(in)Segurança.

Revista Lume Arquitetura
Coluna Luz e Design em Foco
Ed. n° 61 – 2013
“(in)Segurança.”
By Paulo Oliveira

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Boate Kiss, janeiro de 2013. Vimos uma série de debates imediatos sobre a questão da segurança nos espaços destinados à diversão coletiva com acusações e apontamentos de falhas para todos os lados. Duas semanas depois, a impressão que tenho é que já perdeu a importância. Os debates se amornaram, a mídia não lança mais denúncias diárias, políticos não se reúnem para analisar ou melhorar as leis, e-groups de arquitetura, engenharia e design já não debatem sobre isso, mídias sociais já estão interessadas em novos assuntos.

Não podemos deixar que isso simplesmente passe e caia no esquecimento. Não podemos permitir que tudo continue como antes do trágico incêndio que ceifou a vida de mais de duzentos jovens. Esta questão é vital tanto para os usuários quanto para nós profissionais que estamos firmando e afirmando a importância da nossa profissão no mercado.

É fato que os empreendedores priorizam a visibilidade estética como forma de marketing nos estabelecimentos e, muitas vezes para redução de custos, forçam-nos a eliminar elementos relativos à segurança e acessibilidade. Mas isso não é um problema apenas desse tipo de projeto. Até nas residências isso acontece. Todo o sistema de iluminação faz parte de ambos – estética e segurança. Diante de tudo isso, qual o nosso papel e as nossas responsabilidades?

A especificação de equipamentos de marcas já consolidadas no mercado reflete padrões técnicos já testados e aprovados, logo seguros para o uso. Mas alguns empreendedores saem à busca destes equipamentos no Paraguai, onde as marcas nem sempre são originais. Geralmente, adquirem equipamentos que, muitas vezes, não se sabe a origem, tampouco o padrão de qualidade. Claro, eles buscam fugir dos altos impostos que incidem sobre os equipamentos importados ou nacionais aqui no Brasil.

Para este tipo de projeto é essencial a presença de um engenheiro eletricista na equipe (coisa rara). É ele que, através das cargas previstas nos projetos de LD (cênico+arquitetônico), som e demais partes onde exista consumo elétrico, irá prever as devidas instalações finais do ambiente, com materiais e insumos de qualidade.

Francesco Iannone disse numa entrevista a esta revista (Ed. 24) que o profissional de LD não deve projetar a parte estrutural e que isso é da alçada do engenheiro ou arquiteto. Realmente não é o nosso papel fazer isso, porém não devemos nos furtar do necessário acompanhamento e fiscalização das partes que darão suporte ao nosso projeto, cada qual em sua competência, especialmente a elétrica. No projeto de LD devemos especificar a carga total necessária para suprir a instalação fixa bem como a previsão das extras para uso e segurança e ficar em cima dos responsáveis pelos projetos de suporte para que atendam com a devida qualidade às necessidades impostas nele. Digo isso, pois é bastante comum as casas noturnas convidar DJs e bandas que, na maioria das vezes, têm suas próprias equipes de som e luz que irão, fatalmente, aumentar a carga consumida.

Outro fator que leva ao erro e risco está nas normas técnicas. O Brasil, salvo engano, é o único país no mundo onde o mínimo é aceitável, por lei, como bom. Duvida? Faça então uma pesquisa sobre os níveis mínimos aceitáveis de coliformes fecais na água que é legalmente autorizada para o seu consumo.

Qual o nosso poder de argumentação legal diante de um engenheiro ou um arquiteto que resolve agradar o cliente, satisfeito com a obediência ao padrão mínimo, independente das condições variáveis de sua implantação cortando gastos? É fácil ouvirmos, na frente do cliente, que “você nem pode assinar o projeto”.

Não temos ainda a regulamentação profissional e a consequente responsabilidade sobre os projetos. Isso não é bom para ninguém.

Prazos e qualidade projetual.

Revista Lume Arquitetura
Coluna Luz e Design em Foco
Ed. n° 59 – 2013
“Prazos e qualidade projetual.”
By Paulo Oliveira

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Escrevi tempos atrás em meu blog sobre os prazos apertadíssimos que alguns clientes nos impõem. Esta redução de tempo hábil para pensar e solucionar um projeto baseia-se em vários motivos. Sejam estes quais forem, vamos então analisar apenas a questão prazo e o que ela implica.

Todos os profissionais que trabalham com projeto conhecem bem as dificuldades para fechá-los. São vários fatores, condicionantes, necessidades, elementos, normas, análises e estudos necessários para conseguirmos chegar a um padrão mínimo de qualidade. E, por mínimo que este seja, exige tempo, um prazo adequado para tal.

Tecnicamente é impossível realizar projetos, pois não dependemos apenas de nosso trabalho como projetistas. Não estudamos tanto para colocar “apenas uma luzinha”. Os fornecedores demoram vários dias para responder orçamentos; outros profissionais demoram a responder sobre as alterações e soluções encontradas e necessárias, entre outros fatores externos que nos impossibilitam de cumprir prazos curtos mantendo a qualidade nos projetos.

Já do nosso lado, gastamos horas a fio analisando o briefing, pensando em soluções, esboçando ideias técnicas e estéticas, pesquisando na imensidão de equipamentos disponíveis no mercado através dos catálogos, fazendo testes, projetando, etc. Pensar em um projeto de LD com menos de 30 dias de prazo é um tiro no próprio pé. Mas há profissionais e empresas que andam fazendo isso e bagunçando o mercado. O caso é que estes, para conseguir cumprir estes prazos enxutos, agem de maneira antiética com seus clientes.

Alguns profissionais têm os famosos e conhecidos “projetos de gaveta”, que repetem para vários clientes, fazendo apenas pequenos ajustes ou alterações. Isso acontece na arquitetura, na engenharia, interiores/ambientes e várias outras áreas. No entanto, este tipo de projeto não considera o essencial: o usuário. Além disso, são os projetos que nos dão aquela sensação de déjà vu. Repetem-se infinitamente e descaradamente, deixando tudo com a mesma cara.

Já os fornecedores que “dão de graça” projetos para clientes que compram em suas lojas fazem quase a mesma coisa. A diferença é que eles mudam os equipamentos de acordo com as tendências e lançamento de catálogos. E também sabemos que estes projetos não saem de graça, pois seu custo está embutido – e diluído – no valor das peças.

E engana-se quem acha que isso só acontece com interiores. Existem vários edifícios, monumentos e espaços públicos com a mesma iluminação. Analisando seus projetos, percebe-se a autoria. Por falar em autoria, esta sempre vem amarrada a algum fornecedor especial – o que paga mais comissão. E não posso deixar de execrar também os valores cobrados por esses projetos, se é que podemos denominá-los assim.

Por culpa única e exclusiva destes dois citados acima, encontramos clientes desinformados, seja com relação à técnica e estética, quanto sobre os prazos necessários para a qualidade.

Creio que nenhum bom profissional quer ver seu nome atrelado a um projeto mal resolvido, solucionado e executado. Prazos enxutos só levam a suposições e, consequentemente, erros. Projetar não é um truque de mágica.

Temos de ter a consciência de nosso papel na sociedade e no mercado, esclarecendo e informando corretamente os clientes sobre todas as necessidades que um projeto de qualidade exige. Só assim teremos um mercado sério, responsável e respeitado.

Colocar uma luzinha?

No way!!!

O Lighting como Design.

Revista Lume Arquitetura
Coluna Luz e Design em Foco
Ed. n° 58 – 2012
“O Lighting como Design.”
By Paulo Oliveira

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Em meio à forte onda mundial em prol da Economia Criativa e na implementação de Comunidades Criativas, o ranço corporativista ainda impõe barreiras ao desenvolvimento do país. Isso ficou claro, por exemplo, na entrevista com o presidente da AsBAI na edição n° 56 desta revista. Traz à tona o velho discurso de que “apenas o arquiteto é capaz de iluminar a arquitetura”. No desenrolar da entrevista, reconhece que as universidades formam arquitetos incapazes de iluminar seus próprios projetos. Daí a proposta de urgentes alterações curriculares nos cursos de arquitetura aprofundando o tema iluminação.

Ao invés de uma formação global orientada para parcerias, incorrem no equívoco conteudista de que o currículo deve incorporar e esgotar todas as especialidades. Esta sutil artimanha para reforçar a reserva de mercado (ilegal e, sobretudo, antiética), disseminada nos argumentos falaciosos de seus defensores, deixa claro dois pontos:

1° – Segregam, dado o desconhecimento do que significa realmente trabalhar com iluminação, salvo a arquitetural. Fazem-no por nunca ousar romper com a visão reducionista do que seja o arquitetônico. Falam com pseudoautoridade sobre as competências curriculares e profissionais de outras áreas. Isso fica claro na ênfase excludente dos seus discursos eivados de ufanismo.

2° – Reservam, porque escondem seu medo ou incompetência para enfrentar a concorrência qualitativa projetual.

As tentativas estratégicas, mediante ações escusas arquitetadas nos bastidores, para impor uma reserva de mercado em relação ao LD, ocorrem desde o momento em que os projetos de iluminação deixaram de ser complementares para se tornarem um dos elementos mais significativos de uma obra, não apenas por uma demanda estética, mas por sua relevância funcional na qualidade e solução dos problemas.

Com efeito, no Design, os processos que iniciam e norteiam o desenvolvimento de um projeto são: avaliação, necessidades, função, planejamento, tecnologias, qualidade e compatibilidade. Nestes processos são incorporados indissociavelmente elementos como identidade, estética, linguagem, comunicação, entre outros. Em cada processo, a criatividade faz-se presente.

Aqui se encontra a diferença entre um projeto de iluminação e um projeto de LD. Seja para qual aplicação for, um projeto de LD tem por finalidade, em primeiro lugar, a solução dos problemas e o atendimento das necessidades dos usuários. Apesar de sua reconhecida importância, a “casca” arquitetônica, em um primeiro momento, não é o foco para o LD. O aspecto arquitetônico, de modo algum, é desmerecido, ao contrário, é valorizado e incorporado ao projeto de LD, longe de se apresentar como algo acessório ou decorativo.

Além disso, outro foco precisa ser destacado: observa-se o desconhecimento com relação à linguagem cênica que aplicamos em nossos projetos. Convenhamos: raros são os arquitetos, não obstante sua competência profissional, que conhecem ou conseguem aplicar esta linguagem ao aparato arquitetônico ou entendê-la visualmente por nunca ter botado os pés numa caixa cênica.

