanos mais populosos, mas fora deles não existe ainda a cultura de se contratar um profissional de iluminação. Muitas pessoas sequer sabem da nossa existência (profissional com formação acadêmica e pós-graduado) e quando sabem, por se tratar de algo ‘novo’, muitas vezes não querem pagar o valor que cobramos.

Quais pontos falham nesse sentido e que medidas poderiam ser tomadas visando o reconhecimento da profissão fora dos grandes centros?

Neste contexto de idéias que citei anteriormente, é necessário promover ajustes no espírito de um novo paradigma: a educação profissional do projetista de iluminação (lighting designer). Valorizar-se o estudo, o aperfeiçoamento, a teoria e a prática – o conhecimento cientifico (realização de pesquisas) em diálogo com o conhecimento adquirido empiricamente, situações de ensino e aprendizagem em favor do profissional, em favor da produção artística, em favor do mercado. Penso que há muita demanda de trabalho, mas os profissionais e o mercado de trabalho estão mais preocupados em resolver o agora e não a sustentabilidade do mercado e do profissional qualificado. É difícil o reconhecimento deste profissional fora dos grandes centros, pois as grandes indústrias estão nas grandes capitais brasileiras. No entanto, creio que o reconhecimento, por meio de lei, da nossa profissão, ajudará muito. Os profissionais também precisam se reconhecerem e compreenderem que pertencem a um núcleo de profissionais ou a uma categoria profissional.

Uma mostra pública – como a Luminalle, Fête dês Lumières, etc – não tornaria mais fácil a visualização por parte do mercado da diferença entre o trabalho do Lighting Designer especializado do daqueles profissionais com apenas a carga horária acadêmica de sua formação universitária? Quais as possibilidades disso acontecer aqui no Brasil mesmo que em menor porte que estas internacionais?

No Brasil já existem alguns eventos específicos, prova de que já existe um vasto mercado nessa área e público para essas mostras. Um exemplo é a Expolux, que já está indo para a 13ª edição e a Lighting Week Brasil, que acontecerá em São Paulo, no mês de setembro de 2010. Os organizadores precisam investir no material humano e a indústria precisa investir em pesquisa. O que se tem feito é marketing cultural e não cultura de disseminação em iluminação tampouco eventos de cunho científico.

“A aplicação de elementos cênicos na iluminação arquitetural” ou “A iluminação hoje em dia tem um caráter cênico”. Frases desse tipo já caíram nos discursos de profissionais não especializados na tentativa de trazer para o seu trabalho um valor a mais. Eu particularmente não percebo o Lighting Design presente nos projetos de grandes nomes da arquitetura e Design de Interiores (nacionais e locais) e sim apenas uma iluminação melhorzinha – esteticamente falando – que a anterior. Quais os pilares que o projeto deve estar alicerçado para poder realmente ser considerado um projeto de Lighting Design?

Meu processo de desenvolvimento de projetos é sempre criar o espaço a partir da luz, encontrar a função e o significado da luz naquela obra de arte, objeto ou espaço que estou iluminando, contar uma história com ela, depois analiso os recursos que tenho disponíveis e quais podem me auxiliar a contar esta história.  Ou seja, só depois parto para as especificidades de cada situação (local, prazos, objetivos, espaço, estrutura física, outros profissionais envolvidos, tipos de equipamentos, materiais disponíveis). Neste caso, creio que os principais fatores que devem ser levados em conta são:

1º. – cuidado e atenção. Tento pensar em várias possibilidades e achar soluções eficientes para aquele projeto. Pois não existe uma solução e sim uma para cada projeto. Projetar em escala e fazer o que está ao nosso alcance, com os pés no chão. Projeto que não é executado é sonho, não é realidade. A realidade, ou seja, a implantação do projeto de luz é que nos permite fechar o círculo infinito da criação, da contemplação, da reflexão, da mudança.