Este tipo de discurso manifesta um desconforto crescente à medida que surgem outros profissionais que atestam conhecimento, competência aliada ao domínio tecnológico da iluminação e criatividade para a resolução de projetos complexos de iluminação.

Aqueles que apelam para este tipo de discurso tentam desesperadamente um face-lifting para mascarar seu ensimesmamento feudal e camuflar suas intenções egocêntricas de manutenção do status-quo.

Há uma inversão funcional no trato profissional. Atitudes corporativistas, excludentes e segregacionistas cada vez mais, perdem seu espaço nos atuais contextos do mercado profissional, nacional e internacional.

Cliente: ser ou não ser?

Revista Lume Arquitetura
Coluna Luz e Design em Foco
Ed. n° 57 – 2012
“Cliente: ser ou não ser?”
By Paulo Oliveira

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Em visita à última edição da Expolux, surpreendeu-me a visibilidade que esta coluna tem me proporcionado. Em vários estandes fui reconhecido e bem recebido, tendo a grata satisfação de receber os parabéns pelo trabalho desenvolvido aqui. Mas um fato me fez questionar a postura de alguns fabricantes: enquanto na maioria dos estandes eu tenha adquirido os catálogos sem dificuldade, em outros foi impossível, a ponto de ser submetido a situações constrangedoras. Vamos aos fatos:

1 – Nós, profissionais de iluminação, somos clientes assim como qualquer lojista, dado que os lojistas dependem de nossas especificações para gerar grande parte de seus pedidos, e isso, inevitavelmente, repercute na cadeia produtiva até alcançar a própria indústria.

2 – Não somos apenas profissionais generalistas, mas sim especialistas que trabalham especificamente com projetos de Lighting Design. Logo, trabalhamos com materiais fornecidos por esta indústria.

3 – Poucos são os escritórios que, mesmo sem solicitar, recebem comodamente todos os catálogos possíveis. Enquanto para a maioria, suas reiteradas solicitações não são atendidas.

4 – Um catálogo virtual não substitui um catálogo impresso onde acessamos rapidamente os equipamentos preferidos. Não perdemos tempo com busca de páginas, “zoom in” e barras de rolagem bem como temos uma visualização melhor das imagens. Faltam ferramentas para o uso dos catálogos virtuais.

5 – Das indústrias novatas podemos até relevar, mas receber uma negativa de indústrias já reconhecidas e estabelecidas internacionalmente é lamentável.

6 – Pior ainda quando vemos os “clientes lojistas” recebendo e folheando catálogos que estão, segundo os atendentes, disponíveis só na Web.

7 – Enfim, respeito e boa educação sempre são bem-vindos e todos os merecem.

A realidade experimentada em alguns estandes na Expolux 2012: falta de respeito e consideração por nós profissionais que, em virtude de nossas especificações, contribuímos para alavancar e manter acadeia produtiva da indústria.

Mas o que mais me chamou a atenção foi quando um representante não teve escrúpulos em oferecer vantagens para uma parceria direta: alta comissão sobre todas as especificações feitas diretamente com ele. De leve, escrevi sobre isso em minha última coluna.

Talvez, a título de sugestão, penso que seria melhor que o marketing das empresas destacassem os profissionais parceiros em suas webpages ou oferecessem incentivos para promover sua qualificação profissional por meio de viagens ou cursos, sem qualquer possibilidade de transferência de titularidade ou reversão monetária. Assim, penso que os profissionais começarão a negociar com transparência e honestidade o devido valor por seus projetos, e o mercado, por sua vez, virá a nos respeitar também pelo reconhecimento ético da idoneidade que deveremos testemunhar por nossas práticas. Às empresas que ainda apostarem em aliciamentos que profanam e desrespeitam o profissional, vale uma regra justa derivada da lógica de oferta e procura do mercado: este profissional não especifica o produto que não tem valor ético agregado, cliente consciente não o adquire no desenvolvimento do seu projeto.

Para concluir, felizmente há que se reconhecer que no mercado nacional muitas e novas empresas compreendem cada vez mais que sua qualidade está associada com uma ética empresarial necessária em todos os segmentos do processo de produção e comercialização. Estas, talvez não tenham o status das grandes, porém não perdem nada em criatividade, design e qualidade em seus produtos.

2014, um ano bastante peculiar…

Olá pessoal, sei que estou em falta com vocês tanto aqui pelo blog quanto nas redes sociais. Tenho meus motivos particulares que justificam esta ausência (algumas pessoas sabem do que se trata). Mesmo tendo um segundo semestre bastante complexo – e complicado em alguns momentos – o ano de 2014 foi bem interessante, de aprendizado e crescimento pessoal e bastante positivo.

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De um lado ocorreram coisas que reafirmaram a minha total e absoluta descrença naqueles que dizem nos representar (mesmo sem o aval de mais de 90% dos profissionais e acadêmicos da área) como, por exemplo, o acordo absurdo com o CAU num projeto que trata da regulamentação de NOSSA área. Acordo este que, se aprovado irá destruir a nossa profissão, nossa liberdade criativa bem como nos forçará a atuar APENAS como Decoradores. Mas já escrevi bastante sobre isso e, sinceramente, não tenho mais estômago. Como já escrevi antes, o que eu podia fazer foi feito (até mais do que devia). Ao menos não vendi minha alma ao diabo e durmo com a minha consciência tranquila todas as noites.

É um ano também que completou 1 ano de calotes que levei pelos quais tive que arcar com as despesas de palestras para as quais fui convidado e acabei, de bom grado e acreditando na honestidade das pessoas, pagando passagens e transporte e até agora NADA. Mas vejo pelas redes sociais estas pessoas festando (e promovendo festas) aos montes, torrando dinheiro e posando de poderos@s. É… tudo é aprendizado nesta vida… Mas acredito na honestidade do universo e na lei do retorno.

2014 também me ensinou a me resguardar e a cuidar. Me lançava tresloucadamente em debates que acabavam virando discussões insanas por absoluta inconsistência argumentativa do outro lado. Até ataques no nível pessoal recebi quando o outro lado via todos as suas tentativas de argumentação ruírem. Isso foi elevando meu nível de estresse e ansiedade que desviou a minha atenção dos sinais que meu organismo dava. Acabei tendo uma crise no final de agosto bem mais séria e grave do que eu suporia um dia ter. Fato este que me levou a me afastar o máximo possível das redes sociais e até mesmo cancelar a participação em eventos no segundo semestre, por ordens médicas.

Foi um ano também onde meu nome, como padrinho, foi retirado da lista de uma instituição que eu ajudei a criar, colaborei com tudo que podia, sempre estive à disposição e apoiei. O mais engraçado nesta história é que meu nome foi substituído por outro que eu sequer havia ouvido falar como colaborador desta instituição de alguma forma, antes da troca da pessoa que gerenciava a mesma. Antes era uma pessoa ligada ao Marketing e Publicidade, que é quem fez a coisa toda acontecer. Agora, assumiu uma arquiteta (eu sei, tá explicado…). Eu só dou risada disso e lamento pela instituição que está fadada ao fracasso.

Porém, mesmo com isso e muitas outras coisas que ocorreram e que nem valem a pena ser comentadas aqui dada a pequenez e baixarias de bastidores de seus promotores afinal, este blog é propositivo! Então, vamos às boas deste ano!

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Iniciando o ano tive a honra de renovar meu contrato com a Revista Lume Arquitetura para continuar com a minha coluna “Luz e Design em foco”. E, mesmo em meio à bagaceira toda que me rodeava, escrevi colunas que foram bastante elogiadas seja por acadêmicos, profissionais e até mesmo pessoas ligadas a órgãos públicos. Agradeço o carinho destes através dos diversos e-mails e mensagens pelas redes sociais. E agradeço especialmente à “família” Lume por acreditar e confiar em meu trabalho. Por falar nisso, foi um imenso prazer visita-los durante a Expolux.

Com relação aos projetos, este foi um ano estranho para todos nós. A insegurança, a desconfiança e descrença no País – e em seu futuro – fez com que tivéssemos uma baixa considerável nos investimentos de nossos clientes. Muitos optaram por realizar os projetos em etapas, outros resolveram botar os pés no freio e aguardar passar a instabilidade do mercado e outros (a maioria residencial) mantiveram os projetos em andamento. Mesmo assim foi um ano positivo.

Também foi um ano onde os convites para ministrar aulas em pós-graduações aumentaram bastante. Por causa de minha agenda já bastante complicada, alguns aceitei e outros recusei, mas apenas por causa da distância. Aliás o ano acadêmico no Brasil foi excelente em vários aspectos: vi diversos cursos sendo reformulados e outros sendo criados, ajustados ao que deve realmente ser um curso de Design de Interiores/Ambientes. Isso demonstra que sim, temos pessoas que mesmo diante de tanta adversidade (processo de regulamentação que elimina diversas de nossas possibilidades profissionais, resoluções ridículas e arbitrárias, NBRs que auxiliam na reserva de mercado para um grupo específico, etc) ainda tem a decência e a coragem de lutar e defender a nossa área como deve ser feito: de cabeça erguida, sem medos e aliados às demandas REAIS do mercado e às regras internacionais de nossa profissão, sem aceitar ingerências absurdas de gente com mente obsoleta.

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Participei como convidado de diversos eventos por este nosso País. Dos pequenos aos grandes, todos foram de grande valia. No segundo semestre tive que cancelar a participação em vários eventos e palestras agendadas por ordens médicas. Agradeço a compreensão dos organizadores bem como o apoio dos amigos que me substituíram.

Galera do N_Goiânia, sei que estou em falta com vocês mas prometo que sim, farei postagens específicas sobre este grandioso evento que foi o NDesign2014. Um evento onde virei praticamente um vegano por uma semana (rsrs) e tive todas as minhas atividades cheias de alunos de diversas áreas do Design comprovando a multidisciplinaridade do Design. Valeu também por me forçarem a falar “ingrêis” (ahahahahah) e perceber que, realmente, tenho que finalizar meu curso. Mas até que me saí bem… Foi um período de reencontrar amigos como o Bruno Porto, o Marcelo Fernandez, o Renato Faccini e o mestre Eddy entre outros tantos, e também de conhecer (pessoalmente) tantas pessoas incríveis como o Gabriel Patrocínio, a Gisela Schulzinger, o Alberto Antoniazzi, Helen e Jason, Jonny Macali, Edith Lotufo, Juliana Buso, Sebastiany, Rafo Castro… Só fiquei chateado pois o Carson não foi e deu um bolo em todos nós… Mas também tem toda aquela galera incrível e mais que competente da CONDe, todos os monitores, a galera do bazar… E o que dizer dos encontristas? Finalmente conseguiram me tirar do hotel e me arrastaram pras festas (né dona Aline? rsrsrrs). Não foi bom. FOI BOM DEMAIS!!!!