2º. – observar onde o projeto estará inserido, sob que contexto, que cultura. Que tipo de espectador ou usuário estará se apropriando dele, o quanto o usuário se apropria, o quanto este compreende os seus signos e valores, o quanto aquela luz é importante no cotidiano de vida dele. Eu acredito que a luz influenciou e influencia até hoje a vida e o comportamento das pessoas. Gosto de projetar pensando nestas questões e o quanto posso intervir e interferir neste percurso.  Procuro conhecer as pessoas, tento me familiarizar com o “modus operandi” delas.  Observo muito e fico calada. Depois, troco idéias com quem me contratou para projetar e tento trabalhar dentro da realidade local, agregando valor àquela cultura, através da iluminação.

Concordo com o Lighting Designer mexicano Gustavo Avilés, quando diz que “a luz pode ser considerada um elo entre aspectos subjetivos e objetivos da humanidade, pois funciona como mensageiro visual que permite ao ser humano fazer diversas correlações, como medidas lineares, volumes, área, geometria, contagem do tempo, outros eventos”.

3º. – projeto coerente ao orçamento, para que possa ser realizado integralmente.

E por fim – a escolha dos equipamentos (abertura de facho, desenho do facho, alcance em metros da luz, potência de luz – lumens – e temperatura de cor), em virtude dos fatores supramencionados.

Finalizando, sobre a ABIL. Como e porque surgiu esta associação?

A ABIL é uma associação, cultural e social, sem fins lucrativos, que surgiu para desenvolver o conhecimento da luz no âmbito nacional, criando assim uma cultura da luz.  Nossa missão é oferecer cursos, organizar palestras, organizar simpósios e mostras, que visam à divulgação da produção mundial das técnicas e arte de iluminar. Editar ou reeditar publicações nacionais e estrangeiras. Disponibilizar informações sobre assuntos luminotécnicos e afins de maneira mais eficaz. Mas a correria do dia-a-dia tem nos impedido de sermos mais eficientes como gostaríamos. Mas isso não anula os motivos que deram origem à Associação Brasileira de Iluminação (ABIL), isto é, a paixão pela iluminação em suas diversas linguagens e inserção no ambiente onde o ser humano interage. Já arcamos do próprio bolso a vinda de profissionais da França, Estados Unidos, Argentina, Chile, Áustria, Alemanha, além dos profissionais residentes nas várias cidades brasileiras. Tudo isso para mobilizar idéias, compartilhar experiências, produzir uma cultura da iluminação e consolidar a profissão. Nesse sentido, quero lhe parabenizar, Paulo Oliveira, por sua gestão na proliferação da cultura da iluminação, quando idealiza a realização de entrevistas com profissionais, quando administra um blog chamado Design: Ações e Críticas. Precisamos de mais pessoas como você. Obrigada.

Twittando em prol do #Design brasileiro.

Depois de mais de um ano com conta aberta e sem usar o meu twitter, @ldpaulooliveira, resolvi encarar a empreitada.
Antes não tinha muita paciência de ficar lá na página web atualizando e atualizando e atualizando além de que, pra mim, escrever em poucas palavras sempre foi uma tortura.

Até que dias atrás um amigo me indicou o TweetDeck. Meus problemas se acabaram!!! Maravilha! Ele só não escreve as mensagens por mim, mas atualiza automaticamente, tenho acesso a todas as informações que preciso sobre os perfis, etc.

Bom, comecei a usa-lo e rapidamente percebi a quantidade de candidatos que estão utilizando esta ferramenta em suas campanhas eleitorais.

Sei que este assunto (política) provoca um embróglio no estômago de muitas pessoas, e que outras preferem “não se sujar” ao se envolver com isso.

Ao mesmo tempo percebo, triste, uma quantidade absurda de designers twitando sobre jogo de futebol, cor que pintou os cabelos, que vai pra balada e mais um mundaréu de fuleirices sem noção. Tudo bem, gosto é gosto e cada um tem o seu direito de ir e vir.

Porém, entre estes que perdem tempo com blablabla infinito e inútil, encontram-se vários que reclamam da falta da regulamentação do Design aqui no Brasil.

Reclamar é fácil, dizia minha avó. Difícil é agir, dar a cara pra bater sobre algo que você acredita defendendo isso publicamente.

Novamente falo sobre os “expertus” que preferem ficar confortavelmente sentadinhos em suas poltronas esperando outros levarem porrada em seu lugar pra depois, quando a regulamentação acontecer, serem os primeiros a exigir a carteira do conselho federal.

Vamos lá pessoal, não custa nada fazer algo de bom e de útil pela profissão que vocês escolheram, ou ao menos aparentemente escolheram.

Comecei ha três dias uma série de postagens diretas aos candidatos seja de que estado for. Geralmente o texto é este:

“@srfulano, qual a sua posição com relação à #regulamentação da profissão de #designer no #Brasil? #5do11 #DesignBR”

Mando e fico aguardando.

Enquanto aguardo faço minhas outras coisas.

Quando recebo alguma resposta dou RT rapidamente para que os que me seguem por lá fiquem sabendo seja a resposta positiva ou negativa.

Se demora muito a vir a resposta, mando de novo. Faço juz ao que dizem de mim porém com ajustes: não sou chato, sou persistente e luto pelo que acredito.

De um modo geral, já consegui alguns retornos bem interessantes de alguns candidatos como por exemplo:

@Raul_Jungmann: Sou a favor da regulamentação da profissão de designer, ok?
@Raul_Jungmann: Claro, estou a disposição. Aliás, vou amanhã prá Brasília. Me mande mais informações, ok?

@SenCesar222: Caro Paulo, a profissão de Designer deve sim ser regularizada, ela q mostra cada vez mais a sua importância p a sociedade.
@SenCesar222: A profissão precisa ser regulamentada nos termos da lei, por fazer parte do nosso dia a dia com atribuições tão próprias.

@alberto_fraga: Acredito que profissões novas como #design precisam ser reconhecidas, só assim os profissionais terão reconhecimento.

@deputadoHauly: sou a favor da regulamentação sim, trabalharemos para isso. Obrigado.

@alvarodias_ sou favorável à regulamentaçao de todas as profissoes. Direitos e deveres consagrados em legislaçao apropriada
@alvarodias_ vou tentar ajudar a acelerar a tramitaçao.
@alvarodias_ vou procurar saber e opinar.Primeiro verificr com quem está parado o projeto e depois solicitar que seja colocado na pauta

@deputadocaiado Toda profissão merece ser regulamentada. Até hoje, nós, médicos, não temos a nossa regulamentada.

@edmararruda Vou verificar e estudar o assunto e responderei, certo?

Nada nada, temos alguns exemplos aí em cima de candidatos conscientes sobre o assunto e outros que disseram que vão estudar e conhecer melhor a situação.

Já um grande passo.

Além de questionar sobre a posição, convido cada candidato a acessar o portal DesignBR.ning e também mando o link do portal designbrasil direto na página sobre a regulamentação.

fonte: designcomlimao

São ações que não me custam nada e que podem vir sim contribuir para a nossa tão sonhada #regulamentação do #design aqui no nosso #Brasil.

Quem sabe no dia #5do11 teremos finalmente algo a comemorar e possamos bradar felizes que o design brasileiro conta com parlamentares conscientes e comprometidos com a nossa causa.

Faça a sua parte.

A sua profissão e seus clientes agradecem.

pra quem gosta de ler

Estava me preparando para ir dormir e um link no Google me chamou a atenção. Fui ver e cá estou eu, três horas depois, ainda acordado, zonzo de tanto ler, para compartilhar com vocês este achado.

Trata-se de uma página, na verdade uma biblioteca de artigos e teses específicos sobre Design dentro do site modavestuario.

Você pode ler e salvar em PDF aqueles que você quiser.

Destaco alguns interessantes que li e outros que salvei para ler depois:

– O Processo de Design de Aeronaves: um Estudo Exploratório
– Questões de Ética: Relações entre o Design e a Ecologia Profunda
– O tratamento do espaço pela cenografia nos desfiles de moda
– Percepção de conforto por meio da avaliação visual de assentos: parâmetros para o design ergonômico de mobiliário
– Design e Significação sob uma Perspectiva Mitológica
– Desenvolvimento de Alternativas Sustentáveis Para Habitação de Baixa Renda
– As transformações dos estilos de vida na modernidade e a (re)configuração dos interiores domésticos
– Reflexões sobre a caracterização da pesquisa científica e da prática profissional no design
– O resgate da ética no design: a evolução da visão sustentável
– Análise de maçanetas cilíndricas e de alavanca por usuários idosos – aspectos de uso e percepção
– Design de Interiores e Consumo Sustentável
– Aproximações entre Arte e Design: Paisagem urbana e olhar de artista
– Valorização do território através do design estratégico: um estudo dos indicadores de qualidade de vida urbana no âmbito do bairro
– Design versus Artesanato: Identidades e Contrastes.
– Cores e Iluminação Aplicadas num Projeto de Interior de Aeronaves
– Informação ou poluição: processos de descaracterização do espaço urbano
– Lighting Design e Planos Diretores de Iluminação Pública: A Requalificação da Cidade por meio da Luz Artificial.