E que venha o N_SP, o NDesign2015!!!

Também foi um ano onde acabei voltando a atenção para as minhas coisas, meus planos adiados por dar mais atenção ao externo que ao interno. Ano de tomar decisões importantes tanto no pessoal como no profissional.

Sim, voltei com tudo à escrever meus livros que estavam parados há mais de 3 anos. Em 2015 ao menos um deles será publicado e, fatalmente, será no N. Resolvi escrever um deles em parceria com outros amigos profissionais que também pretendo publica-lo em 2015. Um outro resolvi mudar o tema depois de uma extensa pesquisa que me fez perceber que não há bibliografia falando sobre o assunto. Apenas alguns artigos (que não contemplam, juntos, a totalidade do tema) espalhados pelo mundo. Portanto, haja dedos para escrever tanto…

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Também decidi que em 2015 vou fazer (finalmente) meu Mestrado. Já defini onde e o projeto de pesquisa. Esta, certamente vai descer rasgando a goela de muita gente obsoleta e ensimesmada. E eu vou rir, novamente.

Pois é. Como podem ver 2014 foi um ano bastante peculiar, mas que valeu a pena: valeu cada segundo vivido, cada experiência vivida, cada nova amizade feita (e também as desfeitas quando as máscaras caíram), os trancos e o despertar, pude perceber o quanto sou odiado (pel@s invejos@s de plantão) e amado e respeitado pelo pessoal que vale a pena: @s séri@s e que não usam máscaras.

Diante disso tudo, só tenho a agradecer ao ano de 2014. Agradecer por me engrandecer como pessoa e como profissional. Agradecer por todas as oportunidades, pelas conquistas e vitórias, pelos objetivos alcançados e, especialmente, pela agenda de 2015 que já está bombando!!!

E, claro, nada disso seria possível sem a minha fé inabalável em meu Deus, a quem tudo devo e agradeço!

Vem 2015, pois você será, literalmente falando, ILUMINADO!!!

Afinal, você será o “Ano Internacional da Luz”!!!!

O Designer de Ambientes e o Mercado de Eventos: Gestão ou Projeto?

Titulo

O Designer de Ambientes e o Mercado de Eventos: Gestão ou Projeto?

The Interior Designer and the Market Events: Management or Project?

Autor

BARBOSA, Paula Glória [1]

ARAÚJO, Amanda Trindade Madeira [2]

LOPES, Marina Montenegro de Holanda [3]

MOREIRA, Samantha Cidaley de Oliveira [4]

Resumo: Ao definir evento e entender sobre as expertises do designer, é condizente relacionar a atuação desse profissional à gestão de um evento. Ao mesmo tempo é pertinente contrapor a realização deste à metodologia aplicada ao trabalho do designer de ambientes. Nessas condições, a expectativa é que este trabalho possa contribuir de maneira relevante para fomentar as reflexões sobre as múltiplas atuações do designer de ambientes em seu domínio profissional.

Palavras chave: gestão, projeto, eventos, design de ambientes.

Abstract: When defining an event and to understand about designer´s expertise, it is suitable to relate the performance of this professional to an event management. At the same time, it is relevant to contrast the performance of this to the methodology applied to the work of interior designers. In these circumstances, the expectation is that this work can contribute in important ways to encourage reflections about multiples roles of the interior designer in their professional area.

Key words: management, design, events, interior design.

Introdução

Designer de Ambientes é uma terminologia nova, instituída há cerca de 10 anos, utilizada para caracterizar o profissional da área do design que se destina ao projeto de ambientes – diz-se de ambientes os espaços da vida cotidiana de uso residencial e empresarial.

Em geral, os cursos de Design de Ambientes, oferecidos por mais de 100 escolas de design no Brasil, focam a atuação profissional dos alunos nos âmbitos residencial, comercial e institucional. Entretanto, a atuação do designer de ambientes ainda é pouco explorada para o projeto e gestão de eventos, como festas, exposições, mostras, feiras, shows, jogos e festivais, em que a diferença entre os demais ambientes está na efemeridade do produto final.

Erroneamente pode-se pensar que a atuação do design de ambientes na prática projetual de um evento se limite ao serviço de decoração, ou seja, à especificação de arranjos ornamentais, painéis de destaque, cor de toalhas dentre outras intervenções relacionadas à estética do lugar. Contudo, enquanto profissional da área do design, seu trabalho compreende, além da estética, a busca por soluções de problemas relacionados à funcionalidade, ergonomia, viabilidade, entre outros.

Desse modo, o trabalho do designer de ambientes é norteado por uma metodologia que o permite entender o problema, analisar a demanda, pesquisar, elaborar conceitos criativos e mapear processos produtivos para, então, gerar alternativas eficientes, definindo a solução mais adequada aos usuários.

Ademais, pode-se pensar equivocadamente que a atuação profissional do design de ambientes limita-se à prática projetual. PHILLIPS (2008) aponta uma nova vertente para o trabalho do designer: a gestão de projetos. Assim, a aptidão para a gerência configura-se como uma necessidade ao designer de ambientes, em especial para atuação no mercado de eventos.

Entende-se, pois, que esse mercado representa uma demanda para o designer de ambientes, ainda muito pouco explorada por este profissional. Propõe-se, assim, uma discussão acerta do trabalho do designer, que compreende o projeto e a gestão, aplicados ao evento.

Definição do Evento

“Por conceituação, evento é um acontecimento excepcional previamente planejado, que ocorre em determinado tempo e local e gera grande envolvimento e mobilização de um grupo ou comunidade, buscando a integração, a difusão e a sensibilização entre os participantes para os objetivos pretendidos” (KUNSCH, 1997, p.130).

Os eventos tornaram-se estratégias de comunicação de produtos e marcas de todos os tipos (NETO, 2001). Eles representam o conjunto de atividades profissionais desenvolvidas com o objetivo de alcançar o seu público-alvo pelo lançamento de produtos, apresentação de uma pessoa, empresa ou entidade, visando estabelecer o seu conceito ou recuperar a sua imagem (MATIAS, 2004).

Pode-se considerar o evento como uma atividade dinâmica, que modifica seu significado constantemente. É um conceito de domínio amplo, englobando desde cursos e palestras até shows, jogos e competições esportivas (NETO, 2001).

 Um evento, segundo MATIAS (2004), pode ser classificado de acordo com dois critérios: primeiramente em relação ao público, este sendo subdividido em público fechado e aberto; e por último em relação à área de interesse, seja ele de caráter cultural, mercadológico, científico, artístico, esportivo, social, religioso ou político (KUNSCH, 1997).

MATIAS (2004) aborda o processo de planejamento e organização de eventos em quatro fases denominadas concepção, pré-evento, transevento e pós-evento.

A primeira etapa consiste no processo de concepção a partir do levantamento do maior número de informações possíveis. Sob esse aspecto, a identificação do público alvo, o reconhecimento das necessidades do evento, a listagem dos resultados desejados, estimativas de exeqüibilidade econômica e técnica e estimativas de tempo e recursos necessários, por exemplo, constituem informações essenciais ao planejamento do evento.

Em seguida dá-se início à etapa do pré-evento, ou seja, das providências imediatas que devem ser tomadas após a decisão de realizar o evento, tais como a composição da estrutura administrativa e institucional, a abertura de conta bancária especial, a determinação das responsabilidades dos profissionais envolvidos e a contratação de prestadores de serviço necessários para a organização do evento. Há também a elaboração do projeto suficientemente detalhado para que o evento possa ser executado. Assim são contemplados, por exemplo, a escolha do local, a definição do tema, a elaboração do calendário e definição da data, a definição das estratégias de comunicação e marketing, a contratação de prestadores de serviços específicos, a especificação dos serviços de decoração, montagens e instalações.

Concluída essa etapa dá-se início ao transevento, que consiste na realização do planejamento. Essa fase é decisiva e muito importante, pois é posto em prática o que foi estabelecido nas duas primeiras fases do evento.

O pós-evento abrange o processo de encerramento do mesmo, possibilitando a sua avaliação técnica e administrativa.

O Projeto de Eventos pelo Designer de Ambientes

Metodologia Aplicada ao Projeto de Design de Ambientes

O designer de ambientes é o profissional habilitado a trabalhar diretamente com o esforço criativo destinado a solucionar racionalmente o arranjo e a ambiência de um espaço preocupando-se com a inovação e adequação do mesmo às características socioeconômicas e culturais dos usuários.

MOREIRA et al (2008a) apresenta um possível caminho para o desenvolvimento de projeto de design de ambientes que será tomado como referência para o presente artigo e norteará a análise do estudo de caso que se apresenta nesse tópico.

Identificar o problema é o primeiro passo, que abrange a necessidade e o objetivo do projeto. A próxima etapa consiste na elaboração do briefing1, um importante documento, instrumento de acompanhamento e avaliação, que compreende a coleta, análise e contextualização das informações para a solução pretendida.

PHILLIPS (2008) considera “o briefing como o ponto de partida para a descoberta de conceitos criativos”. Elaborado o briefing, o designer dá início à conceituação do projeto, que corresponde ao ajuste sensorial.

Paralelo à conceituação acontece o mapeamento funcional, etapa destinada ao ajuste prático do projeto. É nessa etapa que o organograma, o fluxograma, a setorização e a análise do fluxo pós setorização são discutidos com o intuído de planejar como serão estabelecidos às hierarquias, usos, funções e o intuito da ocupação, para que o ambiente seja eficiente às demandas do usuário em consonância com as do cliente.

A tradução do conceito e do mapeamento funcional em possíveis soluções corresponde à etapa da geração de alternativas. A melhor alternativa projetual é definida como solução do problema e apresentada ao cliente.

Na seqüência, a etapa de verificação identifica possíveis falhas nessa solução através da visualização ou experimentação. Considerada eficiente pelo cliente, o designer passa para a etapa de elaboração da solução, que compreende seu detalhamento, culminando no produto final.

A verificação da eficácia da solução projetual através de feedback, etapa denominada análise de resultados, acontece após a execução da solução.

Estudo de Caso

Localizada em Belo Horizonte, a empresa X, fundada em 1991, desenvolve projetos para eventos empresariais e sociais, ocupando posição de destaque em relação aos concorrentes.