Tem muita coisa boa ali dentro. São mais de 500 artigos sobre interiores, lighting, moda, produtos, embalagens, educação, história, têxtil, arquitetura, eco-design, design social, ética, etc.

Acesse a página e divirta-se com uma boa leitura!

fontes de informação – LD

Bom, a seguir compartilho vocês com uma série de links interessantes e mais que úteis sobre Lighting Design.

Divirtam-se e leiam muuuuuuuuitoooo!!!

IALD Guidelines for specification integrity – um guia de orientações para a correta especificação de luminárias.

Revista Ilumina – revista nacional sobre iluminação.

Lightlife – revista eletrônica do fabricante Zumtobel.

Mondo – revista sobre arquitetura, lighting, etc.

Lighting for libraries – como projetar corretamente a iluminação para livrarias, bibliotecas, etc.

Louiszone – revista eletrônica da perfeita Louis Puolsen.

ArchLight – revista eletrônica italiana sobre lighting design.

ERCO – uma das melhores industrias de luminárias e equipamentos. No site você encontrará diversos materiais na área de download.

PLD Professional Lighting Design – revista internacional de lighting Design.

Lighting Campus – um portal excelente para aprendizado de iluminação. Na verdade é quase uma universidade online com muito material, cursos, etc.

Lume Arquitetura – revista nacional sobre iluminação.

Portal Lumière – site da editora Lumière com notícias, assinatura de revistas (L+D e outras).

HighLight – revista sobre lighting design.

Bom, já tem bastante material aí para vocês se divertirem.

Espero que gostem e aproveitem.

Bienal de Design 2010 – Curitiba

Pois é pessoal, muitos já devem saber que este ano a Bienal Brasileira de Design acontecerá em Curitiba – PR, de 14 de setembro a 31 de outubro.

Andei olhando o site da Bienal e lá pude encontrar informações bem detalhadas sobre tudo o que vai rolar neste evento impostantíssimo para o Design nacional.

Vale a pena conferir os workshops, cursos, palestras, eventos paralelos, etc.

Só me entristece perceber que mais uma vez o Design de Interiores foi deixado de lado pelo grupo que organiza a Bienal. Já percebi em diversos fóruns que alguns* profissionais e associações de Desenho Industrial tem uma resistência enorme contra o Design de Interiores e não conseguem – ou não querem – ver as características reais da profissão e dos cursos. estes só conseguem ver os cursos como sendo algo ligado apenas à decoração.

Isso ficou claro tempos atrás na formação de mais uma associação aqui no Paraná onde, de forma jocosa e irresponsável, o Design de Interiores foi excluído do rol de profissões associadas. No entanto aceitaram publicitários… vai entender….

Assim, fica aqui mais uma dica para a ABD: lutar pelo nosso reconhecimento dentro da nossa propria área mãe/raiz: o Design.

* – não me refiro a todos e sim a alguns profissionais.

SET Design: Moda

Dando sequência aos posts sobre SET Design, quero agora falar um pouco dessa área voltada para a Moda.

Como já expliquei anteriormente, SET refere-se a algo “fake”, no bom sentido. Um excelente exemplo é o caso da cenografia para TV onde temos falsas paredes, falsas fachadas, etc.

No mercado da Moda isso não é diferente mas veja bem, não vou me referir aqui a lojas e show-rooms pois estes são Projetos de Interiores/Ambientes. O SET Design voltado para a Moda compreende os trabalhos destinados a divulgação e publicidade da marca.

Ainda não temos um mercado forte neste meio aqui no Brasil uma vez que geralmente quem faz este trabalho é o Designer de Moda junto com o Fotógrafo. Porém é um nincho que está aí disponível e as empresas e profissionais que já o descobriram tem avançado grandemente em questões de qualidade estética do produto final e agilidade na conclusão do trabalho. Eles deixando esta área nas mãos de um profissional especializado ganham tempo para cumprir as suas outras funções na produção.

E já vou avisando: quem quiser entrar nessa área que se prepare para carregar muitos mobiliários, acessórios, montar e desmontar cenários rapidamente, alterar detalhes e também ajustar a parte da iluminação juntamente com o Fotógrafo (incluindo segurar os equipamentos de iluminação e rebatedores).

Vamos começar falando sobre produção de Editoriais e de Catálogos de Moda. Pra que servem os editoriais e catálogos e onde estes são utilizados?

Pois bem, os editoriais são utilizados basicamente em revistas ou TV. Nem sempre um editorial está ligado a uma marca exclusivamente. Ele tem a função de mostrar idéias, conceitos e tendências. Já os catálogos são aqueles distribuídos para lojistas e clientes no formato revista (hoje em dia também encontramos estes disponíveis nos sites das confecções). Quem assistiu ao filme “O diabo veste Prada” teve a oportunidade de visualizar a produção de vários editoriais e catálogos.

Para que um editorial/catálogo seja bem feito, deve haver uma sintonia muito forte entre marca/designer de moda/set designer/stylist/fotógrafo.

Essa sintonia se faz necessária, especialmente entre os designers de moda e de SET, para que a linguagem utilizada na produção esteja afinada com os conceitos, idéias e ideais que representam a coleção em questão e a empresa que representa.Tem também a linguagem relativa ao público alvo da marca que deve ser muito bem pensada e planejada dentro de todo esse contexto pois uma foto mal produzida pode destruir uma clientela cativa.

(Os editoriais e catálogos nem sempre são feitos com fotos.Hoje em dia, especialmente com a internet, os vídeos estão em alta.)

Os editoriais e catálogos podem ser realizados in ou outdoor e tudo vai depender das negociações entre estes dois profissionais (Moda e SET). Caso seja optado por uma produção externa, é função do SET Designer buscar a locação perfeita que represente o momento, a linguagem da coleção ou uma que possa ser adaptada para esta representação.

Enquanto o pessoal da moda faz os preparativos (make-up, produção) o SET Designer e o Fotógrafo devem dialogar sobre os pontos fortes da locação, buscar focos, ângulos e pontos a serem fotografados. Por isso é importantíssimo que o SET Designer já tenha conhecimento prévio de todo o espaço da locação e seus possíveis pontos que possam ser aproveitados. As poses também são discutidas e escolhidas nesse momento.

Outro fator importantíssimo a ser observado no caso de externas é a luz. Ela pode valorizar ou destruir um editorial caso o olhar não seja técnico o suficiente sobre o assunto provocando manchas de luz ou sombras. Por isso é importantíssimo trabalhar sempre com fotógrafos que tenham em mãos os materiais e equipamentos corretos e suficientes para estes ajustes.

Para os editoriais indoor, a função do SET Designer é preparar o estúdio cenograficamente caso seja necessário ou, no caso de fundo infinito, analisar as possibilidades que este proporciona para melhores closes e poses.

Já no caso do SET Design voltado para desfiles, o trabalho é bem mais pesado e complexo pois consiste em áreas bem específicas e detalhes que devem ser pensados na hora do projeto. Sim, este tem de ser cuidadosamente projetado, incluindo o atendimento às normas de segurança, especialmente.