Contratada há dois anos pela empresa X, a designer de ambientes – cujo trabalho apresenta-se como objeto de estudo – é responsável, juntamente com um outro profissional não-designer, pelos projetos dos eventos contratados.

A metodologia utilizada para este estudo de caso compreende as etapas de observação, registro de relatos e discussão.

Percebeu-se, durante três meses de observação e registro de relatos, a configuração da seguinte seqüência de atividades na rotina profissional da designer de ambientes:

Através de contato telefônico feito pelo cliente é agendada uma reunião juntamente com a designer. Nessa reunião são abordadas as necessidades e desejos do cliente. Inicia-se com o preenchimento de uma ficha constando dados pessoais do mesmo e outros dados como espaço, cerimonial, buffet e profissionais já contratados. Vale ressaltar que somente é possível iniciar o projeto se o espaço já estiver definido.

Através dos álbuns de fotos para consulta, fornecidos pela empresa, o cliente faz uma prévia escolha dos arranjos, mobiliários e toalhas, como também deixa previamente definido as cores e flores que serão utilizadas.

Embora o conceito do evento não seja documentado, ele é elaborado a partir das informações fornecidas pelo cliente à designer de ambientes. O mapeamento funcional do evento é criado nessa reunião, mas ele somente é entregue ao cliente após o fechamento do contrato.

Podem ocorrer também projetos específicos, nos quais a profissional identifica o diferencial desejado pelo cliente. Finalizada a reunião, o orçamento é destrinchado de acordo com as escolhas pré-definidas, permitindo que os coordenadores calculem o valor do mesmo.

Posteriormente, ocorrem duas situações: a primeira quando o contato é feito pelo próprio cliente, onde é novamente agendado um horário para revisão do projeto; a segunda quando o contato é feito pela empresa em busca de um retorno.

Durante a reunião de revisão do projeto acontece a apresentação do leiaute em aplicativo 2D. Se aprovada a proposta são negociadas as formas de pagamento. Caso o demandante não se decida naquele momento há uma prorrogação do prazo de validade do orçamento acarretando em outras reuniões até que o mesmo contrate ou não o projeto.

Aprovado o projeto, a designer de ambientes emite o contrato constando, em anexo, todos os itens do orçamento bem como o leiaute. Á partir desta aprovação, todo o material terceirizado como luz cênica, guardanapos de tecido e sousplats são encaminhados ao setor de coordenação para que seja confirmada a reserva dos mesmos nas empresas parceiras.

Em sua grande maioria, os eventos são contratados com um mínimo de oito meses de antecedência, exceto os empresariais, que reduzem este prazo pela metade. Nesse período a designer de ambientes planeja todo o evento e se prepara para a última reunião com o cliente, na qual ocorre a revisão de tudo o que foi planejado. Solicitações de mudanças no projeto podem acontecer durante esse tempo e são efetivadas nessa reunião.

Encerrada e concluída todas as alterações a designer de ambientes gera a ordem de decoração, que contém todos os itens e informações necessárias para a execução do evento, e o comando de flor, que contém a quantidade e o tipo de flor utilizada nos arranjos escolhidos.

Em algumas ocasiões ocorre uma reunião, coordenada pela designer de ambientes, com todos os parceiros diretamente envolvidos no evento. Nessa reunião é feita uma breve apresentação do projeto respondendo os check list de parceiros, em especial buffets e cerimoniais.

A ordem de decoração e o comando de flor são encaminhados aos coordenadores que dão segmento gerando respectivamente o check list, este para a empresa X, e o pedido de flor.

Na quarta-feira antecedente ao evento acontece uma reunião interna da empresa, na qual participam apenas os funcionários da mesma. Os eventos são brevemente apresentados pela designer, exceto quando há algum aspecto mais delicado a ser abordado a respeito da montagem, que é tratado com um tempo adequado. Em geral esse aspecto diz respeito a ornamentações aéreas no salão, particularidades do cliente ou do evento.

No dia da execução, data do evento, toda a equipe envolvida se dirige ao espaço onde este acontecerá. Com o leiaute, a ordem de decoração e o comando de flor em mãos a designer coordena toda a montagem de mobiliário, bem como todos os itens terceirizados e confecção dos arranjos. Por último, ficam os detalhes como colocação de jogo americano, sousplats, guardanapo de tecido e velas.

Em média, a montagem do evento acontece em nove horas. Após essa etapa, é encerrada a participação da designer.

Na segunda-feira posterior ao evento, a equipe de marketing entra em contato com o cliente buscando um feedback, satisfação do mesmo por todo o projeto, abrangendo desde o primeiro atendimento feito pela designer até a montagem executada pela equipe da empresa.

A prática projetual da designer de ambientes compreende todas as fases da metodologia de desenvolvimento de projeto. O diagnóstico da necessidade (compreensão do problema) é feito na primeira reunião, juntamente com o briefing. É interessante ressaltar, como afirma PHILLIPS (2008), que não existe uma receita para a elaboração do briefing. Ele precisa ter o tamanho e as informações necessárias para o desenvolvimento do projeto. Após aprovação do briefing, a designer apresenta a proposta de ornamentação, iluminação e disposição de mobiliário e serviços, o que configura a aplicação das etapas de conceituação e mapeamento funcional. A apresentação do projeto para o cliente, que acontece na segunda reunião, é a solução decorrente do processo de geração de alternativas. Nesse momento o cliente é convidado à etapa de verificação, juntamente com a designer, na qual identificam visualmente possíveis falhas na solução apresentada. Aprovada a solução, o designer segue para a etapa de elaboração, onde apresenta o detalhamento do projeto para os específicos setores da empresa e terceirizados. O acompanhamento da execução do projeto acontece no dia do evento, e o feedback, etapa de verificação, é realizado pela equipe de marketing da empresa.

Entende-se, pois, a partir da definição de evento e em conseqüência do processo de discussões que configuram a última etapa do estudo de caso, que a busca pela solução de um evento baseando-se na metodologia de desenvolvimento de projeto apresentada é absolutamente plausível.

Porém, entendendo que todo projeto de design deve ser inovador, questionou-se á designer de ambientes responsável pelos projetos dos eventos da empresa X quanto à ausência desse aspecto em seu trabalho. A mesma apresentou uma justificativa de tal atitude em virtude do custo adicional e material disponível:

O meu grande desafio, como designer, é fazer com que todos os projetos sejam elaborados de maneira exclusiva e diferenciada, mesmo que sejam utilizados os mesmos mobiliários, as mesmas peças, o mesmo acervo. Caso o cliente solicite algo inovador, estou apta a desenvolver e aprovar a sua execução. Esse tipo de situação equivale a menos de 1% da demanda da empresa. É importante destacar que isso acarreta em custos adicionais, e não há muitas pessoas dispostas a pagar por isso.

A Gestão de Eventos pelo Designer de Ambientes

Bem como à capacidade projetiva do designer de ambientes é pertinente pensar na sua atuação em gestão. Gerir é uma disciplina cujo profissional responsável precisa liderar, negociar e compreender o mundo que o cerca.

Kenneth Andrews, citado por PHILLIPS (2008), apresenta um tripé sobre o qual deve basear-se uma boa gestão:

O primeiro pé é uma capacidade técnica para dotar o grupo de instrumentos e organização para melhorar a capacidade técnica operacional do grupo. Segundo pé: uma liderança baseada na capacidade de comunicação, visão, atitude, lealdade e respeito ao grupo. Terceiro pé: a capacidade de conduzir os trabalhos na direção desejada, além da persistência para que os objetivos sejam alcançados (PHILLIPS, 2008, p.109).

Acredita-se que a graduação em design de ambientes deve ser capaz de formar empreendedores, uma vez que, para projetar espaços empresariais é necessário pensar como empresário e ter informação e conhecimento sobre o mundo dos negócios.

Quando se pensa em gestão de negócios o evento configura-se como uma possibilidade. Capacidade de análise, disposição para pesquisa, comportamento proativo, visão estratégica, conduta empreendedora e conhecimento técnico específico são expertises desenvolvidas pelo designer de ambientes que o predispõe à gestão de projetos.

Constatou-se, nesse sentido, que a designer de ambientes, cujo trabalho foi observado e analisado, desenvolve competências da gestão para viabilizar os eventos contratados. Ela, por exemplo, organiza as informações, articula a atuação de parceiros e terceirizados com os procedimentos internos à empresa, elabora check lists e delega responsabilidades para a execução da montagem.

Além da visão sistêmica do processo, que compreende projeto e gestão, o profissional precisa se manter atualizado e informado sobre o mundo dos negócios. A análise criteriosa e o conhecimento de mercado são quesitos necessários ao desenvolvimento de estratégias, bem como para a visualização de uma oportunidade de inovação, melhoria ou possibilidade de negócio.

Um Panorama sobre a Demanda de Eventos na Capital Mineira

Nos últimos quatro anos houve uma expansão extremamente significativa do mercado de eventos em Belo Horizonte. Muito se deve à ampliação do Expominas – o mais moderno centro de convenções, feiras e exposições do Brasil – que teve seu espaço triplicado possibilitando sediar eventos de grande porte como a Bienal do Livro de Minas Gerais (2008) e a 47ª Reunião Anual dos Governadores do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento (2006).

O turismo de negócios enxerga na capital mineira potencialidade para receber congressos da área de saúde, tecnologia e feiras de diversas naturezas. A SETUR – Secretária de Estado de Turismo propõe investimentos neste setor e estimula o mercado a conhecer Belo Horizonte como um pólo do turismo de negócios e eventos. Planos de ação são elaborados em prol dessa expansão, como a criação de ferramentas on-line que informam sobre agenda, captação de recursos e gestão de projetos, facilitando o acesso aos acontecimentos.

Por sua vez, a colaboração do governo do estado de Minas Gerais tem sido cada vez mais intensa. Investimentos em áreas paralelas ao turismo também vêm contribuindo para a ascensão desse setor – destaque para a expansão do Aeroporto Internacional Tancredo Neves e a concretização da Linha Verde, um conjunto de obras viárias que liga a capital à região metropolitana, possibilitando também, um melhor e mais rápido acesso a esse aeroporto.

No caso da empresa X, analisada no estudo de caso, observou-se que a mesma recebe uma crescente demanda de eventos empresariais, festas de quinze anos e principalmente casamentos, que são considerados, em média, 80% do seu faturamento.

Conclusão

O domínio dos aspectos relacionados ao planejamento e à gestão das soluções projetuais configura-se como uma possibilidade de atuação do designer de ambientes no mercado de eventos. Este mercado apresenta um relevante crescimento, em especial na cidade de Belo Horizonte, e coloca-se como um rico campo de oportunidades a ser explorado.