O SET Design de um desfile engloba basicamente:

– Área de Recepção: onde os convidados são recebidos, nomes conferidos e informações;

– Lounge: é o espaço onde os convidados permanecem até ser liberada a entrada na área de desfiles. Aqui deve-se pensar numa área de bar, outra para descanço e a circulação além de sanitários;

– Camarins: é a área de preparação dos modelos. Não visível para os convidados esta área deve conter 5 espaços basicamente: alimentação, make-up, produção, espera e sanitários;

– Área de Desfile: esta é a parte mais complexa da produção pois devem ser respeitadas algumas áreas bem específicas e com localização pré-determinada. As áreas “soltas” são aquelas relativas à platéia que dependerão do formato da Passarela e da “boca de cena ou palco” (coloquei entre aspas pois existem vários nomes para esta última, depende da região). Além destas, a área de mídia destinada à imprensa, especialmente fotógrafos e filmagens, deve ser locada bem de frente à passarela. Além disso há ainda o espaço para a equipe de produção (som, luz e efeitos) que devem ter uma visualização completa do espaço.

Neste último tópico, vamos separar estas partes para melhor compreensão.

Para a platéia, é de bom tom que esta seja montada de forma a que todos tenham uma perfeita vizualização da passarela e as cadeiras sejam confortáveis. A melhor disposição é a do tipo arquibancada.

Área de mídia: é um “box” localizado bem na ponta da passarela destinada aos fotógrafos e à imprensa televisiva. Deve ser o suficiente para acomodar toda a mídia convidada e estar delimitada por algum tipo de barreira para que não seja invadida pelo público. Quando a passarela é alta, geralmente esta área encontra-se nivelada com a mesma e, mesmo assim, faz-se necessário pensar em desníveis tipo arquibancada para que todos possam ter ângulos de visão melhor da passarela.

Área de produção: é o espaço destinado a equipe de som, luz e efeitos. Deve ser elevada e permitir uma visão completa do espaço todo. Aqui, a luz deve ser o suficiente para a manipulação dos equipamentos, porém esta não deve ultrapassar esta área iluminando o entorno.

Passarela: Esta deve atender às necessidades do desfile. Se for reta simples, deve ter largura suficiente para ida e vinda, incluindo o cruzamento de modelos sem provocar os esbarrões. Também deve ser de uma cor diferente do piso do espaço para balizamento e uma melhor visualização pelos modelos evitando aquelas quedas toscas. Também evite trabalhar com um revestimento muito brilhoso que pode refletir a iluminação para os modelos e sobre a área da platéia. Como citei as quedas, evite sempre que possível trabalhar com desníveis na passarela pois além de dificultarem o trânsito, lembre-se que os modelos já estão cansados com a preparação que começa horas antes do desfile além de ter toda a iluminação e os flashes que são bastante ofuscantes.

(Isso não é mapeamento e sim barras leds que permitem esse efeito)

Palco, ou boca de cena: aqui está a grande surpresa dos desfiles além, é claro, da coleção mostrada. Este elemento deve ser muito bem pensado e planejado em conjunto com o Designer de Moda e deve refletir ao mesmo tempo a identidade corporativa e o conceito da coleção. Sempre bastante chamativo, é ele que dará o tom do desfile e direcionará o olhar do público. Existem dois tipos básicos. O primeiro é o tipo “show” onde busca-se mostrar o poder da marca:

E o tipo simples onde reforça-se o foco no produto:

Independente do estilo do desfile, a iluminação é um elemento importantíssimo. Esta deve proporcionar uma perfeita visualização em 360° dos produtos seja em cores, texturas e detalhes bem como não pode em hipótese alguma causa ofuscamento a quem quer que seja.

Bom, acho que é isso. De forma rápida, uma explicação de mais uma área que podemos trabalhar.

E para terminar, mais um da Victoris Secrets cujos desfiles são sempre mega shows. Aqui sim foram utilizados o mapeamento e a projeção arquitetural num belíssimo exemplo de produção:

Espero que tenham gostado e apreciem os vídeos analisando e identificando nos mesmos os dados e elementos que destaquei no texto.

Abraços e muita luz a todos vocês!

Pós IPOG – novas turmas

Pós-Graduação Iluminação e Design de Interiores – IPOG

O Instituto de Pós-Graduação (IPOG) lançará, ainda este ano, mais dez novas turmas de Pós-Graduação em ILUMINAÇÃO E DESIGN DE INTERIORES. O curso, coordenado pela projetista de iluminação JAMILE TORMANN, tem como foco capacitar os profissionais às exigências do mercado de trabalho e as novas tendências mundiais em iluminação e design. Por meio de aulas teóricas e práticas, ministradas pelos mais renomados professores, os profissionais especializados pelo IPOG estarão aptos a inserir a iluminação e o design como ferramenta qualitativa, considerando seus aspectos estéticos, funcionais, técnicos, ambientais e de gestão.

VERIFIQUE A CIDADE MAIS PROXIMA DE SUA REGIÃO. PROXIMAS ABERTURAS

1. Salvador III (BA) – abertura prevista para 09 de julho
2. São Paulo III (SP) – abertura prevista para 06 de agosto
3. Curitiba III (PR) – abertura prevista para 13 de agosto
4. Foz do Iguaçu I (PR) – abertura prevista para 03 de setembro
5. NATAL II (RN) – abertura prevista para 24 de setembro
6. Brasília V (DF) – abertura prevista para 08 de outubro
7. Recife I (PE) – abertura prevista para 22 de outubro
8. Vitória – (ES) abertura prevista para 05 de novembro
9. Porto Alegre IV (RS) – abertura prevista para 19 de novembro
10. Ribeirão Preto I (SP) – abertura prevista para 03 de dezembro

Pós-Graduação Iluminação e Design de Interiores

Para saber de outros cursos acesse o site do IPOG.

Horário: 20 Meses (Aulas um final de semana por mês) – Sexta das 18 às 23 horas; Sábado 8 às 19horas e Domingo 8 às 13 horas.
Local: 19 capitais brasileiras
Inscrições e informações: (62) 3945-5050 ou pelo site do IPOG.

Atenciosamente,

Jamile Tormann
Projetista de Iluminação
55 61 3208 4444 / 7812 4442 radio 85 *38415
jamile@jamiletormann.com
www.jamiletormann.com

Mais correria…

Recebi hoje um comentário, na página Portfólio, de minha eterna Mestre e ex-professora, Drª Maria Tereza Devides.

Já a citei aqui neste blog algumas vezes pois sou mesmo fã dela.

Bom, recebi um convite para uma palestra/conversa com os alunos do primeiro período do curso de Design de Interiores da Unopar amanhã a noite (16/06).

Muito me honra este pedido vindo de quem vem e também pela oportunidade de poder conversar com o pessoal que está iniciando na área, certamente carregados de dúvidas e incertezas sobre o futuro profissional.

Não vou perder tempo dizendo quem sou eu, o que faço pois pelo que pude perceber eles já sabem pois conhecem e acompanham meu blog e meu trabalho. Então vou procurar focar na profissão, mercado e legislação vigente, associações, áreas profissionais possíveis, etc.

Infelizmente não é aberto então nao posso convidar outros para participar ok?

Set Design?

Sempre recebo perguntas sobre o que quer dizer Set Design. Estas vem de leitores do blog e também de pessoas com as quais converso diariamente. Todos sabem o que é Set Design, só não conhecem a palavra. Vou explicar:

Set Design é o trabalho de projeto voltado para TV, teatro, dança, moda, show, exposições e outras áreas mais.

Podem estar pensando: ah, mas isso é cenografia…

Não é não. Cenografia é cenografia sendo esta apenas uma parte do Set Design.

Portanto, trabalhar com Set Design engloba a cenografia e a iluminação num só pacote. Mas o trabalho não acontece somente na hora do projeto e da execução. Ele é árduo também na hora da filmagem/fotografia. O profissional tem de estar presente para dirigir – e na maioria das vezes agir – para que as alterações projetadas aconteçam no tempo certo sejam estas cenográficas e/ou de iluminação. Ah e sim, este trabalho envolve a escolha de locações (áreas e espaços externos e/ou internos) quando necessário.

Em qualquer dessas áreas de atuação o Set Designer trabalha diretamente ligado ao diretor do evento. Junto com ele, é feita a escolha de tomadas, ângulos, traçados, etc.

Uma área bastante forte para o profissional de Set Design é a produção de videoclipes. É também, sem sombra de dúvida a mais complicada. A seguir apresento alguns clipes que acho de extremo bom gosto e onde este trabalho foi desenvolvido com maestria:

No clipe da Beyoncé temos um plano infinito, sem absolutamente nada de cenografia. A sequencia em P&B desenvolve-se utilizando-se apenas da iluminação extremamente bem conceituada e projetada.