Considerações Finais

A necessidade de embasamento teórico e estudos acerca do design de ambientes nos permitiram a preposição desse estudo. Maior do que a satisfação de poder escrever um artigo expressando as idéias resultantes de discussões e pesquisas é incitar reflexões sobre as possibilidades de atuação profissional do designer de ambientes, bem como os processos e metodologia do seu trabalho.


Notas

1 – Para que o briefing seja bem elaborado e apresente-se como uma ferramenta estratégica fundamental na solução de problemas de design de ambientes ele deve compreender, dentre outros: “os objetivos, que determinam o foco do projeto, identificando os problemas a serem resolvidos, os ganhos esperados, o diferencial a ser explorado e os resultados desejáveis; […] o perfil do cliente – que diz de quem contrata e muitas vezes é o responsável pela aprovação do projeto – quais são suas experiências de vida, suas expectativas e peculiaridades; [..] o perfil dos usuários – que diz de quem usa o ambiente a ser projetado – qual sua faixa etária, sexo, escolaridade, ocupação, o que consome; […] as demandas, pois se relacionam às necessidades; […] é necessário que o designer conheça da localização e entorno – que define e caracteriza o lugar a ser projetado […]”; um estudo sobre as obras análogas, “análise crítica de projetos que sirvam de referência, com a finalidade de identificar os problemas e soluções comuns e freqüentes […]; e estabelecer detalhes sobre limitações de prazo e custo do projeto, que diz como executar e quanto investir” (MOREIRA 2008b, p.3-4).

Referência Bibliográfica

KUNSCH, Margarida M. Krohling (org.). Obtendo resultados com relações públicas.

São Paulo: Pioneira, 1997.

MATIAS, Marlene. Organização de eventos: procedimentos e técnicas. Barueri:

Manole, 2004.

NETO, Francisco P. de M. Criatividade em eventos. São Paulo: Contexto, 2001.

PHILLIPS, Peter L; (trad Itiro Iida). Briefign: a gestão do projeto de design. São Paulo: Blucher, 2008.

MOREIRA, Samantha C. O. et al. Caminho possível para o desenvolvimento de projeto de design de ambientes: uma metodologia. Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design (P&D Design 2008), São Paulo, 8ª edição, p.1-7, outubro. 2008a.

MOREIRA, Samantha C. O. et al. Briefing: Uma estratégia para o projeto de Design de Ambientes. Artigo inédito. p.1-6, outubro. 2008b.

Dados autor:

  1. BARBOSA, Paula Glória – Centro de Inovação para Ambientes ED/UEMG – Graduada em Design de Ambientes, UEMG .
  2. ARAÚJO, Amanda Trindade Madeira – Graduada em Design de Ambientes, UEMG
  3. LOPES, Marina Montenegro de Holanda – Graduando em Design de Ambientes, UEMG
  4. MOREIRA, Samantha Cidaley de Oliveira – Designer de Ambientes, Msc – Gestora de Empreendedorismo e Inovação – CDE/IED

Trabalho final da pós

Escrever-Rápido1

É pessoal, finalmente terminei meu artigo da pós em Iluminação do IPOG. Já foi devidamente entregue, corrigido e liberado para publicação.

Bem diferente dos trabalhos que tenho visto sendo publicados onde o foco são os projetos, parti em outra direção: uma análise do mercado profissional brasileiro, associações e ações ilícitas destas últimas, especialmente a AsBAI.

O trabalho consiste na construção de uma cartilha informativa sobre o Lighting Design. Esta já é uma idéia antiga que eu vinha amadurecendo em conversas com o Valmir Perez e outros profissionais da área.

Segue então os arquivos em PDF:

– Artigo: Cartilha informativa sobre Lighting Design

artigo_apresentação_cartilha

– Modelo inicial da Cartilha

cartilhaLDfinal

É sempre bom lembrar que eu não sou designer gráfico, portanto a apresentação da cartilha é apenas uma ideia.

Espero que gostem (a AsBAI sei que não vai gostar nem um pouco ah ah ah) e que dele surjam novos movimentos profissionais e acadêmicos.

Retrospectiva 2012

Bom pessoal, sei que escrevi muito pouco neste ano, mas vale ressaltar aqui o que de melhor rolou por estas páginas:

2012a

Janeiro:

E EU QUE PENSAVA….

Vale relembrar também o PDF com a excelente entrevista do Francesco Iannone, publicada em 2007 na revista Lume Arquitetura.

Fevereiro:

Aproveitando-se da histeria coletiva

Negativista?

Março: neste mês este humilde blog virou 1 milhão de acessos!!! ;-)

COMO PRECIFICAR PROJETO, CONSULTORIA E ACOMPANHAMENTO DE OBRAS?

As matérias sobre materiais madeirados e lenhosos I e II.

Abril:

é… estamos ferrados???

Mais do mesmo de sempre

Maio:

=\

Iluminação comercial x iluminação técnica

Junho:

AsBAI e reserva ilegal de mercado

Julho:

A “bendita” e mal intencionada reserva de mercado

Antes do designer, vem o Design.

E, claro, a cobertura de minha participação no NJeitos que vocês podem ler aqui, aqui e aqui.

Agosto:

sumido e consumido…. Expoflora 2012

Setembro:

Iluminação cênica x arquitetural

Tendências em projetos de Ambientes e Decoração.

Uma questão de bom senso…

Outubro:

ABD e a tentativa de golpe na Regulamentação

PROPINA

Sites de decoração online

Novembro:

The Gangs

Já deu, agora basta ABD.

Defesa da área como DESIGN

Dezembro:

Sejamos honestos?

Desassociação!

Vale ressaltar também – e agradecer – as minhas participações em eventos acadêmicos e profissionais:

NJeitos

Eita!

Semana Acadêmica de Design da UFSM

Design na Brasa

Além das palestras ministradas.

Agradeço também ao Portal LightingNow pela oportunidade da realização do 1° workshop online e a todos os participantes!!!

Também devo agradecer à Maria Clara De Maio por me aguentar como membro da família Lume Arquitetura rsrs

E agradeço também de coração a todos vocês que me acompanham aqui pelo blog ou pelas redes sociais por mais este ano cumprindo o meu papel: informar e educar sem usar máscaras.

2012 foi um ano louco, mas sobrevivemos, o mundo não acabou e que venha 2013 mais que iluminado para todos nós!!!

PROMO: Livro – Luz e Arte

E mais uma promo pra vocês:

A parceira De Maio Editora, (Revista Lume Arquitetura), está cedendo também um exemplar de um livro.

E, o escolhido é o  “Luz e Arte – Um paralelo entre as ideias de grandes mestres da pintura e o design de iluminação“, do grande Valmir Perez (clique aqui para conhecer o livro).

Capa

Para participar é fácil:

1 – Curta a minha página no facebook;

2 – Curta a página da Lume Arquitetura no facebook;

3 – Escreva aqui nos comentários qual a relação entre luz e arte.

O sorteio será realizado dia 15/01/2013, às 20:00 horas (Brasília) através do random.org.

Tá fácil!!!

Boa sorte a todos!!!

;-)

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

E quem levou o livro desta vez foi:

Valmir2013_17 Jan. 16 01.08

Robson Simão

Parabéns!!!!

Por favor entre em contato com a Kátia (katia@lumearquitetura.com.br) para formalizar a entrega de seu livro.

Aos demais agradeço a participação.

Até a próxima promo aqui no blog!!!

A “bendita” e mal intencionada reserva de mercado

Fico muito feliz que minhas duas últimas colunas na Lume Arquitetura estejam dando um verdadeiro chacoalhão no mercado.

A primeira direcionada aos profissionais. A segunda à industria, fornecedores e lojistas.

Sim, atingi meu objetivo. Estou recebendo muitos elogios, mas também críticas. Ótimo sinal de que fui certeiro nos problemas e, como nao tenho o rabo preso com ninguém, falo o que quiser.

Porém, os que me criticam deixam claro que concordam com as práticas espúrias que prostituem o mercado e não estão interessados na construção da profissão. Destes, nós profissionais sérios e comprometidos, definitivamente, não precisamos. O mercado nao precisa de gente assim maculando a profissão.

Na última edição saiu uma entrevista com o presidente da AsBAI no mínimo, nojenta. Sob um falso discurso de renovação, novos ares, novos caminhos, percebi que nada mudou, continuam com a mesma cabeça oca de sempre. Só que agora estão agindo nos bastidores (sim sei dos passos que estão trilhando nos bastidores) e me levou a fazer o post AsBAI e reserva ilegal de mercado.

Diante disso exposto, muitos profissionais revoltaram-se com a situação e intenções desta associação. Tanto que a Malu Junqueira soltou na sequencia outro texto também bastante ácido e sério sobre a situação.
Transcrevo-o abaixo. Volto ao final:

A “bendita” e mal intencionada reserva de mercado

Fazendo um contraponto ao dito de meu colega lighting designer e designer de interiores, Paulo Oliveira, coloco também meu ponto de vista. Em relação a matéria da revista renomada e séria, Lume Arquitetura, com conteúdo de uma entrevista ao recém-empossado presidente da AsBAI, o jovem Rafael Leão, concordo plenamente com o colega Paulo. Rafael não tem vivência suficiente para poder colocar todas as suas prerrogativas como sendo a verdade absoluta. Como já disse em outras ocasiões, não existem verdades, mas sim versões. E, Deus só existe um, o onipotente.

Acredito até que ele tenha boa vontade e ótimas ideias, mas em pleno século vinte e um, não podemos admitir que ainda pudesse existir discriminação, seja ela racial, religiosa ou mesmo profissional. E é o que acontece com a AsBAI. Os outros profissionais não aceitos em seu quadro, mesmo sendo arquitetos, se sentem rejeitados e discriminados por não compactuarem com seus modos de pensar; e com isso se colocam à margem vendo a banda errada passar.

Os dirigentes de associações voltadas para a iluminação também não aceitam e nem concordam com seus estatutos. Está se formando uma associação protecionista apenas para quem reza em sua cartilha. O que fazer com esses profissionais que de uma forma ou outra são reconhecidos? Pelas escolas, pelos alunos, pelos leitores e por dirigentes sérios de um profissionalismo exemplar? Se temos respeitadíssimas pessoas em nosso mercado de trabalho (o da iluminação) que até são convidadas para participar de evento internacional em solo nacional, o Rio +20 e membro de associação abalizada e que faz restrição aos estatutos dessa “mandona” entidade, por que os “manda – chuvas” querem por força serem melhores? Não seria de bom tom e melhor convivência não impor regras e deixar o mercado ser algoz?