Neste clipe da japonesinha Utada Hikaru, Colors, podemos observar que não é utilizado apenas um projeto de set design mas vários, incluindo o design gráfico inicial e que complementa varias outras cenas. Porém não vemos uma grande cenografia: temos cenas simples e limpas onde o forte está na utilização correta de cores e na perfeita iluminação de cada uma delas.

Rain da Madonna. Ja antiguinho e batidinho, este clip ajudou a mudar totalmente a forma como os clipes são produzidos. É bastante interessante pois para quem nao conhece este trabalho, nele vemos várias tomadas que nos mostram como são os bastidores de um estúdio, de uma gravação. Além disso mostra também que por mais que o maquiador se esforce sempre temos de fazer algumas correções ou alterações para que a imagem captada esteja dentro dos padrões exigidos ou necessários. Sem contar que esteticamente é perfeito.

Vogue, Madonna. Tudo bem, confesso que sou fã de carteirinha dela mas só isso não a colocaria como exemplo neste post. Este clipe também em P&B é esteticamente perfeito. É outro que também não tem uma cenografia exagerada e temos na luz a maior força, é perfeita. 100% coerente entre figurinos e cenografia. Se vocês pretarem atenção perceberão o aproveitamento de elementos em cenarios diferentes. Os clipes da Madonna geralmente são muito bem trabalhados, todos sem exceção. Os shows dela também são um espetáculo à parte, imbatíveis.

All is full of love, Björk. Quem não a conhece precisa conhecer!!! Adoooooooooorooooooooooooo!!!! Um belíssimo trabalho gráfico com uma luz impressionante. Vale mais um dela:

Big time sensuality. Este foi um dos primeiros clipes dela que estourou no inicio dos anos 90. Como podem ver, uma idéia simples, com uma locação também simples e de baixíssimo custo. Engraçado, lúdico e interessante. Busquem outros clipes dela no youtube, garanto que não irão se arrepender.

My immortal, Evanescense. Suave e sensível como a música. Mescla tomadas externas com internas. A sutileza de mostrar elementos que aparecem na música como o piano que inicia a música de forma que não fiquem pesadas. Também em P&B, percebe-se um cuidado todo especial com a iluminação especialmente nas tomadas externas.

Vem andar comigo, Jota Quest. Adoro também. Este clipe bastante simples utiliza-se da reversão de imagens que tem um fundo liso e uma iluminação bastante precisa. O Jota Quest tem acertado bastante em seus clipes.

Lembro que além do trabalho acima demonstrado, a produção de set entra em vários outros campos e nichos de mercado. Este post foi só um exemplo, um exercício para vocês.

IPOG – pós em iluminação

Pessoal, vocês já sabem que estou fazendo o curso do IPOG em Iluminação (lighting).

Vim aqui fazer um breve relato sobre o mesmo.

Até agora tivemos 3 módulos:

História da Iluminação: este módulo não participei pous estava de quarentena por causa da H1N1. Mas a turma disse que foi excelente. Pelo material que o professor nos passou pude comprovar que realmente é bastante aprofundado e tem muitos dados que eu não fazia a menor ideia rsrsrrss e olha que conheço bastante sobre esta parte.

Grandezas e cálculos: excelente! Apesar de ser uma constante em meus projetos e de qualquer outra pessoa que projete iluminação. Mesmo assim, muitos detalhes e dicas importantíssimas que facilitaram bastante o projeto.

Fontes de Luz artificiais: foi neste final de semana. Só o trabalho de campo já valeu a pena o módulo. De um modo geral tivemos a apresentação das fontes de luz e depois fomos aplicar os conhecimentos na prática. Excelente!

O próximo módulo será sobre Conforto Ambiental.

Assim, indico a vocês que estão procurando uma pós para fazer e que realmente gostem de iluminação que façam este curso.

Dê uma olhadinha no site www.ipoggo.com.br e vejam onde tem uma turma aberta próximo de onde você está. Vale cada centavo investido.

Vale aqui lembrar também que eles estão com outra pós com inscrições abertas: o Master em Arquitetura, que promete ser tão bom quanto este de Iluminação.