Se nós “os pequenos” que fomos aceitos pelo mercado de trabalho, pelos nossos clientes e fomos não só analisados, mas fomos agraciados com prêmios pelos nossos trabalhos executados, não basta?

Será que os novatos sofreram lavagem cerebral? Será que o tempo dos coronelismos não vai acabar nunca? Eu mando e você obedece? Isso é inadmissível…

Essa sociedade brutal precisa acabar, pois o sol nasceu para todos; por certo que a sombra só para meia dúzia, mas espaço há para todos e que se sobressaia o melhor. A competição é salutar! Ou será que essa imposição absurda reflete certo temor em perder o poder? O que neste século, nosso papel, é, de na corrida da vida mostrar que podemos e devemos ser melhores pessoas para que com nosso exemplo, possamos inspirar novas gerações com o livre arbítrio de pensar e agir. Pelo menos temos que tentar.

Fiz parte dessa associação (discriminadora) por um curto espaço de tempo, e deliberadamente resolvi sair, por me sentir aviltada por tentar ajudar e não ser aceita. Já que na área da iluminação era discriminada, tentei ajudar na área jurídica. Também sou bacharel em direito. Não fui levada a sério.

Então lutemos com as armas que temos e vamos em frente. Quem sabe possamos deixar este grito para o futuro.”

Diante da divulgação de meu texto e depois deste da Malu, surgiu um forte movimento de indignação de profissionais que atuam na área da iluminação.

Comprometimento é a palavra e defesa a regra.

Vale salientar que não falamos de pessoas e sim da instituição e suas artimanhas. Esse recado vai para a ABD também. Estão no mesmo barco que a AsBAI, tramam as mesmas sujeiras nos bastidores sob a lápide da ética.

Mas que ética se nem mesmo seus diretores, membros cumprem um simples código de ética ditado e imposto por eles mesmos?

Em breve terei mais notícias muito boas para vocês que não posso compartilhar por hora, mas os reinadinhos baseados em apartheids e reservas ilegais de mercado irão desmoronar.

E a ação já começou!!!

NDesign 2012 – N Jeitos – BH

Bom, pra quem perdeu e para aqueles que não fazem a menor idéia do que são os NDesign, taí o vídeo que foi apresentado no encerramento do N Jeitos para que vocês vejam e sintam um pouquinho do que foi, o que rolou, como é…

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Gente, vocês não fazem idéia do quanto me senti honrado em participar como convidado deste evento e como estou mega feliz com o resultado positivo da inserção da nossa área de Design de Ambientes dentro da grade oficial.

Pensei que eu fosse o único professor que não suporta ficar na sala dos professores nas horas livres e curte muito ficar no meio dos alunos interagindo, mas percebi que os outros convidados também adoram fazer isso.

Interagir, contribuir, compartilhar, construir, instigar, direcionar sem o uso de rédeas, derrubando muralhas e levantando em seu lugar pontes.

É isso.

 

 

LD, iluminador ou o que afinal de contas?*

Seja lá como você se denomina profissionalmente, pare e reflita um pouco.

Diante de uma indefinição terminológica parece natural que cada um busque valorizar sua área de formação principal. Entretanto isso desencadeia – sobretudo para o mercado – uma confusão na definição e na atuação específica dos vários profissionais da área da iluminação.

Percebe-se uma forte rejeição ao termo Lighting Designer, apesar de reconhecido mundialmente para denominar esta profissão. Não é incomum se deparar com vários profissionais que apresentam desculpas de todo tipo para justificar a não utilização do termo. Numa palestra, tive a oportunidade de ouvir um profissional, num tom bastante irônico e debochado, afirmar que ele se recusava a usar este termo, pois, como brasileiro, não admitia estrangeirismos, além de afirmar como “afrescalhado” (sic!) o uso desta denominação.

Em Londres, no dia 27 de outubro 2007, na sessão plenária da The Professional Lighting Design Convention (PLDC) – foi aprovada e proclamada a “Declaração para a Instituição Oficial da Profissão do Designer de Iluminação de Arquitetura”. Vários brasileiros que estavam presentes assinaram esta declaração.

De acordo com o Art. 2º desta declaração, não faz o menor sentido as insistentes tentativas de usar termos variados para denominar profissionais que fazem a mesma coisa. Ainda mais considerando como imprescindível a formação específica para esta atividade. Assim como soa imoral e até ilícita a tentativa de defender uma apropriação do Lighting Design como reserva de mercado para profissionais de certas áreas apoiando-se em argumentos falaciosos e desprovidos de conhecimento, irresponsáveis e desrespeitosos com aqueles profissionais que com preparo teórico-prático e competência trabalham com a luz.

O pessoal da cênica não foi considerado explicitamente nesta declaração. Porém, a International Association of Lighting Designers, a mais forte, séria e respeitada entidade da área de iluminação internacional, reconhece estes profissionais como Lighting Designers. Há que destacar que a IALD não faz distinção entre formações acadêmicas. O que vale é a qualidade do portfolio, o conhecimento, a técnica, a estética, a capacidade de solucionar os projetos através da experiência profissional.

Por aqui temos três associações: AsBAI, ABIL e ABrIC. O que nos impede de termos apenas uma englobando – e congregando – todos os profissionais que atuam na área de iluminação, com interesses comuns?

Das três, a meu ver, a mais isenta de segregação, enquanto ativa, foi a ABIL. Na AsBAI, reconheço a coragem de impor uma análise curricular para nela se associar, mais que necessária. Porém, nenhuma delas oferece aos seus associados uma forma de identificação profissional (carteirinha, selo, etc).

Na contramão da interdisciplinaridade como requisito de qualidade da atuação profissional, ainda nos deparamos com segmentação, segregação, divisão e cisão entre os profissionais brasileiros. De qualquer modo, essa situação reforça a ideia de que estamos em busca – e necessitamos com urgência – de uma identidade própria. Isso, porém, só conseguiremos quando houver ética e respeito mútuo entre os diversos profissionais.

Se continuarmos incapazes de falar a mesma língua e de, ao menos, usar a mesma denominação para nos identificar profissionalmente, além de facilitar o entendimento e reconhecimento da profissão pelo mercado, dificilmente conseguiremos o devido respeito e reconhecimento profissional. Neste contexto atual, dificilmente conseguiremos uma regulamentação profissional, mais que importante e necessária.

*Coluna “Luz e Design em foco” da revista Lume Arquitetura ed n° 55.

Especialista, prático ou oba-oba?*

Engraçado o uso do termo oba-oba no título deste texto? A meu ver, creio que ele tem muito a dizer a respeito do mercado de Lighting Designers brasileiro. Por este termo designo tudo aquilo que é feito valendo-se do jeitinho brasileiro que algumas pessoas usam para burlar leis, aproveitar-se de situações.

Para trabalhar com Lighting Design, não basta apenas um curso superior de arquitetura, engenharia ou design. Sabemos que os alunos saem desses cursos despreparados e crus em algumas áreas por causa do todo que engloba um projeto. O que vemos na academia não passa de um esboço em disciplinas estanques do que é trabalhar com iluminação. Grande parte dos formandos desses cursos receberam seus canudos sem saber nominar as lâmpadas, quiçá usálas corretamente. Culpa do desinteresse do aluno? De uma instituição universitária particular irresponsável ou de uma pública negligente?

Esses egressos, sem qualquer especialização, vão engrossando o coro do oba-oba, e só fazem repetir conceitos e discursos aprendidos na academia ou então, dissimuladamente, apoderam-se de fragmentos de discursos alheios lançando ao vento frases de efeito. Forjam uma aparente “expertise” para vender um produto que desconhecem. Isso, de certo modo, depõe contra a seriedade profissional e formação especializada de autênticos Lighting Designers.

Temos um outro grupo, que podemos denominar como práticos, formado por vendedores e instaladores. Dentre esses, alguns, pela seriedade de sua atuação profissional, tornaram-se “experts” no assunto iluminação. Conhecem profundamente o todo que compreende este universo. São profissionais capazes de elaborar projetos complexos e, por vezes, os vemos resolvendo projetos de profissionais formados nas lojas.

Por fim, temos o grupo dos especialistas, aqueles que aliaram sua experiência profissional ao necessário aprendizado teórico-prático em cursos especializados sérios. Mas existem alguns que, mesmo com estes cursos, saem sem aprender ao menos o básico. São aqueles que pensam na especialização apenas como um livro de receitas prontas. Culpa de quem? Deles ou de uma incapacidade decorrente de uma formação generalista realizada em instituições universitárias? De ambos?

Por outro lado, temos de reconhecer aqueles (poucos) que enfrentam seriamente a especialização, incansáveis na pesquisa diária e conscientes da necessidade da formação contínua, não apenas para conhecer melhor, mas compreender os porquês, entender os conceitos e suas inter-relações, conhecer profundamente os equipamentos e sistemas e como eles se constituem e se articulam para atender às demandas dos projetos.

No entanto, esses profissionais acabam encontrando inúmeras dificuldades em estabilizar-se no mercado por causa dos erros cometidos por outros. Culpa de quem isso tudo?

Culpa nossa, Lighting Designers. Culpa das associações profissionais que dizem nos representar e que na verdade só promovem ações inócuas e fragmentadoras, geralmente,visando defender apenas os interesses de sua diretoria. Com toda certeza, culpa também do descaso dos parlamentares reféns de lobbies corporativistas.

Enquanto não tivermos a nossa profissão devidamente regulamentada através de um projeto sério, feito não apenas por associações, mas por um processo democrático, transparente e público, que envolva todos os profissionais, continuaremos com este quadro.

E você acha que não tem nada a ver com isso?

*Coluna “Luz e Design em foco” da revista Lume Arquitetura ed n° 54.

Eu só queria uma luzinha*

Esta frase é, sem dúvida, a que mais ouvimos. Em geral, de clientes ou de profissionais afins que, numa tentativa de alguma vantagem, acabam por menosprezar o conhecimento e o trabalho do Lighting Designer (doravante, LD). É justamente com este tema, que abro minha coluna, aqui, na Lume Arquitetura.

Quando esta frase vem de um cliente, respondo algo como “então chame seu eletricista, que poderá colocar tantas luzinhas quantas você quiser”. Deste modo, levo o cliente a repensar e compreender a seriedade de um projeto de Lighting Design. Para alguns, em geral, com uma divertida ironia, retruco algo mais complexo como “meu primo médico me falou que precisarei passar por uma cirurgia, pois tenho colecistectomia. Então coloco a luzinha que quer e você me opera ‘na faixa’, pode ser?”

Uma boa parte da clientela, por mais que ignore o assunto em questão, sempre tenta levar alguma vantagem econômica – geralmente motivada pelos altos custos envolvidos – no projeto global. Porém, o cliente, ao contratar um LD, direta ou indiretamente, deve reconhecer a importância do trabalho deste profissional e das implicações do projeto a ser desenvolvido.

No entanto, é absurda esta frase quando vem de outros profissionais afins que poderiam se tornar parceiros em projetos. Muito comum receber ligações ou e-mails pedindo dicas sobre iluminação de seus projetos. Recuso-me a dar dicas gratuitas e proponho uma consultoria para o desenvolvimento do projeto. Não me surpreendo quando não recebo qualquer resposta.

Na possibilidade desta consultoria, ainda na negociação, muitos me fazem sentir como uma mercadoria num leilão às avessas: quem dá menos? É comum ouvir frases recorrentemente usadas na tentativa de baixar os custos (claro que do LD!): “Mas é só uma luzinha!” ou “Mas eu sou “X” (arquiteto, engenheiro ou decorador) e você é só um ‘iluminador’, por isso não pode cobrar mais caro que eu!”, dentre outras tantas mais, algumas até insolentes.

Ainda piores são muitos profissionais à semelhança, por exemplo, daquele que acha absurdo o LD cobrar 5 mil reais por um determinado projeto quando ele cobrou apenas 2 mil reais pelo dele (por conta das inúmeras RTs (Reserva Técnica – paga por lojistas aos especificadores) vinculadas ao seu projeto que em geral o cliente desconhece). Ou então, ao propor um desconto – em troca das RTs e com o conhecimento do cliente destas – no valor cobrado do projeto a ser desenvolvido em parceria, este profissional (como muitos!) também se recusa a repartir as RTs das lojas (as relacionadas especificamente ao projeto de Lighting Design). Alega que estas RTs são responsáveis pelo seu sustento. De qualquer forma, para ele, o valor do projeto tem que sair por, digamos, 5 mil reais no máximo – e sem RTs.

O que tem de ficar bem claro tanto para clientes como, principalmente, para os profissionais, é o seguinte:

Como qualquer profissional que teve sua formação profissional, o LD também teve a sua de forma especializada. Foram anos de estudos e pesquisa. O custo do investimento foi alto para adquirir o conhecimento e as competências necessárias que possuem hoje. Então, só podemos concluir que não convém a um cliente ou a um profissional desvalorizar o trabalho do LD com a recorrente frase de que precisa “apenas de uma luzinha” ou, no caso de um profissional que finge uma parceria, dizendo que o seu trabalho é mais importante. Os profissionais sérios reconhecem honestamente que não são capacitados para o desenvolvimento de projetos de iluminação e que, por sua vez, reconhecem a necessidade de parceria com o LD, dado que sem luz projetada adequadamente, seu trabalho não agrega valor e perde muito em qualidade.

*Coluna “Luz e Design em foco” da revista Lume Arquitetura ed n° 53.

Promo #DAC! e De Maio Editora

Pois é, conforme prometido mais uma promo exclusiva para meus leitores.

Desta vez o presente é o livro do meu amigo Valmir Perez, que acaba de ser lançado durante a Expolux.

Para quem não sabe, o Valmir é o coordenador do Laboratório de Iluminação da Unicamp. Um mestre na arte de iluminar com uma visão ímpar sobre iluminação e claro, muito conhecimento técnico e estético.

O livro

O livro “Luz e Arte, Um paralelo entre as ideias de grandes mestres da pintura e o design de iluminação”, de autoria de Valmir Perez, reune nesta obra os 20 artigos da série Luz e Arte, publicados na Revista Lume Arquitetura ao longo de três anos e de grande repercussão entre seus leitores.

Posso garantir que é um livro de primeira grandeza pois li todos os artigos e sempre que possível voltava a algum deles para degustar conhecimento e viajar junto com o Valmir pela história da arte e da iluminação.

Com este livro a De Maio Editora – que publica a Revista Lume Arquitetura há 10 anos – oferece aos profissionais de arquitetura e lighting design, entre tantos outros que se dedicam a luminotécnica, mais um material de relevância didática. Seu conteúdo histórico e inspirador o torna também um livro mais abrangente, alcançando ainda os admiradores da arte, estudantes e professores.

Com mais este livro a editora dá continuidade a sua missão de contribuir para a formação e atividade dos profissionais da área e o desenvolvimento da cultura de iluminação no Brasil.

Conheça o hotsite do livro.

O sorteio

Para participar do sorteio você terá de cumprir as seguintes etapas:

a- Participe do grupo Design: Ações e Críticas no Facebook.
b – Participe do grupo Lighting Design Brasil, no Facebook.
c – Curta a página da Revista Lume Arquitetura no Facebook.

Depois disso responda nos comentários aqui embaixo, em poucas linhas,  uma das duas perguntas:

1 – Qual a importância da iluminação para a arte?

Ou

2 – Qual a importância da arte para a iluminação?

Você escolhe.

O sorteio será no dia 20/05/2012 às 20 horas, através do site http://www.random.org.br

Tenho certeza de que este presente será de grande valia para quem o ganhar.

Boa sorte a todos!!!

;-))

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E quem levou o livro foi:

Cassia Macarenhas.

Parabéns!!!

Entre em contato com a Kátia (katia@lumearquitetura.com.br) para passar seus dados e receber seu livro aí em sua casa!!!

;-))

Comemoração 1MI: uma assinatura da Lume Arquitetura!!!

Well, well, well…

Atingimos a marca de 1 milhão de acessos a este blog e eu só tenho a agradecer a todos vocês leitores e seguidores fiéis que acreditam em meu trabalho desenvolvido aqui. Em comemoração, estou publicando a série de textos sobre materiais para Design de Interiores e Ambientes e também fazendo algumas promoções.

Para começar com as promoções, nada melhor que o sorteio de uma assinatura de nossa parceiríssima Revista Lume Arquitetura – da qual tenho a honra de fazer parte da familia de colaboradores.

Está fácil levar esta assinatura, basta seguir os passos:

1 – Participar dos grupos Design: Ações e Críticas e do Lighting Design Brasil, lá no facebook;

2 – Copiar e colar aqui nos comentários a frase: “Eu quero ganhar a assinatura da Lume Arquitetura“.

E pronto.

Depois disso é só torcer e aguardar.

O sorteio que será realizado no dia 25/03/2012 às 20:00 horas.

O sorteio será através do site Random.org

Boa sorte a todos!!!

;-))

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Vamos então ao ganhador desta promo:

DaniZide

Parabéns!!!

Por favor entre em contato com a Kátia (katia@lumearquitetura.com.br) para efetivar a sua assinatura com urgência ok?

Valeu galera, e não se esqueçam que ainda está rolando outra promoção aqui no blog: 2 livros ótimos!!!

;-)

2ª Expo Virtual de Iluminação Sustentável – LightingNow

O nosso parceiro Portal LightingNow está lançando a segunda edição da sua Exposição Virtual. Isso demonstra o grande sucesso desta idéia tanto junto aos fornecedores quanto ao público.

A idéia é simples: fornecedores adquirem seus estandes virtuais, montam os mesmos e o público visitam a feira através de sites elaborados especificamente para este fim. Veja um exemplo de estande virtual aqui.

Não há necessidade de instalação de nenhum software. A Expo pode ser acessada de qualquer equipamento conectado a internet, seja ele um computador, tablet ou celular. E ainda tem mais: ela fica disponível 24h por dia!!!

Para vocês terem uma idéia da dimensão deste evento, observem os números da primeira edição:

Os Números da 1ª Edição:
16.000 visitas ao portal
6.791 visitantes na expo
43.745 páginas visitadas
550 profissionais no Workshop

Os Expositores
GE
PHILIPS
BRILIA
LIGHT DESIGN
INTEGRATTA
LEDPLUS
LUME ARQUITETURA
EFILUX
SSL LEDS
UTILUZ
ILUFLEX

Lembrando que todo o público é formado maciçamente por profissionais ligados à iluminação

Quais as vantagens desta exposição virtual?

Benefícios p/ Expositores

Baixo Investimento
Abrangêcia Nacional e Internacional
Sem locação de “Chão” e Montadora
Sem despesas com Viagens e Staff
Sua empresa não “pára” em virtude da Expo
288 horas disponíveis à visitação
Sem produção de Gráfica p/ Visitantes
Sem consumo de Energia Elétrica
Evento Sustentável

Benefícios p/ Visitantes

Visitação com horário flexível (24 horas)
Otimize de seu tempo (visite quando puder)
Sem despesas com Viagens e Hospedagem
Sem a ausência de seu Trabalho ou Faculdade
Material por Download (sem papel)
Interação com os Expositores
Vídeos, Animações e Apresentações
Informações atualizadas em tempo real
Evento ambientalmente correto

O que pode ser disponibilizado no Stand Virtual?

Apresentação de sua Empresa
Catálogos
Folders de Lançamentos
Fotos de Produtos e Institucionais
Cases de Sucesso
Vídeos em Geral
Apresentações em Power Point
Downloads Diversos
Links Externos
Contatos Comerciais e tudo mais que puder ser “virtualizado”

A Feira Virtual é uma oportunidade única para disponibilizar ao público visitante, tudo o que um “Stand Convencional” pode oferecer, porém com um custo infinitamente inferior.

Entre em contato com o Departamento Comercial e conheça a proposta exclusiva para disponibilizar o seu Stand Virtual na 2ª Edição.

Do fogo ao LED: a história da iluminação

Como ainda não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente, compartilho aqui a matéria que saiu na Casa & Jardim sobre o museu. Assim que eu for à Sampa visitarei, tirarei fotos e colocarei aqui minhas impressões.

É o tipo de passeio que eu adoraria fazer com meu mestre e amigo Farlley Derze!!!

Segue a matéria:

Do fogo ao LED: a história da iluminação

Museu da Lâmpada, em São Paulo, conta a trajetória do homem na busca pela luz. O acervo inclui mais de 70 modelos diferentes, produzidos a partir do século 19.


Ficar sem energia elétrica por alguns minutos é um tormento na vida moderna: cada minuto que passamos na escuridão, sem computador, televisão e outros equipamentos fortemente incorporados na nossa rotina, parece uma eternidade. Imagine, então, como era o cotidiano das pessoas antes do empresário americano Thomas Edison inventar a lâmpada. A criação deste objeto revolucionou a história e para mostrar como isso tudo aconteceu, São Paulo inaugura no próximo dia 15 de março o Museu da Lâmpada.

O espaço, único do tipo na América Latina, conta com um acervo composto por peças antigas, produzidas a partir do século 19, e também por equipamentos mais modernos, utilizados nos dias de hoje. Tudo para contar como aconteceu a evolução da iluminação, desde que o homem começou a sentir necessidade dela, na pré-história, até os efeitos desta invenção na humanidade. “Havia dúvidas constantes de clientes e interessados sobre os princípios da luz. Como tínhamos um acervo de lâmpadas antigas, resolvemos investir e colocar a ideia em prática”, explica o idealizador do projeto, Gilberto Pedrone. A iniciativa é da empresa especializada em materiais elétricos Gimawa.

PASSEIO ILUMINADO

Além de ver de perto mais de 70 modelos de lâmpadas diferentes em exposição, o público também poderá assistir a vídeos explicativos, para saber mais sobre cada um deles. Outra atração do museu é o Teste de IRC. Interativo, permite que os visitantes experimentem e entendam como funciona a visualização de cores por meio da luz e a variação dos tons de acordo com a fonte de iluminação. O espaço também trata do processo de reciclagem das lâmpadas e de sustentabilidade.

Em entrevista ao site de Casa e Jardim, Gilberto Pedrone conta um pouco mais sobre o assunto:

Casa e JardimCite alguma evolução muito importante para a humanidade que só aconteceu porque tínhamos luz.

Gilberto Pedrone – Existem muitas, mas acredito que a principal foi o advento da organização social. O homem começou a utilizar a luz tanto para sua vida, em casa, como também à noite criando toda uma cultura de hábitos e conceitos.

CJQuantos modelos de lâmpadas o museu tem? Foi difícil reunir todos eles?

GP – O museu possui cerca de 70 modelos de lâmpadas. Foi difícil sim! Demorou cerca de dois anos para reunirmos um acervo de pesquisa.

CJQual foi a maior dificuldade?

GP – A maior dificuldade foi achar uma réplica da primeira lâmpada de Thomas Edison.

CJQual é a peça mais antiga do museu?

GP – É uma lamparina do ano de 1800.

CJComo ela funciona?

GP – Com acendimento a querosene.

CJ Na sua opinião, qual é a peça mais curiosa?

GP – Acredito que a peça mais seja um lustre que tematiza o momento de várias lâmpadas incandescentes. O objeto é adornado por fibras óticas.

CJPor quê?

GP – Porque é a junção dos tempos: passado e futuro, unidos por um único ideal, que é a iluminação.

Serviço
Museu da Lâmpada
Inauguração: 15 de março de 2012
Av. João Pedro Cardoso, 574
Aeroporto – São Paulo, SP
Ingresso: um quilo de alimento não perecível
As visitas deverão ser agendadas pelo telefone  (11) 2898-9333

Fonte: Casa e Jardim

Aproveitando-se da histeria coletiva

Já faz alguns dias que venho percebendo uma forte tendência da mídia, onde determinados grupos estão, descaradamente, aproveitando-se da histeria coletiva gerada por causa do desabamento dos edifícios no Rio de Janeiro bem como usando o lado desinformado da mesma para aproveitar-se quando lançam inverdades sobre os diversos profissionais que atuam nas diversas áreas da construção civil.

Pelo que tenho percebido em muitas – mas muitas mesmo – matérias que tenho lido diariamente desde o desabamento, o mote principal é: “não reforme sem contratar um profissional especializado“. Isso ocorre especialmente na mídia longe dos grandes centros, mas também ví coisas similares no G1, R7, UOL e outros grandes portais nacionais.

Até aí tudo bem SE e SOMENTE SE a coisa toda parasse por aí.

Mas não. Ainda não contentes, eles tem de tirar vantagem da situação mesmo que isso signifique jogar a ética profissional (que poucos deles tem na verdade) no lixo ao alegar que toda e qualquer reforma exige a presença de um engenheiro ou arquiteto. Que só estes profissionais são qualificados para realizar desde pequenas até grandes reformas seja em residências ou edifícios.

Toda e qualquer alteração deve ser acompanhada por estes dois profissionais que, segundo eles (CREA, CAU, AsBEA, profissionais entrevistados e etc) são os únicos capazes de efetuar obras sem riscos.

APARTE: estou adorando ver CREA e CAU se degladiando AH AH AH!

Aproveitam-se também – e em alguns casos até tentam confundir – do fato das reformas terem sido feitas por uma pessoa não habilitada, que tinha apenas bom gosto e sabia lidar com o AutoCAD. Li muitas vezes, frases dissimuladas onde entende-se perfeitamente ataques diretos aos Designers de Interiores/Ambientes.

Em várias matérias o que dá a entender é que daqui a pouco, até mesmo para simplesmente pintar as paredes o cliente terá de contratar um arquiteto ou um engenheiro civil.

PALHAÇADA!!!

Em meio a tudo isso, para uma associação que sonha em um dia vir à ser o futuro Conselho Fedaral de design de Interiores, a ABD, resta o silêncio conivente com toda esta palhaçada e absurda falta de respeito para com os verdadeiros Designers de Interiores/Ambientes. Sim, digo verdadeiros pois, à começar pela diretoria, a entidade é formada em grande parte por arquitetos e decoradores (que não são designers!).

O silêncio da ABD sobre este assunto é estarrecedor.

Enquanto CREA e CAU aproveitam-se da situação amplificando ao máximo a histeria coletiva gerada por esta caso, desqualificando e humilhando outros profissionais TAMBÉM QUALIFICADOS, a ABD mantem-se em seu reininho cor de rosa onde tudo é lindo, gamuroso e perfeito. Faz de conta que não está vendo mas, pela minha experiência com ela posso afirmar que está sim ciente de tudo isso e só vai se mexer quando a água bater na bunda novamente de algum diretor, como quando aconteceu com a Brandalise.

Nos resta então lutar com nossas próprias armas, a informação e o conhecimento, para tentar barrar essa tremenda falta de respeito que estamos sendo vítimas e pior, sem ter culpa alguma afinal, a fulana lá que estava fazendo a obra NÃO TINHA FORMAÇÃO ALGUMA NA ÁREA, bem diferente de nós, DESIGNERS DE Interiores/Ambientes que estudamos tanto quanto (ou até bem mais que) muitos arquitetos e engenheiros.

Portanto, fica aqui o meu repúdio à tuda essa palhaçada que vem sendo fomentada por pessoas e entidades sem qualquer respeito ou ética pessoal e, quiçá, profissional.

Portanto senhores, antes de vir à público desqualificar e humilhar a minha área profissional, arrumem primeiro a casa de vocês! Tem muita coisa para vocês se preocuparem dentro de suas próprias áreas para ficar de olho grande em cima da minha área. Se não conseguem enxergar, aqui vão algumas dicas:

FORMAÇÃO:

O que não falta neste país é UNIESQUINA lançando péssimos profissionais no mercado. O problema está na péssima qualidade dos cursos ofertados especialmente nas IES particulares.

CARTEIRA PROFISSIONAL:

Por serem estas áreas essenciais e que fundamentalmente podem colocar usuários em risco de morte, não entendo como não há a exigência de um exame para poder atuar na área. Somente os exames podem evitar a infestação dos profissionais ruins que mancham as profissões. Só para constar: defendo a aplicação do exame para a minha área também ok?

Uma dica ainda dentro deste tema: façam uma provinha bem básica com todos os engenheiros e arquitetos sobre a NBR 15.575. Tenho certeza de que 90% irão reprovar. Aí vocês terão uma verdadeira noção da realidade dos profissionais atuantes no mercado que vocês representam.

ATUAÇÃO PROFISSIONAL:

O que não falta é profissional de engenharia e arquitetura que não abrem suas ARTs, que não respeitam os códigos de ética, que não cobram por projetos em troca das RTs e mais um oceano de coisinhas que precisam ser arrumadas com urgência. Se tiver de punir, que apunição seja exemplar para que os outros aprendam através do sofrimento alheio à não cometer os mesmos erros e safadezas.

FISCALIZAÇÃO:

Isso é uma piada aqui no Brasil. O que não faltam são obras com profissionais que se recusam à colocar suas placas para fugir da fiscalização (voltando ao item anterior).

SOCIAL:

O Brasil é um país de terceiro mundo e continua sendo de terceiro mundo apesar de toda a pavonice que tem sido criada para desmistificar isso. É só olhar em qualquer cidade, nas volas, nas favelas os graves problemas que enfrentamos diariamente. Um país que não oferece saneamento básico para a sua população, em sua totalidade, não pode ser considerado de primeiro mundo. Porque vocês permitem a proliferação de construções feitas por “práticos” em áreas de risco e alto risco? Porque não levantam a bunda de suas cadeiras e vão em cima do Cogresso Nacional exigir que esse tipo de coisa seja proibido aqui no Brasil? Porque não solicitam aos profissionais de suas áreas que sejam cidadãos conscientes e doem projetos populares para os menos favorecidos?

Não me refiro a projetos como o que o CREA tem de moradias sociais e sim a ação particular de cada profissional. Se não quer fazer uma “casinha”, faça uma praça, projete o saneamento de uma rua, urbaniza uma vila afastada entre tantas outras coisas que vocês podem fazer E NÃO FAZEM! Preferem ficar de picuinha.

Parceiros, fornecedores e empreendedores para fazer isso vocês conseguem fácil. O que falta é vontade de vocês fazerem algo de realmente útil à sociedade.

Estas são apenas algumas dicas para que vocês vejam quantos problemas existem dentro das áreas de vocês e que vocês não resolvem. Ou por fazer vista grossa ou porque não querem resolver mesmo. Existem ainda muitos outros. É só vocês observarem atentamente o mercado e as notícias nos jornais (não apenas as que lhes interessam).

E parem de ridicularizar e menosprezar a minha área profissional para a qual, estudei (e estudo) muito.

Por essas e outras Designers, precisamos com urgência urgentíssima regulamentar a nossa profissão de maneira séria, não através da palhaçada que a ABD está propondo.

LD na origem

Esta entrevista com o Francesco Iannone foi publicada em 2007 na revista Lume Arquitetura.

É bastante interessante a visão dele – que é considerado um dos pais do LD – sobre a atuação do profissional da área.

Vale a pena ler e refletir sobre muitas coisas colocadas por ele nesta entrevista.

Leia a entrevista aqui no site da Lume Arquitetura.